A Triunidade de Deus, Notas de estudo de Teologia
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A Triunidade de Deus, Notas de estudo de Teologia

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A Triunidade de Deus
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1

Av. Cidade Jardim, 3978

Bosque dos Eucaliptos

São José dos Campos – SP

PABX.: (12) 3936-2529

www.editorafiel.com.br

2

termo “trindade” vem sendo usado faz

aproximadamente mil e seiscentos anos,

para tentar explicar a natureza de Deus.

Mas, a escolha desse vocábulo específico foi infeliz e

incorreta. Quando os cristãos usam a palavra

“trindade” (que significa, simplesmente, “três”),

inconscientemente comunicam aos ouvintes um

conceito politeísta (a crença ou a adoração a uma

pluralidade de deuses). A palavra “trindade” foi

cunhada a fim de referir-se à pluralidade que há em

Deus, ao mesmo tempo em que manteria o

pensamento da unidade divina. Foi uma escolha

bem intencionada, mas infeliz.

Atualmente, muitos não-cristãos supõem que

essa doutrina significa que a cristandade acredita

em três deuses, e não em um só. No seu âmago,

entretanto, esse ensino na realidade em nada difere

da doutrina judaica central sobre a unidade de

Deus. Para descrever corretamente o verdadeiro

conceito bíblico da natureza de Deus, deveríamos

usar o vocábulo tri-unidade, em lugar de trindade.

O termo tri-unidade transmite a idéia de que Deus é

um só, ao mesmo tempo em que consiste em três

pessoas.

O

3

Isso de maneira alguma indica a crença na

existência de três deuses; antes, indica uma crença

em total consonância com os ensinamentos da lei e

dos profetas. Apesar de estar acima de nossa

capacidade de experimentar, ou, quanto a muitos

aspectos ao menos de compreender plenamente

esse fenômeno, essa é, não obstante, a posição da

Bíblia. Se quisermos entender esse conceito, em

qualquer medida, teremos de voltar-nos para as

Escrituras com esta simples indagação: “Que diz o

Senhor?”.

A Unidade Composta de Deus

A unidade de Deus é ensinada nas páginas

do Antigo Testamento. Vintenas de passagens, na

lei e nos profetas, convergem a fim de prover-nos

uma irrefutável evidência de pluralidade, dentro da

unidade de Deus.

Pluralidade na Shema

O povo judaico com freqüência faz objeção à

tri-unidade de Deus por causa daquilo que

acreditam ser-lhes ensinado na Shema. Para maior

parte dos israelitas, a Shema é o coração mesmo do

judaísmo. Trata-se daquela passagem fundamental

que se encontra no livro de Deuteronômio:

4

“Shema Yisroel Adonai Elohenu Adonai

Echad...”

“Ouve, Israel, o Senhor, nosso Deus é o único

Senhor. Amarás, pois, o Senhor, teu Deus de todo o

teu coração, de toda a tua alma e de toda a tua

força” (Deuteronômio 6:4,5).

A palavra Shema é o primeiro vocábulo

hebraico dessa passagem, e significa “ouve”. A

premissa aceita entre os judeus é que essa

declaração ensina que Deus é indivisivelmente uno.

Consequentemente, eles levantam a seguinte

objeção: “Não posso crer nessa pessoa, Jesus, que os

cristãos consideram Deus”. Para eles, a Shema

parece haver silenciado para sempre o argumento

que envolve a crença cristã histórica na deidade de

Jesus. Entretanto, um exame cuidadoso do trecho de

Deuteronômio 6:4 na verdade estabelece, ao invés

de refutar, a pluralidade de Deus. Uma completa

revisão do texto hebraico revela essa verdade acima

de qualquer dúvida razoável. O incrível é que

Shema é uma das mais poderosas declarações em

favor da tri-unidade de Deus que se pode encontrar

na Bíblia inteira. A própria palavra que

alegadamente argumenta contra o ensino da tri-

unidade de Deus realmente afirma que em Deus há

pluralidade, pois a última palavra hebraica da

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Shema é echad, um substantivo que demonstra

unidade que contém várias entidades. Poderíamos

citar um bom número de exemplos.

Em Gênesis 1:5, Moisés empregou essa

palavra ao descrever o primeiro dia da criação:

“Chamou Deus à Luz Dia, e às trevas, Noite. Houve

tarde e manhã, o primeiro dia”. A palavra aí

traduzida por “primeiro” é a palavra hebraica echad.

Aquele primeiro dia, é claro, consistiu em luz e

trevas – manhã e tarde.

Em Gênesis 2:24, Deus revelou o que se fazia

necessário para um casamento feliz. Ele instruiu

marido e mulher a tornarem-se “os dois uma só

carne”, indicando que aquelas duas pessoas unir-se-

iam, formando perfeita e harmônica unidade. Em

tal caso, novamente, a palavra hebraica é echad. O

ponto é claro, portanto – echad é sempre usada para

indicar unidade coletiva, uma unidade em sentido

composto.

Em Números 13, Moisés registrou o relato

sobre os doze espias hebreus que tinham sido

enviados para espiar a terra de Canaã. Quando

retornaram daquela missão, de acordo com o

versículo 23, eles pararam em Escol, onde “cortaram

um ramo de vide com um cacho de uvas”. A

palavra que aqui aparece como “um”, em “um

cacho”, novamente é echad, no hebraico. Mas, como

6

é evidente, esse único cacho de uvas consistia em

muitas uvas.

Por semelhante modo, em Esdras 2:64,

registram as Escrituras: “Toda esta congregação

junta foi de quarenta e dois mil e trezentos e

sessenta”. A palavra hebraica aqui traduzida por

toda, na expressão “toda esta congregação”, é a

palavra hebraica echad. É evidente que aquela

congregação de Israel, embora fosse uma só,

compunha-se de muitos indivíduos. De fato, nada

menos de 42.360 israelitas a compunham!

Jeremias, grande profeta de Judá, no capítulo

32 de seu tratado, inspirado pelo Espírito Santo de

Deus, empregou a mesma palavra hebraica, echad, a

fim de denotar uma unidade composta. Lemos nos

versículos 38 e 39: “Eles serão o meu povo, e eu

serei o seu Deus. Dar-lhes-ei um só coração e um só

caminho...”. A referência feita por Jeremias a “um

só coração” e a “um só caminho”, envolve a inteira

nação de Israel. Assim, muitos, coletivamente

falando como somente um.

O que é mais interessante nisso tudo é que há

outra palavra hebraica que significa “unidade

absoluta”. Essa outra palavra é yachid. Em Gênesis

22:2, Abraão é instruído: “Toma teu filho, teu único

filho, Isaque a quem amas, e vai-te à terra de Moriá;

oferece-o ali em holocausto...”. O termo aqui

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traduzido em português por “único” no hebraico é

yachid. Esse vocábulo hebraico é novamente usado

nos versículos 12 e 16 desse mesmo capítulo. Havia

apenas um filho da promessa – não havia outro.

Nesse sentido, pois, yachid estabelece singularidade

absoluta: um e somente um.

Também, em Provérbios 4:3, Salomão

assevera: “...eu era filho em companhia de meu pai,

tenro, e único diante de minha mãe”. Davi, por sua

vez, escreveu em Salmos 22:20: “Livra a minha alma

da espada, a das presas do cão a minha vida”, onde

temos “minha vida”, literalmente , no hebraico,

“minha única vida”, sendo usada a palavra hebraica

yachid.

Também encontramos escrito em Juízes

11:34: “Vindo, pois, Jefté a Mispa, a sua casa, saiu-

lhe a filha ao seu encontro, com adufes e com

danças: e era ela filha única; não tinha ele outro

filho nem filha”. Jeremias declara, em 6:26 de seu

livro: “Ó filha do meu povo, cinge-te de cilício, e

revolve-te na cinza; pranteia como por um filho

único...”. De novo, lê-se em Amós 8:10: “...farei que

isso seja como luto por filho único...”. E novamente,

em Zacarias 12:10, onde se lê palavras ditas pelo

próprio Senhor Deus: “...olharão para mim, a quem

traspassaram; pranteá-lo-ão como quem pranteia

por um unigênito...”.

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Percebemos, portanto, que os escritores

sagrados, inspirados pelo Espírito de Deus,

dispunham de duas palavras hebraicas que podiam

escolher, quando queriam falar da natureza de

Deus. É claro que Yahweh selecionou a palavra

sagrada que O identifica com a idéia de pluralidade.

Esse substantivo coletivo sempre foi escolhido, e

não o singular absoluto. A preferência dada a echad,

ao invés de yachid, não deixa margem para dúvida

quanto ao sentido que Deus nos queria transmitir.

Pluralidade no Nome de Deus

Em nossa Bíblia portuguesa, os tradutores, ao

traduzirem as palavras hebraicas El e Elohim,

fizeram-no com “D” maiúsculo, “Deus”. No

hebraico, essas palavras significam ambas “Todo-

Poderoso”.

Ambos esses nomes, na verdade, são uma só

palavra. Todavia, El é a forma singular, enquanto

que Elohim é a forma plural da mesma palavra.

Particularmente importante é o fato que dentre as

2.750 vezes em que essas palavras são empregadas

no Antigo Testamento, Elohim, a forma plural, é

empregada por nada menos que 2.500 vezes.

Êxodo 20 provê para nós um excelente

exemplo. Nessa passagem, Moisés estava transmi-

tindo os Dez Mandamentos de Deus ao povo de

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Israel. Yahweh pois, declara ali: “Eu sou o Senhor

teu Deus... Não terás outros deuses diante de mim”

(vv. 2 e 3). Nessa declaração, “Deus” e “deuses” são

idênticas no original hebraico, isto é, Elohim. A

variação que se vê na tradução portuguesa deve-se

ao fato que os tradutores, apesar de traduzirem a

segunda ocorrência da palavra por “deuses”, no

primeiro caso preferiram traduzir Elohim no

singular, “Deus”.

Gramaticalmente, no hebraico pelo menos,

seria aceitável ter sido traduzida essa passagem

como: Eu sou o Senhor teus Deuses... Não terás

outros deuses diante de mim”.

Isso posto, essa questão de pluralidade,

quanto ao nome divino, deve ser reconhecida como

uma importante questão, que precisamos levar em

conta. O livro de Gênesis fornece-nos uma excelente

ilustração. Somente no relato sobre a criação, a

palavra hebraica Elohim é usada por cerca de trinta e

duas vezes, aludindo à obra divina da formação dos

céus e da terra.

Outra instância disso encontra-se na própria

Shema. Ali o substantivo “Deus” é o termo hebraico

Elohenu. Ora, Elohenu reflete tanto o pronome

plural, em “nosso” Deus, como a forma plural,

Elohim.

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Impõe-se novamente a pergunta: Por qual

razão Deus preferiu coerentemente a forma plural

Elohim, a fim de demonstrar a Sua unidade? O uso

de uma forma singular não transmitiria, com maior

clareza, o conceito de singularidade? O fato,

entretanto, é que Deus preferiu comunicar, por

intermédio de Moisés, a idéia de pluralidade dentro

de Sua unidade.

Um Ponto no Livro de Gênesis

A pluralidade, nos pronomes pessoais,

quando utilizada em relação a nosso Senhor,

adiciona uma prova ao conceito da tri-unidade de

Deus. Uma vez mais, pomo-nos a examinar o

registro de Gênesis, em busca de evidências. Três

passagens demonstram esse ponto:

“Também disse Deus: Façamos o homem à

nossa imagem conforme a nossa semelhança...

Criou Deus, pois, o homem à sua imagem, à

imagem de Deus o criou: homem e mulher os criou”

(Gênesis 1:26,27).

Logo no começo, podemos observar a seleção

da palavra hebraica Elohim como forma do

substantivo usado nesse versículo; Elohim estava

pronto para criar o homem. Em consonância com

essa escolha, pois foi inserido o pronome pessoal

plural, “nós” (subentendido no verbo “façamos”) e

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o adjetivo possessivo plural “nossa” (por duas

vezes).

O Dr. David L. Cooper estabeleceu um ponto

válido, ao observar que os substantivos hebraicos

“semelhança” e “imagem” estão ambos no singular,

o que indica que a pessoa que falava como a pessoa

a quem se falava era uma e a mesma pessoa. E

assim a conclusão é muito iluminadora: A idéia de

pluralidade (“nós” e “nossa”) é fundida com termos

no singular (“semelhança” e “imagem”), assim

demonstrando aquilo que podemos denominar de

unidade coletiva, de unidade composta. Isso é

reforçado no versículo 27, onde Deus refere-se a Si

mesmo usando pronomes pessoais no singular

“sua” e “ele” (ele, subentendido em “criou”).

Deve-se compreender que somente Deus é

capaz de criar – isso se evidencia por todo o volume

da Bíblia. Visto que isso é verdade, então quem está

em foco dentro da declaração: “Façamos NÓS o

homem à NOSSA imagem, conforme a NOSSA

semelhança”? Só há uma conclusão lógica.

“...Eis que o homem se tornou como um de

nós... o Senhor Deus, por isso, o lançou fora do

jardim do Éden...” (Gênesis 3:22,23). Adão e Eva

haviam transgredido contra Yahweh. A reação do

Senhor Deus foi expulsa-los do jardim do Éden.

Notemos que Deus observou que o homem “...se

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tornou como um de NÓS...” (o pronome pessoal no

plural), razão pela qual o homem precisava ser

expulso.

O terceiro ponto a ser salientado encontra-se

no relato sobre a dispersão da humanidade, quando

da construção da Torre de Babel. "Vinde, desçamos,

e confundamos ali a sua linguagem... Destarte o

Senhor os dispersou dali pela superfície da terra..."

(Gênesis 11:7,8). Uma vez mais o pronome pessoal

plural "nós", é empregado (subentendido nos dois

verbos, "desçamos" e "confundamos"). A isso segue-

se uma referência a Deus, no singular. Foi "o

Senhor" quem executou a divina decisão:

"...desçamos...".

Tri-Unidade ou Politeísmo?

Uma pergunta emerge das páginas do

Antigo Testamento: Devemos crer em um Deus que

consiste em mais de uma pessoa, ou devemos aceitar o

politeísmo? Uma breve investigação em algumas

poucas passagens bíblicas pode ilustrar as

alternativas que se abrem diante de nós.

No Salmo 45, o rei de Israel é apresentado

como se fosse Deus. Lemos especificamente, nos

versículos 6 e 7: "O teu trono, ó Deus, é para todo o

sempre; cetro de eqüidade é o cetro do teu reino.

Amas a justiça e odeias a iniqüidade; por isso Deus,

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o teu Deus, te ungiu com o óleo de alegria, como a

nenhum dos teus companheiros". Visto que a

primeira palavra Deus, em itálico, está no

imperativo, destaca-se a indagação: Quem é o Deus

de Davi?

Novamente, em Salmos 110:1, diz o rei Davi:

"Disse o Senhor ao meu Senhor: Assenta-te à minha

direita, até que eu ponha os teus inimigos debaixo

dos teus pés". A questão que deve ser feita quanto a

essa passagem é: A quem Davi dirigia-se como o

seu Senhor? Quando Davi compôs esse salmo, ele

era o monarca de Israel. Não havia outro maior do

que Davi em Israel, exceto Deus. Quem, pois, deve

ser considerado Senhor de Davi? E para quem Davi

estava falando?

Em Gênesis 18 e 19, Moisés registrou

destruição das cidades de Sodoma e Gomorra. É

evidente, através dos dois capítulos, que o próprio

Senhor apareceu a Abraão como um dos três

homens que o visitaram. No trecho de Gênesis 19:24

lemos: "Então fez o Senhor chover enxofre e fogo,

da parte do Senhor, sobre Sodoma e Gomorra".

Inquestionavelmente, essa referência bíblica identi-

fica duas pessoas distintas. Uma vez mais, a escolha

se destaca: politeísmo ou a tri-unidade de Deus!

Temos a certeza de que a Bíblia não ensina o

politeísmo. É simplesmente intransponível o abismo

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entre o ensino da tri-unidade de Deus e o conceito

de muitas divindades. Acusar alguém que os

cristãos acreditam em três deuses é algo destituído

de base. O politeísmo concebe e ensina deuses que

são entidades independentes uma das outras -

deuses que a todo tempo entrechocam-se com

outros deuses, em seus objetivos. Mas, dentro da tri-

unidade de Deus sempre há uma absoluta unidade

de desejo, desígnio e de execução. Todas as

referências bíblicas mostram Deus Pai, Deus Filho e

Deus Espírito Santo operando em perfeita união.

Basta esse fato para vermos a grande diferença que

há entre aqueles dois conceitos.

O Messias Reconhecido Como Deus

"Porque um menino nos nasceu, um filho se

nos deu; o governo está sobre os seus ombros; e o

seu nome será: Maravilhoso, Conselheiro, Deus

Forte, Pai da Eternidade, Príncipe da Paz; para que

se aumente o seu governo e venha paz sem fim

sobre o trono de Davi e sobre o seu reino, para o

estabelecer e o firmar mediante o juízo e a justiça,

desde agora e para sempre. O zelo do Senhor dos

Exércitos fará isto" (Isaías 6:6,7).

Esses versículos mostram-nos explicitamente

que Aquele sobre cujos ombros estará o governo, e

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por intermédio de quem chegarão a este mundo a

justiça, a paz e a retidão, é, ao mesmo, Deus e

homem. Como criança ainda, Ele nasceu na nação

de Israel. Isso dá a entender, de maneira enfática, a

humanidade do Messias. Ao mesmo tempo, porém,

ele também é ali reconhecido como o verdadeiro

Deus, por ser o Filho dado por Deus. Além disso,

essa criança, esse Filho, é chamado de "Deus Forte".

Acrescente-se a isso que lhe são conferidos outros

títulos que só cabem legitimamente a Deus. Pois Ele

é designado "Maravilhoso", "Conselheiro", "Pai da

Eternidade" e "Príncipe da Paz".

Jeremias aliou-se a Isaías, ao insistir que o

Messias é Deus em carne humana.

"Eis que vêm dias, diz o Senhor, em que

levantarei a Davi um Renovo justo; e, rei que é,

reinará, e agirá sabiamente, e executará o juízo e a

justiça na terra. Nos seus dias Judá será salvo, e

Israel habitará seguro; será este o seu nome, com

que será chamado: Senhor Justiça Nossa" (Jeremias

23:5,6).

Não dúvidas que essa declaração refere-se ao

Messias que procederia da linhagem de Davi. Na

qualidade de Rei de Israel, Ele haveria de trazer

justiça, retidão e paz a esta terra. Quem realizará

tudo isso? De conformidade com essa porção da

Palavra de Deus, será o Renovo justo de Davi (o

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Messias) - yahweh-tsidkenu, "Senhor Justiça Nossa".

Visto que Deus deixa absolutamente claro que não

existem deuses além dEle mesmo, como poderí-

amos compreender que Ele chamou Seu servo, o

Messias, de Deus? Isso só pode ser compreendido

quando percebemos que esse Filho de Deus, esse

Renovo, justo, na realidade é Deus.

O Messias é Eterno

Em um sentido limitado, algumas das

qualidades ou atributos de Deus são exibidos na

Sua criação, particularmente na humanidade. Não

obstante, há muitas outras características que

residem exclusivamente no próprio Deus. A

eternidade é um dos atributos designado somente a

Deus. Diferente dos homens, ou de qualquer

substância existente no universo criado, Deus não

somente existe para sempre, mas também não teve

começo - Ele sempre existiu. Deus revelou-se a

Moisés chamando a Si mesmo de "Eu sou o que

Sou" (Êxodo 3:14) - uma declaração cujo propósito

era o de mostrar ao Seu servo atemorizado a

passada, a presente e a futura existência de Sua

divina pessoa. Deus simplesmente existe! Por

semelhante modo, há muitas outras passagens, no

Antigo e no Novo Testamento, que informam-nos

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que antes de qualquer coisa vir à existência, Deus já

estava lá.

Tendo esse fato em mente, voltamos agora a

nossa atenção para os ensinos bíblicos que abordam

a questão de pré-existência do Messias. Não

somente Ele deveria nascer como um ser humano,

em algum ponto histórico do tempo, mas também,

de acordo com o profeta Miquéias, o Messias (o

Filho de Deus) vem "desde os dias da eternidade".

Escreveu esse profeta judeu, em 5:2 do livro que

tem seu nome: "E tu, Belém Efrata, pequena demais

para figurar como grupo de milhares de Judá, de ti

me sairá o que há de reinar em Israel, e cujas

origens são desde os tempos antigos, desde os dias

da eternidade". Assim, o local do nascimento do

Príncipe que viria foi predito séculos antes que Ele

aparecesse neste mundo. O Messias surgiria na cena

humana não simplesmente como fruto do ventre de

uma virgem, mas também procederia das regiões da

eternidade, onde Ele sempre existirá, eternidade a

fora.

É importante que entendamos que tanto o

Antigo quanto o Novo Testamento destroçam o

errôneo conceito do nascimento físico de Jesus como

se isso tivesse constituído a Sua origem, o Seu

começo. A Bíblia nunca ensina tal coisa, em parte

alguma. Por igual modo, as Escrituras nunca

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sustentam a tese de que Maria é a mãe de Deus. O

que o Novo Testamento revela-nos, paralelamente

ao Antigo Testamento, é que Deus manifestou-se

em carne, como ser humano. Maria foi a mulher

judia que Deus escolheu para dar á luz Àquele que

é o Deus encarnado - o eterno Filho de Deus.

O Messias Foi Adorado

Somente Deus pode ser adorado, com toda a

legitimidade. Deus proíbe adoração direta a

qualquer outro ser ou objeto, tanto nos céus quanto

na terra. Em Salmos 118:8 somos instruídos quanto

a esse particular: "Melhor é buscar refúgio no

Senhor do que confiar no homem". Mais dogmático

ainda mostra-se o profeta Jeremias, o qual citou

Deus a dizer: "Maldito o homem que confia no

homem, faz da carne mortal o seu braço, e aparta o

seu coração do Senhor... Bendito o homem que

confia no Senhor, e cuja a esperança é o Senhor”

(Jeremias 17:5,7).

No entanto, em certas porções das Escrituras,

encontramos o Messias aceitando adoração da parte

dos homens. Davi deixa isso perfeitamente claro no

Salmo 2. Ali ele identifica o Messias como o Filho de

Deus, e, em seguida, instrui que o Rei-Messias

deveria ser adorado (v. 12). Isso pode ser chocante

19

para o seguidor das Escrituras - a menos que ele

compreenda a tri-unidade de Deus. Então torna-se

lógica e escriturística aquela admoestação de Davi,

que recomenda: “Beijai [adorai] o Filho...”.

Deus deixou perfeitamente claro que o Seu

Filho, o Messias, tem todo o direito de ser adorado.

Isso, por sua vez, significa que Cristo é Deus. Se não

fosse realidade, então a única alternativa que nos

restaria seria acreditar que o Deus que nos adverte a

não reverenciar ao homem, estava contradizendo-se

ao ordenar-nos tal coisa. Naturalmente, Deus não

estava se contradizendo. Ao contrário, estava

frisando esse ponto uma vez mais: O Messias é

Deus.

Uma Palavra Final

Temos compartilhado de certo número de

momentosos fatos – verdades que são capazes de

libertar nossas mentes, se estivermos dispostos a

rejeitar as crenças restritivas, agrilhoadas às

tradições humanas, para então considerarmos

objetivamente as Sagradas Escrituras. A Palavra de

Deus, tanto no Antigo quanto no Novo Testamento,

ensina-nos que o Senhor onipotente é uma

personalidade triúna. Quanto a esse detalhe, o

judaísmo bíblico (por meio das Escrituras do Antigo

20

Testamento) e o cristianismo bíblico estão em total

acordo.

Os crentes que acreditam na Bíblia não são

politeístas. Antes, a doutrina deles é tão autenti-

camente monoteísta quanto o é a doutrina do

judaísmo bíblico. Na verdade, se não entendermos o

conceito da tri-unidade de Deus, nos sentiremos

inteiramente perdidos na tentativa de explicar

grande parte dos ensinos do Antigo Testamento.

O ponto crucial do problema inteiro repousa,

em última análise, sobre a explicação do impacto

exercido pela vida e pelo ministério de Jesus Cristo.

Por mais de dois milênios, Ele tem cativado os

corações dos homens e tem dominado a história da

humanidade. Se quisermos ser perfeitamente ho-

nestos, como poderíamos explicar a pessoa de

Cristo, à parte do fato que Ele é Aquele que foi

anunciado por Isaías como o Deus Forte.

Ótimo material. obrigado
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