Acústica, Notas de estudo de Acústica
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Acústica, Notas de estudo de Acústica

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4- Efeitos do som:

Avaliação dos Efeitos do Ruído sobre o Homem Nos últimos anos, os altos níveis de ruído se transformaram em uma das formas de poluição que

atinge maior número de pessoas. A poluição sonora não se restringe apenas à regiões de grande concentração industrial, como a

poluição atmosférica; nem a estritas regiões, como a poluição radiativa; nem a regiões produtoras de álcool, como a poluição dos rios. O barulho está presente em qualquer comunidade, em qualquer tipo de trânsito de veículos, em qualquer processo fabril, em qualquer obra civil.

O Brasil é um dos líderes mundiais em nível de ruído. Eis alguns dados : as cidades de São Paulo e Rio de Janeiro estão entre as cinco de maior nível de ruído do mundo ; nessas cidades o ruído alcança, em média 90 a 95 dB, com picos de 105 dB. Apenas 5 % da população com problemas auditivos recorre a médicos, mas se vende mais de 30 mil aparelhos auditivos por ano.

Costuma-se dividir os efeitos do ruído sobre o homem em duas partes: os que atuam sobre a saúde e bem estar das pessoas e os efeitos sobre a audição.

4.1- Efeitos sobre a saúde e bem estar das pessoas

Quando uma pessoa é submetida a altos níveis de ruído, existe a reação de todo o organismo a esse estímulo. As alterações na resposta vegetativa (involuntária ou inconsciente) são :

Principais alterações fisiológicas reversíveis são : Dilatação das pupilas; Hipertensão sangüínea; Mudanças gastro-intestinais; Reação da musculatura do esqueleto; Vaso-constricção das veias;

Principais mudanças bioquímicas : Mudanças na produção de cortisona; Mudanças na produção de hormônio da tiróide; Mudança na produção de adrenalina; Fracionamento dos lipídios do sangue; Mudança na glicose sangüínea; Mudança na proteína do sangue;

Os efeitos cardio-vasculares são : Aumento do nível de pressão sangüínea - sistólico; Aumento do nível de pressão sangüínea - diastólico; Hipertensão arterial.

A figura 4.1 mostra os principais efeitos do ruído sobre o organismo.

Quanto ao bem estar das pessoas, o ruído pode ser analisado de várias formas :

Exposição ao ruído no ambiente comunitário : Níveis mais baixos que os ocupacionais ; Alto grau de incômodo - fator adicional de estresse ;

Em ensaios com 1.000 pessoas as pessoas submetidas a níveis maiores que 70 dB(A), houve alto índice de hipertensão arterial, grupo mais suscetível as pessoas entre 29 e 39 anos.

Efeito do ruído durante o sono : O efeitos dependem do estímulo sonoro, sua intensidade, da largura banda, duração, freqüência, como também da idade da pessoa.

Como efeitos primários ocorreram : aumento da freqüência cardíaca, vasoconstrição periférica, movimentação do corpo.

Com o aumento do nível de ruído, notou-se que acima de 39 dB(A) há uma diminuição do sono;

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Com o aumento do nível de ruído, ao atingir 64 dB(A), 5 % das pessoas já haviam acordado, e com 97 dB(A), 50 % acordaram.

Como efeitos secundários (no dia seguinte) ocorreram : mudança na disposição, mudança no rendimento, perda da eficiência, queda de atenção, aumento do risco de acidentes.

Quanto aos efeitos sociológicos pode-se citar : Em relação à reação da comunidade :

Irritação geral e incômodo; Perturbação na comunicação conversação, telefone, rádio, televisão; Prejudica o repouso e o relaxamento dentro e fora da residência; Perturbação do sono; Prejudica a concentração e performance ; Sensação de vibração ; Associação do medo e ansiedade; Mudança na conduta social;

Figura 4.1 - Efeitos do excesso de ruído sobre o organismo

Tipos de reação das pessoas : Longo tempo de exposição não habitua ao incômodo ; Conforme o tipo do ruído o grau do incômodo é diferente Conforme a sensibilidade, o grau de incômodo difere para vários tipos de

ruído ; O incômodo para diversos tipos de ruído é equalizado com o uso de Leq (nível

equivalente contínuo).

4.2- Efeitos sobre o aparelho auditivo

Os efeitos do ruído sobre o aparelho auditivo são os únicos reconhecidos pela legislação brasileira, e podem ser divididos em 3 fases :

mudança temporária do limiar auditivo (TTS): é um efeito a curto prazo que representa uma mudança da sensibilidade da audição, dependendo da suscetibilidade individual, do tempo de exposição, da intensidade do ruído. Essa queda do limiar retorna gradualmente ao normal depois de cessada a exposição. Eis alguns dados sobre o TTS :

Os ruído de alta freqüência produzem mais TTS; A banda de 2.000 a 6.000 Hz produzem mais TTS; Para a maioria das pessoas, os níveis acima de 60 a 80 dB(A) provocam mudança

no limiar auditivo; A recuperação dos limiares normais se dá proporcional ao loga-rítmo do tempo; A maior parte do TTS se recupera nas primeiras 2 ou 3 horas.

mudança permanente do limiar auditivo : é decorrente de um acúmulo de exposições ao ruído. Inicia-se com zumbido, cefaléia, fadiga e tontura. A seguir o indivíduo tem dificuldade em escutar os sons agudos como, o tique-taque do relógio, as últimas palavras de uma conversação, o barulho da chuva, além de confundir os sons em ambientes ruidosos. Numa última fase, o déficit auditivo interfere diretamente na comunicação oral, tornando-a difícil ou praticamente impossível. Pode aparecer também um zumbido permanente que piora as condições auditivas e perturba o repouso. Alguns autores afirmam que a mudança permanente do limiar auditivo é o resultado de repetidas mudanças temporárias de limiar.

trauma acústico : é definido como uma perda súbita da audição, decorrente de uma única exposição ao ruído muito intenso. Geralmente aparece o zumbido, podendo haver o rompimento da membrana timpânica.

4.2.1. - Mecanismo da Perda Auditiva

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As perdas de audição causadas por exposição ao ruído (PAIR = Perda de Audição Induzida Por Ruído) se caracterizam por iniciarem na faixa de 3000 Hz a 5000 Hz, sendo mais aguda em 4000 Hz. Esse processo é facilmente constatado através de um exame audiométrico, aparecendo como uma curva em forma de "V".

4.2.2. - Fatores que influem na perda auditiva

São 4 os fatores que contribuem para a perda auditiva : O nível de intensidade sonora NIS; O tempo de exposição; A freqüência do ruído; A susceptividade individual.

Os 3 primeiros itens são conhecidos e fáceis de se medir. O 4º item (susceptividade individual) é bastante interessante, pois indivíduos que se encontram num mesmo local ruidoso podem reagir de maneiras diferentes: alguns são extremamente sensíveis ao ruído, enquanto outros parecem não ser atingidos pelo mesmo.

3.- Exposição à vibração

A vibração de equipamentos, estruturas são também fontes geradoras de ruído. Um barbeador elétrico, por exemplo terá seu ruído muito amplificado quando encostado numa estrutura com um armário de madeira, por exemplo.

Em muitos casos esta vibração incide diretamente sobre o trabalhador a ela exposto. Uma britadeira, por exemplo, transmite fortes vibrações às mãos de seu operador. Assim também um trator transmita ao operador, sentado, fortes vibrações que afetam sua saúde.

A figura abaixo mostra as freqüências de ressonância de diversas partes do corpo.

Figura 4.2 – Freqüências de ressonância de diversas partes do corpo.

Para avaliar estas vibrações tem-se a necessidade de estabelecer as orientações da figura 4.3.

Figura 4.3- Direções de vibração do corpo e da mão

Como referência de limites para estas vibrações temos as figuras 4.4, 4.5 e 4.6:

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4.- Efeitos sobre o corpo todo:

Além dos efeitos do ruído sobre audição e da vibração sobre o corpo, desenvolvem-se atualmente estudos sobre a influencia do ruído sobre o a saúde do corpo todo. Este interesse surgiu a partir do acompanhamento das doenças profissionais de pilotos de avião (civis e militares), técnicos de navios, disc- jóqueis e outras categorias. Percebeu-se uma deterioração gradativa da saúde com maior incidência de eplesia, hipertensão e em casos mais severos até câncer.

Um poudo desta história é relatada no artigo a seguir:

Silêncio evita doenças Se é daquelas pessoas que diz ouvir bem demais, não suporta qualquer tipo de ruído, nem mesmo a música, pode sofrer de uma patologia provocada pela exposição excessiva ao ruído de baixa frequência (RBF). A doença chama-se vibroacústica (DVA) e foi debatida esta semana, pela primeira vez, em Lisboa pelos mais destacados cientistas nacionais e estrangeiros. Nos mais de mil trabalhos apresentados no Instituto Superior Técnico, os especialistas garantiram que a «doença é sistémica, envolve todo o organismo, e já foi observada em técnicos de aeronáutica, pilotos, técnicos de máquinas de navios, profissionais de restauração e disco-jockeys». A exposição excessiva a este tipo de ruído pode levar ao «espessamento das estruturas cardiovasculares, depressão, aumento da irritabilidade e agressividade, tendência para o auto-isolamento, perturbação dos processos cognitivos, aceleramento do lúpus e vitiligo». Segundo os cientistas, a doença pode ainda ser acompanhada pelo aparecimento de tumores e alterações do controlo neurológico da respiração, por exemplo. Dada a multiplicidade de sinais e sintomas, os médicos garantem que a DVA tornou-se um problema de saúde pública nos últimos cinco anos, no entanto, os efeitos do ruído de baixa frequência não estão legislados. «É permitido que [o RBF] prolifere em quase todos os sectores da sociedade humana» , avisa o presidente do Conselho Científico do Centro de Performance Humana - líder mundial na investigação dos efeitos biológicos do ruído - , Nuno Castelo Branco. «O RBF faz parte de muitas actividades de lazer e de muitos enquadramentos de transportes públicos. Até o comum automóvel é uma fonte significativa de RBF», alerta. Entre os motivos na origem da falta de atenção para esta patologia, o médico português diz estar o facto de «o ruído ser avaliado partindo do princípio que só o que é audível será nocivo». No entanto, a ideia está errada: «Os raios X, por exemplo, não são percepcionados pelo ser humano, mas são, mesmo assim, um reconhecido risco para a saúde», explica. O desconhecimento dos efeitos do RBF é ainda justificado, pelo especialista, com a limitação dos «métodos de avaliação do ruído». Tais dispositivos, «tal como estão presentemente legislados, não contemplam o RBF como um risco para a saúde» . Adicionalmente, «como o ruído de baixa frequência não é um assunto 'da moda', os financiamentos atribuídos a projectos nesta área são diminutos» , salienta. A falta de interesse e, consequentemente, de apoios financeiros não impediu, contudo, o médico português de estudar a doença em portugueses. Em 1979, Nuno Castelo Branco ficou responsável pela saúde dos trabalhadores da Força Aérea Portuguesa nas Oficinas Gerais de Material Aeronáutico (OGMA), tendo observado «um trabalhador com movimentos despropositados, no que lhe pareceu ser um automatismo de natureza epiléptica».

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A constatação levou-o a analisar as fichas clínicas de todos os técnicos aeronáuticos, verificando que em dez por cento dos casos tinha sido diagnosticada epilepsia tardia. O número surpreendeu, pois entre a população geral portuguesa o valor esperado é de apenas 0,2 por cento, e «foi a base para a avaliação neurológica aprofundada que se seguiu», explica. Os exames médicos detalhados foram realizados até 1987 e revelaram «muitas alterações neurológicas, que incluíram lesões cerebrais». A primeira autópsia de um dos funcionários aconteceu nesse ano e permitiu verificar que o coração do técnico de aeronáutica, de 58 anos de idade e diagnosticado com epilepsia tardia em 1981, apresentava «11 pequenas cicatrizes de eventos isquémicos silenciosos já ocorridos, a parede das artérias coronárias estava também espessada e tinha ainda dois tumores». O grupo de estudo foi limitado a 140 trabalhadores e permitiu constatar que «após 1 a 4 anos de exposição ocupacional, pelo menos, 70 desenvolveram bronquite [igual para fumadores e não fumadores]» e que, «após dez anos, pelo menos 70 queixavam-se de dores de cabeça e hemorragias nasais sem causa aparente». A epilepsia tardia foi diagnosticada em 22 técnicos, a diabetes em 16 e tumores malignos em 28. A par, todos os 140 trabalhadores tinham perdas de equilíbrio muito frequentes, envelhecimento precoce e alterações endócrinas, como a disfunção da tiróide, registada em 18 casos. As observações realizadas permitiram ainda a Nuno Castelo Branco definir três estádios clínicos da doença vibroacústica: ligeiro (entre 1 a 4 anos de exposição a RBF, oito horas por dia e cinco dias por semana), moderado (4 a 10 anos) e severo (mais de 10 anos). Na fase inicial, podem ocorrer ligeiras alterações de humor, azia ou bronquite, seguidos por alergias, sangue na urina, dor no peito ou infecções da pele, no estádio moderado. Na fase severa, distúrbios psiquiátricos, hemorragias, varizes, hemorróidas, dores musculares e articulares intensas são outros dos sintomas. No entanto, «existem outras actividades profissionais em que o horário de exposição não é o habitual, por exemplo em submarinos, plataformas de petróleo e no Espaço, e a evolução dos sinais e sintomas pode ser significativamente acelerada», esclarece o médico. No 12º Congresso Internacional sobre Ruído e Vibração, os investigadores salientaram ainda que há falta de informação dos profissionais de saúde. «Em geral, os médicos não têm conhecimentos suficientes para inquirir os doentes sobre os ambientes de trabalho e a doença é, às vezes, diagnostica como Síndroma da Fadiga Crónica» , garante Nuno Castelo Branco. «A situação presente é que a doença vibroacústica não é reconhecida como uma entidade patológica e, assim sendo, os indivíduos que exibem um quadro clínico de DVA ou são golpistas [se forem trabalhadores] ou são neuróticos [se forem mulheres]», acrescenta. No final dos trabalhos, ficou a recomendação para apostar na prevenção. «Os estudos indicam que, sem prevenção, aproximadamente cinco por cento dos trabalhadores expostos a RBF desenvolverão patologias suficientemente graves para requer a reforma antecipada por incapacidade», garante Nuno Castelo Branco. O médico disse ainda que a «evolução da doença vai estar directamente associada à exposição total recebida de todos os ambientes ricos em ruído de baixa frequência, seja ele ocupacional, ambiental ou de lazer». No congresso ficou claro que os especialistas querem tornar obrigatório que os indivíduos expostos ao ruído de baixa frequência no local de trabalho efectuem períodos de afastamento desse ambiente. Nuno Castelo Branco dá um exemplo para justificar a necessidade de adoptar esta medida: «Em ratos Wistar expostos a RBF durante 48 horas e depois mantidos em silêncio até sete dias após exposição, o epitélio da traqueia só ficou semelhante ao dos animais de controlo (não sujeitos ao ruído) após aqueles dias em silêncio». Vera Lúcia Arreigoso21:35 15 Julho 2005

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II- TECNOLOGIAS EM ACÚSTICA:

5- Medições de ruído:

5.1. - Introdução

Como já vimos, podemos definir Ruído, de maneira subjetiva, como toda sensação auditiva desagradável, ou fisicamente, como todo fenômeno acústico não periódico, sem componentes harmônicos definidos.

De um modo geral, os ruídos podem ser classificados em 3 tipos

Ruídos contínuos : são aqueles cuja variação de nível de intensidade sonora é muito pequena em função do tempo. São ruídos característicos de bombas de líquidos, motores elétricos, engrenagens, etc. Exemplos : chuva, geladeiras, compressores, ventiladores (Fig. 5.1).

Ruídos flutuantes : são aqueles que apresentam grandes variações de nível em função do tempo. São geradores desse tipo de ruído os trabalhos manuais, afiação de ferramentas, soldagem, o trânsito de veículos, etc. São os ruídos mais comuns nos sons diários (Fig. 5.2).

Ruídos impulsivos, ou de impacto : apresentam altos níveis de intensidade sonora, num intervalo de tempo muito pequeno. São os ruídos provenientes de explosões e impactos. São ruídos característicos de rebitadeiras, impressoras automáticas, britadeiras, prensas, etc. (Fig. 5.3).

Figura 5.1 – Ruído do tipo contínuo

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Figura 5.2 – Ruído do tipo flutuante

Figura 5.3 – Ruído do tipo impacto

A medição dos níveis de som é a principal atividade para avaliação dos problemas do ruído em um ambiente. Podemos fazer desde uma simples avaliação local, passando por um levantamento mais minucioso, até uma análise de alta precisão usando analisadores de freqüência.

Essas medições devem ser realizadas por medidores de nível de pressão de som (chamados erradamente de decibelímetros), que estejam de acordo com as normas internacionais. É importante que o medidor não seja do tipo hobby, facilmente importado e encontrado no mercado por contrabando. Por outro lado, os métodos de medição e análise dos resultados devem ser escolhidos por pessoas que tenham um conhecimento sobre acústica e devem conhecer as normas nacionais e internacionais, bem como as leis em vigor.

5.2 - O Medidor de Nível de Pressão Sonora (sonômetro-decibelímetro)

A instrumentação para medição de ruído é a única que tem regulamentação internacional e a que apresenta a maior versatilidade o opção de modelos, desde simples até complexas análises de níveis sonoros, com diferentes graus de exatidão.

Os aparelhos de boa procedência atendem os padrões da IEC (International Electrotechnical Commission) e do ANSI (Americam Standards Institute). Portanto ao comprar ou usar um equipamento de medida de som, verifique se ele atende a uma dessas normas :

IEC 651 (1979) - Sound Level Meters IEC 804 (1985) - Integrating-Averaging Sound Level Meters ANSI S1.4 - (1983) - Specification for Sound Level Meters ANSI S1.25 - (1991) - Specification for Personal Noise Dosimeters ANSI S1.11 - (1986) - Specification for Oitave Filters.

Em função de sua precisão nas medições (tolerâncias), os medidores são classificados pela ANSI em três padrões, e pela IEC em quatro, como mostra a tabela 6.1.

Tabela 5.1. - Padrões dos medidores de ruído conforme a aplicação

Padrão ANSI S1.4 Padrão IEC 651

APLICAÇÃO

0 0 Referência padrão de Laboratório

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1 1 Uso em Laboratório ou campo em condições controladas

2 2 Uso geral em campo NÃO EXISTE

3 Inspeções Rotineiras, tipo "varredura", para constatar se

os níveis de ruído estão substancialmente acima dos limites de tolerância.

Os medidores de precisão constam, normalmente de : microfone atenuador circuitos de equalização circuitos integradores mostrador (digital ou analógico) graduado em dB.

Obrigatoriamente os equipamentos devem conter : 2 curvas de ponderação - os circuitos de equalização devem fornecer ao usuário a opção de

escolha para as curvas A ou C. Alguns aparelhos contém as curvas B e D No mínimo, 2 constantes de tempo : lenta (slow) ou rápida (fast). Alguns aparelhos

possuem as constantes ‘impulso’ e ‘pico’. Faixa de medida de 30 a 140 dB. Calibrador.

A figura 6.4 mostra as curvas de equalização A e C normalizadas pela Norma ISO. As curvas de ponderação (ou equalização) dos medidores são usadas para que o aparelho efetue as

medições do ruído de acordo com a sensibilidade do ouvido humano. Essa equalização é dada pela curva "A" que atenua os sons graves, dá maior ganho para a banda de 2 a 5 kHz, e volta a atenuar levemente os sons agudos : é exatamente essa a curva de sensibilidade do ouvido.

Vamos comparar a curva "A" da Figura 5.4 com o limiar de audibilidade da Figura 3.11, reproduzido na Figura 6.4. Percebemos que a "Curva A" faz com que o medidor perceba o som como nós ouvimos.

A curva de ponderação "C" é quase plana e foi incorporada aos medidores caso haja necessidade de medir todo o som do ambiente (sem filtros), ou para avaliar a presença de sons de baixas freqüências. Como se vê na figura 5.4 a grande diferença entre as Curvas "A" e "C" está na etenuação para baixas freqüências. Portanto, se durante uma medição de ruído, constatarmos uma grande diferença entre os valores medidos na escala "A" e "C", isto significa que grande parte do ruído encontra-se na faixa de baixas freqüências.

Figura 5.4. - Curvas de Ponderação.

Os medidores de nível de pressão sonora usam duas constantes de tempo, aceitas internacionalmente. São os tempos correspondentes às respostas lenta (slow), de um segundo e, rápida (fast), de 0,125 segundos. O medidor apresenta em seu mostrador a média quadrática (RMS = Root Mean Square) das variações da pressão do som dentro do tempo especificado pela constante de tempo.

É escolhida o valor RMS da pressão sonora porque ela relata fielmente a energia contida na onda sonora. Como nós sabemos, a resposta do ouvido é proporcional à energia das variações da pressão.

Alguns aparelhos, mais sofisticados, possuem a constante de tempo de 35 ms (0,035 s), correspondente à operação "impulso". Essa constante existe em normas de alguns países sendo usadas para sons de grande intensidade e tempo de duração muito pequeno.

Devemos tomar as seguintes precauções com o medidor de nível de pressão sonora : verificar a calibração sempre que for usar o aparelho. O medidor, por ter um circuito

eletrônico, é muito sensível à temperatura, e o seu microfone tem alta sensibilidade à umidade e pressão atmosférica;

respeitar as características do microfone, quanto a limites de temperatura, umidade, ângulo de colocação, etc.;

verificar a bateria antes de cada medição; fazer as devidas correções, quando utilizar o cabo de extensão;

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usar adequadamente o fundo de escala em dB do aparelho, para obter maior precisão; usar corretamente as curvas de ponderação "A", "B" ou "C"; usar de maneira adequada a constante de tempo.

5.3. - Precauções durante as medições

Alguns cuidados devem ser tomados quando medimos os níveis de ruído de um ambiente: Os principais são :

o medidor deve ser colocado na posição de trabalho dos operários e na altura do ouvido dos mesmos;

deve ser evitada a interferência do vento no microfone do medidor. Para anular esse efeito, existe um dispositivo denominado "windscreen" que evita o "sopro" sobre o microfone;

a distância do medidor à fonte de ruído deve estar de acordo com as Normas ISO 1999, ISO 1966/1 e as recomendações ISO R 131, R 266 e R 495;

devem ser evitadas superfícies refletoras, que não sejam comuns ao ambiente. Assim, deve- se evitar que o corpo da pessoa que faz a medição não interfira nas medidas;

recomenda-se fazer pelo menos 5 medições em cada local; o principal causador de erros nas medições de ruído é o Ruído de Fundo. Trata-se do ruído

do ambiente, que não faz parte do ruído daquele local. Para comprovar a sua influência, fazemos o seguinte ensaio : medimos o nível de ruído com a máquina em funcionamento e, em seguida, desligada. No primeiro caso estaremos medindo o ruído total (ruído da máquina + ruído de fundo), e no segundo caso apenas o ruído de fundo. Se a diferença do nível for menor que 3 dB, indica um ruído de fundo bastante intenso, que deve ser levado em consideração nas medições. Para determinarmos o nível de ruído gerado apenas pela fonte, medimos o nível de ruído total Ls com a máquina funcionando e, em seguida, o nível Ln do ruído de fundo. Em seguida subtraímos (Ls - Ln) e, através da Tabela 6.2 obtemos o valor, em dB, que deve ser subtraído de Ls para obtenção do nível de ruído emitido pela fonte (máquina).

Tabela 5.2 – Medição com ruído de fundo [dB]

Diferença entre os dois níveis de ruído

[Ls – Ln]

Valor a ser subtraído do nível Ls

1 6,7 2 4,4 3 3,0 4 2,2 5 1,7 6 1,4 7 1,0 8 0,8 9 0,7 10 0,6

5.4– Alguns Métodos de Medição do Ruído

A seguir, vamos apresentar uma série de métodos de avaliação do ruído em ambientes, com crescente grau de sofisticação. No final, apresentaremos os métodos usados no Brasil, fixados pelas Normas Brasileiras e pela Consolidação das Leis do Trabalho (CLT).

5.4.1– Percepção Subjetiva do Ruído (sem o medidor)

Nós percebemos claramente quando estamos num ambiente com ruído pois o nosso aparelho auditivo tem grande sensibilidade para detectar a intensidade do som.

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Surge porém uma questão : como saber se os níveis de intensidade sonora devem ser encarados como um problema ou não ? Devemos introduzir um programa de controle de ruído, ou os níveis estão abaixo dos valores prejudiciais à saúde ?

Existem duas maneiras fáceis para constatarmos se os níveis de ruído estão se tornando elevados demais, sem o uso do medidor :

A primeira é verificar se existe dificuldade de comunicação oral dentro do ambiente. Essa dificuldade é constatada ao se tentar conversar com outras pessoas a um metro de distância com nível normal de voz. Caso haja dificuldade de comunicação, ou necessidade de gritar, ou falar mais próximo da outra pessoa, indicará que o nível de ruído do ambiente está acima do nível da voz (que pode ser tomado próximo de 70 dB).

A segunda maneira é constatar se as pessoas, após permanência prolongada no local, sofrem uma diminuição da sensibilidade auditiva (também chamada de sensação de campainha nos ouvidos).

A diminuição da sensibilidade auditiva e o zumbido nos ouvidos são causados por uma proteção natural que contrai os músculos do ouvido médio, proporcionando um amortecimento nas vibrações dos três ossículos. Essa contração permanece por algum tempo, mesmo depois de cessado o ruído, causando uma diminuição da acuidade auditiva.

Caso um desses dois testes releve resultados positivos, existe grande possibilidade dos níveis estarem acima do recomendável. Deve-se portanto, providenciar a imediata avaliação da situação acústica do ambiente.

5.4.2– Medição de Ruídos Contínuos

A avaliação dos níveis de ruído contínuos é feita diretamente com o medidor de nível de pressão sonora. Aproximamos o aparelho da fonte, na posição de trabalho do operário e lemos diretamente no aparelho o nível de ruído do local. Por ser um ruído do tipo contínuo, deverá haver pouca variação nos valores marcados pelo mostrador.

O medidor deve estar regulado na curva de ponderação "A" e com a constante de tempo em lenta (Slow = RMS da pressão sonora em 1 segundo).

5.4.3. – Medição de Ruídos Flutuantes

Existem muitos métodos de medição para ruído flutuantes. Todos eles têm por objetivo encontrar um valor que represente de forma significativa, em decibels, as variações de pressão sonora do som.

Nível Médio de Som Contínuo Equivalente (L eq)

As variações de nível de um ruído flutuante podem ser representadas pelo Nível de Som Contínuo Equivalente. Nesse método de medição obtemos um nível de ruído contínuo que possui a mesma energia acústica que os níveis flutuantes originais, durante um período de tempo. O princípio da mesma energia assegura a precisão do método para avaliação dos efeitos do ruído sobre o aparelho auditivo, sendo adotado pela Norma ISO, e muitas normas nacionais.

O Leq é definido por:

A figura 5.5 mostra o Leq graficamente.

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Figura 5.5 – Nível de som equivalente contínuo Nesse método devemos usar a constante de tempo em "lento" e a ponderação na curva "A", indicando-se por La eq . O tempo usado no método pode ser escolhido conforme a indústria ou o tipo de ruído, podendo der, por exemplo, de 60 segundos, 30 minutos, 1 hora, etc.

Esse método é muito preciso para avaliar o risco auditivo, mas necessita de um medidor que possua a escala esquivalente.

5.4.4- Dose de Ruído

O método de Dose de Ruído é uma variação do Nível de Som Contínuo Equivalente, medido para toda a jornada de trabalho. Existem duas diferenças entre o Leq e a Dose de Ruído:

o medidor de Dose de Ruído, chamado de dosímetro, é um pequeno aparelho que o trabalhador transporta (no bolso da camisa ou preso na cintura) durante toda a jornada de trabalho, com o microfone instalado no abafador de ouvido.

enquanto o Leq expressa o ruído em dB, o dosímetro apresenta a medida como uma porcentagem da exposição diária permitida. Caso esse limite seja fixado em 90 dB (A) (em alguns países 85 dB(A)), é calculado o Leq para 8 horas e o medidor acusa a porcentagem da exposição a que foi submetido o operário : se 100 %, equivale que o nível de ruído do ambiente está no limite permitido.

Dessa maneira, o aparelho mede a verdadeira exposição do operário, pois ele acompanha continuamente todos os ruídos que atingiram o operário durante a jornada, fornecendo, no final do dia, o valor médio. Por isso, a medição do ruído através da dose de ruído é considerada a forma mais precisa de se avaliar o risco do trabalhador.

O uso do medidor de dose de ruído requer cuidados especiais quanto a exposição a ruídos de impacto.

5.4.5– Medição de Sons de Impacto

Os critérios de risco auditivo devido a sons de impacto ainda não estão totalmente definidos. As Normas Internacionais ISO sugerem com aproximação para medição de sons gerados por martelos e rebitadeiras, o nível medido em dB na curva "A", com resposta lenta, acrescido de 10 dB. Esse critério não é preciso, principalmente para impactos maiores como martelos pneumáticos, britadeiras, prensas hidráulicas, etc., fazendo com que outros métodos sejam aplicados em muitos países. Muitas Normas Nacionais (como a ABNT) adotam a resposta rápida "fast" com a curva "A" ou "C". Algumas Normas Nacionais já estão adotando os limites de ruído de impacto em termos da constante de tempo para "impulso" (0,035 s). Os medidores de nível de ruído mais sofisticados do mercado já possuem a escala impulso.

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Outra maneira de medirmos o som de impacto é usar a escala " valor de pico" (peak) : trata-se não mais da medição da pressão média quadrática RMS em um determinado tempo, mas sim o valor máximo atingido pela pressão sonora durante a medição. Ensaios mostram que o ouvido humano não pode suportar níveis de impacto superiores a 140 dB(pico).

A Tabela 5.3 mostra os ruídos medidos com diversas constantes de tempo.

Tabela 5.3 – Diferentes formas de medição do ruído de impacto Constante de Tempo Fonte de Ruído

Martelo manual Matelete pneumático Prensa excêntrica Rápida [0,125 s] 105 dB(A) 112 dB(A) 93 dB(A)

Impulso [0,035 s] 112 dB(A) 113 dB(A) 97 dB(A) Pico 131 SPL 128 SPL 121 SPL

5.5- Análise de Freqüência

Quando pretendemos fazer um completo programa de controle de ruído ambiental, a análise das freqüências desse ruído se torna de grande importância. O conhecimento das freqüências de maior nível sonoro do ruído vai nos facilitar o projeto de atenuação dos níveis sonoros, como por exemplo, a escolha de superfícies tratadas acusticamente, o enclausuramento de fontes de ruído, a escolha de protetores auriculares, etc.

A análise em freqüência do ruído, porém, necessita de aparelhagem bastante sofisticada, como um medidor de grande precisão e analisador de freqüência. Existem medidores de nível de som que possuem o analisador incorporado.

A figura 5.6 mostra uma análise de freqüência do ruído de crianças numa pré-escola, medido no quintal do vizinho( a 2m do muro e paredes) .

É importante lembrar que a análise das freqüências do ruído se faz apenas em ruídos contínuos e flutuantes; não se faz a análise de freqüência de ruídos de impacto.

Figura 5.6 – Análise de freqüência (espectro) do ruído ctianças numa pré-escola.

5.6. – Os Métodos Usados no Brasil

No Brasil, os critérios para avaliação dos níveis de ruído são estabelecidos para duas aplicações distintas: ruido comunitário de vizinhança e de habitações e ruído ocupacional.

O critérios relacionados ao ruído relacionado à vizinhança foram estabelecidos pela Resolução n. 1 do Conama (Conselho Nacional de Meio Ambiente) de 08 de março de 1990 tomando por referência as normas da ABNT:

- NBR 10151 – Avaliação do Ruído em Áreas Habitadas, visando o conforto da comunidade - NBR 10152 – Níveis de Ruído para Conforto Acústico, visando o conforto em habitações.

5.6.1- Os métodos das Normas Brasileiras

A Norma NBR 10151 estabelece métodos detalhados de medição para ruídos de vinhaça. Estes métodos são utilizados para levantamentos acústicos que são avaliados de adordo critérios desta norma, baseados em normas internacionais e no tipo de zona que se avalia. Veja a Tabela 01 desta norma:

Tabela 01 - Nível de critério de avaliação NCA para ambientes externos, em dB(A) Tipos de áreas Diurno Noturno

Áreas de sítios e fazendas 40 35 Área estritamente residencial urbana ou de hospitais ou de escolas 50 45 Área mista, predominantemente residencial 55 50

80

Área mista, com vocação comercial e administrativa 60 55 Área mista, dom vocação recreacional 65 55 Área predominantemente industrial 70 60

Para ambientes cosntruidos adota-se a NBR 10152, que passa atualmente por uma revisão que irá melhorar os critérios de isolamento entre cômodos de uma residência e vizinhança.

Tabela 5.4. - Níveis de som para conforto, segundo a NBR 10152 LOCAIS dB(A) Curvas NC Hospitais

Apartamentos, Enfermarias, Berçários, Centros Cirúrgicos Laboratórios, Áreas para uso público Serviços

35 -45 40 - 50 45 -55

30 -40 35 -45 40 –50

Escolas Bibliotecas, Salas de música, Salas de desenho Salas de aula, Laboratórios Circulação

35 -45 40 -50 45 - 55

30 - 40 35 - 45 40 - 50

Hotéis Apartamentos Restaurantes, Salas de estar Portaria, Recepção, Circulação

35 – 45 40 – 50 45 – 55

30 - 40 35 - 45 40 - 50

Residências Dormitórios Salas de estar

35 – 45 40 – 50

30 - 40 35 - 45

Auditórios Salas de concerto, Teatros Salas de Conferências, Cinemas, Salas de uso múltiplo

30 - 40 35 - 45

25 - 30 30 – 35

Restaurantes 40 - 50 35 - 45 Escritórios

Salas de reunião Salas de gerência, Salas de projetos e de administração Salas de computadores Salas de mecanografia

30 - 40 35 - 45 45 - 65 50 - 60

25 - 35 30 - 40 40 – 60 45 - 55

Igrejas e Templos 40 - 50 35 - 45 Locais para esportes

Pavilhões fechados para espetáculos e ativ. esportivas 45 - 60 40 - 55

Tabela 5.5- Padrões Propostos (Médio) DESCRIÇÃO RW (dB)

Portas e Janelas >= 20 Paredes entre dependencias

>= 40

Paredes externas >= 45 Paredes entre unidades >=50

Piso entre unidades <= 55

Rw é um índice de isolamento (Européia – internacional) ISO 140-3 que considera melhor as baixas freqüências em seus método de medição. O Recomendado Rw (ABNT)

Hoje usa-se o STC = Sound Transmission Class ( ASTM – Americana)- ASTM E90

Rw = 90% STC

Podem-se utilizar métodos de medição com diferentes graus de precisão:

Tabela 5.6- Normas: Ensaio de Isolação Sonora

81

TIPO NORMA Tecnologicamente GRAU 1 ISO 140-3 completo- condições controladas GRAU 2 ISO 140-4; ISO 140-5 engenharia – completo – condições não controladas GRAU 3 ISSO/DIS 10052 Simplificado – estimativas de dados

5.6.2- Os Métodos da C.L.T.

Os métodos de medição do ruído e a avaliação dos seus danos auditivos fixados pela C.L.T. são os únicos no Brasil com força de lei. Portanto, se uma empresa for multada por atividades insalubres causadas por excesso de ruído, a fiscalização estará fundamentada nos métodos da C.L.T. Esses métodos estão na Norma Regulamentadora Nº 15 (NR15) da Portaria 3.214 e são um pouco mais objetivas que a NBR 7731, mas ainda deixam alguns pontos vagos.

Os métodos da NR 15 são :

Os níveis de ruído contínuo ou flutuante devem ser medidos com medidor de nível de pressão sonora na curva de equalização "A" e com resposta lenta (slow). As leituras devem ser feitas próximas ao ouvido do trabalhador.

Os ruídos de impacto (são definidos como aqueles que apresentam picos de energia acústica com duração menor que 1 segundo), a medição deve ser feita em circuito "linear" ou "impacto" próximo do ouvido do trabalhador. Caso o medidor não disponha de um medidor com resposta "impacto", será válida a leitura feita na resposta rápida (fast) e ponderação na curva "C".

Sempre devem ser realizadas várias medições (trabalhando-se com a média), com o medidor posicionado próximo ao ouvido do trabalhador.

Embora a Portaria 3.214 não detalhe os métodos de medição (principalmente no que se refere a ruídos flutuantes), as suas colocações são diretas e objetivas.

6- Acústica Arquitetônica:

6.1- Implicações práticas da acústica x conforto, rotina...

O ruído afeta diretamente o nível do conforto do usuário. Para avaliara o nível de conforto é necessário descrever o som medindo o Nível de Pressão Sonora e seu espectro.

Tem-se estudado que a percepção do som se processa nos seguintes limites:

1 dB - imperceptível 3 dB - quase perceptível 5 dB - claramente perceptível 10 dB – diferença substancial

O ser humano percebe o som considerando inconscientemente os seguintes fatores: - NPS / freqüência - ouve-se mais os agudos e menos os graves(estes são mais atenuados)

A comunicação humana depende do ambiente: - ruído mascara a fala - as consoantes tem som mais fraco => facilidade de mascaramento ( pouca energia + altas freqüências). - atrasos temporais maiores que 50 milisegundos começa diminuir a inteligilibilidade - 10 dB pode ser a diferença de nível entre o som e o ruído de fundo.

A localização da fonte é mais difícil no sentido vertical que horizontal: - Na horizontal (azimutal) é mais importante; - Na altura (elevação) é mais difícil perceber.

82

Ruído causa desconforto. Alguns do seu efeitos: - distúrbio do sono - distúrbio do repouso / lazer - perda de concentração e eficiência no trabalho - perda de audição

Algumas características geradoras de incômodo: - condicionantes- comparação entre nível medido e som puro (100 Kz) - Espectro sonoro: timbre x incomodo (tons puros,...) - intermitência do som: evoca estado de alerta: mudança de ruído chama atenção, ex.: gota d’água - Diferença de atividade ( trabalho, manual, mental, social (boite), casa, sono... - hora do dia - duração da exposição (tempo pequeno x grande) - atitude individual

Basicamente a acústica arquitetônica se preocupa com duas vertentes realacionadas a acústica: • Redução de entrada de ruído nos ambientes ( com layout adequado e/ou isolamento

acústico) • adequação acústica interna do edifício à sua função.

6.1.1- Desempenho acústico: nova norma em elaboração:

Atualmente utilizamos a norma da ABNT, NBR 10152, que estabelece critérios para conorto acústico em ambientes fechados. A necessidade de parâmetros mais claros para uso nos projetos de edifícios residenciais levou a elaboração da nova norma de desempenho.( www.cobracon.org.br - CE-02:136.01 - Comissão de Estudos - Desempenho de Edificações)

Tipos de ruído: Na fachada – aéreo

No piso - impacto

IPT desenvolveu Ensaios de laboratório e campo

Normas

ABNT adota nomenclatura ISO e IEC

Figura 6.1- Diferentes atividades num edifício.

Tipos de ensaios hoje utilizados:

Tabela 6.1- Normas: ensaio de isolação sonora: TIPO NORMA Tecnologicamente GRAU 1 ISO 140-3 completo- condições controladas GRAU 2 ISO 140-4; ISO 140-5 engenharia – completo – condições não controladas GRAU 3 ISO/DIS 10052 Simplificado – estimativas de dados

Baseado nas normas internacionais foram estabelecido, provisoriamente, os critérios abaixo. Tabela 6.2- Padrões propostos pela nova norma de desempenho (edifícios até 5 pavimentos)

Desempenho: I – intermediário M - médio

PADRÕES PROPOSTOS (MÉDIO) – (DORMITÓRIO / SALA DE ESTAR)

83

S – superior Foi optado por uma simplificação de 36 critérios (normas internacionais) para 5 a 6 critérios (acústicos)

DESCRIÇÃO RW (dB)

Portas e Janelas >= 20

Paredes entre dependências >= 40

Paredes externas >= 45

Paredes entre unidades >=50

Piso entre unidades <= 55

Abaixo uma descrição sucinta da montagem dos diversos ensaios:

Figura 6.2 – Método ISO 140-3 Ruído de Impacto: Método Engenharia ISO 140-7

Levantamento ISSO/DIS 10052 ABSORÇÃO ISO 354

Figura 6.3- Outros Métodos

Tabela 6.3- Definições de parâmetros Símbolo Descrição da Grandeza Aplicação Normas

Rw Índice de Redução Sonora Ponderado Componentes da Edificação

ISO 140-3 ISO 717-1

Dn,T,w Diferença Padronizada de Nível Ponderada

Parede / Piso ISO 140-4 ISO 717-1

D2m,n,T,w Diferença Padronizada de Nível Ponderada, a 2 metros

Fachada e cobertura ISO 140-5 ISO 717-1

L’n,T,w Nível de Pressão Sonora de Impacto Padronizado Ponderado

Impacto em piso ISO 140-7 ISO 717-2

αw Coeficiente de Absorção Sonora Ponderado

Absorção Sonora ISO 354 ISO 11654

Rw ~= STC STC ( americana) ASTM E90 Rw (Européia – internacional) ISO 140-3 Rw = 90% STC Rw considera + as freqüências mais graves.

Recomendado Rw (ABNT) αw F 0F 3 Rw RECOMENDADO SEU USO – ABNT – INOVAÇÃO

6.2- Projeto condicionado a função do edifício: layout

A forma mais racional e econômica de lidar com a acústica arquitetônica é incorporar a acústica deste a fase inicial de qualquer projeto. A disposição do edifício no terreno pode melhorar muita qualidade de uso dos edifícios. Qualquer construção só cumprirá bem sua função se todos os aspectos de conforto e segurança forem levados em conta na fase de projeto.

É necessário primeiramente posicionar o edifício (residência) no terreno de forma a minimizar o ruído externo recebido. As fontes externas podem ser:

- vias de circulação de veículos - Aeroporto

84

- centros comerciais - locais de espetáculo

Resolvida esta questão é importante cuidar do condicionamento acústico: - defesa contra ruído (controle)

- controle do som ambiente (tratamento acústico) - vibrações Conforme a localização o nível de ruído pode impedir a construção de determinados projetos. Na

tabela 6.4 algumas recomendações.

Tabela 6.4- Níveis de ruído: atitude aconselhável: TIPO NÍVEL aconselhável OBS Intenso > 75 dBA Não construir Residência- isola 45 dBA Muito forte 65 a 75 dBA Evitar construir Residência- isola 35 dBA Moderado < 65 dBA Construir Residência- isola 30 dBA

LOCALIZAÇÃO: ao dobrar a distancia reduz 6 dB. É interessante levantar curvas isofônicas: para prever tratamentos (MAPA)

6.2.1- Layout de edifícios comerciais e residenciais:

A recomendação abaixo é uma boa dica para posicionamento de edifício: - Posição em relação às vias: Ortogonal com a via é melhor (figura 6.4)

Figura 6.4 - Layouts diferentes

Um outro exemplo é o layout de um condomínio residencial (Figura 6.5): distribuir equipamentos barulhentos e edificações secundários mais próximos do ruído (sem barreiras):

Figura 6.5- Condomínio Residencial

Em caso da utilização de barreiras sonoras deve-se observar a diferença da eficiência destas nas diversas freqüências.

http://www.grammbarriers.com/home.htm l

Figura 6.6 – Barreiras Acústicas Exemplo: Rod Bandeirantes – conjunto habitacional http://www.brasilengenharia.com.br/

artbarreira539.htm e “Skyline”

A barreira acústica poder ser utilizada com diversas concepções:

Tabela 6.5- Concepções de Barreira acústicas Concepção Eficiência Vegetação – é visual não acústica POBRE Parede fina MÉDIA Rebaixamento de via MELHOR

6.2.3- Arquitetura – UFSC

O projeto da Faculdade de Arquitetura da Universidade Federal de Santa Catarina – UFSC é um excelente exemplo de racionalidade acústica.

85

A área destinada a esta construção estava próxima a uma via muito movimentada e isto orientou inicialmente a concepção do projeto, conforme figura 6.4.

Figura 6.7- Terreno a ser instalada a Arquitetura

A qualidade auditiva depende da geometria. Deve se contar com atenuação natural e a massa edificada forma proteção para outro edifício (figura 6.8)

Figura 6.8 – Layout da Arquitetura UFSC

Para o controle de ruído interno foi ajustado: - O fluxo de alunos: corredor de saída das salas de aula ESTREITO - Circulação maior e com piso inclinado (pequena inclinação) - Rampa de circulação tratada.

As salas de aula foram posicionadas na “sombra acústica” de dois edifícios: um administrativo e outro de auditórios que teriam que ser obrigatoriamente tratados.

Figura 6.9- Detalhes do projeto

Na figura 6.10 algumas recomendações para a construção de salas de aula.

Salas não grandes Formas especiais Tempo de reverberação

- Adequar o Tempo de reverberação - Reduzir o ruído de fundo

Critérios Ruído 35 - 45 dBA Tr – 0,6 a 08 seg Usar Membrana vibrante Venezianas

Figura 6.10- Salas de aula

6.2.4- Caso de isolamento de ruído e vibrações: Sala São Paulo

A Sala São Paulo sede Linhas férreas: trens de carga — ruído e vibrações de baixa freqüência. Hoje este espaço é sede da Orquestra Sinfônica de São Paulo (http://www.osesp.art.br/ ) e é dirigido

pela Sociedade de Cultura Artística. Veja: http://www.culturaartistica.com.br/index.php

Figura 6.11 – Vista geral da Sala São Paulo

Adequar a Estação Julio Prestes a três salas de concertos/ performance foi um grande desafio acústico. Apresentamos algumas de suas soluções:

Figura 6.12 – Estação Julio Prestes - SP

Para isolar ruído externo: Drywall (leveza e acabamento) Nas anti-câmeras utilizou-se painéis aglomerado e/ou gesso: 1,2,3,4,5 placas até isolamento

necessário.

86

Materiais: vidro e concreto tem a mesma densidade. O vidro plano gera mais problemas acústicos. No piso técnico foram utilizadas 5 camadas de DRYWALL para isolamento de ruídos aéreos

externos (aviões e helicópteros). Nos dutos de ar condicionado: foram feitas ESPIRAIS para impedir a passagem de ruído. No palco e balcões:foi utilizado o conjunto LAGE / neoprene / LAGE

SUPORTE anéis concentricos de neoprene com diam 10 cm e altura 10 cm.

Figura 6.13 – Isolamento de vibração no palco e balcão

6.3- Isolamento de ruído(urbano):

O isolamento acústico é diferente do tratamento acústico. O tratamento é utilizado para uma adequação de um ambiente a uma função acústica, auditório por exemplo. O isolamento tem a finalidade de conter o ruído numa determinada área: dentro de um estúdio ou fora de um escritório por exemplo.

A isolação é intuitiva. Por exemplo: no box de banheiro com a porta do box aberta o ruído é mais agudo (“tota/”: Chhhhhh). Se fechado: dentro é mais agudo e fora é menos agudo. Isto significa que as freqüências mais altas são mais fáceis de isolar.

Para isolar um apartamento de ruídos de vias públicas por exemplo, há necessidade de verificar os níveis de ruído e projetar janelas acústicas adequadas. Em situações específicas (estudio domestico por exemplo) é necessário instalar portas acústicas e eventualmente paredes duplas, ou triplas e para isolamento.

α= Ia / I

٦ = It / I

FRESTA: por onde não passa água passa som

Figura 6.14- Lei da conservação da energia

A seguir registramos os níveis de isolament de divresos materiais.

Tabela 6.6 – Atenuação de diversos materiais

Descrição Característica Montante enchimento STC (dB) 12 mm aço de 9 cm - 28 2 x 12 mm aço de 9 cm - 38 2 x 12 mm aço de 9 cm 50 mm lã de rocha 45 2 x 2 x 12 mm aço de 9 cm 50 mm lã de rocha 51 Vidro simples 10 kg / m2 25 Vidro simples 20 kg / m2 28 Vidro simples 40 kg / m2 32 Vidro simples 6 mm 31 Vidro simples 3mm 5 mm ar 3 mm vidro 37 Vidro laminado 12,5 mm 40 Vidros duplos 3 mm 6 mm de ar 26 Vidros duplos 6 mm 65 mm de ar 44 Vidro simples 6 mm 10 mm ar 6 mm vidro 50

Tabela 6.7 – Atenuação de diversos materiais por espectro

87

Tabela 6.8– Atenuação de mais materiais: Alguns valores típicos. Parede de bloco cerâmico (reboco grosso) Rw = 40 dB Parede externa tijolo maciço Rw =47 dB Parede entre vizinhos – 2 chapas de gesso acartonado Rw = 37 dB Parede entre unidades Rw < 55 dB

A instalação de portas e janelas acústicas devem ser criteriosas: não devem haver frestas. Se uma parede isola por exemplo 30 dBA, uma freta de 1% da área reduz a atenuação para 20 dBA.

6.3.1- JANELA ACÚSTICAS

As janelas tem a estanqueidade x frestas como uma das mais importantes características para sua eficiência. Por isto temos:

- Janelas pivotantes = melhor isolamento (vedação) - Janelas de correr tem mais frestas=>pode-se usar gaxetas infláveis.

Alguns exemplos de dimensionamento de janela acústica: -Ruído intenso > 70 dBA ->janela dupla – 2 vidro 3 mm de abrir -Rw = 27 dB

Abaixo uma curva típica do isolamento por espectro:

Janela Rw = 20 dB

Figura 6.15- Atenuação por espectro de uma janela

Dados de atenuação para janelas de folha acrílica, com espaçamento 2" reduções em decibel pela freqüência, como se segue:

Tabela 6.9- Atenuação de Janela (com folha acrílica)

Frequency 100 Hz 500 Hz 1000 Hz Acrylic Thickness 1/8" 1/4" 1/8" 1/4" 1/8" 1/4" Sound Reduction (db) 11 16 22 26 33 45

http://www.windowsaver.com/acoustical.html

ALGUMAS ESPECIFICAÇÕES DE JANELAS ACÚSTICAS

VIDRO DUPLO

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JANELAS PARA SOBREPOSIÇÃO

O sistema de "sobreposição" que se caracteriza em manter a janela existente e instalar por sobre esta uma segunda, pelo lado interno, sem causar conflitos com a fachada do prédio e sem as indesejáveis quebras de alvenaria.

Figura 6.16– Alguns tipos de janelas acústicas http://www.atenuasom.com.br/

6.3.2- Portas Acústicas:

Com a finalidade de atenuar o som e permitir passagens livres devem ser construídas de forma a permitir uma estanqueidade. É necessário utilizar vedação em todo o batente e embaixo da porta. Lembrar que : FRESTA: por onde não passa água, passa som

Porta Acústica - Fabricada em aço carbono e preenchida com material absorvente acústico de alta resistência, servindo tanto como porta acústica quanto porta corta-fogo.

- Fecho de pressão com destravamento interno.

- Vedação acústica com borracha sintética.

- Pintura Automotiva. Figura 6.17- Porta acústica

http://www.brizaacustica.com.br/home/porta_acustica.htm

Há muitas possibilidade de construção: batente de 4 lados com melhor vedação ou batente de 3 lados com técnicas alternativas de vedação na parte inferior. Dispositivos retráteis, material absorvente...

Cada tipo de aplicação exige materiais de construção diferentes: chapa metálica, madeira, tipos de fechadura (comum, de pressão mais reforçada, câmara frigorífica, antipânico...).

6.3.3- Pisos e Forros:

Afetam diretamente a qualidade acústica do edifício. O piso está relacionado a propagação do ruído de impacto (no andar superior) O forro pode afetar o isolamento de salas vizinhas e as condições acústicas do ambiente. O piso em edifícios tradicionais é construído com grande espessura (25 30 cm) e muita

massa (1000 kg/m3). A tecnologia hoje aplicada permite lajes mais leves e menos isolantes acusticamente. Para contornar este problema é necessário utilizar a aplicação de isolantes acústicos como na figura 6.18.

Figura 6.18 – Piso flutuante.

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Os ambientes de uso intenso como escritórios, call centers e outros para serem plenamente funcionais precisam de uma preocupação com seu condicionamento acústico.

Uma variável importante para um escritório, por exemplo, é a intelegibilidade que permitem reflexões até 80 ms. Valores maiores que 80 ms nãosão desejáveis.

Sabe-se que não se ouvir as consoantes dificulta o entendimento. Numa sala o som se comporta como no gráfico 6.1

Gráfico 6.1 Comportamento sonoro numa sala

O parâmetro de referência mais utilizado é o tempo de reverberação que é controlado pela superfícies de revestimento do ambiente. Assim quanto maior a área de materiais absorventes menor o tempo de reverberação.

Num caso prático foi obtido os seguintes parâmetros:

- Para tempo de reverberação tr = 1,5 s => distancia critica - rc = 80 cm - Para tempo de reverberação tr = 0,55 s => distancia critica - rc = 130 cm Isto muda muito o entendimento do som direto...

Algumas dicas de materiais e/ou tratamentos: - Carpete absorve agudo • Divisórias: isolamento depende do uso de septo acústico. • paredes mais utilizados: painéis, mas são acessíveis a agressão • Por isto o FORRO É PRIVILEGIADO PARA ABSORÇÃO. • Baffles: superfícies intermediárias • Sons graves: ideal utilizar forro e/ou paredes

• - Para graves: Afastar λ/4 : p/ 1kHz => 8,6 cm ; p/ 250 hz => 34,3 cm. • - Painéis tipo membrana: alarga a banda de freqüência • - os dois princípios juntos aplicáveis no forro

Alguns fabricantes de forro: http://www.amf-brasil.com.br http://www.isover.com.br/ http://www.bpbplaco.com.br/ http://www.armstrong.com/commclgam/latam1/pt/br/highlight16074.html

6.4- Vibração e suas implicações:

A vibração normalmente se manifesta em baixas freqüências: é sempre mais difícil fazer uma parede vibrar em alta freqüência. Por isto a baixa freqüência muitas vezes faz vibrar uma parede ou estrutura que se transforma num emissor de ruído.

Nos pisos a baixa freqüência pode se propagar por vibração. Instala-se pisos flutuantes sobre material resiliente, para atenuar a vibração.

Figura 6.19- Pisos suspenso e duto com chicana

6.4.1- Projetos prevendo tratamento anti-vibratório e anti-ruído:

Para fazer um projeto devemos saber: - Quais os equipamentos? Equipamentos de vizinhos?

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- Níveis de ruído - Uso x Normas x equipamento

Engenharia do uso: é fundamental definir parâmetros acústicos com base na função prevista para o edifício.

Podem fazer parte das necessidades do edifício: - Máquinas – Chiller, torres, compressores, bombas, dutos de ar - Escritórios: privacidade, ar condicionado, divisórias ,... - Ruído - transmissão pela parede , pelo duto de ar - Vibração – material resiliente (borracha), molas

Material resiliente: após pressão volta ao formato original.

O projeto mais viável é o que apresenta a melhor relação de fatores técnicos x econômicos.

Ventilador Centrifugo < ruído

Ventilador axial : + ruidoso .

SALA TRATADA (!?)

Figura 6.20 – Isolamento de vibração e ruído aéreo

Regra prática: Amortecedor tipo Mola – dados peso + rotação -> freqüência 3 a 4 x menor

Ex: motor 1800 rpm -> freq 30 Hz => freq amortecedor 7 a 10 Hz

Algumas possibilidades de redução de ruído em sistemas de ar condicinado:

- Valores típicos de Velocidade do ar no condicionamento de ar:- = 2 a 3 m/s - Duto retangular atenua + que duto redondo. - evitar cotovelo - tipo de ventilador x ruído por freqüência - Guias de fluxo após ventilador => fluxo turbulento para fluxo laminar - verificar melhor opção: Atenuadores retangulares x cilíndricos - Fitas 3M x625 – para redução de ruído

Figura 6.21- Recomendações para redução de ruído em movimentação de ar.

Pode-se usar controle ativo em dutos:

Figura 6.12 – Controle ativo de ruído em tubulação.- ACTA – ALDES

6.5- Acústica de escritórios:

Com uma acústica : funcionário mais satisfeito e produtivo. A principal reclamação em pesquisas: FALTA PRIVACIDADE DA FALA.

PRIVACIDADE: - para uns: entender o que é dito - para outros: nada

OUVIR: QUANTO?

DIVISÓRIAS: CONFIDENCIAL Algumas palavras são ouvidas, mas não entendidas. NORMAL Ouve parcialmente entendidas – não distraem

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POBRE Ouve, entende, distrai e incomoda.

Normas sobre privacidade: IP ASTM E-1130 e IA – ASTM 3.5..

Carpete não há relação restrita com a privacidade Principais possibilidades de correção:

- Absorção -> especialmente utilizando matérias absorventes sonoros no forro - Bloquear ruído direto -> layout

A altura dos biombos deve seguir algumas orientações: H > 1,50 m – geral H> 1,60 m – privacidade > H>1,70 m – gerência STC < 20 tecido ou material absorvente

6.6- Acústica das edificações escolares

A acústica de salas de aula não tem recebido a devida atenção no Brasil. Segundo o arquiteto João Honório de Mello Filho, com 30 anos em projetos de escolas, secretário de

Educação em 2 governos de São Paulo, coordenou 4000 projeto, 11 escritórios de Arquitetura, 700 arquitetos os projetos de construção de escolas são em geral muito ruins.

Planos inexistem e quando há melhoras geralmente são resultados de ações políticas isoladas e são processos emocionais.

No Brasil há 200.000 escolas fundamentais, públicas e privadas. Em São Paulo são 11 a 12000 escolas incluindo as municipais.

Como representante brasileiro no fórum mundial de arquitetos especialistas em escolas, constatou alguns fatos:

- pedagogos não se preocupam com espaço físico. - paulo freire não recomendou nada sobre instalções físicas (respeitado em todo mundo) - Fundação Ford financiou projetos e recomendou algo... - México trabalhou esta questão - Na Europa – UNESCO –publicações são velhas

Não há uma percepção política sobre as demandas de acústica. Para haver percepção acústica nas escolas é necessário envolver os pais e alunos.

Os políticos no Brasil trabalham com pós-planejamento o que implica em remendos

Ha dois mitos gregos: - PROMETEU: deu fogo ao mundo e foi punido -> ensinou a antecipar. - EPIMETEU: abriu a caixa de pandora: sobrou só a esperança - FAZ DEPOIS PENSA

Assim funciona o Brasil: no estilo Epimeteu: faz depois pensa.

O ruído é produzido pelo homem e na escola os ruídos podem ser externos ou internos. O projeto de escolas estaduais em São Paulo geralmente tem as seguintes características:

Terrenos: são os piores possíveis - são doados (áreas com menor valor comercial nos loteamentos); Formato ruim, pirambeiras; Ruído externo intolerável.

Em estudo realizado no Rio de Janeiro verificou-se a relação entre inteligibilidade e ruído de fundo, com alunos de 5a série. Foram realizadas medidas similares em ambientes diferentes: uma sala tradicional com paredes até o teto e numa escola do CIEP, com parede terminando a cerca de 1 m do teto. Foram obtidos os seguintes resultados:

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ESCOLA Paredes Ruído de fundo intelegibilidade CIEP Baixas > 16 % TRADICIONAL até o teto < 90 %

Em estudo para elaboração de tese de mestrado a Universidade Federal de Santa Catarina foi traçado um perfil das escolas fundamentais naquele estado.

INTELEGIBILIDADE MÁXIMA 88 %

Figura 6.15 – Perfil básico das escolas fundamentais catarinenses

6.7- Conforto acústico nas edificações

O profissional normalmente envolvido no desenvolvimento projetos acusticamente adequados deve seguir alguns procedimentos para atuar nesta área.

Alguns fatores que implicam em promover o conforto acústico: • controle do nível de ruído; • tempo de duração • freqüência • tipo de ruído NBR 10152 • hora do dia • características do ruído: contínuo, intermitente, impulso, flutuante • tipo de ruído ( música, motor, animais...)

Para fazer projeto é necessário: levantamento do nível de ruído definir parâmetros adequados utilizar todas a técnicas de isolamento, tratamento adequadas para as freqüências e condições a serem atingidas.

Correções pós-construção geralmente são muito caras.

Quando o tratamento acústico é requerido para adequação interna do edifício, auditório ou sala em questão um dos parâmetros mais importantes para contribuir com uma boa intelegibilidade é a adequação do tempo de reverberação.

O tempo de reverberação é o tempo necessário para um sinal sonoro padrão após interrompido, ter reduzida sua energia em 1.000.000 de vezes ou 60 dB.

Este tempo poder ser medido, mas normalmente é calculado com base na equação e de Sabine:

Rt60 = 0,161.V/ Σ(i=1…n)αi.Si

onde V – é o volume em m3 do ambiente α i – é o coeficiente de absorção do material i Si – é a área do material i

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Calcula-se o tempo de reverberação para varia combinações de materiais de revestimento do ambiente para se obetr o tempo ótimo.

O tempo ótimo de reverberação é definido a partir do volume do ambiente de acordo com gráfico de padrões, como na figura 6.16

figura 6.16- Curvas de tempo de reverberação padrão:

7- Acústica Industrial:

As instalações industriais em sua maioria são projetadas sem uma preocupação efetiva com os níveis de ruído gerados. As tecnologia disponíveis via de regra, não incorporam a preocupação acústica em seus projetos. Assim compressores, moinhos, empacotadeiras, tratores, caminhões, maquinas têxteis, etc, etc... são geralmente barulhentas e muitas vezes, muito barulhentas.

Além dos novos projetos não se preocuparem muito com os ruídos gerados, os equipamentos mais velhos tem suas vibrações e ruído de funcionamento, gradativamente aumentados. Já existe tecnologia para analisar vibrações de equipamentos, tanto para fins de manutenção preditiva, quanto para controle de vibrações que geram ruído.

Geralmente a prioridade é a preservação do equipamento. A saúde do(s) profissional(is) que opera(m) estes equipamentos vem lentamente ganhando atenção.

O ruído industrial pode ser controlado com duas finalidade diferentes: • Convivência com a vizinhança • Para promover a saúde ocupacional.

1.- Indústria versus vizinhança:

Providências de controlar o ruído que afeta a vizinhança, podem ser tomadas por iniciativa da indústria, ou como resultado de iniciativas da comunidade, não raramente através de processos judiciais. Geralmente esta última alternativa é mais cara, mas não rara.

Em qualquer dos casos, há necessidade de realizar um levantamento acústico que permita definir os pontos críticos e planejar os investimentos e a respectiva redução de ruído.

2.- Normas: NBR 10151 ( Comunitário) e NR 15 (ocupacional).

No Brasil, embora haja uma infinidade de leis (federais, estaduais e municipais), oe que prevalece no uso técnico e jurídico para questões de vizinhança e a NBR 10151 da ABNT. Esta norma foi adotada com referência pela Resolução n. 1 – de 8 de março de 1990 (CONAMA – Conselho Nacional do Meio Ambiente). Esta norma regulamenta os métodos de medição, critérios de avaliação e procedimentos para laudos

periciais, que em última análise é um trabalho técnico que quando bem feito, apóia plenamente uma ação judicial da parte prejudicada. Há casos que, mesmo quando o causador solicita a perícia, seus resultados acabam provando a inadequação e suas atividades, acima dos níveis de ruído admissíveis para o local e condições em questão. De qualquer forma costuma-se estabelecer pesadas multas diárias, que forçam o gerador do ruído a procurar solução técnica ou encerrar atividades.

Sempre há possibilidade de negociação entre as partes mas inevitavelmente a fonte de ruído deve ser atenuada... ou a atividade encerrada.

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A NR 15 estabelece parâmetros para avaliação de ruído ocupacional. Classifica o ruído em contínuo e de impacto. A tabela 7.1 (anexo 01 da NR 15) nos dá os limites de exposição par o ruído contínuo.

Tabela 7.1- Limites tolerância NR 15

A exposição ao ruído é medida normalmente por um dosímetro, que é fixado junto ao corpo do trabalhador e o microfone fixado próximo ao ouvido do mesmo. Há diversos modelos no mercado que permitem estabelecer critérios que diferem em cada pais. Assim para iniciar as medições o decibelimetro deve ter alguns parâmetros ajustados:

- Limite de leitura: 80 dBA

• taxa de divisão (ou de dobra) 5 dB • norma de referência: NR 15

Tabela 7.2- Limites em diversos países

3.- Controle de Ruído:

Como vimos o ruído pode ser gerado numa indústria por diversos tipos de equipamentos. Dependendo do tipo deste equipamento, sua localização, forma de montagem este ruído pode se propagar via aérea ou estrutural.

Assim como quase não se ouve um barbeador elétrico pelo ar também ocorre com equipamentos industriais. Muitas vezes a estrutura do equipamento, de montagem do mesmo ou até da construção industrial vibra com os equipamentos propagando e até amplificando o ruído original.

Figura 7.1- Propagação do ruído

1..- Tecnologias de controle:

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Para o controle de ruído industrial utiliza-se: enclausuramento, barreiras, baffles, isolamento de equipamentos. (www.brizaacustica.com.br)

Enclausuramento de máquina Atenuador (passagem de ar) Barreiras

Enclausuramento Parcial Cabine Acústica Atenuação por Absorção - Baffles

Figura 7.2- Técnicas de Controle de Ruído

Para controle da vibrações utilizamos amortecedores:

Amort. de molas Freqüência de 1,5 a 7 HzPads borrachaAmort. de Elastômeros freq.> 9 Hz

http://www.vibranihil.com.br/pagina2.html Figura 7.3- Amortecedores de Vibração

A freqüência de vibração da máquina deve ser: 4 a 5 vezes menor que freqüência de ressonância. Abaixo alguns limites para vibração de máquinas .

Figura 7.4- Vibração admissível em Máquinas Figura 7.5-Curva: comportamento da vibração

Há uma necessidade profunda de mudança de cultura: máquinas e equipamentos devem ser projetados par serem menos ruidosos.

8- Acústica Comunitária:

8.1- Normas e Leis sossego:.

A mesma NBR 10151 que regulamenta a convivência da industria com a vizinhança é aplicada para casos de vizinhança em geral: moradores x comércio (supermercados, bancos, shoppings), moradores x lazer (bares, boites, carros de som e sonorizados), moradores x construtoras (sossego dentro do edifício – NBR 10152), moradores x poder público (vias públicas, repartições, construções) e moradores x moradores ( ruídos de impacto no apartamento vizinho, bandas em casa, festas, animais,...).

Deve-se adotar o mesmo procedimento: negociação direta, intervenção de advogado, perícia, ação em juízo, muito tempo e desgaste e finalmente solução tecnológica que de todas as etapas nem sempre é tão cara.

2.- Tecnologia de controle de ruído:

Normalmente as soluções aplicadas a ruídos que perturbam a comunidade são similares às utilizadas na industria: enclausuramento, barreiras acústicas, amortecimento de vibrações, ...

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O condicionamento acústico é muitas vezes necessário, mas é uma medida de caráter interno à residência do reclamante, sob sua responsabilidade e geralmente quando os limites da NBR 10151 já estão atendidos.

8.3- Alguns exemplos de litígios em função do ruído:

http://www.chegadebarulho.com/ Julgados esclarecedores

Perturbações Acústicas

“Despejo. Infração Contratual e Legal. Poluição Sonora. Levantamento Técnico. Necessidade para caracterização. Anormal vibração acústica deve ser considerada a vista de adequado levantamento técnico. Queixas de vizinhos, tão somente, são insuficientes, porque podem não representar uma situação caracterizadora de poluição reprimível” (Ap. 162.068, 9ª Câm. do 2º TACSP, j. 6.9.83, rel. Flávio Pinheiro, JTACSP-RT 86/302).

“Direito de vizinhança. Mau uso da propriedade. Poluição sonora. Constitui violação do direito de vizinhança o mau uso da propriedade advindo do excesso de barulho produzido por manifestações religiosas, no interior de templo, causando perturbações aos moradores de prédios vizinhos, devendo o infrator instalar revestimento acústico para evitar que o som se propague, sob pena de sujeitar-se a indenização” (Ap. 00542690-0/00, 6ª Câm. do TAMG, j. 15.10.90, rel. Herculano Rodrigues, RJTAMG 41/257, tb. pub. in DJ 15.10.90).

“Ruídos excessivos oriundos de utilização de quadra de esportes. Anormalidade do uso, que se caracteriza ante a prevalente destinação do imóvel à habitação, a exigir condições mínimas de segurança, saúde e tranquilidade (artigo 554 do Código Civil). Inexistência de prevalente interesse na utilização da quadra por outros condôminos para fins de entretenimento. Sentença que determinou a realização de obras de revestimento acústico, visando reduzir os ruídos. Inocorrência de precedente direito à utilização da quadra, sem aquelas precauções, apenas porque foi aprovada no projeto do obras e divulgada no lançamento do edifício” (Ap. 3709/95, 5ª Câm. do TARJ, j. 20.12.95, rel. Luiz Roldão de F. Gomes, v.u.).

“Direito de vizinhança. Uso nocivo da propriedade. Perturbação do sossego. Excesso de barulho. Caracterização. Aplicação do art. 554 do Código Civil. Tendo sido provado haver barulho na quadra de esportes superior ao permitido, ficou configurado o uso nocivo da propriedade, nos moldes do art. 554 do Código Civil” (Ap. s/rev. 516.579, 6ª Câm. do 2º TACSP, j. 27.5.98, rel. Luiz de Lorenzi, JTACSP-Lex 173/480). Consta da pub. o seguinte julgado no mesmo sentido: Ap. s/rev. 529.243, 1ª Câm. do 2º TACSP, j. 27.10.98, rel. Luiz de Lorenzi, JTACSP-Lex 174/550 – quanto a pequena indústria, ruídos acima dos limites legais. Perturbação ao sossego. Utilização de heliporto. Autorização da prefeitura. Irrelevância. “Direito de vizinhança. Uso nocivo da propriedade. Utilização de heliporto. Zona residencial. Construção aprovada pela prefeitura municipal e níveis de ruído compatíveis com o IPT (Instituto de Pesquisas Tecnológicas). Irrelevância. Perigo para os moradores. Existência. Inadmissibilidade. Embora a construção de heliporto em bairro estritamente residencial tenha sido autorizado por ato administrativo junto à Prefeitura de São Paulo e muito embora tenha o laudo pericial constatado que o ruído existente quando do pouso e decolagem do helicóptero seja compatível com as normas técnicas pertinentes, o enfoque da questão, deve levar em consideração não apenas o sossego mas, acima de tudo, a segurança dos vizinhos” (Ap. s/rev. 517.388, 12ª Câm. do 2º TACSP, j. 27.8.98, rel. Gama Pellegrini).

Perturbação ao sossego. Bailes carnavalescos. Autorização da prefeitura. Irrelevância. “Cominatória. Direito de Vizinhança. Mau uso da propriedade. Clube que realiza bailes e ensaios carnavalescos, cujos ruídos ultrapassam os limites estabelecidos em lei municipal. Alegação de que seu funcionamento está autorizado por alvará. Art. 554 do Código Civil. Circunstância que não o autoriza a exceder os limites de ruídos estabelecidos em lei, nem a perturbar o sossego público. Procedência. Sentença mantida. DSE” (Ap. 0413495-2 2-Rio Claro, 6ª Câm. do 1º TACSP. j. 28.11.89, rel. Carlos Roberto Gonçalves, v.u., MF 542/129).

Ruído insuportável. Direito de vizinhança. Ação cominatória. Ave mantida em apartamento. “Direito de vizinhança. Condomínio. Poluição sonora. Manutenção pelo autor, em seu apartamento, de ave cujo canto é de tonalidade irritante. Caraterização de ruído excessivo anormal e insuportável. Proibição pela convenção do condomínio de animais irritantes. Cominatória procedente. Recurso desprovido” (Ap. 396.348-2, 8ª Câm. do 1º TACSP, j. 21.12.88, rel. Toledo Silva, v.u., JTACSP-RT 117/43).

Ruído. Insuficiência da utilização de protetores auriculares. Prejuízos aos sistema nervoso do indivíduo.

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“Adicional de insalubridade. Ruído. A pesquisa científica tem demonstrado que o simples fornecimento de equipamento de proteção individual (protetores auriculares) não elimina a insalubridade provocada por ruídos, uma vez que a ação prejudicial se deve menos aos danos físicos causados no interior da cavidade auditiva e mais à repercussão das ondas emitidas sobre a malha nervosa que envolve a caixa craniana, com sérias repercussões sobre todo o sistema nervoso do trabalhador” (RO 029704739-20-Osasco-SP, 4ªT. do TRT-2ª Região, j. 3.3.98, rel. Maria Aparecida Duenhas, m.v., tb. pub. inBol. AASP, 2066/138-e, de 3.8.98). Defeitos construtivos. Solidariedade entre construtor e incorporador. “Responsabilidade Civil. Indenização por defeito de construção. Solidariedade passiva entre o incorporador e o construtor. Preliminar de ilegitimidade afastada. O incorporador e o construtor são solidariamente responsáveis pelos defeitos de construção da obra” (AI 125.217-2, 17ª Câm. do TJSP, j. 23.12.87, rel. Nigro Conceição, RT 627/123). Prazo para propositura da ação do art. 1.245, CC (defeito construtivo). “Edifício de apartamentos. Defeitos. Responsabilidade do construtor. Prescrição. Não se tratando de vícios redibitórios, a reparação dos danos pode ser reclamada no prazo vintenário. Precedentes do STJ. Não acolhimento das preliminares suscitadas em contestação. Decisão proferida quando do saneamento da causa mantida. Recurso especial não conhecido” (REsp 23.672-5-PR, 4ª T. do STJ, j. 13.06.95, rel. Barros Monteiro, v.u., JSTJ/TRE 79/117, tb. pub. inBol. AASP, 1952/40-e de 22.5.96).

“Responsabilidade Civil. Construtor. Prescrição. É de vinte anos o prazo de prescrição da ação de indenização contra o construtor, por defeitos que atingem a solidez e a segurança do prédio. Verificados nos cinco anos após a entrega da obra” (Resp 0072482, 4ª T. do STJ, j. 27.11.95, rel. Ruy Cardoso de Aguiar, DJU, de 8.4.96, p. 10474).

“Construção. Defeito. Prescrição. Prazo. Artigo 1245 do Código Civil. Responsabilidade de Construtora por defeito da obra. Art. 1245 do CC. Prescrição. O prazo de cinco anos estabelecidos no art. 1245 do CC é simples garantia para resguardar a coletividade do risco da construção. Assim, a pretensão, que tenha por objeto a reparação da obra pelos defeitos e imperfeições desta, verificados no curso desse prazo, só prescreve em 20 anos, a teor do art. 177 do CC” (AI 803/95, 4ª Câm. do TARJ, j. 16.8.95, rel. Nametala Jorge, v.u.).

“Construção civil. Empreitada. Defeitos da obra. Observância do projeto. Art. 1.245 do CC. Imperfeições da obra que não sejam pertinentes à solidez e segurança da obra, não estão sob a disciplina do art. 1.245 do CC, que é excepcional. Os demais defeitos se regem pelos princípios da responsabilidade, não se devendo carregar ao empreiteiro os que se devem a especificações do projeto a cargo de outrem, de escolha do dono da obra. Recurso Extraordinário não conhecido” (RE 110.023-1-RJ, 1ª T. do STF, j. 30.09.86, rel. Rafael Mayer, v.u., DJU de31.10.1986, p. 20.924, tb. pub. inBol. AASP 1462/311 de 24.12.86).

“Civil. Responsabilidade Civil. Construtor. Prescrição. Inteligência do art. 1.245 do Código Civil. Comprovado o nexo de culpabilidade responde o construtor pelos vícios da construção e o prazo do artigo 1.245 do Código Civil em caso que tal é de garantia da obra, sendo que o demandante que contratou a construção tem prazo de 20 (vinte) anos para propor ação de ressarcimento, que é lapso de tempo prescricional. Recurso não conhecido” (REsp 8.489-RJ, 3ª T. do STJ, j. 29.4.91, rel. Waldemar Zveiter, v.u., DJU, Seção I, de 24.6.1991, p. 8.636, tb pub. inBol. AASP 1714/279 de 30.10.91).

Perturbações sonoras Sumário "oficial" do Acordão: "I - O direito à vida, à integridade física, à honra, à saúde, ao bom nome, à intimidade, à inviolabilidade de domicílio e de correspondência, e ao repouso essencial à existência são exemplos de direitos de personalidade reconhecidos pela nossa lei, constituindo a sua violação facto ilícito gerador da obrigação de indemnizar o lesado. II - O lar de cada um, é o local normal de retempero das força físicas e anímicas desgastadas pela vivência no seio da comunidade, mormente nos grandes centros urbanos.

III - Não disfruta de ambiente repousante, calmo e tranquilo quem, como a recorrida no presente processo, se encontra sujeita a barulhos produzidos na casa dos vizinhos, que habitam no pavimento imediatamente superior do mesmo prédio, proveniente do bater de portas, do arrastamento de móveis, do funcionamento dos aparelhos de rádio e televisão, o que a tem levado a socorrer-se de clínicos que a medicam e recomendam a melhorar as condições ambientais, tendo sido forçada a pedir frequentemente a pessoas amigos que lhe facultem pernoitar em sua casa, por não poder suportar os ruídos que a atingem na sua habitação." (Acórdão de 13-03-1986 Proc. N.º 73196 Supremo Tribunal de Justiça - Portugal).

Fonte: http://www.diramb.gov.pt/data/basedoc/ANJ_8835_JN.htm

Latidos de cães

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Quadra de esportes 0 0 1 FUso nocivo da propriedade. Quadra de esportes utilizada por alunos de instituto de educação. Imó vel situado

em zona estritamente residencial. Ruído prejudicial à tranqüilidade e segurança dos vizinhos, acarretando desvalorização de seus imóveis. Irrelevância de o estabelecimento ter autorização do Poder Público para funcionar, fato que não o desobriga de conter a atividade dentro de condições de normalidade própria e específica da região. Ação cautelar de interdição procedente. Aplicação do art. 554 do CC (Ap. 427.445-1, 2ª Câm. do 1º TACSP, j. 21.3.90, rel. Bruno Netto, v. u., RT 656/113).

18/12/2000 Vizinhos reclamam e danceteria é fechada

Lúcia Monteiro A recém-inaugurada danceteria C.O.D.E. parecia ter tudo para ferver ainda mais a Vila Olímpia: um ator de TV entre os sócios (Carlos Casagrande, da Record), sofás infláveis nos camarotes, pista montada sob uma gigantesca tenda translúcida, agito ao ar livre em um terreno do Parque do Povo, jovens garçons metidos em modelitos dos anos 70, pirotecnias de luzes e cores. A fórmula do sucesso, contudo, azedou por descuidar de um detalhe importantíssimo, o sossego da vizinhança. Criada para funcionar por apenas quatro meses na cidade, a C.O.D.E. não gastou um centavo em isolamento acústico. Em menos de um mês, foi denunciada três vezes ao Programa de Silêncio Urbano (Psiu), que a multou em 15.230 reais e pediu a cassação de seu alvará. Outras queixas foram registradas na Administração Regional de Pinheiros e no 15º Distrito Policial. "Aquele lugar nem deveria ter sido aberto", diz o presidente da Sociedade Amigos do Itaim Bibi, Marco Antonio Castello Branco. A casa teve permissão para funcionar desde que o barulho não ultrapassasse 65 decibéis de dia e 60 à noite. O Psiu constatou que, a 60 metros de distância, os ruídos atingiram até 90,8 decibéis – o equivalente à turbina de um Boeing 747 durante a decolagem. Na sexta-feira (8), o Contru cassou o alvará de funcionamento. Os sócios prometeram recorrer da decisão. "Não concordamos com a medição que foi feita", diz o diretor da casa, Marcelo Dias. Fonte: Veja São Paulo, semana de 18-24 de dezembro de 2000. 14/08/2000 Bar indenizará vizinho por excesso de barulho O Bar Aeroanta, no Guarujá, foi condenado a pagar indenização a um de seus vizinhos, o advogado Paulo Esteves, que se sentia incomodado pelo barulho emitido pelo estabelecimento. O 2º Tribunal de Alçada Civil firmou jurisprudência que amplia o direito de vizinhança. Ficou decidido que "a emissão de sonoridade excessiva que extrapola os limites legais permitidos pelas normas de saúde e segurança", caracteriza "uso nocivo de propriedade comercial". O valor ainda não foi calculado. Fonte: http://www.estado.com.br/editorias/2000/08/14/cid458.htm

Agosto/1999 O Barulho Continua Polêmica coloca donos de bares e freqüentadores contra moradores de condomínios vizinhos em São Paulo Lei que determina fechamento dos bares à 1 hora é neutralizada por liminar para Sindicato Fonte:http://www.uol.com.br/sindico/sn-materias/1999-x/bares-abre.shtml

Agosto/1999 Liminar suspende Fechamento Juíza cria nova definição legal para a palavra 'bar'

Fonte:http://www.uol.com.br/sindico/sn-materias/1999-x/bares-liminar.shtml

Agosto/1999 Vizinhos dos Bares sofrem com Barulho Moradores antigos da Vila Madalena também se queixam de desvalorização de imóveis Fonte:http://www.uol.com.br/sindico/sn-materias/1999-x/bares-moradores.shtml

16/11/2000

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Morador atira em frequentadores de bar Daniel Garcia/AE

São Paulo - Irritado com o som alto das músicas e a algazarra promovida por freqüentadores de um bar vizinho de sua casa, na Rua Wisard, na Vila Madalena, zona oeste de São Paulo, o comerciante José Pereira, de 34 anos, fez vários disparos contra clientes na noite desta quarta-feira. Ninguém ficou ferido, mas Pereira foi preso em flagrante por tentativa de homicídio e porte de arma roubada. Pereira, que também é dono de um pequeno bar na mesma rua, não conseguia dormir por causa do barulho que vinha do Bar Fidel. Decidido a acabar com aquele "inferno, que atormenta os moradores, principalmente nos fins de semana e feriados", pegou seu revólver. Na porta do estabelecimento, viu que um outro morador - seu amigo - discutia com um cliente, Artur José Barbato, de 44 anos, que tentava retirá-lo do local. Nervoso, o comerciante sacou seu revólver calibre 38 e atirou em Barbato e outros freqüentadores. Apesar da confusão, ninguém foi atingido. Pereira e seu amigo, ainda não identificado, fugiram em seguida. Quase quatro horas depois, PMs foram alertados por testemunhas da presença do atirador na entrada de sua casa. Detido, o comerciante foi levado para o 14º DP. Fonte: http://www.estadao.com.br/agestado/cidade/2000/nov/16/378.htm

16/09/2000 Moradores de Pinheiros reclamam de barulho

Problema se repete na vizinhança do Instituto de Engenharia, espaço usado para festas Rosana Telles

Fonte: http://www.estado.com.br/editorias/2000/09/16/cid791.html

27/04/2000 Tratamento acústico torna-se diferencial Nos últimos dez anos, os moradores de São Paulo estão cada vez mais preocupados com o barulho, seja nos arredores dos aeroportos, na proximidade de rodovias ou até mesmo em bairros que possuem uma vida noturna agitada. Para resolver esse problema, muitas pessoas têm optado por contratar empresas especializadas em tratamento acústico, enquanto que algumas construtoras estão levando esse cuidado para seus novos projetos residenciais. No mercado hoteleiro, essa preocupação também vem crescendo com a chegada das empresas multinacionais. Hoje, alguns detalhes construtivos, que antigamente eram simplesmente esquecidos pelas empreendedoras nacionais, passaram a ser fatores fundamentais para diferenciar o produto e fazer frente à concorrência. De outro lado, o mercado ainda apresenta vários empreendimentos sendo lançados, ou já em operação, sem a preocupação de um tratamento acústico ao imóvel. 'Isso acontece porque o desenvolvimento e o acompanhamento de um projeto de acústica custa muito caro', comenta Antonio Setin, diretor da Setin Empreendimento Imobiliário, proprietária dos hotéis Ibis e Grand Mercury, na cidade de São Paulo. Segundo o executivo, o valor de um projeto acústico e a sua instalação aumenta o custo total da obra em até 5%.

A melhor forma de se obter um bom resultado acústico num empreendimento, entretanto, é fazer o tratamento ainda durante a construção. 'Depois fica muito caro, imagine trocar as janelas, isolar as paredes, portas, tetos e pisos, mantendo as unidades em reforma fechadas, sem faturamento', explica Setin. Em razão do alto custo, inicialmente os projetos de tratamento acústico eram colocados em prática nos empreendimentos de alto padrão. Hoje a situação está mudando, e a preocupação com a acústica já pode ser observada em imóveis construídos para a classe média.

Para o arquiteto Carlos Alberto de Azevedo Antunes, diretor da Márcio Curi e Azevedo Antunes Arquitetura, esse cuidado está previsto em 100% dos projetos, mas poucos chegam ao final com o tratamento acústico instalado. 'Isso acontece devido ao alto custo da implantação do projeto acústico, que requer profissionais especializados e materiais com alta qualidade', comenta. Segundo o profissional, após a avaliação dos valores, cerca de 60% dos empreendimentos mantém o isolamento. Projeto Existem diferentes maneiras de se projetar um empreendimento com um tratamento acústico. Uma delas é cuidar da distribuição espacial das instalações hidráulicas, procurando localizá-las longe dos dormitórios. Outro cuidado está relacionado às janelas, 'é importante procurar voltá-las para as faces que não sejam as de avenidas, rodovias ou qualquer ambiente que possa resultar em barulho no apartamento', explica o arquiteto. Outra opção é o isolamento dos ruídos internos, que podem ser verticais ou horizontais. No caso do isolamento vertical, a preocupação é com a espessura e o material utilizado para a confecção da laje e também do produto que será o responsável pelo revestimento do piso e do forro. Já o isolamento horizontal diz respeito ao barulho de um compartimento da unidade para outro. Para evitar que isso aconteça, o material utilizado na construção das paredes internas deve ser de qualidade, uma vez que a propagação do som depende da massa utilizada

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para o revestimento e também da espessura do bloco (Gazeta Mercantil/Imóveis/Página 1 - Quinta-feira, 27-Abr-2000) (Sheila Horvath) .

28/06/2001 O Psiu, mais manso com as igrejas http://www.google.com/search?q=cache:jJaMlv2AF-A: www.jt.estadao.com.br/ editorias/2001/06/28/ger027.html+igrejas+barulho&hl=pt

Embargo de obra ruidosa - DCI 20.10.2003

tp://www.noisefree.org/index.html www.QueroSossego.hpg.com.br www.QueroSossego.impg.com.br

http://www.omnicom.com.br/ocanal/default.htm http://planeta.terra.com.br/servicos/relacus/

9- Bibliografia:

BARING, João Gualberto de A.. Projeto da Nova Norma de Desempenho Acustico .FAU / USP,SP setembro 2005.

GRANADO,Milton. Condicionamento Acústico: Princípios e Aplicações. Universidade Makenzie, SP, setembro 2005.

CARMO, Ualfridro Del. Isolação Sonora (Ruído Urbano).NUTAU/UPS SP, setembro 2005.

AKKERMAN Eng Shaia, Tratamento De Ar Condicionado E Ventilação. 45 anos na acústica. SP, setembro 2005.

NEPOMUCENO, Arqto José. Conforto em Escritório. SP, setembro 2005. s

MELLO FILHO,Arq João Honório de. Acústica das Edificações Escolares SP, setembro 2005.

VIVEIROS, Prof. Elvira B.Projeto Arquitetura UFSC. UFSC .SP, setembro 2005.

ARAÚJO, Dr Marco Antonio Nabuco de. Acústica em Salas de Aula. INMETRO-RJ.SP, setembro 2005.

AKKERMAN, Davi. Conforto Acústico nas Edificações. SP, setembro 2005.

ZINDELUK, Moyses. Forros Suspensos –. COPPE / UFRJ SP, setembro 2005.

TEIXEIRA Eng. Fábio Miceli Forros Suspensos: Novos Conceitos Estéticos Funcionais e de Performance Técnica AMF /KNAUFF. SP, setembro 2005.

FERANADES, João Candido. Acústica e ruídos.UNESP- Faculdade de Engenharia. Bauru, SP, 2002

CYSNE, Luiz Fernando Otero. Curso de Áudio Profissional –Apostila. SP, 1997

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Parabéns e Obrigado! Rubens, ótimo coletânea e agregação de informações.
Excelente leitura para uma melhor compreensão dos danos a saúde, daqueles que estão expostos aos ruidos de qualquer natureza em intensidade não tolerada pelo homem.
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