Aves brasileiras, Manuais, Projetos, Pesquisas de Engenharia Florestal
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Aves brasileiras, Manuais, Projetos, Pesquisas de Engenharia Florestal

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O total de aves do mundo é calculado em 9021 espécies, sendo que na América do Sul que é considerado o continente das aves, o número de espécies é estimado em 2645 espécies residentes. Considerando as migratórias, o número sobe para 2920. O Brasil possui 1590 espécies. fonte http://www.vivaterra.org.br/aves_3.htm
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AS MAIS BELAS AVES DO BRASIL

AS MAIS BELAS AVES DO BRASIL

http://www.vivaterra.org.br/aves_3.htm

AVES O total de aves do mundo é calculado em 9021 espécies, sendo que na América do Sul que é considerado o continente das aves, o número de espécies é estimado em 2645 espécies residentes. Considerando as migratórias, o número sobe para 2920. O Brasil possui 1590 espécies.

São surpreendentemente uniformes, pois suas características mais óbvias são as penas e o bico córneo. São chamadas de endotérmicas, porque produzem seu próprio calor e de homoeotérmicas , porque podem manter a temperatura de seus corpos razoavelmente alta e constante. Isto não significa que a temperatura do corpo de uma ave não varie, pode haver oscilação diária de vários graus. São tetrápodas, com o par anterior transformado em asas e o posterior adaptado para empoleirar, andar ou nadar. A capacidade de voar permite às aves ocupar alguns hábitats impossíveis para outros animais.

Além da quantidade, a avifauna do Brasil reúne inúmeros superlativos quanto à qualidade. Vive aqui, uma das maiores aves do mundo, a ema, ao lado das aves de menor porte, os beija-flores. Encontram-se os voadores de maior porte da Terra: o albatroz e o condor, ambos de ocorrência apenas ocasional. O gavião-real, residente no Brasil, é a ave de rapina mais possante do mundo. Ocorrem aqui as aves de vôo mais veloz: falcões e andorinhões.

São muito utilizadas como indicadores biológicos e o maior conhecimento delas pode subsidiarprogramas de conservação e manejo de ecossistemas. Por exemplo, espécies típicas de florestas são sensíveis ao desmatamento e apresentam declínios populacionais ou mesmo extinções locais após alterações do hábitat.

ALBATROZ GIGANTE (Diomedea exulans) JOÃO-BOBO (Nystalus chacuru) ALMA DE GATO (Piaya cayana) JOÃO-DE-BARRO (Fumarius rufus) ANACÃ (Deroptyus accipitrinus) JURITI (Leptotila verreauxi) ANANAÍ (Amazonetta brasiliensis) JURITI-GEMEDEIRA (Leptotila rufaxilla) ANU (Crotophaga ani) JURUVA (Baryphthengus ruficapillus)

ANU BRANCO (Guira guira) LAVADEIRA-MASCARADA (Fluvicola nengeta) ARAÇARI BANANA (Baillonius bailloni) MAÇARICO (Tringa flavipes) ARAPONGA (Procnias sp.) MACUCO (Tinamus solitarius) ARARA AZUL (Anodorhynchus hyacinthinus) MAITACA (Pionus maximiliani) ARARA AZUL DE LEAR (Anodorhynchus leari) MARIA FACEIRA (Syrigma sibilatrix)

ARARA AZUL PEQUENA (Anodorhynchus glaucus) MARTIM PESCADOR (Chloroceryle americana)

ARARA CANINDÉ (Ara ararauna) MARTIM PESCADOR GRANDE (Ceryle torquata)

ARARAJUBA (Guaruba guarouba) MARTIM-PESCADOR VERDE (Chloroceryle amazona) ARARA VERMELHA GRANDE (Ara chloroptera) MOCHO ORELHUDO (Bubo viriginianus) ARARA VERMELHA PEQUENA (Ara macao) MURUCUTUTU (Pulsatrix perspicillata) ARARINHA AZUL (Cyanopsitta spixii) MUTUM (Crax blumenbachii) ATOBÁ (Sula leucogaster) MUTUM PINIMA (Crax fasciolata) AZULÃO (Passerina brissonii) NARCEJA (Gallinago gallinago)

BACURAU ou CURIANGO (Caprimulgus cayennensis) PAPAGAIO CHARÃO (Amazona pretrei)

BATUÍRA DE BANDO (Charadrius semipalmatus) PAPAGAIO-CHAUÁ (Amazona rhodocorytha)

BATUIRUÇU (Pluvialis dominica) PAPAGAIO-DE-CARA-ROXA (Amazona brasiliensis)

BEIJA-FLORES PAPAGAIO-DE-PEITO-ROXO (Amazona vinacea)

BEM-TE-VI (Pitangus sulphuratus) PAPAGAIO VERDADEIRO (Amazona aestiva) BICUDO (Oryzoborus maximiliani) PATATIVA (Sporophila plumbea)

BIGUÁ (Phalacrocorax brasilianus) PAVÃOZINHO-DO-PARÁ (Eurypyga helias)

BIGUATINGA (Anhinga anhinga) PELICANO PARDO (Pelecanus occidentalis) BOBO (Puffinus puffinus) PERNILONGO (Himantopus himantopus) CABURÉ (Glaucidium brasilianum) PICA-PAU-ANÃO (Picumnus cirratus)

CAMBACICA (Coereba flaveola) PICA-PAU-BRANCO (Melanerpes candidus)

CANÁRIO DA TERRA (Sicalis flaveola) PICA-PAU-DE–BANDA-BRANCA ou GIGANTE-DE-TOPETE-VERMELHO (Dryocopus lineatus)

CARCARÁ (Polyborus plancus) PICA-PAU-DE-CABEÇA-AMARELA (Celeus flavescens)

CARDEAL (Paroaria coronota) PICA-PAU-DE-CARA-VERMELHA (Campephilus melanoleucos) CATURRITA (Myiopsitta monachus) PICA-PAU-REI (Campephilus robustus) CHANCHÃ ou PICA-PAU DO CAMPO (Colaptes campestris)

PICA-PAU-VERDE-BARRADO (Chrysoptilhs melanochloros)

CHOPIM (Molothrus bonariensis) PINTASSILGO (Carduelis magellanicus) CHUPA-DENTE (Conopophaga lineata) PIRU-PIRU (Haematopus palliatus) CISNE-DE-PESCOÇO-PRETO (Cygnus melanocoryphus)

POMBA-ASA-BRANCA (Columba picazuro)

COLEIRO (Sporophila caerulescens) POMBA GALEGA (Columba cayennensis) COLHEREIRO (Ajaja ajaja) PRÍNCIPE-NEGRO (Nandayus nenday) CORRUÍRA ou CAMBAXIRRA (Troglodytes aedon) QUERO-QUERO (Vanellus chilensis) CORUJA BURAQUEIRA (Speotyto cunicularia) QUIRIQUIRI (Falco sparverius)

CURICACA (Theristicus caudatus) RAPAZINHO ESTRIADO (Nystalus striolatus)

CURIÓ (Oryzoborus angolensis) ROLINHA-CALDO-DE-FEIJÃO (Columbina talpacoti) CURRUPIÃO (Icterus jamaicaii) SABIÁ-DA-MATA (Turdus fumigatus) EMA (Rhea americana) SABIÁ DA PRAIA (Mimus gilvus) FALCÃO PEREGRINO (Falco peregrinus) SABIÁ-DO-CAMPO (Mimus saturninus) FEITICEIRO DO MAR (Puffinus gravis) SABIÁ LARANJEIRA (Turdus rufiventris) FLAMINGO (Phoenicopterus ruber) SABIÁ-POCA (Turdus amaurochalinus) FOGO-APAGOU (Scardafella squammata) SACI (Tapera naevia) FRAGATA (Fregata magnificens) SAÍ-AZUL (Dacnis cayana) FRANGO D'ÁGUA (Gallinula chloropus) SAÍ-BEIJA-FLOR (Cyanerpes cyaneus) GAIVOTA (Larus dominicanus) SAÍ-TUCANO (Chlorophanes spiza) GAIVOTA RAPINEIRA COMUM (Stercorarius parasiticus) SAÍRA-DE-BANDO (Tangara mexicana)

GAIVOTA RAPINEIRA GRANDE (Catharacta skua) SAÍRA-DIAMANTE (Tangara velia) GALO-DE-CAMPINA (Paroaria dominicana) SAÍRA-LENÇO (Tangara cyanocephala) GALO-DA-SERRA (Rupicola rupicola) SAÍRA PINTOR (Tangara fastuosa) GARÇA AZUL (Florida caerulea) SAÍRA-SETE-CORES (Tangara seledon)

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GARÇA BOIADEIRA (Bubulcus íbis) SAÍRA VERDE (Tangara desmaresti) GARÇA BRANCA GRANDE (Casmerodius albus) SANHAÇO (Thraupis sayaca)

GARÇA BRANCA PEQUENA (Egretta thula) SANHAÇO MARRON – SANHAÇO DO COQUEIRO (Thraupis palmarum) GATURAMO VERDADEIRO (Euphonia violacea) SARACURA (Aramides cajanea) GAVIÃO CARIJÓ (Rupornis magnirostris) SERIEMA (Cariama cristata) GAVIÃO-CARRAPATEIRO (Milvago chimachima) SOCÓ BOI (Tigrisoma lineatum) GAVIÃO-PEGA-MACACO (Spizaetus tyrannus) SOCOZINHO (Butorides striatus) GAVIÃO DE RABO BRANCO (Buteo albicaudatus) SUINDARA (Tyto alba) GRALHA AZUL (Cyanocorax caeruleus) SUIRIRI (Machetornis rixosus) GRALHA DO CAMPO (Cyanocorax cristatellus) TALHA-MAR (Rynchops nigra) GRAÚNA (Gnorimopsar chopi) TANGARÁ (Chiroxiphia caudata) GUARÁ (Eudocimus ruber) TICO-TICO (Zonotrichia capensis) GUAXE (Cacicus haemorrhous) TIÉ-SANGUE (Ramphocelus bresilius) HARPIA (Harpia harpyja) TIZIU (Volatinia jacarina) INHAMBU (Crypturellus tataupa) TRINCA-FERRO (Saltator maximus) INHAMBUGUAÇU (Crypturellus obsoletus) TRINTA-RÉIS (Sterna hirundo)

IRERÊ (Dendrocygna viduata) TUCANO-DE-BICO-AMARELO (Ramphastos toco)

JABURU (Jabiru mycteria) TUCANO-DE-BICO-PRETO (Ramphastos vitellinus)

JACAMIM (Psophia creptans) TUCANO-DE-BICO-VERDE (Ramphastos dicolorus) JAÇANÃ (Jacana jaçana) UIRAPURU (Cyphorhinus aradus) JACU (Penelope obscura) URUBU (Coragyps atratus) JACU DE ESTALO (Neomorphus geoffroyi) URUBU-REI (Sarcoramphus papa) JACUPEMBA (Penelope superciliaris) VIUVINHA (Arundinicola leucocephala) JACUTINGA (Pipile jacutinga) ZABELÊ (Crypturellus noctivagus) JANDAIA (Aratinga jandaya)

ALBATROZ GIGANTE (Diomedea exulans)

Características – é a maior ave voadora do mundo, podendo exceder 3,50 m de envergadura, mas mal ultrapassando o peso de sete quilos. Plumagem branca com dorso e asas escuras. A cauda é cinzenta, pés e bicos amarelos, este último com a ponta mais escura. Os juvenis deixam o ninho com plumagem quase totalmente marrom, que vai clareando com a idade. Os machos tendem a tornar-se mais brancos que as fêmeas. Machos pesam entre 8,19 e 11,9 kg. Fêmeas entre 6,35 e 8,71 kg. A envergadura dos machos é maior que das fêmeas. É provável que alguns indivíduos ultrapassem os 50 anos de idade.

Habitat – pelágico (mar aberto, longe da costa), acidentalmente ocorre nas costas Ocorrência – litoral sul do Brasil

Hábitos – os jovens permanecem no oceano por cinco anos antes de retornar à sua colônia natal, exibindo alto grau de filopatria. Cerca de 50% dos jovens sobrevivem até essa idade, enquanto adultos entre têm uma expectativa anual de sobrevivência de 94%. Durante o verão as fêmeas utilizam a margem da plataforma continental da América do Sul (norte até c. 32°S) e os machos as águas fora da Península Antártica; durante o inverno os machos se juntam às fêmeas. As viagens de alimentação para as águas do norte da Argentina e sul do Brasil cobrem mais de 9.500 km e duram c. 15 dias. A espécie realiza movimentos de grande escala, e indivíduos que nidificam no Atlântico parecem realizar uma migração circumpolar para leste que os leva à costa sul da

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Austrália e através do Pacífico antes de retornarem às colônias de reprodução nas ilhas subantárticas do grupo das South Georgias. Aves anilhadas desta população tem sido recapturadas na costa sul do Brasil (notadamente por espinheleiros operando fora do Rio Grande do Sul e Santa Catarina), África do Sul e sul da Austrália e Nova Zelândia. Alimentação – pequenos animais, principalmente moluscos e crustáceos. Segue navios para apanhar detritos. Capturam presas principalmente na superfície, tendo limitada capacidade de submergir. Alimentam-se principalmente de lulas e peixes que podem ser obtidos como descartes da pesca ou corpos flutuantes após a desova. Os albatrozes também consomem carniça (como mamíferos marinhos mortos), tunicados, águas-vivas e crustáceos. A maior parte do alimento é obtida durante o dia, embora haja algum forrageamento noturno. A predisposição da espécie em consumir presas mortas faz com que se associe a barcos pesqueiros para aproveitar descartes, sendo bastante agressiva ao disputar restos com outras aves. Reprodução – machos e fêmeas começam a se reproduzir com cerca de 11 anos. A idade de primeira reprodução tem decrescido em populações sofrendo redução devido à mortalidade causada pela pesca. No Atlântico nidifica no arquipélago das South Georgias (c. 2.000 pares reprodutivos/ano), especialmente Bird Island (60% da população do arquipélago). A população que nidificava nas ilhas Falklands (Malvinas) se extinguiu em 1959 devido à pressão humana. For a do Atlântico há colônias nas ilhas Crozet, Kerguelen, Marion, Prince Edward e Macquarie.No Oceano Índico há populações reprodutivas nas ilhas Crozet, Herguelen, Marion, Prince Edward e Macquarie. Nidifica em colônias dispersas, as posturas sendo realizadas entre dezembro e fevereiro. A incubação dura 11 semanas, sendo dividida entre os pais. O único filhote leva 40 semanas para deixar o ninho, o que ocorre entre novembro e fevereiro. O longo período reprodutivo (55 semanas) faz com que essa espécie se reproduza apenas bi-anualmente. Casais bem sucedidos podem retornar à colônia apenas após 3-4 anos. Ameaças – a pesca com espinhéis (espinheleiros) e a poluição contribuem para a diminuição da população. A espécie é considerada globalmente vulnerável.

ALMA DE GATO (Piaya cayana)

Características – ave bastante vistosa com rabo longo. Pelagem laranja-avermelhada em todo o dorso, peito acinzentado e garganta amarelada. Bico amarelado. Mede aproximadamente 47 cm. Cauda longa com penas gradativamente mais curtas, do meio para os lados, e ponta branca. Habitat – cerrados e matas ou às suas margens, com algumas ocorrências em áreas urbanas Ocorrência – do México à Argentina e em todo o Brasil Hábitos – vive aos casais. O som de seu canto é forte, emitindo até 16 pios em 10 segundos, além de imitar outras aves como o bem-te-vi. Alimentação – insetívoro.

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ANACÃ (Deroptyus accipitrinus)

Características – é uma das espécies de papagaios mais vistosas da Amazônia. Possui uma gola de penas longas, bordadas de azul, ao redor do pescoço e, quando excitada, a ave levanta esse linto ornato em forma de leque. A cabeça é Bruna, o dorso e as asas são verdes. O ventre é azul com manchas vermelhas e verdes. A cauda é longa.

Habitat – floresta de terra firme Ocorrência – região amazônica Hábitos – vive em bandos que variam de cinco a mais de uma dúzia de animais. O nome vem da vocalização, pois ao voar grita "anacã! anacã! anacã!", chamando seus colegas e mantendo a integridade do bando.

ANANAÍ (Amazonetta brasiliensis)

Características – espécie de marreco pequeno, com pés vermelhos, coloração parda com tons oliváceos, asas negras e brilhantes e o espelho alar com faixas brancas e verde-azuladas brilhantes. O macho possui bico vermelho e a fêmea cinza-oliva. Mede aproximadamente 40 cm.

Habitat – áreas alagadas, ricas em vegetação baixa e densa, de pouca profundidade. Ocorrência – das Guianas e Venezuela até a Argentina e em todo o Brasil. Hábitos – constrói o ninho no solo ou em oco de árvores e seus ovos são arredondados e brancos.

ANU (Crotophaga ani)

Características – mede em torno de 36 cm, possuindo plumagem totalmente preta, cauda longa, bico preto e alto. Sexo sempre semelhante. O cheiro do corpo é forte e característico, perceptível para nós a vários metros e capaz de atrair morcegos hematófogos e animais carnívoros. Habitat – campos, pastagens e áreas cultivadas. Prefere lugares úmidos. Ocorrência – da Flórida à Argentina e em todo o Brasil. Hábitos – muito hábil para pular e correr entre os ramos. Vive sempre em bandos. Gostam de apanhar sol e banhar-se na poeira, ficando a plumagem às vezes fortemente tingida com a cor da terra do local ou de cinza e carvão, sobretudo se eles correrem antes pelo capim molhado, pois suas penas se tornam pegajosas. Pela manhã e após as chuvas pousam de asas abertas para enxugarem-se. À noite, para se esquentar, costuma juntar-se a outros indivíduos em filas apertadas ou em grupos. Procuram moitas de taquara para pernoitar. Arrumam as suas plumagens reciprocamente. São aves extremamente sociáveis. Voador fraco mal resiste à brisa, qualquer vento mais forte o leva para longe. O anu-preto possui mais de uma dúzia de vozes diferentes. Tem dois pios de alarme: a um certo grito todos os componentes do bando se empoleiram em pontos bem visíveis, examinando a situação;

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outro grito, emitido quando um gavião se aproxima, faz desaparecer num instante no matagal todo o grupo. Eles se divertem cavaqueando baixinho, de modo bem variado, causando às vezes a impressão de estar tentando imitar a voz de outra ave. Alimentação – essencialmente carnívoros, comendo gafanhotos, percevejos, aranhas, miriápodes etc. Predam também lagartas peludas e urticantes, lagartixas e camundongos. Pescam na água rasa; periodicamente comem frutas, bagas, coquinhos e sementes, sobretudo na

época seca quando há escassez de artrópodes. O anu-preto alimenta-se, sobretudo de ortópteros (gafanhotos) que apanha acompanhando o gado. Quando não há gado no pasto executa, às vezes, caçadas coletivas no campo, o bando espalha-se no chão, em um semicírculo, ficando afastados uns dos outros por dois ou três metros. Permanecem assim imóveis e atentos e quando aparece um inseto, a ave mais próxima salta e o apanha. De tempos em tempos o bando avança. Quando pousam sobre o dorso dos bois geralmente o fazem para ampliar seu campo visual. Às vezes apanha insetos em pleno vôo, capturando também pequenas cobras e rãs; seguem tratores que aram os campos.

Reprodução - os ovos perfazem 14% do peso de seu corpo. É de cor azul-esverdeada, coberto por uma crosta calcária, raspada sucessivamente pelo processo de virar os ovos durante a incubação. A incubação é curta, dura de 13 a 16 dias. O anu-preto costuma trazer comida quando visita a fêmea no ninho. O macho dança em torno da fêmea, no solo. As fêmeas, embora possuam ninhos individuais, se associam mais freqüentemente a um ou dois casais do seu bando para construir ninho coletivo, pôr ovos e criar a prole juntas, tendo a cooperação de machos e filhotes crescidos de posturas anteriores. Seus ninhos são grandes e profundos. Pode acontecer de um ninho ser ocupado por 6 ou 10 aves, e conter 10, 20 e até mais ovos. A postura de uma fêmea é calculada em 4 a 7 ovos. São criados com sucesso meia dúzia de filhotes por vez. A boca aberta vermelha do filhote do anu-preto é marcada por três sinais amarelos. Quando os seus ninhos são abandonados, às vezes são aproveitados por outros pássaros, cobras e por pequenos mamíferos, sobretudo marsupiais.Os filhotes deixam o ninho antes de poder voar, com a cauda curta, e são alimentados ainda durante algumas semanas. Seus filhotes ainda pequenos são facilmente espantados e fogem para todos os lados sobre os galhos em torno do ninho, mas costumam regressar ao mesmo quando se sentem novamente seguros.

ANU BRANCO (Guira guira)

Características – mede em torno de 38 cm, com plumagem branca- amarelada, asas marrons e bico alaranjado. Cauda com faixa preta. As penas da fronte e alto da cabeça são longas e fina e quando arrepiadas formam um topete. Sexo sempre semelhante.

Habitat – campos, pastagens e áreas cultivadas Ocorrência – Paraguai, Uruguai, Argentina e todo o Brasil

Hábitos – quando empoleirado arrebita sua longa cauda. Seu canto é alto, estridente e muito variado. Caça em pequenos grupos no solo. Anda sempre em bandos. São aves extremamente sociáveis. Devido as seu vôo lerdo e fraco, são freqüentemente atropelados nas estradas. Gostam de apanhar sol e banhar-se na poeira, ficando a plumagem às vezes fortemente tingida com a cor da terra do local ou de cinza e carvão, sobretudo se eles correrem antes pelo capim molhado, o que torna suas penas pegajosas. Pela manhã e após as chuvas, pousam de asas abertas para enxugarem-se. À noite, para se esquentar, juntam-se em filas apertadas ou aglomeram-se em bandos desordenados; acontece de um correr sobre as costas dos outros, que formam a fila, para forçar a sua penetração entre os companheiros. Procuram moitas de taquara para pernoitar. Esta espécie morre de frio no inverno. Arrumam as

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suas plumagens reciprocamente.

Alimentação – são essencialmente carnívoros, comendo gafanhotos, percevejos, aranhas, miriápodes etc. Predam também lagartas peludas e urticantes, lagartixas e camundongos. Cospem pelotas. Pescam na água rasa. Periodicamente comem frutas, bagas, coquinhos e sementes, sobretudo na época seca quando há escassez de artrópodes.

Reprodução – seus ovos são relativamente muito grandes, tem de 17 a 25% o peso da fêmea. A cor dos ovos é verde-marinho, uma rede branca calcária em alto relevo se espalha sobre toda a superfície. Tanto há ninhos individuais, como coletivos. A fêmea que construiu um ninho e ainda não começou a pôr os seus ovos, joga fora os ovos postos ali por outras fêmeas. Joga também os ovos, quando a fêmea poedeira encontra o ninho onde quer pôr ocupado por outra ave. Os adultos nem sempre zelam bem pelos ninhos com ovos, abandonando-os. Os filhotes deixam o ninho antes de poder voar, com a cauda curta, e são alimentados ainda durante algumas semanas. Quando os seus ninhos são abandonados, às vezes são aproveitados por outros pássaros, cobras, por pequenos mamíferos, sobretudo marsupiais. Predadores naturais – animais carnívoros em geral. Esta espécie é atacada por outras aves, por exemplo o suiriri, mas é reconhecida como possível inimiga da coruja. As rolas se assustam com o aparecimento de anus- brancos. O anu-branco por sua vez enxota gaviões como o gavião-carijó quando estes pousam nas imediações do seu ninho. Ameaças - atingidos pela ação funesta dos inseticidas, fato tanto mais lamentável por serem muito úteis à lavoura.

ARAÇARI BANANA (Baillonius bailloni)

Características – menores que os tucanos e com plumagem do dorso bruno- azeitona, com rabadilha vermelha e o lado anterior amarelo-ouro. O bico tem ponta verde, a parte alta azulada e uma mancha sangue na parte superior. Habitat – floresta Ocorrência – sul e sudeste do Brasil Alimentação – frutos e sementes Ameaças – destruição do habitat, caça e tráfico de animais.

ARAPONGA (Procnias sp.)

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Características – é conhecida em todo o Brasil pelo seu grito alto e estridente. É também chamada de guiraponga, ferreiro ou ferrador, sendo que esses dois últimos nomes vêm do seu grito, que imita com perfeição o trabalho de um ferreiro, primeiramente com uma lima e a seguir com a batida estridente de um martelo sobre a bigorna. O nome Araponga é indígena e vem de ara = ave e ponga = soar. Três espécies de arapongas são encontradas no Brasil: a Procnias nudicollis , que é a mais comum, habitando desde matas litorâneas da Bahia até o Rio Grande do Sul. O macho é todo branco, com a garganta e os lados da cabeça esverdeados, e a fêmea é totalmente esverdeada. Temos também a Procnias averano que vive em Roraima e no Nordeste, tem as asas pretas, peito branco, cabeça marrom e vários apêndices carnudos que "nascem" do seu pescoço como se fossem barba, de onde vem seu nome popular de "araponga de barbela". A terceira espécie é a Procnias alba , que habita o Amazonas na região do Rio Negro, mas pouco se sabe sobre ela.

Habitat – florestas Ocorrência – todo o Brasil.

Hábitos – o macho fica adulto entre dois anos e dois anos e meio. Tem seu território, uma árvore que ele defende e onde não permite a intrusão de machos da sua idade nos seus dois galhos favoritos: um mais alto, onde ele canta, outro mais baixo onde se acasala. A araponga não gosta muito de descer ao chão.

Alimentação – as arapongas, cuja abertura de bico é enorme, comem pequenos frutos silvestres e bagas inteiras. Reprodução – pousado no galho mais alto, o macho canta o dia inteiro para atrair a fêmea; e este é um dos casos em que a fêmea escolhe o macho. Os dois se encontram no "galho do acasalamento", e o macho dá um grito bem forte em frente à fêmea; se ela aceitar este macho, dá-se o acasalamento. Posteriormente o macho volta para o seu "galho de canto" e continua a cantar. Se aparecer outra fêmea ele repete a manobra. A postura e de cerca de 2 ovos, o período de incubação de 23 dias e os filhotes saem do ninho com 27 dias de idade. Ameaças – a Procnias averano se torna cada vez mais rara por causa da derrubada das matas, seu habitat natural, constando na lista do IBAMA de animais ameaçados de extinção. Alguns ecologistas estão tentando a preservação desta espécie. A destruição do habitat, a caça e o tráfico de animais são as principais ameaças para as espécies.

ARARA AZUL (Anodorhynchus hyacinthinus)

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Características – também conhecida como araraúna é o ma ior de psitacídeo do mundo, medindo 93 cm de comprimento, penas centrais da cauda com 55 cm, 1,5 kg de peso. A plumagem é predominatemente azul cobalto, mais escura nas asas, o bico é cinza escuro, muito grande, aparentando ser maior que o próprio crânio, sem dentes na maxila, porém com pronunciado entalhe na mandíbula, com mandíbula e pele do contorno dos olhos amarelos. A língua é negra com uma tarja amarela longitudinal. Não há distinção entre machos e fêmeas. Os machos normalmente são mais robustos, principalmente no bico, com a cabeça mais quadrada. A cauda também é maior. Podem atingir de 30 a 40 anos de idade. Habitat – buritizais, pantanal, matas ciliares e cerrados adjacentes. Ocorrência – no Brasil nos estados do Mato Grosso, Goiás, Minas Gerais, Bahia, Sul do Piauí e do Maranhão e no Pará. Hábitos – espécie é monógama, permanecendo unidos por toda a vida. São animais muito sedentários e gregários, cuja população está

relacionada a existência de árvores para nidificação e aos cocos de poucas espécies de palmáceas. A falta de um destes fatores impede a sobrevivência da ave. Na natureza, observam-se as araraúnas em famílias, pares ou bandos de até 63 indivíduos (no Pantanal, até julho de cada ano). No Pantanal, é comum observar araraúnas próximas às sedes de fazendas; isto ocorre porque as sedes são construídas nas partes mais elevadas e onde se localizam os acuris e as bocaiúvas (palmáceas). Têm o vôo pesado, no entanto são capazes de descrever curvas fechadas. Alimentação – sementes e frutos Reprodução – atingem a maturidade aos 3 anos. Época reprodutiva vai de novembro a janeiro. Fazem ninhos em árvores e nos buritis. P ostura de 01 a 3 ovos e i ncubação dura de 27 a 29 dias. Os ovos são redondos. Os filhotes nascem medindo 10 a 12 cm e pesando 20 a 27 gramas. Ganham peso e crescem rapidamente. Os filhotes abandonam o ninho com 15 semanas de idade. Produzindo em média dois filhotes a cada dois anos, mas com a sobrevivência de apenas um filhote na maioria dos casais, a arara-azul também tem baixa taxa reprodutiva. Além disso, 20 a 40% dos ovos são predados a cada: ano e 10 a 15% dos filhotes que nascem, são predados ou morrem antes de completar cinco dias de vida. As árvores para a nidificação, no Pantanal, é a ximbuca (Enterolobium cortisiliquun), o angico-branco (Albizia niopoides) e, principalmente, o manduvi (Sterculia striata). São árvores de grande DAP (diâmetro na altura do peito) e por isso possuem ocos compatíveis com os ninhos ideais para a araraúna. Esta ave nunca inicia um oco, porém pode aumentá-lo. O preparo do ninho, a postura e o cuidado com os filhotes são ações que demonstram a cooperação do casal. As araraúnas são fiéis a seus pares e na perda do macho ou da fêmea, seu par fica sozinho, não se compondo novamente com outro indivíduo. Os ninhos são disputados com outras espécies de aves como: arara-vermelha (Ara chloroptera), gavião-relógio (Micrastur semitorquatus), urubu (Coragyps atratus) e pato-do-mato (Cairina moschata) e, mais raramente, por marreca-cabocla (Dendrocygma autumanalis) , Falco refigulares e tucano (Ramphastos toco). Outros animais como porco-espinho (Coendou prehensilis) e abelhas (Melis apiphera) também podem ocupar os ninhos da araraúna. Predadores naturais – os prováveis predadores de seus ovos são: gralha (Cyanocorax sp.), tucano (Ramphastos toco), carcará (Poliborus plancus), quati (Nasua nasua), irara (Eira barbara) e gambá (Didelphis albiventris). Os prováveis predadores de filhotes são: gavião-relógio (Micrastur semitorquatus), gavião-pernilongo (Geranospiza caerulesncens), gavião- preto (Buteogallus urubutinga) e irara. Ameaças – ameaçada de extinção. Hoje a população é diminuta por causa da destruição dos habitats (desmatamentos e queimadas), do tráfico e do baixo sucesso reprodutivo. O pisoteio do gado dificulta o crescimento e a manutenção da população da bocaiúva, o que dificulta a oferta de alimentos para a araraúna. O manejo da pastagem para o gado é feito através de queimadas, as quais se alastram e queimam as cordilheiras e capões, onde existem o alimento e os ninhos das araraúnas. A caça que foi intensa até a década de 80 e hoje ainda é uma ameaça para as populações Norte e Nordeste do Brasil, juntamente com a coleta de penas para cocares e colares nas áreas indígenas.

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ARARA AZUL DE LEAR (Anodorhynchus leari)

Características – mede cerca de 71 cm e pesa em trono de 940 gr. Possui a plumagem da cabeça e pescoço azul – esverdeado, barriga azul – desbotado, apenas as costas, lado superior das asas e cauda azul – escuro. Anel perioftálmico amarelo relativamente claro além da barbela amarela – enxofre clara, quase triangular situada em cada lado na base da mandíbula. Não existe dimorfismo sexual Habitat – endêmica da Caatinga, vive em desfiladeiros e paredões de granito e onde existem as palmeiras licuri. Ocorrência – exclusivamente no estado da Bahia, distribuindo-se pelos municípios de Canudos, Euclides da Cunha, Jeremoabo, Sento Sé e Campo Formoso. Está oficialmente preservada dentro da Estação Ecológica do Raso da Catarina. Hábitos – formam casais, permanecendo unidos durante toda vida. Vivem em bandos que podem ser vistos nas primeiras horas do dia ou nos finais de tarde. Abrigando-se em fissuras dos paredões de arenitos. Alimentação – principalmente do coco do licuri, mas também de outros frutos como o pinhão, o umbu e o mucumã, ás vezes atacam as plantações de milho. Reprodução – na época de reprodução, que vai de dezembro a maio, os casais separam-se do bando e passam a freqüentar o ninho que são feitos nas cavidades dos paredões. A fêmea coloca entre 2 a três ovos. Os filhotes nascem cegos e nus e são alimentados pelos pais até que possam sair sozinhos do ninho, e muitas vezes acompanham os pais durante os vôos.

Ameaças – ameaçada de extinção pela destruição do habitat, endemismo e o tráfico de animais. Hoje existem cerca de 150 araras-azuis-de-lear na natureza e 18 em cativeiro no Brasil.

ARARA AZUL PEQUENA (Anodorhynchus glaucus)

Características – muito semelhante à arara-azul-de-lear, porém menor, 68 cm, com uma área triangular nua, amarela pálida na base da mandíbula, também um pouco menor. Além do anel amarelo característico em volta dos olhos. A plumagem é mais clara, apresentando um tom azul esverdeado um pouco desbotado, na cabeça, pescoço, costas e barriga, garganta e peito acinzentados, parte superior das asas e cauda num azul brilhante e parte inferior das asas e cauda completamente negras. Habitat – campos abertos, baixadas com palmeiras e matas ciliares ao longo dos rios. Ocorrência – distribuída numa pequena faixa entre a província de Corrientes na Argentina, fronteira com o Paraguai, província de Artigas no Uruguai e os estados brasileiros do Rio Grande do Sul e Santa Catarina. Hábitos – vista aos pares, juntando-se a grupos para se alimentar nas palmeiras, onde os frutos verdes, também lhe proporcionavam uma boa camuflagem. Alimentação – frutos das palmeiras como o butiá e o tucum, ou frutas da estação. Reprodução – é desconhecido o período de reprodução, sabe-se que aninhava em ocos das árvores, nas fendas ou cavidades dos penhascos de arenito ou até mesmo nos barrancos dos rios Ameaças – ameaçada de extinção. As prováveis causas da extinção da arara-azul-pequena pode ter sido a baixa densidade populacional ocasionando um esgotamento genético, a caça e o tráfico de animais.

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ARARA CANINDÉ (Ara ararauna)

Características – mede aproximadamente 80 centímetros e pode pesar até 1,2 kg. Sua plumagem superior é de cor azul e sua barriga amarela. A face é branca. A garganta e fileiras de penas faciais negras. O bico é negro, forte, alto e recurvado, e a língua grossa é sensível e riquíssima em papilas gustativas. Habitat – florestas, várzeas com buritizais, babaçuais e beira de mata. Ocorrência – América Central, América do Sul, sendo no Brasil até o estado de São Paulo. Hábitos – voz estridente, não chega a pronunciar tão exatamente as sílabas "a-ra- ra", que é a voz comum a todas as espécies deste gênero. Utilizam o bico como um terceiro pé que quando trepam nos galhos. A melhor defesa que possui é ficar imóvel e calada. Vivem geralmente aos pares, podendo formar também grupos de mais de 30 indivíduos. Alimentação – sementes, frutas e larvas de insetos. Reprodução – formam casais que são fiéis por toda a vida, estes casais botam uma vez por ano dentro de oco de árvore de 03 a 04 ovos, dos quais saem depois de 30 dias 02 a 03 filhotes. Os filhotes saem do ninho com 13 semanas de vida e são totalmente dependentes dos pais. Ameaças – ameaçada de extinção. As araras estão entre as aves mais apreciadas para servirem de animais de estimação e entre elas a canindé é a mais comum de ser encontrada na Europa e Estados Unidos, a maioria delas proveniente do tráfico que é hoje maior perigo para espécie. As maiores ameaças para esta arara estão relacionadas a destruição do habitat,

principalmente no Cerrado. A devastação de áreas com vegetação nativa, incluindo os buritizais, implica na redução dos locais disponíveis e adequados para sua reprodução, tendo em vista seu hábito especializado na utilização de ocos de buritis como ninhos. O comércio ilegal também exerce pressão significativa sobre a espécie, sendo possivelmente a arara mais comum encontrada em cativeiro.

ARARAJUBA (Guaruba guarouba)

Características – m ede aproximadamente 34 cm e pesa em torno de 200gr a 300gr. Do porte de um papagaio pequeno, porém com a cauda maior, sua plumagem é amarela dourada, tendo somente as penas do final das asas, verde escura. Possui o bico de cor clara. Sua cauda é longa com penas de tamanho desigual e bico curvo. Suas pernas são rosas. Tendo em vista sua ocorrência ser atribuída apenas ao Brasil e sua cores correspondem às existentes na bandeira nacional, esta ave é considerada como símbolo do Brasil. Não há dimorfismo sexual, machos e fêmeas são iguais. Podem viver até 30 anos. Habitat – florestas tropicais. Endêmica da floresta Amazônica. Ocorrência – do Maranhão ao oeste do Pará e através do Baixo Xingu ao Tapajós Hábitos – vivem em grupos de 4 a 10 indivíduos. Podem ser vistas também em pares. Os casais são monogâmicos, ou seja, vivem juntos por toda a vida. Vivem nas matas em árvores bem altas, nos buracos altos e bem profundos das árvores. Animais silenciosos, se seguram pelo bico, pendurando-se nos galhos. Alimentação – sementes e frutos. Na natureza seu alimento predileto é o coco do açaí. Reprodução – atingem a maturidade aos 3 anos. A i ncubação dura cerca de 26 dias com postura de 1 a 3 ovos. O período de reprodução vai de setembro a dezembro. Os filhotes, que são alimentados pelos pais até depois de saírem do ninho por mais ou menos 15 a 20 dias. Quando saem do ninho já estão emplumados. Normalmente o casal permanece junto dos filhotes dentro do ninho. Os filhotes nascem sem penas e depois ficam com penas amarelas com algumas manchas verdes.

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Ameaças – está ameaçada de extinção pela destruição do seu habitat e a intensa captura como ave ornamental.

ARARA VERMELHA GRANDE (Ara chloroptera)

Características – mede aproximadamente 90 cm de comprimento e pesa cerca de 1,5kg. Possui plumagem predominantemente vermelha, com as penas das asas em azul (coberteiras maiores e primárias), e verde (coberteiras menores, secundárias e terciárias), face branca com fileiras de penas vermelhas. Habitat – matas e áreas de capões florestais, podendo, eventualmente, ser avistada em áreas mais abertas (tipo savanas). Ocorrência – desde o sul do Panamá, passando pela Bolívia, Colômbia, Peru, Paraguai indo até a Mata Atlântica no Espírito Santo e Rio de Janeiro. Atualmente, é muito rara nas florestas costeiras, sendo mais comumente encontrada nos estados de Mato Grosso, Goiás e região amazônica. Hábitos – vivem agrupadas em casais ou em pequenos grupos de até 12 indivíduos. Alimentação – frutos e sementes procurados nas copas de árvores. Podem eventualmente ingerir barro para minimizar o efeito tóxico de algumas plantas e complementar a dieta com sais minerais. Reprodução – pode construir o ninho em ocos de grandes árvores ou paredões de pedra. A reprodução ocorre na estação chuvosa, podendo a fêmea coloca geralmente 2 ovos e o período de incubação é de 30 dias. Ameaças – a destruição do ambiente é provavelmente a maior ameaça para a espécie, visto que precisa de grandes áreas de mata ou capões para viver. O desaparecimento desta arara das florestas próximas ao litoral brasileiro deve

estar relacionado ao desmatamento acentuado da vegetação original, resultando em fragmentos de mata incapazes de sustentar uma população. A espécie também está sujeita à perseguição para fomentar o comércio ilegal de aves.

ARARA VERMELHA PEQUENA (Ara macao)

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Características – mede aproximadamente 84 cm. Possui grande área amarela na asa; face branca, inteiramente nua (sem a presença de fileiras de penas vermelhas). Cor geral vermelha com a plumagem bem mais brilhante que a arara vermelha grande. Habitat – florestas tropicais Ocorrência – México, Bolívia e Brasil, da Amazônia até o norte do Mato Grosso, sudeste do Pará. Hábitos – emite grito estridente enquanto voa, mas se alimenta quietamente. Durante à noite, repousa junto de outros indivíduos da espécie. Vivem em grupos, podendo misturar-se a bandos de outras araras. Alimentação – sementes e frutas. Come plantas que se descobriu serem venenosas. Cientistas acreditam que ele neutralize este veneno, comendo barro das fontes da água salobra. Reprodução – incubação dura cerca de 25 dias, com postura de 01 a 03 ovos. Nidifica em ocos de árvores quase sempre há mais de 10 metros de altura e o período de reprodução varia com a região de ocorrência. Ameaças – captura para venda como animal ornamental e na destruição do seu ambiente são as maiores ameaças da espécie. Aparece nas primeiras gravuras que ilustram as reportagens da descoberta do novo mundo.

ARARINHA AZUL (Cyanopsitta spixii)

Características – mede cerca de 60 cm de comprimento, pesando em torno de 350g. Sua plumagem é azul-acinzentada, mais clara na região da cabeça e pescoço, sendo as plumas das asas e cauda mais escuras, o bico é negro e mais delicado. Possui a pele da região ocular de cor negra, como uma máscara, e os olhos são amarelos. O bico é menor em relação as outras espécies e tem uma particularidade única, tem uma parte de pele nua de cor cinzento escura que vai desde a parte superior do bico até ao olho, esta parte cinzenta deixa sobressair a cor amarela da íris do olho. Habitat – ave endêmica da caatinga, intimamente associada a riachos estacionais. Vive em áreas mais úmidas do sertão, próxima a riachos estacionais, matas ciliares onde a vegetação é mais alta do que a caatinga, preferindo árvores como as caraibeiras. Ocorrência – é endêmica da região nordeste da Bahia, ao sul do rio São Francisco, próximo ao município de Curaçá/ BA. Hábitos – vivem aos pares nas árvores mais altas, como as caraibeiras e buritis.

Alimentação – sementes e frutos do pinhão e da favela. Reprodução – nidifica em ocos da caraibeira, e sua reprodução está associada a distribuição das chuvas, ocorrendo normalmente de dezembro à março, nascendo geralmente dois filhotes. Sua postura é de 3 a 4 ovos, e a maturidade sexual é atingida entre os 4 e 5 anos. Seus ovos medem aproximadamente 35 mm de diâmetro. Ameaças – ameaçada de extinção. O tráfico de animais silvestres e a baixa densidade populacional são as principais ameaças. A população de ararinhas hoje gira em torno de 60 indivíduos, distribuídos em países como as Filipinas, Espanha e Suíça. No Brasil, existem dois machos no zoológico de São Paulo e um casal com dois filhotes no criadouro Chaparral de Recife/ PE. É a Arara mais rara do mundo! O último exemplar selvagem conhecido dessa espécie e que habitava a região de Curaçá, no sertão da Bahia, desapareceu em outubro de 2000. Este macho de tão solitário (pois sua espécie é gregária, vivendo em grupos) acabou acasalando com uma fêmea de Maracanã (Ara maracana), que também vive no mesmo habitat.

ATOBÁ (Sula leucogaster)

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Características – também conhecido como alcatraz, mergulhão, mumbebo, freira, piloto, piloto-pardo. Coloração marrom escura com parte interna das asas e barriga branca. Mede 74 cm. Bico e pernas amarelas. Diferenciam-se os sexos pela cor ao redor dos olhos (azul escuro no macho e amarelo-claro com mancha negra na fêmea). Habitat – ilhas e rochedos litorâneos. Ocorrência – Brasil Hábitos – pesca mergulhando de média altura, geralmente em águas rasas, perto de praias e rochedos, submergindo por completo. São exímios mergulhadores. É bastante arisco, mostrando-se inquieto á aproximação humana. Alimentação – sardinhas, anchoveta, maria-luisa e até lulas. Reprodução – reproduz principalmente no mês de Agosto, ambos os sexos cuidam dos ovos e filhote. São dois ovos, mas só um filhote é criado, o segundo é de "segurança" e, quando o primeiro eclode é jogado fora do ninho. Ninhos confeccionados com pedras e material vegetal nos paredões e ao longo das praias junto aos blocos de pedras. Tempo de incubação de 45 dias. O filhote é alimentado, até cerca de 4 meses, com peixes, lulas, regurgitados pelos pais.

AZULÃO (Passerina brissonii)

Características – mede 15,5 cm de comprimento, é um pássaro belíssimo e também excelente cantor. Habitat – campos e proximidades de matas. Ocorrência – Espírito Santo, Rio de Janeiro, São Paulo, Minas Gerais, Goiás, Paraná e Rio Grande do Sul. Hábitos – o casal troca alimento, quando um deposita no bico do outro sementes já descascadas. Alimentação – sementes Reprodução – reproduzem-se na primavera-verão, construindo o ninho a pouca altura do solo. Ameaças – destruição do habitat e caça para o tráfico de animais para atender apreciadores de pássaros canoros que os mantém em gaiolas.

BACURAU ou CURIANGO (Caprimulgus cayennensis)

Características – mede em torno de 35 cm. Caracterizam-se por terem a unha do dedo médio provida de um verdadeiro pente em miniatura. O colorido predominante é o ferrugíneo e a cor de canela, sobre fundo cinzento com ondulações e desenhos de escamas escuras. Habitat – gosta de lugares quentes Ocorrência – no mundo inteiro, principalmente na América do Sul (incluindo o Brasil), América Central (até o México). Hábitos – noturnos. Dormem em árvores, normalmente em tronco oco ou em árvores velhas e no chão. Constroem o ninho no solo, protegido por moitas, sem muito cuidado. Quando está descansando fica tão imóvel que muitas vezes é confundido com os galhos da árvore onde está. Alimentação – caçam durante a noite voando com a boca aberta e comem insetos até o amanhecer. Reprodução – a postura normalmente é caracterizada por 2 ovos, sempre brancos e com alguns salpicos de cor

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violeta, postos sem muito cuidado no chão, quando muito protegidos por uma moita

BATUÍRA DE BANDO (Charadrius semipalmatus)

Características – também conhecido como maçarico, maçarico-de-coleira, agachada, otuí-tuí ou pinga-pinga. Plumagem dorsal marron-escura com ventre branco e faixa escura no pescoço como uma coleira. Fronte branca. Bico amarelado e delgado adaptado para capturar vermes e pequenso crustáceos na areia e no lodo. Habitat – praias lodosas ou arenosas do litoral Ocorrência – em toda a costa brasileira até a Argentina Hábitos – ave migratória, visitante norte-americano comum. Alimentação – vermes e pequenos moluscos e crustáceos Ameaças – poluição e destruição do habitat.

BA’TUIRUÇU (Pluvialis dominica)

Características – maçarico grande, procedente do Ártico. Mede 26 cm de comprimento. Os adultos chegam com restos da plumagem reprodutiva (lado inferior negro) em setembro. Sexos semelhantes. Habitat – áreas secas com grama curta (ex.: campos de aviação e de futebol).

Ocorrência – abundante no Brasil central. Suas migrações estendem-se até a Argentina e Chile. Ocorre também no Velho Mundo. Alimentação – predominantemente animal Reprodução – nidificam em uma cavidade esgravatada no solo. Os ovos têm formato de pião ou pêra, forma adequada para rolarem ao redor de seu próprio eixo e não lateralmente. São manchados, confundindo-se perfeitamente com o solo. Quando os adultos são espantados no ninho fingem-se de feridos a fim de desviar dali o inimigo. O macho, torna-se agressivo até mesmo a um homem. Filhotes nidífugos.

BEIJA-FLORES

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Beija-flor azul de rabo branco (Florisuga mellivora)

Beija-flor estrela de bico preto longo (Heliomaster longirostris)

Características – ao todo são conhecidas 323 espécies. No Brasil temos 145 formas que compreendem 86 espécies e 59 subespécies. Na maioria da espécies há dimorfísmo sexual, isto é diferenças aparentes entre macho e fêmea. O macho tem cores vivas e reluzentes enquanto a fêmea tem cores mais opacas e uniformemente distribuídas. Possuem bico alongado, extremamente adaptado para sugar o néctar das flores. Seus pés são pequenos, o que os impede de pousar no chão ou “andar”. Aliás, por isso pousam em ramos muito finos. Sua batida cardíaca é muito rápida, assim como suas asas, o que lhes consome muita energia, daí porque têm que estar a todo momento alimentando-se. O que por sua vez exige muita energia, já que tem que ficar pairado no ar. Na verdade é um círculo interligado alimentação/dispêndio de energia/alimentação. Seu enorme coração, que representa de 19 a 22% do peso total do corpo, facilita a rápida circulação do sangue. Desenvolvem velocidades médias que vão de 30 a 70 Km por hora e a vibração das asas pode atingir 50 a 70 batidas por segundo. São as únicas aves que conseguem ficar literalmente paradas no ar, decolar e aterrissar verticalmente, e até dar marcha à ré em pleno vôo. Ao dormir entra em estado de torpor quando seu ritmo cardíaco cai muito. O espetacular colorido dos beija-flores origina-se do fenômeno da refração da luz, através da microestrutura das penas. As mudanças de cores, observadas numa mesma ave, variam de acordo com o ângulo de incidência da luz solar ou com a movimentação do corpo. Habitat – vivem nos mais variados lugares e ecossistemas como florestas, desertos, cerrados e mesmo próximo ao gelo. Ocorrência – existem apenas no continente americano, distribuindo-se do Alaska à Terra do Fogo na Argentina. É na região tropical que ocorrem mais espécies.

Hábitos – são extremamente ágeis, rápidas e belicosas que não se intimidam com inimigos maiores como gaviões, os quais atacam como balas deixando-os aturdidos e temerosos. É muito comum vermos estas pequenas aves perseguindo no ar as aves de rapina, para afastá-las das proximidades de seu ninho. N ão é difícil vê-los “tomando banho” em algum riacho na mata. Pairam a alguns centímetros do espelho d'água e dão rápidos “mergulhos superficiais”, molhando rapidamente as penas. Após, dois ou três destes mergulhos param em um galho próximo e arrumam cuidadosamente as penas. Atraídos principalmente pelas flores vermelhas, são eles grandes polinizadores e portanto responsáveis pela reprodução de muitas espécies de plantas. Hábeis acrobatas, são quase imperceptíveis quando passam “zunindo” próximo de nós, tão grande é sua velocidade. Suas azas tornam-se praticamente invisíveis quando pairam no ar . Aliás, são as únicas aves que voam para trás. Alimentação – a dieta principal é constituída pelo néctar das flores. Podem alimentar-se de pequenos insetos. Num único dia, eles são capazes de ingerir, em substâncias nutritivas, até 8 vezes o peso do seu corpo. Reprodução – a construção do ninho é trabalho a ser executado pela fêmea, assim como da incubação dos ovos, os quais são normalmente em número de dois. Também é ela sozinha que trata da difícil tarefa que é alimentar os filhotes. Os ninhos são feitos de paina, reforçados com fios de seda produzido por aranhas e cobertos de liquens para confundi-los com o ambiente, o que os tornam mestres nesta arte. Normalmente os beija –flores fazem seus ninhos a pouca altura, sendo comum encontrá-los a um metro do solo, às vezes até menos. Encontrar um ninho de beija-flor em seu habitat natural é dificílimo. Em uma floresta é quase impossível, a

Beija-flor de frente preta (Anthracothorax nigricollis)

Beija-flor de rabo branco (Phaethornis pretrei)

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não ser que a pessoa seja um

Beija-flor garganta rubi (Clytolaema rubricauda)

especialista e tenha muita sorte. Mas, surpreendentemente podemos encontrar ninhos de algumas espécies nas habitações humanas, aí a sua observação torna-se fácil. Dependendo do gênero e da espécie o ninho é feito: em forma de uma tigela sólida , colocada em um galho horizontal, ou sobre uma folha como de uma helicônia; em forma de tigela alongada fixada em uma raiz embaixo de um barranco; em fo rma alongada dependurada na parte inferior de uma folha larga como de bananeira. A incubação dura de 16 a 17 dias e os filhotes permanecem no ninho de 20 a 30 dias. Curiosidades - os indígenas deram nomes muito sugestivos para os beija-flores, que descreviam com perfeição esses pássaros encantadores: para os índios caraíbas, eles eram os “colibris”, que significa “área resplandecente”; os tupis os batizaram de “guainumbis”, ou seja, “pássaros cintilantes”; já para os índios guaranis, os beija- flores eram os “mainumbis”, isto é, “aqueles que encantam, junto à flor, com sua luz e esplendor”. Dizem que Igor Sirkorski, que inventou o helicóptero, baseou suas idéias na observação contínua do vôo dos beija-flores. No entanto, o helicóptero não pode voar de cabeça para baixo. Os beija-flores podem. Predadores naturais – aves de rapina, tucanos, gambás, etc. Ameaças – destruição do habitat, caça e agrotóxicos. Infelizmente, em algumas regiões do Brasil, ainda são caçados com redes para se fazer “passarinhada”.

Como atraí-los – se for possível, procure atraí-los com o plantio de espécies vegetais apropriadas (veja sugestões no item “plantas que atraem beija-flores”). Caso contrário utilize-se de bebedouros apropriados tomando certos cuidados para não prejudicá-las, ao invés de contribuir com a manutenção das espécies. Aí vão algumas sugestões: esses bebedouros feitos de garrafas plásticas ou vidro com um orifício onde a água com açúcar sai, devem ser extremamente limpos e lavados diariamente, porque a sujeira acumulada propicia o desenvolvimento de fungos que acabam matando os pássaros. A mistura deve ser trocada diariamente para não fermentar o que sobra. Fungos e bactérias surgem com a fermentação decorrente do uso do açúcar ou mel. O tempo que esse alimento fica no bebedouro leva à fermentação, que provoca problemas no bico do pássaro. Recomenda-se, portanto, lavar todas as partes do bebedouro com água e sabão, se possível todos os dias, e enxaguar bem. Uma vez por semana, deve-se fazer uma lavagem mais intensiva, colocando o bebedouro de molho numa solução de água sanitária e enxaguar bem para eliminar odores e resíduos. Trocar a água doce todos os dias é o melhor conselho. Não é preciso colocar muita água: é melhor colocar um pouco todos os dias, do que encher o bebedouro. As abelhas geralmente atacam os bebedouros quando a água está muito doce, ou seja, quando exageramos mesmo na quantidade de açúcar. O ideal é usar uma solução fraca de açúcar ou mel. Deve-se colocar no bebedouro cerca de 20% de açúcar e o restante com água, de preferência filtrada ou clorada. Se no local houver muitos beija-flores visitando-as, é melhor colocar várias garrafas, pois eles são muito territorialistas e muitas vezes chegam a brigar de tal forma que um ou outro acaba morrendo pelos ferimentos recebidos. Se você passa

Beija-flor topázio (Topaza pella)

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Beija-flor preto e branco (Melanotrochilus fuscus)

Beija-flor verdinho de bico vermelho (Chlorostilbon aureoventris)

Beija-flor vermelho (Chrysolampis mosquitus)

alguns dias em sua casa de campo ou sítio, retire os bebedouros quando for embora, para que não se tornem um perigo às aves, já que abandonados por alguns dias a água fermentará e com restos de insetos apodrecidos, tornar-se-ão verdadeiros potes de veneno. Evite os bebedouros que possuem aquelas flores de plástico colorido com a finalidade de atrair os beija-flores. Essas flores artificiais atraem na realidade os fungos que são prejudiciais aos pássaros. Retire estas flores. Os beija-flores se acostumarão rapidamente com os bebedouros, sem a necessidade delas.

Plantas que atraem beija-flores - jardins bem floridos são um grande atrativo para estas aves que procuram o néctar das flores.

- Ornamentais:

• Afelandra-amarela - Aphelandra squarrosa • Agapanto - Agapanthus africanus • Alpínia – Alpinia zerumbet • Asistácia – Asystasia spp. • Brinco-se-princesa – Fuchsia hybrida • Caliandra - Calliandra spp. • Camarão-amarelo – Pachystachys lutea • Clerodendro-vermelho - Clerodendrum splendens • Cipó-de-São-João – Pyrostegia venusta • Falmboiãzinho – Caesalpinia pulcherrima • Glicínia – Wisteria sinensis • Hibisco – Hibiscus rosa-sinensis • Ixora – Ixora chinenses • Lágrima-de-Cristo – Clerodendrum thomsonae • Lantana – Lantana spp. • Lanterninha-japonesa - Abutilon megapotamicum • Madressilva - Lonicera japonica • Malvavisco - Malvaviscus arboreus • Maria-sem-vergonha – Impatiens walleriana • Mussaenda-vermelha - Mussaenda erythrophylla • Penta – Penta spp. • Russélia - Russelia equisetiformis • Sálvia - Salvia splendens • Sininho – Abutilon venosum

- Árvores:

• Corticeira - Erythrina crista-galli • Diadema - Stifftia chrysantha • Flamboyant – Delonix regia • Grevilea-anã - Grevillea banksii • Ipê-amarelo – Tabebuia chrysotricha • Ipê-roxo – Tabebuia avellanedae • Jacarandá-mimoso – Jacarandá mimosaefolia • Jambeiro – Syzygium malaccense • Laranjeira – Citrus sienesis • Paineira – Chorisia speciosa • Pata-de-vaca - Bauhinia blakeana • Romãzeira – Punica granatum • Suinã-do-litoral - Erythrina speciosa

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• Sibipiruna – Caesalpinia peltophoroides

Espécies de beija-flores que ocorrem no Brasil

1. Amazilia chionogaster, Beija-flor-verde-branco 2. Amazilia chionopectus , Beija-flor-verde-branco-de-bico-preto 3. Amazilia fimbriata, Beija-flor-verde-de-cauda-negra 4. Amazilia lactea, Beija-flor-verde-de-peito-azul 5. Amazilia leucogaster, Beija-flor-de-barriga-branca 6. Amazilia versicolor, Beija-flor-verde-furta-cor 7. Amazilia viridigaster, Beija-flor-verde-de-cauda-cobre 8. Anthracothorax nigricollis, Beija-flor-de-frente-preta 9. Anthracothorax viridigula, Beija-flor-de-garganta-verde 10. Aphantochoroa cirrhochloris, Beija-flor-cinza 11. Augastes lumachellus, Beija-flor-de-gravata-vermelha 12. Augastes scutatus, Beija-flor-de-gravata-verde 13. Avocettula recurvirostris, Beija-flor-de-bico-virado 14. Calliphlox amethystina, Besourinho-ametista 15. Campylopterus duidae, Asa-de-sabre-de-peito-camurça 16. Campylopterus hyperythrus, Asa-de-sabre-canela 17. Campylopterus largipennis, Asa-de-sabre-cinza 18. Chlorestes notatus, Beija-flor-de-mento-azul 19. Chlorostilbon aureoventris, Verdinho-de-bico-vermelho 20. Chlorostilbon mellisugus, Beija-flor-verdinho 21. Chrysolampis mosquitus, Beija-flor-vermelho 22. Chrysuronia oenone , Beija-flor-verde-azul-de-cauda-dourada 23. Clytolaema rubricauda, Garganta-rubi 24. Colibri coruscans, Beija-flor-orelhudo-violeta-e-verde 25. Colibri delphinae, Beija-flor-marrom-de-orelha-azul 26. Colibri serrirostris, Beija-flor-de-orelha-violeta 27. Discosura longicauda, Bandeirinha 28. Doryfera johannae, Bico-de-lança-de-fronte-azul 29. Eupetomena macroura, Tesourão 30. Florisuga mellivora, Beija-flor-azul-de-rabo-branco 31. Glaucius dohrnii, Balança-rabo-canela 32. Glaucius hirsuta, Balança-rabo-de-cauda-marrom 33. Heliactin cornuta, Chifre-de-ouro 34. Heliodoxa gularis, Beija-flor-de-garganta-rosa 35. Heliodoxa schreibersii , Beija-flor-de-estrela-verde 36. Heliodoxa xanthogonys, Beija-flor-veludo 37. Heliomaster furcifer, Bico-grande-azul-violeta 38. Heliomaster longilostris , Estrela-de-longo-bico-reto 39. Heliomaster squamosus, Estrela-verde-azulado 40. Heliothryx aurita, Beija-flor-verde-branco-de-orelha-preta 41. Hylocharis chrysura, Beija-flor-de-ouro 42. Hylocharis cyanus, Beija-flor-roxo-de-bico-vermelho

Tesourão (Eupetomena macroura)

Topetinho leque canela (Lophornis ornata)

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Beija-flor de cauda marron (Glaucis hirsuta)

Beija-flor orelhudo violeta verde (Colibri coruscans)

43. Hylocharis sapphirina, Beija-flor-de-mento-marrom 44. Klais guimeti, Beija-flor-cabeça-roxa 45. Leucippus chlorocercus, Beija-flor-pintado-de-oliva 46. Leucochloris albicollis, Beija-flor-papo-branco 47. Lophornis chalybea, Topetinho-verde 48. Lophornis gouldii, Topetinho-do-leque-pontilhado 49. Lophornis magnifica, Topetinho-de-leque-branco 50. Lophornis ornata , Topetinho-de-leque-canela 51. Lophornis pavonina, Topetinho-pavão 52. Melanotrochilus fuscus, Beija-flor-preto-e-branco 53. Phaethornis augusti , Rabo-branco-de-barriga-cinza 54. Phaethornis bourcieri, Rabo-branco-de-bico-reto 55. Phaethornis eurynome, Rabo-branco-da-mata 56. Phaethornis gounellei, Besourinho-de-cauda-larga 57. Phaethornis griseogularis, Besourinho-de-garganta-cinza 58. Phaethornis hispidus, Rabo-branco-cinza 59. Phaethornis idaliae, Besourinho-escuro 60. Phaethornis longuemareus, Besourinho-dorso-verde 61. Phaethornis malaris, Rabo-branco-de-bico-grande 62. Phaethornis maranhaoensis, Rabo-branco-do-Maranhão 63. Phaethornis nattereri, Besourinho-cinamomo 64. Phaethornis ochraceiventris, Rabo-branco-de-bico-vermelho 65. Phaethornis philippi, Besouro-vermelho-da-mata 66. Phaethornis pretrei, Beijja-flor-de-rabo-branco 67. Phaethornis ruber, Marronzinho 68. Phaethornis rupurumii, Rabo-branco-de-garganta-estriada 69. Phaethornis squalidus, Rabo-branco-pequeno-da-mata 70. Phaethornis subochraceus, Rabo-branco-cor-camurça 71. Phaethornis superciliosus, Besourão-de-rabo-branco 72. Polyplancta aurescens, Beija-flor-estrelado 73. Polytmus guainumbi, Beija-flor-verde-de-bico-curvo 74. Polytmus milleri , Beija-flor-verde-de-garganta-dourada 75. Polytmus theresiae , Beija-flor-de-cauda-verde 76. Popelairia langsdorffi , Besourinho-de-rabo-grande 77. Ramphodon naevius , Beija-flor-grande-do-mato 78. Stephanoxis lalandi , Beija-flor-de-topete-verde 79. Taphrospilus hypostictus , Beija-flor-sarapintado 80. Thalurania furcata , Beija-flor-tesoura-roxeado 81. Thalurania glaucopis , Beija-flor-de-fronte-azul 82. Thalurania watertonii , Beija-flor-tesoura-dorso-violeta 83. Thhrenetes leucurus , Balança-rabo-de-cauda-branca 84. Threnetes loehkeni , Balança-rabo-de-cauda-escura 85. Topaza pella, Beija-flor-topázio 86. Topaza pyra, Topázio-de-cauda-negra

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BEM-TE-VI (Pitangus sulphuratus)

Características – conhecido também como bem-te-vi-de-coroa e bem-te-vi- verdadeiro, mede 20,5 a 23,5 cm. Provavelmente o pássaro mais popular de nosso País. Com plumagem de coloração parda no dorso e amarelada no ventre, sobrancelha branca muito visível na grande cabeça, possui uma listra no alto da coroa varia de amarelo-claro a laranja-vivo. Habitat – é comum em uma série de ambientes abertos, como cidades, árvores à beira d'água, plantações e pastagens. Em regiões densamente florestadas habita margens e praias de rios. Ocorrência – em todo o Brasil e também desde o sul dos Estados Unidos a toda a América do Sul. Hábitos – é migratório em algumas regiões. É bastante agressivo e barulhento, pousando geralmente à pouca altura em galhos ou outros locais isolados. Seu nome popular é onomatopaico, pois ele emite um chamado curioso, no qual parece pronunciado com clareza: "Bem-te-vi. O ninho do Bem-te-vi fica em lugar visível e é feito de todos os tipos de plantas, freqüentemente com capim. Este pássaro defende seu ninho vigorosamente e, ele será agressivo com outros pássaros mesmo que não tenha nenhum ninho. É comum ver um Bem-te-vi perseguindo um pássaro que ele, sobretudo corujas e rapineiros, que afugenta para longe. Entretanto, um colibri poderia perseguir um Bem-te-vi e colocá-lo para fora. Alimentação – predominantemente de insetos e frutos, incluindo até mesmo peixes. Come todo o tipo de comida, devora centenas de insetos diariamente mas também fruta e flores de um jardim, ovos de outros passarinhos, minhocas, outros bichos (até cobras). Reprodução – faz ninho grande e esférico, de gramíneas, com entrada lateral, porém já foram encontrados ninhos em formato de xícara aberta. Põe de 2 a 4 ovos de cor creme com poucas marcas marrom-avermelhadas.

BICUDO (Oryzoborus maximiliani)

Características – mede 15,0 cm de comprimento. Quanto ao canto e a cor do bico, ocorrem variações regionais e individuais. O macho tem plumagem preta, apresentando apenas uma malha branca na asa e de bico claro. A fêmea tem plumagem pardacenta, mais escura no dorso e bico mais escuro, acinzentado. Habitat – áreas alagadas onde exista o capim-navalha (Hypolytrum pungens) ou o capim-navalha-de-macao (Hypolytrum schraderianum) ou o capim-tiririca (Cyperus rotundus). Ocorrência – Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Goiás, Minas Gerais e Bahia. Hábitos – seu canto lembra o som de uma flauta, muito apreciado entre os criadores de pássaros canoros. É atualmente no Brasil um dos pássaros canoros mais afamados e procurados. Tem um acentuado instinto territorialista. Alimentação – sementes Reprodução – reproduz-se na primavera-verão. Ameaças – ameaçado de extinção pela caça, destruição do habitat e tráfico de animais para atender a apreciadores de pássaros canoros que os mantém em gaiolas.

BIGUÁ (Phalacrocorax brasilianus)

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Características – mede 75 cm, seu peso é de 1,3 kg (macho). Plumagem escura-preta, saco gular amarelo. Na época da reprodução apresenta penas brancas beirando a garganta nua e com um tufo branco atrás da região auricular. Imaturos apresentam cor de fuligem. Habitat – lagos, grandes rios e estuários Ocorrência – do México à América do Sul. Hábitos – são ótimos mergulhadores, realizando grandes mergulhos, reúnem- se para pescarias coletivas e estratégicas. Todos nadam lado a lado no mesmo sentido, bloqueando um canal ou uma enseada fluvial. Descansam pousando na beira da água, sobre pedras, árvores, estacas. Esticam as asas como os urubus. Não se afastam da costa para se aventurarem ao mar. Alimentação – piscívoros, apanham freqüentemente presas sem valor comercial como, por exemplo, peixes providos de acúleos. O suco gástrico do biguá é capaz de desagregar espinhas. Reprodução – nidifica sobre árvores em matas alagadas, matas ciliares, às vezes entre colônias de garças. Ovos pequenos cobertos por uma crosta calcária branco-azulada. Incubação em torno de 24 dias. Ameaças – poluição

BIGUATINGA (Anhinga anhinga)

Características – mede 88 cm, pesando de 1,2 a 1,5 kg. Macho com coloração negra e rico desenho branco sobre a asa, ponta da cauda clara (acinzentada). Fêmea de pescoço e peito pardacento-claros. Indivíduos jovens de dorso pardo, quase não possuindo branco na asa, e de bico amarelo. O imaturo possui o dorso pardo e o bico amarelo-claro, um pouco enegrecido. Habitat – rios e lagos orlados de mata. Aparece em represas que possuem muitos peixes. Ocorrência – América do Sul tropical e em todo o Brasil; setentrionalmente até o México e sul dos EUA. Hábitos – quando não pescam, nadam devagar, deixando emerso apenas um pouco do pescoço e a cabeça ou somente esta última, que é tão estreita que parece continuação daquele, dando a impressão de estarmos defronte de uma cobra d'água. Foge mergulhando como o biguá. Empoleirado permanece freqüentemente de asas abertas. A razão de esticar as asas deve ser tripla: secar as asas, acumular calor em horas de temperatura baixa e se livrar de um excesso de calor. Pousa sobre árvores altas e secas. Alimentação – insetos aquáticos, crustáceos, que apanham com rápido bote, com o bico, sem deixar o poleiro. Mergulham na perseguição de peixes. Reprodução – vivem aos casais, às vezes em colônias de garças. Constrói o ninho sobre árvores. Os ovos são alongados, uniformemente brancos. Fora da época de reprodução encontram-se em bandos ou esparsos entre os biguás. Ameaças – poluição

BOBO (Puffinus puffinus)

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Características – também conhecido como bobo-pequeno, pardela, corva ou fura-buxo Habitat – rochedos litorâneos Ocorrência – Atlântico meridional Hábitos – pelágicos, é visitante ocasional das costas, onde permanece alguns meses nas águas brasileiras. Alimentação – piscívoro Reprodução – nidifica na Europa e migra durante o inverno setentrional para o Atlântico Sul do Brasil. Ameaças – poluição

CABURÉ (Glaucidium brasilianum)

Características – a menor das nossas corujas medindo 16,5 cm de comprimento. Plumagem amarronzada no dorso e esbranquiçada com manchas marrons na face inferior do corpo. Quase não existe diferença entre os sexos, sendo a fêmea um pouco maior que o macho. Habitat – regiões florestadas, beira de mata e cerrado Ocorrência – quase todo o Brasil Hábitos – v ocaliza tanto a noite quanto de dia Alimentação – aves menores, rãs, lagartixas e pequenas serpentes. Reprodução – constrói o ninho em árvores ocas ou em buracos feitos por pica-paus.

CAMBACICA (Coereba flaveola)

Características – à primeira vista é muito parecido com o bem-te-vi, só que é bem pequeno, cabendo na palma da mão. Mede 11 cm de comprimento e pesa em torno de 10 g. Plumagem da sobrancelha branca, margeada de negro, das costas e cabeça cinzento-escuros, da garganta cinzenta clara e no ventre e uropigio amarelos. Habitat – bordas de matas, áreas abertas, zonas urbanas, próximo a residências e pomares. Ocorrência – toda a América Tropical Hábitos – chama a atenção quando fica pendurado com a cabeça para baixo, tentando alcançar uma flor. O macho constrói seus ninhos esféricos apenas para dormir neles, mesmo fora do período de incubação. Alimentação – a limenta-se principalmente de néctar, sendo capaz de perfurar as flores perto de suas bases quando as flores são profundas demais. Disputa o néctar das flores com os beija-flores. Do mesmo modo, frequenta avidamente os bebedouros com água açucarada.

CANÁRIO DA TERRA (Sicalis flaveola)

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Características – mede 13,5 cm de comprimento e peso de 20g. Possui um dos cantos mais apreciados pelos passarinheiros. Plumagem caracteristicamente amarela, com dorso mais acinzentado e topo da cabeça alaranjada no macho. Habitat – bordas de matas, áreas de cerrado, campos naturais e pastagens, além de áreas cultivadas. Ocorrência – em todo Brasil com exceção da Região Amazônica. Hábitos – além da aptidão para o canto, são muito valentes e por isso, infelizmente, utilizados por alguns criminosos como "canários-de-briga". Vivem em pequenos bandos. Alimentação – sementes Reprodução – reproduzem-se na primavera-verão. Não são muito hábeis na construção do ninho, contentando-se com ocos de paus, forrando-os com palhas e plumas mal escolhidas. Prefere tomar conta de ninhos abandonados por outras espécies. Ameaças – caça e tráfico de animais.

CARCARÁ (Polyborus plancus)

Características – é um falcão de pernas e pescoço compridos. De cor parda, ele apresenta manchas brancas na garganta, peito e cauda, e possui uma crista negra no alto da cabeça. Mede de 50 a 60 cm de comprimento, possuindo manchas mais claras nas pontas das asas. Cara vermelha Habitat – regiões abertas, próximas de residências, estradas e áreas cultivadas, principalmente em terrenos arados recentemente. Ocorrência – desde o extremo sul dos Estados Unidos, México até a América do Sul. Hábitos – ele tem pernas fortes e passa a maior parte do tempo no solo. Freqüentemente é visto pousando no meio das estradas e nas cercas. Alimentação – a invenção do automóvel trouxe grande benefício para o carcará. Este grande pássaro consegue bom suprimento de alimento dos restos de animais atropelados nas rodovias. O carcará é um limpa-estradas. Come tudo o que acha, desde as carcaças de cadáveres comidos pelos corvos, até insetos e lesmas. Seu sistema digestivo é poderoso e o que não consegue digerir é regurgitado sob a forma de pelotas.

CARDEAL (Paroaria coronota)

Características – mede 18cm de comprimento. Pássaro de extraordinária beleza física e sonora. De colorido cinzento no dorso e branco no ventre. A cabeça é de cor vermelha com penas alongadas em penacho para cima. Habitat – bordas de arrozais, campos com vegetação alta e bordas de matas. Podem ser vistos em áreas urbanas também. Ocorrência – Rio Grande do Sul e Mato Grosso do Sul. Hábitos - Os cardeais são territorialistas no período de reprodução e, assim como a maioria dos pássaros canoros, formam bandos na época de muda. Alimentação – sementes Reprodução – reproduzem-se na primavera e verão Ameaças – caça para o tráfico de animais e para apreciadores de pássaros canoros que os mantém em gaiolas.

CATURRITA (Myiopsitta monachus)

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Características – mede 29 cm de comprimento e pesa cerca de 150 gramas. A mandíbula é robusta. Fronte, têmporas, faces e peito cinzentos, podendo as penas do peito chegar a branco. O abdómen é verde acinzentado. A parte superior da cabeça, nuca, costas, asas e cauda são verdes, sendo as asas e cauda de um verde mais intenso. As penas primárias são azuis e negras e as penas inferiores são de uma mistura de cinzento e verde pouco brilhantes. As aves mais novas têm a fronte cinzenta tingida de verde. Habitat – bordas de matas, campos, áreas abertas e zonas urbanas Ocorrência – deste ao centro da Bolívia, Sul do Brasil até ao centro da Argentina. Hábitos – são aves muito alegres e ativas. Vivem em bandos. Muito vocais por natureza, rapidamente aprendem a repetir palavras ou frases. Adoram assobiar e reproduzir melodias curtas. São autênticos engenheiros pois constroem seus ninhos baseados numa estrutura de troncos ou ramos de árvores. Toda a colônia trabalha conjuntamente na construção de aglomerados habitacionais, situados nas partes mais altas das árvores, que chegam a pesar um quarto de tonelada. Alimentação – sementes e frutos Ameaças – em algumas regiões, como no Rio Grande do Sul, a caça é permitida em época determinada pelo IBAMA, pois se tornou “praga” invadindo lavouras.

CHANCHÃ ou PICA-PAU DO CAMPO (Colaptes campestris)

Características – espécie grande, medindo em torno de 32 cm, com coloração amarelada no peito e nas laterais da cabeça e do pescoço. O alto da cabeça, a nuca, o bico e as pernas são negros. Barriga e mantos são barrados. São muito úteis ao homem, pois destroem grande quantidade de insetos e suas larvas que são nocivas à madeira. Habitat – regiões campestres, pastagens, alto das serras, acima da linha das florestas e nas caatingas. Ocorrência – Bolívia, Argentina, Paraguai, Uruguai e no Brasil, do nordeste ao Rio Grande do Sul e nos campos do baixo Rio Amazonas. Hábitos – vive aos pares ou em pequenos grupos. Aninham-se em orifícios que cavam em cupinzeiros, barrancos e árvores velhas. Pula através da ramaria horizontalmente como uma gralha. Quando quer fugir procura árvores, estacas ou grandes pedras. Este pica-pau é o que mais se acostumou a vida no chão, gostando até de tomar banho de poeira. Muito arisco. Alimentação – formigas e cupins. Procuram seu alimento principalmente no solo entre pedras e até sobre o piso de estrada, do alto de montículos, postes, árvores isoladas, cactáceas. Reprodução - o casal faz cavidades no tronco das árvores, de preferência mortas e nuas, ou mesmo em postes e estacas semi-apodrecidas e lá constrói seu ninho. A fêmea põe de 2 a 4 ovos que o casal choca por mais ou menos 13 dias. Os filhotes nascem nus e cegos e ficam no ninho por mais 5 semanas. Ameaças - a destruição da mata primária priva-os muito. O reflorestamento com eucaliptos e Pinus não favorece a existência dos pica-paus, o mesmo acontecendo com as capoeiras nativas, nas quais faltam árvores maiores e mais velhas para a instalação de seus ninhos para nidificarem. Os pica-paus são bastante sensíveis aos inseticidas. A existência de pica-paus pode até servir como indicador de que a respectiva biocenose (associação dos seres vivos em certa área, especialmente a alimentar) continua intacta.

CHOPIM (Molothrus bonariensis)

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Características – todo preto, o macho distinguindo-se por ter um reflexo metálico azulado. Habitat – áreas descampadas ou clareiras, onde podem observar melhor as chances de suas ações predatórias. Ocorrência – todo o Brasil Hábitos – migratório, desaparecendo na época de inverno e reaparecendo no verão. É uma ave parasita, ou seja, tem o hábito de não fazer seu próprio ninho, preferindo por seus ovos no ninho de outras aves, para que estas criem seus filhotes. Por isto costuma-se às vezes usar seu nome como um adjetivo. Dá-se o nome de chopim a uma pessoa folgada, que deixa de fazer suas obrigações para que outros o façam. Sempre é visto aos bandos, que pousam sobre os gramados e ali vão andando procurando sementes e insetos. São poligâmicos por excelência. Alimentação – sementes e insetos. Os chopins, machos e fêmeas, costumam bicar a casca e chupar o conteúdo de ovos de outros pássaros. Reprodução – deposita seus ovos no ninho de outras aves - no Brasil, no ninho de 58 espécies (nem todas permitem o sucesso reprodutivo do invasor e em alguns casos não há estudos suficientes). Parece preferir os ninhos do benevolente tico-tico. Portanto, não

chocam os ovos nem cuidam de seus filhotes. A fêmea chopim, depois de espionar os ninhos de suas vítimas e percebendo ser ainda cedo, consegue até adiar a sua postura, aguardando o exato momento de confundir suas vítimas. E, após depositar seu rebento na alcova alheia, sai de fininho à procura de novas parcerias amorosas. É uma das espécies de pássaro com o maior período de postura, cerca de 3 meses ininterruptos. Os filhotes do chopim são geralmente grandes, comparados aos de seus hospedeiros. Acidentalmente podem até esmagar seus irmãos adotivos. Existe registro de um filhote de chopim de 25g desenvolver com sucesso junto a um outro de lavadeira (Fluvicula sp.) de apenas 3g. O jovem chopim compete com os demais filhotes na disputa pelo alimento, do espaço físico, chamam mais a atenção da mãe com o seu insistente resmungo pidão e uma grande e receptiva boca vermelha. São filhotes espaçosos, chorões, comilões, atabalhoados e enjoados. Ameaças - para que tudo não favorecesse somente ao chopim, a mãe natureza mais uma vez selecionou mecanismos de compensação, ou parcialmente compensativos. Seus filhotes são mais suscetíveis a parasitas, como as larvas de berne de passarinhos. Porém, a derrubada da mata para a expansão agrícola facilita o aumento populacional do chopim e conseqüentemente o parasitismo e a redução da população de outras aves, principalmente a do tico-tico.

CHUPA-DENTE (Conopophaga lineata)

Características – mede 11 cm de comprimento. Pelagem parda escura no dorso, amarelada no peito e branca no ventre. Habitat – no interior ou bordas de matas primárias e capoeiras. Ocorrência – Paraguai, Argentina e, no Brasil, do Ceará ao Rio Grande do Sul e leste do Mato Grosso. Hábitos – vive próximo ao chão Alimentação – insetos

CISNE-DE-PESCOÇO-PRETO (Cygnus melanocoryphus)

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Características – é uma ave de grande porte, medindo cerca de 120 cm e pesando em torno de 5,3 kg, com plumagem branca, pescoço e cabeça negros, base do bico e pés vermelhos, além de uma listra branca que corre dos olhos até a nuca. Existe dimorfismo sexual, sendo que as fêmeas possuem uma pequena carúncula flácida, além de serem menores. Habitat – banhados extensos, em beira de lagoas e próximos do litoral. Ocorrência – Chile, Argentina, Uruguai e Paraguai. No Brasil ocorre no litoral dos estados do sul, até o sul de São Paulo. Hábitos – vivem em bandos mistos, é uma ave gregária e de hábitos sedentários, decola com dificuldade, pousa na água para descansar com o pescoço esticado verticalmente, anda muito pouco e é meio desajeitado. Alimentação – alimenta-se de plantas aquáticas, boiando na água rasa o suficiente para alcance o alimento no fundo.

Reprodução – nidifica em beira de lagoas, em meio ao junco, o período de incubação dura cerca de 36 dias, nascendo de três a sete filhotes, que são alimentados e carregados nas costas pelos pais. Ameaças – destruição do habitat necessário para que a espécie se mantenha, a caça predatória e o tráfico de animais.

COLEIRO (Sporophila caerulescens) Características – mede 11 cm de comprimento. Há bastante variação individual e regional de canto. Pelagem do macho cinza-escura na parte dorsal e ventre branco com mancha preta no pescoço em forma de coleira. Fronte preta. A fêmea possui colorido mais pardacento. Habitat – campos abertos, capinzais Ocorrência – praticamente em todo Brasil, com exceção da Região Amazônica e Nordeste Alimentação – sementes Reprodução – reproduzem-se na primavera-verão Ameaças – captura indiscriminada para apreciadores de pássaros canoros e tráfico de animais.

COLHEREIRO (Ajaja ajaja)

Características – é uma ave belíssima e muito procurada pelos traficantes. Mede cerca de 87 cm e sua envergadura é de 130 cm. Possui plumagem rósea, adquirida após o terceiro ano de vida, caracteriza-se pela forma do bico, que é largo e achatado tendo a forma de uma “colher”, daí vem o nome de – colhereiro. Machos e fêmeas são similares, mas possuem algum dimorfismo sexual, ou seja, machos são maiores e adquirem muda nupcial, apresentando tons fortes de rosa nas asas durante o período de acasalamento.

Habitat – praias lamacentas do litoral e dos rios, manguezais, brejos, lagos, veredas e matas ciliares Ocorrência – desde a região neotropical dos Estados Unidos até o nordeste da Argentina, no Brasil ocorrem grandes populações na região do Pantanal, mas está amplamente distribuído em todo território nacional. Hábitos – vivem em bandos a procura de alimentos em pontos de pouca profundidade, mergulhando e sacudindo a "colher" do bico lateralmente, peneirando a água. Voam com o pescoço levemente curvado para baixo, com as asas em forma de concha, misturando-se com outras espécies

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Alimentação – pequenos peixes, insetos, moluscos e crustáceos, cracas e principalmente larvas. Reprodução – durante o período de reprodução nidifica no alto das árvores, formando colônias, é nessa época que proporcionam um grande espetáculo, tingindo as árvores de rosa. As fêmeas colocam geralmente três ovos que depois de 24 dias de incubação nascem os filhotes, são alimentados pelos pais até saírem do ninho. Quando saem do ninho já estão emplumados, mas em tons de branco. Normalmente o casal permanece junto dos filhotes dentro do ninho. Ameaças – desconhecimento da atual população, destruição do habitat e o tráfico de animais.

CORRUÍRA ou CAMBAXIRRA (Troglodytes aedon)

Características – pássaro muito comum e fácil de ser encontrado. Mede 12 cem de comprimento tendo plumagem parda escura na parte dorsal e ferrugínea na parte ventral, com bico delgado. Habitat – borda de matas, cerrados, caatingas, áreas alagadas, campos e áreas verdes urbanas, próximo de residências. Ocorrência – toda a América do Sul Hábitos – muito gracioso e irriquieto, vive saltitando pelos muros, telhados e solo. Constrói o ninho normalmente escondido nas telhas de casas. Alimentação – pequenos frutos, sementes e insetos Reprodução – desenvolve em média 3 posturas por ano, com 3 a 4 ovos cada, normalmente de agostao a maio.

CORUJA BURAQUEIRA (Speotyto cunicularia)

Características – de porte pequeno, possui uma cabeça redonda, tem sobrancelhas brancas, olhos amarelos, e pernas longas. Ao contrário a maioria das corujas o macho é ligeiramente maior que a fêmea e as fêmeas são normalmente mais escuras que os machos. Plumagem carijó marrom, branco e preto, facilitando o mimetismo, extremamente macia conferindo à ave vôo silencioso. Possui audição apurada e visão apurada. Olhos grandes e saltados, quase imóveis e frontais, resultando reduzido campo visual, que é compensado pela extrema agilidade da cabeça, que tem circuito de 270°. Possui uma visão 100 vezes mais penetrante que a visão humana. Mede em torno de 21.6 a 27.9 cm de comprimento e pesa em torno de 170 g. A envergadura é de aproximadamente 50 a 61.0 cm. Habitat – campos, cerrados, pastos e restingas Ocorrência – em todo o Brasil Hábitos – terrícola de hábitos diurnos. Pousa reto cobre cupinzeiros e moirões de cerca. Comum na beira das estradas. Quando o animal está tranqüilo, mantém os olhos fechados. Gostam de banhos de chuva. Vive em buracos cavados no solo. Embora seja

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capaz de cavar sua própria cova, vive nos buracos abandonados de tatus, cachorros selvagens e tocas de outros animais. Tímida, vive em lugares sossegados. Durante o dia ela cochila em seu ninho ou toma sol nos galhos de árvores. A coruja buraqueira anda sem destino enquanto caça, e depois de pegar sua presa vai para um poleiro, como uma cerca ou pousa no próprio solo. São aves principalmente crepusculares (ativo ao entardecer e amanhecer), mas caçará, se preciso, ao longo de 24 horas. Alimentação – insetos e alguns mamíferos e outros pequenos animais como pequenos roedores, répteis, anfíbios, pequenos insetos, pequenos pássaros como pardais, escorpiões, etc. O acúmulo de estrume na entrada da galeria atrai besouros que servem de alimento à coruja. Podem devorar a presa inteira e o suco gástrico não digere material ósseo. Por alimentar-se de insetos, é muito útil ao homem, beneficiando-o na agricultura. Reprodução – a época de reprodução começa entre março ou abril. Ela faz seu ninho em buracos no solo, aproveitando antigas tocas de tatu ou de outros animais. O casal se revezando, alarga o buraco, cava uma galeria horizontal usando os pés e o bico e por fim forra a cavidade do ninho com capim seco. As covas possuem, em torno de 1,5 a 3 m de profundidade e 30 a 90 cm de largura. Ao redor acumula estrume e se alimenta dos insetos atraídos pelo cheiro. Botam, em média de 6 a 11 ovos; o número mais comum é de 7 a 9 ovos. A Incubação dura de 28 a 30 dias e é executada somente pela fêmea. Enquanto a fêmea bota os ovos, o macho providencia a alimentação e a proteção para os futuros filhotes. Os cuidados da cria, enquanto ainda estão no ninho, são tarefa do macho. Quando os filhotes estão com 14 dias podem ser vistos empoleirando a entrada da cova, esperando pelos adultos e pela comida. Os filhotes saem do ninho com aproximadamente 44 dias e começam a caçar insetos quando estão com 49 a 56 dias. Ameaças – uso indiscriminado de agrotóxicos nas lavouras.

CURICACA (Theristicus caudatus)

Características – mede aproximadamente 69 cm de comprimento e 43 cm de altura. É uma espécie grande de coloração clara e asas largas. Durante o vôo exibe grande mancha branca sobre o lado superior da asa, e o lado inferior é inteiramente negro. Bico longo, curvo, preto na base e verde na ponta. Pernas altas. A garganta é nua, preta, bem como a área ao redor dos olhos. Normalmente o curicaca é protegido pelos agricultores como um controlador biológico, não deixando que se acentue o número de pequenos animais considerados nocivos. Habitat – campos secos, pastos (inclusive campos de aviação). Ocorrência – da Colômbia à Terra do Fogo; também nos Andes; grande parte do Brasil.

Hábitos – procura lugares em que ocorreram queimadas em busca de alimento. Tem hábitos diurno e crepuscular. Plana a grandes alturas, voa com o pescoço levemente curvado para baixo. As asas dispõem-se côncavas como grandes conchas. São sociáveis, chamam atenção quando se reúnem para dormir ou quando se deslocam para lugares distantes para comerem. Emitem fortes gritos, curtos, do timbre igual a uma galinha- d'angola. O casal e o bando que se reúnem para pernoitar gritam juntos. No auge do vozerio jogam a cabeça para trás. Alimentação – alimenta-se de gafanhotos, aranhas, centopéias, lagartixas, cobras, ratos etc. Come às vezes sapos (Bufo granulosus), fato interessante, pois o veneno desse sapo é mortal para a maioria dos animais quando ingerido (exceto para a boipeva - Xenodon merremii). Para extrair larvas de besouro no solo, mergulha o bico na terra fofa até a base. Reprodução – os indivíduos associam-se em colônias. Nidificam sobre rochas ou árvores existentes nos campos. Os ovos são brancos ou pardacentos salpicados. Põem cerca de 5 ovos. A incubação é de 20 a 25 dias. O casal reveza-se para cuidar dos filhotes, que são alimentados por regurgitação.

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CURIÓ (Oryzoborus angolensis)

Características – também conhecido como avinhado, mede em torno de 13 cm de comprimento, com macho apresentando plumagem preta no dorso e castanha na parte inferior. A fêmea possui pelagem pardacenta mais escura no dorso. Bico cheio e corpo robusto. Habitat – beira da mata e pântanos Ocorrência – em todos as regiões do Brasil Hábitos – seu canto lembra o som de um violino. Existe uma grande variedade de cantos de curió. Alimentação – sementes de tiririca (Cyperus rotundus) Reprodução – reproduzem-se normalmente na primavera-verão. Ameaças – é atualmente o pássaro canoro mais cobiçado do país, sendo que o valor de um curió-campeão pode ser superior ao de um carro 0km! Por isso é muito caçado para atender a apreciadores de pássaros canoros e tráfico de animais.

CURRUPIÃO (Icterus jamaicaii)

Características – é um animal de coloração fantástica, cujas cores dominantes formam um contraste esplêndido entre o laranja-avermelhado vibrante e o preto. Colorido geralmente preto alternando-se com o vermelho- alaranjado na nuca, no dorso e na barriga. A asa tem espelho branco. Mede em torno de 23 cm. Uma das aves mais lindas e, em matéria de voz, das mais dotadas deste continente. Canto claro e sonoro de plangente maviosidade ou entonação melancólica, freqüentemente motivos bissilábicos, repetidos. Possui bico afiado como uma lança e forte como pé-de-cabra, conseguindo abrir fendas em madeira e em cascas secas de frutas. Habitat – cerrado e a caatinga Ocorrência – Amazônia, todo o norte do Brasil até Minas Gerais, abrangendo o Espírito Santo.

Hábitos – tomam posições grotescas quando cantam, ficam de cabeça para baixo ou esticam o pescoço exageradamente para cima. Pertence à família Icterinae, a mesma do chopim (Molothrus bonariensis) , parentesco este que lhe confere um "caráter" duvidoso. O animal é belíssimo, mas tem o hábito de invadir belicosamente ninhos de outras espécies (bem-te-vi, joão-de-barro etc), desbancar os donos e jogar para fora os seus ovos ou as suas crias. A diferença comportamental no quesito "caráter", em relação ao chopim, é que o corrupião cria seus filhotes e o chopim nem isto faz, inclusive parasitando o próprio parente, o corrupião. O pássaro é também um excelente cantor e imitador de cantos de outras aves, e utiliza-se desta variedade de canto e da beleza de sua plumagem para seduzir a relutante fêmea.. Gosta de pousar sobre altas cactáceas. Alimentação – principalmente de frutas, porém também comem néctar e insetos. Alimenta-se de um vasto cardápio, como insetos e material vegetal - cocos maduros de buriti, seiva das flores do ipê amarelo, das flores do mandacaru (cacto típico do Nordeste brasileiro) e dos seus grandes e vermelhos frutos, das flores de várias espécies de bromélias, cactáceas e de frutas de pomar. Portanto, é insetívoro, frugívoro e nectarino. Reprodução - canta e dança até que ela aceite a cópula. Esta põe dois ou três ovos, chocando-os por 14 a 15 dias. Depois de nascidos os filhotes, o pai e a mãe se revezam nos cuidados com a prole. Ameaças – destruição do habitat, caça indiscriminada, tráfico de animais. A ave é apreciada pela beleza e pelo versátil canto. A espécie aprende facilmente, quando jovem, a conviver com pessoas. Estes fatos, aliados ao descaso do Brasil com seu tesouro biológico, vêm atacando veementemente a espécie.

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EMA (Rhea americana)

Características – ave pernalta de grande porte. É uma ave corredora que, pela incapacidade de voar, lembra o avestruz da savana africana. Aliás, acredita-se que tenham um ancestral comum. Mas se as asas não lhe servem para voar, desempenham papel importante na corrida, pois funcionam como uma espécie de leme, ajudando a ave a equilibrar-se e a mudar de direção. Plumagem macia e cinza; sem cauda. Os machos possuem o pescoço negro, quando adultos. São dotadas de boa visão. Desenvolve a maior velocidade nas corridas, cerca de 60km/h. No mundo, só perde para o avestruz, que alcança os 80km/h. São aves rústicas que sobrevivem à seca; por outro lado, não suportam grandes períodos de chuvas pois suas penas não são impermeáveis e o excesso de umidade pode ser fatal para os filhotes. Alcançam 2 m de altura, peso de 36 Kg e envergadura de 1,50 m. Habitat – planícies, regiões de campo, desde que haja água. Ocorrência – América do Sul, do Brasil à Argentina Hábitos – quando está muito calor, a ema dorme durante o dia, só saindo à tardinha em busca de alimento. Terrestres por excelência, saem em disparada quando assustadas. Descansam sentadas sobre os tarsos; dormem com o pescoço esticado para a frente ou dobrado para as costas. Gostam de tomar banho. Vivem em bandos e procuram companhia de ovelhas, vacas e veados campeiros. Bebe pouca água. Alimentação – insetos, roedores, répteis, capim e sementes. Além disso, a ema come muitas pedrinhas, que servem para facilitar a trituração dos alimentos. Devido a este hábito, ela não resiste à tentação de engolir também outros objetos miúdos. Reprodução – na época de reprodução, com a elevação da taxa de hormônios, os machos se separam dos grandes bandos e sofrem transformações morfológicas e comportamentais. Nesta fase, ocorre a formação dos haréns que podem ser compostos por até 9 fêmeas. Na disputa entre os machos destacam-se as vocalizações, os saltos, as exibições das asas e do pescoço, ataques e expulsões. O macho reúne 5 ou 6 fêmeas, escolhe um território e faz o ninho. Muitas vezes o território do harém é diferente do território do ninho, os quais são defendidos pelo macho. É ele quem prepara o único ninho onde todas as suas fêmeas botam os ovos. As fêmeas colocam os ovos em qualquer lugar. Quando está cheio de ovos (cerca de 12), afasta as fêmeas e começa a chocá-los. Os ovos são brancos e pesam 600 gramas.Após a postura, enquanto o macho fica chocando os ovos, as fêmeas deslocam-se para se agruparem e passarem por mais uma fase de formação de harém, com outro macho e botarem noutro ninho. As fêmeas se acasalam com três machos diferentes e colocam em cada ninho de 4 a 5 ovos. Este sistema de acasalamento chama-se poligínico-poliândrico. Os filhotes nascem após 6 semanas e são cuidados pelo pai. Alguns ovos ficam gorados e exalam forte cheiro quando rompida a sua casca. O odor atrai grande quantidade de insetos que formam a primeira fonte de nutrientes para os filhotes. Estes já nascem com a agilidade necessária para ficar distante da mãe, pouco carinhosa e que pode matá-los. Com duas semanas de idade, as eminhas alcançam meio metro de altura, sem contar o pescoço. Em dois anos estão adultos. Ameaças – está na lista dos animais que estão em perigo de extinção. Os principais fatores que levaram à diminuição das populações das emas foram a destruição do habitat natural (cedendo lugar para a agropecuária); a caça para alimentação e para a proteção das plantações, e os atropelamentos. Os agricultores não vêem a ema com bons olhos; ela gosta de se alimentar dos tenros brotos e das sementes enterradas; ao lado do Parque Nacional das Emas, GO, é comum vê-las (junto com os veados) saírem da área protegida para se alimentarem nas plantações contaminadas com agrotóxicos que, ingeridos, comprometem a saúde do animal e a de sua prole. Por outro lado, os pecuaristas consideram esta ave útil por se alimentarem de pequenas serpentes além de carrapatos e moscas que parasitam o gado. Em algumas regiões, as emas são capturadas e têm suas penas arrancadas para a fabricação de adornos, espanadores e adereços para fantasias de carnaval; a coleta das penas ocorre a cada 10 meses.

FALCÃO PEREGRINO (Falco peregrinus)

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Características – ave de rapina que atinge até 50 centímetros de altura e 1,20 metro de envergadura, sendo que a fêmea é maior que o macho. Trata-se do maior dos falcões encontrados no Brasil, onde surge como ave de arribação vinda da América do Norte. A parte superior é cinza-azulada, e a inferior, branca barrada de preto. As asas são longas e pontiagudas. Os falcões em geral são considerados os voadores mais elegantes que se conhece. O peregrino, especialmente, é o mais rápido dos pássaros, podendo atingir 180 quilômetros por hora. Há quem diga que, quando mergulha para capturar a caça, chega a 300 quilômetros por hora. Tem uma visão apuradíssima, avistando sua presa a 1 quilômetro e meio de distância. Habitat – extremamente variável, reproduzindo-se em regiões tropicais, zonas frias, desertos etc. Ocorrência – é extremamente cosmopolita, sendo encontrado em todos os continentes, exceto na Antártida. Hábitos – com vôo elegante e muito rápido, ele migra todos os anos do Hemisfério Norte para regiões mais quentes e é visitante habitual das cidades brasileiras. Aqueles que vivem em zonas temperadas do Hemisfério Norte e no Ártico migram para o Sul nas épocas frias. As subespécies européias e asiáticas deslocam-se para a África, Sul da Ásia e Indonésia. As norte-americanas vêm para a América do Sul. Os falcões peregrinos nativos de latitudes médias e do Hemisfério Sul são sedentários. Os migratórios costumam escolher sempre os mesmos lugares para passar a temporada de inverno.

Alimentação – comem principalmente aves em vôo e morcegos. Na cidade, o prato predileto são os pombos. Usa as poderosas garras para aprisionar as vítimas. Reprodução – são aves solitárias que se encontram somente para o acasalamento. Os ovos eclodem em cerca de um mês e os filhotes passam dois meses dependentes da mãe, antes de partirem para o mundo. Aos 2 anos, tornam-se maduros sexualmente. Ameaças – pode ser domesticado e usado para caça, como já o faziam os imperadores persas e árabes na Antiguidade. Ainda hoje, a prática é tida como um esporte caro na Europa. O animal é levado ao campo com um capuz, que é retirado no momento de voar em busca da presa. No Egito antigo, Horus, o Deus do céu, era representado por um falcão, muito provavelmente o peregrino. Acreditava-se que os olhos de Horus tinham o poder de dar saúde, o que fazia dele um popular amuleto. Está extinto em algumas regiões do planeta. A caça e a contaminação por agrotóxicos são as principais ameaças. Carnívoro e ocupando o topo da cadeia alimentar, o falcão não é contaminado diretamente pelos pesticidas. Ele se alimenta de aves que se alimentaram de insetos contaminados. Acaba também envenenado. A conseqüência é o enfraquecimento da calcificação dos ovos fazendo com que estes se quebrem facilmente no ninho durante a incubação. Com a proibição do uso do DDT em 1972 nos Estados Unidos, a população dos falcões e de outras aves voltou a aumentar. O trabalho das organizações de proteção aos animais silvestres também trouxe grande contribuição para a não extinção da espécie.

FEITICEIRO DO MAR (Puffinus gravis)

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Características – também é conhecido como bobo-grande-de-sobre- branco. É um dos maiores representantes do grupo, com envergadura, até 111 cm. Habitat – praias e costeiras do litoral brasileiro Ocorrência – litoral sul do Brasil Hábitos – visitante meridional, atinge águas brasileiras em número considerável durante suas migrações para o Atlântico Sul entre abril e maio.

Alimentação – peixes, moluscos, crustáceos e vermes Ameaças – poluição e destruição do habitat

FLAMINGO (Phoenicopterus ruber)

Características – são aves grandes. Pernas compridas, finas e vermelhas, possuindo o pescoço longo e o bico bem comprido e curvo, num corpo robusto, abrutalhado, como um “nariz de papagaio”, de cor amarelada e parte terminal negra. A cor geral da plumagem é rósea com tendências ao vermelho. Rêmiges negras. Em pé, pode medir 1,5 m e pesar em torno de 1,8 Kg. A fêmea é um pouco menor que o macho. As asas são grandes e a cauda é curta. A face é nua. Habitat – lagos, lagunas rasas, águas salobras, sem vegetação, à beira-mar e pântanos Ocorrência – Brasil, Peru, Chile, Uruguai, e Argentina Hábitos – vivem em grandes bandos. São aquáticos. São diurnos e noturnos. Quando o flamingo dorme imóvel, mantém uma das pernas encolhida junto ao peito, só a outra, fina e longa, sustenta o corpo com surpreendente estabilidade. Já o pescoço é mais difícil de equilibrar, sobretudo por causa do peso do bico. Para acomoda-lo o flamingo o apóia, curvado, sobre o dorso e encaixa a cabeça entre a asa e o tronco. Mas quando está em atividade, as pernas compridas logo demonstram sua

adaptação aos hábitos alimentares do flamingo. Com elas, o bicho pode vadear águas rasas e parar enquanto revolve a lama do fundo a procura de alimento. O vôo em conjunto em linha oblíqua ou em forma de cunha, produz um rumor que lembra uma trovoada. A ave da frente é a cada momento substituída por outra. Boa parte do tempo os flamingos ficam ao sol entregues à remoção de lama da plumagem. Ao mesmo tempo, impermeabilizam as penas com a substância oleosa que é segregada por uma glândula anal. Alimentação – pesca em água rasa com o pescoço curvado para baixo, de tal maneira que a maxila fica voltada para o fundo lodoso. Filtra com o bico o alimento composto de pequenos animais aquáticos, tais como larvas de moscas, moluscos, pequenos crustáceos e algas. Reprodução – na primavera, os bandos de flamingos se reúnem em colônias para construírem seus ninhos, cada um deles um cone truncado de lama, amassada com o bico. P ostura de 2 ovos azulados, medindo 85 x 55 mm, e i ncubação durando de 28 a 32 dias. Pela dificuldade em se abaixar, constrói seu ninho em altura de 10 a 40 cm. Os filhotes ao nascerem são brancos, mas após os primeiros dias apresentam cor cinzento- escuro. São ariscos e prevenidos, evitando regiões cobertas, onde se ocultam seus inimigos. Ameaças – é muito procurado para ser domesticado o que contribui para a captura voltada para o tráfico de animais. A poluição e a destruição do habitat são também ameaças para a espécie.

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FOGO-APAGOU (Scardafella squammata)

Características – mede 19,5 cm de comprimento é conhecido também como rola-cascavel (devido ao barulho emitido com as asas, que lembra um chocalho), rolinha-carijó, fogo-pagô (onomatopéico), rola-pedrês, felix- cafofo (Paraíba) e paruru. Habitat – campos secos, cerrados, caatingas e jardins arborizados em áreas urbanas. Ocorrência – regiões Nordeste, Centro-oeste, e nos estados do Maranhão, de São Paulo, Paraná e Rio Grande do Sul, também da Guiana Francesa e Venezuela ao Paraguai e Argentina. Hábitos – vive aos pares ou em grupos pequenos. Alimenta-se no chão, andando com a barriga quase arrastando no solo. Quando assustado, voa bruscamente para árvores próximas. Alimentação – sementes, insetos, vermes e larvas Reprodução – faz ninho de gravetos em formato de xícara, normalmente a 1 ou 2 m de altura, às vezes também no chão. Põe 2 ovos brancos. Ameaças – poluição, caça e destruição do habitat.

FRAGATA (Fregata magnificens)

Características – conhecida também como rabo-forcado, joão-grande, alcatraz, grapirá ou guarapirá. Mede 98 cm. Apresenta acentuado diformismo sexual. O macho é negro com o papo vermelho, que se infla durante o acasalamento. A fêmea é negra com o peito branco. Tem bico alongado e recurvado com cauda em forma de tesoura. O imaturo é negro com cabeça e peito brancos. A envergadura das asas pode ultrapassar 2m. Chega a pesar cerca de 1,5 kg. Tem elegante vôo planado com poucas batidas de asas. Habitat – ilhas e rochas litorâneas Ocorrência – do litoral do Paraná até a América do Norte. Hábitos – pesca no mar costeiro, nos portos e ao redor de navios pesqueiros. Dorme em grandes grupos, preferivelmente em ilhas arborizadas. Apanha peixes na superfície d'água com movimentos da cabeça em vôos rasantes sem se molhar. Persegue as outras aves, roubando-lhes o alimento. É avistada frequentemente, perambulando próximo ao continente. Alimentação – peixes Reprodução – no período reprodutivo, o macho infla uma bolsa gular vermelha que atrai a fêmea. Os ninhos são construídos com ramos e raízes secas, sobre as moitas de vegetação. Põe apenas um ovo branco que é incubado pelo casal. Ameaças – poluição e destruição do habitat.

FRANGO D'ÁGUA (Gallinula chloropus)

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Características – muito comum locomovendo-se sobre a vegetação aquática ou nadando com o bico meio abaixado. Atinge até 37 cm de comprimento. Possui bico e pés bem coloridos, além de um escudo vermelho na fronte, sobre o bico. Plumagem marrom-escura O macho é geralmente maior que a fêmea. Habitat – lagoas e brejos Ocorrência – continente americano Hábitos – hábil nadador. Seu canto pode ser ouvido ao cair da tarde. Vive sozinho ou em pequenos bandos na beira dos banhados ricos em vegetação. Pode locomover-se de várias maneiras. Geralmente nada entre os juncos, comendo os insetos que encontra. Mas é também capaz de caminhar sobre folhas flutuantes. Ao menor sinal de perigo, ele corre pela superfície da água até atingir velocidade suficiente para levantar vôo. Seu vôo é lento e ele nunca se afasta muito da água. Mas sua segurança está mesmo no mergulho. Ele desaparece rapidamente das vistas do inimigo, nadando vigorosamente com as asas. Sobe à superfície para respirar e torna a mergulhar, imediatamente. Alimentação – vegetais, insetos, larvas, moluscos e peixes. Reprodução – postura de 6 a 12 ovos com incubação durando em torno de 21 dias. Em fevereiro, o macho começa a construir grandes ninhos de raízes secas. Na primavera, a fêmea escolhe um deles e o território passa a ser guardado pelo macho. Depois de dois meses, os filhotes já são capazes de nadar e voar, e os pais dão início a uma nova ninhada. Em setembro, a família se desfaz. Ameaças – poluição e destruição do habitat

GAIVOTA (Larus dominicanus)

Características – cauda truncada e bico com a ponta do maxilar superior curvada para baixo. Bico e pernas normalmente alaranjados. Plumagem dorsal preta com cabeça e ventre brancos. Emite gritos estridentes, principalmente quando excitadas. Habitat – praias, ilhas, costões rochosos litorâneos Ocorrência – todo o litoral do Brasil Hábitos – são aves costeiras cuja presença indica proximidade de terra firme para os marinheiros. Freqüentemente são vistas terra adentro, acompanhando o curso de grandes rios. Se voam para mar aberto, longe da costa, podem descansar flutuando sobre as ondas. Alimentação – carnívoro (animais vivos ou mortos) e detritos orgânicos. Ameaças – poluição e destruição do habitat.

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GAIVOTA RAPINEIRA COMUM (Stercorarius parasiticus)

Características – também conhecida como b andido, rabo-de-junco, dimizeiro. Possui penugem marron escuro no dorso e branca no ventre, garganta e ao redor do pescoço. A cabeça apresenta coloração marron com uma mancha amarelada lateralmente na face, na região do olho. Habitat – praias, ilhas e costões rochosos do litoral Ocorrência – procedente do hemisfério setentrional, é visitante regular da costa brasileira.

Hábitos – ave oceânica, pousa com freqüência na água e descansa sobre pedaços de madeira flutuantes. De costumes rapineiros, voa rápido e rente ao mar e apanha alimento que flutua. Ameaça outras aves, como os trinta- réis, forçando-as a vomitar ou a largar as presas que apanham em pleno ar. Alimentação – peixes mortos e detritos. Às vezes, abate aves. Ameaças – poluição

GAIVOTA RAPINEIRA GRANDE (Catharacta skua)

Características – de pernas curtas e com membranas nadatórias, pelagem escura marron. Não chegam a ser aves de rapina, contudo são termidas pelas outras aves marinhas. Habitat – regiões costeiras Ocorrência – Sul do Brasil Hábitos – ave oceânica Alimentação – peixes e detritos Ameaças – poluição

GALO-DE-CAMPINA (Paroaria dominicana)

Características – o adulto atinge 17 cm de comprimento. Pássaro de extraordinária beleza física. Plumagem dorsal acinzentada escura, ventre branco e cabeça em vermelho sangue. Não há dimorfismo sexual. O imaturo possui as partes superiores pardo-anegradas e garganta ferrugínea. Habitat – caatinga, cerrado e matas ralas. Ocorrência – a distribuição original era apenas no Nordeste, donde seu outro nome popular "cardeal-do-Nordeste". Espalhou-se depois para o sul, pela Bahia e Minas Gerais. Solto em cidades do sudeste, reproduziu-se e hoje mantém populações estabelecidas em cidades como no Rio e São Paulo. Alimentação – sementes

Reprodução – reproduzem-se na p rimavera e verão, com 2 a 4 posturas por temporada e 2 a 3 ovos por postura. A incubação dura em torno de 13 dias. Atingem a maturidade sexual aos 10 meses. Na época do acasalamento, os machos brigam entre si e, valendo-se da unhas e dos bicos, maltratam-se mutuamente, até que o mais fraco se dê por vencido e fuja. O vencedor sobe no galho mais alto que encontra e entoa o seu hino, comparável ao canto do sabi-a-laranjeira. Ameaças – por seu canto é cobiçado pelos apreciadores de pássaros canoros. A caça, a destruição do habitat e o tráfico de animais são as principais ameaças.

GALO-DA-SERRA (Rupicola rupicola) 36

Características – uma das aves mais bonitas da fauna silvestre brasileira. Mede 28 cm de comprimento. O macho possui um topete constituído de uma crista larga, ereta e semicircular, vertical na cabeça, da nuca e cobrindo o bico. Plumagem laranja, asas e extremidade da cauda negras. Coberteiras muito desenvolvidas. Fêmea marrom-pardacenta com topete acanhado é tão escura que à distância parece preta. Habitat – escarpas cobertas de florestas, cortadas por córregos sombreados Ocorrência – nas serras fronteiriças entre o Brasil, Venezuela, Colômbia e Guiana. No Brasil está presente desde o Amapá até região do alto Rio Negro e nas proximidades de Balbina, distante cerca de 100 km ao norte de Manaus. Hábitos – permanece próximo a maciços rochosos, sempre em grupos de machos, onde se reúnem para exibir-se individualmente para as fêmeas (cada qual em um “palco” individual). Vive isolado, buscando alimento na floresta, sendo de difícil visualização.fazem a exibição da plumagem em local na mata, que é limpo das folhas através de um incessante bater de asas.Embora possa ocorrer vários machos em determinada área, cada um possui seu local de exibição. Possui vôo pesado semelhante ao pombo. Constroem os ninhos em cavernas nos rochedos ou nas ravinas, freqüentemente sobre um regato. O ninho é constituído de uma sólida panela de barro misturado com fibras vegetais e coberto de liquens. Alimentação – é frugívoro em geral, procurando os frutos de árvores e os coquinhos produzidos pelo palmito. Também caça insetos, lagartixas e rãs. Reprodução – põe dois ovos manchados de cada vez, que são chocados apenas pela fêmea. Os filhotes são alimentados pelos pais até saírem do ninho e só adquirem a plumagem característica após o terceiro ano de vida. Ameaças – espécie em extinção principalmente pela destruição do habitat onde o animal vive e o tráfico de animais.

GARÇA AZUL (Florida caerulea)

Características – garça de pequeno porte medindo em torno de 50 cm de comprimento, com plumagem azul acinzentada, bico forte e pontiagudo de cor azulada. Na cabeça e no pescoço entremeiam-se plumas roxas ou castanhas. As pernas são pretas. Habitat – lamaçais do litoral Ocorrência – do sul dos EUA e América Central ao Peru, Colômbia e Brasil, ao longo do litoral até Santa Catarina. Hábitos – é a garça mais adaptada dos lamaçais da vazante. Alimentação – vermes, moluscos, crustáceos e peixes

GARÇA BOIADEIRA (Bubulcus íbis)

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Características – garça de pequeno porte, medindo 44 cm de comprimento, inteiramente branca com bico, íris e pernas amarelados, diferindo da garça branca pequena a qual possui bico e pernas pretas. Tem o pescoço grosso, caracterizando uma espécie de papo. Habitat – áreas de pastagens Ocorrência – no Brasil ocorre nas regiões Sudeste, Sul e Ilha de Marajó. Hábitos – forma grupos que acompanham o gado no pastoreio Alimentação – insetos, aranhas e pequenos anfíbios

GARÇA BRANCA GRANDE (Casmerodius albus)

Características – garça de grande porte, medindo 88 cm de comprimento. Plumagem totalmente branca, com bico amarelo e pernas pretas. Habitat – beira dos lagos, rios e banhados Ocorrência – da América do Norte ao estreito de Magalhães, em todo Brasil, e também no Velho Mundo. Alimentação – Apanham igualmente insetos aquáticos (imagos e larvas), caranguejos, moluscos, anfíbios (até sapos do gênero Bufo) e répteis. Engolem às vezes cobras e préas.

GARÇA BRANCA PEQUENA (Egretta thula)

Características – garça de pequeno porte medindo em torno de 56 cm de comprimento. Plumagem totalmente branca, com bico e pernas pretas e pés amarelos. O bico apresenta base amarela. Possui penas alongadas na nuca. Habitat – beira de lagos, rios e banhados Ocorrência – em todo o continente americano Alimentação – insetos, larvas, vermes, moluscos, crustáceos e peixes.

GATURAMO VERDADEIRO (Euphonia violacea)

Características – mede 12 cm de comprimento e o macho pesa em torno de 15 g. O macho apresenta plumagem negra no dorso, fronte, peitoral e ventre amarelo-vivos. Habitat – orla da mata, fruteiras em plantações, árvores densas em parques. Ocorrência – das Guianas e Venezuela ao Rio Grande do Sul. Hábitos – excelente imitador de cantos de outras aves. Um único macho pode se manifestar em poucos minutos na voz de 10 a 16 espécies de aves diferentes. São imitações perfeitas, mas traduzidas para sua própria força vocal reduzida. O repertório do gaturamo se torna a cópia fiel da avifauna da região em que vive. Alimentação – frugívoro, Insetívoro. Reprodução – reproduz-se na primavera-verão Ameaças – destruição do habitat e tráfico de animais.

GAVIÃO CARIJÓ (Rupornis magnirostris)

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Características – mede 36 cm de comprimento. É a espécie predominante no Brasil. Asas compridas e largas de "pontas abertas" tal como nos urubus, cauda curta, conjunto apropriado para planar em espaços abertos. Os sexos quase sempre se assemelham quanto ao colorido. Macho e fêmea distinguem-se geralmente pelo tamanho, sendo a fêmea maior. É facilmente reconhecido pelo seu ventre estriado, daí o seu nome. É o terror dos galinheiros. Habitat – áreas campestres, cerrados, bordas de matas e áreas urbanas arborizadas. Ocorrência – do México à Argentina e em todo o Brasil. Hábitos – voa no aberto, aos casais, batendo rapidamente as asas e descrevendo círculos chamando a atenção pela característica gritaria que produzem. Na cidade, gosta de pousar em antenas de televisão para observar os terrenos baldios da vizinhança à procura de presas.

Alimentação – caça grandes insetos, lagartixas, pequenas cobras e pássaros tais como rolas e pardais. Apanha morcegos em seus pousos diurnos. Reprodução – as fêmeas apresentam os dois ovários desenvolvidos em vez de apenas o esquerdo como nas outras aves. Os ovos são geralmente manchados, de cor muito variável, até dentro de uma mesma postura. Ameaças – a grande ameaça é a destruição ambiental e caça indiscriminada. As aves de rapina tem um papel indispensável no equilíbrio da fauna como reguladores da seleção. Evitam uma superpopulação de roedores e aves pequenas (como é o caso dos ratos e pombos nos centros urbanos) além de eliminar indivíduos defeituosos e doentes.

GAVIÃO-CARRAPATEIRO (Milvago chimachima)

Características – mede em torno de 40 cm de comprimento. Cabeça, pescoço e as partes inferiores branco-amarelados. Cauda branca com faixas negras. Asas longas. Habitat – pastos e currais Ocorrência – da América Central ao Norte do Uruguai e Argentina e em todo o Brasil Hábitos – tira de bois e cavalos os bernes e carrapatos para se alimentar, daí o seu nome. Alimentação – insetos, larvas, lagartas, frutos, cobras pequenas, animais mortos e ovos.

GAVIÃO-PEGA-MACACO (Spizaetus tyrannus)

Características – ave de grande porte. Plumagem negra, apresentando pequeno penacho na cabeça. Abundante feixe de faixas transversais brancas na cauda, nas asas (mais nitiidamente no lado interno), nas pernas e na base do penacho. Bico preto e íris amarela. Pode viver aproximadamente 30 anos.

Habitat – florestas e matas abertas Ocorrência – do México à Argentina e em todo o Brasil Hábitos – voa muito alto, subindo às nuvens verticalmente e descendo da mesma forma Alimentação – carnívoro Reprodução – 1 ovo por postura que eclode após 50 dias de incubação Ameaças – destruição do habitat

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GAVIÃO DE RABO BRANCO (Buteo albicaudatus)

Características – mede em torno de 55 cm de comprimento. Asas compridas e largas, cauda curta e branca com faixa negra antes de sua extensão final. Alguns podem ser totalmente negrão com apenas a cauda branca. Habitat – áreas abertas Ocorrência – do México à Argentina, em todo o Brasil, exceto Amazônia Hábitos – sobrevoa áreas abertas com vôos circulares e planados, ganhando altitude gradativamente. Alimentação – grandes insetos, sapos, ratos, gambás e cobras.

GRALHA AZUL (Cyanocorax caeruleus)

Características – ave de médio porte, medindo 39 cm de comprimento e de aspecto robusto. O corpo tem coloração azul reluzente. A cabeça, a garganta e o peito são negros, com as penas da fronte arrepiadas. Seus olhos são escuros. A coloração da plumagem é semelhante, tanto na fêmea como no macho. No Estado do Paraná, a Gralha-azul é oficialmente reconhecida como ave-símbolo. Habitat – floresta Atlântica e floresta com araucária Ocorrência – do Estado de São Paulo até o Rio Grande do Sul Hábitos – a ssim como outros corvídeos, a Gralha tem o hábito de armazenar alimento, escondendo sementes em plantas epífitas e fendas em troncos de árvores, que esquecidas germinam nesses locais. É considerada um agente dispersor em potencial das sementes do pinheiro ( Araucária angustifolia ). Durante a atividade de alimentação as gralhas transportam o pinhão de uma árvore para a outra, deixando muitas vezes cair a semente ao chão, a qual penetra no solo devido ao impacto da queda, vindo a germinar posteriormente. Entretanto, esta espécie de ave não é totalmente dependente das matas de araucária, apesar de suas relações com o pinheiro. Sua área de distribuição abrange também os

domínios da Floresta Atlântica. Depois dos papagaios, araras e periquitos, as gralhas apresentam o maior índice de aprendizagem, refletindo assim em seu complexo e sofisticado comportamento. Seu repertório vocal, bastante variado, possui mais de 14 gritos diferentes. De hábito social, a gralha-azul é encontrada em bandos que podem variar em número de indivíduos, em média com 4 a 15. Com grande hierarquia e formação de clãs, os bandos são compostos pelos pais e filhotes de até duas gerações. Por intermédio de sua complexa organização social, as Gralhas realizam as suas atividades em grupo, como a busca de alimento, limpeza da plumagem e reprodução. Alimentação – baseada tanto em fonte animal como vegetal, a qual varia desde insetos, pequenos animais invertebrados como anfíbios, frutos e sementes. É comum o ataque a ninhos de outras aves, com predação de ovos e filhotes. Reprodução – n o período reprodutivo, tanto os adultos como os indivíduos jovens auxiliam na construção do ninho, na alimentação dos filhotes e na defesa do território contra predadores. O período reprodutivo da gralha- azul tem início no mês de outubro, estendendo-se até março. Seu ninho, muito bem escondido, é confeccionado no alto de árvores de grande porte. Em Floresta com Araucária é construído na coroa apical de pinheiros jovens. O ninho é arredondado e confeccionado em forma de bacia, com 50 cm de diâmetro formado de gravetos. Em média são colocados 4 ovos. Ameaças – ameaçada de extinção, principalmente devido à destruição de seu habitat natural. No Estado do Paraná, sua principal área de ocorrência atual, restam, hoje, cerca de 3% de sua cobertura vegetacional original,

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reduzindo drasticamente as populações de Gralha-azul.

GRALHA DO CAMPO (Cyanocorax cristatellus)

Características – mede 35 cm de comprimento. Asas longas e cauda relativamente curta. Inconfundível pelo topete frontal prolongado, separado do píleo (alto da cabeça); manto violeta-azul escuro, a barriga e os dois terços apicais da cauda brancos. A vivacidade das gralhas vem do fato dos corvídeos serem dotados do índice cerebral mais alto na classe Aves, após os psitacídeos (14,60 e 14,95 respectivamente). Habitat – cerrados, também nos trechos bem ralos e ensolarados, interrompidos por campos. Ocorrência – do Piauí, Maranhão e sul do Pará a Mato Grosso, Goiás, Minas Gerais e São Paulo. Hábitos – São arbícolas. Vivem em cerrado aberto. Em regiões de transição entre áreas campestres e áreas mais densamente arborizadas. Vivem em bandos de 5 a 12 indivíduos. Em lugares ermos são mansos e fáceis de se observar. Seus gestos são múltiplos. A demonstração mais comum é um inclinar do corpo para a frente e para baixo, acompanhado por um longo esticar do pescoço alternadamente para a esquerda e para a direita, e um levantar rítmico da cauda. Voam bem, locomovem-se às vezes no alto, acima das árvopres, em percurso levemente ondulado. As gralhas utilizam as formigas na higiene da plumagem, esfregando os insetos vivos nas asas para gozar o efeito do ácido fórmico, atividade que é tratada como "formicar-se". Alimentação – são onívoros, comem tanto quaisquer animais como sementes e bagas. Frutos nativos e visitam pomares de sítios e fazendas para comerem os frutos. As gralhas comem pequenos cadáveres e tiram a isca de armadilhas montadas para pequenos mamíferos. Depredam ocasionalmente ninhos de pássaros; fura até ovos de galinha para chupá-los. Caçam em qualquer altura. Reprodução – nidifica sobre árvores do cerrado. O ninho é feito de gravetos em meia tigela. Põe de três a quatro ovos, tem um campo azul-claro e numerosas manchas pardas espassas pela superfície. O imaturo é reconhecível ainda com 6 meses pelo topete curto. Ameaças – espécie rara que pode estar ameaçada em futuro muito próximo se o seu hábitat continuar a ser destruído.

GRAÚNA (Gnorimopsar chopi)

Características – também conhecido como pássaro-preto ou melro, mede 21,5 cm de comprimento. Trata-se de um dos pássaros de voz mais melodiosa do Brasil. Há quem confunda a graúna com o atrevido chopim ( Molothrus bonariensis ), famoso por parasitar o ninho de várias espécies (ex.:tico-tico). Enquanto o Chopim é elegantíssimo, esguio e traja cintilantes vestes de tom violáceo, a graúna é negra mesmo e de porte mais avantajado, além de saber nidificar, não se descuidando da criação da ruidosa prole. Coloração negra uniforme e brilhante. Habitat – campos de cultura, pastos e plantações com árvores isoladas, mortas, remanescentes da mata. Ocorrência – em todo Brasil não-amazônico Alimentação – onívoro (sementes, insetos e brotos de árvores. Reprodução – reproduz-se na primavera-verão

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GUARÁ (Eudocimus ruber)

Características – de porte médio, medindo cerca de 60 cm, com pernas, pescoço e bico longos, sendo o bico curvado para baixo. As asas são longas e largas sendo a cauda bastante curta. Possui uma plumagem vermelha – carmim e a ponta das asas são negras. Esta coloração é decorrente do carotenóide cantaxantina presente na alimentação. Habitat – manguezais da costa atlântica da América do Sul podendo migrar para o interior do continente, entre rios, lagoas e florestas. Ocorrência – vivia antigamente no litoral brasileiro, desde o Norte até a ilha de Santa Catarina. Distribui-se desde as Guianas passando pela Colômbia e Equador, também em Trinidad, podendo ocorrer nas Antilhas e América Central. No Brasil Existem duas populações separadas, uma no Norte, entre os estados do Amapá, Pará e Maranhão, e outra no Sul, entre os estados de São Paulo e Paraná. Hábitos – vivem em bandos sempre vistos no alvorecer e no entardecer. Anda vagarosamente na água rasa, com a ponta do bico submersa, abrindo e fechando as mandíbulas em busca de caranguejos, caramujos e insetos. Alimentação – caranguejos, caramujos e insetos. Alimenta-se basicamente de pequenos caramujos, tais como o chama-maré ou sarará, Uca sp. , maraquani. Reprodução – período reprodutivo começa na seca entre os meses de Julho a setembro, nidificando em colônias, a fêmea coloca de dois a cinco ovos que depois de 29 dias de incubação nascem os filhotes, são alimentados pelos pais até saírem do ninho. Normalmente o casal permanece junto dos filhotes dentro do ninho. Ameaças – consta na lista oficial de animais ameaçados de extinção do IBAMA, principalmente pela destruição do habitat, poluição hídrica e o tráfico de animais. Ave belíssima e muito procurada pelos traficantes, está seriamente ameaçada de extinção.

GUAXE (Cacicus haemorrhous)

Características – mede de 23 a 26 cm de comprimento. Plumagem preta com dorso inferior escarlate e bico amarelo. Habitat – baixadas quentes com florestas Ocorrência – Amazonas, Pará, Goiás, Mato Grosso do Sul, Pernambuco, Bahia, São Paulo, Espirito Santo, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Santa Catarina e Rio Grande do Sul. Hábitos – vivem em bandos. A localização das colônias varia podendo ser em galhos de árvores a pouca altura sobre a água, no alto de árvores no meio da mata ou em palmeiras na orla da floresta. Possui voz rouca, misturada com assovios e canto barulhento. Gostam de freqüentar lavouras e pomares, onde causam certo dano. Alimentação – onívoro Reprodução – primavera-verão. O ninho tem forma de bolsa fina e alongada, às vezes com 1 m de comprimemto, pendurados não raro em grande número na mesma árvore ou palmeira.

HARPIA (Harpia harpyja)

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Características – mais poderosa predadora entre as aves de rapina do mundo, o gavião-real ou harpia é a maior ave de rapina da América do Sul, possuindo porte majestoso e imponente. P ode medir de 50 a 90 cm de altura, cerca de 105 cm de comprimento e possui 2 m de envergadura. O macho pode pesar de 4 a 4,5 Kg e a fêmea de 6 a 9 Kg. Suas asas são largas e redondas, as pernas curtas e grossas e os dedos extremamente fortes com enormes garras. A cabeça é cinza, o papo e a nuca negros. O peito, a barriga e a parte de dentro das asas, brancas. Seus olhos são pequenos. Possui um longo topete, uma crista com duas penas maiores e a cauda com três faixas cinzentas. É a ave de rapina

mais forte do Brasil, capaz de levantar um carneiro do chão. A realeza das harpias não se deve apenas à sua aparência imponente - asas, cauda e um colar em torno do pescoço negro, peito branco e cabeça ornada por um cocar cinza e macio, do qual despontam dois conjuntos de penas maiores, semelhantes a "chifres" -, mas principalmente à sua incrível força e ferocidade. Uma harpia adulta carrega um animal de mais de 10 quilos. Suas garras são tão poderosas (a unha chega a medir 7 centímetros) e sua força tão grande, que ela consegue, em pleno vôo, arrancar uma preguiça da árvore. Pode viver até 40 anos. Habitat – florestas tropicais altas e densas. Na Mata Atlântica a população está em declínio, mas sua maior ocorrência é na Amazônia. Ocorrência – do México a Bolívia, Argentina e Brasil. Hoje ainda sobrevive em alguns estados do Nordeste, em Mato Grosso, Goiás, Espírito Santo, Rio de Janeiro, e nos estados do Sul. Hábitos – t em um assobio longo e estridente. Voa alternando rápidas batidas de asas com planeio. Quando ataca uma presa, torna-se veloz e possante, podendo carregar para uma árvore, mamíferos de médio porte. Avessas a mudanças de hábitat, as harpias costumam se estabelecer em um território de caça de cerca de 100 quilômetros quadrados de extensão.

Alimentação – animais de médio porte como preguiças, macacos, filhotes de veado e caititu, aves como araras e serpentes. A harpia está no topo da cadeia alimentar (não tem outros predadores a não ser o homem). Reprodução – reproduzem-se de junho a novembro. O ninho, construído pelo casal em uma das árvores mais altas da área, é perene e refeito a cada período de reprodução, que normalmente ocorre de dois em dois anos. Nidificam em árvores altas e de troncos fortes, seu ninho consiste em uma pilha de galhos, a fêmea coloca dois ovos. A incubação dura em torno de 56 a 58 dias, sobrevivendo apenas um filhote, que é alimentado pelos pais até sair do ninho entre 6 e 8 meses. Chega a maturidade somente no quarto ano de vida. Ameaças – ameaçada de extinção. Atualmente encontra-se praticamente restrita à Floresta Amazônica, devido à caça indiscriminada pelo homem, d estruição do habitat e o tráfico de animais.

INHAMBU (Crypturellus tataupa)

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Características – mede 25 cm de comprimento. O seu bico é vermelho vivo (com a ponta negra no macho). Pelagem é vermelho pálido, seu manto (costas) é castanho-escuro. A cabeça e o pescoço são cinzento-escuros, a garganta e o meio da barriga, brancos, o resto do lado inferior, cinzento. Os lados da barriga e as coberteiras inferiores da cauda são pretas com largas orlas esbranquiçadas. As pernas são roxo-encarnadas. O macho é bem menor que a fêmea. Habitat – matas secundárias, capoeirões secos, caatinga, canaviais. Ocorrência – no Brasil ocorre no Nordeste, Leste, Sul (até o Rio Grande do Sul) e no Centro-Oeste. Ocorre ainda no Peru, Bolívia, Paraguai e Argentina. Hábitos – desconfiados, imobilizam-se instantaneamente de pescoço ereto, parte posterior do corpo levantada ou deitam-se. Indivíduos assustados por um tiro às vezes fingem-se de mortos. Alçam vôo apenas como último recurso, sendo o mesmo pesado e retilíneo. São quase incapazes de evitar obstáculos, mas pilotam relativamente bem quando planam para aterrissar. Alimentação – comem não só bagas, frutas caídas (ex. merindibas, tangerinas e coquinhos de palmito) como folhas e sementes duras. Procuram pequenos artrópodes e moluscos que se escondem no tapete de folhagem apodrecida; viram folhas e paus podres com o bico à procura do alimento, jamais esgravatando o solo com os pés como fazem os galináceos. Às vezes pulam para apanhar algum inseto. Bebem regularmente sempre que houver água. Engolem pedrinhas. Os filhotes dependem de alimento animal. Reprodução – andam aos casais. O ovo é de cor chocolate-claro rosáceo. A incubação tem duração de 19 a 21 dias. Predadores naturais – gatos-do-mato, raposas, guaxinins, furões, iraras, gambás, gaviões e corujas. Os ninhos podem ser saqueados por cobras, macacos, gambás e até mesmo pelo tamanduá-bandeira. Ameaças – essas aves se aproveitam do desmatamento e se infiltram até em áreas cultivadas. Estão ameaçadas pelo emprego de inseticidas, espalhados indiscriminadamente por toda parte. Comem formigas cortadeiras envenenadas por iscas granuladas e carrapatos mortos caídos do gado tratado. Consta que o xintã revela extraordinária resistência às modificações ambientais. A caça e a destruição do habitat são as principais ameaças.

INHAMBUGUAÇU (Crypturellus obsoletus)

Características – mede 29 cm de comprimento. Possui colorido muito peculiar, castanho-chocolate-escuro com o manto (parte bem abaixo do bico) e garganta cinzentos, alto da cabeça cinzento-escuro e pernas esverdeadas. O peito é castanho escuro, a barriga amarelada com largas faixas pretas na parte posterior. Habitat – sub-bosque fechado quer de matas altas ou baixas. Ocorrência – do Espírito Santo e Minas Gerais até o Rio Grande do Sul, Paraguai e Argentina; populações isoladas ao sul do Amazonas, no sul do Pará e no baixo Tapajós. Também na Venezuela ao Equador e Bolívia. Tem notável adaptação a climas tão diversos como aqueles de montanhas e de baixadas. Hábitos – desconfiados, imobilizam-se instantaneamente de pescoço ereto, parte posterior do corpo levantada ou deitam-se. Indivíduos assustados por um tiro às vezes fingem-se de mortos. Alçam vôo apenas como último recurso, sendo o mesmo pesado e retilíneo. São quase incapazes de evitar obstáculos, mas pilotam relativamente bem quando planam para aterrissar. Alimentação – comem não só bagas, frutas caídas (ex. merindibas, tangerinas e coquinhos de palmito) como folhas e sementes duras.

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Procuram pequenos artrópodes e moluscos que se escondem no tapete de folhagem apodrecida. Viram folhas e paus podres com o bico à procura do alimento, jamais esgravatando o solo com os pés como fazem os galináceos. Pulam, às vezes, para pegar um inseto. Bebem regularmente sempre que houver água. Engolem pedrinhas. Os filhotes dependem de alimento animal. Reprodução – a cor do ovo é chocolate. O macho se incumbe da tarefa de chocar e criar filhotes, sistema de reprodução que envolve a poligamia. Não se empoleiram enquanto se dedicam a essa tarefa. Predadores naturais – gatos-do-mato, raposas, guaxinins, furões, iraras, gambás, gaviões e corujas. Os ninhos podem ser saqueados por cobras, macacos, gambás e até mesmo pelo tamanduá-bandeira. Ameaças – caça e destruição do habitat

IRERÊ (Dendrocygna viduata) Características – é um pequeno ganso, pois seus tarsos são altos e reticulados. A parte anterior da cabeça é branca, bem como a garganta. Segue-se contrastando vivamente uma grande zona preta que abrange também a parte superior do pescoço, ao passo que a parte inferior deste é ruivo-castanha. As penas do dorso são brunas, com as orlas amareladas. As asas e a cauda são pretas. A barriga é preta no meio, amarela com desenho listrado nos lados. Habitat – lagos, pântanos e brejos Ocorrência – América do Sul Hábitos – forma grandes bandos. Tem o hábito de voar à tardinha e à noite, quando passam vocalizando "irerê, irerê...", o que deu motivo a seu nome onomatopéico. C repusculares e noturnos. Nidifica no solo. Alimentação - sementes de plantas aquáticas, encontradas no fundo dos brejos rasos e invertebrados. Ameaças – caça indiscriminada

JABURU (Jabiru mycteria)

Características – também conhecido com tuiuiú, atinge 1,15 m de altura,, bico com 30 cm, asas 62 cm e cauda com 20 cm. É uma das maiores aves da América do Sul e símbolo do Pantanal. Além do seu tamanho, chama a atenção o seu enorme ninho feito de galhos de arbustos secos, construído em árvores como o "manduvi" (Sterculia striata), a "piúva" (Tabebuia impetigosa) ou em troncos de árvores mortas. O jaburu é uma ave de corpo robusto, bico grosso e afilado na ponta, pescoço é preto e a parte do papo, dotada de notável elasticidade, é vermelha. A cor predominante das penas no indivíduo adulto é branca. Habitat – pântanos, lagoas e rios Ocorrência – do sul do México até a Argentina, mas não é encontrado na parte ocidental dos Andes.

Hábitos – vive em bandos numerosos. Tem grande capacidade de vôo, elevando-se a grandes altitudes. Quando descansa, na margem do rio ou lagoa, costuma ficar em uma só perna. Seu andar é deselegante e vagoroso. Alimentação – peixes, moluscos e anfíbios. Reprodução – o ninho é feito com ramos entrelaçados no alto das árvores. Na época da incubação, enquanto um choca dois ovos, o outro fica de pé sobre a beirada do ninho em constante vigília. Ameaças – poluição e destruição do habitat.

JACAMIM (Psophia creptans)

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Características – a ve mais ou menos do tamanho de um peru, de carne não apreciada. Possui asas grandes, com pernas e pés também grandes. O bico é curto, forte e cauda curta. De cor predominantemente negra, com peito anterior púrpura. Penas da cabeça e do pescoço curtas e aveludadas. Dorso alto pardo amarelado passando do brônzeo ao cinzento-esbranquiçado. Habitat – floresta tropical virgem Ocorrência – Amazônia Hábitos – vive em bandos. São terrestres, voam mal e só quando perseguidas ou para pousarem em árvores. Apreciam locais próximos de córregos encachoeirados, onde tomam banho para, em seguida, estenderem as asas aberta para a secagem. É muito valente perseguindo e afugentando alguns predadores. Alimentação – frutas, folhagens, insetos, artrópodes e outros invertebrados e mesmo vertebrados de pequeno porte. Reprodução – constrói enormes ninhos no solo, à beira da água. Podem também construir o ninho em copa de palmeiras ou árvores. Dizem que pratica a monogamia e que um membro do casal não sobrevive à morte do outro. O casal se encarrega da construção do ninho, mas somente a fêmea se encarrega de incubação e da postura, que é de 6 a 10 ovos, de coloração amarelada-suja, medindo 58 x 48 mm em seus eixos e pesando 85 g cada um. O período de incubação é de 28 dias. Os jovens são nidífugos e acompanham os pais, que os defendem e os protegem. A época de reprodução é, mais freqüentemente de fevereiro a abril. Predadores naturais – gambás, raposas e felinos. Ameaças – destruição do habitat e caça por serem facilmente domesticadas.

JAÇANÃ (Jacana jaçana)

Características – ave aquática esbelta de corpo muito leve, pernas muito altas, dedos excessivamente longos e delicados, unhas afiladas como agulhas. De plumagem marrom com pescoço e cabeça pretos. As rêmiges da mão verde-claro. O bico é amarelo expandindo-se na fronte em uma forma de escudo vermelho, dedos e unhas bem compridos, possuindo esporão amarelo nas asas que serve como arma contra inimigos. Mede em torno de 23 cm de comprimento. Para não afundar desenvolveu dedos enormes, que distribuem seu peso sobre as folhas. Seus dedos são longos, com unhas de até 4 cm de comprimento, permitem que virtualmente caminhe na superfície da água, sustentada apenas por folhas capins flutuantes, que afundariam com peso mais concentrado de outras aves. Sexos de cores bem semelhantes, porém fêmea de porte bem maior (159 g contra 69 g do macho). Habitat – lagoas, banhados, brejos lodosos e pântanos

Ocorrência – toda América Tropical Hábitos – se locomove sobre a vegetação aquática flutuante. Permanece freqüentemente de asas levantadas, comportamento típico já no filhote. Funciona como sentinela dos lugares onde habita, alertando para qualquer alteração na sua área. É visto aos pares e, quando assustado, normalmente corre sobre as plantas aquáticas, onde facilmente se esconde. Voa pouco. Se for obrigada a voar, levanta as asas e pesada e ruidosamente voa para outra área. Fora da época de reprodução são migratórios, associando-se em bandos. Alimentação – insetos, moluscos, pequenos peixes e sementes Reprodução – choca 04 ovos cor de barro com numerosas linhas pretas que se entrelaçam. Não constrói ninho, nem mesmo uma simples cama. A postura é feita a céu aberto sobre plantas aquáticas, quase em contato com a água. Existe forte defesa territorial. Vivem aos casais, sobretudo em lagos pequenos, mas ocorre também poliandria, quando o espaço é amplo. Apenas o macho choca e zela pelos filhotes. Para protegerem o ninho, fingem estar com uma perna quebrada debatendo-se como se não pudessem voar (despistamento). Os filhotes são

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nidífugos, logo após a eclosão saem por sobre plantas aquáticas. Já nesta idade são extremamente pernilongos e sabem mergulhar. Ameaças – caça, poluição e destruição do habitat

JACU (Penelope obscura)

Características – também conhecido como jacuguaçu, mede 73 cm de comprimento. Sua plumagem é verde-bronze bem escura. Manto, pescoço e peito finamente estriados de branco. Pernas anegradas. Asas grandes e arredondadas. O macho possui a íris vermelha e a fêmea, castanha. Ambos apresentam uma barbela vermelha na garganta. Habitat – mata alta. Ocorrência – sudeste e sul do Brasil, de Minas Gerais e Rio de Janeiro até o Rio Grande do Sul; Uruguai, Paraguai, Argentina e Bolívia. No Rio de Janeiro ocorre nas montanhas, em São Paulo na Serra do Mar e no litoral. Hábitos – o sinal de excitação é abrir e fechar impetuoso da cauda. Têm o tique de sacudir a cabeça. À tardinha, antes de empoleirar-se, tornam-se muito inquietos, sendo tal nervosismo aparentemente ansiedade para achar um bom lugar de dormida. Voa relativamente bem apesar de sua capacidade de vôo ser reduzida. Vive nas árvores das florestas, descendo ao solo muitas vezes para alimentar-se. Alimentação – frutas, folhas e brotos. Bebem na beira dos rios. O ato de beber se assemelha ao dos pombos, é um processo de sugar, com o bico mantido dentro d'água, notando-se a ingestão do líquido pelo movimento rítmico da garganta. Reprodução – monógamos. Os machos dão comida à sua fêmea, virando e abaixando gentilmente a cabeça, como os pais alimentam os filhos. O casal acaricia-se na cabeça. Conhece-se pouco sobre as cerimônias nupciais dessas aves. O par faz um ninho pequeno nos cipoais, às vezes no alto das árvores ou em ramos sobre a água ou ainda em troncos caídos. Aproveitam também os ninhos abandonados de outras aves. Pode instalar-se sobre um galho entre gravatás cujas folhas ela pisa, obtendo assim um ninho. Os ovos são grandes, uniformemente brancos. O período de incubação é de 28 dias. As ninhadas são de dois a três filhotes Ameaças – o desmatamento e a caça indiscriminada reduziram drasticamente a população dessas aves. É necessário aproveitar-se da boa potencialidade de reprodução em cativeiro para se obter espécimes a serem utilizados em programas de repovoamento. Muito apreciada como caça, está em extinção.

JACU DE ESTALO (Neomorphus geoffroyi)

Características – é um cuculídeo de grande porte com assa arredondada de regular tamanho, cauda longa, bico grande e forte, curvado e amarelado. Pernas de tamanho regular, fortes, pé grandes com dedos e unhas bem fortes. Sexos semelhantes. A coloração do topete é pardo-ferrugínea com extremidade negro-azulada, dorso azul-ferrete esverdeado. Cauda parda- púrpura com a extremidade possuindo uma faixa verde-escura. Garganta e peito amarelados com pintas pretas e uma faixa de cor negra separando o peito do abdômen. Abdômen amarelo-canelado com região mais baixa avermelhada. A fêmea tem coloração mais opaca. A íris é amarela e castanha. Região post-ocular com pele azul pouco mais opaca. Habitat – florestas virgens e secundárias

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Ocorrência – Minas Gerais e Espírito Santo Hábitos – vive solitário ou em casais. Ataca rapidamente suas presas com os pés e o bico. Percorre o solo, ramagens espinhentas de aceiros florestais. Ao correr pelo sole, eleva a cauda na vertical, abrindo-a em leque durante a caçada. O estalido que produz com o bico assemelha-se a de um reco-reco, ora com algumas notas ora em disparada. Alimentação – insetos como a formiga, besouro e gafanhoto, escorpiões, aranhas, miriápodes, vermes, moluscos, camaleões e lagartixas. Reprodução – postura com 2 a 3 ovos e o período de reprodução se dá entre outubro e janeiro. Ovo de coloração branca, medindo 45 x 33 mm em seu eixo e pesando 30 g. A incubação é realizada pela fêmea. Ameaças – seriamente ameaçada de extinção devido à destruição do habitat e à caça.

JACUPEMBA (Penelope superciliaris)

Características – mede 55 cm de comprimento e pesa 850 g. Apresenta um rudimentar topete, asas com largas bordas ferrugíneas bem distintas e peito com desenho esbranquiçado. Íris vermelha em ambos os sexos. Distingue-se das outras espécies do gênero por ter as coberteiras das asas orladas de castanho. As penas da cabeça, do pescoço e do peito são orladas de cinzento- claro. Sobre os olhos corre uma estria branca. Habitat – mata, também capoeira baixa, capões de mata no cerrado. Ocorrência – do sul do Amazonas e Madeira, pelo Brasil central, Nordeste e Brasil merídio-orienta, até o Paraguai. Hábitos – o sinal de excitação é abrir e fechar impetuoso da cauda. Têm o tique de sacudir a cabeça. À tardinha, antes de empoleirar-se, tornam-se muito inquietos, sendo tal nervosismo aparentemente ansiedade para achar um bom lugar de dormida. Gosta de lugares quentes. Alimentação – frutas, folhas e brotos. Bebem na beira dos rios. O ato de beber se assemelha ao dos pombos, é um processo de sugar, com o bico mantido dentro d'água, notando-se a ingestão do líquido pelo movimento rítmico da garganta. Reprodução – monógamos. Os machos dão comida à sua fêmea, virando e abaixando gentilmente a cabeça, como os pais alimentam os filhos. O casal acaricia-se na cabeça. Conhece-se pouco sobre as cerimônias nupciais dessas aves. O par faz um ninho pequeno nos cipoais, às vezes no alto das árvores ou em ramos sobre a água ou ainda em troncos caídos; aproveitam também os ninhos abandonados de outras aves. Os ovos são grandes, uniformemente brancos. O período de incubação é de 28 dias. As ninhadas são de dois a três filhotes. Ameaças – o desmatamento e a caça indiscriminada reduziram drasticamente a população dessa espécie. É necessário aproveitar-se da boa potencialidade de reprodução em cativeiro para se obter espécimes a serem utilizados em programas de repovoamento.

JACUTINGA (Pipile jacutinga)

Características – é uma das aves mais impressionantes da Floresta Atlântica. É negra com riscas brancas por todo o corpo. As penas do alto da cabeça (píleo) são brancas, além de bastante alongadas e eriçáveis. Possui a face toda emplumada de negro, com região perioftálmica nua, branco-gesso. Ainda, possui a base do bico azulada. A barbela, provida de pouquíssimas penas é vermelha em sua porção posterior, enquanto que a anterior é dividida em uma área lilás superior e outra azul brilhante, inferior. O colorido da barbela torna-se bastante acentuado durante o período reprodutivo, enquanto que fora deste, as cores ficam esmaecidas e mesmo a barbela encolhe.

Habitat – floresta atlântica primitiva sendo bastante exigente quanto a esse ambiente.

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Ocorrência – típico da região Sudeste do Brasil, era encontrada na região da Serra do Mar em qualquer altitude, em locais acidentados, semeados de rochas e cobertos por mata espessa, onde nidificava Alimentação – aprecia muito o fruto do palmiteiro Reprodução – como os demais representantes da família, são monogâmicos, ou seja: possuem apenas um parceiro. Podem fazer posturas sobre galhos grossos, ramificações de troncos e rochas quase sem material de construção. Os ovos são brancos e o período de incubação é de 28 dias. Os filhotes já nascem com os olhos abertos, e movimentam-se livremente apesar de sempre acompanhados pela mãe, abrigando-se sob sua cauda ou suas asas. Mesmo empoleirados, enquanto seu tamanho lhes permitir, abrigam-se embaixo das asas da mãe durante o seu desenvolvimento. Ameaças – em decorrência da caça, do tráfico de animais selvagens e da inclemente destruição de seu habitat natural, notadamente a Floresta Atlântica, a espécie desapareceu da maioria dos locais onde era encontrada habitualmente. Está ameaçada de extinção. Atualmente, apesar de admitir-se que a espécie tenha sua distribuição para o Brasil desde o sul da Bahia até o Rio Grande do Sul, é na verdade de ocorrência bastante pontual.

JANDAIA (Aratinga jandaya)

Características – periquito com plumagem amarela viva no ventre, dorso verde, asas com algum colorido azul, com extremidade enegrecida. Habitat – áreas abertas e coqueirais Ocorrência – nordeste do Brasil Hábitos – vivem em bandos de até 20 cabeças que quando podem invadem lavouras de milho causando grandes estragos. Muito vivos. Alimentação – sementes e frutas Ameaças – caça, tráfico de animais e destruição do habitat

JOÃO-BOBO (Nystalus chacuru)

Características – mede 18 cm de comprimento e pesa entre 61 e 64 g. Plumagem parda. Bochechas salientes e colar branco e puro, muito destacado na nuca, separados por uma área negra, bico amarelo-alaranjado. Habitat – campos semeados de árvores, cerrado, campos de cultura (cafezais, etc), pastos, áreas marginais a estradas de ferro e também em locais bem ensolarados. Ocorrência – do alto rio Madeira (Amazonas), Maranhão, nordeste do Brasil e leste do Peru até o Rio Grande do Sul, Paraguai, Bolívia e Argentina. Hábitos – provavelmente tenha recebido este nome devido a seu temperamento bonachão e tolerante com os demais pássaros. Pode ser também devido ao seu desenho corporal, onde figura uma cabeça um tanto grande em relação ao seu corpo. Assim, à primeira vista parece tratar-se de um pássaro "cabeçudo". A verdade é que o bicho nada tem a ver com o seu desmerecido apelido. É letárgico porque a evolução criou outros mecanismos de compensação, como uma coloração que nada tem de

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chamativa, o que em Biologia é chamado de coloração críptica. Para que correr se os predadores quase não podem enxergar o joão-bobo? Assim ele fica parado, contemplativo, com ares filosofais. Permanece imóvel durante longo tempo, mudando de vez em quando apenas de lado e virando a cabeça mostrando que tudo observa, não é "bobo" como dizem, apenas confia no seu mimetismo. Quando é apontado vivo finge de morto para fugir inesperadamente. O seu vôo é rápido e horizontal, percorre apenas distâncias curtas. Vivem periodicamente em pequenos grupos que constituem aparentemente em famílias. Pernoitam pousados em galhos, encostando um no outro. O joão-bobo é esperto até para cantar: canta harmoniosamente, mas de uma forma dissimulada, bem fina, bem baixa - como se fosse o barulho de morcegos. Sua música quase só é percebida pela fêmea, a "joana-boba", para quem ele canta e a quem ele encanta. Com tamanha discrição, outro bicho não vai percebê-lo nem quando ele "fala". Não ser percebido é tudo que ele deseja - parece acreditar que o segredo é a alma do negócio. Alimentação – caça insetos (por ex. besouros) em vôo. Alimenta-se também de artrópodes pousados e lacertílias, diplópodes, chilópodes, opiliões, escorpiões. Ingerem matéria vegetal. Bebem água acumulada em rosetas de folhas. Reprodução – a fêmea põe de 2 a 3 ovos no ninho. Aproveita-se de taludes de ferrovias para nidificar. No período que escava, suja o bico, pés e pernas, o que altera um tanto seu colorido natural. Escava o ninho em barrancos naturais e de beiras de estradas, e em cupinzeiros. Perfura uma galeria de cerca de 40 cm no fim da qual escava ampla panela, onde são depositados alguns gravetos e talos de folhas secas.O casal reveza-se para cuidar do ninho. O bicho entra de ré em sua toca e se um predador entrar em seu aposento leva fortes bicadas. Nesta hora vira joão-valentão. Seus filhotes levam quinze dias em média para serem chocados.

JOÃO-DE-BARRO (Fumarius rufus)

Características – um dos pássaros mais populares do Brasil. Cor de terra- ferrugínea com parte superior pouco mais escura. Porte semelhante ao do sabiá com aproximadamente 20 cm de comprimento. Dimorfismo sexual muito pouco pronunciado. É uma ave alegre que gosta de conviver com o homem. Habitat – áreas abertas, campos, é abundante nas fazendas da região sul, parques, pomares e jardins nas áreas rurais e urbanas não se importando com a presença humana. Ocorrência – regiões Sul, Sudeste, leste e nordeste da Bahia e até o sul do Piauí. Hábitos – as fêmeas dormem sozinhas nos ninhos, quando estão com ovos ou filhotes. Constroem o ninho em formato de forno, um para cada

ano, embora possam reformar algum velho.Os ninhos são construídos com barro, esterco e palha, com predominância do primeiro e em local aberto. O casal trabalha em conjunto e as irregularidades da superfície são corrigidas com reboco.O ninho é constituído de um vestíbulo e pela câmara incubadora. A entrada está sempre voltada em direção contrária à dos ventos predominantes. O casal pode trabalhar em diversos ninhos ao mesmo tempo. Em condições favoráveis demoram 18 dias para terminar o ninho e depois de 3 dias o casal começa a preparar e forrar a câmara incubadora. Ninho mede 30 cm de diâmetro na base. Paredes com espessura de até 5 cm. O casal solta seu canto, forte grito ou gargalhada, frequentemente em conjunto. O joão-de-barro é mais ativo nas horas mais quentes e claras ao contrário de outras espécies da família. Seu canto tem seqüências rítmicas mais prolongadas como que um canto festivo, crescente e decrescente. O casal sincroniza um dueto. Alimentação – insetos e suas larvas, aranhas, opiliões e outros artrópodes. Podem ocasionalmente ingerir sementes. Reprodução – Põe de 3 a 4 ovos a partir de setembro três vezes ao ano.

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JURITI (Leptotila verreauxi)

Características – mede 27 cm de comprimento. Pontas das rectrizes laterais esbranquiçadas e as penas das axilas e parte inferior das asas ferrugíneas. Extremidade da rêmige primária mais externa afina abruptamente. Alto da cabeça cinza-claro, a região em torno dos olhos azulada, a face dorsal do pescoço verde-cobre e o restante do dorso cinza-pardacento; a maior parte da face ventral é violeta-clara e o abdômen esbranquiçado. Na fêmea, o colorido geral é mais claro do que o do macho. Habitat – áreas quentes como capoeiras e campos adjacentes, bordas de florestas densas e cerrados.

Ocorrência – em quase todo o Brasil e também do sul dos Estados Unidos até a Argentina. Hábitos – vive no chão solitária ou aos pares. Quando perturbada, foge caminhando sem fazer barulho, ou voa, emitindo um som com as asas, até uma árvore próxima. Alimentação – sementes e frutos no chão. Como os demais columbídeos, ao beber, não eleva a cabeça para sorver a água, como o fazem as outras aves. Reprodução – faz ninho típico de pombinhas - uma plataforma construída de gravetos e grama, localizada em arbustos baixos ou árvores, eventualmente no chão. Põe 2 ovos brancos ou cremes a camurça-pálidos, que medem 27-33 x 21-23 mm. O casal participa da incubação, que dura cerca de 14 dias, bem como da alimentação dos filhotes que inicialmente é representada pelo "leite-do-papo". Ameaças – caça e destruição do habitat

JURITI-GEMEDEIRA (Leptotila rufaxilla)

Características – o macho desta espécie apresenta o alto da cabeça cinza, a região em torno dos olhos avermelhada, a face dorsal do pescoço vermelho- púrpura e o restante do dorso pardo-oliva. O padrão de colorido propicia a camuflagem na cobertura de folhas secas do solo, onde se alimentam. Mede 27,5 cm de comprimento Habitat – interior de florestas Ocorrência – da Venezuela à Bolívia, Argentina e Uruguai e em grande parte do Brasil. Hábitos – ocupa o estrato inferior ou o chão da mata. Alimentação – sementes e pequenos frutos coletados no solo. Reprodução – o casal constrói um ninho com gravetos, pedaços de cipós secos e algumas folhas secas; o ninho, em forma de tigela rasa, localiza-se em árvore ou arbusto e a cerca de 3 m do solo. Nele são postos 2 ovos brancos, às vezes ligeiramente rosados ou cremes, que medem cerca de 30 x 22 mm e são incubados pelo par. Durante o período de alimentação dos filhotes o casal mantém o ninho limpo, evitando assim tanto a invasão de formigas quanto a atração de predadores. Para tal, logo após a eliminação das fezes pelos filhotes, estas são retiradas ou ingeridas pelo adulto presente no ninho naquele momento. Ameaças – caça e destruição do habitat.

JURUVA (Baryphthengus ruficapillus)

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Características – plumagem verde-azeitonada, com cabeça castanha, peito com pequena mancha preta e cauda longa que termina coma ponta azul. Mede 43 cm de comprimento. Habitat – floresta atlântica Ocorrência – da Bahia ao Rio Grande do Sul e leste de Minas Gerais Hábitos – emitem som grave que causa admiração pelo volume em comparação com o tamanho da ave, que ressoa forte pela mata sendo uma das vozes mais características de nossas florestas. Alimentação – insetos e frutas Reprodução – nidifica em barrancos. Postura de 3 a 5 ovos incubados pelo casal por 21 dias. Ameaças – destruição do habitat

LAVADEIRA-MASCARADA (Fluvicola nengeta)

Características – pássaro com cabeça branca, dorso acinzentado, asas e caudas negras e uma faixa negra cruzando a área dos olhos. Mede em torno de 15 cm. Habitat – áreas próximas de rios, riachos e praias Ocorrência – leste do Brasil Alimentação – insetos

MAÇARICO (Tringa flavipes)

Características – mede 26 cm. A plumagem de sua parte superior é cinzenta e pintalgada de branco, peito claro com riscos cinzentos e ventre branco. Ave aquática esbelta de corpo muito leve, pernas muito altas e amarelas e a cauda é branca bem visível no vôo. O seu bico mede 35 mm e é reto. Habitat – praias lamacentas e abertas de lagos e rios. Ocorrência – em todo o Brasil (inclusive no interior), até a Terra do Fogo. Hábitos – podem transferir plantas de um continente para outro por intermédio de sementes vivas nas suas dejeções. Alimentação – predominantemente animal. Regurgitam pelotas, que contêm a quitina do exoesqueleto dos artrópodes ingeridos. Reprodução – existe forte defesa territorial. Vivem aos casais, sobretudo em lagos pequenos, mas ocorre também poliandria, quando o espaço é

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amplo. Nidifica sobre folhas de ninféias, põe quatro ovos castanho-amarelados, densamente manchados. Apenas o macho choca e zela pelos filhotes. Para protegerem o ninho, fingem estar com uma perna quebrada debatendo- se como se não pudessem voar (despistamento). Os filhotes são nidífugos, logo após a eclosão saem por sobre plantas aquáticas. Já nesta idade são extremamente pernilongos e sabem mergulhar. Ameaças – poluição e destruição do habitat

MACUCO (Tinamus solitarius)

Características – é o maior dos representantes meridionais da familia Tinamidae medidno 52 cm de comprimento. O macho pesa de 1200 g a 1500 g e a fêmea de 1300 g a 1800 g. Ave inconfundível pela coloração do dorso pardo azeitonado e ventre cinza-claro. Habitat – floresta, mas pode ser encontrada em áreas como córregos e grotas de difícil acesso. Ocorrência – por todas as regiões florestadas do Brasil Oriental, indo de Pernambuco ao Rio Grande do Sul, incluindo Minas Gerais, Sul de Goiás e Sudeste de Mato Grosso. Ocorre também no Paraguai e Argentina. Hábitos – desconfiados, imobilizam-se instantaneamente de pescoço ereto, parte posterior do corpo levantada ou deitam-se; algumas vezes. Quando assustados e perseguidos, fingem-se de mortos. Escondem-se ocasionalmente em buracos. Levantam vôo apenas como último recurso pois são muito pesados e retilíneos, o que dificulta evitar os obstáculos. Gostam de tomar banho de poeira além de banhos de sol. A sua plumagem freqüentemente adquire, por estar impregnada, a cor da terra local. Sob chuva adquirem forma ereta (sua silhueta então assemelha-se à de uma garrafa) deixando a água escorrer sobre a plumagem. Empoleira-se para dormir e andam em casais. Alimentação – frutos caídos, folhas, sementes duras e também de alguns pequenos artrópodes e moluscos. Reprodução – cor do ovo verde-turquesa ou azul. A fêmea põe os ovos no intervalo de três a quatro dias, completando a postura com seis ovos. O macho se incube da tarefa de chocar e criar filhotes, sistema de reprodução que envolve a poligamia. Não se empoleiram enquanto se dedicam a essa tarefa. Predadores naturais – gato-do-mato, raposa, guaxinins, furões, gambás e iraras, além dos gaviões e corujas. Também os ninhos podem ser saqueados por cobras, macacos e outros carnívoros. Ameaças – estão ameaçados pela destruição ambiental e pela caça indiscriminada. Um novo perigo são as caçadas noturnas facilitadas pelas modernas e possantes lâmpadas que não tem dificuldade em localizar a ave no poleiro.

MAITACA (Pionus maximiliani)

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Características – mede 27 cm de comprimento. Representante relativamente grande, de cauda curta. Cabeça verde tendendo para o negro, quase sem azul, bico amarelo com a base negra. Os jovens possuem duas manchas vermelhas próximas ao bico. Habitat – mata alta, pinheirais e matas ciliares. Ocorrência – do nordeste (sul do Piauí, Pernambuco, Alagoas) e leste até o sul do Brasil, Goiás e Mato Grosso, também na Bolívia, Paraguai e Argentina. Hábitos – tem um modo peculiar de manter-se no ar, bate as asas levantando-as mais abaixo do corpo que qualquer outro psitacídeo. Dentro da mata, a curta distância, voa sem fazer o menor ruído. Emite um sinal de satisfação e tranquilidade, no poleiro, através de um estalo produzido pela raspagem da mandíbula contra as ondulações da superfície do "palato". O sinal de susto é um sacudir vigoroso de toda plumagem. Vivem aos pares ou em bandos. Alimentação – procura seu alimento tanto nas copas das árvores mais altas, como em certos arbustos frutíferos. Subindo na ramaria utiliza o

bico como um terceiro pé. Usa as patas para segurar a comida, levando à boca. Gostam mais das sementes do que da polpa de frutas. São atraídos por árvores frutíferas como mangueiras, jaboticabeira, goiabeiras, laranjeiras e mamoeiros. Os cocos de muitas palmeiras constituem sua alimentação predileta, procuram também as frutas da embaúba. Comem brotos, flores e folhas tenras, inclusive as do eucalipto. Reprodução – o par frequentemente permanece junto dentro do ninho, mesmo durante o dia. Quando ouvem um ruído estranho põem meio corpo para fora do buraco, inspecionando os arredores e, se assustados, saem um depois do outro, sem emitir o menor som, pode ficar horas a fio na entrada do seu ninho, expondo unicamente a cabeça e permanecendo absolutamente imóvel enquanto espiona os arredores. Nidificam em troncos ocos de palmeiras e outras árvores, aproveitando-se de fendas formadas pela decomposição.

MARIA FACEIRA (Syrigma sibilatrix)

Características – mede 53 cm. Face azul-clara e bico róseo com ponta escura. Plumagem do dorso e alto da cabeça cinza-esverdeado-escura e na parte inferior parda. Habitat – campos secos, arrozais, lugares pouco alagados. Ocorrência – do Rio de Janeiro e Minas Gerais à Argentina, Paraguai e Bolívia, também na Venezuela e Colômbia. Hábitos – andam a passos largos e bem calculados, como se observassem um perigo ou uma oportunidade. Alimentação – insentívora Reprodução – fazem ninhos sobre as árvores, ou arbustos, em ilhas, ovos levemente manchados. Ameaças – poluição e destruição do habitat.

MARTIM PESCADOR (Chloroceryle americana)

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Características – mede 19 cm de comprimento com bico de 40 cm. Corpo compacto, asas curtas, cauda cheia e pouco alongada e pernas curtas com 4 dedos, sendo 3 voltados para frente e 1 para trás. Pescoço curto com cabeça grande e bico longo, forte e grosso. Existe dimorfismo sexual. No macho, a parte superior do corpo é verde-bonzeada, asas e cauda pintadas de branco. Parte inferior com a garganta branca como na barriga.Peito ferrugíneo- castanho. Lados verdes pintados de branco. A fêmea tem garganta e peito de cor ocre claro, sendo o peito pintado de verde. Habitat – ao longo de rios, lagos e orla marítima, mangues, embocaduras de rios, em florestas ou áreas abertas, onde haja árvore para o pouso. Ocorrência – Brasil central e este meridional, do Espírito Santo ao Rio Grande do Sul.

Hábitos – espécie solitária, muito boa voadora, podendo manter-se fixa num ponto de vôo quando caçando na água ou nos campos. Alimentação – peixes, insetos, pequenos répteis, anfíbios, jovens pássaros e mamíferos como camundongos. Reprodução – ninho construído nas barrancas dos rios e de estradas pouco movimentadas, constituindo-se de um buraco de 10 cm de diâmetro com profundidade que pode chegar a 1 m, com curva terminando em uma concavidade onde coloca algumas folhas para proteção da postura. A postura consiste em 2 a 4 ovos brancos com 25 x 20 mm em seus eixos e a incubação faz-se em 21 dias. Os filhotes nidícolas permanecem por 32 dias até deixarem o ninho. Ameaças – poluição e destruição do habitat.

MARTIM PESCADOR GRANDE (Ceryle torquata)

Características – o maior dos martim-pescadores. Mede 42 cm de comprimento, pesando em torno de 305 a 341 g. É inconfundível pelo porte avantajado, bico enorme, comprido e pontudo. Sua plumagem é azulada nas partes superiores, sendo a barriga de coloração ferruginosa. Apresenta um colar branco bem visível. O macho tem o peito também ferrugíneo, mas na fêmea, o peito tem uma faixa escura e outra branca. Habitat – áreas próximas a água de açudes, lagoas, represas, córregos, lagunas, manguezais e à beira mar. Ocorrência – em zonas tropicais e subtropicais, indo da Terra do Fogo ao Alaska. Hábitos – pousa sobre troncos secos e pedras à beira d'água, em árvores altas, em fios e moirões. Vive a maior parte do tempo solitário. Visto pousado em algum galho seco sobre a água olhando atentamente à espera de algum peixe. Daí mergulham e saem com o peixe no bico, que vão comer em outro lugar. Alimentação – peixes Reprodução – nidifica em barrancos ou rochas. Vivem aos casais na época da reprodução. O casal se reveza na execução de longas galerias tortuosas, de um a dois metros de comprimento onde são postos de dois a quatro ovos, arredondados e de um branco puro, diretamente no substrato. O casal reveza-se a cada vinte e quatro horas. Em média os ovos eclodem em 22 dias. Os filhotres nascem nus e cegos e abandonam o ninho em 35 dias. Ameaças – os proprietários de pesqueiros não acham nada agradável a visita do martim-pescador, mas é necessário o mínimo de sacrifício para evitar a destruição desta espécie, pois seu habitat natural está desaparecendo com aterros de cursos d'água, pela poluição e presas saturadas de inseticidas.

MARTIM-PESCADOR VERDE (Chloroceryle amazona)

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Características – mede 29,5 cm de comprimento. O macho apresenta uma faixa ferrugínea no peito, a qual é verde na fêmea. Conhecido também como ariramba-verde e martim-gravata (Rio Grande do Sul). Dorso verde metálico, asas escuras com manchas brancas, colar no pescoço branco começando na base do bico e cabeça negra com bico fino e comprido. Habitat – beiras de rios, lagos, lagunas, manguezais e outros corpos d'água, geralmente com margens ensolaradas. Ocorrência – em todo o Brasil e também do México à Argentina. Hábitos – pousa em galhos expostos ao sol (em alturas variáveis de 2 a 10 m), onde passa a maior parte do tempo observando a água. Raramente

paira no ar antes de mergulhar. Alimentação – peixes de 3,5 a 11 cm. Reprodução – faz ninho no interior de buracos com cerca de 1,5 m de profundidade, em barrancos às margens das águas. Põe de 3 a 4 ovos. Ameaças – destruição do habitat e poluição.

MOCHO ORELHUDO (Bubo viriginianus)

Características – é a maior coruja do continente, tem o tamanho do gavião carcará, mas parece mais volumosa. Porte avantajado, pouco menor que uma galinha. Partes inferiores densamente cobertas com linhas transversais. Garganta branco puro e parte superior mesclada terrosa. Possui disco facial que tem papel importante como refletor sonoro, ampliando o volume do som aprimorando a localização da presa. Olhos grandes e frontais. Cabeça com excelente mobilidade giratória. Orelhas largas e eretas sempre visíveis, constituídas de penas diferenciadas, ao que se sabe são ornamentos, sem função específica. Mede 52 cm de comprimento e pesa mais de 1 Kg. Habitat – beira da mata, capões e nos campos, normalmente próximo da água. Ocorrência – da América do Norte à Terra do Fogo Hábitos – possui vôo silencioso, possibilitado pela estrutura das penas a qual elimina componentes ultra-sônicos, facilitando a caça e a orientação da ave. Hábitos noturnos. Alimentação – pequenos mamíferos, porém não rejeitam insetos. Ameaças – destruição do habitat, caça e poluição.

MURUCUTUTU (Pulsatrix perspicillata)

Características – mede 48 cm de comprimento. Corujão sem "orelhas", face com desenho branco puro, barriga uniforme, branca ou amarela. Íris alaranjada ou amarela. Habitat – mata alta. Ocorrência – do México à Bolívia, Paraguai e Argentina. Provavelmente em todo Brasil. Hábitos – gosta de banhar-se na chuva. Alimentação – predominam geralmente insetos (gafanhotos, besouros, baratas, etc.), mas apanham roedores, lagartos e rãs. Reprodução – criam em ninhos abandonados de outras aves. Os ovos são quase redondos, às vezes ovais, de cor branca pura. Filhotes de penugem branca, disco facial preto. Predadores naturais – a presença de uma coruja, descoberta no seu esconderijo diurno, irrita certas aves, sobretudo Passeriformes (beija-flores), cujos gritos de advertência chamam vizinhos e revelam a presença da coruja inclusive ao homem. Além de molestarem tanto a coruja que acaba saindo a procura de outro

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esconderijo. Como exemplo de predador temos o pequeno gavião carijó, que chega a apanhar a coruja, pois é uma presa fácil durante o dia.

Ameaças – as corujas merecem a nossa proteção integral. Todas elas proporcionam benefício ao homem pela destruição incessante de insetos e roedores. Temos que combater o preconceito contra essas aves, crendices difamatórias trazidas em parte da Europa, onde também carecem de fundamento. Tais mentiras geram e difundem a antipatia a essas criaturas tão interessantes, cuja vida noturna as torna misteriosas e temidas, dando-lhes a fama de agourentas. É sinal de mentalidade atrasada falar dos pios "agoureiros" das corujas. Os índios adoram as corujas, enquanto os matutos atribuem ao caburé o dom de dar boa sorte. Para os gregos da Antiguidade as corujas, por causa de seus grandes olhos, eram símbolo de sabedoria. A caça, a destruição do habitat e a poluição são as principais ameaças.

MUTUM (Crax blumenbachii)

Características – mede aproximadamente 84 cm, pesando em torno de 3,5 kilogramas. Apresenta um topete no alto da cabeça, constituído de penas crespas viradas para frente. A base do bico é vermelha. Pode viver aproximadamente 20 anos. Habitat – floresta úmida Ocorrência – Sudeste do Brasil Hábitos – vive em pequenos grupos, mas na época de reprodução, cada macho escolhe uma fêmea, conquistando-a através de movimentos semicirculares, abrindo a cauda e emitindo um som. Alimentação – onívoro Reprodução – 1 ovo que eclode após 32 dias de incubação Ameaças – sua perseguição, deve-se à carne saborosa que possui. Num futuro, será salvo unicamente pela reprodução em cativeiro. Espécie ameaçada de extinção.

MUTUM PINIMA (Crax fasciolata)

Características – possui penacho com a ponta das penas recurvadas para cima. A região das narinas é amarela. Dimorfismo sexual acentuado. Os machos são negros, barriga branca, o amarelo das narinas é maior e a ponta das penas da cauda é branca. As fêmeas são marrom-café, rajadas de branco. Topete com a base das penas branca. Peito mais claro e barriga branca. Pernas compridas. É o mais conhecido dos mutuns. Mede aproximadamente 85 cm de comprimento e pesa quase 3 kg. Podem viver por 40 anos. Habitat – florestas densas, próximas de rios, matas ciliares e orla de matas. Ocorrência – Sul do Amazonas, do Pará, Maranhão, Brasil central até oeste de São Paulo, Paraná e Minas Gerais. Hábitos – arborícolas. À tarde e pela manhã circulam pelas praias locais. São monógamos. O macho dá comida à fêmea. Dormem empoleirados no tronco das árvores.

Alimentação – frutas, sementes, restos vegetais, folhas, brotos, gafanhotos, pererecas, lagartos e aranhas. Reprodução – atingem a maturidade aos 2 anos. Reproduzem-se de setembro a janeiro. A incubação dura 33 dias, produzindo-se de 2 a 4 filhotes. Apesar de logo ao nascer serem capazes de andar, os pintos ficam sob a guarda da fêmea por até quatro meses. Ameaças – caça e destruição do hábitat. Espécie ameaçada de extinção.

NARCEJA (Gallinago gallinago)

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Características – pequena ave limícola, com uma plumagem que lhe garante passar despercebida a olhos menos atentos. A Narceja-comum tem cerca de 25 cm de comprimento, dos quais 6 ou 7 dizem respeito ao bico. Aliás, este enorme bico é uma das características mais notáveis da Narceja. Como quase todas as limícolas, possui patas relativamente compridas, embora este aspecto nem sempre seja evidente, porque mantém-se muito tempo agachadas. A plumagem é de tons castanhos, com listas amareladas, e branca no ventre. Os belos desenhos que as penas coloridas formam conferem a esta ave um mimetismo notável, que faz com que raramente possamos ver as narcejas nos seus habitats preferidos, antes que elas levantem vôo à nossa aproximação. Habitat – zonas húmidas, campos de cultivo e pastagens alagadas, arrozais, nas margens de lagoas costeiras, nas beiras de valas ou em pequenos açudes com margens não muito fechadas. Também surge em salinas, orlas de sapais e margens de ribeiras e rios. Ocorrência – em todo o Brasil, Américas e Europa.

Hábitos – tanto surgem isoladas como em pequenos grupos, só esporadicamente sendo possível observar-se algumas dezenas de aves juntas em locais de maior concentração.Quando levantam, muitas vezes à curta distância do observador, emitem um grito de alarme característico, repetido duas ou três vezes. Têm um vôo rápido e uma silhueta característica, com o longo bico e as asas bem pontiagudas. Mas os sons que produz nos vôos nupciais crepusculares são inconfundíveis. F azem vôos nupciais a grande altura, com subidas e descidas abruptas, enquanto deixam as penas exteriores da cauda, espetadas para fora, vibrar com o vento. Estas produzem um som característico, difícil de descrever, e que se ouve sobretudo ao crepúsculo.

Alimentação – utilizam o seu longo bico para sondar a lama ou a turfa mole, sentindo, com ele, os movimentos dos pequenos animais de que se alimentam, sobretudo larvas de insetos, minhocas e outros vermes. Presas menos frequentes são outros pequenos invertebrados, como crustáceos, gastrópodes, aranhas ou insetos adultos. Reprodução – podem realizar uma ou duas posturas. O ninho é escondido num prado húmido, muito bem disfarçado na vegetação, sendo quase impossível de encontrar, mesmo quando o observador se encontra quase sobre ele. A postura compõe-se de 3 ou 4 ovos em forma de pêra e finamente marcados por inúmeros pontos e linhas. O período de incubação dura 18 a 20 dias. As crias abandonam o ninho poucas horas após a eclosão, estando desde logo aptas a caminhar e a apanhar os alimentos sem qualquer ajuda dos adultos. No entanto, seguem o progenitor, que as guia para as melhores zonas de alimentação e as protege de eventuais predadores. Ao fim de cerca de 20 dias começam a voar. Ameaças – é uma espécie comum e não ameaçada na generalidade da sua área de distribuição. Porém vem sofrendo com a caça, a destruição do habitat e poluição. É uma espécie cinegética, muito caçada durante o outono e inverno no hemisfério norte.

PAPAGAIO CHARÃO (Amazona pretrei)

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Características – com seus 32 cm, p ossui a plumagem verde realçada na parte anterior da cabeça uma mancha vermelho-escura brilhante que contorna por trás dos olhos e alcança a região dos ouvidos como uma máscara (fronte, loros e região perioftálmica) . Também é vermelha a borda anterior das asas. Mede cerca de 35 cm de comprimento. Tem a cauda relativamente curta e quadrada na ponta o bico é cor de chifre. Habitat – é uma espécie endêmica da Mata Atlântica e da Mata de Araucária, habitando a parte baixa das matas ao longo dos rios, orla de plantações de eucaliptos e pinus. Ocorrência – sul do Brasil. Anteriormente ocorria de São Paulo até o norte da Argentina, hoje inteiramente restrito às áreas florestadas d o Rio Grande do Sul. Hábitos – espécie nômade, extremamente associada às matas de araucária. Emite gritos graves entremeados de assobios estridentes. Durante certos períodos do ano, grandes bandos podem ser avistados em remanescentes de matas do Pinheiro-do- Paraná. Alimentação – frutas, sementes e flores. Voa mais de 70 km a procura de alimentos. Tem uma sensível preferência por pinhões de Araucária angustifolia, como também de frutos de Podocarpus sp. (pinho-bravo). Reprodução – postura de 2 a 4 ovos e incubação de 25 a 30 dias. Nidifica em ocos de árvores a uma distância de 3 a 10 metros do solo. D urante a época de procriação, vive calmamente em pares dispersos e raramente é notado. Os filhotes são alimentados pelos pais. Ameaças – é considerada uma das aves sul-americanas mais ameaçadas de extinção. A remoção dos papagaios do ninho para o comércio, a caça e o desmatamento são as causas do seu declínio. São destruídas as pousadas tradicionais da espécie. É bastante visado na região pelo tráfico de animais, diversos filhotes são capturados e vendidos nos centros urbanos. A expansão agropecuária tem reduzido as florestas de araucária, diminuindo a disponibilidade de sítios adequados para a reprodução e conseqüentemente, provocando o declínio das populações existentes.

PAPAGAIO-CHAUÁ (Amazona rhodocorytha)

Características – mede cerca de 37 cm, possui plumagem predominantemente verde, com vermelho da fronte até a porção anterior da cabeça, loro laranja, espelho e cauda (nódoas) em vermelho, bico com base da maxila em vermelho-róseo. Habitat – é uma espécie endêmica da Mata Atlântica. Habita a floresta tropical úmida e alta e vive tanto em regiões serranas como em baixadas litorâneas. Ocorrência – de Alagoas ao norte de São Paulo. Alimentação – alimentam-se em pequenos grupos no topo das árvores, ingerindo diversos itens como sementes, frutos, pequenas castanhas, botões de flores e folhas. Reprodução – acredita-se que o período de reprodução inicia-se na primavera, podendo a fêmea colocar até 4 ovos, a incubação demora cerca de 24 dias e os filhotes ficam no ninho durante 34 dias e são alimentados pelos pais neste período. Ameaças – consta na lista oficial de animais ameaçados de extinção do IBAMA. A redução da Mata Atlântica é a principal razão do declínio acelerado desta espécie. Por sua beleza e raridade é bastante visada pelo tráfico de animais.

PAPAGAIO-DE-CARA-ROXA (Amazona brasiliensis)

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Características – mede cerca de 36 cm e possui a plumagem predominantemente verde com a testa e loros vermelhos, cabeça com lados azuis, garganta roxa. As coberteiras e penas terciárias possuem a borda amarela, retrizes com a ponta amarela, bico cor de chifre. Dorso verde e ponta da cauda com lista amarela. Habitat – endêmico da Mata Atlântica. Ocorrência – originalmente este papagaio ocorria desde o estado de São Paulo até o Rio Grande do Sul, estando hoje restrito a uma pequena faixa no litoral sudeste paulista e na baía de Paranaguá - PR. Hábitos – vivem em casais, podendo também formar bandos. Alimentação – frutas, sementes e flores. Reprodução – período de reprodução é entre setembro à fevereiro. Nidifica em ocos de árvores altas, especialmente de palmeiras, geralmente em áreas de mata densa ou em locais inundados. A fêmea coloca geralmente entre 2 a 4 ovos e a incubação dura cerca de 26 dias, nascendo no máximo 3 filhotes que são alimentados pelos pais até saírem do ninho. Ameaças – consta na lista oficial de animais ameaçados de extinção do IBAMA. A captura tanto de adultos quanto jovens para o tráfico de animais é a principal ameaça para a espécie. A destruição da Mata Atlântica, para extração de madeira e implantação da agropecuária também representa uma séria ameaça. Por ocorrer em uma área não muito extensa e estar extremamente associado às formações florestais numa faixa muito estreita, as populações do papagaio-de-cara-roxa sofreram um declínio acentuado e desde a década de 60 a espécie já é considerada ameaçada de extinção.

PAPAGAIO-DE-PEITO-ROXO (Amazona vinacea)

Características – mede cerca de 35 cm e possui plumagem predominantemente verde, peito roxo com aspecto escamoso, penas ligeiramente alongadas no pescoço, base do bico, bochechas, encontro vermelhos, faixa também vermelha na fronte. Podem viver por 30 anos. Habitat – endêmica da Mata Atlântica, habitando matas secas, pinheirais e orlas de capões. Ocorrência – ocorria antigamente do Sul da Bahia até o Rio Grande do Sul, chegando também ao leste do Paraguai e nordeste da Argentina. Atualmente está restrito a áreas de Minas Gerais até o extremo norte do Rio Grande do Sul. Hábitos – vivem aos pares, formando eventualmente pequenos bandos. Os movimentos são lentos e servem para melhor se ocultar nas matas. Alimentação – sementes de pinho, folhas, frutas, bagas e eventualmente de barro por causa dos minerais. Reprodução – atingem a maturidade aos 2 anos e o período reprodutivo vai de agosto a dezembro. Nidifica em ocos das árvores, geralmente de araucária e cavidades nos penhascos. A fêmea coloca entre 2 e 4 ovos, a incubação dura 30 dias, nascendo normalmente 3 filhotes que são alimentados pelos pais. Ameaças – animal em extinção devido à caça, tráfico de animais e destruição do habitat.

PAPAGAIO VERDADEIRO (Amazona aestiva)

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Características – é considerada a ave mais inteligente que existe, podendo até imitar a voz humana, isto ocorre por apresentar a língua carnosa e uma estrutura chamada siringe modificada. São animais de vida longa, podem chegar facilmente até os 80 anos, apesar dos animais que são retirados da natureza viver no máximo 15 anos devido a alimentação errada. Somente é possível dizer que é macho ou fêmea com exames especiais. Mede cerca de 85 cm e pesa em torno de 400 g. Sua plumagem é predominantemente verde, apresentando a fronte azul com amarelo na cabeça envolvendo os olhos. Apresenta o encontro (parte superior da asa quando fechada) vermelho e o bico preto. Habitat – vive em áreas de mata seca e úmida, também em campos, cerrados, palmeirais e beiras de rio. Ocorrência – desde a região nordeste passando pelo Brasil central até o sul do país, estendendo-se para a Argentina, Paraguai e Bolívia. Hábitos – fora do período reprodutivo são avistados em grandes bandos. Alimentação – frugívoro, granívoro e larvas de insetos que encontra nas árvores frutíferas da região. Ele usa as patas para segurar os alimentos. Pode também ser avistado em áreas de grandes plantações (milho, girassol, sorgo) e pomares. Reprodução – sua reprodução ocorre em períodos variados dependendo da localidade. Após 5 anos de vida os papagaios procuram formar um casal, que se torna fiel por toda a vida. Este casal procura um oco de árvore e palmeiras ou ainda cupinzeiros de grande porte, onde preparam o ninho com madeira roída pelo forte bico, na época reprodutiva a fêmea coloca 3 a 4 ovos que são chocados durante 28 dias por ambos os pais, que também se revezam no cuidado com os filhotes que dura até a postura do próximo ano. Ameaças – é o papagaio mais procurado como animal de estimação por ser considerado um excelente "falador". Assim sendo, a captura para o comércio é a principal ameaça para a espécie. Em algumas regiões de sua ocorrência as populações estão sofrendo declínio acentuado.

PATATIVA (Sporophila plumbea)

Características – pássaro com 10,5 cm comprimento. É uma das espécies canoras mais cobiçadas, sendo seu canto um dos mais finos e melodiosos de nossa avifauna. A coloração do bico varia entre o negro, o cinzento e o amarelo. Plumagem de cor cinzenta, cauda e asas mais escuras tendendo para o preto. Asas ornadas por um espelho branco Habitat – orla da mata baixa intercalada com campo, cerrado, vegetação ribeirinha, buritizais. Ocorrência – Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Paraná, São Paulo, Minas Gerais, Mato Grosso, Goiás, Distrito Federal, Bahia, Pará e Roraima. Alimentação – granívoro Reprodução – primavera-verão Ameaças – caça, destruição do habitat e tráfico de animais silvestres.

PAVÃOZINHO-DO-PARÁ (Eurypyga helias)

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Características – p ossui uma silhueta delgada, delicada e elegante e um pescoço fino, encurvado em "S" graciosamente. Cabeça grande, bico é longo e pontudo e as pernas são delgadas. Bico com maxila parda e mandíbula branco-amarelada. As asas são desproporcionalmente grandes e largas. Mede 48 cm de comprimento. Cauda longa. Pés avantajados. A plumagem é semelhante para os dois sexos. Cabeça negra com brilho verde, com duas listras brancas longitudinais de cada lado, parte superior pardo-escura, com faixas transversais paralelas ferrugíneas. Garganta branca, passando a ferrugínea para o pescoço. Peito branco-ferrugíneo e densamente cortado de faixas pardas. Abdômen esbranquiçado passando

a fulvo-oráceo. Asas muito coloridas com extremidaes pretas e uma ou mais fixas largas transversais, entremeadas de grandes manchas castanho- ferrugíneas e cinza-esbranquiçadas. Apresenta ainda duas faixa largas transversais negras, manchadas na base de chocolate e no restante cinza com vermiculações brancas. Habitat – florestas tropicais ao longo dos rios. Ocorrência – do México à Bolívia e Brasil, do Amazonas ao Piauí e Mato Grosso a Goiás. Hábitos – é diurno, solitário e terrestre e sempre se encontra na beira da água, onde procura alimento. Possui vôo gracioso e canto sibilado e

lamurioso, também matraqueando o bico quando assustado. Movimentos muito lentos. Tenta afastar os intrusos do ninho fingindo estar ferido ou voltando-se contra o inimigo levantando e esticando as asas e a cauda, o que lhe confere um aspecto imponente. Alimentação – caça com seu bico pontiagudo insetos, vermes, lagartos, rãs, peixes e caranguejos. Reprodução – o ninho é construído pelo casal e é formado por gravetos, fibras, raízes e musgos previamente mergulhados na lama, colocados na ramagem acima ou próxima da água em altura aproximada de 3 a 5 m. A postura é de 2 a 3 ovos de coloração amarelada, manchados de marrom-camurça e medindo 45 x 34 mm em seus eixos. A i ncubação dura cerca de 26 dias, gerando 01 a 02 filhotes nidícolas que permanecem no ninho por aproximadamente 20 dias, onde são alimentados pelos pais. Ao deixarem o ninho, acompanham os pais em busca de alimentos e por eles continuam sendo protegidos. Ameaças – a nimal restrito aos rios do norte do Brasil, e que desaparecem com a ocupação humana na região.

PELICANO PARDO (Pelecanus occidentalis)

Características – com envergadura de dois metros, comprimento de 1,4 m, é uma ave de grande porte. A coloração em geral é cinza com a parte posterior da cabeça branca e a bolsa gular pardo-oliva. Pernas curtas e reforçadas com os pés palmados. Asas grandes e largas e cauda longa. O bico é grande, reto e plano, tendo a mandíbula interior provida de uma pele que forma uma grande bolsa extensível. Os sexos são semelhantes. Habitat – águas continentais e estuários. Ocorrência – América Central e do Sul, no Brasil, nos rios Amazonas e Tapajós. Hábitos – é sociável, reunindo-se em grandes grupos. No solo seus movimentos são dificultados. São grandes voadores e planadores. Estão sempre em água salgada, mas no Brasil freqüentam as águas dos rios de maior volume. Voa vagarosamente rente à água, em bandos e em fila indiana. Ao ver o peixe no mar, lança-se com ímpeto. Pousado na água, costuma boiar observando ao seu redor. Pernoita em manguezais. Alimentação – peixes Reprodução – nidificação em colônias em plataforma sobre arbustos entre fevereiro e abril e também entre outubro e janeiro. Ambos trabalham na construção do ninho e na incubação. A postura é de 2 ovos branco-sujos

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com 83 x 56 mm em seus eixos, pesando 150 g cada um. Podem ocorrer ninhos com 3 a 4 ovos. A incubação é feita em 30 dias, quando os filhotes nidícolas se vestem com plúmulas marrom-escuras. Os pais alimentam a prole. Em 2 meses os filhotes estão aptos para o vôo. Sempre são muito protegidos pelos pais quando no ninho. Ameaças – poluição e destruição do habitat.

PERNILONGO (Himantopus himantopus)

Características – ave aquática inconfundível, com longas pernas, grandes asas terminadas em ponta, cauda curta e dedos unidos por curta membrana. Pescoço comprido e bico muito longo, fino e reto. A coloração em geral é negra no dorso, inclusive asas, tendo áreas com reflexos verdes. Coberteiras superiores da cauda e toda a parte inferior do corpo até as coberteiras inferiores, totalmente brancas. Pernas e pés vermelho-coral e bico negro. Sexos semelhantes. Mede 38 cm e comprimento, o tarso e a tíbia exposta medem, juntos, 16 cm. O imaturo é pardo. Habitat – margens lodosas de lagos, banhados, manguezais, rios, estuários e arrozais. Ocorrência – dos EUA à América do Sul, no Brasil, no Mato Grosso do Sul e do Espírito Santo ao Rio Grande do Sul na faixa litorânea. Hábitos – são gregários diurnos e também aos casais. São grandes voadores e migratórios. Caminham a passos largos sobre os aguapés, salvínias e outras plantas flutuantes à procura de alimento. Alimentação – predominantemente animal como moluscos, crustáceos, larvas, peixes e anfíbios, além de algas. Reprodução – nidificam em plataforma e baixos arbustos ou em uma cavidade construída no solo. A postura é de 2 a 4 ovos de cor azeitonada com manchas pretas, confundindo-se perfeitamente com o solo, e medindo 45 x 32 mm em seus eixos. Os ovos têm formato de pião ou pêra, forma adequada para rolarem ao redor de seu próprio eixo e não lateralmente.

A incubação é realizada pelo casal. O período de procriação vai de outubro a janeiro. Quando os adultos são espantados no ninho fingem-se de feridos a fim de desviar dali o inimigo. O macho torna-se agressivo até mesmo a um homem. Filhotes nidífugos. Ameaças – destruição do habitat e poluição.

PICA-PAU-ANÃO (Picumnus cirratus)

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Características – são os menores pica-paus encontrados no Brasil, medindo 9 cm de comprimento. Habitat – florestas, matas ciliares e cerrados. Ocorrência – sudeste e sul do Brasil, do Espírito Santo ao Rio Grande do Sul, inclusive leste de Minas Gerais. Alimentação – larvas e adultos de pequenos insetos. Regularmente não apóia a cauda no substrato enquanto captura o alimento, como o fazem os outros pica- paus, pois suas retrizes são flexíveis. Captura formigas nos galhos e folhas de árvores como a amendoeira ou chapéu-do-sol (Terminalia catapa). Reprodução – o ninho é construído em ramos secos e delgados, até 5 m do solo, onde são postos 2 a 4 ovos. A entrada da cavidade escavada é diminuta, com cerca de 3 cm de diâmetro, limitando assim a visita de predadores. Tal cavidade tem 10 a 20 cm de profundidade e seu diâmetro maior cerca de 6 cm. Ameaças – espécie ameaçada de extinção pela destruição do habitat.

PICA-PAU-BRANCO (Melanerpes candidus)

Características – espécie grande. Cor branca em geral do peito, abdômem e cabeça contrasta com as penas pretas da cauda, do dorso e das asas, as quais possuem faixas brancas. Possui uma linha preta ao lado do pescoço. A área ao redor dos olhos é amarelada. Habitat – bordas de matas, campos, cerrados e pomares. Ocorrência – da Bahia ao Rio Grande do Sul Hábitos – vive em pequenos bandos Alimentação – insetos, frutos e sementes. Ameaças – destruição do habitat

PICA-PAU-DE–BANDA-BRANCA ou GIGANTE-DE-TOPETE-VERMELHO (Dryocopus lineatus)

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Características – mede 35 cm de comprimento. Cabeça negra com topete vermelho e mancha vermelha na base do bico que é amarelado. Dorso negro com faixa branca destacando-se na lateral do pescoço e na parte superior. Peito negro e barriga carijó. Habitat – matas e cerrados. Ocorrência – da Amazônia ao oeste de São Paulo. Alimentação – insetívoro Ameaças – destruição do habitat e poluição por agrotóxicos.

PICA-PAU-DE-CABEÇA-AMARELA (Celeus flavescens)

Características – mede 28 cm de comprimento. Possui crista grande, asas e cauda regulares, pernas fortes e pés dotados de unhas fortes. Bico reto e forte com ponta terminando em cizel. Cauda terminada em cunha. O pescoço é comprido e a cabeça grande. Plumagem de coloração negra, com parte dorsal e asas listradas de branco-amarelado. Cabeça amarela, ostentando longo topete amarelo com faixa negra e no macho uma estria vermelha. Parte ventral é totalmente negra, bem como toda a cauda. O bico é acinzentado. Existe dimorfismo sexual. Habitat – florestas virgens Ocorrência – sudeste do Brasil, da Bahia ao Rio Grande do Sul, incluindo leste de Minas Gerais, sudeste de Goiás e o Mato Grosso do Sul. Hábitos – são arborícolas e solitários ou vivem em casais. Alimentação – insetos, larvas, vermes, seiva e frutas. Reprodução – ninho é escavado em tronco de árvore já morta, a uma altura que varia de 10 a 20 m do solo. Ambos trabalham na construção do ninho. A postura geralmente é de 5 ovos de cor branca, cobertos com poros finos e medindo 31 x 22 mm em seus eixos. A incubação é realizada pelo casal e dura em média 16 dias. Os filhotes são nidícolas, permanecendo no ninho por 40 dias. Ao deixarem o ninho, ainda são alimentados pelos pais. Ameaças – destruição do habitat

PICA-PAU-DE-CARA-VERMELHA (Campephilus melanoleucos)

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Características – mede 31 cm de comprimento. Tem a barriga barrada e um "V" branco nas costas, garganta negra, pescoço anterior e peito igualmente negros uniforme. Cabeça e topete vermelhos. Habitat – mata rala de regiões campestres, florestas de galeria, palmais. Ocorrência – do Panamá à Bolívia, Paraguai, Argentina e Brasil, centro meridional até o Paraná, Minas Gerais, Mato Grosso e Goiás. Hábitos – vivem solitários. O vôo obedece a um curso ondulado, alternam uma série de batidas rápidas com um fechar de asas ganhando e perdendo, respectivamente altura. Dormem sempre em ocos, onde também se abrigam da chuva pesada. Recolhem-se cedo para dormir e começam tarde as suas atividades. São agressivos. Alimentação – larvas de insetos, sobretudo de besouros, batem sobre a casca da árvore tentando localizar um soar oco. Quando encontra um ponto, começa a martelar perfurando a casca, explora a cavidade com a língua pegajosa de ponta afilada, provida de corpúsculos táteis, que serve para espetar a presa. Também faz parte da sua alimentação formigas, seus ovos, larvas e cupins. Gosta de frutas como o mamão e a laranja. Reprodução – produz um forte zunido com as asas quando, em vôo, o casal se encontra. O casal elabora uma cavidade na madeira, procuram sobretudo árvores

mortas, as que resistem às queimadas, gostam de trabalhar em palmeiras e imbaúbas, preferem cavar na face que se inclina para o solo, o que facilita a proteção contra a chuva e a defesa da entrada. A entrada do ninho corresponde exatamente ao tamanho do seu corpo, excluindo a entrada de mamíferos e aves. Põe de 2 a 4 ovos brancos, puros e brilhantes, o fundo da câmara é coberto uma fina camada de serragem. Ambos os sexos revezam-se choco. Ameaças – a destruição da mata primária priva-os muito. O reflorestamento com eucaliptos e Pinus não favorece a existência dos pica-paus, o mesmo acontecendo com as capoeiras nativas, nas quais faltam árvores maiores e mais velhas para a instalação de seus ninhos para nidificarem. Os pica-paus são bastante sensíveis aos inseticidas. A existência de pica-paus pode até servir como indicador de que a respectiva biocenose (associação dos seres vivos em certa área, especialmente a alimentar) continua intacta. Muitas aves não conseguem cavar tocas e/ou buracos, aproveitando-se assim das moradias dos pica-paus. Os grandes benificiados são: periquitos, araçaris, pequenos mamíferos como os sagüis, mico-leões; répteis e anfíbios. São muito úteis ao homem, pois destroem grande quantidade de insetos e suas larvas que são nocivas à madeira.

PICA-PAU-REI (Campephilus robustus)

Características – é o maior pica-pau brasileiro, medindo 36 cm de comprimento. Sua língua pode chegar a cinco vezes o tamanho de seu bico. É pontiaguda e com ganchos na ponta. Estas particularidades estruturais possibilitam a retirada de insetos dentro de troncos, e aliadas ao seu forte bico, foram fundamentais à evolução e à sobrevivência da espécie. Cabeça e pescoço com plumagem vermelha, dorso amarelado e asas negras. Barriga e peito carijó. Habitat – florestas nativas, primárias ou secundárias, desde que existam grandes árvores. Ocorrência – de Goiás ao Rio Grande do Sul. Hábitos – vive em pequenos grupos. Marca o seu território com diferentes chamados de som instrumental, o tamborilar. O animal escolhe troncos ocos, secos ou bichados para bicar ritmicamente. Desta forma consegue variar o seu repertório e enviar mensagens diferentes: ora para atrair parceiras, ora para afugentar possíveis rivais ou simplesmente para dizer que ali ele é que manda.

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Alimentação – preferencialmente de insetos e utiliza-se de sua grande língua afiada para agarrar larvas de insetos dentro dos troncos de árvores. Esta também é usada para perfurar frutas maduras e lamber o seu suco. Reprodução – com o bico o pica-pau abre ocos na madeira e constrói o ninho, sempre com a abertura virada para o solo. Eles não levam material para dentro do ninho, utilizam restos de madeira picadinha para servir de colchão. A fêmea põe de dois a quatro ovos; estes são encubados por ambos os pais. Os filhotes nascem com aparência de prematuros, indefesos, cegos e nus. Os pica-pauzinhos desenvolvem rapidamente a habilidade de bicar a madeira e em seguida a de tagarelar. Assim, um ninho de pica-pau é barulhento devido às constantes bicadas dos filhotes na árvore e a tagarelice dos bichinhos. Porém, ao menor sinal de perigo ficam absolutamente em silêncio, atendendo prontamente ao alerta dos pais. Este vem de forma codificada, como por exemplo, o barulho da quebra de um galhinho. Isto dificulta a vida dos predadores porém, quase sempre um filhote é predado, geralmente o mais fraco. Predadores naturais – tucanos e araçaris. Ameaças – espécie ameaçada de extinção pela lista oficial do Ibama. O fato de ser preferencialmente insetívoro torna os pica-paus suscetíveis a inseticidas. Com a ingestão de muitos insetos contaminados, o veneno se acumula nos corpos dos pica-paus de forma fatal. Esta é a razão da grande mortandade destas aves em matas próximas a áreas cultivadas e que fazem uso de agrotóxicos. Provavelmente sejam mais suscetíveis aos inseticidas que os próprios insetos.

PICA-PAU-VERDE-BARRADO (Chrysoptilhs melanochloros)

Características – mede 26 cm de comprimento. Espécie de tamanho relativamente grande, verde, de lados da cabeça brancos, com vermelho na nuca (e também no "bigode", no macho). Partes superiores barradas, partes inferiores com manchas em "forma de coração". Habitat – beira de mata, cerradão, mata de galeria, típico do cerrado e caatinga, penetra em regiões abertas, praticamente despojadas de vegetação alta. Ocorrência – da Foz do Amazonas (Marajó) ao nordeste e daí ao Rio Grande do Sul, Goiás, Mato Grosso (Rio Araguaia, Corumbá), Paraguai, Argentina e Uruguai. Hábitos – pula através da ramaria horizontalmente como uma gralha (modo estranho de locomoção para um pica-pau).

Alimentação – localizam larvas de insetos, sobretudo de besouros, invisíveis sob a madeira, pelo ruído produzido por estes animalejos ao roerem. Bate ligeiramente sobre a casca tentando localizar sob a mesma uma cavidade que porventura exista e que se trai pelo soar oco. Quando encontra um ponto que promete alimento, começa a martelar com vontade perfurando a casca para poder explorar a cavidade, o que é feito através da língua pegajosa de ponta afilada, provida de corpúsculos táteis, que serve para espetar a presa. Traem-se pelo barulho que fazem ao trabalharem o dia inteiro. Reprodução – utilizam-se da mata primária para nidificar, das árvores mais velhas e de grande porte. Excepcionalmente utilizam-se de cupinzeiros arborícolas para tal. Ameaças – a destruição da mata primária priva-os muito. O reflorestamento com eucaliptos e Pinus não favorece a existência dos pica-paus, o mesmo acontecendo com as capoeiras nativas, nas quais faltam árvores maiores e mais velhas para a instalação de seus ninhos para nidificarem. Os pica-paus são bastante sensíveis aos inseticidas. A existência de pica-paus pode até servir como indicador de que a respectiva biocenose (associação dos seres vivos em certa área, especialmente a alimentar) continua intacta. Muitas aves não conseguem cavar tocas e/ou buracos, aproveitando-se assim das moradias dos pica-paus. Os grandes benificiados são: periquitos, araçaris, pequenos mamíferos como os sagüis, mico-leões, répteis e anfíbios. São muito úteis ao homem, pois destroem grande quantidade de insetos e suas larvas que são nocivas à madeira.

PINTASSILGO (Carduelis magellanicus)

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Características – mede 11 cm de comprimento. Plumagem verde-olivácea em cima. Cabeça, garganta, cauda e asas negras, estas últimas com espelhos amarelos. Lado inferior e base da cauda amarelos. Habitat – mata secundária aberta, árvores em plantações e quintais, pinhais, cerrado. Ocorrência – todo Brasil, com exceção da Região Amazônica e Nordeste. Hábitos – gorjear fino bastante variado, em andamento rapidíssimo; estrofes longas intercalando imitações de outras aves. Canta também em vôo. Alimentação – granívoro Reprodução – primavera-verão. Nidifica tanto nas copas das araucárias mais altas como em cafeeiros. Ameaças – por ser muito estimado como passarinho de gaiola é ameaçado pela caça para o tráfico de animais, como também pela destruição do habitat e por agrotóxicos.

PIRU-PIRU (Haematopus palliatus)

Características – ave aquática que mede 44 cm de comprimento. Pernas longas, fortes de cor rosada como os dedos, estes ligados por uma curta membrana. Asas longas. Pescoço curto e bico longo, vermelho-escarlate e forte. Cauda curta. Cabeça e pescoço com plumagem negra, partes superiores restantes pardo-havanas, tendo as coberteiras superiores das asas e inferiores da cauda brancas. Sexos são semelhantes. Habitat – vive em regiões de rochedos expostos à rebentação e nas praias de costas temperadas e tropicais e margens de águas continentais. Ocorrência – dos Estados Unidos à Patagônia. No Brasil, do Pará ao Rio Grande do Sul. Hábitos – são gregários, vivendo em populações enormes com centenas e até milhares de indivíduos, se separando aos casais na época da

reprodução. Em terra andam normalmente, podendo correr com bastante velocidade. Alimentação – insetos e larvas, moluscos e crustáceos. Reprodução – ninho construído no solo por simples concavidade escavada, onde são abrigados de 2 a 4 ovos amarelados e manchados de negro e marrom, incubados por 26 dias pelo casal. Os jovens são nidífugos e tratados pelos pais, iniciando o vôo após 40 dias de vida. Ameaças – destruição do habitat e poluição.

POMBA-ASA-BRANCA (Columba picazuro)

Características – pomba que mede 34 cm de comprimento. Uma das maiores espécies da família no Basil. Habitat – campos com árvores, áreas urbanas, cerrados, caatingas e florestas de galeria. Ocorrência – do Nordeste ao Rio Grande do Sul, e também na Bolívia, Argentina e Paraguai. Hábitos – freqüentemente encontrada no solo. Após o período reprodutivo associa-se em bandos, executando migrações. Alimentação – sementes Reprodução – faz ninho em árvores ou no solo. Põe 2 ovos brancos, os quais são incubados entre 16 e 19 dias. Ameaças – caça, agrotóxicos e destruição do habitat.

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POMBA GALEGA (Columba cayennensis)

Características – mede 32 cm de comprimento. De plumagem Bruna um pouco vinácea, mais escura nas asas e na cauda e avermelhada quase roxo na cabeça. Apresenta uma pequena zona clara em baixo do bico que é preto. Os pés são vermelhos A barriga é de um cinza claro. Habitat – campos com árvores isoladas, árvores nas margens de rios, bordas de florestas, capoeiras e manguezais. Ocorrência – todo o Brasil, e também do México à Argentina e Uruguai. Hábitos – vive solitária ou aos pares, associando-se em bandos fora da época da reprodução. Pousa no alto das árvores, geralmente em locais bem visíveis. Alimentação – sementes Reprodução – faz um ninho fraco de gravetos, em formato de plataforma, localizado à pouca altura, em emaranhados de vegetação e palmeiras com espinhos. Põe 1 ovo branco. Ameaças – muito caçada pela sua carne. A caça, a poluição por agrotóxicos e destruição do habitat são as principais ameaças.

PRÍNCIPE-NEGRO (Nandayus nenday)

Características – mede cerca de 32 cm e possui a plumagem verde predominante, com a cabeça negra e a porção inferior das asas cinza escuro, calções vermelhos, garganta e parte superior do peito azuis. Habitat – áreas de palmeirais, campos, cerrados e no Pantanal. Ocorrência – desde o sudeste da Bolívia, passando pelo Paraguai até o norte da Argentina, aparecendo no Brasil até o sudoeste do Mato Grosso. Hábitos – vive em grupos de 6 à 40 aves, em áreas de campo, ás vezes em grandes bandos, costuma andar pelo chão para se alimentar Alimentação – sementes, bagas, frutas, insetos e larvas. Reprodução – os ninhos são normalmente feitos em cavidades de palmeiras ou ainda em postes de cercas (certamente devido à redução de locais naturais para reprodução), os ovos são colocados sobre serragem originada das próprias cavidades. A fêmea coloca geralmente 4 ovos e a incubação dura cerca de 24 dias. Os filhotes permanecem no ninho durante 7 semanas e os jovens podem permanecer com os pais após ter deixado o ninho. Ameaças – consta na lista oficial de animais ameaçados de extinção do IBAMA. Existem poucas informações disponíveis acerca das maiores ameaças para a espécie. Consta que em Mato Grosso, podem ser avistados (com relativa freqüência) grandes bandos desta ave, às vezes como animal de estimação de populares.

QUERO-QUERO (Vanellus chilensis)

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Características – é uma ave do tamanho de uma perdiz e caracteriza-se pelo colorido geral cinza-claro, com ornatos pretos na cabeça, peito e cauda. A barriga é branca e a asa tem penas verde-metálicas. Apresenta um penacho na região posterior da cabeça. O bico e as pernas são avermelhadas e tem um par de esporões ósseos no encontro das asas com 1 cm de comprimento. Mede 37 cm de comprimento e pesa 277 g. Uma faixa preta desde o pescoço ao peito. A íris é avermelhada. O esporão é exibido a rivais ou inimigos com um alçar de asa ou durante o vôo. Sexos semelhantes. Habitat – grandes campinas úmidas e os espraiados dos rios e lagoas e pastagens. Ocorrência – da América Central até a Terra do Fogo e em todo o Brasil. Hábitos – é sempre o primeiro a dar o alarme quando algum intruso invade seus domínios. É muito estimado pelos fazendeiros, por ser o "vigia" das fazendas, funciona como sentinela dos lugares onde habita, alertando para qualquer alteração na sua área. Qualquer barulho ou intruso é logo denunciado pela gritaria. É uma ave muito popular no Brasil. É briguenta que provoca rixa com qualquer outra espécie habitante da mesma campina. As capivaras tiram bom proveito da convivência com o quero-

quero, pois, conforme a entonação, o grito dessa ave pode significar perigo. Então os grandes roedores procuram refúgio na água. O quero-quero afasta os intrusos que se aproxima de seu ninho, fingindo-se ferido. Alimentação – larvas de insetos, peixinhos ocultos na lama, insetos, pequenos crustáceos, moluscos e outros artrópodes que encontra na terra. Reprodução – faz o ninho no chão. Na primavera, a fêmea põe normalmente de 3 a 4 ovos com formato de pião ou pêra, forma adequada para rolarem ao redor de seu próprio eixo e não lateralmente, sendo manchados, confundindo-se perfeitamente com o solo. Quando os adultos são espantados do ninho fingem-se de feridos a fim de desviar dali o inimigo. O macho, torna-se agressivo até mesmo a um homem. Os filhotes são nidífugos, capazes de abandonar o ninho quase que imediatamente após o descascamento do ovo. Ameaças – agrotóxicos

QUIRIQUIRI (Falco sparverius)

Características – mede 25 cm de comprimento. É um dos menores falcões. Inconfundível pelo desenho característico e estranho que ostenta na cabeça, duas faixas verticais laterais e duas nódoas negras na nuca, lembrando olhos. O macho possui cauda e costas uniformes ferrugíneas, retrizes com larga faixa negra anteapical e ponta branca, asas cinzentas. A fêmea com asas ferrugíneas como as costas, manchadas de negro e de cauda com inumerosas listras negras. Habitat – regiões campestres e quase desérticas. Contenta-se com um mínimo de vegetação. Ocorrência – do norte do Alasca à Terra do Fogo, em todo Brasil. Hábitos – empoleira em postes e fios telefônicos, sacodindo a cauda. Voando pode lembrar uma grande andorinha. Alimentação – lagartixas e grandes insetos como gafanhotos. Às vezes também apanha camundongos e pequenas cobras. No crepúsculo tenta capturar morcegos, o que nem sempre consegue, embora possa especializar- se nisto.

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Reprodução – nidifica em ocos de árvores, cavidades feitas por pica-paus, buracos em barrancos e até em cupinzeiros. A fêmea põe de 2 a 3 ovos que choca durante 30 dias. Os gaviões filhotes já apresentam dimorfismo sexual na época em que vão abandonar o ninho, de 35 a 40 dias. Ameaças – a espécie declina, ameaçada pela ingestão de aves intoxicadas por agrotóxicos. Infere-se que a baixa do potencial reprodutivo seja em função da grande utilização de biocidas organoclorados em culturas agrícolas. O inseticida concentra-se nos tecidos e provoca o enfraquecimento da calcificação dos ovos, que se quebram no ninho. Continuando nesse ritmo, a espécie poderá extinguir-se em futuro não muito distante. Há poucas aves esteticamente tão valiosas como os rapineiros, sobretudo os falcões. Deixemos que abatam algumas pombas cujo número lhes é mil vezes superior e sempre é importante ter em mente, que os rapineiros caçam apenas para se alimentar.

RAPAZINHO ESTRIADO (Nystalus striolatus)

Características – mede 18 cm de comprimento. É difícil de ver. Habitat – bordas de florestas altas e capoeiras arbóreas. Ocorrência – Amazônia brasileira, do Maranhão para oeste até o Mato Grosso (Rio Guaporé). Encontrado também na Bolívia. Hábitos – vive aos pares, permanecendo imóvel, à média altura, por longos períodos. Alimentação – insetos junto aos galhos ou na folhagem. Ameaças – destruição do habitat.

ROLINHA-CALDO-DE-FEIJÃO (Columbina talpacoti)

Características – mede 17 cm de comprimento. É a mais conhecida das pombinhas brasileiras. O macho é marrom-ferrugíneo com a cabeça cinza- azulada. A fêmea é inteiramente marrom-clara. Habitat – áreas abertas, campos, plantações e áreas urbanas. Ocorrência – em todo o Brasil, e também do México à Bolívia, Paraguai e Argentina. Na Amazônia é encontrada apenas localmente, estando ausente de áreas com extensas florestas. Hábitos – vive solitária, aos pares ou em grupos de tamanhos variáveis. Quando assustada, voa por distâncias curtas, executando um som com as asas. Alimentação – grãos e sementes no chão. Reprodução – faz um ninho raso, localizado a 1 m de altura ou mais, em meio a arbustos. Nas cidades, costuma fazer ninho sobre vigas, debaixo de telhas, em coberturas de edifícios ou galpões. Põe 2 ovos brancos. Ameaças – agrotóxicos e caça.

SABIÁ-DA-MATA (Turdus fumigatus)

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Características – também conhecido como sabiá-verdadeiro. Mede 24 cm de comprimento. O canto dessa espécie é considerado um dos mais bonitos de toda nossa avifauna. Dorso, parte lateral e superior da cabeça com plumagem pardo escura, quase marrom, peito de parda-ocre, barriga e parte inferior posterior branca. Base inferior do bico com plumagem listrada de branco com marrom. Habitat – bordas de florestas, especialmente em áreas pantanosas e várzeas. Também encontrado em plantações de cacau e clareiras adjacentes.

Ocorrência – Amazônia brasileira e leste do Rio Negro e do Rio Madeira, em direção sul até o Mato Grosso e Goiás, e na costa, de Pernambuco ao Rio de Janeiro. Alimentação – onívoro Reprodução – primavera-verão Ameaças – caça para o tráfico de animais silvestres e destruição do habitat.

SABIÁ DA PRAIA (Mimus gilvus)

Características – parece com os sabiás, porém pertence a outra família zoológica. Mede 26 cm de comprimento e pesa de 75 g. Muitos confundem os representantes do gênero Mimus com os sabiás. Essa confusão não tem razão de ser, já que os Mimídeos, além da cauda longa possuem asas curtas o que os bem diferenciam dos Turdídeos. Plumagem cinzenta-plúmbea nas costas, branca embaixo. Habitat – restrito ao litoral arenoso salino, de vegetação esparsa, rica em cactos, em cujo acúleos costuma pousar. Ocorrência – das Guianas ao Rio de Janeiro. Hábitos – constroem ninhos quase grosseiros, em nada semelhantes aos bem barreados lares dos sabiás. A vocalização é notável pela maestria com que imitam os cantos e chamados de outras aves. Mimus significa imitador, em latim. Alimentação – onívoro Reprodução – primavera-verão Ameaças – destruição do habitat e poluição.

SABIÁ-DO-CAMPO (Mimus saturninus)

Características – mede 26 cm de comprimento e pesa de 75 g. É acinzentado e possui barriga e peito esbranquiçados. Cauda comprida e sobrancelhas brancas. Habitat – cerrados, regiões campestres com grupos de árvores ou arbustos, fazendas, margens de rios, caatinga, também em montanhas do sudeste e áreas urbanas. Ocorrência – baixo Amazonas, Amapá, Pará, além do centro-oeste, sudeste, nordeste e sul do Brasil. Hábitos – possui um canto muito apreciado, principalmente no sul do Brasil. É capaz de imitar não só o canto de outras aves mas o assobio humano também. Movimentam-se em largos saltos ou correm pelo chão. Pode pousar na ramagem apoiando-se em dois galhos vizinhos, demonstrando agilidade incomum. Destaca-se o modo dessas aves de se aprumarem e esticarem o pescoço, escutando os arredores, enquanto se escondem deixando exposta apenas a cabeça. Voam muito bem. A cauda indica qualquer emoção, sendo fortemente arrebitada, daí conhecido também com o nome de "arrebita-rabo". Alimentação – onívoro. Comem tanto insetos e aranhas como frutinhas e sementes. Colhem o alimento de preferência no solo. Ocasionalmente predam ninhos com ovos de outros pássaros.

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Reprodução – primavera-verão. O ninho é uma tigela rasa, confeccionada gros- seiramente na copa de uma árvore no campo, sendo visível de longe. Gostam de construir sobre um ninho velho, inclusive de outra ave. O centro do ninho é forrado com material macio. Os ovos são esverdeados com manchas cor de ferrugem. A fêmea põe de 3 a 4 ovos. Os filhotes saem do ovo após 12 ou 14 dias, abandonando o ninho com 11 a 14 dias. O interior da boca dos filhotes é amarelo-laranja. Ameaças – caça par o tráfico de animais e destruição do habitat.

SABIÁ LARANJEIRA (Turdus rufiventris)

Características – mede 25cm de comprimento e pesa de 75 g. Pode viver em torno de 30 anos. A coloração de suas costas é cinza-escuro, peito pardo-claro, gola raiada de tons preto e branco e abdome vermelho alaranjado que pode mudar de tom conforme a região, a do nordeste brasileiro é bem mais claro, bem mais amarelado. Não há disformismo sexual, a fêmea é exatamente igual ao macho, não se consegue separar um do outro, facilmente. É um dos pássaros mais famosos do Brasil. Habitat – matas, cerrados, parques e quintais, e até dentro do centro de cidades como o Rio de Janeiro quando há alguma arborização. Em regiões mais secas, sempre a beira de rios e de lagoas. Ocorrência – estados litorâneos, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e Goiás. Sua distribuição ocorre em quase todo o território brasileiro à exceção da floresta amazônica, do Maranhão ao Rio Grande do Sul. Hábitos – o canto dessa espécie é considerado um dos mais bonitos de toda nossa avifauna, tendo sido inclusive escolhida como uma das candidatas a ave símbolo do Brasil. O canto varia de região para região, de mata para mata, de indivíduo para indivíduo, podendo haver milhares de tipos de cantos diferentes. Seu canto é longo e melodioso assemelhado ao som de uma flauta e dependendo do local pode-se escutá-lo a mais de um quilômetro de distância. Alguns repetem o canto e chegam a passar até dois minutos emitindo-o, sem parar. É um pássaro territorialista, e demarca uma área geográfica quando está em processo de reprodução e não aceita a presença de outras aves da espécie, a fêmea também é muito valente. Quando não estão em processo do choco ou na fase do fogo e que a libido está em alta, quase não cantam e podem ser vistos agrupados, especialmente no chão a comerem frutos e insetos. Alimentação – onívoro. Consomem quase todas as frutas de pomares com preferência para o mamão e abacate e de árvores silvestres abundantes em nosso País. Apreciam também pimenta, amora e alguns legumes. Minhocas e insetos. Reprodução – primavera-verão. Ao iniciarem-se as chuvas ao final do mês de agosto, cantam muito para estimular suas fêmeas e fixarem sua morada, notadamente ao amanhecer e ao entardecer. O ninho é construído na copa de árvores a partir de fibras vegetais e barro, possuindo forma de tigela. O número de ovos de cada postura é quase sempre 2, às vezes 3, de cor verde-azulado. Cada fêmea choca 3 vezes por ano. O filhote nasce aos treze dias depois de a fêmea deitar e sai do ninho também aos treze dias de idade e pode ser separado da mãe com 35 dias. Ameaças – caça para o tráfico de animais silvestres e destruição do habitat.

SABIÁ-POCA (Turdus amaurochalinus)

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Características – mede 22 cm de comprimento. A cabeça, as asas e as costas são pardo-acinzentadas e a garganta branca, possuindo estrias escuras. Habitat – áreas abertas, bordas de matas e cerrados, parques e quintais de áreas urbanas. Ocorrência – Bolívia, Paraguai, Uruguai, Argentina, Centro-oeste, Sudeste e Sul do Brasil. Alimentação – frutos e insetos Ameaças – destruição de habitat.

SACI (Tapera naevia)

Características – mede 29 cm de comprimento. Plumagem pardo- amarelada, com numerosas manchas escuras nas asas. A barriga é branca e o topete é mais avermelhado com manchas claras e escuras. A garganta e sobrancelhas são brancas. Cauda longa. Habitat – cerrado e matas. Ocorrência – do México à Argentina e em todo o Brasil. Hábitos – gosta de tomar banhos de sol e de terra. Alimentação – gafanhotos, aranhas, lagartas e lagartixas. Reprodução – não faz ninho. Coloca seus ovos em ninhos de outras aves para serem chocados. Ameaças – destruição do habitat.

SAÍ-AZUL (Dacnis cayana)

Características – mede 13 cm de comprimento e pesa 16 g. O macho apresenta plumagem azul- turquesa com garganta, auréola ao redor dos olhos e cauda pretas. As azas apresentam penas pretas contrastando com azuis. Bico e pernas preto. A fêmea possui plumagem azul na lateral e parte superior da cabeça, cauda preta e asas com penas pretas contrastando com penas verdes. Dorso e parte inferior verdes. Habitat – beira da mata em várias altitudes, copas de mata alta. Ocorrência – em todas regiões do Brasil. Hábitos – costuma aparecer em pequenos bandos Alimentação – frugívoro e nectarívoro. Reprodução – primavera-verão Ameaças – caça para o tráfico de animais silvestres e destruição do habitat.

SAÍ-BEIJA-FLOR (Cyanerpes cyaneus)

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Características – mede 13 cm de comprimento e pesa 15 g. Os saís em geral são pássaros pequenos, esguios, muito ágeis, tendo os machos plumagem magnífica, brilhante, nas cores azul, amarelo, verde e preto, combinadas de maneira diversa segundo a espécie. Após a época de reprodução, os machos mudam para uma vestimenta verde semelhante à das fêmeas e dos machos imaturos (muda pós-nupcial). Assim, adquirem uma plumagem de descanso reprodutivo, chamada também de plumagem de "eclipse". A restituição da plumagem azul e negra, que ocorre na primavera, não se dá por intermédio de uma muda pré-nupcial, mas sim pelo desgaste diário das penas que são tricolores, a base sendo preta, a parte mediana azul e a parte distal verde. Quando a ponta verde se gasta, a pena aparece azul. Possui asas e cauda curtas, pernas regulares, pés e bico longos e curvados. O macho apresenta plumagem azul-esverdeado-

Macho

Fêmea

calro no topo da cabeça. Região dos olhos, dorso alto, asas, cauda, meio da barriga pretos. O restante do corpo, a sua maior parte, de um azul-violeta forte.Bico negro e pernas e pés vermelhos-escuros. A fêmea é de igual tamanho, com coloração dorsal verde-olivácea. Parte inferior verde- cinzenta, pintada de verde na garganta. Meio do peito e do abdômem amarelado. Habitat – florestas virgens e secundárias, visitando também as matas de restingas e pomares. Ocorrência – do Maranhão ao Rio de Janeiro, Mato Grosso, Goiás e Amazonas. Hábitos – é gregário, vivendo em bandos muitas vezes de centenas de indivíduos, mas separando-se em casais isolados no período de reprodução. Vivem tanto nas copas de árvores de grande porte, como em mata baixa (matas secundárias). Alimentação – frugívoro, nectarívoro, insetos e aranhas.

Reprodução – primavera-verão. Ninho construído em densa e emaranhada trama em formato de taça. A postura é de 2 ovos branco-esverdeados com manchas marrons e ferrugíneas, medindo 17 x 12 mm em seus eixos e pesando 1,2 g cada. A incubação dura 12 dias e só a fêmea se ocupa dela. Ao filhostes são nidícolas, sendo cuidados pelo casal. Deixam o ninho após 14 dias de vida sendo ainda cuidados pelos pais por mais 10 dias, até juntarem-se ao bando. Ameaças – destruição do habitat e tráfico de animais silvestres.

SAÍ-TUCANO (Chlorophanes spiza)

Características – mede 13,5 cm de comprimento e o macho pesa 18,5 g. É o maior dos "saís". Tem bico relativamente largo, de mandíbula amarelo- clara. O macho apresenta pelagem verde com a cabeça negra, asas e cauda verde-acinzentadas. Bico amarelo e íris vermelha. Habitat – vive na mata, nas copas de fruteiras e árvores floridas. Ocorrência – Amazonas, Mato Grosso, Pará, Maranhão, Pernambuco, Minas Gerais, Rio de Janeiro e Santa Catarina. Hábitos – espécie geralmente calada. Alimentação – frugívoro e nectarívoro. Reprodução – primavera-verão Ameaças – destruição do habitat e tráfico de animais silvestres.

SAÍRA-DE-BANDO (Tangara mexicana)

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Características – mede 14 cm de comprimento e pesa 26 g. Apesar do nome científico, nunca foi encontrada no México. Plumagem do dorso e asas negra com manchas azuis-turquesa. Parte inferior amarela, face lateral da cabeça, garganta e peito azul-turquesa com manchas negras. Bico e base do bico negros. Íris negra. Habitat – matas, capoeiras e plantações arborizadas. Ocorrência – Amazonas, Pará, Maranhão, Mato Grosso, e da Bahia ao Rio de Janeiro. Hábitos – vive sempre em grupos de 5 a 10 no topo da mata Alimentação – frugívoro Reprodução – primavera-verão Ameaças – destruição do habitat e caça para o tráfico de animais silvestres.

SAÍRA-DIAMANTE (Tangara velia)

Características – mede 13,8 cm de comprimento e pesa 19,5 g. Diferenciam- se dos saís basicamente pelo corpo menos esguio e pelo bico cônico. Não possui moela funcional (responsável pela trituração dos alimentos) e o papo é atrofiado. Parte superios com plumagem negra, fronte e dorso amarelos, assar negras com listras azuis-turquesa, base da cauda e face lateral da cabeça e pescoço azuis-turquesa. Peito com plumagem acinzentada e pequenas manchas negras e parte inferior do corpo de coloração ocre. Habitat – interior e borda de florestas e em plantações e clareiras com altas árvores. Ocorrência – alto e baixo Amazonas, nordeste e leste do Brasil até o Rio de janeiro. Hábitos – vive em pequenos grupos na copa das árvores Alimentação – bagas, pequenas frutas, sementes e insetos. Reprodução – primavera-verão Ameaças – destruição do habitat e caça para o tráfico de animais silvestres.

SAÍRA-LENÇO (Tangara cyanocephala)

Características – mede 13,5 cm de comprimento. Topo da cabeça e garganta azuis-turquesa, Face lateral da cabeça e nuca de coloração alaranjada, peitoral e parte inferior verde-claro. Dorso negros, asas e cauda negras com faixas esverdeadas. Bico e base do bico negros. Ìris negra. Habitat – floresta primária, podendo ser encontrada desde a baixada litorânea aos pontos elevados das serras. Ocorrência – do Ceará ao Rio Grande do Sul. Hábitos – vive em grupos. Alimentação – pequenos insetos, larvas e frutas. Reprodução – primavera-verão Ameaças – destruição do habitat e caça para o tráfico de animais silvestres.

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SAÍRA PINTOR (Tangara fastuosa)

Características – mede 13,5 cm de comprimento. Bico cônico, preto, triangular na base. Cabeça totalmente azul metálico, com colar negro no pescoço. Dorso bastante colorido com manchas azuis, negras, amarelas e vermelhas. Habitat – remanescentes de Mata Atlântica no Nordeste. Ocorrência – exclusiva da região Nordeste. Ocorre no litoral de Pernambuco à Alagoas. Alimentação – pequenas frutas e bagas, insetos que recolhem nas folhagens e ramos. Reprodução – atingem a maturidade sexual aos 12 meses. Reproduzem-se na primavera e verão. O ninho em forma de taça rasa, construído nos galhos de árvores. Postura de 3 ou 4 ovos por vez, com incubação

durando em torno de 15 a 17 dias. Ameaças – as populações da espécie só existem no litoral de Pernambuco e Alagoas. Foram ao longo dos anos muito perseguidas pelos criadores de pássaros. Hoje está em estado crítico e encontra-se ameaçada de extinção, devido principalmente à forte pressão de caça para abastecer o comércio ilegal de aves silvestres e também à rápida degradação de seu habitat.

SAÍRA-SETE-CORES (Tangara seledon)

Características – mede 13,5 cm de comprimento e pesa 18g. Possui pelagem muito colorida. Cabeça e peito azuis-piscina, faixa preta na parte frontal da garganta, nuca amarelo-alaranjado barriga e cauda esverdeados, cauda com faixas negras. Dorso negro com asas intercalando as cores verde, azul e preta. Base do bico preta. Habitat – em todos os estratos da floresta atlântica e nas matas baixas do litoral. Ocorrência – muito comum no sudeste brasileiro, ocorrendo da Bahia e Minas Gerais ao Rio Grande do Sul. Alimentação – frutos de palmeiras e muitas outras espécies típicas da mata Atlântica. Reprodução – primavera-verão Ameaças – destruição do habitat e caça para o tráfico de animais silvestres.

SAÍRA VERDE (Tangara desmaresti)

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Características – mede 13,5 cm de comprimento. Bico e base do bico pretos. Garganta amarela-escura com pequena mancha central-superior negra. Fronte e área ao redor dos olhos azul-turquesa. Dorso, asas e cauda verdes com listras pretas e pequena mancha amarelo-escuro no encontro das asas. Parte inferior verde com listra central amarela. Habitat – pontos elevados da Serra do Mar, da Mantiqueira, do Caparaó, de Ibitipoca e do Caraça, nas capoeiras e nas matas em regiões montanhosas. Ocorrência – região Sudeste, do Espírito Santo ao Paraná e Minas Gerais. Hábitos – vive em grupos de 8 a 10 indivíduos. Foi observado nessas aves o ato de "formigar-se", que consiste em agarrar formigas vivas com o bico e introduzi-las entre as penas, evidentemente para gozar o efeito cáustico do ácido fórmico. Alimentação – frugívoro Reprodução – primavera-verão Ameaças – destruição do habitat e caça para o tráfico de animais silvestres.

SANHAÇO (Thraupis sayaca)

Características – mede 18 cm de comprimento e pesa 43 g (macho). Possui corpo cheio e compacto, bico grosso, forte, ponta fina, pernas curtas e fortes com dedos portando unhas aguçadas, asas e cauda longas. A coloração geral da plumagem é azul-ardósia dorsalmente e azul-acinzentada na parte inferior, sendo mais clara na garganta. No encontro das asas, a coloração azul é mais forte. A coloração da fêmea é um pouco mais clara. Habitat – florestas virgens, secundárias e capoeiras, pomares e jardins de áreas urbanas e rurais. Ocorrência – Argentina, Uruguai, Paraguai e no Brasil, do centro-sul da Bahia e do Espírito Santo ao Rio Grande do Sul. Hábitos – é excelente voador, preferindo viver na copa das árvores mais altas onde descansam entre as ramagens. Vivem em sociedade, são gregários e o bando pode ser formado por mais de 1 o indivíduos. É muito arisco, inteligente e gosta de locais iluminados. Pode visitar o solo às vezes, em busca de alimentos. Agridem seus predadores. Em época de reprodução ficam separados em casais. Alimentação – frutas, sementes, insetos, larvas, vermes e aranhas de pequeno porte. Reprodução – primavera-verão. Ninho é construído pelo casal numa forquilha a uma altura que varia de 4 a 15 m ou mais, tendo o formato de uma tigela, formado por fibras vegetais, crinas de animais, musgos e liquens. A postura é de 3 ovos de cor branco-esverdeada, com manhcas marrons, castanhas e negras, medindo 25 x 17 mm em seus eixos e pesando 3,3 g cada um. A incubação é realizada pela fêmea durante 12 a 14 dias e os filhotes nidícolas recebem alimentação dos pais durante 20 dias, quando deixam o ninho e continuam a receber os cuidados do casal por mais alguns dias, seguindo depois como membros do mesmo bando. Predadores naturais – gaviões e corujas. Ameaças – destruição do habitat, agrotóxicos e caça para o tráfico de animais silvestres.

SANHAÇO MARRON – SANHAÇO DO COQUEIRO (Thraupis palmarum)

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Características – mede 18 cm de comprimento. Plumagem parda- amarronzada, com costas acinzentadas, asas e cauda escuras e mancha pardacenta nas asas. Habitat – topo de árvores isoladas, de preferência palmeiras. Ocorrência – todas as regiões do Brasil. Hábitos – aprecia pousar na ponta dos brotos destas para cantar. Alimentação – frugívoro e insetívoro. Reprodução – primavera-verão Predadores naturais – gaviões e corujas Ameaças – destruição do habitat e poluição por agrotóxicos.

SARACURA (Aramides cajanea)

Características – pernas e pés vermelhos com o tarso mais comprido do que o dedo médio. Tem dorso castanho-esverdeado, pescoço e cabeça cinzentos. Peito castanho-ferruginoso e o bico, amarelo-esverdeado. Mede 39 cm de comprimento. Habitat – pântanos com vegetação alta, manguezais, margens de rios, lagos e igarapés, florestas altas e úmidas, às vezes longe da água. Ocorrência – América Central ao Uruguai e norte da Argentina Hábitos – vive normalmente solitária, aos pares ou formando pequenos grupos. Pequena e desajeitada, a saracura passa o dia escondida em silêncio, mas nas horas do alvorecer e do fim da tarde, ouve-se seu canto que, segundo a crença popular, é prenúncio certo de chuva. Ave difícil de ser observada, mas seu canto pode ser ouvido com freqüência. É parcialmente noturna. Passa a maior parte do tempo no chão, sendo eventualmente encontrada em arbustos. Alimentação – pequenos peixes, crustáceos, insetos e larvas. Reprodução – constrói seu ninho no meio do junco, rodeado por água ou nas margens dos córregos, em meio a vegetação densa. Faz ninho de gravetos, em forma de tigela funda, a uma altura variável entre 1 e 7 m, em emaranhados de cipós ou arbustos. Põe de 3 a 7 ovos de cor creme, pintados e manchados de marrom. Ameaças – destruição do habitat.

SERIEMA (Cariama cristata)

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Características – seriema, significa "ema de crista" porém, ela e a ema não pertencem ao mesmo gênero. Ela é o terror dos roedores e répteis, subjuga-os com seu forte bico, atirando-os contra o solo com violência. São aves de médio porte, pernaltas de aparência arcaica, com corpo esguio, pescoço longo, um bico muito forte e afiado, asas arredondadas. Mede aproximadamente 90 cm e pesa mais de 1,4 kg. De asas largas e "duras", cauda longa. Plumagem cinzenta com ligeira tonalidade parda ou amarelada. Base do bico, o qual é forte e vermelho como as pernas, cresce um feixe de penas eriçadas para adiante, tem o olhar ameaçador. Habitat – cerrados, campos sujos e eventualmente em pastagens, sempre ambientes abertos ou semi-abertos secos. O desmatamento progressivo contribui para expandir seus domínios na medida em que lhe proporciona novas áreas de hábitat favorável. Ocorrência – centro e sul da América do Sul, da Argentina, Uruguai, Paraguai e Bolívia ao Brasil central e oriental até o oeste do Mato Grosso, sul do Pará e no Maranhão. Hábitos – ave terrícola. Prefere correr a voar, na verdade ela não voa, no máximo consegue dar uns planeios curtos. O vôo é muito curto e muito baixo. Andam e correm velozmente. Uma das características mais marcantes nesta família é a vocalização, audível e grandes distâncias, pois é muito forte e com uma musicalidade toda especial. Andam em casais ou em pequenos grupos. Quando perseguida por um automóvel chega a atingir de 40 até 70 km/h - antes de

levantar vôo (só faz quando necessário). À noite empoleira-se no altos das árvores e durante o dia repousa deitada no solo. Quando percebe algum perigo esconde-se atrás de troncos caídos, deitando no chão. Toma banho de poeira e sol. Alimentação – onívora. Cobras pequenas e de tamanho médio, inclusive venenosas, são algumas d e suas presas. O réptil não tem como fugir, nem armas a opor à força do bico e das garras da ave. Alem de cobras, a seriema come qualquer outra espécie de bicho que ela possa vencer: rãs, aves e seus ovos, lagartos e alguns pequenos mamíferos. Gafanhotos e outros artrópodes, roedores, calangos, lagartixas e outros animais pequenos. Começa sempre a comer a vítima pela cabeça. Tem a reputação de devorar "grande quantidade" de cobras, o que aparentemente é exagero. Não é imune ao veneno ofídico. Não gosta de bicho morto. Reprodução – seus ninhos, são construídos em árvores relativamente baixas (uns 4 metros de altura). A construção rudimentar é pouco mais que um monte de gravetos amontoados em grande volume de gravetos fortemente compactados. Os ovos, que quase sempre em número de 2, passam da cor rósea a um esbranquiçado, manchados com linhas e pintas marrons. Os filhotes quando nascem são cobertos por uma penugem escura e permanecem no ninho até crescerem um pouco, quando então descem ao solo. O casal reveza-se no choco, que dura de 26 a 29 dias. O filhote é coberto por longa penugem parda pálida com manchas pardas. Abandona o ninho com 12 dias de idade. Predadores naturais – onça, jaguatirica ou de uma suçuarana.

SOCÓ BOI (Tigrisoma lineatum)

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Características – espécie de grande porte, chega a medir 95 centímetros. Dorso cinzento, pescoço e cabeça ferrugínea. Bico longo e forte. Habitat – áreas úmidas, como brejos, várzeas, lagoas e regiões florestais. Ocorrência – em todo o Brasil. Hábitos – são solitários. Emitem sons comparáveis com o bramido de um boi, daí seu nome vulgar.Preferm movimentar-se à noite, passsando o dia mais retraídos e escondidos entre as folhagens Alimentação – peixes, insetos, crustáceos, moluscos, pequenos anfíbios e répteis Reprodução – constrói ninhos no alto das árvores Ameaças – espécie em extinção devido à destruição do habitat, caça, tráfico de animais silvestres e popluição.

SOCOZINHO (Butorides striatus)

Características – mede 36 cm de comprimento. Plumagem de cor cinzento- clara na barriga e cinzento-azul na parte superior. A cabeça é negra e possui plumas alongadas na nuca. As asas têm lustro metálico com orlas amareladas nas coberturas exteriores. A garganta e o pescoço são brancos, este com manchas pretas. Habitat – manguezais, lagoas, brejos e outras áreas alagadas. Ocorrência – da Argentina à Venezuela, no Brasil em todo o território. Hábitos – vive solitário ou aos casais com outras espécies dos banhados ou pantanais e mangues. São bons voadores e durante o vôo sempre encolhem o longo pescoço, mantendo as pernas esticadas para trás. Ao decolar ou pousar emitem seu som característico. Alimentação – peixes, insetos, crustáceos, moluscos e pequenos sapos. Para tanto, fica imóvel bem perto da água e, ao avistar a presa, estica o pescoço e a captura. Reprodução – o ninho solitário ou em pequenas colônias é construído

pelo casal a base de gravetos, sobre arbusto ou árvore a uma altura de 1 a 3 m da água. A postura consiste em 3 a 4 ovos de coloração verde-clara, medindo 39 x 29 mm em seus eixos. Ambos incubam e cuidam da prole. Os filhotes são nidícolas, nascem nus e após 6 semanas deixam o ninho. Ameaças – destruição do habitat, caça e poluição.

SUINDARA (Tyto alba)

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Características – também conhecida como corujas-de-igrejas, mede 37 cm de comprimento com envergadura de até 90 cm. Estatura delgada e colorido bem claro, longas penas brancas manchadas de cinza. É uma ave esbelta, comprida e disco facial em forma de coração, ao contrário de outras corujas que possuem redondo. Olhos desaparecem numa fenda longitudinal de penas. Dedos são cobertos por cerdas. Asas grandes e cauda curta. Pernas grandes, fortes e pés com dedos dotados de unhas, sendo a do dedo médio portadora de uma serra. Bico curvo e forte, terminado em gancho. A plumagem é de coloração branco-amarelada com algo de roxeado-avermelhado e parte ventral com pintas escuras. O dorso é mais escuro, com algo de marrom-claro. Sexos são semelhantes. Pesa aproximadamente de 500 g. Visão adaptada à pouca luz. Habitat – campos abertos, refugiando-se em grutas ou emaranhados de cipós, sótãos de casas velhas, forros, torres de igreja e pombais. Ocorrência – Brasil oriental e central, estendendo-se para o sul até a Terra do Fogo, abrangendo Argentina, Paraguai, Uruguai, Chile e Bolívia. Hábitos – é predador solitário e noturno, voando silenciosamente a pouca altura. Tem audição muito aguçada e precisa, bem como a visibilidade à noite. Se perturbadas, balançam o corpo lateralmente. Amendrontadas e sem poder fugir, jogam-se de barriga para cima, enfrentando o perigo com as poderosas garras que lançam para frente. De dia dorme, às vezes em palmeiras. Atrai a atenção em paisagens cultificadas. Alimentação – prefere presas vivas. Pequenos vertebrados como roedores, marsupiais, morcegos, anfíbios, répteis e pequenas aves. Entre os invertebrados, os insetos são os mais apreciados, embora se alimentem também de crustáceos e vermes. Atacam também posturas de aves e filhotes em ninhos, como também adultos. Reprodução – para se reproduzirem quase todo ano, necessitam de uma farta alimentação. O ninho é construído em ocos de madeira, de terra ou em recantos de grutas, sótãos, torres e galpões abandonados. É feito com o próprio excremento que se fixa e seca no lugar, preparando uma concavidade suave. Por ano faz 2 posturas, constituídas de 2 a 10 ovos compridos, ovais, brancos, que medem 43 x 33 mm em seus eixos. O período de incubação é de 30 a 40 dias, realizada predominantemente pela fêmea que é alimentada pelo macho. Consta que os pais cevam os filhotes em duas fases, como fazem vários mamíferos noturnos: do crepúsculo até à meia-noite e à madrugada. Os filhotes são nidícolas recebendo o alimento dos pais ate 6 ou 7 semanas, quando já podem voar, voltando para esse local de abrigo por muito tempo. Ameaças – está entre as aves mais "úteis" do mundo, no que se refere à economia do homem, pois consomem muitos roedores, principalmente nas proximidades de habitações humanas. Em lugares abrigados, como cavernas, os restos ósseos das pelotas de suindaras conservam-se por longo tempo. Ocorre fossilização dessas pelotas em cavernas, o que nos proporciona o meio de saber que, há milhões de anos, as corujas comeram animais hoje extintos. As principais ameaças são a destruição dos habitats, a contaminação por agrotóxicos e pela caça por desconhecimento da importância da espécie.

SUIRIRI (Machetornis rixosus)

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Características – mede 18,5 cm de comprimento. Possui o dorso pardo, o ventre amarelo e a cabeça cinza-amarelada com uma crista amarela que permanece escondida. Habitat – áreas abertas, campos, pastagens, jardins gramados e parques. Ocorrência – da Venezuela à Bolívia, Argentina e Uruguai. No Brasil ocorre nas regiões Sudeste e Centro-Oeste. Hábitos – pousa no dorso de cavalos e bois, daí voam para capturar insetos espantados quando os animais andam. Também gosta de andar pelos gramados, dando pequenas corridas atrás de insetos. Caminha no solo em corridas rápidas interrompidas de quando em quando. Alimentação – insetos capturados no solo ou em galhos de árvores. Também aproveita para capturar as presas espantadas pelas reses no pasto. Reprodução – constroem o ninho de gravetos em ocos a cerca de 4 m do solo, mas eventualmente podem ocupar o ninho abandonado do joão-de- barro. Os ovos são incubados pelo casal. Ameaças – poluição por agrotóxicos.

TALHA-MAR (Rynchops nigra)

Características – ave aquática com bico longo, com maxilar inferior muito mais comprido do que o superior, com cor negra e base laranja. Asas muito grandes, cauda curta e curvada. Pernas curtas e pés palmados. Dedos vermelho-alaranjados. Plumagem de cor negra, exceto na fronte e no lado inferior que são brancos, bem como as orlas das penas das asas. Mede 46 cm de comprimento. Habitat – praias e ilhas de grandes rios e costas marinhas. Ocorrência – Colômbia, Venezuela, Guianas, Equador, Peru, Chile, Argentina e Brasil, na porção Amazônica, inclusive o extremo do Mato Grosso. Hábitos – é gregário, vivendo em grandes grupos. São diurnos com tendência a serem crepusculares e noturnos. Passam o dia nas praias. Pescam mais ao crepúsculo e à noite. Voa paralelamente à superfície, mantendo o bico aberto, como que "arando", cortando a água com a mandíbula inferior para conseguir alimentação. Quando pousados em bancos de areia e outros pontos, todos trazem as cabeças para a mesma direção. Alimentação – plâncton, peixes miúdos e camarões. Reprodução – nidificam em buracos escavados na areia e a fêmea coloca 2 ovov de coloração que varia do amarelado-sujo ao verde-claro-sujo, com muitas manchas marrons, medindo 45 x 36 mm em seus eixos. São incubados pelo casal durante 4 a 5 semanas e os filhotes nidícolas são cuidados pelos pais. Ameaças – destruição do habitat e poluição.

TANGARÁ (Chiroxiphia caudata)

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Características – pássaro que mede 13 cm de comprimento, adicionando-se mais 2 cm ao prolongamento das retrizes medianas. O macho apresenta plumagem azul celeste e cauda pretas tendo, no alto da cabeça, uma coroa vermelha brilhante. Na cauda, as duas penas centrais projetam-se além das outras. A fêmea é verde escura, reconhecida por um ligeiro prolongamento da cauda. Os machos imaturos são totalmente verde-oliva, mas alguns jovens podem ser distinguidos das fêmeas devido ao vermelho na fronte, que adquirem antes da troca de plumagem do restante do corpo. Habitat – estrato médio de matas densas e à beira de núcleos urbanos do sudeste do país. Ocorrência – Bahia, São Paulo, Rio de Janeiro até o Rio Grande do Sul. Hábitos – voam bem, mas usualmente não deixam a mata frondosa. Alguns revelam-se verdadeiros acrobatas quando exibem-se nas cerimônias pré-nupciais. Os movimentos tornam-se mais ligeiros nos machos, menores e mais leves na fêmea. Pegam formigas para friccioná-las nas asas e na base da cauda, utilizam as formigas na higiene da plumagem, esfregando os insetos vivos nas asas para gozar o efeito do ácido fórmico, atividade que é tratada como "formicar-se". Alimentação – bagas, frutas, pequenos insetos, vermes e aranhas. Reprodução – no período de reprodução, os dançadores machos executam verdadeiras danças diante das fêmeas. Vários enfileiram-se num galho e exibem-

se, um de cada vez, diante da fêmea. Depois de executarem o ritual, cada macho vai ao fim da fila e espera a sua vez para exibir-se novamente. A fêmea tem o seu próprio território ao redor do ninho. Constroem uma cestinha rala que é fixada a uma forquilha, muitas vezes por negros micélios de fungos, que podem prender o ninho como uma cortina, quebrando o seu contorno e mimetizando-º Utilizam teias de aranhas, em boa qualidade para colar o material da construção a qual muitas vezes está situada a uma altura relativamente grande, perto d'água e até sobre ela. Põe dois ovos que são de fundo pardacendo com desenho pardo-escuro. A incubação é executada com dedicação pela mãe e dura 18 dias. Os filhotes abandonam o ninho em 20 dias, quando começam a se alimentar e a se defender sozinhos. Ameaças – destruição0 do habitat, caça e tráfico de animais silvestres.

TICO-TICO (Zonotrichia capensis)

Características – pássaro de porte médio que mede 15 cm de comprimento. É um dos pássaros mais conhecidos e estimados do Brasil. Corpo compacto, com asas e cauda de tamanhos regulares, pernas e pés delgados e bico cônico e forte. A coloração dorsal é pardo-acinzentada, tendo a cabeça cinza com 2 tiras negras que partem da base da maxila indo até à nuca, com parte central cinza, também partindo da mesma base e alargando-se para a nuca. As faces são de cor cinza, com 2 tiras negras de cada lado que vão até a região do pescoço, uma partindo do canto posterior do olho e outra do canto do bico. Pescoço com uma faixa cintada de cor vermelho-ferrugínea que desça até os lados do peito alto, onde se encontra com uma mancha negra. Porção intermediária dorsal de cor pardo-cinza com coberteiras, inclusive das asas com manchas negras e restante do baixo dorso pardo-cinza. No encontro das asas as penas terminam com faixa branca. Garganta branca, peito e abdômem cinza-esbrancquiçados, sendo mais claro na parte central. O macho apresenta um pequeno topete com desenho estriado na cabeça. A fêmea apresenta coloração mais apagada e não possui topete. Habitat – áreas abertas, campos de cultura, campos sujos ou limpos, pomares, áreas rurais eurbanas, parques e jardins. É abundante em regiões de clima temperado, como nas montanhas do sudeste. Ocorrência – no Brasil, do sul da Bahia ao Rio Grande do Sul. Abundante em clima temperado, como nas montanhas do Sudeste, até nos seus cumes mais altos, expostos a ventos fortes e frios. Ocorre do México, América Central, maior parte da América do Sul até a Terra do Fogo, com muitas lacunas.

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Hábitos – vive aos casais. Entre os traços interessantes do seu comportamento figura a técnica de esgravatar alimento no solo por meio de pequenos pulos. Para removerem a camada superficial de folhas ou terra solta que recubra o alimento. Perscrutando o terreno à sua frente pulam até 4 vezes consecutivas verticalmente sem alterar a posição das pernas e esgravatando o chão com ambos os pés sincronizadamente jogando para trás o material impeditivo. A tendência de executar tal movimento pelo tico-tico é tão forte que mesmo quando come algo sobre uma laje de cimento limpo ou num quintal pula da mesma forma. Alimentação – insetívoro e granívoro. Reprodução – primavera-verão. Durante a reprodução vivem estritamente aos casais sendo extremamente fiéis a um território, que o macho defende energicamente contra a aproximação de outros machos de sua espécie. Tornam-se assim fáceis vítimas de caçadores. O ninho é uma tigela aberta e rala, feito de capim seco e raízes. A fêmea bota de 2 a 5 ovos, que são de cor verde-amarelado com uma coroa de salpicos avermelhados, medindo cerca de 21 x 16 mm em seus eixos e pesando de 2 a 3 g. A incubação se faz em 13 a 14 dias e os filhotes nidícolas são cuidados pelo casal. Os filhotes deixam o ninho entre 16 e 22 dias de vida para acompanharem os pais que ainda os seguem alimentando por vários dias. Os tico-tico jovens estabelecem territórios entre o 5º e o 11º mês de vida. Sofrem pesadas perdas de sua própria prole, pois o Chopim é uma ave parasita que retira os ovos do ninho do tico-tico e põe os seus. A pressão exercida chega a ser tão grande que, em certos locais, o tico-tico é eliminado. Ameaças – freqüentemente o ninho do Tico-tico é parasitado pelo Chopim ( Molothrus bonariensis), que põe seus ovos para serem incubados e os filhotes criados pela fêmea de Tico-tico. A família Fringillidae é a mais procurada pelo comércio clandestino de aves silvestres.

TIÉ-SANGUE (Ramphocelus bresilius)

Características – uma das mais espetaculares aves do mundo. De porte mediano, mede 19 cm de comprimento e pesa 31 g (macho). A soberba plumagem rubro-negra do macho só é adquirida no segundo ano de vida. Distintivo importante do gênero, e que ocorre exclusivamente no sexo masculino, é a calosidade branca reluzente da base da mandíbula. O vermelho intenso desta ave é proporcionado por pigmentos vermelhos (astaxantina) comuns em crustáceos e em outros invertebrados. Porém, são raros em aves. Tal coloração somente aparece nos machos adultos, sendo as fêmeas pardacentas e desprovidas de maiores atrativos. Apresenta postura soberana, alerta. O macho possui coloração vermelha-viva e brilhante, com a cauda e as asas negras. O bico é forte, enegrecido e a calosidade branca na mandíbula. Os olhos são vermelhos.

Habitat – floresta virgem, secundária, capoeira baixa, restinga, plantações e pomares. Ocorrência – da Paraíba ao Rio Grande do Sul, incluindo leste de Minas Gerais. Hábitos – é bom voador, preferindo viver entre a vegetação cerrada dos alagadiços, margens dos rios e lagos cobertos de vegetação arbórea, sempre em grupo de 5 a 8 indivíduos, sendo 1 ou 2 machos adultos e o restante fêmeas. Quando canta eriça as penas da cabeça e do pescoço. Alimentação – substâncias vegetais, frutas carnudas, frutinhas secas, botões, néctar, folhas, insetos e outros artrópodes. Apreciam por demais as frutas da embaúba (Cecropia sp.) e da aroeira (Schinus terebinthifolius). Reprodução – primavera-verão. Constrói o seu ninho em vegetação densa, tendo o cuidado de camuflar as partes externas com vegetais frescos. Usa para isso fibras vegetais secas, principalmente folhas de gramíneas. Na construção, somente a fêmea trabalha. O ninho é instalado a 1,5 ou 3 m do solo. Põe de 3 a 4 ovos verdes- azulados pintados de preto, medindo 24 x 10 mm em seus eixos e pesando 3,8 g cada um. É também a fêmea que sozinha choca os ovos por 12 ou 14 dias. Os filhotes possuem o interior da boca vermelho, sendo alimentados por ambos os pais ou por outros pássaros aparentados. Os filhotes deixam o ninho após 18 dias de vida e continuam sendo tratados pelos pais, passando a viver no mesmo bando. Ameaças – caça, tráfico de animais silvestres, destruição do habitat e agrotóxicos.

TIZIU (Volatinia jacarina)

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Características – pássaro que mede 11,5 cm de comprimento. Um dos pássaros mais conhecidos em todo Brasil. Os machos, após a época de reprodução, mudam para uma plumagem de descanso de penas negras com brilho azul-metálico e borda esbranquiçada. Habitat – áreas abertas, capinzais altos, abundante mesmo ao redor de habitações, arrozais. Ocorrência – todo Brasil. Alimentação – granívoro Reprodução – primavera-verão Ameaças – poluição e destruição do habitat.

TRINCA-FERRO (Saltator maximus)

Características – pássaro de grande porte, medindo 21 cm de comprimento. Possui asas e cauda grandes, pernas de tamanho médio. Coloração dorsal verde-olivácea, cabeça acinzentada, garganta ocre-clara, peito e abdômen cinzento-oliváceios com ocre no meio. Estria esbranquiçada sobre os olhos. Bico robusto, grosso e muito forte. Habitat – florestas virgens, secundárias, beira da mata, capoeiras, tanto nas baixadas como nas montanhas, lavouras e pomares. Ocorrência – ocorre no Brasil do Maranhão aos estados da região centro oeste, de Pernambuco ao Rio de Janeiro, incluindo Minas Gerais. Hábitos – trata-se de um dos pássaros nacionais com instinto territorialista mais acentuado. No período de descanso costumam ser vistos em bandos. É canoro. Freqüenta as árvores mas também vai muito ao solo. Alimentação – onívoro (frutas, insetos, sementes, etc.)

Reprodução – são extremamente valentes na época de reprodução. Primavera-verão. O casal constrói o ninho numa forquilha de arbusto ou árvore, em altura que varia de 0,50 m a 5 m do solo.O ninho é construído em formato de tigela e para isso, utilizam-se de talos e folhas, grosseiramente dispostos, forrando-se internamente com raízes finas. A postura é normalmente de 2 ovos de coloração verde-azulado-clara com riscado de coloração negra, medindo 28 x 20 mm em seus eixos e pesando 3,8 g cada um.A fêmea se encarrega da incubação que dura em torno de 13 a 14 dias e os filhotes nidícolas são alimentados pelo casal e assim continuam após deixarem o ninho por mais uma semana. Os jovens deixam o ninho com 18 a 20 dias de idade. Ameaças – destruição do habitat, caça, tráfico de animais silvestres e agrotóxicos.

TRINTA-RÉIS (Sterna hirundo)

Características – mede 45 cm de comprimento. Possui asas grandes terminadas em pontas e cauda também longa e terminando bifurcada. Pernas curtas e pés palmados. Bico fino, forte, longo e terminado em ponta. Plumagem de coloração branca, tendo o alto da cabeça negro, parte dorsal e asas cinza-chumbo, cauda branca e cinza na ponta. Bico e pões vermelho- lacre. Não existe dimorfismo sexual. Habitat – costas marinhas, rios, lagos e banhados marinhos. Ocorrência – Peru, Argentina e Brasil, da Bahia pela costa até o Rio Grande do Sul.

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Hábitos – ao caçar, desce a pique com ímpeto, para capturar peixes ou crustáceos que nadem a pouca profundidade, submerge não mais que um metro e sobe rapidamente à superfície. Visitante regular do Brasil. Excelente voadora. Vive em grandes bandos, sempre gregários e planm muito constantemente. Flutuam por muito tempo. São grandes mergulhadores e nadadores. Alimentação – peixes, crustáceos e insetos. Reprodução – o ninho é construído , às vezes, em grandes colônias sobre arbustos, nas restingas, como também diretamente no solo. É feito de ervas, algas, etc., ou quando no solo ou na rocha, sem qualquer proteção maior a não ser a cavidade que abrigará a postura. A postura é de 2 a 7 ovos de cor muito variável, porém, sempre manchados de marrom, medindo 46 x 35 mm em seus eixos. A incubação é feita pelo casal, que também cuida dos jovens seminidícolas. A incubação dura em torno de 25 dias e os jovens permanecem no ninho por 35 dias, antes de alçarem vôo. Predadores naturais – gaivota-rapineira. Ameaças – destruição do habitat e poluição.

TUCANO-DE-BICO-AMARELO (Ramphastos toco)

Características – também conhecido como tucanoçu ou tucano-toco é a maior espécie de tucano. É grande, robusto, asas curtas e arredondadas. Plumagem é completamente negra, com a garganta, bochechas e penas superiores da cauda brancas, crisso vermelho e uropígio branco. Região oftálmica com pele amarela e parte em volta dos olhos azul-violeta- brilhante. Íris castanha. Atinge até 66 cm de comprimento com o bico. Seu enorme bico, com 19 cm de comprimento, de cores brilhantes (amarelo com a ponta preta) parece pesado, entretanto é formado por uma estrutura óssea não maciça e aerada que lembra um favo de mel. Isso torna o bico mais leve e portanto, não dificulta o vôo. Apesar de não ser maciço, o bico é bastante resistente. Este bico é a mais notável característica dos tucanos, útil para apanhar frutos em locais difíceis,

descascá-los, intimidar outros animais, perfurar madeira, sondar a lama e impressionar as fêmeas. O bico também é utilizado para jogar frutos um nos outros, durante o ritual de acasalamento. Pernas e pés de coloração azul, fortes, dotados de unhas grandes, aguçadas, muito fortes e cortantes. As garras são outra característica do animal. A garra é constituída por dois dedos dianteiros e dois traseiros o que lhe confere boa sustentação nos galhos. Pesa em torno de 540 g. Não possui dimorfismo sexual. Podem viver até 15 anos. Habitat – Pantanal, cerrado e Amazônia nas bordas de matas e florestas de terra firme de quase todo o Brasil. Ocorrência – desde as Guianas, passando pelo Brasil, indo até a Bolívia, Paraguai e Argentina. No Brasil ocorre na região Amazônica, litoral do Amapá, região Central do país e região Sul. Hábitos – vive em casai e também é gregário, formando bandos de vários indivíduos. É um importante dispersor de sementes das árvores da floresta, pois engole os frutos, digere a parte comestível e depois expele o caroço à alguma distância da árvore mãe. É bom voador e muito bom saltador. Seu vôo é lento. É também planador. Alimentação – onívoro, alimenta-se de insetos, lagartos, ovos, filhotes de outros pássaros e, principalmente, frutas. Seu hábito alimentar é diurno. Predador voraz de ovos de outras espécies. Reprodução – ocorre no final da primavera. O ninho é instalado em um oco de árvore, aproveitando buracos já existentes, a uma altura de até 20 m, normalmente entre 6 a 7 m do solo. A fêmea bota de 2 a 4 ovos de coloração branca, medindo 43 x 32 mm em seus eixos e pesando de 20 a 25 g cada um. Durante o período de reprodução, o casal alimenta-se mutuamente trazendo comida e regurgitando. O casal se reveza na tarefa de chocar os ovos, os quais eclodem entre 16 e 20 dias. Quando nascem, sua aparência é desproporcional. Seu bico é grande e o corpo, pequeno, os olhos só abrem após três semanas e os pais cuidam de seus filhotes até eles saírem dos ninhos, o que ocorre em seis semanas. A coloração do bico só é definida meses após o nascimento. Ameaças – ainda não é uma espécie ameaçada de extinção, entretanto tem sido capturado e traficado para outros países a fim de ser vendido em lojas de animais. Isto tem como conseqüência a diminuição de sua população nas florestas, pondo em risco a variabilidade genética, como também a morte de muitos animais durante o transporte. Além da caça e do tráfico de animais, outra ameaça é a destruição do habitat.

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TUCANO-DE-BICO-PRETO (Ramphastos vitellinus)

Características – mede cerca de 46 cm e sua plumagem é totalmente negra, com a garganta amarelo-alaranjada, peito vermelho e crisso vermelho. Asas curtas e arredondadas e cauda e bico longos. Pernas e pés fortes, azulados, providos de unhas em garras fortes. A pele ao redor dos olhos é vermelha e o bico é quase que inteiramente negro, leve e cortante, possuindo a base amarela. Possui algum dimorfismo sexual, sendo machos adultos mais pesados e possuindo o bico mais longo. Habitat – florestas úmidas, virgens e secundárias, tanto no interior quanto nas bordas, e em capoeiras altas. Ocorrência – oeste -setentrional da América do Sul cisandina desde as Guianas, passando pela Venezuela e Bolívia, até a margem esquerda do baixo Amazonas em direção ao oeste de Goiás e Mato Grosso, ocorrendo também em Pernambuco, Alagoas, Rio de Janeiro, Leste de Minas Gerais, São Paulo e Santa Catarina. Hábitos – é gregário e arborícola. Vive em bandos de tamanhos variáveis, porém nunca muito grandes. Gostam de dormir sempre juntos e com o bico escondido entre as asas, cobrindo a cabeça com a cauda. São grandes dispersores de sementes. Excelente saltador e voador. Vôo lento mantendo sempre o pescoço esticado. Alimentação – principalmente de frutos. Apanham também animais vivos, como pássaros e ratos. Sementes, insetos, aranhas, ovos e filhotes de outras aves. Reprodução – faz ninho em um oco de árvore onde a fêmea deposita de 2 a 4 ovos brancos, medindo 38 x 28 mm em seus eixos. A fêmea se encarrega da incubação que dura em torno de 18 dias. Neste período é alimentada pelo macho. Os filhotes nascem sem penas e permanecem no ninho por 40 a 50 dias. São alimentados pelos pais até que possam sair sozinhos do ninho. Ameaças – perda de habitat necessário para que a espécie se mantenha, caça predatória e o tráfico de animais.

TUCANO-DE-BICO-VERDE (Ramphastos dicolorus)

Características – é a espécie mais comum do Brasil meridional. Mede 45 cm. Plumagem negra com peito superior amarelo, região ventral vermelho-ferrugíneo, face amarela com região oftálmica circundada por pele vermelha. Íris verde. Bico verde com base preta. Habitat – áreas florestadas, desde o litoral até as zonas montanhosas. Ocorrência – América do Sul Hábitos – é gregário e arborícola. São grandes dispersores de sementes. Excelente saltador e voador. Vôo lento. Alimentação – Onívoro (frutos, animais vivos, como pássaros e ratos, sementes, insetos, aranhas e ovos de outras aves). Reprodução – faz ninho em um oco de árvore onde a fêmea deposita de 2 a 4 ovos que eclodem após 18 dias de incubação. Os filhotes são alimentados pelos pais até que possam sair sozinhos do ninho. Ameaças – destruição do habitat, caça e tráfico de animais silvestres.

UIRAPURU (Cyphorhinus aradus)

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Características – plumagem pardo-avermelhada e bem simples. Bico forte, pés grandes e, às vezes, nos lados da cabeça, um desenho branco. Mede 12,5 cm de comprimento. Habitat – estrato inferior de florestas úmidas, principalmente na terra firme, mas também em florestas de várzea. Ocorrência – quase toda a Amazônia brasileira, com exceção do alto Rio Negro e da região a leste do Rio Tapajós. Encontrado também em todos os demais países amazônicos - Guianas, Venezuela, Colômbia, Equador, Peru e Bolívia. Hábitos – irrequieto, locomove-se rapidamente em meio à folhagem ou mesmo no solo. Pode aparecer em casais ou junto com pássaros de outras espécies. Há uma lenda que diz que o uirapuru atrai bandos de aves com seu belo canto. A verdade é que ele apenas integra bandos em busca de comida. Com um canto longo e melodioso, sua "intenção" é outra: a atração para acasalamento. Esses cantos duram de dez a quinze minutos ao amanhecer e ao anoitecer, na época de construção do ninho. Durante o ano todo, o uirapuru canta apenas cerca de quinze dias. O canto do uirapuru ecoa na mata virgem. O som, puro e delicado como o de uma flauta, parece ter saído de uma entidade divina. Os caboclos mateiros dizem com grande convicção que, quando canta o uirapuru, a floresta silencia. Como se todos os cantores parassem para reverenciar o mestre. Alimentação – frutas, mas, principalmente insetos. Após uma época de seca e logo que começa a chover, as formigas taocas saem de seus formigueiros e atacam todos os pequenos seres que encontram. Isso gera uma movimentação desesperada de vários seres na floresta, chamando a atenção de vários pássaros, inclusive o uirapuru. É um banquete para todos os pássaros que comem formigas. Enquanto os outros comem, o uirapuru canta. O seu canto, curto e forte, demonstra que ele está dominando o território. Ameaças – destruição do habitat.

URUBU (Coragyps atratus)

Características – é o mais comum dos urubus do Brasil. Tem a cabeça e o alto do pescoço nus, pretos como toda a plumagem do corpo, asas e cauda. O bico e os dedos são delgados, mas as unhas são pontiagudas e quando em ataque podem ser retesadas e dilacerar. O bico tem a extremidade pontiaguda e curva, a fim de facilitar a dilaceração da carniça. Possuem grande capacidade olfativa e uma visão bastante aguçada. Habitat – florestas, campos e áreas urbanas. Ocorrência – zonas tropicais do México ao Brasil, em todos os estados. Hábitos – são aves diurnas. Excelente voador e planador. Vive, às vezes, em grandes bandos, sobrevoando em círculos a grandes altitudes, durante horas numa determinada área, e nessas evoluções geralmente define uma posição para a busca da carniça que localizou. Podem chegar a 5.000 m de altitude. Alimentação – animais mortos em decomposição, verduras e frutas. Às vezes, em grupo, atacam recém-nascidos bovinos. Reprodução – normalmente constroem os ninhos em uma gruta de rocha ou num local de difícil acesso. A postura é feita no solo, numa pequena

concavidade e sempre é de 2 ovos grandes, de coloração branca pintados com manchas marrons, medindo 76 x 55 mm em seus eixos e pesando 96 g cada um. A incubaçção é realizada pelo casal, que também cria a prole. O período de incubação é de 32 a 35 dias. Ao nascerem os jovens são cobertos por penugem branca e já quando a plumagem aparece, esta tem coloração marrom a qual permanece até iniciarem os vôos, para depois tornar-se negra. Só após o terceiro mês de idade os jovens deixam o ninho para alçarem vôo.

URUBU-REI (Sarcoramphus papa)

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Características – ave de grande porte medindo 79 cm de comprimento, envergadura de 180 cm e peso de 3 kg. Corpo avantajado, cabeça volumosa, bico possante com a maxila de ponta curva afiada e aguda. Pernas e pés fortes, robustos, com unhas em garras. Asas grandes e cauda curta. Olhos com íris brancas. Tem uma quantidade grande da cor branca e asas largas, cujo desenho branco e preto é quase igual, tanto na face superior como na inferior. Cabeça e pescoço nus (facilitando na higiene após seus banquetes repugnantes) violáceo-vermelhos, sobre a base do bico uma carúncula amarelo-alaranjada, maior e pendente no macho. Narinas vazadas. O macho pode ser maior que a fêmea. São mudos, não possuem siringe (laringe inferior das aves), sabem porém bufar. Habitat – regiões permeadas de matas e campos, distante dos centros urbanos. Ocorrência – do México até à Bolívia, norte da Argentina e Uruguai e em todo Brasil. Hábitos – vivem em grupos. Circula bem alto. Locomovem-se no solo a custa de longos pulos elásticos. Para a termorregulação abrem as asas e defecam sobre as pernas. Alimentação – como consumidores de carne em putrefação desempenham importante papel saneador, eliminando matérias orgânicas em decomposição. São imunes, aparentemente, ao botulismo, doença que ataca o homem e outras aves por ingestão de alimentos enlatados, como patê, contaminado pela bactéria Clostridium botulinum . As toxinas botulínicas são proteínas, constituindo-se nos mais potentes venenos conhecidos. O suco gástrico dos urubus é bioquimicamente tão ativo que neutraliza as toxinas cadavéricas e bactérias, eliminando perigos posteriores de infecção. Reprodução – como tantas outras aves de porte, tornam-se maduros apenas com alguns anos de idade. O período reprodutivo ocorre nos meses de junho a novembro. O macho corteja a fêmea empoleirado ou no solo, abre e fecha as asas e exibe a vértice vivamente colorido, abaixando a cabeça. Inclinam-se da mesma maneira quando estão desconfiados e observam algo com atenção. Faz seu ninho em paredões ou sobre árvores altas, no último caso provavelmente aproveitando de um ninho já existente. Põe de 2 a 3 ovos brancos, uniformes. O período de incubação é de 50 a 56 dias. Filhote coberto de penugem branca. Os pais revezam-se no ninho, ministrando a seus pequenos comida liquefeita. Alimentam os filhotes durante meses. Ameaças – ameaçado de extinção. Tem sido caçado pela suspeita de que seja transmissor de doenças ao gado. Entretanto seu hábito de comer carniça é de grande valor na remoção de fontes de infecção. A destruição do habitat, envenenamento por agrotóxicos e tráfico de animais silvestres são outras ameaças.

VIUVINHA (Arundinicola leucocephala)

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Características – o macho é preto com a cabeça branca. Mede em torno de 12,5 cm de comprimento. Habitat – áreas alagadas nas quais a vegetação fica próxima de rios, lagos, represas e brajos. Ocorrência – das Guianas e Colômbia à Bolívia, em todas as regiões do Brasil até o Paraguai e a Argentina. Hábitos – captura insetos em vôo. Nunca se locomove pelo chão, preferindo realizar pequenos vôos de galho em galho. Alimentação – insetívoro. Reprodução – constrói ninhos esféricos sobre a água. Os ovos são brancos. Ameaças – destruição do habitat, caça, tráfico de animais e agrotóxicos.

ZABELÊ (Crypturellus noctivagus)

Características – possui porte grande, asas grandes e robustas. Pernas curtas e robustas, dedos delicados e bico mais ou menos forte e pouco curvado, de coloração sépia, sendo a mandíbula mais clara. Íris marrom, pernas e pés de coloração azeitona. Coloração dorsal pardo-marrom-escura, um pouco enegrecida na cabeça, no baixo dorso mais acanelado e penas da cauda transfaciadas de preto e ferrugem. Faces ferrugíneo-escuras e garganta ferrugíneo-branquiçada. Peito cinza-plúmbeo-escuro, abdômen ferrugíneo, sendo a parte mais baixa de coloração canela-clara, com penas transfaciadas de negro. A fêmea apresenta plumagem mais clara. Habitat – florestas virgens. Ocorrência – faixa litorânea de Mata Atlântica do sul da Bahia ao Rio Grande do Sul, incluindo-se a faixa leste de Minas Gerais. Hábitos – sempre andam aos pares, mas não raro podem ser vistos em bandos de 8 indivíduos. Só voam para fugirem de ataques de predadores. Alimentação – frutos de palmeiras como o palmito, bem como muitas sementes e insetos, vermes, aranhas, moluscos e ainda vegetais de folhas tenras como certas gramíneas e também boa quantidade de grãos de areia. Reprodução – a época de reprodução se dá entre setembro e janeiro. O ninho é construído no solo, formado por uma pequena depressão cercada por folhas secas, que são arrumadas cada vez que o macho deixa o ninho quando incubando. A postura é de 2 a 4 ovos de cor verde-azulada, medindo 53 x 41 mm em seus eixos e pesando 45 g cada um. O período de incubação é de 18 dias, sendo o macho o encarregado. Os jovens são nidífugos e acompanham o pai que os abriga sob as asas. Ameaças – ameaçado de extinção pela destruição do habitat e caça.

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Na Serra de Itaipava RJ. tem muitas destas gralhas e são lindas... A plumagem azul e branco é D+ só os olhos que são feios porque são muito pretos... GRALHA DO CAMPO (Cyanocorax cristatellus) Obrigada pelas informaçoes do site.
Muito boa leitura!!!
QUERO SABER O NOME DE UMA AVE PERNALTA , ENCONTRADA NO CERRADO DE GOIANIA...ELA É TODA CINZA CLARA , SENDO EM DOIS TONS DE CINZAS E APARENTEMENTE É UMA AVE DÓCIL
quero saber a temperatura de chocagem de jacus
vim em busca de um lindo pássaro que vi perto da minha casa e encontrei. Eram dois lindo carcarás...
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