AS ATIVIDADES RÍTMICAS E EXPRESSIVAS COMO CONTEÚDO NAS AULAS DE EDUCAÇÃO FÍSICA, Pesquisas de Educação Física e Aprendizagem Motor. Centro Universitário do Sul de Minas Geral
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AS ATIVIDADES RÍTMICAS E EXPRESSIVAS COMO CONTEÚDO NAS AULAS DE EDUCAÇÃO FÍSICA, Pesquisas de Educação Física e Aprendizagem Motor. Centro Universitário do Sul de Minas Geral

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AS ATIVIDADES RÍTMICAS E EXPRESSIVAS COMO CONTEÚDO NAS AULAS DE EDUCAÇÃO FÍSICA

AS ATIVIDADES RÍTMICAS E EXPRESSIVAS COMO CONTEÚDO NAS AULAS DE EDUCAÇÃO FÍSICA.

Cleide Pizzatto

RESUMO

As Atividades Rítmicas e Expressivas estão inseridas na grande área de conhecimento da Educação Física no ensino escolar e caracterizam-se por mais um conteúdo educacional a ser proposto para os discentes, possibilitando-os expressar-se corporalmente de acordo com suas necessidades e interesses de momento. Sendo assim, o presente estudo buscou analisar o desenvolvimento das atividades rítmicas e expressivas nas aulas de Educação Física do ensino fundamental e verificar os fatores influenciadores no desenvolvimento dessas. Para tanto, realizou- se uma pesquisa qualitativa, onde foram coletados dados através de um questionário contendo seis questões fechadas aplicado a 20 professores de 5ª a 8ª série do ensino fundamental de sete Colégios Estaduais do Município de Toledo. Os resultados encontrados permitiram identificar que expressiva maioria afirma ter conhecimento de que o conteúdo consta nos PCNs, contudo apenas 10% o desenvolve nas aulas de Educação Física. Observou-se o predomínio de conteúdos esportivos. Em relação aos possíveis motivos citados pelos professores para a insuficiente utilização do conteúdo de atividades rítmicas e expressivas, verificou-se a falta de preparo profissional ou desconhecimento de meios e estratégias de ensino, além da falta de espaço e materiais adequados e baixa aceitação pelos alunos. Dos professores que desenvolviam o conteúdo dança nas aulas, identificou-se que a freqüência era semestral, bimestral e mensal. Sugere-se que o conteúdo de atividades rítmicas e expressivas, aliado aos outros conhecimentos, pode influenciar os aspectos motores, sociais, cognitivos e emocionais e auxiliar na concretização da função principal da Educação Física na formação do homem como um ser integral e um agente de transformação social.

“Palavras-chave”: Educação Física. Ritmo. Movimento.

Abstract

The Rhythmic and Expressive Activities are inserted in the great area of knowledge of the physical education in the school teaching and they are characterized by one more educational content to be proposed for the discentes, making possible them to express physical

in agreement with your needs and interests of moment. Being like this, the present study looked for to analyze the development of the rhythmic and expressive activities in the classes of physical education of the fundamental teaching and to verify the factors in the development of those. For so much, he/she took place a qualitative research, where data were collected through a questionnaire containing six closed subjects applied to 20 teachers from 5th to 8th series of the fundamental teaching of seven State Schools of the Municipal district of Toledo. The found results allowed to identify that expressive majority affirms to have knowledge that the content consists in PCNs, however 10% only develop him/it in the physical education classes. The prevalence of sporting contents was observed. In relation to the possible reasons mentioned by the teachers for the insufficient use of the content of rhythmic and expressive activities, it was verified the lack of professional preparation or ignorance of means and teaching strategies, besides the space lack and appropriate materials and it lowers acceptance for the students. Of the teachers that developed the content it dances in the classes, he/she identified that the frequency was half-yearly, bimonthly and monthly. It is suggested that the content of rhythmic and expressive activities, ally to the other knowledge, it can influence the aspects motor, social, cognitive and you move and auxiliary in the materialization of the main function of the physical education in the man's formation as a to be integral and an agent of social transformation.

Key-words: physical education, rytmics, moviment.

1. INTRODUÇÃO

A Educação Física, enquanto disciplina escolar, consta nos

Parâmetros Curriculares Nacionais do Ensino Fundamental, e tem a

“tarefa de garantir o acesso dos alunos às práticas da cultura

corporal, além de contribuir para a construção de um estilo pessoal

de exercê-las e oferecer instrumentos para que sejam capazes de

apreciá-las criticamente”, através dos conteúdos esportes, lutas

ginástica e as Atividades Rítmicas e Expressivas, que expressam as

produções culturais, como conhecimento historicamente acumulado e

transmitido socialmente, que tem como característica a expressão e

comunicação de gestos e a presença de música. O conteúdo de

atividades rítmicas e expressivas apresenta-se muito rico e

apropriado para a aquisição de capacidades motoras, cognitivas e

sócio-afetivas.

Contudo, percebe-se através da realização de várias pesquisas

que ele não vem sendo utilizado para o desenvolvimento das aulas

de Educação Física tanto no ensino fundamental quanto no ensino

médio.

Parece existir preconceito em relação às atividades que utilizam

música, expressão, emoção, criatividade de movimento, talvez pelo

motivo das aulas de Educação Física serem realizadas em locais

abertos, que pode causar certa insegurança por parte de alguns

professores, especialmente por desconhecer parcialmente o processo

e o resultado.

Na maioria das vezes as atividades rítmicas e expressivas são

comumente concebidas na Educação Física apenas como meras

atividades lúdicas com o intuito de divertir, entreter e passar o

tempo. Concepção esta, que deve ser revista pelos profissionais,

necessitando maiores reflexões e aprofundamentos, no sentido de

compreender seus conteúdos, significados e valores enquanto

manifestação da cultura corporal, bem como, entender as suas

relações com as outras áreas do conhecimento humano, como o

crescimento e desenvolvimento motor (QUEIRÓS, 2000).

As Atividades Rítmicas e Expressivas enquanto conhecimento da

Educação Física no ensino escolar caracteriza-se por mais um

conteúdo educacional a ser proposto para os discentes,

possibilitando-os expressar-se corporalmente de acordo com suas

necessidades e interesses de momento, pois as vivências

relacionadas à esse conteúdo objetivam converter o corpo em um

instrumento onde vibra o ritmo “. Sendo assim, a finalidade

essencial, torna-se estimular e desenvolver o ritmo físico, educar o

ritmo emocional e proporcionar conhecimentos indispensáveis do

ritmo musical, sendo indispensáveis á formação do ser humano, além

de serem atividades prazerosas, que estimulam a criatividade e as

relações sócio-afetivas em qualquer idade e contexto”.

Assim sendo, compreende-se que as Atividades Rítmicas e

Expressivas enquanto conhecimento da Educação Física deve

enfatizar movimento com sons e música, para inspirar vivências e

experiências diversas, no sentido de possibilitar a expressão corporal

e a educação rítmica, desenvolvendo de forma simultânea o domínio

motor, cognitivo e afetivo-social.

Neste sentido, o presente estudo tem como objetivo analisar o

desenvolvimento das atividades rítmicas e expressivas nas aulas de

Educação Física do ensino fundamental e verificar os fatores

influenciadores no desenvolvimento das atividades rítmicas e

expressivas.

2. DESENVOLVIMENTO - Revisão de literatura

2.1 Os PCNs e o conteúdo atividades rítmicas e expressivas

Os Parâmetros Curriculares Nacionais de Educação Física foram

construídos e elaborados procurando trazer uma proposta de

democratização, humanização e diversificação da prática pedagógica

dessa área de conhecimento, buscando ultrapassar a visão apenas

biológica, incorporando as dimensões afetivas, cognitivas e

socioculturais dos alunos. Esse documento procura subsidiar as

discussões, os planejamentos e as avaliações da prática de Educação

Física.

Os Parâmetros Curriculares Nacionais apresentam os objetivos

gerais para o ensino fundamental, esperando que, ao final do ensino

fundamental, os alunos sejam capazes de:

• Participar de atividades corporais, estabelecendo relações

equilibradas e construtivas com os outros, reconhecendo e

respeitando características físicas e de desempenho de si próprio

e dos outros, sem discriminar por características pessoais, físicas,

sexuais ou sociais;

• Repudiar qualquer espécie de violência, adotando atitudes de

respeito mútuo, dignidade e solidariedade nas práticas da cultura

corporal de movimento;

• Conhecer valorizar, respeitar e desfrutar da pluralidade de

manifestações de cultura corporal do Brasil e do mundo,

percebendo-as como recurso valioso para a integração entre

pessoas e entre diferentes grupos sociais e Étnicos;

• Reconhecer-se como elemento integrante do ambiente, adotando

hábitos saudáveis de higiene, alimentação e atividades corporais,

relacionando-os com os efeitos sobre a própria saúde e de

melhoria da saúde coletiva;

• Solucionar problemas de ordem corporal em diferentes

contextos, regulando e dosando o esforço em um nível

compatível com as possibilidades, considerando que o

aperfeiçoamento e o desenvolvimento das competências

corporais decorrem de perseverança e regularidade e que devem

ocorrer de modo saudável e equilibrado;

• Reconhecer condições de trabalho que comprometam os

processos de crescimento e desenvolvimento, não as aceitando

para si nem para os outros, reivindicando condições de vida

dignas;

• Conhecer a diversidade de padrões de saúde, beleza e

desempenho que existem nos diferentes grupos sociais,

compreendendo sua inserção dentro da cultura em que são

produzidos, analisando criticamente os padrões divulgados pela

mídia e evitando o consumismo e o preconceito;

• Conhecer, organizar e interferir no espaço de forma autônoma,

bem como reivindicar locais adequados para promover atividades

corporais de lazer, reconhecendo-as como uma necessidade do

ser humano e um direito do cidadão, em busca de uma melhor

qualidade de vida.

Alguns critérios foram adotados para a seleção dos conteúdos, com

a preocupação de garantir coerência com a concepção exposta e de

efetivar os objetivos, tais como a relevância social, cuja aprendizagem

amplia as capacidades de interação sociocultural, uma melhor utilização

do lazer, promoção de saúde pessoal e coletiva.

A característica dos alunos foi outro aspecto eleito, valorizando e

ampliando as diferenças regionais.

Da mesma forma a especificidade do conhecimento da área, onde a

utilização das práticas da cultura corporal de movimento é de forma

diferenciada pelo tratamento metodológico disponível na área,

contemplando a inclusão em oportunidades para troca e enriquecimento

do próprio trabalho.

Os conteúdos nos Parâmetros Curriculares Nacionais são

organizados em três blocos, a serem desenvolvidos ao longo do ensino

fundamental, estando relacionados com o Projeto Pedagógico de cada

Escola.

Conhecimentos do corpo:Para se conhecer o corpo,

abordam-se os conhecimentos anatômicos (estrutura muscular e

óssea), fisiológicos (freqüência cardíaca, queima de calorias,

perda de água e sais minerais), biomecânicos (adequação dos

hábitos gestuais e posturais) e bioquímicos (processos

metabólicos de produção de energia, eliminação e reposição de

nutrientes básicos) que capacitam a análise crítica dos

programas de atividade física e o estabelecimento de critérios

para julgamento, escolha e realização de atividades corporais

saudáveis.

Esportes, jogos, lutas e ginásticas: Esportes consideram-se

as práticas em que são adotadas regras de caráter oficial e

competitivo, organizadas em federações regionais, nacionais e

internacionais que regulamentam a atuação amadora e a

profissional. Jogos podem ter uma flexibilidade maior nas

regulamentações, que são adaptadas em função das condições

de espaço e material disponíveis, do número de participantes,

entre outros. São exercidos com um caráter competitivo,

cooperativo ou recreativo em passatempo e diversão. Lutas são

disputas em que o(s) oponente(s) deve(m) ser subjugado(s),

com técnicas e estratégias de desequilíbrio, contusão,

imobilização ou exclusão de um determinado espaço na

combinação de ações de ataque e defesa. Caracterizam-se por

uma regulamentação específica a fim de punir atitudes de

violência e de deslealdade. Podem ser citados como exemplos

de lutas desde as brincadeiras de cabo-de-guerra e braço-de-

ferro até as práticas mais complexas da capoeira, do judô e do

caratê. Ginásticas são técnicas de trabalho corporal que, de

modo geral, assumem um caráter individualizado com

finalidades diversas, ou ainda de forma recreativa, competitiva e

de convívio social.

Atividades Rítmicas e Expressivas: constitui-se em códigos simbólicos, onde a vivência de cada ser humano, em interação

com valores e conceitos socioculturais, produzindo com isso,

possibilidades de comunicação por gestos e posturas, tendo

como característica comum a intenção explicita de expressão e

comunicação por meio dos gestos e com presença de ritmos,

sons, da música na construção da expressão corporal, e através

disso, encontram-se subsídios para enriquecer o processo de

informação e formação dos códigos corporais do indivíduo e do

grupo.

Conforme Darido (2001), Educação Física não significa apenas

ensinar o gesto motor correto, muito mais do que isso, cabe ao professor

problematizar, interpretar, relacionar, compreender com sues alunos as

amplas manifestações da cultura corporal, onde os alunos

compreendam os sentidos e significados impregnados nas práticas

corporais.

De acordo com os PCNs os conteúdos estão estruturados em eixos

que contemplam o conhecimento de Educação Física, estes são

formados por jogos, ginástica, ritmo e expressividade, cultura corporal e

saúde. Onde cada um destes conteúdos tem seu fundamental papel no

desenvolvimento da criança. O Jogo tem como seu objetivo a orientação

espaço-temporal, se tratando de Cultura Corporal e Saúde os educandos

devem vivenciar as diferentes práticas da cultura corporal

compreendendo seu papel na sociedade. A Ginástica é uma forma de

exercitação por meio da qual, abre-se a possibilidade de atividades e

experiências corporais dos educandos, possibilitando a aquisição do

domínio corporal, da flexibilidade, da força, da velocidade, do equilíbrio

e da autoconfiança. E por fim, o Ritmo e a Expressividade que

proporcionam a busca pelo conhecimento de si e de sua capacidade

expressiva permitindo o conhecimento, a troca de experiências e a

reflexão. Pelo corpo manifestamos alegria, dor, prazer, raiva, medo, etc.

A diversidade cultural que caracteriza o país tem na dança uma de

suas expressões mais significativas, constituindo um amplo leque de

possibilidades de aprendizagem. Toda a cultura tem algum tipo de

manifestação rítmica e expressiva, e o Brasil e um país riquíssimo em

manifestações.

Os conteúdos deste bloco são amplos, diversificados, e podem

variar de acordo com o local em que a Escola estiver inserida e as

manifestações culturais que podem ser resgatadas por meio das

pessoas mais velhas da comunidade.

Conhecer algumas técnicas de execução de movimentos e utilizar-

se delas no exercício de seu potencial comunicativo, ser capaz de

improvisar, de construir coreografias, contribuem em atitudes de

valorização e apreciação das manifestações expressivas.

O conteúdo do bloco das Atividades Rítmicas e Expressivas são

organizados em dois itens: os conteúdos atitudinais, tais como normas,

valores e atitudes, valorizando a cooperação e a solidariedade,

incentivando o diálogo, valorizando a cultura popular nacional buscando

ampliar conhecimentos, assim como o respeito a si e ao outro, e as

diversas culturas existentes.

O segundo item diz respeito aos conceitos e procedimentos, que

expressam um saber fazer, envolvendo tomada de decisões e

realizações uma série de ações, de forma ordenada e não aleatória, para

atingir uma meta. Os conceitos e princípios constituem-se em

generalizações, deduções, informações relacionadas ao ambiente

sociocultural, proporcionando a compreensão dos aspectos histórico-

sociais das danças, a percepção do ritmo pessoal e grupal, o

desenvolvimento da noção espaço/tempo, exploração e compreensão de

gestos de códigos e outros movimentos corporais, incentivando a

compreensão e superação de limites pessoais.

Nesse sentido os aspectos histórico-sociais das danças, a

construção de movimento expressivo e rítmico, danças populares,

manifestações e desenhos coreográficos, constituem-se temas a serem

desenvolvidos pelos professores nas aulas de atividades rítmicas e

expressivas.

2.2 DANÇA NA ESCOLA

A dança pode ser considerada como uma forma de manifestação

humana antiga, que foi surgindo ao longo dos anos, a partir dos

movimentos e da linguagem dos gestos dos antepassados expressando

assim, o que sentiam em relação a seu mundo e as coisas que

aconteciam em sua volta, presidia a todos os acontecimentos na vida do

homem como: nascimento, morte, guerra, paz e cerimônias religiosas

tendo, portanto caráter ritualístico (GONÇALVES, 2006).

Segundo VERDERI (2000) a dança tem caminhando em sua

historia e adentrando – se em vários ramos da humanidade, criando em

vários estilos e ganhando corpo no educacional. A dança existia para

expressar a corporeidade dos homens, e graças a sua evolução ao longo

dos tempos, hoje podemos usufruir de seus movimentos, de sua magia,

da sua expressão e plasticidade para nossos alunos.

Segundo Galhahue e Donnelly (2008, p. 588)

A dança é uma forma de movimento expressivo através do qual as crianças são estimuladas a comunicar seus pensamentos, sentimentos e idéias. Um programa de Educação Física elementar bem equilibrado oferece às crianças oportunidades variadas para se expressar através da dança.

Segundo Caminada (1999, p. 22), “na forma mais elementar, a

dança se manifesta através de movimentos que imitam as forças da

natureza que parecem mais poderosas ao homem e que trazem consigo

a idéia de que esta imitação tornará possível a posse dos poderes

dessas forças”.

Na opinião de Marques (1997, p.21), apesar de na atualidade a

sociedade viver a era do "politicamente correto" e falar de pré-

conceitos, que pode parecer coisa do passado, ou até mesmo um

assunto repetitivo e maçante, o ensino de dança ainda é recoberto por

esta densa camada de pensamentos e idéias em relação à sua

"natureza". O forte pré-conceito em ralação à dança é um motivo,

inclusive, para muitos professores(as) darem outros nomes às suas

atividades com a dança ("expressão corporal", "educação pelo/do

movimento", "arte e criação", "movimento e criação", etc.) que, em

última instância, mascaram suas intenções e, ao mesmo tempo,

permitem que um número maior de alunos(as) tenham acesso a ela.

A dança foi uma forma de expressão de vários acontecimentos que

marcaram época na humanidade, desenvolveu-se e sofreu

transformações sob influência de interesses sociais, políticos,

econômicos e religiosos de acordo com determinados períodos

(GONÇALVES, 2006). O que se percebe é que mesmo na atualidade com

as inovações e modernidades, o homem não deixou de dançar.

Conforme Nanni (2001), com o passar dos tempos, ao repassar

seus conhecimentos de geração a geração, o homem primitivo instituiu

convenções das várias formas de ordem política e econômica na

sociedade humana. Estas características que surgiram da percepção de

esforços foram traduzidas em forma de comunicação e expressão, onde

dentro surgiram suas danças religiosas e nacionais. Que classificam se

em: Danças Folclóricas; Danças Populares; Danças Nacionais; Danças

Regionais; Danças Características e Danças Folclóricas Brasileiras. Cada

dança possui características étnicas e culturais diversificadas que

influenciam o pensar, sentir e agir das respectivas localidades.

Na perspectiva de Duncan apud Ossona (1988), a dança, em

minha opinião, tem como finalidade a expressão dos sentimentos mais

nobres e mais profundos da alma humana: aqueles que nascem dos

deuses em nós, Apolo, Pan, Baco, Afrodite. A dança deve implantar em

nossas vidas uma harmonia que cintila e pulsa. Ver a dança apenas

como uma diversão agradável e frívola é degradá-la”.

Da mesma forma, conforme Marques (1997, p.22), ainda permeia

em nossa sociedade um certo receio, ou talvez medo, do trabalho com o

corpo. Talvez seja novamente antigo e repetitivo falarmos do "corpo

pecaminoso", pois até mesmo a Igreja Católica, difusora destas idéias e

proibições, já tem amenizado estas "faltas graves". No entanto, os

muitos séculos em que este discurso foi predominante em nossa

sociedade ainda estão presentes nas atitudes e comportamentos em

relação à dança na escola.

O ensino da dança visa o processo criativo, que conforme Saraiva

(2003), permite os alunos elaborarem seus pensamentos e sentimentos

a respeito de si e também das pessoas que os cercam, possibilitando-

lhes o entendimento de suas relações com a natureza, com o meio

social e a reestruturação de seus valores e, finalmente, a elaboração das

ações de movimentos significativos, permitindo assim, que os alunos, de

modo geral (meninos e meninas) trabalhem em conjunto com suas

diferenças e limites.

A escola pode, Marques (1997, p.23) oferecer parâmetros para

sistematização e apropriação crítica, consciente e transformadora dos

conteúdos específicos da dança e, portanto, da sociedade. A escola

teria, assim, o papel não de reproduzir, mas de instrumentalizar e de

construir conhecimento em/através da dança com seus alunos(as), pois

ela é forma de conhecimento, elemento essencial para a educação do

ser social.

No entendimento de Gonçalves (2006), sobre ritmo e dança, indica

que esta quando prazerosa e criativa, com oportunidades de expressão

e a técnica não é o principal elemento, tem como objetivo não o de

formar bailarinos, mas, sim, pessoas que se sintam felizes em se

movimentar, devendo ser este o objetivo exclusivo da escola.

Ainda conforme o autor a dança precisa ser desenvolvida na

escola de forma recreativa e lúdica, ou seja, assim como as demais

atividades da cultura corporal, a metodologia para o ensino da dança

deve ser lúdica. Sabendo que nas escolas existem aquelas crianças que

se destacam nas aulas de dança, pois tem mais facilidade de

aprendizagem ou são mais graciosas, considera-se indispensável o

incentivo de todos participarem nas aulas.

De acordo com Nanni (2001, p. 100), “a escola deverá estar

sensível ao mundo daqueles que são a maioria: as classes populares e

se valer da vontade de fazer chegar a elas conteúdos significativos que

tenham relação com sua vida e que permitam a compreensão em si, das

coisas que a cercam, e da relação entre ambos”.

Ainda conforme o mesmo autor, na escola, o ensino da dança visa

ao processo criativo, devendo estar professor e aluno sempre motivados

para as aulas. É de fundamental importância que haja um planejamento

profundo e consciente dos objetivos a serem alcançados bem como a

utilização de estratégias pluridimencionais que estabeleçam relações

entre as demais disciplinas e que permitam ao aluno desenvolver sua

personalidade através de seus conhecimentos, de suas habilidades, de

seus comportamentos e da própria consciência corporal sobre as

individualidades e limitações.

Marques (1997, p.25) Existem diferentes modalidades de dança em

nossa sociedade, da dança voltada ao lazer, como as coreografias de

carnaval, algumas danças de salão, as danças das casas noturnas, aos

rituais (terreiros de candomblé, por exemplo) e às danças ditas teatrais

ou artísticas (repertórios de ballet, dança folclórica, moderna,

contemporânea). Embora estas categorias sejam um pouco restritas,

pois estas modalidades muitas vezes se sobrepõem (por exemplo, será

que o carnaval como colocou Roberto da Matta (1983), não é um ritual?

Ou ainda, não pode ser visto como um espetáculo artístico?), serve-nos

como parâmetros para uma escolha diversificada e completa dos

conteúdos escolares para a dança.

Nesta proposta, esta articulação se dá em função da escolha do

contexto a ser trabalhado com os aluno (as). O contexto que proponho,

ao contrário de ser um "objetivo a ser atingido", ou um "tema a ser

desenvolvido", é o interlocutor das práticas artísticas e educativas que

possibilitam uma inter-relação multifacetada entre corpos, movimentos,

mentes, histórias de vida, pessoas, conteúdos específicos da dança

presentes tanto nas instituições de ensino como em seus espaços de

ação sócio-cultural (in Marques, 1996). Ou seja, o contexto é aquilo a ser

trabalhado, compreendido, desvelado, desconstruído, problematizado e

transformado por processos artístico-educativos. Desta forma, é o

contexto escolhido que norteia, juntamente com as informações e

experiências que temos junto ao grupos de alunos(as) (conhecimento da

faixa etária, das habilidades físicas, das características emocionais, dos

conteúdos em dança anteriormente trabalhados), a seleção da "dança" a

ser ensinada.

3. METODOLOGIA

Foi realizada uma pesquisa qualitativa, onde foram coletados dados

através de um questionário contendo seis questões fechadas sobre o

conteúdo de atividades rítmicas e expressivas nas aulas de Educação

Física de 5ª a 8ª série do ensino fundamental. O questionário foi

aplicado a 20 professores de 5ª a 8ª série do ensino fundamental de

sete Colégios Estaduais do Município de Toledo, que consistiram da

amostra dessa investigação.

Os questionários foram aplicados no mês de novembro de 2007,

em visita as Escolas e com contato direto com os professores de

Educação Física em sua hora atividade, e quando o questionário era

preenchido, o pesquisador levava-o com consentimento dos professores.

4. RESULTADOS E DISCUSSÕES

Apresenta-se neste capitulo, a análise dos dados referente ao

desenvolvimento das atividades rítmicas e expressivas nas aulas de

Educação Física do ensino fundamental e os fatores influenciadores no

desenvolvimento das atividades rítmicas e expressivas.

Questionou-se os professores em relação ao seu conhecimento em

relação aos conteúdos da área da Educação Física constantes nos PCNs,

os resultados podem ser melhor visualizados no gráfico 01.

85%

5%

10%

Sim Não Parcialmente

Gráfico 01: Conhecimento dos conteúdos de Educação Física

existentes nos PCNs.

De acordo com as respostas obtidas, a maioria 85% dos

professores afirmaram conhecer os conteúdos constantes nos PCNs para

a área da Educação Física. Já 5% disseram não conhecer esse

documento e 10% conheciam parcialmente.

Logo após, investigou-se junto aos professores os conteúdos

abordados e desenvolvidos no transcorrer de suas aulas na disciplina de

Educação Física (gráfico 02).70%

10%

18%

2%

Esportes Atividades Rítmicas e expressivas jogos e brincadeiras outros

Gráfico 02: Conteúdos desenvolvidos nas aulas de Educação

Física de 5ª à 8ª série.

Dentre os conteúdos sugeridos pelos PCNs, os mais trabalhados no

ensino fundamental pelos professores pesquisados, foram os esportes

com 70%, ressaltando a influência que a esportização ainda exerce na

Educação Física.Os jogos e brincadeiras eram utilizados por 18% dos

professores pesquisados. As atividades rítmicas e expressivas eram

utilizadas apenas nas aulas de 10% dos participantes da investigação.

Além disso, 2% dos professores disseram utilizar-se de outros conteúdos

em suas aulas.

Atualmente, para Betti (1999), o esporte é o veiculo mais utilizado

como forma de difusão do movimento corporal na escola de 1° e 2º

graus, já em 1992 em pesquisa desenvolvida pelo pesquisador em oito

escolas, públicas e particulares verificou que o conteúdo desenvolvido

raramente ultrapassa a esfera esportiva; mais do que isto, restringe-se

ao voleibol, basquetebol e futebol. Outras modalidades como o

atletismo, a dança e a ginástica artística raramente são difundidas entre

os escolares desta faixa etária. Fato ainda mais relevante foram as

respostas dos alunos que, na maioria, afirmaram que gostariam de

aprender outros conteúdos.

Com relação especificamente ao conteúdo de Atividades Rítmicas

e Expressivas, buscou-se identificar alguns aspectos referentes ao seu

desenvolvimento e os possíveis fatores influenciadores. Questionou-se

então sobre a utilização do conteúdo na disciplina de Educação Física

(gráfico 03).

10%

90%

Sim Não

Gráfico 03: Desenvolvimento dos conteúdos de Atividades

Rítmicas e Expressivas.

Verificou-se que a maioria dos professores pesquisados, cerca de

90%, não utilizava as atividades rítmicas e expressivas em suas aulas de

Educação Física no Ensino Fundamental. Contudo, uma minoria cerca de

10% se utilizava delas.

Vários estudos, como de Cardozo (2005) mostram que a dança

ainda não é incorporada efetivamente no cotidiano das aulas de

Educação Física e muitos professores ainda não reconhecem sua

importância e seus benefícios.

Na opinião de Betti (1999, p. 28), ainda existe “uma enorme

resistência dos professores face a novas propostas de ensino. O mesmo

parece acontecer com a escolha do que será oferecido como conteúdo

aos alunos durante um ano letivo. Geralmente o ano é dividido em

"bimestres letivos". No 1° bimestre é oferecido o futebol no 2º o

handebol, no 3º o basquetebol e no 4º bimestre o voleibol. Se esta

programação é cumprida, pelo menos consegue-se mostrar aos alunos

quatro modalidades. O problema é quando ela é repetida para todos os

alunos, independentemente da faixa etária e quando ela se repete ano

após ano, sem alterações. Pior ainda é quando ela fica apenas no papel,

e os alunos vêem apenas uma modalidade durante todo o ano.”

Para os professores que desenvolviam o conteúdo de Atividades

Rítmicas e Expressivas, questionou-se a freqüência de utilização no

decorrer do ano letivo (gráfico 04).

2%

15%

25%

30%

28%

Semanal quinzenal mensal bimestral semestral

Gráfico 04: Freqüência do desenvolvimento das Atividades

Rítmicas e Expressivas nas aulas de Educação Física

Observou-se que dentre os professores que utilizavam as

Atividades Rítmicas e Expressivas em suas aulas de Educação Física no

Ensino Fundamental, 30% desenvolvia apenas uma vez por bimestre e

28% uma vez por semestre, já outros 25% uma vez por mês. Alguns

professores 15% utilizavam quinzenalmente o conteúdo nas aulas e a

minoria desenvolvia semanalmente o conteúdo, cerca de 2%.,

Para os professores que afirmaram desenvolver o conteúdo

Atividades Rítmicas e Expressivas em suas aulas, procurou-se identificar

também as suas percepções em relação à possíveis reações negativas

dos alunos sobre o conteúdo, como a questão do preconceito por

exemplo (gráfico5).

85%

20%

15%

Sim Não Às vezes

Gráfico 05: Percepção de preconceitos dos alunos nas Atividades

Rítmicas e Expressivas.

Observou-se que na opinião dos professores 65% dos alunos

demonstravam algum tipo de preconceito no desenvolvimento das

atividades rítmicas e expressivas, já 20% não demonstrava qualquer

reação adversa ou preconceituosa no que se refere ao conteúdo, e ainda

cerca de 15% dos alunos apresentavam preconceitos ao praticar as

atividades rítmicas e expressivas em alguns casos ou às vezes.

De acordo com Marques (1997), apesar de na era do

"politicamente correto" falarmos de pré-conceitos possa parecer coisa

do passado, ou até mesmo um assunto repetitivo e maçante, o ensino

de dança ainda é recoberto por esta densa camada de pensamentos e

idéias em relação à sua "natureza". O forte pré-conceito em ralação à

dança é um motivo, inclusive, para muitos professores(as) darem outros

nomes às suas atividades com a dança ("expressão corporal", "educação

pelo/do movimento", "arte e criação", "movimento e criação", etc.) que,

em última instância, mascaram suas intenções e, ao mesmo tempo,

permitem que um número maior de alunos(as) tenham acesso a ela.

No que diz respeito aos professores que afirmaram não

desenvolver o conteúdo de atividades rítmicas e expressivas,

questionou-se os motivos que pautaram ou basearam essa decisão

(gráfico 06).

20%

60%

10%

10%

Espaço e material ina- dequado O não conhecimento de meios e formas Falta de apoio da Di- reção e colegas Preconceitos

Gráfico 06: Motivos da insuficiente utilização do conteúdo de

Atividades Rítmicas e Expressivas nas aulas de Educação Física.

Verificou-se que, cerca de 60% dos professores que desenvolviam

de forma insuficiente o conteúdo de Atividades Rítmicas e Expressivas

nas aulas de Educação Física, alegaram não desenvolver o conteúdo por

não possuir conhecimento dos meios e estratégias de ensino. Já 20%

dos professores afirmou ser a falta de espaço adequado e materiais

disponíveis nas escolas. E, ainda 10% registrou como motivo a falta de

apoio da Direção e dos colegas, assim como o preconceito dos próprios

alunos em relação ao conteúdo.

Segundo Marques (1997) percebe-se escassez no Brasil para obter

informações, ter experiências práticas e discussões críticas em relação

ao ensino de dança. Na grande maioria dos casos, professores(as) não

sabem exatamente o que, como ou até mesmo porque ensinar dança na

escola.

Da mesma forma, conforme o mesmo autor, a formação de

professores que atuam na área de dança é sem dúvida um dos pontos

mais críticos no que diz respeito ao ensino desta arte em nosso sistema

escolar. Na prática, tanto professores de educação física, de educação

infantil, de 1a. a 4a. séries, assim como de educação artística, vêm

trabalhando com dança nas escolas sem que tenham necessariamente

tido experiências prático-teóricas como intérpretes, coreógrafos e

diretores de dança. A dissociação entre o artístico e o educativo que

geralmente é enfatizada na formação destes profissionais nos cursos de

licenciatura/pedagogia/magistério tem comprometido de maneira

substancial o desenvolvimento do processo criativo e crítico que poderia

estar ocorrendo nas escolas básicas.

Na opinião de Betti (1999), muitos podem ser os motivos da

inserção de outros conteúdos que ultrapassem a esfera esportiva nas

aulas de Educação Física. Talvez o receio de mudar ocorra pela

insegurança dos professores em relação a conteúdos que não dominam,

e desta forma trabalham com o que possuem mais afinidade. Ou por

acreditarem que a escola não possui nem espaço. Nem material

apropriado, ou ainda por acharem que os alunos não gostariam de

aprender outros conteúdos. Contudo, o mesmo autor ressalta que, a

acomodação do professor leva a justificar a prioridade de alguns

conteúdos e o esquecimento de outros, “a dança de salão é um deles.

Para realizá-la é necessário apenas um espaço e gravador. Não há

necessidade de que o professor conheça todos as danças existentes, o

que seria mesmo impossível. Os próprios alunos podem contribuir com

alguns passos ou podem realizar uma pesquisa com seus familiares e

amigos, levando o resultado para a aula. Uma das maiores contribuições

deste conteúdo é a possibilidade de participação de ambos os sexos nas

aulas. Outra contribuição importante é a inclusão de danças folclóricas

que podem também ser adaptadas para a dança de salão. Para as

danças folclóricas pode-se utilizar vestimentas adaptadas com papel,

jornal, etc, tomando mais rica a sua caracterização.”

5. CONCLUSÃO

Após serem analisados os dados, conclui-se que a maioria dos

professores de Educação Física do Ensino Fundamental entrevistados,

cerca de 90%, não utilizavam em suas aulas o conteúdo das Atividades

Rítmicas e Expressivas por diversos motivos, tais como, a falta de

conhecimento sobre o conteúdo, somado ao preconceito por parte dos

alunos, professores e comunidade, a falta de apoio da Direção e colegas

e a falta de espaço adequado para o trabalho. Entretanto estes fatores

não podem e não devem justificar a ausência das Atividades Rítmicas e

Expressivas nas escolas, pois o professor pode desenvolver as

atividades rítmicas e expressivas em qualquer espaço, com sons

corporais que possuem um grande valor educativo, que consistem em

instrumentos para atingir os objetivos educacionais constantes nos

documentos oficiais como os PCNs.

Nesse sentido, Marques (1997) ressalta que ao pensar em uma

educação crítica na área de dança, que permita ver/sentir/perceber

"claro, amplo e profundo", não podemos deixar de cuidadosamente

analisar suas múltiplas relações com a sociedade em que vivemos. Ao

contrário de uma visão histórica ingênua de que a dança não passa de

"uns passinhos a mais ou a menos nas vidas das pessoas", hoje não

podemos mais ignorar o papel social, cultural e político do corpo em

nossa sociedade e, portanto, da dança.

REFERÊNCIAS:

BRASIL. Ministério da Educação e do Desporto. Secretaria de Educação

Fundamental. Parâmetros Curriculares Nacionais. Educação Física,

Brasília: MEC, 1998.

BETTI, I. C. R. Esporte na escola: mas é só isso, professor?Motriz – Volume 1, Número 1, 25 -31, junho/1999

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CARDOSO, Izabel. Aplicação do Conteúdo Dança nas Aulas de

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NANNI, Dionísia. Dança-Educação – pré-escola à universidade. Rio de Janeiro: 3a edição: 2001.

MARQUES, I. A. Dançando na escola. Motriz, v.3, n.1, p. 21 a 39, junho/1997.

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SARAIVA, M. Dança e gênero na escola: formas de ser e viver medidas pela educaçãoestética. Lisboa: FMH/UTL, 2003.

VERDERI, E.B. Dança na escola. 2 ed. Rio de Janeiro: SPRINT, 2000.

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