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Modulo portoghese 3 Castagna 2024/2025, Appunti di Lingua Portoghese

Appunti completi modulo portoghese TERZO ANNO, Università Ca Foscari Venezia, Vanessa Castagna, 2024/25

Tipologia: Appunti

2024/2025

In vendita dal 23/06/2025

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Lezione 1 (04.02)
Angola e Moçambique destacam-se de outros países de língua portuguesa:
- pela sua dimensão demográfica: ambos possuem um número expressivo de
habitantes e um forte crescimento populacional
- nesses territórios convivem muitas outras línguas de origem bantu, o que influencia
a formação de novas variedades de português. Estudos linguísticos, como os de
Perpétua Gonçalves, mostram vários pontos de contato entre o português de
Moçambique e o de Angola, consequência de processos históricos de colonização
semelhantes.
A ocupação portuguesa, que começou simbolicamente em 1415 com a tomada de Ceuta
por motivos comerciais, desenvolveu-se em três fases: o chamado “império asiático”, o
“império brasileiro” e, finalmente, o “império africano”. Durante o período de partilha do
continente na Conferência de Berlim, Portugal elaborou o chamado “mapa cor-de-rosa”,
procurando conectar as costas atlântica e índica para demonstrar uma ocupação efetiva do
território. A ingerência britânica, por meio do “ultimato inglês”, acabou frustrando esse plano.
A Revolução dos Cravos, em 1974, encerrou o colonialismo português na África, embora o
caso de Macau, devolvido à República Popular da China em 1999, tenha sido a última
transferência de soberania. Hoje, acredita-se que o futuro do português estará fortemente
ligado à África. A Guiné Equatorial, por exemplo, foi o último país a aderir à CPLP,
reforçando a presença do português em territórios além do eixo luso-brasileiro.
lezione 2 (11/02)
Problemas:
A conferência de dados pode ser um desafio, pois
muitas vezes é difícil verificar a precisão dos números
apresentados.
A evolução dos idiomas ocorre de maneira
acelerada, o que torna complicado definir valores exatos.
Como consequência, as informações podem rapidamente
se tornar obsoletas, dificultando a análise precisa da
distribuição dos falantes.
Distribuição das Línguas:
Entre as dez línguas mais faladas do mundo, sete pertencem à família
indo-europeia, o que evidencia sua predominância global.
O critério adotado para definir o que é uma língua vernacular pode impactar o
número total de idiomas considerados, pois muitas variações e dialetos acabam
ficando de fora dessa contagem.
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Lezione 1 (04.02)

Angola e Moçambique destacam-se de outros países de língua portuguesa:

  • pela sua dimensão demográfica: ambos possuem um número expressivo de habitantes e um forte crescimento populacional
  • nesses territórios convivem muitas outras línguas de origem bantu, o que influencia a formação de novas variedades de português. Estudos linguísticos, como os de Perpétua Gonçalves, mostram vários pontos de contato entre o português de Moçambique e o de Angola, consequência de processos históricos de colonização semelhantes.

A ocupação portuguesa, que começou simbolicamente em 1415 com a tomada de Ceuta por motivos comerciais, desenvolveu-se em três fases: o chamado “império asiático”, o “império brasileiro” e, finalmente, o “império africano”. Durante o período de partilha do continente na Conferência de Berlim, Portugal elaborou o chamado “mapa cor-de-rosa”, procurando conectar as costas atlântica e índica para demonstrar uma ocupação efetiva do território. A ingerência britânica, por meio do “ultimato inglês”, acabou frustrando esse plano.

A Revolução dos Cravos, em 1974, encerrou o colonialismo português na África, embora o caso de Macau, devolvido à República Popular da China em 1999, tenha sido a última transferência de soberania. Hoje, acredita-se que o futuro do português estará fortemente ligado à África. A Guiné Equatorial, por exemplo, foi o último país a aderir à CPLP, reforçando a presença do português em territórios além do eixo luso-brasileiro.

lezione 2 (11/02)

Problemas:

● A conferência de dados pode ser um desafio, pois muitas vezes é difícil verificar a precisão dos números apresentados. ● A evolução dos idiomas ocorre de maneira acelerada, o que torna complicado definir valores exatos.

Como consequência, as informações podem rapidamente se tornar obsoletas, dificultando a análise precisa da distribuição dos falantes.

Distribuição das Línguas:

● Entre as dez línguas mais faladas do mundo, sete pertencem à família indo-europeia, o que evidencia sua predominância global. ● O critério adotado para definir o que é uma língua vernacular pode impactar o número total de idiomas considerados, pois muitas variações e dialetos acabam ficando de fora dessa contagem.

Representação Gráfica:

● O gráfico representa a quantidade de falantes nativos por meio de pontos. ○ Um bom exemplo dessa diferença é o francês, que possui um círculo pequeno quando comparado ao mandarim, cujo círculo é muito maior devido ao grande número de falantes nativos. ● Outro caso interessante é o árabe, que se destaca como uma língua de cultura, abrangendo diversas variedades que não seguem um único padrão, o que torna sua representação mais complexa.

Problemas :

es. Quantas línguas existem em Angola? Essa é uma questão difícil de responder de forma definitiva. Muitas vezes, existe a tendência de considerar como línguas separadas as várias variedades internas de outras línguas, o que torna a contagem mais complexa. Portanto, não há uma resposta clara no momento.

O interesse dos missionários nas línguas locais Os missionários tinham um grande interesse em reconhecer as diversas línguas presentes nas regiões onde atuavam, principalmente para promover a catequese nas línguas locais. Esse foco em segmentar e catalogar as línguas tinha o objetivo de tornar a religião mais acessível para as populações, permitindo a transmissão da fé em seus próprios idiomas. Quem trabalha nessa área, hoje em dia, também tem o interesse de identificar e segmentar ainda mais as línguas presentes nesses territórios, pois a diversidade linguística é grande e, em muitos casos, pouco documentada.

O português extraeuropeu Quando falamos do português fora da Europa, é importante entender os critérios usados para abordar a situação da língua nas ex-colônias africanas. Durante a fase do português clássico, os materiais educacionais foram pensados principalmente para a exportação do português, sem se preocupar tanto com as especificidades locais. Com o tempo, o português foi se fixando fora das fronteiras europeias, ganhando espaço como língua dominante. Em algumas regiões, como em Angola e Moçambique, o português tornou-se a língua materna da quase totalidade da população.

O que aconteceu nos outros territórios?

Os portugueses, ao longo dos séculos, apresentaram dois tipos principais de comportamentos fora da Europa:

  1. Século 16 - O transplante do português no Brasil e na Índia Durante o século 16, o português foi transplantado para novos territórios, como o Brasil e a Índia. Nessas regiões, o português se desenvolveu de forma autônoma, criando variações próprias, distintas da variedade europeia. No caso da Índia, o português perdeu terreno ao longo do tempo, tornando-se uma "reliquia" – um português que, em muitos casos, foi fortemente influenciado pelo inglês e misturado com outras línguas locais, formando uma espécie de pidgin.

Além disso, muitas das línguas africanas eram línguas ágrafas , ou seja, não tinham uma forma escrita. Isso dificultou ainda mais a preservação dessas línguas e culturas, e contribuiu para a ascensão das línguas coloniais como as principais formas de comunicação e administração.

Após o século do imperialismo, surgiram movimentos nacionalistas de autodeterminação na África. Esses movimentos foram liderados por elites que mantinham uma forte relação com as potências coloniais, já que não havia universidades locais e muitos desses líderes foram estudar nas metrópoles. Após a independência, essas elites tendiam a aplicar o modelo europeu em seus países recém-independentes.

As colônias portuguesas foram as últimas a conquistar a independência, com a transição de poder ocorrendo em 1975 , quando Portugal, um dos países mais militarizados do mundo, também enfrentava mudanças internas. A independência dessas colônias e a de outros países africanos marcaram o início de um novo período para o continente, e hoje celebram-se 50 anos de independência em muitas dessas nações.

Línguas Bantu e o problema do multilinguismo

A questão do multilinguismo na África está intimamente ligada à questão étnica , pois a diversidade linguística reflete a grande diversidade de etnias no continente. Com isso, surge a necessidade de forjar uma identidade nacional , e a linguagem desempenha um papel central nesse processo. A língua dos colonizadores , como o português, foi escolhida como a língua que poderia unir as diversas etnias de Angola, Moçambique e outros países africanos.

No início, o português tinha muitas conotações negativas , pois era visto como a língua dos colonizadores. No entanto, durante os anos de governo colonial , o português se transformou em língua de resistência. Os movimentos nacionais começaram a utilizá-lo como uma ferramenta para unir pessoas de etnias diferentes na luta contra os colonizadores. Assim, o português passou a ser um instrumento de resistência e, eventualmente, se consolidou como a língua nacional após a independência.

Esse processo representa a aquisição de um novo símbolo : o português, inicialmente associado à opressão, tornou-se um símbolo de resistência e, por fim, uma língua nacional , capaz de promover a unificação progressiva dos povos angolanos, moçambicanos e de outros países africanos.

  • língua dos colonizadores
  • lingua da resistencia
  • lingua nacional

Pepetela, nome de guerra do escritor angolano, é conhecido pelo seu romance polifônico Mayombe , que aborda várias questões sociais e políticas em Angola. Um dos personagens do romance, chamado "Teoria", reflete sobre a questão da língua em Angola, um tema central no contexto da pós-colonização.

No romance, explora-se como o português está progressivamente se naturalizando em Angola. Isso se manifesta na incorporação do vocabulário das línguas nacionais angolanas, bem como nas variações sintáticas que tornam o português uma língua cada vez mais adaptada ao contexto local. Esse processo reflete uma apropriação da língua dos colonizadores pela população angolana.

Nos últimos anos, um tema relevante tem sido a educação bilíngue em Angola, que busca equilibrar o uso do português com as línguas locais, promovendo uma maior inclusão linguística e cultural no sistema educacional do país.

No campo das relações internacionais , uma questão importante diz respeito aos PALOP (Países Africanos de Língua Oficial Portuguesa), nos quais se distingue a zona dos criolês e a dos bantu. Os países situados na linha do Equador (São Tomé e Príncipe, Guiné-Bissau e Cabo Verde) possuem criolos baseados no vocabulário português, enquanto os países abaixo da linha do Equador (Angola e Moçambique) não têm criolos, mas uma forte presença das línguas bantu , com um multilinguismo muito acentuado.

A língua materna influencia diretamente a maneira como uma pessoa aprende o português, já que as línguas bantu e os crioulos apresentam estruturas linguísticas diferentes, que exercem influência sobre o substrato linguístico.

O termo bantu é um adjetivo invariável que se refere a uma vasta família de línguas, e uma variante deste termo é banta , que se refere à zona banta e às línguas bantas.

Nos países africanos lusófonos, a diversidade étnica e linguística é evidente: países como Angola, Moçambique e Guiné-Bissau possuem línguas maternas faladas por cerca de 50% da população, enquanto Cabo Verde e São Tomé e Príncipe se caracterizam por um biliguismo generalizado , com ampla disseminação do português e dos crioulos.

lezione 3 (18.02)

Terminologia, Línguas e tradução

A terminologia = disciplina científica que estuda as chamadas línguas de especialidade e seu vocabulário desempenha um papel fundamental nesse processo

o objeto de estudo da terminologia é o conjunto de termos de um domínio e dos conceitos por eles designadas

Os estudos terminológicos fornecem as bases teóricas e metodológicas para inúmeras pesquisas tendo aplicações

  • no ensino das línguas
  • na tradução
  • no ensino de disciplinas técnicas e científicas
  • na documentação
  • no jornalismo científico
  • nas ciências sociais
  • na transferencia do saber tecnico e cientifico

Quando entra na escola, tem um problema que não é só aprender português, mas estudar todas as outras matérias em português. Usar uma língua não materna como língua de educação é algo que não funciona e não tem o mesmo sucesso que a língua mãe.

Nas últimas décadas, houve uma maior atenção a esse problema, com esforços para tentar integrar o português com as outras línguas faladas nas diversas comunidades. Em 1996, as Nações Unidas aprovaram uma Declaração Universal sobre os Direitos Linguísticos, que estabelece importantes direitos relacionados ao uso da língua

  • direito de uso da língua materna em privado e em público (ex. durante a segunda guerra mundial em brasil era proibido o uso do italiano)
  • direito a ensino da própria língua e a própria cultura
  • direito a uma presença equitativa da língua e da cultura do grupo da comunicação
  • direito a ser atendidos (poder interagir na própria língua) nas relações econômicas (ter alguém que garante este direito com um intérprete)

Nos países de língua portuguesa, na maior parte dos casos, não se observa um verdadeiro bilinguismo ou trilinguismo, mas sim uma situação de diglossia ou triglossia. A diglossia refere-se à coexistência de duas línguas na mesma comunidade, mas com funções e status desiguais. Nessa situação, três aspectos principais caracterizam a diglossia:

  1. Prestígio : As línguas não são equivalentes em termos de prestígio. Por exemplo, na Guiné-Bissau, o português tem maior prestígio e é usado em contextos formais e oficiais, enquanto o fula, com menor prestígio, é utilizado em contextos informais.
  2. Função social : As duas línguas não são usadas nos mesmos contextos. Na escola, por exemplo, o português é a língua de ensino, enquanto no comércio e nas interações diárias, o fula é a língua mais comum.
  3. Domínio do falante : O domínio das línguas pelos falantes é desigual. Embora muitos falantes possam falar duas línguas, a língua que dominam mais frequentemente é a de menor prestígio, o que reflete uma desigualdade linguística na sociedade.

A triglossia , por sua vez, é uma situação mais complexa que pode ser observada em lugares como a Guiné-Bissau, onde há uma hierarquia entre as línguas. Existe uma língua dominante, geralmente usada em contextos formais ou administrativos, uma língua de prestígio médio, e outras línguas com status inferior, usadas em contextos informais ou regionais. Esse arranjo linguístico reflete uma clara divisão social e funcional entre as línguas, sem uma verdadeira igualdade de status ou uso entre elas.

crioulos de base lexical portuguesas

Os crioulos de base lexical portuguesa, falados na Guiné-Bissau, em São Tomé e Príncipe, e em outros países lusófonos, são variantes linguísticas que, embora compartilhem a base lexical portuguesa, apresentam características próprias e são considerados línguas independentes. No século passado, os crioulos não eram reconhecidos como línguas,

sendo frequentemente vistos como uma forma de "português falado mal". Contudo, é importante destacar que o crioulo tem uma estrutura própria, com características que o distinguem do português.

Se compararmos os crioulos com base lexical portuguesa com outros crioulos de diferentes bases lexicais, como o crioulo de base francesa, espanhola ou inglesa, podemos perceber que, na realidade, os crioulos têm mais semelhanças entre si do que com as línguas das quais derivam. Ou seja, os crioulos de diferentes regiões ou países que têm bases lexicais diferentes tendem a compartilhar mais elementos entre si do que com o português, francês, inglês ou espanhol.

A palavra "crioulo" tem origem no verbo português "criar", que significa "crescer". Antes de surgirem os crioulos, existia uma variedade chamada pidgin , que era uma "língua reduzida". O pidgin surgia em situações de contato entre falantes de línguas diferentes que precisavam se comunicar de forma básica em um domínio restrito. Com o tempo, o pidgin era transmitido às crianças, que o aprendiam como língua materna, evoluindo para o crioulo.

Os crioulos, especialmente os de base lexical portuguesa, compartilham alguns traços estruturais que os diferenciam das línguas flexionais como o português. Aqui estão alguns desses traços comuns:

  1. Sistema de partículas preverbais : Ao contrário do português, que é uma língua flexional com desinências verbais, nos crioulos o tempo, modo e aspecto verbais são expressos por um sistema de partículas preverbais bem definido. Essas partículas são fixas e precedem o verbo, substituindo as desinências flexionais.
  2. Orações relativas sem relativizador : Nos crioulos, as orações relativas muitas vezes são formadas sem o uso de um relativizador (como o "que" no português), o que simplifica a estrutura da oração.
  3. Partícula de negação pré-verbal : Ao contrário do português, onde a negação geralmente aparece depois do verbo, nos crioulos a partícula de negação ocupa a posição pré-verbal, ou seja, vem antes do verbo.
  4. Verbo de "existência" e "posse" : Nos crioulos, o mesmo lexema verbal pode expressar tanto o conceito de "existência" quanto o de "posse", o que é uma simplificação em relação ao português, onde esses conceitos são expressos por verbos diferentes (como "haver" para "existir" e "ter" para "possuir").
  5. Ausência de verbo copulativo : Os crioulos, ao contrário do português, não utilizam um verbo copulativo (como o verbo "ser") de forma obrigatória para ligar o sujeito ao predicado. O predicado muitas vezes é simplesmente ligado ao sujeito sem o uso do verbo "ser".

mescla com as línguas locais, criando novos dialetos.

Crioulos de Quilombo : Derivam das línguas faladas por escravos fugidos, conhecidos como quilombolas, que se refugiavam em comunidades isoladas. Um exemplo é o crioulo angolar, falado em São Tomé e originado de um grupo de escravos que fugiu de Angola.

Crioulos de base lexical portuguesa fora dos países lusófonos:

Os crioulos de base lexical portuguesa não estão restritos apenas aos países com o português como língua oficial. Também são falados em outras regiões, como:

Senegal (Casamansa) : Uma região onde se fala crioulo de base portuguesa, influenciado pela história colonial. ● Ano Bom : Uma ilha próxima a São Tomé, que pertence à Guiné Equatorial, onde também se fala crioulo de base lexical portuguesa. A Guiné-Bissau, ao entrar na CPLP (Comunidade dos Países de Língua Portuguesa), enfatizou a importância do crioulo de base lexical portuguesa na sua identidade linguística.

Diáspora e inteligibilidade:

Cabo Verde possui uma grande diáspora, com uma forte comunidade cabo-verdiana em Portugal. O crioulo cabo-verdiano é um dos mais inteligíveis para falantes de português, devido à sua proximidade com a língua portuguesa, facilitando a comunicação entre os dois idiomas.

lezione 5 (04.03) A situação linguística em cabo verde

Cabo Verde, antes da chegada dos portugueses, era um arquipélago desabitado. A colonização começou com a fundação da cidade de Ribeira Grande, na ilha de Santiago, que rapidamente se tornou um centro comercial ligado ao tráfico de escravos. A prosperidade das ilhas esteve intimamente ligada a esse comércio, mas com a abolição da escravatura, Cabo Verde entrou em um período de declínio econômico. Sendo um arquipélago de origem vulcânica, com poucas terras cultiváveis, a situação se tornou ainda mais difícil.

No século XX, a economia começou a mudar, e o turismo passou a desempenhar um papel fundamental. Além disso, Cabo Verde se tornou um ponto estratégico na rota comercial entre a Europa e a América do Sul. A população atual do país gira em torno de 500 mil habitantes, mas a diáspora cabo-verdiana é extremamente significativa. Estima-se que cerca de 250 mil cabo-verdianos vivam fora do arquipélago, principalmente em Portugal, França, Itália (especialmente Roma) e nos Estados Unidos. Na realidade, há mais cabo-verdianos vivendo fora do país do que dentro dele, o que tem um impacto profundo na economia, pois Cabo Verde não possui muitos recursos naturais e depende bastante das remessas enviadas pela diáspora.

Durante o Estado Novo, Portugal foi pressionado a conceder independência às colônias. Para evitar mudanças, criou um sistema de camuflagem administrativa, alterando o status de Cabo Verde, Angola e Moçambique, que deixaram de ser oficialmente colônias e passaram a ser considerados "territórios administrados". Isso fazia parte de uma estratégia para evitar o avanço dos movimentos independentistas.

Nos anos 1950, surge um forte movimento de independência liderado pelo PAIGC (Partido Africano para a Independência da Guiné e Cabo Verde). Inicialmente, a luta pela independência era comum entre os dois países, Guiné-Bissau e Cabo Verde, e, após a independência, houve uma tentativa de união política entre eles. No entanto, em 1971, foi promulgada uma constituição que formalizou a separação, levando à criação do Partido para a Independência de Cabo Verde e ao estabelecimento de um governo próprio.

Durante o século XX, a mão de obra cabo-verdiana foi amplamente utilizada em regimes de contratos obrigatórios , especialmente para trabalhos em outras partes do império colonial português. Muitos cabo-verdianos foram enviados para São Tomé e Príncipe para trabalhar nas plantações, num sistema de trabalho forçado disfarçado de contrato.

Apesar das dificuldades históricas, Cabo Verde tem sido frequentemente citado como um exemplo de sucesso dentro do contexto africano, tanto em termos de governança quanto de desenvolvimento. Um dos aspectos mais interessantes do arquipélago é a convivência entre o português e o crioulo cabo-verdiano. Diferente de outros países africanos de língua oficial portuguesa, em Cabo Verde o crioulo não apenas sobreviveu, mas se consolidou como um forte elemento identitário. Os colonos portugueses que viviam no arquipélago já reconheciam a importância da língua crioula, e alguns até a aprendiam, considerando-a um traço cultural local.

A questão do bilinguismo em Cabo Verde é complexa. No final do século XX, cerca de 75% da população era bilíngue , falando tanto português quanto crioulo, enquanto 25% falava apenas crioulo. No país, há uma distinção entre bilinguismo e diglossia : algumas pessoas dominam ambas as línguas com fluência (bilinguismo), enquanto outras vivem num contexto em que o crioulo é predominante, com o português sendo utilizado apenas em situações formais (diglossia).

O orgulho pela língua crioula é muito forte entre os cabo-verdianos, e muitos continuam a usá-la mesmo vivendo no exterior. Além disso, o crioulo cabo-verdiano se destaca entre os outros crioulos de base portuguesa , tanto pelo número de falantes quanto por sua importância cultural e literária.

Em Cabo Verde, o convívio entre o português e o crioulo cabo-verdiano é um elemento central da identidade nacional. Ambas as línguas estão presentes no quotidiano, mas de formas distintas. O português é a língua oficial, usada na administração pública, no ensino formal e nos meios de comunicação, enquanto o crioulo cabo-verdiano é a língua materna da população e domina as interações diárias, especialmente em contextos familiares e informais.

Exemplos: alguém, falta, alma.

  1. Elevação ou redução de E pretónico Em palavras como sentir, perceber, debate, o E pretónico é:
    • habitualmente pronunciado como [i] pelos falantes das ilhas do Sul;
    • não articulado pelos falantes das ilhas do Norte.

DITONGOS

  1. EI e OU mantêm-se estáveis: Não há alteração na pronúncia, ao contrário de algumas áreas do português europeu, como Lisboa, onde EI é articulado como [ɐj] e OU tende a ser monotongado para [o] na pronúncia padrão.
  2. Ditongo UI na palavra "muito" :Pronunciado como [uj], e não como nasal [ũj], como ocorre em algumas outras variantes do português.

CONSOANTES

a. L : i. Dental : Pronunciado com a ponta da língua tocando os dentes incisivos superiores, ficando a língua em posição horizontal. ii. Semelhante ao som do L italiano. iii. Em contraste com o português europeu, onde é alveolar (a língua toca os alvéolos, atrás dos incisivos, com uma curvatura para cima). b. B, D e G intervocálicos : i. São oclusivas no português cabo-verdiano ([b], [d], [ɡ]). ii. Diferente do português europeu, onde essas consoantes são fricativas ([β], [ð], [ɣ]).

LEXICO

No léxico e na semântica notam-se fortes influências do crioulo. Como a quase totalidade dos vocábulos do crioulo vêm do português, às vezes é difícil estabelecer se certas palavras são arcaísmos do português que se mantiveram no português cabo-verdiano, ou se são palavras do crioulo (re)introduzidas no português. Em certos casos notam-se coincidências com o português brasileiro, que também exerce a sua influência na variedade cabo-verdiana de português.

  1. Usam-se palavras específicas que se referem a elementos culturais como fauna, flora, culinária, entre outros. Exemplos: ● mancarra : "amendoim". ● calabaceira : "embondeiro" ou "baobá". ● violão : Equivalente a "guitarra" ou "viola" no português europeu, mas usado de forma diferente, mais comum no português brasileiro (PB).
  1. Algumas palavras no PCV adquiriram novos significados, diferentes do português europeu. Exemplos: ● malcriado : Significa "rebelde" ou "insubmisso", ao invés de "mal-educado". ● afronta : Usado para significar "desespero", diferente do seu significado de "desrespeito". ● rocha : Significa "montanha", ao invés de "pedra grande". ● inocente : Significa "ingénuo", em vez de "pessoa que não cometeu um crime".

Morfologia e sintaxe

  1. Formas analíticas para o futuro e o condicional:

○ Em PCV, o futuro e o condicional são expressos com perífrases verbais , usando o verbo IR. Exemplos: ■ Eu vou sair = "Eu sairei" (futuro). ■ Eu ia sair = "Eu sairia" (condicional).

  1. Uso do artigo definido:

○ O artigo definido é pouco utilizado no PCV, especialmente antes de nomes próprios. Isso ocorre devido à ausência do artigo no crioulo.

  1. Sujeito explícito:

○ Em crioulo, não há flexão verbal a nível de pessoa, o que torna o uso dos pronomes pessoais sujeito obrigatório. No PCV, a omissão do pronome pessoal é pouco frequente , refletindo a influência do crioulo.

  1. Ordem dos constituintes da frase:

○ Em crioulo, devido à flexão verbal fraca , a ordem das palavras na frase é mais rígida. No PCV, essa rigidez é mantida, resultando em menos flexibilidade na estrutura das frases e poucas inversões , em comparação com o português europeu.

Cortesia Linguistica

  1. Formas de tratamento:

○ Por influência do crioulo, existem somente dois níveis de tratamento da 2.ª pessoa : ■ Tu (tratamento de intimidade, familiar ou coetâneo). ■ Você (tratamento de respeito). ○ Alguns estudos preliminares indicam que há influência do português brasileiro (PB) na escolha das formas de tratamento no PCV.

  1. Uso da negativa na interrogativa:

○ É frequente o uso da negativa na interrogativa , especialmente em perguntas de cortesia, como quando se oferece algo. Exemplos:

Das ilhas do arquipélago, apenas duas são habitadas: São Tomé, descoberta no dia de São Tomé, e Príncipe, originalmente chamada de Santo Antão antes de ter seu nome alterado. No mesmo período, foi descoberta a ilha de Annobón, que atualmente pertence à Guiné Equatorial. Em Annobón, fala-se um crioulo de base lexical portuguesa, demonstrando mais um exemplo da influência linguística portuguesa na região.

A situação linguística de São Tomé e Príncipe também está ligada a seu papel na história da língua portuguesa. O país foi um dos primeiros a aprovar o Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa, juntamente com o Brasil e Cabo Verde, ajudando a viabilizar a reforma ortográfica.

A história do arquipélago pode ser dividida em dois grandes períodos marcantes:

Século XVI : A economia era baseada na produção de açúcar e no comércio de escravos trazidos para a ilha. Esse contato inicial entre diferentes grupos linguísticos teve impacto na formação dos crioulos locais. ● Final do século XIX : Com o fim da escravatura, a cultura do café foi introduzida, gerando uma nova necessidade de mão de obra. Para suprir essa demanda, trabalhadores de diversas regiões foram trazidos, falando diferentes línguas. Esse novo fluxo populacional teve consequências diretas na evolução da situação linguística do país, reforçando o contato entre o português e outras línguas africanas.

A posição geográfica do arquipélago e sua história de ocupação moldaram a especificidade do contato linguístico em São Tomé e Príncipe, diferenciando-o de outros países lusófonos, como a Guiné-Bissau, onde o contato com o português ocorreu de forma mais fragmentada e em um contexto de multilinguismo pré-existente.

No século XX, São Tomé e Príncipe passou por um período de investimento em infraestruturas e na educação, com a construção de escolas. Em 1953, começaram a ocorrer ações violentas como parte das reivindicações por direitos, marcando o início do movimento nacionalista. Durante a Guerra Fria, em um mundo bipolar, esses movimentos receberam financiamento da União Soviética. Com a independência, o país adotou um regime marxista, que, com o tempo, acabou associado a uma grande crise. Já em 1990, houve uma transição para um sistema multipartidário, trazendo mudanças políticas significativas.

As linguas:

- Língua portuguesa O português é a língua oficial de São Tomé e Príncipe, mas sua menção na Constituição, especificamente no artigo 12, está relacionada apenas às relações exteriores e não à identidade nacional: “A República Democrática de São Tomé e Príncipe mantém laços especiais de amizade e de cooperação com os países de língua portuguesa e com os países de acolhimento de emigrantes são-tomenses.”

Apesar disso, é a língua dominante na política, na administração e na educação, além de ser a língua materna da maior parte da população. Historicamente, o português foi a língua dos dominadores, o que levou muitos adultos a desencorajar seus filhos de falarem crioulo. Durante o século XX, período marcado pela

economia do café e do cacau, a dinâmica social influenciou a difusão do português. Os chamados "reis escravos", que se recusavam a trabalhar nas plantações, optaram pelo isolamento, evitando contato com os trabalhadores trazidos de fora. Esses novos trabalhadores, por sua vez, não tinham escolha senão aprender português, uma vez que não havia interação suficiente para a formação de uma nova língua franca baseada nos crioulos. Esse cenário favoreceu ainda mais a disseminação do português no arquipélago.

Há um problema na falta de distinção entre a língua materna e a não materna em São Tomé e Príncipe, e não existem dados precisos sobre essa questão. Em 2017, 98,4% da população falava português, o que é uma porcentagem elevada, mas isso não significa que seja a língua materna de todos. Ao analisar o português falado no país, podemos observar diferentes variedades. Existem variedades mais cultas e variedades menos estruturadas, que apresentam sinais de erosão linguística.

Situação linguística

  • Português: língua oficial e dominante e língua materna da maior parte da população
  • 3 crioulos autóctones: forro (são-tomense), angolar, lung’ie (principense)
  • Crioulo cabo-verdiano

Não sabemos ao certo quantos são os falantes nativos de português em São Tomé e Príncipe, já que não existem dados precisos sobre isso. O português é amplamente falado, mas não é a língua materna de toda a população.

Existem três crioulos autóctones principais:

Forró (ou são tomense ): Surgiu na primeira fase de colonização e é o mais falado, originando-se do protocrioulo falado pelos escravos. Ao longo do tempo, esse crioulo se diversificou, dando origem a outros. ● Lung'ie (ou crioulo principense): Falado por uma pequena população e atualmente em risco de extinção. ● Angolar : Ligado a um grupo étnico distinto que chegou a São Tomé devido ao naufrágio de um negrerio proveniente de Angola, sendo ainda falado no Principado.

Além desses, o crioulo cabo-verdiano ocupa o segundo lugar em número de falantes. Esse crioulo é resultado do fluxo de trabalhadores contratados de Cabo Verde que nunca retornaram, e seus descendentes preservaram a língua como um valor identitário.

Evolução linguística após a independência

Após a independência, nas primeiras décadas, as línguas angolar e cabo-verdiana não eram consideradas importantes em termos oficiais.

A tendência de falar português aumentou consideravelmente entre 2001 e 2012, com um crescimento de cerca de 30% no número de falantes da língua. O forró , por outro lado, perdeu terreno nesse período, com uma redução de 30% entre 2001 e 2012.

A força do português é explicada pela oposição aos crioulos, já que há mais pessoas falando português e menos falantes dos crioulos. O forró da década de 1920 tinha uma

  • Os verbos ditransitivos apresentam três categorias:
  • Verbos de movimento direcionado (preposições depois dos verbos chegar e ir):
  • Não realização do artigo na posição de sujeito, complemento objeto ou oblíquo:
  • Estratégias nas orações relativas (padrão em 12. e cortadora em 13.):
  • Estratégias nas orações relativas (copiadora ressuntiva em 14. ou de cópia defetiva em 15.):
  • Orações interrogativas e clivadas (padrão em 16.a. e 17.a. e estratégia cortadora em 16.b e 17.b.):
  • Interrogativas e clivadas com “é que”/“que”:

Ortografia Em novembro de 2006, São Tomé e Príncipe ratificou o Acordo Ortográfico de 1990 e os dois protocolos modificativos, sendo o terceiro país (após o Brasil e Cabo Verde) a concluir toda a tramitação para a sua entrada em vigor. No entanto, até ao momento, no país continuam a vigorar as normas do Acordo Ortográfico de 1945.

Lezione 7 (18.03)

O português na Guiné-Bissau Alguns dados sobre a Guiné-Bissau Capital : Bissau População : ca. de 2 061 000 habitantes (2023) Presidente: Umaro Sissoco Embaló (desde 2020) Data da Independência : 24 de setembro de 1973 (declaração unilateral de independência); 10 de setembro de 1974 (reconhecida por Portugal) Principais grupos étnicos: Balantas (27%), Fulas (23%), Mandingas (12%), Manjacos (11%), Papéis (10%) Religião: crenças tradicionais (54%), muçulmanos (38%), cristãos (8%)

A primeira chegada dos portugueses na Guiné-Bissau ocorreu em 1446. Durante grande parte da sua história, o território esteve ligado a Cabo Verde, mas já era habitado antes da chegada dos europeus. A definição das fronteiras coloniais aconteceu apenas em 1915. Nos anos 60, surgiram movimentos de independência liderados por guerrilheiros nacionalistas. Entre as figuras mais importantes desse período estava Amílcar Cabral, líder