Especial mercadofinanceiro 1, Resumos de Finanças. Universidade de São Paulo (USP)
Vitor.Vilela
Vitor.Vilela5 de Julho de 2016

Especial mercadofinanceiro 1, Resumos de Finanças. Universidade de São Paulo (USP)

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ESPECIAL

Mercado Financeiro #1 Entenda como as empresas do setor funcionam, quais são as possibilidades de carreira e o que é necessário para se dar bem na área

É inegável que ao pensar em mercado financeiro a imagem que vem a cabeça de muitas pessoas é a do antigo pregão da bolsa de valores onde os operadores gritavam o mais alto possível para cumprirem o máximo de ordens nos melhores preços, ou de cenas de exageros como no recente filme O Lobo de Wall Street.

A realidade dessa indústria, atualmente, está bem distante desses estereótipos. A maioria das operações de uma bolsa, por exemplo, são feitas de forma eletrônica e sem gritaria. Ao mesmo tempo, depois das recentes crises globais, ética e disciplina nunca foram tão valorizadas.

A verdade é que o mercado financeiro existe para conectar as pessoas que têm dinheiro com as que precisam de dinheiro. É uma lógica simples, mas a necessidade das pessoas e empresas por esse serviço deu origem a uma indústria gigantesca. Para fazer essa engrenagem girar, são diversas instituições e pessoas trabalhando intensamente em virtualmente todos os países do mundo.

Entenda a seguir como funcionam cada uma dessas instituições, quais são as possibilidades de carreira nessa indústria e o que é necessário para se destacar profissionalmente:

Quais são as possibilidades de atuação no mercado financeiro?

P ara quem se interessa pelo setor, existem diversos tipos de empresas com excelentes oportunidades de trabalho. Uma vez dentro desse concorrido mercado, há muitas carreiras possíveis. Quem

se sente atraído pela adrenalina da bolsa de valores pode trabalhar em corretoras que acompanham o mercado minuto a minuto para saber o melhor momento de comprar e vender ações. Os interessados em administração de empresas, por sua vez, podem buscar bancos de investimento que trabalham com processos de reestruturação de companhias ou até mesmo aquisição de startups. A seguir, listamos os principais tipos de empresa que você vai encontrar, embora modelos híbridos também sejam bastante comuns.

Quais são as possibilidades de atuação no mercado financeiro?

Bancos de varejo Financiam o consumo das pessoas físicas (clientes comuns) e

também das pessoas jurídicas (empresas de micro, pequeno

e médio porte). Captam depósitos e concedem empréstimos,

financiamentos e opções de investimento aos clientes. Podem

atuar na área de private banking, que ajuda de maneira

bastante próxima clientes extremamente ricos a administrar

seu patrimônio, ou na área de commercial banking, que oferece

diversos produtos e serviços para os demais clientes, como

contas de poupança, contas correntes, empréstimos com

garantia hipotecária, seguros e cartões de crédito. Para se dar

bem na área, é necessário tem facilidade com números e boas

habilidades comerciais e de de relacionamento com pessoas.

Entre os maiores no Brasil estão: Itaú Unibanco, Bradesco,

Banco do Brasil, Santander e Caixa Econômica Federal.

Bancos de investimento Também conhecidos pelo termo em inglês, investment banking,

trabalham com empresas, governos e outras instituições

grandes, ajudando esses clientes em mudanças de estrutura

e levantamento de capital. Em outras palavras, emprestam

dinheiro para empresas, assessoram e financiam operações

de compra, fusão e reestruturação de companhias. Podem

administrar fundos de investimento e auxiliar empresas a

abrir capital (negociar ações) na bolsa de valores. Para se dar

bem na área, é necessário ter conhecimentos de modelagem

financeira e manter um bom contato com clientes. A área é

conhecida pelos prazos apertados e longas horas de trabalho,

mas também pelos bônus por performance bastante altos.

Entre os maiores no Brasil estão: Goldman Sachs, JPMorgan,

Credit Suisse, Merryl Linch, BTG Pactual, BNP Paribas, Itaú

BBA e Deutsche Bank.

Gestoras Administram o dinheiro confiado e investido por seus

clientes, sejam eles empresas ou pessoas, buscando as

melhores oportunidades de investimento, que podem ser

diversos tipos de ativos, ou assets – como ações na bolsa de

valores, aplicações no setor imobiliário, em infraestrutura,

agropecuária etc. Essa alocação dos recursos de terceiros é

chamada de asset management. Para se dar bem nessa área, é

necessário ter satisfação em ajudar seus clientes a alcançar

Quais são as possibilidades de atuação no mercado financeiro?

suas metas financeiras, bem como grandes recompensas

monetárias, e lidar com pressão para retornos acima do

mercado.Entre as gestoras, existem aquelas especializadas

em determinados tipos de investimento, e com diferentes

doses de risco, agressividade e retorno financeiro. Entre

as principais gestoras do Brasil, podemos citar Blackstone,

Advent, GP Investments, Constellation, Pátria, 3G, Gávea,

Acqua, Carlyle, Tarpon, Fundo Pitanga, Axxon, Rio Bravo,

Eccelera, Votorantim Novos Negócios, entre vários outros,

além dos próprios bancos públicos e privados. Os principais

tipos são:

Gestoras de fundos private equity Compram fatias de empresas com o dinheiro dos investidores.

Ficam de cinco a dez anos ou mais como sócias dessas

companhias e lucram (ou saem no prejuízo) quando passam

o negócio para frente, a partir da abertura de capital na bolsa

de valores ou da venda da participação na empresa. O desafio

de quem trabalha com isso é entrar na administração da

empresa e alavancar seus resultados para obter melhores

ganhos ao fim da sociedade.

Gestoras de fundos venture capital Semelhante a área de private equity, porém com foco em

empresas jovens e inovadoras, principalmente startups.

Muitas dessas empresas atuam em indústrias de rápida

mudança, tais como tecnologia, biotecnologia, ou tecnologia

verde. Quem trabalha com esse tipo de investimento deve

estar de olho nas tendências e ter emoção em buscar “a

próxima coisa nova”. Vão se dar bem nessa área os indivíduos

que gostam de números e negociação, mas também têm uma

aptidão para as novas tecnologias.

Gestoras de hedge funds São fundos que adotam uma ou várias estratégias de

investimento específicas, com o objetivo de obter o melhor

retorno a curto prazo - ao contrário de private equity e venture

capital, de retorno a médio e longo prazo. Com isso em mente,

esse fundos realizam investimentos nos mais variados tipos

de ativos. Mudam frequente o dinheiro de um investimento

para o outro, de olho na lucratividade. Ainda assim, vale

ressaltar que é um setor bastante variado e não existe uma

linha única em termos de risco e expectativas de rentabilidade.

Quais são as possibilidades de atuação no mercado financeiro?

Gestoras de patrimônio A área lida com o chamado wealth management, conhecido em

português como gestão patrimonial ou gestão de fortunas.

Sua função é aconselhar e gerir grandes patrimônios

familiares ou pessoais. Normalmente, esse serviço vai além

do aconselhamento sobre investimentos, incluindo também

contabilidade, planejamento jurídico, etc. É diferente do

private bank, pois neste nem sempre o cliente está interessado

em opções de investimento. O gestor patrimonial é, acima de

tudo, uma pessoa de confiança. Seu papel é pensar em boas

estratégias e dar conselhos personalizados.

Seguradoras Hoje, existem poquíssimos itens de valor que não podem

ser segurados, embora os tipo de seguro mais comuns

envolvam negócios, veículos, imóveis, aluguéis e problemas

de saúde.O que está por trás do sucesso dessa indústria é a

atividade de gerenciamento de riscos. Isso porque o seguro

nada mais é do que um serviço de transferência de riscos, em

que a seguradora protege pessoas e empresas contra o risco

de ocorrerem eventos imprevisíveis e que representariam

grandes perdas financeiras para elas. A conta final só fecha

quando o risco que cada indivíduo ou empresa representa

é calculado com bastante precisão. Os profissionais da área

atuária devem apreciar resolver problemas por meio de

análise de dados e modelagem, e costumam ser motivados

por trabalhar com computadores e fórmulas. Entre as

maiores empresas do Brasil estão: Bradesco Saúde, Itauseg,

Porto Seguro Seguros, Bradesco Seguros e Previdência, e

Mapfre Seguros.

Corretoras de valores mobiliários A função da corretora é captar recursos com os investidores

para aplicar no mercado de ações. De forma bastante

genérica, pode-se dizer que os corretores devem se preocupar

em vender as ações – e por isso são chamados de sell side, ou

o lado da venda, em tradução livre. Ao contrário da atividade

de asset management, em que uma equipe de gestão decide

pelos melhores investimentos, na atuação das corretoras é

o próprio investidor que escolhe onde colocar seu dinheiro.

Grande parte do trabalho dos corretores envolve convencer os

clientes de que o investimento vale a pena. Um bom corretor

Quais são as possibilidades de atuação no mercado financeiro?

deve acompanhar o mercado para saber o melhor momento

de comprar e vender ações. Entre as habilidades valorizadas

nessa área, estão: aptidão para a matemática, capacidade

de reagir rapidamente a mudanças, resiliência para suportar

a volatilidade do mercado, capacidade de tomar decisões

rápidas baseadas em informações incompletas. Algumas

das maiores corretoras são: Coinvalores, Ativa, Souza Barros,

Concórdia e Fator.

Qual é o perfil esperado de um profissional do mercado financeiro?

M uitos estudantes associam trabalhar com finanças a ganhar muito dinheiro e se aposentar antes dos quarenta anos. Na realidade, o enriquecimento fácil não

passa de um mito. É preciso ter em mente que entrar para o mercado financeiro não é ganhar na loteria – os benefícios até podem ser altos na comparação com outros setores, mas os salários são atrelados a metas e performance, e a jornada de trabalho é bastante intensa. O superintendente de microcrédito do banco Santander, Jeronimo Ramos, e o professor do programa Certificate in Financial Management da escola de negócios Insper, Ricardo Rocha, dão algumas dicas aos interessados.

Qual é o perfil esperado de um profissional do mercado financeiro?

ter inglês fluente

Essa dica pode parecer óbvia, mas nenhuma outra área é tão

exigente em relação à fluência no idioma como o mercado

financeiro. Você sabia que a maioria dos investidores que

compra ações de empresas brasileiras é estrangeiro? Pois é.

Quando uma empresa brasileira com ações negociadas na

bolsa de São Paulo apresenta seus resultados do trimestre ou

do ano para o mercado, em teleconferência com investidores,

quase sempre o faz em inglês. Para quem trabalha com

investimentos, tão importante quanto saber falar é redigir

análises de mercado em inglês.

adaptar-se bem a mudanças

O mercado financeiro muda o tempo todo, e quem trabalha

com isso deve estar preparado para a montanha-russa. Crises

financeiras como a de 2008 pegam todos de surpresa e viram

o mundo de cabeça para baixo em questão de horas. A cada

nova turbulência no mercado, o sistema impõe regras mais

rígidas para bancos e empresas atuarem, e não há muito

tempo para se adaptar. Além disso, o avanço da tecnologia e

da internet traz novos desafios a cada dia – desde como se

proteger contra ataques virtuais, cada vez mais destruidores,

até discussões sobre como as pessoas farão seus pagamentos

nos próximos dez anos.

aprender a trabalhar com metas

Os salários no mercado financeiro têm uma parcela fixa e

outra variável, atrelada ao cumprimento de objetivos pré-

estabelecidos individuais e da equipe. Se o trabalho e a

economia vão bem, dá para faturar alto com bônus anuais de

três a dez vezes o salário (em algumas empresas chega a 20

salários). Mas, se vai mal, o bolso aperta – sim, as empresas

fazem isso de propósito. Falhar em cumprir sua meta pode te

levar ao extremo de perder sua posição.

Qual é o perfil esperado de um profissional do mercado financeiro?

saber se comunicar

O mercado financeiro parece tentador para algumas pessoas

que acreditam que o trabalho se resume a acompanhar

números na tela do computador. O raciocínio lógico

matemático é de fato uma exigência e deve ser treinado

com exercícios, mas também conta pontos saber apresentar

resultados e análises. Faz parte da rotina se reunir com

clientes ou ir a jantares de negócios, por isso é importante

trabalhar a comunicação.

gostar de trabalhar

As jornadas de quem trabalha no mercado financeiro quase

sempre ultrapassam as 40 horas semanais. A maioria

dos executivos só não olha seus e-mails de trabalho no

smartphone quando está dormindo. É preciso ler muita coisa

(principalmente notícias do mercado e análises), e, para

aguentar o tranco, também é importante se interessar de

verdade pelo universo das finanças.

Como se destacar no começo da carreira?

D arrin Kerr, especialista em carreiras em finanças e sócio na empresa de treinamentos em certificações financeiras FK Partners, compartilha quais são as

atitudes mais importantes que vão fazer com que analistas financeiros se destaquem e alcancem excelência no que fazem.

Como se destacar no começo da carreira?

tenha proficiência em excel e contabilidade financeira

Analistas devem estar bastante confortáveis com as

ferramentas que usam no dia a dia, como o próprio Microsoft

Excel ou outros programas de finanças necessários para

analisar dados. Também precisam entender como ler e

interpretar relatórios financeiros, e para isso é necessário ter

uma base sólida em contabilidade.

pense no todo

No trabalho de um analista, é necessário reunir informações,

apresentar relatórios financeiros e tirar conclusões a partir

disso. Dependendo da complexidade da empresa ou do

projeto que está sendo analisado, é fácil se perder no meio

de números. Os melhores analistas jamais deixam isso

acontecer. Eles sabem o que faz sentido e para os objetivos

da companhia, e o que não é tão relevante. Ter conhecimento

do que é importante (ou não) permite que foquem no todo ao

comunicar seus resultados e análises.

entenda o negócio para além dos números

É fácil para um analista focar somente nos números

financeiros do negócio, entregar as análises necessárias e

partir para a próxima tarefa. Os bons analistas vão além

dessa abordagem, e procuram entender de verdade o negócio

que estão analisando. Eles falam com os gerentes de produto,

os vendedores e os clientes. Eles sabem de onde vêm os

lucros da empresa, e em que áreas isso ainda não está claro.

De maneira geral, têm em mente a estratégia da empresa

e seus objetivos sempre que desenvolvem uma análise,

entregando um trabalho muito mais perspicaz e útil.

faça os números contarem uma história

Embora analistas devam ser capazes de calcular taxas

de crescimento,racios e margens baseados nos dados

financeiros da companhia, os bons analistas usam esses

mesmos números e análises para contar uma história. Em

outras palavras, são capazes de tirar insights e conclusões

do trabalho que fazem, e usam linguagem clara e concisa na

hora de comunicar isso aos tomadores de decisão na empresa.

Como se destacar no começo da carreira?

antecipe a mudança e seu impacto

Bons analistas sabem que o cenário de hoje não será

necessariamente o mesmo amanhã, e devem estar

preparados para mudanças em fatores macroeconômicos,

regulações governamentais e comportamento dos

competidores. Muitos analistas somente reagem a essas

mudanças e começam a interpretam os impactos depois

que os eventos ocorrem. Bons analistas antecipam essas

mudanças e já testam outros potenciais cenários para

entender melhor quais podem ser os impactos, e estão

preparados antes de qualquer coisa acontecer.

busque feedback para melhorar sua performance

Os melhores analistas nunca estão satisfeitos com seu

trabalho, de modo que sempre buscam melhorar. Eles

procuram ter feedback constante de seus clientes e colegas

para melhorar performance e apresentação. Esses pedidos de

feedback podem ser feitos formalmente, por meio de pesquisas

e questionários, ou informalmente, com uma conversa. A

questão é que os bons analistas sempre querem melhorar, e

sabem buscar ajuda e orientação para atingir esse objetivo.

Para que servem as certificações financeiras?

P ara qualquer estudante de Direito, o final do curso é um momento de expectativas e ansiedade. As expectativas vêm da nova fase da vida que começará logo após o recebimento do

diploma. A ansiedade vem do fato que muitos dos novos bacharéis não poderão exercer plenamente sua profissão de advogado enquanto não passarem no Exame da Ordem dos Advogados do Brasil – esse processo assegura que os candidatos que passaram na prova possuem o conhecimento e prática necessários para desempenhar a profissão com excelência.

Para que servem as certificações financeiras?

Outra fonte de preocupação para grande parte da população,

depois da própria saúde, são as suas finanças. Nada mais

justo que os órgãos responsáveis pelo bom funcionamento do

mercado financeiro criassem os mesmos mecanismos para

assegurar a qualidade dos serviços prestados.

Nesse processo de certificação, os responsáveis por emitir

opiniões sobre empresas, fazer a gestão de recursos ou

terceirizar o serviço de administração de fortunas, entre

outros, são obrigados a se submeter a testes que avaliam seu

conhecimento sobre a área que atuam. Essa especialização é

extremamente importante, pois no mercado financeiro há um

leque enorme de funções, e cada uma exige conhecimentos e

qualidades específicas de seus profissionais.

Devido à quantidade de produtos ofertados aos clientes e

à magnitude das crises econômicas por que passamos nos

últimos anos, os órgãos reguladores têm se preocupado

principalmente com a adequação do produto ao cliente no

momento da venda. Não existe produto errado ou certo, o que

deve ser evitado é que seja oferecido ao cliente algo que não

se adequa ao seu perfil. Em outras palavras, você pode até

comprar um sapato um número menor que o seu porque o

achou muito bonito, mas ele com certeza vai apertar o seu pé.

O maior beneficiado com esse processo de certificação

de profissionais são os clientes, pois contarão com

pessoas capacitadas para ajudá-lo em todo o processo de

investimento. Uma matéria comum a todas as certificações

é Ética. Isso reflete a preocupação dos reguladores em

assegurar aos clientes que os profissionais coloquem os seus

próprios interesses em segundo plano e que os clientes sejam

tratados de maneira justa e correta.

Quais são as principais certificações financeiras?

A tualmente, as certificações financeiras que despertam um interesse maior por parte dos profissionais são CNPI, CFP®, CGA e CFA®. Pablo Camargo, sócio-gerente na FK Partners,

explica com detalhes para qual função específica no mercado financeiro cada uma delas serve. Saiba para qual função específica no mercado financeiro cada uma delas serve.

Quais são as principais certificações financeiras?

cnpi (programa de certificação nacional)

É um exame realizado pela APIMEC (Associação dos Analistas

e Profissionais de Investimento do Mercado de Capitais) e

tem como público-alvo os profissionais que realizam análise

e emitem relatórios referentes a valores mobiliários (ações e

títulos de renda fixa). Esses relatórios são fruto de pesquisas

em que o analista expõe suas opiniões sobre os ativos e

servem de base para muitas decisões de investimento. Cada

profissional agenda uma data de exame que lhe convém.

Essa certificação abrange, entre outras matérias, Mercado de

Capitais, principais produtos financeiros e um grande foco em

relatórios financeiros e contabilidade.

cfp® (certified financial planner)

É uma certificação cujos direitos são detidos pelo IBCPF

(Instituto Brasileiro de Certificação de Profissionais

Financeiros) e tem como público-alvo os Private Bankers,

Planejadores Financeiros e gerentes de relacionamento

que auxiliam os clientes de alta renda. Além de produtos

financeiros e gestão de carteiras de investimentos, os

candidatos aprendem sobre planejamento sucessório, fiscal,

de aposentadoria, gestão de riscos através de seguros e o

planejamento financeiro como um todo. Essa certificação, que

ocorre duas vezes ao ano nos meses de junho e novembro,

está passando por uma reformulação para acrescentar novos

tópicos cobrados nos exames de 2015. O CFP® é um grande

diferencial para os profissionais que desejam ingressar no

mundo da gestão de patrimônio de clientes de alta renda.

A Anbima (Associação Brasileira das Entidades dos

Mercados Financeiro e de Capitais) criou a certificação CGA

(Certificado de Gestores ANBIMA) que tem como público-

alvo os profissionais que fazem a gestão (decisão sobre

investimentos) de ativos de terceiros. Com um volume

sob gestão maior que R$ 2 trilhões, é natural que esses

profissionais sejam avaliados. O exame acontece 4 vezes

ao ano, e tópicos como precificação de ativos, análise de

relatórios, processo de investimentos são enfatizados. Essa

prova é obrigatória para os gestores que entram no mercado

e demanda um grau de conhecimento técnico financeiro

bastante elevado.

Quais são as principais certificações financeiras?

cfa® (chartered financial analyst)

É realizado pelo CFA Institute, uma entidade criada há

mais de 50 anos nos Estados Unidos. Essa certificação vem

crescendo muito no mundo todo nos últimos anos e hoje

conta com aproximadamente 700 profissionais certificados

no Brasil para mais de 120 mil ao redor do globo. Diferente

das outras certificações citadas essa não é obrigatória

em nenhum campo do mercado financeiro mas é a mais

desejada por todos pelo amplo conhecimento adquirido nos

três exames que os candidatos se submetem para obter a

certificação. Hoje em dia é vista pelo mercado como um MBA

em finanças e para o primeiro nível as provas acontecem nos

meses de junho e dezembro.

Esteja certo de que, se o mercado financeiro for o seu destino,

você terá dois sentimentos quando arrumar um emprego: a

expectativa pelos novos desafios e aprendizados que virão e

a ansiedade que antecede qualquer exame de certificação ao

qual você vai se submeter.

É possível inovar e empreender no mercado financeiro?

E m 2009, o americano Louis Beryl tentou sem sucesso conseguir um empréstimo para ajudar a pagar a mensalidade de seu MBA em empreendedorismo na Universidade de Harvard.

A resposta negativa, no entanto, lhe rendeu o insight para um novo modelo de negócios. Com um diploma em Engenharia Financeira pela Universidade de Princeton e prestes a entrar em uma das mais prestigiadas escolas de negócios norteamericanas, Louis sabia que seu currículo lhe garantia uma alta probabilidade de devolver o dinheiro que estava pedindo, porém os bancos não estavam muito interessados em quanto era promissor seu LinkedIn.

É possível inovar e empreender no mercado financeiro?

A experiência levou o jovem executivo a criar a Earnest,

startup que oferece pequenos empréstimos individuais com

base em fatores de mérito. O termo não tem tradução precisa

para o português, mas o significado está próximo de correto,

honesto e prudente. A empresa analisa o potencial de ganho

da pessoa, levando em consideração, por exemplo, currículo

e histórico de trabalho, ao invés do histórico de crédito

tradicional usado pelas grandes instituições financeiras.

Fundada oficialmente em 2013, só começou a operar de fato

no ano seguinte, alcançando a marca de 8 milhões de dólares

em emprétimos. Os principais clientes são jovens recém-

formados, entre 22 e 34 anos.

A Earnest não pode ser considerada propriamente um banco,

e em nada se parece com um. O escritório abriga uma equipe

pequena e segue uma combinação de arquitetura e design

casuais, típicos de startups, bastante diferente dos grandes

bancos em que Louis havia trabalhado antes de empreender

– ele tem passagem pelo Morgan Stanley, Deutsche Bank e o

hoje inexistente Lehman Brothers.

A startup faz parte de um movimento de várias empresas

jovens que utilizam novas tecnologias para oferecer

empréstimos a pessoas e pequenos negócios que não

teriam acesso aos empréstimos tradicionais. Louis vê esse

ecossistema em ebulição com otimismo: “Todas essas

inovações e esses credores alternativos são muito positivos e

podem ajudar a economia norteamericana”, ele disse.

Também faz parte desse grupo a Prosper. Fundada em

2005, tornou-se uma das pioneiras na área. Trata-se de uma

espécie de marketplace onde pessoas físicas podem emprestar

dinheiro umas as outras. A esposa de Chris Larsen, um

dos empreendedores, é do Vietnã, e foi lá que o executivo

teve a inspiração para criar sua startup. No país asiático, os

empreendedores se juntam em cooperativas chamadas hoi, e

então reúnem recursos para oferecer emprétimos informais

uns aos outros.

Max Levchin, um dos fundadores do PayPal e entre os

maiores experts em pagamento online no Vale do Silício,

também resolveu entrar nesse mercado. Em 2012, junto com

É possível inovar e empreender no mercado financeiro?

dois outros sócios, ele fundou a Affirm, e é ambicioso em

seus objetivos: quer substituir o uso do cartão de crédito em

compras online.

Se o e-commerce em que você está comprando tiver firmado

parceria com a startup, estará disponível um botão “Pagar com

Affirm”. Clicando ali, você faz log in através do Facebook ou

outra rede social, e a Affirm cuida da transação, ganhando

uma porcentagem do valor. O cliente escolhe a melhor opção

sobre quando e como poderá pagar a Affirm, e a compra é

aprovada na hora.

Para Max, a proposta é a versão moderna de uma prática

antiga, ainda existente em cidades pequenas. Em uma loja

em que vendedor reconhece quem você e conhece a sua

história, provavelmente é possível deixar um pagamento em

aberto até o final do mês. Para conhecer as pessoas, a Affirm

lança mão de um complexo algoritmo que reúne informações

de seu perfil nas redes sociais e de seu histórico de compras

online e determina instantaneamente se você é confiável. Se

a resposta for não, você não verá mais o botão oferecendo a

a possibilidade de comprar através da empresa. Da mesma

forma que a Earnest, seu escritório em São Francisco não

lembra o ambiente formal dos bancos, embora reúna diversos

talentos da área das finanças.

A sede da empresa ocupa dois andares de um prédio histórico,

e o ambiente de trabalho se assemelha a um loft: o espaço é

todo aberto, com pé-direito alto, pisos em madeira rústica e

mesas de trabalho repletas de bancos e pessoas debruçadas

sobre seus notebooks.

Gostou do conteúdo ? Não deixe de baixar também o Especial Mercado Financeiro #2, em que você vai encontrar mais conteúdos sobre o tema.

texto Rafael Carvalho

Darrin Kerr

Luiza Vieira

Pablo Camargo

edição Cecília Araújo

design Danilo de Paulo

Marcos Torres

fotos Acervo pessoal

Shutterstock

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