Comunicação e Expressão, Notas de estudo de Engenharia de Produção
jesiel-craveiro-1
jesiel-craveiro-1

Comunicação e Expressão, Notas de estudo de Engenharia de Produção

60 páginas
50Números de download
1000+Número de visitas
2Número de comentários
Descrição
Material de Engenharia de Produção
80 pontos
Pontos de download necessários para baixar
este documento
Baixar o documento
Pré-visualização3 páginas / 60
Esta é apenas uma pré-visualização
3 mostrados em 60 páginas
Esta é apenas uma pré-visualização
3 mostrados em 60 páginas
Esta é apenas uma pré-visualização
3 mostrados em 60 páginas
Esta é apenas uma pré-visualização
3 mostrados em 60 páginas
Microsoft Word - Comunicação e Expressão.doc

MARCIA ANTONIA GUEDES MOLINA

UNIVERSIDADE DE

SANTO AMARO

Engenharia de Produção Comunicação e Expressão

MARCIA ANTONIA GUEDES MOLINA

Comunicação e Expressão

Educação a Distância

SUMÁRIO

APRESENTAÇÃO1 1. COMUNICAÇÃO E LINGUAGEM3 1.1 LINGUAGEM E LÍNGUAS3 1.2 PROCESSOS DE COMUNICAÇÃO3 1.3 ELEMENTOS DA COMUNICAÇÃO4 1.3.1 Código e mensagem4 1.3.2 O referente4 1.3.3 O canal de comunicação4 .1.3.4 O esquema da comunicação4 1.4 AS FUNÇÕES DA LINGUAGEM5 2. TEXTO E TEXTUALIDADE7 2.1 COESÃO10 2.2 COERÊNCIA10 3. AS SUPERESTRUTURAS TEXTUAIS12 3.1 O TEXTO DESCRITIVO12 3.1.1 Características do texto descritivo14 3.2 O TEXTO NARRATIVO16 3.2.1 Características do texto narrativo18 3.3 O TEXTO DISSERTATIVO19 3.3.1 Características da dissertação20 3.3.2 Dissertação expositiva20 3.3.3 Dissertação Argumentativa20 3.3.4 Organização do texto dissertativo22 4. A CONSTITUIÇÃO DO TEXTO25 4.1 RELEMBRANDO A NOÇÃO DE TEXTO26 4.1.1 Texto e textualidade26 4.1.2 A Intertextualidade27 4.1.2.1 A Paródia28 4.1.2.2 A Paráfrase31 4.1.2.3 A Estilização33 4.1.2.4 A Apropriação34

5. O TEXTO ACADÊMICO37 5.1 O FICHAMENTO37 5.2 RESUMO41 5.3 A RESENHA43 5.3.1 Resenha crítica44 5.3.1.1 Requisitos básicos para se resenhar44 5.3.2 Resenha descritiva44 6. O TEXTO COMERCIAL46 6.1 AS CARTAS COMERCIAIS46 6.1.1 A composição da carta comercial47 7. OS E-MAILS49 7.1 INTERNET49 7.2 O E-MAIL PROPRIAMENTE DITO49 7.2.1 E-mails comerciais51 7.2.2 E-mails pessoais52 CONSIDERAÇÕES FINAIS53 REFERÊNCIAS54

1

APRESENTAÇÃO

Uma língua é um lugar

donde se vê o

mundo e em que se traçam os limites do

nosso pensar e sentir.

(Vergílio Ferreira)

Nosso objetivo neste trabalho é sintetizar alguns conceitos de texto relevantes, para

auxiliar o processo de produção escrita dos ingressantes no curso superior, favorecendo-lhes

também uma orientação de como elaborar determinadas superestruturas textuais, por meio de

técnicas de escritura e leitura de textos modelares e a competência para a produção de textos

acadêmicos, possibilitando-lhes também uma orientação de como elaborar determinados

técnicos.

O trabalho embasa-se em obras dos mais renomados estudiosos da Lingüística, como

Jakobson (s/d) e Vanoye (1998); dos mais importantes estudiosos da Lingüística de texto,

como Fávero (1999), Kock (1997), Guimarães (2004) e Fiorin (2003); e em trabalhos de

metodologia do trabalho científico, de autores de reconhecida competência, como Severino

(2001) e Lakatos (1992).

Os conteúdos estão assim organizados: primeiramente, discutiremos a questão de

Língua e Linguagem; depois os elementos da comunicação e, embasados neles, as Funções da

Linguagem. Partimos depois para as noções de texto, textualidade, coesão e coerência, para,

em seguida, apresentar as superestruturas textuais tradicionalmente reconhecidas: descrição,

narração e dissertação. Num outro capítulo, depois de uma revisão de texto e textualidade,

apresentamos a noção de intertextualidade, compreendendo a de paródia, paráfrase,

estilização e apropriação, para, então, partirmos para a discussão de fichamento, resumo e

resenha. Partimos na seqüência para a apresentação da redação comercial e finalizamos a

apostila com orientações de como escrever e-mails.

A seleção desses conteúdos deve-se à sua relevância como ponto de partida para os

demais textos, embora urge salientarmos que, numa obra simples como a nossa, não temos a

2

pretensão de traçar todas as diretrizes possíveis para o bom desenvolvimento de sua

competência escrita. Pelo contrário, apresentamos aqui apenas um roteiro, um caminho inicial

que deverá ser percorrido pelo próprio aluno e desvendado e ampliado à medida que seu

conhecimento sobre a língua for ampliado.

Fruto de nossa experiência docente, as lições aqui apresentadas resultam do que foi

possível coletar do prazeroso convívio com nossos alunos e da observação do brilhante

trabalho de muitos colegas com quem tivemos o prazer de cruzar durante nossa jornada,

especialmente, das atividades docentes da minha orientadora de doutorado, Profª Drª Leonor

Lopes Fávero, umas das maiores estudiosas de Lingüística Textual no Brasil, do meu querido

professor Hildebrando A André, com quem tive o prazer de aprender a ensinar redação, e das

lições sublineares a mim fornecidas pelo meu vice-diretor, Prof. Leo Rícino.

3

1.0 COMUNICAÇÃO E LINGUAGEM

Muitos autores costumam definir comunicação como “transmissão voluntária de

informação” (Riegel, s/d, p.21). Como se procede, então, essa transmissão? Claro que por

meio da linguagem. Émile Benveniste assevera que a linguagem é um sistema de signos

socializados, remetendo-nos à sua função de comunicação.

Vale salientar que, para que exista comunicação, as pessoas envolvidas no processo

precisam fazer uso de um código comum, quer dizer, devem “falar a mesma língua”. Isto

significa que só há comunicação quando um entende o outro.

1.1. LINGUAGEM E LÍNGUAS

As línguas são, de acordo com Vanoye (1998, p.21) “casos particulares de um

fenômeno geral”, ou seja, a linguagem é o todo, todas as formas de comunicação, e comporta

vários códigos, como cores, signos, assobios, código morse, etc., já as línguas são um tipo

específico de linguagem.

1.2. PROCESSOS DE COMUNICAÇÃO

A comunicação pressupõe sempre a existência de dois pólos: aquele que emite a

informação e aquele que a recebe: emissor/receptor – locutor/alocutário-ouvinte/leitor, etc. O

veículo utilizado para a comunicação pode fazer com que esses papéis sejam intercambiáveis

ou não. É importante frisarmos que, para que haja comunicação, deve haver sempre e, pelo

menos, dois seres envolvidos, fazendo uso dos elementos da comunicação.

4

1.3. ELEMENTOS DA COMUNICAÇÃO

1.3.1. Código e mensagem

O emissor e o receptor, como já foi dito, devem dispor do mesmo código, ou seja, do

mesmo sistema de signos, a fim de que a informação possa ser recebida e decodificada pelo

receptor. Essa informação decodificada é a mensagem.

1.3.2. O referente

Riegel (opus cit. P. 22) assevera: Os signos do código remetem à realidade tal qual é percebida pelo emissor e pelo receptor. O aspecto específico dessa realidade, que é evocada por um signo do código, é o referente desse signo. O universo referencial, exterior ao código, compreende tudo aquilo que pode ser designado pelos signos e suas combinações: seres, coisas, estados, acontecimentos, idéias, etc.

1.3.3. O canal de comunicação

É necessário um meio físico para que a mensagem possa ser veiculada para o

interlocutor, a esse meio damos o nome de canal de comunicação. Constituem canais de

comunicação o ar, um CD, um cabo, um telefone, etc.

1.3.4. O esquema da comunicação

A somatória desses elementos resulta no seguinte esquema que apresenta os elementos

indispensáveis para a comunicação:

Fig. 1 - Esquema da Comunicação

CÓDIGO

CONTEXTO

EMISSOR RECEPTOR

Canal de comunicação

MENSAGEM

5

1.4. AS FUNÇÕES DA LINGUAGEM

A linguagem, de acordo com Jakobson (s/d, p. 122), tem toda a variedade de suas

funções. Antes, porém propõe que recordemos que o remetente envia uma mensagem a um

destinatário. Para que possa ser transmitida, a mensagem requer uma contexto (ou

referente), apreensível pelo destinatário e que seja verbal ou passível de verbalização, um

código comum (parcial ou totalmente)a ambos – remetente e destinatário - e, finalmente, um

contato, ou seja, um canal físico por meio do qual possa ser veiculada.

Cada um desses seis elementos encerra uma função da linguagem diferente:

CONTEXTO

1) FUNÇÃO REFERENCIAL

CANAL

2) FUNÇÃO FÁTICA

EMISSOR MENSAGEM RECEPTOR

3) FUNÇÃO EMOTIVA 4) FUNÇÃO POÉTICA 5) FUNÇÃO CONATIVA

CÓDIGO

6) METALINGUAGEM

Apesar de serem seis elementos e, portanto, seis funções da linguagem,

normalmente as mensagens comportam mais de uma função, havendo uma predominante,

mas não exclusiva.

Deve-se ressaltar que a estrutura da mensagem depende dessa função predominante.

Assim, a função referencial (também chamada de denotativa) está centrada no contexto

(referente). Tudo o que se refere aos contextos situacionais ou textuais pertencem a este

função.

6

Ex. Prefeitura libera a pista expressa da Marginal Pinheiros.

(Folha de São Paulo, 16 de janeiro de 2007)

Quando a mensagem está centrada no canal, falamos da função fática. Temos nesse

caso tudo o que serve para, numa comunicação, estabelecer, manter ou encerrar o contato.

Ex. Alô, alô, responde....

Responde......

Já, quando a mensagem prioriza o emissor, revelando sua personalidade, estamos à

frente da função emotiva (ou expressiva).

Ex. Não serei o poeta de um mundo caduco. Também não cantarei o mundo futuro. Estou preso à vida e olho meus companheiros. Estão taciturnos mas nutrem grandes esperanças. Entre eles considero a enorme realidade. O presente é tão grande, não nos afastemos. Não nos afastemos muito, vamos de mãos dadas.

(Carlos Drummond de Andrade)

A função poética é aquela em que a prioridade está na própria mensagem, colocando

em destaque o lado palpável dos signos (Jakobson, opus cit.)

Ex. Vozes veladas, veludosas vozes, Volúpias dos violões, vozes veladas, Vagam nos velhos vórtices velozes Dos ventos, vivas, vãs, vulcanizadas.

(Cruz e Souza) Quando ocorre a orientação para o receptor (destinatário) temos a função conativa. Por

isso, nessa função é comum observamos o emprego de verbos no modo imperativo e de

vocativos e ponto de exclamação.

Ex. Assine uma TV a cabo agora e comece a pagar somente depois do Carnaval.

Finalmente, quando é dada especial relevância ao código, estamos à frente da função

metalingüística.

Ex. Quando falamos de funções da linguagem, queremos dizer, da possibilidade que

tem a língua de, de acordo com a intenção do falante, dar especial destaque a determinados

elementos da comunicação.

Neste caso, usamos a língua para explicar a própria língua.

7

2. TEXTO E TEXTUALIDADE

Texto, etimologicamente, quer dizer tecido, ou seja, trata-se de uma trama onde se

devem enredar as palavras. Hoje, o MíniHouaiss (2001: 508) traz a seguinte definição para o

termo: s.m. 1. Conjunto de palavras, frases escritas; 2. Trecho ou fragmento de obra de um autor; 3. qualquer material escrito destinado a ser falado ou lido em voz alta (...)

Já a Lingüística do Discurso procura estudar os textos como manifestações lingüísticas

produzidas por indivíduos concretos em situações concretas, sob determinadas condições de

produção (Kock, 1997, p.11), entendendo-os numa situação interacionista.

Para que melhor possamos compreendê-los nessa perspectiva, analisemos as

seqüências a seguir:

Para calar a boca: Rícino Pra lavar a roupa: Omo Para viagem longa: Jato

Para difíceis contas: Calculadora Para o pneu na lona: Jacaré

Para a pantalona: Nesga Para pular a onda: Litoral

Para lápis ter ponta: Apontador Para o Pará e o Amazonas: Látex

Para parar na pamplona: Assis Para trazer à tona: Homem - Rã Para a melhor azeitona: Ibéria

Para o presente da noiva: Marzipã Para Adidas o Conga: Nacional Para o outono a folha: Exclusão

Para embaixo da sombra: Guarda-Sol Para todas as coisas: Dicionário

Para que fiquem prontas: Paciência Para dormir a fronha: Madrigal Para brincar na gangorra: Dois

Para fazer uma toca: Bobs Para beber uma coca: Drops Para ferver uma sopa: Graus

Para a luz lá na roça: 220 volts Para vigias em ronda: Café

Para limpar a lousa: Apagador Para o beijo da moça: Paladar

Para uma voz muito rouca: Hortelã Para a cor roxa: Ataúde Para a galocha: Verlon

Para ser moda: Melancia Para abrir a rosa: Temporada

8

Para aumentar a vitrola: Sábado Para a cama de mola: Hóspede

Para trancar bem a porta: Cadeado Para que serve a calota: Volkswagen

Para quem não acorda: Balde Para a letra torta: Pauta

Para parecer mais nova: Avon Para os dias de prova: Amnésia

Pra estourar pipoca: Barulho Para quem se afoga: Isopor

Para levar na escola: Condução Para os dias de folga: Namorado

Para o automóvel que capota: Guincho Para fechar uma aposta: Paraninfo

Para quem se comporta: Brinde Para a mulher que aborta: Repouso

Para saber a resposta: Vide - o - Verso Para escolher a compota: Jundiaí

Para a menina que engorda: Hipofagi Para a comida das orcas: Krill

Para o telefone que toca Para a água lá na poça

Para a mesa que vai ser posta Para você o que você gosta

Diariamente

(Fonte: http://marisa-monte.letras.terra.com.br/letras)

Num primeiro momento, temos a impressão de que se trata de um amontoado de frases

pouco significativas. Contudo, se a inserirmos em seu contexto, passamos a entendê-la como

texto. Então, vamos lá. A seqüência acima é uma composição de Nando Reis, gravada por

Marisa Monte, intitulada “Diariamente”. O texto relata os fatos do cotidiano de uma pessoa

que vive numa região urbana, possivelmente, na cidade de São Paulo.

O mesmo ocorre com a seguinte seqüência:

Por que você é Flamengo ? E meu pai Botafogo ?

O que significa "Impávido Colosso" ? Por que os ossos doem ?

Enquanto a gente dorme ? Por que os dentes caem ? Por onde os filhos saem ?

Por que os dedos murcham ? Quando estou no banho ? Por que as ruas enchem ? Quando está chovendo ? Quanto é mil trilhões ?

Vezes infinito ? Quem é Jesus Cristo ?

Onde estão meus primos? Well, well, well Gabriel?

Well, well, well? Por que o fogo queima ? Por que a lua é branca ?

9

Por que a Terra roda ? Por que deitar agora ?

Por que as cobras matam ? Por que o vidro embaça ? Por que você se pinta ? Por que o tempo passa ?

Por que que a gente espirra ? Por que as unhas crescem ?

Por que o sangue corre ? Por que que a gente morre ?

Do qué é feita a nuvem ? Do que é feita a neve ? Como é que se escreve

Reveillon ? Well, well, well , Gabriel.

(Fonte: http://vagalume.uol.com.br/adriana-calcanhoto/oito-anos.html)

Se não reconhecermos a seqüência, inadvertidamente, podemos julgá-la um amontado

de perguntas sem nexo e, portanto, um não-texto. Contudo, novamente, temos aqui a letra de

uma composição que Paula Toler dedicou a seu filho Gabriel, com as perguntas que ele,

costumeiramente, lhe fazia. A música chama-se “Oito anos” e foi gravada por Adriana

Calcanhoto.

Agora, prestemos atenção a este segmento:

LA VARIÉTÉ ET LA FANTAISIE DE MA VIE DE TOUS LES JOURS1

Tous les jours de la semaine, je ne me lève jamais a la même heure et ce n’est jamais la mème chose. Mes jours sont fous, fous, fous! Lorsque je me lève, je ne suis pas pressé... Je vois et je choisis, c’est ça? Qu’il faut faire... Je déjeune chaque jour à un restaurant différent. L’aprés-midi je vais au cinéma, ou pour les courses, ou jouer le bowling, au bien aux shoppings... Je fais de promenade, promenade, promenade... Naturellement, je ne peux pas travailler! Les soirs je m’amuse à quelque show, ou théatre, ou rendez-vous chez un ami... Les personnes ne me retrouvent jamais!

A seqüência acima só será texto para aqueles que dominam a língua em que foi escrita:

francês, os demais reconhecerão a seqüência, mas como não interagem com ela, não

conseguindo depreender-lhe um sentido, será um não-texto.

Nesse sentido, como falamos, seguindo os passos de Kock e Travaglia (1990, p. 10),

podemos compreender texto como:

1 http://www.sergiosakall.com.br/girafas/lingua_frances.html

10

Uma unidade lingüística concreta (perceptível pela visão ou audição), que é tomada pelos usuários da língua (falante, escritor/ouvinte, leitor), em uma situação de interação comunicativa, como uma unidade de sentido e como preenchendo uma função comunicativa reconhecível e reconhecida, independentemente da sua extensão.

E deve ter textualidade: aquilo que converte uma seqüência lingüística em texto.

(id.,p.45), isto é, ser todo, coeso e coerente para seus usuários. Vejamos, agora, brevemente, o

que é coesão e coerência.

2.1. COESÃO

Fávero (1999, p.10) assim define coesão: A coesão, manifestada no nível microtextual, refere-se aos modos como os componentes do universo textual, isto é, as palavras que ouvimos ou vemos, estão ligados entre si dentro de uma seqüência.

Podemos dizer, portanto, que coesão é o nome com que designamos as estratégias de

ligação utilizadas num texto para torná-lo todo, ou seja, o uso de elementos capazes de

estabelecer elos.

Esses elos podem “amarrar” elementos mencionados anteriormente no texto,

ocorrendo então o que os estudiosos chamam de anáfora:

Ex. Fiz todos os exercícios indicados pela professora, mas minha amiga Carla não os

fez (isto é, não fez os exercícios).

Podem também “amarrar” elementos que serão ainda mencionados no texto,

ocorrendo então a chamada catáfora:

Ex. Fui ao mercado e comprei todos os itens de que precisava, menos estes: arroz,

batata e azeite.

Bem utilizar esses elementos auxilia bastante na boa escritura de uma seqüência, mas

não é só isso. Vejamos agora outro elemento responsável pela textualidade, capaz de ajudar

na produção textual.

2.2. COERÊNCIA

Coerência diz respeito ao sentido do texto.

11

A coerência (...), manisfestada em grande parte macrotextualmente, refere-se aos modos como os componentes do universo textual, isto é, os conceitos e as relações subjacentes ao texto de superfície, se unem numa configuração, de maneira reciprocamente acessível e relevante. Assim a coerência é o resultado de processos cognitivos operantes entre os usuários e não mero traço dos textos. (FÁVERO, 1999, p.10)

Então, a seguinte seqüência: constituirá texto para quem a entender como um classificado.

Vários são os elementos responsáveis pela coerência. Kock e Travaglia (1990)

apontam:

I) Conhecimentos: lingüístico, de mundo, partilhado, do mundo em que o texto se

inscreve;

II) Inferências;

III) Fatores pragmáticos;

IV) Situacionalidade;

V) Intencionalidade;

VI) Aceitabilidade;

VII) Informatividade;

VIII) Focalização;

IX) Intertextualidade;

X) Relevância.

Resta-nos, ainda, especificar que os textos organizam-se numa hierarquia de tipos de

subtipos. Guimarães (2004:16) ensina que, se a intenção se volta fundamentalmente para as

estruturas internas do texto, fica estabelecida uma tipologia de acordo com a forma de

estruturação, sua superestrutura, ou o mundo em que o texto se inscreve.

É disso que trataremos a seguir.

VENDE-SE Apartamento. 3 dorms. 2 sls. coz. Área serv. Moema. R$210.000. Tratar com o proprietário: (33)3333-3333.

12

3. AS SUPERESTRUTURAS TEXTUAIS

A noção de superestrutura, emprestada de Van Dijk, 2 diz respeito às estruturas globais

que caracterizam alguns tipos de textos, independentemente de seu conteúdo.

Dessa forma, relativamente ao aspecto estrutural, podemos inscrever os textos em:

descritivos, narrativos e dissertativos. Essas superestruturas têm, como afirma Guimarães

(opus cit, p.65), caráter convencional e são conhecidas e reconhecidas pelos falantes da

língua, ou seja: Uma superestrutura é um tipo de esquema abstrato que estabelece a ordem global do texto, e que se compõe de uma série de categorias , cujas possibilidades de combinação se baseiam em regras convencionais.

A autora informa também que, embora haja sempre uma estrutura dominante, o texto

pode apresentar outras. Por exemplo, um texto predominantemente narrativo pode apresentar

trechos descritivos. O predominantemente dissertativo pode trazer, em alguns momentos,

trechos que caracterizam a narração e/ou a descrição. O importante para um estudante do

Curso de Letras é saber identificar no todo trechos dessa ou daquela estrutura, cujas

características agora apresentamos.

3.1. O TEXTO DESCRITIVO

Descrever é caracterizar com detalhes objetos, locais, pessoas e situações, apresentando as

características deles percebidas por meio dos cinco sentidos. Como é através dos sentidos que

estabelecemos contato com o mundo à nossa volta, podemos dizer que essa estrutura textual é

a mais primeva, constituindo elementos vitais de nossa sensibilidade.

Visão, tato, audição, paladar, olfato são os sentidos com que percebemos as coisas do mundo que se traduzem em formas, cores, texturas, cheiros, sonoridades a serem descobertas. (AMARAL E ANTÔNIO, 1991, p. 19)

2 Strategies of Discourse Comprehension, Nova Iorque: Academic, 1983.

13

Observemos agora as seguintes seqüências:

Era um dia abafadiço e aborrecido. A pobre cidade de São Luís do Maranhão parecia entorpecida pelo calor. Quase que se não podia sair à rua: as pedras escaldavam, as vidraças e os lampiões faiscavam ao sol como enormes diamantes, as paredes tinham reverberações de prata polida; as folhas das árvores nem se mexiam; as carroças d’água passavam ruidosamente a todo o instante, abalando os prédios, e os aguadeiros, em mangas de camisa e pernas arregaçadas, invadiam sem cerimônia as casas para encher as banheiras e os potes. Em certos pontos não se encontrava viva alma na rua; tudo estava concentrado, adormecido; só os pretos faziam as compras para o jantar ou andavam no ganho.3

Trem das Cores Caetano Veloso

A franja na encosta

Cor de laranja Capim rosa chá

O mel desses olhos luz Mel de cor ímpar

O ouro ainda não bem verde da serra A prata do trem A lua e a estrela Anel de turquesa

Os átomos todos dançam Madruga

Reluz neblina Crianças cor de romã

Entram no vagão O oliva da nuvem chumbo

Ficando Pra trás da manhã

E a seda azul do papel Que envolve a maçã

As casas tão verde e rosa Que vão passando ao nos ver passar

Os dois lados da janela E aquela num tom de azul

Quase inexistente, azul que não há Azul que é pura memória de algum lugar

Teu cabelo preto Explícito objeto Castanhos lábios Ou pra ser exato

Lábios cor de açaí E aqui, trem das cores

Sábios projetos: Tocar na central

E o céu de um azul Celeste celestial

(Fonte: http://64.233.187.104/:tremdascoresletra.caetanovelosoletrasdemusicas.lyrics.mus.br/)

3 AZEVEDO, A. O mulato. São Paulo: Ática, 1997.

14

A primeira seqüência, como se pode observar, é um trecho do romance O mulato de

Aluísio Azevedo. Podemos perceber com que precisão o autor descreve a cidade de São Luís

do Maranhão. Trechos com sinestesias como: pedras escaldavam, as vidraças e os lampiões

faiscavam ao sol como enormes diamantes, as paredes tinham reverberações de prata polida,

favorecem não só a leitura, como também a percepção sensorialdo texto.

O mesmo acontece com a letra da música Trem das cores, de Caetano Veloso. Em O

mel desses olhos luz/E a seda azul do papel/ Que envolve a maçã temos a impressão de sentir

o gosto tanto do mel, quanto da maçã; de ver o brilho dos olhos e de sentir a maciez do papel

de seda.

Um texto descritivo estará bem produzido, quando possibilitar essas sensações;

quando o leitor, ao proceder à sua leitura, tiver a sensação de estar vendo, presenciando,

sentindo o que se está descrevendo.

Vejamos então, pormenorizadamente, o que compreende um texto descritivo.

3.1.1. Características do texto descritivo

Leia o seguinte fragmento (1) da obra Iracema de José de Alencar:

Iracema, a virgem dos lábios de mel, que tinha os cabelos mais negros que a asa da graúna e mais longos que seu talhe de palmeira. O favo da jati não era doce como seu sorriso; nem a baunilha recendia no bosque como seu hálito perfumado. Mais rápida que a ema selvagem, a morena virgem corria o sertão e as matas do Ipu, onde campeava sua guerreira tribo, da grande nação tabajara. O pé grácil e nu, mal roçando, alisava apenas a verde pelúcia que vestia a terra com as primeiras águas. 4

Agora, atente para o seguinte fragmento (2):

Iracema saiu do banho; o aljôfar d'água ainda a roreja, como à doce mangaba que corou em manhã de chuva. Enquanto repousa, empluma das penas do gará as flechas de seu arco, e concerta com o sabiá da mata, pousado no galho próximo, o canto agreste.

O primeiro fragmento é descritivo e o segundo, narrativo. Como identificar a

descrição?

4 ALENCAR, J. Iracema. São Paulo: Ática, 1990.

15

O texto descritivo é predominantemente figurativo, ou seja, construído com termos

essencialmente concretos, evocando uma figura, um efeito de realidade

Os textos figurativos produzem um efeito de realidade e, por isso, representam o mundo, com seus seres, seus acontecimentos. (PLATÃO E FIORIN, 1997, p. 89)

No fragmento 1 temos como exemplos de termos concretos: a morena virgem corria o

sertão e as matas do Ipu, onde campeava sua guerreira tribo, da grande nação tabajara. O pé

grácil e nu, mal roçando, etc.

Outra característica do texto descritivo é que ele não traz mudança de situação. É

estático. Representa o mundo num determinado momento. É recorte.

Além disso, naquela instância em que se efetua a descrição, vários fatos simultâneos

podem ser apresentados. Assim, Iracema, quando apreendida pelo narrador apresentava,

simultaneamente, as seguintes características: era virgem, tinha lábios de mel; seus cabelos

eram mais negros que a asa da graúna e mais longos que o talhe de palmeira; seu sorriso era

doce como o favo da jati; seu hálito era perfumado, era ainda mais rápida que a ema, etc. etc.

Essas características co-ocorriam. Estavam todas presentes na mesma instância,

podendo inclusive ser invertidas no texto:

Ex. Seu sorriso era doce como o favo da jati; seu hálito era perfumado, era ainda mais rápida que a ema; era virgem, tinha lábios de mel; seus cabelos eram mais negros que a asa da graúna e mais longos que o talhe de palmeira (...)

isso porque não existe relação de anterioridade, nem de posterioridade no fragmento.

Para que se estabeleça a comparação, retomemos o segundo fragmento:

Iracema saiu do banho; o aljôfar d'água ainda a roreja, como à doce mangaba que corou em manhã de chuva. Enquanto repousa, empluma das penas do gará as flechas de seu arco, e concerta com o sabiá da mata, pousado no galho próximo, o canto agreste.

Esse é um fragmento narrativo. Existe nele uma relação de anterioridade e

posterioridade: primeiro a índia saiu do banho, depois pôs-se a repousar. A inversão dos fatos

prejudicaria a seqüenciação do texto.

Podemos perceber também, em ambos os textos, uma diferença no emprego dos

tempos verbais: no primeiro predomina o pretérito imperfeito e, no segundo, o pretérito

perfeito.

Como a simultaneidade é a característica do texto descritivo, os tempos verbais mais

empregados são o presente do indicativo e o pretérito imperfeito do indicativo.

16

Quanto à organização, podemos afirmar que se deve elaborar o texto descritivo

espacialmente, isto é, os elementos devem ser descritos de baixo para cima, da esquerda para

direita, de dentro para fora, etc, para que o leitor possa, paulatinamente, ir construindo a

imagem daquilo de que se está tratando.

Agora, reúna todas as informações dadas anteriormente a respeito do texto descritivo e

leia a seguinte poesia de Manoel Bandeira, observando nela os traços da descrição:

Segunda canção do beco

Teu corpo moreno É da cor da praia. Deve ter o cheiro Da areia da praia.

Deve ter o cheiro

Que tem ao mormaço A areia da praia.

Teu corpo moreno Deve ter o gosto De fruta de praia. Deve ter o travo, Deve ter a cica

Dos cajus da praia.

Não sei, não sei, mas Uma coisa me diz

Que o teu corpo magro Nunca foi feliz.

3.2 O TEXTO NARRATIVO

De acordo com o Míni Houaiss (2001:364): “Narração: s.f. [é]exposição oral ou

escrita de um fato”.

Narrar é, portanto, representar um acontecimento ou uma série de acontecimentos reais

ou fictícios num texto.

Humberto Eco (1985, p. 21), no Pós-Escrito a O Nome da Rosa, ensina:

(...) para contar é necessário primeiramente construir um mundo, o mais mobiliado possível, até os últimos pormenores. Constrói-se um rio, duas margens, e na margem esquerda coloca-se um pescador, e se esse pescador possui um temperamento agressivo e uma folha penal pouco limpa, pronto: pode-se começar a escrever, traduzindo em palavras o que não pode deixar de acontecer.(...)

17

Essa citação de Eco, mesmo que indiretamente, permite-nos depreender que são cinco

os elementos da narração: narrador, personagens, ações, tempo e espaço.

Leia, agora, o texto a seguir, de Marina Colassanti:

Nunca descuidando do dever

Jamais permitiria que seu marido fosse para o trabalho com a roupa mal passada, não dissessem os colegas que era esposa descuidada. Debruçada sobre a tábua, com o olho vigilante, dava caça às dobras, desfazia pregas, aplainando punhos e peitos, afiando o vinco das calças. E a poder de ferro e goma, envolta em vapores, alcançava o ponto máximo de sua arte ao arrancar dos colarinhos liso brilho de celulóide.

Impecável, transitava o marido pelo tempo. Que, embora respeitando ternos e camisas, começou subrepticiamente a marcar seu avanço na pele e no rosto. Um dia notou a mulher um leve afrouxar-se das pálpebras. Semanas depois percebeu que, no sorriso, franziam-se fundos os cantos dos olhos.

Mas foi só muitos meses mais tarde que a presença de duas fortes pregas descendo dos lados do nariz tornou-se inegável. Sem dizer nada, ela esperou a noite. Tendo finalmente certeza de que o homem dormia o mais pesado dos sonos, pegou um paninho úmido e, silenciosa, ligou o ferro.

Observemos que, no texto acima, vislumbramos os seguintes elementos da narração:

a) narrador: Onisciente: de 3ª pessoa: “Jamais permitiria que seu marido fosse para o

trabalho....”

b) personagens: Protagonista: a esposa: “Não dissessem os colegas que era esposa descuidada......”

Antagonista: o marido: “Impecável transitava o marido pelo tempo.”

c) ações: Debruçada sobre a tábua (...) dava caça às dobras (...)”

d) tempo: Jamais permitiria (...)” “Um dia notou a mulher (...)” “(...) muitos meses mais

tarde (...)”

e) espaço: Na sua casa, em uma determinada cidade.

18

Além desses elementos, a narração apresenta, diferentemente da descrição,

transformação.

3.2.1. Características do texto narrativo

No texto Nunca descuidando do dever, podemos perceber, dentre outras, as

seguintes:

a) as camisas amassadas ficavam muito bem passadas: (...) alcançava o ponto máximo de sua arte ao arrancar dos colarinhos liso brilho de celulóide.

b) o marido foi adquirindo rugas no rosto: (...) transitava o marido pelo tempo. Que, embora respeitando ternos e camisas, começou subrepticiamente a marcar seu avanço na pele e no rosto.

Mas a transformação mais significativa é a que não está explicitada, ou seja, ao

perceber o rosto enrugado do marido, a esposa, como um autômato, tenciona passá-lo: Tendo finalmente certeza de que o homem dormia o mais pesado dos sonos, pegou um paninho úmido e, silenciosa, ligou o ferro.

Além disso, tanto quanto o texto descritivo, o narrativo é figurativo. Lembremo-nos

de que esse tipo de texto é construído com palavras concretas cuja função é representar o

mundo. Por meio das figuras empregadas podemos depreender o real sentido do texto. No

caso de Nunca descuidando do dever, figuras como:

(...) Jamais permitiria que seu marido fosse para o trabalho com a roupa mal passada, não dissessem os colegas que era esposa descuidada. Debruçada sobre a tábua, com o olho vigilante, dava caça às dobras, desfazia pregas (...)

Permitindo-nos depreender, sublinearmente, uma crítica às mulheres que, nas décadas

de 60 e 70, viviam apenas e tão somente para o lar, realizando robotizadamente as atividades

domésticas.

Além da figurativização, na narração, a ordenação é temporal. O texto deve ter uma

seqüenciação para que o leitor possa acompanhar o desenrolar das ações. Assim, vejamos:

Jamais permitiria que seu marido fosse para o trabalho com a roupa mal

passada, não dissessem os colegas que era esposa descuidada. Debruçada sobre a tábua, com o olho vigilante, dava caça às dobras, desfazia pregas, aplainando punhos e peitos (...)Um dia notou a mulher um leve afrouxar-se das pálpebras. Semanas depois percebeu que, no sorriso, franziam-se fundos os cantos dos olhos. (...)

19

Mas foi só muitos meses mais tarde que a presença de duas fortes pregas descendo dos lados do nariz tornou-se inegável. Sem dizer nada, ela esperou a noite. Tendo finalmente certeza de que o homem dormia o mais pesado dos sonos, pegou um paninho úmido e, silenciosa, ligou o ferro.

A ordenação temporal nesse texto ajuda o leitor a ir acompanhando as ações da esposa

até o inesperado desfecho e, diferentemente do texto descritivo, a disposição dessas ações não

pode ser alterada.

Como a ordenação temporal é de extrema relevância no texto narrativo, os tempos

verbais básicos são os do subsistema do passado: pretérito perfeito, mais-que-perfeito e

imperfeito.5

Para finalizar, leia atentamente o texto abaixo, buscando visualizar nele os elementos

da narração já discutidos:

DESTA ÁGUA NÃO BEBERÁS Carlos Drummond de Andrade

- Por que Demétrio não se casa? Era a indagação geral! Demétrio namorava,

noivava, não casava. Sete dias antes do casamento, olha aí Demétrio fugindo. As versões eram múltiplas. A noiva é que o despedira. Tiveram uma briga feia. Gênios incompatíveis. Mal secreto. Intrigas.

Demétrio continuava a namorar, noivar e não casar. Não lhe faltavam noivas, pois era agradável, tinha status. Quanto mais se desmanchavam seus projetos de casamento, mais apareciam mulheres dispostas ao desafio, exclamando:

- A mim ele não deixa na porta do Mosteiro de São Bento. Deixava. E quanto mais deixava, mais seu prestígio crescia. Concluiu-se que era sua maneira de afirmar-se. Então Livaniuska decidiu enfrentá-lo. Noivou com ele e, uma semana antes do casamento, deu-lhe o fora solene. Demétrio quis reagir, explicou à repórter social que ele é que tomara a ìniciativa, mas a mentira foi patente. Livaniuska foi contratada como atriz por uma emissora de TV e ficou célebre.

Daí por diante ela repetiu a carreira de Demétrio, noivando e desmanchando com inúmeros cavalheiros. No fim de cinco anos, Livaniuska e Demétrio casaram-se para sempre, como era fácil de prever mas ninguém previu.

3.3. O TEXTO DISSERTATIVO

No Míni Houaiss (opus.cit, p.:174), encontramos:

Dissertação: s.f. 1. Exposição oral ou escrita; 2. Monografia. Ensaio (...)

5 Geralmente, mas não exclusivamente. Pode-se usar, por exemplo, o presente do indicativo, com valor atemporal, instaurando proximidade e verossimilhança ao texto.

20

Mas será que, como superestrutura textual, dissertação é só isso? Vamos ver o que

dizem alguns estudiosos do assunto.

Magalhães (s/d, p. 7) assevera que a dissertação ocorre no plano das idéias, do

conhecimento, das abstrações. Trata-se de um trabalho reflexivo que consiste, de maneira

geral, em organizar as idéias numa linha de raciocínio. Assim, ensina o autor, todas as vezes

em que nos valemos da linguagem verbal para expor, defender ou contestar idéias, estaremos

utilizando o chamado discurso dissertativo.

Platão e Fiorin (opus ci, p.252) afirmam que dissertação é o tipo de texto que analisa

interpreta, explica e avalia os dados da realidade e relacionam algumas de suas

características, revisadas a seguir.

3.3.1. Características da dissertação

a) é um texto temático, ou seja, discute um tema, operando, predominantemente, com

termos abstratos;

b) mostra mudança de situação, tanto quanto a narração;

c) sua ordenação é lógica; d) o tempo básico empregado na dissertação é o presente do indicativo com valor

atemporal, embora se admita o uso do pretérito perfeito e do futuro do presente.6

Importa esclarecer que há autores que inscrevem os textos dissertativos em dois tipos:

expositivos e argumentativos.

3.3.2. Dissertação expositiva

É aquela cujo propósito é discorrer sobre o assunto num sentido meramente

informativo. Assim, pode-se dissertar sobre a pena de morte, a juventude brasileira, etc. sem

que haja posicionamento sobre o tema.

A importância de Música Popular Brasileira A importância da Música Popular Brasileira no cenário de nossa cultura é

inegável. Pode-se constatar que a MPB, além de sua relevância como manifestação

estética tradutora de nossas múltiplas identidades culturais, apresenta-se como uma

6 Também aqui se trata de tempos básicos, mas não exclusivos.

21

das mais poderosas formas de preservação da memória coletiva e como um espaço

social privilegiado para as leituras e interpretações do Brasil.

Fonte: Dicionário Cravo Albim de MPB - http://www.dicionariompb.com.br/default.asp

3.3.3. Dissertação Argumentativa

Diferentemente da anterior, na dissertação argumentativa revelam-se reflexões sobre o

assunto, a fim de persuadir o receptor que, acompanhando a linha de raciocínio do que é

exposto, verifica se o raciocínio verbalizado é correto e, nesse sentido, passível ou não de

aceitação.

Uma escolha contra a mulher

O aborto é freqüentemente apresentado como um problema de "direito das mulheres". É visto como algo desejável para as mulheres, e como um benefício ao qual elas deveriam ter tanto acesso quanto possível. Na verdade, ser "pró-vida" é visto como sendo "contra os direitos da mulher". Se você às vezes pensa desta forma, examine os fatos apresentados aqui. Verá que, na verdade, o aborto prejudica a mulher, ignora os seus direitos, e as abusa e degrada. Qualquer um que se preocupa com a mulher fará bem em conhecer estes fatos.

Estudos de mulheres que fizeram aborto, (veja, por exemplo, o livro do Dr. David Reardon, Aborted Women, Silent No More), mostram que o aborto não é uma questão de dar à mulher uma "escolha". É, tragicamente, uma situação em que as mulheres sentiram que não tinham NENHUMA ESCOLHA, sentiram que ninguém se importava com elas e com seu bebê, dando-lhes alternativa alguma a não ser o aborto. A mulher sente-se rejeitada, confusa, com medo, sozinha, incapaz de lidar com a gravidez - e, no meio disto tudo, a sociedade diz-lhe, "Nós eliminaremos o seu problema eliminando o seu bebê. Faça um aborto. É seguro, fácil, e uma solução legal".

O fato é que embora o aborto seja legal (nos Estados Unidos), ele NÃO é seguro e fácil, nem respeita a mulher. (...)

Fonte: http://www.comciencia.br/especial/drogas/drogas01.htm

Podemos perceber no texto acima que, por exemplo, no trecho: na verdade, o aborto

prejudica a mulher, ignora os seus direitos, e as abusa e degrada está expressa a opinião

do autor e, para que ela seja mesmo aceita, passa ele a relacionar os motivos que o fazem

pensar assim.

Em ambos os tipos de dissertação, importa atentar para sua organização, como veremos

a seguir.

22

3.3.4. Organização do texto dissertativo

Como esse tipo de texto deve apresentar uma organização lógica, deve-se apresentar

com bastante clareza:

a) o assunto;

b) a delimitação do assunto;

c) o objetivo;

d) o tópico-frasal;

e) o desenvolvimento;

f) a conclusão.

Como já falamos anteriormente, a dissertação é um texto temático, portanto, deve-se

discutir um tema. Para que o autor do texto não se perca em informações redundantes ou

desnecessárias, é importante que proceda à delimitação dele.

Por exemplo: Dissertação

Tema: NAMORO

Possíveis delimitações do tema: Namoro na adolescência

Namoro na melhor idade

Namoro na escola

Escolhida uma delimitação, deve-se propor um objetivo para que não ocorra fuga ao

tema. Se resolvêssemos escrever sobre Namoro na escola, poderíamos estabelecer como

objetivo, por exemplo: mostrar ao leitor que, como a escola é o espaço onde os jovens mais se

encontram e se relacionam, é normal e saudável que ali comecem sua vida afetiva.

O tópico frasal é aquele sobre o qual incide a essência da informação. Na delimitação

acima, poderíamos estabelecer um possível tópico-frasal:

É na adolescência que se começa a conhecer o mundo, a fazer amigos, a descobrir

as verdades e a escola é um dos ambientes mais propícios para isso. Então, nada mais comum que ali ocorram flertes, o ficar e até mesmo namoros nesse ambiente.

Tendo em mente tanto a delimitação, quanto os objetivos e o tópico frasal,cabe ao

autor, então, elaborar seu texto dissertativo. Se o seu desejo for produzir um texto

23

argumentativo, esses argumentos podem ser apresentados de diferentes maneiras. Seguindo

Platão e Fiorin (opus cit: p. 286-288), relacionamos três deles:

a) argumento de autoridade: citam-se autores ou pessoas de prestígio que tenham

reconhecido domínio sobre aquele saber. No caso da delimitação acima (Namoro na

escola), poderíamos citar, por exemplo, o psicanalista Içami Tiba, autor de várias obras

que tratam da adolescência.

b) argumento baseado no consenso: neste caso, valer-nos-íamos de opiniões já aceitas

pela maioria da população.

c) argumento baseado em provas concretas: poderíamos, no caso de nossa proposta,

fazer uso, por exemplo, de pesquisas que comprovassem que a maioria dos jovens

namora na escola e que tal fato tem auxiliado em seu desenvolvimento emocional.

Para que possamos entender melhor, leiamos Magalhães (s/d p.6,17) que assim

exemplifica o texto dissertativo:

Muitas normas, antes apenas do âmbito da Moral, passaram ao campo do Direito

pelo fato de o legislador, num momento dado, julgar conveniente atribuir-lhes força coercitiva, impondo uma sanção para sua desobediência. Assim, por exemplo, no passado era altamente meritório o fato de o patrão socorrer seu empregado acidentado. Mas a desobediência a essa regra de moral não provocava qualquer sanção por parte do Estado. Este, entretanto, observando a conveniência de se impor ao patrão a obrigação de socorrer seu serviçal infortunado, criou a norma de Direito, impondo como obrigação jurídica aquilo que não passava de mero dever moral. Outro exemplo: no passado agia com humanidade o patrão que, antes de despedir seu empregado, lhe dava um prazo para procurar nova colocação, e ao romper o contrato de trabalho lhe oferecia uma indenização pelos anos de serviços prestados. Talvez isso constituísse um dever moral ditado pela preocupação de justiça. Mas o descumprimento de tal dever não provocava qualquer sanção por parte do Estado. Parecendo ao legislador conveniente transformar tal preceito de Moral em regra de Direito, impõe ao patrão o dever de dar aviso prévio e de prestar indenização ao empregado despedido. O descumprimento de tal obrigação, hoje, provoca uma sanção por parte do Estado. A regra de Moral transformou-se em regra de Direito.7

7 RODRIGUES, S. Direito Civil.In: MAGALHÃES, R. Técnicas de Redação: a recepção e a produção de texto. São Paulo: Editora do Brasil, s/d.

24

Neste texto temos, portanto:

ASSUNTO: Direito;

DELIMITAÇÃO: Direito e moral;

OBJETIVO: Mostrar que muitas normas morais transformaram-se em normas jurídicas por

razão de conveniência social;

TÓPICO-FRASAL: “Muitas normas, antes apenas do âmbito da Moral, passaram ao campo

do Direito pelo fato de o legislador, num momento dado, julgar conveniente atribuir-lhes força

coercitiva, impondo uma sanção para sua desobediência”.

DESENVOLVIMENTO (Argumentos baseados em provas concretas):

1. O socorro patronal obrigatório ao empregado acidentado;

2. A obrigação jurídica de dar aviso prévio e de prestar indenização ao empregado

despedido.

CONCLUSÃO: “A regra de Moral transformou-se em regra de Direito.”

Além disso, podemos perceber que o texto dissertativo tem algumas características

que lhes são peculiares. Vejamos quais são.

Primeiramente, como pudemos perceber, trata-se de um texto temático, ou seja, o

nosso exemplo discute uma questão jurídica, operando com, predominantemente, termos

abstratos: Muitas normas, antes apenas do âmbito da Moral, passaram ao campo do Direito

pelo fato de o legislador, num momento dado, julgar conveniente atribuir-lhes força coercitiva, impondo uma sanção para sua desobediência. Assim, por exemplo, no passado era altamente meritório o fato de o patrão socorrer seu empregado acidentado. (...)

Mostra, tanto quanto a narração, mudança de situação: no caso do texto acima, o autor

aponta para fatos que passaram de atitudes morais para deveres impostos pelo Direito:

(...) Este, entretanto, observando a conveniência de se impor ao patrão a obrigação

de socorrer seu serviçal infortunado, criou a norma de Direito, impondo como obrigação jurídica aquilo que não passava de mero dever moral.

(...) O descumprimento de tal obrigação, hoje, provoca uma sanção por parte do Estado. A regra de Moral transformou-se em regra de Direito.

25

Sua ordenação é lógica. Como já apontado, há no texto um tópico frasal, o

desenvolvimento e a conclusão.

Os tempos verbais empregados nessa dissertação são: pretérito perfeito e imperfeito do

indicativo, quando o autor remete o leitor ao passado, e o presente, quando aponta para o

resultado da ação pretérita:

(...) Outro exemplo: no passado agia com humanidade o patrão que, antes de despedir seu empregado, lhe dava um prazo para procurar nova colocação, e ao romper o contrato de trabalho lhe oferecia uma indenização pelos anos de serviços prestados. Talvez isso constituísse um dever moral ditado pela preocupação de justiça. Mas o descumprimento de tal dever não provocava qualquer sanção por parte do Estado. Parecendo ao legislador conveniente transformar tal preceito de Moral em regra de Direito, impõe ao patrão o dever de dar aviso prévio e de prestar indenização ao empregado despedido. O descumprimento de tal obrigação, hoje, provoca uma sanção por parte do Estado. A regra de Moral transformou-se em regra de Direito.

Para finalizar, leia atentamente o texto abaixo, buscando visualizar nele os elementos

da dissertação já discutidos:

Uso de álcool na gravidez traz riscos ao bebê A ingestão de álcool durante a gravidez pode acarretar uma série de problemas na formação do feto. A manifestação mais severa é a Síndrome Alcoólica Fetal (SAF) que causa desde malformações craniofaciais, retardamento no crescimento até a incapacidade de desenvolvimento mental. O fato de um grande número de mulheres beberem socialmente e a maioria das gestações não serem planejadas aumentam o risco de ocorrer a SAF. "Pode haver um desconhecimento do estado gestacional nos primeiros meses. Isso implica muitas vezes a exposição do embrião ao etanol, principalmente no período mais crítico e sensível da gestação", explica Cristiana Corrêa, professora da Faculdade de Ciências Farmacêuticas, da Pontifícia Universidade Católica de Campinas. Geralmente, a incidência da SAF oscila entre 0,4 a 3,1 casos por 1000 nascimentos. Entre os filhos de mães alcoólatras estima-se que 30% a 40% dos recém nascidos venham a apresentar a doença. Ainda não foi definida a quantidade mínima de álcool ingerida capaz de afetar o feto. As maiores conseqüências da SAF são: restrição no crescimento, com decréscimo inferior a 10% no peso e no comprimento; envolvimento do Sistema Nervoso Central, apresentando, entre outros problemas, disfunção comportamental, hiperatividade, dificuldade de adaptação social, e anomalias faciais. A prevenção da SAF, na opinião de Corrêa, só será possível através de um sistema articulado de intervenção terapêutica na mãe alcoólatra, programas educacionais nas comunidades, identificação precoce da doença e acompanhamento das crianças afetadas pela síndrome.

Liliane Castelões Fonte: http://www.comciencia.br/especial/drogas/drogas01.htm

26

4. A CONSTITUIÇÃO DO TEXTO

4.1. RELEMBRANDO A NOÇÃO DE TEXTO

4.1.1. Texto e textualidade

Como vimos, texto, etimologicamente, quer dizer tecido, ou seja, trata-se de uma

trama onde se devem enredar as palavras.

Já a Lingüística do Discurso procura estudar os textos como manifestações lingüísticas

produzidas por indivíduos concretos em situações concretas, sob determinadas condições de

produção (KOCK, 1997, p.11), entendendo-os numa situação interacionista.

Para Val (1999, p.3), texto (escrito ou falado) é a unidade lingüística comunicativa

básica utilizadas pelos falantes de uma língua para se comunicarem e será bem compreendido

quando comportar três aspectos fundamentais: o pragmático (atuação informacional e

comunicativa), o semântico-conceitual (relacionado à compreensão, à cognição, portanto, da

coerência) e o formal (de sua organização, ou seja, de sua coesão).

Assim, texto pode ser compreendido como uma unidade de sentido que depende de

uma série de fatores, ligados tanto à coerência quanto à coesão.

Por outro lado, discurso é mais abrangente e, de acordo com a Análise do Discurso de

Linha Francesa, ele é entendido como o espaço em que emergem as significações

(BRANDÃO, s/d, p. 35). Mas, o que comporta essa significação? Primeiramente, temos de

entender que o discurso de que tratamos se faz na e pela língua, ou seja, as significações serão

observadas em sua formação discursiva, somada às suas condições de produção, norteadas

pela sua formação ideológica.

Dessa forma, a noção de discurso pode ser vista como múltipla e analisá-lo é, de

acordo com Foucault (1986, p. 187), fazer desaparecer e reaparecer as contradições é

mostrar o jogo que jogam entre si; é manifestar como pode exprimi-las, dar-lhes corpo, ou

emprestar-lhes uma fugidia aparência. Isto quer dizer que analisar um discurso é buscar

esses elementos de dispersão, os diversos discursos que comporta, os textos que com ele

dialogam.

27

E há várias maneiras de os textos conversarem entre si e com os discursos, como

veremos a seguir.

4.1.2. A Intertextualidade

De acordo com Kristeva (1974, p.64) “todo texto se constrói como um mosaico de

citações. Todo texto é absorção e transformação de um outro texto , ou seja, como falou

Bakhtin (1922) nenhum discurso é neutro, é sempre formado por outros que lhe foram

anteriores no tempo, pois produzido por um sujeito descentrado, assumindo diferentes vozes

sociais, que o tornam um sujeito histórico e ideológico.

Fiorin (2003, p.32) ensina:A intertextualidade é o processo de incorporação de um

texto em outro, seja para reproduzir o sentido incorporado, seja para transformá-lo.”

Brandão (opus cit., p.76) aponta dois tipos de intertextualidade: uma interna, na qual

um “discurso se define por sua relação com o discurso do mesmo campo, podendo divergir ou

apresentar enunciados semanticamente vizinhos aos que autoriza sua formação discursiva”; e

uma externa, “na qual o discurso define uma certa relação com outros campos”.

Kock (1986, p.39) também aponta a possibilidade de se observar a intertextualidade de

duas maneiras: em sentido amplo, que ocorre implicitamente, ou seja, a identificação dos

textos em diálogo é conseguida por meio de atenta observação por parte do leitor, porque o

novo texto mantém alguns aspectos, tanto formais quanto de sentido, dos originais; em

sentido estrito, que pode aparecer tanto implicitamente – por meio da divulgação de sua

ideologia e retórica - quanto explicitamente – por meio da revelação direta do texto do qual

se origina.

Paulino, Walty e Cury (1997) indicam oito possibilidades de a intertextualidade se

revelar, isto é, por meio de epígrafe, de citação, de referência, de alusão, da paráfrase, da

paródia, do pastiche e da tradução. Esses autores entendem a sociedade como uma grande

rede intertextual e dão ao espaço cultural um lugar de relevância, pois cada produção dialoga

necessariamente com outras.

Fiorin (2003) e Sant’Anna (1988) apontam diferentes maneiras de a intertextualidade

ocorrer. O primeiro identifica três processos: a citação, a alusão e a estilização; o segundo,

quatro: a paródia, a paráfrase, a estilização e a apropriação.

Como é a proposta de Sant’Anna que mais atente aos nossos propósitos, estudá-la- os

particularizadamente a seguir.

28

4. 1.2.1. A Paródia

Fávero (2003, p. 49) vai à etimologia para conceituar o termo: Paródia significa canto paralelo (de para = ao lado de e ode = canto), incorporando a idéia de uma canção, cantada ao lado de outra, como uma espécie de contracanto.

Sant’Anna (opus cit., p.31) completa, asseverando que ela tem uma função cartática,

funcionando como contraponto com os momentos de muita dramacidade. Além disso, o texto

paridístico faz uma re-apresentação daquilo que havia sido recalcado. Uma nova e diferente

maneira de ler o convencional. É um processo de liberação do discurso. Uma tomada de

consciência crítica.

Parodia-se um texto para negá-lo, já que a linguagem nesse tipo de produção é dupla,

as vozes que dialogam nos dois discursos se cruzam tanto horizontal (produtor x receptor),

quanto verticalmente (texto x contexto) (Fávero, 1999, p.53).

Temos em nossa literatura muitos exemplos de paródia. Jô Soares, na época de

cassação do então presidente Collor de Melo, utilizando-se da mesma estrutura da nossa

Canção do Exílio, escreveu:

Canção do exílio às avessas Jô Soares

Minha Dinda tem cascatas

Onde canta o curió Não permita Deus que eu tenha

De voltar pra Maceió. Minha Dinda tem coqueiros

Da Ilha de Marajó As aves, aqui, gorjeiam

Não fazem cocoricó.

O meu céu tem mais estrelas Minha várzea tem mais cores.

Este bosque reduzido deve ter custado horrores. E depois de tanta planta, Orquídea, fruta e cipó,

Não permita Deus que eu tenha De voltar pra Maceió.

(...) No meio daquelas plantas

Eu jamais me sinto só. Não permita Deus que eu tenha

De voltar pra Maceió. Pois no meu jardim tem lagos

Onde canta o curió E as aves que lá gorjeiam

29

São tão pobres que dão dó.

Minha Dinda tem primores De floresta tropical.

Tudo ali foi transplantado, Nem parece natural. Olho a jabuticabeira

dos tempos da minha avó. Não permita Deus que eu tenha

De voltar pra Maceió.

Até os lagos das carpas São de água mineral.

Da janela do meu quarto Redescubro o Pantanal.

Também adoro as palmeiras Onde canta o curió.

Não permita Deus que eu tenha De voltar pra Maceió.

Finalmente, aqui na Dinda,

Sou tratado a pão-de-ló. Só faltava envolver tudo

Numa nuvem de ouro em pó. E depois de ser cuidado

Pelo PC, com xodó, Não permita Deus que eu tenha

De acabar no xilindró.

Recordemo-nos do original de Gonçalves Dias:

Canção do exílio Gonçalves Dias

Minha terra tem palmeiras,

Onde canta o sabiá; As aves, que aqui gorjeiam,

Não gorjeiam como lá.

Nosso céu tem mais estrelas, Nossas várzeas têm mais flores, Nossos bosques têm mais vida,

Nossa vida mais amores.

Em cismar, sozinho, à noite, Mais prazer encontro eu lá; Minha terra tem palmeiras,

Onde canta o sabiá.

Minha terra tem primores, Que tais não encontro eu cá;

Em cismar – sozinho, à noite – Mais prazer encontro eu lá; Minha terra tem palmeiras,

Onde canta o sabiá.

Não permita Deus que eu morra, Sem que eu volte para lá;

30

Sem que desfrute os primores Que não encontro por cá;

Sem qu'inda aviste as palmeiras, Onde canta o sabiá.

Coimbra, julho de 1843, aos 19 anos

O dialogismo entre os textos é inquestionával, revelando também a característica

primordial da paródia: temos aqui cantos paralelos aos de Gonçalves Dias, mas ao mesmo

tempo em que fazem com que nossa memória textual retome o original, seu lado humorístico

faz com que eles nunca se encontrem, como imagens invertidas num espelho (Sant’Anna,

opus cit).

Num texto acadêmico, podemos fazer uso da paródia, quando, especialmente, partindo

de um texto original, inauguramos um outro paradigma, uma evolução do primeiro, numa

oposição, numa crítica tecida com humor e ironia, expondo sua contra-ideologia.

Exemplo:

“Salários têm melhores reajustes em 10 anos”

Balanço divulgado pelo Dieese (Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Sócio-Econômicos) mostra que, em 2005, 72% dos reajustes salariais foram maiores do que a inflação, melhor desempenho já constatado.

(Fonte: adaptação de www.pt.org.br)

“Eles conseguem fazer com que seus salários tenham melhores reajustes em 10 anos “

Balanço divulgado pelo Dieese (Departamento de Infâmias, Enrolação e Embute Sem Escrúpulos) mostra que, em 2005, 72% dos reajustes salariais dos políticos foram maiores do que a inflação, maior roubalheira e sem-vergonhice já constatada.

Como se pôde perceber, embora os dois textos mantenham um diálogo entre si, a

paródia subverte o sentido do primeiro, retoma-o para o negar, para o ironizar, caminhando

ao seu lado como se fosse sua imagem invertida. Diferente é a paráfrase, como veremos a

seguir.

31

4.1.2.2. A Paráfrase

O dicionário HOUAISS da Língua Portuguesa (2001, p. 2127) traz as seguintes

conceituações para termo:

Paráfrase: (1)sf. interpretação ou tradução em que o autor procura seguir mais o

sentido do texto que sua letra: metáfrase; (2) interpretação, explicação ou nova apresentação

de um texto que visa torná-lo mais inteligível ou que sugere novo enfoque para o seu sentido.

(...)

Sant’Anna (opus cit, p. 17) afirma que o termo para-phrasis (que já no grego

significava continuidade ou repetição de uma sentença) pode ser considerada, grosso modo,

uma reafirmação, por meio de outras palavras, do mesmo sentido de uma obra escrita, ou seja,

pode-se considerar a paráfrase a tradução ou a transcrição de um texto primitivo.

Nesse sentido, Derrida (2002, p. 62) ensina que o tradutor deve resgatar, absolver,

resolver o texto original e quando “cria” é como um pintor que “copia” seu

“modelo”Benjamin (1996, p. 108) disse que a natureza engendra semelhanças, bastando para

entender isso, pensar-se na mímica.

Portanto, diferentemente da paródia, a paráfrase é a frase paralela, ou seja, uma

releitura do original. Se na primeira temos a ruptura, a crítica sutil, na segunda ficamos à

frente de uma releitura, de uma reprodução.

Para que possamos compreendê-la melhor, tomemos como exemplo a mesma Canção

do Exílio e vamos ver algumas paráfrases elaboradas a partir dela:

I - Canção do Exílio (Casimiro de Abreu) Se eu tenho de morrer na flor dos anos

Meu Deus! não seja já; Eu quero ouvir na laranjeira, à tarde,

Cantar o sabiá!

Dá-me os sítios gentis onde eu brincava. Lá na quadra infantil;

Dá que eu veja uma vez o céu da pátria, O céu do meu Brasil!

Se eu tenho de morrer na flor dos anos

Meu Deus! não seja já! Eu quero ouvir na laranjeira, à tarde,

Cantar o sabiá!

32

Quero ver esse céu da minha terra Tão lindo e tão azul!

E a nuvem cor-de-rosa que passava Correndo lá do sul!

Quero dormir à sombra dos coqueiros,

As folhas por dossel; E ver se apanho a borboleta branca,

Que voa no vergel!

Quero sentar-me à beira do riacho Das tardes ao cair,

E sozinho cismando no crepúsculo Os sonhos do porvir!

Se eu tenho de morrer na flor dos anos,

Meu Deus! não seja já; Eu quero ouvir na laranjeira, à tarde,

A voz do sabiá!

Quero morrer cercado dos perfumes Dum clima tropical,

E sentir, expirando, as harmonias Do meu berço natal!

As cachoeiras chorarão sentidas

Porque cedo morri, E eu sonho no sepulcro os meus amores

Na terra onde nasci!

Se eu tenho de morrer na flor dos anos, Meu Deus! não seja já;

Eu quero ouvir na laranjeira, à tarde, Cantar o sabiá!

II - Canção do Exílio (Mário Quintana) Minha terra não tem palmeiras

Minha terra não tem palmeiras... E em vez de um mero sabiá,

Cantam aves invisíveis Nas palmeiras que não há.

III - Canção do Exílio (Mário de Andrade} Não permita Deus que eu morra

Sem que volte pra São Paulo Sem que veja a Rua 15

E o progresso de São Paulo

André (1988, p.111) assevera que muitas são as formas como utilizamos a paráfrase

no texto acadêmico:

a) podemos reproduzir, com outras palavras, o mesmo pensamento do texto, seguindo a

ordem do discurso original;

33

b) podemos reproduzir o texto, com outras palavras, mas buscando esclarecer, para os

leitores de outro nível (nesse caso, portanto, motivada pelos objetivos), ou vocábulos ou

expressões que julgamos importante elucidar;

c) Podemos, ao reproduzir o texto, ampliar as informações sobre ele, seu autor, a obra, o

estilo, etc; na medida em que essas informações sejam cabíveis e relevantes para sua

melhor compreensão;

d) Podemos, finalmente, fazer um decalque, ou seja, seguindo a estrutura do texto original,

substituir a idéia inicial por outra que com ela esteja associada.

Assim, podem ser produzidos diversos tipos de textos acadêmicos, como fichamentos,

resumos e resenhas de textos, como veremos a seguir.

4.1.2.3 A Estilização

A palavra estilização deriva de estilo que de acordo com HOUAISS (opus cit., p.

1254) significa o modo pelo qual um indivíduo usa os recursos da língua para expressar,

verbalmente ou por escrito, pensamentos, sentimentos, ou para fazer declarações,

pronunciamentos, etc.

Então, Sant’Anna (opus cit.) define estilização, uma forma de tomar aquele estilo de

outrem, estabelecendo um desvio tolerável, produzindo um meio do caminho entre a paródia e

a paráfrase.

Para Fiorin (opus cit.), A estilização é a reprodução do conjunto dos procedimentos do “discurso de outrem”, isto é, do estilo de outrem. Estilos devem ser entendidos aqui como o conjunto das recorrências formais tanto no plano da expressão quanto no plano do conteúdo (manifestado, é claro) que produzem um efeito de sentido de individualização. (BERTRAND, 1985, p. 412)

Esclarece ainda Fiorin, que a estilização pode ser polêmica ou contratual. Entendemos

que estilização, em sentido stritus, pode ser uma forma de alusão já que ao citar, temos uma

menção ao discurso de outrem, de maneira indireta, ou seja, por meio da utilização do estilo

do texto de origem.

Vamos ver agora, a estilização que Murilo Mendes elaborou a partir da Canção de

Exílio de Gonçalves Dias:

34

Canção do Exílio Minha terra tem macieiras das Califórnia

onde cantam gaturamos de Veneza. Os poetas da minha terra

são pretos que vivem em torres de ametista, os sargentos do exército são monistas, cubistas, os filósofos são polacos vendendo a prestações.

A gente não pode dormir com os oradores e os pernilongos.

Os sururus em família têm por testemunha a Gioconda. Eu morro sufocado em terra estrangeira.

Nossas flores são mais bonitas nossas frutas mais gostosas

mas custam cem mil réis a dúzia. Ai quem me dera chupar uma carambola de verdade

e ouvir um sabiá com certidão de idade!

Que elementos no texto acima nos indicam tratar-se de uma estilização? Ao

aludir ao texto de Gonçalves Dias, o autor manteve, em vários momentos, a mesma

construção sintática do texto de origem.

Ex. Sujeito + Verbo Transitivo Direto + Objeto Direto (Oração Principal):

Minha terra tem palmeiras

Minha terra tem macieiras da Califórnia.

Oração Subordinada Adjetiva:

Onde canta o sabiá

Onde cantam gaturamos de Veneza.

Além disso, é mantido o presente do indicativo e, quanto ao léxico, observamos que

o texto de Murilo Mendes insere o cotidiano no esquema da nostalgia e o efeito poético de

distanciamento do modelo que obtém, não elide, contudo, a reverência - irônica é verdade - à

matriz da saudade nacional, tornando-se, ao mesmo tempo, polêmico e contratual.

4.1.2.4 A Apropriação

Sant’Anna (opus cit.) ensina que essa forma de intertexto é bastante recente na crítica

literária e chegou à literatura por meio das artes plásticas, especialmente pelas experiências

35

dadaístas. Também conhecida como Assemplage (reunião, agrupamento), é muito próxima da

colagem, ou seja, trata-se da reunião de materiais diversos para a composição de algo.

Embora recente seu estudo, essa técnica é, de acordo com o autor, antiqüíssima, pois

usa de uma artifício muito conhecido na elaboração artística: o deslocamento que, por meio

do desvio, provoca um estranhamento.

A apropriação pode ser de dois tipos:

a) de primeiro grau: quando é o próprio objeto que entra em cena;

b) de segundo grau: quando ele é representado, traduzido para um outro código.

O chargista e humorista Caulus fez o sabiá voar dos versos saudosistas para a denúncia

ecológica, no grafismo leve e tocante do exílio de sua própria palmeira:

Fonte: www.comcienci0a.br/carta/migracoes

Ou seja, o artista apropriou-se do original e o transpôs para outro código, fazendo

surgir, como disse Maserani (1995, p.94) um novo texto. Nesse sentido, podemos dizer que,

ao fazer uso da apropriação, o artista está querendo desarrumar, inverter, interromper a

normalidade cotidiana e chamar a atenção para alguma coisa. (Sant’Anna, opus cit. p.45)

José Paulo Paes, no melhor estilo do sintetismo anti-discursivo das grandes

vanguardas modernistas, fez o resumo da poesia, despojando-a de acessórios:

36

Lá ? Ah !

Sabiá... Papá... Maná... Sofá... Sinhá...

Cá ? Bah !

Estudando os quatro elementos revistos acima, Sant’Anna uniu-os em dois conjuntos,

chegando à seguinte co-relação.

Paráfrase Paródia

Estilização Apropriação

(Conjunto das similaridades) (Conjunto das diferenças)

Agora, veremos como esses elementos interagem na construção do texto acadêmico.

37

5. O TEXTO ACADÊMICO

Os textos produzidos no mundo acadêmicos podem ser feitos ora por meio da

similaridade, ora da diferença. Veremos como se comportam e como produzir: o fichamento,

o resumo e a resenha.

5.1. O FICHAMENTO

Para que fichemos qualquer obra, é necessário, antes de tudo, uma leitura atenta

daquilo que se deseja fichar. Ruiz (1980, p.70) aconselha: Não basta ir às aulas para garantir pleno êxito nos estudos. É preciso ler e, principalmente, ler bem. Quem não sabe ler, não saberá resumir, não saberá tomar apontamentos e, finalmente, não saberá estudar.

Então para que façamos um bom fichamento, é preciso seguir algumas etapas:

a) ler atentamente uma primeira vez o texto na íntegra, grifando as palavras

desconhecidas e as procurando no dicionário;

b) ler uma segunda vez, munidos com lápis, para sublinhar os trechos mais importantes.

Andrade e Henriques (1992) informam que é importante sublinhar um texto, para:

a) assimilá-lo melhor;

b) memorizá-lo;

c) preparar uma revisão rápida do assunto;

d) aplicar em citações;

e) resumir, esquematizar ou fichar.

De acordo com esses autores, a técnica de sublinhar compreende, depois das leituras

sugeridas,

a) identificação da idéia-núcleo de cada parágrafo;

b) indicação com uma linha vertical colocada à margem, nos tópicos mais importantes;

38

c) colocação de um ponto de interrogação à margem do texto, para indicar casos de

discordância e as passagens obscuras;

d) leitura do que foi sublinhado para ver se há sentido;

e) reconstrução do texto, tomando os trechos sublinhados como base.

Os autores também recomendam que há de se sublinhar o estritamente necessário,

evitando-se argumentações, exemplificações, citações, etc.

Depois desse primeiro passo, procede-se, então, ao fichamento. Hoje, com a facilidade

do computador, podemos utilizar uma pasta especialmente aberta para salvar este tipo de

documento. Quem não dispõe desse recurso, deve usar fichas, vendidas em papelaria em três

formatos: 7,5 x 12,5; 10,5 x 15,5 e 12,5 x 20,5. A de tamanho médio, no nosso ponto de

vista, é a ideal, porque cabe numa caixa de sapatos, por exemplo, se a quisermos arquivar.

Devemos utilizar uma ficha (ou uma página de computador) para cada tópico ou

assunto, cuidadosamente anotados. Deve-se também evitar escrever no verso das fichas, por

uma questão de praticidade.

A estrutura da ficha deve ser a seguinte:

a) cabeçalho, com a identificação do assunto (título geral, título específico, número di

título, etc)

b) indicação da fonte de onde se extrai o fichamento, de acordo com as normas da

ABNT.

c) corpo da ficha, compreendendo anotações ou comentários.

Exemplo:

Título geral (da obra) Título específico (do capítulo)(da ficha)

Fonte bibliográfica: (de acordo com a ABNT)

Corpo: (ASSUNTO)

39

De acordo com os propósitos, as fichas podem ser:

a) Bibliográfica: a que contém, além da bibliografia, um pequeno comentário da obra,

ou de parte da obra.

Exemplo:

A inter-ação pela linguagem Introdução:

As diferentes concepções de linguagem

N° 1.0

KOCK, Ingedore Villaça. A inter-ação pela linguagem. São Paulo: Contexto, 1997

No capítulo introdutório desta obra, a autora discorre a respeito das várias concepções de

linguagem, apondo a Lingüística do Sistema com a Lingüística do Discurso.

b) De citação: a que contém a transcrição fiel de trechos ou frases da obra consultada.

Normalmente, aquelas grifadas como as mais importantes na instância da leitura. Na

citação deve-se observar:

a) o uso de aspas;

b) a referência da página de onde foi retirada a citação;

c) o uso de (...) para marcar que o trecho foi recortado.

Exemplo:

A inter-ação pela linguagem Introdução:

As diferentes concepções de linguagem

N° 1.0

KOCK, Ingedore Villaça. A inter-ação pela linguagem.– São Paulo: Contexto, 1997

“A linguagem humana tem sido concebida, no curso da História, de maneiras bastante

diversas, que podem ser sintetizadas em três principais:

a) como representação (...)

b) como instrumento (...)

c) como forma (....)”

(p.9)

40

d) De resumo: é a que contém uma paráfrase do trecho lido. O resumo pode ser

apresentado como esboço ou como sumário.

1) como esboço: apresenta a mesma estrutura do texto citado, com as palavras-

chave, títulos e subtítulos, procedendo-se a um resumo dele.

2) Como sumário: topicalizam-se os itens julgados mais relevantes.

Exemplos:

a) Como sumário:

A inter-ação pela linguagem Introdução:

As diferentes concepções de linguagem

N° 1.0

KOCK, Ingedore Villaça. A inter-ação pela linguagem. São Paulo: Contexto, 1997

Linguagem humana: História: concepção de três maneiras bastante diversas:

a) como representação (...)

b) como instrumento (...)

c) como forma (....)”

(p.9)

b) como esboço:

A inter-ação pela linguagem Introdução:

As diferentes concepções de linguagem

N° 1.0

KOCK, Ingedore Villaça. A inter-ação pela linguagem. São Paulo: Contexto, 1997

A autora, nesta Introdução, apresenta, sintetizadas, três das principais maneiras como vem

sendo concebida a linguagem humana, na História, ou seja, como representação, como

instrumento e como forma.

(p.9)

41

De toda maneira, quando fazemos um fichamento, estamos fazendo uma pequena

paráfrase do texto.

5.2. RESUMO

Resumir é, de acordo com André (1988, p.105) reproduzir em poucas palavras o que

o autor expressou amplamente. Trata-se de um treinamento essencial para quem deseja

comunicar-se de forma organizada, pois quem resume um texto é levado a depreender o que

lhe é essencial e o que lhe é secundário.

Além disso, resumir um texto ensina a relacionar as idéias, entender com clareza o

assunto, perceber o sentido próprio do figurado que os vocábulos podem adquirir numa

produção textual.

Para se realizar um resumo, seguem-se os mesmos passos do fichamento, isto é, antes

de tudo:

a) ler atentamente uma primeira vez o texto na íntegra, grifando as palavras

desconhecidas e as procurando no dicionário;

b) ler uma segunda vez, munidos com lápis, para sublinhar os trechos mais importantes.

E mais:

c) ficar atento para as palavras de ligação que organização de forma lógica o raciocínio,

tais como: assim sendo, além do mais, pois, em decorrência, etc. e os que modificam

os enunciados: mais que tudo, não, nunca, etc.

Quando temos de resumir um texto, um capítulo de um livro, por exemplo, o ideal é

que o façamos por partes, ou seja, que elaboremos o resumo de cada capítulo. Quando se

tratar do resumo de um livro, o interessante seria que o procedêssemos por capítulos.

O bom resumo deve, de acordo com André (opus cit, p. 106), conservar os traços do

estilo do texto original, como por exemplo, nível de linguagem, ironia, humor, vivacidade,

etc. Por outro lado, não devemos opinar ou criticar: o procedimento é de resumo e não de

resenha, não de interpretação.

42

Quanto à extensão, normalmente essa é estabelecida por quem o faz, ou por quem o

solicita, dependendo dos objetivos visados, mas normalmente, um bom resumo contém de 10

a 15 por cento do texto original.

Exemplo de resumo:

a) Texto:

A escola e sua finalidade Hildebrando A. André A finalidade da escola é educar e ensinar. Ensinar é ministrar conhecimento e experiências. “A educação é ação formadora da personalidade humana, que faculta ao indivíduo alcançar, com sua atividade, a meta de sua vida”. A educação e o ensino devem ter um escopo: formar integralmente o homem (no espírito e no corpo) a fim de que consiga, na luta de todos os dias, viver feliz e satisfeito por saber que trilha o melhor caminho com os melhores recursos, dentro do bem-estar da comunidade. Embora a função específica da escola seja ensinar, cumpre-lhe também, e por lei, educar. A escola que não educa é perniciosa.

b) A leitura atenta e a técnica de sublinhar as palavras-chave:

A finalidade da escola é educar e ensinar. Ensinar é ministrar conhecimento e experiências. “A educação é ação formadora da personalidade humana, que faculta ao indivíduo alcançar, com sua atividade, a meta de sua vida”. A educação e o ensino devem ter um escopo: formar integralmente o homem (no espírito e no corpo) a fim de que consiga, na luta de todos os dias, viver feliz e satisfeito por saber que trilha o melhor caminho com os melhores recursos, dentro do bem-estar da comunidade. Embora a função específica da escola seja ensinar, cumpre-lhe também, e por lei, educar. A escola que não educa é perniciosa.

c) Resumo por parágrafos: 1°) A finalidade da escola é educar: auxiliar o indivíduo alcançar seu objetivos; e ensinar: ministrar conhecimento e experiências. 2°) A educação e o ensino: formar integralmente o homem. 3°) Embora a função da escola seja, antes de tudo, ensinar: tem também (por lei), de educar. A escola que assim não age é perniciosa.

d) Redação final:

A finalidade da escola é educar, ou seja, auxiliar o indivíduo a alcançar seu objetivos; e ensinar, isto é, ministrar conhecimentos e experiências. A educação e o ensino devem formar integralmente o homem. Embora a função da escola seja, antes de tudo, ensinar, tem ela também, e por lei, de educar. A escola que assim não age é perniciosa.

43

Quem desejar, pode colocar introduções no resumo:

No texto A escola e sua finalidade, de Hildebrando A. André, publicado no livro

Curso de Redação, discute a finalidade da escola. Nele o autor afirma que..... (...)

Como já dissemos, resumir um texto é fazer, também, uma pequena paráfrase dele.

5.3. A RESENHA

Várias são as definições de resenha: É uma síntese geral, informativa e avaliativa sobre livros, capítulos, artigos das mais diferentes áreas do conhecimento e que serve, por conseguinte, para orientar as opções e o interesse do leitor(....) (BARROS & LEHFELD, 2000, p.22) (...) é uma descrição minuciosa que compreende certo número de fatos: é a apresentação do conteúdo de uma obra. Consiste na leitura, no resumo, na crítica e na formulação de um conceito de valor do livro feitos pelo resenhista. (LAKATOS & MARCONI, 1992, p.89) (...) é uma síntese ou um comentário dos livros publicados feito em revistas especializadas das várias áreas da ciência, das artes e da filosofia. (SEVERINO, 2000, p. 131)

Dentre as citadas, depreendemos em comum o fato de esse tipo de trabalho

tratar-se de uma síntese, ou resumo avaliativo, não importando o nome que se dê a ela:

resenha crítica (que nos parece redundante), resenha descritiva, ou, simplesmente, resenha.

Saber fazer uma boa resenha é bastante importante na vida acadêmica, pois é através

delas que se têm o primeiro contato com um livro, um texto, um filme, etc. Uma resenha bem

elaborada pode fazer o leitor decidir sobre a compra de uma determinada obra, a assistência

de um filme específico.

Severino (opus cit) informa que há dois tipos de resenha: a informativa, aquela que

apenas expõe o conteúdo do texto; e a crítica, aquela por meio da qual manifestamos nosso

critério de valor. Já mencionamos alhures que, em vista do que foi conceituado relativamente

ao termo, julgamos ser a resenha eminentemente crítica, podendo, isso sim, somar-se uma

descrição, resultando a resenha descritiva. Vamos ver uma de cada vez.

44

5.3.1 Resenha crítica

Como também já mencionamos, não julgamos ser necessário o uso de crítica à

resenha, pois lhe cabe por definição esse papel, chamemo-la simplesmente resenha. Então

vejamos.

Sua organização é lógica. Começa-se com um cabeçalho, onde são transcritos os

dados bibliográficos da obra. Segue-se um parágrafo com uma breve informação sobre o autor

do texto. Na seqüência, deve-se introduzir o texto, com um parágrafo que sintetize a obra,

escrito de forma bastante objetiva e contendo seus pontos principais e forma de organização.

Nos parágrafos subseqüentes, far-se-á uma síntese de cada capítulo da obra (ou

parágrafo do texto), parte por parte, destacando-se o assunto, os objetivos, a idéia central, os

principais passos do raciocínio do autor. (SEVERINO, opus cit. p.132)

O texto deve ser finalizado com um comentário crítico elaborado pelo resenhista,

contendo os aspectos positivos e os negativos do objeto resenhado. Também é possível que,

durante a apresentação da síntese, já se façam comentários críticos.

Como o objetivo da resenha é apontar, de maneira direta e cortês, o assunto discutido

no texto, como: assunto, forma de abordagem, teoria, profundidade teórica, etc, mostrando

qualidades e falhas de informação, não se deve tecer comentários sobre o autor do texto.

Para um estudante de Curso Superior, a elaboração de resenhas favorece uma melhor

compreensão da matéria e é um exercício de síntese de muito valor.

5.3.1.1. Requisitos básicos para se resenhar

Para a elaboração de um texto valoroso, deve-se:

a) ter conhecimento da obra;

b) ter poder de síntese;

c) imprimir um olhar crítico sobre ele;

d) manter-se fiel ao pensamento do autor.

5.3.2. Resenha descritiva

Além do já visto, na resenha descritiva deve-se somar um parágrafo descritivo da

obra, tais como:

a) editora;

45

b) número de edição;

c) páginas;

d) se obra traduzida, o nome dos tradutores,

e) organização.

46

6. O TEXTO COMERCIAL

Como todo texto, o comercial é o veículo de comunicação no mundo dos negócios. É

através dele que uma empresa veicula suas idéias, suas ideologias, sua forma de contatar os

clientes. O texto comercial reflete, portanto, a imagem daquele que dele faz uso, para um

público determinado e previamente conhecido.

Seu campo de ação, portanto, é restrito, mas, se bem elaborado, é um veículo de

comunicação bastante eficaz. São vários os gêneros do texto comercial: cartas, relatórios,

informes, comunicados, etc.

Devido à especificidade desse trabalho, trataremos do primeiro: cartas comerciais.

6.1. AS CARTAS COMERCIAIS

Apesar do grande desenvolvimento tecnológico que temos assistido recentemente, a

carta comercial continua sempre um importante veículo de comunicação entra empresas.

Se ela Sem desprezar os seus aspectos imediatistas, for vazada em linguagem precisa e adequada, dotada de ritmo frasal, isenta dos bolorentos lugares-comuns, criativa, distante de estereótipos ou dos modelos pré-fabricados, dispostas suas frases de modo tal que o clímax da mensagem se coloque dentro do ângulo de visão do leitor, (MARTINS DE BARROS, 1977, pág.17)

surtirá grande efeito a quem se dirigir.

Uma carta comercial estará bem escrita se:

a) não for verborrágica;

b) não for rastejante;

c) não for vazada em vocabulário difícil ou frases arrevesadas;

d) não estiver em linguagem descuidada;

e) não estiver com aspecto também descuidado.

Isto quer dizer que uma boa carta comercial deve ter como características:

47

a) originalidade;

b) persuasão;

c) afabilidade;

d) boa apresentação;

e) precisão de linguagem e redação.

Martins e Barros (opus cit., pág. 25) ensinam: o bom redator de empresa tem de fixar esses aspectos(...) Uma carta bem escrita, bem apresentada, inovada, não é só testemunho de finesse, mas (também e sobretudo) um extraordinário agente de fixação da imagem da empresa emissora.

6.1.1. A composição da carta comercial

São as seguintes as partes que compõem, normalmente, uma carta comercial:

a) Data

b) Destinatário (completo: nome, endereço, cep, cidade, estado).

c) Evocação

d) Assunto

e) Despedida

f) Assinatura

Exemplo:

48

São Paulo, 11 de fevereiro de 2007 Ilmo. Sr. José Roberto da Silva Diretor-Gerente das Indústrias Silva Ltda. Rua Roberto, 32 São Paulo – Capital CEP – 00000-010 Prezado senhor, De acordo com a proposta apresentada por V.Sª à nossa empresa, solicitamos enviar, com a máxima urgência, os produtos a seguir relacionados, de acordo com o catálogo de janeiro de 2007, conforme o especificado:

Código Quantidade Especificações 232 20 Azul celeste 922 15 Preto 46 90 Amarelo

Informamos que o pagamento dessa mercadoria será feito contra entrega, em nosso escritório, Rua Antonia, 22 – São Paulo, Capital. Atenciosamente, Márcia A G Molina Diretora do Departamento de Compras.

49

7. OS E-MAILS

7.1. INTERNET

Lembrando, quando falamos em Internet, estamos nos referindo à maior rede de

computadores do mundo. Melhor, não só uma rede, de uma das redes, a responsável pela

troca de mensagens, aulas virtuais, comércio, informações diversas, etc.

Para que possamos acessá-la, são necessários os provedores, isto é, o meio que

permite a comunicação entre computadores do mundo todo. Dentre eles há os gratuitos (ig,

yahoo, etc) e os pagos ( uol, globo, terra, etc).

Entra-se na rede por meio de login e senha. Cada usuário cria os seus. Dentre os

serviços oferecidos por esses provedores, há o correio-eletrônico

(Eletronic-maile-mail).

7.2. O E-MAIL PROPRIAMENTE DITO

O e-mail é um texto que une características tanto do escrito quanto do oral. Como

texto escrito, pode apresentar as seguintes características:

Ser descontextualizado;

Autônomo;

Explícito;

Condensado;

Planejado;

Preciso;

Normatizado;

Completo.

50

Devido à rapidez com que ocorre a comunicação, pode apresentar em algumas

circunstâncias as seguintes características do texto oral:

Ser contextualizado;

Dependente;

Implícito

Redundante;

Não-planejado;

Impreciso;

Não-normatizado;

Fragmentado

Então, como dissemos, embora pareça um texto oral, trata-se de um texto escrito, ou

seja, há sempre nele a possibilidade de planejamento e de refacção. Devemos nos lembrar

sempre que, como qualquer texto, traça a imagem de quem o produz, portanto, ao escrever e-

mails, garanta:

• Que o interlocutor entenda a mensagem da maneira como você deseja;

• Evite uso não convencionalizado de abreviaturas;

• Uso de letras maiúsculas, a não ser que deseje expressar gritos.

Atente para:

a) que tipo de e-mail estou passando?

b) para quem o estou enviando?

c) que variante lingüística utilizar?

Veja um exemplo de e-mail pessoal de difícil leitura: (embora emissor e receptor

conheçam o assunto de que estão tratando, a falta de acentos e a não utilização de pontuação,

dificultou a decodificação da mensagem): E aiii Nana ohhh aki ta o trabalho antes que eu me esqueça sinceramente nao manda pra aquelas folgadas hahahah ok?1 tao folgando muito agora em relacao ao outro folgado coloca o nome dele so mais desta vez mas nem fala deixa ele pq ele viu qdo eu e o Thiago estavamos fazendo ok?! e vai ficar chato pro meu lado pq ele ate disse que tava no trabalho lembra que ele ate ia digitar mas a gente que nao confia entao hahaha entao os integrantes do grupo sao eu vc thi, lu, roger, e o mansa as demais tem o jorge q e bobao e faz pra elas!!!! hahaha ok?! bjokas se cuida T+ vê se melhora ta?!

51

7.2.1 E-mails comerciais

Ao escrever esse tipo de e-mail, deve-se atentar para as seguintes questões:

• quem sou eu (qual posição ocupo na empresa)?

• quem é meu interlocutor (qual posição ocupada por ele)?

• que o tipo de correspondência que esse e-mail veiculará? (carta, relatório,

informativo, etc)

Sempre, nesse caso, deverá se primar pela:

• Formalidade;

• Correção gramatical;

• Padrão culto;

• Seguir o modelo do gênero específico (ou seja, as propriedades do relatório, da

carta, do informativo, etc).

Por exemplo, se se tratar de uma carta comercial, o e-mail terá as mesmas partes de

que ela se compõe: evocação/desenvolvimento/conclusão/assinatura

Exemplo: Profa. Marcia Molina,8 Estamos novamente em contato, agora com o livro Lingua(gem), Texto, Discurso: entre a reflexão e a prática - vol.1 organizado pela Profa. ......... Para dar continuidade ao livro, precisamos de sua assinatura no Contrato de Cessão de Direitos Patrimoniais de autor a comissão organizadora. Em anexo segue o contrato que deverá ser assinado, em 3 (três) vias e devolvido à Editora para o endereço abaixo: Editora YH Lucerna ltda A/c ..................... Rua Colina nº 60 sala 209 Jardim Guanabara CEP 21931-380 Rio de Janeiro - RJ Qualquer dúvida ou esclarecimento, favor entrar em contato. Grata, Luzia

8 Observar que não há a data, porque os e-mails já vêm datados.

52

Para garantir o envio e a recepção do e-mail, é sempre prudente salvar uma cópia em

Itens Enviados, pedir Confirmação de Leitura e mandar cópias a quem de direito.

7.2.2. E-mails pessoais

Ao escrevermos e-mails pessoais, devemos nos lembrar sempre, por mais amigos que

sejamos do destinatário, que as palavras são frias, por isso, podem ser mal compreendidas,

cuidado então ao escrever; o texto sempre traça nossa imagem, como já dissemos

anteriormente, usar uma linguagem clara, com correção gramatical e abreviações

convencionalizadas, é o mais prudente. A formatação agora não é tão rígida.

Exemplo de troca de correspondência entre dois amigos:

1° Contato muié, kd vc?? tudo bem? estou com saudade Resposta E donde cê tá ???? Cheguei. Interessante a camiseta. Pintura estranha. Quem a fez ? ADOOOOOOOOOOOOOOOREIIIIIIIIIIII a pimenta. Ontem já fiz risoto com ela. Beijo.

53

CONSIDERAÇÕES FINAIS

Como se pôde perceber, a atividade de escritura – em qualquer de suas modalidades –

exige cuidado e atenção. Quanto mais atento o escritor, mais eficácia terá em sua produção.

Você, estudante universitário, procure ler bastante, ler tudo, ler o mundo que está à sua

volta para que tenha repertório e, atentando para a escritura de textos modelares, atinja

correção gramatical.

Um bom trabalho e conte comigo para o que se fizer necessário.

Um abraço,

Márcia A G Molina

54

REFERÊNCIAS AMARAL, E.; ANTÔNIO, S. Novíssimo Curso Vestibular. São Paulo: Nova Cultural, 1991

ANDRÉ, H.A. Curso de Redação. São Paulo: Moderna, 1988.

BAKHTIN, M. Marxismo e Filosofia da Linguagem. São Paulo: HUCITEC, 1988 [1922].

BARROS, A.J.S. & LEHFELD, N.A.S. Fundamentos de Metodologia Científica. São

Paulo: Makron Books, 2000.

BENJAMIN, W. Obras escolhidas (Magia e Técnica – Arte e Política). São Paulo:

Brasiliense, 1996.

BRANDÃO, H.N. Introdução à análise do discurso. Campinas: Editora Unicamp, s/d.

CARVALHO, R. P. “GAGO, José María Paz. La estilística. Madrid, Sintesis S.A., 1993, 208

p.” In: FILOLOGIA E LINGÜÍSTICA. N. 2, São Paulo: Humanitas, 1998, p. 241-246.

DERRIDA, J. Torres de Babel. Belo Horizonte, Editora UFMG, 2002.

ECO, H. Pós-escrito a O Nome da Rosa.Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1985.

FÁVERO, L. L. Paródia e Dialogismo. In: BARROS, D. L. P.; FIORIN, J. L. (org)

Dialogismo, Polifonia e Intertextualidade. São Paulo: Edusp. 2003.

FÁVERO, L. L. Coesão e Coerência Textuais. São Paulo: Ática, 1999.

FIORIN, J. L. Polifonia textual e discursiva. In: BARROS, D. L. P.; FIORIN, J. L. (org)

Dialogismo, Polifonia e Intertextualidade. São Paulo: Edusp. 2003.

FOUCAULT, M. A palavra e as Coisas: uma Arqueologia das Ciências. 5. ed. São Paulo:

Martins Fontes, 1990.

GUIMARÃES, E. Articulação do Texto. São Paulo: Ática, 2004.

JAKOBSON, R. Lingüística e Comunicação. São Paulo: Cultrix, s/d.

KOCK, I.V. A intertextualidade como critério de textualidade.In: FÁVERO, L. L.;

PASCHOAL, M. S. Z. Lingüística Textual, Texto e Leitura. São Paulo:EDUC, 1986.

KOCK, I.V. e TRAVAGLIA, L.C. A Coerência Textual. São Paulo: Contexto, 1990.

KOCK, I.V. A Interação pela Linguagem. São Paulo: Contexto, 1997.

55

KOCK, I.V. Coesão Textual. São Paulo: Contexto, 1992.

KRISTEVA, J. Introdução à semanálise. São Paulo: Perspectiva, 1974.

LAKATOS, E. M. & MARCONI, M. A. Metodologia do Trabalho Científico. São Paulo:

Atlas, 1992.

MAGALHÃES, R. Técnicas de Redação - A Recepção e a Produção de Texto. São Paulo:

Editora do Brasil, S/A, s/d.

MARTINS DE BARROS, E. Correspondência Comercial Técnicas e Modelos. São Paulo:

Atlas, 1977.

MASERANI, S. O intertexto escolar sobre leitura, aula e redação. São Paulo: Cortês,

1995.

PAULINO, WALTY, I. e CURY, M.Z. Intertextualidade: Teoria e Prática. Belo Horizonte:

Lê, 1997.

PLATÃO, F. e FIORIN, J. L. Lições de Texto: Leitura e Redação. São Paulo: Ática, 1997.

RIEGEL, M. Iniciação à Análise Lingüística. Rio de Janeiro, s/d.

RUIZ, J.A. Metodologia Científica . São Paulo: Atlas, 1990.

SANT’ANNA, A. F. Paródia, Paráfrase e Cia. São Paulo: Ática, 1988.

SEVERINO, J. A. Metodologia do Trabalho Científico. São Paulo: Cortez, 2001.

VAL, M.G.C. Redação e textualidade. São Paulo: Martins Fontes, 1999.

VANOYE, F. Usos da Linguagem. São Paulo: Martins Fontes, 1998.

Outras fontes:

Dicionários:

Míni Houaiss – Dicionário da Língua Portuguesa – Rio de Janeiro: Objetiva, 2003.

Dicionário Houaiss de Língua Portuguesa – Rio de Janeiro: Editora Objetiva Ltda., 2001.

Revistas:

Veja São Paulo, n. 32, de 28 de dezembro de 2005, São Paulo: Editora Abril, p. 92)

56

Sites:

www.comcienci0a.br/carta/migracoes

http://www.dicionariompb.com.br/default.asp)

http://www.comciencia.br/especial/drogas/drogas01.htm

http://letras.terra.com.br/

http://marisa-monte.letras.terra.com.br/letras

http://vagalume.uol.com.br/adriana-calcanhoto/oito-anos.html

http://64.233.187.104/:tremdascoresletra.caetanovelosoletrasdemusicas.lyrics.mus.br/

ajudaram-me muito no meu trabalho ! Muito obrigada!
precioso este texzto, ajuda a entender e trabalhar pessoalmente com o texto, dominando-o
Esta é apenas uma pré-visualização
3 mostrados em 60 páginas