Análise biogeográfica da avifauna da região oestedo baixo Rio Negro, amazônia brasileira, Notas de estudo de Ciências Biologicas
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Análise biogeográfica da avifauna da região oestedo baixo Rio Negro, amazônia brasileira, Notas de estudo de Ciências Biologicas

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Análise biogeográfica da avifauna da região oestedo baixo Rio Negro, amazônia brasileira
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v24n4a08

Revista Brasileira de Zoologia 24 (4): 919–940, dezembro 2007

Hipóteses sobre como as espécies evoluíram no tempo e no espaço são construídas e testadas a partir da interação de fases distintas e complementares de estudos biogeográficos que incluem a construção de uma sólida base de dados sobre a distri- buição das espécies, a identificação de padrões de distribuição, a delimitação de áreas de endemismo de espécies que comparti-

lham histórias evolutivas comuns, o estabelecimento de interrelações entre estas áreas de endemismo e a identificação de processos físicos e biológicos que podem atuar como meca- nismos causais destas distribuições (BALL 1975, CRACRAFT 1983, ROSEN 1995a). O desenvolvimento dos estudos biogeográficos sobre as aves amazônicas seguiram, em linhas gerais, estas fases.

Análise biogeográfica da avifauna da região oeste do baixo Rio Negro, amazônia brasileira

Sérgio H. Borges

Fundação Vitória Amazônica. Rua Estrela D’Alva, casa 7, Conjunto Morada do Sol, Aleixo, 69060-510 Manaus, Amazonas. E-mail: sergio@fva.org.br

ABSTRACT. Biogeographical analysis of the avifauna in the lower western Rio Negro region in the Brazil- ian Amazon. This study makes a detailed biogeographical analysis of Central Amazon avifauna west of the Rio Negro, where Parque Nacional do Jaú (PNJ) is located. The geographical distribution of 383 bird taxa (species or subspecies) recorded in PNJ was analyzed through qualitative and quantitative biogeographic methods (cluster analysis and parsimony analysis of endemicity). Results showed that the avifauna of PNJ is strongly influenced by the northwestern and western regions of the Amazon Basin. Three biogeographic units were identified and PNJ grouped with sites in the upper Orinoco river and Guiana. Similarly, JNP grouped with the upper Orinoco river and Guiana is the sister-group in the area cladogram with strongest support. Different sub- groups of species reveal area cladograms with different topologies, suggesting complex scenarios of avifauna diversification. These scenarios may have been influenced by geological events occurring during the Miocene and Pleistocene. In this study was identified an area of endemism previously not described for the Amazon, the Rio Negro endemic area. The avifauna of PNJ is representative of the northwestern and western Amazon and has taxa with distributions restricted to the central region of the Amazon, reinforcing its importance in protecting the biodiversity of the Amazon. KEY WORDS. Amazon biogeography; areas of endemism; Miocene; Neotropical birds; parsimony analysis of endemicity; Pleistocene.

RESUMO. Neste estudo é realizada uma análise biogeográfica detalhada da avifauna da Amazônia Central a oeste do Rio Negro, região onde está localizado o Parque Nacional do Jaú (PNJ). As distribuições geográficas de 383 táxons (espécies e subespécies) de aves registradas no PNJ foram analisadas através de métodos biogeográficos qualitativos e quantitativos (análise de agrupamento e análise de parcimônia de endemismo). A avifauna do PNJ é fortemente influenciada pelas regiões noroeste e oeste da bacia amazônica. Foram identificadas três unidades biogeográficas e o PNJ se agrupa com sítios localizados no alto Rio Orinoco e na Guiana. De modo similar, o PNJ se agrupa com o sítio do alto Rio Orinoco tendo a Guiana como grupo-irmão no cladograma de área com maior suporte. Diferentes sub-grupos de espécies revelaram cladogramas de áreas com variadas topologias, sugerindo complexos cenários de diversificação da avifauna amazônica. Estes cenários biogeográficos podem ter sido influen- ciados por eventos geológicos ocorridos durante o Mioceno e Pleistoceno. Neste estudo foi identificada uma área de endemismo não descrita para a Amazônia – a área de endemismo Rio Negro. A avifauna da região do PNJ, além de ser representativa dos setores noroeste e oeste da Amazônia, possui táxons de distribuição restrita à região central da Amazônia, reforçando ainda mais sua importância na proteção da biodiversidade amazônica. PALAVRAS-CHAVE. Aves neotropicais; análise de parcimônia de endemismo; áreas de endemismos; biogeografia da Amazônia; Mioceno; Pleistoceno.

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Naturalistas nos séculos passados e ornitólogos modernos vêm continuamente acumulando dados sobre a distribuição ge- ográfica das aves amazônicas. Pesquisadores também começa- ram a notar padrões recorrentes na distribuição de espécies de aves na Amazônia. Um dos padrões melhor conhecido é a influ- ência do sistema hidrográfico sobre a distribuição das aves, onde várias espécies aparentadas (mesmo gênero ou diferentes subespécies) se substituem em margens opostas dos grandes tri- butários da bacia amazônica como os rios Negro, Madeira e o próprio Solimões/Amazonas (SICK 1967, HAFFER 1992).

Outros padrões de distribuição de aves amazônicas tam- bém começaram a ser identificados a partir dos trabalhos do ornitólogo alemão Jürgen Haffer. Haffer reuniu e analisou uma enorme quantidade de dados de coletas de aves identificando as grandes unidades biogeográficas da América do Sul baseadas na distribuição das aves (HAFFER 1969, 1974). Os estudos de Haffer foram ampliados por CRACRAFT (1985), que identificou 33 áreas de endemismo para a avifauna da América do Sul.

Além de auxiliarem na delimitação de unidades biogeo- gráficas, ornitólogos e outros especialistas propuseram vários mecanismos de especiação para explicar a grande diversidade de espécies da biota amazônica. Entre estas hipóteses biogeográ- ficas estão aqueles que destacam a importância dos gradientes ecológicos na geração de espécies simpátricas (ENDLER 1982, SMITH etal. 1997), a suposta existência de refúgios florestais pleistocênicos (HAFFER 1969), a influência do sistema hidrográfi- co na diversificação da biota (AYRES & CLUTTON-BROCK 1992, HAFFER 1992), os arcos geológicos espalhados pela bacia amazônica como indicadores de processos de vicariância (SILVA & PATTON 1998, PATTON & SILVA 2001) e o papel biogeográfico dos mares e lagos salobros que invadiram a bacia amazônica (MARROIG & CERQUEIRA 1997, NORES 1999, BATES 2001). Estas hipóteses biogeográficas são complexas e descrições mais completas podem ser encontradas em HAFFER (2001) e COLINVAUX etal. (2001).

Análises biogeográficas da distribuição de aves na Ama- zônia são importantes por ajudarem na delimitação de áreas de endemismos, na geração de hipóteses sobre mecanismos causais de especiação e na identificação de áreas relevantes para a conservação da biodiversidade (SICK 1967, HAFFER 1969, 1974, WETTEBERG etal. 1976, CRACRAFT 1983, 1985, RYLANDS 1991, BATES etal. 1998). A relativa escassez de conhecimento sobre a distri- buição das espécies de aves em alguns setores da bacia, entre- tanto, têm dificultados estas aplicações. Mesmo locais conside- rados como bem amostrados ainda podem revelar importantes registros ornitológicos (OREN & ALBUQUERQUE 1991, ALEIXO etal. 2000). Estudos mais regionalizados, portanto, podem revelar aspectos importantes e desconhecidos da biogeografia de aves na bacia amazônica.

A região oeste do baixo Rio Negro foi apontada como uma área de grande relevância para estudos ornitológicos (OREN & ALBUQUERQUE 1991). Os trabalhos de campo nesta região inicia- ram-se com os inventários intensivos e estudos ecológicos sobre a aves do Parque Nacional do Jaú (BORGES & CARVALHAES 2000,

BORGES etal. 2001, BORGES 2004). O Parque Nacional do Jaú (PNJ) está localizado entre os rios Negro, Japurá e Solimões, uma posi- ção intermediária entre as áreas de endemismos já mapeadas para aves amazônicas (HAFFER 1974, 1978, CRACRAFT 1985, SILVA et al. 2002). A região também é reconhecida como uma área de contato secundário entre espécies que, hipoteticamente, se ori- ginaram na periferia da bacia amazônica (HAFFER 1985).

No presente artigo, é apresentado um estudo biogeográfico detalhado da avifauna do setor oeste do Rio Negro através de uma análise da distribuição geográfica das aves registradas no PNJ. As principais questões que nortearam o estudo foram: Quais são as afinidades biogeográficas entre o setor oeste do baixo Rio Negro e outras regiões da Amazônia? Quais espécies de aves ca- racterizam a posição biogeográfica da região do PNJ e como es- tes elementos se distribuem ecologicamente? Qual a relação biogeográfica entre a região do Parque e as áreas de endemismos de aves amazônicas? A região central da Amazônia, em sua por- ção oeste do Rio Negro, é uma região de transição entre áreas de endemismos ou existem espécies restritas a este setor?

MATERIAL E MÉTODOS

Área de estudo O Parque Nacional do Jaú (PNJ) é umas das maiores uni-

dades de conservação do bioma amazônico, ocupando uma área de 2.272.000 hectares localizados entre os rios Negro, Solimões e Japurá (Fig. 1). A região do Parque incorpora um mosaico de vários tipos de vegetação florestal e não florestal classificadas em: matas de terra firme, matas inundadas por rios de água pre- ta ou matas de igapó, vegetações de campinas e campinaranas associadas a solos arenosos e outros tipos de vegetação com dis- tribuições mais restritas como capoeiras e vegetações sobre solos hidromórficos dos setores interfluviais do Parque (FERREIRA 1997, FERREIRA & PRANCE 1998, BORGES etal. 2001, VICENTINI 2004). A avifauna de vários destes tipos de vegetação foi alvo de estudos específicos permitindo um bom entendimento do uso de hábitat pelas aves do PNJ (BORGES & CARVALHAES 2000, BORGES 2004). In- formações mais detalhadas sobre o PNJ incluindo descrições de vegetação, clima, solos e geologia podem ser obtidas em (FERREIRA 1997, FERREIRA & PRANCE 1998, FVA/IBAMA 1998, BORGES etal. 2001, VICENTINI 2004).

Distribuição geográfica e taxonomia Este estudo é baseado em uma análise detalhada da

listagem publicada de aves do PNJ, atualizada em trabalhos de campo mais recentes (BORGES etal. 2001). Aves aquáticas (e.g. Ardeidae e Scolopacidae), migrantes (e.g. Hirundinidae, Tyrannus savana Vieillot, 1808 – Tyrannidae) e espécies cujas identifica- ções não foram conclusivas foram excluídas das análises, o que corresponde a cerca de 18,5% das espécies registradas no PNJ. Todas as espécies politípicas de aves foram identificadas em nível de subespécie utilizando informações das seguintes fon- tes: a) coletadeespécimensnaregião: aproximadamente 114 es- pécies de aves que ocorrem no PNJ estão representadas por

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espécimens coletados e depositados na coleção de aves do Museu Paraense Emílio Goeldi (MPEG). Comparações deste material com exemplares já identificados na coleção do MPEG e descrição de subespécies na literatura especializada permiti- ram identificações seguras destes exemplares; b) análisede espécimenscoletadosnointerflúvioNegro/Japurá: o MPEG possui uma coleção de aves coletadas nas proximidades do município de Maraã localizado na margem esquerda do Rio Japurá. Além disto, existem vários exemplares coletados em Barcelos e Moura, municípios localizados a cerca de 50 quilômetros ao norte da foz do Rio Jaú (NOVAES 1994). Estes municípios estão localiza- dos no mesmo interflúvio que o PNJ (Fig. 1), sendo razoável admitir que as subespécies coletadas nestes setores são as mes- mas que ocorrem no Parque. De fato, comparações entre exem- plares coletados em Maraã, Barcelos, Moura e PNJ indicam que estas subespécies devem se distribuir de modo contínuo pelo interflúvio Negro/Japurá. Foram analisados exemplares de 295 espécies ou subespécies de aves coletadas no interflúvio Ne- gro/Japurá representando 77% dos taxóns analisados no pre- sente estudo; c) identificaçãoporproximidadegeográfica: as dis-

tribuições geográficas das espécies de aves registradas no PNJ que não possuem exemplares coletados, foram estudadas utili- zando como referências principais os catálogos de PINTO (1944, 1978), FRIEDMANN (1948) e outras obras de referência (RIDGELY & TUDOR 1989, 1994, DEL HOYO etal. 1992, 1993, 1996, 1997, 1999, 2001, 2002, 2003, 2004). Nestes casos, a identificação das subespécies foi feita por proximidade geográfica com o setor oeste do Rio Negro.

A taxonomia e a distribuição geográfica dos táxons de aves adotadas no presente estudo segue PINTO (1944, 1978), NORGAARDEN-OLESEN (1973, 1974), ISLER & ISLER (1987), DEL HOYO etal. (1992, 1993, 1996, 1997, 1999, 2001, 2002, 2003, 2004), RIDGELY & TUDOR (1989, 1994) e revisões taxonômicas mais re- centes de espécies ou grupos de espécies (ver notas taxonômicas e biogeográficas no Anexo I).

Biogeografia descritiva

As distribuições das espécies e subespécies de aves do PNJ foram categorizadas seguindo uma divisão da bacia amazônica em quatro setores como sugerido por WALLACE (1852): os seto-

Figura 1. Mapa do noroeste da Amazônia com a localização do Parque Nacional do Jaú. Os pontos se referem às sedes dos munícipios citados no texto.

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res leste e oeste do Rio Negro e os setores leste e oeste do Rio Madeira. Esta divisão biogeográfica se justifica pelo fato de que os limites de distribuição de várias espécies e subespécies de aves na Amazônia coincidem com os grandes rios da bacia, principalmente o Madeira, Amazonas e Negro (HAFFER 1992). As distribuições geográficas das aves do PNJ foram classificadas em: (a) espécies de distribuição ampla pela Amazônia que ocor- rem em três ou mais dos setores definidos acima; (b) espécies restritas ao noroeste da Amazônia no sul da Venezuela, noroes- te do Brasil e sudeste da Colômbia. Uma boa parte destas espé- cies só ocorre na margem direita do Rio Negro. As distribuições de algumas espécies classificadas nesta categoria se estendem até Roraima e Guianas, mas não ocorrem na Amazônia Central a leste do Rio Negro (e.g. Manaus); (c) espécies de distribuição ampla ao norte do Rio Solimões/Amazonas incluindo ambas as margens do Rio Negro (e.g.Microbatescollariscollaris Pelzeln, 1868 – Sylviidae; (d) espécies que se distribuem no noroeste e oeste da Amazônia em ambas as margens do Rio Solimões/ Amazonas; (e) espécies que se distribuem no noroeste e oeste da Amazônia, mas são restritas ao norte do Rio Solimões/Ama- zonas; (f) espécies do oeste da Amazônia em ambas as margens do Solimões/Amazonas, mas aparentemente não registradas na porção noroeste da bacia; (g) espécies restritas ao centro-oeste da Amazônia entre os rios Negro e Solimões; (h) espécies registradas no oeste da Amazônia ao norte do Rio Solimões/ Amazonas, mas não encontradas no noroeste da bacia; (i) es- pécies com outros tipos de distribuição: neste caso são incluí- das espécies que não se enquadram nas grandes categorias geo- gráficas definidas acima. Um exemplo de ave desta categoria é o pequeno passeriforme Myrmotherulaklagesi Todd, 1927 – Thamnophilidae, encontrada na região do médio Amazonas (Santarém) e baixo Rio Negro (RIDGELY & TUDOR 1994).

Biogeografia quantitativa As análises biogeográficas quantitativas foram baseadas nas

comparações entre as listagens de espécies de aves das seguintes regiões da Amazônia (Fig. 2): 1) Quebrada Sucusari, Peru, a oeste do Rio Napo. Uma listagem de aves desta região foi gentilmente cedida pelo ornitólogo Bret Whitney (B. Whitney, Museum of Natural Science – Louisiana State University, com. pess.), 2) re- gião do alto Rio Orinoco na Venezuela (ZIMMER & HILTY 1997), 3) Parque Nacional do Jaú (presente estudo), 4) região norte de Manaus (COHN-HAFT etal. 1997), 5) região de Belém e proximida- des (NOVAES & LIMA 1998), 6) Alta Floresta no norte do Mato Grosso (ZIMMER etal. 1997), 7) Cachoeira de Nazaré na região oeste de Rondônia (STOTZ etal. 1997) e 8) Rio Urucu no oeste da Amazô- nia (PERES & WHITTAKER 1991). Comparações entre listagens de espécies de aves para diferentes propostas apresentam proble- mas intrínsecos incluindo técnicas utilizadas nos estudos, habi- lidade dos ornitólogos em identificar as espécies, esforço de amostragem e hábitats estudados (REMSEN 1994). Foram adotados alguns critérios para tornar as listagens mais comparáveis entre si. Com exceção da listagem de Belém (NOVAES & LIMA 1998), nenhuma das listas acima apresenta identificação subespecífica.

Para lidar com este problema, as subespécies de aves de cada uma das listagens foram identificadas por proximidade geográ- fica utilizando como base o catálogo de PINTO (1978), FRIEDMANN (1948) e os volumes já publicados do Handbook of Birds of the World (DEL HOYO etal. 1992, 1993, 1996, 1997, 1999, 2001, 2002, 2003, 2004). Também foram consultados inventários locais para conferir a identidade de alguns táxons (PINTO & CAMARGO 1957, NOVAES & LIMA 1991). Não foram considerados casos onde as des- crições das distribuições geográficas fossem ambíguas ou tornas- sem difíceis a identificação dos táxons.

O uso de subespécies em análises biogeográficas é pro- blemático, já que parte dos táxons descritos na literatura ornitológica não são unidades evolutivas e sim variações clinais subjetivas (CRACRAFT 1985). Por outro lado, um grande número de espécies que ocorrem na bacia amazônica são politípicas e parte das subespécies que as compõem são válidas. Assim, tra- tar espécies politípicas como entidades homogêneas tende a “uniformizar” as distribuições geográficas de entidades poten- cialmente importantes para análises biogeográficas e de con- servação (BATES & DEMOS 2001). Além disso, estudos recentes têm demonstrado que o uso de subespécies em análises biogeográficas pode ser informativo (BATES etal. 1998).

As listagens discriminam os diferentes tipos de hábitats onde cada espécie foi registrada (campinas, matas de várzea, matas de terra firme, savanas, etc.). Nem todos os hábitats ocor- rem em todas as localidades e a ausência de algumas espécies de aves num sítio pode ser explicada pela ausência de hábitat apropriado. As matas de terra firme são o único tipo de vegeta- ção distribuído amplamente nas localidades comparadas. Nas comparações entre as listagens foram consideradas somente aves de matas de terra firme das famílias não Passeriformes e parte dos Passeriformes Suboscines (Dendrocolaptidae, Furnariidae, Thamnophilidae e Formicariidae). Estes grupos taxonômicos foram escolhidos porque existe um tratamento taxonômico mais integrado e recente para estes táxons (PINTO 1978, DEL HOYO etal. 1992, 1993, 1996, 1997, 1999, 2001, 2002, 2003, 2004).

Análises quantitativas Análises fenéticas e de parcimônia foram utilizadas a fim

de determinar as regiões de maior similaridade com a avifauna do PNJ e estabelecer hipóteses de relações históricas entre a região oeste do Rio Negro e outras regiões da Amazônia. As listas de espécies foram comparadas através de uma análise de agrupamento com dados de presença ou ausência utilizando o índice de Jaccard como distância de similaridade e a associação pelas médias como método de ligação (MCCUNE & GRACE 2002). A aplicação de métodos fenéticos em biogeografia baseia-se no fato de que regiões com altos níveis de similaridade podem compartilhar, ao menos parcialmente, histórias biogeográficas comuns (ROSEN 1995b). Para testar a hipótese de correlação entre similaridade faunística e distância geográfica entre os sítios foi realizado um teste de Mantel. As distâncias geográficas aproxi- madas entre os sítios comparados foram calculadas através de um Sistema de Informações Geográficas (SIG).

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As listas de espécies foram analisadas através de uma aná- lise de parcimônia de endemismos (PAE – do original em inglês parsimony analysis of endemicity) para identificar hipóteses de relações de área entre os sítios. As análises PAE têm sido aplica- das em estudos recentes de distribuição de vários grupos de ver- tebrados neotropicais como anuros (RON 2000), lagartos (ÁVILA- PIRES 1995), mamíferos (FERNANDES etal. 1995, SILVA & OREN 1996, COSTA etal. 2000) e aves (BATES etal. 1998). Para uma revisão mais completa de estudos que aplicaram o método PAE consultar NIHEI (2006). Estes estudos se utilizaram das áreas de endemismos identificadas para aves (BATES etal. 1998, RON 2000), os grandes interflúvios da bacia amazônica (SILVA & OREN 1996) ou quadra- dos de tamanho uniforme (COSTA etal. 2000) como unidades geográficas operativas. No presente estudo foram analisadas listagens de aves que são representativas das unidades biogeográficas já identificadas para a Amazônia (Fig. 2).

A PAE tem sido aplicada em biogeografia para identificar áreas de endemismos (MORRONE 1994, GÁRCIA-BARROS etal. 2002) e estabelecer hipóteses de relações históricas entre áreas (SILVA & OREN 1996, BATES etal. 1998). Entre as principais críticas ao mé- todo está o fato do mesmo não levar em consideração as rela- ções filogenéticas entre as espécies que se distribuem nas áreas analisadas e considerar a vicariância como o único processo res- ponsável pelos padrões biogeográficos ignorando outros proces- sos importantes como dispersão (HUMPHRIES 1989, BISCONTI etal. 2001, BROOKS & VAN VELLER 2003, SANTOS 2005). Apesar destas li- mitações, algumas características tornam a PAE um método legí- timo na elaboração de hipóteses de relações entre áreas (NIHEI 2006). As relações históricas entre áreas podem ser parcialmente recuperadas através da PAE, ainda que o mesmo tenda a simpli- ficar os cenários históricos devido a suas assunções mais restriti- vas (BROOKS & VAN VELLER 2003). Existe certa congruência entre os cladogramas de área obtidos pela PAE e aqueles obtidos através de métodos estritamente cladísticos (CRACRAFT & PRUM 1988, BA- TES etal. 1998). Além disso, a maior parte dos processos identifi- cados como responsáveis pelos padrões de distribuição de aves e outros vertebrados na Amazônia implica algum mecanismo de vicariância (LYNCH 1989, HAFFER 2001).

A base para as análises PAE é um matriz de espécies (carac- teres) x regiões onde a ocorrência de uma espécie é codificada como 1 (presente) ou 0 (ausente) (ROSEN 1995b, MORRONE & CRISCI 1995). Espécies que ocorrem em todos os sítios (simplesiomor- fias regionais) e aquelas restritas a somente uma localidade (auta- pomorfias regionais) foram omitidas das análises (ROSEN 1995b). Uma localidade externa sem espécies (0) foi introduzida nas análises para representar uma área ancestral hipotética (enrai- zamento de Lundberg cf. ROSEN 1995b).

Além das análises da matriz completa de dados, foram realizadas análises individuais com aves não Passeriformes, aves Passeriformes, com as famílias Furnariidae e Dendrocolaptidae juntas e com as famílias Thamnophilidade e Formicariidae jun- tas. Estas análises separadas foram realizadas com o objetivo de investigar se a utilização de diferentes sub-grupos de aves

resultariam em diferentes topologias nas relações históricas entre as áreas analisadas.

As análises foram feitas utilizando-se o programa PAUP* (SWOFFORD 1991). As árvores de consenso foram construídas a partir da opção “50% majority rule”. A estabilidade das árvores foi acessada através do índice de decaimento (= índice ou su- porte de Bremer) que pode ser interpretado como o número de passos extras necessários para “desfazer” um ramo ou relação entre táxons em um cladograma de consenso (BREMER 1994). Valores mais altos do índice de decaimento indicam relações filogenéticas e, neste caso relações entre áreas, mais estáveis (BREMER 1994). Os índices de decaimento foram calculados uti- lizando-se o programa Autodecay versão 5.3. Para comparar as árvores individuais foi calculado o índice de suporte total, que é a soma dos índices de decaimento de todos os ramos da árvo- re de consenso dividido pelo número de passos da árvore mais parcimoniosa (BREMER 1994).

RESULTADOS Biogeografia descritiva

As distribuições geográficas de 383 táxons (espécies ou subespécies) das cerca de 470 espécies de aves registradas para a região do Parque Nacional do Jaú foram analisadas neste es- tudo (Anexo I). A maioria das espécies (> de 50%) apresenta uma ampla distribuição pela Amazônia (Tab. I). Um pequeno número de aves deste grupo apresenta registros pontuais pela Amazônia, sendo algumas delas especialistas de hábitats de ocor- rência restrita na bacia como savanas e campinas de areia branca (e.g.Neopipocinnamomea (Lawrence, 1869) – Tyrannidae; Rhytipternaimmunda (Sclater & Salvin, 1873) – Tyrannidae) ou devem apresentar baixas densidades populacionais (e.g. Nyctibiusaethereus (Wied, 1820) – Nyctibiidae).

A avifauna do PNJ exibe maior afinidade com aquelas encontradas nas regiões oeste e noroeste da Amazônia (Tab. I, Figs 3-6). Várias destas espécies parecem ter suas distribuições associadas à bacia do Rio Negro como Rhegmatorhinacristata (Pelzeln, 1868) – Thamnophilidae; Dolospingusfringilloides (Pelzeln, 1870) – Emberizidae e Hylophilusbrunneiceps Sclater, 1866 Vireonidae. A distribuição de algumas das espécies do noroeste da Amazônia está associada a hábitats típicos da ba- cia do Rio Negro como vegetações alagáveis de igapó e campi- nas de areia branca (e.g.Myrmecizadisjuncta Friedmann, 1945 – Thamnophilidae; H.brunneiceps e D.fringilloides).

O oeste da Amazônia é outro setor com forte influência na avifauna do PNJ (Tab. I). A maioria destas espécies se distribui amplamente do oeste do Rio Negro até a alta Amazônia ao sul e norte do Rio Amazonas/Solimões nas terras baixas do Peru e Equador (e.g.Nothocraxurumutum (Spix, 1825) – Cracidae e Celeus torquatusoccidentalis (Hargitt, 1889) – Picidae). Uma parte im- portante das espécies da alta Amazônia ocorre somente ao norte do Rio Amazonas/Solimõe (e.g.Deconychuralongicaudaconnectens J.T. Zimmer, 1929 – Dendrocolaptidae e Dendrocolaptescerthia radiolatus Sclater & Salvin, 1868 – Dendrocolaptidae). Um nú-

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mero restrito de espécies da alta Amazônia parece não alcançar o noroeste amazônico (e.g.Formicariusanaliszamorae – Chapman, 1923 – Formicariidae e Laniofulvusperuvianus Carriker, 1934 – Thraupidae). Algumas poucas subespécies (n = 11) encontradas no PNJ parecem ser substituídas por outras subespécies no alto Rio Negro (Anexo I).

A avifauna do PNJ possui espécies consideradas restritas às áreas de endemismo Imeri, Napo, Inambari e Guiana (Figs 3- 6). A área de endemismo Imeri é suportada por 18 táxons (HAFFER 1978, CRACRAFT 1985) sendo nove deles registrados no PNJ: Selenideranattereri (Gould, 1836) – Ramphastidae; M.disjuncta; Myrmotherulaambigua Zimmer, 1932 – Thamnophilidae; Myrmo- therulacherriei Berlepsch & Hartert, 1902 – Thamnophilidae; R. cristata;Gymnopithysleucaspislateralis Todd, 1927– Thamno- philidae; Heterocercusflavivertex Pelzeln, 1868 – Pipridae; Hylophilusb.brunneiceps Sclater, 1866; D.fringilloides. As áreas de endemismos do oeste da Amazônia (Napo e Inambari) tam- bém exercem uma certa influência sobre a avifauna do PNJ com treze espécies registradas na região: N.urumutum, Pionopsitta barrabandi (Kuhl, 1820) – Psittacidae; Amazonafestivafestiva (Linnaeus, 1758) – Psittacidae; Topazapyra (Gould, 1846) –

Figura 2. Área de endemismos para aves amazônicas segundo HAFFER (1974), HAFFER (1978), CRACRAFT (1985) and SILVA etal. (2002) mostrando os sítios comparados neste estudo: 1) Quebrada Sucusari (Bret Whitney, com. pess.), 2) alto Rio Orinoco, Venezuela (ZIMMER & HILTY 1997), 3) Parque Nacional do Jaú (presente estudo), 4) Manaus (COHN-HAFT etal. 1997), 5) Belém (NOVAES & LIMA 1998), 6) Alta Floresta (ZIMMER etal. 1997), 7) Cachoeira Nazaré (STOTZ etal. 1997) e 8) Rio Urucu (PERES & WHITTAKER 1991).

Tabela I. Número de espécies de aves registradas no Parque Nacio- nal do Jaú distribuídas nas categorias biogeográficas adotadas neste estudo.

Categorias de distribuição geográfica Número de

espécies

Espécies de distribuição ampla 200 (52%)

Noroeste da Amazônia 45 (11%)

Distribuição ampla ao norte do Rio Solimões/Amazonas

45 (11%)

Noroeste e oeste da Amazônia em ambas as margens do Rio Solimões/Amazonas

38 (10%)

Noroeste e oeste da Amazônia ao norte do Rio Solimões/Amazonas

28 (7%)

Oeste da Amazônia em ambas as margens do Rio Solimões/Amazonas

9 (2%)

Amazônia Central entre os rios Negro e Solimões 9 (2%)

Oeste da Amazônia ao norte do Rio Solimões/Amazonas

5 (1%)

Outros tipos de distribuição 4 (1%)

Total de espécies 383

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Trochilidae; Pharomachruspavoninus (Spix, 1824) – Trogonidae; Eubuccorichardsoni (Gray, 1846) – Capitonidae; Dendrexetastes rufiguladevillei (Lafresnaye, 1850) – Dendrocolaptidae; Frederickenaunduligera (Pelzeln, 1868) – Thamnophilidae; Myrmotherulaassimilis Pelzeln, 1868 – Thamnophilidae; Hypocnemishypoxantha Sclater, 1869 – Thamnophilidae; Attila citriniventris Sclater, 1859 – Tyrannidae; Phoenicircusnigricollis Swainson, 1832 – Cotingidae; Ramphocelusnigrogularis Spix, 1825 – Thraupidae. Poucos táxons de distribuição considerada restri- ta à região biogeográfica da Guiana foram registrados no PNJ (e.g.Polioptilaguianensis Todd, 1920 – Sylviidae; Pachyramphus surinamus (Linnaeus, 1766) – Tyrannidae).

Biogeografia quantitativa

Três unidades biogeográficas foram identificadas na análi- se de agrupamento (Fig. 7). As avifaunas dos sítios localizados ao

3 4

5 6

Figuras 3-6. Espécies de aves representativas das afinidades biogeográficas do Parque Nacional do Jaú: (3) Selenideranatereri, um araçari de matas de terra firme amplamente distribuído pela região noroeste da bacia amazônica. Esta é uma das espécies que dão suporte a area de endemismo Imeri, (4) Pteroglossusazaraazara um táxon restrito a área de endemismo Rio Negro registrado em vários hábitats como matas de terra firme, campinaranas e matas de igapó, (5) Nonnulaamaurocephala um joão-bobo especializado em matas de igapó do baixo Rio Negro, (6) Dolospingusfringilloides um papa-capim especializado em campinas e igapós abertos ao longo do Rio Negro.

Figura 7. Padrão de agrupamento de oito localidades na Amazô- nia baseado na similaridade de composição de espécies de aves usando dados de presença ou ausência. Entre parênteses estão as áreas de endemismo mostrado na figura 2.

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sul do Rio Amazonas (Belém, Alta Floresta e Rondônia) apresen- tam uma similaridade relativamente alta; especialmente Belém e Alta Floresta. Os sítios da alta Amazônia (Quebrada Sucusari e alto Rio Urucu) formam o segundo grupo e os sítios localizados ao norte do Rio Amazonas (com exceção de Quebrada Sucusari) se agrupam na terceira unidade biogeográfica (Fig. 7).

A avifauna do PNJ apresenta uma alta similaridade com o noroeste da Amazônia (sítio do alto Rio Orinoco), um resul- tado similar ao encontrado nas análises descritivas. As avifaunas do PNJ e do alto Rio Orinoco compartilham 45% de suas espé- cies sendo as regiões com maior similaridade faunística (Fig. 8). A proporção de espécies compartilhadas entre o PNJ e ou- tras regiões da Amazônia varia de 17% a 30% (Fig. 8).

Existe uma correlação significativa entre as distância geo- gráficas e as similaridades faunísticas (calculada pelo índice de Jaccard) nos sítios analisados (teste de Mantel, r = -0,38, p = 0,02). Os sítios com menor similaridade foram os mais distantes entre si (Quebrada Sucusari e Belém). Por outro lado, sítios relativa- mente próximos (< de 500 km) como PNJ e Urucu tiveram ní- veis mais baixos de similaridade do que sítios mais distantes (> de 1000 km) como Alta Floresta e Belém. Este resultado sugere que, ainda que a distância entre sítios explique parte (38%) da similaridade faunística, é possível que a composição das espéci- es esteja sendo influenciada por fatores históricos já que os síti- os comparados estão em áreas de endemismos distintas (Fig. 2).

Cladogramas de área As análises de parcimônia de endemismo (PAE) revela-

ram padrões complexos e nem sempre consistentes entre si. Na análise total dos dados com 281 espécies (caracteres) foram iden- tificados três grupos bem definidos (Fig. 9). Os valores dos ín- dices de decaimento foram muito baixos, indicando uma bai- xa estabilidade nas relações entre as áreas.

Analisando somente as aves não Passeriformes, dois gru- pos bem distintos foram identificados: um localizado ao sul do Rio Amazonas (com exceção de Quebrada Sucusari) e outro grupo localizado ao norte do Rio Amazonas (Fig. 10). Nova- mente, o PNJ se posiciona como grupo-irmão de Manaus e Venezuela (Fig. 10). Neste caso, os índices de decaimento são relativamente altos nos clados Alta Floresta e Belém e nos clados que reúnem os sítios ao norte do Rio Amazonas.

Os padrões de relação entre áreas são totalmente dife- rentes, considerando somente aves Passeriformes com três gru- pos bem definidos (Fig. 11). Neste caso, o PNJ se agrupa com os

sítios localizados no oeste da Amazônia (Quebrada Sucusari) tendo o sítio Urucu posicionado como grupo-irmão (Fig. 11). Os baixos índices de decaimento, entretanto, indicam uma acentuada instabilidade nas relações entre as áreas.

Nas análises da distribuição das famílias Furnariidae e Dendrocolaptidae, os sítios PNJ, Sucusari e Urucu formam uma tricotomia e os baixos índices de decaimento indicam um su- porte muito fraco para os clados encontrados (Fig. 12). O cladograma de área que recebeu maior suporte envolve as fa- mílias Thamnophilidae e Formicariidae (Fig. 13). Neste caso, três grupos bem distintos foram detectados e o PNJ se agrupa com a Venezuela, sendo Manaus o grupo-irmão deste clado (Fig. 13). Esta árvore apresentou uma topologia muito similar a aná- lise de agrupamento, com exceção das posições do sítios Ron- dônia, Belém e Alta Floresta (comparar Figs 7 e 13).

Uma análise comparativa mostra que os cladogramas de área obtidos com de aves não Passeriformes (Fig. 10) e Thamno- philidae e Formicariidae juntos (Fig. 13) receberam os maiores suportes e que a árvore com todos os dados (Fig. 9) foi a que apresentou menor estabilidade (Tab. II). Além disso, o cladogra- ma construído com dados de Thamnophilidae e Formicariidae recebeu os maiores índices de consistência e de retenção (Fig. 13).

Aves endêmicas do centro-oeste da Amazônia Durante as análises de distribuição das aves foram iden-

tificados seis táxons aparentemente endêmicos do setor oeste do Rio Negro, não alcançando o noroeste nem os setores da alta Amazônia. Alguns destes táxons são bem diferenciados apresentando caracteres diagnosticáveis, enquanto outros pre- cisam de análises comparativas mais detalhadas para definir seus “status” taxonômicos.

DISCUSSÃO

Afinidades biogeográficas na avifauna do PNJ O PNJ está localizado em uma região intermediária entre

as grandes unidades biogeográficas da Amazônia e sua avifauna mostra uma acentuada afinidade com os setores noroeste e oeste da bacia amazônica (Tab. I, Figs 3-6 e 8). Desde modo, o cen- tro-oeste da Amazônia pode ser caracterizada como uma re- gião composta do ponto de vista da biogeografia já que espéci- es de diferentes setores da bacia são encontradas juntas, além de contar com espécies de distribuições restritas.

Table II. Medidas de estabilidade nos cladogramas de área obtidos como diferentes bases de dados

Base de dados Número de táxons Número de passos (S) Suporte total (T) Índice de suporte total (T/S)

Todas as espécies 281 539 8 0,015

Somente não Passeriformes 181 354 29 0,082

Somente Passeriformes 101 175 9 0,051

Furnariidae mais Dendrocolaptidae 48 85 5 0,059

Thamnophilidae mais Formicariidae 50 83 17 0,205

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A maioria das espécies de aves de interesse biogeográfico registradas no PNJ se distribui amplamente no setor delimita- do pelos rios Negro e Solimões, os rios mais importantes para a definição das distribuições geográficas das aves amazônicas (HAFFER 1992). Aproximadamente 50-70 pares de espécies de aves aparentadas se substituem em margens opostas do Rio

Negro em seu baixo curso (HAFFER 1992). Além disso, o Negro é um dos rios mais importantes para a distribuição geográfica de primatas na Amazônia devido a características hidrológicas como distância entre margens e estabilidade do curso (AYRES & CLUTTON-BROCK 1992). Um menor número de espécies de aves é compartilhado entre o PNJ e Manaus, sítios separados por cer- ca de 200 km em margens opostas do Rio Negro, do que entre o PNJ e o alto Rio Orinoco na Venezuela distantes mais de 1000 km em linha reta (Fig. 8). Neste caso, a similaridade na compo- sição de espécies não esta relacionada à proximidade geográfi- ca, mas ao grande poder de isolamento do Rio Negro em seu baixo curso.

A capacidade de um rio separar populações animais varia ao longo de seu canal. Populações isoladas na foz dos rios po- tencialmente podem entrar em contato nas regiões de cabecei- ras (HAFFER 1992). Intercâmbio de espécies de aves entre margens opostas é provável de ocorrer nas cabeceiras do Rio Negro com acontece no alto curso dos rios Madeira e Tapajós (HAFFER 1992). A mistura de avifaunas no alto Rio Negro é ilustrada pelos regis- tros de S.natereri (espécie do oeste do Rio Negro) e Gymnopithys rufigula (Boddaert, 1783) – Thamnophilidae (espécie do leste do Rio Negro) em um mesmo sítio no alto Rio Orinoco (ZIMMER & HILTY 1997). Outros exemplos de pares de espécies separadas no baixo curso do Rio Negro que se encontram e, em alguns casos se hibridizam, no alto curso incluem Pionopsittabarrabandi (Kuhl,

Figura 8. Similaridade avifaunística entre o Parque Nacional do Jaú e outras localidades da bacia amazônica. As localidades estão numeradas como na figura 2. O número na parte de cima da caixa é a percentagem de similaridade calculada através do índice de Jaccard e na parte de baixo estão os número de espécies compartilhadas entre as localidades ligadas.

Figura 9. Cladograma de area resultado da análise de parcimônia de endemismo (PAE) incluíndo aves não Passeriformes e Passeriformes das famílias Furnariidae, Dendrocolaptidae, Thamnophilidae e Formicariidae. Os números acima de cada ramo são os índices de decaimento. Índice de consistência = 0,52; índi- ce de retenção = 0,45.

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1820)/Pionopsittacaica (Latham, 1790) – Psittacidae e Ramphastos tucanustucanus Linnaeus, 1758/Ramphastostucanuscuvieri Wagler, 1827 – Ramphastidae (HAFFER 1992).

O Amazonas é outro rio importante para as característi- cas biogeográficas da avifauna do PNJ. As distribuições de cer- ca de 150 espécies de aves coincidem com o Amazonas na altu- ra da foz do Rio Negro (HAFFER 1992). Este número de espécies diminui gradativamente em direção às cabeceiras (HAFFER 1992). O grupo biogeográfico formado por Quebrado Sucusari (norte do Rio Amazonas) e o alto Rio Urucu (sul do Amazonas) (Fig. 8) provavelmente é resultado desta diminuição no poder de isola- mento do Amazonas nas cabeceiras.

Biogeografia do interflúvio Negro/Solimões Apesar de um grande número de espécies de aves se distri-

buir de modo contínuo pelo oeste do Rio Negro, esta região não parece ser tão uniforme do ponto de vista biogeográfico. Algu- mas espécies de aves ocorrem no noroeste da Amazônia (alto

Rio Negro, Rio Orinoco etc.), mas aparentemente não alcançam a porção oeste da bacia (e.g.Dendrocinclafuliginosaphaeochroa Berlepsch & Hartert, 1902 – Dendrocolaptidae; Hylophylax poecilinotusduidae Chapman, 1923 – Thamnophilidae), enquanto outras espécies registradas no oeste amazônico não alcançam o região noroeste (e.g.Odonthophorusgujanensisbuckley Chubb, 1919 – Phasianidae, Dendrocinclafuliginosaneglecta Todd, 1948 – Dendrocolaptidae).

A avifauna que ocorre nas campinas do PNJ também pa- rece exibir um padrão biogeográfico similar ao das aves flores- tais. Estudos recentes realizados em vegetações sobre solos are- nosos no Peru, incluindo vegetações similares às campinas do Rio Negro, revelaram a ocorrência de várias espécies novas de aves (WHITNEY & ALONSO 1998, ALONSO & WHITNEY 2001, ISLER et al. 2001). Infelizmente, poucos estudos ornitológicos foram feitos neste tipo de ambiente (ALONSO & WHITNEY 2003, BORGES 2004, POLETO & ALEIXO 2005) dificultando o estabelecimento mais detalhado das distribuições geográficas destas espécies.

Figuras 10-13. Cladogramas de área resultado da análise de parcimônia de endemismo (PAE) usando diferentes sub-grupos de espécies: (10) espécies não Passeriforme, (11) espécies Passeriformes das famílias Furnariidae, Dendrocolaptidae, Thamnophilidae e Formicariidae, (12) Furnariidae mais Dendrocolaptidae, (13) Thamnophilidae mais Formicariidae. Os números acima de cada ramos são os índices de decaimento. (IC) índice de consistência, (IR) índice de retenção.

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Entretanto, é possível hipotetizar que estes táxons recém-des- critos sejam endêmicos das vegetações sobre solos arenosos do oeste da Amazônia não ocorrendo nas campinas e campinaranas do Rio Negro. De fato, tentativas de encontrar estas espécies nas campinas e campinaranas do PNJ não foram bem sucedi- das. É possível que as campinas e campinaranas do oeste e do noroeste da Amazônia tenham se separado tempo suficiente para estes táxons terem se divergido em populações distintas.

A distribuição geográfica das espécies de aves florestais e não florestais sugere que exista uma discontinuidade biogeográfica em algum lugar entre os setores oeste e o noroeste da Amazônia. Quais características físicas do ambiente poderi- am auxiliar na delimitação desta região de substituição geográfi- ca entre espécies e subespécies de aves nesta região? Como men- cionado acima, os rios são importantes para identificar os limi- tes de distribuição geográfica das espécies de aves na Amazônia. Ao menos dois grandes rios localizados no oeste amazônico ao norte do Amazonas poderiam afetar a distribuição das aves: o Japurá e o Iça. Estes dois rios correm paralelos ao Rio Negro em direção a noroeste (Fig. 1). Foi sugerido que o Rio Putumayo (nome peruano do Rio Iça) coincida com o limite de substitui- ção geográfica de Percnostolarufifronsjensoni Capparella etal., 1997 – Thamnophilidae e Percnostolarufifronsminor Pelzeln, 1868 – Thamnophilidae (CAPARELLA etal. 1997). Infelizmente, a avifauna das regiões próximas destes dois rios é pobremente amostrada (OREN & ALBUQUERQUE 1991, OREN 2001). Existe, ainda, a possibili- dade de que a região de contato secundário entre as espécies e subespécies de aves ocorra em regiões interfluviais de matas de terra firme sem estar relacionada ao sistema hidrográfico, como acontece no sul do Rio Amazonas (HAFFER 1992). Neste caso, di- ferenças sutís nos tipos de matas onde estas espécies ocorrem podem ser percebidas como barreiras pelas aves.

As áreas de endemismo na Amazônia e a avifauna do PNJ A delimitação de áreas ou centros de endemismo é uma

das mais importantes etapas de uma análise biogeográfica já que permite reconhecer as unidades básicas da estrutura histó- rica na qual as biotas evoluíram (CRACRAFT 1988). Nas terras baixas da Amazônia foram identificadas oito áreas de endemis- mo suportadas pela distribuição restrita de um variado núme- ro de espécies de aves (HAFFER 1974, 1978, CRACRAFT 1985, SILVA etal. 2002). A maioria destas áreas de endemismos se distribui em regiões periféricas da bacia amazônica e tem seus limites definidos pelos grandes rios da bacia (Fig. 2).

O PNJ ocupa uma região central entre as áreas de endemismo da Amazônia e sofre uma acentuada influência da área de endemismo Imeri. Como descrito originalmente por HAFFER (1969, 1974, 1978), os limites geográficos desta área co- incidem com o noroeste do Brasil, sul da Venezuela e sudeste da Colômbia. Aproximadamente 18 taxóns dão suporte a área de endemismo Imeri (HAFFER 1978, CRACRAFT 1985) sendo que vários deles foram registrados mais ao sul no PNJ, indicando que os limites geográficos do Imeri se extendam até o norte do Rio Amazonas como proposto por CRACRAFT (1985).

Uma boa parte das espécies de aves que dão suporte a área de endemismo Imeri são depedentes, em variados níveis, de campinas e matas de igapó, hábitats típicos da bacia do Rio Negro (ANDERSON 1981, PIRES & PRANCE 1985, BORGES 2004). As espécies M.disjuncta, Myrmotherulacherriei, H.flavivertex, H. brunneiceps e D.fringilloides foram registradas em campinas de areia branca e em matas de igapó mais abertas no PNJ e em outros sítios da bacia do Rio Negro (PRUM etal. 1996, ZIMMER & HILTY 1997, BORGES & CARVALHAES 2000, BORGES & ALMEIDA 2001, BORGES 2004, NAKA etal. 2006). Outras espécies consideradas restritas a área Imeri como Thripophagacherriei Berlepsch & Hartert, 1902 – Furnariidae e Percnostolacaurensis (Hellmayr, 1906) – Thamnophilidae, apesar de pouco conhecidas na natu- reza, parecem ser especialistas de matas alagadas e matas que se desenvolvem sobre afloramentos rochosos (RIDGELY & TUDOR 1994, ZIMMER 1999, HILTY 2003). A distribuição de boa parte das espécies de aves que dão suporte a área de endemismo Imeri está condicionada à ocorrência de hábitats e micro-habitats específicos, o que reforça a importância de fatores ecológicos atuais para explicar a distribuição geográfica das espécies na Amazônia (TUOMISTO & RUOKOLAINEN 1997).

Neste estudo também foi identificada uma nova área de endemismo na região centro-oeste da Amazônia. HAFFER & FITZPATRICK (1985) já haviam chamado a atenção para a distri- buição de um pequeno número de espécies de aves que pare- cem restritas à Amazônia Central. AMORIN & PIRES (1999) tam- bém identificaram uma pequena área de endemismo a oeste do Rio Negro, mas sem oferecer detalhes sobre quais espécies dão suporte a este componente biogeográfico (AMORIM & PIRES 1999: fig. 27).

Relações entre as áreas biogeográficas da Amazônia Padrões de relação biogeográfica entre áreas nos diferen-

tes estudos com vertebrados amazônicos revelaram consistên- cia em algumas associações. As áreas de endemismos Napo e Inambari parecem formar um clado consistente em todos os estudos realizados com diferentes conjuntos de dados, grupos taxonômicos e abordagens metodológicas (CRACRAFT & PRUM 1988, BATES etal. 1998, SILVA & OREN 1996, RON 2000, este estu- do). Em contraste, a posição relativa das áreas ao sul do Rio Solimões/Amazonas (Rondônia, Tapajós e Belém) exibem dife- rentes topologias nos cladogramas de área. Em algumas análi- ses deste estudo, Rondônia se posiciona como grupo-irmão de Belém e Tapajós (Fig. 10) e em outros casos é Belém que se posiciona como grupo-irmão de Tapajós e Rondônia (Fig. 11). Estes resultados são consistentes com os obtidos por BATES etal. (1998).

Uma das grandes diferenças nos resultados obtidos em diferentes estudos é a posição da área de endemismo Imeri. A distribuição de espécies e subespécies de aves Passeriformes mostra que Imeri se posiciona como grupo-irmão do clado (Napo(Inambari) na maioria dos cladogramas obtidos (BATES et al. 1998). Resultados similares foram obtidos por CRACRAFT & PRUM (1988), analisando diferentes táxons de papagaios

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(Psittacidae) e tucanos (Ramphastidae) numa abordagem filoge- nética. A distribuição de primatas revela que Imeri forma um clado não resolvido (tricotomia) com Inambari e Napo (SILVA & OREN 1996). Na maioria dos cladogramas obtidas no presente estudo, a área de endemismo Imeri forma um clado com a área Guiana (Figs 9-12). A única exceção é a árvore obtida com da- dos de distribuição de Thamnophilidade e Formicariidae, onde o Imeri forma uma clado com o PNJ (área de endemismo Rio Negro) com Guiana se posicionando como grupo-irmão deste (Fig. 13). Vale lembrar que esta árvore recebeu o maior índice de suporte total (Tab. II).

Porque existem incongruências entre os diferentes estu- dos e grupos taxonômicos analisados? Este estudo e o de BATES etal. (1998) apresentam algumas similaridades analíticas e uma comparação entre eles pode ser informativo. Apesar de ambos os estudos se utilizaram do PAE com método de análise, exis- tem algumas importantes diferenças entre os mesmos. Nas aná- lises de BATES etal. (1998) foram utilizados todos os táxons, mesmo aqueles não informativos que ocorreram em todas as áreas de endemismo ou somente em uma delas. Esta opção aumentou artificialmente o número de caracteres (taxóns) uti- lizados nas análises. BATES etal. (1998) também não levaram em consideração as diferenças no uso de hábitats pelas espéci- es e a codificação de ausência de uma espécie poderia ser atri- buída a ausência de hábitats apropriados. É possível que estas diferenças na abordagem analítica tenham afetado as relações entre as áreas analisadas.

BATES etal. (1998) também chamaram a atenção para o fato de que a própria inconsistência das bases de dados pode afetar, de modo não esclarecido, as conclusões dos estudos. Co- dificar uma espécie como ausente de um sítio pode ser proble- mático já que o conhecimento sobre a distribuição de aves na Amazônia ainda é incompleto, apesar dos recentes avanços (OREN & ALBUQUERQUE 1991, OREN 2001). Além disso, hipóteses de relações filogenéticas não estão disponíveis para a maioria das espécies de aves amazônicas e o arranjo taxonômico ainda é baseada em estudos sistemáticos antigos. Assim, as bases de dados estão “contaminadas” por táxons que não são entidades consistentes, mas meras variações clinais. Estes problemas só serão resolvidos através da ampliação das coletas de aves na região e dos estudos taxonômicos e biogeográficos de espécies individuais.

Outras possíveis explicações para estas incongruências podem não estar relacionadas a limitações metodológicas ou análiticas e envolver cenários biogeográficos mais complexos. Múltiplas conexões e separações entre áreas distintas em fases diversas do tempo geológico podem ter resultado em uma mis- tura de eventos históricos (CRACRAFT 1988, 1994, BATES etal. 1998). As incongruências nos cladogramas de áreas obtidos nos diferentes grupos ou sub-grupos de espécies encontradas no presente estudo (e.g. Figs 10, 11 e 13) e em outros, sugerem uma complexa história de diversificação da avifauna Amazôni- ca (BUSH 1994, BATES etal. 1998).

Possíveis mecanismos de vicariância influenciando a dis- tribuição de aves no noroeste da Amazônia

No noroeste e oeste da bacia amazônica são encontradas três áreas de endemismos para aves: Imeri no noroeste extre- mo, Napo mais a oeste e Rio Negro na região central (Fig. 2). Quais processos de vicariância podem ter levado à diferencia- ção das avifaunas encontradas nestas unidades biogeográficas? A história geológica das regiões noroeste e oeste da Amazônia, incluindo sítios amostrados na Colômbia, Peru e Brasil tem sido amplamente estudada (HOORN 1993, 1994a,b, RASÄNEN etal. 1995, LUNDBERG etal. 1998) permitindo a elaboração de alguns cenári- os biogeográficos hipotéticos.

Os eventos geológicos melhor estudados nesta região di- zem respeito à penetração do oceano Pacífico e caribenho no interior da alta Amazônia, o soerguimento da cordilheira dos Andes e o estabelecimento do atual sistema de drenagem da ba- cia amazônica. Todos estes eventos ocorreram ao longo do Mioceno, ou seja, entre 5 e 25 milhões de anos antes do presen- te (AP). HOORN (1993) resume a série de eventos geológicos que ocorreram no oeste e noroeste da Amazônia nas etapas descrita a seguir. No ínicio do Mioceno, o sistema fluvial drenava no sentido leste-oeste transportando sedimentos originários do es- cudo das Guianas. Neste período, incursões marinhas esporádi- cas podem ter alcançado a região através do proto-Orinoco e de um portal provavelmente localizado na região oeste dos Andes. Durante o Mioceno médio a direção de deposição dos sedimen- tos foi alterada para o sentido oeste-leste devido ao soerquimento do setor leste da cordilheira andina, estabelecendo o atual senti- do da drenagem na bacia. Os sedimentos depositados no noro- este da Amazônia tinham como fonte o leste da Cordilheira dos Andes. Neste período foi estabelecido um sistema fluvio-lacustre com influência estuarina devido à continuidade das incursões marinhas através da conexão com o mar do Caribe. Do final do Mioceno ao início do Plioceno a conexão entre a alta Amazônia e o mar do Caribe deve ter sido fechada devido ao intenso soergui- mento dos Andes dando origem ao atual sistema de deposição de sedimentos e da malha hidrográfica. Este período também coincidiu com uma queda do nível do mar em escala global (MORNER etal. 2001).

Grandes quantidades de sedimentos andinos foram depo- sitadas no noroeste e oeste da Amazônia do médio ao final do Mioceno e o paleo-ambiente regional foi extensivamente domi- nado por rios, lagos e brejos com predomínio de palmeiras (e.g. Mauritia – Arecaceae), plantas associadas a ambientes ribeirinhos (e.g.Amanoa e AlchorneaEuphorbiaceae), capins e outras her- báceas flutuantes (HOORN 1994a). Esta paisagem alagadiça teve influência marinha intermitente documentada pela presença de pólen fossilizado de Rhizophora (Rhizophoraceae), foraminíferos, moluscos e peixes de origem marinha nos sedimentos analisa- dos (NUTTAL 1990, HOORN 1994b, LUNDBERG etal. 1998). NUTTAL (1990) descreve a região da alta Amazônia durante o Mioceno como sendo uma região de mais de 500 km de extensão ocupa- da por pântanos, lagos e rios com diferentes níveis de salinidade

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devido a conexões intermitentes com o mar do Caribe. LUNDBERG etal. (1998) interpretam a paleo-paisagem desta mesma região como sendo formada por um extensivo sistema de água doce, com variados graus de salinidade, composto de lagos permanen- tes denominados em seu conjunto de “Lago Pebas”.

Como a história de diversificação da avifauna das regiões oeste e noroeste da Amazônia foi influenciada pelos eventos geológicos descritos acima? Os extensos alagados registrados no Mioceno da alta Amazônia, incluindo o “Lago Pebas”, podem ter isolado o setor noroeste da Amazônia (área Imeri) das regiões que ocupavam terrenos em cotas mais altas do oeste da Amazô- nia (áreas Napo e Inambari) que não tenham sido inundadas durante as transgressões marinhas que se misturaram aos acúmulos de água doce vinda dos Andes. As incursões marinhas que alimentavam as áreas alagadas da alta Amazônia termina- ram no final do Mioceno (HOORN 1993, LUNDBERG etal. 1998). Assim a avifauna das áreas de endemismo Napo e Inambari pode ter se separado da avifauna da área de endemismo Imeri à cerca de 8-10 milhões de anos.

Um aspecto importante deste potencial mecanismo de vicariância é a extensão de área que deve ter sido alagada pelas incursões marinhas em associação com o sistema de água doce. Devido ao baixo relevo, boa parte das regiões noroeste e oeste da Amazôzia deve ter sido submersa inclusive as áreas Napo e Inambari (BATES 2001). É possível, entretanto, que porções de terreno não alagados tenham se distribuído nas regiões mais próximas da recém-formada cordilheira do Andes onde um re- levo um pouco mais elevado tenha possibilitado a ocorrência de vegetação de terra firme onde as aves podem ter se refugia- do. BATES (2001) hipotetizou, também, que durante as incur- sões marinhas do Mioceno, a área Imeri estaria submersa, mas o arco de Vaupés localizado no noroeste da Amazônia, pode indicar uma região com porções mais altas de relevo (LUNDBERG etal. 1998).

Análises filogenéticas moleculares de mutuns e jacutingas (Cracidae) e curicas (gênero Pionopsitta – Psittacidae) sugerem que incursões marinhas, eventos tectônicos e de dinâmica de rios que ocorreram durante o Mioceno médio tiveram um im- portante papel na história de diversificação destes grupos (PE- REIRA & BAKER 2004, GRAU etal. 2005, RIBAS etal. 2005). Incursões marinhas também têm sido indicadas como os principais even- tos de vicariância associados à especiação de raias (família Potamotrygonidae) da América do Sul (LOVEJOY etal. 1998).

Se este mecanismo estiver correto, a especiação das aves do noroeste/oeste da Amazônia deve ter ocorrido em um perí- odo de tempo muito mais antigo do que o preconizado por alguns biogeógrafos que acreditam que o Pleistoceno tenha sido o período em que a maioria das espécies tenha surgido na Amazônia (HAFFER 1969). De fato, estudos realizados com aloen- zimas e DNA mitocondrial de algumas poucas espécies de aves e mamíferos amazônicos sugerem períodos mais antigos do que o Pleistoceno para a divesificação destes grupos de espécies (MORITZ etal. 2000). Datações de eventos de especiação em aves

do gênero Gymnopithys Bonaparte, 1857 – Thamnophilidae e Ramphocelus Desmarest, 1805 – Thraupidae (HACKETT 1993, 1996) e mães-da-lua da família Nyctibidae (BRUMFIELD etal. 1997) vari- am de 2.35 a 7 milhões de anos AP, o que coincide, grosso modo, como o final do Mioceno e início do Plioceno.

O estabelecimento de um sistema fluvio-lacustre com influência marinha pode estar associado à separação das áreas de endemismo Imeri e Napo/Inambari, mas o que dizer da área de endemismo Rio Negro? Este caso talvez não esteja associado aos eventos geológicos do Mioceno. Atualmente, a área Rio Negro é contígua com a área Imeri. Entretanto, um imenso bloco de vegetações mais abertas de campina e campinarana se estende entre o médio e o alto Rio Negro (IBGE 1997). Estes tipos de vegetações podem ter ocupado uma extensão ainda maior durante o Pleistoceno. Paleodunas encontradas entre os rio Branco e Negro foram depositadas durante as fases mais secas do Holoceno (CARNEIRO FILHO etal. 2002). A formação des- tas dunas de areia aparentemente foi intermediada por ventos regionais (deposição eólica) sugerindo uma paisagem domina- da por vegetações abertas no período de deposição (CARNEIRO FILHO etal. 2002). Ainda precisa ser melhor estabelecido se as vegetações predominantemente abertas encontradas no médio Rio Negro representam uma barreira ecológica para a distribui- ção de aves. Se este for o caso, a avifauna da área de endemismo Rio Negro talvez tenha se isolado do Imeri durante períodos de tempo mais recentes do Quaternário.

Neste ponto é importante lembrar uma das mais contro- vertidas questões sobre os paleo-ambientes da Amazônia que postula períodos de aridez durante o Pleistoceno quando a vege- tação florestal da região foi substituída por savanas abertas. Esta controvérsia é a base para a mais famosa hipótese para explicar a diversificação da avifauna na Amazônia – a teoria dos refúgios de HAFFER (1969). Esta teoria postula períodos secos durante o Pleistoceno onde a paisagem amazônica foi dominada por savana e as florestas se restringiram às porções mais úmidas da bacia (HAFFER 1969). O isolamento das populações de aves nestes blo- cos de florestas (denominados refúgios) iniciou um processo de diferenciação alopátrica (HAFFER 1969). Alguns pesquisadores afir- mam que as evidências geológicas, palinológicas e geomorfológicas não são consistentes com uma savanização extensa da Amazônia durante o Pleistoceno (SALO 1987, COLINVAUX etal. 2001). Outros admitem que regiões atualmente cobertas por florestas podem ter sido ocupadas por vegetações mais aber- tas do tipo savana ou por florestas mais secas distribuídas em matas de galeria (PENNINGTON etal. 2000, HAFFER 2001).

O debate sobre como foi a paisagem que ocupou a bacia amazônica durante o Quaternário está longe de ser finalizado e não é objetivo deste estudo oferecer evidências diretas para esta questão. Entretanto, um período mais seco onde vegeta- ções mais abertas dominaram o médio Rio Negro parece con- sistente com o isolamento entre as porção baixa (área de endemismo Rio Negro) e alta (área de endemismo Imeri) do Rio Negro.

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Este cenário contrasta diretamente com as proposições de divergência mais antiga das aves amazônicas discutidas aci- ma. Entretanto, estudos de diferenciação genética em araçaris (Pteroglossus Illiger, 1811 – Ramphastidae) sugerem eventos de divergência recentes que podem ter ocorrido durante o Pleistoceno (HACKET & LEHN 1997). Um dos táxons que dão su- porte à area de endemismo Rio Negro é um araçari do mesmo gênero estudado por HACKET & LEHN (1997) – Pteroglossuazara azara Vieillot, 1819. Os estudos moleculares sugerem que aves amazônicas de linhagens antigas e recentes convivem lado a lado na mesma avifauna.

A história de diversificação da avifauna dos setores noro- este e oeste da bacia Amazônica pode ter sido influenciada por eventos antigos (transgressões marinhas do Mioceno) e even- tos recentes (vegetações abertas do Quaternário). Esta linha de argumentação sobre os processos que levaram à diferenciação das espécies de aves precisa ser testada através de revisões taxonômicas mais detalhadas, estabelecimento de filogenias explícitas e análises filogeográficas dos táxons envolvidos (MORITZ etal. 2000, ARBOGAST & KENAGY 2001).

AGRADECIMENTOS

Os estudos de aves no Parque Nacional do Jaú têm sido financiados pela Fundação Vitória Amazônica (FVA), European Commission, WWF-Brasil, Gordon & Betty Moore Foundation e CNPq. Este estudo também recebeu auxílio financeiro da CAPES através de um bolsa de doutorado e WWF-Brasil através do programa Natureza & Sociedade. Teresa C. Ávila-Pires, Ma- ria L. Marceliano, Maria A. dos S. Alves, Alexandre Aleixo e Luiz P. Gonzaga deram importantes contribuições a este estu- do. Fátima Lima, Dionísio Pimentel, Ramiro, Fernando Novaes (inmemorian) e Maria Luiza ajudaram no uso da coleção de aves do Museu Paraense Emílio Goeldi (MPEG). Mario Cohn- Haft, Alexandre Aleixo e José M.C. da Silva contribuiram com importantes “insights” para este estudo. Bret Whitney gentil- mente providenciou a lista de aves de Quebrada Sucusari utili- zada nas análises. Simone Iwanaga, Roni von Lira, Marcelo Moreira e Ricardo Almeida ajudaram na produção de mapas e edição das figuras.

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Recebido em 30.XI.2006; aceito em 13.XI.2007.

Anexo I. Lista das espécies de aves registradas no Parque Nacional do Jaú examinada neste estudo. Os números sobrescritos ao lado de algumas espécies referem-se às notas taxonômicas e biogeograficas encontradas no final da lista. As letras entre parênteses são as categorias de distribuição geográfica descritas na tabela I e os números referem-se aos registros dos exemplares consultados na coleção de aves do Museu Paraense Emílio Goeldi (MPEG). A sequência das espécies segue SICK (1997) para as famílias de aves não Passeriforme e RIDGELY & TUDOR (1989, 1998) para famílias Passeriformes. A nomenclatura das espécies foi atualizada seguindo as recomendações do Comitê Brasileiro de Registros Ornitológicos (www.cbro.org.br).

Tinamidae: Tinamusmajorserratus (Spix, 1825) (b, 31613; 29937), Crypturelluscinereus1 (Gmelin, 1789) (a), Crypturellussouisoui (hermann, 1783) (c, 31614), Crypturellusundulatusyapura (Spix, 1825) (d), Crypturellusvariegatus2 (Gmelin, 1789) (a). Accipitridae: Leptodoncayanensiscayanensis3 (Latham, 1790) (a), Ictiniaplumbea (Gmelin, 1788) (a), Accipiterbicolorbicolor (Vieillot, 1817) (a), Buteo nitidusnitidus (Latham, 1790) (a), Rupornismagnirostrismagnirostris (Gmelin, 1788) (a), Busarellusnigricollisnigricollis (Latham, 1790) (a), Buteogallusurubitingaurubitinga (Gmelin, 1788) (a), Harpiaharpyja (Linnaeus, 1758) (a), Spizaetusornatusornatus (Daudin, 1800) (a), Spizaetustyrannusserus (Friedmann, 1950) (a), Geranospizacaerulescenscaerulescens (Vielliot, 1817) (a). Falconidae: Herpetotheres cachinnanscachinnans (Linnaeus, 1758) (a), Micrastursemitorquatussemitorquatus (Vielliot, 1817) (a), Micrasturruficollisconcentricus4

(Lesson, 1830) (c), Micrasturgilvicollis5 (Vieillot, 1817) (a, 50523; 42442; 52946), Micrasturmirandollei6 (Schlegel, 1862) (a), Daptrius

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ater (Vieillot, 1816) (a), Ibycteramericanus7 (Boddaert, 1783) (a), Milvagochimachimacordatus (Bangs & Penard, 1918) (c), Falco rufigularisrufigularis (Daudin, 1800) (a). Cracidae: Penelopejacquacuorienticola (Todd, 1932) (b, 118), Pipilecumanensiscumanensis (Jacquin, 1784) (c), Mitutuberosum8 (Spix, 1825) (a), Nothocraxurumutum (Spix, 1825) (d). Phasianidae: Odontophorusgujanensis buckleyi9 (Chubb, 1919) (h, 50524; 31672). Opisthocomidae: Opisthocomushoazin (Sclater, 1880) (a). Psophiidae: Psophiacrepitans ochroptera (Pelzen, 1857) (g). Rallidae: Aramidescajaneacajanea (P.L.S. Müller, 1776) (a), Laterallusmelanophaiusoenops (P.L. Sclater & Salvin, 1880) (a). Columbidae: Patagioenasspeciosa (Gmelin, 1789) (a), Patagioenascayennensiscayennensis (Bonnaterre, 1792) (c, 17472), Patagioenassubvinaceapurpureotincta (Ridgway, 1888) (c, 42446-47), Patagioenasplumbeawallacei (Chubb, 1917) (c, 52497), Columbinapasserinagriseola (Spix, 1825) (a, 27847-51), Columbinatalpacotitalpacoti (Temminck, 1811) (a), Leptotilaverreauxibrasiliensis (Bonaparte, 1856) (a), Leptotilarufaxilladubusi (Bonaparte, 1825) (d, 42448; 27843-45), Geotrygonmontanamontana (Linnaeus, 1758) (a). Psittacidae: Araararauna (Linnaeus, 1758) (a), Aramacaomacao (Linnaeus, 1758) (a), Arachloropterus (Gray, 1859) (a), Orthopsittaca manilata (Boddaert, 1783) (a), Aratingaleucophthalmacallogenys (Salvadori, 1891) (d), Aratingapertinaxchrysogenys (Massena & Souancé, 1854) (b), Pyrrhuramelanuramelanura11 (Spix, 1824) (e, 42454; 17457), Brotogerischrysopteratenuifrons (Friedmann, 1945) (b, 29985), Touitpurpuratusviridiceps12 Chapman, 1929 (d), Touithuetii (Temminck, 1830) (a), Pionitesmelanocephalusmelanocephalus (Linnaeus, 1758) (c), Pionopsittabarrabandibarrabandi (Kuhl, 1820) (e), Pionusmenstruusmenstruus (Linnaeus, 1766) (a), Pionusfuscusfuscus13

(Statius Muller, 1776) (a), Amazonaautumnalisdiadema (Spix, 1824) (a), Amazonafestivafestiva (Linnaeus, 1758) (a, 42460), Amazona amazonica14 (Linnaeus, 1766) (a), Amazonafarinosafarinosa (Boddaert, 1783) (a), Amazonakawalli15 Grantsau & Camargo, 1989 (a), Deroptyusaccipitrinusaccipitrinus (Linnaeus, 1758) (c). Cuculidae: Piayacayanacayana16 (Linnaeus, 1766) (c, 17535), Piayamelanogaster melanogaster (Vieillot, 1817) (a), Coccycuaminutaminuta (Vieillot, 1817) (a, 42461), Crotophagaani Linnaeus, 1758 (a), Crotophaga major Gmelin, 1788 (a), Taperanaevianaevia (Linnaeus, 1766) (a). Tytonidae: Tytoalbahellmayri Griscom & Greenway, 1937 (c). Strigidae: Megascopscholibacrucigerus (Spix, 1824) (a, 27841), Megascopswatsoniiusta (P.L. Sclater, 1859) (d, 52948; 42462), Lophostrix cristatacristata (Daudin, 1800) (a), Pulsatrixperspicillataperspicillata (Latham, 1790) (a), Glaucidiumbrasilianumucayale Chapman, 1929 (f), Strixhuhulahuhula Daudin, 1800 (a), Asiostygiusstygius (Wagler, 1832) (a). Nyctibiidae: Nyctibiusgrandisgrandis (J. F. Gmelin, 1789) (a), Nyctibiusaethereuslongicaudatus (Spix, 1825) (a), Nyctibiusgriseusgriseus (J. F. Gmelin, 1789) (a, 50525), Nyctibius leucopterus17 (Wied, 1821) (a, 50526-27; 46870), Nyctibiusbracteatus Gould, 1846 (a, 52954). Caprimulgidae: Lurocalissemitorquatus semitorquatus (J. F. Gmelin, 1789) (c, 52956; 30008-09), Nyctidromusalbicollisalbicollis (Gmelin, 1789) (a), Caprimulgusrufusrufus18

Boddaert, 1783 (a), Caprimulguscayennensiscayennensis Gmelin, 1789 (c), Caprimulgusnigrescens Cabanis, 1848 (a), Hydropsalis climacocercaschomburgki P.L. Sclater, 1866 (b). Trochilidae: Glaucishirsutushirsutus (Gmelin, 1788) (a), Phaethornismalarisinsolitus19

Zimmer, 1950 (b, 30363-65; 31655; 17272; 42466-67), Phaethornisbourcieribourcieri (Lesson, 1832) (c, 50529-30), Phaethornisruber nigricinctus Lawrence, 1858 (d, 50531), Campylopteruslargipennislargipennis (Boddaert, 1783) (c, 34087), Florisugamellivoramellivora (Linnaeus, 1758) (a, 50534-35), Anthracothoraxnigricollis21 (Vieillot, 1817) (a), Chrysolampismosquitus (Linnaeus, 1758) (a), Thalurania furcatanigrofasciata (Gould, 1861) (b, 17270-71; 42480; 45505; 43649), Hylocharissapphirina (Gmelin, 1788) (a, 50532), Hylocharis cyanusviridiventris Berlepsch, 1880 (a, 50533), Polytmustheresiaeleuchorous P.L. Sclater & Salvin, 1867 (e, 54458; 34092), Amazilia versicolormilleri (Bourcier, 1847) (a, 34095-96; 17275), Amaziliafimbriatafimbriata (Gmelin, 1788) (c, 42481; 27859), Heliodoxaaurescens (Gould, 1846) (a, 17277), Topazapyrapyra22 (Gould, 1846) (b), Heliothryxauritusauritus (Gmelin, 1788) (c, 34098), Heliomaster longirostrislongirostris (Audebert & Vieillot, 1801) (a). Trogonidae: Pharomachruspavoninuspavoninus (Spix, 1824) (a), Trogonmelanurus eumorphus Zimmer, 1948 (f, 30234; 33315; 43018; 42482-83), Trogonviridisviridis Linnaeus, 1766 (a), Trogonrufussulphureus Spix, 1824 (d, 43484), Trogoncurucuiperuvianus Swainson, 1937 (a), Trogonviolaceusramonianus Deville & Dês Murs, 1849 (d). Alcedinidae: Ceryletorquatustorquatus (Linnaeus, 1766) (a), Chloroceryleamazonaamazona (Latham, 1790) (a), Chloroceryleamericanaamericana (Gmelin, 1788) (a), Chloroceryleindainda (Linnaeus, 1766) (a), Chloroceryleaeneaaenea (Pallas, 1764) (a, 27865; 43025; 50536). Momotidae: Momotusmomotamicrostephanus Sclater, 1858 (e, 29955-6; 43651; 42491; 17548; 31667).Galbulidae: Galbulaalbirostris chalcocephala Deville, 1849 (e, 42492-93; 52974-78), Galbulagalbula (Linnaeus, 1766) (a, 43819-20), Galbulaleucogastra23 Vieillot, 1817 (a, 27854-55; 52985), Galbuladeabrunneiceps Todd, 1943 (a, 50537; 30035), Jacameropsaureusaureus (Statius Muller, 1776) (c). Bucconidae: Notharchusmacrorhynchushyperrhynchus Sclater, 1855 (a, 42495), Notharchusordii (Cassin, 1851) (a), Notharchustectus tectus (Boddaert, 1783) (a, 17546; 52988), Buccotamatiatamatia Gmelin, 1788 (c, 27856-58), Buccocapensis Linnaeus, 1766 (a, 29047; 42496), Malacoptilafusca24 (Gmelin, 1788) (c, 50538-40; 52995), Micromonachalanceolata25 (Deville, 1849) (f), Nonnula amaurocephala Chapman, 1921 (g), Monasanigrifronsnigrifons (Spix, 1824) (a, 43821), Monasamorphoeusperuana Sclater, 1855 (d, 17544-45), Chelidopteratenebrosatenebrosa (Pallas, 1782) (a). Capitonidae: Eubuccorichardsoninigriceps26 Chapman, 1928 (h). Ramphastidae: Pteroglossuscastanotiscastanotis Gould, 1834 (d, 42501), Pteroglossuspluricinctus Gould, 1835 (e), Pteroglossusazara azara27 (Vieillot, 1819) (g, 42507), Selenideranattereri (Gould, 1836) (b, 52998), Ramphastosvitellinusculminatus Gould, 1833 (c, 50544), Ramphastostucanuscuvieri Wagler, 1827 (d). Picidae: Picumnuslafresnayipusillus28 Pinto, 1936 (g), Colaptespunctigulaguttatus29

Spix, 1824 (d, 27868), Piculusflavigulamagnus (Cherrie & Reichenberger, 1921) (a, 42508; 43823; 43704), Piculuschrysochloros capistratus (Malherbe, 1861) (e, 50545; 41591), Celeuselegansjumanus (Spix, 1824) (a), Celeusgrammicusgrammicus (Natterer & Malherbe, 1845) (e, 17505; 42510), Celeusflavusperuvianus (Cory, 1919) (d), Celeustorquatusoccidentalis (Hargitt, 1889) (d), Dryocopus

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lineatuslineatus (Linnaeus, 1766) (a), Melanerpescruentatus (Boddaert, 1783) (a), Veniliornisaffinisorenocensis Berlepsch & Hartert, 1902 (b, 17501-02), Campephilusmelanoleucosmelanoleucus (Gmelin, 1788) (a), Campephilusrubricollisrubricollis (Boddaert, 1783) (c, 42512; 29063). Furnariidae/Furnariinae: Synallaxisrutilansconfinis Zimmer, 1935 (g), Cranioleucavulpinavulpina31 (Pelzeln, 1856) (a), Xenopsmilleri (Chapman, 1914) (a, 50577; 54946; 17746), Xenopsminutusremoratus Zimmer, 1935 (e, 50574-76; 45522; 53049), Berlepschiarikeri (Ridgway, 1886) (a, 53051-52), Hyloctistessubulatussubulatus (Spix, 1824) (a, 42573-74; 50578-79), Ancistropsstrigillatus strigillatus (Spix, 1825) (a, 42575-76), Philydorpyrrhodes (Cabanis, 1848) (a, 43170; 42577; 43783; 53040), Automolusinfuscatusbadius Zimmer, 1935 (b, 42587-89; 50580-81; 53043-44; 42520), Automolusochrolaemusturdinus (Pelzeln, 1859) (c, 53041-42), Automolus rubiginosusvenezuelanus Zimmer & Phelps, 1947 (b), Sclerurusrufigularisbrunescens32 Todd, 1948 (g, 50582-83; 53048; 30429; 31690), Scleruruscaudacutusbrunneus Sclater, 1857 (f, 42590-92). Furnariidae/Dendrocolaptinae: Dendrocinclafuliginosaneglecta33 Todd, 1948 (f, 50566-67; 42516; 43084), Dendrocinclamerulabartleti Chubb, 1919 (d, 42521-22; 50568-69), Deconychuralongicaudaconnectens Zimmer, 1929 (e), Deconychurastictolaemasecunda Hellmayr, 1904 (d, 50558-61; 43825), Glyphorynchusspirurusrufigularis Zimmer, 1934 (c, 53015-16; 50562-63), Sittasomusgriseicapillusamazonus Lafresnaye, 1850 (d, 28302-03; 30414), Nasicalongirostris (Vieillot, 1818) (a), Dendrexetastesrufiguladevillei (Lafresnaye, 1850) (f, 43099-10; 53020-21), Hylexestastesstresemannistresemani34 Snethlage, 1925 (g, 50548), Dendrocolaptescerthiaradiolatus35 Sclater & Salvin, 1868 (e, 42555; 49900; 43102; 50549), Dendrocolaptespicumnus validus36 (Tschudi, 1844) (d, 43105-06), Xiphocolaptespromeropirhynchusorenocensis Berlepsch & Hartert, 1902 (d), Xiphorhynchuspicus picus (Gmelin, 1788) (a, 53025; 53027; 43111; 42556-57), Xiphorhynchuskienerii37 (Des Murs, 1855) (i, 43828; 43116), Xiphorhynchus obsoletusnotatus Eyton, 1852 (e, 43120-21; 42558; 43128), Xiphorhynchusguttatoides38 (Lafresnaye, 1850) (d, 43139-41; 42570-71), Lepidocolaptesalbolineatusduidae Zimmer, 1934 (b). Thamnophilidae: Cymbilaimuslineatusintermedius (Hartert & Goodson, 1917) (a, 50584-85; 42593; 30044), Frederickenaunduligeraunduligera (Pelzeln, 1868) (b),Tarabamajorsemifasciata (Cabanis, 1872) (a), Sakesphorus canadensisloretoyacuensis Bartlett, 1882) (a, 28297; 28292-93; 43833-34), Thamnophilusnigrocinereuscinereoniger Pelzeln, 1868 (b, 43834-35), Thamnophilusaethiopspolionotus Pelzeln, 1868 (b, 50589; 5862), Thamnophilusschistaceusheterogynus (Hellmayr, 1907) (f, 42597-98; 42603; 43177; 43180), Thamnophilusmurinusmurinus Sclater & Salvin, 1868 (a, 30435; 17344-48; 53059; 43673), Thamnophilusamazonicuscinereiceps Pelzeln, 1868 (b, 53064-65; 28289-90; 49967-68), Megastictusmargaritatus (Sclater, 1855) (a, 53068-69), Pygiptilastellarisoccipitalis Zimmer, 1932 (b, 43225; 42610; 43186), Thamnomanesardesiacusobidensis (Snethlage, 1914) (c, 42611-13; 42636; 42633), Thamnomanescaesiusglaucus (Cabanis, 1847 (c, 50587-88; 53073), Herpsilochmusdorsimaculatus Pelzeln, 1868 (c, 53110, 53112), Myrmotherulabrachyurabrachyura (Hermann, 1783) (a, 50601; 53075-76), Myrmotherulaambigua Zimmer, 1932 (b, 53081), Myrmotherulamultostriata39 Sclater, 1858 (d), Myrmotherulacherriei Berlepsch & Hartert, 1902 (e, 50595-98), Myrmotherulaklagesi Todd, 1927 (i), Myrmotherulahaematonotapyrrhonota Sclater & Salvin, 1857 (c, 50599-00; 42644-45), Myrmotherula axillarisaxillaris41 (Vieillot, 1817) (a, 50593-94; 53086; 43839; 28285-86), Myrmotherulalongipennislongipennis Pelzeln, 1868 (c, 50592; 43840; 53096; 53094), Myrmotherulamenetriesiipallida Berlepsch & Hartert, 1902 (e, 53101; 43841; 53103), Myrmotherulaassimilis assimilis Pelzeln, 1868 (a, 43842; 43188-89; 50025), Terenuraspodioptilasignata Zimmer, 1932 (b), Formicivoragrisearufiventris42

Carriker, 1936 (b, 34162-63), Cercomacracinerascenscinerascens (Sclater, 1857) (b, 17356), Cercomacratyranninatyrannina43 (Sclater, 1855) (b, 52530-31; 52536; 50586; 43190), Myrmoboruslugubrisstictopterus Todd, 1927 (g, 43843-44), Myrmoborusmyotherinus ardesiacus44 Todd, 1927 (g, 50616; 50620; 50618; 42660; 42668; 17342), Dichrozonacinctacincta (Sclater & Salvin, 1880) (b), Hylophylax naeviusconsobrina Todd, 1913 (b, 50602-03; 43851; 42728; 42733), Hylophylaxpunctulatuspunctulatus (Des Murs, 1856) (a, 46023; 50008), Hylophylaxpoecilinotusduidae45 Chapman & Salvin, 1880 (b, 50611-13; 43183; 42738), Hypocnemiscantatorsaturata Carriker, 1930 (e, 17345; 53115; 30436), Hypocnemishypoxanthahypoxantha Sclater, 1869 (d, 42677-80; 50604; 50605-07), Hypocnemoides melanopogonoccidentalis Zimmer, 1932 (e, 50623; 43222), Sclaterianaeviaargentata (dês Murs, 1856) (d, 43226; 50013), Percnostola minorminor46 Pelzeln, 1868 (b, 43846-48; 45536-37; 53117), Schistocichlaleucostigmainfuscata47 (Todd, 1927) (e, 50590-91; 53119- 22; 42691), Myrmecizadisjuncta48 Friedmann, 1945 (b), Pithysalbifronsbrevibarba Chapman, 1928 (e, 50624-25; 42693-96; 30423- 26), Gymnopithysleucaspislaterallis Todd, 1927 (b, 50627-29; 42707-709), Rhegmatorhinacristata (Pelzeln, 1868) (b, 42724-25), Phlegopsiserythropteraerythroptera (Gould, 1855) (e, 42742-43; 50635-38). Formicariidae: Formicariusanaliszamorae Chapman, 1923 (h, 42744), Formicariuscolmacolma Boddaert, 1783 (c, 50641; 30430; 42746), Grallariavariacinereiceps Hellmayr, 1903 (b), Myrmothera campanisonadissors Zimmer, 1934 (b, 37523), Hylopezusmaculariusdiversus (Zimmer, 1934) (e, 42749-50). Conopophagidae: Conopophagaauritainexpectata Zimmer, 1931 (b, 42755; 42752; 45547). Tyrannidae/Tyranninae: Elaeniaruficeps49 Pelzeln, 1868 (a, 34284-65; 34281), Myiopagisgaimardiiguianensis (Berlepsch, 1907) (a), Myiopagisflavivertex (Sclater, 1887) (a), Myiopagiscaniceps cinerea (Pelzeln, 1868) (e, 50675-76; 53240; 17357; 17299), Phaeomyiasmurinawagae (Taczanowski, 1877) (a), Camptostomaobsoletum napaeum (Ridgway, 1888) (a, 43863), Tyrannuluselatus (Latham, 1790) (a), Ornithioninerme Hartlaub, 1853 (a), Zimmeriusgracilipes gracilipes(Sclater & Salvin, 1868) (e, 17306-07; 17312), Ineziasubflavasubflava,51 (Sclater & Salvin, 1873) (a, 28777; 28282), Mionectes oleagineuschloronotus (Lafresnaye & d’Orbigny, 1837) (a, 50677; 42889; 42882-3; 34299), Mionectesmacconnelliamazonus Tood, 1921 (a), Myiornisecaudatusecaudatus (d’Orbigny & Lafresnaye, 1837) (a), Hemitriccuszosteropszosterops52 (Pelzeln, 1868) (d), Hemitriccus minorpallens53 (Todd, 1925) (f), Todirostrummaculatumanectans J. T. Zimmer, 1940 (i), Todirostrumchrysocrotaphumguttatum Pelzeln, 1868 (d, 53195), Corythopistorquatussarayacuensis Chubb, 1818 (d, 50644-45; 42891; 42897; 45548), Platyrinchusplatyrhynchos

939Análise biogeográfica da avifauna da região oeste do baixo Rio Negro...

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platyrhynchos (Gmelin, 1788) (c, 53166-67; 30384), Platyrinchuscoronatuscoronatus Sclater, 1858 (a, 53168-69; 42873-75), Tolmomyias poliocephaluspoliocephalus (Taczanowski, 1884) (d, 53186-87; 17298; 17300; 42877), Tolmomyiasassimilisneglectus J. T. Zimmer, 1939 (b, 53180; 53176; 53178), Ramphotrigonruficauda (Spix, 1825) (a, 50659-60; 39185; 46146; 50114-15), Cnipodectessubbrunneus minor P. L. Sclater, 1884 (d, 50661-63; 42876; 50067-68), Onychorhynchuscoronatuscastenaui Deville, 1849 (d, 50105-06), Myiobius barbatusamazonicus Todd, 1925 (d, 53164-5; 50664-67), Terenotriccuserythrurusvenezuelensis J. t. zimmer, 1939 (b, 42856-57; 50668- 69; 28294; 53163; 30385; 45589), Lathrotriccuseuleribolivianus (J. A. Allen, 1889) (a, 53162; 42855; 43308), Cnemotriccusfuscatus duidae J. T. Zimmer, 1938 (b, 54459; 50073; 31730), Knipoleguspoecilocercus (Pelzeln, 1868) (a, 28269; 28270; 28273), Attilacitriniventris Sclater, 1859 (d, 48389), Attilacinnamomeus (Gmelin, 1789) (a, 42850), Attilaspadiceusspadiceus (Gmelin, 1789) (a), Rhytipterna simplexfrederici (Bangs & T. E. Penard, 1918) (a, 50567), Rhytipternaimmunda (Sclater & Salvin, 1873) (a, 34242; 32241), Myiarchus feroxferox (Gmelin, 1789) (a), Myiarchustuberculifertuberculifer (d’Orbigny & Lafresnaye, 1837) (a), Megarynchuspitanguapitanga (Linnaeus, 1766) (a, 30378; 50092, 39177), Pitangussulphuratussulphuratus (Linnaeus, 1766) (a), Philohydorlictorlictor (Lichtenstein, 1823) (a), Myiozetetescayanensiscayennensis (Linnaeus, 1766) (a, 17318; 53158), Myiozetetessimilissimilis (Spix, 1825) (a), Conopias trivirgatusberlepschi E. Snethlage, 1914 (a, 50098; 37526; 12152), Conopiasparvusparvus (Pelzeln, 1868) (c), Legatusleucophaius leucophaius (Vieillot, 1818) (a), Empidonomusvariusrufinnus (Spix, 1825) (a, 34236; 17330-34), Tyrannopsissulphurea (Spix, 1825) (a), Tyrannusmelancholicusmelancholicus Vieillot, 1819 (a, 17326; 30054; 28263; 30053; 30379), Pachyramphussurinamus (Linnaeus, 1766) (a), Pachyramphuspolychopterustristis (Kaup, 1852) (a), Pachyramphusmarginatusnanus Bangs & T. E. Penard, 1921 (a, 43234- 35), Pachyramphusrufusrufus (Boddaert, 1783) (a), Pachyramphuscastaneussaturatus Chapman, 1914 (d), Tityrainquisitoralbitorques Du Bus de Gisignies, 1847 (a), Tityracayanacayana (Linnaeus, 1766) (a, 30098-100; 28325). Tyrannidae/Piprinae: Schiffornisturdina amazona (P. L. Sclater, 1861) (a, 50646-50; 45557-58; 37031), Schiffornismajormajor54 Des Murs, 1856 (a, 43860; 43299), Tyranneutes stolzmanni (Hellmayr, 1906) (a, 53144; 50053), Neopelmachrysocephalum (Pelzeln, 1868) (c, 50658; 53151-52; 34228; 31725-6), Neopipocinnamomeacinnamomea (Lawrence, 1869) (a, 43694), Pipriteschloristschudii (Cabanis, 1874) (e, 53153), Heterocercusflavivertex Pelzeln, 1868 (c, 28326-7), Xenopipoatronitens Cabanis, 1847 (a), Chiroxiphiapareolaregina P. L. Sclater, 1856 (a, 43298; 50050; 42849), Lepidothrixcoronatacarbonata (Todd, 1925) (e, 50654-56; 42776-77; 42807), Dixiphiapiprapipra (Linnaeus, 1758) (c, 50651- 53; 53140), Pipraerythrocephalaerythrocephala55 (Linnaeus, 1758) (a, 42761; 42768; 42770; 45550), Piprafilicaudafilicauda Spix, 1825 (a, 42830-31; 43277-78; 43855-56). Tyrannidae/Cotinginae: Cotingacayana (Linnaeus, 1766) (a, 30086-88), Xipholenapunicea (Pallas, 1764) (a, 30112; 83; 402), Laniocerahypopyrra (Vieillot, 1817) (a, 43237), Lipaugusvociferans (Wied, 1820) (a, 45540; 43852; 42758; 30506), Gymnoderusfoetidus (Linnaeus, 1758) (a), Perissocephalustricolor (Statius Muller, 1776) (c), Phoenicircusnigricollis (Linnaeus, 1758) (c). Troglodytidae: Thryothoruscorayagriseipectus Sharpe, 1881 (e, 42899; 50682; 53245; 45565), Thryothorusleucotisalbipectus Cabanis, 1849 (a, 42900), Troglodytesmusculusalbicans Berlepsch & Taczanowski, 1883 (a, 54460; 23742; 31262), Cyphorhinusarada transfluviatilis Todd, 1932 (e, 42912-11; 42907; 42916-17; 30241; 30238), Microcerculusbamblaalbigularis56 (Sclater, 1858) (h, 53246- 48; 4556; 42901-05). Sylviidae: Microbatescollariscollaris (Pelzeln, 1868) (a, 50680-81; 53252-53), Ramphocaenusmelanurusduidae Zimmer, JT, 1937 (b, 53258-59), Polioptilaplumbeaplumbea (Gmelin, 1788) (a, 28323-24), Polioptilaguianensisfacilis Zimmer, 1942 (b, 50678-79; 53260). Turdidae: Turdusleucomelasephippialis Sclater, 1862 (a), Turdusalbicollisphaeopygys Cabanis, 1848 (c, 42922-25; 30375-77; 53250), Turdushauxwelli57 Lawrence, 1869 (d), Turdusfumigatusfumigatus Lichtenstein, 1823 (a, 28310; 43870). Vireonidae: Cyclarhisgujanensisgujanensis (Gmelin, 1789) (a), Vireolaniusleucotisleucotis (Swainson, 1838) (c), Vireoolivaceusolivaceus (Linnaeus, 1766) (a, 17566; 17573; 17567; 17569), Hylophilussemicinereusviridiceps (Todd, 1929) (c, 42929-30), Hylophilusthoracicusgriseiventris Berlepsch & Hartert, 1902 (a, 298), Hylophilushypoxanthushypoxanthus58 Pelzeln, 1868 (e, 50683; 33831; 47950), Hylophilusbrunneiceps59

Sclater, 1866 (b, 53284), Hylophilusochraceicepsferrugineifrons Sclater, 1862 (b, 53281-83-80-79. Emberezidae/Coerebinae: Coereba flaveolaminima (Bonaparte, 1854) (c, 28221-22; 34316-17). Emberezidae/Thraupinae: Dacniscayanacayana (Linnaeus, 1766) (a, 28320; 30362; 17443), Dacnisflaviventer d’Orbigny & Lafresnaye, 1837 (a, 42933; 17446), Cyanerpesnitidus (Hartlaub, 1847) (a), Cyanerpescaeruleusmicrorhyncha Berlespch, 1884 (d, 34319; 50686; 17438), Cyanerpescyaneusdispar Zimmer, 1942 (b), Chlorophanes spizacaerulescens Cassin, 1864 (d), Hemithraupisguiranigrigula (Boddaert, 1783) (a), Hemithraupisflavicollisaurigularis Cherrie, 1916 (b, 53264; 17401), Tangaracayanacayana (Linnaeus, 1766) (a, 27883), Tangarapunctatapunctata (Linnaeus, 1766) (a), Tangara mexicanaboliviana (Bonaparte, 1851) (d), Tangaraveliairidina (Hartlaub, 1841) (a, 30368-69), Tangarachilensiscoelicolor (Sclater, 1851) (b, 50687), Euphoniachloroticaamazonica Parkes, 1969 (f), Euphoniarufiventris (Vieillot, 1819) (a), Euphoniaplumbea Du Bus, 1855 (c), Euphoniachrysopastachrysopasta Sclater & Salvin, 1869 (d). Emberezidae/Catamblyrhynchinae: Thraupispalmarum melanoptera (Sclater, 1857) (a, 30084; 42935; 17388), Ramphoceluscarbocarbo (Pallas, 1764) (a, 27879-78; 30343-45), Ramphocelus nigrogularis (Spix, 1825) (a, 42937), Habiarubicaperuviana (Taczanowski, 1884) (a, 42939-41), Eucometispenicillatapenicillata (Spix, 1825) (a, 43872-3), Laniofulvusperuvianus Carriker, 1934 (h, 42945-44), Tachyphonusluctuosusluctuosus d’Orbigny & Lafresnaye, 1837 (a), Tachyphonuscristatuscristatellus Sclater, 1862 (c, 50684-85; 30075; 17390-93), Tachyphonussurinamusbrevipes Lafresnaye, 1846 (e, 17389), Tachyphonusphoenicius Swainson, 1838 (a, 54461; 34345), Schistochlamysmelanopisaterrima Todd, 1912 (b), Cissopis leverianusleverianus (Gmelin, 1788) (A). Emberezidae/Icterinae: Sturnellamilitarismilitaris (Linnaeus, 1758) (a), Lampropsartanagrinus tanagrinus (Spix, 1824) (a, 42931-32), Molothrusoryzivorusoryzivorus (Gmelin, 1788) (a), Icteruschrysocephalus (Linnaeus, 1766) (c,

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Revista Brasileira de Zoologia 24 (4): 919–940, dezembro 2007

17394, 18785), Cacicushaemorrhoushaemorhous (Linnaeus, 1766) (a), Cacicuscelacela (Linnaeus, 1758) (a, 28308-9), Psarocolius decumanusdecumanus (Pallas, 1769) (c). Emberezidae/Cardinalinae: Saltatorgrossusgrossus (Linnaeus, 1766) (a, 17404), Caryothraustes canadensiscanadensis (Linnaeus, 1766) (c, 50688; 30057), Saltatormaximusmaximus (Statius Muller, 1776) (a, 17402-03), Paroaria gularisgularis (Linnaeus, 1766) (a, 28313), Cyanocompsacyanoidesrothschildii (bartlett, 1890) (a, 17406; 30373; 43875). Emberezidae/ Emberezinae: Volatiniajacarinasplendens (Vieillot, 1817) (a, 34360; 17411), Dolospingusfringilloides (Pelzeln, 1870) (b), Sporophila americanaamericana (Gmelin, 1789) (a), Sporophilanigricollisnigricollis (Vieillot, 1823) (a), Sporophilacastaneiventris Cabanis, 1849 (a), Sporophilaangolensistorridus (Scopoli, 1769) (a, 17418; 17420; 17419), Arremontaciturnustaciturnus (Hermann, 1783) (a, 17424), Ammodramusaurifronsaurifrons (Spix, 1825) (a, 17332-37), Emberizoidesherbicolasphenurus61 (Vieillot, 1818) (i), Sicaliscolumbiana goeldii Berlepsch, 1906 (a).

Notas taxonômicas e biogeográficas 1 Taxonomia segundo DEL HOYO etal. (1992), 2 Taxonomia segundo DEL HOYO etal. (1992), 3 Taxonomia segundo DEL HOYO etal. (1994), 4 Taxonomia segundo DEL HOYO etal. (1994), 5 Taxonomia segundo DEL HOYO etal. (1994), 6 Taxonomia segundo DEL HOYO etal. (1994), 7 Taxonomia segundo DEL HOYO etal. (1994), 8 Taxonomia segundo DEL HOYO etal. (1994), 9 Aparentemente substituído no alto Rio Negro por O.g.medius (FRIEDMANN 1948), Taxonomia segundo HAFFER (1974), 11 Taxonomia segundo DEL HOYO etal. (1997), 12 Taxonomia segundo DEL HOYO etal. (1997), 13 Taxonomia segundo DEL HOYO etal. (1997), 14 Taxonomia segundo DEL HOYO etal. (1997), 15 Para distribuição e ecologia desta espécie ver MARTUSCELLI & YAMASHITA (1997), 16 Taxonomia segundo DEL HOYO etal. (1997), 17 Taxonomia segundo DEL HOYO etal. (1999), 18 Taxonomia e distribuição geográfica segundo ROBINS & PARKER (1997), 19 Taxonomia e distribuição geográfica segundo HINKELMANN (1996), Aparentemente substituído no alto Rio Negro por P.b.whitelyi (FRIEDMANN 1948), 21 Taxonomia segundo DEL HOYO etal.(1999), 22 Taxonomia e distribuição geográfica seguem HU etal. (2000), 23 Taxonomia e distribuição geográfica segundo DEL HOYO etal. (2002), 24 Taxonomia e distribuição geográfica segundo DEL HOYO etal. (2002), 25 Taxonomia e distribuição geográfica seguem DEL HOYO etal. (2002), 26 Taxonomia e distribuição geográfica seguem DEL HOYO etal. (2002), 27 Taxonomia e distribuição geográfica seguem DEL HOYO etal. (2002), 28 Taxonomia e distribuição geográfica seguem DEL HOYO etal. (2002), 29 Taxonomia e distribuição geográfica seguem DEL HOYO etal. (2002), Taxonomia e distribuição geográfica seguem DEL HOYO etal. (2002), 31 ZIMMER (1997) recomenda tratar alopecias sinônimo de vulpina tratamento adotado aqui, 32 Aparentemente substituído no alto Rio Negro por S.r.fulvigularis (FRIEDMANN 1948), 33 Aparentemente substituído no alto Rio Negro por D.f.phaeochroa (FRIEDMANN 1948), 34 Aparente- mente substituído no alto Rio Negro por H.s.insignis (FRIEDMANN 1948), 35 Distribuição geográfica segundo MARANTZ (1997), 36 distribui- ção geográfica segundo MARANTZ (1997), 37 Taxonomia proposta por ALEIXO & WHITNEY (2002), 38 Taxonomia proposta por ALEIXO (2002), 39 Taxonomia e distribuição geográfica propostas por ISLER etal. (1999), Distribuição geográfica propostas por ISLER etal. (1999), 41

Substituída por M.a.melaena no alto Rio Negro e setores ao norte do Rio Branco e região do Solimões (Tefé) (FRIEDMANN 1948, PINTO 1978), 42 Para distribuição geográfica desta subespécie consultar DEL HOYO etal. (2003), 43 Distribuição geográfica segundo BIERREGAARD et al. (1997), 44 A forma do alto Rio Negro e Roraima é elegans com o ventre mais clara. Material do Jaú e Maraã é de ardesiacus com ventre mais cinza (HAFFER & FITZPATRICK 1985), 45 Ver nota taxonômica em RIDGELY & TUDOR (1994), 46 Taxonomia e distribuição geográfica seguem CAPPARELLA etal. (1997), 47 Tratado por PINTO (1978) como Sclaterialeucostigmainfuscata, taxonomia segue RIDGELY & TUDOR (1994), 48 Para revisão da ecologia e distribuição geográfica da espécie consultar ZIMMER (1999), BORGES & ALMEIDA (2001) e NAKA etal. (2006), 49

Distribuição geográfica segundo DEL HOYO etal. (2004), Nomenclatura proposta por ZIMMER & WHITTAKER (2000), 51 Substituído por I.s. obscura no alto Rio Negro (ZIMMER & WHITTAKER 2000), 52 Taxonomia e distribuição geográfica segundo DEL HOYO etal. (2004), 53 Taxonomia e distribuição geográfica segundo DEL HOYO etal. (2004), 54 Aparentemente substituído no noroeste da Amazônia por S.m.duidae (FRIEDMANN 1948), 55 Aparentemente substituído por P.e.berlespshi no alto Rio Negro (FRIEDMANN 1948), 56 Aparentemente substituído por M.c.caurensis no alto Rio Negro (FRIEDMANN 1948), 57 Recomendações taxonômicas seguem RIDGELY & TUDOR (1994), 58 Para considera- ções taxonômicas consultar ZIMMER etal. (1997), HAFFER (1997) e RIDGELY & TUDOR (1994), 59 Taxonomia segue RIDGELY & TUDOR (1994), Aparentemente substituído por A.aurifronstenebrosus no alto Rio Negro (FRIEDMANN 1948), 61 Taxonomia segundo EISENMANN & SHORT (1982).

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