Capítulo 3 - Farmacologia dos Vasocontritores, Manuais, Projetos, Pesquisas de Odontologia
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Capítulo 3 - Farmacologia dos Vasocontritores, Manuais, Projetos, Pesquisas de Odontologia

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Capítulo 3 do livro Manual de Anestesia Local - Malamed
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Capítulo 3 Farmacologia dosVasoconstritores

Todos os anestésicos locais injetáveis clinicamente eficazes possuem algum grau de atividade vasodilatadora. O grau de vasodilatação varia de significativo (procaína) a mínimo (prilocaína, mepivacaína) e também pode variar de acordo com o local de injeção e a resposta individual do paciente. Após injeção de anestésico local nos tecidos, os vasos san- güíneos da área dilatam-se, resultando em um aumento da perfusão no local, o que leva às seguintes reações: 1. Aumento naivelocidade de absorção do anestésico local

para o sistema cardiovascular, que por sua vez o retira do local da injeção (redistribuição).

2. Maiores níveis plasmáticos do anestésico local, com conseqüente aumento do risco de toxicidade.

3. Diminuição da profundidade e da duração da anestesia devido à difusão mais rápida da solução anestésica do local de injeção.

4. Aumento do sangramento no local do tratamento devido ao aumento da perfusão. Os vasoconstritores são drogas que contraem os vasos

sangüíneos e, portanto, controlam a perfusão tecidual. Eles são adicionados às soluções anestésicas locais para equilibrar as ações vasodilatadoras dos anestésicos locais. Os vasoconstritores são adições importantes à solução anestésica local pelas seguintes razões: 1. Através da constrição dos vasos sangüíneos, os vaso-

constritores diminuem o fluxo sangüíneo (perfusão) para o local de administração.

2. A absorção do anestésico local para o sistema cardiovas- cular torna-se mais lenta, resultando em níveis sangüí- neos menores do anestésico.l,2 A Tabela 3-1 ilustra os

níveis sangüíneos de anestésico local com e sem um vasoconstritor.1

3. Os níveis sangüíneos do anestésico local são reduzidos, minimizando, assim, o risco de toxicidade anestésica local.

~. ';\laiores quantidades de anestésico local permanecem no nervo e ao seu redor por períodos mais longos, au- mentando, assim, a duração de ação da maioria dos anestésicos locais (em alguns casos de maneira mais sig- nificativa3, e em outros de forma mínima)4.

5. Os vasoconstritores diminuem o sangramento no local da administração; portanto, eles são úteis quando é pre- visto sangramento elevado (p. ex., durante um procedi- mento cirúrgiCO).5,6 Os vasoconstritores comumente utilizados em conjunto

com os anestésicos locais injetáveis são quimicamente idên- ticos ou semelhantes aos mediadores do sistema nervoso

simpático adrenalina e noradrenalina. Assim, as ações dós vasoconstritores assemelham-se tanto à resposta dos nervos adrenérgicos à estimulação, que eles são classificados como drogas simpatiamáméticllSou adrenérgicas.Essas drogas pos- suem muitas ações clínicas além da vasoconstrição.

As drogas simpaticomiméticas também podem ser clas- sificadas de acordo com sua estrutura química e meca- nismo de ação.

.1:

ESTRUTURA QUíMICA

A classificação das drogas simpaticomiméticas por estru- tura química é relacionada à presença ou ausência de um núcleo catecol. O catecol é o ortodiidroxibenzeno. As

TABELA 3-1

Efeito do Vasoconstritor (Adrenalina a 1:200.000) no Nível Sangüíneo Máximo de Anestésico Local

Nível máximo (Jlg/ml)

Dose Sem Com (mg) Vasoconstritor Vasoconstritor

500 4,7 3 400 4,3 3 400 2,8 2,6 300 1,4 1,3

Anestésico Local

Mepivacaína Lidocaína Prilocaína Etidocaína

(Retirado de: Cannall H, Walter.; H, Beckett AR, Saunder.; A:.Circulating blood levels of lignocaine atter peri-oral injections, Br DentJ 138:87-93, 1975.)

42 Medicamentos P A R TEU M

drogas simpaticomiméticas que apresentam substituições hidroxila (OR) na terceira e quarta posições do anel aro- mático são denominadas catecóis.

iJ)- CH-CH-NH

HO I I I OH CD @HO

Se elas também contêm um grupo amina (NH2) fixado à cadeia lateral alifática, são então denominadas catec%mi- nos.A adrenalina, noradrenalina e dopamina são as cateco- laminas naturais do sistema nervoso simpático. O isopro- terenol e a levonordefrina são catecolaminas sintéticas.

Os vasoconstritores que não possuem grupos OR na terceira e quarta posição da molécula aromática não são catecóis, mas são aminas, pois apresentam um grupo NH2 fixado à cadeia lateral alifática.

Catecolaminas Adrenalina Noradrenalina Levonordefrina

Isoproterenol Dopamina

Não-cateco1arninas Anfetamina Metanfetamina Efedrina Mefentermina Hidroxianfetamina Metaraminol Metoxamina Fenilefrina

A fe/ipressina, um análogo sintético do polipeptídio vasopressina (hormônio antidiurético), é disponível em muitos países como vasoconstritor. Atualmente Gunho de 2004), a felipressina não está diSpOIúvel nos Estados Unidos.

MECANISMO DE A~ÃO

Existem três categorias de aminas simpaticomiméticas: as drogasdeaçãodireta, que exercem sua ação diretamente nos receptores adrenérgicos; as drogas de ação indireta, que atuam através da liberação de noradrenalina das termina- ções nervosas adrenérgicas; e as drogasde açãomista, com ações direta e indireta (Quadro 3-1).1-3

Receptores Adrenérgicos

Os receptores adrenérgicos são encontrados na maioria dos tecidos do corpo. O conceito de receptores adrenérgi- cos foi proposto por Ahlquist em 1948 e é bem aceito

QUADRO 3-1

Classificação das Aminas Simpaticomiméticas

AÇÃO DIRETA AÇÃO INDIRETA AÇÃO MISTA

Adrenalina Tmunina Metaraminol Noradrenalina Anfetamina Efedrina Levonordefrina Metanfetamina Isoproterenol Hidroxianfetamina Dopamina Metoxamina Fenilefrina

atualmente.7 Ahlquist reconheceu dois tipos de receptores adrenérgicos, denominados a/fa (a) e beta (13)com base nas ações inibidoras ou excitatórias das catecolaminas no mús- culo liso.

A ativação dos receptores a por uma droga simpatico- mimética geralmente produz uma resposta que inclui a contração do músculo liso dos vasos sangüíneos (vasocons- trição). Baseado em diferenças em sua função e localização, os receptores a têm sido divididos em subcategorias. Enquanto os receptores aI são excitatórios pós-sinápticos, os a2 são inibidores pós-sinápticos.8

A ativação dos receptores 13produz relaxamento do . músculo liso (vasodilatação e broncodilatação) e estimula- ção cardíaca (aumento da fi-eqüência cardíaca e da força de contração).

Os receptores beta são ainda divididos em 131e 132:Os pri- meiros são encontrados no coração e no intestino delgado e são responsáveis pela estimulação cardíaca e pela lipólisej os segundos são encontrados nos brônquios, leitos vasculares e no útero, produzindo broncodilatação e vasodilatação.9

A Tabela 3-2 ilustra as diferenças nos variados graus de atividade dos receptores a e 13de três vasoconstritores comumente utilizados.

A Tabela 3-3 lista os efeitos sistêmicos, baseados nas ati- vidades dos receptores ~ e 13,da adrenalina e noradrenalina.

Liberação de Catecolaminas

Outras drogas simpaticomiméticas, tais como a tiramina e a anfetamina, agem indiretammte causando a liberação da catecolamina noradrenalina dos depósitos nas terminações

TABELA 3-2

Atividade dos Vasoconstritores sobre os Receptores Adrenérgicos

(Retirado de:JastakJT, YagielaJA, DonaldsonD: Locolonesthesio of lbe oral aruity,Philadelphia,1995, WB Sannders.) A potência relativa das drogas é indicada da seguinte funna: +++ = alta, ++ = intennediária, e + = baixa.

CD @

Adrenalina H CH3

Levonordefrina CH3 H

Noradrenalina H H

Droga lX:2 /3J. f32

Adrenalina +++ +++ +++ +++ Noradrenalina ++ ++ ++ + Levonordefrina + ++ ++ +

C A P Í T U L O 3 Farmacologia dos Vasoconstritores

TABELA 3-3

Efeitos Sistêmicos das Aminas Simpaticomiméticas

Órgão ou

Função Afetada Adrenalina Noradrenalina

SISTEMA CARDIOVASCULAR

Freqüência cardíaca Volume sistólico Débito cardíaco Arritmias

Fluxo sangüíneo coronário

+ ++ ++

0,- ++++

+++

++++

++ ++

PRESSÃOSANGüíNEA

Sistólica Média Diastólica

+++ +

+,0,-

+++ ++ ++

CIRCULAÇÃOPERIFÉRICA

Resistência periférica total Fluxo sangüíneo cerebral Fluxo sangüíneo cutâneo Fluxo sangüíneo esplênico

+ ++ 0-,

+++ 0,+

SISTEMA RESPIRATÓRIO

Broncodilatação +++ °

SISTEMA GENITOURINÁRIO

Fluxo sangüíneo renal

MUSCULATURAESQUELÉTlCA

Fluxo sangüíneo muscular +++ 0,-

EFEITOSMETABÓUCOS

Consumo de oxigênio ++ Glicernia +++

Níveis sangüíneos de ácido lático +++

0,+ 0,+ 0,+

(De: Goldenberg M, Aranow H Jr, Smith AA, Faber M: Pheochromocytorna and essential hypertensive vascuIardisease,Arch 1m"""JJed 86:823-836, 1950.)

nervosas adrenérgicas. Além disso, essas drogas também podem exercer uma ação direta nos receptores a e ~.

As ações clínicas desse grupo de drogas são, portanto, semelhantes às ações da noradrenalina. Doses sucessivas dessas drogas serão menos eficazes que aquelas adminis- tradas previamente devido à depleção das reservas de nora- drenalina. Esse fenômeno é denominado toquifi/axio, e não é observado com drogas que atuam diretamente nos recep- tores adrenérgicos.

j CONCENTRA~ÃO DOSVASOCONSTRITORES

A concentração dos vasoconstritores é comumente refe- rida como uma relação (p. ex., 1 para 1.000 [escreve-se 1:1.000]). Como as doses máximas dos vasoconstritores são apresentadas em miligramas, ou atualmente mais comum ente em microgramas (pg), as interpretações a seguir devem capacitar o leitor a converter esses termos imediatamente:

43

. Uma concentração de 1:1.000 significa que há 1 grama (ou 1.000 mg) de soluto (droga) contido em 1.000 ml de solução.. Portanto, uma concentração de 1:1.000 contém 1.000 mg em 1.000 ml, ou seja 1,0 mg/ml de solução (1.000 pg/ml). Os vasoconstritores, quando utilizados em soluções

anestésicas odontológicas, são muito menos concentra- dos do que a proporção descrita de 1:1.000. Para pro- duzir essa concentração clinicamente mais segura, porém eficaz, a concentração de 1: 1.000 deve ser diluída. Esse processo é descrito a seguir:. Para produzir uma concentração de 1:10.000, adiciona-

se 1 ml da solução a 1:1.000 a 9 ml de solvente (água estéril); portanto 1:10.000 = 0,1 mg/ml.. Para produzir uma concentração de 1:100.000, 1 ml da concentração 1:10.000 é adicionado a 9 ml de solventej portanto, 1:100.000 = 0,01mg/ml. Os valores em miligrama por mililitro e em pg por mili-

litro das várias concentrações de vasoconstritor utilizadas na medicina e odontologia são mostrados na Tabela 3-4.

A origem das concentrações dos vasoconstritores nos anestésicos locais teve início com a descoberta da adrena-

lina em 1897 por Abel. Em 1903, Braun sugeriu o uso da adrenalina como "torniquete químico" para prolongar a duração do anestésico 10cal.1OEle recomendava o uso de uma concentração de adrenalina de 1:10.000, que podia chegar a 1:100.000 quando utilizada com a cocaína nas cirurgias nasais. Atualmente, parece que uma concentra- ção de adrenalina de 1:200.000 fornece resultados equiva- lentes com menos efeitos colaterais sistêmicos. A concen-

tração de 1:200.000, que contém 5 pg/ml (ou 0,005 mg/ ml), tomou-se amplamente utilizada tanto na medicina quanto na odontologia, e é atualmente encontrada na arti- caína, prilocaína, lidocaína, etidocaína e bupivacaína. Em vários países da Europa e da Ásia, são disponíveis em tube- tes anestésicos odontológicos soluções de lidocaína asso- ciadas a uma concentração de adrenalina tão baixa quanto 1:300.000 e 1:400.000.

Apesar de ser o vasoconstritor mais utilizado no anesté- sico local tanto na medÍcina quanto na odontologia, a adrenalina não é uma droga ideal. Os benefícios de se adi- cionar adrenalina (ou qualquer vasoconstritor) a uma solu- ção de anestésico local devem ser avaliados em relação aos riscos que podem estar presentes. A adrenalina é absorvida do local de injeção assim como o anestésico local. Níveis sangüíneos mensuráveis de adrenalina são obtidos, o que exerce influência no coração e nos vasos sangüíneos. Os níveis plasmáticos de adrenalina (39 pg/ml) são dobrados após administração de um tubete de lidocaína com adrena- lina a 1:100.000.11 O aumento dos níveis plasmáticos de adrenalina é dose-dependente de maneira linear e sua per- sistência pode variar de alguns minutos a meia hora. 12 Contrariando a posição previamente sustentada de que a administração intra-oral de volumes "usuais" de adrena- lina não produzia resposta cardiovascu1ar e de que a libe- ração de adrenalina endógena apresentava maior risco ao paciente do que sua administração exógena,I3,14estudos recentes demonstram que os níveis plasmáticos de adrena- lina após injeção intra-oral equivalem àqueles atingidos durante a prática moderada a intensa de exercícios físi-

- - - -- . 44 Medicamentos PA RTEU M

Uso Terapêutico

Adrenalina - Medicamento de

emergência (IM/SC na anafilaxia) Fenilefrina Adrenalina - Medicamento de

emergência (IVIET na parada car- díaca)

Levonordefrina - Anestésico local Noradrenalina - Anestésico local Adrenalina - Anestésico local

Adrenalina - Anestésico local (na Inglaterra)

Adrenalina - Anestésico local Adrenalina - Anestésico local

COS.15.16Isso é associado ao aumento moderado do débito cardíaco e volume sistólico (veja a seção seguinte). En- tretanto, a pressão arterial e a freqüência cardíaca são minimamente afetadas com essasdoses.17

Em pacientes que apresentam doenças cardiovasculares ou da tireóide, os efeitos colaterais da absorção da adrena- lina devem ser avaliados em relação aos efeitos dos níveis

sangüíneos elevados de anestésico local. Acredita-se que os efeitos cardiovasculares de doses convencionais de adrena-

lina são pouco significativos, mesmo em pacientes com doença cardíaca.12Entretanto, mesmo quando se seguem as devidas precauções (p. ex., aspiração, injeção lenta), pode ser absorvida quantidade suficiente de adrenalina para causar reações simpaticomiméticas tais como apreen- são, taquicardia, sudorese, pancadas no peito (palpitação): a chamada "reação à adrenalina" .18

A administração intravascular de vasoconstritores, assim como sua administração em indivíduos "sensíveis" (hiper-reativos), ou a ocorrência de interações farmacoló- gicas não previstas podem, entretanto, produzir manifesta- ções clínicas significativas. A administração intravenosa de 0,015 mg de adrenalina com lidocaína resulta em um aumento da freqüência cardíaca que varia de 25 a 70 bati- mentos por minuto, com elevações de 20 a 70 mmHg na pressão sistólica.12.19,20Também podem ser observados dis- túrbios rítmicos ocasionais, sendo as contrações ventricu- lares prematuras (CVPs) os mais freqüentes.

Outros vasoconstritores utilizados na medicina e na

odontologia incluem a noradrenalina, a fenilefrina, a levo- nordefrina e a octapressina. A noradrmo/ino, que não possui ações significativas nos receptores 132> produz intensa vaso- constrição periférica com possível elevação dramática da pressão arterial, e é associadaa um Índice de efeitos colate- rais nove vezes maior do que a adrenalina.21 Apesar de ser atualmente disponível em soluções anestésicas em muitos países, a utilização da noradrenalina como vasoconstritor na odontologia está diminuindo e não é recomendada. A utilização de uma mistura de adrenalina e noradrenalina deve ser absolutamente evitada.22 Afenileftino, um agonista

exclusivamente a-adrenérgico, teoricamente possui vanta- gens sobre os outros vasoconstritores. Entretanto, em tes- tes clínicos, os níveis sangüíneos máximos de lidocaína fo- ram efetivamente maiores com a fenilefrina a 1:20.000 (nível de lidocaína = 2,4 pg/mI) do que com a adrenalina . (1,4 pg/mI).23Os efeitos cardiovasculares da levunurdefrino assemelham-se bastante com os da noradrenalina.24 Foi

demonstrado que a octopressinoé quase tão eficaz na redu- ção do fluxo sangüíneo cutâneo quanto a adrenalina.5

A adrenalina continua sendo o vasoconstritor mais

eficaze utilizadona medicina e odontologia.

-i1 FARMACOLOGIADEAGENTESESPECíRCOS

As propriedades farmacológicas das aminas simpaticomi- méticas comumente utilizadas como vasoconstritores nos anestésicos locais serão revistas. A adrmolino é a mais útil e

representa o melhor exemplo de uma droga que mimetiza

a atividade da descarga simpática. Suas açôes clínicas são revistas em detalhes. As ações de outras drogas são compa- radas àquelas da adrenalina.

Adrenalina

Nome comercial. Adrenalina.

Estrutura quúnica. A adrenalinacomo salácidoé alta- mente solúvel em água. Soluções ligeiramente ácidas são relativamente estáveis se protegidas do ar. A deterioração (através daoxidação)é acelerada pelo calor e pela presença de íons metálicos pesados.O bissulfitodesódiogeralmente é adicionado às soluções de adrenalina para retardar sua deterioração. O tempo de validade de um tubete anesté- sico contendo vasoconstritor é um pouco menor (18 meses) que o de um tubete que não contenha vasoconstri- tor (36 meses).

TABELA 34

Concentrações dos Vasoconstritores Clinicamente Utilizados

Concentração Miligramas por Microgramas por pg por Tubete (1,8 (Diluição) Mililitro (mgfml) Mililitro (pgfml) ml)

1:1.000 1,0 1.000

1:2.500 0,4 400 1:10.000 0,1 100

1:20.000 0,05 50 90 1:30.000 0,033 33,3 73 (tubete de 2,2 mI) 1:50.000 0,02 20 36 1:80.000 0,0125 12,5 27,5 (tubetede 2,2 ml)

1:100.000 0,01 10 18 1:200.000 0,005 5 9

CAPÍTULO 3

OHH

~C

l I/H I -C-N

HO ~ ~ ~ "CH3 OH

Origem. A adrenalina é disponível na forma sintética e também é obtida da medula da supra-renal de anllnais (a adrenalina constitui aproximadamente 80% da secreção da medula da supra-renal). Ela existe nas formas levógira e dextrógira; a forma levógira é aproximadamente 15 vezes mais potente que a dextrógira.

Mecanismo de ação. A adrenalina atua diretamente nos receptores a- e l3-adrenérgicos; os efeitos 13predomi- nam.

Ações Sistêmú:as.

Miocárdio. A adrenalina estimula os receptores 131do miocárdio. Há um efeito inotrópico (força de contração) e cronotrópico (&eqüência de contração) positivo. O débito e a &eqüência cardíaca aumentam.

Células 11Ulrcapasso.A adrenalina estimula os recepto- res 131e aumenta a irritabilidade das células marcapasso, levando a um aumento da incidência de disritmias. A

taquicardia ventricular e as contrações ventriculares pre- maturas são comuns.

Artérias coronárias. A adrenalina produz dilatação das artérias coronárias, aumentando o fluxo sangüíneo coro- nanano.

Pressão arterinl. A pressão arterial sistólica é aumen- tado. A pressão diastólica é reduzida quando são adminis- tradas pequenas doses devido à maior sensibilidade dos receptores 132que dos receptores a à adrenalina nos vasos que nutrem os músculos esqueléticos. A pressão diastólica aumenta com doses maiores de adrenalina devido à cons-

trição dos vasos sangüíneos que nutrem os músculos esqueléticos causada pela estimulação dos receptores a.

DinâmÜ;a cardimJnscular. A ação geral da adrenalina no coração e no sistema cardiovascular é a estimulação direta:. Aumento das pressões sistólica e diastólica.. Aumento do débito cardíaco.. Aumento do volume sistólico.. Aumento da &eqüênciacardíaca.. Aumento da força de contração.. Aumento do consumo miocárdico de oxigênio.

Essas ações levam a uma reduçãogeral da eficiência car- díaca.

As respostas cardiovasculares do aumento da pressão sistólica e da &eqüência cardíaca desenvolvem-se com a administração de um a dois tubetes anestésicos com adre- nalina a 1:100.000.25 A administração de quatro tubetes com adrenalina a 1:100.000 produzirá uma ligeira redução na pressão diastólica.

Farmacologia dos Vasoconstritores 45

Rede vnscular. A ação primária da adrenalina ocorre nas arteríolas menores e esfincteres pré-capilares. Os vasos que nutrem a pele, mucosas e rins contêm basicamente receptores a. A adrenalina produz constrição nesses vasos. Os vasos que nutrem os músculos esqueléticos contêm receptores a e 132> com predominância dos 132'Pequenas doses de adrenalina produzem dilatação desses vasos resul- tante da ações 132'Os receptores 132são mais sensíveis à adrenalina do que os receptores a. Doses maiores produ- zem vasoconstrição devido à estimulação dos receptores a.

Hemostasia. Clinicamente, a adrenalina é &eqüente- mente utilizada como vasoconstritor para hemostasia durante procedimentos cirúrgicos. A injeção de adrenalina diretamente no local da cirurgia produz concentrações teciduais elevadas, estimulação predominante dos recepto- res a, e hemostasia. Com a diminuição dos níveis teciduais de adrenalina ao longo do tempo, a sua ação primária sobre os vasos sangüíneos é revertida para a vasodilatação devido à predominância das ações sobre os receptores 132; portanto, é comum a observação de algum sangramento aproximadamente 6 horas após o procedimento cirúrgico. Em um teste clínico envolvendo a extração de terceiros molares, ocorreu sangramento pós-operatório em 13 dos 16 pacientes que receberam adrenalina junto com o anes- tésico local para hemostasia, enquanto, entre os pacientes que receberam anestésico local sem vasoconstritor (mepi- vacaína pura), nenhum dos 16 apresentou sangramento após a cirurgia.26 Foram observados também aumento da . dor pós-operatória e atraso na cicatrização da ferida no grupo de pacientes que recebeu adrenalina.26

Sistema respiratório. A adrenalina é um poten..te dilata- dor (efeito 132)do músculo liso dos bronquíolos. E a droga de escolha para tratamento dos episódios asmáticos agudos (broncoespasmo ).

Sistema nervoso central. Nas doses terapêuticas habi- tuais, a adrenalina não é um estimulante potente do SNC. Suas ações estimulantes do SNC tornam-se proeminentes

quando é administrada UfTIadose excessiva.

Metnbolismo. A adrenalina aumenta o consumo de oxi-

gênio em todos os tecidos. Através de uma a~ão 13,ela esti- mula a glicogenólise no fígado e nos músculos esqueléticos, produzindo uma elevação da glicemia em concentrações de adrenalina de 150 a 200 pg/mF5 Essa resposta pode ser obtida com o equivalente a quatro tubetes anestésicos con- tendo adrenalina ai: 100.000.17

Final da ação e eliminação. A ação da adrenalina é finalizada primariamente pela sua recaptação pelos nervos adrenérgicos. A adrenalina que escapa à recaptação é rapi- damente inativada no sangue pelas enzimas catecol-O- metiltransferase (COMT) e monoamina oxidase (MAO), que estão presentes no fígado.28Apenas pequenas quanti- dades (aproximadamente 1%) de adrenalina são excretadas de forma inalterada na urina.

Efeitos colaterais e superdosagem. As manifestações clínicas da superdosagem de adrenalina estão relaciona-

46 Medicamentos P A R TEU M

das com a estimulação do SNC e incluem aumento do temor e ansiedade, tensão, agitação, cefaléia pulsátil, tremor, fraqueza, tontura, palidez, dificuldade respirató- ria e palpitação.

Com níveis crescentes de adrenalina no sangue, arritmias cardíacas (especialmente ventriculares) tomam-se mais comuns; a fibrilação ventricular é uma conseqüência rara mas possível. Podem ser observados aumentos dramáti- cos nas pressões sistólica (> 300 mmHg) e diastólica (> 200 mmHg), que podem causar hemorragia cerebraI,29

Os episódios de angina podem ser precipitados em pacientes com insuficiência coronariana. Devido à rápida inativação da adrenalina, a fase estimulante da reação de superdosagem (tóxica) é geralmente breve. A superdosa- gem de vasoconstritor é discutida em maior profundidade no Capo 18.

Aplicações Clínicas. Tratamento das reações alérgicas agudas.. Tratamento do broncoespasmo.. Tratamento da parada cardíaca.. Como um vasoconstritor, para hemostasia.. Como um vasoconstritor em anestésicos locais, para diminuir a absorção para o sistema cardiovascular.. Como um vasoconstritor em anestésicos locais, para aumentar a profundidade da anestesia.. Como um vasoconstritor em anestésicos locais, para aumentar a duração da anestesia.. Para produzir midríase. Disponibilidade em odontologia. A adrenalina é o vaso-

constritor mai;; potente e mais amplamente utilizado na odontologia. E disponível nas seguintes concentrações e drogas:

Concenttação de Adrenalina

Anestésico Local

(genérico)

1:50.000 1:80.000

Lidocaína

Lidocaína (apenas na Inglaterra)

Articaína Lidocaína Articaína*

Bupivacaína Etidocaína t Lidocaína

Mepivacaína* Prilocaína Lidocaína*

1:100.000

1:200.000

1:300.000

Doses Máximas. Deve ser usada a solllfão menos concentrada

que produza CO71troleficaz da dor. A lidocaína é disponível com duas concentrações de adrenalina - 1:50.000 e

.Não disponível nos Estados Unidos GWIho 2004). t Não comercializado mais nos Estados Unidos (2002).

1:100.000 nos Estados Unidos e Canadá - e com concen-

trações de 1:80.000, 1:200.000 e 1:300.000 em outros países. A duração de anestesia pulpar e de tecidos moles eficaz é equivalente em todas as formas. Portanto, é reco- mendado (na América do Norte) o uso da lidocaína com adrenalina na concentração de 1:100.000 quando é neces- sário o controle prolongado da dor. Quando disponível, a lidocaína com adrenalina a 1:200.000 ou 1:300.000 é pre- ferida para controle da dor.3O

As doses na Tabela 3-5 representam os níveis máximos recomendados sugeridos por mim e outros autores.3l São dados conservadores mas que fornecem ao dentista volu- mes adequados para produção de anestesia clinicamente aceitável. A American Heart AssociatiO71( 964) afirmou que "as concentrações típicas de vasoconstritores contidas nos anestésicos locais não são contra-indicadas em pacientes com doença cardiovascular, desde que seja realizada aspi- ração prévia, a injeção do anestésico seja lenta e seja admi- nistrada a menor dose eficaz".32 Em 1954, a New York Heart AssociatiO71recomendou que a dose máxima de adre- nalina seja limitada a 0,2 mg por consulta.33 Nos anos seguintes, a American Heart AssociatiO71recomendou a res- trição da adrenalina em anestésicos locais quando adminis- trados em pacientes com doença cardíaca isquêmica.34

Mais recentemente, a Agencyfor HealthcareResearchand Quality (AHRQ) revisou a literatura publicada sobre os efeitos da adrenalina em pacientes odontológicos com pressão arterial elevada.35

O relato revelou seis estudos que avaliaram os efeitos do tratamento odontológico (extrações dentárias) em pacien- tes hipertensos que receberam anestésicos locais com e sem adrenalina. Os resultados sugeriram que indivíduos hiper- tensos que se submetem a extrações apresentam pequenos aumentos na pressão sistólica e na freqüência cardíaca com o uso de anestésico local contendo adrenalina. Esses aumentos associados ao uso da adrenalina somam-se aos

aumentos da freqüência cardíaca e das pressões sistólica e diastólica que os pacientes hipertensos apresentam ao serem submetidos ao procedimento, mesmo sem o uso da

TABELA 3-5

Doses Máximas Recomendadas de Adrenalina

Tubetes

Concentração de Adrenalina

(pg/Tubete)

Pacientes com Doença Cardiovascular

Pacientes Clinicamente

Saudáveis Significativa (ASA lU Normais (ASA 1)* ou IVp

1:50.000 (36)

1:100.000 (18) 1:200.000 (9)

5,5 lP 22*

1 2 4

.Dose máxima de adrenalina de 0,2 mg ou 200 pg por consulta. t Dose máxima recomendada de 0,04 mg ou 40 pg por consulta. *O volume máximo real de administração é limitado pela dose da droga anes- tésica local.

---- CAPÍTULO 3

adrenalina, quando comparados aos pacientes nonnoten- sos. Não foram relatados efeitos adversos entre os indiví- duos dos estudos incluídos na revisão, e foi identificado na literatura somente um relato de efeito adverso associado ao

uso da adrenalina em anestésicos locais em um paciente hipertenso (Tabela 3-6).35

Em pacientes com comprometimento cardiovascular, parece prudente limitar ou evitar, se possível, a exposição a vasoconstritores. Isso inclui pacientes com risco cardiovas- cular ASA III mal compensados, e todos os ASA N ou mais. Entretanto, como relatado, o risco da administração de adrenalina deve ser avaliado em relação aos benefícios que podem ser obtidos com sua inclusão na solução de anestésico local. Pode ser fornecido controle clinicamente

adequado da dor para esse paciente sem um vasoconstritor na solução? Qual o efeito negativo potencial da anestesia inadequada em relação à liberação endógena de catecola- minas em resposta à dor repentina e inesperada?

O uso dos vasoconstritores em pacientes com compro- metimento cardiovascular é revisto em maior profundi- dade no Capo 20.

Hemostasia. Soluções de anestésico local contendo adrenalina são utilizadas, através de infiltração no local da cirurgia, para prevenir ou minimizar a hemorragia durante procedimentos cirúrgicos ou outros. A concen- tração de 1:50.000 de adrenalina é mais eficaz neste aspecto do que soluções menos concentradas (1:100.000 ou 1:200.000).36 As concentrações de adrenalina de 1:50.000 e 1:100.000 são consideravelmente mais efica-

zes em restringir a perda sangüínea durante a cirurgia

'Desconsiderando-se a média das médias subjetivas relatadas em três estudos. PAS. Pressão arterial sistólica; FC, freqüência cardíaca; PAD, pressão arterial diastólica. (Dados de: CordilJVoSC1IIo,.efficts of epinepbrinein bypertmsroedentl1/ JW1ients:5,"ml1ory, evidence '-.pm"tltecbnology=mt 11Innber48. AHRQ Publication Número 02-EOO5,Março 2002. Agency for Healtbcare Research and Quality, Rockville, MD. http://www.ahrq.gov/cliniclepcsums/ephyp- sum.htm.)

Fannacologia dos Vasoconstritores 47-

do que outros anestésicos locais sem adição de vaso- constritores.26

Experiências clínicas têm demonstrado que pode ser obtida hemostasia eficaz com concentrações de adrenalina a 1:100.000. Embora um pequeno volume de adrenalina a 1:50.000 necessário para a hemostasia não aumente o risco para o paciente, deve ser sempre considerado o uso da con- centração a 1:100.000, especialmente em pacientes sabida- mente mais sensíveis às catecolaminas. Estes incluem os

indivíduos com comprometimento cardiovascular de risco ASA III ou IV e os pacientes geriátricos.

Noradrenalina (Levarterenol)

Nomes comerciais. Levophed, noradrenalinaj levar- terenol é o nome oficial da noradrenalina.

Estrutura química. A noradrenalina (como bitarta- rato) em tubetes anestésicos odontológicos é relativamente estável em soluções ácidas, deteriorando com a exposição à luz e ao ar. O tempo de validade de um tubete contendo bitartarato de noradrenalina é de 18 meses. A acetona-bis-

sulfito de sódio é adicionada ao tubete para retardar a dete- rioração.

OHH I I

~ C-C-NH2I I I~ H HHO OH

Origem. A noradrenalina é disponível nas fonnas sin- tética e natural. A fonna natural constitui aproximada- mente 20% da produção de catecolamina da medula adre- nal. Em pacientes com feocromocitoma, um tumor da medula adrenal, a noradrenalina pode constituir até 80% da secreção da medula adrenal. Ela existe tanto na fonna levógira quanto na dextFógiraj a fonna levógira é 40 vezes mais potente do que a dextrógira. A noradrenalina é sinte- tizada e armazenada em terminações nervosas pós-gan- glionares.

Mecanismo de ação. As ações da noradrenalina são quase exclusivamente sobre os receptores a (90%). Ela também estimula as ações ~no coração (10%). A noradre- nalina apresenta um quarto da potência da adrenalina.

Ações Sistêmicas Miocárdio. A noradrenalina apresenta uma ação ino-

trópica positiva no miocárdio através de estimulação ~l'

Células marcapasso. A noradrenalina estimula as célu- las marcapasso e aumenta sua irritabilidade, levando à maior incidência de disritmias cardíacas (ação ~l)'

Artérias coronárins. A noradrenalina produz aumento no fluxo sangüíneo nas artérias coronárias através de um efeito vasodilatador.

TABELA3-6 Médias das Alterações na PressãoArterial e Freqüência Cardíaca

11máx. na 11máx. na 11máx. na PAS(mm) PAD(mm) FC (bpm)

HIPERTENSOS Anestesiacom 15,3 2,3 9,3 adrenalina

Anestesia sem 11,7 3,3 4,7 adrenalina

NORMOTENSOS

Anestesiacom 5,0 -f),7 6,3 adrenalina

Anestesia sem 5,0 4,0 0,7 adrenalina

48 Medicamentos P A R TEU M

FreqüênCÚl cardíaca. Ela produz uma redução na fre- qüência cardíaca causada por ação reflexa dos barorrecep- tores carotídeo e aórtico e do nervo vago após um aumento acentuado das pressões sistólica e mastólica.

Pressão arterial. Há aumento da pressão sistólica e mastólica, principalmente da sistólica. Isso é produzido através de ações a-estimulantes da noradrenalina, que levam a uma vasoconstrição periférica e ao concomitante aumento da resistência vascular periférica.

Dinlnnú:a cardúrvasculm: A ação geral da noradrena- lina no coração e no sistema carmovascular é a seguinte:. Aumento da pressão sistólica. Aumento da pressão mastólica. Diminuição da freqüência cardíaca. Débito cardíaco inalterado ou ligeiramente reduzido. Aumento do volume sistólico. Aumento da resistência periférica total

Rede vasculm: A noradrenalina, através de estimulação a, produz constrição dos vasos sangüíneos cutâneos. Isso leva a um aumento da resistência periférica total e aumento das pressões sistólica e mastólica.

O grau de duração da isquemia observada após a infil- tração de noradrenalina no palato pode levar à necrose dos tecidos moles (Fig. 3-1).

Sistema respiratúrio. A noradrenalina não relaxa a musculatura lisa brônquica, como a adrenalina. Contudo, ela produz uma constrição a-induzida das arteríolas pul- monares, o que reduz um pouco a resistência das vias aéreas. A noradrenalina níio é clinicamente eficaz no trata-

mento do broncoespasmo.

Sistema nervoso central. Como a adrenalina, a nora- drenalina não exibe ações estimulantes sobre o SNC em doses terapêuticas usuais; suas propriedades estimulantes sobre o SNC são mais proeminentes após superdosagem. As manifestações clínicas são semelhantes àquelas da superdosagem de adrenalina (pág. 41), mas são menos fre- qüentes e geralmente não tão severas.

Figura 3-1. Abscesso estéril no palato produzido por uso excessivode vasoconstritor (noradrenalina).

Metabolisnw. A noradrenalina aumenta a taxa metabó-

lica basal. O consumo de oxigênio pelos tecidos também é aumentado na área da injeção. A noradrenalina produz uma elevação da glicemia da mesma maneira que a adrena- lina, mas em menor grau.

Final da ação e eliminação. A ação da noradrenalina é finalizada através da sua recaptação nos terminais nervosos adrenérgicos e de sua oxidação pela MAO. A noradrena- lina exógena é inativada pela COMI

Efeitos co/merais e superdosagem. As manifestações clí- nicas da superdosagem de noradrenalina são semelhantes, mas menos freqüentes e menos severas, que as da adrena- lina. Elas nonnalmente envolvem a estimulação do SNC. Níveis sangüíneos excessivos de noradrenalina produzem elevação acentuada das pressões sistólica e mastólica, com risco aumentado de "acidente vascular cerebral", cefaléia, episómos de angina em pacientes suscetíveis, e msritmias cardíacas.

A injeção extravascular de noradrenalina nos tecidos pode produzir necrose e descamação devido à intensa esti- mulação a. Na cavidade oral, o local mais provável de ocor- rer esse fenômeno é o palato duro (Fig. 3-1). A noradrena- lina deve ser evitada com o objetivo de vasoconstrição (hemostasia), especialmente no palato. Várias autoridades têm a6nnado que a noradrenalina não deve ser usada de maneira alguma com anestésicos locais.3o,37

Aplicações clínú:as. A noradrenalina é utilizada como vasoconstritor em anestésicos locais e para tratamento da hipotensão.

Disponibilidade na odontologia. Nos Estados Unidos, a noradrenalina não é mais disponível nas solu- ções de anestésicos locais utilizadas na odontologia. No passado, ela era incluída com a propoxicaína e procaína numa concentração de 1:30.000. Em outros países, a noradrenalina é incluída .com a lidocaína e com a mepi- vacaína (na Alemanha), ou como uma combinação de noradrenalina e adrenalina com lidocaína (na Alemanha) ou tolicaína (no Japão).21

Doses máximas. A noradrenalina deve ser utilizada

apenaspara CO'Iltroledo dor, não havendo justificativa para o seu uso para se obter hemostasia. Possui aproximadamente 25% da potência de um vasopressor como a adrenalina e, portanto, é utilizada na concentração de 1:30.000.

Recomendações recentes da InternatiO'llalFederation of Dental AnesthesiologySocieties(IFDAS) sugerem que a nora- drenalina seja eliminada como vasoconstritor nos anestési- cos locais odontológicos.30

Paciente nO1711O1sOltdóvel: 0,34 mg por consulta; 10 ml de

uma solução a 1:30.000.

Paciente (()11ZtWença cardiovascular clinicamente significa-

tiva (ASA fi ou IV): 0,14 mg por consulta; aproximada- mente 4 ml de uma solução a 1:30.000.

CAPÍTULO 3

.. ~ ~ a ..efrina* :\'ome comercial. Neo-Cobe&in.

Estrutura quúnica. A levonorde&ina é livremente so- lúvel em soluções ácidas diluídas. O bissulfito de sódio é adicionado à solução para retardar sua deterioração. O tempo de validade de um tubete contendo levonorde&ina- bissulfito de sódio é de 18 meses.

HO OH CH H

:(F I 131

I H-CH-NH HO ~

Origem. A levonorde&ina, um vasoconstritor sinté- tico, é preparada pela resolução da norde&ina em seus isô- meros opticamente ativos. A forma dexttógira da norde- &ina é praticamente inerte.

Mecanismo de ação. Ela parece atuar através de esti- mulação direta do receptor a (75%) com alguma atividade ~ (25%), mas em menor grau do que a adrenalina. A levo- nordefrina possui 15% da potência vasopressora da adre- nalina.

Ações sistêmicas. A levonorde&ina produz menor estimu- lação cardíaca e do SNC do que a adrenalina.

Miocárdio. Mesma ação da adrenalina, mas em menor grau.

Células marca passo. Mesma ação da adrenalina, mas em menor grau.

Artérias corunárias. Mesma ação da adrenalina, mas em menor grau.

Freqüêm:ia cardím:a. Mesma ação da adrenalina, mas em menor grau.

Rede vascular. Mesma ação da adrenalina, mas em menor grau.

Sistema respiratório. Produz alguma broncodilatação, mas em grau muito menor do que a adrenalina.

Sistema nervoso central. Mesma ação da adrenalina, mas em menor grau.

Metobolismo. Mesma ação da adrenalina, mas em menor grau.

Final da ação e eliminação. A levonorde&ina é elimi- nada através de ações da COMT e da MAO.

.Em meados de 2003, a levonordefrina deixou de ser ilisponível nos Estados Unidos e no Canadá. Os anestésicos locais contendo levonordefrina foram reti-

rados do mercado nesses países.

Farmacologia dos Vasoconstritores 49

Efeitos co/aterais e supertkJsagem. São os mesmos da adrenalina, mas em menor extensão. Em doses elevadas, os efeitos colaterais adicionais incluem hipertensão, taquicar- dia ventricular e episódios de angina em pacientes com insuficiência coronária.

Aplicações clínicas. A levonorde&ina é utilizada como vasoconstritor em anestésicos locais.

Disponibilidade na otkJntologia. Ela pode ser obtida com a mepivacaína em uma concentração de 1:20.000.

Doses máximas. A levonorde&ina é considerada como

tendo um sexto (15%) da eficácia vasopressora da adrena- linaj portanto, ela é utilizada em maior concentração (1:20.000).

Para todosospacientes,a dose máxima deve ser 1 mg por consulta; 20 ml de uma concentração de 1:20.000 (11 tubetes).t

Na concentração disponível, a levonorde&in~ apre- senta os mesmos efeitos que a adrenalina nas concentra- ções de 1:50.000 ou 1:100.000 sobre a atividade clínica dos anestésicos locais.

Cloridrato de Fenilefrina

Nome comercial. Neo-Synephrina. Es~tura quúnica. A fenile&inaé bastantesolúvelem ,

água. E o vasoconstritor mais estável e mais fraco empre- gado na odontologia.

OH

HO I H yyCH-CH2-N'V ~CH3

Origem. A fenile&ina é uma amina simpaticomimética sintética.

Mecanismo de açã~. Há estimulação direta do recep- tor a (95%). Embora o efeito seja menor que o da adrena- lina, sua duração é maior. A fenile&ina exerce pouca ou nenhuma atividade ~no coração. Apenas pequena parte de sua atividade resulta da sua habilidade de liberar noradre-

nalina. Afenile&ina possui apenas 5% da potência da adre- nalina.

Ações Sistêmicas

Miocárdio. Apresenta pequeno efeito cronotrópico ou inotrópico sobre o coração.

Células marcapasso. Há pouco efeito.

Artérias coronárias. Aumento do fluxo sangüíneo, cau- sado por dilatação.

t O volume máximo para administração pode ser limitado pela dose do anesté- sico local.

50 Medicamentos PA RTEU M

Pressãoarterial. A ação a produz aumento nas pres- sões sistólicae diastólica.

Freqüência cardúu:a. A bradicardia é produzida por ações reflexas dos barorreceptores carotídeos-aórticos e do nervo vago. Raramente são observadas disritmias cardía- cas, mesmo após grandes doses de fenilefrina.

Diníbnü:a cardiovascular. Em geral, as ações cardio- vasculares da fenilefrina são as seguintes:. Aumento das pressões sistólica e diastólica.. Bradicardia reflexa.. Ligeira redução do débito cardíaco (resultante do

aumento da pressão arterial e da bradicardia).. Vasoconstrição potente (contração da maioria dos leitos vasculares, aumento significativo da resistência perifé- rica), mas sem congestão venosa acentuada.. Raramente associadas à produção de disritmias cardía- cas.

Sistema respiratório. Os brônquios são dilatados, mas em menor grau do que com a adrenalina. A fenilefrina não é eficaz no tratamento do broncoespasmo.

Sistema nervoso central. Há um efeito mínimo sobre a atividade do SNC.

Metabolismo. Observa-se algum aumento na taxa metabólica. Outras ações (p. ex., glicogenólise) são seme- lhantes àquelas produzidas pela adrenalina.

Finol da ação e eliminação. A fenilefrina sofre hidroxi- lação em adrenalina, seguida de oxidação em metanefrina, e depois é eliminada da mesma maneira que a adrenalina.

Efeitos colaterais e superdosagem. Os efeitos da fenile- frina sobre o SNC são mínimos. Foram observadas cefa-

léia e disritmias ventriculares após superdosagem. É obser- vada taquifilaxia com o uso crônico.

Aplicações clínicas. A fenilefrina é utilizada como vaso- constritor em anestésicos locais, para o tratamento da hipotensão, como descongestionante nasal e em soluções oftáhnicas para produzir midríase.

Disponibilidade em othmtorogia. A fenilefrina era utili- zada com a procaína a 4% em uma concentração de 1:2.500 (não é mais dispOlúvel em tubetes anestésicos odontológicos).

Doses máximas. Considera-se que a fenilefrina seja 20 vezes menos potente que a adrenalina, daí seu uso em uma concentração de 1:2.500 (equivalente à concentração de 1:50.000 de adrenalina). E um excelente vasoconstritor, com poucos efeitos colaterais significativos.

Paciente saudável normal: 4 mg por consultaj 10 rnl de uma solução a 1:2.500.

Pacientecom insuficiênciacardiovascu/arclinicamentesigni- ficativa (ASA III ou IV): 1,6 mg por consulta, equivalente a 4 rnl de uma solução a 1:2.500.

Felipressina

Nome comercial.Octapressin.

Estrutura química

Cys-Phe-Phe-Gly-Asn-Cys-Pro-L ys-GlyNH2 I I

Origem. A felipressina é um an~logo sintético do hor- mônio antidiurético vasopressina. E uma amina não-sim- paticomimética, classificada como um vasoconstritor.

Mecanismo de ação. Ela age como estimulante direto da musculatura lisa vascular. Suas ações parecem ser mais acentuadas na microcirculação venosa do que na arteriolar.37

AfÕes Sistêmicas MÜJcárdfu. Não há efeito direto.

Células marcapasso. A felipressina é não-disritmogê- nica, ao contrário das aminas simpaticomiméticas (adrena- lina e noradrenalina).

Artérias coronárias. Quando administrada em altas doses (maiores do que as terapêuticas), pode reduzir o fluxo sangüíneo através das artérias coronárias.

Rede vascular. Em altas doses (maiores do que as tera- pêuticas), a constrição dos vasos sangüíneos cutãneos indu- zida pela felipressina pode produzir palidez facia!.

Sistema nervoso central. A felipressina não apresenta efeito na transmissão nervosa adrenérgicaj portanto, pode ser administrada com segurança em pacientes com hiper- tireoidismo e naqueles que recebem inibidores da MAO ou antidepressivos tricíclicos.

Útero. Apresenta ações antidiuréticas e ocitócicas, as últimas contra-indicando seu uso em gestantes.

Efeitos colaterais e supertrosagem. Estudos clínicos e laboratoriais com felipressina em animais e humanos de- monstraram uma ampla margem de seguran~.38 A droga é bem tolerada pelos tecidos nos quais é depositada, com desenvolvimento de pequena irritação. A incidência de rea- ções sistêmicas à felipressina é mínima.

Aplicações clínicas. A felipressina é utilizada como vasoconstritor em anestésicos locais para diminuir sua absorção e aumentar a duração da sua ação.

Disponibilidade em odontorogia. A felipressina é empregada em uma concentração de 0,03 UI/rnl (Unidades Internacionais) com prilocaína a 3% no Japão, Alemanha e outros países. Não é disponível como vasoconstritor em anestésicos locais nos Estados Unidos.

Doses máximas. Soluções contendo felipressina nãosão recomem/adosqUllndoé necessáriohemostasia devido ao seu efeito predominante na circulação venosa em relação à arterial.39

CAPÍTULO 3

Para pacientescom insuficiênciacardiovascularclinicamente significotiva (ASA li ou IV), a dose máxima recomendada é O,T VI; 9 rnl de 0,03 UI/rnl.

V SELEQÃO DE UM VASOCONSTRITOR

~a América do Norte, são dispOlúveis dois vasoconstri- tores nos anestésicos locais: adrenalina e levonordefrina, entretanto, a levonordefrina tomou-se impossível de ser obtida nesse país (em junho de 2004 ainda não era possí- vel sua obtenção)*. Os três maiores fabricantes norte- americanos de anestésicos locais contendo levonorde-

&ina - Dentsply, Kodak e Septodont - interromperam o fornecimento de suas versões da droga. Espera-se que a Food and Drug Administration permita que esses fabri- cantes voltem a produzi-Ia nos Estados Unidos em um futuro próximo.

Na seleção de um vasoconstritor apropriado para o uso com anestésico local, vários fatores devem ser considera- dos: a duração do procedimento odontológico, a necessi- dade de hemostasia durante e após o procedimento, a necessidade de controle da dor pós-operatória e a condi- ção médica do paciente.l-4

a:;~ - ~~ 'P oce.l - e~ ':rl~ .."...g. A adição de qualquer droga vasoativa a um anestésico local prolonga a duração (e a profundidade) da anestesia pulpar e de tecidos moles da maioria dos anestésicos locais. Por exemplo, a anestesia pulpar e de tecidos duros com lidocaína a 2% dura aproximadamente 10 minutos; a adição de adrenalina na concentração de 1:50.000, 1:80.000, 1:100.000 ou 1:200.000 aumenta esse tempo para aproximadamente 60 minutos. A adição de um vaso- constritor à prilocaína, por outro lado, não aumenta de forma significativa a duração do controle da dor clinica- mente eficaz. A prilocaína a 4%, após injeção de bloqueio nervoso, fornece anestesia pulpar com duração de aproxi- madamente 40 a 60 minutos. (Injeção infiltrativa com pri- locaína a 4% fornece aproximadamente 10 a 15 minutos de anestesia pulpar.) A adição de adrenalina na concentra- ção de 1:200.000 aumenta ligeiramente esse tempo (para aproximadamente 60 a 90 minutoS).40.41

As durações médias da anestesia pulpar e de tecido duro esperadas com os anestésicos locais comumente utilizados com e sem vasoconstritores são mostradas na Tabela 3-7.

O paciente odontológico típico é agendado para uma consulta de 1 hora. A duração do tratamento (e duração desejável da anestesia pulpar profunda) é 47,9 minutos (desvio-padrão [DP] de 14,7 minutos) em um consultório de clínica geral, enquanto em consultórios de especialistas,

* Desde 11 de setembro de 2001. devido ao aumento das medidas de segu- rança, tomou-se extremamente difícil a importação química de outros conti- nentes para os Estados Unidos. A levonordefrina é produzida na Europa e depois exportada para os Estados Unidos e Canadá para inclusão nas soluções de anestésicos locais. A levonordefrina deverá provavelmente retomar ao mer- cado no final de 2004.

Farmacologia dos Vasoconstritores 51

o tempo de tratamento é 39,1 minutos (DP de 19,4 minu- tos).42

Nos procedimentos restauradores de rotina, pode ser estimada a necessidade de anestesia pulpar por aproxima- damente 40 a 50 minutos. Como pode ser observado na Tabela 3-7, é difícil atingir anestesia pulpar consistente- mente confiável sem a inclusão de um vasoconstritor (Ver os minutos marcados com asteriscos na Tabela 3-7).

e.. C'::!:I a"" ...e Me -üS as a A adrenalina é eficaz em prevenir ou minimizar a perda de sangue durante procedimentos cirúrgicos. Contudo, ela também produz um efeito vasodilatador rebote à medida que o nível tecidual de adrenalina diminui. Isso leva a pos- sível sangramento pós-operatório, com potencial de inter- ferir na cicatrização da ferida.26

Aadrenalina, que possui tanto ações a quanto~, produz vasoconstrição através dos efeitos a. Utilizada numa con- centração de 1:50.000, e até mesmo de 1:100.000 (mas em menor extensão), a adrenalina produz um efeito ~ de rebate definido uma vez cessada a vasoconstrição a-indu- zida. Isso leva a um aumento da perda de sangue pós-ope- ratória, que, se significativa (geralmente em odontologia

TABELA 3-7

Duração Média da Anestesia Pulpar e de Tecido Duro

Anestésico Local Infiltração (minutos)

Bloqueio Nervoso (minutos)

CLORIDRATO DE UDOCAíNA

CLORIDRATO DE MEPIVACAíNA

3% -sem 5-10*

vasoconstrição 2 % + levonorde-

funa a 1:20.000

2% + adrenalina a 1:100.000

CLORIDRATO DE PRILOCAíNA

20-40*

:0;60 ~60

:0;60 ~60

10-15* 40-60*4% - sem vasoconstritor

4% + adrenalina a 1:200.000

CLORIDRATODE ARTlCAíNA

:o;60 60-90

4% + adrenalina a 1:100.000

:o;60 ~60

2% -sem 5-10* - 10-20* vasoconstritor

2% + adrenalina -60 60 a 1:50.000

2% + adrenalina -60 60 a 1:100.000

2% + adrenalina -60 60 a 1:200.000

52 Medicamentos PA RTEU M

não é), pode comprometer a condição cardiovasculardo paciente.

A fenilefrina,um vasoconstritor a-estimulador quase puro de longa duração, não produz efeito ~rebote porque suas ações ~são mínimas. Portanto, como não é um vaso- constritor tão potente quanto a adrenalina, a hemostasia durante o procedimento não é tão eficaz; contudo, devido à longa duração da fenilefrina comparada com a da adre- nalina, o período pós-operatório segue com menor san- gramento. A perda total de sangue é geralmente menor quando se utiliza a fenilefrina. A fenilefrina mio está in- cluída nos tubetes odontológicos de anestésico local.

A noradrenalinaé um potente a-estimulador e vasocons- tritor que tem produzido casos documentados de necrose e descamação tecidual. Ela não deve ser recomendada em odontologia porque suas desvantagens superam suas van- tagens. São disponíveis outros vasoconstritores mais ou igualmente eficazes e que não possuem as desvantagens da noradrenalina.43,44

A Jelipressinacontrai mais a circulação venosa do que a arteriolar e, portanto, é de mínimo valor para hemostasia.

Os vasoconstritores utilizados para atingir hemostasia devem ser depositados localmente na área cirúrgica (área de sangramento) para serem eficazes. Eles agem direta- mente nos receptores a da musculatura lisa vascular. Ape- nas pequenos volumes de soluções anestésicas locais são necessários para atingir hemostasia.

Condição Médica do Paciente

Há poucas contra-indicações à administração de vasocons- tritores nas concentrações em que são encontrados nos anestésicos locais odontológicos. Para todos os pacientes, e para alguns em particular, os benefícios e os riscos da inclusão do vasopressor na solução anestésica local devem ser avaliados em relação aos benefícios e riscos da utiliza- ção de uma solução anestésica "pura".45-47Em geral, esses grupos são:. Pacientes com doença cardiovascular mais significativa

(ASA m ou IV).* . Pacientes com certas doenças não-cardiovasculares (p.

ex., disfunção da tireóide, diabetes e alergia a sulfito).. Pacientes que fazem uso de inibidores da MAO, antide- pressivos tricíclicos e fenotiazínicos. Em cada uma dessas situações, é necessário determinar

o grau de severidade da desordem subjacente para definir se um vasoconstritor pode ser incluído com segurança ou deve ser excluído da solução de anestésico local. Não é incomum a consulta a um médico para que ele auxilie na determinação desse procedimento.

O tratamento desses pacientes é discutido em detalhes nos Caps. 10 e 20. Contudo, pode ser afirmado de maneira breve que os anestésicos locais com vasoconstritores não são absolutamente contra-indicados para os pacientes cuja condição médica tenha sido diagnosticada e encontra-se sob controle através de medicamentos ou cirurgia (ASA II ou ill) e se o vasoconstritor for administrado lentamente,

* O Sistema de Avaliação Física ASA é discutido em profundidade no Cap. 10.

em doses mínimas, após ter sido assegurada aspiração negativa.

Pacientes que em repouso (de no mínimo 5 minutos) apresentam pressão arterial sistólica igual ou maior que 200 mmHg ou pressão diastólica maior que 115 mmHg não devem ser submetidos a tratamentos odontológicos eletivos até que se corrija o problema da pressão arterial elevada. Pacientes com doença cardiovascular severa (ASA IV ou mais) podem apresentar grande risco para terapia odontológica eletiva; por exemplo, um paciente que sofreu um infarto agudo do miocárdio nos últimos 6 meses, um paciente que tem apresentado episódio de angina em repouso diariamente ou cujos sinais e sintomas estão cada vez mais severos (pré-infarto ou angina instável), ou um paciente cujas arritmias cardíacas são refratárias à terapia com drogas antiarrítmicas.45 A adrenalina e outros vaso- constritores podem ser administrados, dentro de limites, a pacientes com doença cardiovascular leve a moderada (ASAII ou ill). A felipressina apresenta ações estimulantes mínimas sobre o sistema cardiovascular e não é arritmogê- nica; é a droga recomendada para os pacientes com risco cardiovascular ASA m ou Iv. A adrenalina também é

contra-indicada em pacientes que apresentam evidência clínica de hipertireoidismo.46 Os sinais e sintomas incluem exoftalmia, hiperidrose, tremores, irritabilidade e nervosismo, aumento na temperatura corporal, intolerân- cia ao calor, aumento da freqüência cardíaca e da pressão arterial. São recomendadas doses mínimas de adrenalina .

como vasoconstritor durante a anestesia geral quando um paciente (em qualquer categoria ASA) recebe um anesté- sico halogenado (halotano, isoflurano sevoflurano ou enflurano). Esses anestésicos (gerais) inalatórios sensibili- zam o miocárdio de tal forma que a administração de adrenalina é freqüentemente associada à incidência de disritmias ventriculares (extra-sístoles ventriculares ou fi- brilação ventricular). A felipressina é recomendada nessas situações; contudo, devido às suas possíveis ações ocitóci- cas, ela não é recomendada em gestantes. Uma vez me- lhorada a condição clínica do paciente (p. ex., o ASA IV toma-se ASA ill), é indicado o tratamento odontológico de rotina envolvendo a' administração de anestésicos lo- cais contendo vasoconstritores.

Pacientes em tratamento com inibidores da MAO

podem receber vasoconstritores dentro dos parâmetros de dose odontológica usuais sem risco aumentado.47,48 Pacientes em uso de antidepressivos tricíclicos apresentam risco aumentado de desenvolvimento de disritmias com a administração de adrenalina. Recomenda-se que, quando se administra adrenalina, sua dose seja mínima. A adminis- tração de levonordefrina ou noradrenalina é absoluta- mente contra-indicada em pacientes que fazem uso de antidepressivos tricíclicos.49 Grandes doses de vasoconstri- tor podem induzir respostas severas (exageradas).

As soluções de anestésico local contendo vasoconstritor também contêm um antioxidante (para retardar a oxidação do vasoconstritor). O bisSll/fitodesódioé o antioxidante mais freqüentemente utilizado nos tubetes anestésicos odonto- lógicos. Ele prolonga o tempo de validade da solução anes- tésica com vasoconstritor para aproximadamente 18 meses. Entretanto, o bissulfito de sódio toma o anestésico consideravelmente mais ácidodo que a mesma solução sem

CAPÍTULO 3

o vasoconstritor. Soluções ácidas de anestésicos locais contêm uma maior proporção de moléculas catiônicas car- regadas (RNH+) do que de moléculas básicas não-carrega- das (RN). Por isso, a difusão da solução anestésica local para o axoplasma é mais lenta, resultando em um retardo (leve) do início da anestesia quando são injetados anestési- cos locais contendo bissulfito de sódio (e vasoconstritores).

Os vasoconstritores são adições importantes às soluções de anestésicos locais. Numerosos estudos têm demons-

trado de forma conclusiva que a adrenalina, adicionada a um anestésico de curta ou média duração, diminui a velo- cidade de absorção, reduz o nível sangüíneo sistêmico, retarda o nível sangüíneo máximo, prolonga a duração da anestesia, intensifica a "profundidade" da anestesia e reduz a incidência de reações sistêmicas.18 Na odontologia mo- derna, é difícil atingir controle adequado da dor de dura- ção e profundidade suficientes sem a inclusão de vasocons- tritores na solução de anestésico local. Exceto se especificamente contra-indicado pela condição médica do paciente (ASA N ou mais) ou pela duração necessária do tratamento (curta), deve ser considerada a inclusão do vasoconstritor. Contudo, sempre que essas drogas são utilizadas, deve-se ter cuidado para evitar administração intravascular inadvertida do vasoconstritor (e do anesté- sico local) com o uso de várias aspirações e administração lenta de concentrações mínimas do vasoconstritor e do anestésico local.

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