Apontamentos história da psicologia, Resumos de História da Psicologia. Universidade não é definido
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da170923 de Outubro de 2016

Apontamentos história da psicologia, Resumos de História da Psicologia. Universidade não é definido

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HISTÓRIA DA PSICOLOGIA

INTRODUÇÃO

A Psicologia estuda a pessoa, e para isso precisa de:

• Ontologia – uma concepção do que é a pessoa

• Epistemologia – uma concepção de como é possível e correto chegar a estudá-la e compreendê-la

• Metodologia – determinado numero de instrumentos para esse estudo

O contexto do surgimento da psicologia

• Antes do “nascimento” – a Grécia antiga

• O surgimento das ciências naturais

• O surgimento das ciências sociais

Grécia antiga

• Introdução da escrita na Grécia – cerca de 720 a.C.

• Fundação da Academia Platónica – cerca de 385 a.C.

• Fundação do Liceu Aristotélico - 334 a.C.

Heranças da Grécia antiga (para a Psicologia e não só)

Produziu-se um pensamento sobre a ontologia, a epistemologia e a metodologia.

As atividades de estudar, conhece e pensar já não dependem principalmente da memória, mas também da

crítica e da criatividade. O ensino é feito sobre um conjunto de textos que perduram no tempo, enquanto a

reflexão é feita em torno de um conjunto de temas/perguntas que perduram.

Temas/perguntas que perduram:

1. O que é o conhecimento? Como se conhece?

2. Porque nos enganamos ao tentar conhecer?

3. Como acertar?

Distinções relevantes do ponto de vista ontológico e epistemológico:

• Entre sujeito e objecto (Platão)

• Entre conhecimento e opinião (doxa)

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(principalmente para a Psicologia)

Vocabulário psicológico muito vasto, com atributos internos variados, bem como a ideia de que são estes

atributos que organizam o comportamento – Homero, tragédias gregas. Separação corpo-alma, corpo-

mente.

Nascimento das ciências naturais

Século XVII

Foi um período de revolução científica, entre a publicação da obra de Copérnico “De revolutionibus orbitum

coelestium”, em 1543 e o inicio do século XVIII, altura da publicação da obra de Newton “Opticks” (1703).

Francis Bacon (1561-1626) - acredita que a Natureza é regida por uma ordem que só é acessível pela

prática experimental, que fundamenta-se na:

 Indução – processo através do qual se parte do particular para o geral, ou seja, para a construção das

leis gerais, a partir da observação de relações particulares do tipo causa/efeito.

Descartes – a matéria mensurável é infinitamente divisível e o seu funcionamento reduz-se a questões de

física e de química, as quais só se podem compreender com a linguagem da matemática.

Em suma: o universo passa a ser visto como uma máquina que Deus projetou e que pode ser

desmontada peça a peça e lida com a linguagem da matemática. Além disso, o próprio organismo

das pessoas começa a ser visto como uma máquina, separada e diferente do espírito – aprofunda-

se separação mente-corpo.

A partir da revolução científica houve um grande prestigio das ciências naturais, que era superior ao de

outros conhecimentos.

1663 – dos estatutos da Royal Society.

Objetivos: “Aumentar o conhecimento das coisas naturais, e de todas as Artes úteis, Manufactura, práticas

Mecânicas, Máquinas e Invenções, pela via da experimentação, em que não entrem o Divino, a Metafísica,

a Política, a Gramática, a Retórica ou a Lógica”.

Início do Século XIX

O conhecimento divide-se em conhecimento tido como certo e prestigiado – ciência, e conhecimento

não científico, que incluía o que se referia ao mundo social.

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Porém…muitas mudanças sociais e crescimento dos Estados (sobretudo Grã-Bretanha e França). Havia

que racionalizar e organizar a mudança social. Era necessário primeiro estudá-la e entender as suas regras

para o Estado moderno possuir conhecimento sobre o qual basear as suas decisões.

O conhecimento relativo ao mundo social começa a tentar entrar no mundo da ciência

A universidade é revitalizada pela entrada das ciências sociais, enfraquecida desde o século XVI, por ligação

à igreja. Até aí, as ciências naturais eram muito ligadas a sociedades científicas, academias reais, etc.

Posteriormente, começa a ser o lugar para a criação do conhecimento e passa a atrair também as ciências

naturais. Abrem-se assim uma necessidade e uma legitimidade para o que se viria a chamar ciências sociais.

A institucionalização das ciências sociais

1. criação de cátedras e departamentos – para ensino e reprodução da disciplina

2. criação de revistas e associações científica – para publicação da investigação e vigilância da pertença

3. criação da catalogação das bibliotecas por áreas disciplinares

4. definição por parte de cada disciplina do que a definia – objetos e métodos de estudo.

Onde? Grã-Bretanha, França, Alemanha, Itália e EUA.

Quando? Por volta da 1ª Guerra Mundial.

Quais? História, economia, sociologia, ciência política e antropologia.

• História – a enfâse da neutralidade, na prova empírica pelos documentos

• Economia – necessária para aconselhar políticas e reformas estatais

• Sociologia – institucionalização nas universidades de associações para a reforma da sociedade. Comte –

impulso positivista – nomotético.

• Ciência política

• Antropologia. 1º - história universal dos povos, com estádios de desenvolvimento. 2º - trabalho de campo,

observação participante – ideografia.

E a psicologia? uma Ciência social ou uma Ciência natural?

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Escolas/Correntes/Movimentos

Estruturalismo. Tinha como principal objetivo explicar o comportamento a partir dos elementos mais

simples da mente e teve influência no fim do século XIX. Tentativa de ligar a psicologia à anatomia, onde a

mente seria a soma dos processos mentais. Wundt e Titchenner.

Behaviorismo. Interesse exclusivo pelo comportamento que pode ser observado e medido, com influência

na primeira metade do século XX. “Ramo experimental e puramente objetivo das ciências naturais”

(Watson). Comportamento visto como objeto da psicologia. Pavlov – comportamento é a resposta a

estimulo especifico.

Psicanálise. Identificar a estrutura da personalidade e o impacto de motivações inconscientes no

pensamento e ação, com influência no começo do século XX. Freud foi o grande fundador. O seu objeto de

estudo é o inconsciente, a procura das raízes do comportamento humano no seu inconsciente.

Psicologia da Gestalt. O todo é maior que a soma das partes – na percepção e atribuição de significado,

com influência entre os anos 30 e 50.

Abordagem cognitiva. Estudar o pensamento para descobrir processos mentais universais, com influência

depois dos anos 50-60.

Psicologia evolucionista. Examinar as funções adaptativas do comportamento e suas contribuições para

a sobrevivência da espécie, com influência depois de 1970 (Darwin e Mendler). “O homem é biologicamente

cultural”.

Construcionismo social. Examinar como é que as pessoas constroem significados e usam normas para

regular a interação social, com influência depois de 1980.

O estruturalismo - contexto

Meados do século XIX

Na Alemanha existe a revitalização das universidades (numerosas e antigas), bem como uma importância

dos professores na sociedade – conselheiros de Estado.

Wundt fez uma fusão de três tradições: tradição alemã (racionalista), tradição inglesa (empirista) e Darwin

e o método comparativo.

1. Criação de cátedras e departamentos – para ensino e reprodução da disciplina

2. Criação de revistas e associações científicas – para publicação da investigação e vigilância da pertença

3. Laboratórios

4. Criação de catalogação das bibliotecas por áreas disciplinares

5.Definição por parte de cada disciplina do que a definia – objetos e métodos de estudo

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Estados Unidos

Entre 1865 e 1914, cerca de 10.000 americanos estudaram nas universidades alemãs, havendo um grande

valor do mercado dos doutoramentos alemães nos EUA.

Há uma rápida fundação de laboratórios nas universidades americanas, baseados no modelo de Leipzig,

bem como uma valorização da tradição associacionista + método experimental – Titchner e de forma geral

A psicologia na América .Alunos, leitores e visitantes de Wundt: Titchner, Kulpe, Cattell, Malinowski, Freud.

A TRADIÇÃO ALEMÃ

Pioneiros

• Webber (1795-1878) e Fechner (1801-87) – limiar de discriminação dos estímulos

• Helmholtz (1821-94) – mostrou que a velocidade dos impulsos nervosos era mensurável. Foi graças a

Helmholtz que Wundt fez a transição da fisiologia para a psicologia (professor de Wundt).

Weber

O mais pequeno limiar diferencial de intensidade que o sujeito é capaz de detetar é diretamente proporcional

à intensidade do estímulo original. Por exemplo, o som provocado por um lápis que cai no chão pode ser

ouvido facilmente se houver silêncio, mas não será notado se o ruído envolvente for muito intenso.

Na lei de Weber, a relação entre limiar diferencial e intensidade original do estimulo varia com o tipo de

estimulo e, em menor grau, de pessoa para pessoa.

Limiar absoluto – intensidade a partir da qual estímulos são percebidos.

Limiar diferencial – ponto em que 2 estímulos diferentes originam 2 sensações

DDP – diferença pouco perceptível, entre dois pesos.

Fechner

Conseguiu mostrar que é possível estabelecer uma relação entre as sensações e os estímulos físicos

respetivos, designando essa disciplina como psicofísica. Apoiou-se na lei de Weber.

Estabeleceu a continuidade entre o corpo e a alma, mostrando que era possível medir a intensidade de uma

sensação subjetiva a partir da intensidade de um estímulo físico, objetivo.

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A sua intuição era relacionar o limiar diferencial, ou seja, da mais

pequena diferença percetível ao sujeito, com o diferencial do

estímulo. Existe uma relação logarítmica entre a sensação e o

estímulo, ou seja, uma série aritmética de intensidades mentais

corresponde a uma série geométrica de incrementos físicos.

Ebbinghaus (1850-1909)

Interessava-se pelo estudo de um processo superior como a memória, e para o qual concebeu experiências

imaginativas sem fazer apelo à introspeção.

Recorreu várias vezes a si próprio como sujeito experimental e procurou determinar as relações entre o

treino, por exemplo, a aprendizagem por repetição e retenção. Utilizava sílabas sem significado para evitar

qualquer interferência facilitadora do processo de aprendizagem. Ajudou a mostrar que o método

experimental pode ser usado em psicologia, independentemente da introspeção. Contribuiu para orientar a

psicologia para o estudo do comportamento.

Kulpe (1862-1913)

Estudava em Leipzig e foi assistente de Wundt, contudo fez parte de outra orientação alternativa a Leipzig.

Transfere-se para Wurzburg e, de acordo com os dados reunidos, grande parte da atividade mental não era

acessível à introspeção. Em tarefas experimentais tão rotineiras, não reportavam imagens que estivessem

na base das suas estimativas, mas apenas atitudes tais como hesitação.

A introspeção parecia deste modo mais limitada enquanto método de análise e tudo parecia indicar que os

processos mentais superiores não seriam acessíveis à consciência, ou seja, situavam-se abaixo do limiar

da consciência. Esta ideia contribuiu para sensibilizar a comunidade científica para os processos

inconscientes e para a redefinição do objeto e método da psicologia, ao pôr em evidência as limitações do

experimentalismo de Leipzig.

Titchener (1862-1927)

Inglês, estuda com Wundt, vai ensinar nos EUA, em Cornell. Desempenha um papel importante na

introdução da psicologia nos EUA. Exerceu uma influência importante pelo número de docentes que orientou

e pela obra que publicou. Escreveu a obra Psicologia Experimental que contribuiu para consolidar a prática

da psicologia experimental nos EUA. Via a psicologia como uma ciência pura, sem fins práticos, ao contrário

de Munsterberg.

Montou o seu próprio laboratório seguindo o modelo de Leipzig.

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Tanto Wundt como Titchener (escola do estruturalismo) distinguiam os 2 mundos da experiência – o mental

e o físico – e explicavam as relações entre eles através do paralelismo psicofísico. Quanto à metodologia, a

psicologia utilizava a instrospeção controlada e a experimentação. O sujeito fazendo análise introspetiva,

tinha de ser treinado por forma a evitar o enviesamento, e garantir, por outro logo, o controlo da atenção.

Munsterberg (1863-1916)

Foi convidado por James para o substituir na cátedra de Psicologia em Harvard, a partir de 1892. Era alemão

e teve dificuldades no final da sua carreira ao mostrar simpatia pela causa germânica na altura em que os

Estados Unidos se preparavam para entrar em guerra com a Alemanha.

No domínio da psicologia forense, foi o primeiro a sugerir a utilização de um detetor de mentiras, mediante

o controlo da pressão arterial; denunciou a falibilidade das testemunhas oculares e dos efeitos da

susceptibilidade nas testemunhas, jurados e juízes.

Wilhelm Wundt

Estuda medicina, interessando-se pela investigação experimental em fisiologia.

• 1874 – publica “Princípios da Psicologia Fisiológica

• 1875 – recebe uma cadeira de filosofia em Leipzig

• 1879 – fundou o primeiro laboratório de psicologia (experimental) na universidade onde trabalhava, sendo

a primeira iniciativa para marcar a emergência de uma nova disciplina

• 1897 – laboratório muda-se para edifício próprio (destruído na 2ª Guerra Mundial)

• 1881 – Funda revista “Estudos Filosóficos” – publica os resultados das investigações que irão ser efetuadas

no laboratório

• 1897 – publica Outlines of psychology

• 1900-1920 – vai publicando Volkerpsychologie

Projeto dos Princípios da Psicologia Fisiológica

• estudar a consciência

• investigar os processos que estão entre a experiência externa e a interna

• investigar as condições fisiológicas dos processos conscientes

• analisar/separar os conteúdos da consciência nos seus elementos mais simples

• colocar a psicologia na transição entre as ciências naturais e as do espírito

Método: Introspeção controlada e experimentação

A nova ciência da psicologia consistia essencialmente no estudo da consciência através do método da

introspeção: estudavam-se fenómenos como a sensação e a percepção, utilizando como sujeitos

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experimentais os próprios estudantes, treinados a reportarem a forma como reagiam a estímulos externos

tais como sons, luzes e pesos, chegando mesmo a auto observar-se também.

Outros estudos diziam respeito à atenção, afetividade (registo de pulso e respiração) e à percepção do

tempo. Procurava detetar sensações mais básicas, menos interpretadas. Os sujeitos eram expostos a

situações padronizadas e repetíveis, e eram-lhes pedidas respostas simples e quantificáveis

Boring (1929) e R. Watson (1978) classificam cerca de 100 experimentos publicados em Estudos Filosóficos

em 21 anos:

1. 17% - medição de tempos de reação

2. 10% - atenção (distinção campo e foco)

3. 10% - sentimentos (e.g. agrado-desagrado face a certos ritmos)

4. 10% - associação (de 1 palavra a outra palavra-estimulo)

3 áreas de contributo de Wundt

Introspeção e experimentação

Exemplo:

Quantas ideias é a mente capaz de conter ao mesmo tempo?

projetar várias letras num ecrã, por um tempo padronizado

sujeitos sem treino: recordam 4

sujeitos com treino: recordam 6

hoje perguntaríamos qual é a capacidade da MCP.

Permitiu relevar aspetos importantes e até então insuspeitos na vida mental dos sujeitos humanos.

Teoria das emoções – 3 dimensões

Wundt verificou, utilizando-se a si próprio como observador, que haveria pelo menos 3 grandes dimensões

independentes que permitem caracterizar as sensações provocadas pelos diferentes tipos de ritmo:

• dimensão agradável-desagradável

• dimensão tensão-distensão

• dimensão calma-excitação

Qualquer sensação consciente poderia ser localizada neste espaço a três dimensões, dando origem a um

pequeno passo para uma teoria cognitiva da emoção.

Volkerpsychologie

Chamada de segunda psicologia, a Psicologia dos Povos, um dos primeiros tratados de psicologia social e

que Wundt concebia como uma disciplina próxima da história e da antropologia, e na qual não seriam

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aplicáveis os métodos experimentais. Esta obra de Wundt insere-se numa outra tradição da cultura alemã,

em que assume especial relevo a comunidade, o povo, no interior do qual se processam a formação e a

educação do indivíduo. Estudo dos produtos da vida colectiva – linguagem, mito, costume. Esta psicologia

devia ocupar-se das relações entre o individuo e a comunidade, uma vez que estudar apenas o individuo e

esquecer-se da sua natureza social seria necessariamente incompleto.

Termos de Wundt: estudo das comunidades mentais.

Balanço

No livro Princípios, Wundt pretende estabelecer uma ciência de transição – uma psicologia fisiológica.

Mas o projeto geral de Wundt concebe a psicologia como mais do que fisiologia psicológica.

No livro de 1897 – Outlines of Psychology – faz distinção com clareza entre 2 campos da Psicologia:

processos psicológicos mais simples do individuo e processos de valor e significado elaborados nas

interações entre os indivíduos, mas só para os primeiros a experimentação era útil.

Em relação ao método introspetivo, houve desacordo entre investigadores sobre os elementos básicos da

experiência consciente, sendo um projeto restrito e dualista.

Principal legado para a psicologia

• Profunda influência e durabilidade da vertente experimental das suas propostas

• Mas a sua Psicologia dos Povos inaugurou preocupações que hoje existem na psicologia cultural e

comunitária, e reflete bem a tensão entre a psicologia como ciência natural ou como ciência social.

A TRADIÇÃO INGLESA

Percursores

J. B. Lamarck (1744-1829)

Lamarck foi um botânico francês que desenvolvera um método para identificar plantas e reconheceu a

influência do meio ambiente no desenvolvimento vegetal. Posteriormente, interessou-se por zoologia e foi

nesse âmbito que formulou a sua teoria da evolução, que se apoiava em 4 leis: a primeira dizia respeito à

tendência natural para o aumento das complexidades orgânicas; a segunda, à forma como novos órgãos se

criam por influência indireta do meio; a terceira consistia no princípio do uso, segundo o qual as mudanças

nos órgãos resultam da aquisição de novos hábitos ou no seu desaparecimento quando deixam de ser úteis;

a última lei dizia respeito à transmissão dos caractéres adquiridos. Foi a primeira formulação da ideia de que

os seres vivos não estavam imutáveis desde o princípio da criação.

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Malthus (1798)

Influenciou em parte Darwin com a sua publicação Ensaio sobre os princípios da população. Foi aí que

colheu a ideia de luta pela sobrevivência – as variações favoráveis tenderiam a ser preservadas e as

desfavoráveis a ser destruídas.

A tradição inglesa – Charles Darwin

Foi um naturalista britânico que alcançou fama ao convencer a comunidade científica da ocorrência da

evolução. A sua teoria tornou-se o paradigma central para explicação de diversos fenómenos na Biologia.

Entre 1831 e 1836, fez uma expedição científica à volta do mundo no navio Beagle, onde teve oportunidade

de observar uma grande diversidade de espécies, interrogando-se quanto às razões pelas quais elas se

acham tão adaptadas às condições do seu meio ambiente. Notou que em cada geração de uma determinada

espécie alguns indivíduos sobreviviam enquanto outros morriam antes de se poderem reproduzir. A resposta

encontrada corresponde ao princípio da seleção natural. Em 1838, desenvolveu a teoria da Seleção Natural.

Em 1859 publica A Origem das Espécies, no entanto não tencionava publicá-la tão cedo devido às severas

punições de outros, mas viu-se forçado a tal, uma vez que Russel Wallace tinha desenvolvido uma ideia

similar à sua. Esta obra esgotou-se logo no primeiro dia de publicação e ilustra as suas precauções

científicas, bem como o seu cuidado em examinar exaustivamente os dados de que disponha.

Existem 3 conceitos base que caracterizam a sua teoria da evolução: a variação, a luta pela existência –

resultante de os filhos serem em número superior aos que podem sobreviver – e a seleção natural.

Em 1871 publica A descendência do Homem, no qual sustentava que este descendia de um antepassado

semelhante a um macaco.

De acordo com a sua tese, os comportamentos humanos e animal são em muitos aspetos semelhantes,

dado que o homem é igualmente um produto da evolução, sendo A Expressão da Emoção no Homem e nos

Animais a sua principal obra neste domínio, publicada em 1872.

O método utilizado por Darwin é empírico, sem ser experimental. Estudou a emoção humana e fez

descrições minuciosas da expressão facial, tensão corporal, postura e movimentos característicos durante

uma reação emotiva. Sob este aspeto é igualmente percursor da análise do comportamento não-verbal.

Influências de Darwin na Psicologia

A obra de Darwin influenciou profundamente a psicologia sob vários aspetos.

1. Demonstrou a continuidade do funcionamento mental entre animais e humanos.

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2. Mudança do seu objeto de estudo para as funções, em vez dos conteúdos da consciência. A questão

“que funções serve a consciência” (Miller, 1962) parecia muito mais fundamental que a questão de saber

que elementos estão contidos na consciência.

3. Uma outra consequência aplicada à sociedade humana foi o darwinismo social (que, todavia, foi mais

desenvolvido por Spencer)

4. Ênfase colocada à descrição e medida das diferenças individuais. A variação é, com efeito, um aspecto

essencial na teoria da evolução.

5. Foco na psicologia animal, como base para a psicologia comparativa.

Bain (1818-1903)

Não teria sido um associacionista puro, na medida em que admitia formas inatas de organização e que nem

todos os estados mentais eram produto da estimulação sensorial. O aspecto que mais o distinguia era o

método, mais inspirado na história natural do que na tradição filosófica da introspeção. Preferia observar as

pessoas nas situações correntes em vez de se analisar a si próprio. Esta orientação naturalista e empirista

constituiu a marca específica da influência britânica no desenvolvimento da psicologia científica.

Bain interessou-se por diversos aspetos relacionados com a psicologia (e.g, hábito, memória e retenção,

cérebro e sistema nervoso) e pode ser considerado como o primeiro psicólogo fisiologista moderno.

A descrição que faz dos processos de aprendizagem antecipa claramente o behaviorismo norte-americano.

É Bain quem utiliza primeiramente a expressão de aprendizagem por tentativa e erro.

Spencer (1820-1903)

Transpõe o lamarckismo para a psicologia, em Princípios da Psicologia (1855). A novidade é o

associacionismo evolutivo e está na origem da psicologia do futuro, pelo relevo que atribui ao

comportamento como adaptação ao meio ambiente.

Galton (1822-1911)

Foi o pai da psicologia diferencial e da psicometria. A sua contribuição para a psicologia diferencial derivou

da sua convicção de que todas as características humanas podiam ser descritas quantitativamente.

Foi o primeiro cientista a formular o dilema natureza-cultura, ou seja, as contribuições relativas da

hereditariedade e do meio para as diferenças individuais e de grupo nos traços, capacidades e talentos

humanos. Foi igualmente o primeiro a aperceber-se da importância metodológica dos gémeos verdadeiros

(monozigóticos) e fraternos (dizigóticos) para estimar os efeitos relativos dos fatores genéticos e ambientais

na variação humana. Pretendeu mostrar que a influência do meio era insuficiente para explicar a frequência

com que o génio ocorria em determinadas famílias.

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Galton interessou-se pelo desenvolvimento de um conjunto de indicadores psicológicos possibilitando a

avaliação rápida e exata de milhares de sujeitos e criou muitos instrumentos que viriam a ser usados mais

tarde em psicometria. Em 1884, instalou um laboratório antropométrico, onde media os indivíduos numa

série de dimensões psicológicas e físicas.

Descobriu que duas variáveis podem estar relacionadas entre si, sendo possível exprimir esse grau de

associação através do coeficiente de correlação.

Pearson (1857-1936)

As suas contribuições para a estatística fazem parte da parafernália dos métodos de investigação, que

incluem as distribuições de frequências, medidas de assimetria e curtose, desvio padrão, o teste de Qhi

quadrado, coeficiente de contingência, coeficiente de correlação e análise em componentes principais,

predecessora da análise fatorial que será posteriormente desenvolvida por Spearman.

_____________________________________________________________________________________

CONCLUSÃO - Contribuições britânicas para o estudo da psicologia no Século XIX: estamos perante uma

tradição muito diferente da que encontramos no laboratório fundado por Wundt. Há certamente antecedentes

culturais e mesmo políticos e sociais que poderão explicar as características específicas de cada uma das

tradições. Verifica-se uma orientação marcadamente empirista e naturalista dos investigadores britânicos:

preocupação com o concreto, maior atenção ao terreno de preferência ao laboratório. Duas grandes frentes

se abrem: por um lado, a orientação da psicologia para o comportamento animal ou humano, entendido na

sua função adaptativa ao meio envolvente; por outro lado, a própria variação individual.

A TRADIÇÃO AMERICANA

A psicologia teve as suas origens na Europa, mas é sobretudo nos Estados Unidos da América que se

assiste à sua expansão e desenvolvimento. Na viragem do século XIX para o século XX, a América está em

pleno desenvolvimento, que igualmente se reflete na proliferação de universidades e consequente oferta de

oportunidades para os jovens cientistas.

Os primeiros psicólogos fazem a sua formação na Europa.

Stanley Hall

Um dos pais fundadores da psicologia americana, frequentou também o laboratório de Leipzig. Regressado

à América, dedicou-se ao ensino e à investigação. Cria o primeiro laboratório formal na Universidade de

John Hopkins, em 1883. Deve-se igualmente a Stanley a criação da Associação Americana de Psicologia

(APA), em 1892, que contribuiu para a profissionalização da atividade disciplinar.

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William James (1842-1910)

• 1869 - Formou-se em Medicina, em Harvard.

• 1875 – cria um pequeno laboratório de psicologia, também em Harvard, e ensina um curso sobre “relações

entre psicologia e fisiologia”.

• 1890 – publica Principles of Psychology

A partir daí, dedica-se à filosofia (durante 20 anos), sendo um dos fundadores do pragmatismo americano.

Ao pragmatismo associa-se a ideia de que a verdade é aquilo que funciona, que conduz, que proporciona

satisfação ou que tem êxito.

Nos Princípios, o pragmatismo exprime-se em termos de funcionalismo. A Psicologia é definida por James

como a ciência da vida mental. A principal tarefa da psicologia é descrever as condições dos estados mentais

da forma mais completa possível, e o método a utilizar é a introspeção, na aceção corrente e não da forma

controlada preconizada por Wundt. James adere sobretudo à tradição naturalista inglesa, prolongando

Darwin e Spencer, o que o leva a dar maior importância aos processos do que aos conteúdos da consciência.

Sob esse aspeto, James exerce uma ação importante no atenuar da influência de Wundt na psicologia norte-

americana. O acento nos processos significava antes de mais que a consciência devia ser considerada pelo

seu valor adaptativo e instrumental.

3 contribuições de James

Corrente da Consciência

1. O pensamento faz parte da consciência pessoal – é não apenas um pensamento mas o MEU pensamento;

2. O pensamento está sempre a mudar;

3. É contínuo;

4. Refere-se a objetos independentes de si próprio;

5. É seletivo e tem interesses.

Criticava a ideia de que seria possível reduzir a experiência a elementos mais simples, imagens e sensações

distintas, que poderiam ser introspectivamente examinadas uma a uma. Pelo contrário, a consciência é sim

um fluxo dinâmico, no qual cada momento do passado está também a atuar no presente. A função da

consciência é selecionar da experiência aquilo que interessa num determinado momento, garantindo a

sobrevivência através da adaptação do meio envolvente. Esta adaptação não é passiva.

Teoria das emoções

É aquilo que cria mais impacto na psicologia norte-americana. Conhecida como a teoria Lange-James das

emoções. Defende que a resposta motora precede a emoção: “vejo o urso, fujo e por isso tenho medo”. As

causas gerais das emoções são consideradas como processos internos, fisiológicos, dando importância ao

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sistema nervoso central. Implica uma relação entre estados mentais (fenómenos primários) e orgânicos

(fenómenos secundários) – “Nenhuma modificação mental ocorre sem ser acompanhada por uma mudança

corporal”. Conduz ao epifenomenalismo, o qual diz que a ligação entre o corpo e a mente é feita apenas

num sentido, do corpo para a mente, de forma a que os estados mentais são sempre efeitos e não causas

dos estados cerebrais.

Há 3 factores numa experiência emocional:

1. Percepção de um objeto ou facto pelo sujeito;

2. Expressão corporal;

3. Estado mental ou emoção.

Psicologia do EU

Distinção I (o self que conhece) – Me (self experienciado), bem como a distinção do Self real do self ideal.

Mudança de foco: da consciência para o self, que para James, é apenas o nome de uma posição no mundo.

Contribuições do funcionalismo a conceber a psicologia como o estudo da forma como os organismos se

adaptam tem consequências profundas: é possível estudar animais e crianças; espaço para a psicologia

animal e psicologia do desenvolvimento.

A TRADIÇÃO FRANCESA E A PSICANÁLISE

Surgimento de tradições metodológicas na psicologia

• Com a tradição alemã – Wundt – laboratório e método comparativo

• Com a tradição inglesa – e.g. Galton – o estudo dos agregados e grupos e a psicologia diferencial

• Com a tradição francesa e sobretudo com a psicodinâmica – Freud – o estudo de caso aprofundado

Mas antes disso...

A Revolução francesa

As reformas que Pinel introduziu em 1793, em plena Revolução, colocaram a França na vanguarda da

psiquiatria. Ao ser nomeado diretor do Hospital de Bicêtre, Pinel mandou retirar as cadeias que acorrentavam

os loucos, dando-lhes liberdade, alimentação conveniente e ocupando-os com trabalhos leves, o que se

revelou eficaz na melhoria dos doentes. Pinel foi igualmente pioneiro no estudo dos doentes internados.

Dois anos depois, em 1795, era transferido para a Salpêtrière e aí continuou o programa de reformas que

iriam transformar a psiquiatria e abole as correntes.

• 1801 – livros referem potencial terapêutico do manicómio, embora vagos quanto à forma como se

organizaria a instituição para se tornar terapêutica.

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• 1817 – Esquirol – põe em prática as reformas de Pinel – ideia de comunidade terapêutica – médicos e

doentes como membros de uma comunidade curadora. Acreditava nos efeitos positivos do isolamento na

instituição, separando os doentes da família e amigos para controlar as “paixões” que os dominavam.

Século XIX

1. Início

Separavam-se as doenças em:

• Doenças mentais;

• Perturbações nervosas – não pertenciam ao âmbito da psiquiatria mas sim à medicina familiar ou à

neurologia.

Surgem os médicos dos nervos da alta sociedade, que cuidam das doenças daquela população que

desejava manter-se bem longe da “loucura”.

Alguns hospícios funcionavam de maneira aceitável – “sistema do trato moral” + melhores cuidados de

saúde, distrações, exercícios, melhores cuidadores e menos restrições físicas.

2. Porém, em meados do século

Aumento exponencial das taxas de internamento:

• Sífilis;

• Alcoolismo;

• Esquizofrenia;

• Menor tolerância das família.

Exemplos:

Alemanha:

• 1852 – 1 internado/5300 habitantes; 1911 – 1/500.

EUA, França e Inglaterra – média de internamentos:

• 1820 – 31; 1870 – 182

3. Fim do século

“O manicómio terapêutico foi esmagado pelos números. Chegados a 1900 já toda a esperança de alcançar

os ideais dos primeiros reformistas se tinha desfeito com a inundação de internados lançados aos portões.

A psiquiatria tinha chegado a um beco sem saída”.

Abrem-se 2 novas vias: a psiquiatria biológica; a investigação psicológica clinica.

Na Alemanha há um maior investimento no aperfeiçoamento do diagnóstico – Kraeplin.

Na frança, cujo governo havia decretado que a investigação em psiquiatria se situaria nos manicómios e

não nas universidades, há um investimento na hipnose e nos estudos sobre a histeria.

16

Sigmund Freud (1856-1939)

É a ele que se deve a criação da psicanálise. Nasceu na República Checa, mas a família judia transferiu-se

para Viena quando ele tinha 4 anos. Freud viveu lá quase toda a sua vida, exilando-se em Londres, para

fugir aos Nazis, em 1938.

Era excelente aluno, mas por ser judeu, só poderia escolher Direito ou Medicina, acabando por escolher

Medicina, licenciando-se em 1881, em Viena, especializando-se em neurologia. Conhece Martha Bernays e

abandona o laboratório para começar a trabalhar no Hospital Geral de Viena.

Em 1885, Freud recebe uma bolsa que lhe permitiu deslocar-se até França, e aí teve oportunidade de seguir

durante 4 meses as lições de Charcot na Saltpêtrière que estudava a histeria.

De volta ao Hospital Geral de Viena, passa a atender jovens mulheres judias que sofriam de um conjunto

de sintomas aparentemente neurológicos que compreendiam: paralisia, cegueira parcial, alucinações, perda

de controlo motor e que não podiam ser diagnosticados com exames. O tratamento mais eficaz era a

massagem, terapia de repouso e hipnose.

Em 1886 casa-se com Martha.

Em Viena, a prática do hipnotismo para tratamento de neuroses é também seguida por Breuer, com quem

Freud trava amizade e se associa. Era seu colega mais velho da faculdade de medicina. Em 1895 publicam

ambos a obra Estudos sobre Histeria. Das discussões de casos clínicos com Breuer surgem as ideias que

culminam com a publicação dos primeiros artigos sobre histeria e psicanálise.

• 1900 – início formal da psicanálise – publica a Interpretação dos Sonhos, que resulta da sua auto-análise,

com base nos sonhos;

• 1901 – Psicopatologia da vida quotidiana;

• 1905 – Três Ensaios sobre a Teoria da Sexualidade, considerada fundamental para a compreensão do

seu pensamento;

• 1908 – 1º Congresso Internacional de Psicanálise – cerca de 40 participantes;

• Em 1909, a convite de Stanley Hall, participou nas comemorações do vigésimo aniversário da Universidade

de Clark e recebeu o grau de doutor honoris causa.

• Troca de cartas com Einstein sobre a guerra;

• 1938 – Anschluss – anexão da Áustria; foge para Londres.

O pináculo da fama de Freud ocorreu nos últimos vinte anos da sua vida, entre 1919 e 1939, período durante

o qual publica numerosas obras.

É Freud quem mostra, pela primeira vez, que todo o comportamento é significativo, incluindo atos falhados,

esquecimentos e outros congéneres, e antes de mais, os sonhos. É com Freud que aprendemos a procurar

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o significado por detrás das condutas, que hoje designaríamos de estratégicas. A estratégia consiste na

autoproteção, numa defesa que leva os sujeitos a evitarem recordar episódios desagradáveis ou

particularmente dolorosos – utilização de mecanismos de defesa (*). Na terapia, o objetivo é descobrir as

causas subjacentes aos sintomas, que normalmente apontavam para o domínio sexual. A hipótese da

sedução defendia que na origem de uma perturbação histérica haveria um episódio traumatizante, a

tentativa de sedução levada a efeito por um familiar adulto. No entanto, Freud dá-se conta de que tais

situações deveriam ser consideradas como fantasias elaboradas pelos doentes, que traduziriam um desejo

reprimido. A passagem da teoria da sedução à teoria da fantasia vinha assim traduzir-se numa nova

radicalização epistemológica.

Modelo Psicanalítico / Psicodinâmico

- Inicialmente formulado por Sigmund Freud (1856-1939).

- Personalidade moldada por três forças psicológicas (Id, Ego, Superego)

- Psicopatologia é causada por certos mecanismos que tentam defender o indivíduo contra a ansiedade e a

depressão (por exemplo, mecanismos de defesa (*) menos adaptativos/ mais imaturos)

Princípios fundamentais

• Motivações e os processos inconscientes

• Comportamento como uma manifestação do conflito dinâmico

• Importância do desenvolvimento precoce (infância)

• Estádios de desenvolvimento psicossexual da infância e adolescência

• Relação com as figuras parentais do desenvolvimento precoce (Complexo de Édipo)

• Relações de objeto como base para as relações interpessoais em adulto

• Transferência e Contra-transferência

(*) Mecanismos de defesa

Negação - Negação do reconhecimento de alguns aspetos dolorosos da realidade externa ou das

experiências subjetivas que são manifestas para os outros. Mecanismo primário que implica distorção da

realidade com substituição por fantasias.

Projeção - atribui incorretamente aos outros, sentimentos, impulsos ou pensamentos próprios que para ele

são inaceitáveis. Muito associada a personalidades paranoides

Regressão - regressão a padrões de comportamento de desenvolvimento anterior ou infantis perante

situações de stress

Identificação - mecanismo pelo qual alguns dos traços ou atributos de outros são tomados como do próprio.

Repressão - expulsão da consciência de desejos, pensamentos ou experiências que lhe causam mau estar

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Supressão - evitamento intencional em pensar em problemas, desejos, sentimentos ou experiências que lhe

provocam mau estar

Formação reativa - substituição dos comportamentos, pensamentos ou sentimentos que são inaceitáveis

por outros diametralmente opostos (muito em associação com a repressão)

Isolamento afetivo - separação das ideias do sentimento a elas originalmente associado. Afastamento da

componente afetiva apesar de manter os elementos cognitivos

Intelectualização / Racionalização - generalização ou utilização de pensamentos abstratos para controlar ou

minimizar sentimentos; invenção das próprias explicações para encobrir as verdadeiras motivações

Deslocamento - reconhecimento ou generalização de um sentimento ou uma resposta a um objeto para

outro (menos importante)

Sublimação - canalização de sentimentos ou impulsos potencialmente desadaptativos em comportamentos

socialmente aceitáveis

Humor - enfatização dos aspetos divertidos ou irónicos dos conflitos ou situações de stress

3 áreas de intervenção/reflexão

1. Como somos/como nos desenvolvemos (proposta ontológica): fases de desenvolvimento,

instâncias da personalidade, Complexo de Édipo, repressão, inconsciente.

Freud desenvolveu o modelo teórico da mente, na qual a psique era dividida em três sistemas: o id, o ego e

o super ego.

Para além disso, temos a distinção entre as teorias do desenvolvimento, explicando como a personalidade

do indivíduo se constrói através da forma como resolve ou não os diversos conflitos psicossexuais desde o

nascimento até á idade adulta; e as teorias dinâmicas, que procuram explicar os processos que têm lugar,

ou podem ter lugar, em períodos de vida mais curtos, no interior de um mesmo estádio de desenvolvimento,

e em que assumem particular relevância os mecanismos de defesa. Os processos inconscientes são mais

centrais nas teorias dinâmicas.

Id, Ego e Super Ego

O conflito vivido pelo sujeito é o que se opõe a sua natureza biológica à sociedade, isto é, o id ao superego,

efetuando-se a mediação através do ego.

Id: corresponde à fonte de energia dos sistemas, às pulsões básicas, aos instintos, às recordações, etc.

“Está repleto de energias que lhe chegam dos instintos, porém não possui organização, não expressa uma

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vontade coletiva, mas somente uma luta pela consecução da satisfação das necessidades instituais, sujeita

à observância do principio do prazer (...) O Id não conhece o bem, o mal, nem a moralidade”.

Ego: traduz a presença do id e a pressão que exerce para se realizar. “Este assumiu na função de

representar o mundo interno perante o Id (...) ao cumprir com esta missão, o Ego deve observar o mundo

externo, deve estabelecer um quadro preciso do mesmo nos traços de memória das suas perceções. (...) o

Ego destronou o princípio do prazer, que domina os cursos dos eventos no Id, sem qualquer restrição, e

substitui-o pelo princípio da realidade, que promete maior certeza e mais êxito”.

“A relação do Ego para com o Id poderia ser comparada à do cavaleiro para com o seu cavalo. O cavalo

provê a energia de locomoção, enquanto o cavaleiro tem o privilégio de decidir o objetivo e de guiar o

movimento do poderoso animal”. (idem, pg. 98)

Não é para admirar se o Ego tantas vezes falha na sua tarefa. Os seus três tirânicos senhores são o mundo

externo, o Superego e o Id. (idem, pg. 99)

Super Ego: representa o conjunto de normas sociais que limitam a realização das pulsões do id. As crianças

de tenra idade são amorais e não possuem inibições internas contra os seus impulsos que buscam o prazer.

O papel que mais tarde é desempenhado pelo super ego é desempenhado, no início, por um poder externo,

a autoridade dos pais (...) Quando a coerção externa é internalizada, assume o lugar da instância parental

e observa, dirige e ameaça o Ego exatamente da mesma forma como dantes os pais faziam com a criança.

Temos assim dois grandes princípios da vida mental: o princípio do prazer e o princípio da realidade.

Teoria Psicossexual

A partir destes conceitos, Freud constrói uma teoria da personalidade baseada nos estádios psicossexuais.

O desenvolvimento da personalidade é determinado pelos avatares da pulsão sexual através de 4 estádios

universais: oral, anal, fálico e genital. Considerava que os 3 primeiros estádios, os estádios pré genitais,

eram cruciais para a formação do carácter do adulto (até aos 5 anos), e cada um deles é caracterizado por

uma zona erógena primária, uma área do corpo em que a libido temporariamente se fixa. O que ocorre ao

indivíduo durante esses estádios determina, em grande medida, a estrutura da sua personalidade. Um

excesso de gratificação ou de privação durante uma determinada fase pode resultar numa fixação nessa

fase.

 Estádio oral: a zona erógena é a boca (primeira fonte de prazer, através de atividades como a sucção,

a ingestão ou o morder).

 Estádio anal: a zona erógena é o ânus (prazer retirado da retenção ou expulsão das fezes).

 Estádio fálico: a zona erógena são os órgãos genitais (prazer através da masturbação).

 Estádio genital: orientação para o outro e busca de gratificação mútua.

20

Freud situa o Complexo de Édipo no estado fálico, no qual a criança deseja inconscientemente o progenitor

do sexo oposto e simultaneamente a morte do progenitor do mesmo sexo. Os rapazes procuram

inconscientemente seduzir as mães e afastar os pais da competição, e nas raparigas designa-se Complexo

de Electra. Este desejos incestuosos provocam um conflito intenso e receio de retaliação, que,no caso dos

rapazes, pode dar origem ao medo da castração. A ansiedade leva à repressão dos desejos incestuosos e

à identificação com o pai através da interiorização dos seus valores, ou seja, à formação do superego. A

resolução do complexo de Édipo-Electra é vital para o futuro ajustamento psicológico. Da não resolução

podem resultar muitas das perturbações psicológicas.

Uma vez o complexo de édipo resolvido, a criança passa por um período de latência, entre os seis e os

doze anos, em que o sexo permanece relativamente adormecido e em que a energia psíquica se concentra

em atividades não sexuais. Com o início da puberdade, a sexualidade genital desperta dando lugar ao

estádio genital.

2. Como podemos tratar os problemas que esse desenvolvimento pode trazer: associações livres,

análise dos sonhos, transferência, contratransferência.

Freud veio, porém, a concluir que a hipnose muitas vezes não funcionava e que os sintomas dos doentes

regressavam. Daí que viesse a preferir o método das associações livres, introduzido por Galton em 1879.

Freud e Breuer divergiam também na atitude relativamente à transferência, ou seja, à ligação emocional

que o doente desenvolvia relativamente ao analista. Por vezes havia também contratransferência, sendo o

analista a desenvolver uma ligação aos doentes. Freud considerava estes processos necessários para uma

análise bem sucedida, no que não era acompanhado por Breuer.

Transferência e contratransferência

Transferência: conjunto de atitudes, sentimentos e fantasias que o doente experiencia em relação ao clínico

(cuidador), que surgem, na maior parte, a partir das necessidades inconscientes e conflitos psicológicos do

próprio e não da circunstância da relação. Inacessível de imediato à consciência, baseada em fatores

psicológicos mais do que na realidade.

Contra-transferência: emoções que o clínico / cuidador experimenta em relação ao paciente, que são

relacionadas com circunstâncias da sua própria vida, que o afetaram consciente e/ou inconscientemente.

A nível da prática clinica, os principais conceitos introduzidos são os conceitos de repressão, regressão,

projeção, formação reativa e transferência. E ainda: Inconsciente, Desenvolvimento psico-sexual na infância

e suas fases, Princípios do Prazer e da Realidade, Complexo de Édipo, Id, Ego, Super Ego, Líbido,

Identificação, Mecanismos de defesa, Introjecção, projecção, Transferência, Ganho Secundário, Conversão

histérica, Emoções aprisionadas, Drive/impulso/pulsão, Catarse/ tratamento catártico, Resistência,

Repressão, Sublimação, Conteúdo manifesto/latente – sonhos e associação livre, Eros e Thanatos

21

3. Impactos sobre a organização e funcionamento da sociedade e da cultura.

A psicologia do eu tem como ideia central a existência de uma esfera do eu isenta de conflito, ou seja, o

reconhecimento de que o eu não é apenas uma instancia afetiva mas também cognitiva. A “psicologia

individual” é também “psicologia social”, o que levaria a considerar que o elemento social é inerente à

psicanálise desde logo pela importância que atribui às relações familiares. O reconhecimento da dimensão

social significava atribuir funções de adaptação e integração.

• Sociologia – noção de ambivalência;

• Antropologia;

• Artes e cultura;

• Educação;

• Sociedade em geral.

O COMPORTAMENTALISMO

Ivan Petrovich Pavlov

Foi sobretudo um fisiologista, sendo nessa qualidade e por virtude dos trabalhos que realizou sobre a

digestão que ganhou o Prémio Nobel da Medicina, em 1904. A descoberta dos reflexos condicionados foi,

de certo modo, consequência do seu trabalho sobre a digestão.

Em 1917 houve a convergência entre teoria reflexa do comportamento e materialismo dialéctico marxista.

Quando a teoria do reflexo condicionado foi alargada ao comportamento humano, a doutrina pavloviana

tornou-se a psicologia oficial da União Soviética, básica para a psiquiatria, a pedagogia, a investigação

industrial e outros campos, desde a reeducação de criminosos à exploração espacial.

Aprendizagem por condicionamento clássico ou Pavloviano

O condicionamento não é mais do que uma forma de aprendizagem. Diz-se que há aprendizagem quando

um organismo, colocado vária vezes na mesma situação, modifica o comportamento de forma sistemática.

O condicionamento clássico consiste no emparelhamento de 2 estímulos, cada um dos quais produz

inicialmente uma resposta diferente do outro.

Os elementos envolvidos neste paradigma experimental são, por um lado, o estímulo incondicional (EI) e o

respetivo reflexo incondicional (RI), ou seja, no exemplo dado, a carne moída e a salivação por ela produzida

e, por outro lado, o estímulo condicionado (EC) e a resposta condicional (RC), ou seja, o som do metrónomo

e a salivação que virá a produzir (o RI e a RC têm de ser iguais). Há que verificar se o estímulo escolhido

para se tornar condicional é neutro e se não estão presentes outros estímulos suscetíveis de provocar tal

resposta.

• Intervalo de latência. O intervalo entre EC e EI nunca poderá ser inferior a um determinado mínimo – 0 a

15 segundos – para ativar o programa que produz a resposta adaptativa anterior ao estabelecimento do EI.

22

• Generalização. Tem a ver com a transferência das capacidades aprendidas para outros domínios próximos

da aplicação. Os resultados obtidos mostram que continua a haver RC, mas com menor intensidade aos

novos estímulos. Sugere que a RC não é uma simples réplica do RI.

• Extinção. Condições que conduzem ao desaparecimento da RC. A extinção tem lugar quando a resposta

deixa de ser reforçada. As RC vão diminuindo de intensidade e acabam por extinguir-se, mas a extinção

não é total.

• Recuperação espontânea. Após a extinção, o condicionamento torna-se mais rápido, é uma forma de

aprendizagem ativa em tudo idêntica à aprendizagem do condicionamento. É de presumir a ligação entre

EC e RC não seja totalmente eliminada.

• EC-1 – auditivo; EC-2 – visual – resposta salivar mais fraca.

Em suma: O animal parece adquirir não apenas uma resposta, ou um reflexo, mas uma estrutura

mental ao nível do córtex cerebral e das ligações sinápticas. Programa de Pavlov: articulação entre

o nível fisiológico e o nível psicológico do comportamento.

Thorndike (1874-1949)

Doutorou-se em Harvard com William James, apresentando uma tese sobre a inteligência animal.

Thorndike preferiu o laboratório ao meio natural. Utilizou nas suas experiências apenas 13 gatos e 3 cães,

o que não impediu que daí derivassem consequências tão controversas como inovadoras. Construiu caixas-

problema, onde os animais só podiam escapar de uma maneira. Nessa situação, o gato iniciava uma série

de comportamentos e as várias respostas foram designadas de tentativas. Uma vez a porta aberta, o gato

encontrava a comida – recompensa. Colocado novamente na caixa, o processo repetia-se e, ao fim de uma

série de ensaios, mostrava uma melhoria gradual. Daí concluiu, com base nos gráficos que elaborou, que o

processo traduzia uma aprendizagem por “tentativa e erro e êxito ocasional”.

Com base nestes resultados, convenceu-se que tinha descoberto as operações fundamentais da

aprendizagem enquanto reforço gradual das conexões entre o estímulo e a resposta que ocorressem por

acaso e que viessem a ser bem sucedidas – lei do efeito.

Thorndike reconheceu que a lei do efeito não era suficiente para explicar toda a aprendizagem e por isso

acrescentou outras duas leis: as do exercício – as tentativas bem-sucedidas reforçam a ligação – e a da

prontidão – sublinhando a necessidade de estar disponível para que a aprendizagem tenha lugar.

A lei do efeito antecipa, em 4 anos, as descobertas feitas por Pavlov, no entanto, a partir de 1902, passa a

interessar-se pela psicologia educacional.

É a ele que ficou a dever-se a aplicação dos testes em grupo, o que permitiu a utilização da técnica em larga

escala, bem como o uso generalizado dos testes, tanto no meio industrial como na escola.

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Um outro exemplo dos estudos efetuados por Thorndike aplicados à educação foi o efetuado com 50 pares

de gémeos, fazendo desse modo variar a influência do meio ambiente relativamente a características

mentais e físicas, bem como a tarefas aprendidas e não aprendidas. Os resultados obtidos indicam a

importância da hereditariedade, quando as condições do meio não divergem muito.

John Watson (1878-1958)

Frequentou a Universidade de Chicago, numa altura em que o funcionalismo se afirmava através de figuras

como Dewey e Angell. Watson foi aluno de ambos. Sob orientação de Angell, dedicou-se à psicologia animal.

A tese de doutoramento que apresenta em 1903, Animal Education, reúne as investigações que realizou

com ratos e em que procurou responder à seguinte questão: “qual a contribuição de cada órgão sensor ial

para a aprendizagem do labirinto?”, sendo que os resultados sugeriam que a perda de qualquer dos sentidos

interferia na aprendizagem mas não ao ponto de a eliminar.

Transferiu-se para a Universidade de John Hopkins e escreveu o seu primeiro manifesto “A psicologia vista

por um behaviorista”, em 1912, na Psychological Review. A psicologia não devia mais ocupar-se da

consciência, nem a introspeção poderia ser admitida como método. O estudo dos estados mentais devia ser

substituído pelo estudo do comportamento, e o comportamento avaliado, em termos de ligações entre

estímulos e respostas. Por estímulo deve aqui entender-se uma fonte restrita de energia atuando num órgão

sensorial e, por reposta, uma reação muscular ou glandular. Mas o passo porventura mais audacioso de

Watson consistiu não apenas em excluir a vida mental da ciência mas em negar a sua existência. Na fórmula

de Watson, a “mente é comportamento e nada mais”.

Este radicalismo behaviorista implicava, em última análise, uma redução da psicologia à biologia. O

behaviorismo de Watson foi de certo modo influenciado pela reflexologia russa de Pavlov e Betchrev.

Watson aderiu com entusiasmo à teoria dos reflexos condicionados e passou a utilizá-los nos seus trabalhos

de investigação, que entretanto começara a realizar com crianças.

O radicalismo de Watson, pode, no entanto, ter exercido uma grande atração nos investigadores mais jovens

e marcado também um momento de viragem na psicologia norte-americana.

B. F. Skinner (1904-1991)

1938 – O Comportamento dos Organismos, onde descreve os resultados de uma série de estudos

experimentais com ratos. Utilizou um dispositivo experimental que veio a ser designado como a “caixa de

Skinner”.

Skinner introduziu os conceitos de “comportamento operante” e “condicionamento operante”. O

condicionamento operante complementa o condicionamento clássico. Para entender o significado de

comportamento operante há que o distinguir do comportamento respondente. O comportamento

24

respondente está diretamente sob controlo do estímulo. A relação do comportamento operante com o

estímulo é diferente, em que o comportamento é emitido, ou seja, parece ser espontâneo. O chamado

comportamento voluntário é um comportamento emitido e não respondente, ou seja, não reflexo. Quando o

comportamento operante se associa a um estímulo, isso não significa que seja respondente.

O termo operante é introduzido para significar que o comportamento produz efeitos. O condicionamento

operante não é mais que o processo através do qual se adquire um comportamento operante.

No condicionamento operante o animal tem de ser ativo; o seu comportamento não pode ser reforçado se

este não fizer nada. O caráter de reforço traduz-se no fortalecimento da resposta que o precede.

Os três aspetos – o meio onde o comportamento ocorre, a resposta reforçada e o reforço – constituem as

contingências do reforço.

A teoria de aprendizagem de Skinner retoma assim a lei do efeito de Thorndike. A técnica de Skinner é,

porém, mais sofisticada. Uma das novidades foi ter estudado o comportamento numa situação quase

natural. Skinner teve igualmente o mérito de escolher comportamentos facilmente observáveis e

quantificáveis. Também consistiu novidade ter-se concentrado no comportamento de organismos

individuais. Skinner utilizou também um número muito restrito de variáveis intermédias e limitou o seu

tratamento a uma análise de duas medidas do comportamento: o número de respostas emitidas durante a

extinção e a frequência da resposta.

Efetuou uma análise experimental do comportamento através da descrição sistemática das contingências

do reforço observável no comportamento animal ou humano. A importância da abordagem descritiva reflete-

se na menor importância das teorias para o estabelecimento de leis e para a predição e controlo do

comportamento. Foi nesta perspetiva que procedeu ao estudo dos padrões de reforço: estudo dos passos

intermédios entre o reforço constante/contínuo (dado após cada resposta) e a extinção (ausência de

reforço). O reforço aumenta a probabilidade de ocorrência de um comportamento, enquanto que a extinção

a diminui.

25

Pidgeon Project

Durante a Segunda Guerra Mundial, em 1944, Skinner entrou num projeto secreto, onde tinha de treinar

pombos a guiar bombas (porque eles têm uma excelente visão), ensinando-os a bicar um determinado alvo

que guiava um míssil para um determinado alvo.

O sistema de controlo envolvia uma lente à frente do míssil, projetando uma imagem de um alvo nesse ecrã,

enquanto o pombo era treinado para reconhecer o alvo, dando-lhe bicadas. Quanto mais tempo estas

bicadas eram feitas no centro do ecrã, o míssil voava para o local exato, mas se fossem dadas fora do

centro, o ecrã inclinava e mudava a trajetória do míssil. Três pombos controlavam a direção do míssil, sendo

a sua trajetória a “mandada” pela maioria, para garantir maior segurança. Este plano era caro, demasiado

excêntrico e impraticável, sendo que apesar de ter algum sucesso com o treino, não foi levado a sério.

O projeto foi descontinuado mas útil pois os pombos foram considerados mais rápidos que ratos, permitindo

descobertas mais rápidas e dentro de novas contingências. Deixou de ser uma análise experimental e

passou a ser tecnológica. Skinner deixou de trabalhar com ratos e escreveu um artigo sobre o projeto.

Skinner, B.F.(1947). “Superstition” in the pidgeon, Journal of experimental psychology, 38, 168-172

O pombo é colocado num estado de fome, reduzindo-o a 75% do seu peso normal. (…) É colocado numa gaiola

experimental na qual um recipiente com comida pode ser rodado para apresentar comida ao pombo (…). Prepara-se

um relógio para rodar o recipiente para apresentar comida ao pombo a intervalos regulares sem nenhuma relação

com o comportamento deste, normalmente ocorre o condicionamento operante. Um dos pombos foi condicionado

para rodar pela gaiola no sentido contrário aos ponteiros do relógio. Outro batia repetidamente com a cabeça num

dos cantos de cima da gaiola. Dois pássaros desenvolveram um movimento pendular da cabeça e do corpo. Outro foi

condicionado a fazer movimentos de bicagem incompletos, dirigidos ao chão, mas sem o tocar.

O processo de condicionamento é óbvio. O pássaro está a executar um qualquer movimento quando o recipiente da

comida aparece; como resultado, ele tende a repetir este movimento. Se o intervalo que decorre até á próxima

apresentação da comida não for tão grande que a extinção ocorra, uma segunda contingência é provável. Isto torna

a resposta ainda mais forte, e o reforço subsequente torna-se mais provável.

Todas as respostas vieram a ser repetidas rapidamente entre reforços – normalmente 5 ou 6 vezes a cada 15

segundos. 15 segundos é um intervalo bastante eficaz. Um minuto é-o muito menos. Uma vez a resposta

implementada, porém, o intervalo pode ser aumentado.

A experiência pode dizer-se que demonstra o processo da superstição. O pássaro comporta-se como se houvesse

uma relação causal entre o que faz e a apresentação da comida, embora essa relação não exista. Há muitas analogias

com o comportamento humano. Os rituais para tentar mudar a sorte ao jogo são um exemplo.

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