Apostila de Silvicultura, Outro de Silvicultura. Universidade Federal do Piauí (UFPI)
Eylanne
Eylanne24 de abril de 2018

Apostila de Silvicultura, Outro de Silvicultura. Universidade Federal do Piauí (UFPI)

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Microsoft Word - APOSTILA MANEJO DE FLORESTAS NATIVAS.doc

MANEJO DE FLORESTAS NATIVAS: PLANEJAMENTO, IMPLANTAÇÃO E

MONITORAMENTO.

Versides Sebastião de Moraes e Silva

UFMT – Universidade Federal de Mato Grosso

UNIVERSIDADE FEDERAL DE MATO GROSSO

FACULDADE DE ENGENHARIA FLORESTAL

MANEJO DE FLORESTAS NATIVAS: PLANEJAMENTO, IMPLANTAÇÃO E

MONITORAMENTO

VERSIDES SEBASTIÃO DE MORAES E SILVA

CUIABÁ - MT 2006

UNIVERSIDADE FEDERAL DE MATO GROSSO – VERSIDES SEBASTIÃO DE MORAES E SILVA iii

S U M Á R I O

LISTA DE FIGURAS ............................................................................................................................ vi LISTA DE QUADROS......................................................................................................................... vii LISTA DE TABELAS ......................................................................................................................... viii 1.0 - DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL, PLANEJAMENTO E MANEJO FLORESTAL. ..... 1

1.1 - Conceituação de Desenvolvimento Sustentável ............................................................ 1 1.2 - Planejamento Florestal................................................................................................... 5

1.2.1 - Noções Gerais de Planejamento.............................................................................. 5 1.2.2 - Espírito do Planejamento ........................................................................................ 6 1.2.3 - Natureza do Planejamento ...................................................................................... 7 1.2.4 - Definição de Planejamento ..................................................................................... 7 1.2.5 - O Planejamento da Produção Florestal ................................................................... 8

1.3 - Manejo Florestal ............................................................................................................ 9 1.3.1 - Conceito .................................................................................................................. 9 1.3.2 - Histórico e Desenvolvimento................................................................................ 15 1.3.3 - Importância do setor florestal para o Desenvolvimento Regional........................ 16

2.0 - LEGISLAÇÃO REFERENTE AO MANEJO FLORESTAL ...................................................... 18 3.0 - FUNDAMENTOS DO MANEJO FLORESTAL......................................................................... 20

3.1 - Sistemas de Manejo ..................................................................................................... 20 3.2 - Ciclo de Corte .............................................................................................................. 21 3.3 - Análise da Vegetação................................................................................................... 22

3.3.1 - Considerações Gerais............................................................................................ 22 3.3.2 -Inventário florestal ................................................................................................ 23

3.3.2.1 - Amostragem .................................................................................................. 24 3.3.2.1.1 - Intensidade de amostragem..................................................................... 28

3.3.2.2 - Tamanho e forma de amostra ....................................................................... 28 3.3.3 - Estrutura e Composição ........................................................................................ 30

3.3.3.1 - Composição Florística ................................................................................... 30 3.3.3.2 - Diversidade Florística ................................................................................... 31

3.3.3.2.1 - Diversidade ............................................................................................. 31 3.3.3.2.2 - Agregação das Espécies .......................................................................... 33

3.3.3.3 - Estrutura Horizontal....................................................................................... 35 3.3.3.3.1 - Abundância ............................................................................................. 35 3.3.3.3.2 - Dominância ............................................................................................. 35 3.3.3.3.3 - Freqüência............................................................................................... 36 3.3.3.3.4 - Índice de valor de importância (IVI) ...................................................... 37

3.3.3.4 - Estrutura Vertical ........................................................................................... 38 3.3.3.4.1 - Posição Sociológica ................................................................................ 38 3.3.3.4.2 - Regeneração Natural ............................................................................... 40

3.3.3.5 - Índice de Valor de Importância Ampliado (IVIA) ........................................ 47

UNIVERSIDADE FEDERAL DE MATO GROSSO – VERSIDES SEBASTIÃO DE MORAES E SILVA iv

3.3.3.6 - Estrutura Diamétrica ...................................................................................... 48 3.3.3.6.1 - Distribuições do número de árvores ....................................................... 48 3.3.3.6.2 - Distribuições do volume ......................................................................... 49 3.3.3.6.3 - Distribuições da área basal...................................................................... 50

3.3.3.7 - Descrições das Funções de Distribuições ...................................................... 51 3.3.3.7.1 - Função Exponencial................................................................................ 51 3.3.3.7.2 - Função Hiperbólica................................................................................. 52 3.3.3.7.3 - Função Potencial ..................................................................................... 52 3.3.3.7.4 - Função Polinomial .................................................................................. 53

4.0 - PROPOSTA TÉCNICA DE MANEJO FLORESTAL................................................................. 54 4.1 - Planejamento das Ações para o Manejo ...................................................................... 54

4.1.1 - Mapeamento e Delimitação da Propriedade ......................................................... 54 4.1.2 - Inventário Diagnóstico.......................................................................................... 55

4.1.2.1 - Coleta de dados para cubagem ..................................................................... 55 4.1.2.2 - Sistema de Amostragem ................................................................................ 56

4.1.2.2.1 - Locação das Amostras ............................................................................ 57 4.1.2.2.2 - Instrumentos e Métodos de Medição ...................................................... 58 4.1.2.2.3 - Informações Requeridas.......................................................................... 58 4.1.2.2.4 - Coleta de dados por Amostragem ........................................................... 59

4.1.2.3 - Processamento dos Dados............................................................................. 63 4.1.2.3.1 - Cubagem ................................................................................................. 63 4.1.2.3.2 - Parcelas Amostrais.................................................................................. 63

4.1.2.4 - Preparação de Relatório do Inventário ......................................................... 64 4.1.3 - Definição da Base de Produção na Área de Manejo Florestal.............................. 65

4.2 - Definição do Sistema de Manejo ................................................................................. 65 4.3 - Ciclo de Corte .............................................................................................................. 65 4.4 - Determinação das Unidades de Manejo Florestal (UMF) ........................................... 66 4.5 - Unidade de Produção Anual e de Trabalho ................................................................. 67 4.6 - Censo Florestal o Planejamento e Execução ............................................................... 68

4.6.1 - Censo Florestal - Planejamento ............................................................................ 68 4.6.2 - Censo Florestal: Preparação da área ..................................................................... 69 4.6.3 - Censo Florestal: Execução.................................................................................... 70 4.6.4 - Censo Florestal: Processamento ........................................................................... 71

4.7 - Planejamento e implantação da Infra-estrutura de manejo .......................................... 72 4.7.1 - Planejamento......................................................................................................... 72 4.7.2 - Implantação da Infra-estrutura para o Manejo...................................................... 72

4.7.2.1 - Estradas principal e secundaria..................................................................... 72 4.7.2.2 - Trilhas de Arraste.......................................................................................... 73 4.7.2.3 - Abertura de Esplanadas ................................................................................ 73

5. PREPARO DA FLORESTA PARA CORTE E EXTRAÇÃO ......................................................... 74 5.1 - Corte de Cipós.............................................................................................................. 74 5.2 - Corte das árvores.......................................................................................................... 74

UNIVERSIDADE FEDERAL DE MATO GROSSO – VERSIDES SEBASTIÃO DE MORAES E SILVA v

5.3 - Arraste.......................................................................................................................... 74 5.4 - Traçamento .................................................................................................................. 75 5.5 - Empilhamento na esplanada ........................................................................................ 75 5.6 - Carregamento............................................................................................................... 75

6. CONTROLE E MONITORAMENTO DO MANEJO FLORESTAL.............................................. 76 6. 1 - Medições ..................................................................................................................... 76

6.1.1 - Pátio de estocagem (esplanadas):.......................................................................... 76 6.1.2 - Estrada secundária: ............................................................................................... 76 6.1.3 - Trilhas de arraste:.................................................................................................. 76 6.1.4 - Árvores Abatidas: ................................................................................................. 76

6.2 - Avaliação de Danos ..................................................................................................... 77 6.3 - Avaliação de Desperdícios........................................................................................... 78

6.3.1. - Quantificação de Danos e Desperdício ................................................................ 78 6.3.1.1 - Danos............................................................................................................. 78

6.3.1.1.2 - Área alterada ........................................................................................... 79 6.3.1.1.3 - Área do pátio de carregamento ............................................................... 79 6.3.1.1.4 - Pátio de descarregamento ....................................................................... 79 6.3.1.1.5 - Abertura de copa provocada pela queda ................................................. 79 6.3.1.1.6 - Danos nas remanescentes provocados pela queda árvores e arraste....... 79

6.3.1.2 - Desperdícios .................................................................................................. 79 6.3.1.2.1 - Volume da tora........................................................................................ 79 6.3.1.2.2 - Volume do desperdício na esplanada...................................................... 80 6.3.1.2.3 - Volume do desperdício pela altura do corte ( toco ) ............................... 80 6.3.1.2.4 - Volume do desperdício na ponta............................................................. 81

6.4 - Monitorar Regeneração Natural................................................................................... 81 6.4.1 - Avaliação do Crescimento, Incremento, Ingresso e Mortalidade da Floresta Estabelecida...................................................................................................................... 82

6.5 - Plano de Prevenção, Controle e Combate a Incêndios Florestais ................................ 83 6.5.1 - Recomendações Técnicas De Prevenção E Contra A Incêndios Em Florestas Tropicais........................................................................................................................... 85

6.5.1.1 - Medidas Preventivas: .................................................................................... 85 6.5.1.2 - Medidas de Segurança: .................................................................................. 85 6.5.1.3 - Normas de Segurança: ................................................................................... 85

7. LITERATURA CONSULTADA...................................................................................................... 86 ANEXO................................................................................................................................................. 90

UNIVERSIDADE FEDERAL DE MATO GROSSO – VERSIDES SEBASTIÃO DE MORAES E SILVA vi

LISTA DE FIGURAS

Figura 01 – Ilustra a divisão de área em função do ciclo de corte.21

Figura 02 - Exemplo de amostragem sistemática de múltiplo estágio.26

Figura 03 - Exemplo de Amostragem mista em conglomerados.27

Figura 04 - Exemplo de Amostragem com repetição total.27

Figura 05 - Exemplo de amostragem com repetição parcial.28

Figura 06 – Disposição das Amostras Permanentes com Sub-Amostra na Estação Demonstrativa.

29

Figura 07 – Disposição da Amostras Permanentes com Sub-Amostra na Fazenda São Nicolau.

30

Figura 08 - Exemplo de distribuição de área basal50

Figura 09 – Demonstrativo da distribuição das árvores cubadas 56

Figura 10 – Esquema de medição da árvore cubada56

Figura 11 – Distribuição espacial das amostras na área de manejo florestal da estação demonstrativa – UFMT/FENF.

57

Figura 12 - Exemplo de planilha para coleta de dados para elaboração do plano de manejo florestal

60

Figura 13 - Plaqueta de identificação de árvores nas amostras.62

Figura 14 – Esquema da posição de coleta dos dados para determinação da altura62

Figura 15 – Detalhe da unidade de produção anual (UPA) em azul, e unidade de trabalho (UT)

68

Figura 16 - Distribuição Espacial das Picadas de Orientação69

UNIVERSIDADE FEDERAL DE MATO GROSSO – VERSIDES SEBASTIÃO DE MORAES E SILVA vii

LISTA DE QUADROS

Quadro 01 – Composição da equipe de campo para Avaliação da Regeneração 42

Quadro 02 - Exemplo de definição de base de produção em um plano de manejo florestal 65

UNIVERSIDADE FEDERAL DE MATO GROSSO – VERSIDES SEBASTIÃO DE MORAES E SILVA viii

LISTA DE TABELAS

Tabela 01 - Comercio mundial de madeira e a participação do estado e Mato Grosso em 1996.

17

Tabela 02 - Comparação entre os Sistemas de Manejo Florestal.

20

Tabela 03 - Classe de tamanho, terminologia e símbolo das plantas.

43

Tabela 04 - Área de produção anual por unidade de manejo florestal no primeiro ciclo de corte.

67

Manejo de Floresta Nativas: Planejamento, Implantação e Monitoramento

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1

1.0 - DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL, PLANEJAMENTO E MANEJO FLORESTAL.

1.1 - Conceituação de Desenvolvimento Sustentável

A expressão desenvolvimento sustentávelvem merecendo grande destaque nos dias atuais

nos diversos fóruns de discussão, sejam eles acadêmicos, políticos, científicos ou empresariais,

quando se discute o desenvolvimento das economias industriais modernas.

Essa expressão foi popularizada a partir do Relatório Nosso Futuro Comum, com a

finalidade de fazer um balanço do desenvolvimento econômico em nível mundial e das principais

conseqüências sócio-ambientais desse estilo de desenvolvimento, e propor estratégias de longo

prazo, visando um desenvolvimento sustentável.

O surgimento da noção de desenvolvimento sustentável, entretanto, não se deve única e

exclusivamente às preocupações da ONU com o futuro global ameaçado com os rumos do

desenvolvimento. Essa noção possui raízes históricas nos movimentos ambientalistas que buscavam

uma proposta alternativa de desenvolvimento ante os riscos da degradação do meio ambiente,

ganhando força à medida que se incorporavam à discussão as preocupações de cunho social.

Dada a relevância que assume esse tema no contexto de uma economia mundial cada vez

mais globalizada, cujo progresso econômico tem gerado graves distúrbios na biosfera a ponto de

ameaçar a base de sustentação da vida sobre o planeta, estas múltipla formas de interpretação vem

servindo aos mais diversos interesses político-ideológicos, gerando propostas bastante diversificadas

com vistas à implementação do desenvolvimento sustentável.

Essa multiplicidade de interpretações da concepção do desenvolvimento sustentável tem

sido responsável pela inclusão da temática relativa ao meio ambiente − e pela adoção de algumas

estratégias de ação, com resultados satisfatórios na mitigação de alguns efeitos danosos ao

ambiente. Por outro lado, o debate teórico sobre a noção de desenvolvimento sustentável tem

servido para desviar o eixo da discussão principal, no que diz respeito da não sustentabilidade do

modelo de desenvolvimento econômico mundial, principal responsável pelos graves problemas

sócio-ambientais presentes para a humanidade.

Os esforços empreendidos e os resultados até aqui obtidos com a multiplicidade de

interpretações sobre o desenvolvimento sustentável têm demonstrado que essa é ainda um

conceito em formação. O papel da Conferência Mundial sobre Meio Ambiente e

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2

Desenvolvimento, a Rio-92, que resultou em alguns pontos positivos, entre os quais a

“desnaturalização” e a “humanização” do desenvolvimento sustentável, pelo reconhecimento da

imperiosidade de se considerar e incluir os problemas sociais neste conceito.

Desde o pós-guerra, diversas correntes do pensamento econômico buscaram discutir os

problemas do subdesenvolvimento do Terceiro Mundo. Essas discussões têm sido dominadas

basicamente por dois paradigmas concorrentes. As teorias desenvolvimentistas, que

predominaram durante a longa fase de expansão da economia mundial, marcada pela

predominância do otimismo da modernização, que durou até 1973, e o pessimismo das teorias da

dependência, que prevaleceram na longa fase recessiva estabelecida em seguida.

O agravamento da questão ambiental - entendida como a contradição que se estabeleceu

entre os modelos de desenvolvimento adotados pelo homem e a capacidade de sustentação desse

desenvolvimento pela natureza - contribuiu para engrossar as críticas à sociedade industrial e o

estilo de desenvolvimento que ela imprimiu, resultando na degradação ambiental e social.

Dois conceitos importantes estão contidos na noção de desenvolvimento sustentável: o de

desenvolvimento e o de sustentabilidade, ambos caracterizados pela multiplicidade e controvérsia

conceitual.

O conceito de desenvolvimento é bastante abrangente, permitindo uma gama muito

grande de interpretações e formulações teóricas, envolvendo, desde direitos individuais, de

cidadania, até esquemas de classificação dos Estados-Nações. Internamente, ao sistema mundial,

passa por atribuições de valor à mudança, tradição, justiça social, bem-estar, destino da

humanidade, acumulação de poder econômico, político e militar. Outras conotações vinculadas a

ideais de relações apropriadas entre os homens e entre estes e a natureza estão associadas ao

conceito de desenvolvimento.

O desenvolvimento apresenta uma conotação qualitativa, a qual implica em melhoria da

qualidade de vida das pessoas. Essa melhoria envolve múltiplos aspectos de ordem econômica,

social, política, ambiental e cultural.

Por outro lado, a noção de crescimento econômico, em geral confundido com

desenvolvimento, reflete principalmente o aumento da produção material de riqueza de um

determinado país. É bem verdade que o desenvolvimento de uma nação se dá, na maioria das vezes,

com crescimento econômico, entretanto, esse crescimento pode ocorrer ao mesmo tempo em que as

condições de vida, de cidadania ou mesmo a qualidade do ambiente estejam sendo deterioradas.

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3

Os critérios puramente quantitativos de medição do crescimento econômico são,

portanto, insuficientes para medir o desenvolvimento qualitativo proposto no desenvolvimento

sustentável. Nesse sentido, o crescimento econômico, como um aumento em quantidade, não

pode ser sustentável indefinidamente em um planeta finito. Já os desenvolvimentos econômicos,

que é uma melhora da qualidade de vida, sem causar necessariamente um aumento na quantidade

dos recursos consumidos, pode ser sustentável.

O desenvolvimento sustentável consiste na busca de um desenvolvimento alternativo, em

que as preocupações com a qualidade da vida e do ambiente estejam presentes como fatores

determinantes nas definições do estilo de desenvolvimento.

A definição adotada pela FAO alinha-se entre aquelas que vinculam desenvolvimento

sustentável e sociedade sustentável. Então o desenvolvimento sustentável “é o manejo e

conservação da base dos recursos naturais e a orientação da mudança tecnológica e institucional,

de tal maneira que assegure a contínua satisfação das necessidades humanas para as gerações

presentes e futuras”.

Sustentabilidade pode ainda ser definida é “a relação entre os sistemas econômicos,

humanos, dinâmicos e os sistemas ecológicos mais abrangentes, dinâmicos, mas normalmente

com mudanças mais vagarosas, na qual”:

a)a vida humana possa continuar indefinidamente,

b) as individualidades humanas possam florescer,

c) a cultura humana possa se desenvolver,

d) os efeitos das atividades humanas permaneçam dentro de limites a fim de que não

destruam a diversidade, complexidade e funções do sistema ecológico de suporte da

vida”.(Constanza, 1991).

Em geral, as definições de sustentabilidade incluem conceitos relacionados com as

dimensões ecológica, econômica e social espacial e cultural.

Sustentabilidade ecológica no sentido de que o ecossistema em uso mantém através do tempo as características fundamentais quanto a componentes e interações em forma indefinida; sustentabilidade econômica no sentido de que o sistema em uso produz uma rentabilidade razoável e estável ao longo do tempo para quem o administra, que torna atrativo continuar seu manejo, e sustentabilidade social, no sentido de que ambos são compatíveis com os valores culturais e éticos, outorgando continuidade ao sistema” (IICA, 1992).

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4

A sustentabilidade social tem como meta a construção de uma civilização com maior

eqüidade na distribuição de renda e de bens.

A sustentabilidade econômica deve ser alcançada via alocação e gerenciamento mais

eficiente dos recursos e por meio de um fluxo constante de investimentos públicos e privados.

Deve ser avaliada em termos macro-sociais, e não apenas através do critério da rentabilidade

empresarial de caráter macroeconômico.

A sustentabilidade ecológica deve ser obtida por meio de uma série de medidas que

objetivem a ampliação da capacidade de carga do planeta, a limitação do uso de combustíveis

fósseis, a redução do volume de resíduos e de poluição, a limitação do consumo de materiais, a

intensificação das pesquisas para a obtenção de tecnologias mais eficientes e menos poluidoras e

a definição de normas para uma adequada proteção ambiental.

A sustentabilidade espacial deve ter por fim a obtenção de uma configuração rural-urbana

mais equilibrada e uma melhor distribuição territorial dos assentamentos humanos e das

atividades econômicas.

Finalmente, a sustentabilidade cultural inclui a procura de raízes endógenas de processos de

modernização e de sistemas agrícolas integrados, processos que busquem mudanças dentro da

continuidade cultural e que traduzam o conceito normativo de ecodesenvolvimento em um conjunto

de soluções específicas para o local, o ecossistema, a cultura e a área.

Essas definições de sustentabilidade são bastante abrangentes e inscreve-se num campo

maior das relações homem-homem e homem-natureza no nível da sociedade, em uma dimensão

espacial e temporal que remete à necessidade de garantir a conservação tanto do substrato

biofísico de suporte à vida quanto do bem-estar humano no seu sentido amplo, incluindo as

preocupações com as gerações futuras.

O objetivo do ecodesenvolvimento é a busca de um modelo de desenvolvimento que

conjugue eficiência econômica, prudência ecológica e justiça social. Para tanto, uma teoria do

desenvolvimento que se pretenda fundamentada nesse novo paradigma deverá considerar a noção

de sustentabilidade a partir da incorporação, em seu campo de análise, de pelo menos três

dimensões que compõem o desenvolvimento: a econômica, a biofísica e a sócio-política .

A dimensão biofísica é entendida como o espaço físico onde desenvolve-se a vida e todos

os fenômenos do mundo material.

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5

A dimensão sócio-política representa o universo dos valores humanos. Muito embora

distinto, ele não é independente do mundo biofísico e do mundo econômico. Inscrevem-se nessa

dimensão todos os aspectos que compõem a relação homem-homem e homem-natureza.

A dimensão econômica é aquela que tem sido responsável, historicamente, pelo ritmo do

desenvolvimento baseado na racionalidade econômica capitalista do processo de produção

caracterizado pela lógica da valorização que imprime o dinamismo da economia industrial-

capitalista na qual o Estado exerce ou não um papel regulador.

O domínio exclusivo da lógica econômica tem gerado fortes desequilíbrios na sociedade

global, tanto no nível social quanto no nível ecológico.

A proposta de inserção do manejo florestal com instrumento do desenvolvimento

sustentável está apoiada na visão tridimensional do desenvolvimento econômico, incorporar a

lógica biofísica e a sócio-política na busca de um desenvolvimento regional que combine

eficiência econômica, prudência ecológica e justiça social, conforme as pressupostas do

ecodesenvolvimento.

1.2 - Planejamento Florestal 1.2.1 - Noções Gerais de Planejamento

“O planejamento é a mais relevante e cerebral atividade do homem. A capacidade de planejar torna o homem único no reino animal”, ( Jack Bologna ).

A atividade do planejamento sempre foi vista como fundamental à administração das

empresas. Os primeiros pensadores da administração já descreviam os processos administrativos

composto das seguintes etapas: planejamento, comando, coordenação e controle. Com esta

concepção do processo administrativo, a empresa era vista como uma máquina, em que o

Gerente-de-Topo verificava seu desempenho, comparava-o ao planejado e tomava medidas para

correção de rumos.

Desta maneira, o planejamento sempre foi considerado como uma atividade que permitia

o controle sobre a alocação de recursos financeiros, com vistas ao alcance dos objetivos da

empresa. Por esta razão, muitos administradores consideravam e, ainda, consideram o

planejamento como sendo uma atividade adjunta do controle orçamentário.

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6

A grande mudança nos conceitos de planejamento empresarial acabou ocorrendo quando

motivado pela necessidade de enfrentar os ambientes externos, cada vez mais turbulentos, as

empresas “importaram” os conceitos estratégicos, que eram utilizados pelos militares, para

aplicação na gestão de empresas. A partir dessa época, novas reflexões foram surgindo a respeito

do conceito de planejamento que, modernamente, é considerado uma atividade política e social

complexa, que não pode ser estruturada por regras ou procedimentos quantitativos.

A atividade de planejamento é visto com indiferença por um grande número de gerentes,

apesar da sua importância, motivada principalmente por três causas:

a - A primeira diz respeito ao imediatismo

Os gerentes acabam envolvidos pela atividade do dia-a-dia da empresa, e acabam perdendo o

controle do seu próprio tempo, deixando de enxergar os verdadeiros objetivos do seu trabalho. Com

isso, qualquer tempo dedicado ao planejamento é visto como perda de tempo.

b - A segunda razão refere-se ao desconhecimento

Para não planejar, os gerentes alegam desconhecimento das técnicas do planejamento,

pois as mesmas são muitos complexas. Na realidade, o que há é o desconhecimento, causado pelo

desinteresse.

c - Finalmente, a terceira causa diz respeito à incerteza quanto ao futuro

O planejamento é considerado, por grande parte dos gerentes, inútil, por ser o futuro

incerto. Na realidade, o raciocínio deveria ser o inverso, ou seja, quanto mais incerto é o futuro,

maior necessidade tem a empresa de planejar, a fim de poder administrar e reduzir as incertezas.

O planejamento deve ser considerado como uma forma de transformar as incertezas em riscos

calculados.

1.2.2 - Espírito do Planejamento

Para caracterizar o espírito da atividade do planejamento deve-se preocupar com dois

aspectos fundamentais:

- a antecipação dos acontecimentos ou, em outras palavras, a preocupação com o futuro;

- a preparação para a ação, representada pela análise e reflexão dos fatos esperados.

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7

1.2.3 - Natureza do Planejamento

A natureza do planejamento pode ser definida através de um conjunto de características.

A maioria delas, no entanto, são somente aplicáveis às concepções mais modernas, como o

planejamento estratégico. Deve-se observar que quaisquer umas das características aplicam-se a

qualquer tipo atividade de planejamento. Os principais aspectos que ajudam a melhor entender a

natureza do processo do planejamento são:

- a antecipação dos acontecimentos;

- o compromisso com o futuro da organização;

- a tomada de decisões de forma organizada;

- a preocupação constante com a eficácia;

- a atenção em relação às mudanças do meio ambiente externo;

- a correta utilização dos recursos internos;

- o cuidado à manutenção da cultura organizacional;

- a caracterização de um processo interno de mudanças;

- a identificação da necessidade de mudança de mentalidade;

- caracterização do processo de aprendizado institucional.

1.2.4 - Definição de Planejamento

Com base nas reflexões sobre a natureza do planejamento, é possível apresentar uma

definição ampla e geral, válida para qualquer tipo de planejamento:

O Planejamento é um processo intuitivo ou estruturado que visa especular sobre o futuro, de forma a possibilitar a tomada de decisões antecipadamente”(Dorodame Leitão).

Para efeitos dos objetivos do manejo, contudo, faz-se necessário mais essa definição, a

fim de podermos caracterizar o processo de planejamento estratégico de uma empresa florestal

como atividade central da administração estratégica. Para tanto, é necessário introduzir na

definição alguns conceitos como:

- processo ordenado e racional;

- atividade contínua e racional;

- otimização dos processos de produção;

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8

- mudanças do meio ambiente externo;

- mitigação dos impactos na floresta.

Com isso, adotar a definição para o processo de Planejamento Estratégico Empresarial

Florestal:

“Planejamento Estratégico Empresarial Florestal é uma atividade permanente e contínua, que é obtido por um processo sistematizado de tomada de decisões, com vista ao alcance dos objetivos que permitirão otimizar a produção atual e futura da empresa, a despeito de mudanças aleatórias ou organizadas no meio ambiente futuro” .

Da definição, podemos observar: Trata-se de uma atividade permanente e contínua, isto é,

de um processo e não de um ato. O planejamento é desenvolvido de modo ordenado e racional,

ou seja, é um processo de tomada de decisões que é estruturado no nível da empresa, e não de

decisões intuitivas, baseadas na “genialidade” de alguns gerentes. Neste sentido, o planejamento,

visa identificar e permitir o alcance de objetivos de longo prazo da empresa e, ainda,

preocupando com o futuro da organização. O planejamento prevê a investigação e se prepara para

as mudanças futuras no ambiente da empresa florestal.

1.2.5 - O Planejamento da Produção Florestal

O manejo florestal assegura o interesse do proprietário e da sociedade à floresta,

considerando os aspectos econômicos, ecológicos e ambientais. O manejo envolve desde a coleta

de dados e o fornecimento de informações para tomada de decisões, planejamento da produção

por unidade de trabalho, bem como o planejamento da produção para o conjunto das áreas

florestais e, ainda, permite o gerenciamento de todo o processo de produção florestal.

O planejamento da produção florestal é efetuado em duas etapas: na primeira fase planeja-

se todas as ações necessárias para a produção de uma unidade de trabalho (UT); depois

prossegue-se com o planejamento geral da produção em toda a área de manejo fazendo os ajustes

necessários que eventualmente ocorram no planejado para as unidades de trabalho.

Os aspectos que devem ser levados em consideração no planejamento da produção

florestal são os seguintes:

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- Regular o manejo da floresta produtora ajustando-se à capacidade de suporte do ecossistema, na

existência ou não do estoque remanescente, da regeneração e a demanda.

- Obter informações sobre a potencialidade das florestas mediante o planejamento e execução

de inventários prévios, tecnicamente concebidos com objetivos claros e bem definidos para o

fornecimento de informações sobre a composição, estrutura e estoque por espécie, por grupo

de espécies e para o total de espécies existente na área sob manejo.

- Planejar o monitoramento da evolução da floresta com o propósito de conhecer a taxa de

recuperação e outros processos relativos à sua dinâmica.

- Conceber programas de plantio de enriquecimento com objetivos e metas bem definidos que

garantam rentabilidade e não causem impactos negativos ao ambiente.

- Planejar a incorporação de novas espécies ao aproveitamento.

- Agrupar as espécies, no planejamento, segundo critérios tecnológicos, econômicos e

ambientais.

1.3 - Manejo Florestal

1.3.1 - Conceito

Manejo Florestal é classicamente definido pela sociedade Americana de Engenheiros

Florestais SAF (1958), como aplicação de métodos empresariais e princípios técnicos na

operação de uma propriedade florestal. A silvicultura, parte integrada do manejo, é a parte da

ciência florestal que trata do estabelecimento, condução e colheita de árvores.

No Decreto n° 1.282, de 19.10.94 que regulamentou a exploração das florestas da Bacia

Amazônica, o termo manejo florestal sustentável é definido como a administração da floresta

para a obtenção de benefícios econômicos e sociais, respeitando-se os mecanismos de sustentação

do ecossistema.

É necessário salientar que o manejo florestal, além de ser uma técnica, é também uma

estratégia política, administrativa, gerencial e comercial, que utiliza princípios e técnicas

florestais no processo de intervenção do ecossistema, visando a disponibilização de seus produtos

e benefícios para usos múltiplos, de forma a garantir os pressupostos do desenvolvimento

sustentável.

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O manejo florestal tem sido considerado por muitos pesquisadores, como um processo de

tomada de decisão. Neste contexto o profissional florestal necessita ter uma visão global de

planejamento, utilizando-se para tal, modelos matemáticos que possibilitem a previsão da

produção, assim como gerenciar informações através de planos de manejos em que a otimização

seja a tônica do processo. O manejador florestal deve balizar suas decisões em informações

biológicas, econômicas, sociais, ambientais e de mercado de modo a propiciar a sustentabilidade

desta prática e a perpetuação da atividade florestal no empreendimento.

O sucesso da atividade florestal, depende, em grande parte, da existência de um plano que

defina, com clareza, seus objetivos e os meios para alcançá-los. A falta de um planejamento

sistemático favorece a definição de objetivos com base em critérios subjetivos, incorreta

distribuição temporal das ações, com dificuldade de coordenação e aferição dos resultados. O

planejamento é particularmente relevante no manejo florestal, em razão de longos períodos

envolvidos, como também das dificuldades em se promover mudanças bruscas no processo de

gestão de uma floresta.

São consideradas florestas manejadas aquelas, com importância para a conservação de

biodiversidade, para as quais há prescrições de cortes, tratamentos silviculturais e proteção com o

objetivo de produção comercial e outros benefícios de forma sustentada.

As florestas naturais heterogêneas, particularmente as tropicais, acham-se em regiões

onde se localiza em países subdesenvolvidos e em desenvolvimento. As causas de depredação

destas florestas são os cortes seletivos da madeira, o crescimento populacional e a crescente

atividade da agropecuária extensiva. Na América Latina, o fator principal de depredação das

florestas tropicais é a atividade agropecuária influenciada por pressões de demandas geradas

pelas políticas governamentais.

As florestas tropicais são caracterizadas por imensa diversidade flora e fauna. No passado

e, atualmente, grandes partes desse potencial foram exploradas de maneira desordenada,

causando grandes impactos ambientais e danos irreversíveis ao ecossistema florestal. Estes

impactos no passado foram motivos dos movimentos conservacionistas, que reivindicavam uma

maior conservação das florestas tropicais.

Com a diminuição e a degradação das florestas tropicais de outras regiões, a Amazônia

passou a ser o centro das atenções. Considerando a sua expressiva cobertura vegetal, cada vez

mais se torna evidente a sua importância como proteção e abrigo às diferentes formas de vida.

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Neste processo, o manejo florestal contribui, de forma decisiva ao visar a sustentabilidade da

produção madeireira sem comprometer o funcionamento do ecossistema e conserva os seus

processos estruturais e funcionais.

Para que seja efetivamente concretizada a conservação da biodiversidade nos trópicos é,

necessário conhecer os processos de dinâmica da sucessão natural, crescimento e produção das áreas

florestais nativas. O manejo para produção sustentável destas florestas, quando praticado sob critérios

técnicos, econômicos e sociais, garante os níveis de satisfação e necessidade das gerações presentes e

futuras, bem como a sustentabilidade e renovabilidade do recurso.

A temática envolvendo as possibilidades de conciliar o desenvolvimento e o manejo

sustentável dos recursos naturais fortaleceu-se, a partir do lançamento e popularização do

conceito de desenvolvimento sustentável.

Os modelos predatórios de desenvolvimento, que visa prioritariamente os benefícios

econômicos imediatos, privilegiando o crescimento econômico em detrimento dos benefícios

ambientais e da melhoria da qualidade de vida das populações, passou a ser questionado, em prol

de um modelo alternativo. Impõe-se a necessidade de um modelo de desenvolvimento que

incorpore e integre em suas propostas e ações as dimensões sociais, econômicas e ecológicas.

Mas a proposta de desenvolvimento sustentável, longe de ser consensual, tem gerado

polêmicas e suscitado críticas diversas. A principal delas revela-se na própria contradição entre as

propostas que a concepção de desenvolvimento sustentável encerra e a realidade das relações que

se estabelecem, na prática, entre as nações ricas e pobres do planeta.

Existe, não obstante as contradições que o termo encerra, um certo consenso quanto à

importância dessa noção como referência para a análise, entendimento e apontamento de

caminhos em busca de estilos alternativos de desenvolvimento, a partir da integração das

dimensões social, econômica, política e ecológica.

A dissociação dessas quatro dimensões de análise tem caracterizado o instrumental teórico

disponível em todas as disciplinas, constituindo um problema paradigmático da ciência moderna,

cujos caminhos para a superação apontam a necessidade de uma interdisciplinaridade ampla entre

as ciências sociais e as ciências naturais.

Isso significa que qualquer processo ou modelo de desenvolvimento, por mais que esteja

associado a um setor específico, deve ser analisado e interpretado por uma ótica interdisciplinar,

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em que as preocupações de cunho econômico, por exemplo, não estejam desvinculadas das

questões políticas, sociais e ecológicas.

No campo da economia, as novas formulações teóricas propostas pela economia

ambiental neoclássica e, mais recentemente, pela economia ecológica procuram a resolução dos

problemas que resultam da relação entre desenvolvimento econômico, sociedade e natureza por

meio da incorporação integral da natureza e dos serviços ambientais ao sistema de mercado,

buscando uma eficiência global no seu uso.

No campo da ecologia, um novo paradigma aponta para a compreensão do meio ambiente

como sistema aberto, complexo e dinâmico. Nesse sentido, os problemas ambientais, longe de

serem localizados e delimitados, são, ao contrário, transfronteiriços, isto é, não podem ser

circunscritos a partir de limites estabelecidos politicamente.

No âmbito da ciência florestal, essas duas interpretações têm provocado polêmicas entre

aqueles que se alinham com maior ou menor intensidade a cada uma dessas concepções. Nesse

contexto, as discussões sobre as formas de uso e o futuro dos grandes ecossistemas globais,

ameaçados por esse modelo de desenvolvimento, têm colocado as florestas tropicais, em especial a

amazônica, no centro das atenções internacionais nos diversos fóruns de debates sobre essa temática.

O processo de destruição gradativa das florestas tropicais destaca-se como um tema prioritário

nas formulações de políticas com vistas à conservação das florestas, em nível tanto nacional quanto

internacional. Em relação ao setor madeireiro, por exemplo, o panorama internacional aponta para o

esgotamento, num futuro bem próximo, das fontes tradicionais de suprimento do mercado

internacional de madeiras tropicais, nos principais países produtores do sudeste asiático. As

perspectivas são de que os interesses desse mercado voltem-se para a Amazônia, com o conseqüente

aumento das pressões sobre os recursos florestais madeireiros da região.

Diante desse quadro, fica patente a necessidade de reestruturação das atividades

madeireiras na Amazônia, buscando corrigir e aprimorar o modelo atual de utilização dos

recursos florestais, de forma a contribuir para o desenvolvimento sustentável do setor florestal,

em geral, e do madeireiro, mais especificamente.

A postura predominantemente economicista-produtivista em relação aos recursos

florestais tem sido apontada como a causa principal do padrão insustentável de exploração, que

tem colocado em risco a manutenção física não só desses recursos, mas também dos múltiplos

bens e serviços que eles fornecem.

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Se, para a sociedade em geral, a floresta é considerado um bem patrimonial capaz de

fornecer múltiplos bens e serviços, do ponto de vista da empresa florestal privada, ela é vista

como um estoque de recursos (ou capital) madeireiros. O predomínio da racionalidade econômica

define o padrão de uso desses recursos madeireiros.

O manejo florestal madeireiro há muito vem sendo considerado um dos instrumentos mais

viáveis de gestão (decisões e ações negociadas entre atores sociais envolvidos) dos recursos florestais

com vistas à produção sustentada de madeiras. Sob a influência dessa nova ótica de desenvolvimento,

o manejo florestal passa a incorporar, também, a idéia de desenvolvimento sustentável.

Para atender aos princípios do desenvolvimento sustentável, o manejo florestal precisa

contemplar, em seus objetivos, a busca da sustentabilidade em relação às dimensões social,

política, ecológica e econômica. Compatibilizar e articular essas quatro dimensões constitui o

principal desafio para o manejo florestal sustentável.

Historicamente, a concepção de manejo florestal passou de uma noção economicista, onde

a ênfase maior era dada à maximização da produção de madeireira, para uma noção de manejo

florestal sustentável, na qual a ênfase passou a ser dada ao ecossistema florestal como um todo e

aos múltiplos bens e serviços que ele é capaz de fornecer a toda a sociedade.

Essa mudança implica uma nova concepção, uma nova postura em relação à floresta e aos

múltiplos recursos florestais. Isso não significa que esses aspectos eram anteriormente

desconsiderados pela ciência florestal, ao contrário, as preocupações com a ecologia, o meio ambiente

e o uso múltiplo das florestas em relação aos benefícios sociais a serem gerados sempre estiveram

presentes, embora desarticuladas das preocupações principais da economia florestal.

O grande avanço foi a integração de campos de análise que anteriormente eram tratados

separadamente. Tal mudança é concernente a um novo paradigma da ciência florestal, que

pretende articular em seu arcabouço teórico-metodológico e técnico as quatro dimensões contidas

na proposta de desenvolvimento sustentável.

Sob essa nova ótica, a floresta é concebida como um ecossistema complexo, capaz de

fornecer uma multiplicidade de bens e serviços, para a sociedade em geral. Com a incorporação

da dimensão sócio-ambiental de análise passa-se a considerar aspectos da relação entre seres

humanos e destes com a natureza, o que permite reconhecer a existência de limites

ecossistêmicos para as atividades econômicas e sociais, e de um contexto histórico-social no qual

a atividade econômica está inserida.

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Essa nova concepção, apesar de se configurar como mais viável, no atual estágio de

conhecimento técnico-científico, não encontra expressão prática na Amazônia, onde ainda

prevalece um modelo de exploração seletiva, desorganizado e altamente predatório dos recursos

florestais e as preocupações de cunho social permanecem ainda no campo da retórica, nas

formulações de políticas públicas para o meio ambiente.

Não obstante a evolução da legislação e os avanços técnico-científicos em relação ao

manejo florestal, a exploração e o uso dos recursos florestais na Amazônia continuam baseados

em modelos predatórios e pouco eficientes, gerando efeitos negativos que comprometem a

sustentabilidade em longo prazo dessas atividades.

As causas relatadas são variadas referem-se, por exemplo, à estrutura, organização atual

do setor florestal, às inadequações da legislação e da política florestal, às deficiências

institucionais, aos riscos e incertezas em relação aos problemas fundiários e sócio-econômicos, à

falta de tecnologias apropriadas e à baixa rentabilidade do manejo florestal sustentável, que

envolve investimentos elevados em longo prazo.

Atualmente, existem boas informações sobre técnicas de manejo sustentável de florestas

naturais inequiâneas na Ásia, África e na América, as quais, sem dúvida poderão ser adaptados às

condições das florestas tropicais brasileiras.

As pesquisas que têm sido desenvolvidas para testar a viabilidade do manejo florestal

madeireiro têm privilegiado principalmente a verificação de aspectos técnico-científicos. As análises

econômicas ainda estão limitadas a experiências em projetos demonstrativos, carecendo de

informações sobre o comportamento econômico em escala empresarial e envolvendo mais de um

ciclo de corte. Enfim, não existem, na Amazônia, experiências de pesquisas que busquem agregar e

integrar a dimensão social, política, ecológica e econômica numa mesma proposta de análise.

É preciso ter claro que a identificação das vinculações entre o manejo florestal madeireiro

e o desenvolvimento sustentável não subentende, necessariamente, a aceitação tácita e irrestrita

do conjunto dos pressupostos dessa proposta de desenvolvimento. Tampouco se pode deduzir que

as bases de uma sociedade mais justa social e ambientalmente podem ser construídas sem que se

processem profundas modificações nas relações sociais e nas relações de poder entre indivíduos,

sociedades e nações nos níveis local, nacional e mundial.

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1.3.2 - Histórico e Desenvolvimento

Desde a origem das civilizações as florestas começaram a ser derrubada, pois as árvores

eram usadas como material de construções e combustível. Isto perdurou por mais de cinco mil

anos, desde a Idade do Bronze até meados do século XIX. Para a maioria das pessoas que

habitam o planeta as árvores ainda cumprem essas funções (PERLIN, 1992).

Quanto a origem, o manejo florestal não tem uma data precisa de nascimento. Entretanto,

há relatos muito antigos das primeiras tentativas de manejo ordenado das florestas, porém estas

tentativas não chegaram a formar uma base teórica sobre o assunto.

Dentre os mais antigos relatos há registros que em 1122 a.C., um imperador chinês contratou

um silviculturista cuja principal tarefa era o desbaste, a poda e a limpeza das florestas. Os romanos

conheciam o regime de alto fuste e começaram a planejar a utilização das florestas desde 23-79 d.C.

Na Europa Central, onde nasceu o ordenamento florestal, o sistema de talhadia é

conhecido desde o período de Carlos Magno (742-814 d.C.).

Práticas de rendimento sustentado foram desenvolvidas, na Alemanha no século 14,

mediante a divisão da área em parcelas iguais tamanho. O número de parcelas coincide com a

idade de rotação. Durante o século 18, também na Alemanha, começava incentivada pelo perigo

de escassez de madeira, a elaboração de uma teoria de ordenamento para regular o corte com base

no volume em vez da área; calculava-se já o volume normal de uma floresta.

Foram escritos vários manuais sobre ordenamento florestal e em 1.789 foi fundada a

primeira escola de floresta por G.L. HARTIG que formulou em 1804 a teoria básica do manejo

sustentado: “manejar as florestas de maneira que os descendentes possam obter dela pelo menos

os mesmos benefícios que a geração vivente”.

A administração florestal foi introduzida na França em 1346, 1376 e de 1820, com

objetivo de inventariar as florestas e fiscalizar os cortes. Em 1669 a lei incentivava uma época de

desenvolvimento do manejo florestal.

Os sistemas silviculturais utilizados em manejo nos paises com florestas tropicais, são

adaptações dos modelos clássicos desenvolvidos para as florestas temperadas. As principais

experiências silviculturais voltadas para o manejo florestal foram executadas na Índia e Birmânia,

em meados do século XIX.

A história do manejo florestal para os paises com florestas tropicais tornou-se conhecida

com o surgimento dos reinos coloniais europeus. Dietrich Brandis escreveu, em 1860, o primeiro

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plano de ordenamento para Tectona grandis L.F. da Birmânia, desenvolvendo o método

“taungya” e na Índia foi funda o serviço florestal indiano.

O serviço florestal da Malásia foi criado em 1883, e teve como principais atividades o

controle do extrativismo madeireiro, a manutenção de reservas florestais, legislação e administração.

Neste serviço as atividades de manejo florestal praticamente não foram executadas.

Nos paises africanos as primeiras experiências silviculturais são registradas desde o início do

século XX. As primeiras pesquisas implantadas em Togo e Camarões datam de 1908. Entre 1920 e

1930, na África Ocidental Britânica, foram instalados os primeiros experimentos florestais da região.

No continente americano, as primeiras experiências silviculturais foram implantadas em

Trinidad entre 1890 e 1900.

O conceito de manejo florestal em regime de rendimento sustentado foi introduzido, no

Brasil, a partir da realização dos inventários florestais, executados por peritos da FAO, em fins da

década de 50. O primeiro plano de manejo da Amazônia brasileira foi elaborado para a FLONA

de Tapajós, em 1978, para uma área de 130.000 ha. Atualmente diversos estudos e ensaios estão

sendo praticados por agentes públicos e privados. Desde 1980, o INPA vem desenvolvendo

estudo sobre a dinâmica das intervenções do processo pós-exploratório.

1.3.3 - Importância do setor florestal para o Desenvolvimento Regional

A exploração seletiva de madeira começa a desempenhar papel importante, tanto na

alteração da paisagem, como na manutenção das atuais taxas de desmatamento na Amazônia. Até

recentemente, fins dos anos 80 e início dos anos 90 a madeira era considerada como subproduto

de projetos de desenvolvimento na Amazônia, principalmente agropecuários.

O Estado de Mato Grosso, apesar de oferecer vantagens para a indústria de base florestal,

esta é pouco desenvolvida e ainda encontra-se alicerçada no extrativismo seletivo. O setor de

base florestal é um componente muito importante na economia do Estado em termos de geração

de renda, manutenção de empregos diretos e indiretos e geração de impostos.

Em função da exuberância das florestas existente no Estado o processo de aproveitamento

da madeira e outros produtos trouxeram associado um importante parque industrial de base

florestal com 35,65% do total das indústrias instaladas (MATO GROSSO, 2001). A atividade do

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setor florestal é responsável pela ocupação de 26% da mão de obra, o que equivale a 39 mil

postos de trabalho (PRODEFLORA, 2001).

O segmento de desdobramento e beneficiamento de madeiras é, hoje, numa das principais

atividades econômicas, cujo parque industrial é formado por aproximadamente 1.214 indústrias

composta por serrarias, laminadoras e compensados, constituindo-se no maior segmento industrial

instalado em Mato Grosso. O Brasil participou do mercado mundial de madeiras tropicais em 2000

com 2,1% e, deste total, Mato Grosso contribuiu com 1,5%.

A participação do setor florestal na arrecadação de ICMS foi em média no período de

1991 a 1999 de 8,65%, correspondendo a cifra de R$ 67.103.394,65.

Para aumentar a participação brasileira e também mato-grossense no mercado mundial de

madeiras tropicais não basta apenas aumentar indiscriminadamente a extração de madeira. Torna-

se necessário sensibilizar o proprietário rural sobre a importância do valor da floresta, que se bem

utilizada pode lhe conferir renda a curto prazo, para isto é necessário tomar medidas que reduzam

os riscos decorrentes da atividade. Nesse aspecto salienta-se a importância do manejo florestal no

sentido de minimizar os efeitos da intervenção na floresta, de perpetuar a atividade e de torná-la

mais produtiva.

O Brasil participa do comércio mundial de madeira tropical com pouco mais de 2%, deste

total Mato Grosso participa com 1,5% conforme é demonstrado na tabela 01, a seguir.

Tabela 01 - Comercio mundial de madeira e a participação do estado e Mato Grosso em 1996

PRODUTO

TOTAL (US$ 1.000)

BRASIL (US$ 1.000)

% MATO GROSSO (US$ 1.000)

%

Tora 11,131.000 25,800 0,2 - -

Serrados 24,580.000 34,500 1,4 13,100 37,9

Compensado 8,676.000 248,000 2,9 16,278 6,5

Aglomerado 3,483.000 22,500 0,6 - -

Chapa dura 754,000 83,700 11,1 - -

MDF 1,000.000 - 0,0 - -

Outros 92,376.000 2,285.000 2,5 18,684 0,8

Total 142,000.000 3,010.000 2,1 48,062 1,5 Fonte: Mato Grosso, 2000

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