Edmarachaves 2006
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edmaracosta18 de Maio de 2015

Edmarachaves 2006

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Dissertação de Mestrado - Saúde Pública.
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(Microsoft Word - EDMARA - DISSERTA\307\303O.doc)

1

Universidade Estadual do Ceará

Edmara Chaves Costa

ANIMAIS DE ESTIMAÇÃO: uma abordagem psico-sociológica da concepção

dos idosos

Fortaleza – Ceará 2006

2

______ Costa, Edmara Chaves Animais de estimação: uma abordagem psico-

sociológica da concepção dos idosos. ___2006.

195p. Orientadora: Profa. Dra. Maria Irismar de Almeida Dissertação (Mestrado Acadêmico em Saúde

Pública) – Universidade Estadual do Ceará, Centro de Ciências da Saúde.

1. Animal de estimação 2. Idoso 3. Representações Sociais. I. Universidade Estadual do Ceará, Centro de Ciências da Saúde. CDD:

3

Universidade Estadual do Ceará Edmara Chaves Costa

ANIMAIS DE ESTIMAÇÃO: uma abordagem psico-sociológica da concepção

dos idosos

Dissertação apresentada ao Curso de Mestrado Acadêmico em Saúde Pública do Centro de Ciências da Saúde, da Universidade Estadual do Ceará, como requisito parcial para obtenção do título de Mestre em Saúde Pública. Orientadora: Profa. Dra. Maria Irismar de Almeida

Fortaleza – Ceará 2006

4

U.E.C.E

Universidade Estadual do Ceará _____________________________________________________

Curso de Mestrado Acadêmico em Saúde Pública

FOLHA DE AVALIAÇÃO

Título da dissertação: “ANIMAIS DE ESTIMAÇÃO: UMA ABORDAGEM PSICO- SOCIOLÓGICA NA CONCEPÇÃO DOS IDOSOS” Nome da Mestranda: Edmara Chaves Costa Nome da Orientadora: Profa. Dra. Maria Irismar de Almeida DISSERTAÇÃO APRESENTADA AO CURSO DE MESTRADO ACADÊMICO EM SAÚDE PÚBLICA/CCS/UECE, COMO REQUISITO PARCIAL PARA OBTENÇÃO DO GRAU DE MESTRE EM SAÚDE PÚBLICA, ÁREA DE CONCENTRAÇÃO EM ”SAÚDE E SOCIEDADE”.

BANCA EXAMINADORA

_________________________________________ Profa. Dra. Maria Irismar de Almeida (Orientadora e Presidente) _________________________________________ Profa. Dra. Sheva Maia da Nóbrega (1o membro da banca) __________________________________________ Profa. Dra. Maria Dalva Santos Alves (2o membro da banca)

Data da Defesa em: 23 / 02 / 2006

5

Dedicatória

A Deus, pois é essa dimensão espiritual que nos

impulsiona em todos os momentos da vida.

Ao meu amor, Alexandro, exemplo de perseverança,

organização e força, marido dedicado, amoroso e

responsável.

Ao meu filhinho querido, objeto do amor mais

profundo que um ser humano pode dedicar a outro.

Às três mulheres da minha vida: minha mãe

Deuzinda, minha irmã Larissa, ou “Lá”, como a chamo, e

minha vó Neném [in memorian], pelo cuidado extremo que

me dispensam, pois sempre olham por mim onde quer

que estejam.

Ao meu pai, Edmar, e a meu irmão, Wander, que

nunca me faltaram nas horas em que mais precisei.

Às mulheres do Grupo de Convivência, pelo carinho

maternal que me dispensaram.

6

Agradecimentos

À Universidade Estadual do Ceará por ser um porto seguro, abrindo seus

braços para me receber de volta aos seus bancos sempre que necessito. Fazer

parte dessa realidade acadêmica é, antes de tudo, um privilégio e uma conquista.

À professora doutora Maria Irismar de Almeida, minha orientadora, que

me aceitou como orientanda e possibilitou a realização de um sonho.

À professora doutora Maria Salete Bessa Jorge por ser um exemplo de

fibra, uma guerreira incansável, por ter-me estendido a mão amiga apesar das

atribulações do seu cotidiano. Sua coragem me inspira a procurar forças, mesmo

quando não parece existir mais sequer esperança.

À professora doutora Sheva Maia da Nóbrega que, apesar da distância,

valorizou meu trabalho e o fez tornar-se realidade, que ajudou a transformar carvão

em diamante com doçura e desapego comoventes.

À professora doutora Maria Dalva Santos Alves por ter aceito o desafio de

examinar meu trabalho com grande simpatia.

À minha família por ser meu ego auxiliar, dar-me cobertura, por ocupar as

vagas (não-remuneradas) de pesquisadores auxiliares, equipe de apoio, fonte de

inspiração, torcida organizada, meus fãs, meus ídolos, meus amores, pois foi essa

turma que sofreu comigo, caminhou ao meu lado e resistiu, com dignidade, à minha

ausência diária.

Ao SESC-Fortaleza por abrir suas portas e acolher minha pesquisa.

À equipe do TSI (Trabalho Social com Idosos do SESC) por me

incorporarem à equipe, minimizando, o quanto pôde, o sentimento de “estranho no

ninho” que cerca o encontro com o desconhecido, por ser disponível e alegre apesar

da correria do seu dia-a-dia.

7

Aos professores do Mestrado Acadêmico em Saúde Pública por

compartilharem seus conhecimentos e experiências, por estimularem nossa

curiosidade científica e nos apresentarem as ferramentas para a construção de

novos saberes.

Aos funcionários(as) do Mestrado Acadêmico em Saúde Pública,

especialmente, Mairla, Maria e Cirilo, pela dedicação, simpatia e empenho que

dedicam ao trabalho e aos alunos. O que seria de mim sem o cafezinho da Maria?

Aos meus colegas de curso que experienciaram comigo todas as fases

dessa jornada e, mesmo assim, não perderam o senso de humor, a alegria e

irreverência característicos da turma.

À minha orientadora da graduação, professora Telma Cavalcante

Campos, sem cujo apoio eu sequer teria ingressado no mestrado.

Ao professor Itamar Filgueiras por corrigir minha dissertação de um jeito

como só ele é capaz, mas, acima de tudo, por ser um exemplo de amor à profissão

de mestre.

À CAPES por ter possibilitado, financeiramente, minha dedicação

exclusiva no último ano.

Às mulheres do Grupo de Convivência do SESC-Fortaleza, pela

participação nesse estudo, pelo acolhimento nos meses em que estive lá, uma

intrusa que se sentiu querida nos muitos abraços que recebeu. Sem vocês,

essa pesquisa não se tornaria realidade.

8

RESUMO

Esta pesquisa dedica-se ao estudo das concepções dos idosos sobre os animais de estimação numa perspectiva psico-sociológica. Neste contexto, buscou-se apreender as representações sociais do idoso sobre a convivência com animais de estimação, suas representações em relação aos riscos e benefícios atribuídos a essa convivência, bem como, apreender os processos sociocognitivos que se encontram refletidos nos sentimentos, concepções e atitudes dos idosos frente aos animais de estimação, enquanto representações sociais. O estudo tem como eixo a Teoria das Representações Sociais, sua natureza é, por excelência, qualitativa, mas apresenta duas etapas quantitativas. Foi desenvolvido no Grupo de Convivência do SESC-Fortaleza (Serviço Social do Comércio), tendo como sujeitos 200 mulheres com idade igual ou superior a 60 anos. Em primeiro lugar, utilizou-se o Teste de Associação de Palavras, com as 200 mulheres (100 delas convivem com animais de estimação e 100 não convivem com animais). Os estímulos indutores foram: (1) animal de estimação, (2) riscos da convivência com animais de estimação, (3) benefícios da convivência com animais de estimação, (4) saúde, (5) doença, (6) velhice e (7) si mesma. Em associação com o teste, utilizamos um questionário para obter o perfil sociodemográfico dos grupos, assim como algumas particularidades sobre a convivência com animais de estimação. Subseqüentemente, a partir da entrevista semi-estruturada coletamos os depoimentos de 20 mulheres que convivem com animais de estimação com a pergunta inicial: ”O que representa para você o animal de estimação?”. O desenho-estória com tema foi a técnica auxiliar empregada na coleta dos dados qualitativos. As palavras evocadas no TAL sofreram processamento pelo software TRI-DEUX-MOTS, sendo submetidas à Análise Fatorial de Correspondência. Os dados do questionário sociodemográfico foram processados no pacote estatístico SPSS, sendo, posteriormente, organizados em quadros, tabelas e figuras. As narrativas oriundas das entrevistas e do desenho-estória com tema foram analisadas pela técnica de análise de conteúdo do tipo categorial. As representações apreendidas foram distribuídas em cinco categorias: quando a solidão se revela; benefícios da convivência com animais de estimação; riscos da convivência com animais de estimação; antropoformização do animal de estimação e perda do animal de estimação. Observou-se, na execução das várias técnicas e instrumentos, um enaltecimento dos benefícios da convivência com o animal de estimação, seguido por momentos de silêncio e negação, num posicionamento defensivo, em relação aos riscos dessa convivência. São mulheres solitárias, carentes de suporte social que ancoram seu adoecimento em termos como desânimo e dor. Nesse contexto, o animal de estimação é investido de papel social, fonte de conforto afetivo, mas não de cura. Palavras-chave: Idoso; Animal de estimação; Representações sociais.

9

ABSTRACT

This research is dedicated to the study of elderly conceptions about pets in a psico- socialogical perspective. In this context, the purposes of the search were apprehend the social representations of elderly people about the sociability with pets, their representation about risk and benefits of this close association and the sociocognitive processes that reflect feelings, conceptions and attitudes of the elderly about pets. It’s a qualitative search and its theoretical approach was the Social Representation Theory and the use of the multi- methods. Its investigation field was SESC, an elderly people sociability center. The people who take part in the research were two hundred women aged 60 years-old or more. First, it was used the Test of Free Association of words with the 200 subjects (100 that live together pets and 100 that don’t live together them). The inductor stimulus were: (1) pets, (2) risks of the close association with pets, (3) benefits of the close association with pets, (4) health, (5) disease, (6) old age, and (7) “self”. In association with the test, it was done a socialdemografic profile questionnaire. Subsequently, it was applied the interview technique with 20 women who live together pets using the question: “what pets represents to you?” It was used the drawing-story with theme technique to complement the qualitative data collection. The evoked words in the Test of Free Association were processed in the Tri-Deux- Mots software and submitted to the Factorial Correspondence Analyze. The socialdemografic questionnaire data were processed in SPSS statistic package and organized in tables and figures. The interviews and drawing-story narratives were analyzed by the content analysis technique (categorical kind). The apprehended representations were organized in five categories: when the loneliness become unveiled, benefits of the close association with pets, pets anthropophormization and pets lost. It was observed, with the multi-method techniques, that the benefits of pet close association are exalted and the risks are kept silent and refused. They’re lonely women who need social support an anchor their illness in words like discouragement and pain. In this context, a social role is given to pets, they’re source of affective comfort, but not the cure to emotional problems.

Keywords: Elderly; Pets; Social Representations.

10

SUMÁRIO

Lista de abreviaturas e siglas .......................................................................... 12

Lista de desenhos............................................................................................ 13

Lista de figuras ................................................................................................ 13

Lista de gráficos .............................................................................................. 14

Lista de quadros .............................................................................................. 14

Lista de tabelas ............................................................................................... 15

1 INTRODUÇÃO À TEMÁTICA EM QUESTÃO ............................................. 16

1.1 Aproximação com o objeto de pesquisa ............................................... 18

1.2 Objeto da pesquisa ............................................................................... 20

2 OBJETIVOS DO ESTUDO ........................................................................... 22

3 A LITERATURA ........................................................................................... 23

3.1 O idoso: produto de seus adoecimentos?............................................. 23

3.2 Os riscos e benefícios da convivência do idoso com animais de estimação ....................................................................................................

29

4 REFERENCIAL TEÓRICO: A TEORIA DAS REPRESENTAÇOES SOCIAIS ....................................................................................................

33

5 DESENHO METODOLÓGICO .................................................................... 44

5.1 Natureza do estudo .............................................................................. 44

5.2 Campo da pesquisa .............................................................................. 44

5.3 População Alvo/Amostra ...................................................................... 44

5.4 Mecanismos e estratégias de coleta de dados...................................... 46

5.5 Tratamento dos dados .......................................................................... 49

5.6 Questões éticas .................................................................................... 51

6 ENCONTROS E DESENCONTROS NO ATO DE PESQUISAR ................. 52

7 CONHECENDO OS SUJEITOS DA PESQUISA ......................................... 58

7.1 Particularidades das idosas que convivem com animais de estimação..............................................................................................

67

7.2 Particularidades das idosas que não convivem com animais de estimação..............................................................................................

70

8 ANIMAIS DE ESTIMAÇÃO: Quando os afetos implicam riscos à saúde...........................................................................................................

75

9 ANIMAIS DE ESTIMAÇÃO: O que diz o senso comum?............................. 91

11

9.1 Categoria 1: Quando a solidão se revela (QSR) ................................... 92

9.2 Categoria 2: Benefícios da convivência com o animal de estimação (BCAE) ........................................................................................................

94

9.3 Categoria 3: Riscos da convivência com animal de estimação (RCAE) 105

9.4 Categoria 4: Antropoformização do animal de estimação (AAE) .......... 111

9.5 Categoria 5: Perda do animal de estimação (PAE) .............................. 113

10 DESENHO-ESTÓRIA COM TEMA ............................................................ 117

11 CONSIDERAÇÕES FINAIS ....................................................................... 128

REFERÊNCIAS ............................................................................................... 130

APÊNDICES ................................................................................................... 138

Apêndice I – Termo de Consentimento Livre e Esclarecido............................ 139

Apêndice II – Termo de Consentimento da Instituição.................................... 140 Apêndice III – Teste de Associação de Palavras............................................. 141 Apêndice IV – Questionário de perfil do grupo que convive com animal de

estimação...................................................................................

142

Apêndice V – Questionário de perfil do grupo que não convive com animal de estimação..............................................................................

143

Apêndice VI – Pergunta de partida para a entrevista...................................... 144

Apêndice VII – Dicionário de palavras............................................................. 145

ANEXOS ......................................................................................................... 176 Anexo I – Banco de dados............................................................................... 177 Anexo II – Arquivo IMPMOT do software TRI-DEUX-MOT.............................. 186 Anexo III – Arquivo ANECAR do software TRI-DEUX-MOT............................ 192 Anexo IV – Parecer do Comitê de Ética em Pesquisa da Universidade

Estadual do Ceará .....................................................................

195

12

LISTA DE ABREVIATURAS E SIGLAS

AFC – Análise fatorial de Correspondência

IBGE - Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística

PMF - Prefeitura Municipal de Fortaleza

SER - Secretaria Executiva Regional

SESC - Serviço Social do Comércio

SPSS - Statiscal Package for the Social Science

TAL - Teste de Associação Livre

TSI - Trabalho Social com Idosos

13

LISTA DE DESENHOS

DESENHO 1 - O gato ................................................................................ 117

DESENHO 2 - O pássaro .......................................................................... 117

DESENHO 3 - A beleza dos pássaros ....................................................... 117

DESENHO 4 - Os brinquedos do D ........................................................... 119

DESENHO 5 - A casa ................................................................................ 119

DESENHO 6 - O cachorro ......................................................................... 119

DESENHO 7 - O gatinho ........................................................................... 119

DESENHO 8 - Petinho ............................................................................... 119

DESENHO 9 - A gatinha feliz .................................................................... 120

DESENHO 10 - Meu canil ............................................................................ 120

DESENHO 11 - Rauf ................................................................................... 122

DESENHO 12 - História triste ...................................................................... 122

DESENHO 13 - A queda .............................................................................. 123

DESENHO 14 - O dia que ele quase morre ................................................ 123

DESENHO 15 - Herança ............................................................................. 124

DESENHO 16 - Desencontro ....................................................................... 124

DESENHO 17 - Passeio da tarde ................................................................ 125

DESENHO 18 - A caminhada ...................................................................... 125

DESENHO 19 - Cão herói ........................................................................... 126

DESENHO 20 - Vida .................................................................................... 126

LISTA DE FIGURAS

FIGURA 1- Divisão administrativa da cidade de Fortaleza-Ce em seis secretarias regionais – Ano 1997 ........................................

44

FIGURA 2 - Escolaridade dos idosos nos grupos 1 e 2 .......................... 60

14

FIGURA 3 - Arranjo familiar dos idosos dos grupos 1 e 2 ....................... 62

FIGURA 4 - Animal de estimação como membro da família.................... 68

FIGURA 5 - Animal de estimação como companhia................................ 68

FIGURA 6 - Animal de estimação como fonte de preocupação............... 69

FIGURA 7 - Animal de estimação como amigo........................................ 69

FIGURA 8 - Animal de estimação como fonte de diversão...................... 69

FIGURA 9 - Número de pessoas que já tiveram animal de estimação.... 70

FIGURA 10 - Esquema ilustrativo da estruturação do sistema central e periféricos das representações manifestas nos principais estímulos contemplados na pesquisa...................................

87

LISTA DE GRÁFICOS

GRÁFICO 1 - Representação gráfica dos fatores 1 e 2 .............................. 76

LISTA DE QUADROS

QUADRO 1 - Freqüência relativa (Fr) das evocações e estímulos indutores .............................................................................

83

QUADRO 2 - Freqüência relativa (Fr) das evocações e estímulos indutores (complementares) ................................................

84

QUADRO 3 - Freqüência relativa (Fr) das evocações e estímulos indutores nos distintos grupos .............................................

85

QUADRO 4 - Freqüência relativa (Fr) das evocações e estímulos indutores complementares nos distintos grupos ..................

85

QUADRO 5 - Distribuição das categorias e subcategorias simbólicas emergidas dos discursos dos sujeitos .................................

91

15

QUADRO 6- Verbalizações da categoria quando a solidão se revela e suas subcategorias .............................................................

92

QUADRO 7 - Verbalizações da categoria benefícios da convivência com animais de estimação e suas subcategorias .......................

94

QUADRO 8 - Verbalizações da categoria riscos da convivência com animais de estimuação e suas subcategorias......................

106

QUADRO 9 - Verbalizações da categoria antropoformização do animal de estimação e suas subcategorias ....................................

111

QUADRO 10 - Verbalizações da categoria perda do animal de estimação e suas subcategorias ...........................................................

114

QUADRO 11 - Distribuição das categorias simbólicas emergidas das narrativas dos sujeitos no Desenho-estória com Tema .......

117

LISTA DE TABELAS

TABELA 1 - Distribuição da característica idade das integrantes dos grupos 1 e 2 ..........................................................................

58

TABELA 2 - Estado civil das idosas dos grupos 1 e 2 .............................. 59

TABELA 3 - Tempo de viuvez das idosas dos grupos 1 e 2 ..................... 59

TABELA 4 - Tipo de ocupação das idosas dos grupos 1 e 2..................... 61

TABELA 5 - Autopercepção da saúde pelas idosas dos grupos 1 e 2 ...... 63

TABELA 6 - Percepção da saúde em relação aos pares das idosas dos grupos 1 e 2 ..........................................................................

64

TABELA 7 - Relato de doenças crônico-degenerativas pelas idosas dos grupos 1 e 2 ..........................................................................

64

TABELA 8 - Correlação entre autopercepção da saúde entre as idosas com o relato de doenças crônico-degenerativas nos grupos 1 e 2 .......................................................................................

66

TABELA 9 - Correlação entre autopercepção da saúde pelas idosas em relação aos seus pares nos grupos 1 e 2 ..............................

66

TABELA 10 - Classificação dos animais de estimação pelas idosas do grupo 1 .................................................................................

68

TABELA 11 - Classificação dos animais de estimação pelas idosas do grupo 2 ..................................................................................

70

TABELA 12 - Relação de motivos para não ter animal de estimação.........

71

16

1 INTRODUÇÃO À TEMÁTICA EM QUESTÃO

A princípio, o projeto de pesquisa estava centrado na execução de um

estudo eminentemente epidemiológico, do tipo transversal, estatisticamente

representativo da população que focalizasse os riscos e benefícios de se possuir

animais de estimação1. Entretanto, durante a entrevista de seleção para o Curso de

Mestrado Acadêmico em Saúde Pública, fui confrontada com o seguinte

questionamento por parte da banca: “Você não acha que este tema é muito subjetivo

para estudar assim?” De início, essa pergunta provocou um significativo impacto em

minhas expectativas, mas, em seguida, me fez despertar e me instigou a perceber

um lado da questão para o qual nunca havia antes atentado. Portanto, a partir desse

marco, vi-me obrigada a rever parâmetros e repensar situações vividas no cotidiano

acadêmico e profissional por uma óptica diferente.

Tenho uma formação biomédica, calcada no ser biológico, no tratamento

e cura do corpo doente. Aprendi, na Faculdade de Veterinária, a proteger o homem

cuidando dos animais; assim, esmerei-me no estudo da patologia, farmacologia,

clínica médica e de todas as demais disciplinas curriculares que encontrei pelo

caminho. Todavia a integridade da saúde humana, apesar de ser uma preocupação

constante, aparecia sempre de forma indireta e nos moldes biológicos da medicina

tradicional. A partir do questionamento desse modelo, passei a relembrar as

experiências com os clientes de clínicas veterinárias por onde passei. Eram pessoas

das mais diversas idades, gêneros e etnias, com os mais variados graus de apego

aos seus animais de estimação, pessoas que se auto-intitulavam pais, mães e, até

mesmo, avós de seus bichinhos, uma verdadeira “rede familiar” permeada por

sentimentos e experiências compartilhadas durante a consulta médica que,

geralmente, ultrapassava os limites biológicos.

Muitas vezes, deparei com as lágrimas dos clientes frente ao adoecimento

animal, sem falar como era constante ouvir-se sobre a importância vital representada

1 ‘Animal de estimação’ é o termo utilizado para traduzir ‘pets’ do inglês (Dicionário Michaelis), podendo-se utilizar como sinônimo do termo ‘animal de companhia’. Tomamos como animais de estimação cães, gatos, peixes, aves, ferrets, algumas espécies de jabuti, hamsters, iguanas entre outros animais domésticos e exóticos que convivam no ambiente familiar.

17

por esses seres para as suas vidas. A academia não nos prepara para isso; sequer

fui avisada de que teria que lidar com a subjetividade humana. Então, a partir

daquela entrevista de seleção, percebi que, trabalhando com a saúde animal,

influenciaria não só a integridade física do ser humano, mas, junto com ela, uma

carga emocional imensa que a ciência pouco conhece e que, quando tenta estudar,

escolhe as ferramentas inadequadas.

Após um longo percurso de incertezas, descobertas, construção,

desconstrução e reconstrução, redescobri minha pesquisa e, agora, a vejo com

outros olhos. Tenho a visão aberta para tudo que represente possibilidade de

aprofundamento do meu trabalho sem ter que abdicar do rigor, que é próprio da

ciência.

Desde então, foi grande a busca por literatura que abordasse a temática

da interação homem-animal de estimação. Nesse sentido, Grant e Olsen (1999)

relatam que a relação entre humanos e animais tem sido reconhecida nos últimos

anos, e a posse de animais de estimação está associada a benefícios para a saúde

tanto emocional quanto física, todavia, a convivência com animais também pode

representar riscos para a saúde devido à transmissão zoonótica de doenças

infecciosas, especialmente em pessoas imunologicamente comprometidas. Nessa

perspectiva, Johnson et al. (2003) analisam que o componente benefício na relação

risco-benefício, freqüentemente, pode ser incompreendido ou subestimado por

profissionais de saúde ao considerarem a interação homem-animal nesse contexto,

que é, muitas vezes, desencorajada.

Sob essa ótica, o objeto de estudo passa a exibir forte conotação de

interesse para o campo da saúde pública, especialmente no que tange ao domínio

da medicina veterinária, pois, como ressalta Pfuetzenreiter (2004), a luta contra as

zoonoses se constitui em uma das principais atividades da saúde pública veterinária,

considerando-se que essas enfermidades constituem um importante fator de

morbidade e pobreza pelas infecções agudas e crônicas que causam aos seres

humanos. Entretanto, ao considerar a veterinária como profissão cruzada, voltando-

se simultaneamente aos seres humanos e aos animais, deseja-se, nesse caminho

de investigação, abraçar tanto a preocupação com a integridade física dos sujeitos

como com a carga afetiva agregada ao tema de estudo e às suas repercussões no

bem-estar psicossocial desses indivíduos.

18

1.1 Aproximação com o objeto de pesquisa

Alguma literatura específica existe disponível sobre o assunto, na quase

totalidade internacional. Em âmbito nacional, o que se encontra são trabalhos

empíricos sobre Atividades Assistidas por Animais e Terapias Assistidas por Animais

conhecidas como zooterapias. Em São Paulo, existe um trabalho denominado o Cão

do Idoso – um projeto iniciado no ano 2000 por voluntários, em que cães são

levados a asilos no intuito de promover o bem-estar aos idosos, mas, infelizmente,

não há dados sistemáticos disponíveis no país sobre a influência de animais de

estimação na saúde das pessoas e suas conseqüências. Em pesquisa empreendida

no portal da CAPES, apenas duas dissertações de mestrado e uma tese de

doutorado abordam a temática da posse de animais de estimação (ROSSANO,

2003; SCHOENDORFER, 2001; MARTINS, 1999).

O estudo elaborado por Rossano (2003), “Representações de animal na

contemporaneidade: uma análise na mídia impressa”, demonstra o mosaico de

representações de animal na cultura contemporânea através da perspectiva dos

estudos culturais pela análise de matérias jornalísticas e de peças publicitárias

veiculadas na mídia impressa.

Schoendorfer (2001) levanta, em seu trabalho, a questão da “Interação

homem-animal de estimação na cidade de São Paulo: o manejo inadequado e as

conseqüências em saúde pública”. O estudo citado traça um diagnóstico sobre a

relação entre o manejo inadequado dos animais e o risco para a saúde tanto animal

quanto humana.

Por sua vez, Martins (1999) publicou a dissertação: “Indivíduos HIV-

Positivos e animais de estimação: Um estudo com pacientes, profissionais da saúde

humana e veterinários no Distrito Federal” que trata das relações e interações entre

indivíduos portadores do HIV e seus animais de estimação e de como os

profissionais de saúde humana e veterinários se comportam diante dessa

problemática. Observa -se, portanto, que, no âmbito das produções acadêmicas

nacionais, a produção é incipiente.

Na MedLine, cinco títulos internacionais, nos últimos cinco anos,

relacionam, especificamente, animais de estimação à saúde do idoso (BAUN e

19

McCABE, 2003; JOHNSON e MEADOWS, 2002; McCABE et al, 2002; BARAK et al,

2001; RAINA et al, 1999). Baun e McCabe (2003) trabalharam o tema “Animais de

companhia e pessoas com demência do tipo Alzheimer”, ao pesquisarem evidências

de que a presença de um animal de companhia pode aumentar a socialização de

pessoas diagnosticadas com demência do tipo Alzheimer e reduzir comportamentos

de agitação nas diversas fases de evolução da doença. Adicionalmente, as autoras

evidenciaram o potencial benefício sobre os cuidadores através da redução do

estresse psicológico pela presença do animal de companhia.

Johnson e Meadows (2002) no artigo “Idosos latinos, Animais de

estimação e Saúde”, estudaram a extensão do relacionamento entre pessoas idosas

de origem latina e seus animais de estimação e como essa relação poderia

beneficiar a saúde desses indivíduos. Por sua vez, McCabe et al. (2002), com o

trabalho: “Cão residente na Unidade de Cuidados Especiais de Alzheimer”,

evidenciaram os efeitos terapêuticos de cães sobre pessoas residentes em

Unidades de Cuidados Especiais de Alzheimer. Barak et al. (2001), em “Terapia

Assistida por Animais para pacientes idosos esquizofrênicos” mostraram a atividade

como adequada para o incremento da socialização e do bem-estar geral dos

pacientes.

Por fim, Raina et al. (1999), com o trabalho intitulado “A influência de

animais de companhia na saúde física e psicológica de pessoas idosas: uma análise

do estudo longitudinal de um ano”, examinaram como a relação com animais de

companhia está associada a mudanças na saúde física ou psicológica em pessoas

idosas e se a relação entre saúde física e psicológica é modificada pela presença ou

ausência de um animal de estimação. O interessante desse último artigo reside num

comentário realizado nas conclusões, em que o autor afirma que “os resultados

demonstram os benefícios da posse de animais de estimação em manter ou

aumentar levemente os níveis de atividade da vida diária de pessoas idosas.

Entretanto, uma ligação mais complexa foi observada entre a posse de animais de

estimação e o bem-estar das pessoas idosas”.

Dentre os trabalhos apresentados, faz-se mister observar a dominância

da abordagem quantitativa. Apenas um título abrangia a associação entre

representações e animais de estimação - “Representações dos animais de

estimação nas redes sociais das crianças”, por McNicholas et al. (2001), em que os

20

autores perceberam que animais de estimação são citados pelas crianças em nível

mais alto quanto a seus relacionamentos sociais do que certos tipos de

relacionamentos humanos; os animais são vistos como fonte de conforto,

funcionando como suporte para a estima e como confidentes para um segredo. Por

outro lado, vale salientar que um número significativo de artigos pôde ser listado na

MedLine quando se leva em consideração o tema geral envolvendo o processo de

saúde/doença em grupos humanos relacionados com a posse de animais de

estimação e os riscos/benefícios dessa relação. Nenhum título associado ao tema foi

identificado na SciELO.

1.2 O objeto da pesquisa

Através da Teoria das Representações Sociais, busca-se apreender as

representações pelos idosos dos animais de estimação através de uma abordagem

psico-sociológica. Entende-se que as pessoas tendem a construir teorias do senso

comum que, por um lado, funcionam no sentido de explicar os fenômenos que estão

sendo representados e, por outro , podem sustentar suas práticas sociais.

O foco da pesquisa é o idoso não-institucionalizado ou hospitalizado.

Optou-se, assim, por trabalhar com a população idosa, pois os indivíduos desse

grupo fazem parte do rol das pessoas imunocomprometidas e, portanto, correm risco

de adquirirem doenças do tipo oportunista pela convivência com animais de

estimação; além do mais, constituem uma parcela da população que mais cresce no

contexto mundial2, que está sujeita a perdas dos mais variados tipos em seu

cotidiano, bem como necessitam de maior suporte social, podendo, portanto, ser

beneficiados pela convivência com animais de estimação. Nesse contexto, deseja-se

fazer emergir a representação do idoso quanto à problemática em questão, para

que, a partir daí, se possa averiguar e explorar a importância dessa representação

na determinação dos fenômenos responsáveis pelo processo de saúde-doença na

população idosa.

2 Segundo Filho e Ramos (1999, p.446) na cidade de Fortaleza observa-se um percentual de idosos de quase 8%, sendo, deste modo, similar ao registrado na cidade de São Paulo e superior à média nacional.

21

Esse estudo preenche lacuna do conhecimento acerca do tema. Numa

sociedade que envelhece, nota-se, cada vez mais, a presença dos animais de

estimação nos lares e o papel desempenhado por eles no suporte psicossocial às

pessoas. Levando-se em consideração não apenas o fato de que vivemos no país

um processo de transição demográfica, mas ressaltando, também, um perfil de

transição epidemiológica, em que se convive, lado a lado, com doenças infecto-

parasitárias e crônico-degenerativas, a pesquisa tenta despertar a investigação

científica para uma face pouco explorada do processo de saúde/doença na

população.

Espera-se que os resultados possam funcionar como um alerta para a

necessidade de criação de programas educacionais em saúde, envolvendo temas

como a posse responsável de animais de estimação e a prevenção de zoonoses,

assim como chamar a atenção dos profissionais e da sociedade para aspectos

pouco suscitados da vida da população idosa, que podem, de alguma maneira,

interferir na sua saúde, de forma positiva e/ou negativa.

22

2 OBJETIVOS DO ESTUDO

Apreender:

as representações sociais do idoso sobre a convivência com os animais

de estimação no seu cotidiano;

as representações sociais do idoso em relação aos riscos e benefícios

atribuídos à convivência com animais de estimação;

os processos sociocognitivos que se encontram refletidos nos sentimentos,

concepções e atitudes dos idosos frente aos animais de estimação enquanto

representações sociais.

23

3 A LITERATURA

3.1 O idoso: produto de seus adoecimentos?

O adoecer constitui-se um evento atrelado à vida e permeado de

incertezas, independe da faixa etária considerada. Mas, enquanto fenômeno, pode

assumir significados distintos em cada grupo social. Pela ordem natural da vida, o

processo de envelhecimento está associado ao incremento gradativo da

susceptibilidade tanto física quanto emocional a manifestações de doença. O

processo de construção desse parâmetro está na dependência de uma complexa

rede de fatores físicos, psicológicos, sociais, econômicos e culturais que interagem

entre si, fazendo do envelhecer um fenômeno extremamente heterogêneo e

individualizado, influenciado por padrões históricos e culturais de uma sociedade.

Neste sentido, Guerreiro e Rodrigues (1999, p.52 e 53) afirmam que:

“a maneira como o grupo social encara a velhice, como interpreta os adoecimentos e como lida com a perspectiva da morte interfere, sobremaneira, na vida de cada indivíduo em sua auto-imagem, na relação consigo mesmo, na sua capacidade de construir seu próprio caminho, de se adaptar ao meio ou transformá-lo em seu benefício, e na sua relação com os outros, idosos ou não”.

Apesar disso, as ciências da saúde, através da literatura médica, têm

encontrado formas de categorizar o processo de envelhecimento humano em função

das transformações biológicas a que são submetidos os sujeitos, especialmente em

seus estágios mais avançados de senescência. Essas descrições são

acompanhadas por limitações próprias da tentativa de se padronizarem os seres

humanos. De todo modo, recorre-se às descrições enunciadas por Néri e Debert

(1999) no intuito de adotar um ponto referencial para as discussões do tópico. Em

sua obra, os autores admitem três categorias de envelhecimento segundo as

alterações que encerram: o primário, o secundário e o terciário.

O padrão de envelhecimento primário ou normal corresponde às

mudanças que são próprias do processo de envelhecimento; têm um caráter

irreversível, progressivo e universal, porém não se configuram como patologias.

Essas mudanças típicas são reconhecíveis pelo embranquecimento dos cabelos, o

aparecimento de rugas, as perdas em massa óssea e muscular, o declínio em

equilíbrio, força e rapidez, além de perdas cognitivas.

24

O padrão de envelhecimento secundário remete a desvios condicionados

pelos adoecimentos próprios da idade, na medida em que o tempo vivido significa

incremento da probabilidade de exposição a fatores de risco. O efeitos deletérios

advindos dessas mudanças são cumulativos, o que imprime ao organismo crescente

vulnerabilidade com o avanço da idade. Fazem parte dessa categoria os distúrbios

cérebro-vasculares e as doenças cardiovasculares, assim como a depressão. As

manifestações depressivas decorrem das experiências de adoecimento e do

acúmulo, associado ou não, de perdas afetivas, afastamento social, isolamento,

solidão emocional ou conflitos familiares. Ademais, algumas doenças, decorrentes

de fatores intrínsecos de degeneração, se agravam cronologicamente, abrangendo a

esclerose múltipla e o Mal de Alzheimer.

Por fim, o padrão de envelhecimento terciário faz referência ao declínio

terminal do ser humano, conseqüente à velhice avançada, sendo caracterizado por

um aumento abrupto das perdas num espaços de tempo relativamente curto, ao fim

do qual sobrevém a morte.

Seguindo esse raciocínio, entende-se por que nunca se falou tanto em

‘envelhecimento bem-sucedido’, num contexto dos modelos ideais de velhice,

Groisman (2002, p.77) argumenta que “pequenos desvios parecem ser cada vez

menos tolerados, as dificuldades e a dependência causadas pelo envelhecimento

passam a ser patologizadas e medicalizáveis”. A velhice passa, cada vez mais, a ser

encarada como um processo patológico do que parte do desenvolvimento humano

normal.

Paradoxalmente, não existe consonância entre pesquisadores quanto à

definição de ‘envelhecimento bem-sucedido’ ou ‘envelhecimento ideal’. A tendência

consiste em tomar como foco as medidas de funcionamento físico, cognitivo ou

psicológico, fazendo-se uso de exames de funcionamento cardiovascular,

capacidade intelectual ou saúde mental, os quais são aplicáveis a qualquer pessoa

em qualquer idade e a respeito dos quais existe considerável consenso quanto aos

resultados desejáveis. Entretanto não se pode inferir que um ‘envelhecimento bem-

sucedido’ seja a extensão de um conjunto de parâmetros médicos normais, ou seja,

“ter um coração ou pulmões fortes e funcionamento mental normal não indica êxito

na vida” (PAPALIA e OLDS, 2000).

25

Cabe, nesse contexto, comentar sobre a avaliação das percepções e

sentimentos da pessoa idosa em relação às alterações em sua saúde. Essa

perspectiva é abordada por LIMA COSTA et al. (2003) quando descrevem a

percepção da própria saúde pelos idosos como um indicador relevante do seu

estado de saúde, à medida que predizem, de forma consciente, a sobrevida dessa

população. Assim, os indivíduos que relatam condições de saúde escassa ou pobre

têm riscos de mortalidade mais altos que aqueles que relatam melhor estado de

saúde, ou seja, uma pior percepção da saúde tem sido consistentemente descrita

como um importante preditor de dependência e de menor sobrevivência entre

idosos.

Romero (2002) reitera, por sua vez, a relevância da captação das

percepções auto-referidas de saúde na população idosa em inquéritos de saúde. O

autor ressalta a autopercepção de saúde como um referencial da qualidade de vida

e da morbidade nesse grupo etário, bem como um importante preditor quanto à sua

subseqüente mortalidade. Sua interpretação varia conforme a idade e o gênero e

incorpora uma variedade de componentes físicos, culturais e emocionais. Não

obstante, deve-se ressaltar que a auto-avaliação da saúde pelos idosos é um

parâmetro subjetivo e, como tal, sofre a influência de particularidades cognitivas,

culturais, da linguagem e da escolaridade.

No Brasil, são escassos os estudos de base populacional que avaliam a

distribuição da auto-avaliação da saúde em idosos. Os dados mais significativos

sobre esse tema foram coletados no suplemento de saúde da Pesquisa Nacional por

Amostras de Domicílio, conduzida em 1998 pela Fundação Instituto Brasileiro de

Geografia e Estatística (IBGE) (LIMA-COSTA, FIRMO E UCHÔA, 2004). Evidencio-

se que somente 24,5% da população idosa brasileira classificava a sua saúde como

boa ou muito boa, situação sintomática num país com índices crescentes de

envelhecimento. Entretanto, os autores ressaltam que esse resultado deve sofrer

uma leitura cautelosa, pois a percepção da saúde se refere a um julgamento

subjetivo que não pode ser determinado por outra pessoa sob pena de se incorrer

em falácias interpretativas.

Investigações conduzidas por esses pesquisadores revelaram a

existência de associações entre auto-avaliação da saúde e rede social de apoio,

condições de saúde, incluindo sintomas depressivos, acesso a serviços de saúde e

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