Apostila introdução a administração de empresas, Manual de Escrita Técnica. Universidade de Lisboa
Alexandre.Manta
Alexandre.Manta18 de Abril de 2016

Apostila introdução a administração de empresas, Manual de Escrita Técnica. Universidade de Lisboa

DOC (2 MB)
67 páginas
1Números de download
546Número de visitas
Descrição
Administração, Empresas, Teorias
20pontos
Pontos de download necessários para baixar
este documento
baixar o documento
Pré-visualização3 páginas / 67
Esta é apenas uma pré-visualização
3 shown on 67 pages
baixar o documento
Esta é apenas uma pré-visualização
3 shown on 67 pages
baixar o documento
Esta é apenas uma pré-visualização
3 shown on 67 pages
baixar o documento
Esta é apenas uma pré-visualização
3 shown on 67 pages
baixar o documento

INTRODUÇÃO A ADMINISTRAÇÃO

OBJETIVO

Ao fim da sessão o aluno deverá estar em condições de: Definir e dar exemplo de administrador

bem sucedido.

Descrever o processo administrativo e o tipo de atividades administrativas.

Descrever diferenças nas funções administrativas em cada nível hierárquico da organização

Descrever as habilidades técnicas, humanas e conceituais e sua importância para os

administradores.

Definir os papéis que o administrador desempenha na organização.

1. INTRODUÇÃO

Como Moisés libertou o povo judeu escravizado e o conduziu, por mares e desertos, do Egito a

Terra Santa?

Como Xerxes, Rei dos Reis, imperador do mundo conhecido, foi derrotado pelos gregos, muito

inferiores em quantidade e poder?

Como Portugal descobriu e colonizou o Brasil, apesar do interesse de outras nações poderosas,

que o invadiram diversas vezes?

Para respondermos a essas e outras perguntas precisaremos de conceitos tais como estratégia,

suprimentos, logística, missão, crenças, recursos, liderança, finanças, tributos, poder, qualidade,

tática, motivação, tecnologia, cultura.

Segundo Chiavenato, "Gestão é a condução racional das atividades de uma organização".

Poderíamos acrescentar que o termo "racional" só é aplicável quando a organização é bem

conduzida, mesmo que os resultados não sejam os melhores, pois às vezes o imponderável ou as

limitações de recursos infligem derrotas aos mais experientes.

CONCEITUAÇÃO DE ADMINISTRAÇÃO

A palavra administração, segundo Chiavenato, “vem do latim ad (direção para, tendência) e

minister (subordinação ou obediência), e significa aquele que realiza uma função abaixo do

comando de outrem, isto é aquele que presta um serviço a outro." (1983: 6)

Segundo o dicionário Aurélio, Administração é “ação de administrar, gestão de negócios públicos

ou particulares, governo, regência, função de administrador , gestão, gerência” .

De acordo com os conceitos acima a Administração costuma ser divida, já na formação

acadêmica, em quatro grandes áreas: Finanças, Produção, Recursos Humanos (os quais podem

ser compreendidos como fatores da produção), Marketing (que num sentido estrito é responsável

pela logística e distribuição da produção através das vendas) e Administração Pública (que se

encarrega da gestão de empresas públicas, órgãos do governo, autarquias, etc.).

Pelas definições podemos concluir a administração tem ao mesmo tempo elementos de ciência,

pois busca o conhecimento e compreensão, e elabora teorias e hipóteses, embora não aplique o

método científico com rigor e dificilmente algum conceito possa ser definido como uma lei. Sem

dúvida a administração tem vários elementos de técnica, pois transforma e opera uma realidade e

aplica normas e procedimentos, no entanto dificilmente obtém bons resultados se estas normas e

procedimentos forem excessivamente rígidos e se o programa e os objetivos não forem

ajustáveis.

Sem dúvida a administração tem elementos de arte, pois as mesmas técnicas e procedimentos

podem e são constantemente alteradas pelo talento individual do administrador para adequar-se

as realidades, alterações estas feitas na maioria das vezes por escolhas subjetivas e critérios

pessoais.

Portanto, mais importante que procurar definições claras ou completas para a administração é

imprescindível conhecer sua essência, como ciência, técnica ou arte, que busca obter sempre os

melhores resultados a partir dos recursos disponíveis, tendo sempre o elemento humano como o

mais importante para o sucesso desta empreitada.

A evolução histórica da ciência administrativa

Sempre houve na história humana alguma forma de administração, pela necessidade de gerir, de

organizar as tarefas e dividir o trabalho seja no âmbito privado (fazendas, associações, empresas)

ou no âmbito público (governo, exércitos, arrecadação de impostos).

As principais influências da administração, antes do surgimento da chamada “ciência

administrativa”, cita Idalberto Chiavenato:

A influência dos filósofos, como Sócrates, Platão e Aristóteles, nas tarefas de

Administração na antigüidade…na Filosofia Moderna destacam-se Bacon e Descartes.

A organização eclesiástica da Igreja Católica influenciou de certa maneira o pensamento

administrativo, conforme pesquisa de Mooney.

Igualmente a organização militar trouxe grande influência para a Administração,

contribuindo com alguns dos princípios que a Teoria Clássica iria mais adiante assimilar e

incorporar.

A revolução Industrial veio produzir o contexto industrial, tecnológico, social, político e

econômico de situações, problemas e variáveis, a partir do qual teria início a Teoria

Clássica da Administração. Também economistas liberais (como James Mill, David Ricardo, John Stuart Mill e outros)

deram algum suporte para o aparecimento de alguns princípios de Administração que

teriam enorme aceitação posteriormente.” (CHIAVENATO, 1983: 31).

Abaixo temos a cronologia das principais escolas e teorias que influenciaram o atual pensamento

administrativo, além de seus expoentes teóricos:

• 1903 - Escola de Administração Científica - Taylor e Gilbreth

• 1909 - Teoria da Burocracia - Weber

• 1916 - Escola dos Princípios da Administração - Fayol

• 1932 - Escola das Relações Humanas - Mayo e Lewin

• 1947 - Teoria das Decisões - Simon

• 1951 - Teoria dos Sistemas - Bertalanffy, Kast e Rosenzweig

• 1953 - Teoria dos Sistemas Sociotécnicos - Emery e Trist

• 1954 - Teoria Neoclássica da Administração - Koontz e O´Donnell, Newman,

Drucker

• 1957 - Escola Comportamental da Administração - McGregor, Likert e Argyris

• 1962 - Escola do Desenvolvimento Organizacional - Bennis, Beckhard, Schein

• 1972 - Teoria da Contingência - Woodward, Lawrence e Lorsch

(CHIAVENATO, 1983: 8)

A administração desde seus primórdios buscou gerir, ou administrar, os recursos, sempre

escassos, buscando o melhor resultado. Ou sob outra ótica, obter os mesmos resultados com

dispêndio de menos recursos. A administração buscou organizar os recursos disponíveis, sejam

eles pessoas ou materiais, da forma mais eficiente possível, para isto cada teoria administrativa

deu ênfase em um aspecto: tarefas, estrutura, pessoas, ambientes e tecnologia.

O quadro a seguir relaciona as principais teorias administrativas de acordo com sua ênfase e com

seus principais enfoques:

Tabela 1.1- As principais teorias administrativas e seus principais enfoques.

ÊNFASE TEORIA PRINCIPAIS ENFOQUES

Tarefas Administração científica Racionalização do Trabalho no Nível Operacional

Estrutura Teoria Clássica e Neoclássica Organização formal

Princípios Gerais da administração

Funções do Administrador

Teoria da Burocracia Organização Formal Burocrática

Racionalidade Organizacional

Teoria Estruturalista Múltipla abordagem:

Organização formal e informal

Análise Intra-organizacional e Análise

Interorganizacional

Pessoas Teoria das Relações Humanas Organização Informal

Motivação, Liderança, Comunicações e Dinâmica

de Grupo

Teoria do Comportamento

Organizacional

Estilos de Administração

Teoria das Decisões

Integração dos Objetivos Organizacionais e

Individuais

Teoria do Desenvolvimento

Organizacional

Mudança Organizacional Planejada

Abordagem de Sistema Aberto

Ambiente Teoria Estruturalista e Neo-

estruturalista

Análise Intra-organizacional e Análise Ambiental

Abordagem de Sistema Aberto

Teoria da Contingência Análise Ambiental (Imperativo Ambiental)

Abordagem de Sistema Aberto

Tecnologia Teoria da Contingência Administração da Tecnologia (Imperativo

Tecnológico)

(CHIAVENATO, 1997: 15)

Abordagem Clássica da ADMINISTRAÇÃO

Os primeiros a refletirem sobre a Administração o fizeram a partir de duas perspectivas opostas,

que se complementaram: uns, de baixo para cima, analisaram os processos produtivos, a maneira

de fazer, próximo das porcas e parafusos; outros, de cima para baixo, a estrutura administrativa e

gerencial, a hierarquia. Muitos precursores construíram o que veio a ser classificado como

abordagem clássica, dentre os quais talvez os mais importantes fossem Taylor, Fayol, Ford e

Weber.

Taylor (Administração Científica) Frederick Winslow Taylor (1856-1915) começou como operário, foi subindo de posto e se formou

engenheiro. Em sua avaliação, os males da indústria à sua época eram a falta de

comprometimento dos trabalhadores com o trabalho, a ignorância da gerência com respeito à

maneira de executar o trabalho e finalmente a inexistência de rotinas uniformes de trabalho.

A partir dessas premissas estudou detalhadamente os processos, definindo métodos mais

eficientes de trabalho e ferramentas adequadas. Preocupou-se com a remuneração dos

trabalhadores, de modo a pagar mais àqueles mais produtivos, utilizando a remuneração

diferenciada como incentivo à maior dedicação dos trabalhadores. Concluiu também que a

gerência tinha que ser modificada, pois suas responsabilidades passaram a ser outras:

precisavam estudar os processos, instruir os trabalhadores supervisioná-los, verificar qual o

desempenho individual e remunerá-los de acordo.

Taylor desenvolveu a Teoria da Gestão Científica buscando um maior desenvolvimento econômico

tanto para as empresas como para os empregados, resumindo-a como ciência em vez de "regra

do dedo", harmonia no lugar da discórdia, cooperação em substituição ao individualismo, máxima

produção em vez de produção limitada, o desenvolvimento de cada homem até sua máxima

eficiência e prosperidade.

A ciência seria utilizada para a identificação da melhor maneira de realizar uma tarefa, envolvendo

desde estudos de tempos e movimentos até o desenvolvimento de ferramentas e equipamentos

mais adequados.

O trabalho seria desenvolvido em condições ambientais adequadas, com os necessários períodos

de repouso. Os trabalhadores seriam selecionados cientificamente, treinados e supervisionados

de perto. Da máxima eficiência decorreriam maiores lucros e maiores salários.

Tanto a harmonia como a cooperação adviriam da divisão justa dos resultados entre as partes

envolvidas, as quais não seriam adversárias, mas parceiras. Na prática a remuneração cresceu

com o incremento da produtividade, mas não na mesma proporção: parte significativa ficou com

as empresas...

A máxima produção decorreria não só do maior potencial de produtividade, em função das

técnicas científicas empregadas, mas também por o trabalhador deixar de trabalhar abaixo de sua

capacidade, em função de abandonar uma visão corporativa pela qual a maior produção implicaria

em maior desemprego e maior exploração de sua força de trabalho.

Cada homem poderia se desenvolver ao máximo, tanto do ponto de vista da produção, como

também do seu desenvolvimento econômico, pois sua remuneração aumentaria significativamente

como resultado da aplicação da teoria.

Sua teoria se opôs àquela que a seu ver era a melhor em uso costumeiro à época, que

denominou "iniciativa e incentivo", pela qual os empregadores premiavam as iniciativas dos

empregados por meio de remunerações superiores, prêmios em dinheiro e outros agrados.

Taylor sintetiza as diferenças entre as duas maneiras de administrar, pelo papel dos gestores:

aqueles da "iniciativa e incentivo" apenas oferecem vantagens aos trabalhadores que logram

aumentar a produção, mas estes ficam com toda a responsabilidade pelo processo; já os que

administram com base na "Gestão Científica" têm que se ocupar do processo de trabalho, do

treinamento dos operários, enfim ficam pelo menos com metade do problema.

A "Gestão Científica" se ocupa em buscar a maneira pela qual uma tarefa pode ser melhor

realizada e entende que o interesse do empregado no trabalho decorre do seu interesse pelo

ganho que daí advém, ou seja, considera o trabalhador como um homem econômico, voltado para

a satisfação material.

Ford

Henry Ford (1863-1947) não foi propriamente um inventor, mas aplicou em larga escala a linha de montagem, esquema de produção que leva o material a ser manipulado ao trabalhador, que fica parado em seu posto de trabalho. As tarefas são altamente especializadas, materiais e

ferramentas são padronizados, a produção é feita em série de produtos iguais.

Além do processo industrial, Ford se preocupou com a distribuição, com a redução dos preços de

venda de modo a ganhar na quantidade, com o consumo de massa.

Consta que, perguntado de que cores poderiam ser pintados os carros, teria respondido: "de qualquer uma, desde que preta".

Fayol (Princípios de gestão)

Henry Fayol (1841-1925) focou sua atenção na estrutura da empresa e definiu a Gestão como "previsão, organização, comando, coordenação e controle".

Dessa forma as funções do gestor são:

Prever o futuro e definir um plano de ação em função dessa previsão; • Organizar a empresa, isto é, seus recursos materiais - escritórios, oficinas, equipamentos,

materiais - e seus meios sociais, distribuindo-os em estruturas hierárquicas - divisões,

gerências, seções;

Comandar a ação das pessoas da organização, dirigindo-as e orientando-as; • Coordenar o trabalho do pessoal, harmonizando ações e recursos na busca dos objetivos; e • Controlar, verificar a conformação das ações às diretivas, corrigindo-as ou mesmo alterando

as decisões inadequadas.

Fayol estabeleceu 14 princípios: • divisão do trabalho, com especialização das tarefas e trabalhadores para maior eficiência;

autoridade e responsabilidade, direito de dar ordens e esperar obediência, com responsabilidade;

disciplina, obediência a regras claras e justas, com punição às infrações;

unidade de comando, cada empregado com apenas um chefe; • unidade de direção, todas as unidades da organização buscando os mesmos objetivos

gerais;

subordinação do interesse individual ao geral, os interesses da organização tem precedência sobre os dos empregados;

remuneração justa do pessoal, tanto para o empregado como para a organização;

centralização, concentração da autoridade no topo da organização; • cadeia de comando, uma linha de comando e comunicação, do alto até a base; • ordem, pessoas e materiais nas posições onde são necessários e eficientes - "um lugar para

cada coisa e cada coisa em seu lugar";

eqüidade, com tratamento justo a todo o pessoal;

estabilidade do pessoal, a rotatividade é prejudicial à eficiência da organização; • iniciativa, os funcionários devem ser incentivados a propor melhorias; e • espírito de equipe deve haver harmonia entre o pessoal para o trabalho em grupo

O ADMINISTRADOR Recordando que Administração é o processo de planejar, organizar, dirigir e controlar o uso de

recursos técnicos, científicos, financeiros, materiais e de pessoal a fim de alcançar um objetivo.

Na verdade o Administrador consegue fazer as coisas por intermédio das pessoas e por isso

ocupa posição primordial na organização.

O administrador dá a direção e rumo à sua organização, proporciona liderança às pessoas e

decide como os recursos organizacionais devem ser utilizados para atingir os objetivos da

organização. Este conceito é aplicado ao administrador em qualquer nível da organização.

Administrar não significa executar tarefas, mas sim fazer com que elas sejam executadas por

outras pessoas em conjunto. O administrador não é aquele que faz, mas sim o que faz fazer.

Grandes Funções ou áreas da Administração

A administração costuma ser divida em 4 grandes áreas: finanças, produção, marketing e recursos

humanos.

Finanças

Conceito de Gestão Financeira

A gestão financeira é uma das tradicionais áreas funcionais da gestão, encontrada em

qualquer organização e à qual cabem as análises, decisões e atuações relacionadas com os meios financeiros necessários à atividade da organização. Desta forma, a função

financeira integra todas as tarefas ligadas à obtenção, utilização e controle de recursos

financeiros.

Por outras palavras, a função financeira integra:

• a determinação das necessidades de recursos financeiros (planeamento das

necessidades, a inventariação dos recursos disponíveis, a previsão dos recursos

libertos e o cálculo das necessidades de financiamento externo);

• a obtenção de financiamento da forma mais vantajosa (tendo em conta os custos,

prazos e outras condições contratuais, as condições fiscais, a estrutura financeira da

empresa);

• a aplicação criteriosa dos recursos financeiros, incluindo os excedentes de tesouraria

(por forma a obter uma estrutura financeira equilibrada e adequados níveis de

eficiência e de rentabilidade);

• a análise financeira (incluindo a recolha de informações e o seu estudo por forma a

obter respostas seguras sobre a situação financeira da empresa);

• a análise da viabilidade econômica e financeira dos investimentos.

Produção

Segundo KWASNICKA, "A função produção é a atividade de transformação de matéria-prima em

utilidades necessárias ao consumidor." (1995: 97). Para fins de estudo, ainda segundo a mesma

autora, costumamos dividir esta função em 3 subsistemas: "Engenharia de produto, planejamento

da produção e engenharia do processo" (1995: 98).

Marketing

A seguir a definição de KWASNICKA para a função marketing: "marketing é o desempenho das

atividades empresariais que dirigem o fluxo de mercadorias e serviços do produtor para o

consumidor final." (1995: 125).

Recursos Humanos

A seguir a definição de KWASNICKA para a função Recursos Humanos:

A administração de Recursos Humanos representa todo o esforço da organização, no sentido de

atrair profissionais do mercado de trabalho, prepará-los, adaptá-los, desenvolvê-los e incorporá-

los de forma permanente ao esforço produtivo e utilizar adequadamente o profissional de que uma

organização necessita. (1995: 140)

A ORGANIZAÇÃO

Organizações são, em última instância, pessoas e recursos reunidos em torno de objetivos em

parte comuns.

Organização é uma entidade social composta de pessoas que trabalham juntas e

deliberadamente estruturadas em uma divisão de trabalho para atingir um objetivo comum. É uma

sociedade em miniatura em que coexistem dois tipos de pessoas: os líderes e os subordinados.

Quando dizemos que é uma entidade social deliberadamente estruturada queremos dizer que as

tarefas são divididas entre seus membros, e a responsabilidade pelo seu desempenho é atribuída

a cada um dos membros da organização.

Quando dizemos que visa objetivo, queremos nos referir às conseqüências almejadas como obter

lucro, atender necessidades espirituais, proporcionar entretenimento, desenvolver arte e cultura,

praticar esportes e assim indefinidamente.

O propósito de toda organização é produzir um produto ou serviço para satisfazer a necessidade

do cliente, que pode ser consumidor, usuário, associado ou contribuinte. Daí a busca da qualidade

é a força vital de uma organização e a fonte da sua vantagem competitiva.

As organizações empregam pessoas e aplicam recursos. Elas podem ser de grande porte ou

pequenas e micro organizações. Podem ser locais, regionais ou globais.

Existem ainda as organizações de caráter não lucrativo que possuem objetivos sociais, e podem

ser governamentais ou não governamentais (ONG).

As organizações podem ser complexas ou simples, estatais ou privadas, com ou sem intuito de

lucro, formais ou informais.

Uma Biblioteca Municipal é estatal, é formal e não tem intuito de lucro. Um time de futebol de

várzea costuma ser privado e informal. Uma Padaria é privada e tem intuito de lucro. O Exército,

a Seara e a ONG Greenpeace são organizações complexas, a primeira governamental, as demais

privadas.

Podemos dividir as organizações em três grandes grupos:

• estatais,

• empresas privadas com intuito de lucro, e

• organizações do terceiro setor, as ONGs - privadas sem intuito de lucro.

De qualquer forma, seja qual for o tipo e o porte da organização, ela precisa ser administrada para

poder atender aos seus objetivos. Mesmo um time informal de várzea precisa de arrecadar

dinheiro para comprar os uniformes, estes precisam ser lavados, é necessário que os jogadores

estejam presentes no campo na hora marcada para a partida, há que haver alguma divisão do

"trabalho", nem que seja pela escolha do goleiro, os demais se posicionando na "linha".

Teoria sobre organização

Apesar de tudo depender de algum tipo de gestão, esta pode parecer intuitiva ou natural. É de se

esperar que, no preparo de uma refeição, se siga uma e não outra seqüência de passos, levando-

se em conta o tempo de preparo (limpar, descascar, picar) e de cocção (cozinhar, assar, fritar) dos

diversos alimentos, caso contrário o bife ficaria pronto muito antes do feijão.

Essa ordem é quase natural, sendo transmitida de geração para geração, de mãe para filha. Mas

uma pessoa que se aventure a “mexer” num fogão, sem esse prévio conhecimento, aprenderá

muito rapidamente as virtudes do planejamento, que começa muito antes, na escolha do cardápio

e obtenção dos ingredientes.

Se passarmos do preparo de uma refeição para a gestão de um restaurante, a complexidade dos

problemas cresce exponencialmente. Agora são necessárias muitas pessoas, na cozinha, no

salão, na manutenção de instalações e equipamentos, que precisam trabalhar com alguma

coordenação: o cliente faz o pedido ao garçom, este o passa aos cozinheiros, que preparam a

comida e a passam para o garçom servir ao cliente. Nesse ínterim a despesa tem que ser

registrada, para a conta poder ser apresentada ao cliente, o consumo de ingredientes tem que ser

anotado, para serem repostos.

Continuando, os preços têm que ser estabelecidos de forma a permitir o pagamento das despesas

- salários, aluguéis, tributos. Conflitos entre as pessoas precisam ser resolvidos. Algo tem que ser

feito para que os clientes voltem e novos apareçam.

Imaginemos agora uma rede de restaurantes, uma fábrica de aviões, uma empresa petrolífera,

uma empresa de aviação comercial internacional. A complexidade das operações em si soma-se

às necessidades de uma empresa de grande porte, com inúmeros funcionários, fornecedores,

clientes, tecnologias.

Nesse nível o empirismo é totalmente impossível, é necessário que o funcionamento da

organização se apoie em técnicas de gestão. Na verdade elas são sempre úteis, mesmo às

menores organizações ou, em certos casos, até à vida pessoal.

Níveis Organizacionais.

O administrador é essencial para uma organização qualquer que seja o seu tamanho ou tipo. E

dentro da organização o administrador pode ser um presidente ou diretor, um gerente ou

supervisor, dependendo do nível que ocupa. Em cada um dos níveis organizacionais

(Institucional, Intermediário, Operacional ), seu papel é diferente.

Nível Institucional É o nível mais elevado da organização. É constituído pelo Presidente e Diretores e onde são

tomadas as principais decisões. É o nível mais periférico, pois está em contato direto com o

ambiente externo, e sofre as pressões e os impactos ambientais. Recebe, também, o nome de

nível estratégico, pois é o responsável pela definição do futuro do negócio como um todo.

Nesse nível, o administrador deve possuir uma visão estratégica, para definir a missão e os

objetivos fundamentais do negócio.

Nível Intermediário É o nível administrativo que articula internamente o nível estratégico e o nível operacional. Recebe

o nome de nível gerencial ou tático. É constituído pelos Gerentes.Recebe as decisões globais e

as transforma em programas de ação para o nível operacional. Interpreta a missão e os objetivos

fundamentais do negócio, traduzindo-os em meios de ação para que o nível operacional possa

transformá-lo em execução.

Nesse nível, o administrador deve possuir visão tática.

Nível Operacional É o nível administrativo mais baixo de todos. É o nível que administra a execução e realização das

tarefas e atividades cotidianas. Nesse nível, o administrador deve possuir visão operacional, isto

é, conhecimento técnico para orientar e dirigir os funcionários que realizam as tarefas.

Níveis da Administração e a operação/execução

Características dos Níveis Administrativos

O Processo Administrativo.

O administrador é quem aplica o processo de planejar, organizar, dirigir e controlar a aplicação

dos recursos organizacionais para atingir um objetivo. Processo Administrativo é a denominação

dada ao conjunto e seqüência das funções administrativas que são: Planejamento, Organização,

Direção e Controle.

a. Planejamento

Planejamento é a primeira função administrativa, definindo objetivos para o futuro desempenho

organizacional e decidindo sobre os recursos e tarefas necessários para alcançá-los

adequadamente.

O planejamento é a arma utilizada pelo administrador para orientar-se e alcançar os objetivos

colimados, por intermédio de ações baseadas em métodos, planos ou lógica, e não ao acaso,

assim, planejar envolve soluções de problemas e tomadas de decisão.

Podemos definir planejamento como o processo de estabelecer objetivos e o curso da ação

adequado para atingi-los.

b. Organização

A organização visa disponibilizar os meios e recursos previstos pelo planejamento e reflete como

a organização tenta cumprir os planos. É a função administrativa relacionada com a atribuição das

tarefas, agrupamento das mesmas em equipes e alocação dos recursos necessários nas equipes.

Portanto, organização é o processo de engajar as pessoas em um trabalho conjunto de uma

maneira estruturada para alcançar objetivos comuns.

c. Direção A Direção representa a execução daquilo que foi planejado. É a função administrativa que envolve

a motivação das pessoas para atingir os objetivos organizacionais. Ela envolve a aplicação da

comunicação, a motivação e a liderança para desempenhar as atividades essenciais.

Portanto, direção é o processo de influenciar e orientar as atividades relacionadas com as tarefas

dos diversos membros da equipe ou da organização como um todo.

d. Controle O controle significa o acompanhamento, o monitoramento e a avaliação do desempenho

organizacional para verificar se as coisas estão acontecendo conforme o planejamento, a

organização e a direção.

O controle é o processo de assegurar que as atividades atuais estejam em conformidade com as

atividades planejadas.

Tarefa básica da administração A tarefa básica da administração é a de fazer as coisas, por meio das pessoas, de maneira

eficiente e eficaz, portanto vejamos:

Eficiência: Eficiência significa a realização de atividades ou tarefas de maneira certa e inteligente, com o mínimo de esforço e com máximo aproveitamento de recursos, ela determina o quanto

uma organização usa corretamente seus recursos. Quanto mais alto o grau de produtividade na

utilização de seus recursos, mais eficiente é a organização..

Eficácia: Determina o quanto uma organização realiza seus objetivos. Quanto mais alto o grau de realização dos objetivos, mais a organização é eficaz.

O Processo Administrativo nos três níveis organizacionais

5. Habilidades do Administrador.

Katz dizia que o sucesso do administrador depende mais do seu desempenho do que de seus

traços particulares de personalidade, daquilo que ele faz e não daquilo que ele é. E o seu

desempenho é resultado de certas habilidades que ele possui e utiliza. Katz identificou três tipos

de habilidades importantes:

- habilidades conceituais;

- habilidades humanas;

- habilidades técnicas.

a) Habilidades Conceituais

As habilidades conceituais envolvem a visão da organização ou da unidade organizacional como

um todo, a facilidade de trabalhar com idéias, conceitos, teorias e abstrações.

Estão relacionados com o pensamento, raciocínio, o diagnóstico da situação e a formulação de

alternativas para solução dos problemas. Na medida em que o administrador ascende na carreira,

ele precisa cada vez mais das habilidades conceituais.

b) Habilidades humanas

As habilidades humanas estão relacionadas com o trabalho com as pessoas e referem-se a

facilidade de relacionamento interpessoal e grupal. Envolvem a capacidade de motivar, comunicar,

coordenar, liderar e resolver conflitos individuais ou coletivos. Em todos os níveis organizacionais,

é fundamental saber trabalhar com as pessoas e por intermédio delas.

c) Habilidades Técnicas

As habilidades técnicas estão relacionadas com o conhecimento especializado e com a execução

e com os procedimentos para execução das tarefas.

As habilidades técnicas estão relacionadas com o fazer, isto é, com os processos materiais ou

objetos físicos e concretos. Ela é mais utilizada no nível operacional.

Essas habilidades requerem competência pessoal para serem colocadas em ação com êxito. A

competência é a qualidade de quem é capaz de analisar uma situação, apresentar soluções e

resolver assuntos ou problemas e, é o maior patrimônio de um administrador. O administrador,

para ser bem sucedido, precisa desenvolver três competências duráveis: o conhecimento, a perspectiva e a atitude.

Percentuais de Habilidades necessárias em cada nível organizacional

A COMPETENCIA DO ADMINISTRADOR

O Conhecimento

O conhecimento significa todo o acervo de informações, conceitos, idéias, experiências e

aprendizado que o administrador adquiriu, ao longo de sua vida, sobre sua profissão. È

fundamental que esse conhecimento seja constantemente atualizado, seja por intermédio da

leitura, seja por intermédio de relacionamento com outros profissionais, através de cursos,

simpósios, conferências, etc. .No entanto não basta ter o conhecimento, mas saber aplicá-lo em

benefício da organização.

a) A perspectiva A perspectiva significa a capacidade de utilizar o conhecimento, saber transformar a teoria em

prática, aplicar o conhecimento na análise das situações, na solução dos problemas e na

condução dos negócios.

A perspectiva representa a habilidade de colocar os conceitos e idéias abstratas em ação, em

visualizar a oportunidade de utilizá-las e transformá-las em novos produtos e serviços.

b) A Atitude

A atitude significa o comportamento pessoal do administrador frente às situações com que se

defronta no seu trabalho. A atitude representa o estilo pessoal de fazer acontecer, a maneira de

liderar, motivar, comunicar e levar adiante os projetos.

É essa competência que transforma o administrador em agente de mudança e não num agente de

conservação.

Sem dúvida é essa a habilidade mais importante. É ela que torna as organizações mais eficazes

e competitivas e as orienta para o sucesso.

Para complementá-la, porém, o administrador precisa desenvolver certas características pessoais

que o tornem líder, como combatividade, assertividade, convicção profunda, não aceitação do

“status quo”, inconformismo com a mediocridade e alta dose de espírito empreendedor.

O Papel do Administrador. Os papéis do administrador são as atividades conduzidas por ele para cumprir as funções de

planejar, organizar, dirigir e controlar os recursos organizacionais para atingir o objetivo. Esses

papéis podem ser classificados em: interpessoais, informacionais e decisórios.

a) Interpessoais • Representação – assume deveres cerimoniais, representa a organização, acompanha

visitantes e assina documentos legais.

• Liderança – dirige e motiva as pessoas, treina, aconselha, orienta e se comunica com os

subordinados.

• Ligação – mantém redes de comunicação, dentro e fora da organização, usa todos meios de

comunicação.

b) Informacionais • Monitoração – manda e recebe as informações, lê revistas e relatórios e mantém contatos

pessoais.

• Disseminação – envia informações para outras organizações e internamente, por diversos

meios.

• Porta-voz – Transmite informações para as pessoas de fora.

c) Decisórias • Empreende – inicia projetos, identifica novas idéias, assume riscos, delega responsabilidades.

• Resolve Conflitos – toma ação corretiva em disputas ou crises, resolve conflitos entre

subordinados, adapta o grupo a crises e a mudanças.

• Aloca Recursos – decide a quem atribuir recursos. Programa, orça e estabelece prioridades.

• Negociação – representa os interesses da organização em negociações com sindicatos,

vendas, compras ou financiamentos’

Portanto:

Se você quiser ser um administrador bem sucedido siga as seguintes regras básicas:

• Faça investimentos constantes em sua formação profissional.

• Mantenha-se informado.

• Desenvolva seu espírito empreendedor.

• Trabalhe em equipe.

• Seja flexível.

• Desenvolva sua capacidade de negociação.

• Saiba administrar conflitos.

• Trate sua carreira como se ela fosse uma empresa.

Exercícios de Fixação

Exercício 01 Josmario, supervisor da Alca S/A, não quis fazer um curso de inglês patrocinado pela empresa e

faltou a um curso de reciclagem promovido pelo RH dizendo que era dispensável e perda de

tempo. Apesar de ser um bom técnico é uma pessoa irascível, mal humorada e trata a todos com

grosseria.

Qual a competência que Josmario não possui?

E qual habilidade não foi desenvolvida por ele?

Em que nível organizacional se encontra Josmario?

Exercício 02 Madalena, gerente das Lojas Francesas, alocou recursos para reformar a seção de moda feminina

da loja do Gonzaga. Para motivar os funcionários, criou a competição de funcionário destaque do

mês e propôs à Diretoria, como prêmio, uma viagem à matriz, na França.

Em que nível organizacional está situada Madalena?

Quais os dois processos administrativos você identifica nas atitudes dela?

E qual a competência identificada nela?

Objetivos Organizacionais

Os objetivos: exprimem uma política quantificada ou um propósito quantificado e implicam em

continuidade.

Os planos: são providências (medidas, tarefas e atividades) a serem tomadas para se atingir as

metas estabelecidas.

As metas: são resultados finais que deverão ser atingidos dentro de um período determinado de

tempo.

Situação atual Plano de ação

Metas

A ESTRUTURA ORGANIZACIONAL

Conceito de estrutura organizacional

“Estrutura organizacional é o conjunto de funções, cargos, relações e responsabilidades que

constituem o desenho orgânico da empresa”.

Cargo – é a composição de todas aquelas atividades desempenhadas por uma única pessoa e que ocupa um lugar formal no organograma.

Função – é um conjunto de tarefas ou de atribuições exercida de maneira sistemática e reiterada por um ocupante de cargo. Pode ser exercida provisória ou definitivamente. Para

que um conjunto de atribuições constitua uma função é necessário que haja reinteração em

seu desempenho.

Toda organização é reconhecida pela sua estrutura, que representa:

a) A medida exata daquilo que sua direção idealiza como caminho para atingir os objetivos;

b) A medida como valoriza e distribui os seus módulos operativos dentro do contexto

empresarial.

Estratégia e estrutura • Estratégia e estrutura são dois itens que estão sempre unidos, mas a estratégia deve

definir estrutura. A tendência atual das organizações é ainda, manter estruturas tradicionais

ou departamentalizadas.

A estrutura organizacional de uma empresa está geralmente demonstrada em organogramas,

funcionogramas e fluxogramas de atividades.

Organogramas

O organograma é o gráfico que representa a estrutura formal da empresa, ou seja, a disposição e

a hierarquia dos órgãos.

Existem várias maneiras de se representar à estrutura da empresa. A escolha do tipo ideal, como

é dito para outros tipos de gráficos, fica a critério do analista, considerando este a natureza da

organização:

Organograma clássico ou vertical – este tipo é simplificado e procura deixar bem claros os

níveis de hierarquia. É bastante utilizado em instituições tradicionais, onde a visão é fator

preponderante.

Funcional: É voltada para as funções da organização

• É aplicado em organizações de pequeno porte onde existem poucos chefes para uma série de atividades (funções).

• Apenas o retângulo da atividade maior difere das demais

• Fica a critério do elaborador do organograma dispor ou não de todas as funções

Por Cargos: Utilizado quando o objetivo é analisar os cargos e não apenas representá-los no gráfico

• Todos os cargos são listados bem como a vinculação hierárquica de cada um deles

• Há necessidade de muito espaço na base da pirâmide

• É possível colocar dentro de cada retângulo o número de ocupantes do cargo.

comentários (0)
Até o momento nenhum comentário
Seja o primeiro a comentar!
Esta é apenas uma pré-visualização
3 shown on 67 pages
baixar o documento