Apostilas sobre Fahrenheit 451 , Notas de estudo de Teorias da Comunicação. Universidade Veiga de Almeida (UVA)
Jacirema68
Jacirema68

Apostilas sobre Fahrenheit 451 , Notas de estudo de Teorias da Comunicação. Universidade Veiga de Almeida (UVA)

2 páginas
1Números de download
689Número de visitas
Descrição
Apostilas de Comunicação da Faculdade de Letras de Lisboa sobre o Estudo da Literatura, Comentário Crítico sobre Fahrenheit 451 de Ray Bradbury.
20 pontos
Pontos de download necessários para baixar
este documento
Baixar o documento
Pré-visualização2 páginas / 2
Baixar o documento

Fahrenheit 451O Estudo da Literatura Comentário Crítico Por: Francisco Ribeiro - Nº 44109

Em Fahrenheit 451, François Truffaut adaptando o romance de Ray Bradbury ao grande ecrã, dá-nos a conhecer um mundo super tecnológico, de como uma civilização do futuro se tratasse, em que a mesma tem a particularidade da proibição da leitura e dos livros em si. Com esta história o autor quer transmitir aos espectadores uma relação entre liberdade e repressão a meu ver, espelhando essa repressão estão os bombeiros, que nesta história são retratados como os queimadores de livros, são eles a repressão nesta história procurando livros para queimar por vários pontos da cidade. Um desses bombeiros é Montag, ele faz o que a sua profissão lhe compete mas esconde um segredo, que é a posse de livros em sua casa e que ele lê durante a noite, juntamente com Clarisse, a mulher que questiona Montag o porque das pessoas não lerem livros, sendo ela leitora também, ambos representam a liberdade. Montag ao longo do filme defende que toda a gente deve pegar num livro e ler para assimilar informação e preencher o vazio tanto emocional como cultural que aquelas pessoas detêm. Podemos verificar á medida que o filme vai avançando que naquele mundo as pessoas eram vazias, sem emoções, e Montag tinha como pensamento que a leitura iria modificar essas mesmas pessoas de certa forma, tal como tinha vindo a modificar a sua própria maneira de ver as coisas.

A dada altura na obra, Montag recita algumas palavras de um livro que tinha lá por casa enquanto a sua mulher Mildred Montag e amigas conversavam na sala, ao ler um excerto do tal livro, uma das mulheres ficou tão chocada com as palavras simples que iam saindo da boca de Montag que desatou a chorar e saiu de casa aterrorizada. Este exemplo só para espelhar a mentalidade e acção das pessoas durante o filme, eram vazias, não tinham personalidade nem expressão.

Como contra-argumento à teoria de Montag de pegar num livro e ler para adquirir conhecimento e sabedoria, também podemos ver as coisas por outro prisma, o argumento dos bombeiros ou dos chamados “dominadores”, sendo a função deles queimar livros, era que nenhuma pessoa deveria saber mais que outra e que apenas o simples facto de adquirir cultura, era retratado como um crime público. Na cena do filme em que os bombeiros são chamados a uma casa, que se revela ser uma autêntica biblioteca, Capitão Beatty chefe do quartel de bombeiros, faz um autêntico discurso a Montag, sobre o mal que representavam os livros na sua ideia, numa breve citação Beatty diz: “…Here's a book about lung cancer. You see, all the cigarette smokers got into a panic, so for everybody's peace of mind, we burn it.” O que Beatty quis dizer com esta afirmação é que era uma forma de resguardar todos os fumadores, para não ficarem aterrorizados com a ideia de terem cancro do pulmão, dando um bom exemplo de um argumento para a queima de livros, se eles não tivessem informação não ficariam preocupados. Logo a seguir diz: “You see, it's... it's no good, Montag. We've all got to be alike. The only way to be happy is for everyone to be made equal, So we must burn the books Montag, all the books…” Espelhando aquele sentimento de que ninguém pode ser mais que o outro, todos têm de ser iguais neste mundo para alcançar a felicidade, e para alcançar essa mesma felicidade é preciso queimar todos os livros.

Perto do final do filme assistimos a uma conversa entre Clarisse e Montag, em que Clarisse conta que conhece um sítio para lá do rio, onde existem os chamados homens-livro, pessoas que fugiram à repressão imposta pelos bombeiros só para poderem ler, e com o propósito de não infringirem nenhuma regra, visto que eles são os livros em pessoa, decorando os e tendo os sempre memorizados.

docsity.com

Após os bombeiros terem recebido uma denúncia da mulher de Montag de que existiam livros em sua casa, o quartel juntamente com Montag chega a sua casa e queima todos os livros que lá se encontravam, Montag indignado com o se estava a passar decide tirar um livro da mão de Beatty que de seguida lhe aponta uma arma, numa acto de loucura Montag de lança chamas na mão, queima o seu próprio chefe, junto aos livros, dando o autor assim, a meu ver, uma dose de ironia no filme, o homem foi morto pela sua própria arma de trabalho juntamente aos seus “inimigos” os livros.

No final do filme Montag decide aceitar a ideia de Clarisse e junta-se aos homens-livro, onde com os mesmos, aprende a memorizar os livros, desfazendo se depois deles sem qualquer risco de quebrar a lei, nessa cena ainda podemos ver um homem a morrer, a ler para um rapaz passagens de um livro, como se o autor quisesse dar a ideia de que era possível uma transmissão de conhecimento, fazendo assim um ciclo interminável de passagem de conhecimento. Na última cena do filme vemos a comunidade dos homens livro, onde Montag também já pertence, e onde ele já está integrado e é ele próprio também um homem-livro.

Em jeito de resumo posso dizer que em Fahrenheit 451 deparamo-nos com um romance/sci-fi em que o espectador é confrontado com uma relação entre o bem, Montag, Clarisse e o mal, Mildred, Capitão Beatty (bombeiros), ambos com pontos de vista e argumentos válidos e compreensíveis dado o enredo da história. Ao ver este filme somos obrigados a ver o mundo sem livros, em como de um crime se tratasse apenas possuí-los, e a meu ver leva nos para uma posição de difícil entendimento, porque se existisse um mundo sem livros provavelmente hoje em dia não tínhamos os níveis de cultura e mentalidade que hoje possuímos.

Falando na relação espectador-autor-obra, penso que a podemos dividir em três partes, na relação espectador-autor, o autor transmite-nos a nós espectadores, a ideia de como seria viver num mundo sem livros em que as pessoas não tinham personalidade, e de certo modo, quer que nos entranhemos no filme para tentar perceber o ponto de vista dessas pessoas. Na relação autor-obra, o autor remete a história na minha opinião para uma relação entre liberdade e repressão, fazendo assim uma divisão entre o bem e o mal. Finalmente na relação espectador- obra, essa mesma obra faz nos imaginar a viver nesse mesmo mundo, e provavelmente escolher em que lado é que ficaríamos, se do lado do bem ou do mal, e que consequências iríamos ter por escolher um ou outro lado.

Concluindo, posso dizer que é um dos melhores filmes que já vi, e para mim que não sou um grande fã do estilo, Fahrenheit 451 conseguiu me cativar de maneira a entrar na pele dos dois lados da história e a conseguir compreendê-los. O filme deixa-nos a pensar que se não existisse literatura provavelmente não existiria cultura, informação e personalidade, três factores determinantes para a sociedade nos dias de hoje, e acho mesmo o que o autor quis transmitir com esta obra, foi a ideia de vermos as coisas por outro prisma, e talvez para darmos mais valor à leitura e aos livros em geral, que muito têm sido esquecidos nos dias de hoje.

docsity.com

Até o momento nenhum comentário
Baixar o documento