Apostila Enfermagem do Trabalho, Outro de Enfermagem. Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ)
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josiane-santos9 de junho de 2017

Apostila Enfermagem do Trabalho, Outro de Enfermagem. Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ)

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Apostila Enfermagem do Trabalho
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Curso Enfermagem do Trabalho

A Educação é o primeiro passo para um futuro melhor.

Carga Horária: 60 horas

O bom aluno de cursos à distância: • Nunca se esquece que o objetivo central é aprender o conteúdo, e não apenas terminar o curso. Qualquer um termina, só os determinados aprendem! • Lê cada trecho do conteúdo com atenção redobrada, não se deixando dominar pela pressa. • Sabe que as atividades propostas são fundamentais para o entendimento do conteúdo e não realizá-las é deixar de aproveitar todo o potencial daquele momento de aprendizagem. • Explora profundamente as ilustrações explicativas disponíveis, pois sabe que elas têm uma função bem mais importante que embelezar o texto, são fundamentais para exemplificar e melhorar o entendimento sobre o conteúdo. • Realiza todos os jogos didáticos disponíveis durante o curso e entende que eles são momentos de reforço do aprendizado e de descanso do processo de leitura e estudo. Você aprende enquanto descansa e se diverte! • Executa todas as atividades extras sugeridas pelo monitor, pois sabe que quanto mais aprofundar seus conhecimentos mais se diferencia dos demais alunos dos cursos. Todos têm acesso aos mesmos cursos, mas o aproveitamento que cada aluno faz do seu momento de aprendizagem diferencia os “alunos certificados” dos “alunos capacitados”. • Busca complementar sua formação fora do ambiente virtual onde faz o curso, buscando novas informações e leituras extras, e quando necessário procurando executar atividades práticas que não são possíveis de serem feitas durante as aulas. (Ex.: uso de softwares aprendidos.) • Entende que a aprendizagem não se faz apenas no momento em que está realizando o curso, mas sim durante todo o dia-a-dia. Ficar atento às coisas que estão à sua volta permite encontrar elementos para reforçar aquilo que foi aprendido. • Critica o que está aprendendo, verificando sempre a aplicação do conteúdo no dia-a-dia. O aprendizado só tem sentido quando pode efetivamente ser colocado em prática.

Aproveite o seu aprendizado!

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Conteúdo

Introdução

Assistência à Saúde na História

História da Enfermagem no Brasil

Ética Profissional

Código de Ética dos Profissionais de Enfermagem

COFEN e COREN

Histórico da Enfermagem do Trabalho e Principais Rotinas

NR4 - Serviços especializados em Engenharia de Segurança

e em Medicina do Trabalho

Doenças Ocupacionais

Equipamentos de Proteção Individual

Programas de Saúde Ocupacional

Histórico de Enfermagem

Exame Físico Geral

Diagnóstico de Enfermagem

Trabalho Noturno

Higiene Ocupacional

Epidemiologia

Toxicologia

Exames Médicos Admissional e Demissional

Tonometria

Bibliografia/Links Recomendados

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Introdução O que é Enfermagem?

Pode-se considerar que a enfermagem sempre esteve voltada para atender as necessidades de assistência de saúde da sociedade. Ela originou-se do desejo de manter as pessoas saudáveis, assim como propiciar conforto, cuidado e confiança ao enfermo .

“ A enfermagem como profissão, é a única na medida, em que se dedica humanista, às reações dos pacientes e de suas famílias,

frente aos problemas reais e potenciais ‟.

2 - SAÚDE : é um estado de completo bem-estar físico, mental e social, não meramente a ausência de doença ou enfermidade . 3 - DOENÇA : é um processo anormal no qual o funcionamento do organismo de uma pessoa está diminuído ou prejudicado em uma ou mais dimensões . 4 - NECESSIDADES HUMANAS BÁSICAS

4.1 Necessidades fisiológicas Estas são as necessidades mais básicas (oxigênio, hidratação, nutrição, temperatura, excreção, repouso, sexo). Uma vez satisfeitas estas necessidades passamos a nos preocupar com outras coisas. 4.2 Necessidades de segurança No mundo conturbado em que vivemos procuramos fugir dos perigos, buscamos por abrigo, segurança, proteção, estabilidade e continuidade. A busca da religião, de uma crença deve ser colocada neste nível da hierarquia.

4.3 Necessidades sociais O ser humano precisa amar e pertencer. O ser humano tem a necessidade de ser amado, querido por outros, de ser aceito por outros. Nós queremos nos sentir necessários a outras pessoas ou grupos de pessoas. Esse agrupamento de pessoas pode ser,

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no seu local de trabalho, na sua igreja, na sua família, no seu clube ou na sua torcida. Todos estes agrupamentos fazem com que tenhamos a sensação de pertencer a um grupo. 4.4 Necessidades de "status" ou de estima O ser humano busca ser competente, alcançar objetivos, obter aprovação e ganhar reconhecimento.

4.5 Necessidade de auto-realização O ser humano busca a sua realização como pessoa, a demonstração prática da realização permitida e alavancada pelo seu potencial único. O ser humano pode buscar conhecimento, experiências estéticas e metafísicas, ou mesmo a busca de Deus. Os profissionais de saúde preocupam-se que estas necessidades básicas sejam proporcionadas aos pacientes que buscam assistência.

Assistência à Saúde na História - Período Pré-Cristão Neste período as doenças eram tidas como um castigo de Deus ou resultavam do poder do demônio. Por isso os sacerdotes ou feiticeiras acumulavam funções de médicos e enfermeiros. O tratamento consistia em aplacar as divindades, afastando os maus espíritos por meio de sacrifícios.

Usavam-se: massagens, banho de água fria ou quente. Mais tarde os sacerdotes adquiriam conhecimentos sobre plantas medicinais e passaram a ensinar pessoas, delegando-lhes funções de enfermeiros e farmacêuticos. Alguns papiros, inscrições, monumentos, livros de orientações política e religiosa, ruínas de aquedutos e outras descobertas nos permitem formar uma idéia do tratamento dos doentes.

- Egito Os egípcios deixaram alguns documentos sobre a medicina conhecida em sua época. As receitas médicas deviam ser tomadas acompanhadas da recitação de fórmulas religiosas.

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Pratica-se o hipnotismo, a interpretação de sonhos; acreditava-se na influência de algumas pessoas sobre a saúde de outras. Havia ambulatórios gratuitos, onde era recomendada a hospitalidade e o auxílio aos desamparados.

- Índia Documentos do século VI a.C. nos dizem que os hindus conheciam: ligamentos, músculos, nervos, plexos, vasos linfáticos, antídotos para alguns tipos de envenenamento e o processo digestivo. Realizavam alguns tipos de procedimentos, tais como: suturas, amputações e corrigiam fraturas. Neste aspecto o budismo contribui para o desenvolvimento da enfermagem e da medicina. Os hindus tornaram-se conhecidos pela construção de hospitais. Foram os únicos, na época, que citaram enfermeiros e exigiam deles qualidades morais e conhecimentos científicos. Nos hospitais eram usados músicos e narradores de histórias para distrair os pacientes. O bramanismo fez decair a medicina e a enfermagem, pelo exagerado respeito ao corpo humano - proibia a dissecção de cadáveres e o derramamento de sangue. As doenças eram consideradas castigo.

- Assíria e Babilônia Entre os assírios e babilônios existiam penalidades para médicos incompetentes, tais como: amputação das mãos, indenização, etc. A medicina era baseada na magia - acreditava-se que sete demônios eram os causadores das doenças. Os sacerdotes - médicos vendiam talismãs com orações usadas contra ataques dos demônios. Nos documentos assírios e babilônicos não há menção de hospitais, nem de enfermeiros. Conheciam a lepra e sua cura dependia de milagres de Deus, como no episódio bíblico do banho no rio Jordão. "Vai, lava-te sete vezes no Rio Jordão e tua carne ficará limpa".

- China

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Os doentes chineses eram cuidados por sacerdotes. As doenças eram classificadas da seguinte maneira: benignas, médias e graves. Os sacerdotes eram divididos em três categorias que correspondiam ao grau da doença da qual se ocupava. Os templos eram rodeados de plantas medicinais. Os chineses conheciam algumas doenças: varíola e sífilis. Tratamento: anemias, indicavam ferro e fígado; doenças da pele, aplicavam o arsênico. Anestesia: ópio. Construíram alguns hospitais de isolamento e casas de repouso. A cirurgia não evoluiu devido a proibição da dissecção de cadáveres.

- Japão Os japoneses aprovaram e estimularam a eutanásia. A medicina era fetichista e a única terapêutica era o uso de águas termais.

- Grécia As primeiras teorias gregas se prendiam à mitologia. Apolo, o deus sol, era o deus da saúde e da medicina. Usavam sedativos, fortificantes e hemostáticos, faziam ataduras e retiravam corpos estranhos, também tinham casas para tratamento dos doentes. A medicina era exercida pelos sacerdotes - médicos, que interpretavam os sonhos das pessoas. Tratamento: banhos, massagens, sangrias, dietas, sol, ar puro, água pura mineral. Dava-se valor à beleza física, cultural e a hospitalidade. O excesso de respeito pelo corpo atrasou os estudos anatômicos. O nascimento e a morte eram considerados impuros, causando desprezo pela obstetrícia e abandono dos doentes graves. A medicina tornou-se científica, graças a Hipócrates, que deixou de lado a crença de que as doenças eram causadas por maus espíritos. Hipócrates é considerado o Pai da Medicina.

Observava o doente, fazia diagnóstico, prognóstico e a terapêutica. Reconheceu doenças como: tuberculose, malária, histeria, neurose, luxações e fraturas. Seu princípio fundamental na terapêutica consistia em "não contrariar a natureza, porém auxiliá-la a reagir". Tratamentos usados: massagens, banhos, ginásticas, dietas, sangrias, e calmantes, ervas medicinais e medicamentos minerais.

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- Roma A medicina não teve prestígio em Roma. Durante muito tempo era exercida por escravos ou estrangeiros. Os romanos eram um povo, essencialmente guerreiro. O indivíduo recebia cuidados do Estado como cidadão destinado a tornar-se bom guerreiro, audaz e vigoroso. Roma distinguiu-se pela limpeza das ruas, ventilação das casas, água pura e abundante e redes de esgoto. Os mortos eram sepultados fora da cidade, na via Ápia. O desenvolvimento da medicina dos romanos sofreu influência do povo grego.

O cristianismo foi a maior revolução social de todos os tempos. Influiu positivamente através da reforma dos indivíduos e da família. Os cristãos praticavam uma tal caridade, que movia os pagãos: "Vede como eles se amam".Desde o início do cristianismo os pobres e enfermos foram objeto de cuidados especiais por parte da Igreja.

Período Florence Nightingale

Nascida a 12 de maio de 1820, em Florença, Itália, era filha de

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ingleses. Possuía inteligência incomum, tenacidade de propósitos, determinação e perseverança - o que lhe permitia dialogar com políticos e oficiais do Exército, fazendo prevalecer suas idéias. Dominava com facilidade o inglês, o francês, o alemão, o italiano, além do grego e latim. No desejo de realizar- se como enfermeira, passa o inverno de 1844 em Roma, estudando as atividades das Irmandades Católicas. Em 1849 faz uma viagem ao Egito e decide-se a servir a Deus, trabalhando em Kaiserswert, Alemanha, entre as diaconisas. Decidida a seguir sua vocação, procura completar seus conhecimentos que julga ainda insuficiente. Visita o Hospital de Dublin dirigido pelas Irmãs de Misericórdia, Ordem Católica de Enfermeiras, fundada 20 anos antes. Conhece as Irmãs de Caridade de São Vicente de Paulo, na Maison de la Providence em Paris. Aos poucos vai se preparando para a sua grande missão.

Em 1854, a Inglaterra, a França e a Turquia declaram guerra à

Rússia: “ Guerra da Criméia.‟‟ Os soldados acham-se no maior

abandono. A mortalidade entre os hospitalizados é de 40%. Florence partiu para Scutari com 38 voluntárias entre religiosas e leigas vindas de diferentes hospitais. Algumas enfermeiras foram despedidas por incapacidade de adaptação e principalmente por indisciplina. A mortalidade decresce de 40% para 2%. Os soldados fazem dela o seu anjo da guarda e ela foi imortalizada como a "Dama da Lâmpada" porque, de lanterna na mão, percorre as enfermarias, atendendo os doentes. Durante a guerra contrai tifo e ao retornar da Criméia, em 1856, leva uma vida de inválida.

Dedica-se porém, com ardor, a trabalhos intelectuais. Pelos trabalhos na Criméia, recebe um prêmio do Governo Inglês e, graças a este prêmio, consegue iniciar o que para ela é a única maneira de mudar os destinos da Enfermagem - uma Escola de Enfermagem em 1959. Após a guerra, Florence fundou uma escola de Enfermagem no Hospital Saint Thomas, que passou a servir de modelo para as demais escolas que foram fundadas posteriormente. A disciplina rigorosa, do tipo militar, era uma das características da escola nightingaleana, bem como a exigência de qualidades morais das candidatas. O curso, de um ano de duração, consistia em aulas diárias ministradas por médicos.

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Nas primeiras escolas de Enfermagem, o médico foi de fato a única pessoa qualificada para ensinar. A ele cabia então decidir quais das suas funções poderiam colocar nas mãos das enfermeiras. Florence morre em 13 de agosto de 1910, deixando florescente o ensino de Enfermagem. Assim, a Enfermagem surge não mais como uma atividade empírica, desvinculada do saber especializado, mas como uma ocupação assalariada que vem atender a necessidade de mão- de-obra nos hospitais, constituindo-se como uma prática social institucionalizada e específica.

História da Enfermagem no Brasil A organização da Enfermagem na Sociedade Brasileira começa no período colonial e vai até o final do século XIX. A profissão surge como uma simples prestação de cuidados aos doentes, realizada por um grupo formado, na sua maioria, por escravos, que nesta época trabalhavam nos domicílios. Desde o princípio da colonização foi incluída a abertura das Casas de Misericórdia, que tiveram origem em Portugal.

A primeira Casa de Misericórdia foi fundada na Vila de Santos, em 1543. Em seguida, ainda no século XVI, surgiram as do Rio de Janeiro, Vitória, Olinda e Ilhéus. Mais tarde Porto Alegre e Curitiba, esta inaugurada em 1880, com a presença de D. Pedro II e Dona Tereza Cristina.

No que diz respeito à saúde do povo brasileiro, merece destaque o trabalho do Padre José de Anchieta. Ele não se limitou ao ensino de ciências e catequeses. Foi além.

Atendia aos necessitados, exercendo atividades de médico e enfermeiro. Em seus escritos encontramos estudos de valor sobre o Brasil, seus primitivos habitantes, clima e as doenças mais comuns. A terapêutica empregada era à base de ervas medicinais minuciosamente descritas. Supõe-se que os Jesuítas faziam a supervisão do serviço que era prestado por pessoas treinadas por eles. Não há registro a respeito.

Outra figura de destaque é Frei Fabiano Cristo, que durante 40 anos exerceu atividades de enfermeiro no Convento de Santo

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Antônio do Rio de Janeiro (Séc. XVIII). Os escravos tiveram papel relevante, pois auxiliavam os religiosos no cuidado aos doentes.

Em 1738, Romão de Matos Duarte consegue fundar no Rio de Janeiro a Casa dos Expostos. Somente em 1822, o Brasil tomou as primeiras medidas de proteção à maternidade que se conhecem na legislação mundial, graças a atuação de José Bonifácio Andrade e Silva. A primeira sala de partos funcionava na Casa dos Expostos em 1822.

Em 1832 organizou-se o ensino médico e foi criada a Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro. A escola de parteiras da Faculdade de Medicina diplomou no ano seguinte a célebre Madame Durocher, a primeira parteira formada no Brasil.

No começo do século XX, grande número de teses médicas foram apresentadas sobre Higiene Infantil e Escolar, demonstrando os resultados obtidos e abrindo horizontes e novas realizações. Esse progresso da medicina, entretanto, não teve influência imediata sobre a Enfermagem. Assim sendo, na enfermagem brasileira do tempo do Império, raros nomes de destacaram e, entre eles, merece especial menção o de Anna Nery.

Anna Nery

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Aos 13 de dezembro de 1814, nasceu Ana Justina Ferreira, na Cidade de Cachoeira, na Província da Bahia. Casou-se com Isidoro Antonio Nery, enviuvando aos 30 anos. Seus dois filhos, um médico militar e um oficial do exército, são convocados a servir a Pátria durante a Guerra do Paraguai (1864-1870), sob a presidência de Solano Lopes. O mais jovem, aluno do 6º ano de Medicina, oferece seus serviço médicos em prol dos brasileiros. Anna Nery não resiste à separação da família e escreve ao Presidente da Província, colocando-se à disposição de sua Pátria. Em 15 de agosto parte para os campos de batalha, onde dois de seus irmãos também lutavam. Improvisa hospitais e não mede esforços no atendimento aos feridos.

Após cinco anos, retorna ao Brasil, é acolhida com carinho e louvor, recebe uma coroa de louros e Victor Meireles pinta sua imagem, que é colocada no edifício do Paço Municipal.

O governo imperial lhe concede uma pensão, além de medalhas humanitárias e de campanha.

Faleceu no Rio de Janeiro a 20 de maio de 1880.

A primeira Escola de Enfermagem fundada no Brasil recebeu o seu nome. Anna Nery que, como Florence Nightingale, rompeu

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com os preconceitos da época que faziam da mulher prisioneira do lar. “A enfermagem é uma arte; e para realizá-la como arte, requer uma devoção tão exclusiva, um preparo tão rigoroso, como a obra de qualquer pintor ou escultor; pois o que é tratar da tela morta ou do frio mármore comparado ao tratar do corpo vivo, o templo do espírito de Deus. É uma das artes; poder-se-ia dizer, a

mais bela das artes.‟

Ética Profissional

Ética Profissional é o conjunto de normas pelas quais o indivíduo deve orientar o seu comportamento na profissão em que exerce. A Ética Profissional do Profissional de Enfermagem o orienta no cumprimento dos deveres em relação aos pacientes, às enfermeiras, aos médicos e demais pessoas com quem trabalha. O Profissional de Enfermagem é um profissional que trabalha em colaboração: executa as ordens e prescrições do médico e da enfermeira, mas tem a responsabilidade própria de seus atos no exercício da profissão. O estudo da Ética Profissional é de grande importância para a formação do estudante de enfermagem, pois o prepara para trabalhar e comportar-se desde o tempo de estudo. A atitude profissional ideal que o Profissional de Enfermagem compreende vários aspectos da conduta individual, tais como atitude física, psicológica e moral.

Atitude Física: Postura Corporal

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Compreende um conjunto de boas maneiras, tais como:

•Ficar de pé, distribuindo de forma elegante a sua posição corpórea.

•Caminhar , com desenvoltura, passos lentos e gradativos.

•Subir e descer escadas; mantendo uma posição certa, evitando inclinar-se para frente ao subir.

•Modos e gestos apropriados; os gestos são também uma forma de comunicação e expressão da pessoa.

• Apresentação pessoal; higiene corporal, uniforme limpo, discreto, em ordem e que facilite o movimento para o trabalho.

•Quanto ao modo de falar e o tom de voz; falar com delicadeza, moderação, um tom de voz suave e uma linguagem correta.

•Quanto ao modo de tratar as pessoas; o profissional de saúde trabalha em colaboração, executa as recomendações do médico e da enfermeira, devendo se integrar a eles e a todos os colegas

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com que trabalha para alcançar o propósito (o paciente, sua saúde), tratando com respeito e consideração.

•Silêncio; não se compreende a atenção, a reflexão e a observação sem silêncio. O silêncio não é exigido para impedir a conversa e sim para garantir mais vantagens positivas:

1) O silêncio torna o ambiente de trabalho seguro e tranquilo, inspirando mais confiança ao doente. 2)O silêncio ensina a falar. Quando se fala pouco, pensa-se mais no que vai falar. 3)O silêncio favorece a discrição e a guarda do segredo profissional e com isso o doente sente-se mais à vontade.

•Discrição; é reserva de prudência em palavras e atos.O profissional de saúde tem necessidade de discrição mais que os outros profissionais, porque trabalha com seres doentes, sujeitos a muitas fraquezas e que cedem facilmente à necessidade de desabafar. O que fazer:

•Cumpra suas promessas, mantenha seus planos. •Fale com as pessoas, e não delas. •Admita seus erros. Não tente racionalizá-los, nem culpe outras pessoas pelos seus erros. •Não espalhe boatos, nem participe de intrigas. •Não faça observações depreciat ivas a respeito de pessoas ausentes. •Não fale negat ivamente dos concorrentes. •Não crit ique uma pessoa na frente de outras. •Assuma sua parte de responsabilidade pelos erros comet idos por colegas, amigos e sua família. •Não fale em público sobre os desacordos com sua família, seu chefe, seus amigos e colegas. •Defenda os outros contra ataque injustos. •Diga aquilo em que acredita e está disposto a repetir e defender. •Não finja que as idéias dos outros são suas. Nem aceite crédito pela realização de outra pessoa,baseie seu progresso em seu próprio desempenho. •Explique as coisas de forma aberta e honesta, não mantenha nada “secreto”.

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•Não adie decisões desagradáveis, reprimendas ou más notícias. Seja afável, breve e direto. Se você estiver em dúvida quanto ao que fazer em determinada situação, faça-se as seguintes perguntas :

- Quais são os efeitos que estou causando a essa pessoa? - Quais são os efeitos que esta pessoa está causando em mim? - Eu contaria isso a minha família e aos meus amigos?

Segredo Profissional

Em contatos diários com os clientes, familiares e funcionários, o pessoal da enfermagem, como ser humano e profissional defronta-se com problemas que não podem revelar e outros que pode ou deve revelar. Segredo é sigilo. Segredo é tudo aquilo que deve ser conservado oculto. O segredo fundamenta-se na confiança e na justiça. Ao guardar um segredo indevidamente, respeitamos ou desrespeitamos a justiça, pois o segredo pertence ao dono.

Formas de Possível Revelação do Segredo O segredo profissional pode ser revelado de forma direta ou indireta.

Revelação direta de um segredo dá-se quando são suplicados o conteúdo e o nome da pessoa a quem pertence o segredo.

O segredo é revelado indiretamente a partir do instante em que são oferecidas pistas para o conhecimento da coisa secreta e do dono. Tanto na revelação direta como indireta, a injustiça é praticada da mesma forma e a responsabilidade jurídica e ética estão presentes. Há situações em que o segredo pode ser revelado e outras em que deve ser manifestado a quem de direito. Podemos ser processados ou ferir a ética revelando ou guardando um segredo.

Pode-se Revelar um Segredo a)Quando o dono permite; b)Quando o bem comum exige c)Quando o bem de terceira pessoa exige;

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d)Quando o bem do depositário exige.

Deve-se Revelar um Segredo a)Ao se tratar de uma declaração de nascimento;

b)Para evitar um casamento, em caso de enfermidade que possa por em risco um dos cônjuges ou a prole; c)Na declaração de doenças infecto-contagiosas de notificação compulsória; d)Em caso de sevícias de menores; e)Ao se tratar de fato delitioso previsto em lei; f)Ao se ter conhecimento de abordadores profissionais; g)Não perícias médico-legais; h)Nos registros dos livros hospitalares.

Aspectos Jurídicos Para que haja quebra de segredo, é necessário:

a)Existência de um segredo; b)Se conhecido em razão de um ofício, função, ministério ou profissão; c)Existir a possibilidade de dano a outrem; d)Ausência de justa causa; e)Estar presente o dolo. Os códigos Penal e Civil Brasileiro referem-se ao segredo profissional. O código de deontologia, no artigo 8º, inciso II, trata do dever de guardar o segredo profissional.

•Deontologia: Estudo dos princípios, fundamentos e sistemas da moral. Tratado dos deveres.

Atitude Psicológica Compreende algumas habilidades interpessoais, por parte do profissional de saúde em relação aos pacientes:

•Disponibilidade •Interesse •Sensibilidade •Respeito •Aceitação •Compreensão

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•Afetividade •Flexibilidade

O que fazer: •Mantendo o ambiente o mais confortável possível para o paciente; •Acolhendo-o a cada encontro com palavras e gestos carinhosos, inclusive tocando-o; •Colocando-se uma postura física de receptividade, permitindo que aflorem os sentimentos do paciente que ele os expresse. •Observando o paciente para captar os sinais de suas necessidades e de seus desejos; •Escutando o paciente sem ficar ofendido com sua raiva, nem tentando mudar seus sentimentos; •Captando os incômodos do paciente a cada encontro e comunicando-lhe que compreende o conteúdo de sua fala. Existem formam mais fáceis e mais difíceis de viver, como existem formas mais fáceis e difíceis de morrer. O profissional de saúde deverá usar de habilidades interpessoais, para ajudar o paciente a suportar a sua doença ou seu sofrimento. O profissional de saúde deve ser pessoa calma, equilibrada emocionalmente, para inspirar confiança e ajudar seus pacientes.

Muitas habilidades devem ser desenvolvidas para inspirar confiança e ajudar seus pacientes. Muitas habilidades devem ser desenvolvidas para permitirem uma atitude psicológica boa no trato com o paciente. O profissional deve desenvolver algumas aptidões emocionais, cognitivas e comportamentais.

Aptidões Emocionais

Identificar e rotular sentimentos, expressar sentimentos, avaliar a intensidade dos sentimentos, lidar com os sentimentos, adiar a satisfação, controlar impulsos, reduzir tensão, saber a diferenciação entre sentimentos e ações.

Aptidões Cognitivas •Falar consigo mesmo (ter um diálogo interno, como uma forma de enfrentar um assunto ou reforçar opróprio comportamento).

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•Ler e interpretar indícios sociais (reconhecer influências sociais sobre o comportamento e ver-se naperspectiva da comunidade maior). •Usar etapas para resolver problemas e tomar decisões (controlar impulsos, prever consequências). •Compreender a perspectiva dos outros. •Compreender normas de comportamento (qual comportamento é adequado ou não). •Autoconsciência (criar expectativas realistas para si mesmo).

Aptidões Comportamentais

•Não Verbais: Comunicar-se por contato ocular, expressão facial, tom de voz, gestos e assim por diante. •Verbais: Fazer pedidos claros, responder eficient emente à crítica, resistir às influências negativas,ouvir os outros, participar de grupos positivos de colegas.

Atitude Moral É aplicação dos princípios éticos na vida profissional, implica o uso de liberdade, vontade, senso de responsabilidade que supõem boa formação de consciência, o que é indispensável para o profissional de saúde.

O que fazer:

Comprometa-se em dar o melhor de si em qualquer situação,“dedicando amor a tudo que fizer ”.

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Mudar não é Fácil “A fórmula do progresso é a mudança”.

A essa altura, pode- se estabelecer um saudável encontro verbal. Se, por um lado, existem as argumentações que afirmam:

“Em time que está ganhando não se mexe” ou “Se melhorar estraga”, por outro lado, a contra-argumentação defende que “não existe nada tão bom quanto possa ser melhorado” .

Mudar não é fácil e a mudança é um jogo tão dinâmico, atualmente, que mal ela acontece já é preciso reiniciá-la para que o crescimento e o aperfeiçoamento não parem.

O ato de mudar para melhor é infinito. Quem estaciona retrocede e em curto espaço de tempo estará desempregado ou fechando as portas

Há muitas pessoas que querem mudar. Fazem planos, projetos e promessas, mas na primeira dificuldade param pelo caminho. Se mudar fosse fácil, todas as pessoas estariam bem.

A mudança exige não apenas esforço pessoal e coletivo, mas, acima de tudo, o objetivo e a meta de melhorar sempre, rumo ao limite da perfeição. É perda de tempo mudar por modismo ou por achar que a mudança trará riquezas. Ela precisa caminhar sempre para a otimização do trabalho e para não ser enfadonha nem se tornar um peso.

É claro que toda mudança tem um preço. É o preço da coragem de quem acredita no futuro e não recua diante do primeiro obstáculo.

São três os motivos que provocam esse recuo: “o medo do desconhecido”, “a piora inicial que uma mudança causa” e “o sacrifício que toda mudança exige”.

O Medo do Desconhecido É preciso coragem para mudar. Há pessoas que se arrepiam quando ouvem pronunciar a palavra mudança.

É impossível, a qualquer ser humano, progredir sem enfrentar os desafios de uma jornada sem rumo ao progresso.

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A todo o momento o homem é colocado à prova pela vida e o sucesso ou o fracasso de uma pessoa está intimamente ligado à forma como ela encara esses desafios. Existem pessoas que estão sempre fugindo dos problemas, achando que são capazes de se esconder e ao mesmo tempo safar-se do medo, da insegurança e do desconhecido. Não há como descobrir coisas novas e mais eficientes sem viver situações de descobertas e desafios.

Código de Ética dos Profissionais de Enfermagem

CAPÍTULO I

Dos Princípios Fundamentais

Art. 1º - A Enfermagem é uma profissão comprometida com a saúde do ser humano e da coletividade. Atua na promoção, proteção, recuperação da saúde e reabilitação das pessoas, respeitando os preceitos éticos e legais. Art. 2º - O profissional de Enfermagem participa, como integrante da sociedade, das ações que visem satisfazer às necessidades de saúde da população.

Art. 3º - O profissional de Enfermagem respeita a vida, a dignidade e os direitos da pessoa humana, em todo o seu ciclo vital, sem discriminação de qualquer natureza.

Art. 4º - O profissional de Enfermagem exerce suas atividades com justiça, competência, responsabilidade e honestidade.

Art. 5º - O profissional de Enfermagem presta assistência à saúde visando a promoção do ser humano como um todo.

Art. 6º - O profissional de Enfermagem exerce a profissão com autonomia, respeitando os preceitos legais da Enfermagem.

CAPÍTULO II

Dos Direitos

Art. 7º - Recusar-se a executar atividades que não sejam de sua competência legal.

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Art. 8º - Ser informado sobre o diagnóstico provisório ou definitivo de todos os clientes que estejam sob sua assistência.

Art. 9º - Recorrer ao Conselho Regional de Enfermagem, quando impedido de cumprir o presente Código e a Lei do Exercício Profissional.

Art. 10 - Participar de movimentos reivindicatórios por melhores condições de assistência, de trabalho e remuneração.

Art. 11 - Suspender suas atividades, individual ou coletivamente, quando a instituição pública ou privada para a qual trabalhe não oferecer condições mínimas para o exercício profissional, ressalvadas as situações de urgência e emergência, devendo comunicar imediatamente sua decisão ao Conselho Regional de Enfermagem.

Parágrafo único - Ao cliente sob sua responsabilidade, deve ser garantida a continuidade da assistência de Enfermagem. Art. 12 - Receber salários ou honorários pelo seu trabalho que deverá corresponder, no mínimo, ao fixado por legislação específica.

Art. 13 - Associar-se, exercer cargos e participar das atividades de entidades de classe.

Art. 14 - Atualizar seus conhecimentos técnicos, científicos e culturais.

Art. 15 - Apoiar as iniciativas que visem ao aprimoramento profissional, cultural e a defesa dos legítimos interesses de classe.

CAPÍTULO III

Das Responsabilidades

Art. 16 - Assegurar ao cliente uma assistência de Enfermagem livre de danos decorrentes de imperícia, negligência ou imprudência. Art. 17 - Avaliar criteriosamente sua competência técnica e legal e somente aceitar encargos ou atribuições, quando capaz de desempenho seguro para si e para a clientela.

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Art. 18 - Manter-se atualizado ampliando seus conhecimentos técnicos, científicos e culturais, em benefício da clientela, coletividade e do desenvolvimento da profissão.

Art. 19 - Promover e/ou facilitar o aperfeiçoamento técnico, científico e cultural do pessoal sob sua orientação e supervisão.

Art. 20 - Responsabilizar-se por falta cometida em suas atividades profissionais, independente de ter sido praticada individualmente ou em equipe.

CAPÍTULO IV

Dos Deveres

Art. 21 - Cumprir e fazer cumprir os preceitos éticos e legais da profissão. Art. 22 - Exercer a enfermagem com justiça, competência, responsabilidade e honestidade.

Art. 23 - Prestar assistência de Enfermagem à clientela, sem discriminação de qualquer natureza.

Art. 24 - Prestar à clientela uma assistência de Enfermagem livre dos riscos decorrentes de imperícia, negligência e imprudência.

Art. 25 - Garantir a continuidade da assistência de Enfermagem.

Art. 26 - Prestar adequadas informações ao cliente e família a respeito da assistência de Enfermagem, possíveis benefícios, riscos e consequências que possam ocorrer.

Art. 27 - Respeitar e reconhecer o direito do cliente de decidir sobre sua pessoa, seu tratamento e seu bem-estar.

Art. 28 - Respeitar o natural pudor, a privacidade e a intimidade do cliente.

Art. 29 - Manter segredo sobre fato sigiloso de que tenha conhecimento em razão de sua atividade profissional, exceto nos casos previstos em Lei.

Art. 30 - Colaborar com a equipe de saúde no esclarecimento do cliente e família sobre o seu estado de saúde e tratamento,

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possíveis benefícios, riscos e conseqüências que possam ocorrer.

Art. 31 - Colaborar com a equipe de saúde na orientação do cliente ou responsável, sobre os riscos dos exames ou de outros procedimentos aos quais se submeterá.

Art. 32 - Respeitar o ser humano na situação de morte e pós- morte.

Art. 33 - Proteger o cliente contra danos decorrentes de imperícia, negligência ou imprudência por parte de qualquer membro da equipe de saúde.

Art. 34 - Colocar seus serviços profissionais à disposição da comunidade em casos de emergência, epidemia e catástrofe, sem pleitear vantagens pessoais.

Art. 35 - Solicitar consentimento do cliente ou do seu representante legal, de preferência por escrito, para realizar ou participar de pesquisa ou atividade de ensino em Enfermagem, mediante apresentação da informação completa dos objetivos, riscos e benefícios, da garantia do anonimato e sigilo, do respeito a privacidade e intimidade e a sua liberdade de participar ou declinar de sua participação no momento que desejar.

Art. 36 - Interromper a pesquisa na presença de qualquer perigo a vida e a integridade da pessoa humana.

Art. 37 - Ser honesto no relatório dos resultados da pesquisa.

Art. 38 - Tratar os colegas e outros profissionais com respeito e consideração.

Art. 39 - Alertar o profissional, quando diante de falta cometida por imperícia, imprudência e negligência. Art. 40 - Comunicar ao Conselho Regional de Enfermagem fatos que infrinjam preceitos do presente Código e da Lei do Exercício Profissional.

Art. 41 - Comunicar formalmente ao Conselho Regional de Enfermagem fatos que envolvam recusa ou demissão de cargo, função ou emprego, motivados pela necessidade do profissional em preservar os postulados éticos e legais da profissão.

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CAPÍTULO V

Das Proibições

Art. 42 - Negar assistência de Enfermagem em caso de urgência ou emergência. Art. 43 - Abandonar o cliente em meio a tratamento sem garantia de continuidade da assistência.

Art. 44 - Participar de tratamento sem consentimento do cliente ou representante legal, exceto em iminente risco de vida. Art. 45 - Provocar aborto ou cooperar em prática destinada a interromper a gestação.

Parágrafo único - Nos casos previstos em Lei, o profissional deverá decidir, de acordo com a sua consciência, sobre a sua participação ou não no ato abortivo.

Art. 46 - Promover a eutanásia ou cooperar em prática destinada a antecipar a morte do cliente. Art. 47 - Ministrar medicamentos sem certificar-se da natureza das drogas que o compõem e da existência de risco para o cliente.

Art. 48 - Prescrever medicamentos ou praticar ato cirúrgico, exceto os previstos na legislação vigente e em caso de emergência.

Art. 49 - Executar a assistência de Enfermagem sem o consentimento do cliente ou seu representante legal, exceto em iminente risco de vida.

Art. 50 - Executar prescrições terapêuticas quando contrárias à segurança do cliente.

Art. 51 - Prestar ao cliente serviços que por sua natureza incumbem a outro profissional, exceto em caso de emergência.

Art. 52 - Provocar, cooperar ou ser conivente com maus-tratos.

Art. 53 - Realizar ou participar de pesquisa ou atividade de ensino, em que o direito inalienável do homem seja desrespeitado ou acarrete perigo de vida ou dano à sua saúde.

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