Aventura do Antibiotico - Apostilas - Medicina, Notas de estudo de Medicina
Aquarela
Aquarela16 de julho de 2013

Aventura do Antibiotico - Apostilas - Medicina, Notas de estudo de Medicina

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Apostilas de Medicina sobre o estudo da História do Antibiotico, Fleming.
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A AVENTURA DO ANTIBIÓTICO

Os nossos corpos estão repletos de bactérias. O micróbio divide-se de 20 em 20 minutos, formando enormes exércitos, colônias persistentes de clones que se reproduzem infinitamente. Acima de tudo, as bactérias adoram as nossas membranas unidas e os nossos corpos a 37° C. De fato, os nossos corpos contêm 10 vezes mais micróbios do que células. Das numerosas espécies de bactérias, são poucas as perigosas para o corpo humano. Produzem toxinas e multiplicam-se, provocando infecções que ameaçam a saúde. Os estafilococos, os pneumococos e os estreptococos provocam septicemia, pneumonia e tuberculose. É difícil imaginar como era a vida antes de surgirem os antibióticos. Nos séculos XVII, XVIII e XIX, a esperança de uma vida era de 30 a 40 anos. Geralmente, as pessoas morriam devido a infecções, tuberculose ou pneumonia, e a todo o tipo de doenças que se curam facilmente, agora. Um exemplo perfeito é a sífilis. O tratamento para essa doença costumava ser sais de mercúrio, que eram extremamente tóxicos. Depois disso, experimentaram arsênico e sais de metais pesados. Muitos não sabem que, até 1945, os médicos até usavam um parasita responsável pela malária, chamado Plasmódio. O processo de descoberta dos antibióticos sofreu uma reviravolta quando os cientistas perceberam como as bactérias e os vírus influenciam a propagação de doenças infecciosas. Pasteur e Robert Koch, em particular, descobriram os agentes infecciosos responsáveis pela tuberculose e pela cólera. Mas saber como travar a sua proliferação já era outra história. Foi só na década de 20 que Sir Alexandre Fleming descobriu o primeiro tratamento. O antibiótico é a primeira cura capaz de atacar o micróbio, o único tratamento verdadeiramente mágico na história da humanidade, em apenas alguns anos os antibióticos se tornaram os pilares da vida moderna. As suas enzimas são capazes de feitos até aqui inalcançáveis: penetrar a parede do micróbio e matar as bactérias a partir do interior. Mas, enquanto nos ocupamos em consumir grandes quantidades de antibióticos, as bactérias preparam pacientemente o contra-ataque. Um dos alunos de Koch, chamado Paul Elrich, observou secções de tecidos ao microscópio de doentes que tinhas morrido de infecção. Descobriu que continham bactérias. Ele coloriu-os com tintas derivadas de um produto químico do carvão, chamado anilina, e reparou que, as vezes, os tecidos não eram afetados, mas que as bactérias mudavam sempre de cor. Concluiu que era possível matar bactérias de uma forma seletiva, recorrendo a corantes. Os antibióticos não se estrearam na década de 330 como geralmente cremos, na verdade foram as bactérias que inventaram os antibióticos. Durante 99% da sua história o nosso planeta foi habitado exclusivamente por bactérias. Nesse mundo primitivo, em que cada micróbio defendia ciosamente o seu território e alimento dos rivais, as bactérias inventaram o antibiótico. Um antibiótico é uma enzima produzida por organismos unicelulares para destruir os adversários. A década de 30 foi muito ativa em termos de investigação científica. Em 1920, um humilde bacteriologista chamado Alexander Fleming fez uma descoberta muito estranha no seu laboratório, no Hospital de Saint Mary, em Londres. Depois de aplicar o seu próprio fluído lacrimal a uma cultura de germes, reparou que surgiram grandes entalhes na colônia de bactérias, chamou esse fenômeno de lise e passou a desenvolver lisozimas a partir de lágrimas e muco nasal. Mas este primeiro antibiótico natural feito pelo homem era ineficaz em bactérias realmente patogênicas, pelo que o processo foi abandonado. Contudo, oito anos depois, em Julho de

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1928, Fleming ao regressar a casa depois de umas férias, encontrou algumas placas de Petri com culturas de estafilococos no laboratório onde crescera nelas um estranho bolor. O cientista inglês percebeu que se deparara com um importante fenômeno: o fungo impedira que as bactérias alastrassem. Fleming reconheceu o fenômeno da lise que observara oito anos antes. O bolor que acabara de descobrir era capaz de matar bactérias. O cientista inglês acabara de descobrir o que seria apelidado de “bala mágica”, o tratamento miraculoso por qual esperavam os médicos do mundo inteiro. Nos dias seguintes, a penicilina revelou as suas propriedades revolucionárias, uma delas era o fato de não ser minimamente perigosa para os animais. Pouco depois, Fleming realizou os primeiros testes em humanos. O Penicillium que Fleming descobriu é um micro-organismo do solo. O produto em bruto que ele descobriu era muito instável, e ele não conseguiu mostrar que poderia ser injetado de forma eficaz. Em 1932 ou 1933, desistiu de todas as pesquisas relativas à penicilina. Do que o projeto necessitava era de um químico. Em 1939, Florey começou a esquadrinhar artigos sobre substancias relacionadas com antibióticos. Quando se deparou com a publicação de Fleming, percebeu que poderia ter algum valor. Foi quando contratou um homem habilidoso chamado Ernst Chain, que começou a purificar a penicilina. Formou-se então a equipe conhecida como Grupo de Oxford. Florey aliou-se a um produtor industrial de cerveja. Precisava produzir penicilina em larga escala, e os cervejeiros eram úteis, porque tinham enormes cubas de fermentação para cultivar bactérias e possuíam todo o equipamento necessário para transformar o liquido obtido num pó liofilizado. Foi assim que tudo começou. Ele obteve apoio institucional e os médicos começaram a experimentar a penicilina como medicamento a partir de Fevereiro ou Março de 1941, com resultados muito positivos. Em 1941, houve o ataque a Pearl Harbor e a partir desse momento, a indústria americana e o Exercito investiram toda a sua energia na penicilina, produzindo-a em massa. A principio foi distribuída aos soldados americanos, só muito mais tarde é que ficou disponível ao publico em geral. A partir de 1942, quando a penicilina se tornou um êxito, os cientistas começaram a investigar sistematicamente as bactérias do solo. As bactérias eram isoladas, depois eram examinados centenas ou milhares de microorganismos até encontrar uma substancia que produza naturalmente um antibiótico quando em contato com determinado micro-organismo. Depois o antibiótico é purificado e analisada a sua toxicidade. No caso da tuberculose, foi feita uma observação muito intrigante: os micróbios responsáveis pela tuberculose podiam sobreviver perfeitamente bem no solo, mas que eram destruídos passados 15 dias, quando colocados em estrume. Era óbvio que o estrume ou a água dos esgotos continham micro-organismos que provocam um efeito muito forte sobre o germe da tuberculose. Então, os cientistas aprofundaram as suas pesquisas. Um microbiologista especializado em bactérias do solo, chamado Waksman, acabou por descobrir a estreptomicina, com a ajuda do aluno. Analisaram centenas e centenas de estirpes de fungos Streptomyces e descobriram que uma das estirpes produzia um antibiótico em particular, que se revelaria eficaz no combate à tuberculose. Chamaram-lhe estreptomicina, por causa do fungo. Devido a esta combinação miraculosa de grande eficácia e pouca toxicidade, pensava-se que podíamos continuar a usar todos os antibióticos que quiséssemos, para curar tudo o que quiséssemos nos humanos e nos animais, bem como na agricultura, sem sofrer consequências nefastas. Mas as bactérias não gostam nada

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disso. Causa-lhes sofrimento, e vão continuar a resistir até o fim. As bactérias desenvolveram várias técnicas de resistência. Uma delas envolve bloquear os seus poros para impedir que o antibiótico penetre na sua membrana protetora. Alguns germes resistentes têm outra forma de se defender de um ataque dos antibióticos; Enviam enzimas especiais para destruir a medicação antes que ela atinja o alvo. Outra técnica de contra-ataque consiste em deixar o antibiótico furar a parede celular e, depois, usar um sofisticado sistema de bombagem para ejetar o intruso antes de ele ter tempo para agir. Através de trocas de DNA, por simples contato, as bactérias transmitem, pelo código genético, umas para outras novas técnicas para frustrar o ataque de um antibiótico em particular. As bactérias não tiveram qualquer dificuldade em desenvolver e em partilhar técnicas de resistências aos antibióticos, de um modo natural, porque sempre viveram num ambiente rico em antibióticos e desenvolveram elas mesmas antibióticos. Se os antibióticos só tivessem matado seletivamente bactérias patogênicas, não teria havido nenhum problema. O mal é que as bactérias como um todo se tornaram mais resistentes aos antibióticos e, por sua vez, ensinaram as bactérias que provocam doenças os segredos da sua resistência. As bactérias resistentes estão a conquistar o planeta inteiro, mesmo debaixo do nosso nariz.

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