Aspectos do Conhecimento Etnoictiológico de Pescadores Citadinos Profissionais e ribeirinhos na Pesca Comercial da Amazônia Central., Dissertações de Mestrado de Ciência Ambiental. Universidade não é definido
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liane_galv_o_de_lima14 de Novembro de 2016

Aspectos do Conhecimento Etnoictiológico de Pescadores Citadinos Profissionais e ribeirinhos na Pesca Comercial da Amazônia Central., Dissertações de Mestrado de Ciência Ambiental. Universidade não é definido

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Dissertação de mestrado apresentado no Programa de Pós-graduação em Ciências do Ambiente e Sustentabilidade na Amazônia – PG-CASA da Universidade Federal do Amazonas
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UNIVERSIDADE FEDERAL DO AMAZONAS

CENTRO DE CIÊNCIAS DO AMBIENTE Programa de Pós-Graduação em Ciências do Ambiente e

Sustentabilidade na Amazônia – PG-CASA

Aspectos do Conhecimento Etnoictiológico de Pescadores Citadinos Profissionais e Ribeirinhos na Pesca

Comercial da Amazônia Central.

LIANE GALVÃO DE LIMA

MANAUS – AM 2003

ii

UNIVERSIDADE FEDERAL DO AMAZONAS

CENTRO DE CIÊNCIAS DO AMBIENTE Programa de Pós-Graduação em Ciências do Ambiente e

Sustentabilidade na Amazônia – PG-CASA

LIANE GALVÃO DE LIMA

Aspectos do Conhecimento Etnoictiológico de Pescadores Citadinos Profissionais e Ribeirinhos na Pesca

Comercial da Amazônia Central.

Dissertação apresentada ao Programa de Pós-Graduação em Ciências do Ambiente e Sustentabilidade na Amazônia, da Universidade Federal do Amazonas, como requisito para obtenção do Titulo de Mestre em Ciências, Área de concentração: Serviços Ambientais e Recursos Naturais.

Orientador: Prof. Dr. VANDICK DA SILVA BATISTA.

MANAUS – AM 2003

iii

Ficha Catalográfica Catalogação pela Biblioteca Central da

Universidade Federal do Amazonas

Lima, Liane Galvão de

Aspectos do Conhecimento Etnoictiológico de Pescadores Citadinos Profissionais e Ribeirinhos na Pesca Comercial da Amazônia Central/ Liane Galvão de Lima – Manaus, UFAM, 2003.

112 f.: il.

1. Etnoecologia 2. Etnoictiologia 3. Pesca Artesanal 4.Pescadores profissionais 5. Pescadores Ribeirinhos

CDU 639.2.05(811.3) (043.3)

iv

LIANE GALVÃO DE LIMA

Aspectos do Conhecimento Etnoictiológico de Pescadores Citadinos Profissionais e Ribeirinhos na Pesca

Comercial da Amazônia Central.

Dissertação apresentada ao Programa de Pós-Graduação em Ciências do Ambiente e Sustentabilidade na Amazônia Universidade Federal do Amazonas, como requisito para obtenção do Titulo de Mestre em Ciências, Área de concentração: Serviços Ambientais e Recursos Naturais.

Aprovado em 19 de agosto de 2003

BANCA EXAMINADORA

Prof. Dr Vandick da Silva Batista - Orientador Universidade Federal do Amazonas - UFAM

Prof. Dr. Jansen Zuanon

Instituto Nacional de Pesquisa do Amazonas - INPA

Prof. Dra. Maria Inês Higuchi Instituto Nacional de Pesquisa do Amazonas - INPA

Prof. Dra. Sandra do Nascimento Noda

Universidade Federal do Amazonas- UFAM

MANAUS – AM

2003

v

“Dedico este trabalho aos meus pais, Edilson Lima e Edna Galvão, por

terem me dado o dom da vida e ao apoio e incentivo de nunca desistir de

realizar meus sonhos”.

e

“Aos pescadores profissionais e de subsistência da Amazônia Central,

enfim, a todos os trabalhadores da pesca de todo o Brasil”.

vi

AGRADECIMENTOS

Em primeiro lugar, agradeço ao meu Deus, por ter me dado à chance de

encontrá-lo sempre na dedicação ao trabalho e no ajudar do próximo.

Agradeço de todo o coração, também ao Dr. Vandick Batista, pela orientação,

apoio, estrutura, e principalmente pelo seu voto de confiança na realização do

presente estudo.

À professora e amiga Olívia Ribeiro, por todo o carinho e disponibilidade em

me ajudar, criticar e direcionar o meu trabalho, em todas as vezes que a procurei.

À profa.dra. Nídia Fabré, pela oportunidade de ter participado do Grupo de

Pesquisa PYRÀ, trabalhado durante o estágio de docência, e a todos os seus

ensinamentos valiosos, os quais nem saiba que tenha me passado durante o

desenvolvimento da pesquisa.

Aos pescadores por todo conhecimento com eles aprendido durante o todo o

trabalho.

Ao meu amigo “contrário” Joel, uma peça chave nesta pesquisa, o qual

sempre se disponibilizou em me acompanhar nas entrevistas no porto desembarque

em Manaus.

A todos os meus amigos do laboratório, onde sempre pude contar com o

apoio, atenção, sugestões e também tirar boas gargalhadas, em especial ao Charles

Farias, Cristiano Gonçalves, Guillermo Estupiñán e Tony Porto.

A todos da equipe PYRÁ pela oportunidade de trabalharmos juntos e por todo

o carinho e amizade que obtive durante todo esse tempo de pesquisa.

A todos os colegas da turma: Deolinda Ferreira, Ivano Cordeiro, Lindolpho

Lima e Leandro Parizotto, os quais sem eles, o curso não teria tido a mínima graça.

A toda a minha família, meus pais, irmãos: Nelise e Wesley, minha segunda

mãe Fátima, por sempre acreditarem em mim, e estar continuamente me apoiando

nas horas difíceis.

Agradeço também a todos os meus amigos da “Turma da Toga” por terem

compreendido e apoiado as minhas faltas devido a maior dedicação ao trabalho,

mas sempre que precisei, pude contar com o ombro amigo. Não esquecendo das

“Vamps”, em especial, a Tatianne Araújo, uma amiga verdadeira, a qual não tem

palavras para descrevê-la, mas sei que todos gostariam de tê-la como amiga.

vii

Não podendo esquecer da Luciene e da Rai, pela compreensão e na

disponibilidade de me ajudar sempre que precisei durante o curso.

Ao Laboratório de Manejo e Avaliação de Pesca e ao Programa Integrado de

Recursos Aquático e da Várzea (PYRÁ), pela estrutura e apoio financeiro cedidos ao

estudo.

E a CAPES pela bolsa de mestrado concedida, a qual me auxiliou durante o

desenvolvimento do projeto.

viii

RESUMO

A pesca representa a atividade profissional mais tradicional da região

amazônica, desempenhando papel importante na economia e no processo de

ocupação humana na região. Também é considerado um elemento importante da

cultura regional, a qual se torna depositária de informações da dinâmica dos

recursos e do ambiente aquático. Nesse contexto, o conhecimento do pescador

ribeirinho, comercial e de subsistência, e do pescador citadino profissional a respeito

à biologia e ecologia dos peixes, fornece informações de grande utilidade no

desenvolvimento de pesquisa no campo da ictiologia, e assim, este conhecimento

etnoictiológico pode ser útil para o desenvolvimento do manejo integrado e

participativo dos recursos naturais na região. O presente trabalho tem por objetivo

comparar o conhecimento tradicional ecológico e biológico sobre os peixes, que

possuem os pescadores profissionais citadinos e pescadores ribeirinhos de

subsistência da Amazônia Central, com o conhecimento científico disponível. O

estudo foi conduzido no porto de desembarque de Manaus e na área rural de

Manacapuru. A coleta de dados primários foi realizada por meio de entrevistas semi-

estruturadas, aplicadas individualmente, contendo perguntas objetivas e subjetivas,

abordando aspectos biológicos e ecológicos de seis tipos de peixes: aruanã,

pirarucu, tucunaré, curimatã, jaraqui e tambaqui. Foram entrevistados 57

pescadores, sendo 31 citadinos e 26 ribeirinhos. As maiores congruências entre o

conhecimento tradicional e científico dizem a respeito ao ciclo reprodutivo dos

peixes: os aspectos de tamanho da primeira e completa maturação, épocas e áreas

de desovas, e cuidados parentais, bem como nos aspectos de alimentação,

predação, migração, mortalidade e recrutamento. Idade de primeira e completa

maturação, crescimento, fecundidade e tipo de desova, foram os aspectos que os

pescadores, de um modo geral, demonstraram maior desconhecimento.

PALAVRAS-CHAVE: 1. Etnoecologia 2. Etnoictiologia 3. Pescadores Ribeirinhos 4

Pescadores profissionais 5. Amazonas Central.

ix

ABSTRACT

The fisheries represents the most traditional professional activity of the

Amazonian area, playing important part in the economy and in the process of human

occupation in the area, as well as an important element of the regional culture is

considered, which becomes receiver of information of the dynamics of the resources

and of the aquatic environment. In this context, the knowledge of the riverine

fishermen of subsistence and the professional urban fisherman regarding the

biological and ecological knowledge of the fish, supply information of great

usefulness for ichthyology, and this can be useful for the development of the

integrated and participative in resource management. The present study has the aim

to compare the ecological and biological traditional knowledge on the fish, by the

urban professional and riverine fishermen of the Central Amazonian, with the

available scientific knowledge. The study was driven in the port of Manaus and in the

rural area of Manacapuru. The collection of primary data was accomplished by

means of structured individuals’ interviews, containing objective and subjective

questions about biological and ecological data of six types of fish: aruanã, pirarucu,

tucunaré, curimatã, jaraqui and tambaqui. 57 fishermen, 31 city dwellers and 26

riverine inhabitants were interviewed. The most congruent information with the

scientific data was related to the reproductive cycle: size of the fish at first and

complete maturation, time and area of spawning, and parental care; in the feeding

aspects, predation, migration, mortality and recruitment. Age of first and complete

maturation, growth, fecundity and type of spawning, were the aspects that the

fishermen demonstrated larger ignorance.

KEYS-WORDS: 1. Etnoecology 2.Etnoicthiology. 3. Riverine people. 4

Professional fishermen.. 5. Amazonas Central.

x

LISTA DEFIGURAS

Figura 1 – Mapa esquemático da divisão municipal do estado do Amazonas, com

indicação dos municípios onde ocorreu a coleta de dados, Manaus e

Manacapuru. ..............................................................................................21

Figura 2 – Quantidade de desovas do aruanã por ano segundo os pescadores

citadinos (n=31) e ribeirinhos (n=26) da região Amazônia Central.............33

Figura 3 – Fecundidade aruanã segundo os pescadores citadinos (n=17) e

ribeirinhos (n=31) da Amazônia Central. ....................................................34

Figura 4 – Alimentação do aruanã segundo os pescadores citadinos (cit) e

ribeirinhos (rib) da Amazônia Central durante o período de enchente (Ench) e

vazante (Vaz.) ............................................................................................36

Figura 5 – Mortalidade do aruanã nas fases larval, juvenil e adulta segundo os

pescadores citadinos - Cit (n=31) e Ribeirinhos – Rib (n=26) da Amazônia

Central........................................................................................................39

Figura 6 – Tipos de cuidados parentais do pirarucu segundo os pescadores citadinos

(esquerda; n=30) e ribeirinhos (direita; n=26) da Amazônia Central. .........43

Figura 7 – Alimentação do pirarucu segundo os pescadores citadinos (Cit) e

ribeirinhos (Rib) da Amazônia Central durante o período de enchente (Ench) e

vazante (Vaz). ............................................................................................46

Figura 8 – Mortalidade do pirarucu nas fases larval, juvenil e adulta segundo os

pescadores citadinos – Cit (n=31) e Ribeirinhos – Rib (n=26) da Amazônia

Central........................................................................................................50

Figura 9 – Tipo de cuidados parentais do tucunaré segundo os pescadores citadinos

(direita; (n=31)) e ribeirinhos (esquerda; (n=26)) da Amazônia Central .....52

Figura 10 – Fecundidade do tucunaré segundo os pescadores citadinos (n= 20) e

ribeirinhos (n=4) da Amazônia Central. ......................................................54

Figura 11 – Alimentação do tucunaré segundo os pescadores citadinos (Cit.) e

ribeirinhos (Rib.) durante os períodos de enchente (Ench) e vazante (Vaz) da

Amazônia Central.......................................................................................56

Figura 12 – Predação do tucunaré segundo os pescadores citadinos (Cit) e

ribeirinhos (Rib) durante o período da enchente (Ench) e vazante (Vaz)...57

xi

Figura 13 – Mortalidade do tucunaré durante as fases larval, juvenil e adulta

segundo os pescadores citadinos-Cit (n=31) e ribeirinhos-Rib (n=26) da

Amazônia Central.......................................................................................59

Figura 14 – Quantidade de desova do curimatã por ano segundo os pescadores da

região amazônica central ...........................................................................62

Figura 15 – Alimentação do curimatã segundo os pescadores citadinos (Cit.) e

ribeirinhos (Rib.) da Amazônia Central durante o período de enchente (Ench) e

vazante (Vaz). ............................................................................................64

Figura 16 – Predação do curimatã durante o período de enchente (ench) e vazante

(vaz) segundo os pescadores citadinos (Cit.) e ribeirinhos (Rib.) da Amazônia

Central........................................................................................................65

Figura 17 – Comportamento migratório do curimatã durante um ciclo sazonal das

águas segundo os pescadores citadinos (acima) e ribeirinhos (abaixo) da

Amazônia Central.......................................................................................66

Figura 18 – Mortalidade do curimatã segundo os pescadores citadinos (Cit) e

ribeirinhos (Rib) da Amazônia Central........................................................68

Figura 19 – Tipos de desova do jaraqui segundo os pescadores da região da

Amazônia Central.......................................................................................71

Figura 20 – Alimentação do jaraqui durante o período de enchente e vazante

segundo os pescadores citadinos (Cit) e ribeirinhos (Rib) da Amazônia Central.

...................................................................................................................73

Figura 21 – Predação do jaraqui segundo os pescadores citadinos (Cit) e ribeirinhos

(Rib) durante o período de enchente (ench) e vazante (vaz) na Amazônia

Central........................................................................................................74

Figura 22 – Comportamento migratório do jaraqui durante um ciclo sazonal segundo

os pescadores citadinos (Cit) ribeirinhos (Rib) da Amazônia Central.........75

Figura 23 – Mortalidade do jaraqui durante as fases larval, juvenil e adulta segundo

os pescadores citadinos (Cit) e ribeirinhos (Rib) da Amazônia Central......78

Figura 24 – Alimentação do tambaqui durante o período de enchente e vazante

segundo os pescadores da Amazônia Central. ..........................................82

Figura 25 – predação do tambaqui segundo os pescadores citadinos (Cit) e

ribeirinhos (Rib) da Amazônia Central durante o período da enchente e vazante.

...................................................................................................................83

xii

Figura 26 – Comportamento migratório do tambaqui durante um ciclo sazonal

segundo os pescadores citadinos (acima) e ribeirinhos (abaixo) da Amazônia

Central........................................................................................................85

Figura 27 – Mortalidade do tambaqui nas fases larval, juvenil e adulta segundo os

pescadores citadinos (Cit) e ribeirinhos (Rib) da Amazônia Central .........87

xiii

LISTA DE TABELAS

Tabela 1 – Grau de escolaridade e função na pesca apresentados pelos pescadores

citadinos e ribeirinhos na Amazônia Central. .............................................25

Tabela 2 – Principais locais de origem e de onde se criaram dos pescadores

citadinos e ribeirinhos da Amazônia Central ..............................................26

Tabela 3 – Tempo em que os pescadores citadinos e ribeirinhos viveram em outras

cidades.......................................................................................................27

Tabela 4 – Cidades em que viveu os pescadores citadinos e ribeirinhos .........27

Tabela 5 – Classes de idade que os pescadores citadinos e ribeirinhos da Amazônia

Central começam a pescar e quando iniciam a pescar com fim de

comercialização..........................................................................................28

Tabela 6 – Perfil sócio econômico dos pescadores profissionais citadinos e

ribeirinhos da Amazônia Central ................................................................30

Tabela 7 - Comparação entre as informações dos pescadores da Amazônia central e

da literatura sobre o comportamento reprodutivo do aruanã......................35

Tabela 8 – Médias de tamanho (cm) do aruanã conforme a idade (ano) segundo os

pescadores citadinos e ribeirinhos da Amazônia Central...........................38

Tabela 9 - Comparação entre as informações dos pescadores da Amazônia central e

da literatura sobre o comportamento reprodutivo do pirarucu....................45

Tabela 10 - Comparação entre as informações dos pescadores da Amazônia central

e da literatura sobre o comportamento reprodutivo do tucunaré................55

Tabela 11– Crescimento do tucunaré segundo os pescadores da Amazônia Central

comparado com a literatura científica.........................................................58

Tabela 12 - Comparação entre as informações dos pescadores da Amazônia central

e da literatura sobre o comportamento reprodutivo do Curimatã ...............63

Tabela 13 – Crescimento do curimatã segundo os pescadores da Amazônia Central

comparado com a literatura científica.........................................................67

Tabela 14 - Comparação entre as informações dos pescadores da Amazônia central

e da literatura sobre o comportamento reprodutivo do Jaraqui ..................72

Tabela 15 – Crescimento do jaraqui segundo os pescadores da Amazônia Central

comparado com a literatura científica.........................................................77

Tabela 16 – Comparação entre as informações dos pescadores da Amazônia central

e da literatura sobre o comportamento reprodutivo do Tambaqui ..............81

xiv

Tabela 17 - Comparação entre as informações dos pescadores da Amazônia central

e da literatura sobre Crescimento do Tambaqui.........................................86

xv

SUMÁRIO

1. INTRODUÇÃO .................................................................................................1

2. REVISÃO DE LITERATURA ............................................................................5

2.1. Etnoictiologia – conceitos e definições.......................................................5

2.2. A região: aspectos ecológicos ...................................................................8

2.3. A pesca......................................................................................................9

2.3.1. Histórico ..............................................................................................9

2.3.2. Potencial pesqueiro...........................................................................11

2.3.3. Tipos de Pescadores.........................................................................12

2.3.4. Tipos de pescarias ............................................................................13

2.4. Os recursos pesqueiros amazônicos e sua dinâmica migratória .............16

3. OBJETIVOS ...................................................................................................19

4. METODOLOGIA.............................................................................................21

4.1. Área de estudo.........................................................................................21

4.2. Coleta de dados.......................................................................................21

4.2.1. Dados primários coletados ................................................................21

4.2.2. Dados secundários coletados ...........................................................22

4.3. Análise dos dados....................................................................................22

5. RESULTADOS E DISCUSSÃO......................................................................24

5.1. Caracterização dos pescadores citadinos profissionais e ribeirinhos

comerciais e de subsistência na Amazônia Central........................................24

5.1.1. Experiências e relações sociais na pesca da Amazônia Central.......27

5.2. Etnoictiologia das espécies de comportamento sedentário segundo os

pescadores da Amazônia Central ...................................................................31

5.2.1. Aruanã (Osteoglossum bicirrhosum.) ................................................31

5.2.2. Pirarucu (Arapaima gigas) .................................................................40

5.2.3. Tucunaré (Cichla monoculus)............................................................51

5.3. Biologia e ecologia das espécies de comportamento migratório .............60

5.3.1. Curimatã (Prochilodus nigricans).......................................................60

5.3.2. Jaraqui (Semaprochilodus spp.)........................................................69

5.3.3. Tambaqui (Colossoma macropomum.) .............................................79

6. CONCLUSÕES ..............................................................................................89

7. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ...............................................................91

1

1. INTRODUÇÃO

Uma das principais preocupações ambientais deste novo século é a perda da

biodiversidade, devido ao índice crescente de degradação ambiental produzida

pelas atividades da população humana. Esta diversidade biológica vem sendo

irreversivelmente diminuída através da extinção, à medida que os habitats são

destruídos.

A manutenção dos recursos naturais é de fundamental importância para o

bem estar do ser humano, em parte, pois as espécies de plantas e animais e outros

organismos oferecem às pessoas produtos importantes, inclusive alimentos,

medicamentos e/ou matéria-prima às indústrias. Sem mencionar os mais diversos

serviços ambientais que estes prestam a toda sociedade como todo.

Com o crescimento dos centros urbanos, nos tornamos desvinculados dos

ambientes naturais e de seus recursos, assim tornamo-nos mais dependentes do

conhecimento daqueles que vivem em áreas naturais. Estes representam a chave

para o entendimento, utilização e proteção da diversidade biológica.

Segundo CORSON (1994), muitos habitantes das áreas naturais enfrentam

uma crise de sobrevivência. Suas culturas, juntamente com suas tradições orais,

desenvolveram-se durante séculos, mas estão desaparecendo a cada década,

devido às políticas utilizadas que seguem a linha dos “biocentristas” ou

“conservacionistas”, ou seja, são a favor da retirada das populações tradicionais,

fundamentando-se na fragilidade dos ecossistemas e exemplos de mau uso deste

patrimônio pelo homem (ADAMS, 2000).

A valorização do conhecimento tradicional caracteriza-se como uma nova

ordem no que se diz respeito a conservação dos recursos naturais, reconhecida pelo

princípio 22 da Declaração do Rio sobre o Meio Ambiente e Desenvolvimento, isso

2

se refere principalmente aos povos indígenas, habitando locais essenciais para o

manejo e desenvolvimento ambiental, observando que tanto a diversidade cultural

quanto a diversidade biológica são recursos naturais que merece a conservação

(ZWAHLEN, 1996 apud COSTA NETO, 2001).

Até então, as discussões sobre sustentabilidade e conservação dos recursos

naturais excluíam as análises socioculturais que complementam a interação

homem/natureza.

De acordo com SACH (1995), a melhor forma de explorar os recursos

naturais é aquela que usa o conhecimento tradicional. Vale ressaltar, que este

conhecimento é passado ao longo das gerações através de experiências e

observações do cotidiano (BEGOSSI, 1998).

Na Convenção sobre Diversidade Biológica-CDB, foi definido no artigo 8 j

para que as nações-membro, em conformidade com a legislação nacional,

respeitem, preservem e mantenham o conhecimento, inovações e práticas das

comunidades locais e populações indígenas, incentivando sua mais ampla

aplicação, e encorajando a repartição justa e eqüitativa dos benefícios oriundos da

utilização desses mesmos conhecimentos (DIEGUES & ARRUDA, 2001).

Além disso, no Art. 10 c a Convenção determina que cada Parte Contratante

deve:

"...proteger e encorajar a utilização costumeira dos recursos biológicos de

acordo com práticas culturais tradicionais compatíveis com as exigências

de conservação ou utilização sustentável". E também "apoiar populações

locais na elaboração e aplicação de medidas corretivas em áreas

degradadas onde a diversidade biológica tenha sido reduzida". (Art. 10 d).

Em seu Art. 17, a CDB também recomenda às Partes Contratantes que

proporcionem o intercâmbio de informações sobre o conhecimento das comunidades

3

tradicionais, e no art. 18, determina o aperfeiçoamento de métodos de cooperação

para o desenvolvimento de tecnologias, incluindo as tradicionais e as indígenas.

No contexto mundial, já existem mais de 33 centros de Recursos em

conhecimento tradicional em diversos países, como o Estados Unidos, Rússia,

Austrália e Índia (SILLITOE, 1998).

Na América Latina, RIBEIRO (1987), MORAN (1994), MARQUES (1995),

POSEY (1997), ADAMS (2000), DIEGUES & ARRUDA (2001) e BEGOSSI (1998)

chamam atenção para o resgate e valorização dos saberes tradicionais, com

implicações nos mais variados campos da ciência e economias regionais, como

também para a preservação das sociedades locais e populações indígenas.

Na região amazônica, a pesca é uma das atividades mais tradicionais, que

desempenha um papel importante na economia e no processo de ocupação humana

na região (SANTOS & FERREIRA, 1999). Representa também um importante

elemento da cultura regional (FURTADO, 1993), a qual se torna depositária de

informações sobre dinâmica dos recursos e do ambiente aquático, que podem ser

úteis para o desenvolvimento do manejo integrado e participativo na região.

Portanto, a atividade pesqueira artesanal, requer todo um conhecimento

etnoecológico que possibilita a exploração do recurso pesqueiro que garante a sua

sustentabilidade.

Já afirmava MARQUES (1995), que os pescadores detêm o saber e o saber

fazer relacionado com a estrutura e a função do ecossistema a que estão

vinculados.

Nesse contexto, o presente estudo pretende dar uma contribuição a esse

novo paradigma de desenvolvimento: avaliar aspectos etnoictiológicos dos

pescadores profissionais citadinos e ribeirinhos de subsistência da Amazônia

4

Central, verificando se estes podem ser incorporados como informações úteis para

implementação de futuros projetos de gestão participativa local no manejo pesqueiro

da região.

Esta dissertação está estruturada numa análise comparativa entre as

informações dadas pelos pescadores, citadinos e ribeirinhos, colacionadas com uma

compilação das informações científicas sobre a biologia e dinâmica das espécies.

5

2. REVISÃO DE LITERATURA

2.1. Etnoictiologia – conceitos e definições

A etnociência trata do estudo das percepções culturais do mundo e de como

os indivíduos organizam essas percepções por meio de linguagem. Esta ciência, que

parte da lingüística para estudar o conhecimento das populações humanas sobre os

processos naturais, tentando descobrir a lógica subjacente ao conhecimento

humano do mundo natural, as taxonomias e classificações totalizadoras, está entre

os enfoques que têm contribuído para os estudos das relações entre o homem e o

meio ambiente (MORAN, 1994).

Segundo BEGOSSI (1998), os resultados desses estudos que envolvem o

conhecimento tradicional, podem facilitar a concepção de novos modelos de

sustentabilidade do uso e manejo dos recursos naturais. Internacionalmente o termo

“tradicional” é utilizado como adjetivo, de tipo de manejo, tipo de sociedades, de

forma de utilização de recursos, de território, de modo de vida, de grupos específicos

e de tipo culturais. No Brasil, é empregado como referência a sociedades rústicas

(VIANA, 1996). DIEGUES & ARRUDA (2001) definem conhecimento tradicional

como o conjunto de saberes e saber-fazer a respeito do mundo natural e

sobrenatural, transmitido oralmente, de geração em geração.

Segundo BERLIN (1973) apud DIEGUES et al. (2000), há três áreas básicas

de estudo na etnociência: a da classificação, que se preocupa em estudar os

princípios de organização de organismos em classes; a de nomenclatura, em que

são estudados os princípios lingüísticos para nomear as classes folk; a da

identificação, que estuda a relação entre os caracteres dos organismos e a sua

classificação.

6

A partir da etnociência originaram-se vários campos de domínios específicos

culturais, entre estes a etnobiologia, recebendo contribuições basicamente da

sociolingüística, da antropologia estrutural e da antropologia cognitiva. É a disciplina

que se ocupa, essencialmente, do estudo do conhecimento e das conceituações

desenvolvidas por qualquer sociedade a respeito da biologia. Segundo POSEY

(1987), etnobiologia é o estudo do papel da natureza no sistema de crença e de

adaptação do homem a determinados ambientes, enfatizando as categorias e

conceitos cognitivos utilizados pelos povos em estudos, que, no caso, o

conhecimento tradicional não se enquadra, em categorias e subdivisões

precisamente definidas como as que a biologia tenta, artificialmente, organizar.

Um campo relativamente novo da ciência, a etnobiologia ainda está

construindo seu método e sua teoria. Ela pressupõe que cada povo possua sistema

único de perceber e organizar as coisas, os eventos e os comportamentos. E este

não o percebe de forma idêntica à do pesquisador, pois cada povo tem suas

próprias formas de conhecimento e classificação. Ao primeiro tipo de análise se

convencionou chamar de “ética”, ao segundo, de “êmica”, termos derivados de

fonética e fonema (RIBEIRO, 1987).

Os etnoecólogos consideram que o saber milenar conservado pelas

populações tradicionais permitiu a conservação do equilíbrio ecológico em vastas

regiões do mundo (RIBEIRO, 1987). A etnoecologia parte do pressuposto de que as

informações que as pessoas possuem sobre seu ambiente e a maneira como pela

qual elas categorizam essas informações (sobre zoneamento ecológico, distribuição

dos recursos naturais, diversidade biológica, administração integrada dos reinos

animal e vegetal, por exemplo) vão influenciar seu comportamento em relação ao

mesmo (ADAMS, 2000).

7

Saberes estes, que constitui, hoje, os últimos repositórios vivos de um

conhecimento acumulado durante milênios para sobrevivência humana na floresta

tropical úmida, nos campos e cerrados. Parte deste saber foi herdada pelas

populações rurais, caboclos, sertanejos, caipiras e caiçaras, encontrando-se em

graus diversos codificados nas culturas folk (RIBEIRO, 1987).

Na medida em que vai se desenvolvendo a coleta de dados e classificação

na etnobiologia, vão se construindo a etnobotânica, a etnozoologia, a etnoecologia,

a etnopedologia, a etnomedicina, a etnofarmacologia etc. Nesse tipo de análise vai

se combinar a visão do observador estranho à cultura, refletindo a realidade

percebida pelos membros de uma comunidade. O pesquisador procura inferir as

categorias “êmicas” dos povos em estudo (POSEY, 1987).

De uma forma mais específica, a etnoictologia, é o modo como o

conhecimento, os usos e os significados dos peixes ocorre-nos diferentes grupos

humanos, a qual é definida como estudo científico das relações entre homem com

os peixes. Ela inclui-se na etnozoologia (estudo científico das relações homens e

animais), que por sua vez faz parte de uma disciplina mais abrangente, a

etnobiologia (COSTA NETO, 2001).

Segundo MARQUES (1995), a etnoictiologia pode ser interpretada como a

busca da compreensão do fenômeno da interação entre o Homem e os peixes,

englobando aspectos tanto cognitivos quanto comportamentais.

Vale ressaltar, que RIBEIRO (1987) recomenda para qualquer pessoa que

queira fazer pesquisa etnobiológica, que considere cinco aspectos fundamentais:

1. Investigar as ciências biológicas de outras culturas, levando em conta o

fato de que também nesse caso, elas se esforçam para classificar,

catalogar e explicar o mundo natural;

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2. Não menosprezar os informantes, já que dominam, em seus mínimos

detalhes, fenômenos poucos conhecidos ou completamente ignorados

para nossa ciência;

3. Deixar que os informantes sejam os guias, tanto na identificação de

categorias culturais significativas, como no desenvolvimento das veredas

para pesquisa de campo.

4. Tratar os informantes, que são tidos como peritos em suas próprias

culturas, da mesma forma que tratamos nossos especialistas.

5. Não eliminar dados que, superficialmente, possam parecer absurdos. Eles

podem conter codificações de relações evolutivas, ou de animais

mitológicos, cuja função é proteger os recursos naturais e preservar o

equilíbrio ecológico.

2.2. A região: aspectos ecológicos

A região Amazônica abrange uma área de 6 milhões de km2 , 1/3 da América

do sul, contém o equivalente a 20% de toda a água doce do planeta devido à

presença da maior bacia hidrográfica do mundo ocupando uma área de inundação

causadas pelos grandes rios e pequenos rios equivalente a 3.940.000 km2 (JUNK,

1983; MILLIAN & MEADE apud ISAAC & BARTHEM, 1995; HIGUCHI, 1999).

Essas inundações marcam as formas de vida das populações ribeirinhas que

vivem nas margens dos rios (DIEGUES, 1992).

Observa-se que a água é um fator preponderante na paisagem amazônica,

tanto para os grandes rios quantos pequenos rios e igarapés que contribuem para os

corpos d’água. Estes corpos d’água não são uniformes. Os lagos existem ao lado

dos grandes rios e são típicos de áreas alagáveis (várzea e igapó), enquanto nas

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áreas não inundáveis (terra-firme), são mais característicos os igarapés e pequenos

rios (JUNK, 1983).

A Amazônia apresenta um clima quente e úmido, com alta taxa pluviométrica,

de 2000 a 3000 mm/ano (SALATI et al., 1983). As chuvas começam entre

novembro-dezembro na região sul de Equador e uns meses mais tarde ao norte do

Equador e estendem-se por quatro e cinco meses (SALATI & MARQUES, 1984).

Neste período, devido ao alto índice de pluviosidade, aumenta o nível dos rios, na

região da Amazônia Central. De acordo com dados fornecidos da ANEEL (1999), a

enchente costuma ocorrer nos meses de dezembro a maio, e a cheia nos meses de

junho e julho. No verão, com a diminuição das chuvas, ocorre o processo inverso,

ocorrendo nos meses de agosto a outubro o período da vazante, e a seca nos

meses de outubro a novembro (BRAGA, 2001).

Essas oscilações do nível d’água dos rios variam conforme o local, sendo que

o padrão geral é unimodal e a oscilação média anual é de 5 a 10m (MARLIER, 1973;

IBGE 1977; HANECK, 1982 apud ISAAC & BARTHEM 1995).

Além disso, há consideráveis diferenças nos corpos d’água, tanto em relação

à morfologia quanto nas suas propriedades física – químicas, onde SIOLI (1985),

propôs a seguinte tipologia: rios de água branca, água preta e água clara.

Dependendo do tipo de água que inunda essas áreas, SIOLI (1985) as classifica

como várzea, quando inundáveis por rios de águas brancas; e igapó, quando

inundáveis por rios de águas pretas.

2.3. A pesca

2.3.1. Histórico

No século XVII ao XIX, no período de ocupação portuguesa, a pesca era

efetivamente praticada pelos índios por processos como a tapagem de rio, a palheta,

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a narcotização das águas com timbó, cururutimbó e com assacu; arpões e anzóis

com ponta de osso. O produto desta atividade abastecia os aldeamentos e, mais

tarde, os centros que foram se nucleando, nos quais a pesca, a lavoura e a coleta

eram as bases da economia regional (FURTADO, 1993).

A partir do século XX, novos instrumentos de pesca foram sendo

incorporados, como a malhadeira, arrastadeira e a redinha, e os barcos pesqueiros

foram sendo equipando com caixas e urnas de gelo, o que tornou secundária a

prática de salgar o peixe nos mercados que passaram a manter um abastecimento

regular de pescado conservando em gelo. (VERÍSSIMO, 1895; RIBEIRO &

PETRERE, 1990; MESCHAT, 1958 apud BARTHEM et al., 1997).

No final da década de 60, o Governo Federal programou uma política oficial

voltada para estimular a pesca, a fim de torná-la uma atividade econômica mais

expressiva para a Amazônia. A partir dessa intervenção federal, acelerou-se o

desenvolvimento da pesca industrial na região que, através de subsídios do Estado,

aumentou a sua frota e incorporou novas técnicas pesqueiras (BRITTO et al., 1975

apud BARTHEM et al., 1997).

A pesca tornou-se para muitos uma atividade profissional permanente;

juntamente com outros fatores, como a decadência de outros recursos tradicionais,

tais como a borracha e a juta, e o grande aumento da demanda urbana de pescado,

foram as causas sócio-econômicas desta transformação. Os suportes técnicos para

essa mudança foram dados principalmente pela instalação de empresas frigoríficas,

com a finalidade de beneficiar e estocar o pescado para o comércio nacional e

internacional; e a introdução das fibras de náilon monofilamento e dos motores a

diesel. Surge, desta maneira, a figura do pescador profissional itinerante, que pesca

de forma permanente, em lugares distantes da sua moradia e vende o seu peixe nos

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