021-entropia, e a segunda lei da termodinamica, Notas de estudo de Engenharia Aeronáutica
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entropia, e a segunda lei da termodinamica
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Microsoft Word - 21. Entropia e Segunda Lei da Termodinâmica.doc

Versão preliminar 20 de abril de 2005

Notas de Aula de Física 21. ENTROPIA E A SEGUNDA LEI DA TERMODINÂMICA...............................................2

PROCESSOS REVERSÍVEIS E IRREVERSÍVEIS ............................................................................2 MÁQUINAS TÉRMICAS.............................................................................................................4

Uma máquina de Carnot..................................................................................................4Eficiência de uma máquina de Carnot.............................................................................6

REFRIGERADORES.................................................................................................................6 TEOREMA DE CLAUSIUS .........................................................................................................7 A SEGUNDA LEI DA TERMODINÂMICA .......................................................................................9

Enunciado de Kelvin ........................................................................................................9Consequências do enunciado de Kelvin .........................................................................9Enunciado de Clausius ....................................................................................................9

VARIAÇÃO DA ENTROPIA - CASOS PARTICULARES.....................................................................9 Transformação adiabática reversível ..............................................................................9Variação da entropia em uma transição de fase.............................................................9Variação de entropia de um gás ideal ...........................................................................10

PROBABILIDADE E ENTROPIA ................................................................................................10 UMA VISÃO ESTATÍSTICA DA ENTROPIA ..................................................................................13 CALOR, TRABALHO E ENERGIA ..............................................................................................13 SOLUÇÃO DE ALGUNS PROBLEMAS........................................................................................14

01 ...................................................................................................................................1406 ...................................................................................................................................1407 ...................................................................................................................................1609 ...................................................................................................................................1611 ...................................................................................................................................1718 ...................................................................................................................................1919 ...................................................................................................................................2123 ...................................................................................................................................2227 ...................................................................................................................................2229 ...................................................................................................................................2330 ...................................................................................................................................2432 ...................................................................................................................................2533 ...................................................................................................................................2635 ...................................................................................................................................2737 ...................................................................................................................................2841 ...................................................................................................................................2844 ...................................................................................................................................29

Prof. Romero Tavares da Silva

Cap 21 www.fisica.ufpb.br/~romero 2

21. Entropia e a Segunda Lei da Termodinâmica

Processos reversíveis e irreversíveis

Segundo o Dicionário Aurélio, que reflete o nosso linguajar coloquial, algo é rever- sível quando se pode reverter; ou que pode retornar ao estado inicial. Em Física, um pro- cesso é reversível quando pode parti do estado final e alcançar o estado inicial usando os mesmos micro-estados que utilizou para alcançar o estado final. Consideremos um sistema em equilíbrio, e apenas nessas circunstâncias podemos caracterizar um estado termodinâmico e, nesse estado podemos atribuir valores para as funções termodinâmicas de estado tais como temperatura, pressão, energia interna, e etc. Quando um sistema sofre variações através de absorção de calor ou trabalho, ele sai momentaneamente do estado de equilíbrio, e depois de um certo tempo de relaxação en- contra outro estado de equilíbrio. Quando a variação sofrida pelo sistema for infinitesimal, as suas funções termodinâ- micas também sofrerão variações infinitesimais. E podemos caracterizar os novos valores das funções termodinâmicas para essa nova situação de equilíbrio. Essas transformações infinitesimais são chamadas às vezes de transformações quasi-estáticas. Quando subme- temos um sistema a várias transformações quasi-estáticas, podemos definir uma sequên- cia de valores pra as suas funções de estado, que irão caracterizar cada uma das peque- nas transformações. Podemos desse modo executar a mudança de um sistema físico en- tre dois estados termodinâmicos afastados, utilizando uma sequência de pequenas trans- formações quasi-estáticas. Um exemplo dessa situação seria considerar um gás em equilíbrio, contido em um êmbolo, que está mantido nessa posição por uma certa quantidade de pequenos pesos. À medida que retiramos um pequeno peso, a pressão exercida no êmbolo diminui infinitesi- malmente, fazendo com que o gás encontre outra situação de equilíbrio, infinitesimalmen- te próxima da situação de equilíbrio anterior. Quando terminarmos de retirar os pesos, o gás encontra-se em um estado termodinâmico final distante do estado termodinâmico ini- cial. E o gás alcançou o estado final seguindo um percurso de estados intermediário que foram sendo conhecidos enquanto ele sofria as transformações infinitesimais. Se quisermos fazer o gás retornar ao estado inicial pelo mesmo percurso, será ne- cessário apenas ir recolocando paulatinamente os pesos em sues lugares originais, e o sistema voltará usando os mesmos estados do percurso de ida.

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Consideremos o mesmo sistema anterior, no mesmo estado inicial. A única diferen- ça da configuração seria que os pequenos pesos forma substituídos por um único peso de mesma massa. Quando esse peso é retirado, o sistema sofre uma mudança brusca até atingir o equilíbrio. Durante esse processo, para as funções termodinâmicas de estado tais como temperatura, pressão, energia interna; ficam indefinidas, pois são caracteriza- das apenas em situações de equilíbrio. Como não estamos limitando as possibilidades de interação entre o gás e o ambien- te, as quantidades de calor e trabalho envolvidas no percurso de volta podem ser diferen- tes das quantidades do percurso da vinda. No percurso inicial, quando retiramos o peso, o gás enfrentou um processo de forte desequilíbrio no qual não é possível definir as funções termodinâmicas. Essa é a essência de um processo irreversível: a impossibilidade de definir os estados intermediários de uma transformação termodinâmica. Como não podemos conhecer o percurso utilizado, não podemos reverter o processo pelo mesmo caminho.

Existe uma outra faceta que caracteriza os processos irreversíveis. São que pro-

cessos que naturalmente acontecem apenas em uma direção. Na experiência cotidiana percebemos que o calor sempre vai naturalmente do cor-

po mais quente para o mais frio, até que as temperaturas se equilibrem. Mas nunca acon- tece o contrário: o calor naturalmente ir do corpo mais frio para corpo o mais, esquentan- do o mais quente e esfriando o mais frio. Essa frase anterior chega a incomodar do ab- surdo que ela reflete. Porque acontece isso se as duas transformações são equivalentes em termos energéticos: a energia seria conservada em ambas as situações.

As mudanças que acontecem com a energia dentro de um sistema fechado não impõem o sentido de processos irreversíveis. Essa direção é imposta pela análise da va- riação de uma outra grandeza termodinâmica: a entropia. A entropia está associada com o grau de organização de um sistema. E esse grau de organização não pode nunca dimi- nuir naturalmente.

Quando um sistema esfria significa que diminuiu a sua energia interna e, portanto a amplitude de seus movimentos, o números de graus de liberdade. Isso implica em torná-lo mais organizado. Nessa situação, esfriar o sistema significaria diminuir a entropia, e por isso em um sistema isolado a temperatura nunca diminui.

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Máquinas térmicas

Máquina térmica ou motor é um dispositivo que extrai energia do ambiente, na for- ma de calor, e realiza trabalho útil. No interior de toda máquina térmica está uma substân- cia de trabalho, que sofre as transformações termodinâmicas que possibilitam as mudan- ças de forma da energia.

Para que uma máquina funcione de maneira permanente é necessário que ela ope- re em ciclos, ou seja: a substância de trabalho passa por diversas transformações termo- dinâmicas até retornar ao estado inicial, completando um ciclo.

De modo geral as máquinas térmicas operam em ciclo entre duas fontes térmicas com temperaturas diferentes. Uma máquina térmica retira calor da fonte quente e rejeita parte desse calor para uma fonte fria e transforma essa diferença de energia em trabalho mecânico.

Uma máquina de Carnot Em um ciclo de uma máquina de Car- not a substância de trabalho passa por qua- tro processos diferentes, onde dois proces- sos são isotérmicos (ab e cd) e os outros dois processos são adiabáticos (bc e da).

p a Q2 b T2 d c Q1 T1 V

O sistema absorve uma quantidade de calor Q2 isotermicamente a uma temperatura T2 quando vai do estado a para o estado b . E de maneira equiva- lente, o sistema rejeita uma quantidade de calor Q1 isotermicamente a uma temperatura T1 quando vai do estado c para o estado d . As transformações entre os estados b e c , bem como entre os estados d e a acontecem adiabaticamente, ou seja: sem que ocorra troca de calor com o ambiente.

T2 Q2 W Q1 T1

O trabalho executado pelo sistema quando acontece a transformação isotérmica entre os estados a e b é calculado como:

∫= b

a ab dVpW

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e considerando a substância de trabalho como um gás ideal, temos que:

V RTp µ=

ou seja:

 

  

 == ∫

a

b V

V ab V

VRT V dVRTW

b

a

ln22 µµ

De maneira equivalente calculamos trabalho executado pelo sistema quando acon-

tece a transformação isotérmica entre os estados c e d como sendo:

 

  

 == ∫

c

d V

V cd V

VRT V dVRTW

d

c

ln11 µµ

Considerando que a substância de trabalho é um gás ideal, a sua energia interna

depende explicitamente apenas da temperatura, e desse modo ela se mantém constante ao longo de uma transformação isotérmica. Ou seja:

 

 

==

==

dc

ba

EETE

EETE

)(

)(

1

2

Tendo em conta a primeira lei da termodinâmica

dE = dQ - dW

encontramos que:

 

 

=≡⇒−=∆

=≡⇒−=∆

cdcdcdcdcd

ababababab

WQQWQE

WQQWQE

3

2

ou seja:

  

 

  

 

==

c

d

a

b

cd

ab

V VRT

V VRT

W W

Q Q

2

1

2

1 ln

µ

µ

Ainda considerando as propriedades de um gás ideal, quando ele é submetido a

uma transformação adiabática, temos que:

teconsTV tan1 =−γ ou seja:

 

 

=

=

−−

−−

1 1

1 2

1 1

1 2

γγ

γγ

da

cb

VTVT

VTVT

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logo:

 

  

 −=

  

 = 

  

 ⇒= −

c

d

d

c

a

b

d

c

a

b

V V

V V

V V

V V

V V lnlnln1

1

1

1

γ

γ

γ

γ

e finalmente

2

1

2

1

2

1 ln

T T

V VRT

V VRT

W W

Q Q

a

b

c

d

ab

cd −=   

 

  

 

== µ

µ

Eficiência de uma máquina de Carnot

A eficiência de uma máquina térmica qualquer é definida como a sua capacidade de transformar calor em trabalho. Ou seja:

absorvido

E

Q W

absorvidocalor efetivotrabalho

==ε

onde o trabalho efetivo é entendido como a soma de todos os trabalhos envolvidos em cada etapa do ciclo completo, e o calor absorvido é considerado como o soma de todos os calores absorvidos (positivos), ignorando-se os calores rejeitados (negativos).

Em um ciclo de Carnot, como esse considerado anteriormente:

WE = Wab + Wcd = |Wab| - |Wcd| onde enfatizamos que Wcd < 0 . Por outro lado, o calor absorvido foi Q2> 0. E desse modo temos que:

2

1

2

12

2

1 Q Q

W WW

Q QQ

Q WW

ab

cdabcdab −= −

= −

= −

ou seja:

2

11 T T −=ε

Refrigeradores

Refrigerador é um dispositivo cuja função é transferir calor de um reservatório tér- mico em uma temperatura mais baixa para um outro reservatório térmico em uma tempe- ratura mais alta. Em um processo natural o calor se transfere de um reservatório com temperatura mais alta para outro com uma temperatura mais baixa. Para conseguir reali- zar uma transferência de calor num sentido contrário ao sentido natural, o refrigerador necessita executar trabalho na substância de trabalho.

A região onde são armazenados os alimentos no interior de uma geladeira domés- tica é o reservatório frio, e o reservatório quente é o ambiente que rodeia a geladeira. Pa- ra um ar-condicionado o reservatório frio é o interior do aposento onde ele está instalado, e o reservatório quente é o ambiente externo a esse aposento.

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De maneira semelhante a uma má- quina térmica ideal, em um refrigerador ide- al todos os processos são reversíveis. Em um refrigerador de Carnot temos um ciclo passando pelos mesmos estados de uma máquina de Carnot, mas com uma seqüência de transformações em um senti- do contrário, como mostra a figura ao lado.

p a Q2 b T2 d c Q1 T1 V

O equivalente à eficiência de uma máquina tér- mica é definido como coeficiente de desempenho de um refrigerador K :

12

1

QQ Q

pagamosqueo queremosqueoK

− ==

Para um refrigerador de Carnot temos que:

12

1

TT TKC

=

T2 Q2 W Q1 T1

Teorema de Clausius

Quando estávamos analisando o ciclo de Carnot, encontramos que:

2

1

2

1

2

1 ln

T T

V VRT

V VRT

W W

Q Q

a

b

c

d

ab

cd −=   

 

  

 

== µ

µ

Podemos então dizer que quando uma máquina térmica realiza um ciclo reversível

usando duas transformações isotérmicas de temperaturas T1 e T2 e duas transforma- ções adiabática que partem de uma isotérmica e alcança a outra, como foi indicado ante- riormente, nós temos que:

0 2

2

1

1 =+ T Q

T Q

Se tivermos um grande número de transformações reversíveis alternadamente iso-

térmicas e adiabáticas, como na situação anterior, de modo que esse sistema complete um ciclo, poderemos generalizar a equação anterior como:

∑ = i i

i

T Q 0

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A generalização da equação anterior é conhecida como o teorema de Clausius.

Seja dQ a quantidade de calor que um dado sistema troca com o ambiente que o

rodeia, e seja T a temperatura em que se dá essa troca de calor; segundo o teorema de Clausius nós temos que:

 

 

=

C

C

R

elirreversívciclonum T dQ

reversívelciclonum T

dQ

;0

;0

Como foi dito anteriormente, um processo reversível é composto de pequenos pro-

cessos entre estados termodinâmicos muito próximos. Acontece uma pequena mudança no estado de equilíbrio de um sistema, e ele encontra um novo estado de equilíbrio pró- ximo ao estado inicial.

Apesar da grandeza dQR/T de modo geral não ser uma função de estado, para um processo reversível ela comporta como uma função de estado, e podemos definir a entro- pia S como sendo essa grandeza, de tal modo que:

T dQ

dS R=

Como a entropia é uma função de es- tado, a diferença entre os valores de da en- tropia de dois estados independe do cami- nho usado para se ir de um estado até o outro. Vamos considerar um processo re- versível cíclico, partindo do estado i até o estado f pelo percurso 1 e voltando até o estado original pelo percurso 2 . Desse modo, temos que:

∫ ∫ == C C

R dS T

dQ 0

p f 1 2 i V

ou seja:

∫∫∫∫∫∫ =∴−=⇒=+ f

i

f

i

i

f

f

i

i

f

f

i

dSdSdSdSdSdS )2()1()2()1()2()1(

0

Como os percursos 1 e 2 foram escolhidos genericamente, podemos concluir

que num processo reversível a variação de entropia entre dois estados de equilíbrio não depende do percurso usado para ir de um estado até o outro.

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A segunda lei da Termodinâmica

A primeira lei da termodinâmica incorpora ao princípio geral da conservação da e- nergia o reconhecimento de que calor é uma forma de energia. Qualquer processo cuja energia total seja conservada é compatível com a primeira lei da termodinâmica.

No entanto, existem processos que só acontecem em um sentido, são os proces- sos irreversíveis. A segunda lei da termodinâmica dá consta desta questão, assim como das possíveis maneiras de transformar calor em trabalho.

Enunciado de Kelvin É impossível realizar um processo cujo único efeito seja remover ca- lor de um reservatório térmico e produzir uma quantidade equivalen- te de trabalho.

Consequências do enunciado de Kelvin - A geração de calor por atrito a partir de trabalho mecânico é irreversível. - A expansão livre de um gás é um processo irreversível. - A condução de calor, que se dá sempre do corpo mais quente para o mais frio, é um

processo irreversível. Curso de Física Básica - Vol 2 - item 10.2 Moysés Nussenzveig

Enunciado de Clausius É impossível realizar um processo cujo único efeito seja transferir calor de um corpo mais frio para um corpo mais quente.

Variação da entropia - casos particulares

Transformação adiabática reversível

Em uma transformação adiabática reversível o sistema não troca calor com o am- biente e, portanto:

000 =−=∆⇒=⇒= ifR SSSdSdQ

Variação da entropia em uma transição de fase

Em uma transição de fase o sistema absorve (ou fornece) calor sem que exista uma variação de temperatura:

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∫∫ ==−=∆ f

i

R f

i if T

dQdSSSS

e como a temperatura é constante

T mL

T QS R =∆=∆

onde m é a massa do sistema e L é o calor latente desse sistema nessa transição de fase.

Variação de entropia de um gás ideal

De acordo com a primeira lei da termodinâmica

pdVdEdQTdSdWdQdE +==⇒−= ou seja:

dV T p

T dEdS +=

Considerando que para um gás ideal:

  

  

=

=

V R

T p

dTCdE v

µ

µ

encontramos:

∫∫∫ +==−=∆ f

i

f

i v

f

i if V

dVR T dTCdSSSS µµ

Se considerarmos o calor específico constante na região de integração, teremos

que:

 

  

 + 

  

 =−=∆

i

f

i

f vif V

VR T TCSSS lnln µµ

Probabilidade e entropia

Uma amostra de um gás comum contém um número muito grande de átomos ou moléculas. Para termos uma idéia da ordem de grandeza de quão grande é esse número basta lembrarmos que em um mol de hidrogênio (2 gramas) existem 1023 moléculas (nú- mero de Avogadro).

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Para lidar uma grande quantidade de moléculas vamos introduzir conceitos de pro-

babilidade e estatística, e para tal vamos analisar um gás composto por pouquíssimas partículas.

Consideremos um gás com apenas duas moléculas idênticas, que ocupam um re- cipiente dividido em duas partes; à parte da esquerda e a parte da direita.

Quais as possíveis configurações que esse gás pode apresentar? Podemos ter as possibilidades mostradas adiante:

A

As duas moléculas ocupam o lado esquerdo do recipiente.

B

Uma molécula ocupa o lado esquerdo do recipiente enquanto a outra molécula ocupa o lado direito.

C

As posições são invertidas, a molécula que na configuração anterior ocupava o lado esquerdo passa a ocupar o lado di- reito do recipiente, e a molécula que na configuração anterior ocupava o lado direito passa a ocupar o lado esquerdo do recipiente.

D

As duas moléculas ocupam o lado direito do recipiente.

Mas afinal, esse gás de duas moléculas se apresentará em qual configuração? Es-

sa situação se apresenta de uma forma nova, pois o gás pode se apresentar em qualquer uma das configurações. A pergunta deve ser feita de uma maneira diferente: qual a pro- babilidade do gás se apresentar em cada uma das configurações? Para responde a essa pergunta vamos construir uma tabela: Configuração Molécula 1 Molécula 2 nE nD No estados Probabilidade

A E E 2 0 1 1/4 B E D 1 1 C D E 1 1

2

2/4 = 1/2

D D D 0 2 1 1/4 Total 4 1

Nós temos dois estados equivalentes, e são aqueles associados com as configura-

ções B e C. O total de estados acessíveis para as duas moléculas, nestas circunstân- cias, é 2N = 22 = 4 . Considerando que cada uma das configurações são igualmente pro- váveis, a probabilidade de encontrar o sistema em cada uma delas é ¼ . Como temos duas configurações equivalentes (B e C), a probabilidade de encontrar sistema em uma delas é 2.(1/4) = ½ . As duas configurações são equivalentes (B e C) por que são indis- tinguíveis, não se pode distinguir em qual das configurações o sistema está.

1 2

1 2

1 2

1 2

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Para tentar entender o comportamento de um gás real, devemos analisar um gás

com um número cada vez maior de moléculas. Nesse sentido, vamos refazer os cálculos anteriores considerando dessa vez um gás com 4 moléculas.

N = 4 Molécula

1 2 3 4

nE

nD No de

estados Probabilidade

P(nE, nD)

E

E

E

E

4 0 

  

 =

0 4

1 42 1

16 1 =

D E E E

E D E E

E E D E

E E E D

3

1 

  

 =

1 4

4 42 1

1 4

4 1

16 4

 

  

 ==

D D D E E E

D E E D D E

E D E D E D

E E D E D D

2

2

 

  

 =

2 4

6

42 1

2 4

8 3

16 6

 

  

 ==

D D D E

D D E D

D E D D

E D D D

1

3 

  

 =

3 4

4 42 1

3 4

4 1

16 4

 

  

 ==

D

D

D

D

0

4 

  

 =

4 4

1 42 1

16 1 =

Totais 16 = 24 1

Estamos usando a notação:

 

  

 −

= −

= 

  

nN

N nNn

N n N

)!(! !

É possível generalizar os resultados obtidos para a situação onde o sistema é

composto por um número N de moléculas. As probabilidades calculadas para cada uma das situações têm a forma:

N E

DE n N

nnP 2 1),(  

  

 =

N = 2, 4, 8, 16, 100

0,00

0,20

0,40

0,60

0,00 0,25 0,50 0,75 1,00

n/N

P( n,

N

N = 1000

0,000

0,005

0,010

0,015

0,020

0,025

0,030

0,00 0,25 0,50 0,75 1,00 n/N

P( n,

N

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Como mostra a figura anterior na medida que aumenta o número N de moléculas

do gás o máximo em torno de nE = nD vai se tornando cada vez mais agudo. Podemos entender que quando N for pequeno, não são muito diferentes as probabilidades do sis- tema ocupar um de seus estados acessíveis. No entanto, quando N assume valores a- preciáveis, existe uma grande quantidade de estados equivalentes em torno de nE = nD e desse modo existe uma grande probabilidade do sistema ocupar um estado onde nE = nD onde o número de moléculas na parte esquerda do recipiente é igual ao número de molé- culas na parte direita do recipiente. Curso de Física Básica - Vol 2 - item 12.5 Moysés Nussenzveig

Uma visão estatística da entropia

No item anterior encontramos que o número de estados acessíveis W(N, nE ) para uma dada escolha de nE , ou seja, a multiplicidade de estados com essa mesma caracte- rística é dado por

 

  

 −

= −

= 

  

 =

nN N

nNn N

n N

nNW E )!(! !),(

O Físico austríaco Ludwig Boltzmann deduziu uma relação entre a entropia S de

um sistema e a multiplicidade W(N, nE ) , e essa relação tem a forma:

S = kB ln W

Calor, trabalho e energia

Calor é a energia que se transfere de um corpo para o outro corpo devido a uma di- ferença de temperatura entre eles.

Trabalho é a energia que se transfere de um corpo para o outro devido a uma força que age entre eles.

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0,0

0,5

1,0

1,5

2,0

2,5

3,0

0 1 2 3 Volume(V0)

Te m

pe ra

tu ra

(T 0)

Solução de alguns problemas Capítulo 21 - Halliday, Resnick e Walker

01 Uma amostra de 2,5moles de um gás ideal se expande reversível e isotermicamen- te a 360K até que o seu volume seja dobrado. Qual o aumento de entropia do gás?

µ = 2,5moles T = 360K Vf = 2 Vi Para um gás ideal a energia interna é função apenas da temperatura, e desse modo em uma transformação isotérmica a energia interna não varia. Considerando a pri- meira lei da termodinâmica, para uma transformação isotérmica ( dE = 0) , temos que:

dE = dQ - dW dQ = dW = p dV Por outro lado:

V dVR

T pdV

T dW

T dQdS µ====

onde a última igualdade é uma consequência da equação de estado para um gás ideal. Integrando a equação anterior, temos que:

2lnln R V V

R V dVRSSS

i

f V

V if

f

i

µµµ = 

  

 ==−=∆ ∫

S = 14,41 J/K

Capítulo 21 - Halliday, Resnick e Walker

06 Um gás ideal monoatômico à temperatura inicial T0 (em Kelvins) se expande do volume inicial V0 até o volume final 2V0 , por cada um dos processos indicados na figura ao lado. No processo AF a temperatura final é de 0,63T0 . Em que processo a expansão é: a)

isotérmica

b) Isobárica (pressão constante) c) adiabática Explique as suas respostas.

d) Em quais dos processos a entropia do gás diminui?

B C D A E F

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a) Numa expansão isotérmica de um gás temos que, obviamente, a temperatura

permanece constante e, portanto isso acontece no processo AE .

b) Numa expansão isobárica de um gás ideal temos que:

i i

f if

f

f

i

i T V V

TT T V

p R

T V

2= 

  

 =∴==

µ

e, portanto isso acontece na expansão AC .

c) Numa expansão adiabática de um gás ideal temos que:

constTVconstpV =⇒= −1γγ Para um gás ideal monoatômico:

3 21

3 5

2 3 2

5

=−∴=== γγ R

R

C C

V

P

e desse modo:

i i

f

i ifffii T

T V V

TTVTVT 629,0 2 3

2

1 11 ==

  

 =∴=

−−

γ γγ

e, portanto isso acontece na expansão AF .

d) Numa expansão isotérmica desse tipo, como mostrado no problema 06, a en- tropia varia da forma:

02lnln >= 

  

 ==−=∆ ∫ RV

V R

V dVRSSS

i

f V

V if

f

i

µµµ

Numa expansão adiabáticadQ = 0 e desse modo ∆S = 0 Numa variação genérica em um gás ideal temos que:

dQ = dE + p dV = µ CV dT + p dV ou seja:

V dVRdTCdV

T pdTC

T dQdS VV µµµ +=+==

e, portanto

 

  

 + 

  

 =∆

i

f

i

f V V

V R

T T

CS lnln µµ

Numa expansão isobárica desse tipo

( ) 02ln >+=∆ RCS V µµ

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Cap 21 www.fisica.ufpb.br/~romero 16

Capítulo 21 - Halliday, Resnick e Walker

07 a)

Qual a variação de entropia de um cubo de gelo de 12,0g que se derrete com- pletamente em um balde de água cuja temperatura está logo acima do ponto de congelamento da água?

m = 12,0g = 0,012kg T = 00C = 273K LF = 79,5cam/g = 333x103J/kg

KJ T

mL T QS F /63,14===∆

b) Qual a variação de entropia de uma colherada de 5,0g de água que evapora

completamente em cima de um prato quente cuja temperatura está ligeiramente acima do ponto de ebulição da água?

m = 5,0g = 0,005kg T = 1000C = 373K LV = 539cam/g = 2.256x103J/kg

KJ T

mL T QS V /24,30===∆

Capítulo 21 - Halliday, Resnick e Walker

09 Em um experimento, 200g de alumínio (com calor específico de 900J/kg.K) a 1000C são misturados com 50,0g de água a 20,00C , com a mistura termicamente isolada.

a)

Qual a temperatura de equilíbrio? ma = 200g = 0,2kg ca = 900J/kg.K Ta = 1000C = 373K

mA = 50g = 0,05kg cA = 1cal/g 0C = 4.190J/kg.K TA = 200C = 293K

Como o sistema composto por alumínio e água está isolado, ele não troca calor com a vizinhança, e desse modo:

Q = Qa + QA = 0 e desse modo alcançam uma temperatura de equilíbrio T :

ma ca (T - Ta) + mA cA (T - TA) = 0ou seja:

KC cmcm

TcmTcm T

AAaa

AAAaaa 97,32997,56 0 == + +

=

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Cap 21 www.fisica.ufpb.br/~romero 17

b) Qual a variação de entropia do alumínio?

 

  

 ==−=∆∴== ∫

i

f T

T if T

T mc

T dTmcSSS

T mcdT

T dQdS

f

i

ln

ou seja:

KJ T TcmS

a aaa /07,22ln −=

  

 =∆

c) Qual a variação de entropia da água?

KJ T TcmS

A AAA /86,24ln +=

  

 =∆

d) Qual a variação de entropia do sistema água - alumínio?

S = Sa + SA S = +2,79J/K Capítulo 21 - Halliday, Resnick e Walker

11 A figura abaixo mostra dois blocos idênticos de massa m = 1,5kg . O bloco E da esquerda está a uma temperatura TiE = 600C e o bloco D da direita está a uma temperatura TiD = 200C . Os blocos estão em uma caixa isolada termicamente e es- tão separados por uma divisória isolante. Quando levantamos a divisória, os blocos acabam chegando a uma temperatura de equilíbrio Tf = 400C .

E D

a)

Qual a variação de entropia resultante do sistema de dois blocos durante esse processo irreversível?

Depois que a divisória isolante é retirada, os blocos trocam calor até atingirem o equilíbrio térmico. Ou seja:

Q = Qe + Qd = 0

( ) ( ) 2

0 dede TT

TTTmcTTmc +

=∴=−+−

Para calcular a entropia neste processo irreversível, usamos o fato que a entropia é uma função de estado e, portanto o seu valor depende apenas do estado em que se encontra, não importando o processo através do qual alcançou este esta- do. Podemos imaginar que cada um dos blocos alcançou o seu estado final atra- vés de processos reversíveis.

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Cap 21 www.fisica.ufpb.br/~romero 18

Por exemplo, cada um bloco poderia ter a sua temperatura modificada lentamen- te através da troca de calor com um banho térmico (reservatório) adequado até que atingissem a temperatura de equilíbrio original T . Desse modo podemos calcular a variação de entropia para cada um dos blocos:

 

  

 ==∆∴== ∫

i

f T

T T T

mc T dTmcS

T dTmc

T dQdS

f

i

ln

ou seja:

  

 

 

  

 =∆

 

  

 =∆

d e

e e

T TmcS

T TmcS

ln

ln

( )

  

  

 + = 

  

 = 

  



  

 

  

 + 

  

 =∆+∆=∆

de

de

dede deT TT

TT mc

TT Tmc

T T

T TmcSSS

2 lnlnlnln

22

No entanto:

( ) ( ) ( ) 1 2

22 2

2222 > +

⇒>+∴++=+ de

de dedededede TT

TT TTTTTTTTTT

ou seja: ( )

0 2

ln 2

>   

  

 +

de

de

TT TT

e, portanto ∆ST > 0

b) Mostre que se o processo acontecesse no sentido inverso, a entropia do sistema

diminuiria, violando a segunda lei da termodinâmica.

Se o processo acontecer no sentido inverso

  

 

 

  

 =∆

 

  

 =∆

T T

mcS

T T

mcS

dI d

eI e

ln

ln

( ) 0

2 ln 2 <

  

  

+ =∆+∆=∆

de

deI d

I e

I T

TT TT

mcSSS

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Cap 21 www.fisica.ufpb.br/~romero 19

0 0,2 0,4 0,6 0,8

1 1,2

0 1 2 3 4 Volume

Pr es

sã o

Capítulo 21 - Halliday, Resnick e Walker

18 Um cilindro contém µ moles de um gás ideal monoatômico. Se o gás sofrer uma

expansão isotérmica reversível do volume inicial Vi até o volume final Vf ao longo da trajetória I da figura ao lado, a sua variação de entropia é:

 

  

 =∆

i

f

V V

RS lnµ

Agora considere a trajetória II da figura ao lado, que leva o gás do mesmo estado inicial i até o estado x por meio de uma expansão adiabática reversível, e depois deste estado x até o mesmo estado final

i I Isoterma II f T Adiabática x

f por meio de um processo reversível a volume constante

a) Descreva como você poderia realizar os dois processos reversíveis para a traje- tória II

b) Mostre que a temperatura do gás no estado x é dada por:

3/2

 

  

 =

f

i ix V

V TT

A transformação ix é adiabática, e numa transformação desse tipo para um gás ideal temos que:

111 −−− =∴=⇒= γγγγ xxii VTVTconstTVconstpV mas

3 21

3 5

2 3 2

5

=−∴=== γγ R

R

C C

V

P

ou seja: 3/2

 

  

 =

f

i ix V

V TT

c) Qual a energia QI transferida sob a forma de calor ao longo da trajetória I e a

energia QII transferida sob a forma de calor ao longo da trajetória II ? Elas são iguais?

Ao longo da trajetória I temos um processo isotérmico. Considerando a primei- ra lei da termodinâmica, para uma transformação isotérmica ( dE = 0) , temos que:

dE = dQ - dW dQ = dW = p dV Ou seja:

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 

  

 ==∴= ∫

i

f V

V iI V

V RT

V dVRTQ

V dVRTdQ

f

i

lnµµµ

Ao longo da trajetória II temos um processo adiabático ( ix ) e um outro isovo- lumétrico ( xf ). Ou seja:

QII = Qix + Qxf Como no processo adiabático não existe troca de calor temos que Qix = 0 . Para o processo isovolumétrico, temos que ∆Vxf = 0 .Usando a primeira lei da termo dinâmica, temos que

dQxf = dExf + p dVxf ou seja:

( )xfVxfxfVxfxf TTCQdTCdEdQ −=∴== µµ

d) Qual a variação da entropia ∆S para a trajetória II ?A variação de entropia para a trajetória I é igual a ela?

 

  

 =∆⇒====

i

f i

II I V

V RS

V dVR

T pdV

T dW

T dQ

dS lnµµ

SII = Six + Sxf

Como o processo ix é adiabático, temos então que ∆Six = 0 e, portanto:

 

  

 =∆⇒====

x

f VII

xf V

xfxf xfII T

T CS

T dT

C T

dE T

dQ dSdS lnµµ

Por outro lado 3

2

 

  

 ==

i

f

x

i

x

f

V V

T T

T T

e, portanto

 

  

 =  

 

 

  

   

  =∆

i

f

i

f II V

V R

V VRS lnln

2 3 3

2

µµ

onde encontramos que: ∆SI = SII

e) Calcule Tx , QI , QII e ∆S para µ = 1 , T = 500K e Vf /Vi = 2 .

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Capítulo 21 - Halliday, Resnick e Walker

19 Um mol de um gás ideal percorre o ciclo da figura à seguir.

a)

Qual o trabalho realizado pelo gás para ir do estado a ao estado c ao longo da tra- jetória abc ?

Wabc = Wab + Wbc

Como o processo bc é isovolumétrico, o trabalho para realizá-lo é nulo, e desse modo:

p c 2p0 p0 ab V V0 4V0

( ) 003 VpVVpdVppdVW aba

V

V a

V

V abc

b

a

b

a

=−=== ∫∫

b) Quais as variações de energia interna para ir de b para c e para percorrer um

ciclo completo? ( ) ( ) ( )bbccbcbcVbcV VpVpRTRTTTCEdTCdE −=−=−=∆∴= 2

3 2 3 µµµµ

( )( ) ( )( )[ ] ( ) 000000000 6642 3442

2 3 RTVpVpVpVpEbc µ===−=∆

Como a energia interna é uma função de estado, a sua variação em um ciclo completo é nula.

c) Quais as variações de entropia para ir de b para c e para percorrer um ciclo completo?

Como o processo bc é isovolumétrico, o trabalho para realizá-lo é nulo, e desse modo a primeira lei da termodinâmica toma a forma:

bcVbcbc dTCdEdQ µ== Mas

T dT

C T

dQ dS bcV

bc bc µ==

logo

 

  

 ==∆ ∫

b

c V

T

T Vbc T

T C

T dTCS

c

b

lnµµ

No entanto

2ln 2 32

2

0

0 RS p p

p p

R Vp

R Vp

T T

bc b

c

bb

cc

c

b µ

µ

µ =∆⇒====

Como a entropia é uma função de estado, a sua variação em um ciclo completo é nula.

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Cap 21 www.fisica.ufpb.br/~romero 22

0,0

0,5

1,0

1,5

2,0

2,5

3,0

0 1 2 3 4 5 6 7 8 9 Volume(Vb)

Pr es

sã o

Capítulo 21 - Halliday, Resnick e Walker

23 Um motor de Carnot opera entre 2350C e 1150C , absorvendo 6,3x104J por ciclo na temperatura mais alta.

a)

Calcule a eficiência do motor.

Ta = 2350C = 508K Tb = 1150C = 388K Qa = 6,3x104J

( ) %62,23%2362,0 508 38811 =⇒=−=−= εε

a

b

T T

b) Quanto trabalho por ciclo este motor é capaz de realizar?

JxQW Q W

a a

41048,1==⇒= εε

Capítulo 21 - Halliday, Resnick e Walker

27 Um mol de um gás ideal monoatômico percorre o ciclo reversível mostrado na figura ao lado. O processo BC é uma ex- pansão adiabática, com pB=10atm e VB = 10-3m3 . a)

Determine a energia adicionada ao gás sob a forma de calor.

pB = 10atm = 1,013x105Pa VB = 10-3m3 Como a transformação BC é

pB B Adiabático pA A C

adiabática:

328

3 5

B C

B

B B

C

B BCCCBB

p p

V V

p V V

ppVpVp =∴ 

  

 =

  

 =⇒=

γ γγ

QT = QAB + QBC + QCA

Como o processo BC é adiabático, temos que QBC = 0 . Por outro lado, o pro- cesso AB é isovolumétrico, de modo que o trabalho dWAB = 0 e, portanto a pri- meira lei da termodinâmica toma a forma:

dQAB = dEAB + dWAB dQAB = µCVdTAB QAB = µCV (TB - TA)

( ) ( )  

  

 −=−=−= B

B BBAABBABAB V

p VpVpVpRTRTQ

322 3

2 3

2 3 µµ

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JVpQ BBAB 20,14732

31. 2 3

==

dQCA = dECA + dWCA = µCVdT + pdV

ou seja: QCA = µCV (TA - TC) + pA (VA - VC)

( ) ( ) ( )CAACAACCAACA VVpVVpVpVpQ −=−+−= 2 5

2 3

( ) JVpVVpQ BBBBBCA 39,5532 7.

2 58

32 .

2 5

−=−=−=

É fácil concluir que QAB é a energia adicionada ao gás sob a forma de calor.

b) Determine a energia que deixa o gás sob a forma de calor.

Por outro lado, também é fácil concluir que QCA é a energia que deixa o gás sob a forma de calor.

c) Determine o trabalho resultante realizado pelo gás.

W = QAB + QCA = 147,20J - 55,39J = +91,81J

d) Determine a eficiência do ciclo.

6237,0 20,147 81,91 ===

ABQ Wε

Capítulo 21 - Halliday, Resnick e Walker

29 Um mol de um gás ideal monoatômico percorre o ciclo mostrado na figura ao lado.

Suponha que p = 2p0 ; V = 2V0 ; p0=1,01x105Pa e V0 = 0,0225m3 .

a)

Calcule o trabalho realizado durante o ciclo

( )( )00 VVpppdVW

abcda abcda −−== ∫

( )( ) 00000 22 VpVVppW oabcda =−−=

Wabcda = 2.272,50J

B C V, p V0 , p0 A D Volume

b) Calcule a energia adicionada sob a forma de calor durante o tempo ABC do mo- tor.

P re

ss ão

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Qabc = Qab + Qbc

( ) ( )ababVabVabab RTRTTTCQdTCdEdQ µµµµ −=−=∴== 2 3

( ) ( )( ) ( )( )[ ] 000000 2 32

2 3

2 3 VpVpVpVpVpQ aabbab =−=−=

Qab = 3.408,75J

( ) ( )bcbbcVbcbcbcVbcbcbc VVpTTCQpdVdTCdWdEdQ −+−=∴+=+= µµ

( ) ( ) ( ) ( ) ( )[ ] 00000 5222 5

2 5

2 3 VpVVpVVpVVpVpVpQ bcbbcbbbccbc =−=−=−+−=

Qbc = 11.362,50J e, portanto

000000 2 135

2 3 VpVpVpQabc =+=

Qabc = 14,771,25J

c) Calcule a eficiência do ciclo.

1538,0 13 2

2 13

00

00 === Vp

Vp Q

W

abc

abcdaε

ε(%) = 15,38%

d) Qual a eficiência de um motor de Carnot operando entre as temperaturas mais alta e mais baixa que ocorrem no ciclo? Como essa eficiência se compara com a calculada em (c) .

 

  

 ==

R Vp

R Vp

T aaa µµ 00 a

bb b TR

Vp R Vp

T 22 00 = 

  

 ==

µµ

a

cc c TR

Vp R Vp

T 44 00 = 

  

 ==

µµ a

dd d TR

Vp R Vp

T 22 00 = 

  

 ==

µµ

75,0 4 3

4 11 ==−=−=

a

a

c

a C T

T T T

ε

εC(%) = 75% Capítulo 21 - Halliday, Resnick e Walker

30 No primeiro estágio de um motor de Carnot de dois estágios, a energia Q1 é absor- vida sob a forma de calor a uma temperatura T1 , o trabalho W1 é realizado e a energia Q2 é expelida sob a forma de calor a uma temperatura T2 .O segundo está- gio absorve essa energia Q2 , realiza o trabalho W2 e expele a energia Q3 a uma temperatura ainda mais baixa T3 . Prove que a eficiência do motor de dois estágios é (T1 - T3)/T1 .

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Cap 21 www.fisica.ufpb.br/~romero 25

 

 

22

1

11

1 TemQrejeita

Wproduz TemQabsorve

Estágio

 

 

33

2

22

2 TemQrejeita

Wproduz TemQabsorve

Estágio

Essa máquina interage com a vizinhança absorvendo Q1 numa temperatura T1 , rejeitando Q3 numa temperatura T3 , e produzindo um trabalho WT = W1 + W2 . Em outras palavras:

WT = W1 + W2 = |Q1| - |Q3|

1

31

1

3

1

3

1

31

1

11 T

TT T T

Q Q

Q QQ

Q WT −=−=−=

− ==ε

Capítulo 21 - Halliday, Resnick e Walker

32 Um mol de um gás ideal é usado como substância de trabalho de um motor que ope- ra no ciclo mostrado na figura abaixo. BC e DA são processos adiabáticos reversí- veis

a)

O gás é monoatômico, diatômico ou poliatômico?

Como o processo BC é adiabático, temos que:

γγ CCBB VpVp = γ

 

  

 =

B

C

C

B

V V

p p

p p0 AB p0/32 DC V0 2V0 8V0 16V0 V

8ln32ln832

2 16

32 0

0

0

0 γγ γ

=⇒=∴ 

  

 =

V V

p p

3 5

2ln3 2ln5

8ln 32ln

===γ

Para um gás monoatômico:

3 5

2 3 2

5

=== R

R

C C

V

Pγ

e, portanto o gás utilizado é monoatômico.

b) Qual a eficiência do motor? dQ = µ CV dT + pdV

Se a transformação entre os estados inicial e final acontece com a pressão cons- tante, temos que:

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dQ = µ CV dT + pdV

Se a transformação entre os estados inicial e final acontece com a pressão cons- tante, temos que:

Qif = µCV (Tf - Ti) + pi(Vf - Vi)

( ) ( ) ( )ifiififiiiffif VVpQVVpVpVpQ −=⇒−+−= 2 5

2 3

Desse modo:

( ) ( ) 00000 2 52

2 5

2 5 VpVVpVVpQ ABAAB =−=−=

QBC = 0 , pois se trata de um processo adiabático

( ) ( ) 00000 8 5168

32 .

2 5

2 5 VpVV

p VVpQ CDCCD −=−=−=

QDA = 0 , pois se trata de um processo adiabático Usando a primeira lei da termodinâmica, temos que em um ciclo:

000000 8 15

8 5

2 5 VpVpVpQQW CDAB =

 

  −+

 

  =+=

75,0 4 3

2 5 8

15

00

00

==== +

= Vp

Vp

Q W

Q QQ

ABAB

CDABε ⇒ε(%) = 75%

Capítulo 21 - Halliday, Resnick e Walker

33 A operação de um motor a gasolina de combustão interna está representada pelo

ciclo na figura ao lado. Suponha que a mistura gasolina - ar de admissão é um gás ideal e use a razão de compressão 4:1 (V4 = 4V1) . Suponha que p2 = 3p1 .

a) Determine a pressão e a temperatura em cada um dos pontos de vértice do diagrama p - V , em termos de p1 , T1, e a razão γ entre os calores especí-

p 3p1 2 Centelha Adiabático p1 13 Tomada de ar Adiabático 4 V1 4V1 V

ficos molares do gás.

R Vp

T µ

11 1 =

( )( )

1 111122

2 33 3

T R Vp

R Vp

R Vp

T ==== µµµ

( )( )

 

  

 === −

R Vp

R Vp

R Vp

T µµµ

γ γ

1111133 3 4.3

44.3

1 1

3 4.3 TT γ−=

( )( )

 

  

 === −

R Vp

R Vp

R Vp

T µµµ

γ γ

1111144 4 4

44

1 1

4 4 TT γ−=

γ γγ

 

  

 =∴=

3

2 233322 V

V ppVpVp

( ) 1 1

1 13 4.34

3 p V

V pp γ

γ −=

  

 =

γ

γγ  

  

 =∴=

4

1 144411 V

V ppVpVp

( ) 1 1

1 14 4 pV

V pp γ

γ −=

  

 =

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Cap 21 www.fisica.ufpb.br/~romero 27

b) Qual a eficiência do ciclo?

QT = Q12 + Q23 + Q34 + Q41 Como as transformações 23e41 são adiabáticas, temos que:

Q23 + Q41 = 0 As transformações 12e34 acontecem a volume constante, e quando usamos a primeira lei da termodinâmica, temos que:

dQif = dEif = µCVdTif Qif = µCV(Tf - Ti) e desse modo:

( ) ( ) ( )[ ] 1111212 23 TCTTCTTCQ VVV µµµ =−=−= e

( ) ( ) ( )[ ] 1111113434 4.24.34 TCTTCTTCQ VVV µµµ γγγ −−− =−=−= e finalmente

γ γ

µ µ

ε − −

−=−=−= 1 1

1 1

12

34 41 2 4.2

11 TC

TC Q Q

V

V

Capítulo 21 - Halliday, Resnick e Walker

35 Um condicionador de ar de Carnot pega energia da energia térmica de uma sala a 700F e a transfere para um ambiente externo, que está a 960F . Para cada Joule de energia elétrica necessária para operar o condicionador de ar, quantos Joules de ca- lor serão removidos do quarto?

TF = 700F TQ = 960F

TF = 294,26K TQ = 308,70K

Para efetuar as transformações das escalas de temperatura, usamos que:

( )32 9 515,273

15,273

32 5 9

−+=⇒

  

  

−=

+=

FK

KC

CF

TT TT

TT

O coeficiente de desempenho de um refrigerador de Carnot é definido como:

FQ

F

FQ

FF

TT T

QQ Q

W Q

− =

− ==κ

κ = 20,37

E, portanto podemos dizer que para cada Joule de trabalho W fornecido pelo motor elétrico serão retirados 20,37Joules de calor do quarto.

Prof. Romero Tavares da Silva

Cap 21 www.fisica.ufpb.br/~romero 28

Capítulo 21 - Halliday, Resnick e Walker

37 Uma bomba térmica é usada para aquecer um edifício. A temperatura externa é de -5,00C , e a temperatura dentro do edifício deve ser mantida a 220C . O coeficiente de desempenho da bomba é de 3,8 , e a bomba térmica entrega 7,54MJ de calor para o edifício a cada hora. Se a bomba térmica for um motor de Carnot trabalhando no sentido inverso, a que taxa deve-se realizar trabalho para fazer funcionar a bomba térmica?

TF = - 50C = 268,15K TQ = 220C = 295,15K

|QQ| / t = 7,5 x 106 Joules/hora κ = 3,8

QF Fq

FF QQ QQ

Q W Q

κ κκ +

=⇒ −

== 1

portanto

t Q

t WPQQQW QQFQ κκ + ==∴

+ =−=

1 1

1 1

P = 1,56 x 106J/hora = 434,02 watts

Capítulo 21 - Halliday, Resnick e Walker

41 Um motor de Carnot trabalha entre as temperaturas T1 e T2 . Ele aciona um refrige- rador de Carnot que trabalha entre as temperaturas T3 e T4 . Determine a razão Q3/Q1 em termos de T1 , T2 , T3 e T4

A eficiência de uma máquina de Car- not é definida como:

Q

FQ

Q Q QQ

Q W − ==ε

O coeficiente de desempenho de um refrigerador de Carnot é definido como:

FQ

F

FQ

FF

TT T

QQ Q

W Q

− =

− ==κ

T1 T3 Q1 Q3 W Q2 Q4 T2 T4

Considerando que: 1 – fonte quente 2 – fonte fria 3 – fonte quente 4 – fonte fria

1

2

1

21 1 T T

Q QQ

−= −

43

4

43

4

TT T

QQ Q

− =

− =κ

Por outro lado, como a máquina e o refrigerador estão conectados, os trabalhos envolvido em ambos os processos são iguais, ou seja:

W = |Q1| - |Q2| = |Q3| - |Q4|

Prof. Romero Tavares da Silva

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34 43

4

1 QQ

QQ Q

κ κκ +

=⇒ −

=

Logo

1

3

1

44

1 1 Q Q

Q Q

W Q

Q W

κ κεκκε +

=⇒==

ou seja:

( ) ( )κε κ κκε +=  

   += 11

1

3

Q Q

ou ainda:

 

  

 −

 

  

 −

= 

  

 −

 

  

 −=

  

 −

+ 

  

 −=

3

4

1

2

43

3

1

2

43

4

1

2

1

3

1

1 111

T T T T

TT T

T T

TT T

T T

Q Q

Capítulo 21 - Halliday, Resnick e Walker

44 Uma caixa contém N moléculas de gás igualmente divididas entre as suas duas me- tades. Para N = 50 :

a) Qual a multiplicidade desta configuração central?

Se um sistema tem N componentes idênticos que podem ocupar duas situações distintas, a multiplicidade de um estado com n componentes em uma situação e os coponentes restantes N-n na outra situação é dada por

!! ! Nn

NCnN =

Na situação específica do problema, temos que:

1425 50 1026,1!25!25

!50 xC ≅=

b) Qual o número total de microestados para o sistema?

O número de microestados de um sistema com N componentes que podem o- cupar duas situações, é dado por 2N , nesse caso temos:

250 = 1,13x1015

c) Que percentagem de tempo o sistema gasta em sua configuração central?

Como todos os estados são igualmente prováveis, o sistema passará em tese o mesmo tempo em cada um desses estados. No entanto os estados têm multipli- cidade diferentes e desse modo o sistema passará um tempo τ(N,n) em um de- terminado estado proporcional a probabilidade da ocorrência deste estado, ou seja:

Prof. Romero Tavares da Silva

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N

n NC

estadosdetotalnúmero estadododademultiplicinN

2 ),( ==τ

111,0 2

)25,50( 50 25 50 ==

Cτ

muito bom
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