Erro médico, Notas de estudo de Oceanografia
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Erro médico, Notas de estudo de Oceanografia

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Levantamento bibliográfico sobre erro médico, estatística e métodos.
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BELÉM – PARÁ

OUTUBRO/2009

Sumário

1 RESUMO..................................................................................................... 3

2 1. INTRODUÇÃO....................................................................................... 4

3 2. ERRO MÉDICO NOS ESTADOS UNIDOS DA AMÉRICA (EUA)..... 5

4 2. ERRO MÉDICO NO BRASIL................................................................ 7

5 3. CAUSAS DO ERRO MÉDICO.............................................................. 8

6 4. COMO REAGIR AO ERRO MÉDICO.................................................. 10

7 5. PREVENÇÃO DE ERROS MÉDICOS.................................................. 12

8 6. ASPECTOS JURÍDICOS DO ERRO MÉDICO..................................... 13

9 7. conclusão................................................................................................. 14

10 REFERÊNCIAS ................................................................................. 15

RESUMO

A prática da medicina é realizada desde os primórdios da humanidade em que o homem buscava entender seu corpo em busca de conhecer suas potencialidades e

limitações. A busca por tratamento também foi alvo da apreciação da humanidade, mas

algumas vezes a ocorrência de certos sintomas pode confundir ou camuflar o

diagnóstico ou mesmo fazer com que o médico cometa um equívoco. Para evitar este

tipo de acontecimento é defendido com Código de Ética Médica (CEM) que o

profissional de saúde, no caso o médico, deve estar continuamente em busca de

atualizações e reciclagens para acompanhar o avanço tecnológico e das novas

descobertas científicas quanto a saúde humana, de modo a oferecer a seus pacientes o

melhor tratamento possível, sem colocar em risco a saúde do mesmo. Mas até o excesso

de tecnologia se mostra danosa para a relação médico-paciente, tornando-a impessoal e

defensiva para o profissional da saúde. O erro médico tem também fatores que

potencializam a ocorrência dos mesmo, sendo muitas vezes o erro resultante de um

acúmulo de situações e estados fisiológicos que favorecem a falta de atenção médica.

Desde o aprendizado acadêmico o profissional possui sua formação centrada na

ausência de equívocos, o que o torna de certa forma mais vulnerável a inobservância do

ocorrido, sendo necessária uma alteração quanto a ideologia do aprendizado da ciência

da saúde voltada para um maior monitoramento do próprio profissional reconhecendo

que este é passível de erros como outros profissionais. As reações diante do ocorrido

são diversas, interferindo principalmente na vida profissional e acarretando ações

jurídicas diversas que dificilmente, no Brasil, chegam a esfera judicial visto que quando

ocorrentes visam ressarcimento financeiro do mal causado. Os estabelecimentos de

saúde não estão isentos de responderem pelos danos causados aos seus usuários.

1. INTRODUÇÃO

O CEM em seu Capítulo III que trata da responsabilidade profissional, artigo 1°

veda ao médico:

“Causar dano ao paciente, por ação ou omissão, caracterizável como

imperícia, imprudência ou negligência.”

Mesmo com todos os avanços da medicina o problema do erro médico continua

a persiste na prática médica, podendo resultar em tragédias, prolongamento do tempo de

internação e aumento dos custos hospitalares (CARVALHO & VIEIRA, 2002).

Deve-se entender como erro médico não apenas o fato de o profissional de saúde

fornecer um laudo errôneo, mas também realizar atitudes que não condizem com a

prática médica. Uma das atitudes mais ocorrentes é a encaminhação de pacientes sem a

necessidade de tal procedimento para especialistas expondo assim o paciente a

ambientes hospitalares expondo o paciente a diversas possibilidades de contaminação

por doenças infecciosas e oneramento do serviço ao paciente além de criar uma

sobrecarga nos serviços de saúde.

O erro presumido é uma das acusações mais freqüentes nas ações judiciais. Os

doentes também incluem a falta de consentimento para que o médico realize as

intervenções, mesmo quando a operação se apresenta dentro das exigências técnicas e

legais (MINOSSI & SILVA, 2005).

Atualmente levantamento da ocorrência de erros médicos em muitas regiões do

planeta é ausente ou quando ocorrente é ineficiente, o que não demonstra a real

dimensão deste problema. Os poucos casos mostrados na mídia atentam a população

para este tipo de ocorrência, mas muitas vezes os pacientes não são informados quando

tal fato os atinge, sendo a ocultação uma prática abusiva por parte do profissional de

saúde que a faz por diversas finalidades.

Este trabalho objetiva a realização de levantamento bibliográfico quanto a ocorrência, conseqüências e modos de prevenção de erro médico.

2. ERRO MÉDICO NOS ESTADOS UNIDOS DA AMÉRICA (EUA)

A incidência de erros médicos é, diferente do imaginado pela população,

bastante elevado atingindo nos EUA cerca de um milhão de pacientes por ano vítimas

de erros médicos e eventos adversos com drogas. Sendo a quarta causa de morte nos

EUA. Em unidades de terapia intensiva neonatal e pediátrica, nas quais é grande a

complexidade e a freqüência de procedimentos, a ocorrência de erros é maior (15%)

acontecendo principalmente no período noturno e envolve administração incorreta de

droga (35%) e erro na interpretação da prescrição (26%).

Nos EUA, cerca de um milhão de pacientes por ano são vítimas de eventos

adversos com drogas (administradas por profissionais de saúde). Destes, 140.000

morrem anualmente (ROBERTSON, 1995).

Recente estatística demonstra que a probabilidade de morte decorrente de evento

adverso com drogas em pacientes hospitalizados (390/dia) é 3 vezes maior do que as

decorrentes por acidentes automobilísticos (125/dia), e infinitamente maior do que a

chance de morrer em um acidente aéreo (0,27/ 1 milhão de decolagens) (BERLIN et al.,

1998).

Em 1991 das 30.121 admissões em 51 hospitais de Nova Iorque, foi encontrada

uma taxa de 3,7% de eventos adversos com drogas, que levaram ao prolongamento da

estadia hospitalar ou produziram seqüelas nos pacientes. Destes, 69% foram causados

por erro médico (BRENNAN et al., 1991). Taxas bem maiores foram evidenciadas

recentemente nos EUA prolongando em o tempo de internação em dois a quatro dias e

geraram um custo adicional de 4.500 dólares por paciente (CLASSEN et al., 1997;

BATES et al., 1995).

A reação adversa às drogas causada por erros médicos é recentemente

considerada a quarta principal causa de morte nos EUA (10) (Tab. 1).

Tabela 1 – Causas de morte nos EUA no ano de 1994.

Doença N° absoluto mortes/ano 1° Doenças cardiovasculares 743.460 2° Câncer 529.904 3° Acidente vascular cerebral 150.108 4° Reação adversa a drogas 106.00 5° Doenças pulmonares 101.077 6° Acidentes 90.523 7° Pneumonia 75.719 8° Diabetes 53.894 Modificado de Lazarou et al., 1998.

Os médicos que mais erram são os mais novos, principalmente os que estão nos

primeiros anos de treinamento sendo devido a erros de prescrição (56%) e os de

administração (24%) (WEINGART, 2000). Os principais fatores relacionados ao erro

médicos são a idade do paciente (pediátricos e idosos) e procedimentos cirúrgicos

complexos.

Os valores descritos na literatura apesar de elevados são subestimados, visto que

os métodos de pesquisa não são normatizados, as definições do tipo de erro não são

uniformes, e os próprios profissionais de saúde relutam em admitir seus erros (CARVALHO & VIEIRA, 2002).

2. ERRO MÉDICO NO BRASIL

Não existem estatísticas oficiais sobre a totalidade de processos por erro médico

no Brasil, sendo que o número de causas judiciais por erro médico, no entanto, vem

aumentando no Brasil, não se podendo afastar que em breve tenhamos uma realidade

completamente diferente da observada hoje (MINOSSI, 2009). Atualmente o cliente se

sente com direitos iguais, enquanto o médico ainda assume posturas arrogantes baseadas na detenção do conhecimento e no status de sua profissão. E a relação se torna

desigual, pois os direitos são iguais, mas os deveres não se distribuem de forma

equitativa. Tal relação de poder transforma o resultado insatisfatório decorrente de um

ato médico em uma insatisfação que afeta gravemente o indivíduo, levando-o ao

desespero. Tal situação aumenta o número de queixas formalizadas contra atitudes

médicas, como manifestação da impotência da população diante dos agravos à saúde e

diante da qualidade dos serviços que lhe são prestados. (FUJITA & SANTOS, 2009).

No Brasil Fujita & Santos (2009) realizaram levantamento de informações de

processo de erro médico em Goiás e os resultados demonstraram que as denúncias

foram mais ocorrentes nas especialidades de ginecobstetrícia (27), ortopedia (159) e

plástica (139) (Tab. 2).

Tabela 2 – Estratificação percentual das denúncias segundo agrupamento de especialidades.

Especialidade Especialistas Denúncias % Plástica 743.460 139 64,0 Ortopedia 529.904 159 58,7 Neuro e psquiatria 150.108 104 43,7 Ginecobstetrícia 106.00 270 40,5 Oftalmologia 101.077 96 35,3 Pneumologia 90.523 13 33,3 Oncologia 75.719 24 31,6 Gastroenterologia 53.894 36 31,0 Pediatria 371 83 22,4 Cardiologia 397 82 20,6

Modificado de Fujita & Santos (2009)

Em estudo similar realizado na Bahia no período de 2000 a 2004 Bitencourt et al

(2007). Neste estudo dos 372 médicos processados no Conselho Regional de Medicina

da Bahia (CREMEB) 42,7% (n = 159) foram denunciados no artigo 29 (erro médico).

Destes, a maioria (78,6%) era do gênero masculino, e a idade média era de 44 anos. As

especialidades mais freqüentes foram: Ginecologia-Obstetrícia (24,8%), Cirurgia Geral

(9,4%) e Anestesia (7,4%). A maioria das denúncias de erro médico se deu em

atendimento público (80,1%, n = 109) e relacionada a atos cirúrgicos (66%, n = 97).

Foi identificada negligência em 67,3% (n = 107) das denúncias, imprudência em 23,3%

(n = 37) e imperícia em 8,8% (n = 14). Apenas 23,9% (n = 38) foram considerados

culpados, enquanto 31,4% (n = 50) foram absolvidos por falta de provas e 44% (n =

70) por comprovada inocência.

Com o aumento do número de pressupostos erros médicos no Brasil, tem se

observado uma situação inusitada, que é a consolidação da medicina defensiva, onde o

médico facultativo na tentativa de se proteger exagera no pedido de exames subsidiários

mais sofisticados, se omite nos procedimentos de alto risco e, por vezes, recusa

pacientes graves, com doenças complexas e com maior potencial de complicações ou

seqüelas (MINOSSI, 2009).

3. CAUSAS DO ERRO MÉDICO

Muitas vezes a causa do erro médico é o desgaste psicológico (tédio, ansiedade,

estresse), fatores ambientais (barulho, calor) e fisiológicos (fadiga, sono). Após um

plantão de 24 horas, sem dormir, o desempenho psicomotor de um profissional de saúde

é semelhante ao de um indivíduo legalmente bêbado (nível sérico alcoólico maior ou

igual a 0,08%). Este fato nos faz atentar para o que prescreve o CEM sobre o

profissional de saúde possuir vários empregos o que compromete sua capacidade

fisiológica e, por conseguinte, sua capacidade profissional.

Para melhor classificação dos erros médicos de acordo com suas características

foram propostas as seguintes conceituações segundo Carvalho & Vieira (2002):

Erro medicamentoso: qualquer erro que ocorra, desde a prescrição até a

administração da droga ao paciente.

Erro de prescrição: escolha incorreta da droga, erro de cálculo na dose, via de

administração, concentração, velocidade de infusão ou prescrições ilegíveis.

Erro de preparação: diluição incorreta, reconstituição inapropriada, mistura de

drogas que são fisicamente e quimicamente incompatíveis, medicamento fora do prazo

de validade.

Erro de administração: procedimento ou técnica inapropriada de administração

de medicamento, incluindo: via errada; via correta, porém em local errado (ex.: deveria

ser administrado no olho esquerdo e foi administrado no olho direito); erro na

velocidade de administração; intervalo diferente do prescrito; omissão (não

administração do medicamento prescrito) e doses extras. Incluem-se, também, neste

grupo, erros por semelhança na aparência e/ou nome do medicamento.

Evento adverso da droga: injúria causada pelo uso de uma droga, podendo

variar desde uma simples manifestação cutânea até a morte. Pode ser de dois tipos: os

causados por erros e os inerentes à droga. Os causados por erros são chamados

evitáveis, e os inerentes ao próprio medicamento, portanto não evitáveis, são chamados

de reações adversas.

Uma das explicações para um grande número de erros observados na prática

médica é justamente a ausência de mecanismos que diminuam a sua ocorrência, ou que

interceptem o erro antes de chegar ao consumidor final (o paciente). Ou seja, trabalha-

se com a premissa de que o profissional de saúde não comete erros e, portanto, não se

criam mecanismos de prevenção e correção. Este fator é ocorrente desde as escolas e

treinamentos práticos que estimula um esforço constante e reforça um imaginário que

preconiza a realização de trabalho livre de erros com grande ênfase em perfeição, tanto

no diagnóstico quanto no tratamento (CARVALHO & VIEIRA, 2002).

Os fatores fisiológicos, ambientais e psicológicos também contribuem para a

ocorrência de erros. Em estresse o indivíduo tende, frente a um problema, tende a

utilizar um modelo a que ele esteja mais familiarizado (mesmo que inapropriado) do

que lançar mão de modelos recentemente aprendidos e mais adequados à situação

(ibid).

O erro médico provém da ocorrência de vários fatores que confluem para a sua

ocorrência (Fig. 2).

Figura 1 - Principais fatores que interferem na ocorrência de erros (Fonte: Carvalho & Vieira, 2002).

Outra causa do erro médico levantado por Minossi e Silva (2005) é a relação quase impessoal médico-paciente e a especialização transformado o médico num

técnico altamente adestrado e impessoal, que cada vez mais tem dificuldade de conciliar

os conhecimentos milenares da Medicina tradicional, com os enormes avanços

tecnológicos e instrumentais da Medicina moderna. Com o avanço da medicina o

grande arsenal tecnológico beneficia em muito o ser humano, mas se tornou mais

invasiva com maiores riscos e danos ao paciente (MINOSSI, 2009).

Sendo assim, os efeitos danosos verificados durante o exercício da Medicina,

não podem mais ser atribuídos somente ao binômio médico-paciente, e sim, à

coletividade como um todo, já que é também beneficiária desse avanço (ibid).

4. COMO REAGIR AO ERRO MÉDICO

A dificuldade em se aceitar o erro impede a ação de tomada de consciência em

relação ao problema. Erros são ocorrentes, porém minimizá-los requer, primeiramente,

a aceitação de sua existência. O impacto emocional é sempre grande (medo, culpa,

raiva, vergonha e humilhação) sendo, na maioria das vezes, vivenciado de forma

solitária. O aprendizado individual resultante de um erro, se houver, será sempre

particular, impossibilitando uma avaliação externa ampla para melhoria da prática como

um todo (CARVALHO & VIEIRA, 2002).

A possibilidade de ser taxado como relapso e incompetente, de sofrer censuras ou aumento de vigilância, estimula a prática de se encobrir e negar os erros, ao invés de

admiti-los (ibid).

A maioria das instituições gerencia de forma inadequada as tentativas de

controle e prevenção de erros na prática médica, portanto seu controle e prevenção

baseiam-se em maior vigilância, censuras e punições.

A partir da aceitação de que errar é humano uma postura mais sistêmica, uma

visão mais ampliada das situações ou do conjunto de falhas que permitiram a eclosão do

erro, seria a maneira mais eficiente de preveni-lo e evitá-lo.

Os erros médicos não são comentados pelo profissional ao paciente e dentre as

razões apresentadas pelos profissionais de saúde para este fato, destacam-se: evitar o

aumento de ansiedade no paciente, evitar a diminuição da confiança do paciente no seu

médico, além da possibilidade de enfrentarem um processo legal e mesmo em casos em

que o erro gera tratamento médico adicional, monitorização, risco de vida e

acompanhamento médico futuro, os médicos ainda se sentem inclinados a não

revelarem seus erros (GREELY, 1999). O médico continua sendo o que mais reporta esse tipo de erro, quando comparado aos enfermeiros e aos próprios pacientes (VAN

DEN BEMT, 1999).

Rosner (2000) em seu artigo discute o envolvimento ético-profissional dessa

questão e concluiu que é obrigação do médico que lesa seu paciente revelar o ocorrido

com honestidade. Este fato inclui um pedido formal de desculpas, e, em alguns casos,

recompensa material. Honestidade e desculpas são obrigatórios. Admitir os erros para

os pacientes não deve ser somente uma questão ética, porém um pré-requisito prático

para prevenções futuras de erros.

Willman et al. (1996) apud Carvalho & Vieira (2002) em sua pesquisa encontrou

que de 149 pacientes investigados, 98% se posicionaram a favor de saberem sobre erros

médicos que aconteceram em seus tratamentos, 14% destes pacientes trocariam de

médico após um erro pequeno, e 65% após um erro de gravidade moderada. Os

pacientes levariam em conta se o erro fosse revelado pelo próprio médico ou por outros,

na hora de decidir se iriam ou não processá-lo, em casos de erro com gravidade

moderada. Doze por cento desses pacientes processariam mesmo se fosse o médico que

revelasse o erro, porém este percentual aumentaria para 20% caso soubessem do erro

por outras pessoas. O estudo concluiu que os pacientes querem ser informados sobre

erros que tenham incidido sobre eles durante seus tratamentos médicos, e este fato

pode, inclusive, diminuir o número de processos e ações punitivas, enfatizando ainda a

importância da comunicação honesta e clara entre os médios e seus pacientes.

5. PREVENÇÃO DE ERROS MÉDICOS

As atividades médicas implicam em interação entre pessoas. Assume-se,

portanto, que a boa prática médica se caracteriza pelo equilíbrio entre o conhecimento

científico, a tecnologia disponível e o relacionamento entre médico e paciente (FUJITA

& SANTOS, 2009).

A abordagem atual, focada no indivíduo, deve ser trocada por uma visão mais

sistêmica do problema (REASON, 2000). Atualmente o erro médico é visto como uma

falha pessoal, desatenção, esquecimento, no qual o profissional precisa ser identificado

e punido. Na visão sistêmica, defendida pela maioria dos autores, o erro é conseqüência

de uma série de fatores, e tenta-se construir mecanismos de defesa para evitá-lo ou

diminuir seu impacto, quando ele ocorre (GLAUBER et al., 2000) (Fig. 3).

Figura 3 - Comparação entre as visões individualizada e sistêmica do erro médico (Fonte: Carvalho & Vieira, 2002).

A prevenção de erros deve basear-se na busca de causas reais, que geralmente

incluem erros no sistema de organização e implementação do serviço (CARVALHO &

VIEIRA, 2002). Deve-se tratar o erro médico como parte integrante de um sistema,

criando-se mecanismos de investigação ampla que permitam o conhecimento da real

dimensão do problema, e formas eficazes de abordá-lo. É importante, também,

estimular a mudança da cultura de formação nas universidades para que o erro seja

encarado com maturidade, dando condições para que o profissional envolvido reporte

seus próprios erros (PIETRO at al., 2000).

O antigo estilo de combate aos erros, com aumento de vigilância e identificação

dos indivíduos fora de linha, deve ser rejeitado e entendido como contraproducente

(NOLAN, 2000). Além de induzirem a novos erros, por aumento do estresse no

ambiente de trabalho, encorajam a desonestidade técnica e intelectual, artifícios usados

para imputar a outros a responsabilidade dos erros, ou a tentativa de escondê-los,

mesmo que isso leve a sérios prejuízos (BARACH & SAMALL, 2000).

Treinamentos contínuos previnem a ocorrência de erros em técnicas e

procedimentos médicos, aplicação de testes de performance e educação continuada,

direcionada para as necessidades dos setores em questão, e tendo em foco a criação de

rotinas para os procedimentos envolvidos (CARVALHO & VIEIRA, 2002).

A atualização técnica também é fator para a diminuição da ocorrência de erros

médicos, pois o profissional de saúde poderá utilizar novas técnicas de atenção a saúde

em seus pacientes, fornecendo a estes melhores serviços. A busca por atualização

profissional é defendida no CEM em seu capítulo I, inciso V:

Compete ao médico aprimorar continuamente seus conhecimentos e

usar o melhor do progresso científico em benefício do paciente.”

A prescrição das receitas de forma eletrônica diminuem erros e eventos adversos

com drogas em até 80% (BATES, 2000) devido a legibilidade do documento.

No futuro, médicos prescreverão on-line, tendo retorno imediato sobre

problemas como alergias, interações medicamentosas e auxílio na escolha do melhor

tratamento (CARVALHO & VIEIRA, 2002).

6. ASPECTOS JURÍDICOS DO ERRO MÉDICO

O erro médico pode ser argüido sob duas formas de responsabilidade: a legal e a

moral. A responsabilidade moral é da competência dos Conselhos de Medicina, através

de processos ético-disciplinares. A responsabilidade legal é atribuída pelos tribunais,

podendo comportar, entre outras, as ações penais e civis (MINOSSI, 2009).

Segundo Minossi (2009) a responsabilidade penal do médico é regulada

principalmente pelo Código Penal, que está em vigor desde 1940, mas teve a parte geral

reformada pela Lei n° 7.209/84, além de outras leis específicas como a Lei dos Juizados

Especiais Civis e Penais, a Lei n° 9.099/95.

Não é comum que o médico seja processado criminalmente, mas sim civilmente,

pois o que se deseja é, de um modo geral, a reparação financeira do dano (MINOSSI,

2009).

Atualmente, no Brasil, a responsabilidade civil por erro médico é disciplinada

pelo Código de Defesa do Consumidor e pelo novo Código Civil, que dispõem sobre a

natureza da responsabilidade do profissional e dos prestadores de serviço de saúde, as

modalidades de indenização cabíveis, o ônus da prova, entre outros aspectos. A

legislação aplicável é relativamente recente, já que a vigência do Código de Defesa do

Consumidor data de 11 de março de 1991, e a do novo Código Civil, de 11 de janeiro de

2003 (MANSUR & AYER DE OLIVEIRA, 2006).

A responsabilidade civil gira em torno de duas teorias: a subjetiva e a objetiva

(PIMENTA & MENDES, 2004).

A teoria subjetiva tem na culpa seu fundamento basilar. Argüi-se a responsabilidade do autor quando existe culpa, o dano e o nexo causal (MINOSSI,

2009).

Na teoria objetiva da responsabilidade, que tem no risco sua viga mestra, o

responsável pelo dano indenizará simplesmente por existir um prejuízo, não se

cogitando da existência de sua culpabilidade, bastando a causalidade entre o ato e o

dano, para obrigar a reparação (ibid).

Atualmente, mesmo com as mudanças ocorridas no Código de Defesa do

Consumidor e no novo Código Civil, em relação ao regime de responsabilidade civil, os

médicos (e demais profissionais liberais), respondem, perante o paciente, somente

mediante a comprovação de sua culpa (negligência, imprudência ou imperícia) (ibid).

Os estabelecimentos de saúde respondem, de um modo geral, objetivamente

pelos danos causados aos seus usuários. Fato semelhante ocorre na cirurgia plástica,

onde os tribunais com freqüência aplicam a teoria objetiva na cirurgia embelezadora,

alegando que nesses casos configura obrigação de resultados e não de meios (ibid).

7. conclusão

O erro médico é um grande problema de saúde pública, necessitando de maior

atenção, de um método eficaz de quantificar sua ocorrência para acompanhamento de

sua evolução e a definição de ações que tratem a convivência médica com a sua

ocorrência;

Os profissionais de saúde devem reconhecer que são passíveis de erros e assim

tomarem medidas de prevenção da ocorrência dos mesmos;

Deve-se estabelecer método que, primeiramente, faça o levantamento e,

posteriormente, reflexões e aprimoramentos quanto as conseqüências psicológicas do

profissional de saúde e como minimizá-las para não interferir no aproveitamento

profissional;

A ocorrência de erro médico acarreta em ações nas diversas esferas do

judiciário, mas visam principalmente o ressarcimento do mal causado. O

estabelecimento de saúde também é passível de responsabilidade.

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Essse assunto é bastante longo e muito importante, posto que lida com vidas, porém , quanto mais o médico ganha , mais quer ganhar, ele não respeita nem as suas próprias condiçoes físicas ,refletindo assim em uma prestação de serviço sem qualidade.
Excelente!!!
é preciso mesmo abraçar esta causa de erro de alguém que cuida diretamente com a vida!!!Sair de um planto de 12 horas e ir para outro, é má prestaçao de serviço. O medico tem fazer aquilo que eles nos orienta, passear praticar esporte e lazer, para fugir das adversidades do trabalho, o ganho maior vem com saude e com o tempo e nao no inicio da carreira, trabalho como louco...
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