Apostila ef, Notas de aula de Educação física (PE). Liceo scientifico Pitagora
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berg_oliveira25 de Agosto de 2015

Apostila ef, Notas de aula de Educação física (PE). Liceo scientifico Pitagora

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(Microsoft Word - APOSTILA DO 3\272 E 4\272 BIMESTRE DE 2011)

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APOSTILA DE EDUCAÇÃO FÍSICA - E.E.E.P. OSMIRA EDUARDO DE CASTRO - MORADA NOVA/CE PROFº HECCTOR RODRIGO MAGALHÃES FREITAS - CREF 006283-G/CE

1. CAPACIDADES FÍSICAS BÁSICAS

Para a prática de uma atividade física, coloca-se em jogo várias capacidades físicas. Capacidades

físicas são ações musculares e processos motores que dizem respeito à formação corporal e a técnica de movimentos, ou seja, qualidades que fazem parte de nosso corpo, essenciais para uma vida ativa e saudável.

Entre as capacidades físicas, podemos citar: a coordenação, a flexibilidade, resistência, velocidade, força, agilidade e equilíbrio. Cada um delas tem características, desenvolvimento e curiosidades muito peculiares.

Quando assistimos ao desempenho de um atleta vencendo obstáculos, podemos ter certeza de que ele está utilizando uma ou mais capacidades físicas. Mas o cidadão que não pratica esporte de alto nível também deve melhorar o nível de suas capacidades físicas se estiver interessado em manter uma boa postura, resolver as tarefas do cotidiano ou mesmo praticar atividade física voltada para o lazer. (DARIDO E JUNIOR, 2007).

1.1 COORDENAÇÃO

A coordenação motora é a capacidade do cérebro de equilibrar os movimentos do corpo, mais especificamente dos músculos e das articulações. Pode-se verificar o desempenho motor de uma pessoa através de sua agilidade, velocidade e energia.

A coordenação motora é dividida em: Coordenação geral • Coordenação geral especifica • Coordenação fina

Coordenação motora grossa ou geral - que visa utilizar os grandes músculos (esqueléticos) de forma mais eficaz tornando o espaço mais tolerável à dominação do corpo, de fora global mais eficiente, plástica e econômica. Este tipo de coordenação permite a criança ou adulto dominar o corpo no espaço, controlando os movimentos mais rudes.

Ex: andar, pular, rastejar e etc.

Coordenação geral especifica - permite controlar movimentos específicos de uma atividade. Ex: chutar uma bola (futebol), arremessar (basquete) e etc.

Coordenação motora fina - que visa utilizar os pequenos músculos de forma mais eficaz tornando o ambiente controlável pelo corpo para o manuseio de objetos, produzindo assim movimentos delicados e específicos.

Ex: recortar, lançar ao alvo, escrever, digitar e etc.

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1.2 FLEXIBILIDADE

Flexibilidade - É capacidade de aproveitar as possibilidades de movimentos articulares, os mais amplos possíveis, em todas as direções. Em diversos esportes e atividades físicas, pode-se perceber a influencia de flexibilidade na execução de movimentos.

Amplitude de Movimento- Dimensão do deslocamento do corpo ou de seus segmentos entre certos pontos, de orientação convencionalmente escolhida, expressada em graus e unidades lineares.

Mobilidade- Refere-se à amplitude de movimento permitida pela articulação em função de seus diversos componentes.

Elasticidade - Diz-se à capacidade de extensão elástica dos componentes. Plasticidade - É a capacidade dos elementos articulares de se distendem e não retornarem à sua

medida inicial. Em parte, no caso dos componentes articulares, a deformação é apenas temporária, porém, uma pequena parte das deformações plásticas ocorridas como resultado do treinamento de flexibilidade de alta intensidade são irreversíveis.

Porque a flexibilidade é importante?

Para aumentar a qualidade e a quantidade dos movimentos;

Melhora a postura corporal; Diminui os riscos de lesões; Favorecer a maior mobilidade nas atividades diárias e esportivas.

Ligamentos - tem baixo coeficiente de elasticidade e alto coeficiente de plasticidade. Tendões - tem baixo coeficiente de elasticidade e de plasticidade. Músculos - tem alto coeficiente de elasticidade, principalmente quando trabalhados para tal.

Obs.: - Geralmente quando os limites são superados em seus coeficientes de elasticidade e plasticidade, causa o rompimento das estruturas e o surgimento de lesões.

FATORES QUE LIMITAM A FLEXIBILIDADE

INFLUÊNCIAS INTERNAS INFLUÊNCIAS EXTERNAS

Tipo de articulação Temperatura ambiente

Resistência interna da articulação Hora do dia

Estrutura óssea que limita o movimento Idade

Elasticidade do tecido muscular Gênero (masculino ou feminino)

Elasticidade de tendões e ligamentos Roupa ou equipamentos inadequados

Elasticidade da pele Nível de condicionamento

Habilidade do músculo de contrair e relaxar de acordo com a intensidade do movimento

Habilidade particular em alguns movimentos

Temperatura das articulações associadas aos tecidos Recuperação da articulação ou músculo após uma lesão

Quanto a Flexibilidade:

A flexibilidade é bastante específica para cada articulação podendo variar de indivíduo para indivíduo e até no mesmo indivíduo com passar do tempo.

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Curiosidades e características da flexibilidade

A flexibilidade sofre a influencia de alguns fatores que podem ser caracterizados pela idade e pelo sexo. Do nascimento até a velhice, a flexibilidade tem picos e quedas. Nos bebês, as articulações não estão formadas por completo, por isso eles conseguem colocar os pés na boca.

Até a fase pré-púbere, a flexibilidade é grande. Na adolescência, há uma diminuição, que tende a se acentuar na fase adulta e na velhice.

As meninas, em geral, têm flexibilidade maior que os meninos, porque, entre outros fatores, elas tendem a ter uma quantidade menor de massa muscular, possibilitando uma maior mobilidade articular. Existem meninos com mais flexibilidade do que as meninas, mas é uma minoria.

Tipos de Flexibilidade:

1- Ativa - é a máxima amplitude que se pode obter através de movimentos efetuados pelos músculos de forma voluntária.

2- Passiva - é a máxima amplitude articular que se consegue em um movimento através da ação de uma segunda pessoa, aparelhos, força da gravidade, etc.

1.3 RESISTÊNCIA

Resistência – é a capacidade de realizar trabalho muscular com uma dada intensidade e durante um determinado período de tempo. O principal fator limitante e que simultaneamente afeta o resultado é a fadiga. Considera-se que um atleta tem uma boa resistência quando não se cansa facilmente ou ainda quando consegue continuar a realizar um determinado movimento em estado de fadiga. Dentro do complexo das capacidades motoras, a resistência é a capacidade que deve ser desenvolvida em primeiro. Sem uma boa resistência é difícil repetir suficientemente outros tipos de treino de modo a desenvolver outros componentes da aptidão física.

Tipos de resistências:

• Resistência aeróbica; • Resistência anaeróbica.

Resistência anaeróbia - É a capacidade de execução de determinada atividade com alta intensidade em um curto espaço de tempo, durante um período de tempo inferior a três minutos. O desenvolvimento da resistência anaeróbia em atletas de alto nível possibilita o prolongamento dos esforços máximos mantendo a velocidade e o ritmo do movimento, mesmo com o crescente débito de oxigênio, da conseqüente fadiga muscular e o aparecimento de uma solicitação mental progressiva.

Resistência aeróbia – Esse tipo de resistência permite manter o esforço de intensidade moderada durante longo tempo, com equilíbrio entre o que se capta de oxigênio e o que se consome.

A maratona, as corridas de longa distância do atletismo, como a prova de 10 mil metros, a marcha atlética, o triatlo, o duatlo, a natação de longa distância são exemplos de atividades físicas que requerem bons níveis de resistência aeróbia.

1.4 VELOCIDADE Velocidade – É a capacidade de execução de um movimento ou cobertura de

uma distância no menor tempo possível ou como a capacidade de realizar um esforço de máxima freqüência e amplitude de movimentos durante um tempo curto.

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Podemos observar a velocidade em muitas atividades esportivas e recreativas, assim como no nosso cotidiano. Nas atividades esportivas, a velocidade aparece no futebol, no atletismo, no basquete, no vôlei, na natação. Nas atividades recreativas, está em jogos como pega-pega, pique-bandeira. Em nosso cotidiano, aparecem situações como “atravessar a rua correndo”, “correr porque vai chover”.

A velocidade está dividida em três:

Velocidade de reação - “tempo requerido para ser iniciada

uma resposta a um estímulo específico”. Velocidade de deslocamento ou velocidade de

movimento - “A capacidade máxima de um indivíduo deslocar-se de um ponto para outro”, sendo importantíssima nos esportes coletivos e no Atletismo (provas de velocidade).

Velocidade de movimento dos membros (superiores ou inferiores) - “a habilidade de mover os braços ou pernas tão rápido quanto possível”.

1.5 FORÇA

Força - É a capacidade física que permite a um músculo ou um grupo de músculos produzir uma tensão e vencer uma resistência na ação de empurrar, tracionar, elevar, apertar, abaixar, segurar, etc.

Tipos de Força: A força nunca aparece sob uma forma pura, mas constantemente como uma combinação, ou mais ou menos como uma mistura de fatores físicos de condicionamento da “performance”. São elas:

Força dinâmica (isotônica) - É “o tipo de força que envolve as forças dos músculos nos membros em movimentos repetidos durante um período de tempo”.

Força de explosão (potência) - É a capacidade que o sistema neuromuscular tem de superar resistências com a maior velocidade de contração possível. Esta combinação de velocidade de contração muscular e velocidade de movimento designam-se freqüentemente potência.

Força estática (isométrica) - É “o tipo de força que explica o fato de haver força produzindo calor, e não havendo produção de trabalho em forma de movimento”.

1.6 AGILIDADE

Agilidade - É a capacidade de deslocar o corpo no espaço o mais rápido possível, mudando o centro de gravidade de posição, sem perder o equilíbrio e a coordenação dos movimentos.

A agilidade aparece muito nas atividades esportivas e recreativas, assim como em movimentos relacionados ao nosso dia-a-dia. Por exemplo: nos esporte – basquete, esgrima, boxe, vôlei, tênis, futsal, futebol americano; nas atividades recreativas – pega-pega, queimada, pique-bandeira; nas atividades do cotidiano – o desviar de algum objeto lançado em nossa direção.

1.7 EQUILÍBRIO

Equilíbrio - É uma das capacidades físicas mais importantes e precisamos dele em diferentes situações: ficar em pé, andar, andar de bicicleta, de patins, de skate, etc.

É a capacidade de manter o corpo estável em uma posição estática ou em movimento.

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Os principais órgãos responsáveis pelo equilíbrio são o labirinto do ouvido interno e o cerebelo, que tem influência no equilíbrio por ser responsável pela coordenação de todos os movimentos.

A posição da cabeça nas atividades é importante para a manutenção ou perda do equilíbrio. Observe uma bailarina quando faz giros, ela está sempre olhando para um ponto fixo e só gira a cabeça após o corpo girar, sem tirar o olho do ponto.

Há alguns tipos de equilíbrio. O equilíbrio dinâmico é aquele que o indivíduo mantém equilibrando-se durante um movimento. Por exemplo, quando andamos de bicicleta, quando andamos em um muro, quando corremos. O equilíbrio estático é a capacidade de equilibrar-se em uma posição estática, sem movimento. Esse equilíbrio está presente ao ficarmos de pé por exemplo. O equilíbrio de recuperação é a capacidade de recuperar o equilíbrio em uma posição específica, após sofrer um desequilíbrio. Por exemplo, quando um ginasta sai da barra fixa, ou cavalo, após um salto, e tem que cair de pé, sem mover os dois pés para frente ou para trás. Atividade: 1. Marque V para afirmativa verdadeira e F para afirmativa falsa:

a) O desenvolvimento da força depende de alguns fatores, dentre eles, a idade e o sexo. ( ) b) A força aumenta desde o nascimento até a idade adulta, diminuindo na velhice. ( ) c) Existem mulheres “mais fortes” do que os homens. ( ) d) Pessoas altas são sempre mais fortes do que as mais “baixinhas”. ( ) e) Na maioria dos casos, os homens são mais fortes que as mulheres, em virtude da diferença de

massa muscular. ( ) f) A flexibilidade diminui com a idade. ( ) g) Exercícios de alongamento são importantes no ganho da flexibilidade. ( ) h) As moças, geralmente, têm mais flexibilidade do que os rapazes. ( ) i) A flexibilidade é uma capacidade física não treinável. ( ) j) As capacidades físicas só são necessárias para atletas. ( )

2. Assinale a segunda coluna de acordo com a primeira (deve-se analisar a capacidade física que está sendo mais exigida):

( 1 ) Resistência ( 2 ) Velocidade ( 3 ) Força ( 4 ) Agilidade ( 5 ) Flexibilidade ( 6 ) Equilíbrio ( 7 ) Coordenação

( ) Escrever uma carta ( ) Exercícios de alongamento ( ) Correr por 10 km ( ) Desviar de um soco no boxe ( ) 50 metros livre na natação ( ) Deslocar uma TV da sala ao quarto ( ) Fazer uma faxina completa em casa ( ) Andar sobre um muro ( ) Dar uma finta no basquete ( ) 100 metros rasos no atletismo ( ) Ficar em pé por 30 minutos na fila do banco

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2. INTRODUÇÃO AOS PRIMEIROS SOCORROS

O corpo de bombeiros define socorros de urgência, ou primeiros socorros, como as medidas inicialmente tomadas por alguém que esteja qualificado para prestar o socorro, a fim de manter os sinais vitais e evitar o agravamento de lesões já existentes em uma pessoa que esteja fora do ambiente hospitalar.

Já segundo a Cruz Vermelha Americana, socorros de urgência são os cuidados imediatamente prestados a quem esteja lesionado ou subitamente adoecido. Quem presta os socorros de urgência precisa saber também que encorajar aquele que recebe os socorros, com palavras tranquilizadoras e motivadoras, que demonstrem sua competência para socorrer.

Assim, quem presta socorros deve saber o que fazer e o que não fazer, evitando os erros frequentemente cometidos por quem não está preparado para lidar com situações de urgência. A diferença entre a vida e a morte (em casos mais extremos) ou entre uma rápida recuperação ou um longo período de hospitalização e tratamento pode depender da qualidade dos conhecimentos sobre socorros de urgência daquele que presta esse atendimento.

Quando estamos em uma atividade corporal, seja em uma aula de educação física na escola, seja uma atividade esportiva ou recreativa, o risco de ocorrer uma lesão ou um acidente está sempre presente. Em tais situações, precisamos saber como fazer para prestar socorro a quem está lesionado, acidentado ou subitamente se sente mal.

Toda pessoa que for realizar o atendimento pré hospitalar (APH), mais conhecido como primeiros socorros, deve antes de tudo, atentar para a sua própria segurança. O impulso de ajudar a outras pessoas, não justifica a tomada de atitudes inconseqüentes, que acabem transformando-o em mais uma vítima.

A seriedade e o respeito são premissas básicas para um bom atendimento de APH (primeiros socorros). Para tanto, evite que a vítima seja exposta desnecessariamente e mantenha o devido sigilo sobre as informações pessoais que ela lhe revele durante o atendimento.

Quando se está lidando com vidas, o tempo é um fator que não deve ser desprezado em hipótese alguma. A demora na prestação do atendimento pode definir a vida ou a morte da vítima, assim como procedimentos inadequados. Importante lembrar que um ser humano pode passar até três semanas sem comida, uma semana sem água, porém, pouco provável, que sobreviva mais que cinco minutos sem oxigênio. 2.1 ALGUNS CONCEITOS APLICADOS AOS PRIMEIROS SOCORROS Primeiros Socorros: São os cuidados imediatos prestados a uma pessoa, fora do ambiente hospitalar, cujo estado físico, psíquico e ou emocional coloquem em perigo sua vida ou sua saúde, com o objetivo de manter suas funções vitais e evitar o agravamento de suas condições (estabilização), até que receba assistência médica especializada. Prestador de socorro: Pessoa leiga, mas com o mínimo de conhecimento capaz de prestar atendimento à uma vítima até a chegada do socorro especializado.

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Socorrista: É a pessoa tecnicamente capacitada para, com segurança, avaliar e identificar problemas que comprometam a vida. Cabe ao socorrista prestar o adequado socorro pré-hospitalar e o transporte do paciente sem agravar as lesões já existentes. Manutenção da Vida: Ações desenvolvidas com o objetivo de garantir a vida da vítima, sobrepondo à "qualidade de vida". Qualidade de Vida: Ações desenvolvidas para reduzir as seqüelas que possam surgir durante e após o atendimento. Urgência: Estado grave, que necessita atendimento médico, embora não seja necessariamente uma emergência. Ex: contusões leves, entorses, luxações. Emergência: Estado que necessita de encaminhamento rápido ao hospital. O tempo gasto entre o momento em que a vítima é encontrada e o seu encaminhamento deve ser o mais curto possível. Ex: Parada Cardiorrespiratória e hemorragias graves. Acidente: Fato do qual resultam pessoas feridas e/ou mortas que necessitam de atendimento. Incidente: Fato ou evento desastroso do qual não resulta pessoas mortas ou feridas, mas que pode oferecer risco futuro. Sinal: É a informação obtida a partir da observação da vítima. Sintoma: É informação a partir de um relato da vítima.

Acidentes ocorrem a qualquer hora, em qualquer lugar e com qualquer pessoa. Devemos estar

preparados para enfrentá-los, e da melhor maneira possível.

2.2 OMISSÃO DE SOCORRO

Deixar de prestar socorro, ou seja, não dar nenhuma assistência a vítima de acidente ou a pessoa em perigo iminente podendo fazê-lo, é crime segundo o artigo 135 do Código Penal Brasileiro.

A omissão ou a falta de um pronto atendimento eficiente são os principais motivos de mortes ou danos irreversíveis em vítimas de acidentes de trânsito. 2.3 OBJETIVOS DOS PRIMEIROS SOCORROS:

Preservar a vida; Reduzir o sofrimento; Prevenir complicações; Proporcionar transporte adequado, possibilitando melhores condições para receber o tratamento

definitivo. 2.4 ATITUDES BÁSICAS Para que se possa realizar o primeiro atendimento a uma vítima, é necessário algumas atitudes, como:

Seriedade, compreensão e confiança; Manter a calma de si mesmo e das outras pessoas; Agilidade; Bom senso; Conhecimento técnico e científico; Agir com segurança para não se tornar outra vítima; Improviso; Jamais ultrapassar os limites de atuação; Não levar a mão à boca e olhos sem antes lavar com água e sabão; Utilizar luvas de borracha no atendimento;

Lembre-se!!!

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2.5 OS 10 MANDAMENTOS DO SOCORRISTA 1º - Mantenha a calma; 2º - Tenha em mente a seguinte ordem de segurança quando você estiver prestando socorro: primeiro eu (o socorrista), depois minha equipe (incluindo os transeuntes) e por ultimo a vítima. Isso parece ser contraditório à primeira vista, mas tem o intuito básico de não gerar novas vítimas; 3º - Ao prestar socorro, é fundamental ligar para o atendimento pré-hospitalar assim que chegar ao local do acidente. Podemos, por exemplo, discar 193 (número do corpo de bombeiros); 4º - sempre verificar se há riscos no local, para você e sua equipe, antes de agir no acidente; 5º - Mantenha sempre o bom-senso; 6º - Mantenha o espírito de liderança, pedindo ajuda e afastando os curiosos; 7º - Distribua tarefas, assim, os transeuntes que lhe atrapalhariam o ajudará e se sentirão mais úteis; 8º - Evite manobras intempestivas (realizar de forma imprudente, com pressa); 9º - Em caso de múltiplas vítimas, dê preferência aquelas que correm maior risco de vida como, por exemplo, vítimas em parada cardiorrespiratória ou que estejam sangrando muito; 10º - Seja socorrista e não um herói (lembre-se do 2º mandamento).

2.6 ATENDIMENTO ÀS VÍTIMAS

Enquanto o socorro especializado não chegar, devemos tomar algumas precauções básicas. Antes de qualquer procedimento, avaliar a cena do acidente e observar se ela pode oferecer riscos,

para o acidentado e para você. EM HIPÓTESE NENHUMA PONHA SUA PRÓPRIA VIDA EM RISCO. Existem critérios internacionalmente aceitos, no que se refere a abordagem (atendimento) da

vítima. As etapas principais são as seguintes: 2.6.1 PRINCIPAIS ETAPAS

AVALIAÇÃO PRIMÁRIA

Consiste na primeira avaliação feita ao chegar ao local do acidente, antes de se iniciar o socorro: 1º Avaliar o Local

É importante observar rapidamente se existem perigos para o acidentado e para quem estiver prestando o socorro nas proximidades da ocorrência. Por exemplo:

Fios elétricos soltos e desencapados; tráfego de veículos; andaimes; vazamento de gás; máquinas funcionando; risco de desmoronamento, explosão, queda de objetos, etc.;

Assumir o controle da situação; Evitar o pânico e afastar os curiosos.

2º Avaliar a Vítima - o estado que ela se encontra:

Neste momento deverá ser feito um rápido exame da vítima, obedecendo a uma sequência padronizada e corrigindo imediatamente os problemas encontrados. O exame deverá ser feito rigorosamente nessa seqüência: O “ABCDE” da vida.

A - Abertura das vias aéreas com controle cervical - Estão desobstruídas? Existe lesão da cervical? B - Boa ventilação, respiração - Está adequada? C - Circulação, hemorragia e controle do choque - Existe pulso palpável? Há hemorragias graves? D - Distúrbio neurológico, nível de consciência; E - Exposição e proteção da vítima

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AVALIAÇÃO SECUNDÁRIA É realizado após a estabilização dos sinais vitais da vítima. Consiste em uma avaliação minuciosa,

a qual se inicia na cabeça e vai até os pés, na parte anterior (frente) e posterior (costas), identificando lesões que apesar de sua gravidade não colocam a vítima em risco iminente de morte. 2.6.2 CLASSIFICAÇÃO DA VÍTIMA

Pelo histórico do acidente deve-se observar indícios que possam ajudar ao prestador de socorro

classificar a vítima como clínica ou traumática. Vítima Clínica: apresenta sinais e sintomas de disfunções com natureza fisiológica, como doenças, etc. Vítima de Trauma: apresenta sinais e sintomas de natureza traumática, como possíveis fraturas. Devemos nesses casos atentar para a imobilização e estabilização da região suspeita de lesão. 2.7 SINAIS VITAIS - FORMAS DE CHECAGEM: "VER / OUVIR / SENTIR"

Sinais vitais são aqueles que indicam a existência de vida. São reflexos ou indícios que permitem concluir sobre o estado geral de uma pessoa. Os sinais sobre o funcionamento do corpo humano que devem ser compreendidos e conhecidos são:

Temperatura (precisa de instrumental específico) Pulso - braquial e carotídeo Respiração - geralmente usa-se o dorso da mão para sentir Pressão arterial (precisa de instrumental específico)

Parâmetros considerados normais para sinais vitais.

Temperatura: 36.5º C; Pulso: 60 a 100 bpm; FR: 12 a 20 ipm; P.A: 120 x 80 mmHg.

Os sinais vitais são sinais que podem ser facilmente percebidos, deduzindo-se assim, que na

ausência deles, existem alterações nas funções vitais do corpo 2.7.1 TEMPERATURA CORPORAL

A temperatura resulta do equilíbrio térmico mantido entre o ganho e a

perda de calor pelo organismo. A temperatura é um importante indicador da atividade metabólica, já que o calor obtido nas reações metabólicas se propaga pelos tecidos e pelo sangue circulante.

A temperatura do corpo humano está sujeita a variações individuais e a flutuações devido a fatores fisiológicos como: exercícios, digestão, temperatura ambiente e estado emocional. A avaliação diária da temperatura de uma pessoa em perfeito estado de saúde nunca é maior que um grau Celsius, sendo mais baixa pela manhã e um pouco elevada no final da tarde. Existe pequena elevação de temperatura nas mulheres após a ovulação, no período menstrual e no primeiro trimestre da gravidez.

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Nosso corpo tem uma temperatura média normal que varia de 36 a 37ºC. A avaliação da temperatura é uma das maneiras de identificar o estado de uma pessoa, pois em algumas emergências a temperatura muda muito.

O sistema termorregulador trabalha estimulando a perda de calor em ambientes de calor excessivo e acelerando os fenômenos metabólicos no frio para compensar a perda de calor. Graças a isto, o homem é um ser homeotérmico que, ao contrário de outros animais, mantêm a temperatura do corpo constante a despeito de fatores externos.

VARIAÇÃO DE TEMPERATURA DO CORPO

ESTADO TÉRMICO TEMPERATURA (ºC) Sub-normal 34-36

Normal 36-37

Estado febril 37-38

Febre 38-39

Febre alta (pirexia) 39-40

Febre muito alta (hiperpirexia) 40-41

Perda de Calor

O corpo humano perde calor através de vários processos que podem ser classificados da seguinte maneira:

Eliminação - fezes, urina, saliva, respiração. Evaporação - a evaporação pela pele (perda passiva) associada à eliminação permitirá a perda de calor em elevadas temperaturas. Condução - é a troca de calor entre o sangue e o ambiente. Quanto maior é a quantidade de sangue que circula sob a pele maior é a troca de calor com o meio. O aumento da circulação explica o avermelhamento da pele (hipermia) quando estamos com febre.

Verificação da Temperatura

Oral ou bucal - Temperatura média varia de 36,2 a 37ºC. O termômetro deve ficar por cerca de três minutos, sob a língua, com o paciente sentado, semi-sentado (reclinado) ou deitado.

Não se verifica a temperatura de vítimas inconscientes, crianças depois de ingerirem líquidos (frios ou quentes) após a extração dentária ou inflamação na cavidade oral.

Axilar - Temperatura média varia de 36 a 36,8ºC. A via axilar é a mais sujeita a fatores externos. O termômetro deve ser mantido sob a axila seca, por 3 a 5 minutos, com o acidentado sentado, reclinado ou deitado.

Não se verifica temperatura em vítimas de queimaduras no tórax, processos inflamatórios na axila ou fratura dos membros superiores.

Retal - Temperatura média varia de 36,4 a 37ºC. O termômetro deverá ser lavado, seco e lubrificado com vaselina e mantido dentro do reto por 3 minutos com o acidentado em decúbito lateral, com a flexão de um membro inferior sobre o outro.

Não se verifica a temperatura retal em vítimas que tenham tido intervenção cirúrgica no reto, com abscesso retal ou perineorrafia.

A verificação da temperatura retal é a mais precisa, pois é a que menos sofre influência de fatores externos.

O instrumento padrão para a medida da temperatura corpórea é o termômetro clínico de vidro com mercúrio. Em nosso meio, o método mais aceito é a temperatura axilar o que satisfaz plenamente aos propósitos clínicos. Vários instrumentos podem ser usados para a avaliação da temperatura da pele. A literatura internacional adota a medida da temperatura retal ou oral.

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2.7.2 PULSO

O pulso é a onda de distensão de uma artéria transmitida pela pressão que o coração exerce sobre o sangue. Esta onda é perceptível pela palpação de uma artéria e se repete com regularidade, segundo as batidas do coração.

Existe uma relação direta entre a temperatura do corpo e a freqüência do pulso. Em geral, exceto em algumas febres, para cada grau de aumento de temperatura existe um aumento no número de pulsações por minuto (cerca de 10 pulsações).

O pulso pode ser apresentado variando de acordo com sua freqüência, regularidade, tensão e volume.

a) Regularidade (alteração de ritmo) Pulso rítmico: normal Pulso arrítmico: anormal

b)Tensão c) Freqüência - Existe uma variação média de acordo com a idade como pode ser visto no Quadro abaixo.

PULSO NORMAL FAIXA ETÁRIA

60-100 bpm Adultos

80-90 bpm Crianças acima de 7 anos

80-120 bpm Crianças de 1 a 7 anos

110-130 bpm Crianças abaixo de um ano

130-160 bpm Recém-nascidos

d)Volume - Pulso cheio: normal

Pulso filiforme (fraco): anormal

A alteração na freqüência do pulso denuncia alteração na quantidade de fluxo sanguíneo. As causas fisiológicas que aumentam os batimentos do pulso são: digestão, exercícios físicos,

banho frio, estado de excitação emocional e qualquer estado de reatividade do organismo. No desmaio / síncope as pulsações diminuem. Através do pulso ou das pulsações do sangue dentro do corpo, é possível avaliar se a circulação e

o funcionamento do coração estão normais ou não. Pode-se sentir o pulso com facilidade: Procurar acomodar o braço do acidentado em posição relaxada. Usar o dedo indicador, médio e anular sobre a artéria escolhida para sentir o pulso, fazendo uma

leve pressão sobre qualquer um dos pontos onde se pode verificar mais facilmente o pulso de uma pessoa.

Não usar o polegar para não correr o risco de sentir suas próprias pulsações. Contar no relógio as pulsações num período de 60 segundos. Neste período deve-se procurar

observar a regularidade, a tensão, o volume e a freqüência do pulso. Existem no corpo vários locais onde se podem sentir os pulsos da corrente sanguínea.

Recomenda-se não fazer pressão forte sobre a artéria, pois isto pode impedir que se percebam os

batimentos.

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O pulso radial pode ser sentido na parte da frente do punho. Usar as pontas de 2 a 3 dedos levemente sobre o pulso da pessoa do lado correspondente ao polegar, conforme a figura abaixo.

O pulso carotídeo é o pulso sentido na artéria carótida que se localiza de cada lado do pescoço.

Posicionam-se os dedos sem pressionar muito para não comprimir a artéria e impedir a percepção do pulso.

Do ponto de vista prático, a artéria radial e carótida são mais fáceis para a localização do pulso, mas há outros pontos que não devem ser descartados.

2.7.3 RESPIRAÇÃO

A respiração é uma das funções essenciais à vida. É através dela que o corpo promove permanentemente o suprimento de oxigênio necessário ao organismo, vital para a manutenção da vida.

A respiração é comandada pelo Sistema Nervoso Central. Seu funcionamento processa-se de maneira involuntária e automática. É a respiração que permite a ventilação e a oxigenação do organismo e isto só ocorre através das vias aéreas desimpedidas.

A observação e identificação do estado da respiração de um acidentado de qualquer tipo de afecção é conduta básica no atendimento de primeiros socorros. Muitas doenças, problemas clínicos e acidentes de maior ou menor proporção alteram parcialmente ou completamente o processo respiratório.

Fatores diversos como secreções, vômito, corpo estranho, edema e até mesmo a própria língua podem ocasionar a obstrução das vias aéreas. A obstrução produz asfixia que, se prolongada, resulta em parada cardiorrespiratória.

O processo respiratório manifesta-se fisicamente através dos movimentos ritmados de inspiração e expiração. Na inspiração existe a contração dos músculos que participam do processo respiratório, e na expiração estes músculos relaxam-se espontaneamente. Quimicamente existe uma troca de gazes entre os meios externos e internos do corpo. O organismo recebe oxigênio atmosférico e elimina dióxido de carbono. Esta troca é a hematose, que é a transformação, no pulmão, do sangue venoso em sangue arterial.

Deve-se saber identificar se a pessoa está respirando e como está respirando. A respiração pode ser basicamente classificada por tipo e freqüência.

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A freqüência da respiração é contada pela quantidade de vezes que uma pessoa realiza os movimentos combinados de inspiração e expiração em um minuto. Para se verificar a freqüência da respiração, conta-se o número de vezes que uma pessoa realiza os movimentos respiratórios: 01 inspiração + 01 expiração = 01 movimento respiratório.

A contagem pode ser feita observando-se a elevação do tórax se o acidentado for mulher ou do abdome se for homem ou criança. Pode ser feita ainda contando-se as saídas de ar quente pelas narinas.

A freqüência média por minuto dos movimentos respiratórios varia com a idade. Por exemplo: um adulto possui um valor médio respiratório de 12 - 20 respirações por minuto.

FREQUÊNCIA RESPIRATÓRIA (VALORES NORMAIS)

FAIXA ETÁRIA FREQUENCIA RESPIRATÓRIA (ipm)

Recém nascido 30-60

Lactente 24-40

Pré-escolar 22-34

Escolar 18-30

Adolescente 12-16

Adulto 12-20 TIPOS DE RESPIRAÇÃO

Eupnéia - Respiração que se processa por movimentos regulares, sem dificuldades, na freqüência média.

Apnéia - É a ausência dos movimentos respiratórios, equivale à parada respiratória. Dispnéia - Dificuldade na execução dos movimentos respiratórios. Bradpnéia - Diminuição na frequência média dos movimentos respiratórios. Taquipnéia - Aceleração dos movimentos respiratórios. Ortopnéia - O acidentado só respira sentado. Hiperpnéia ou hiperventilação - É quando ocorre o aumento da freqüência e da profundidade

dos movimentos respiratórios.

Fatores fisiopatológicos podem alterar a necessidade de oxigênio ou a concentração de gás carbônico no sangue. Isto contribui para a diminuição ou o aumento da freqüência dos movimentos respiratórios. A nível fisiológico os exercícios físicos, as emoções fortes e banhos frios tendem a aumentar a freqüência respiratória. Em contra partida o banho quente e o sono a diminuem. 2.7.4 PRESSÃO ARTERIAL

A pressão arterial é a pressão do sangue, que depende da força de

contração do coração, do grau de distensibilidade do sistema arterial, da quantidade de sangue e sua viscosidade.

Uma pessoa com hipertensão deverá ser mantida com a cabeça elevada; deve ser acalmada; reduzir a ingestão de líquidos e sal e ficar sob observação permanente até a chegada do médico. No caso do hipotenso, deve-se promover a ingestão de líquidos com pitadas de sal, deitá-lo e chamar um médico.

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É importante perguntar à vítima sua pressão arterial e passar essa informação ao profissional que for prestar o socorro especializado.

CLASSIFICAÇÃO DIAGNÓSTICA DA HIPERTENSÃO ARTERIAL (> 18 ANOS DE IDADE)

PAD (mmHg) PAS (mmHg) CLASSIFICAÇÃO

<85 < 130 Normal

85-89 130-139 Normal limítrofe

90-99 140-159 Hipertensão leve (estágio 1)

100-109 160-179 Hipertensão moderada (estágio 2)

≥ 110 ≥ 180 Hipertensão grave (estágio 1)

< 90 ≥ 140 Hipertensão Sistólica isolada

2.8 SINAIS DE APOIO

Além dos sinais vitais do funcionamento do corpo humano, existem outros que devem ser observados para obtenção de mais informações sobre o estado de saúde de uma pessoa. São os sinais de apoio; sinais que o corpo emite em função do estado de funcionamento dos órgãos vitais.

Os sinais de apoio podem ser alterados em casos de hemorragia, parada cardíaca ou uma forte batida na cabeça, por exemplo. Os sinais de apoio tornam-se cada vez mais evidentes com o agravamento do estado do acidentado. Os principais sinais de apoio são:

Dilatação e reatividade das pupilas Cor e umidade da pele Estado de consciência Motilidade e sensibilidade do corpo

2.8.1 DILATAÇÃO E REATIVIDADE DAS PUPILAS

A pupila é uma abertura no centro da íris - a parte colorida do olho - e sua função principal é controlar a entrada de luz no olho para a formação das imagens que vemos. A pupila exposta à luz se contrai. Quando há pouca ou quase nenhuma luz a pupila se dilata, fica aberta. Quando a pupila está totalmente dilatada, é sinal de que o cérebro não está recebendo oxigênio, exceto no uso de colírios midriáticos ou certos envenenamentos.

A dilatação e reatividade das pupilas são um sinal de apoio importante. Muitas alterações do organismo provocam reações nas pupilas. Certas condições de "stress", tensão, medo e estados de pré- choque também provocam consideráveis alterações nas pupilas.

Devemos observar as pupilas de uma pessoa contra a luz de uma fonte lateral, de preferência com o ambiente escurecido. Se não for possível deve-se olhar as pupilas contra a luz ambiente.

MIOSE – Pupilas contraídas, sem reação a luz Lesões no sistema nervoso central. Abuso de drogas

ANISOCORICA – Pupilas assimétricas (uma dilatada e outra contraída) Acidente vascular cerebral - AVC, Traumatismo crânio encefálico - TCE.

MIDRIASE – Pupilas dilatadas Ambiente com pouca luz, anóxia ou hipóxia severa, inconsciência, estado de choque, parada cardíaca, hemorragia, TCE.

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2.8.2 COR E UMIDADE DA PELE A cor e a umidade da pele são também sinais de apoio muito útil no reconhecimento do estado

geral de um acidentado. Uma pessoa pode apresentar a pele pálida, cianosada ou hiperemiada (avermelhada e quente).

A cor e a umidade da pele devem ser observadas na face e nas extremidades dos membros, onde as alterações se manifestam primeiro. A pele pode também ficar úmida e pegajosa. Pode-se observar estas alterações melhor no antebraço e na barriga.

ALTERAÇÕES ORGÂNICAS QUE PROVOCAM ALTERAÇÕES NA COR E UMIDADE DA PELE

ALTERAÇÃO OCORRÊNCIA

Cianose (pele azulada) Exposição ao frio, parada cardiorrespiratória, estado de choque,

morte.

Palidez Hemorragia, parada cardiorrespiratória, exposição ao frio,

extrema tensão emocional, estado de choque.

Hiperemia (pele vermelha e quente)

Febre, exposição a ambientes quentes, ingestão de bebidas alcoólicas, queimaduras de primeiro grau, traumatismo.

Pele fria e viscosa ou úmida e pegajosa Estado de choque

2.8.3 Estado de Consciência

Este é outro sinal de apoio importante. A consciência plena é o estado em que uma pessoa mantém o nível de lucidez que lhe permite perceber normalmente o ambiente que a cerca, com todos os sentidos saudáveis respondendo aos estímulos sensoriais.

Quando se encontra um acidentado capaz de informar com clareza sobre o seu estado físico, pode- se dizer que esta pessoa está perfeitamente consciente. Há, no entanto, situações em que uma pessoa pode apresentar sinais de apreensão excessiva, olhar assustado, face contraída e medo. Esta pessoa certamente não estará em seu pleno estado de consciência.

Uma pessoa pode estar inconsciente por desmaio, estado de choque, estado de coma, convulsão, parada cardíaca, parada respiratória, alcoolismo, intoxicação por drogas e uma série de outras circunstâncias de saúde e lesão.

No desmaio há uma súbita e breve perda de consciência e diminuição do tônus muscular. Já o estado de coma é caracterizado por uma perda de consciência mais prolongada e profunda, podendo o acidentado deixar de apresentar gradativamente reação aos estímulos dolorosos e perda dos reflexos.

2.8.4 Motilidade e Sensibilidade do Corpo

Qualquer pessoa consciente que apresente dificuldade ou incapacidade de sentir ou movimentar determinadas partes do corpo está obviamente fora de seu estado normal de saúde. A capacidade de mover e sentir partes do corpo são um sinal que pode nos dar muitas informações.

Quando há incapacidade de uma pessoa consciente realizar certos movimentos, pode-se suspeitar de uma paralisia da área que deveria ser movimentada. A incapacidade de mover o membro superior depois de um acidente pode indicar lesão do nervo do membro. A incapacidade de movimento nos membros inferiores pode indicar uma lesão da medula espinhal.

O desvio da comissura labial (canto da boca) pode estar a indicar lesão cerebral ou de nervo periférico (facial). Pede-se à vítima que sorria. Sua boca sorrirá torta, só de um lado.

Pedir à vítima de acidente traumático que movimente os dedos de cada mão, a mão e os membros superiores, os dedos de cada pé, o pé e os membros inferiores

Quando um acidentado perde o movimento voluntário de alguma parte do corpo, geralmente ela também perde a sensibilidade no local.

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Muitas vezes, porém, o movimento existe, mas o acidentado reclama de dormência e formigamento nas extremidades. É muito importante o reconhecimento destas duas situações, como um indício de que há lesão na medula espinhal. É importante, também, nestes casos tomar muito cuidado com o manuseio e transporte do acidentado para evitar o agravamento da lesão. Convém ainda lembrar que o acidentado de histeria, alcoolismo agudo ou intoxicação por drogas, mesmo que sofra acidente traumático, pode não sentir dor por várias horas.

A verificação rápida e precisa dos sinais vitais e dos sinais de apoio é uma chave importante para o desempenho de primeiros socorros. O reconhecimento destes sinais dá suporte, rapidez e

agilidade no atendimento e salvamento de vidas.

DICAS IMPORTANTES!!!

Toda vítima de trauma possui lesão cervical até provar o contrário! O estado de uma vítima é inversamente proporcional ao número de informações obtidas pelo socorrista.

Não se administra nada via oral para vítimas inconscientes!

Atividade:

1. Uma das ações do socorrista para manter a vítima viva é a estabilização dos seus sinais vitais. Cite quais são esses sinais: _______________________________________________________________________________ ______________________________________________________________________________

2. Antes de proceder à avaliação secundária, o socorrista deverá realizar: a) O transporte, não se preocupando com qualquer análise. b) A avaliação secundária. c) A pesquisa do ambiente onde ocorreu o acidente, relacionando-o com os problemas da vítima. d) A avaliação primária, afastando todos os perigos que ameaçam a vida

3. Dentre os objetivos dos primeiros socorros estão: a) Preservar a vida. b) Manter a vítima sofrendo. c) Prevenir complicações. d) Proporcionar transporte adequado e) Os itens a, c e d estão corretas.

4. Midríase é o estado em que as pupilas encontram-se: a) Contraídas. b) Normais. c) Dilatadas. d) Assimétricas.

5. Existem no corpo vários locais onde se podem sentir os pulsos da corrente sanguínea, cite os dois principais. 1 _____________________________________ 2 ____________________________________

6. Ao observar uma pessoa que acaba de acidentar-se o socorrista percebe que a vítima encontra-se em apnéia respiratória, isso significa que:

a) A respiração apresenta movimentos regulares, sem dificuldades, na freqüência média. b) Há uma ausência dos movimentos respiratórios. c) Há uma diminuição na frequência média dos movimentos respiratórios. d) Há uma dificuldade na execução dos movimentos respiratórios.

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3. POSTURA CORPORAL – COLUNA VERTEBRAL

A inteligência e a capacidade de deslocamento e movimentação, executando tarefas com precisão,

entre outros aspectos, é o que diferencia o ser humano de outros seres vivos. Com exceção da visão, nem mesmo os outros sentidos como o olfato e a audição são tão

importantes para uma vida saudável como a motricidade da coluna e membros. A coluna vertebral suporta o peso do corpo, contém e protege a medula espinhal que conduz todos

os estímulos nervosos do cérebro para os membros superiores, tronco e membros inferiores, permitindo e controlando todas as funções musculoesqueléticas, viscerais do abdômen e estrutural do tórax (pulmão e coração).

Qualquer doença que comprometa a coluna vertebral pode colocar em risco todas as estruturas e funções descritas. Na prática, os principais problemas da coluna vertebral são os degenerativos (desgastes) dos discos e articulações da coluna. Com o passar dos anos, o efeito da má postura, ganho de peso corporal, levantar e carregar pesos e a falta de condicionamento físico podem desencadear problemas na coluna.

O conhecimento da anatomia da coluna, como ela funciona, a importância de uma postura correta e de técnicas adequadas para a realização de esforços ou de levantar pesos, pode prevenir e proteger a coluna de lesões.

O reforço muscular, através de exercícios adequados e condicionamento físico, também são úteis na prevenção de desgastes e lesões tanto no trabalho quanto fora dele.

A coluna vertebral é parte subcranial do esqueleto axial. De forma muito simplificada, é uma haste firme e flexível, constituída de elementos individuais unidos entre si por articulações, conectados por fortes ligamentos e suportados dinamicamente por uma poderosa massa musculotendinosa. 3.1 ASPECTOS GERAIS 3.1.1 ARRANJO ANATÔMICO GERAL DE COLUNA VERTEBRAL

A coluna vertebral é uma série de ossos individuais – as vértebras – que ao serem articulados constituem o eixo central esquelético do corpo. A coluna vertebral é flexível porque as vértebras são móveis, mas a sua estabilidade depende principalmente dos músculos e ligamentos. Embora seja uma entidade puramente esquelética, do ponto de vista prático, quando nos referimos à “coluna vertebral”, na verdade estamos também nos referindo ao seu conteúdo e aos seus anexos, que são os músculos, nervos e vasos

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com ela relacionados. Seu comprimento é de aproximadamente dois quintos da altura total do corpo. A coluna vertebral, sob o ponto de vista de engenharia, é de uma constituição perfeita. Imaginem a

coluna de um prédio que tivesse que suportar toda a estrutura e ao mesmo tempo tivesse que movimentar esse prédio. Seria "impossível". Mas a espinha faz isso.

Constituição óssea - A coluna é formada de 33 ossos que são chamados vértebras e está dividida em 4 regiões: a região cervical (pescoço), com 7 vértebras; a torácica ou dorsal, com 12; a lombar, com 5; a região sacra, com 5 vértebras que se fundiram num só osso chamado sacro, e a região do cóccix, com 3 ou 4 vértebras, que também se fundiram em um só osso, o cóccix. É a região sacrococcigeana.

As vértebras tornam-se progressivamente maiores na direção inferior até o sacro, tornando-se a partir daí sucessivamente menores. 3.1.2 REGIÕES DA COLUNA VERTEBRAL A coluna vertebral do adulto apresenta quatro curvaturas: cervical, torácica, lombar e sacral. Essas curvaturas ajudam a centralizar a cabeça sobre o corpo, proporcionando um equilíbrio para andar na posição ereta. É também a responsável pela proteção da Medula Espinhal. Esta estrutura (medula) é de vital importância no organismo humano, pois todo o comando do Sistema Nervoso depende da integridade medular, que está contido dentro do canal vertebral.

1. Cervical: constitui o esqueleto axial do pescoço e suporte da cabeça.

2. Torácica: suporta a cavidade torácica.

3. Lombar: suporta a cavidade abdominal e permite mobilidade entre a parte torácica do tronco e a pelve.

4. Sacral: une a coluna vertebral à cintura pélvica.

5. Coccígea: é uma estrutura rudimentar em humanos, mas possui função no suporte do assoalho pélvico.

Como já vimos, a coluna é um eixo central do corpo humano, portanto ela apresenta uma série de

curvaturas conforme a nossa postura, por isso, quanto mais errado a postura, mais deformidades ocorrerão na coluna, podendo ocasionar serias lesões, como a hérnia de disco, osteófitos (bico de papagaio), escoliose, lordose, cifose, gibosidade (corcunda), etc.

A maioria destes desvios da coluna causa pinçamento de nervos que partem de dentro da coluna. O mais famoso deles é o nervo ciático (popularmente chamada de dor ciática).

Diversos fatores podem interferir para o desenvolvimento destas lombalgias, tais como: dormir em posição errada, carregar objetos de forma incorreta, posturas inadequadas, movimentos bruscos, entre outros.

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3.2 PRINCIPAIS PROBLEMAS POSTURAIS

A coluna vertebral possui 3 tipos de curvas: a lordose, a cifose e a escoliose . A lordose é presente na coluna cervical e na coluna lombar e a cifose é presente na coluna torácica. A presença dessas duas curvas é NORMAL nesses níveis ao lado, fazendo parte das curvaturas normais da coluna. Apenas em casos em que a lordose e a cifose aparecem em grau aumentado é que são consideradas anormais e devem ser investigadas.

O aumento acentuado (anormal) do grau da cifose e da lordose são denominados de:

Hipercifose; Hiperlordose. • A Escoliose é sempre uma curva anormal.

3.2.1 ESCOLIOSE Definição

A escoliose é uma ou mais curvaturas laterais anormal, que atinge geralmente as vértebras torácicas. Ela pode ser do tipo funcional (ou fisiológica) e estrutural (patológica).

No caso da escoliose funcional a coluna curva-se lateralmente devido à diferença de peso nas duas metades do corpo em conseqüência:

• Da poliomielite; • Da diferença de comprimento dos membros inferiores, devido às

fraturas mal reduzidas, a uma prótese mal adaptada ou a um joelho valgo unilateral;

• De uma má postura.

A escoliose estrutural, geralmente aparece na infância e é progressiva. A causa é o crescimento desigual das vértebras. Dependendo da gravidade da curvatura, esta pode comprimir órgãos abdominais e também prejudicar a respiração.

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3.2.2 HIPERCIFOSE Definição

A cifose é uma acentuada curvatura torácica, deixando a pessoa com aspecto de corcunda. As causas mais importantes dessa deformidade são a má postura e o condicionamento físico insuficiente.

3.2.3 HIPERLORDOSE Definição

A Lordose é um aumento exagerado nas curvaturas cervical e/ou lombar. Pode ser uma compensação de uma cifose ou à flacidez muscular com um ou sem aumento de peso anterior à coluna – como na obesidade e na gravidez.

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3.3 DICAS PARA UMA POSTURA SAUDÁVEL 3.3.1 POSTURA AO ANDAR

A má postura ao andar é a causa de muitas dores. Procure andar o

mais ereto possível, sempre olhando acima da linha do horizonte. Um bom treino é andar em casa com um livro sobre a cabeça.

3.3.2 POSTURA AO LEVANTAR PESOS

A maneira correta para levantar pesos e volumes exige a flexão dos

joelhos e aproximação do objeto junto ao corpo, agachando-se sem inclinar o corpo para frente.

Contraindo a musculatura abdominal, com a coluna ereta force os músculos das coxas e pernas para elevar o peso. Utilizando as articulações dos quadris, joelhos e tornozelos, pode-se atenuar a pressão e esforços sobre as delicadas articulações da coluna vertebral. Se o objeto é muito pesado para ser elevado com segurança ou se você não consegue se posicionar corretamente, solicite auxílio de outra pessoa. 3.3.3 POSTURA SENTADO

Quando sentado, procure manter sua coluna bem

posicionada utilizando uma cadeira que ofereça suporte à sua curvatura lombar (lordose).

3.3.4 POSTURA DEITADO

Sua coluna também necessita de suporte quando você está deitado.

Procure utilizar colchão firme e manter os joelhos dobrados (fletidos) para preservação do balanço e equilíbrio da coluna. Um colchão muito macio permite o corpo afundar causando torções à coluna. Quando se está deitado de barriga para cima, o posicionamento de uma almofada ou travesseiro sob os joelhos também é útil para a manutenção do posicionamento correto e relaxamento da musculatura das costas.

X ERRADO √ CERTO

X ERRADO √ CERTO

X ERRADO √ CERTO

X ERRADO √ CERTO

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3.3.5 POSTURA AO LEVAR UMA MOCHILA OU SACOLA

No transporte das mochilas no ombro, tome cuidado para não compensar o peso da mochila com a inclinação do tronco para frente. Os alunos que transportam a mochila através de alças e rodinhas devem variar o lado que carregam as mochilas, ora no lado direito ora no lado esquerdo. Isso ajuda a evitar um “vício” postural inadequado. No caso de sacola cheia, tentar dividir o peso em duas sacolas e levar uma em cada lado, distribuindo melhor o peso.

Compreender que o nosso corpo e a nossa mente recebem influências no nosso dia-a-dia é de fundamental importância para entendermos os cuidados que devemos ter com eles.

Um aspecto bem interessante é analisarmos nossa postura e nosso comportamento durante o dia, e verificar se estamos sentando corretamente e alinhados, se ao ficar muito tempo em pé numa fila estamos nos apoiando o tempo inteiro apenas numa das pernas, pois

estes fatos podem nos ajudar a identificar compensações estabelecidas ao nosso corpo que interferem na postura corporal, e conseqüentemente em nossa saúde.

Ao ficar sentado em frente ao computador procure manter o corpo ereto e os pés apoiados no chão, evite ficar com as pernas cruzadas e os joelhos muito flexionados. Observe se você não está projetando para frente a cabeça e mantenha-a alinhada com seu tronco.

1 - Evite assistir televisão deitado. 2 - Evite ficar muito tempo com a cabeça baixa como ao passar roupa, fazer tricô e nos casos de leitura prolongada. 3 - Evite flexionar (dobrar) a coluna para pegar objetos ou peso do chão. Procure sempre se agachar (dobrar os joelhos). 4 - Evitar ou Reduzir o excesso de peso (obesidade). 5 - Procure sentar de maneira correta, evite sofá muito macio e cadeira sem encosto ou banquinho. 6 - Procure fazer períodos de intervalo no uso do computador. 7 - Caminhe com a coluna reta, olhando para frente.

8 - Pratica de atividade física (como a caminhada) regularmente. 9 - Procure adaptar os móveis de sua casa e do trabalho de acordo com a sua altura (por exemplo a pia da cozinha, o tanque de lavar roupa, a mesa ou escrivaninha). 10 - Evite carregar peso somente de um lado. 11 - Evite dormir de bruços (de barriga para baixo). 12 - Evite fazer musculação sem uma orientação adequada. 13 - Evite usar sapato de salto muito alto. 14 - Evite se virar bruscamente para olhar atrás de você.

X ERRADO √ CERTO

CUIDADOS BÁSICOS PARA

VOCÊ TER UMA COLUNA

VERTEBRAL SAUDÁVEL!!!

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Atividade: Faça uma pesquisa em livros e/ou internet e responda:

1. Qual a definição de postura? _______________________________________________________________________________ ______________________________________________________________________________

2. Existe uma “postura correta” para todas as pessoas? _______________________________________________________________________________

3. Escolha uma atividade que você faz durante o dia (brincar, ver televisão, andar, dormir, etc.). Como você acha que a sua coluna vertebral permanece enquanto você realiza esta atividade? _______________________________________________________________________________ ______________________________________________________________________________

4. Realize uma pesquisa em sua escola, sobre o número de alunos que relatam sentir dor nas costas devido à má postura e/ou problemas na coluna.

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4. CORPORIEDADE

A corporeidade constitui-se das dimensões: Física (estrutura física biofísico-motora organizadora de todas as dimensões humanas); Emocional (instinto, afeto); Mental espiritual (cognição, razão, pensamento, idéia, consciência); Sócio-histórico-cultural (valores, hábitos). Sendo assim, corporeidade é a maneira pela qual o cérebro reconhece e utiliza o corpo como instrumento relacional com o mundo.

O corpo é movido por intenções provenientes da mente. As intenções manifestam-se através do corpo, que interage com o mundo, que dá uma resposta para o corpo, que informa a mente através de seus órgãos sensoriais, que, analisando as respostas obtidas do ambiente, muda ou reafirma suas intenções, utilizando o corpo para novas manifestações, enfim, é sentir e utilizar o corpo como ferramenta de manifestação e interação com o mundo.

Corporeidade é o seu modo de ser e estar no mundo com e através do corpo. É uma expressão própria dos seres humanos. É o jeito de o ser humano se expressar e comunicar. Ignorando essa forma única de ser, a sociedade impõe padrões estéticos corporais a serem seguidos, tendo os jovens como alvo predileto.

O apelo para que se transforme o corpo e o adapte a um padrão corporal imposto pela cultura movimenta o mercado de consumo. Este vende dietas, vitaminas, suplementos alimentares, moda esportiva, bebidas isotônicas, ginástica e exercícios. Publicações especializadas na “venda” do corpo são comuns em bancas. A indústria de cosméticos, produtos estéticos, cirurgia plástica e programas de TV completam o quadro. O propósito é ser padrão, não há respeito à corporeidade e sim a imposição da busca do corpo dito aceitável socialmente.

Diante de um apelo diário pela busca da estética corporal ideal, o corpo vem sendo padronizado. Na sociedade, os indivíduos se encontram reféns de modelos que, estampados nas mais diversas formas de venda de sua imagem, “estão prontos” a influenciar o corpo do outro a se transformar.

Vivenciando, identificando e brincando com o corpo, a escola possibilita discussões sobre os estereótipos e estigmas corporais, e a dualidade mente/corpo.

4.1 CONCEPÇÕES DE CORPO 4.1.1 A sociedade do culto ao corpo perfeito

Intensificação do culto à estética ao longo dos séculos pode ter colaborado para a transformação do indivíduo em objeto.

Produtos de beleza cada vez mais sofisticados, revistas que dão dicas para manter a boa forma, clínicas de estética e de cirurgia plástica, salões de cabeleireiros e academias de ginástica. Hoje o mundo está cercado por serviços à disposição de quem deseja cuidar da aparência ou moldá-la.

A preocupação do homem com o corpo, no entanto, não é recente. A origem do culto ao corpo remonta à Antiguidade. Os gregos acreditavam, há cerca de 2.500 anos a.C., que a estética e o físico eram tão importantes quanto o intelecto na busca pela perfeição – pensamento traduzido na frase “mens sana in corpore sano” (mente saudável em corpo são) e na própria história das Olimpíadas.

Após a Era Clássica, na Idade Média, as questões estéticas e o físico ficaram relegados ao segundo plano. Durante essa época, o corpo foi tratado pela sociedade de forma discreta, com todo o decoro exigido pelas crenças religiosas, e de acordo com as leis divinas.

Apenas no século 18, nos anos que se seguiram às Revoluções Francesa e Industrial, o corpo voltou a ter destaque no cotidiano do homem ocidental. De acordo com o psicólogo Fernando de

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Almeida Silveira, doutor em Filosofia e professor da Universidade Federal de São Paulo, com a queda da aristocracia européia, a burguesia foi se auto-afirmando por meio de uma nova relação corpo- essência. "Se os nobres tinham suas origens genealógicas como diferencial, a burguesia passou a desenvolver a noção de um corpo disciplinado, saudável e longevo para se destacar tanto da aristocracia decadente quanto do proletariado promíscuo e desregrado".

Além disso, a partir desse período, o corpo que tinha condições de fornecer uma maior produtividade passou a ser mais valorizado devido à ascensão do Capitalismo Industrial. "Pouco tempo depois da primeira Revolução Industrial, no fim do século 19, o mundo assistiu ao chamado 'movimento ginástico europeu', que buscava 'construir' homens ideais para esse novo modelo de sistema, mais fortes e saudáveis, por meio da difusão de métodos de ginástica", ressalta o professor de Educação Física da Universidade Metodista de São Paulo, Wilson Alviano.

No século 21, com a pressão dos ideais de beleza impostos pela indústria da moda e alimentados pela mídia, a valorização do corpo perfeito tornou-se uma obsessão global. Hoje cada vez mais pessoas buscam formas de transformar o físico, em busca da perfeição de acordo com os padrões. Segundo Alviano, essa intensificação do culto à estética já traz danos notórios para a sociedade. "Doenças como anorexia, bulimia e vigorexia [transtorno caracterizado pela prática de exercícios físicos em excesso] tomaram um vulto assustador. Muitos colocam suas vidas em risco, consumindo remédios para emagrecer e anabolizantes ou até mesmo fazendo cirurgias desnecessárias."

Para o psicólogo Fernando de Almeida Silveira, o maior prejuízo da valorização exagerada da boa aparência é o fortalecimento da concepção de corpo-objeto. "As pessoas passaram a enxergar o corpo hoje como uma coisa moldável, conforme certos padrões estéticos, fomentados por uma pressão social de classe. Nesse sentido, o físico, os sentidos e a alma são massificados por conta dessa ditadura de idealização da beleza". Alviano completa: "Com essa transformação do corpo em coisa, o próprio indivíduo se reduziu a um objeto, que só possui valor como ostentação dentro dos padrões preestabelecidos".

Por Renata Firace 4.1.2 Corpo, consumo e mídia

O fim do século passado e o início deste configuram um novo estágio do capitalismo, denominado por muitos, globalização, ou ainda, ocidentalização do mundo. Nessa fase, a comunicação, o desenvolvimento tecnológico e a economia vêm trazendo uma acelerada transformação nas sociedades e, ao mesmo tempo, profundas mudanças no nosso modo de ser, viver, aprender, sentir, pensar e agir.

Vivemos em um sistema capitalista, somos impulsionados a produzir e consumir produtos. Por isso, passamos a maior parte do tempo envolvidos com o trabalho, dimensão da vida humana que nos permite atender a toda ordem de necessidades - as essenciais para nossa sobrevivência e as criadas pelo próprio sistema. O - deus mercadoǁ, muitas vezes, interfere também em nossas opções de lazer com a família e amigos, principalmente, sobre a influência da indústria cultural.

É nesta lógica que nosso corpo está inserido: por meio dele estamos neste mundo. A partir de suas interações com outros corpos, espaços e culturas, construímos nossas identidades e subjetividades, pensamentos e valores. Então, vamos focar nosso olhar sobre a corporeidade (ou as questões relativas ao corpo) no mundo contemporâneo.

Você deve ter observado que os corpos presentes na telinha (principalmente nas propagandas e novelas) são, em sua maioria, corpos bonitos, sarados, brancos, louros, jovens, viris, belos, bem cuidados, ágeis e felizes. Corpos gordos, velhos, flácidos, não são reproduzidos, mas escondidos, disfarçados e dissimulados. Quase sempre, apenas nos telejornais, é comum aparecerem os corpos do cotidiano, de gente simples, ligados muitas vezes à pobreza, violência, tragédia e assim por diante.

Isto nos faz pensar que existe um modelo de corpo desejado e suscitado pela mídia, que o transforma em objeto a ser conquistado e comprado. Torna-se algo idealizado e, na atualidade, é sinônimo de saudável, belo, atlético, como se esse modelo de corpo fosse a única possibilidade de ser. Vivemos uma verdadeira tirania da aparência em que o corpo tem sido mais valorizado por suas próteses, enfeites, vestuário, enfim, pelo que tem e não pelo que é.

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