Artigo atm, Manuais, Projetos, Pesquisas de Fonoaudiologia
tatiana-santos-35
tatiana-santos-35

Artigo atm, Manuais, Projetos, Pesquisas de Fonoaudiologia

6 páginas
46Números de download
1000+Número de visitas
Descrição
fonoaudiologia
40 pontos
Pontos de download necessários para baixar
este documento
Baixar o documento
Pré-visualização3 páginas / 6
Esta é apenas uma pré-visualização
3 mostrados em 6 páginas
Esta é apenas uma pré-visualização
3 mostrados em 6 páginas
Esta é apenas uma pré-visualização
3 mostrados em 6 páginas
Esta é apenas uma pré-visualização
3 mostrados em 6 páginas
articulacao temporo.p65



    

Durante as décadas de 70 e 80, a artro- grafia, introduzida por Norgaard, em 1940, era considerada o método de primeira es- colha para a visualização dos deslocamen- tos de disco da ATM(2). A morfologia, o po- sicionamento e a função do disco articu- lar eram visualizados, de forma indireta, em função da injeção de meio de contraste nos compartimentos articulares superior e/ou inferior. Após a injeção do contraste, imagens videofluoroscópicas dinâmicas eram obtidas, com movimento de abertura e fechamento da boca. Apesar de válida na identificação de problemas como as perfu- rações de disco, a artrografia não é muito recomendada, atualmente, uma vez que é técnica invasiva que envolve dose de radia- ção ionizante relativamente alta e causa desconforto ao paciente(3–5).

O exame por ressonância magnética (RM), introduzido em meados dos anos 80, tornou-se o método de primeira esco- lha para o diagnóstico das anormalidades dos tecidos moles da ATM, devido à alta acurácia na determinação da posição do

                           

             

! " # $ % & &

" '  '  ' ()    *   +   '   ()  

  '  ' '  ',  * +  -'  ' ." '  '  

 + ' +()  ' ' & . /'  '  

0   ' 1  2 '   '    ' ()

   * &3 '4'  ()   ()   '  ' ."

*   * 1  )     '     5

+   '  '  ' ()   2 '   ' 

  0  /'  '.

      ! " #  $% !  "&" %"' ( %") *

                  

$ '  ' +1   *  1*+ *    1 *6

1 '  '1 * ' 7 +  '  '.$ '  '7 ''

6 1    +' 1+'  +1 .! ' '  1 61 1 5

  ''''7 1   + '  '   1*  '1   '1 

+'1 '+  + *    +1   *  .81  +1 7   61

 '  1  + ++7 + '  ' +1   * 

6 1  +  1 & 1  + ' '  .

  + ! " #  , "-%"   ""  % "%( %" *



*'

            

               

!"#$ #!%

&%   '     ()    '*    +

  ) !#    ,-  !') ./ +

0  (    ) "%

1%   '( '    ) /      +

   * 2  $ /+*$"#   ' +

   ) !#/   ! 3 !%

4%   '   )      +

        $- /  $/"#   ' +

   ) !#/   ! 3  !%

5%()    '*      ) !%

(  , )  )  6 7%!  !83

*' %*!'  9' #1::#)%&::&# 

9 '%$ #!#5:1;:+<1:%(+' 7=  ' >

 ' % '

*   )) ,-  '1:?4?1::4%!  #)  +

- # '15?&&?1::4%

disco articular. É o único exame capaz de apresentar a imagem do disco articular, possibilitando, dessa forma, o diagnóstico dos seus deslocamentos(2,6). Possibilita, ainda, informações a respeito da condição óssea (cortical e medular)(7), degenerações discais, quantidade de fluido sinovial e dos tecidos retrodiscais(8).

Método avançado e não-invasivo, a RM geralmente é bem tolerada pelo paciente e é de fácil execução, quando comparada à artrografia. Além disso, apresenta a gran- de vantagem de não expor o paciente à radiação ionizante, para a obtenção das imagens.

O objetivo deste trabalho é realizar uma revisão de literatura, abordando os aspec- tos normais e os diferentes tipos de deslo- camentos de disco da ATM à RM.

ANATOMIA DA ATM

A articulação da mandíbula com o crâ- nio é do tipo sinovial móvel composta(9). Em virtude da sua forma de dobradiça

   !"

INTRODUÇÃO

A articulação temporomandibular (ATM), classificada como a mais comple- xa do organismo humano(1), pode ser aco- metida pelas mesmas doenças e desordens que afetam outras articulações do sistema músculo-esquelético, como os desloca- mentos de disco, doenças articulares dege- nerativas (osteoartrite), artrites inflamató- rias e sinovites.

   9:

 ' ()    * ;'    '  ' <  !

(ginglymus) e sua função de deslizamento (arthrodia), também é denominada de ar- ticulação ginglemoartroidal(9,10).

Em geral, a ATM, referida como a arti- culação mais complexa do organismo hu- mano, apresenta como componentes ós- seos a fossa articular, que faz parte da por- ção escamosa do osso temporal, e o côn- dilo da mandíbula, localizado no topo do pescoço condilar(1,10).

O disco articular é uma estrutura bicôn- cava, flexível, formado por tecido conjun- tivo fibroso denso, normalmente situado entre o declive posterior da eminência ar- ticular e a superfície ântero-superior do côndilo, dividindo o espaço articular em dois compartimentos, superior e inferior. Em condições de normalidade, estes com- partimentos não se comunicam(1,9,11). O disco possui uma banda posterior, uma zona intermediária e uma banda anterior. Sua zona intermediária é consideravel- mente mais fina do que a periferia, sendo sua banda posterior mais espessa(1,9,10).

A posição normal do disco articular da ATM, em boca fechada, é aquela em que se tem um alinhamento entre o ponto mé- dio do contorno superior do côndilo da mandíbula e o limite distal da banda pos- terior do disco (posição de 12 horas) (Fi- gura 1A). No entanto, nem todas as articu- lações exibem esta posição, existindo tam- bém variações da normalidade, que podem ser observadas quando a proeminência anterior do côndilo encontra-se à mesma altura e na vizinhança da zona intermediá- ria do disco. Um leve deslocamento da zona intermediária para anterior é conside- rado deslocamento do disco articular. Em posição de abertura máxima da boca, o disco normalmente encontra-se posicio- nado entre a superfície póstero-superior do côndilo e a superfície convexa do tubér- culo do osso temporal (Figura 1B)(11,12).

DESLOCAMENTOS DE DISCO DA ATM

O deslocamento de disco da ATM tem sido definido como uma relação anormal do disco articular com o côndilo mandibu- lar, fossa e eminência articulares(13). É vá- lido salientar que os deslocamentos de dis- co também podem estar presentes sem cau- sar sintomas e sem interferir com a função

articular a curto prazo. As aderências, cor- pos livres intra-articulares, doenças articu- lares inflamatórias e degenerativas, sem associação com deslocamento de disco, também podem causar distúrbios intra-ar- ticulares (DIA)(11). Dos DIA, o desloca- mento do disco articular é o mais comu- mente encontrado(4).

Sinais e sintomas associados a DIA da ATM são comuns, ocorrendo em 4% a 28% da população adulta(4). Foi demons- trado que os DIA, assim como a artrite degenerativa, podem acometer pacientes pediátricos(14). Os DIA incidem mais fre- qüentemente nas mulheres, ocorrendo numa proporção aproximada de 8:1, sendo que os fatores responsáveis por esta predo- minância ainda não estão claros. Fatores etiológicos relacionados aos DIA da ATM incluem trauma, bruxismo, estresse e anor- malidades oclusais. Em estudo realizado com 192 ATM de 98 pacientes sintomáti- cos que realizaram RM desta articulação, cerca de 80% dos pacientes da amostra apresentaram deslocamento de disco bila- teral, 15% mostraram deslocamento de disco unilateral e somente 5% dos pacien- tes apresentaram ATM normais(8). A pre- valência de deslocamentos de disco encon- trada por outros autores em voluntários assintomáticos foi de 33% e de 77% em pacientes sintomáticos(15).

Os deslocamentos de disco totalizam oito posições anômalas, entre elas: deslo- camento anterior completo, deslocamento anterior parcial lateral, deslocamento ante- rior parcial medial, deslocamento rotacio- nal ântero-medial, deslocamento rotacio-

nal ântero-lateral, deslocamento medial, deslocamento lateral, e deslocamento pos- terior, este último bastante raro(8).

O deslocamento anterior do disco arti- cular da ATM é o mais freqüentemente encontrado(8,12). Pode ser completo ou parcial, dependendo da extensão do des- locamento(8,11). Em posição de boca fecha- da, o disco apresenta-se posicionado ante- riormente em todos os cortes sagitais. Os deslocamentos medial e lateral do disco articular possuem aspecto normal nos cor- tes sagitais em boca fechada, porém apre- sentam alteração da posição do disco no plano coronal(8). Estes deslocamentos são freqüentemente associados ao desloca- mento anterior, sendo denominados de deslocamentos rotacionais do disco(11).

Os deslocamentos discais podem ocor- rer com ou sem redução, excetuando-se o deslocamento posterior. Esta classificação depende do reestabelecimento ou não da relação normal entre o disco articular e o côndilo mandibular, no movimento de abertura da boca. Quando o disco perma- nece deslocado na posição de abertura máxima da boca, considera-se desloca- mento sem redução (Figura 2). No entan- to, quando o disco é recapturado para a po- sição de normalidade em boca aberta, diz- se que o deslocamento é com redução(16)

(Figura 3). Redução incompleta é vista quando há recaptura parcial do disco arti- cular durante a abertura da boca(8).

Os deslocamentos de disco da ATM são considerados uma importante causa da dor facial, da ATM, de estalidos, crepitação e disfunção(17). Os deslocamentos de disco

 * )  ,-  0 '@  !# )  # ')  ,-      "   "# '     " ')  ,-  '% #) ,-    !A)#) ,- )    !"%



    9

com redução estão freqüentemente asso- ciados a estalidos, e os deslocamentos de disco sem redução apresentam-se mais fre- qüentemente associados à limitação da abertura da boca(5,17).

Alterações estruturais ósseas, como erosão, facetamento, formação de osteófi- tos e esclerose, ocorrem mais freqüente- mente em pacientes com deslocamentos anteriores do disco articular sem redução e raramente em pacientes com desloca- mento de disco com redução. Estas altera- ções acometem predominantemente pa- cientes com DIA em estágio avançado e po- dem ser interpretados como sinais de pro- gressão da doença(18).

DIAGNÓSTICO POR IMAGEM

Várias técnicas de imagem para a ATM têm sido discutidas, focalizando suas indi-

cações e limitações(19). A artrografia já foi amplamente usada no passado como mé- todo de diagnóstico por imagem para ATM com DIA, porém, atualmente, sua utiliza- ção não é indicada, pois é procedimento invasivo que causa desconforto e riscos. Reações alérgicas ao meio de contraste, apesar de raras, podem ocorrer. Além dis- so, a exposição à radiação pode ser signi- ficativa, dependendo do número de expo- sições tomográficas. Perfurações do disco e laceração da cápsula são, contudo, me- lhor detectados pela artrografia(19).

Apesar do uso da radiação ionizante, a tomografia computadorizada (TC) pode fornecer informações importantes quando se necessita de detalhes de toda a anato- mia óssea. Apresenta, adicionalmente, a vantagem das reconstruções tridimensio- nais, que são úteis na avaliação das defor- midades ósseas(4).

A RM é o exame de eleição para o es- tudo da ATM quando se deseja pesquisar anormalidades de tecidos moles. É o único exame que possibilita a visualização do disco articular e tecidos moles circunjacen- tes. Informações a respeito do contorno ósseo cortical também são obtidas por meio do exame de RM. Além disso, anor- malidades na intimidade da medula óssea do côndilo também podem ser evidencia- das. É uma técnica não-invasiva que, ape- sar do custo elevado, fornece uma série de informações referentes às estruturas intra- articulares, em diversos planos(19). Uma vez que a RM apresenta alta acurácia na iden- tificação das posições do disco da ATM, além das vantagens já referidas, Tasaki et al.(12) e Emshoff e Rudisch(20) relataram que a RM deveria ser reconhecida como padrão-ouro para propósitos de identifica- ção da posição do disco articular da ATM.

Para pacientes que apresentam sinais e sintomas de dor articular e/ou facial, esta- lidos, crepitação e limitação da abertura da boca associados à ATM e que, ao exame físico, suspeita-se de DIA por interferên- cia do disco, a RM é indicada como mé- todo de escolha. Exames para avaliação ós- sea, como radiografias ou TC, também podem ser indicados, principalmente quando se suspeita de deslocamento crô- nico de disco(19).

A IMAGEM DA ATM POR RM

Os protocolos utilizados para a obten- ção das seqüências de imagens da ATM ponderadas em T1 (sagitais, em boca fe- chada e aberta, com cortes de 2 mm de es- pessura) e em densidade de prótons (coro- nais, em boca fechada, com cortes de 2 mm de espessura) estão descritos na Tabela 1 (adaptado de Katzberg e Westesson(11)). As seqüências de imagens ponderadas em T1 são utilizadas rotineiramente(7,8,11), forne- cendo excelente detalhamento anatômico. As seqüências de imagens ponderadas em densidade de prótons também fazem par- te do protocolo de rotina, uma vez que apresentam boa resolução espacial nas le- sões do disco articular, além de ser exce- lente opção na individualização dos des- locamentos discais lateral e medial. As imagens ponderadas em T2, no entanto, fornecem pobre detalhe anatômico, sendo

 * )  ,-  0 '@  !# )  # ')  ,-      "   "# B     '         " ' ,- %C   '  '      #          '  % #) ,-    !A)#) ,- )    !"%

 * )  ,-  0 '@  !# )  # ')  ,-      "   "# B     '         " ' ,- %C   '  '      #    ) ))  ,-   '  % #) ,-    !A)#) ,- ) +    !"%

   9

 ' ()    * ;'    '  ' <  !

indicadas quando se deseja acentuar a efu- são articular e o edema na medula óssea(11). A aquisição adicional das seqüências de imagens ponderadas em T2 é realizada em pequeno número de situações clínicas, como em casos pós-traumatismo ou tume- fação na região periauricular(21). Segundo Pieruci et al.(21), apesar de as imagens pon- deradas em T2 permitirem uma melhor apreciação do estado do disco articular e da presença de líquido intra-articular ou de aderências, estas informações têm hoje pequeno valor no momento da decisão te- rapêutica.

Um exame de RM da ATM normal de- monstra o disco articular como uma estru- tura de intensidade de sinal baixa, situado entre o côndilo e a fossa articular, normal- mente descrito em forma de “gravata bor- boleta”(9) (Figura 4). O disco articular, em imagens ponderadas em T1, aparece em hipossinal, o que é explicado pela sua ri-

brocartilagem-camada sinovial-osso corti- cal da fossa articular e do côndilo(9). Na posição de boca aberta, o tecido retrodis- cal se expande para baixo da concavidade da fossa articular e pode demonstrar inten- sidade de sinal heterogênea. A heteroge- neidade ocorre em razão do fluxo de san- gue para dentro desta região durante a abertura da boca(9,11).

A inserção do feixe superior do mús- culo pterigóideo lateral é freqüentemente demonstrada através de imagem por RM como uma estrutura em hipossinal, que se insere no aspecto ântero-medial do disco e côndilo(11). Os dois feixes do músculo pterigóideo lateral aparecem normalmente separados por uma região adiposa, triangu- lar, de sinal intenso(21).

A fibrocartilagem que recobre a fossa articular e a eminência articular aparece com sinal de intensidade intermediária, separando o sinal de baixa intensidade do córtex do osso temporal, do disco articular. Esta camada de tecido que recobre o côn- dilo nem sempre é aparente. Existe uma ten- dência errônea de assumir que a pequena intensidade de sinal do córtex do côndilo se articula diretamente com o tecido discal. Esta camada se torna mais evidente quando o disco deslocado está acompanhado de remodelação condilar significativa(9).

Com a melhora na qualidade das ima- gens por RM, a cápsula articular freqüen- temente é bem visualizada nas imagens coronais. Em articulações normais, a cáp- sula é vista como uma linha escura, relati- vamente plana e fina, localizada lateral- mente ao côndilo. Em articulações com deslocamentos laterais do disco, é comum observar o seu espessamento. Em pacien- tes com edema e dor na região articular, imagens ponderadas em T2, no plano co- ronal, têm mostrado aumento de fluido na cápsula articular, sugestivo de edema cap- sular. Todas estas observações são suges- tivas de capsulite(11).

Nos diferentes tipos de deslocamentos, o disco se apresenta com a mesma intensi- dade de sinal descrita acima. A diferença é o seu posicionamento, como já descrito (Figuras 5 e 6). Uma série de alterações na configuração do disco também pode ser encontrada em pacientes com DIA da ATM. Em geral, o primeiro estágio de de- formação é o espessamento da banda pos-

 /       )  ,-   0D6   '  ! '&  '   )   0  E   F   "%

G   B     "

$ &    "

$ &   "

  /    "

5::

5H:

5H:

&%IH:

&4

&4

&4

&I

&

H

H

H

1:

&5

&5

&1

5

1

1

1

1H<J1H<

1H<J1H<

1H<J1H<

1H<J1H<

* '"

( '"

C(K L '"

()    ''"

 M' '

*# ')   )  ,- A(# ')    AC(K#8'    B ,N AL#')   -  O    PQ"A/#

   ) %

 * !#)    '&#   # '   #    % +     # ' )  #)       R     # ')  ,-   '    '  ' O   Q  "% #) ,-    !A)#) ,- )    !"%

queza em proteoglicanas. A forma de “gra- vata borboleta” não é identificada sempre, em razão do efeito de volume parcial, cor- tes oblíquos, espessura do corte e tamanho e morfologia do disco(9). A combinação das seqüências em posição de boca aberta e boca fechada, porém, sempre auxilia na diferenciação da posição do disco normal e anormal(5,9).

Existem situações em que se observa uma pequena área de sinal intenso no in- terior da banda posterior do disco. O au- mento de sinal é decorrente de depósitos de mucina na região do tecido discal. Esta alteração pode ser vista tanto em articula- ções normais quanto em anormais(11).

O tecido retrodiscal é uma estrutura fina, possuindo intensidade de sinal homo- gênea intermediária na posição de boca fechada. Em alguns casos, o tecido não pode ser identificado claramente em razão da justaposição deste com o complexo fi-



    9

  * !#)    '&#   # '   #    %   # ' )  #)    ',-    '       "% * !#)    '&#   # '  #    %!) '  '      #           '    '  "% +   '        ' ,- %!) ,- S  +)   R    +   '  +     ' "% #) ,-    !A)#) ,- )    !"%

terior do disco articular (Figura 7). A eta- pa seguinte é quando a banda posterior aumenta em espessura e em comprimento ântero-posterior, resultando em uma forma biconvexa. Com a posição de boca aberta, a configuração é arredondada. Uma con- figuração sigmóide também é possível de ser observada(11).

Os deslocamentos mediais ou laterais do disco articular são identificados melhor no plano coronal(5) (Figura 8).

Nas articulações com deslocamentos crônicos e deformações de disco, é comum encontrar alterações em tecido ósseo, que podem ser vistas não somente no contor-

no das superfícies articulares, como tam- bém na intensidade do sinal da medula óssea adjacente. As alterações medulares são comumente associadas aos DIA crôni- cos e podem ser vistas na presença ou na ausência de alterações morfológicas da cortical(11). Em condições de normalidade, a cortical óssea mostra ausência de sinal e a medular apresenta sinal elevado(21).

Edema na medula óssea também pode ser observado através de imagens por RM, como hipersinal em imagens ponderadas em T2. Esta situação não é encontrada em pacientes com ATM normais, nem em pa- cientes com DIA assintomáticos(11).

A efusão articular, mais comumente encontrada em pacientes que apresentam deslocamentos de disco em estágios avan- çados, é identificada, na imagem por RM, como uma área de intensidade de sinal ele- vado, na região dos espaços articulares, em imagens ponderadas em T2. Quando não existe nenhuma área de sinal elevado ou quando existe somente a presença de uma linha de sinal elevado ao longo da super- fície articular, considera-se ausência de efusão articular(22).

Uma limitação da RM é a inabilidade de demonstrar perfurações de disco(11,21). No entanto, o contato de osso com osso

  * !)    '&#   # '   #  0  %   # ' )  #)    '     )   "% * !)    '&#   # '  #  0  %!) '  '      #      )+  ))  ,-   '    "% +   '    )     # ' ,- % #) ,-    !A)#) ,- )    !"%

   9

 ' ()    * ;'    '  ' <  !

(côndilo mandibular com a porção esca- mosa do osso temporal), associado a doen- ça articular degenerativa, é sinal indireto de perfuração discal à RM. Ocasionalmente, com imagens ponderadas em T2 e na pre- sença de efusão articular, é possível de- monstrar a presença de perfurações no li- gamento posterior do disco. Apesar da constante preocupação no diagnóstico das perfurações de disco, esta não é a caracte- rística principal de um DIA. O desloca- mento e/ou deformação do disco são os maiores parâmetros que determinam a con- duta terapêutica(11).

A RM tem assumido importância fun- damental no campo da odontologia, neste caso, especificamente, no diagnóstico por imagem dos diferentes tipos de desloca- mentos do disco articular da ATM. O diag- nóstico correto é necessário para um pla- nejamento de tratamento adequado.

Agradecimentos

Este trabalho recebeu o apoio da Clí- nica Delfin Médica e Odontológica e da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado da Bahia (Fapesb).

REFERÊNCIAS

1. Maciel RN, Turell JCF. Anatomia da ATM. In: Maciel RN, Westesson PL, Turell JCF, et al. ATM e dores craniofaciais – fisiopatologia básica. 1 ed. São Paulo, SP: Livraria Editora Santos, 2003:63– 90.

2. Sano T. Recent developments in understanding tem- poromandibular joint disorders. Part 1: bone mar-

row abnormalities of the mandibular condyle. Dentomaxillofac Radiol 2000;29:7–10.

3. Gonini Júnior A, Tanaka EE, Arita ES. Recursos e métodos para a visualização das disfunções tem- poromandibulares quanto ao comprometimento extra e intra-articular. RPG Rev Pós Grad 1999;6: 262–8.

4. Katzberg RW. Temporomandibular joint imaging. Radiology 1989;170:297–307.

5. Maciel RN, Tavano O, Bueno MR. Imagens: pro- tocolo radiográfico. In: Maciel RN, Westesson PL, Turell JCF, et al. ATM e dores craniofaciais – fisio- patologia básica. 1 ed. São Paulo, SP: Livraria Editora Santos, 2003:239–92.

6. Reis RH, Armond MC, Carlos RG, Ribeiro A. To- mografia computadorizada e ressonância magnética no diagnóstico das disfunções da ATM. Rev Univ Vale do Rio Verde 1998;1:119–24.

7. Nebbe B, Brooks SL, Hatcher D, et al. Magnetic resonance imaging of the temporomandibular joint: interobserver agreement in subjective classification of disk status. Oral Surg Oral Med Oral Pathol Oral Radiol Endod 2000;90:102–7.

8. Milano V, Desiate A, Bellino R, Garofalo T. Mag- netic resonance imaging of temporomandibular dis- orders: classification, prevalence and interpretation of disc displacement and deformation. Dentomaxil- lofac Radiol 2000;29:352–61.

9. Heffez LB, Mafee MF, Rosenberg HM. Imaging atlas of the temporomandibular joint. 1st ed. Phila- delphia, PA: Williams & Wilkins, 1995.

10. Okeson JP. Tratamento das desordens temporoman- dibulares e oclusão. 4 ed. São Paulo, SP: Artes Mé- dicas, 2000.

11. Katzberg RW, Westesson PL. Diagnosis of the tem- poromandibular joint. Philadelphia, PA: WB Saunders, 1993.

12. Tasaki MM, Westesson PL, Isberg AM, Ren YF, Tallents RH. Classification and prevalence of tem- poromandibular joint disk displacement in patients and symptom-free volunteers. Am J Orthod Dento- facial Orthop1996;109:249–62.

13. Tallents RH, Katzberg RW, Murphy W, Proskin H. Magnetic resonance imaging findings in asymptom-

atic volunteers and symptomatic patients with tem- poromandibular disorders. J Prosthet Dent 1996; 75:529–33.

14. Sanchez-Woodworth RE, Katzberg RW, Tallents RH, Guay JA. Radiographic assessment of tem- poromandibular joint pain and dysfunction in the pediatric age-group. ASDC J Dent Child 1988;55: 278–81.

15. Katzberg RW, Westesson PL, Tallents RH, Drake CM. Orthodontics and temporomandibular joint in- ternal derangement. Am J Orthod Dentofacial Or- thop 1996;109:515–20.

16. Kurita H, Ohtsuka A, Kobayashi H, Kurashina K. The relationship between the degree of disk dis- placement and ability to perform disk reduction. Oral Surg Oral Med Oral Pathol Oral Radiol Endod 2000;90:16–20.

17. Katzberg RW, Westesson PL, Tallents RH, Drake CM. Anatomic disorders of the temporomandibu- lar joint disc in asymptomatic subjects. J Oral Maxillofac Surg 1996;54:147–53.

18. Westesson PL. Structural hard-tissue changes in temporomandibular joints with internal derange- ment. Oral Surg Oral Med Oral Pathol 1985;59: 220–4.

19. Brooks SL, Brand JW, Gibbs SJ, et al. Imaging of the temporomandibular joint: a position paper of the American Academy of Oral and Maxillofacial Radiology. Oral Surg Oral Med Oral Pathol Oral Radiol Endod 1997;83:609–18.

20. Emshoff R, Rudisch A. Validity of clinical diagnos- tic criteria for temporomandibular disorders: clini- cal versus magnetic resonance imaging diagnosis of temporomandibular joint internal derangement and osteoarthrosis. Oral Surg Oral Med Oral Pathol Oral Radiol Endod 2001;91:50–5.

21. Pieruci P, Chassagne JF, Briche D, Dinh Doan G. L’intérêt de l’IRM dans la visualisation du ménisque des articulations temporo-mandibulaires (ATM). Rev Stomatol Chir Maxillofac 1991;92:149–54.

22. Westesson PL, Brooks SL. Temporomandibular joint: relationship between MR evidence of effu- sion and the presence of pain and disk displacement. AJR 1992;159:559–63.

 * !)    '&#   # '   # 0  %   # ' )  #+      '     '  "# ' )    )        '   R   ) )@    ' "% #) ,-    !A#) ,- )    !"%

 * !# '    ) #    # '  + #    %   # ' )  #  +  '  '     "% #) ,-   !A'#) ,- '  !"%

Até o momento nenhum comentário
Esta é apenas uma pré-visualização
3 mostrados em 6 páginas