Apostilas sobre Estudos de Filosofia_I_Parte1, Notas de estudo de Comunicação de Massa. Centro Universitário do Distrito Federal (UDF)
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Apostilas sobre Estudos de Filosofia_I_Parte1, Notas de estudo de Comunicação de Massa. Centro Universitário do Distrito Federal (UDF)

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Apostilas sobre Guia de Estudos de Filosofia, origem da filosofia, Mito e Filosofia, Diferenças entre mito e filosofia, Exemplos de manifestações míticas, reflexão sobre política e democracia, poder.
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GUIA DE ESTUDOS DE FILOSOFIA Prof.: Cláudio Silva

Introdução

A origem da filosofia  PHILO = amizade  SOPHIA = sabedoria  “... a sabedoria pertence aos deuses , mas os homens podem desejá-la, tornando-se

filósofos’” ( ( Pitágoras – Sc V a.C. )  ... O filósofo é movido pelo desejo de observar, contemplar, julgar e avaliar pelo desejo

de saber

A filosofia é grega  busca de um conhecimento racional, lógico e sistemático da realidade natural e humana;  busca da origem e causas do mundo e suas transformações;  busca da origem e causas das ações humanas;  busca da origem do próprio pensamento

Mito e Filosofia

O que é um Mito? Narrativa sobre a origem de alguma coisa Origem da palavra MITO: do grego MYTHOS = mytheyo (narrar) + mytheo (designar)

VERDADE= - poeta - enviado dos deuses - revelação divina

Como o mito narra a origem do mundo e de tudo o que nele existe? 1º) decorrência de relações sexuais entre forças divinas pessoais 2º) Por rivalidade ou uma aliança entre os deuses que faz surgir alguma coisa no mundo 3º) Por recompensas ou castigos que os deuses dão a quem os desobedece ou a quem os obedece.

GENEALOGIAS: Cosmogonias:Gonia(nascimento)+Cosmos(mundo organizado) e teogonias: Gonia+ Theos(seres divinos)

“A FILOSOFIA, percebendo as contradições e limitações dos mitos, foi reformulando e racionalizando as narrativas míticas, transformando-as numa outra coisa, numa explicação nova e diferente”. (M. Chauí)

DIFERENÇAS ENTRE FILOSOFIA E MITO 1º) MITO:- fixa a narrativa no passado FILOSOFIA: se preocupa em explicar como e porque, no passado, no presente e no futuro 2º) MITO:- narra a origem através de genealogias

e rivalidades ou alianças entre forças divinas sobrenaturais e personalizadas ( Urano, Ponto e Gaia);

FILOSOFIA:- explica a produção natural das coisas por elementos e causas naturais e impessoais ( céu, mar e terra).

3º) MITO: - não se importa com contradições, com o fabuloso e o incompreensível - autoridade: confiança religiosa no narrador FILOSOFIA: - não admite contradições, fabulação e coisas incompreensíveis; - exige explicação coerente, lógica e racional;

 autoridade: vem da razão, que é a mesma em todos os seres humanos, e não da pessoa do filósofo

O MITO HOJE  As manifestações míticas hoje são formas de encarnações dos desejos inconscientes humanos  São criados mitos para responder a esses desejos, os quais a razão não pode preencher

adequadamente.  Também, pode-se encontrar manifestações que são herança do passado mítico da humanidade

Exemplos de manifestações míticas:  Aquelas que são inventadas pelos desejos inconscientes que existem em todos . Ex.: a vontade

inconsciente de que o bem vença o mal.  Aquelas que são encarnações do nosso desejo de segurança. Ex.: os heróis nas histórias em

quadrinhos são gerados pela nossa vontade de proteção ideal e imaginária.  Aquelas personagens que são encarnações de tudo aquilo que gostaríamos de ser. Os meios de

comunicação mexem com esse imaginário das pessoas, apresentando artistas e esportistas como sendo fortes, saudáveis, com uma profissão de sucesso, ricos.

 Aquelas que foram herdadas por nós pelos primitivos, como é o caso dos rituais de passagem: festas de formatura, de ano novo, os bailes de 15 anos ( apresentam, em quase tudo, semelhanças com os rituais primitivos de passagem).

Sugestão de leitura: “Convite à filosofia”- Marilena Chauí - Unidade 1. A Filosofia pgs 19 a 56 - Ed. Ática

1º Eixo Temático: Problemas éticos e políticos na Filosofia 1.1. Problema político: Estado, sociedade e poder Questões de referência:  A questão da democracia.  A questão da constituição da cidadania.  A questão do jusnaturalismo e contratualismo.  A questão do poder Autores de referência: Aristóteles, Hobbes, Locke, Rousseau, Maquiavel e Habermas

Política O analfabeto político O pior a analfabeto é o analfabeto político. Ele não ouve, não fala, não participa dos acontecimentos políticos. Ele não sabe que o custo de vida, o preço do feijão, do peixe, da farinha, do aluguel, do sapato e do remédio dependem das decisões políticas. O analfabeto político é tão burro que se orgulha e estufa o peito, dizendo que odeia política. Não sabe o imbecil que da sua ignorância política nascem a prostituta, o menor abandonado, o assaltante e o pior de todos os bandidos, que é o político vigarista, pilantra, corrupto. E lacaio das empresas nacionais e multinacionais. Bertolt Brecht

1. Uma reflexão sobre política e democracia Podemos falar de política como a arte de governar, de gerir os destinos da cidade; aliás ,

etmologicamente política vem de polis (cidade). A palavra democracia vem do grego demos (povo) e kratia, de krátos ( governo, poder,

autoridade). Historicamente, consideramos os atenienses o primeiro povo a elaborar o ideal democrático, dando ao cidadão a capacidade de decidir os destinos da polis ( cidade - estado grega). Povo habituado ao discurso , encontra na ágora (praça pública) o espaço social para o debate e o exercício da persuasão. (*Vários eram excluídos do direito à cidadania e poucos detinham efetivamente o poder.) Grifo nosso.

O ideal democrático reaparece na história , com roupas diferentes, ora no liberalismo, ora exaltado na utopia rousseauniana, ora nos ideais socialistas e anarquistas.

Nunca foi possível evitar que , em nome da democracia, conceito abstrato, valores que na verdade pertenciam a uma classe apenas fossem considerados universais. A Revolução Francesa se fez sob o lema “Igualdade, Liberdade, Fraternidade”, e sabemos que foi uma revolução que visava interesses burgueses e não populares.

No mundo contemporâneo, tanto os EUA como a URSS se consideram governos democráticos.

Se a política significa o que se refere ao poder, na democracia, onde é o lugar do poder?

A personalização do poder O que caracteriza os governos não democráticos é que o poder é investido numa pessoa que

pretende exercê-lo durante toda a sua vida, como se dele fosse proprietário. O faraó do Egito, o césar romano, o rei cristão medieval, em virtude de privilégios , se apropriam do poder, identificando-o com o seu próprio corpo. É a pessoa do príncipe que se torna o intermediário entre os homens e Deus, ou o intérprete humano da suprema Razão.

Identificado com determinada pessoa ou grupo, o poder personalizado é um poder de fato, e não de direito, pois não é legitimado pelo consentimento da maioria, mas depende do prestígio e da força dos que o possuem. Trata-se de uma usurpação do poder , que perde o seu lugar público quando é incorporado na figura do príncipe.

Que tipo de unidade decorre desse poder? Como não se funda na expressão da maioria, ele precisa estar sempre vigiando e controlando o surgimento de divergências que poderão abalá-lo. Busca então a uniformização das crenças , das opiniões, dos costumes, evitando o pensamento divergente e destruindo a oposição.

Eis aí o risco do totalitarismo, quando o poder é incorporado ao partido único, representado por um homem todo- poderoso. O filósofo político contemporâneo Claude Lefort diz que o escritor soviético dissidente Soljenitsin costumava se referir a Stálin como sendo o Egocrata ( que significa o poder personalizado; etimologicamente, “poder do eu”). O Egocrata é o ser todo – poderoso que faz apagar a distinção entre a esfera do Estado e a da sociedade civil: o partido, onipresente, se incumbe de difundir a ideologia dominante por todos os setores de atividades ,a todos unificando, o que permite a reprodução das relações sociais conforme o modelo geral.

A institucionalização do poder A Idade Moderna promove uma profunda mudança na maneira de pensar medieval, que era predominantemente religiosa. Ocorre a secularização da consciência , ou seja, o abandono das explicações religiosas, para se usar o recurso da razão. Essa transformação se verifica nas artes, nas ciências, na política.

À tese de que todo poder emana de Deus , se contrapõe a origem social do pacto feito pelo consentimento dos homens. A legitimação do poder se encontra no próprio homem que o institui.

Para ilustrar o caráter divino do poder no pensamento medieval, veja-se Jean Bodin ( 1530 – 1596): jurista e filósofo francês, que defendeu , em sua obra A República, o conceito do soberano perpétuo e absoluto, cuja autoridade representava a vontade de Deus. Assim, todo aquele que não se submetesse à autoridade do rei deveria ser consideradao um inimigo da ordem pública e do progresso social. Segundo Bodin, o rei deveria possuir um poder supremo sobre o Estado, respeitando , apenas, o direito de propriedade dos súditos. ( COTRIM, 1987, p 134)

Com a emergência da burguesia no panorama político, dá-se a criação do Estado como organismo distinto da sociedade civil. Em outras palavras, na Idade Média, o poder político pertencia ao senhor feudal, dono de terras, e era transmitido como herança juntamente com seus bens; com as revoluções burguesas, essas duas esferas dissociam-se: o poder não é herdado, mas conquistado pelo voto. Assim, separa-se o público do privado. O espírito da democracia está em descobrir o valor da coisa pública, separada dos interesses particulares.

Desse modo, ocorre a institucionalização do poder, que não mais se identifica com aquele que o detém, pois este é mero depositário da soberania popular. O poder se torna um poder de direito, e sua legitimidade repousa, não no privilégio, não no uso da violência, mas do mandato popular.

O súdito, na verdade, torna-se cidadão, já que participa da comunidade cívica. Não havendo privilégios, todos são iguais e têm os mesmos direitos e deveres.

Isto se torna possível pela criação de instituições baseadas na pluralidade de opiniões e na elaboração de leis para orientar a ação dos cidadãos, garantindo seu direitos e evitando o arbítrio. A institucionalização implica a elaboração de uma Constituição , que é a lei magna.

Portanto, o poder torna-se legítimos porque emana do povo e se faz em conformidade com a lei.

Retomando a pergunta “Onde é o lugar do poder na democracia?” respondemos que é o lugar do vazio, ou seja, é o poder com o qual ninguém pode se identificar e que será exercido transitoriamente por quem for escolhido para tal.

No entanto, como já dissemos, a democracia burguesa se mostrou deficiente no exercício desse ideal, pois redundou em uma forma elitista, privilegiando os segmentos da sociedade que possuem propriedades e excluindo do acesso ao poder a grande maioria

Com a ajuda da ideologia, as classes privilegiadas dissimulam a divisão e mostram a sociedade como una, harmônica e igualitária. Asseguram , assim, a tranqüilidade e o progresso”. Entretanto, a outra parte da sociedade se acha reduzida ao silêncio e à incapacidade de pensar a sua própria condição.

Como seria a verdadeira democracia? Segundo Marilena Chauí, as três características da democracia são as idéias de conflito, abertura e rotatividade.

O conflito: se a democracia supõe o pensamento divergente, isto é, os múltiplos discursos, ela tem de admitir um heterogeneidade essencial. Então, o conflito é inevitável. A palavra conflito sempre teve sentido pejorativo, de algo que devesse ser evitado a qualquer custo. Ao contrário, divergir é inerente a uma sociedade pluralista. O que a sociedade democrática deve fazer com o conflito é trabalhá-lo, de modo que, a partir da discussão, do confronto, os próprios homens encontrem a possibilidade de superá-lo.

A abertura: significa que na democracia a informação circula livremente, e a cultura não é privilégio de poucos.

A rotatividade: significa tornar o poder na democracia realmente o lugar vazio por excelência , sem o privilégio de um grupo ou classe. É permitir que todos os setores da sociedade possam ser legitimamente representados.

A fragilidade da democracia A construção da democracia é uma tarefa difícil, devido à incompletude essencial da

democracia. Não havendo modelos a seguir, a democracia se autoproduz no seu percurso, e a árdua tarefa em que todos se empenham está sujeita aos riscos dos enganos e dos desvios. Por isso, a democracia é frágil e não há como evitar o que faz parte da sua própria natureza.

O principal risco é a emergência do totalitarismo, representado nos grupos que sucumbem à sedução do absoluto e desejam restabelecer a “ordem” e a hierarquia.

A condição do fortalecimento da democracia encontra-se na politização das pessoas, que devem deixar o hábito ( ou vício? ) da cidadania passiva, do individualismo, para se tornarem mais participantes e conscientes da coisa pública.

Questões para reflexão: 1. Qual a mensagem do poema “O analfabeto político”? 2. Qual é a etimologia das palavras política e democracia? 3. O que significa a personalização do poder? 4. O que significa s separação entre a sociedade política e a sociedade civil? 5. Por que a burguesia não representa ainda o ideal democrático? 6. Quais são as três características da democracia? 7. Em que consiste a fragilidade da democracia e que significa cidadania passiva?

Sugestão de leitura ARANHA & MARTINS. Filosofando: introdução à filosofia. São Paulo: Moderna,1986. (capítulo 18 a 27 - pgs 206 a 299)

Democracia e cidadania

Se até hoje temos nos contentado com a democracia representativa, não há como deixar de sonhar com mecanismos típicos da democracia direta que possibilitem a presença mais constante do povo nas decisões de interesse coletivo. Na Constituição brasileira de 1988 foi introduzida a “iniciativa popular de projetos de leis”, através de manifestação do eleitorado, mediante porcentagem mínima estipulada conforme o caso. Essa forma de atuação ainda será regulamentada e devem ser enfrentadas dificuldades as mais diversas para o exercício efetivo. Mas alguns poderiam argumentar: para participar enquanto cidadão pleno é preciso que haja politização, caso contrário haverá apatia ou manipulação. Daí o desafio: quem educa o cidadão? Cidadania se aprende no exercício mesmo da cidadania. Embora a escola seja aliada importante, não é nela fundamentalmente que se dá a aprendizagem, pois há o risco da ideologia e do discurso vazio, quando o ensino não é acompanhado de fato pela ampliação dos espaços de atuação política do cidadão na sociedade. A participação popular se intensifica com as já referidas organizações saídas da sociedade civil. Essas organizações, ao colocarem seus representantes em confronto com o poder constituído, tornam-se verdadeiras escolas de cidadania. O importante do processo é que, ao lado dos outros poderes, como o poder oficial do município, do estado e federal, e o poder das elites econômicas, desenvolve-se o poder alternativo. Ou seja, o esforço coletivo na defesa de interesses comuns transforma a população amorfa, inexpressiva e despolitizada em comunidade verdadeira. Na luta contra a tirania e o poder arbitrário, nem as regras da moral, nem apenas as leis impedirão o abuso do poder. Na verdade, como já dizia Montesquieu, só o poder controla o poder. Sugestão de leitura ARANHA & MARTINS. Temas de Filosofia. São Paulo: Moderna,1992.(cap. 13 )

As teorias contratualistas

Nos séculos XVII e XVIII a principal preocupação da filosofia política é o fundamento racional do poder soberano. Ou seja, o que se procura não é resolver a questão da justiça, nem justificar o poder pela intervenção divina, mas colocar o problema da legitimidade do poder. É por isso que filósofos tão diferentes como Hobbes, Locke e Rousseau têm idêntico propósito: investigar a origem do Estado. Não propriamente a origem no tempo, mas o “princípio”, a “razão de ser” do Estado. Todos partem da hipótese do homem em estado de natureza, isto é, antes de qualquer sociabilidade, e, portanto, dono exclusivo de si e dos seus poderes. Procuram então compreender o que justifica abandonar o estado de natureza para constituir o Estado, mediante o contrato. Também discutem o tipo de soberania resultante do pacto feito entre os homens.

Hobbes, advertindo que o homem natural vive em guerra com seus semelhantes, conclui que a única maneira de garantir a paz consiste na delegação de um poder absoluto ao soberano.- Thomas Hobbes ( 1558-1679): filósofo inglês, escreveu o livro Leviatã ( o título refere-se ao monstro bíblico, citado no livro de Jó, que governava o caos primitivo), no qual compara o Estado a um monstro todo-poderoso, especialmente criado para acabar com a anarquia da sociedade primitiva. Segundo Hobbes, nas sociedades primitivas “o homem era o lobo do próprio homem”, vivendo em constantes guerras e matanças, cada qual procurando garantir sua própria sobrevivência. Só havia uma solução para dar fim à brutalidade: entregar o poder a um só homem, que seria o rei, para que ele governasse todos os demais, eliminando a desordem e dando segurança a todos . ( COTRIM, 1987, p. 134)

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