Casas Populares em Madeira, Dissertações de Mestrado de Projeto de Estruturas de Madeira. Universidade Federal do Paraná (UFPR)
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Casas Populares em Madeira, Dissertações de Mestrado de Projeto de Estruturas de Madeira. Universidade Federal do Paraná (UFPR)

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Dissertação de Mestrado do Programa de Pós Graduação em Engenharia Florestal
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TITULO HABITAÇÃO SICIAL EM MADEIRA: UMA SOLUÇÃO VIÁVEL

CHRISTINE LAROCA

HABITAÇÃO SOCIAL EM MADEIRA:UMA ALTERNATIVA

VIÁVEL

Dissertação apresentada como requisito parcial á obtenção

do grau de Mestre em Ciências Florestais

Curso de Pós Graduação em Engenharia Florestal do

Setor de Ciências Agrárias da Universidade Federal do

Praraná

Orientador: Prof. Dr. Jorge Luis Monteiro de Matos

CURITIBA 2002

i.e

“ TUDO COMEÇA COM UMA IDEIA . . . ” Christin Laroca

BIOGRAFIA DO AUTOR

CHRISTINE LAROCA, filha de Sebastião Laroca e Aurora Gonçalves Laroca,

nasceu em Curitiba, Paraná aos 29 dias de agosto do ano de 1968.

Concluiu o segundo grau técnico em Desenho Industrial, no Centro Federal de

Educação Tecnológica do Paraná na cidade de Curitiba, Paraná.

Em fevereiro de 1993, graduou-se em Arquitetura e Urbanismo pela Pontifícia

Universidade Católica do Paraná, em Curitiba, Paraná.

Em março de 1993 foi contratada como arquiteta pela Gramarcos Construções Pré-

Fabricadas em Madeira LTDA, atuando na área de desenvolvimento de projetos e novos

produtos, e supervisão de obras em madeira.

Em julho de 1995 foi contratada como professora substituta do Centro Federal de

Educação Tecnológica do Paraná.

Em julho de 1997 ingressou no quadro definitivo de docentes do Centro Federal de

Educação tecnológica do Paraná.

Em janeiro de 2000, ingressou no Curso de Mestrado em Engenharia Florestal , na

área de concentração – Tecnologia e Utilização de Produtos Florestais.

Atualmente atua como arquiteta autônoma , prestando consultoria para várias

empresas, desenvolvendo sistemas construtivos, projetos residenciais e comercias e

executando obras em madeira.

i.e

RESUMO Segundo o dados do governo federal e do SINDUSCON-PR, existe um déficit

habitacional de mais de 6,5 milhões de famílias sem teto, constituindo este um grave problema social. O objetivo deste trabalho é criar uma nova alternativa para a construção de moradias de interesse social. O Brasil possui uma forte tradição construtiva em alvenaria de tijolos, técnica utilizada pelos portugueses, no início do século passado utilizando mão de obra escrava. Em contrapartida o Brasil é um país de evidente vocação Florestal, além das florestas tropicais possui a segunda maior área de reflorestamento de eucalipto do mundo. Existem vários sistemas construtivos em madeira, neste trabalho optamos por utilizar o tradicional sistema “Wood Light Framming” pela possibilidade da utilização de painéis de madeira reconstituída. Utilizamos três tipos de painéIs: o compensado de pinus, pois existem mais de trezentas fábricas no Brasil. Com a fabricação de painéis de OSB , este produto está perdendo mercado. Outro painel utilizado no projeto é o OSB, painel estrutural de partículas orientadas,com a mesma resistência estrutural do compensado, porém a sua principal vantagem é a sua produção com toras de pequeno diâmetro e espécies de rápido crescimento. Utilizamos também o painel de cimento madeira em áreas úmidas como paredes hidráulicas , cozinha e banheiro por ser um tipo de painel estrutural resistente a umidade, virtualmente incombustível e com excelentes propriedades termo-acústicas .A proposta é o desenvolvimento de um sistema construtivo pré fabricado, os painéis serão produzidos em pequenas unidades fabris , próximo aos canteiros de obras, utilizando um maquinário muito simples. Apesar deste sistema possibilitar a construção de habitações adaptáveis ao clima e cultura de qual quer região do país, foram desenvolvidos três projetos para o estudo de viabilidade tecnico-econômica. O estudo 001 é uma adaptação do projeto fornecido pela COHAPAR para o sistema pré- fabricado “Wood Light Framming”. O estudo 002 é um modelo com 50m2 , em um piso e divisões internas com o objetivo de estabelecermos comparações com outros modelos existentes no mercado. O estudo 003 é uma unidade habitacional com dois pisos , esta planta foi a escolhida para a construção de um protótipo, pela possibilidade de demonstrar e avaliar a técnica construtiva para edificações de dois pavimentos. Concluímos que há inúmeras vantagens na utilização deste sistema para produção e habitações em larga escala. A utilização de materiais ecologicamente corretos , com um baixo consumo energético na sua produção, um bom desempenho térmico ,um processo construtivo bem mais simples, podendo inclusive atender aos programas de auto construção. O custo é competitivo porém não é o único e nem mais importante requisito.

ÍNDICE PAG.

LISTA DE FIGURAS.......................................................................................... IX

LISTA DE TABELAS........................................................................................ XI

LISTA DE ABREVIATURAS E SIGLAS........................................................ XII

RESUMO ............................................................................................................. XIII

ABSTRACT.......................................................................................................... XII

1 INTRODUÇÃO................................................................................................... 01

2 OBJETIVOS........................................................................................................ 03

2.1 OBJETIVO GERAL............................................................................... 03

2.2 OBJETIVOS ESPECIFICOS.................................................................. 03

3 REVISÃO DE LITERATURA ..........................................................................04

3.1 CONSTRUÇÕES EM MADEIRA DE EUCALIPTO ROLIÇO 06

3.2 SISTEMAS CONSTRUTIVOS PRÉ FABRICADOS UTILIZANDO

MADEIRA SERRADA ......................................................................................

09

3.2.1 Casa modular padrão IF, sistema construtivo utilizando pinus

............. 09

3.2.2 Sistema de vedação pré-fabricado em madeira ...................................... 11

3.3 PROPOSTASARA HABITAÇÃO SOCIAL EM MADEIRA .................. 14

3.3.1 Habitação social em madeira- unidades habitacionais 001 e 002............ 15

3.3.2 Conjuntos habitacionais de interesse social, utilizando madeira de

rejeito comercial. ....................................................................................................

18

3.3.3 A madeira de reflorestamento como alternativa sustentável para

a produção de habitação social

........................................................................

19

3.4 SISTEMAS CONSTRUTIVOS UTILIZANDO PAINÉIS DE MADEIRA

COMO VEDAÇÃO.........................................................................20

3.4.1 Sistema de vedação pré-fabricado em madeira de pinus – painel

sanduíche. ........................................................................................................................

20

3.4.2 Sistema de estruturas leves de madeira (Light Framing) 21

3.5 CARACTERÍSTICAS DA MADEIRA PARA USO NA PRODUÇÃO DE

HABITAÇÕES.............................................................................................

23

3.5.1 Higroscopicidade.................................................................................................25

3.5.2 Retratibilidade......................................................................................................26

3.5.3 Principais defeitos da madeira........................................................................26

3.5.4 Densidade...............................................................................................................26

3.5.5 Propriedades térmicas.......................................................................................27

3.5.6 Propriedades acústicas ....................................................................... 28

3.5.7 Resistência ao fogo.............................................................................. 29

3.5.8 Propriedades mecânicas....................................................................... 30

3.5.8.1 Conteúdo de umidade e propriedades mecânicas.............................. 30

3.5.8.2 Massa específica e resistência da madeira........................................ 30

3.5.8.3 Tensões admissíveis......................................................................... 31

3.6 A MADEIRA COMO ALTERNATIVA NA CONSTRUÇÃO DE

HABITAÇÕES.....................................................................................................

32

3.6.1 Sistema construtivo tipo viga –pilar e paredes com encaixe macho e

fêmea ............................................................................................................

32

3.6.2 Sistema construtivo tipo plataforma e Balloon Frame...................... 34

3.6.3 Outros sistemas construtivos ............................................................. 36

3.7 VANTAGENS E DESVANTAGENS DO SISTEMA CONSTRUTIVO

EM MADEIRA EM RELAÇÃO AO SISTEMA TRADICIONAL DE

ALVENARIA DE TIJOLOS .............................................................................

36

3.7.1 Fundação ..................................................................................................... 36

3.7.2 Paredes- isolamento térmico...................................................................... 36

3.7.3 Paredes- isolamento acústico..................................................................... 37

3.7.4.Conteúdo energético..................................................................... 37

3.7.5 Tempo de construção.................................................................................... 38

3.7.6

Desperdícios......................................................................................... 39

3.7.7 Instalações elétricas hidráulicas................................................................. 39

3.7.8 Resistência ao fogo e produtos retardantes.................................... 39

3.7.9 Durabilidade..................................................................................................... 41

3.8 DIRETRIZES PARA PRESERVAÇÃO DE CONSTRUÇÕES EM

MADEIRA..........................................................................................................................

42

3.8.1Condições de implantação da obra............................................................ 42

3.8.2 Tipo de madeira e demais materiais de construção empregado para

cada fim....................................................................................................................... 43

3.8.3 Métodos de preservação............................................................................ 44

3.8.4 Detalhamento construtivo.......................................................................... 45

3.9 PAINÉIS DE MADEIRA RECONSTIUIDA PARA VEDAÇÃO DE

EDIFICAÇÕES...................................................................................................

43

3.9.1 Compensado de pinus................................................................................... 44

3.9.2 OSB- oriented standard board.................................................................. 45

3.9.3.Compósito cimento-madeira .......................................................................... 47

3.9.3.1 Composição........................................................................................................ 48

3.9.3.2. Características................................................................................................... 50

3.9.3.3.Densidade, geometria das partículas, conteúdo de umidade e

proporção de cimento-madeira......................................................................

53

3.8.3.4 Tratamentos da madeira.................................................................... 54

3.9.3.5 Fases do processo de produção de painéis de cimento-madeira ..... 55

3.9.3.6 Utilização............................................................................................................56

4 METODOLOGIA.................................................................................................................. 57

4.1 PROPOSTA PARA O PROJETO CONCEITUAL DE HABITAÇÕES DE

INTERESSE SOCIAL .........................................................................61

4.1.1 Fundação................................................................................................................61

4.1.2 Piso............................................................................................................................62

4.1.3 Estrutura -wood light framming..................................................................63

4.1.4 Vedação – paredes internas e externas.........................................................64

4.1.5 Aberturas.................................................................................................................64

4.1.6 Instalações hidro-sanitárias e elétricas.........................................................65

4.1.7 Cobertura.................................................................................................................65

4.1.8 Revestimentos........................................................................................................65

4.1.9 Desempenho térmico da casa de madeira .................................................66

4.1.10 Diretrizes para redução de custos em habitações de interesse social 68

5

RESULTADOS -PROPOSTAS PARA .MORADIAS EM MADEIRA SEGUNDO DIRETRIZES DO PROJETO CONCEITUAL................................69

5.1 ESTUDO 001..................................................................................................................... 71

5.2 ESTUDO 002..................................................................................................................... 72

5.3 ESTUDO 003..................................................................................................................... 72

6

DIRETRIZES PARA MONITORAMENTO – AVALIAÇÃO DE

DESEMPENHO......................................................................................................................

73

6.1 GERAÇÃO DE INDICADORES DE DESEMPENHO...............................74

6.1.1 Unidade de medidas dos indicadores.................................................... 76

6.1.2 Implantação da medição....................................................................... 76

6.1.3 Proposta para coleta de indicadores...................................................... 75

6.2 VARIÁVEIS DO PROCESSO..................................................................... 76

6.3 FORMULÁRIOS PARA COLETA, PROCESSAMENTO E

AVALIAÇÃO............................................................................................................................

77

7. CONCLUSÕES E RECOMENDAÇÕES................................................................. 81

8. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS.......................................................................83

ANEXO1- ESTUDO 001

ANEXO2- ESTUDO 002

ANEXO3- ESTUDO 003

ANEXO4- PROJETO DE INSTALAÇÕES HIDRÁULICAS E ESGOTO

ANEXO5- PROJETO ELÉTRICO- GENÉRICO

ANEXO 7 PROJETO DE FABRICAÇÃO DOS PAINÉIS

ANEXO 8- PROJETO DE FUNDAÇÕES- GENÉRICO

ANEXO 9 – CÁLCULO DE CONFORTO TÉRMICO

LISTA DE FIGURAS

1 UTILIZAÇÃO DA MADEIRA DE EUCALIPTO ROLIÇO EM

HABITAÇÕES.........................................................................................................

08

2 UTILIZAÇÃO DA MADEIRA DE EUCALIPTO ROLIÇO EM

CONSTRUÇÕESPOLIVALENTES- UNIVERSIDADE LIVRE DO MEIO

AMBIENTE..............................................................................................................

02

3 SISTEMA IF- PERSPECTIVA DA ESTRUTURA................................................ 12

4 SISTEMA CONSTRUTIVO CASEMA – COMPONENTES................................. 13

5 CASA LAMINAR.................................................................................................... 15

6 HABITAÇÃO SOCIAL EM MADEIRA-UNIDADE 001...................................... 17

7 HABITAÇÃO SOCIAL EM MADEIRA-UNIDADE 001 VISTAS EXTERNA E

INTERNA................................................................................................................

17

8 HABITAÇÃO SOCIAL EM MADEIRA -UNIDADE 002..................................... 18

9 HABITAÇÃO SOCIAL EM MADEIRA -UNIDADE 002. VISTA EXTERNA.... 18

10 FLUXOGRAMA – HABITAÇÃO DE INTERESSE SOCIAL.............................. 19

11 OSSATURA SISTEMA DE VEDAÇÃO PRÉ- FABRICADO EM MADEIRA

DE PINUS................................................................................................................

21

12 SISTEMA WOOD LIGHT FRAMMING............................................................... 22

13 DEFEITOS DA MADEIRA...................................................................................................... 27

14 ISOLAMENTO ACÚSTICO DE DIVERSOS MATERIAIS....................................... 29

15 SISTEMA VIGA- PILAR- MONTAGEM DOS PILARES........................................... 33

16 SISTEMA VIGA PILAR- MONTAGEM DAS PAREDES........................................... 33

17 SISTEMA VIGA PILAR- MONTAGEM DAS VIGAS.................................................. 34

18 SISTEMA CONSTRUTIVO TIPO PLATAFORMA OSSATURA........................ 35

19 SISTEMA PLATAFORAMA -

PISO...................................................................... 35

20 COMPOSIÇÃO O

CIMENTO................................................................................ 49

21 FLUXOGRAMA- FASES DO PROCESSO DE PRODUÇÃO DE PAINÉIS DE

CIMENTO MADEIRA .............................................................................................................

54

22 PLANTA BAIXA MODELO COHAPAR.......................................................................... 58

23 AUTO CONSTRUÇÃO EM ALVENARIA- MODELO COHAPAR....................... 59

24 UNIDADE HABITACIONAL -COHAPAR...................................................................... 59

25 FUNDAÇÕES............................................................................................................................... 63

26 ZONEAMENTO BIOCLIMÁTICOBRASILEIRO................................................ 67

27 DIRETRIZES DE PROJETO PARA A ZONA BIOCLIMÁTICA 1 .................... 67

28 FLUXOGRAMA DO PROCESSO CONSTRUTIVO DO PROTÓTIPO... 74

29 INDICADORES E SUA RELAÇÃO COM OS RESULTADOS E CAUSAS

DO

PROCESSO.................................................................................................................................

78

LISTA DE TABELAS

1 SOLUÇÕES PROJETUAIS PARA CONSTRUÇÕES EM MADEIRA................ 04

2 CONSUMO ENERGÉTICO NA FABRICAÇAO DE DIVERSOS MATERIAIS. 23

3 CARACTERÍSTICAS DA MADEIRA PARA USO NA PRODUÇÃODE

HABITAÇÕES ........................................................................................................ 24

4 CONDUTIVIDADE TÉRMICA.............................................................................. 28

5 MÉTODOS DE PRESERVAÇÃO DAS PEÇAS.................................................... 42

6 HISTÓRICO DE PAINÉIS DE CIMENTO MADEIRA......................................... 47

7 CONFRONTA AS CARACTERRÍSTICAS DE MATERIAIS DE

CONSTRUÇÃO MAIS CONHECIDOS.................................................................

50

8 EFEITOS DOS ESTRATIVOS DE MADEIRA NA CURA DO CONCRETO..... 52

9 ESPAÇAMENTO ENTRE BARROTES................................................................. 63

10 ABERTURAS PARA VENTILAÇÃO E SOMBREAMENTO DAS

ABERTURAS PARA A ZONA BIOCLIMÁTICA 1.............................................

68

11 TRANMITÂNCIA TÉRMICA, ATRASO TÉRMICO E FATOR DE CALOR

SOLAR ADMISSIVEIS PARA VEDAÇÕES EXTERNAS PARA A ZONA

BIOCLIMÁTICA 1 ................................................................................................

68

12 ESTRATÉGIAS DE CONDICIONAMENTO TÉRMICO PASSIVO PARA A

ZONA BIOCLIMÁTICA 1.....................................................................................

68

10 PROJETOS – ESTUDO 001,ESTUDO 002, ESTUDO 003................................... 70

11 ESPECIFIFICAÇÃO ESTUDO 001, ESTUDO 002, ESTUDO 003...................... 73

1. INTRODUÇÃO

O déficit habitacional principalmente nos países de terceiro mundo é muito grande.

Segundo Aristides Cordeiro, consultor do Sindicato das Industrias da Construção Civil do

Estado do Paraná, houve um incremento absoluto do déficit habitacional ajustado, que

passou de 5.374.380, em 1991, para 6.539.528 unidades habitacionais em 2000 –

acréscimo de 21,7% no decurso de quase uma década, a uma taxa de crescimento de 2,2%

ao ano. Houve alteração na participação dos valores dos quadros urbano e rural, em função

da elevação do grau de urbanização brasileiro: o déficit habitacional ajustado urbano

cresceu consideravelmente, ao passo que houve redução absoluta do dado estimado para as

áreas rurais. O déficit habitacional ajustado urbano passou de 3.743.594 unidades, em

1991, para 5.297.946, em 2000, com acréscimo de 41,5% no período, a uma taxa de 3,9%

ao ano. Já o déficit ajustado rural decresceu de 1.630.786 unidades, em 1991, para

1.241.582, em 2000, com retração de 23,9%, a uma taxa negativa de 3% ao ano. Parte

deste comportamento decorre da própria evolução diferencial do número total de

domicílios em cada uma das situações. Percentualmente, o déficit habitacional estimado

para o Brasil, em 2000, equivale a 14,8% do estoque de domicílios particulares

permanentes, um pouco mais baixo nas regiões metropolitanas (13,7%), não se verificando

diferenças significativas entre percentuais para as áreas urbanas e rurais. Entre 1991 e

2000, o total estimado de domicílios particulares permanentes ocupados no Brasil passou

de 35 milhões para 44,9milhões.

As necessidades atuais de incremento e reposição do estoque de moradias possuem

incidência notadamente urbana – absorvem 81,3% do montante estimado, porém não

exclusivamente metropolitana. Estas áreas participam com apenas 29,3% da demanda total

englobam 1.951.677 unidades.O conjunto metropolitano apresentou incremento de 34%

em suas estimativas de déficit habitacional ajustado no período em foco, a uma taxa média

de crescimento de 3,3% ao ano. As regiões metropolitanas representavam 26,1% do total

nacional, em 1991, tendo elevado sua participação para 28,9% do déficit brasileiro, em

2000. As mais representativas continuam a ser São Paulo e Rio de Janeiro. No entanto, há

perda de posição relativa do Rio de Janeiro, de 24,9%, em 1991, para 19,6%, em 2000.

Este comportamento decorre do reduzido acréscimo relativo de déficit habitacional

estimado em 2000 na região metropolitana do Rio de Janeiro, ao passo que são expressivos

os acréscimos ocorridos nas demais regiões metropolitanas, principalmente as de Curitiba e

Belém.

Em grandes cidades como São Paulo estima-se que aproximadamente 17% da

população economicamente ativa está desempregada. A indústria da construção civil é de

grande importância para o desenvolvimento da nação, tanto do ponto de vista econômico,

destacando-se pela quantidade de atividades que intervêm em seu ciclo de produção,

gerando consumos de bens e serviços de outros setores e, do ponto de vista social, pela

capacidade de absorção da mão-de-obra.

A importância econômica do setor da construção civil é representada pela sua

participação no Produto Interno Bruto-PIB, o setor industrial, participou no PIB, no

período de 1975 à 1985, com aproximadamente 40% do total, concorrendo, a construção

civil, com 6,5%, que corresponde a 16,2% no total das indústrias. Em 1990, a indústria

reduziu sua participação para 34,3%, sendo 6,9% a construção , e em 2000 a construção

participou com 9,6% . Desta forma, sua participação no total das indústrias chega a 20,3%.

Pode-se observar que isto resultou, em termos relativos, a um crescimento mais acentuado

na construção do que na indústria de transformação.

O setor também participa na Formação Bruta de Capital Fixo, já que é responsável

pela construção de edificações: indústrias, centros comerciais, escolas e hospitais. Sua

participação na População Economicamente Ativa (PEA) é também expressiva: em 1980, a

construção foi responsável pela absorção de 7,3% enquanto que neste mesmo período, o

total das indústrias absorvia 24,9%. Já em 1986, a construção representou 6,5% da PEA .

Por outro lado o Brasil é um país com evidente vocação florestal e a madeira

sempre esteve presente no cotidiano humano, suprindo suas mais diferentes necessidades.

Suas características possibilitam diversas aplicações. Porém é freqüentemente relacionada

ao processo artesanal de fabricação, que é dominado por poucos e por isso há a tendência

da substituição de objetos e construções em madeira por outros produtos industrializados.

Há um aspecto muito positivo no uso da madeira em móveis, objetos e principalmente na

construção civil, é uma fonte natural e renovável de recursos. Apesar de ser uma fonte

renovável, a madeira não pode ser encarada como uma matéria prima inesgotável, de baixo

custo e facilmente substituível, estando inclusive sujeita às previsões alarmistas quanto ao

futuro de suas reservas. LEVY & DICKINSON (1982) consideram que até o ano 2020

todas as florestas tropicais fisicamente acessíveis terão sido cortadas.

A energia solar responde pela formação da madeira e a usinagem requer baixo

consumo energético. Ainda sobre a questão energética KOCH (1992) apresenta um estudo

comparativo sobre acréscimo de consumo energético e dióxido de carbono na atmosfera

devido à substituição da madeira por outros materiais de construção.

Uma pequena quantidade de árvores cortadas são destinadas à construção civil. Na

Europa ocidental 50% da madeira disponível é destinada à construção. Em 1999 segundo

a Revista da Madeira, o Brasil apresentou um de seus maiores volumes de vendas,

incluindo madeiras brutas, serradas e industrializadas, sendo que o volume total atingiu

U$1,39 bilhão o que representa um volume de exportações 52,3% em relação ao ano de

2001. Um dos fatores que levaram a esta alta foi a desvalorização cambial e o incentivo do

governo, e de várias instituições privadas visando orientar e preparar as empresas para a

exportação.

2. OBJETIVOS

2.1 OBJETIVO GERAL

• Projetar um protótipo de habitação utilizando madeira e produtos reconstituídos de

madeira.

2.2 OBJETIVOS ESPECÍFICOS

• Apresentar formas adequadas de utilização de produtos de madeira na geração de

alternativas tecnológicas de baixo custo para construção de habitação de interesse

social.

• Adaptar alternativas construtivas à realidade brasileira

• Desenvolver um protótipo com materiais alternativos

• Criar novos usos para velhos materiais, ampliando mercados e agregando valor a

produtos da madeira. 3. REVISÃO DE LITERATURA

No Brasil segundo SHIMBO (1998) apesar da oferta de madeira, das potencialidades

de reflorestamento e de uma crescente demanda por moradias, o uso da madeira na

produção de habitação é irrisório quando comparado com a América do Norte e alguns

países da Europa. Restringe-se apenas a produtos de acabamento como pisos, rodapés,

meia cana, estrutura do telhado e esquadrias. Apesar deste fato existem algumas tentativas

no sentido de pesquisar e promover o uso da madeira de reflorestamento na construção de

moradias.

O uso da madeira na construção civil se deu fundamentalmente no oeste paulista e

no norte do Paraná, com a colonização inglesa, e em toda a região sul com a colonização

italiana, alemã e polonesa. Estas edificações eram construídas com tábuas no sentido

vertical pregadas sobre uma estrutura com mata juntas para eliminar o problema das

frestas entre as tábuas. Este sistema foi muito difundido e utilizado em outras regiões do

país, onde havia muita madeira nativa, pois outros materiais de construção como tijolos e

cimento eram escassos. Gradativamente estes materiais foram se tornando mais acessíveis

e as edificações foram sendo substituídas por alvenaria de tijolos.

De acordo com CÉSAR & SÜCZ (1998), embora tenhamos tecnologias disponíveis

para construções de casas de madeira, este conhecimento ainda está restrito às

universidades, em função do pouco diálogo existente por parte dos empresários, que

produzem casas de madeira, com os pesquisadores universitários. Outro fator que

contribuiu para esta realidade é o fato de que o nosso mercado consumidor, no passado,

não foi muito exigente em relação aos produtos disponibilizados pela indústria nacional da

construção civil. Por outro lado esta situação começou a mudar com a busca de alternativas

construtivas mais rápidas e econômicas. Outro aspecto importante é a questão da

qualidade, desperdícios e processos construtivos. Os consumidores atingiram uma

consciência e um nível de exigências muito maior.

Há algumas tentativas no Brasil no sentido de propor soluções utilizando diferentes

tipos de madeira e sistemas construtivos. Apresentaremos uma descrição sucinta de cada

experiência (Tab. 1). Separamos em categorias de acordo com o material e o sistema

construtivo utilizado.

TABELA1- SOLUÇÕES PROJETUAIS PARA CONSTRUÇÕES EM MADEIRA.

Partido Estrutural Tipo de Projeto

Local/ Origem

Parede portante Parede estrutural de pranchas de 4,5cm e

montantes guias

Pé fabricado

comercializado

CASEMA - empresa

Painéis portantes sanduíche montado “in

loco”

Proposta Mestrado e tese de doutorado

Painéis portantes Lambris Unidades executadas FUNTAC-AC

Macho e fêmea encaixados (2x11)

Painéis sanduíche portantes pré fabricados

Unidades executadas IPT- Prefeitura de Campos do Jordão

SP

Painéis portantes montado

“ïn loco”

Proposta Protótipo Moura, Jorge Mestrado

Painéis portante módulo base 28cm

desmontável

Unidades implantadas Salto Osório Acampamento de obra

Painéis portantes pré cortados

Unidades IPT/SHAM-AM

Estrutura Pré fabricada + taipa de mão

Proposta ZANINE CALDAS

DAM –Brasilia

Painéis portantes sanduíche

Volumétricos Proposta protótipo HELLMEISTER, LUIS

Mestrado

Sistema construtivo IF utilizando pinus

Proposta BENEVENTE , INO

Mestrado

Pilar-viga Pilar –viga com tábuas verticais

Construções locais

Presidente Prudente

Mestrado

ROSA BITENCOURT

Pilar –viga com tábuas verticais

Proposta protótipo

Norte do Mato grosso

Doutorado

CLAUDIA OTA

Pilar –viga painéis sanduíche

Proposta TGI

ROGÉRIO GONÇALVES

Pilar –viga com tábuas macho e fêmea

encaixadas no pilar.

Pré cortado

Unidades executadas

Instituto Florestal Horto de

Manduri

SP

Pilar –viga com tábuas verticais

Construções locais

Norte do Paraná

Mestrado

ANTONIO CARLOS ZANI

Pilar –viga com tábuas verticais

Construções locais

Manaus –AM

proposta

Pilar –viga com vedação de elementos

=industruializados

Proposta unidades

executadas

OCA – Casas pré fabricada

Empresa

Pilar –viga com modula,ao de 122cm

Proposta modelo JOSÉ ARAÚJO

Empresa- RJ

Pilar –viga com tábuas ou chapas encaixadas

nos pilares (10X10)

Unidades executadas

(escolas)

SEVERIANO PORTO

Manaus-AM

Pilar –viga c/ fechamento em taipa

Projetos avulsos LUCIO COSTA

Manaus-AM

Painéis sanduíches modulados em 60cm

Proposta Protótipos ASPECO

TEODORO ROSSO (eng)

Pilar –viga c/ fechamento em taipa de mão

Construções locais

Araucária PR

PUC-PR

Pilar –viga c/ fechamento em taipa

Arquitetura tradicional Publicações

SILVIO VASCONCELOS

Pilar –viga estruturas pré fabricadas + painéis

Projeto EESC- USP

Alojamento estudantil

Pilar –viga madeira roliça

Projeto Nordeste

JOSÉ ZANINE CALDAS

Pilar –viga madeira roliça

Eucalipto

Casa horto

Fundão -ES

GHABIS

São Carlos

Fonte: BENEVENTE,1995 (MODIFICADA)

3.1 CONSTRUÇÕES EM MADEIRA DE EUCALIPTO ROLIÇO

Existem várias construções utilizando estrutura de eucalipto roliço, em Curitiba por

exemplo, a Secretaria de Meio Ambiente, a Universidade Livre do Meio Ambiente, e

algumas construções em parques da cidade utilizaram este sistema. Podemos encontrar

várias outras edificações utilizando eucalipto roliço. O desdobro e a secagem ainda

constitui uma operação de risco devido às tensões de crescimento. Quando o eucalipto é

utilizado desta forma o fato de ocorrerem rachaduras de topo tem pouca importância.

Segundo STEINER (1998) a utilização na construção civil, da madeira roliça tratada em

autoclave, não se restringe apenas a peças simples, mas inclui ainda estruturas e

acabamento, substituindo com vantagens outros materiais. Ela pode ser empregada em

conjunto com concreto, alvenaria, estruturas metálicas e vidros ou de forma exclusiva.

Além disso, deve-se enfatizar que a madeira roliça amplia consideravelmente o espectro de

recursos estéticos, prestando-se tanto a projetos simples e rústicos quanto a projetos de

grande sofisticação e elegância. A utilização da madeira roliça, tratada em autoclave, em

sistemas construtivos pilar-viga com fechamento em alvenaria é uma alternativa de uso em

relação ao concreto e estruturas metálicas, reduzindo o tempo de execução da obra e

custos. ( Fig. 1 e 2)

FIGURA1- UTILIZAÇÃO DA MADEIRA DE EUCALIPTO ROLIÇO EM

HABITAÇÕES

Fonte : STEINER, 1998

FIGURA 2- UTILIZAÇÃO DA MADEIRA DE EUCALIPTO ROLIÇO EM

CONSTRUÇÕES POLIVALENTES

Fonte : STEINER, 1998

A madeira de eucalipto apresenta grandes vantagens como material de construção.

Podemos destacar o baixo consumo energético em seu processamento, a alta durabilidade

natural , e propriedades mecânicas desejáveis para a utilização na construção civil. Grande

parte da madeira de eucalipto plantada destina-se ao suprimento da indústria de carvão

vegetal, por suas propriedades desejáveis, a substituição das madeiras nobres ainda é um

desafio, pois a floresta plantada foi manejada com outros fins. A madeira de eucalipto na

forma roliça ou serrada pode ser utilizada na construção civil substituindo as madeiras

nativas tradicionais. INO (1981), afirma que:“Uma das alternativas de construção

possível, tendo em vista a utilização de madeira de reflorestamento é o uso do eucalipto

na forma roliça…”

Neste trabalho SHIMBO &INO (1998) apresentam três projetos com diferentes

formas viáveis de utilizar o eucalipto de reflorestamento:

a)Programa hortos municipais, ES

O sistema construtivo consiste na utilização de toras de Eucaliptus tereticornis

cravada na terra sem tratamento, com alburno removido. Foram executadas varandas com

meias toras em volta de toda a edificação. O piso foi elevado, utilizando-se laje de

concreto. O sistema de paredes foi feito com a sobreposição de toras de diâmetro médio de

16-20cm, com desbaste das duas faces paralelas e fixação feita por meio de ferro de

construção de 3/8”. O sistema de cobertura em tesoura de Eucaliptus grandis , roliço terças

em Eucaliptus. tereticornis e caibros em madeira serrada. As paredes hidráulicas foram

projetadas em alvenaria.

b) Fundão –ES

Sistema de fundação em E. tereticornis sem tratamento, apenas com pintura em

creosoto, cravada na terra, envolvida em concreto, o topo recebeu pintura asfáltica. O

sistema de vedação é feito com montantes em eucalipto serrado e aplicação de tela contra a

penetração de insetos. O revestimento externo foi executado em costaneiras de E.

tereticornis, com desbaste nas laterais, posicionados verticalmente e revestimento interno

em lambri de angelim amargoso.

c) Projeto “Casa Horto”

O sistema construtivo é formado por seis subsistemas fundação, estrutura modular,

piso cobertura e vedação. O sistema viga/pilar modular com vãos de 3x3m possibilita a

ampliação das quatro faces, utilizou-se E. citriodra, diâmetro médio de 18cm , totalmente

entalhado e as ligações principais cavilhadas. O sistema de fechamento se apresenta em

dois tipos: painel sanduÍche pré fabricado e sistema de toras sobrepostas. Encaixada entre

os vãos e pilares A área molhada recebe sobre os painéis de compensado o revestimento

impermeável (Perstorp) de espessura 0,8mm. O piso recebe também o mesmo laminado

decorativo de espessura maior que 2mm, colado com cola de contato. A cobertura faz parte

do sistema estrutural, com terças e caibros roliços com desbaste em apenas uma face,

coberta com telha cerâmica. O piso elevado é de assoalho sobre barroteamento.

3.2 SISTEMAS CONSTRUTIVOS PRÉ-FABRICADOS UTILIZANDO MADEIRA

SERRADA

3.2.1 Casa modular padrão Instituto Florestal (IF), sistema construtivo utilizando

pinus

Este trabalho mostra a possibilidade de desdobro de troncos de 13 cm resultante de

desbastes intermediários de Pinus eliotti na construção de casas. Foi desenvolvido um

sistema modular para atender as necessidades do Instituto Florestal, relativas às demandas

de residências para funcionários e outras construções em áreas de Parques pertencentes à

Secretaria de Estado do Meio ambiente do Estado de São Paulo ( CRUZEIRO& INO,

2000). O sistema IF comprova a viabilidade de uso da madeira de pequenas dimensões

oriundas de reflorestamento de pinus para construção de edificações, indicando maior

aproveitamento das florestas e colocando a perspectiva de um manejo sustentável com o

objetivo de produzir madeira para construção.

Na concepção do sistema construtivo IF foi adotado um sistema estrutural modular,

que é uma forma de organizar todos os elementos de uma edificação sobre a base de uma

medida comum, com dimensões uniformes, que se denomina módulo. Segundo JUNTA

DEL ACUERDO DE CARTAGENA (1980), a coordenação modular caracteriza projetos e

construções de edifícios racionalizados e produzidos segundo as bases de um sistema

industrial, tem especial importância para construções com madeira, pois sua aplicação

melhora a eficiência e economia de produção, comercialização e transporte. Neste caso é

utilizado 1,00 m como unidade de medida. Esta medida se repete apenas no plano

horizontal, constituindo a trama modular.

Segundo ROSSO citado por CRUZEIRO & INO (2000) a coordenação modular

estabelece um Sistema Modular de Referência, uma correlação entre as dimensões da

edificação e as dimensões dos componentes. É este sistema que permite usar a unidade de

medida padrão para se proceder à locação dos componentes no projeto e na obra. A

locação da obra, portanto, geralmente é executada pelo eixo modular. Este sistema é

constituído de pontos, linhas e planos originados por um sistema cartesiano básico,

formado por eixos ortogonais X e Y, dele se originam quadrículas planas, com a unidade

de medida de 1,00 m que, se somadas, determinam o comprimento e a largura dos

ambientes.

O princípio básico do Sistema IF é a modulação em 1,00 m, sendo no sentido

transversal o comprimento igual e limitado a 6,00 m (tamanho padrão da tesoura), sendo

que a modulação no eixo longitudinal também determina o espaçamento das tesouras da

cobertura, sempre em duas águas. A modulação de 1,00 m também é requisito básico para

a locação dos pilares, estes apresentam função estrutural e construtiva: apoio das tesouras,

fixação das tábuas das paredes e fixação de esquadrias. A estrutura acontece independente

da vedação, as cargas da cobertura são transmitidas aos frechais, e aos pilares que

transmite a fundação.

O sistema construtivo é constituído por uma base de madeira apoiada em vigas

baldrames e barrotes sobre a fundação. Os pilares tem função estrutural com a fixação

feita após a conclusão da base de madeira (pés direito- PD, de no máximo 2,80m), também

servem como apoio para a fixação dos painéis parede. As paredes são construídas com

tábuas de madeira, com sistema macho e fêmea, formando painéis do tipo sanduíche

(Fig3).

FIGURA 3 – SISTEMA IF- PERSPECTIVA DA ESTRUTURA

Fonte: CRUZEIRO &INO, 2000

3.2.2 Sistema de vedação pré-fabricado em madeira

Segundo LAGO& SUCZ (1998) existe, nos dias atuais, uma gama muito grande de

empresas que produzem casas pré-fabricadas com espécies de madeira e sistemas

construtivos diversificados, e alguns serão listados a seguir

Casema – Empresa com a unidade industrial em Paragominas, Pará, utiliza madeiras como

o angelim-pedra, maçaranduba, jatobá e corupixá. A empresa efetua o manejo ambiental,

seu sistema construtivo é o canadense, que consiste de montantes onde se encaixam

pranchas de 4,30 cm de espessura com encaixe macho e fêmea. A estrutura do telhado é

convencional, utiliza terças, caibros e tesouras, de acordo com o vão a ser vencido. Como

particularidade este sistema construtivo tem uma série de componentes padronizados,

concebidos para a utilização de madeira úmida.(Fig. 4)

Madezzati – Empresa com sede em Caxias do Sul, RS, utiliza um sistema misto onde a

madeira nobre está presente na estrutura. Suas paredes são feitas de painéis revestidos de

placas de amianto Segundo o fabricante este garante o isolamento térmico e acústico e

protege a edificação contra intempéries. Seu custo por metro quadrado é de US$120,00

Batistela – Unidade localizada em Lajes e Rio Negrinho utiliza pinus tratado em

autoclave. O sistema construtivo baseia-se no wood light frame sistema leve. Os montantes

são de pinus, o revestimento externo de chapas de compensado com acabamento em

grafiato , uma espécie de massa acrílica , internamente é utilizado um painel chamado dry

wall (gesso acartonado), com acabamento em massa corrida e pintura. A cerâmica nas

áreas úmidas é colocada sobre a chapa de compensado de pinus tratado. O preço médio por

metro quadrado é de aproximadamente U$ 300,00.

FIGURA 4 – SISTEMA CONSTRUTIVO CASEMA - COMPONENTES

Fonte : MANUAL SISTEMA CONSTRUTIVO CASEMA, 1982

3.3 PROPOSTAS PARA HABITAÇÃO SOCIAL EM MADEIRA

Segundo TRAMONTANO&ATIQUE (1998) a arquitetura social representa o que

há de mais deplorável na arquitetura, pois o seu critério básico é a redução de custos,

muitas vezes representando o interesse de alguns setores da construção civil e suas técnicas

construtivas como a do concreto armado. O Grupo de Estudos de Habitação- Ghab (São

Carlos, SP) procurou pesquisar o uso de materiais alternativos, sem uma preocupação

formal efetiva. Foram desenvolvidas três propostas para habitação social utilizando

materiais como a madeira de reflorestamento e terra crua. A primeira proposta é um

projeto que utiliza painéis de vidro e madeira de eucalipto roliço. Este projeto foi

construído em regime de auto construção por um casal no município de Luis Antônio,

estado de São Paulo. Os pilares de eucalipto obedecem a modulação de 4mx4m. O que

diferencia este projeto é o uso de alguns materiais de forma não usual, como exemplo as

esquadrias de madeira funcionando como elemento de vedação. O custo da habitação neste

caso deveria ser muito baixo.

A segunda proposta do grupo é a criação de uma edificação também produzida à

partir de madeira de reflorestamento (eucalipto roliço). Neste caso a casa mede 9m de

altura e 12,5m de comprimento por apenas 2,5m de largura, uma solução inovadora. Os

fechamentos externos são de laminas de madeira (brises-soleil) em toda altura das maiores

fachadas laterais, de forma que a luz natural seja filtrada e permita a ventilação cruzada em

todos os ambientes. Nas áreas molhadas este projeto utilizou chapas de fibra de vidro

montadas em quadros de cantoneiras metálicas (Fig. 5). Com este projeto o grupo teve a

preocupação com o aspecto formal com um “design arquitetônico contemporâneo”. A casa

laminar foi pensada para terrenos longos e estreitos. Como organização funcional a planta

pode ser dividida de acordo com as necessidades de cada família, com exceção do piso

térreo onde concentram-se as áreas molhadas. Este projeto tem uma particularidade é uma

parceria entre a Universidade de São Paulo , Escola de Engenharia de São Carlos e a

Escola Superior de Agronomia “Luis Queiroz” em Piracicaba, e objetiva a construção de

um edifício para abrigar o Conselho de Estudantes de Engenharia Florestal, porém é uma

oportunidade usada pelo grupo para o desenvolvimento de uma proposta para habitação.

FIGURA 5- CASA LAMINAR

Brises-soliel

Fonte TRAMONTANO, 1998

A terceira proposta, a casa plataforma, é projetada para ser construída sobre um

tablado de 22,5m x 6m , uma trama de cubos.Toda a circulação se faz pela parte externa do

tablado, o projeto é desenvolvido em apenas um pavimento. As aberturas são fechadas com

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