Circulação pulmonar e circulação sistêmica, Notas de estudo de Farmácia
monique-quima-2
monique-quima-2

Circulação pulmonar e circulação sistêmica, Notas de estudo de Farmácia

9 páginas
50Números de download
1000+Número de visitas
11Número de comentários
Descrição
Circulação
70 pontos
Pontos de download necessários para baixar
este documento
Baixar o documento
Pré-visualização3 páginas / 9
Esta é apenas uma pré-visualização
3 mostrados em 9 páginas
Esta é apenas uma pré-visualização
3 mostrados em 9 páginas
Esta é apenas uma pré-visualização
3 mostrados em 9 páginas
Esta é apenas uma pré-visualização
3 mostrados em 9 páginas

Circulação pulmonar e circulação sistêmica

A circulação sangüínea humana pode ser dividida em dois grandes circuitos: um leva sangue aos pulmões, para oxigená-lo, e outro leva sangue oxigenado a todas as células do corpo. Por isso se diz que nossa circulação é dupla. O trajeto “coração (ventrículo direito) è pulmões è coração (átrio esquerdo)” é denominado circulação pulmonar ou pequena circulação.

O trajeto “coração (ventrículo esquerdo) è sistemas corporais è coração (átrio direito)” é denominado circulação sistêmica ou grande circulação.

Circulação pulmonar: Ventrículo direito è artéria pulmonar è pulmões è veias pulmonaresè átrio esquerdo.

Circulação sistêmica:

Ventrículo esquerdo è artéria aorta è sistemas corporais è veias cavas è átrio direito.

VASOS SANGÜÍNEOS Os vasos sangüíneos são de três tipos básicos: artérias, veias e capilares. A)Artérias: são vasos de parede espessa que saem do coração levando sangue para

os órgãos e tecidos do corpo. Compõem-se de três camadas: a mais interna, chamada endotélio, formada por uma única camada de células achatadas; a mediana, constituída por tecido muscular liso; a mais externa, formada por tecido conjuntivo, rico em fibras elásticas.

Quando o sangue é bombeado pelos ventrículos e penetra nas artérias, elas se relaxam e se dilatam, o que diminui a pressão sangüínea. Caso as artérias não se relaxem o suficiente, a pressão do sangue em seu interior sobe, com risco de ruptura das paredes arteriais. Assim, a cada sístole ventricular é gerada uma onda de relaxamento que se propaga pelas artérias, desde o coração até as extremidades das arteríolas. Durante a diástole ventricular, a pressão sangüínea diminui. Ocorre, então, contração das artérias, o que mantém o sangue circulando até a próxima sístole.

B)Capilares sangüíneos: são vasos de pequeno calibre que ligam as extremidades das arteríolas às extremidades das vênulas. A parede dos capilares possui uma única camada de células, correspondente ao endotélio das artérias e veias.

Quando o sangue passa pelos capilares, parte do líquido que o constitui atravessa a parede capilar e espalha-se entre as células próximas, nutrindo-as e oxigenando-as. As células, por sua vez, eliminam gás carbônico e outras excreções no líquido extravasado, denominado líquido tissular. A maior parte do líquido tissular é reabsorvida pelos próprios capilares e reincorporada ao sangue. Apenas 1% a 2% do líquido extravasado na porção arterial do capilar não retorna à parte venosa, sendo coletado por um sistema paralelo ao circulatório, o sistema linfático, quando passa a se chamar linfa e move-se lentamente pelos vasos linfáticos, dotados de válvulas.

è Na porção arterial do capilar, a pressão do sangue é maior

que a pressão osmótica do plasma ð saída de água contendo substâncias dissolvidas.

è Na porção venosa do capilar, a pressão do sangue é reduzida, tornando-se menor que a pressão osmótica do plasma ð retorno de fluido para o interior do capilar.

C) Veias: são vasos que chegam ao coração, trazendo o sangue dos órgãos e tecidos. A parede das veias, como a das artérias, também é formada por três camadas. A diferença, porém, é que a camada muscular e a conjuntiva são menos espessas que suas correspondentes arteriais. Além disso, diferentemente das artérias, as veias de maior calibre apresentam válvulas em seu interior, que impedem o refluxo de sangue e garante sua circulação em um único sentido.

Depois de passar pelas arteríolas e capilares, a pressão sangüínea diminui, atingindo valores muito baixos no interior das veias. O retorno do sangue ao coração deve-se, em grande parte, às contrações dos músculos esqueléticos, que comprimem as veias, fazendo com que o sangue desloque-se em seu interior. Devido às válvulas, o sangue só pode seguir rumo ao coração.

Pressão arterial: é a pressão exercida pelo sangue contra a parede das artérias. Em um adulto com boa saúde, a pressão nas artérias durante a sístole ventricular – pressão sistólica ou máxima – é da ordem de 120 mmHg (milímetros de mercúrio). Durante a diástole, a pressão diminui, ficando em torno de 80 mmHg; essa é a pressão diastólica ou mínima. O ciclo de expansão e relaxamento arterial, conhecido como pulsação, pode ser percebido facilmente na artéria radial do pulso ou na artéria carótida do pescoço. A pulsação corresponde às variações de pressão sangüínea na artéria durante os batimentos cardíacos. As pressões arteriais máxima e mínima podem ser detectadas nas artérias do braço e medidas com um aparelho chamado esfigmomanômetro, representado abaixo e ao lado.

(a) A pressão na bolsa de ar maior que 120 mmHg interrompe o fluxo sangüíneo para o braço. Com o estetoscópio, o examinador verifica que não há passagem de sangue pela artéria. (b) A pressão na bolsa de ar entre 80 e 120 mmHg permite o fluxo de sangue durante a sístole. O som da passagem de

sangue é audível no estetoscópio. A pressão mostrada nesse momento é a pressão máxima ou sistólica. (c) A pressão na bolsa de ar menor que 80 mmHg permite fluxo de sangue durante a diástole; os sons são audíveis no estetoscópio. Essa é a pressão mínima ou diastólica.

Veias DESCRIÇÃO

As veias são canais tubulares que nascem dos capilares distribuídos por todo o organismo, onde se produz a troca de substâncias entre o sangue e os tecidos, e dirigem-se para o coração, confluindo entre si para formar um sistema venoso que assegura a denominada "circulação de retorno". À exceção das veias pulmonares, que conduzem o sangue recém-oxigenado nos pulmões para o coração, o resto dos vasos venosos transporta sangue pobre em oxigênio e repleto de dióxido de carbono e outros resíduos do metabolismo celular.

O diâmetro das veias é muito diverso, pois oscila entre menos de 1 mm, as mais finas, e pouco mais de 10 mm, no caso das mais grossas. Na periferia, onde são uma continuação dos vasos capilares, o seu diâmetro é muito exíguo, mas conforme confluem entre si, unem-se e formam vasos de maior diâmetro, sendo as de maior calibre as que acabam no coração.

As paredes das veias são formadas por três camadas: • A túnica íntima, a mais interna, é uma camada muito delgada composta por um único estrato de células planas predispostas sobre uma fina membrana basal de tecido conjuntivo.

A túnica média, a mais resistente, é formada por tecido elástico e tecido muscular. • A túnica adventícia, a mais externa, é uma fina camada de tecido conjuntivo laxo e flexível, através do qual são nutridas as camadas subjacentes e graças ao qual as veias se fixam aos tecidos que as rodeiam.

Algumas veias dispõem de válvulas especiais que apenas deixam passar o sangue num único sentido (sempre em direção ao coração), garantindo, apesar da força da gravidade, a circulação de retorno ao coração desde os membros inferiores.

TIPOS O sistema venoso divide-se em duas partes diferentes: o sector periférico e o

abdominal. No entanto, esta divisão não compreende as veias do tórax, as quais levam para o coração o sangue oxigenado pelos pulmões.

Sistema venoso periférico. Esta parte do sistema venoso, que compreende a maioria das veias do organismo, encarrega-se de transportar para o coração o sangue que, entretanto, já irrigara todos os tecidos do organismo, cedendo-lhes oxigênio e recolhendo os resíduos metabólicos. Na sua origem, são veias de pequeno calibre, denominadas vênulas, que confluem entre si para formar veias cada vez maiores. Por fim, formam-se dois troncos venosos espessos que acabam na aurícula direita: a veia cava inferior, que recolhe o sangue da parte inferior do corpo, e a veia cava superior, que transporta o sangue da parte superior do corpo.

É possível distinguir, no sistema venoso periférico, dois tipos de veias: as veias superficiais, que circulam muito perto da superfície do corpo, sendo inclusivamente visíveis por baixo da pele, sobretudo nas extremidades, e as veias profundas, que circulam entre os músculos, seguindo o trajeto das artérias principais. Além disso, sobretudo nos membros inferiores, existem também as veias comunicantes, que ligam as duas partes deste sistema venoso e permitem que o sangue passe das veias superficiais para as veias profundas.

Sistema venoso abdominal. Esta parte do sistema venoso tem uma função muito especial, pois encarrega-se de recolher as substâncias nutritivas absorvidas no tubo digestivo. As veias desta rede confluem entre si para formar a veia porta, que penetra no fígado. No interior deste órgão, o sangue percorre inúmeros pequenos lagos, onde experimenta uma série de transformações antes de passar, através da veia supra-hepática, à veia cava inferior. O fígado constitui, assim, um verdadeiro filtro entre o tubo digestivo e o coração.

Artérias DESCRIÇÃO

As artérias são canais tubulares que surgem do coração e se subdividem, formando uma grande rede vascular, cujas terminações alcançam todo o corpo, desde o couro cabeludo até à ponta dos dedos das mãos e dos pés.

Na verdade, do coração saem dois vasos arteriais principais: • A artéria pulmonar parte do ventrículo direito, dividindo-se em dois ramos, o direito e o esquerdo, encarregados de levar o sangue pobre em oxigênio até os pulmões. • A artéria aorta parte do ventrículo esquerdo e dá origem a todas as restantes artérias responsáveis por levar o sangue rico em oxigênio e nutrientes a todos os tecidos do organismo. O diâmetro das artérias oscila entre os 3 cm, no caso da aorta, e menos de 1 mm, a dimensão das ramificações capilares.

As paredes das artérias são formadas por três camadas compostas por vários tecidos, dos quais dependem as suas peculiares características: • A túnica íntima, a mais interna, é formada por uma camada de células epiteliais planas, denominada endotélio, disposta sobre uma membrana basal rodeada por fibras longitudinais. • A túnica média é formada por uma fina membrana elástica interna, por uma espessa camada de Libras musculares e elásticas transversais e por uma fina camada elástica externa. • A túnica adventícia, a mais externa, é uma membrana formada por uni tecido conjuntivo que dá resistência ao vaso. Além disso, é através desta camada que penetram os vasos sanguíneos que irrigam as próprias artérias e os nervos que regulam a sua dilatação e contração.

TIPOS Segundo as suas características anatômicas e as suas funções, distinguem-se vários tipos de artérias.

• As artérias elásticas, de maior diâmetro, como a aorta e as artérias pulmonares, têm uma grande capacidade para se expandirem em cada batimento, quando o coração tem uma grande quantidade de sangue no seu interior, para de imediato regressar ao seu diâmetro original à medida que impulsionam a corrente sanguínea até à rede arterial. Graças a este mecanismo, o sangue que sai do coração com grande turbulência transforma-se num fluxo contínuo que chega a todo o organismo. • As artérias musculares são vasos de diâmetro mediano, distribuídos por todo o organismo, e contam com uma grande proporção de fibras musculares dispostas de forma concêntrica. Quando estas fibras estão relaxadas, as artérias dilatam-se e, quando se contraem, o diâmetro arterial diminui. Graças a este mecanismo, controlado pelo sistema nervoso autônomo, o fluxo de sangue pode distribuir-se de várias maneiras às diversas regiões anatômicas, segundo as necessidades de cada momento. Por exemplo, sempre que realizamos exercício físico, as paredes das artérias que irrigam os músculos dilatam-se, os quais recebem, assim, uma maior proporção de sangue; por outro lado, durante a digestão, são as artérias que levam o sangue aos órgãos digestivos que, preferencialmente, se relaxam.

• As arteríolas são as artérias de menor diâmetro, um pouco como as ramificações finais da rede arterial, que imediatamente se transformam em capilares. Estas arteríolas têm ao nível do seu diâmetro uma parede proporcionalmente mais espessa, com uma túnica média muito desenvolvida e dotada de inúmeras fibras musculares, o que permite que se possam contrair ou relaxar, de modo a reduzir ou dilatar, respectivamente, a entrada, podendo fluir uma maior ou menor quantidade de sangue. Este mecanismo, igualmente controlado pelo sistema nervoso autônomo, é essencial na modulação da pressão arterial e na regulação da quantidade de sangue que passa para os capilares.

• Os capilares são a continuação das pequenas arteríolas. Têm um diâmetro muito reduzido (como o seu nome indica, são tão finos como cabelos), bem como paredes muito delicadas, formadas por uma única camada de células, tão finas que permitem a troca de oxigênio, substâncias nutritivas e resíduos metabólicos entre o sangue e os tecidos que este irriga. Este é precisamente o objetivo de todo o aparelho cardiovascular, ou seja, garantir a circulação nos capilares, possibilitando a troca de gases e nutrientes entre o sangue e os tecidos.

Circulação SISTEMA CIRCULATÓRIO

O aparelho cardiovascular é um sistema fechado, constituído por uma emaranhada rede de canais, os vasos sanguíneos, por onde circula o sangue segundo a ação de uma bomba central - o coração. É desta forma que se mantém a constante circulação sanguínea, cujas tarefas se podem resumir essencialmente em duas: • Fazer chegar a todos os tecidos, inclusive aos mais recônditos setores do corpo, os elementos (basicamente oxigênio e nutrientes), para além de hormônios e outras substâncias reguladoras que as células necessitam com vista a manter a sua vitalidade e a desenvolver as suas atividades específicas. • Recolher nos tecidos periféricos os resíduos da atividade celular, como o dióxido de carbono e outros produtos metabólicos, para os transportar até aos órgãos responsáveis pela sua filtração e eliminação, nomeadamente os pulmões, encarregues de eliminar o dióxido de carbono para o exterior, o fígado, que filtra as múltiplas substâncias tóxicas, e os rins, que filtram o sangue e expulsam através da urina diversos resíduos cuja acumulação no organismo poder-se-ia tornar nociva.

De modo a desempenhar todas estas funções, o aparelho cardiovascular conta com vários tipos de vasos responsáveis por funções específicas: as artérias, encarregadas de levar o sangue do coração para os tecidos; os capilares, onde se produz a troca de substâncias entre o sangue e os tecidos; e as veias, que conduzem o sangue novamente para o coração. No entanto, estes vasos, apesar de em conjunto formarem um único sistema, constituem a partir do coração dois circuitos diferentes e, até certo ponto, independentes: • A grande circulação, encarregada de levar o oxigênio, os nutrientes e as restantes substâncias a todos os tecidos periféricos.

A pequena circulação, encarregada de conduzir o sangue até aos pulmões para eliminar o dióxido de carbono e o enriquecer em oxigênio.

De qualquer forma, é preciso ter em conta que, embora esta divisão seja prática, do ponto de vista didático, até certo ponto é artificial, pois o aparelho cardiovascular constitui um único circuito e o sangue, impulsionado ritmicamente pelo coração, percorre sucessivamente e sem interrupção as circulações grande e pequena.

GRANDE CIRCULAÇÃO Inicia-se no ventrículo esquerdo, sendo o sangue bombeado em cada batimento

cardíaco proveniente da aurícula esquerda até à aorta. Esta grande artéria recolhe o sangue impulsionado pelo coração e transforma-o num fluxo contínuo que circula pelos seus diversos ramos, artérias progressivamente de menor diâmetro que chegam a todos os órgãos.

As ramificações destas artérias precedem as arteríolas, e estas os capilares, vasos muito finos com paredes igualmente finas que permitem a troca de substâncias entre o sangue que circula no seu interior e os tecidos.

Por conseguinte, aos capilares sucedem-se pequenas vênulas, que confluem entre si para formar as diversas veias do organismo (de diâmetro cada vez maior), convergindo por fim nas duas principais, as veias cavas superior e inferior. Estas veias, que encerram a grande circulação, confluem na aurícula direita, levando o sangue pobre em oxigênio e repleto de dióxido de carbono para o coração.

PEQUENA CIRCULAÇÃO A pequena circulação inicia-se no ventrículo direito, levando em cada batimento

cardíaco o sangue venoso pobre em oxigênio e repleto de dióxido de carbono, proveniente da aurícula direita para a artéria pulmonar. A artéria pulmonar que surge do ventrículo direito divide-se, imediatamente, em dois ramos: a artéria pulmonar direita e a artéria pulmonar esquerda, ambas dirigindo-se para o correspondente pulmão.

Nos pulmões, estas artérias subdividem-se em vários ramos, cada vez de menor diâmetro, originando por fim finos capilares que rodeiam os alvéolos pulmonares, ou seja, os pequenos sacos para onde é conduzido o ar inalado. É aqui que se produz a troca de gases entre o sangue que circula nos capilares e o ar presente nos alvéolos pulmonares: o sangue liberta-se de dióxido de carbono, que é imediatamente conduzido ao exterior, ao mesmo tempo que absorve o precioso oxigênio proveniente do ar inspirado. Em seguida, os capilares confluem entre si formando veias, cada vez de maior diâmetro, que transportam sangue rico em oxigênio. Por fim, constituem-se as veias pulmonares, que levam o sangue oxigenado à aurícula esquerda, encerrando o circuito.

Insuficiência cardíaca CAUSAS Fatores causadores. A insuficiência cardíaca pode ser desencadeada por vários fatores, desde anomalias anatômicas a alterações funcionais. Em suma, a insuficiência cardíaca pode dever-se a quatro tipos de causas: • Perda da capacidade contráctil do miocárdio. Neste grupo de causas, destaca-se a doença coronária, situação em que o coração, por anomalia das artérias que irrigam o músculo cardíaco, recebe menor quantidade de sangue e oxigênio, ficando assim comprometida a sua capacidade contrátil. Estão também incluídas neste grupo as miocardiopatias das quais resultam anomalias anatômicas e funcionais. • Obstrução ao fluxo sanguíneo. Se houver um aumento prolongado da resistência vascular periférica, isto é, se mantiver por um período de tempo significativo uma maior oposição à passagem do sangue bombeado pelo ventrículo esquerdo, este consegue vencer essa resistência, numa fase inicial, aumentando o esforço por ele realizado. Contudo, ao longo do tempo, caso a situação persista, o coração entra em insuficiência. Também pode suceder um fenômeno idêntico caso haja envolvimento pulmonar. Neste caso, é o ventrículo direito que entra em insuficiência. • Sobrecarga de volume sanguíneo. Se a quantidade de sangue que o coração deve bombear for exagerada, o músculo cardíaco corre o risco de entrar em insuficiência. É o que acontece, por exemplo, perante uma insuficiência aórtica, ou seja, uma falha no funcionamento da válvula que regula a passagem do sangue do ventrículo esquerdo para a artéria aorta, pois parte do sangue expulso pelo coração, em cada batimento cardíaco, retrocede para o ventrículo e este, ao longo da sua tentativa para se esvaziar completamente, acaba por se tornar insuficiente. Algo idêntico acontece no caso das cardiopatias congênitas, caracterizadas pela comunicação anômala entre as cavidades cardíacas. • Dificuldade no enchimento ventricular . Caso exista algum problema que impeça a entrada do sangue num ventrículo, o coração não poderá bombear todo o sangue de que o organismo

necessita. Pode-se verificar uma situação deste tipo na pericardite constritiva, patologia em que ocorre fibrose do pericárdio, fato que não permite a dilatação necessária ao adequado enchimento das cavidades cardíacas durante a diástole. A estenose das válvulas auriculoventriculares tricúspide ou mitral também causa um problema semelhante, ao impedir a passagem do sangue das aurículas para os ventrículos direito e esquerdo, respectivamente. Por último, neste grupo, também se englobam todas as situações que provoquem um aumento considerável da atividade cardíaca que impeça o adequado enchimento e posterior esvaziamento dos ventrículos.

Mecanismos de compensação. Nem todas as causas mencionadas provocam sempre ou de imediato uma insuficiência cardíaca, já que o coração conta com alguns recursos e mecanismos de adaptação.

Em primeiro lugar, aumenta a frequência cardíaca (taquicardia), elevando o débito cardíaco, apesar de em cada contração se expulsar a mesma quantidade de sangue. No entanto, este mecanismo de compensação tem um limite, porque perante uma frequência cardíaca exagerada o coração não tem tempo para se encher ou esvaziar como deve.

Um outro mecanismo de compensação é a dilatação, através da qual os ventrículos se expandem, de modo a conterem uma maior quantidade de sangue e a aumentarem a sua força contrátil. Porém, esta fórmula tem igualmente um limite: se a dilatação for exagerada, as fibras do músculo cardíaco alargam-se tanto que já não se podem contrair com eficácia.

Por último, caso o esforço exagerado persista, produz-se a hipertrofia miocárdica, pois tal como qualquer outro músculo a exigência determina o aumento da espessura das suas fibras. Contudo, isto só é possível perante um aumento progressivo da exigência do trabalho muscular.

Fatores desencadeantes. Durante um período variável, os citados mecanismos e o seu devido tratamento podem compensar a situação e evitar que apareçam manifestações de insuficiência cardíaca. No entanto, existem diversos fatores que podem subitamente agravar o problema e deteriorar a situação como, por exemplo, a interrupção de um tratamento que mantenha a situação estável, outra doença cardíaca (enfarte do miocárdio, infecção cardíaca) ou caso as necessidades do organismo aumentem de tal forma que o coração não as consegue cobrir (infecções pulmonares, stress, anemia).

TIPOS Conforme a forma de aparecimento da doença, distinguem-se 2 tipos: • A insuficiência cardíaca aguda, que aparece subitamente, perante um fator causador de grande gravidade, que não permite a ação dos mecanismos de compensação. • A insuficiência cardíaca crônica, quando a patologia causadora evolui lentamente, possibilitando o desenvolvimento dos mecanismos de compensação. Neste último caso, enquanto a situação não chega a provocar sintomas, fala-se de insuficiência cardíaca compensada; contudo, a situação pode agravar-se a qualquer momento, sobretudo se aparecer um fator desencadeante, surgindo assim as manifestações da insuficiência – fala-se, então, de insuficiência cardíaca descompensada.

Consoante o setor do coração predominantemente afetado, distinguem-se vários tipos de insuficiência cardíaca, já que as repercussões serão diferentes: • Na insuficiência cardíaca esquerda, o problema reside numa falha do ventrículo esquerdo que o torna incapaz de bombear todo o seu conteúdo para a rede arterial periférica: por um lado, os tecidos do organismo não são bem irrigados; por outro lado, como o ventrículo não se pode esvaziar devidamente, a pressão na aurícula esquerda aumenta, diminuindo a circulação pulmonar - por isso, uma insuficiência deste tipo caracteriza-se pelo aparecimento de problemas respiratórios. • Na insuficiência cardíaca direita, a falha reside no ventrículo direito, que não consegue bombear todo o seu conteúdo até à circulação pulmonar. Como resultado, o sangue acumula-

se na aurícula direita, acumulando-se na rede venosa que deságua nesta através das veias cavas, com a conseqüente aglomeração dos diversos órgãos e tecidos. • Na insuficiência cardíaca global, soma-se ambos os tipos de problemas.

INSUFICIÊNCIA CARDÍACA ESQUERDA As manifestações da insuficiência cardíaca esquerda devem-se principalmente ao

congestionamento de sangue no território pulmonar, originado quando o ventrículo esquerdo é incapaz de expulsar para a artéria aorta todo o volume sanguíneo que chega da aurícula esquerda proveniente dos pulmões. A congestão pulmonar provoca dispnéia, ou seja, a sensação de falta de ar, cuja intensidade depende da forma de aparecimento e da evolução da doença.

Caso a situação seja crônica, mas pouco grave, surge uma dispnéia de esforço, ou seja, uma dificuldade respiratória que apenas se apresenta quando o coração tem que bombear mais sangue do que o habitual, por exemplo, perante uma grande emoção ou durante uma atividade física intensa, como subir escadas ou correr, cedendo quando a atividade é interrompida. Aos poucos, à medida que a situação se agrava, a dispnéia aparece perante esforços cada vez menos intensos, como ao caminhar, até que finalmente, nos casos mais graves, surge também em situação de repouso.

Nesta fase, surge habitualmente a ortopnéia, ou seja, a dispnéia em decúbito dorsal (quando o paciente está deitado de costas com uma almofada baixa). Isto acontece porque aumenta o retorno venoso: o sangue contido nas veias, sobretudo nos membros inferiores, regressa mais facilmente ao coração quando o paciente está deitado do que quando está de pé. Como o ventrículo esquerdo não é capaz de fazer face a esta situação, surge uma sobrecarga da circulação pulmonar e uma sensação de falta de ar. Os pacientes procuram evitar ou atenuar esta situação, dormindo com mais almofadas ou com a cabeceira da cama elevada.

Se a situação for ainda mais grave, a sensação de falta de ar é de tal forma intensa que o paciente não consegue permanecer na cama. Uma a duas horas depois de se ter deitado, surge a dispnéia paroxística noturna, ou seja, uma sensação de falta de ar intensa. Podem ainda surgir outros sinais e sintomas, tais como certos ruídos respiratórios, tosse, náuseas, palpitações, dor no peito, palidez e sudação profusa. O paciente não aguenta ficar na cama, vendo-se obrigado a levantar e a abrir as janelas para tentar respirar melhor, mas a situação apenas cede ao fim de alguns minutos ou até meia hora depois.

Quando a insuficiência cardíaca esquerda é aguda, produz-se um quadro particular, denominado de edema pulmonar agudo. Neste caso, a congestão do sangue na circulação pulmonar é acompanhada pela passagem de líquido do interior dos vasos para o interior dos alvéolos pulmonares, provocando a inundação destes.

Esta situação, que se agrava quando se adota a posição horizontal, provoca grande dificuldade respiratória, uma grande sensação de falta de ar, tosse com expectoração rosada e espumosa, sudação e um grande estado de ansiedade. Trata-se de um problema grave que requer tratamento médico imediato.

Por outro lado, esta situação vai comprometer a normal perfusão dos tecidos, nomeadamente dos músculos, da pele e do cérebro, daí resultando fadiga, sudação profusa, náuseas e desorientação.

INSUFICIÊNCIA CARDÍACA DIREITA A falha no funcionamento da parte direita do coração caracteriza-se pela acumulação

de sangue no território venoso periférico, já que o ventrículo direito não é capaz de expulsar para a circulação pulmonar todo o sangue que lhe chega da aurícula direita através das veias cavas. Esta congestão venosa provoca a passagem de líquido do interior dos vasos para o tecido adjacente, o que se conhece como edema. De início, o líquido acumula-se no tecido celular subcutâneo de maneira difusa, sem que seja observável à vista desarmada, apesar de se manifestar um aumento do peso corporal, por vezes vários quilos em poucos dias. Por fim, a acumulação de líquido torna-se evidente, devido ao inchaço de algumas partes do corpo, sobretudo nas zonas de declive, graças ao efeito da gravidade. Caso permaneça muito tempo

de pé, as zonas com maior propensão para incharem são os pés e os tornozelos, enquanto que se permanecer na cama de cabeça para cima durante muito tempo, o edema costuma ser mais evidente na parte inferior das costas.

No entanto, à medida que a situação se agrava, os edemas estendem-se, sendo muito comum, por exemplo, o aparecimento de congestão hepática, com o considerável aumento do tamanho do fígado. Nos casos mais graves, pode-se produzir uma acumulação de líquido na cavidade peritoneal, a ascite, devido ao qual o abdomen se torna proeminente.

Por outro lado, dado que a quantidade de sangue que chega à rede arterial diminui, é natural que ao mesmo tempo se assista à redução de produção de urina, ou oligúria, o que vem complicar ainda mais a situação, já que o rim, desta forma, retém líquido e sais (sódio), favorecendo o desenvolvimento dos edemas.

Caso a situação não melhore, após a eliminação do fator causador ou através do tratamento, esta pode agravar-se a ponto de afetar a irrigação sanguínea de todos os tecidos, originando várias complicações que podem, inclusivamente, provocar a morte do paciente.

TRATAMENTO Em primeiro lugar, o tratamento tem como objetivo solucionar o fator causador, sempre

que seja possível, pois é a única forma de acabar definitivamente com o problema. Em último caso, ou como única alternativa, quando não é possível, são realizadas diversas medidas para atenuar os sintomas e melhorar o funcionamento do coração.

Antes de mais, o repouso é uma medida extremamente importante, já que assim diminuem as necessidades de sangue do organismo, reduzindo o esforço do coração. Em casos de insuficiência cardíaca compensada, basta um repouso relativo, evitar os esforços e que se assegure, segundo as instruções do médico, pequenos períodos de descanso ao longo do dia. No entanto, em caso de insuficiência cardíaca descompensada, costuma-se impor o repouso absoluto durante períodos prolongados, normalmente até que outra medida melhore a situação.

A dieta hipossalina, ou seja, com baixo conteúdo de sal, é uma importante medida terapêutica para combater a retenção de líquidos (edema), podendo ser até complementada com a administração de medicamentos diuréticos, de modo a aumentar a eliminação dos líquidos, mas sempre respeitando as indicações do médico e com o devido controlo para evitar efeitos secundários contra-producentes.

Para além disso, existem vários medicamentos que são capazes de melhorar a função cardíaca, em especial os denominados digitálicos. Estes fármacos, obtidos a partir das folhas de uma planta denominada digital, têm uma estreita janela terapêutica, ou seja, a dose eficaz está próxima da dose potencialmente tóxica. Isto significa que a sua administração deve ser cuidadosamente monitorizada, a fim de evitar situações de sobredosagem acidental, que poderiam levar ao aparecimento de alterações do ritmo cardíaco. Por isso, a sua dosificação deve ser personalizada, devendo ser regularmente controlada e ajustada às necessidades de cada situação. Uma complicação frequente é o edema pulmonar agudo, situação que pela sua gravidade requer hospitalização e cuidados médicos imediatos.

Por último, nos casos em que a insuficiência cardíaca é grave e irreversível, mesmo com o tratamento, pode-se recorrer a um transplante cardíaco, desde que o estado geral e as características do paciente o permitam.

foi bom para mim,ajudou em meu estudou para prova de ciencias hoje.
Gostei deste artigo, obrigado força e coragem
Muito bom eu amei!
1-5 de 11
Esta é apenas uma pré-visualização
3 mostrados em 9 páginas