Cultura da cebola informe, Manual de Botânica e Agronomia. Centro Universitario Belas Artes de Sao Paulo (FEBASP)
JUNIORDOCAVACO
JUNIORDOCAVACO2 de maio de 2015

Cultura da cebola informe, Manual de Botânica e Agronomia. Centro Universitario Belas Artes de Sao Paulo (FEBASP)

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Revista Informe Agropecuário com sistema integrado de produção da cultura da cebola.
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In forme Agropecuár io , Be lo Hor izonte , v .23 , n .218 , p .1 -4 , 2002

1Cultura da Cebola

IA - Qual a situação da cultura da cebola no país e quais as principais dificul- dades para o crescimento da cultura e para sua participação no mercado externo?

Paulo de Melo - O panorama da ceboli- cultura brasileira é bem diverso, uma vez que a produção é feita em regiões geográ- ficas com características climáticas, econô- micas e sociais distintas. Uma coisa elas têm em comum, a predominância de pe- quenos e médios produtores. Sem dúvida, é uma atividade tipicamente desenvolvida em regime de economia familiar. Esse é um ponto muito preocupante, pois os pro- dutores continuam adotando sistemas de cultivo ineficientes e defasados sob o ponto de vista tecnológico e, conseqüentemen- te, a produtividade obtida é muito baixa, estando por volta de 10-12 t/ha. Esses produtores estão hoje, lamentavelmente, sem assistência técnica e alijados dos fi- nanciamentos para custear suas lavouras. Não podemos deixar de mencionar, entre- tanto, que em algumas regiões produtoras têm ocorrido progressos significativos dos níveis de produtividade. Destacamos as zonas de cultivo do Alto Vale do Itajaí, em Santa Catarina, e de Irecê, na Bahia, onde os produtores estão conseguindo cerca de 20 e 40 t/ha, respectivamente. Nas zo- nas de produção do Rio Grande do Sul e do Vale do São Francisco, no Nordeste, temos as mais baixas produtividades de cebola do país. A mudança dessa realida- de é muito complexa e os pontos de estran-

Pesquisa nacional sobre cebola deve ser prioridade para o governo

gulamento contemplam aspectos sociais, políticos e técnicos. De outro lado, surgi- ram, nos últimos anos, novas fronteiras de produção na Chapada Diamantina, Bahia, em Cristalina, no Cerrado goiano e em São Gotardo, em Minas Gerais. As condições edafoclimáticas dessas novas regiões agrí- colas são altamente favoráveis à cultura da cebola. As lavouras ocupam extensas áreas irrigadas com pivô central, a semea- dura é feita com máquinas de precisão e o manejo é todo mecanizado. Os níveis de produtividade obtidos com o uso de híbri- dos têm superado 65 t/ha e o custo de pro- dução é inferior ao das regiões tradicionais de cultivo. Além disso, o produto oferta- do ao mercado é de boa qualidade e devi- damente padronizado, competindo com a cebola argentina. A expansão da cultura da cebola nessas novas áreas certamente implicará na perda de poder de compe- tição das regiões tradicionais, a não ser que eles consigam aumentar o rendimento e baixar os custos de produção.

Quanto à questão das exportações, as grandes oportunidades estão no mercado norte-americano e no Mercosul. Atual- mente, as remessas de cebola brasileira para o exterior são pouco expressivas. Uma excelente opção de mercado seria a expor- tação de cebolas doces e suaves para os Estados Unidos, a partir de outubro. Nesse caso, as zonas de produção do Nordeste levariam grande vantagem, pois têm con- dições de produzir cebola o ano todo e estão geograficamente mais próximas dos Esta-

O engenheiro agrônomo Paulo César Tavares de Melo é formado pela Universidade Federal da Paraíba, com mestrado em Genética e Melhoramento de Plantas pela Escola Supe- rior de Agricultura “Luiz de Queiroz” (USP-Esalq), em Piracicaba, SP. Atualmente é professor do Departamento de Produção Vegetal da USP-Esalq, tendo exercido também cargos de pesquisa- dor na Empresa Pernambucana de Pesquisa Agropecuária (IPA), na Asgrow do Brasil, professor da Faculdade de Ciências Agronômicas e Veterinárias da Unesp, na disciplina do curso de pós- graduação em Melhoramento de Hortaliças, consultor da FAO-ONU na Costa do Marfim, África, membro titular da Comissão de Avaliação de Projetos do Centro de Horticultura do Instituto Agronômico de Campinas (IAC) e consultor científico do Instituto Interamericano de Cooperação para a Agricultura. Paulo César Tavares de Melo é também responsável pelo lança- mento de diversas cultivares de cebola da série IPA, e de outras hortaliças.

dos Unidos. Portanto, a abertura e a con- quista desses mercados seriam de grande importância para regular a oferta de cebola no mercado interno e também para melho- rar a balança comercial do país.

IA - O Brasil conseguiu reduzir em 77% o volume de cebola importado no pe- ríodo de 1998/2000, quais os fatores que permitiram isto?

Paulo de Melo - As importações caí- ram drasticamente nesse período devido à desvalorização do real diante do dólar ocor- rida em janeiro de 1999, que aumentou de modo considerável os preços do produto argentino. Todavia, é importante observar que, desde 2001, as importações da Argen- tina voltaram a crescer com a desvalori- zação do peso perante o dólar. Em 2002, segundo estimativas do Cepea da USP- Esalq, cerca de 120 mil toneladas de ce- bola argentina foram comercializadas no Brasil. No ano em curso, em vista das que- bras significativas das safras dos estados de Santa Catarina e do Rio Grande do Sul, é provável que as importações sejam ainda maiores, para assegurar a oferta do pro- duto no mercado interno em maio-junho. Portanto, é provável que as importações de cebola argentina sejam ampliadas em vista de ter ganho novamente competitividade em relação ao produto nacional. Nesse ce- nário, a palavra de ordem é ser mais efi- ciente para ganhar competitividade. Daí ser imperativo que os produtores brasi- leiros melhorem ainda mais a produtivi-

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2 Cultura da Cebola

dade e a qualidade do produto ofertado e consigam reduzir custos.

IA - De que modo a pesquisa tem apoiado a evolução da produção de cebola no Brasil?

Paulo de Melo - As instituições pú- blicas de pesquisa e ensino deram e con- tinuam dando, apesar das dificuldades, grandes contribuições à cadeia produtiva da cebola em todas as regiões de cultivo do Brasil. Existem exemplos dignos de nota. Na década de 70, a produção de cebola no Vale do São Francisco dependia da varie- dade ‘Chata das Canárias’, importada da Espanha, altamente suscetível ao mal-de- sete-voltas, doença mais limitante na re- gião. Além disso, as perdas pós-colheita do produto constituíam outra grande limi- tação dessa variedade. Então, em 1972, o Instituto de Pesquisas Agronômicas de Per- nambuco (IPA), hoje Empresa Pernam- bucana de Pesquisa Agropecuária, lidera- do pelo saudoso e eminente pesquisador Luiz Jorge da Gama Wanderley, iniciou o Programa de Melhoramento Genético da Cebola, o qual vem sendo executado inin- terruptamente até a presente data. Os re- cursos aplicados nesse Programa propicia- ram a obtenção das cultivares da série IPA, sendo a ‘Valeouro IPA-11’ a última delas. Atualmente esta cultivar, com alto poten- cial produtivo, resistente ao mal-de-sete- voltas e tolerante ao piolho-da-cebola ou tripes, é a mais plantada nos 12 mil hecta- res ocupados pela cultura da cebola no Vale do São Francisco. Esse Programa viabilizou, ainda, a produção comercial de sementes de cebola em condições semi-áridas, uma experiência inédita em todo o mundo. Hoje as sementes das cultivares IPA são pro- duzidas localmente pelo próprio IPA e por produtores credenciados, trazendo econo- mia de divisas para o país. Em São Paulo, não podemos deixar de mencionar as pes- quisas realizadas no Instituto de Genética da USP-Esalq, em Piracicaba, que além da obtenção de cultivares que tiveram mui- to sucesso comercial, a exemplo da ‘Baia do Cedo’ e da ‘Pira Ouro’, viabilizaram a técnica de produção por bulbinhos, até hoje empregada por pequenos e médios pro- dutores de Piedade e de Divinolândia, SP. No Sul, não podemos deixar de destacar o esforço de pesquisa da Empresa de Pesqui- sa Agropecuária e Difusão de Tecnologia

de Santa Catarina S.A. (Epagri), em Santa Catarina, que introduziu variedades sele- cionadas dos tipos ‘Crioula’ e ‘Baia Peri- forme’, adaptadas às zonas de produção do Estado. Na verdade, não foram só as novas cultivares as responsáveis pelo incremento de 80% na produtividade da cebola cata- rinense ao se confrontar os resultados da safra de 1995/1996, que atingiu 10,5 t/ha, com a de 1999/2000, que saltou para 18,8 t/ha. Esse progresso pode ser atribuído, em grande parte, ao uso de tecnologias moder- nas que reduziram custos e que são adequa- das à região de cultivo do Alto Vale do Ita- jaí, tais como irrigação, uso de adubo orgâ- nico, aumento da densidade de plantio e o cultivo mínimo, adotado por cerca de 50% das 12 mil famílias que têm na cultura da cebola sua principal fonte de renda.

IA - Qual a contribuição do melhoramen- to genético da cebola no Brasil para a evolução da cultura em termos de mer- cados interno e externo?

Paulo de Melo - Os programas públi- cos de melhoramento genético, delineados e executados para atender às demandas das regiões produtoras têm contribuído, de forma efetiva, para a geração de cultivares que se tornaram a base para o desenvolvi- mento e sustentação da cebolicultura no Brasil. Lamentavelmente, a situação atual das atividades de pesquisa com o melho- ramento genético de cebola no Brasil não é digna de seus feitos no passado. Dois dos sete programas que existiam (Instituto de Genética da USP-Esalq, Piracicaba, SP; Instituto Agronômico de Campinas, SP) foram interrompidos e os outros cinco so- freram uma drástica redução em suas ativi- dades ao longo da década passada. Desses programas, o da Empresa Pernambuca- na de Pesquisa Agropecuária - IPA-PE, do qual participei entre 1973 e 1986, sobre- vive mesmo enfrentando enormes dificul- dades e conta com apenas um pesquisa- dor, Jonas Araújo Candeia. O programa de pesquisa da Epagri, SC, vem tendo conti- nuidade, mas está desfalcado de pessoal especializado para atender a todas as de- mandas de pesquisa da cultura. O Progra- ma da Embrapa Hortaliças, paralisado há vários anos, vai retomar este ano as pes- quisas com cebola graças à contratação recente de um melhorista, o pesquisador Valter Rodrigues Oliveira. Essa é uma boa

notícia, pois praticamente não contamos mais com pesquisadores atuando no Brasil em programas de melhoramento de cebola no setor público. A título de comparação, em 1981, havia onze melhoristas traba- lhando nos sete programas oficiais de melhoramento em execução. Desse modo, seria salutar que o novo governo tivesse sensibilidade e disponibilizasse recursos para garantir a continuidade dos progra- mas oficiais de pesquisa com cebola, de modo que assegure o lançamento de cul- tivares com maior flexibilidade de adapta- ção e com características requeridas pelo mercado consumidor. O produtor brasi- leiro não pode ficar dependente apenas de pesquisa alienígena de empresas de se- mentes que não levam em consideração as peculiaridades do país nos aspectos agro- ecológicos, econômicos e sociais. Não se deve esperar que essas empresas condu- zam importantes ações de pesquisa, local- mente, sobretudo com hortaliças como a cebola, em que o prazo para o lançamento de uma cultivar ultrapassa 12 anos. Por isso, é imperativo que a pesquisa nacional recupere a sua liderança gerando resul- tados que possam trazer benefícios para toda a cadeia produtiva da cebola e, além disso, preservando a nossa soberania.

IA - Quais as vantagens e desvantagens das cultivares e dos híbridos para os produtores de cebola?

Paulo de Melo - Primeiro, devemos con- siderar que, no Brasil, o uso de sementes híbridas corresponde a 10% - 12% do total da área cultivada com cebola, que atingiu cerca de 65 mil hectares na safra 2002/ 2003. Parece pouco, mas como o preço da semente híbrida, que é 100% importada, chega a ser três a cinco vezes maior que o das variedades comuns e os produtores uti- lizam de 2,0 a 2,5 kg de sementes por hec- tare, acaba tornando-se um dos mercados mais atrativos para as empresas que comer- cializam sementes híbridas de cebola no Brasil. Algo em torno de US$5 milhões em nível de consumidor! Há pouco tempo fiz uma consulta a uma revenda de São José do Rio Pardo, SP, sobre preço de sementes de cebola híbrida e de cultivares nacionais. A diferença é exorbitante: o quilo de semen- tes dos híbridos ‘Superex’, ‘Mercedes’ e ‘Optima’ foi cotado a R$ 860,00, enquanto que o da cultivar comum nacional ‘Alfa

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3Cultura da Cebola

Tropical’ estava custando R$ 310,00. Uma diferença de 280%! Os produtores das zonas paulistas que produzem cebola hí- brida reclamam que após a desvalorização do real perante o dólar, em janeiro de 1999, o preço da semente vem sendo reajustado, em todas as safras, de maneira abusiva. A reclamação dos produtores é proceden- te, pois em 1999 pagaram R$ 280,00/kg de sementes dos híbridos e na safra deste ano estão pagando pelos mesmos híbri- dos R$860,00/kg, um aumento de preço de 307%! Hoje, o gasto com sementes de qualquer híbrido no mercado corresponde a aproximadamente 15% do custo total de produção para o plantio de um hectare de cebola. Esclareço como melhorista com 31 anos de experiência, dos quais 13 foram dedicados ao gerenciamento de programas de pesquisa de uma empresa multinacio- nal do setor sementeiro, que nem mesmo o elevado investimento das empresas em pesquisa para obtenção e desenvolvimento de híbridos de cebola justifica esses pre- ços praticados na atualidade. Quanto às vantagens dos híbridos, destacamos a uni- formidade de bulbificação, o vigor e o po- tencial produtivo. Mas o desempenho dos híbridos vai depender da adubação, do ma- nejo cultural e do tratamento fitossanitário adotados pelos produtores. Devemos ainda lembrar que os híbridos de cebola estão restritos às regiões de São Paulo que cul- tivam cebola no outono-inverno, quando o comprimento do dia e as temperaturas estão em declínio. Nessas condições, as variedades nacionais florescem com fa- cilidade e a produtividade é reduzida. As cultivares comuns detêm, hoje, 90% da produção de cebola no país. Elas foram selecionadas a partir de variedades intro- duzidas pelos imigrantes açorianos que chegaram à região de Rio Grande (RS) no final do século 19. Graças a esse precioso recurso genético, os nossos pesquisadores selecionaram e lançaram inúmeras varie- dades adaptadas a cada uma das zonas de cultivo do país. Em geral, essas varieda- des têm melhor conservação pós-colheita e são mais tolerantes a doenças do que os híbridos da categoria das cebolas “claras precoces”.

IA - Que direcionamento deve ser dado ao melhoramento genético da cebola no Brasil: cebolas suaves para aumentar

o consumo? Cebolas destinadas à industrialização? Cebola doce para os mercados externo e interno?

Paulo de Melo - Para responder essa pergunta vou-me valer da experiência de um dos nossos mais tradicionais produto- res e comerciantes de cebola, o empresário Kogi Fujita, presidente da Associação Na- cional dos Produtores de Cebola (Anace), que fez um alerta em 2001 durante uma das palestras do Seminário Nacional de Cebola, realizado em São José do Rio Par- do. O sr. Fujita advertia que a camada mais jovem da população brasileira estava co- mendo cada vez menos cebola; a razão da queda do consumo por habitante/ano, de 6,5 kg para cerca de 4,0 kg, tinha a ver com a cebola ardida ou pungente oferta- da na maior parte do ano. Segundo obser- vou o sr. Fujita, na época da comercia- lização das cebolas “claras precoces” no Sudeste, a demanda do produto aumenta. Portanto, para aumentar o consumo de cebola no Brasil é preciso modificar o pa- norama varietal. Nos Estados Unidos, a promoção das cebolas suaves e doces e de suas qualidades nutracêuticas foi de fun- damental importância para o aumento do consumo do produto, especialmente entre os jovens. Desse modo, a obtenção de ce- bolas doces e suaves, com boa retenção de escamas, adaptadas às nossas zonas de produção, deveria ser uma das prioridades dos programas de melhoramento. Vejo isso não só como um desafio, mas como uma real oportunidade de melhorar a susten- tação do agronegócio de cebola no país e viabilizar as exportações para mercados como os dos Estados Unidos. Um dos me- lhoristas de cebola mais brilhantes ainda em atividade, o professor Cyro Paulino da Costa, da USP-Esalq, há anos vem pregando que uma das maneiras de se aumentar a competitividade da cebola brasileira dian- te da Argentina seria por via do melho- ramento genético, com a obtenção de cul- tivares cascudas bronzeadas. Em sua opinião, o maior potencial para cultivo des- se tipo de cebola situa-se no Nordeste.

IA - Qual a viabilidade do melhoramento visando à obtenção de materiais resistentes a doenças e pragas?

Paulo de Melo - Os programas brasi- leiros de melhoramento de cebola sempre

colocaram as doenças entre as suas prio- ridades. A antracnose foliar da cebola, tam- bém chamada pelos produtores mal-de- sete-voltas, cachorro-quente ou rola, é uma doença que ocorre em todas as zonas de cultivo do país; é altamente limitante, de- pendendo do manejo e das condições ambi- entais. Hoje, temos excelentes cultivares com resistência a essa doença como é o caso da ‘IPA-9’ e da ‘Valeouro IPA-11’. Na verdade, a fonte de resistência ao mal-de- sete-voltas foi identificada no Instituto de Genética da USP-Esalq, na variedade ‘Roxa do Barreiro’, cultivada até hoje nas vizi- nhanças de Belo Horizonte. O professor Cyro Paulino utilizou essa variedade para obter a ‘Pira Ouro’, primeira cultivar ama- rela resistente ao mal-de-sete-voltas. Outra doença importante é a raiz-rosada que afeta o sistema radicular da planta. Nossos pes- quisadores já identificaram também popu- lações do tipo ‘Baia Periforme’ com alto nível de resistência a essa doença. Com relação a pragas, destacamos o trabalho de pesquisa do IPA que disponibilizou a cul- tivar ‘Valeouro IPA-11’ com alta tolerância ao tripes ou piolho-da-cebola.

IA - Que ações devem ser implementadas para tornar a cebola um produto mais competitivo?

Paulo de Melo - Venho falando há algum tempo que o melhoramento genético não é a única via para tornar a cebolicultu- ra brasileira mais competitiva. A obtenção de novas cultivares não é tudo. É impres- cindível, também, a melhoria dos sistemas de cultivo das diversas regiões brasilei- ras produtoras de cebola, por meio de in- corporação de novas técnicas de manejo cultural que conduzam ao incremento de produtividade e da qualidade, aliada à re- dução de custos. Para que isso se torne realidade, é preciso que as instituições públicas de pesquisa voltem a ter recursos para investir na geração e aplicação de téc- nicas que possam ser incorporadas pelos pequenos e médios produtores, respon- sáveis pela maior parte da produção de cebola no país. Daí, ser imperativo que os serviços de assistência técnica e extensão rural sejam fortalecidos para levar a esses produtores os conhecimentos e as tecno- logias geradas pelo setor de pesquisa e ensino.

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4 Cultura da Cebola

IA - Desde quando o senhor cultiva cebo- la na região de São Gotardo e como

iniciou-se nesta atividade?

José Hiroiti - Cultivo cebola há 10 anos na região de São Gotardo. Comecei nesta

atividade plantando pequenas áreas em

pivô central, como alternativa de cultura.

IA - Atualmente, qual a área plantada com cebola em sua propriedade?

José Hiroiti - A área plantada em minha propriedade gira em torno de 60,0 hectares

por ano.

IA - Que método de produção (semeadu- ra direta ou mudas) o senhor utiliza

em sua propriedade? Quais as van-

tagens e desvantagens do método uti-

lizado?

José Hiroiti - Em minha propriedade, utilizo o método de semeadura direta.

Entre as principais vantagens que encon-

trei na utilização deste método, destaco o

aumento de produtividade, a precocida-

de na produção e, principalmente, o menor

gasto com mão-de-obra. As desvantagens

encontradas com a semeadura direta foram

o maior gasto com sementes e o aumento

da desuniformidade dos bulbos.

IA - Em sua lavoura são utilizadas cul- tivares ou híbridos? Em qual destas

opções o senhor obteve maior quali-

dade do produto?

Cebola: precocidade e antecipação da época de plantio garantem mercado

O produtor José Hiroiti Okuyama mantém 60 hectares de sua

propriedade, em São Gotardo, região do Alto Paranaíba, plantados com

cebola. Hiroiti trabalha há mais de 35 anos como produtor rural e, além

de cebola, cultiva também outras hortaliças, cereais e café. Está na

região do Programa de Assentamento Dirigido do Alto Paranaíba (Padap)

desde a sua fundação, em 1974. Sua família está no sistema de coope-

rativa há três gerações e Hiroiti mantém a tradição.

José Hiroiti - Estou plantando híbri- dos e cultivares. Entretanto, obtive maior

qualidade do produto final quando utilizei

cultivares, porque o tipo plantado aqui é

do grupo das Baias, que são cebolas com

pele e formato melhores, porém a época

de colheita é restrita por questões téc-

nicas. Utilizo também os materiais híbri-

dos, que têm vantagens como a precoci-

dade e a antecipação da época de plantio,

que permitem melhores oportunidades de

mercado.

IA - Quais as principais dificuldades en- contradas no manejo da cultura, no

que diz respeito à adubação, controle

de plantas daninhas e irrigação?

José Hiroiti - Destaco como principal dificuldade, o controle de plantas dani-

nhas, principalmente folhas-largas, que

é um dos principais problemas em minha

propriedade. Tenho tido também proble-

mas no controle de pragas, especialmen-

te o tripes, que tem-se mostrado de difícil

controle.

IA - E como tem sido feito o controle de pragas e doenças em sua lavoura?

José Hiroiti - As doenças vêm sendo controladas de forma preventiva. Este tra-

balho requer observação e acompanha-

mento das condições favoráveis ao apa-

recimento das doenças, conseguindo-se,

dessa forma, um controle satisfatório. No

caso do surgimento de pragas, o controle

é feito imediatamente ao aparecimento

delas.

IA - Como a Cooperativa Agropecuária do Alto Paranaíba (Coopadap) tem apoiado

o produtor de cebola da região?

José Hiroiti - Como cooperado rece- bo apoio técnico, administrativo, forneci-

mento de insumos e também apoio comer-

cial.

IA - Que dificuldades o senhor tem encon- trado na comercialização do produ-

to?

José Hiroiti - Entre as principais difi- culdades, destaco o desequilíbrio entre a

produção e o consumo e também a exi-

gência do mercado com relação à qualida-

de. Esta exigência tem aumentado muito

nos últimos anos, gerando uma queda de

preço do produto.

IA - Como tem sido a rentabilidade da cebola para o produtor e para a re-

gião?

José Hiroiti - Trata-se de um mercado instável, como tem sido o da maioria das

hortaliças. Exige, portanto, um planeja-

mento da produção e a constante preocupa-

ção com a melhoria da qualidade do pro-

duto. O produtor de cebola da região tem

alcançado uma média razoável de rentabi-

lidade nos últimos anos.

In forme Agropecuár io , Be lo Hor izonte , v .23 , n .218 , p .5 , 2002

5Cultura da Cebola

Fernando Cruz Laender

Presidente da EPAMIG

ISSN 0100-3364 INPI: 1231/0650500

COMISSÃO EDITORIAL Fernando Cruz Laender

Sylvio Santos Vasconcellos Reginaldo Amaral

Sanzio Mollica Vidigal Marlene A. Ribeiro Gomide

Edson Marques da Silva

EDITOR

Vânia Lacerda

COORDENAÇÃO TÉCNICA Sanzio Mollica Vidigal

AUTORIA DOS ARTIGOS Américo Iorio Ciociola, Américo Iorio Ciociola Jr., Carlos Antônio F.

Santos, Carlos Magno M. da Silva, Celso Luiz Moretti, Daniela Lopes

Leite, Derly José Henriques da Silva, Dilermando Dourado Pacheco, Édio

Luiz da Costa, Eduardo Seiti Gomide Mizubuti, Félix Humberto França,

Fernando Luiz Finger, Francisco Affonso Ferreira, Jonas Araújo Candeia,

José Eduardo Brasil Pereira Pinto, José Fernando Durigan, Leda Morais de

Andrade Resende, Lino Roberto Ferreira, Luís de F. Camboim Neto, Luiz

Antonio Maffia, Maria Helena Tabim Mascarenhas, Maria Lélia Rodriguez

Simão, Nivaldo Duarte Costa, Paulo Cezar Rezende Fontes, Paulo Roberto

Gomes Pereira, Raquel A. Pedrosa, Regina Célia Pinheiro, Rovilson José

de Souza, Sanzio Mollica Vidigal, Suzan Kelly Vilela Bertolucci, Vicente

Wagner Dias Casali, Waldir A. Marouelli e Washington L.C. Silva

REVISÃO LINGÜÍSTICA E GRÁFICA

Rosely A. Ribeiro Battista Pereira, Cibele Pereira da Silva (auxiliar)

NORMALIZAÇÃO Fátima Rocha Gomes e Maria Lúcia de Melo Silveira

PRODUÇÃO E ARTE

Programação visual: Alexandre Maurício Santos

Diagramação/formatação: Rosangela Maria Mota Ennes

Digitação: Helvécio Cosenza Leite, Maria Alice Vieira

Foto da capa: Erasmo Pereira

IMPRESSÃO

Imprensa Oficial de Minas Gerais

PUBLICIDADE Assessoria de Marketing

Angelo Alberto (estagiário) Av. José Cândido da Silveira, 1.647 - Cidade Nova

Caixa Postal, 515 - CEP 31170-000 - Belo Horizonte-MG Telefax: (31) 3488-8468

Copyright © - EPAMIG - 1977 É proibida a reprodução total ou parcial, por quaisquer meios,

sem autorização escrita do editor. Todos os direitos são reservados à EPAMIG.

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Informe Agropecuário. - v.3, n.25 - (jan. 1977) - . - Belo Horizonte: EPAMIG, 1977 - . v.: il.

Cont. de Informe Agropecuário: conjuntura e estatística. - v.1, n.1 - (abr.1975).

ISSN 0100-3364

1. Agropecuária - Periódico. 2. Agricultura - Aspecto Econômico - Periódico. I. EPAMIG.

CDD 630.5

A cebola é a terceira hortaliça em expressão econômica

no Brasil, sendo a Região Sul a principal produtora, e o estado de

Santa Catarina, o maior produtor. A cultura da cebola destaca-se

tanto pelo volume produzido, 1 milhão de toneladas/ano, quanto

pela renda gerada, alcançando uma produtividade média, em tor-

no de 16 toneladas por hectare.

Esta hortaliça destaca-se ainda, entre os alimentos funcio-

nais mais investigados em todo o mundo, devido a suas múltiplas

aplicações e propriedades, usada tanto como condimento, quanto

por suas qualidades medicinais.

A cebola exerce também importante papel na culinária

nacional e tem um forte apelo socioeconômico por ser uma atividade

praticada principalmente por pequenos produtores. Exige grande

quantidade de mão-de-obra, sendo, portanto, uma atividade gera-

dora de emprego e renda.

Minas Gerais é o segundo maior produtor de cebola do

país, no que diz respeito ao volume e atinge a primeira colocação

com relação à produtividade, que alcança uma média de 29 mil

kg/ha, 83% superior à média nacional. Este bom desempenho é

atribuído à utilização de tecnologias avançadas, principalmente na

região do Alto Paranaíba.

Esta edição do Informe Agropecuário tem o objetivo de

levar informações e inovações tecnológicas sobre a cultura da cebola

a toda cadeia produtiva, e incentivar a cebolicultura no estado de

Minas Gerais, apoiando seu desenvolvimento, através da pesquisa

e da divulgação de conhecimentos.

Tecnologia avançada para cebola garante alta produtividade

O Informe Agropecuário é indexado nas Bases de Dados: CAB INTERNATIONAL e AGRIS.

Os nomes comerciais apresentados nesta revista são citados apenas para conveniência do leitor, não havendo preferências, por parte da EPAMIG, por este ou aquele produto comercial. A citação de termos técnicos seguiu a

nomenclatura proposta pelos autores de cada artigo.

A cebola destaca-se como uma das olerícolas economicamente mais importantes no Brasil,

ao lado da batata e do tomate, tanto pelo volume produzido como pela renda gerada. Seu cultivo

é praticado principalmente por pequenos produtores.

A EPAMIG vem desenvolvendo trabalhos de pesquisa com esta cultura, com o objetivo de

gerar e adaptar tecnologia de produção para Minas Gerais. Esta edição do Informe Agropecuário

sobre a cultura da cebola apresenta temas como inovações tecnológicas na produção, cultivares de

cebola, nutrição mineral e adubação, tratos culturais e, principalmente, controle de plantas dani-

nhas. Além disso, apresenta ainda informações sobre a qualidade e o valor nutracêutico da cebo-

la, a colheita, cura e armazenamento do produto e o seu processamento.

A Coordenação Técnica

Sumário

Nesta Edição

Panorama da produção e da comercialização da cebola em Minas Gerais

Leda Morais de Andrade Resende, Maria Helena Tabim Mascarenhas e Maria Lélia Rodriguez Simão ........................................................ 7

Cultivares de cebola

Nivaldo Duarte Costa, Daniela Lopes Leite, Carlos Antônio F. Santos, Jonas Araújo Candeia e Sanzio Mollica Vidigal .................................. 20

Métodos de produção de cebola

Paulo Cezar Rezende Fontes e Derly José Henriques da Silva ................................................................................................................ 28

Nutrição mineral e adubação da cebola

Sanzio Mollica Vidigal, Paulo Roberto Gomes Pereira e Dilermando Dourado Pacheco ............................................................................ 36

Controle químico de plantas daninhas na cultura da cebola

Lino Roberto Ferreira, Francisco Affonso Ferreira e Carlos Magno M. da Silva ........................................................................................... 51

Irrigação da cebola

Édio Luiz da Costa, Waldir A. Marouelli, Luís de F. Camboim Neto e Washington L. C. Silva ........................................................................ 57

Pragas associadas à cultura da cebola e seu controle

Américo Iorio Ciociola Jr., Félix Humberto França e Américo Iorio Ciociola ................................................................................................ 68

Doenças da cebola

Luiz Antonio Maffia, Eduardo Seiti Gomide Mizubuti e Raquel A. Pedrosa .................................................................................................. 75

Qualidade e valor nutracêutico da cebola

Suzan Kelly Vilela Bertolucci, Regina Célia Pinheiro, José Eduardo Brasil Pereira Pinto e Rovilson José de Souza ........................................ 88

Colheita, cura e armazenamento da cebola

Fernando Luiz Finger e Vicente Wagner Dias Casali .................................................................................................................................. 93

Processamento de cebola

Celso Luiz Moretti e José Fernando Durigan ............................................................................................................................................. 99

Informe Agropecuário Belo Horizonte v. 23 n. 218 p. 1-104 2002

In forme Agropecuár io , Be lo Hor izonte , v .23 , n .218 , p .7 -19 , 2002

7Cultura da Cebola

INTRODUÇÃO

A cebola de cabeça, da família Liliaceae (Amarylidaceae ou Alliaceae), é originária da Ásia Central – Turquia, Irã e Paquistão – e tida por muitos como uma das mais antigas plantas cultivadas. Esse tipo de cebola, atualmente plantado no Brasil, foi trazido por colonizadores europeus para a região do Rio Grande do Sul, daí disseminando- se para os demais Estados.

Utilizada basicamente como condimen- to, a cebola possui alto teor de carboidra- tos, baixos teores de proteínas e quanti- dades razoáveis de riboflavina e cálcio. É excelente fonte de vitaminas A, B e prin- cipalmente C, possuindo compostos sul- furosos que dão odor ao produto e têm função bacteriostática.

Panorama da produção e da comercialização da cebola em Minas Gerais

Leda Morais de Andrade Resende1

Maria Helena Tabim Mascarenhas2

Maria Lélia Rodriguez Simão3

PANORAMA INTERNACIONAL

Produção mundial A produção mundial de cebola, em 2001,

foi de aproximadamente 47 milhões de to- neladas, cultivadas numa área de 2,7 mi- lhões de hectares, sendo a produtividade média de 17 mil kg/ha. A China é o principal produtor, com um volume de 12,4 milhões de toneladas, o que corresponde a um quar- to do total mundial. É também o país que detém a maior área cultivada, 601 mil hec- tares. Entretanto, no que concerne à produ- tividade, a Coréia do Sul lidera o ranking, com 56.529 kg/ha, seguida dos Estados Unidos, com 48.296 kg/ha e da Espanha, com 44.160 kg/ha. No conjunto, os países que produzem acima de 500 mil toneladas são responsáveis por 79% do volume pro-

duzido mundialmente. A produtividade média dos principais países produtores é cerca de 8% superior à média mundial (Qua- dro 1).

Comércio externo Os países cujas exportações superaram

o patamar de 100 mil toneladas, em 2000, foram responsáveis por 66% da exportação mundial de cebola. A Holanda ocupa a li- derança, respondendo por 16%. A partici- pação dos demais países exportadores foi inferior a 10% (Quadro 2).

Em relação ao valor das exportações mun- diais, esses países respondem por 67% do total. O preço médio do produto exportado foi de US$ 0,24/kg. O México obteve o preço mais compensador, US$ 0,74/kg. Os Esta- dos Unidos e a China também apresentaram

1Ciênc. Sociais, M.Sc., Pesq. EPAMIG-APC, Caixa Postal 515, CEP 31170-000 Belo Horizonte-MG. Correio eletrônico: apc@epamig.br 2Enga Agra, M.Sc., Pesq. EPAMIG-CTCO, Caixa Postal 295, CEP 35701-970 Sete Lagoas-MG. Correio eletrônico: mhtabimm@hotmail.com 3Matemática, M.Sc., Pesq. EPAMIG-DPPE, Caixa Postal 515, CEP 31170-000 Belo Horizonte-MG. Correio eletrônico: lelia@epamig.br

Resumo - A China é o principal produtor de cebola. O Brasil posiciona-se no 12o lugar em produção. A Holanda é o maior exportador do produto e a Rússia o principal importador. Nesse mercado, o Brasil é um grande importador, tendo, entretanto, no período 1998- 2000, reduzido 77% no volume importado, o que corresponde a uma economia aproxima- da de 43 mil dólares em divisas. No Brasil, a cebola é a terceira hortaliça em expressão econômica, sendo a Região Sul a principal produtora. Santa Catarina lidera o ranking nacional de produção, situando-se o estado de Minas Gerais na segunda posição quanto ao volume e na primeira quanto à produtividade, desempenho atribuído à utilização de tecnologias avançadas, principalmente na região Alto Paranaíba. Os municípios de Rio Paranaíba e Jaíba são os maiores produtores do Estado. Minas Gerais é o principal forne- cedor de cebola à Ceasa-MG. Os preços do produto nos três níveis de mercado apresentam relativa estabilidade, mas sazonalidade bem definida em função dos períodos de safra e entressafra.

Palavras-chave: Allium cepa; Aspecto econômico; Sazonalidade; Fatores críticos.

In forme Agropecuár io , Be lo Hor izonte , v .23 , n .218 , p .7 -19 , 2002

8 Cultura da Cebola

valores superiores à média mundial. Coube ao Egito a menor cotação, US$ 0,08/kg (Quadro 2).

No que concerne às importações, dez países superaram o patamar de 100 mil to- neladas e, no conjunto, foram responsáveis por 56% do volume total de cebola impor- tado mundialmente e por 61% do valor das importações. A Rússia posicionou-se como o principal país importador do produto em 2000, com um volume de 298.201 toneladas e um valor de 41 milhões de dólares, cor- respondentes a respectivamente 8,7% e 4,4% do total mundial.

Nesse mercado, o Brasil é um grande importador, situando-se na 14a posição, com 75.131 toneladas, cerca de 2% do total mundial, num valor de 14,5 milhões de dó- lares. Em 1998, o Brasil importava 330.664 toneladas, ocupando a segunda posição. O valor era de 57,9 milhões de dólares e em 2000 foi de 14,5 milhões de dólares. Por- tanto, no período 1998-2000, houve redu- ção de 77% no volume importado, corres- pondente a uma economia de 43,4 milhões de dólares em divisas (Quadro 3).

O preço médio do produto pago pe- los principais países importadores foi de US$ 0,29/kg, sendo o da Arábia Saudita o mais vantajoso, US$ 0,11/kg. Os Esta- dos Unidos posicionaram-se no sentido oposto, pagando US$ 0,69 pelo produto importado. O preço médio pago pelo Brasil em 2000, de US$ 0,19/kg, permaneceu pra- ticamente inalterado em relação a 1998, US$ 0,18/kg.

PANORAMA NACIONAL

No Brasil, a cebola é a terceira hortali- ça de maior expressão econômica, depois da batata e do tomate. Em 2001, a produção nacional foi de aproximadamente um milhão de toneladas, cabendo à Região Sul a par- ticipação mais expressiva, 62,2%, seguida da Região Sudeste, com 25,2% e da Região Nordeste, com 12,3%. Os estados de Santa Catarina, São Paulo e Rio Grande do Sul fo- ram os maiores produtores (Quadro 4).

A Região Sul é a que detém a maior área cultivada, 71, 8%, cabendo a Santa Ca- tarina uma participação em torno de 40%,

China 601 12.438 20.701

Índia 500 4.900 9.800

Estados Unidos 67 3.248 48.296

Turquia 105 2.300 21.905

Paquistão 105 1.496 14.209

Irã 40 1.200 30.000

Rússia 116 1.200 10.349

Coréia do Sul 19 1.074 56.529

Espanha 24 1.047 44.160

Japão 27 1.000 37.453

Indonésia 80 1.000 12.508

Brasil 62 982 15.738

Colômbia 20 780 39.000

Holanda 20 766 38.340

Argentina 27 673 24.926

Egito 25 653 25.627

Polônia 34 626 18.303

Ucrânia 66 600 9.091

Nigéria 14 596 25.000

Mianmar 59 593 10.121

Subtotal (a) 2.011 37.172 18.484

Mundo (b) 2.737 46.916 17.142

(a) / (b) (%) 73,47 79,23 107,83

QUADRO 1 - Área, produção e produtividade de cebola nos principais países produtores - 2001

Produtividade (kg/ha)

País Área (1.000 ha)

Produção (1.000 t)

FONTE: FAO (2002a).

Holanda 579.369 15,87 100.547 11,50

Estados Unidos 354.142 9,70 104.780 11,99

Índia 343.264 9,41 61.512 7,04

México 236.325 6,48 174.479 19,96

Nova Zelândia 230.082 6,30 36.192 4,14

Espanha 207.848 5,69 40.924 4,68

China 168.516 4,62 41.986 4,80

Egito 147.258 4,03 12.367 1,41

Polônia 132.875 3,64 14.618 1,67

Subtotal 2.399.679 65,74 587.405 67,19

Mundo 3.649.762 100,00 874.180 100,00

QUADRO 2 - Principais países exportadores de cebola - 2000

País Quantidade Valor

t % US$ 1.000 %

FONTE: FAO (2002b).

In forme Agropecuár io , Be lo Hor izonte , v .23 , n .218 , p .7 -19 , 2002

9Cultura da Cebola

Rússia 298.201 8,72 40.758 4,40

Japão 266.151 7,78 74.788 8,08

Alemanha 250.154 7,31 67.511 7,30

Malásia 236.062 6,90 64.543 6,97

Estados Unidos 216.296 6,32 148.248 16,02

Reino Unido 167.651 4,90 54.843 5,93

Arábia Saudita 135.000 3,95 15.000 1,62

Canadá 133.694 3,91 48.054 5,19

Bélgica 122.417 3,58 27.839 3,01

Holanda 102.211 2,99 23.822 2,57

Subtotal 1.927.837 56,36 565.406 61,09

Mundo 3.420.334 100,00 925.412 100,00

respectivamente 125%, 224% e 44% as variações observadas entre os anos extre- mos (Quadro 5).

A expansão da produção foi quase duas vezes superior à ocorrida na área, fato que indica que o incremento no volume pro- duzido foi resultante da elevação da pro- dutividade, em decorrência da utilização de tecnologias avançadas, principalmente na região Alto Paranaíba (Quadros 5 e 6).

A produção mineira de cebola concentra- se principalmente na região Alto Paranaí- ba que, em 2001, respondeu por 50% das 64.280 toneladas produzidas no Estado, seguida pela região Norte de Minas, que correspondeu a 24%. As demais regiões tiveram participações inferiores a 10%. Centro-Oeste de Minas, Jequitinhonha/ Mucuri e Rio Doce apresentaram parti- cipações inexpressivas, inferiores a 1% (Quadro 6 e Fig.1).

No que concerne à área, verifica-se que as regiões Alto Paranaíba e Norte de Mi- nas, em conjunto, detêm 63% da área ocupa- da com a cultura no Estado (Quadro 6 e Fig. 2).

A comparação das produtividades obtidas por região mostra que a maior pro- dutividade correspondeu à região Alto Pa- ranaíba, sendo a única que superou a média estadual, que foi de 28.009 kg/ha em 2001 (Quadro 6 e Fig. 3).

Ao se comparar as variações de produ- ção e produtividade de Minas Gerais com as do Brasil, no período 1998-2001, verifica- se que os aumentos referentes ao país, de respectivamente 37% e 38%, foram muito inferiores aos resultados obtidos com a cultura no Estado, respectivamente 224% e 44%. É importante salientar que as pro- dutividades, tanto para o Estado quanto para o país, apresentaram tendência de crescimento. Entretanto, no que concerne à área, enquanto no país houve decréscimo de 1%, em Minas Gerais ocorreu aumento de 125% (Quadro 7).

Ao se observarem as participações rela- tivas de Minas Gerais em relação ao Brasil, nota-se que, em área e produção, os maio- res percentuais, no período, referem-se ao ano de 2001, respectivamente 3,5% e 5,6%.

praticamente 13% superior à do Rio Grande do Sul, que ocupa a segunda posição (Quadro 4).

Minas Gerais destaca-se por apresentar a mais alta produtividade média observada no país, aproximadamente 29 mil kg/ha, 83% superior à média nacional (Quadro 4).

PANORAMA EM MINAS GERAIS

Área, produção e produtividade

A análise dos dados de área, produção e produtividade da cultura da cebola em Minas Gerais, no período 1998-2001, evi- dencia tendência de crescimento, sendo de

QUADRO 3 - Principais países importadores de cebola – 2000

País Quantidade Valor

t % US$ 1.000 %

FONTE: FAO (2002b).

Nordeste 7.182 11,50 123.511 12,53 17.197 108,95

Pernambuco 3.956 6,33 67.249 6,82 16.999 107,69

Bahia 3.226 5,17 56.262 5,71 17.440 110,48

Sudeste 10.445 16,72 248.849 25,24 23.825 150,93

Minas Gerais 2.295 3,67 66.220 6,72 28.854 182,79

São Paulo 8.150 13,05 182.629 18,52 22.408 141,96

Sul 44.836 71,78 613.630 62,23 13.686 86,70

Paraná 5.398 8,64 57.678 5,85 10.685 67,69

Santa Catarina 23.679 37,91 375.551 38,09 15.860 100,48

Rio Grande do Sul 15.759 25,23 180.401 18,29 11.447 72,52

Brasil 62.463 100,00 985.990 100,00 15.785 100,00

QUADRO 4 - Área, produção e produtividade de cebola por região geográfica brasileira e por Estado da

Federação – 2001

Região Geográfica/

Estado da Federação

Área Produção Produtividade

ha Região/ Brasil (%)

FONTE: LSPA (2001).

Região/ Brasil (%)

Região/ Brasil (%)

t kg/ha

In forme Agropecuár io , Be lo Hor izonte , v .23 , n .218 , p .7 -19 , 2002

10 Cultura da Cebola

Verifica-se também que o maior diferencial entre as produtividades mineira e brasi- leira, 66,7%, correspondeu ao ano de 2000 (Quadro 7).

Principais municípios produtores

Dos municípios mineiros produtores de cebola, os de maior expressão, com volumes superiores a 10 mil toneladas em 2001, são Rio Paranaíba e Jaíba, situados respecti- vamente nas regiões Alto Paranaíba e Norte de Minas. Apenas 12 municípios apresen- tam produções acima de mil toneladas, sendo cinco da região Alto Paranaíba, dois da região Norte de Minas, dois da Noroeste de Minas, dois da Sul de Minas e um da Triângulo. No conjunto, esses municípios respondem por aproximadamente 90% do total produzido e por 80% da área ocupada com a cultura de cebola em Minas Gerais (Quadro 8 e Fig. 4).

É interessante observar que a produti- vidade média dos municípios com produ- ções superiores a mil toneladas anuais é praticamente o dobro da obtida nos demais municípios (Quadro 8).

Comercialização e preços

Volume comercializado

Do volume de cebola comercializado na Ceasa-MG, 62% provêm de outros Estados, indicando que a produção mineira é insu-

1998 1.022 100 19.822 100 19.395 100

1999 1.864 182 43.834 221 23.516 121

2000 2.071 203 55.556 280 28.826 149

2001 2.295 225 64.280 324 28.009 144

QUADRO 5 - Evolução de área, produção e produtividade de cebola no estado de Minas Gerais, no

período 1998-2001

FONTE: IBGE (2002?).

Ano Área Produção Produtividade

ha Índice

1998 = 100

Índice

1998 = 100

Índice

1998 = 100 t kg/ha

I Central 105 4,58 1.177 1,83 11.210 40,02

II Zona da Mata 71 3,09 1.383 2,15 19.479 69,55

III Sul de Minas 230 10,02 3.771 5,87 16.396 58,54

IV Triângulo 200 8,71 4.000 6,22 20.000 71,40

V Alto Paranaíba 861 37,52 32.110 49,95 37.294 133,15

VI Centro-Oeste de Minas 15 0,65 125 0,19 8.333 29,75

VII Noroeste de Minas 227 9,89 6.252 9,73 27.542 98,33

VIII Norte de Minas 576 25,10 15.421 23,99 26.773 95,59

IX Jequitinhonha/Mucuri 5 0,22 10 0,02 2.000 7,14

X Rio Doce 5 0,22 31 0,05 6.200 22,14

Total Minas Gerais 2.295 100,00 64.280 100,00 28.009 100,00

QUADRO 6 - Área, produção e produtividade de cebola no estado de Minas Gerais, por região de

planejamento – 2001

Região

Área Produção Produtividade

ha Região/

MG (%)

FONTE: Emater-MG.

Região/ MG (%)

Região/ MG (%)

t kg/ha

Figura 1 - Regionalização da produção de cebola em Minas Ge- rais - 2001

Figura 2 - Regionalização da área cultivada com cebola em Mi- nas Gerais - 2001

In forme Agropecuár io , Be lo Hor izonte , v .23 , n .218 , p .7 -19 , 2002

11Cultura da Cebola

ficiente para o suprimento da demanda estadual. Aproximadamente 27% do total negociado correspondeu à Unidade Gran- de Belo Horizonte. Quando se considera o produto oriundo de Minas Gerais, verifica- se que a Unidade Grande Belo Horizonte comercializou 71%, cabendo 14% à Unidade de Uberlândia, 6% à de Juiz de Fora, 6% à de Governador Valadares e 3% à de Cara- tinga (Quadro 9).

Procedência

Do total de 64 mil toneladas de cebola enviadas às Unidades da Ceasa-MG, 80% são comercializados na Unidade Grande Belo Horizonte. Entre os Estados que partici- pam do abastecimento, Minas Gerais ocupa a primeira posição, com 38%. Santa Cata- rina é o segundo maior fornecedor do pro- duto, com 30%. Seguem-se Bahia, com 10,6%, Rio Grande do Sul, com 9,8%, Pernam- buco, com 5,6% e São Paulo, com 5,1%. Os demais Estados apresentam participações inexpressivas, inferiores a 1% (Quadro 10).

O produto mineiro colocado na Ceasa- MG (Unidade Grande Belo Horizonte) é oriundo, em sua maior parte, da região Alto Paranaíba, que contribui com 39%, seguida da região Norte de Minas, com 26%. A re- gião Central ocupa a terceira posição, o que é, em parte, atribuído a um viés causado pelo fato de nesta região estar localizada a

Figura 3 - Produtividade de cebola por região de planejamento de Minas Gerais - 2001

1998 66.827 832.835 12.463 1.022 19.822 19.395 1,53 2,38 155,62

1999 67.583 1.005.155 14.958 1.864 43.834 23.516 2,76 4,36 157,21

2000 65.706 1.136.505 17.297 2.071 55.556 28.826 3,15 4,89 166,65

2001 66.296 1.141.813 17.223 2.295 64.280 28.009 3,46 5,63 162,63

QUADRO 7 - Área, produção e produtividade de cebola no estado de Minas Gerais e no Brasil, no

período 1998-2001

FONTE: IBGE (2002?).

Ano

Brasil Minas Gerais Minas Gerais/Brasil

Área

(ha)

Produ-

ção

(t)

Produ-

tividade

(kg/ha)

Produ-

tividade

(kg/ha)

Produ-

tividade

(%)

Produ-

ção

(t)

Área

(ha)

Área

(%)

Produ-

ção

(%)

In forme Agropecuár io , Be lo Hor izonte , v .23 , n .218 , p .7 -19 , 2002

12 Cultura da Cebola

Unidade Grande Belo Horizonte, que não se destaca como produtora, mas centraliza o recebimento do produto das diversas regiões (Quadro 11 e Fig. 5).

Quando se analisa, em relação ao total do produto comercializado na Ceasa-MG, a participação de maior expressão refere- se ao produto enviado por outros Estados, que corresponde a 62% (Quadro 12).

Entre os municípios de Minas Gerais fornecedores de cebola à Ceasa-MG (Uni- dade Grande Belo Horizonte) dois merecem destaque, em relação à quantidade total enviada pelo Estado: Jaíba, na região Norte de Minas e São Gotardo, na região Alto Paranaíba, ambos com participações su- periores a 10%. Somados, correspondem a 34,6%. Entretanto, quando se verifica a participação em relação ao total negociado naquele mercado, ela se reduz drasticamen- te, em função do grande volume proveni- ente de outros Estados. É importante res- salvar que a alta participação de Contagem é atribuída ao fato de o município abrigar

Rio Paranaíba V Alto Paranaíba 480 19.200 40.000

Jaíba VIII Norte de Minas 376 11.280 30.000

Tiros V Alto Paranaíba 150 6.000 40.000

Uberaba IV Triângulo 200 4.000 20.000

Unaí VII Noroeste de Minas 100 3.500 35.000

Matias Cardoso VIII Norte de Minas 150 3.000 20.000

Ibiá V Alto Paranaíba 50 2.000 40.000

Poços de Caldas III Sul de Minas 97 1.940 20.000

São Gotardo V Alto Paranaíba 43 1.720 40.000

Andradas III Sul de Minas 69 1.380 20.000

Paracatu VII Noroeste de Minas 52 1.352 26.000

Santa Juliana V Alto Paranaíba 55 1.100 20.000

Subtotal - 1.822 56.472 30.995

Outros municípios - 473 7.808 16.507

Total Minas Gerais - 2.295 64.280 28.009

Figura 4 - Principais municípios produtores de cebola em Minas Gerais - 2001

QUADRO 8 - Principais municípios produtores de cebola no estado de Minas Gerais e respectivas

regiões de planejamento – 2001

Produtividade

(kg/ha)

FONTE: Emater-MG.

Município Região de

planejamento

Área

(ha)

Produção

(t)

In forme Agropecuár io , Be lo Hor izonte , v .23 , n .218 , p .7 -19 , 2002

13Cultura da Cebola

Grande Belo Horizonte 17.009 71,16 26,71

Juiz de Fora 1.525 6,38 2,39

Uberlândia 3.323 13,90 5,22

Governador Valadares 1.410 5,90 2,21

Caratinga 636 2,66 1,00

Total Minas Gerais 23.903 100,00 37,53

Total outros Estados 39.793 _ 62,47

Total do produto 63.696 _ 100,00

QUADRO 9 - Volume de cebola comercializado nas Unidades da Ceasa-MG - 2001

(2)

Unidades da Ceasa – MG Quantidade

(t)

Participação

(%)

(1)

FONTE: Ceasa-MG. Departamento Técnico. Seção de Informação de Mercado.

(1) Sobre o total do produto mineiro enviado à Ceasa-MG. (2) Sobre o total comercializado na Ceasa-MG.

Região Nordeste 10.003 175 _ 145 _ 10.323

Ceará _ 1 _ _ _ 1

Rio Grande do Norte 14 _ _ _ _ 14

Pernambuco 3.295 157 _ 86 _ 3.538

Alagoas 14 _ _ _ _ 14

Bahia 6.680 17 _ 59 _ 6.756

Região Sul 21.035 792 3.690 113 _ 25.630

Paraná 19 165 175 _ _ 359

Santa Catarina 16.486 482 1.947 113 _ 19.028

Rio Grande do Sul 4.530 145 1.568 _ _ 6.243

Região Sudeste 19.479 1.748 3.945 1.453 647 27.272

Espírito Santo 36 _ _ 43 11 90

Minas Gerais 17.009 1.525 3.323 1.410 636 23.903

Rio de Janeiro _ 43 _ _ _ 43

São Paulo 2.434 180 622 _ _ 3.236

Região Centro-Oeste 294 _ 177 _ _ 471

Goiás 294 _ 166 _ _ 460

Mato Grosso _ _ 11 _ _ 11

Total 50.811 2.715 7.812 1.711 647 63.696

QUADRO 10 - Procedência da cebola comercializada na Ceasa-MG(1), por região geográfica brasileira

e por Unidade da Federação – 2001

Total da

Ceasa-MG

FONTE: Ceasa-MG. Departamento Técnico. Seção de Informação de Mercado.

(1) Unidades Grande Belo Horizonte, Juiz de Fora, Uberlândia, Governador Valadares e Caratinga.

Região Geográfica/

Unidade da Federação

Quantidade

(t)

Unidade

Grande

Belo

Horizonte

Unidade

Juiz

de Fora

Unidade

Uber-

lândia

Unidade

Gover-

nador

Valadares

Unidade

Caratinga

In forme Agropecuár io , Be lo Hor izonte , v .23 , n .218 , p .7 -19 , 2002

14 Cultura da Cebola

a Unidade Grande Belo Horizonte, que centraliza o recebimento da maior parte do produto e efetua a transferência, por inter- médio de atacadistas, para outras Unidades e outros Estados (Quadro 12).

Evolução das quantidades comercializadas e dos preços

A observação dos dados relativos à quantidade de cebola negociada através da Ceasa-MG (Unidade Grande Belo Ho- rizonte) apresenta tendência crescente no período 1998-2001, exceção feita ao último ano da série, que apresentou decréscimo de 13% em relação ao ano anterior. No que se refere aos preços do produto, o movi- mento observado ocorre no sentido inver- so. A queda de preço mais expressiva, 37%, correspondeu ao ano de 1999. Esse fato parece indicar ganhos tecnológicos, em que se destacam novas cultivares mais pro- dutivas e resistentes a pragas e doenças e novos processos de cultivo (Quadro 13).

Estacionalidade de preços

Nível de produtor

A observação da curva de sazonalida- de da cebola mineira apresenta sua con- centração de safra entre julho e novembro. Os menores preços ocorrem entre setembro e dezembro, enquanto que os mais eleva- dos, referentes ao período de entressafra, situam-se entre março e julho. Os preços mais altos foram observados nos meses de junho e julho, sendo ambos aproximada- mente 40% superiores à média anual. A cotação mínima foi cerca de 30% inferior à média e correspondeu ao mês de dezembro. A diferença entre o maior e o menor índice apresentou uma amplitude de 67,8% (Qua- dro 14 e Gráfico 1).

Em janeiro e fevereiro, a quantidade ofertada do produto é bastante reduzida, o que poderia proporcionar aos produtores mineiros a obtenção de preços mais compen- sadores. Entretanto, a entrada da cebola proveniente do Rio Grande do Sul aumenta a oferta e ocasiona a queda dos preços.

Nível de atacado

A sazonalidade dos preços médios Figura 5 - Destino da cebola mineira comercializada nas Unidades da Ceasa-MG, se-

gundo a região de planejamento de origem - 2001

QUADRO 11 - Procedência da cebola comercializada na Ceasa-MG(1), por região de planejamento do

estado de Minas Gerais - 2001

Total

Minas

Gerais

Região de

planejamento

Quantidade

(t)

Unidade

Grande

Belo

Horizonte

Unidade

Juiz

de Fora

Unidade

Uber-

lândia

Unidade

Gover-

nador

Valadares

Unidade

Caratinga

I Central 284 1.300 18 1.375 551 3.528

II Zona da Mata 1 217 _ _ 81 299

III Sul de Minas 861 7 _ _ _ 868

IV Triângulo 1.331 _ 601 _ _ 1.932

V Alto Paranaíba 6.689 _ 2.689 14 _ 9.392

VI Centro-Oeste de Minas 103 _ 15 _ _ 118

VII Noroeste de Minas 1.548 _ _ 14 _ 1.562

VIII Norte de Minas 6.192 _ _ 6 _ 6.198

IX Jequitinhonha/Mucuri _ _ _ _ _ _

X Rio Doce _ _ _ _ 4 4

Minas Gerais 17.009 1.524 3.323 1.409 636 23.901

FONTE: Ceasa-MG. Departamento Técnico. Seção de Informação de Mercado.

(1) Unidades Grande Belo Horizonte, Juiz de Fora, Uberlândia, Governador Valadares e Caratinga.

In forme Agropecuár io , Be lo Hor izonte , v .23 , n .218 , p .7 -19 , 2002

15Cultura da Cebola

de cebola no mercado atacadista de Belo Horizonte apresentou um período com preços superiores à média, compreendido entre janeiro e setembro, à exceção de ju- lho, quando foi 34% inferior. No trimestre outubro-dezembro, o comportamento dos preços foi inferior à média. As maiores osci- lações em relação ao preço médio situaram- se nos meses de janeiro (132,3% superior) e outubro (38,8% inferior), havendo entre ambos uma amplitude de 193,5% (Quadro 15 e Gráfico 2).

Nível de varejo

A curva de sazonalidade de preços médios de cebola no mercado varejista de Belo Horizonte evidencia que, entre março e agosto, os preços situaram-se acima da média, em função de uma menor dispo- nibilidade do produto no mercado. O pi- co máximo, 35,9% acima da média anual, correspondeu ao mês de julho. No período compreendido entre setembro e feverei- ro, as cotações apresentaram reduções que atingiram o mínimo em dezembro, quando foram 15% inferiores à média. A amplitude entre os índices máximo e mínimo foi de 50,3% (Quadro 16 e Gráfico 3).

Avaliação conjunta dos níveis de

mercado

A observação do comportamento dos preços de cebola em 2001, nos três níveis de mercado (produtor, atacadista e vare- jista), em Minas Gerais, indica que apenas 23,5% ficaram com os produtores. Portan- to, 76% do preço final do produto destinou- se a remunerar a intermediação entre o pro- dutor e o consumidor. A maior margem, na cadeia de comercialização, ficou com o varejista, que obteve um valor correspon- dente a praticamente o dobro do preço de atacado (Quadro 17).

É interessante lembrar que margem de comercialização não é o mesmo que lucro. Para se chegar ao lucro, é necessário que da margem sejam excluídos os custos de comercialização como perdas, transporte e administração. Assim, uma margem elevada pode significar lucro alto, grande agregação de serviços ao produto, podendo também

Jaíba VIII Norte de Minas 5.392 22,56 8,47

Contagem(4) I Central 3.298 13,80 5,18

São Gotardo V Alto Paranaíba 2.878 12,04 4,52

Rio Paranaíba V Alto Paranaíba 1.896 7,93 2,98

Uberaba IV Triângulo 1.827 7,64 2,87

Patos de Minas V Alto Paranaíba 1.582 6,62 2,48

Unaí VII Noroeste de Minas 932 3,90 1,46

Matias Cardoso VIII Norte de Minas 784 3,28 1,23

Ibiá V Alto Paranaíba 669 2,80 1,05

Santa Juliana V Alto Paranaíba 594 2,48 0,93

Andradas III Sul de Minas 594 2,48 0,93

Tiros V Alto Paranaíba 530 2,22 0,83

Paracatu VII Noroeste de Minas 456 1,91 0,72

Sacramento V Alto Paranaíba 434 1,82 0,68

Perdizes V Alto Paranaíba 262 1,10 0,41

Poços de Caldas III Sul de Minas 224 0,94 0,35

Campos Altos V Alto Paranaíba 205 0,86 0,32

Madre de Deus de Minas I Central 122 0,51 0,19

Guarda-Mor VII Noroeste de Minas 118 0,49 0,19

Guidoval II Zona da Mata 118 0,49 0,19

Subtotal _ 22.915 95,87 35,98

Outros municípios _ 987 4,13 1,55

Total Minas Gerais _ 23.902 100,00 37,53

Total outros Estados _ 39.794 _ 62,47

Total do produto _ 63.696 _ 100,00

(3)

Município Quantidade

(t)

Participação

(%)

(2)

QUADRO 12 - Procedência da cebola comercializada na Ceasa-MG(1), segundo os principais municípios

mineiros e respectivas regiões de planejamento - 2001

FONTE: Ceasa-MG. Departamento Técnico. Seção de Informação de Mercado.

(1) Unidades Grande Belo Horizonte, Juiz de Fora, Uberlândia, Governador Valadares e Caratinga.

(2) Sobre o total do produto mineiro enviado à Ceasa-MG. (3) Sobre o total comercializado na

Ceasa-MG. (4) Município em que se localiza a Unidade Grande Belo Horizonte da Ceasa-MG.

Região de

planejamento

1998 40.640 100 0,68 100

1999 44.262 109 0,43 63

2000 56.015 138 0,49 72

2001 50.811 125 0,59 87

QUADRO 13 - Evolução das quantidades e preços médios anuais de cebola comercializada na Ceasa-

MG (Unidade Grande Belo Horizonte), no período 1998-2001

FONTE: Ceasa-MG. Departamento Técnico. Seção de Informação de Mercado.

NOTA: Base: Dezembro de 2001 = 100

(1)Valores corrigidos pelo IGP-DI (FGV).

Ano Quantidade Preço(1)

t Índice

1998 = 100

Índice

1998 = 100 R$/kg

In forme Agropecuár io , Be lo Hor izonte , v .23 , n .218 , p .7 -19 , 2002

16 Cultura da Cebola

Gráfico 1 - Variação sazonal dos preços de cebola pagos ao produtor, no período 1990-2001

Janeiro 28,15 84,70 141,26 Fevereiro 18,72 89,17 159,62 Março 10,62 103,61 196,60 Abril -38,90 99,45 237,82 Maio 4,98 130,47 255,96 Junho -85,20 137,94 361,04 Julho -140,00 137,55 415,21 Agosto -49,30 93,18 235,69 Setembro 2,44 78,65 154,86 Outubro -45,60 83,59 212,79 Novembro -28,30 74,84 177,95 Dezembro -2,20 70,18 142,55

QUADRO 14 - Índices sazonais de preços(1) de cebola em nível de produtor, no período 1990-2001

FONTE: Ceasa-MG. Detec.Secim. Preços do MLP.

(1) Valores corrigidos pelo IGP-DI/FGV para agosto de 1994.

Máximo Mês

Índice sazonal de preço

Mínimo Médio

0

50

100

150

200

250

300

350

400

450

Jan. Fev. Mar. Abr. Maio Jun. Jul. Ago. Set. Out. Nov. Dez.

Mês

Ín d

ic e

sa zo

n al

, e m

n ív

el d

e p

ro d

u to

r

Média Limite Superior Limite Inferior

Gráfico 2 - Variação sazonal dos preços de cebola no atacado da Ceasa-MG (Unidade Grande Belo Horizonte), no período 1990-2001

QUADRO 15 - Índices sazonais de preços(1) de cebola em nível de atacado, no período 1990-2001

FONTE: Ceasa-MG. Detec.Secim.

(1) Valores corrigidos pelo IGP-DI/FGV para agosto de 1994.

Máximo Mês

Índice sazonal de preço

Mínimo Médio

0

100

200

300

400

500

600

Jan. Fev. Mar. Abr. Maio Jun. Jul. Ago. Set. Out. Nov. Dez.

Mês

Ín d

ic e

sa zo

n al

, e m

n ív

el d

e at

ac ad

is ta

Média Limite Superior Limite Inferior

Gráfico 3 - Variação sazonal dos preços de cebola no varejo da Ceasa-MG (Unidade Grande Belo Horizonte), no período 1990-2001

QUADRO 16 - Índices sazonais de preços(1) de cebola em nível de varejo, no período 1990-2001

FONTE: Ceasa-MG. Detec.Secim.

(1) Valores corrigidos pelo IGP-DI/FGV para agosto de 1994.

Máximo Mês

Índice sazonal de preço

Mínimo Médio

Janeiro -101,00 232,31 565,64 Fevereiro -18,30 123,64 265,54 Março -56,90 167,18 391,25 Abril 28,41 118,61 208,81 Maio 42,17 104,67 167,17 Junho 29,88 128,09 226,30 Julho 27,57 66,22 104,87 Agosto 72,27 128,63 184,99 Setembro 8,82 101,44 194,07 Outubro 36,96 61,22 85,47 Novembro 38,20 69,10 100,00

Dezembro 35,46 87,31 139,16

Janeiro 73,25 92,22 111,20 Fevereiro 71,92 96,09 120,26 Março 84,33 106,07 127,80 Abril 27,40 128,64 229,88 Maio 63,66 130,95 198,24 Junho 63,14 120,72 178,29 Julho -19,20 135,87 290,91 Agosto 25,39 101,82 178,25 Setembro 52,05 85,61 119,16 Outubro 23,80 91,59 159,38 Novembro 11,72 92,84 173,97 Dezembro 46,40 85,72 125,03

0

50

100

150

200

250

300

350

Jan. Fev. Mar. Abr. Maio Jun. Jul. Ago. Set. Out. Nov. Dez.

Mês

Ín d

ic e

sa zo

n al

, e m

n ív

el d

e va

re jis

ta

Média Limite Superior Limite Inferior

In forme Agropecuár io , Be lo Hor izonte , v .23 , n .218 , p .7 -19 , 2002

17Cultura da Cebola

refletir uma forte ineficiência de determi- nado nível de mercado (EPAMIG, 1999).

Produtores e atacadistas comercializam volumes maiores e utilizam saco como unidade. Já os varejistas negociam menores volumes e usam o quilo como unidade básica. Neste trabalho todas as unidades foram transformadas em quilo para permitir a comparação entre os diversos níveis de mercado.

FATORES CRÍTICOS DA CULTURA EM MINAS GERAIS

A qualidade da cebola produzida na região Alto Paranaíba é superior à da região Norte de Minas.

A cebola é consumida principalmente

in natura. As indústrias processadoras encontram-se em fase de crescimento, pro- curando desenvolver novas formas do pro- duto, que melhor atendam às exigências dos grandes centros consumidores.

As transformações pelas quais passa a cultura mineira de cebola, nas principais regiões produtoras - Alto Paranaíba e Nor- te de Minas -, motivam a elaboração de diagnóstico que sirva de base para o esta- belecimento de políticas e diretrizes estra- tégicas que beneficiem essa atividade.

Neste diagnóstico são apresentados fatores considerados críticos, cuja solu- ção ou agravamento, num cenário futuro, irá influenciar o comportamento da cultura no Estado.

MÃO-DE-OBRA

Fatores propulsores Fatores restritivos

- utilização intensiva de mão-de-obra contratada por tempo determinado

na região Alto Paranaíba;

- possibilidade de exploração em regime de parceria na região Norte de

Minas;

- utilização de mão-de-obra familiar na região Norte de Minas.

- alto custo da mão-de-obra, cerca de 39%, em decorrência da rigidez dos

encargos trabalhistas;

- predominância de mão-de-obra pouco qualificada.

- disponibilidade de recursos hídricos para o atual volume de produção;

- existência de infra-estrutura para distribuição de água, energia elétrica e

óleo diesel no meio rural;

- existência de tarifa diferenciada (tarifa verde) para a utilização de energia

elétrica das 23 h às 5 h, no horário comum, e de 24 h às 6 h no horário de

verão.

- dificuldade para aumentar a área irrigada, pois a disponibilidade de água

está no limite;

- alto custo da água;

- alto custo do óleo diesel;

- concorrência, com o meio urbano, por energia hídrica e elétrica;

- cobrança pelo uso da água, nos perímetros irrigados.

- larga adaptação do material genético utilizado, permitindo a produção

durante todo o ano;

- realização de testes das sementes melhoradas, em conjunto com os produ-

tores, na região Alto Paranaíba;

- existência da Lei de Proteção de Cultivares.

INSUMOS

a) semente

Fatores propulsores Fatores restritivos

- alta participação relativa no custo total de produção da cebola (23,7%);

- carência de informações sobre cultivares mais adaptadas às condições

edafoclimáticas da região Norte de Minas.

FONTES DE ENERGIA

(água, luz e óleo diesel)

Fatores propulsores Fatores restritivos

Produtor 0,24 23,53 (1)0,00

Atacadista 0,57 55,88 0,33

Varejista 1,02 100,00 0,45

QUADRO 17 - Preços médios, participação no

preço final e margens médias de

cebola em níveis de produtor, ata-

cadista e varejista em 2001

Margem

média

(R$/kg)

(1) Calculado com base na estimativa do custo de produção de R$ 9.666,10/ha, sendo R$ 0,24/kg, conforme dados fornecidos pela Cooperativa Agropecuária do Alto Paranaíba (Coopadap) – São Gotardo - MG.

Nível

de

mercado

Preço

médio

(R$/kg)

Participação

no

preço final

(%)

In forme Agropecuár io , Be lo Hor izonte , v .23 , n .218 , p .7 -19 , 2002

18 Cultura da Cebola

INDÚSTRIA DE MÁQUINAS E EQUIPAMENTOS

Fatores propulsores Fatores restritivos

INSUMOS

- disponibilidade de diferentes formulações, possibilitando utilização cor-

reta.

- alto custo dos produtos (cerca de 15% do custo de produção);

- reduzido número de pesquisas sobre adubação diferenciada para cada tipo

de solo, clima, local, variedade etc.

b) corretivos e fertilizantes

Fatores propulsores Fatores restritivos

c) defensivos

Fatores propulsores Fatores restritivos

- disponibilidade de diferentes formulações e embalagens, possibilitando

utilização correta;

- boa disponibilidade de defensivos químicos mais concentrados, com me-

nor potencial toxicológico;

- avanço na pesquisa, gerando embalagens menores e solúveis.

- custo dos produtos que atingem cerca de 11% do custo total de produção;

- grande número de produtos com o mesmo princípio ativo;

- omissão do governo na fiscalização do uso preconizado do produto;

- descarte incorreto de embalagens;

- quantidade insuficiente de embalagens hidrossolúveis;

- inexistência de pesquisa e acompanhamento oficial relacionados com a

contaminação dos lençóis freáticos e das bacias hidrográficas.

- bom desenvolvimento do setor de equipamentos de irrigação, pulveriza-

ção e tratores.

- inexistência de indústrias de máquinas e equipamentos no Estado;

- alto custo dos equipamentos.

- alto custo da embalagem, cerca de 12% do custo de produção;

- a única embalagem aceita pelo mercado – saco telado de 20 kg – causa

danos mecânicos ao produto;

- não exigência do certificado de origem (rótulo de identificação do produtor).

INDÚSTRIA DE EMBALAGEM

Fatores propulsores Fatores restritivos

PRODUTOR

(Região Alto Paranaíba)

Fatores propulsores Fatores restritivos

- produtores altamente tecnificados;

- alto nível de adoção de novas tecnologias;

- formação de grupo de produtores para produção em escala, visando redu- ção de custos;

- busca de novas tecnologias, inclusive no exterior;

- geração de empregos, nas regiões produtoras;

- ocupação intensiva de mão-de-obra rural no período de colheita;

- facilidade de aceitação de formas associativas de trabalho (formal e infor- mal);

- especialização das atividades que compõem o negócio cebola. Assim, os que têm mais aptidão para as operações de produção produzem, e os que melhor comercializam atuam na fase da comercialização;

- capacitação da maioria dos produtores no conhecimento de outras cultu- ras, facilitando o uso de rotação.

- alto nível de desorganização, enquanto classe;

- desconhecimento do mercado: produção sem meta definida, sem pla-

nejamento e sem previsão do destino final do produto;

- baixa participação em movimentos associativos;

- elevada carga tributária;

- altos encargos trabalhistas.

In forme Agropecuár io , Be lo Hor izonte , v .23 , n .218 , p .7 -19 , 2002

19Cultura da Cebola

REFERÊNCIAS

EPAMIG. Cadeia produtiva da batata no esta- do de Minas Gerais. Belo Horizonte, 1999. 44p. (EPAMIG. Cadeias Produtivas, 1).

FAO. Agricultural production. Rome, 2002.

Disponível em: <http://www.fao.org>. Acesso em:

16 abr. 2002a.

______. Agricultural & food trade. Rome.

2002. Disponível em: <http://www.fao.org>.

Acesso em: 16 abr. 2002b.

IBGE. Agricultura mineira: safras 1998 a

2001. Belo Horizonte, [2002?]. 1CD-ROM.

LSPA. Pesquisa mensal de previsão e acom-

panhamento das safras agrícolas no ano civil.

Rio de Janeiro: IBGE, dez. 2001.

- ocupação intensiva de mão-de-obra rural;

- fixação do homem no campo;

- geração de empregos nas regiões produtoras;

- organização na comercialização, através da existência de uma central de

associados;

- agentes de comercialização centralizados, pois mais de 95% da produção

da região vai para a Ceasa (Unidade Grande Belo Horizonte).

- alto nível de desorganização, enquanto classe;

- desconhecimento do mercado: produção sem meta definida, sem

planejamento e sem previsão do destino final do produto;

- baixa participação em movimentos associativos;

- elevada carga tributária;

- altos encargos trabalhistas;

- manuseio inadequado dos bulbos na fase de colheita;

- baixa capacidade de armazenamento da produção.

PRODUTOR

(Região Norte de Minas)

Fatores propulsores Fatores restritivos

CLASSIFICADOR(1)

(Região Alto Paranaíba)

NOTA: As participações dos agentes no custo total de produção foram com base na estimativa do custo de produção da Coopadap, abril 2002.

(1) Agente presente apenas na região Alto Paranaíba.

Fatores propulsores Fatores restritivos

- redução do investimento do produtor;

- expressiva geração de empregos, devido à alta utilização de mão-de-obra;

- melhoria da aparência do produto;

- seleção do produto;

- padronização do produto.

- alto custo da mão-de-obra, correspondente a 16% do custo de produção;

- elevado consumo de energia elétrica;

- racionamento de energia elétrica, determinado pelo governo, que impos-

sibilita a classificação de toda a produção.

COMPRADOR

Fatores propulsores Fatores restritivos

- defasagem no prazo de acerto de contas.

ATACADISTA DO PRODUTO IN NATURA

Fatores propulsores Fatores restritivos

- geração de empregos. - restrição da abertura de novos canais de comercialização.

- geração de empregos;

- viabilização de uma melhor distribuição do produto, pela grande

capilaridade que caracteriza a rede de estabelecimentos varejistas.

VAREJISTA DO PRODUTO IN NATURA

Fatores propulsores Fatores restritivos

- não-repasse, ao consumidor, das quedas de preços que ocorrem no seg-

mento atacadista;

- utilização de margens relativas muito elevadas;

- elevado índice de perdas do produto.

In forme Agropecuár io , Be lo Hor izonte , v .23 , n .218 , p .20-27 , 2002

20 Cultura da Cebola

1Engo Agro, M. Sc., Pesq. Embrapa Semi-Árido, Caixa Postal 23, CEP 56300-970 Petrolina-PE. Correio eletrônico: ndcosta@cpatsa.embrapa.br 2Enga Agra, Ph. D., Pesq. Embrapa Clima Temperado, Caixa Postal 403, CEP 96001-970 Pelotas-RS. 3Engo Agro, Ph. D., Pesq. Embrapa Semi-Árido, Caixa Postal 23, CEP 56300-970 Petrolina-PE. Correio eletrônico: casantos@cptsa.embrapa.br 4Engo Agro, M. Sc., Pesq. IPA-Estação Experimental de Belém do São Francisco, CEP 56440-000 Belém do São Francisco-PE. Correio eletrônico:

jonas@ipa.br 5Engo Agro,D. Sc., Pesq. EPAMIG-DPPE, Caixa Postal 515, CEP 31170-000 Belo Horizonte-MG. Correio eletrônico: sanziomv@epamig.br

INTRODUÇÃO

A cebola, Alliumcepa L., é originária

das regiões que compreendem o Afeganis-

tão, Irã e partes do Sul da antiga União

Soviética. Pertence à família Alliaceae e é

classificada botanicamente como Allium

cepa L. O número básico de cromossomos

da cebola é 2n = 16. A protandria, ou seja,

o amadurecimento dos grãos de pólen,

ocorre antes da maturação do ovário, e con-

fere taxas de polinização cruzada próximas de 100%, sendo essa polinização efetuada basicamente por abelhas e dípteros, como as moscas.

Trata-se de uma espécie bienal que, sob

condições normais, produz, a partir das se-

mentes, bulbos no primeiro ano e sementes

no segundo ano, a partir dos bulbos. As

plantas são herbáceas, com folhas ocas

e cobertas por uma camada cerosa. O pseu-

docaule é formado pela superposição das

bainhas das folhas. O sistema radicular é

do tipo fasciculado, com poucas ramifica-

ções, concentrando-se nos primeiros 30 cm

de profundidade do solo. Os bulbos são

formados pelas bainhas carnosas das fo-

lhas e, nas partes externas, são envoltos

por túnicas brilhantes de coloração variá-

vel. O caule verdadeiro situa-se na base

do bulbo de onde partem as folhas e as

raízes.

No Brasil, a cebola destaca-se ao lado

da batata e do tomate como a olerícola eco-

nomicamente mais importante, tanto pelo

volume produzido, em torno de 1 milhão

toneladas/ano, quanto pela renda gerada.

A produção ocorre nas Regiões Sul (Pa-

raná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul),

que contribui com 62,2% da produção na-

cional, Sudeste (São Paulo e Minas Gerais),

com 25,2%, e Nordeste (Pernambuco e Bahia),

com 12,3%.

A cebolicultura nacional é uma ativi-

dade praticada principalmente por peque-

nos produtores e sua importância socio-

econômica fundamenta-se não apenas em

demandar grande quantidade de mão-de-

obra, contribuindo na viabilização de pe-

Cultivares de cebola Nivaldo Duarte Costa1

Daniela Lopes Leite2

Carlos Antônio F. Santos3

Jonas Araújo Candeia4

Sanzio Mollica Vidigal5

Resumo - As cultivares de cebola utilizadas para plantio no Nordeste brasileiro e em parte

do estado de Minas Gerais são de dias curtos, com ciclo em torno de 110 a 120 dias,

enquanto que as cultivadas em outros Estados são de dias intermediários, com ciclo em

torno de 130 a 210 dias. A maioria das cultivares plantadas no Brasil é do tipo 'Baia Peri-

forme', e mais de 80% das sementes utilizadas são produzidas no próprio país. O cultivo

de híbridos é empregado apenas por grandes empresas que utilizam alta tecnologia de

irrigação, sendo que a maioria dos produtores planta populações melhoradas, normalmente,

por seleção recorrente fenotípica. A escolha da variedade a ser plantada deve ser em

função do comprimento do dia da região produtora, da tolerância a doenças e pragas e do

tipo exigido pelo produtor, principalmente quanto à coloração e à forma.

Palavras-chave: Allium cepa; Híbridos; Variedades; Produtividade.

In forme Agropecuár io , Be lo Hor izonte , v .23 , n .218 , p .20-27 , 2002

21Cultura da Cebola

quenas propriedades, mas também em fi-

xar os pequenos produtores na zona rural,

reduzindo a migração para as grandes ci-

dades.

No Brasil, a cultura da cebola iniciou-

se no século 18, no Rio Grande do Sul

(Mos-tardas, Rio Grande e São José do

Norte), introduzida pelos açorianos. Em

Santa Catarina, o cultivo começou naregião

de Florianópolis e, nos anos 30, foi deslo-

cado para a região das nascentes do Rio

Itajaí do Sul (YKOYAMA, 1982). Logo em

seguida foi introduzido na Região Sudes-

te, no estado de São Paulo, utilizando-se o

plantio pelo sistema de mudas, bulbinhos

e semeadura direta. Nesta região, as cul-

tivares são geralmente de ciclos médio e

precoce, mais suaves e pouco exigentes

em fotoperíodo. A região de Piedade (SP)

produz duas safras/ano: a de mudas e a

de bulbinhos (DEBARBA et al., 1998). No

Nordeste brasileiro, a cebola foi introdu-

zida no final da década de 40 e é predo-

minantemente produzida no Vale do São

Francisco, onde o cultivo é realizado du-

rante o ano todo, com concentração de

plantio nos meses de janeiro a março, ge-

rando cerca de 15 mil empregos entre di-

retos e indiretos.

CLIMA

A cebola é uma hortaliça fortemente

influenciada por fatores ambientais, que

condicionam a adaptação de uma cultivar

a determinadas regiões geográficas. O fo-

toperíodo e a temperatura são os elemen-

tos climáticos que mais influenciam nas

fases vegetativa, a qual culmina na forma-

ção do bulbo, e reprodutiva, quando se ve-

rifica o florescimento e a produção de se-

mentes.

O fotoperíodo é um fator limitante para

a bulbificação, haja vista que a planta de

cebola só formará bulbos, se o comprimento

do dia for igual ou superior a um mínimo fi-

siologicamente exigido. Há considerável

variabilidade entre as cultivares quanto ao

mínimo de horas de luz para promover o

estímulo de bulbificação, de modo que po-

dem ser classificadas em:

a) cultivares de dias curtos: exigem de 11 a 12 horas de luz/dia;

b) cultivares intermediárias: exigem de 12 a 14 horas de luz/dia;

c) cultivares de dias longos: exigem mais de 14 horas de luz/dia.

O fotoperíodo varia de região para re-

gião, em função da latitude e da época do

ano, conforme mostra o Quadro 1.

cia de estresse biótico, e na indução do

florescimento. Após iniciar a formação dos

bulbos, uma cultivar poderá ter sua matura-

ção acelerada ou retardada em função da

temperatura. A cebola, sob condições de

temperatura elevada (30oC), na fase inicial

de desenvolvimento vegetativo das plan-

tas, poderá apresentar também bulbificação

precoce. Por outro lado, sob condições pro-

longadas de temperaturas baixas, em torno

de 12oC, poderá ser induzida a um floresci-

mento prematuro .

ÉPOCA DE PLANTIO

As distintas regiões produtoras de ce-

bola no país apresentam diversidade quan-

to às épocas de semeadura e colheita. Por

isso, vem sendo possível suprir a demanda

nacional com a produção interna durante o

ano todo.

A época de plantio deve ser definida

em função da compatibilização das exi-

gências fisiológicas da cultivar a ser plan-

tada, com as condições ambientais locais e

do mercado consumidor. O plantio na época

certa, determinada principalmente em fun-

ção das exigências de cada cultivar em rela-

ção ao fotoperíodo e à temperatura, propor-

ciona aumento da produtividade e melhoria

considerável na qualidade dos bulbos. Em

linhas gerais, a Região Sul que compreende

os estados de Santa Catarina, Rio Grande do

Sul e Paraná, efetua a semeadura no período

compreendido de abril a junho, com colhei-

ta de novembro a janeiro. A Região Sudeste,

representada por São Paulo e Minas Gerais,

faz semeadura no período de fevereiro a

maio e colheita de julho a novembro. A Re-

gião Nordeste, representada pelos estados

da Bahia e Pernambuco, privilegiada pelas

condições climáticas, pratica a semeadura

de janeiro a dezembro com concentração

nos meses de janeiro a março, possibili-

tando um escalonamento de plantio e pro-

dução com oferta de cebola em diferentes

períodos. Com isso, há condições de auto-

suficiência no abastecimento interno do

país ao longo do ano.

0° 12,0 12,0 12,0

09° S (PE) 12,5 11,5 12,5

15° S (DF) 12,5 11,1 12,0

23° S (SP) 13,5 10,0 13,5

32° S (RS) 14,5 9,0 14,5

QUADRO1 - Variação do fotoperíodo em fun- ção da latitude e da época do ano,

Brasil

Dezembro

FONTE: Silva e Vizzotto (1990).

Latitude

Fotoperíodo

(horas de luz)

Janeiro Junho

Desse modo, se uma cultivar do grupo

intermediário for cultivada no Submédio São

Francisco, que tem uma duração aproximada

de 11,5 a 12,5 horas de luz/dia, poderá ter

seu desenvolvimento fisiológico prejudica-

do, e apresentar entre outras anomalias um

percentual elevado de plantas improdu-

tivas, conhecidas como “charutos”. Por

outro lado, se uma cultivar de dias curtos

(precoce) for utilizada em regiões com foto-

período muito superior ao exigido, haverá

uma formação prematura de bulbos, que

normalmente não possuem valor comercial

pelo seu reduzido tamanho.

A influência da temperatura pode-se

manifestar nos diversos aspectos da cultu-

ra, afetando a capacidade de absorção de

nutrientes, em interação com o fotoperíodo

alterando o ciclo, condicionando a ocorrên-

In forme Agropecuár io , Be lo Hor izonte , v .23 , n .218 , p .20-27 , 2002

22 Cultura da Cebola

CULTIVARES

A cultivar a ser utilizada no plantio pode

ser escolhida em função das condições cli-

máticas da região produtora, bem como, do

tipo de bulbo exigido pelo mercado.

O atributo qualidade é fundamental

quando se trata de competitividade econô-

mica, e, em cebola, normalmente está associ-

ado à uniformidade dos bulbos em relação

ao tamanho, formato, cor, sabor, firmeza e

integridade da película externa, sanidade,

ausência de brotação e embalagem, em al-

guns casos. Assim, a grande alternativa

que se recomenda para a cebolicultura bra-

sileira é o melhoramento genético, com o

desenvolvimento de novas cultivares/hí-

bridos adaptadas às condições de cultivo

de cada região produtora (GANDIN et al.,

1998).

Como é sabido, a produção de uma la-

voura depende da cultivar que se utiliza e

dos tratos culturais que se aplicam. Na cul-

tura da cebola há disponibilidade de culti-

vares de polinização aberta e híbridos,

sendo estes em menor escala. No Brasil,

predominam as cultivares do tipo ‘Baia Pe-

riforme’, as quais foram selecionadas pa-

ra as principais regiões produtoras, embora

o país ainda importe sementes de cultiva-

res precoces tipo ‘Texas Grano-502’ que

são plantadas, principalmente, nas regiões

ceboleiras de São Paulo e do Vale do São

Francisco.

Os híbridos mais comumente plantados

são o ‘Granex 429’, ‘Mercedes’ e ‘Linda

Vista’, todos importados, pois o Brasil ainda

não dispõe de híbridos criados para as con-

dições brasileiras. Vale salientar que a dis-

ponibilização de híbridos nacionais poderá

ser importante para a cebolicultura brasilei-

ra. Fazendo-se uma boa seleção nas popula-

ções melhoradas já existentes, com algumas

características distintas, será possível com-

binar resistência a doenças e pragas, boas

características comerciais do bulbo, pro-

dutividade, precocidade, estabilidade pro-

dutiva ao longo do ano, bem como redução

do preço.

A produção de híbridos também pode-

rá ser relevante para se manter um bom

padrão de qualidade de sementes, o que

nem sempre se verifica com a produção de

sementes de cultivares de polinização livre,

tendo em vista a possibilidade de ser pra-

ticada por pessoas tecnicamente menos

qualificadas.

Em diversos estudos de adaptação de

cultivares de cebola às diferentes regiões

produtoras do país, foram demonstradas

produtividades entre 21,4 e 90,3 t/ha

(CHURATA-MASCA; SANTOS, 1983,

GANDIN et al., 1989, MURAKAMI et al.,

1995). Esta ampla variação pode ser explica-

da pelas diferenças genéticas das cultivares

e pelas condições edafoclimáticas dife-

rentes nas regiões produtoras de cebola.

Também, o comportamento de cultivares e

híbridos de cebola pode variar em função

do sistema de cultivo utilizado, pois Vidigal

et al. (2001) avaliando três cultivares de ce-

bola (‘Aurora’, ‘Madrugada’ e ‘Primavera’)

em três sistemas de produção: semeadura

direta mecanizada sem desbaste; trans-

plantio de mudas produzidas em canteiros

e transplantio de mudas produzidas em ban-

dejas de isopor, observaram que a produti-

vidade comercializável da cebola variou de

20.760 a 42.643 kg/ha, com destaque para a

cultivar Primavera (Quadro 2).

Costa et al. (2000), avaliando 20 cultiva-

res em Petrolina (PE), observaram produti-

vidades comerciais entre 21,41 e 61,78 t/ha,

com destaque para as cultivares Texas

Grano-PRR (61,78 t/ha); Granex-429 (58,28

t/ha); Texas Grano-438 (59,97 t/ha);

Brownsville (55,38 t/ha); Texas Grano-502

(53,97 t/ha) e Houston (53,35 t/ha), que não

diferiram entre si (Quadro 3).

Em estudo realizado na região Norte de

Minas Gerais, Vidigal et al. (2002) observa-

QUADRO2 - Produtividade total, comercial e não-comercial de três cultivares de cebola, em três sistemas de produção no Projeto Jaíba, EPAMIG, Jaíba-MG, 1999

Aurora

SD 44.790 a 36.278 a 80,99 8.512 a 19,01

MC 22.869 c 20.760 b 90,78 2.109 b 9,22

MB 29.529 b 24.332 b 82,40 5.197 b 17,60

C.V. (%) 7,17 8,96 27,72

Madrugada

SD 48.231 a 39.177 a 81,23 9.054 a 18,77

MC 30.701 b 23.796 b 77,51 6.905 ab 22,49

MB 25.063 b 21.589 b 86,14 3.474 b 13,86

C.V. (%) 12,17 12,03 25,50

Primavera

SD 50.109 a 42.643 a 85,10 7.465 a 14,90

MC 42.249 a 37.030 a 87,65 5.219 ab 12,35

MB 26.308 b 22.489 b 85,48 3.819 b 14,52

C.V. (%) 9,50 11,59 21,72

NOTA: SD - Semeadura direta; MC - Mudas produzidas em canteiros; MB - Mudas produzidas em

bandejas; C.V. - Coeficiente de variação.

Médias seguidas pela mesma letra nas colunas, para cada cultivar, não diferem entre si, pelo

teste de Tukey a 5% de probabilidade.

Produtividade

(kg/ha)

Total

(100%) Comercial % Não-comercial

Cultivares

%

In forme Agropecuár io , Be lo Hor izonte , v .23 , n .218 , p .20-27 , 2002

23Cultura da Cebola

ram que a produtividade comercializável da

cebola variou de 13,3 a 32,9 t/ha, com desta- que para os híbridos ‘Mercedes’ (32,9 t/ha) e ‘Linda Vista’ (29,3 t/ha), e que maiores produções de bulbos na classe 3 ocorre- ram com ‘Mercedes’, ‘Primavera’, ‘Linda Vista’, ‘Texas Grano-502’, ‘Aurora’ e ‘Alfa Tropical’. O híbrido ‘Linda Vista’ também destacou-se na produção de bulbos na

classe 4.

Finalmente, deve-se mencionar que o

país já tem uma grande produção de semen-

tes, como ocorre no semi-árido do Nordeste

brasileiro, onde cerca de 70% da demanda

já é produzida no Vale do São Francisco,

utilizando-se vernalização artificial dos bul-

bos. São produzidas sementes das cultiva-

res da série IPA e em menor proporção a

cultivar Alfa Tropical, que ainda passa por

seleção para uma melhor adaptação local.

As demais regiões do país são abastecidas

pela produção de sementes da Região Sul.

Região Nordeste

Para o primeiro semestre podem-se utili-

zar as cultivares de coloração amarela, com

ciclo variando de 110 a 130 dias da semea-

dura à colheita, tais como ‘Texas Early

Grano-502’, ‘Valeouro IPA-11’, e os híbridos

‘Granex-429’, ‘Granex-33’ e ‘Mercedes’, e

as cultivares com bulbos de coloração roxa:

‘Franciscana IPA-10’ e ‘Red Creole’. Para

semeaduras a partir de julho, deve-se dar

preferência às cultivares Pêra IPA-4 e Alfa

Tropical, de cor amarela, e de coloração roxa

(‘Franciscana IPA-10’). As cultivares da sé-

rie IPA foram desenvolvidas pela Empresa

Pernambucana de Pesquisa Agropecuá-

ria (IPA), para atenderem aos plantios do

primeiro e do segundo semestres no Vale

do São Francisco. Enquanto que a culti-

var Alfa Tropical foi desenvolvida pela

Embrapa Hortaliças e pela EPAMIG, para

plantio do segundo semestre, a qual passa

por um processo de melhoramento gené-

tico, conduzido pela Embrapa Semi-Árido,

objetivando melhor adaptação na região do

Submédio São Francisco.

As principais cultivares para a Região

Nordeste são: ‘Valeouro IPA-11’, ‘Francis-

cana IPA-10’, ‘Mercedes’, ‘Linda Vista’,

‘Alfa Tropical’, ‘Texas Early Grano-502’,

‘Texas Early Grano-502 PRR’, ‘Pêra IPA - 4’.

Região Sul

Nesta região, utilizam-se materiais ge-

nótipos de ciclos precoce, médio e tardio,

com maior pungência, mais exigentes em

fotoperíodo e com boa capacidade de arma-

zenamento. Em Santa Catarina, a produção

está concentrada na região do Alto Vale

do Itajaí, especificamente nos municípios de

Ituporanga e circunvizinhos. No Rio Gran-

de do Sul, concentra-se na região Sul do

Estado (Rio Grande, São José do Norte, Ta-

vares e Mostardas). No Paraná, a produção

é realizada próximo a Curitiba (Araucária,

Campo Largo, Quitandinha, Mandirituba,

Imbituva e Contenda).

As principais cultivares para a Região

Sul são: ‘Aurora’, ‘Baia Periforme’, ‘Crioula

Mercosul’, ‘Diamante’, ‘Empasc 352’, ‘Bola

Precoce’, ‘Empasc 355-Juporanga’, ‘Epagri

362’, ‘Crioula Alto Vale’, ‘Epagri 363’, ‘Su-

perprecoce’, ‘Madrugada’, ‘Petroline’, ‘Pri-

mavera’.

Região Sudeste

Nesta região, o plantio é feito pelos sis-

temas de mudas e direto. As cultivares são

QUADRO 3 - Produtividade total comercial de cebola no Vale do São Francisco, Embrapa Semi-Árido,

Petrolina (PE), 2000

Cultivares

Produtividade

(t/ha)

Total Comercial

FONTE: Costa et al. (2000).

NOTA: Médias seguidas pela mesma letra nas colunas não diferem entre si, pelo teste de Duncan a 5%

de probabilidade.

Texas Grano-PRR 62,71a 61,78a

Ganex-429 58,49 ab 58,28 ab

Texas Grano-423 57,79 ab 56,97 ab

Brownsville 56,02 ab 55,38 ab

Texas Grano-502 54,20 ab 53,97 ab

Houston 53,92 ab 53,35 ab

Alfa Tropical (Cnph-6179) 49,86 bc 48,96 bc

Cnph-6067 43,82 cd 43,34 cd

Franciscana IPA-10 (Roxa) 42,99 cd 42,68 cd

Valeouro IPA-11 40,25 cde 39,54 cde

Cnph-6074 39,50 de 38,86 cde

Cnph-5898 36,26 de 35,49 de

Composto IPA-6 35,62 de 34,73 de

Xp-1 35,37 de 33,77 de

Belém IPA-9 35,22 de 33,76 de

Bola P. Empasc 33,79 def 32,40 ef

Cnph-6040 30,93 efg 30,36 ef

Conquista 29,89 efg 29,40 f

Crioula Mercosul 24,70 fg 22,31 f

Xp-2 23,89 fg 21,41 f

C.V. (%) 15,42 16,56

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