CLASSIFICAÇÃO DE ÁREAS EXPLOSIVAS EM AMBIENTES COM POEIRA VEGETAL - ESTUDO DE CASO -, Notas de estudo de Segurança do Trabalho. Universidade dos Acores (UAc)
euds-max-de-souza
euds-max-de-souza

CLASSIFICAÇÃO DE ÁREAS EXPLOSIVAS EM AMBIENTES COM POEIRA VEGETAL - ESTUDO DE CASO -, Notas de estudo de Segurança do Trabalho. Universidade dos Acores (UAc)

54 páginas
2Números de download
102Número de visitas
Descrição
CLASSIFICAÇÃO DE ÁREAS EXPLOSIVAS EM AMBIENTES COM POEIRA VEGETAL - ESTUDO DE CASO -
20 pontos
Pontos de download necessários para baixar
este documento
Baixar o documento
Pré-visualização3 páginas / 54
Esta é apenas uma pré-visualização
3 mostrados em 54 páginas
Baixar o documento
Esta é apenas uma pré-visualização
3 mostrados em 54 páginas
Baixar o documento
Esta é apenas uma pré-visualização
3 mostrados em 54 páginas
Baixar o documento
Esta é apenas uma pré-visualização
3 mostrados em 54 páginas
Baixar o documento
FACULDADE DO CENTRO LESTE - UCL

FACULDADE DO CENTRO LESTE - UCL

EDSON COSTALONGA FILHO

EUDS MAX DE SOUZA

CLASSIFICAÇÃO DE ÁREAS EXPLOSIVAS EM

AMBIENTES COM POEIRA VEGETAL

- ESTUDO DE CASO -

SERRA 2009

EDSON COSTALONGA FILHO

EUDS MAX DE SOUZA

CLASSIFICAÇÃO DE ÁREAS EXPLOSIVAS EM

AMBIENTES COM POEIRA VEGETAL

- ESTUDO DE CASO -

Monografia apresentada ao curso de Pós- graduação da Faculdade do Centro Leste, como requisito parcial para obtenção do título de Especialista em Engenharia de Segurança do Trabalho.

Orientador: Prof. Evandro Nunes Evangelista

SERRA 2009

EDSON COSTALONGA FILHO

EUDS MAX DE SOUZA

CLASSIFICAÇÃO DE ÁREAS EXPLOSIVAS EM

AMBIENTES COM POEIRA VEGETAL

Monografia apresentada ao curso de Pós-graduação da Faculdade do Centro Leste, como requisito parcial para obtenção do título de Especialista em Engenharia de Segurança do Trabalho.

Aprovado em____de______________de____.

COMISSÃO EXAMINADORA Prof. Evandro Nunes Evangelista Faculdade do Centro Leste – UCL Orientador

Prof._______________________ Faculdade do Centro Leste – UCL

Prof. Sérgio da Silva Júlio Faculdade do Centro Leste – UCL

“Mantenha suas atitudes positivas, porque suas atitudes tornam-se seus hábitos” Autor:Mahatma Gandhi

RESUMO

O Espírito Santo é um estado que ocupa uma posição privilegiada na logística de produtos agropecuários. Frente a esta realidade, estão presentes nos portos capixabas grandes unidades armazenadoras de grãos, que são utilizadas para acomodação de materiais de origem vegetal, vindos não somente dos principais estados produtores do país como também do exterior. Devido ao grande volume de movimentação destes materiais, este estudo permitiu expor a realidade de uma destas instalações presentes no estado do Espírito Santo, onde foi realizado um levantamento dos principais riscos inerentes a este tipo de atividade, através de um estudo de caso. Dentre os vários riscos identificados, os de incêndio e explosão são os que mais nos chamam a atenção, devido ao seu alto poder destrutivo. Com base em literaturas consultadas e em visitas realizadas in loco, concluiu-se que: Primeiramente no Brasil, não existem normas específicas para classificação de áreas que contenham poeira e fibras vegetais. Segundo, apesar de não ter havido nenhum tipo de ocorrência grave nas instalações visitadas, estas não estão totalmente livres de possíveis acidentes, uma vez que a presença de riscos químicos como os de pó em suspensão, e físicos como a explosão por acúmulo de poeira nas instalações, se fazem presentes a todo o momento.

Palavras-chave: Poeira combustível. Explosão. Armazenamento. Classificação de área. LISTA DE FIGURAS

Figura 1 – Tetraedro do fogo.......................................................................... 16

Figura 2 – Limites de explosividade ou inflamabilidade .................................. 17

Figura 3 – Comparação entre limites de explosividade .................................. 18

Figura 4 – Mecanismo de pirólise do combustível sólido ................................ 20

Figura 5 - Mecanismo de ignição do combustível líquido ............................... 21

Figura 6 - Mecanismo de ignição do combustível gasoso .............................. 21

Figura 7 – Acúmulo de poeira ......................................................................... 22

Figura 8 – Comparativo entre velocidades de combustão e tamanho da partícula ........................................................................................................... 23

Figura 9 – Esquema de superfície específica de um cubo ............................. 23

Figura 10 – Pó de madeira, visto por microscópio de varredura .................... 24

Figura 11 – Amido de milho, visto por microscópio de varredura .................. 24

Figura 12 – Comparativo entre as faixas de energia mínima de ignição de poeiras e gases no ar e a energia equivalente de vários tipos de descargas eletrostáticas .................................................................................................... 27

Figura 13 – Frente de combustão ................................................................... 30

Figura 14 – Onda de alta pressão ................................................................... 30

Figura 15 – Exemplo de classificação de área ............................................... 32

Figura 16 – Instalações de armazenamento e transporte de grãos ................ 45

Figura 17 – Interior da moega de grãos, mostrando as grelhas no piso e no detalhe, o vibrador ............................................................................................................. 47

Figura 18 – Sistema de despoeiramento ........................................................ 48

Figura 19 – Correia transportadora fechada ................................................... 49

Figura 20 – Entrada dos grãos pelo topo do silo ............................................ 50

Figura 21 – Esquema do interior de um armazém de grãos.............................. 51

Figura 22 – Sistema de correia em túnel sob o armazém ................................ 52

LISTA DE GRÁFICOS

Gráfico 1 – Processos industriais causadores de explosões .......................... 46

LISTA DE TABELAS

Tabela 1 – Valores de limite inferior e superior de explosividade .................... 19

Tabela 2 – Relação dos principais produtos possíveis de produzir atmosfera explosiva através das poeiras originadas do processo de manipulação........... 26

Tabela 3 – Relação entre os sistemas de classificação de áreas internacionais .................................................................................................... 38

Tabela 4 - Relação entre os sistemas de classificação de áreas internacionais (Europa) ..................................................................................... 38

Tabela 5 – Métodos de proteção em função dos princípios de construção......................................................................................................... 41

Tabela 6 – Relações entre as classes de temperatura e a temperatura máxima de superfície ........................................................................................ 42

Tabela 7 – Índice de proteção referente a entrada de sólidos ......................... 43

Tabela 8 - Índice de proteção referente a entrada de líquidos ......................... 44

LISTA DE EQUAÇÕES

Equação 1 – Produtos de reação química de uma explosão ......................... 25

Equação 2 – Equação da lei dos gases ideais ............................................... 29

LISTA DE SIGLAS

ABNT - Associação Brasileira de Normas Técnicas

ATEX - Atmosphere Explosible

BS - British Standards

Hz - Hertz

IBUTG - Índice de Bulbo Úmido Termômetro de Globo

IEC - International Electrotechinical Comission

IP - Índice de Proteção

ISO - International Organization for Standardization

NBR - Normas Técnicas Brasileiras

NEC - National Electrical Code

NFPA - National Fire Protection Association

NR - Norma Regulamentadora

UCL - Faculdade do Centro Leste

SUMÁRIO

1. INTRODUÇÃO ................................................................................................... 14 2. OBJETIVO ......................................................................................................... 14 3. METODOLOGIA ................................................................................................ 15 4. REFERENCIAL TEÓRICO ................................................................................ 15 4.1 Fogo e Combustão ........................................................................................... 15

4.2 Pontos Críticos de Temperatura ...................................................................... 16

4.3 Mistura Explosiva ............................................................................................. 17

4.4 Mecanismos de Transmissão de Calor ............................................................ 19

4.5 Estado Físico do Combustível .......................................................................... 20

4.6 Poeiras Combustíveis ....................................................................................... 21

4.6.1 Área de Superfície Específica ....................................................................... 23

4.6.2 Composição Química .................................................................................... 25

4.6.3 Fonte de Ignição ............................................................................................ 26

4.7 Índices e as Relações Básicas ......................................................................... 29

4.8 Explosão ........................................................................................................... 30

4.8.1 Explosões Primárias e Secundárias .............................................................. 31

5. CLASSIFICAÇÃO DE ÁREA ............................................................................. 32 5.1 Filosofia da Classificação de Área ................................................................... 32

5.2 Bases da Classificação de Área ........................................................................ 33

5.3 Princípios da Classificação de Área e Zoneamento .......................................... 33

5.4 Classificação das Fontes de Liberação ............................................................. 35

5.5 Classificação da Zona Perigosa ........................................................................ 36

5.5.1 Gases, Vapores e Misturas ... ........................................................................ 37

5.5.2 Poeiras ........................................................................................................... 39

5.6 Relação Entre as Fontes de Liberação e as Zonas Classificadas .................... 40

6. INSTALAÇÕES ELÉTRICAS EM ÁREAS CLASSIFICADAS ........................... 41 6.1 Grau de Proteção Aplicado aos Equipamentos “Ex” ......................................... 42

7. ESTUDO DE CASO ............................................................................................ 44 7.1 Caracterização .................................................................................................. 44

7.2 Os Riscos nas Etapas de Transporte e Armazenamento de Grãos ................. 47

7.2.1 A Entrada dos Grãos ...................................................................................... 47

7.2.2 A Condução dos Grãos Através das Correias Transportadoras .................... 49

7.2.3 O Armazenamento dos Grãos ....................................................................... 49

7.2.4 O Descarregamento dos Armazéns ............................................................... 51

8. CONCLUSÃO ..................................................................................................... 53 REFERÊNCIAS ....................................................................................................... 54

1. INTRODUÇÃO

O Espírito Santo é um estado que ocupa uma posição estratégica na logística de

produtos agropecuários, tudo em função do seu posicionamento geográfico

favorável e recursos logísticos que possui, com a interligação de infra-estruturas

portuária, rodoviária e ferroviária. Boa parte da produção de bens agropecuários

produzidos nos principais estados produtores do centro-oeste como: Mato Grosso,

Mato Grosso do Sul, Goiás e Tocantins, escoam através portos capixabas.

Nesse contexto, faz-se necessário um trabalho específico de armazenagem destes

produtos de origem vegetal, bem como a classificação destas áreas. Um dos riscos

mais importantes, inerente a este tipo de atividade, é a capacidade de explosão em

função da poeira dispersa no ambiente durante o armazenamento ou transporte

destes materiais. Esta capacidade, em circunstâncias bem definidas e com a

presença de componentes importantes e em quantidade adequada, é possível

ocorrer com força suficientemente destruidora para danificar instalações de

transporte e armazenamento, além de colocar em risco a vida das pessoas

envolvidas no processo. Poeiras de milho, soja, arroz, trigo e lúpulo, são alguns dos

exemplos que necessitam do controle dos riscos pertinentes a movimentação destes

materiais.

2. OBJETIVO

Identificar as condições exigidas para as operações de transporte e armazenamento

de cereais como milho e soja, de forma segura. Expor números que identifiquem a

origem de acidentes desta natureza e, por fim, confrontar os dados das normas

existentes no país com as utilizadas internacionalmente, tomando por base as

melhores práticas, comparando-as com um caso real de uma unidade de

armazenamento de grãos.

3. METODOLOGIA Na confecção deste trabalho, primeiramente, foi realizada uma consulta bibliográfica

para obtenção de um embasamento teórico, a fim de conceituarmos de forma

exemplar os principais tópicos abordados em seu conteúdo.

A partir daí, procuramos nas normas brasileiras, os referenciais para classificação de

áreas explosivas em ambientes com poeira vegetal.

Por fim, no desenvolvimento do estudo de caso, foi feita uma visita as instalações de

uma mineradora de grande porte, a fim de verificar o funcionamento in locode todo o processo de descarga de cereais que chegam ao terminale posteriormente como são armazenados, bem como os cuidados tomados em áreas classificadas para

determinado processo.

4. REFERENCIAL TEÓRICO

4.1 Fogo e Combustão

Embora a idéia do fogo esteja bem definida no pensamento da sociedade, assim

como a sua utilização e obtenção (SEITO, 2008), a definição exata de fogo não é

uma unanimidade mundial. Não há um consenso mundial para definir o fogo como é

percebido a partir das definições usadas nas normas de vários países:

a) Brasil - NBR 13860: fogo é o processo de combustão caracterizado pela emissão de calor e luz;

b) EUA – NFPA: fogo é a oxidação rápida auto-sustentada acompanhada de evolução variada da intensidade de calor e de luz;

c) Internacional – ISO 8421-1: fogo é o processo de combustão caracterizado pela emissão de calor acompanhado de fumaça, chama ou ambos; sendo que

há uma definição de Combustão: reação exotérmica de uma substância

combustível com um oxidante usualmente acompanhada por chamas e ou

abrasamento e ou emissão de fumaça.

d) Inglaterra – BS 4422: fogo é o processo de combustão caracterizado pela emissão de calor acompanhado por fumaça, chama ou ambos.

Sob o ponto de vista didático foi criada uma representação gráfica do fogo chamada

de Tetraedro do Fogo conforme figura 01.

Figura 01- Tetraedro do fogo Fonte: SEITO, 2008.

Existem vários fatores que influenciam no início e na manutenção de uma chama.

São os seguintes: estado da matéria (sólido, líquido ou gás), massa específica,

superfície específica, calor específico, calor latente de evaporação, temperatura de

fulgor, temperatura de combustão, temperatura de ignição, mistura inflamável

(explosiva), quantidade de calor, composição química, quantidade de oxigênio

disponível, umidade, transmissão de calor, entre outros (SEITO, 2008)

4.2 Pontos Críticos de Temperatura

O processo de combustão é caracterizado pela exposição do combustível com o

comburente e calor, propiciando uma reação química que dá início e/ou mantém a

chama. Entretanto, para que os três componentes resultem em uma reação química

é necessária que uma quantidade definida, de cada tipo destes elementos, entre em

contato uns com os outros para que ocorra a reação em cadeia. Este fato define

alguns conceitos importantes:

Em função da temperatura em que o combustível é exposto, há três níveis críticos:

temperatura de fulgor, temperatura de combustão e temperatura de ignição.

(SEITO, 2008)

Temperatura de Fulgor: O conceito de temperatura de fulgor é a menor temperatura em que ocorre um lampejo, provocado pela inflamação dos vapores da

amostra, quando da passagem de uma chama piloto. Entretanto, devido a pouca

produção de vapores, o lampejo se apaga assim que a chama piloto se afasta. Este

termo também é conhecido como flash point.

Temperatura de Combustão: É a temperatura em que, a amostra, após inflamar-se pela passagem da chama piloto, continua a queimar por cinco segundos, no mínimo.

A partir de leitura, interpretação técnica de outras fontes bibliográficas e de

observações empíricas dos autores deste trabalho conceitua-se:

Temperatura de Ignição: É a menor temperatura em que não necessita de uma fonte de calor externa, ou chama piloto para produzir chamas. A amostra já possui

desprendimento de vapores suficiente para reagir com o comburente originando e

mantendo a chama aberta.

4.3 Mistura Explosiva

A mistura inflamável ou explosiva só poderá ser assim considerada quando o gás

estiver misturado com o oxigênio do ar dentro de determinadas proporções, em

volume (SEITO, 2008). A máxima proporção de gás, vapor ou pó no ar que torna a

mistura explosiva é denominada limite superior de explosividade, identificada pela

sigla - LSE. A mínima proporção de gás, vapor ou pó no ar que torna a mistura

explosiva é denominada limite inferior de explosividade, identificada pela sigla - LIE.

Existe portanto, uma faixa limitada pelo LIE e LSE na qual, em condições

adequadas, ocorre a ignição da mistura. Conforme apresentado na figura abaixo:

Figura 02- Limites de explosividade ou inflamabilidade. Fonte: Handbook of Fire Protection Engineering, 2002. Quando uma substância está abaixo do LIE, diz-se que esta substância está em

mistura pobre com o oxigênio do ar. Desta forma, não havendo proporção das

substâncias necessária à reação química, não ocorrerá a combustão. Da mesma

forma, se a mesma substância está em excesso em relação ao oxigênio do ar, ou

seja, em mistura rica, também não haverá reação química. Apenas quando a

substância estiver na proporção adequada à quantidade de oxigênio presente no

ambiente é que ocorrerá a mistura explosiva. Quando a mistura explosiva é formada

Propano Hidrogênio

LEL MIE UEL

em presença de um nível de energia adequado para iniciar e manter a combustão,

temos a ignição. A mistura explosiva, dependendo da substância, pode compreender

quase totalmente ou uma pequena parte da faixa de concentração, conforme

ilustrado na figura 03.

Figura 03- Comparação entre limites de explosividade. Fonte: McMILLAN, 1998.

Alguns exemplos de gases e vapores de líquidos com seus respectivos limites de

inflamabilidade são apresentados na tabela 01:

Tabela 01: Valores de limite inferior e superior de explosividade.

Fonte: SEITO, 2008.

4.4. Mecanismos de Transmissão de Calor

A propagação do calor das chamas é um fator importante na combustão. Ela

determina a dimensão das chamas e a manutenção da combustão. (SEITO, 2008)

São elas:

Condução do Calor: É o calor transmitido através de meios sólidos; Convecção do Calor: É a transmissão do calor através da movimentação do meio fluido aquecido, por exemplo, o gás ou líquido;

Radiação de Energia: É a transmissão do calor através de ondas eletromagnéticas, não necessitando de meios sólidos, líquidos ou gasosos para tal.

4.5 Estado Físico do Combustível

Em função do estado físico do combustível, o início ou desenvolvimento da

combustão se faz de três formas distintas. Um mesmo material pode se comportar

diferentemente em função do estado físico em que se apresenta. Quanto maior a

superfície de contato do combustível com o comburente, maior será a velocidade da

reação, considerando as condições para tal. (SEITO, 2008)

Combustível Sólido: Quando o material é exposto a um determinado nível de calor, este sofre um processo de decomposição térmica, denominado pirólise, e

desenvolvem produtos gasosos tais como gás ou vapor, que, com o oxigênio do ar,

forma a mistura inflamável ou mistura explosiva. Essa mistura na presença de uma

fonte de energia ativante tal como faísca, chama ou centelha, se inflama. De acordo

com a figura 04:

Figura 04: Mecanismo de pirólise do combustível sólido Fonte: SEITO, 2008,

A combustão será mantida se a quantidade de energia em que o combustível é

exposto for suficiente para manter a produção dos vapores, ou seja, a pirólise. A

continuação da combustão também ocorre com o calor da própria chama.

Os sólidos em formato de pó, principalmente os de material orgânico não passam

pelo mecanismo da pirólise. Eles estão sujeitos ao mecanismo da combustão

instantânea ou explosão, quando em suspensão no ar.

Combustível Líquido: Quando exposto a um determinado grau de calor, não sofre decomposição térmica, mas a evaporação, que é a liberação dos vapores, os quais,

em contato com o oxigênio do ar, forma a mistura inflamável ou mistura explosiva.

Essa mistura na presença de uma fonte de energia ativante se inflama. A

continuidade da combustão ocorre quando o líquido atinge a temperatura de

combustão.

A taxa de evaporação dos líquidos é diretamente proporcional ao seu aquecimento,

sendo uma propriedade intrínseca do líquido. Nos líquidos, essa propriedade permite

determinar as temperaturas de fulgor e de combustão. O mecanismo de ignição está

representado na figura 05. Substâncias oleaginosas retiradas das plantas e gorduras

animais têm mecanismo semelhante, na ignição, aos derivados de petróleo.

Figura 05: Mecanismo de ignição do combustível líquido Fonte: SEITO, 2008,

Combustível Gasoso: Por se apresentar já na forma gasosa na temperatura e pressão do ambiente, não necessita de nenhuma transformação de estado ou

decomposição térmica. Sendo o mecanismo de ignição representado pela figura 06:

Figura 06: Mecanismo de ignição do combustível gasoso Fonte: SEITO, 2008,

4.6 Poeiras Combustíveis A poeira combustível é a poeira que é queimada quando misturada com ar ou, em

formato de camadas, também irá queimar se entrar em ignição. Não deve ser

confundido com um explosivo. A nuvem de poeira precisa ser tratada de forma

diferente dos gases, vapores e misturas (McMillan, 1998). Sendo a liberação

normalmente em formato de nuvem de pó, uma vez liberada a poeira, ela não irá

dispersar como faria o gás, vapor ou mistura gasosa, mas irá inicialmente formar

uma nuvem e posteriormente assentará como uma camada de poeira, conforme

figura 07. Uma vez assentada, somente com alguma movimentação ou distúrbio

nesta camada de poeira acumulada ocasionaria novamente a formação de nuvem

de poeira. Os parâmetros importantes para poeira são diferentes dos utilizados para

os gases e vapores:

Figura 07: Acúmulo de poeira Fonte: O próprio autor, 2009

Energia de Ignição da Nuvem: é a mínima energia ao qual é requerida na forma de arco ou faísca para que a nuvem de gás entre em ignição;

Temperatura de Ignição da Nuvem: é a mínima temperatura ao qual uma mistura ideal de poeira em suspensão e misturada com o ar entrará em ignição.

Característica que dependem do tamanho da partícula:

Temperatura de Ignição da Camada: é a mínima temperatura ao qual uma camada de poeira de espessura específica irá entrar em combustão e queimar.

Tamanho da partícula: o tamanho da partícula origina-se a partir da formação da poeira, por exemplo, processos de moagem, queima, transporte, queda dos grãos.

Tendo um efeito na sua capacidade de ignição.

Qualquer material sólido que capaz de queimar no ar, irá fazê-lo com tal violência e

velocidade incrementados quanto maior for o grau de subdivisão do material

(McMillan, 1998). A figura 08(a), ilustra como um pedaço de madeira uma vez

incendiado queima vagarosamente, liberando o seu calor em longos períodos de

tempo. Quando cortados em pequenos pedaços, como ilustrado na figura 08(b), a

velocidade de combustão aumenta, porque o total da área de superfície de contato

entre a madeira e o ar aumentou. Da mesma forma a ignição da madeira é mais

fácil. E, de acordo com a figura 08 (c), se a subdivisão continuar diminuindo ao nível

das pequenas partículas da ordem de 0,1mm ou menos e, as partículas em

suspensão em um grande volume de ar permitindo que cada partícula tiver o espaço

suficiente para a sua queima irrestrita, o ritmo da combustão será muito mais rápido

e a energia requerida para a combustão espontânea será muito pequena. Tal queima

da nuvem de poeira é a explosão de pó combustível.

Figura 08: Comparativo entre velocidades de combustão e tamanho da partícula. Fonte: Eckhoff, 2003.

4.6.1 Área de Superfície Específica

Figura 09: Esquema de superfície específica de um cubo. Fonte: Eckhoff, 2003.

A relação entre o tamanho da partícula da poeira e a área da superfície específica

da mesma, é responsável pelo aumento da velocidade da reação de combustão com

o oxigênio. Um exemplo disto é a subdivisão de um cubo. Os fragmentos do cubo

têm a sua superfície duplicada em relação ao cubo original, conforme figura 09

acima. O grau de subdivisão de um material pode ser expresso pelo total da área de

superfície por unidade de volume ou por unidade de massa do sólido. Este valor, é

conhecido como superfície específica (Eckhoff, 2003). Nas figuras 10 e 11 são

apresentadas exemplos de partículas de materiais com diversas superfícies

específicas, vistas ao microscópio de varredura eletrônica.

c) Explosãoa) Combustão lenta

b) Combustão

Figura 10: Pó de madeira, visto por microscópio de varredura eletrônico. Fonte: Eckhoff, 2003.

Figura 11: Amido de milho, visto por microscópio de varredura eletrônico. Fonte: Eckhoff, 2003.

4.6.2 Composição Química

A explosão de poeira se origina a partir de uma grande liberação de calor da reação

química:

Combustível + oxigênio óxidos + calor

Equação 01:Produtos de reação química de uma explosão. Fonte: Eckhoff, 2003.

Em alguns casos especiais poeiras metálicas também podem reagir

exotermicamente com nitrogênio ou dióxido de carbono, mas o mais freqüente é a

oxidação pelo oxigênio, que é o principal agente comburente no processo de

explosão de poeira. Isto significa que somente os materiais que não são óxidos

estáveis podem gerar poeiras explosivas. Este fato exclui as poeiras de alguns

materiais, por exemplo: silicatos, sulfatos, nitratos, carbonatos e fosfatos, e por

conseqüência as poeiras de cimento portland, areia, calcário e as demais

substâncias (Eckhoff, 2003).

Os materiais que podem formar poeiras explosivas são:

Materiais orgânicos naturais: soja, grãos, açúcar, amido e milho; Materiais orgânicos sintéticos: plásticos, pigmentos orgânicos e pesticidas; Carvão mineral e vegetal; Metais em pó: alumínio, magnésio, zinco e ferro.

De forma geral, as indústrias que se expõem aos riscos de explosão por poeira

combustível estão relacionadas na tabela 02:

Tabela 02: Relação dos principais produtos possíveis de produzir atmosfera explosiva através das poeiras originadas do processo de manipulação.

INDÚSTRIA PRODUTO EXPLOSIVO

Alimentação e Nutrição de Animais

Pó de grãos, cereais e legumes, leite em pó e derivados, rações e forragens. Ração animal e feno. Alimentos de animais domésticos,

farinha, amido, açúcar e soja.

Indústria Química Plásticos: Polietileno, polipropileno, poliacrílico, produtos

farmacêuticos, tintas, vernizes, corantes, inseticidas, herbicidas, detergentes.

Indústria de Processamento de Metais Pós de Alumínio, magnésio, ferro, titânio.

Indústria de Processamento de Madeira Pós de madeira e derivados: serragem, papel, compostos de celulose.

Vários Enxofre, pó de carvão

Até o momento nenhum comentário
Esta é apenas uma pré-visualização
3 mostrados em 54 páginas
Baixar o documento