Estudos Litoestratigráficos e Mapeamento de Porção Extremo Oeste da Bacia Potiguar, Tabuleiro do Norte – CE., Provas de Biologia
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Estudos Litoestratigráficos e Mapeamento de Porção Extremo Oeste da Bacia Potiguar, Tabuleiro do Norte – CE., Provas de Biologia

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Capa final

Universidade Federal do Rio Grande do Norte

Centro de Ciências Exatas e da Terra

Departamento de Geologia

Geologia de Campo II

Estudos Litoestratigráficos e Mapeamento de Porção Extremo

Oeste da Bacia Potiguar, Tabuleiro do Norte – CE.

Natal-RN

Dezembro / 2010

Universidade Federal do Rio Grande do Norte

Centro de Ciências Exatas e da Terra

Departamento de Geologia

Autores:

Alexandre de Castro Medeiros

Anabele Viana Santos

Antomat A. de Macêdo Filho

Francisco Gabriel F. de Lima

Rafaela da Silva Alves

Orientadores:

David Lopes de Castro

Francisco Hilario Rego Bezerra

Francisco Pinheiro Lima Filho

Heitor Neves Maia

Maria Osvalneide Lucena Sousa

Narendra Kumar Srivastava

Natal-RN

Dezembro/ 2010

“Sou onívoro de sentimentos,

de seres, de livros,

de conhecimentos e lutas.

Comeria toda a terra.

Beberia todo o mar”.

(Pablo Neruda)

Sumário

Página Abstract i Resumo ii Capítulo I 1.1 Introdução 2 1.2 Objetivos 2 1.3 Localização da área de trabalho 3 1.4 Metodologia 6 1.5 Estratigrafia Tradicional x Estratigrafia Genética 6 Capítulo II 2.1 Introdução 9 2.2 Origem da Bacia Potiguar (Modelos Evolutivos) 9 2.2.1 Matos (1992) 9 2.2.2 Matos (1999 e 2000) 9 2.2.3 – Panorama Geológico-Estrutural da Bacia Potiguar 11 2.3 Litoestratigrafia da Bacia Potiguar 12 2.3.1 Grupo Areia Branca 13 2.3.2 Grupo Apodi 14 2.3.3 Grupo Agulha 15 2.3.4 Magmatismos 16 2.3.5 Sedimentos tercio-quaternários 16

2.4 Estado da Arte (Evolução dos Conhecimentos sobre as Formações Açu e Jandaíra)

17

Capítulo III 3.1 Introdução 20 3.2 Descrição Litológica em Termos de Fácies e Sistemas Deposicionais 20 3.2.1 Formação Açu 21 3.2.1.1 Fácies A 21 3.2.1.2 Fácies B 23 3.2.1.3 Fácies C 25 3.2.1.4 Fácies D 27 3.2.2 Formação Jandaíra 28 3.2.2.1 Fácies E 28 3.2.3 Depósitos Quaternários 31 3.2.3.1 Depósitos Aluvionares Antigos 31 3.2.3.2 Depósitos lateríticos 32 3.2.3.3 Depósitos Aluvionares Recentes 33 3.2.3.4 Depósitos Lacustres 34 3.3 Embasamento Cristalino e Contexto Estrutural da Área Estudada 35 Capítulo IV 4.1 Considerações Finais 40 Capítulo V

5.1 Referências Bibliográficas 43 Anexo I - Pré - Campo 46 Anexo II - Mapas 55 Anexo III - Afloramentos Visitados 59 Anexo IV - Lâminas Delgadas 63

Alves, R.S.; Lima, F.G.F.; Macêdo Filho, A.A.; Medeiros, A.C.; Santos, A.V. Geologia de Campo II

Resumoi

Resumo

Este relatório apresenta os resultados de estudos do mapeamento geológico desenvolvido na disciplina Geologia de Campo II em escala de 1:50.000, em uma área de terrenos sedimentares na Bacia Potiguar, mais especificamente, a área de estudo está localizada no município de Tabuleiro do Norte-CE.

O mapeamento teve como objetivo, durante os trabalhos pré-campo, o tratamento de imagens de satétile e fotografias aéreas, para que a partir daí fossem elaborados os mapas de caminhamentos, relevo, localidades, drenagens e zonas homólogas, assim como o planejamento de perfis a serem percorridos em campo na área de estudo. O trabalho pré- campo, em conjunto com o trabalho realizado em campo, permitiram identificação de diferentes fácies, bem como os respectivos sistemas deposicionais. Foi possível também, fazer o reconhecimento de estruturas sedimentares e ainda uma caracterização da área de estudo no contexto estrutural.

A partir das características dos afloramentos vistos em campo, das seções delgadas analisadas durante o pós-campo e da análise macroscópica das amostras trazidas do campo denotou-se o estudo da geologia sedimentar da área, dessa forma determinou-se seis fácies deposicionais relacionadas aos sistemas fluvial, estuarino, planície de maré e lacustre. As fácies “A” e “B” foram identificadas como pertencentes à Formação Açu, estando associadas à deposição fluvial. As fácies “C” e “D” caracterizam sistemas transicionais, provavelmente, estuarinos, também inseridos na Formação Açu. Na fácies “E”, encontram-se rochas carbonáticas pertencentes à Formação Jandaíra. A fácies “F” refere-se a depósitos quaternários recentes cuja deposição foi feita por lagos, em aluviões ou derivados de outros litotipos, no caso, calcário.

Em relação ao contexto estrutural da área de estudo, sua caracterização foi feita a partir do reconhecimento de estruturas frágeis (juntas e falhas). Destacando-se a presença de juntas afetando o Arenito Açu com a mesma direção das que afetam o Calcário Jandaíra. Lembrando que as falhas também foram identificadas no tratamento de imagens de satélite e de fotografias aéreas.

Palavras-chave: Bacia Potiguar, mapeamento, facies, Formação Açu, Formação Jandaíra, quaternário.

Alves, R.S.; Lima, F.G.F.; Macêdo Filho, A.A.; Medeiros, A.C.; Santos, A.V. Geologia de Campo II

Abstractii

Abstract

This report presents the results of studies of geological mapping which was developed in the discipline of Geology Field II in a scale of 1:50.000, in a sedimentary area of the Potiguar Basin, more specifically, the studied area is located in the region of Tabuleiro do Norte, at Ceará State.

The mapping had as aims, during the pre-field work, interpretations of satellites images and aerial photograps, with the intention of making localization maps, relief, drainage and homolog zones, as well as the planning of profiles to be covered in field at the study area. The pre-field work and the work made at field, enabled the identification of different facies and their respective depositional systems. It was also possible to make the recognition of sedimentary structures and a further characterization of the studied area in the structural context.

From the characteristics taken of the outcrops seen at the field, of thin sections examined during the post-field and of macroscopic analysis of samples collected at the field, was possible to geologically study the sedimentary area, so It was determined six depositional facies related to fluvial, estuarine, tidal flat and lake systems.

Facies “A” and “B” were identified as belonging to Açu Formation, being associated with fluvial deposition. Facies “C” and “D” characterize transitional systems, probably estuarine, also inserted in the Açu Formation. At the facies “E” is possible to find carbonate rocks which belong to Jandaíra Formation. The facies "F" refers to a recent deposition made by lakes, alluvium or quaternary deposits derived from other rocks, in this case, limestone.

Regarding the structural context of the studied area, its characterization was made based on the recognition of weak structures (joints and faults). Highlighting the presence of joints which affect Açu Sandstone in the same direction of the ones which afect Jandaíra Limestone. Recalling that the faults were also identified in the processing of satellite images and aerial photographs.

Key-words: Potiguar basin, mapping, facies, Açu Formation, Jandaíra Formation, quaternary.

Capítulo I

Introdução

Alves, R.S.; Lima, F.G.F.; Macêdo Filho, A.A.; Medeiros, A.C.; Santos, A.V. Geologia de Campo II

Capítulo 1 - Introdução Página 2

1. 1 Introdução

O presente relatório é resultado dos estudos desenvolvidos durante excursões de

campo realizadas com os alunos do curso de Geologia da Universidade Federal do Rio

Grande do Norte. Os trabalhos foram realizados em duas etapas. Na primeira delas, nos

dias 16 e 21 de outubro 2010, foram realizadas aulas de campo expositivas no Estado do

Rio Grande do Norte, oferecendo aos alunos um panorama geral da Bacia Potiguar. Em um

segundo momento, no período compreendido entre 25 a 30 de outubro do corrente ano, as

atividades se concentraram no município de Tabuleiro do Norte, no Estado do Ceará. Sob a

orientação dos professores Dr. David Lopes de Castro, Dr. Heitor Neves Maia, Dr.

Francisco Hilário Rego Bezerra, Drª. Maria Osvalneide Lucena Sousa e Dr. Narendra

Kumar Srivastava, os trabalhos realizados, bem como o relatório decorrente dessas

atividades, serão objeto de avaliação da disciplina de Geologia de Campo II (GEO 0341).

1.2 Objetivos

O estudo realizado visou descrever e aplicar técnicas de mapeamento geológico

(escala de 1:50.000) em uma área de terrenos sedimentares na Bacia Potiguar. Além de

instrumento de avaliação, o mapeamento permitiu aos alunos um primeiro contato (direto e

prático) com um tipo de trabalho bastante relevante na vida profissional de um geólogo.

Os trabalhos pré-campo tiveram importância imprescindível no êxito do

mapeamento, tendo contribuído para o desenvolvimento e aprimoramento de habilidades

essenciais em um bom trabalho de campo e posterior confecção de mapa geológico da área

em questão, além de dar suporte e experiência para futuros trabalhos. Foram realizadas

interpretações de fotos aéreas, através das propriedades estereoscópicas das fotografias, e

de imagens de satélite, a partir de resultados obtidos com uso de técnicas de PDI. Esboçou-

se, ainda, um mapa geológico preliminar e elaborou-se mapas de caminhamentos, relevo,

localidades e zonas homólogas, bem como o planejamento de perfis a serem percorridos

em campo, exigindo, assim, a manipulação de softwares GIS.

Durante as atividades de campo, aprendeu-se a correlacionar, afloramentos e rochas

encontradas, com a finalidade de delimitar as unidades litológicas da área, bem como os

sistemas deposicionais e paleoambientes que deram origem as rochas em estudo. Esse tipo

de exercício permite uma visão integrada dos processos geológicos.

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Capítulo 1 - Introdução Página 3

1.3 Localização da área de trabalho

A área escolhida situa-se na borda oeste da Bacia Potiguar (BP), no município de

Tabuleiro do Norte, Estado do Ceará. A área possui, aproximadamente, 113,4 km2 e seus

extremos possuem as seguintes coordenadas UTM (datum WGS84):

9.411.800m ao norte; • 9.405.800m ao sul; • 592.000m ao oeste; • 610.900m ao leste.

Essa área está delimitada sob terrenos sedimentares de idades Cretáceas (formações

Açú e Jandaíra) e recoberta por sedimentos quaternários em algumas extensões. Pode-se

observar a sudoeste da área o contato entre embasamento e a Bacia Potiguar, delimitado

por uma falha que deu suporte ao desenvolvimento do Rio Belém, bem como da Lagoa do

Tapuio.

Apesar da única estrada pavimentada que corta a área ser a CE-358, o acesso a área

também pode ser feito pela BR-116. As demais estradas são carroçáveis e muitas vezes o

acesso a determinadas regiões só é possível a pé.

O mapa de localização da área pode ser observado na Figura 1.1.

1.4 Metodologia

O trabalho apresentado provém de um conjunto de atividades desenvolvidas pela

disciplina Geologia de Campo II e da interpretação de cada autor do relatório a respeito do

que foi visto e pesquisado.

A princípio, foram realizadas aulas pré-campo. Informou-se ás área estudadas, os

equipamentos necessários para estudo em campo (bússola, caderneta, GPS, mapas,

martelos) e para segurança dos alunos (equipamentos de proteção individual – EPI’s),

alertando sobre os riscos decorrentes de eventuais acidentes. Durante o pré-campo, foram

realizadas interpretações de fotografias aéreas, através de estereoscopia, obtendo

informações de lineamentos estruturais, hidrografia e zonas homólogas. Ocorreram aulas

de manuseamento de softwares GIS e PDI, indispensáveis para a elaboração de mapas com

as informações obtidas através de fotointerpretação (utilizadas em concomitância com os

dados adquiridos em imagens de satélite e radar). Também foram formulados mapas

situando as localidades existentes e caminhamentos possíveis de serem percorridos.

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Capítulo 1 - Introdução Página 4

Em seguida, com os mapas-base confeccionados em mãos, procederam-se as

atividades de campo, onde coletou-se as coordenadas geográficas de diversos afloramentos

de diferentes litologias em pontos homogeneamente distribuídos por toda a área. Nessa

fase foram identificados e delimitados os contatos entre litologias distintas e tomou-se nota

das medidas estruturais observadas, tais como fraturas, falhas, estilólitos e estrias. Quando

possível, foram interpretados os paleoambientes e o contexto da formação dos litotipos,

além da confecção de seções colunares e coleta de amostras. Ainda em campo, o mapa de

zonas homólogas foi ajustado a partir das informações obtidas in loco, “transformando-se”

em um mapa geológico do terreno estudado.

Em um último momento, fez-se um estudo sobre a Bacia Potiguar e criou-se mapas

e perfis esquemáticos em softwares GIS. Analisaram-se amostras coletadas dos

afloramentos através de discrição em escala microscópica e foram discutidas todas as

informações apuradas (correlacionando os afloramentos mapeados juntamente com as

fácies e sistemas deposicionais encontrados), para, então, ser confeccionado este relatório.

Figura 1. 1 – Mapa de Localização e Afloramentos da área mapeada

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Capítulo 1 - Introdução

1.4 Estratigrafia Tradicional x Estratigrafia Genética

O conceito clássico da estratigrafia baseia-se em descrições detalhadas dos

afloramentos calcadas em sua composição litológica, textura e forma de distribuição. As

unidades são definidas através de variações na litologia. Nesse contexto, a Estratigrafia

Tradicional está baseada em unidades formais, definidas e caracterizadas por critérios

operacionais (não-genéticos) regulamentados pelo Código de Nomenclatura Estratigráfica

que fundamenta-se no princípio da superposição, segundo o qual cada camada é mais nova

que a subjacente e mais velha que a sobrejacente. A unidade fundamental da classificação

litoestratigráfica é a formação.

Segundo, Gama Jr. (1989), a Estratigrafia Tradicional, apresenta algumas

limitações:

 Nos termos estabelecidos pelo Código, uma formação pode se estender até

onde persistir seus atributos litológicos distintivos. Mais além, os estratos

correlacionáveis devem constituir uma nova formação, mesmo que o

conteúdo paleontológico, a idade e gênese permaneçam idênticos. Isto

proporcionou a proliferação de unidades litoestratigráficas, e dificuldades de

correlação entre diferentes formações;

 Existe limitações no domínio da interpretação paleogeográfica, objetivo

derradeiro da análise estratigráfica, pois a homogeneidade litológica, critério

básico de definição das formações, não significa necessariamente,

identidade genética. Pelo contrário, muitas unidades genéticas são

extremamente heterogêneas.

 Impossibilidade de reconstituições paleogeográficas, que só são

materializadas com o mapeamento de sistemas deposicionais. Subordinadas

às formações, a interpretação paleoambiental fica limitada a modelos de

fácies de natureza conceitual e abstrata e com um condicionamento

restritivo de visão do arranjo tridimensional das associações faciológicas.

 A principal limitação decorre da generalizada distorção de seus conceitos

fundamentais.

Mesmo com todas as limitações, Gama Jr. (1989), considera que a Estratigrafia

Tradicional ainda representa a concepção mais adequada no campo da Geologia Básica.

Ainda segundo Gama Jr. (1989), as dimensões continentais do território brasileiro,

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Capítulo 1 - Introdução

necessitando de mapeamentos básicos em escalas adequadas, exige uma abordagem

objetiva, que só unidades formais oferecem. É possível obter bons resultados, até mesmo,

na interpretação paleoambiental, se os estudos forem conduzidos à luz da análise de fácies

e modelos de fácies.

Uma nova forma de se pensar estratigrafia surgiu na década de 60 juntamente com

a evolução dos métodos geofísicos de sismoestratigrafia, tendo sido desenvolvido

principalmente pelos geólogos da Exxon, além de autores como Vail, Posamentier e Van

Wagooner. A Estratigrafia de Sequências é o estudo de unidades de estratos sedimentares

geneticamente relacionados, dentro de um arcabouço de superfícies cronoestratigráficas

significativas (Della Fávera, 2001). O grande enfoque da Estratigrafia de Sequências reside

na utilização de dados sísmicos o que muda consideravelmente as dimensões de análise de

uma bacia e o estudo de sua evolução. Vários conceitos foram desenvolvidos durante o

tempo: parassequência, trato de sistema, curva de variação do nível do mar e sequência

deposicional.

Na década de 70, Willliam Galloway propõe uma sequência estratigráfica genética,

baseando os limites das unidades por superfícies de inundação máxima. Nascendo, assim,

o conceito de Estratigrafia Genética, posteriormente desenvolvido também por Fischer e

Brown, em que a ênfase na sedimentologia é muito significativa e todos os parâmetros

sedimentológicos são considerados de igual importância para a interpretação dos sistemas

deposicionais.

A Estratigrafia Genética tem sido usada para destacar a estratigrafia de unidades

informais, de natureza genética, em oposição às unidades operacionais da Estratigrafia

Tradicional. Sendo assim, as unidades estratigráficas são os sistemas deposicionais e as

seqüências deposicionais, enfocadas como unidades paralitoestratigráficas e

paracronoestratigráficas, respectivamente. Ambos apoiando-se na sismoestratigrafia e

trazendo uma metodologia voltada para análise de bacias. Segundo Gama Jr. (1989),

embora desenvolvidas por escolas estratigráficas diferentes, estes conceitos não entram em

conflito, pelo contrário, complementam-se para oferecer uma visão temporal e espacial dos

episódios deposicionais e suas respectivas paleofisiografias.

Capítulo II

Geologia

Regional

Alves, R.S.; Lima, F.G.F.; Macêdo Filho, A.A.; Medeiros, A.C.; Santos, A.V. Geologia de Campo II

Capítulo 2 – Geologia Regional Página 9

2.1 Introdução

A Bacia Potiguar (Figura 2.1) está localizada na porção setentrional do Rio Grande

do Norte e em pequena parte da região nordeste do Ceará. Limita-se a leste com a Bacia

Pernambuca-Paraíba, pelo Alto de Touros; a noroeste com a Bacia do Ceará, pelo Alto de

Fortaleza; a sul com embasamento cristalino e a norte até a cota batimétrica de 200m.

Possui uma área de, aproximadamente, 48.000Km 2 , dos quais 21.000Km

2 correspondem a

áreas emersas e 27.000Km 2 à plataforma e talude continentais (Bertani et al.,1990).

2.2 Origem da Bacia Potiguar (Modelos Evolutivos)

Existem diversos modelos evolutivos propostos para a Bacia Potiguar que se

distinguem pela orientação dos esforços e dos mecanismos que atuaram na época de sua

formação, alguns desses modelos serão discutidos a seguir.

2.2.1 – Modelo Tradicional

Françolin & Szatmari (1987) explicam a separação América do Sul - Àfrica,

utilizando-se do modelo de rotação horária da placa sul-americana em relação à africana (a

rotação teria ocorrido em torno de um pólo situado a sul de Fortaleza), envolvendo

esforços compressivos e distensivos. As primeiras manifestações da separação Brasil-

África ocorreram no Jurássico Superior com movimentação divergente de direção leste-

oeste, provocando fraturamentos de milhares de quilômetros de extensão. Durante o

Cretáceo Inferior, a movimentação divergente dos dois continentes era maior a sul,

imprimindo, desta forma, uma rotação horária na placa sul-americana em relação à

Figura 2.1 – Mapa Geológico da porção emersa da Bacia Potiguar (Cassab, 2003).

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Capítulo 2 – Geologia Regional Página 10

africana. O pólo desta rotação, segundo estes autores, estava localizado aproximadamente

a 39ºW e 7ºS. Como resultado, instalou-se na Província Borborema um processo de

compressão a sul e distensão a norte. No Neocomiano, toda a Província sofreu uma

compressão leste-oeste e uma distensão norte-sul, promovendo reativações de inúmeras

falhas e possibilitando a geração da atual porção onshore da bacia. Simultaneamente a esta

tectônica, as falhas de direção NE-SW preexistentes foram reativadas por movimentos

transcorrentes dextrais, com movimentação transtensional, em seu extremo NE, e

transpressional da sua porção SW. O limite entre os regimes transpressional e

transtensional é marcado pelo magmatismo Ceará-Mirim de direção E-W. As falhas de

direção NW-SE são pouco representativas no Neocomiano, enquanto que as de direção

NE-SW são as mais importantes, pois condicionam a abertura do Rift Potiguar e têm como

representante principal a Falha de Portalegre-Carnaubais, que propiciou a formação e

delimitou o Gráben Pendência.

Nesse momento, segundo Bertani et al. (1990), foi depositada a Seqüência Rift,

caracterizada por folhelhos, siltitos e arenitos finos, passando no topo para arenitos grossos

e conglomerados, estando estes incluídos na Formação Pendências (Matos et al. 1987).

Durante o Aptiano, a Província Borborema esteve submetida a uma distensão de direção

norte-sul, e sob, esse novo regime de esforços, interromperam-se a movimentação

transcorrente dextral das falhas NE-SW e a sedimentação na porção onshore da Bacia.

Entretanto, prosseguia o rifteamento através das falhas de direção leste-oeste e a

sedimentação da porção submersa da Bacia Potiguar. Segundo Betrani et al. (1990),

ocorreram, assim, reativação de altos internos, culminando com a extensa discordância

regional de caráter erosional e angular, e deposição com subsidência contínua, na porção

offshore, instalando-se em seguida a fase transicional (Figura 2.2).

Figura 2.2 - Ambiente deposicional da megasseqüência transicional -

Formação Alagamar. (Segundo BERTANI et al., 1990).

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Capítulo 2 – Geologia Regional Página 11

Deposita-se, então, a Formação Alagamar, que consiste de folhelhos e carbonatos

lagunares restritos com influência marinha. Conforme Françolin & Szatmari (1987), no

Albiano, ocorre transgressão marinha devido à movimentação dos continentes sul-

americano e africano (E-W), permitindo a entrada de água do mar, posteriormente, ocorre

regressão marinha na Bacia.

Bertani et al. (1990) agruparam as fases transgressivas e regressivas na seqüência

denominada de drift (Figura 2.3). Esta seqüência teria sido depositada em ambiente de

deriva continental e sob influência de mar aberto, com subsidência controlada por

mecanismos termais e isostáticos. A seqüência transgressiva, de idade albiana a turoniana,

é representada por arenitos fluviais grossos a médios interditados e sobrepostos por

folhelhos transicionais a marinhos e carbonatos de plataforma rasa, incluídos nas

formações Açu, Jandaíra, Ponta do Mel e Membro Quebradas da Formação Ubarana. A

seqüência regressiva caracteriza-se por arenitos costeiros, carbonatos de plataforma e

folhelhos marinhos rasos a profundos com turbiditos intercalados, incluídos nas formações

Tibau, Guamaré e Ubarana. Após o Campaniano, um evento compressivo de direção norte-

sul afeta áreas a oeste da Bacia Potiguar, além das bacias Ceará e Barreirinhas.

2.2.2 Matos (1999 e 2000)

Matos (1999 e 2000) propôs para a Bacia Potiguar, dois estágios principais de

evolução, estando um deles relacionado à evolução das bacias de margem leste brasileira e

o outro referente à margem equatorial Atlântica, no contexto de uma margem equatorial

Figura 2.3: Ambiente deposicional da megasseqüência marinha. (A) Unidade

transgressiva (B) Unidade regressiva. (Segundo BERTANI et al., 1990)

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Capítulo 2 – Geologia Regional Página 12

transformante. A margem leste brasileira foi caracterizada por um longo estágio rift, que se

deu no Neocomiano-Barremiano. A margerm equatorial (Aptiano-Albiano-Cenomaniano)

tem sua evolução tectônica relacionada a três estágios principais controlados

cinematicamente pelos limites litosféricos das margens Africanas e Sul-Americana. Foi

proposta uma subdivisão baseada em seqüências pré, sin e pós desenvolvimento de zonas

transformantes equatoriais entre os continentes Africano e Sul-Americano. Em um estágio

inicial, principiaria a fragmentação, em condições intracontinentais (fase Sin-

Transtração), seguidos da fase Sin-Transformante e Pós-Transformante. A seqüência

Sin-Transformante envolve o período imediatamente posterior ao regime transtracional

intracontinental, quando os limites rupturais da litosfera passam a ser definidos a partir da

focalização da deformação em um sistema de falhas transformantes, subparalelo e em

echelon. Com a fragmentação final dos blocos africanos e sul-americanos e o início da

deriva continental, o período pós transformante caracterizou-se por segmentos tipicamente

sob condições de margem passiva, com algumas exceções em função da proximidade

espacial das falhas transformantes.

2.2.3 – Panorama Geológico-Estrutural da Bacia Potiguar

O arcabouço estrutural do rifte Potiguar é bem definido para a porção emersa da

bacia. A parte submersa não apresenta o mesmo detalhamento, embora a continuidade dos

elementos estruturais entre as duas partes já tenha sido constatada. Na porção emersa, o

rifte alinha-se segundo a direção ENE-WSW formando grabens assimétricos, limitados à

sudeste por falhas que ultrapassam 5.000 m de rejeito e por flexuras na borda oposta. São

os grabens de Apodi, Umbuzeiro, Boa Vista, Pendências e Guamaré, separados por cristas

alongadas de embasamento, dispostas paralelamente à direção do eixo principal do rifte,

denominados de altos internos. Estas feições estruturais estão ilustradas na figura 2.4, onde

também estão representados o alto de Quixabá, Canudos, Macau e Mossoró. Margeando os

lados do rifte ocorrem duas plataformas rasas do embasamento: a de Aracati, a oeste e a de

Touros, a leste (Cremonini et al., 1996).

As estruturas mais antigas do Sistema de Falhas de Afonso Bezerra teriam se

formado no final do Pré-Cambriano, como falhas tardi-brasilianas controlando a intrusão

de diques de granitos tardios.

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Uma importante reativação atingiu ambos os sistemas de falhas durante o Terciário,

com uma compressão N-S, causando tanto uma transcorrência dextral no Sistema de

Falhas de Afonso Bezerra, como uma transcorrência sinistral no Sistema de Falhas

Carnaubais. O mecanismo que gerou a compressão ainda não está totalmente esclarecido,

alguns autores têm associado a um domo térmico delineado pelas ocorrências de

vulcânicas básicas alcalinas da Formação Macau.

No quaternário, houve uma nova reativação que atingiu ambos os sistemas, os quais

estiveram subordinados a uma compressão WNW-SSE, fazendo com que o Sistema de

Falhas de Carnaubais apresentasse uma cinemática oblíqua normal – dextral, enquanto o

Sistema de Falhas Afonso Bezerra obedecesse a uma cinemática normal com componente

sinistral.

2.3 Litoestratigrafia da Bacia Potiguar

De acordo com Araripe & Feijó (1994), as seqüências sedimentares da Bacia

Potiguar foram divididas em três grupos: Areia Branca, Apodi e Agulha (Figura 2.5). Três

grupos de rochas vulcânicas também estão presentes na Bacia Potiguar: formações Rio

Ceará-Mirim, Serra do Cuó, e Macau, além das coberturas tercio-quaternárias pertencentes

ao Grupo Barreiras.

Figura 2.4 – Arcabouço Estrutural da Bacia Potiguar (Segundo CREMONINI et al., 1996).

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Capítulo 2 – Geologia Regional Página 14

2.3.1 Grupo Areia Branca

O Grupo é constituído predominantemente por sedimentos clásticos e reúne as

formações Pendência, Pescada e Alagamar, separadas por discordâncias, sobrepostas ao

embasamento cristalino de forma discordante.

A Formação Pendência é essencialmente composta por intercalações de arenito

fino, médio e grosso, cinza esbranquiçado com intercalações de folhelho e siltito cinza

esverdeado, ocorrendo por vezes sotopostos em discordância com a Formação Alagamar.

Sua interpretação paleoambiental aponta para leques aluviais associados a falhamentos e

Figura 2.5 – Carta Estratigráfica da Bacia Potiguar (Pessoa Neto et al. 2007)

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Capítulo 2 – Geologia Regional Página 15

sistemas fluvio-deltáicos progradando sobre pelitos lacustres, pontuados por freqüentes

turbiditos.

A Formação Pescada é composta principalmente por arenitos médio branco e

arenito fino cinzento, com intercalações de folhelho e siltito depositados um sistema de

leques aluviais coaslescentes, havendo contribuições de sistemas flúvio-deltáicos com

pelitos lacustres, entremeados por turbiditos.

Já a Formação Alagamar é composta por dois membros, separados por uma seção

pelítica (Camada Ponta do Tubarão) de sistema deposicional lagunar. O Membro Upanema

caracteriza-se por intercalações de arenitos finos a grossos de cor cinza e folhelhos

esverdeados, relacionados a um sistema flúvio-deltáico, enquanto que o Membro Galinhos

é predominantemente pelítico, com folhelhos carbonosos cinza-escuros e calcilutito cor

creme claro, depositado em uma ambiente nerítico.

2.3.2 Grupo Apodi

Composto por rochas carbonáticas das formações Açu, Jandaíra, Ponta do Mel e

Quebradas, situando-se sobreposto à Formação Alagamar e em contato superior,

discordante, com o grupo Agulha. Datações apontam idades entre o Albiano e

Mesocamaniano (107-74 Ma.)

A Formação Açu é composta por espessas camadas, com até 1.000m, de arenito

médio a grosso, esbranquiçado, intercalado com folhelho e argilito verde-claro e siltitos

castanho-avermelhado. Vasconcellos et al. 1990 identificou quatro unidades através de

perfis elétricos, denominadas informalmente de Açu 1 a Açu 4, estando estas associadas a

sistemas de leques aluviais, sistemas fluviais entrelaçados, meandrantes e uma transgressão

costeira estuarina.

A Formação Ponta do Mel é composta por calcarenitos oolíticos de cor creme,

doloespartito castanho claro e calcilutito branco com camadas de folhelho verde claro. Sua

deposição se deu em ambiente de plataforma rasa, associada à planície de maré em mar

aberto.

A Formação Quebradas pode ser subdividida por dois membros: Redonda, formado

por intercalações de arenito fino cinza-claro e siltito cinza esverdeado; e Ponta do Mangue,

que encontra-se no topo, sendo composto por folhelho e arenito subordinado. Foi

depositada em um ambiente de plataforma e talude, com presença de turbiditos.

A Formação Jandaíra compreende calcarenito com bioclastos de moluscos, algas

verdes, briozoários e equinóides, onde também ocorre calcilutito com marcas de raízes,

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Capítulo 2 – Geologia Regional Página 16

dismicrito e gretas de contração. Sendo seu ambiente deposicional descrito como uma

planície de maré, laguna rasa, plataforma rasa e mar aberto.

2.3.3 Grupo Agulha

O Grupo Agulha tem sua idade compreendida entre o Neocampaniano e o

Holoceno (a partir de 83 Ma.), encontra-se interdigitado com os grupos Apodi e Barreiras.

Compreende as formações Ubarana, Guamaré e Tibau, com rochas siliciclásticas e

carbonáticas de alta e baixa energia.

A Formação Ubarana caracteriza-se pela espessa camada de folhelhos e argilitos

cinzas, intercalado por camadas delgadas de arenitos grossos a finos (turbidíticos)

esbranquiçados que foram depositados em ambiente tipo talude continental e bacia

ocêanica.

A Formação Guamaré é uma seqüência carbonática, compostas por calcarenito

creme-acastanhado, bioclástico, com intercalação de calcilutito, folhelho e arenito,

depositados em plataforma e talude carbonático.

A FormaçãoTibau é constituída por sedimentos clásticos (arenitos quartzosos

grossos a conglomeráticos) que compõem fácies proximais de um sistema de leques

costeiros-plataforma-talude-bacia.

2.3.4 Magmatismos

Três episódios vulcânicos estão relacionados à evolução da Bacia Potiguar,

compondo as seguintes formações: Formação Rio Ceará-Mirim (120 a 140 Ma), localizada

na borda da Bacia, compreendendo diques de diabásio toleítico de orientação E-W;

Formação Serra do Cuó (53 Ma), que ocorre na parte sul da Bacia Potiguar, sendo formada

por diques e soleiras de diabásio com tendência alcalina; e a Formação Macau (29 a 45

Ma), identificada como basaltos, diabásios e rochas vulcanoclásticas, classificados em

fácies de lava, brecha e hialoclatitos.

2.3.5 Sedimentos tercio-quaternários

Os sedimentos tercio-quaternários são representados pelo Grupo Barreiras, que

compreende as Formações Serra do Martins (composta por fácies arenosa a

conglomerática, com sedimentos altamente ferruginosos e silicificados), Guararapes

(composta por sedimentos arenosos com fácies argilosas e níveis de seixos de quartzo) e

Macaíba (formada por sedimentos arenoargilosos, com seixos na base).

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Capítulo 2 – Geologia Regional Página 17

2.4 Estado da Arte (Evolução dos Conhecimentos sobre as Formações

Açu e Jandaíra)

Em relação aos estudos sobre a Bacia Potiguar, pode-se dizer que o que há de mais

novo se encontra publicado no Boletim de Geociências da Petrobrás (2007), que

possibilitou novas interpretações sobre a evolução e o modelo deposicional de diversas

unidades litoestratigráficas da Bacia Potiguar. Com a proposta e redefinição de alguns

membros, como o Membro Porto do Mangue (da Formação Quebradas), Membro Lagoa

do Queimado (da Formação Pendencia), Membro Canto do Amaro (da Formação

Alagamar) e, por fim, o Membro Cristovão (da Formação Pescada).

A seguir, será feita uma breve discussão sobre os depósitos sedimentares

Neocretáceos da Bacia Potiguar tratando, principalmente, dos sedimentos terrígenos da

Formação Açu até os sedimentos carbonáticos pertencentes à Formação Jandaíra.

Na chamada superseqüência Drifte da Bacia Potiguar, houve o desenvolvimento de

seqüências marinhas transgressivas. Gradativamente, esse sistema passava em direção ao

mar para uma plataforma rasa siliciclástica a mista, com implantação carbonática de borda

de plataforma e um sistema de cânions submarinos com associação de sedimentação

turbidítica. Esses cânions são conhecidos como os de Pescada e Ubarana, os quais são

preenchidos com folhelhos de talude, intercalados com camadas de turbiditos, diamictitos e

olistolitos carbonáticos.

No Neocretáceo, uma grande transgressão fez com que esse sistema fosse

gradativamente afogado. O resultado foi o desenvolvimento de um empilhamento vertical

de sistema fluviais, entrelaçados na base, passando a meandrantes grossos, meandrantes

finos e, por fim, estuarinos no topo. Contudo, no Euturoniano, esses sistemas fluviais

atingem seu afogamento máximo. Nesse estágio, houve as condições que viabilizaram a

implantação de uma extensa rampa carbonática, rampa esta, dominada por processos de

maré, formada na transição para as seqüências regressivas.

As seqüências transgressivas (K60 a K90), registradoras desse período, tiveram

início com a deposição da seção fluvial a marinha, representadas pela Formação Açu e

marinhos distais representados pela Formação Quebradas e, ainda, pelos depósitos

carbonáticos marinhos rasos da Formação Ponta do Mel.

Na parte emersa, as discordância limítrofes da seqüências K60, K70 e K84,

respectivamente, coincidem com os limites das unidades de correlação, nomeadas, Açu-1,

Açu-2 e Açu-3 (Vasconcelos et al. 1990) da Formação Açu. Entretanto, na porção

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Capítulo 2 – Geologia Regional Página 18

submersa, a discordância limítrofe da seqüência K70 coincide com o topo da Formação

Ponta do Mel. O máximo transgressivo foi marcado pela deposição de folhelhos contínuos

na porção submersa da bacia e pelo afogamento dos sistemas fluviais e estuarinos na

porção emersa, ocorrido na passagem do Cenomaniano – Turoniano.

Novamente, segue-se implantação de uma plataforma carbonática dominada por

processos de maré. Eis então a Formação Jandaíra, cujos sedimentos mais novos

apresentam idade Eocampaniana. As rochas dessa formação afloram praticamente em toda

porção emersa da bacia, sua espessura varia de alguns metros na porção oeste da bacia a

600m na porção mais interna da plataforma, passando a zero em direção a águas profundas,

talvez por efeito da erosão ou condensação. O pacote carbonático da Formação Jandaíra

limita-se com a Formação Açu, sotoposta, concordantemente representando uma superfície

de máxima inundação do Cretáceo Superior.

Os depósitos deste trato de sistema deposicionais transgressivos são caracterizados

por folhelhos de ambiente nerítico médio a batinal, na porção submersa da bacia, e

sucessões de tidal bundles, ambiente estuarino, e folhelhos marinhos na porção emersa. Na

porção emersa, o contato exibe-se como uma expressiva cuesta que se estende por todo

estado do Rio Grande do Norte e parte do Ceará. Esse relevo em chapada é denominado

Chapada do Apodi. O padrão estratal dos sedimentos dessa seqüência indica um ambiente

de bacias de margem de rampa, estratos com mergulhos suaves e clinoformas sigmoidais

típicas corroboram tais interpretações.

Ainda no Pacote carbonático, é possível individualizar duas seqüências

deposicionais, a primeira correspondente ao intervalo Neuturoniano – Eosantoniano, cujo

limite basal é marcado por evidente quebra nos perfis de poços e repentinas mudanças

ambientais identificada nas associações bioestratigráficas; a segunda correspondente ao

intervalo Neo-santoniano – Eocampaniano, cuja sedimentação tem total domínio

carbonático, inclusive na porção proximal.

Capítulo III -

Geologia Local

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Capítulo 3 – Geologia Local Página 20

3.1 Introdução

O termo fácies foi cunhado pela primeira vez em 1838 por Amanz Gressly, tendo

sido empregado para designar conjuntos de rochas com determinadas características

distintivas, quer paleontológicas (fósseis) quer litológicas, considerando qualquer aspecto

composicional, químico ou mineralógico, morfológico, de estrutural ou textura (assim a

forma, o tamanho, a disposição dos seus grãos e a sua composição de minerais) que

ajudem a conhecer onde e quando se formou a rocha. O termo fácies também é usado para

o ambiente onde se formou ou transformou a rocha. As fácies podem ser reunidas em

associações ou sucessões de fácies. Conforme Riccomini et al. (2000), uma associação de

fácies corresponde a um grupo de fácies geneticamente relacionados entre si e que

apresentam significado ambiental. A sucessão de fácies refere-se à mudança vertical

progressiva em um ou mais parâmetros, como a graduação e estruturas sedimentares. Uma

mesma fácies pode ocorrer em vários ambientes como resultado de um processo.

Identificar fácies e associações de fácies é essencial para a interpretação de um ambiente

com maior segurança (Della Fávera, 2001).

O termo sistema deposicional, segundo Fischer e Mcgowen (1967, apud Menezes,

1996), é utilizado quando depósitos sedimentares são analisados tridimensionalmente,

sendo constituídos por uma mesma associação de fácies, cujos depósitos são gerados por

processos sedimentares atuantes nos ambientes de uma mesma província fisiográfica ou

geomorfológica. Os modelos de fácies sintetizam um sistema deposicional em particular e

envolvem vários exemplos de sedimentos recentes e rochas sedimentares antigas

(Riccomini et al., 2000).

3.2 Descrição Litológica em Termos de Fácies e Sistemas

Deposicionais

Para a descrição das litofácies, foram realizadas observações em campo

(macroscópicas), como aspectos texturais, composicionais, coloração, paleocorrentes, além

de estruturas internas características. Foram, ainda, descritas lâminas delgadas, que

auxiliaram na caracterização dessas fácies. De acordo com a classificação faciológica foi

possível identificar os sistemas deposicionais.

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Capítulo 3 – Geologia Local Página 21

3.2.1 Formação Açu

As rochas dessa formação foram agrupadas em quatro litofácies. As fácies A e B

correspondendo a pacotes de rochas formados a partir da deposição de rios entrelaçados e

meandrantes, enquanto as litofácies C e D estão associadas a sistemas deposicionais

estuarinos.

3.2.1.1 Fácies A

Caracterizada por arenitos da segunda fase de um rio (sistema fluvial entrelaçado).

O arenito é do tipo arcosiano devido à grande quantidade de feldspatos observados (Figura

3.1). Os grãos de quartzo e feldspato apresentavam caráter subanguloso.

O relevo mostra-se sinuoso, indicando a presença de rochas mais resistentes que

outras. Nas porções mais baixas do terreno encontram-se depósitos aluvionares recentes. É

possível perceber também a presença de caulim, proveniente da alteração de feldspato,

comprovando a presença deste.

A diferença de granulometria em relação à litofácies B (discutida mais adiante) é a

presença de grãos maiores, mais grosseiros. O arenito é, portanto, grosso com seixos de

quartzo (Figura 3.2), indicando uma maior energia hidráulica. Pode-se dizer, então, que

este é um arenito arcosiano conglomerático (Figura 3.3). Nas estratificações há diferença

de granulometria, a mais grosseira, provavelmente, deposita-se no inverno, a mais fina, no

verão.

Figura 3. - Fotografia mostrando arenito arcosiano médio a

grosso encontrado no afloramento 1

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Capítulo 3 – Geologia Local Página 22

Destaca-se ainda a presença de fraturas pré-cambrianas cortando o arenito,

provenientes de uma tectônica pós-deposicional. As medições de paleocorrentes mostram

que estas possuem geralmente direção nordeste (Figura 3.4). Pode-se, assim, deduzir que

os paleocanais corriam em direção ao depocentro da Bacia Potiguar.

Figura 3.2 - Fotografia evidenciando seixos de quartzo (tracejado)

em arenito arcosiano conglomerático no afloramento 17.

Figura 3.3 – Seção colunar de Arenito Açu encontrado no afloramento17, caracterizando depósito de rio entrelaçado. Na base,

argilito; acima, arenito conglomerático;no topo, arenito grosso.a fino.

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Capítulo 3 – Geologia Local Página 23

3.2.1.2 Fácies B

Os arenitos representantes desta litofácies são representados por rochas

intemperizadas e apresentam-se com granulometria variando de fina à média, além de

camadas argilosas (Figura 3.5). É possível perceber a presença de estruturas primárias

como estratificação cruzada acanalada e paleocorrentes (Figuras 3.6). Os arenitos desta

fácies possuem estratos de coloração avermelhada e algumas vezes coloração

esbranquiçada, indicando oscilação deposicional entre ambiente oxidante e redutor,

respectivamente. Em alguns afloramentos encontram-se raízes de plantas, típicas de

planície de inundação.

Figura 3.4 – Diagrama de roseta com medidas de paleocorrentes encontradas no afloramento 2.

Figura 3.5 – Seção colunar de rocha da Formação Açu encontradas no afloramento 15.

Na base, argilito de planície de inundação; no intermédio e topo, arenitos médio a finos

que diminuem gradativamente a granulometria para o topo.

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Capítulo 3 – Geologia Local Página 24

Devido à variação de granulometria de arenito fino a médio com níveis argilosos,

pode-se concluir que estes não são bem selecionados, sendo classificados como

moderadamente selecionados. Essa granulometria mais fina caracteriza o Arenito Açu

como distal (longe da fonte), assim conclui-se um ambiente de pouca energia hidráulica.

Fazendo-se uma correlação com as quatro fases de um rio, o paleocanal que depositou

esses sedimentos encontrava-se na terceira fase (meandrante). Trata-se, portanto, de

arenitos argilosos.

As medições de paleocorrentes indicam um depocentro situado a leste, como pode

ser observado na Figura 3.7

Pode-se destacar, ainda, a presença de juntas afetando o arenito com mesma

direção das juntas que afetam o Calcário Jandaíra (Figura 3.8).

Figura 3.6 - Fotografia destacando paleocorrentes encontradas no afloramento 2. Foto A: (tracejado) e o

sentido da mesma (seta verde). Foto B: planos de estratificação cruzada acanalada, no canto direito da imagem.

Figura 3.7 – Diagrama de roseta com medidas de

paleocorrentes com direção preferencial para leste

encontradas no afloramento 2.

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Capítulo 3 – Geologia Local Página 25

3.2.1.3 Fácies C

Esta litofácies engloba o arenito calcífero, topo da Formação Açu e base da

Formação Jandaíra. As rochas foram depositadas em ambiente de transição, aduzindo

contato interdigitado com o Arenito Açu na base e o Calcário Jandaíra no topo (Figura

3.9). A fácies, encontrada em toda escarpa, é composta por quartzo e cimento carbonático,

possui granulomentria fina e estruturas sedimentares estão ausentes. O arenito

gradativamente torna-se mais calcífero em direção ao topo.

Figura 3.8 - Fotografias evidenciando atuação de sistema de deformação frágil atuando nas rochas encontradas no afloramento15. Em A tem-se um sistema conjugado de juntas afetando o arenito com direções

70 e 120 Az. Em B, diagrama de rosetas evidenciando o sistema conjugado de juntas com direções ENE-WSW

e NE-SE.

A

B

Figura 3.9 – Fotografia mostrando contato entre o

arenito calcífero, topo da Formação Açu, e Arenito

Açu, base da Formação Açu, indicando ambiente de

transição.

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Capítulo 3 – Geologia Local Página 26

. Nas Figuras 3.10 e 3.11 é possível observar o contato entre arenito calcífero, siltito

avermelhado intercalado com o folhelho esverdeado.

Em algumas rochas pode-se encontrar duas gerações de juntas compondo um

sistema ortogonal e evidenciando a mudança de eixos de strain atuando sobre a rocha

(Figura 3.12).

Figura 3.10 - Fotografia com vista panorâmica da escarpa mostrando

os contatos entre as litologias inseridas nas formações Açu e Jandaíra.

Figura 3.11 - Fotografia exibindo contato entre as formações Açu e

Jandaíra na escarpa da Chapada do Apodi no afloramento 23

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Os litotipos encontrados são característicos de ambientes transicionais,

provavelmente, estuarino. A presença de interdigitações entre as rochas das formações Açu

e Jandaíra evidenciam a constante competição entre rio e mar na deposição de sedimentos.

3.2.1.4 Fácies D

Trata-se de um litotipo com matriz silto-argilosa (frações menores que 0,062). Esta

litofácies apresenta-se pobremente litificada, exibindo camadas estratificadas plano-

paralela, alternando entre folhelhos esverdeados e siltitos avermelhados a esbranquiçados

(Figura 3.13). Esse tipo de depósito está associado a sistemas de transição, tendo sido

provavelmente depositados por sistemas estuarinos.

Figura 3.12: Fotografia exibindo sistema ortogonal de juntas no afloramento 23.

O tracejado em preto mostra o set de juntas mais antigo, sendo este o mais

importante.

Figura 3.13 – Fotografia denotando o contato

entre depósito coluvionar e folhelho intercalado

com o siltito. É possível destacar as estruturas

sedimentares e os blocos de calcário no coluvio

(tracejado).

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Capítulo 3 – Geologia Local Página 28

: 3.2.2 Formação Jandaíra

As rochas encontradas nesta litofácies estão associadas a sistemas deposicionais de

planície de maré. Identificou-se apenas uma fácies associadas aos calcários da Formação

Jandaíra na área de estudo.

3.2.2.1 Fácies E

As rochas da Formação Jandaíra, na área de estudo, resumem-se em carbonatos de

planície de maré, ou seja, de ambientes de baixa energia. Foram individualizados dois

litotipos: calcissiltitos e calcilutios. Estes podendo apresentam as mais variadas estruturas,

como sigmóides de maré, gretas de ressecamento e estilólitos (figuras 3.14 e 3.15), além

de considerável conteúdo fossilífero com predominância de gastrópodes, foraminíferos

entre outros. Pode-se encontrar juntas estilolíticas marcando planos de fina sutura com

picos interpenetrados e de tom escuro, sendo provavelmente resultante da acumulação de

resíduos insolúveis, como material argiloso ou ferruginoso. Geralmente, os calcários

tendem a se dissolverem antes de se deformarem. Pressões exercidas pela pilha de

sedimento acima do calcário podem ser responsáveis pela presença das juntas estilolíticas.

Tais feições só começam a se desenvolver sob pressão de uma coluna litostática com

espessura de no mínimo 100 metros (Figura 3.16).

Os Calcissiltitos (wackestone) possuem matriz lamosa variando de 0,062mm a

0,004mm, podendo exibir estruturas de birdeyes, biomorfos e bioclastos. Apresenta

ambiente de mais alta energia em relação ao calcilutito. Apresentam bioclastos como

gastrópodes, miliolídios e pelotilhas.

Figura 3.14 - Na foto A, tem-se uma visão parcial do afloramento 12, onde pode-se distinguir ao centro um

plano de falha bem definido Na foto B, estão representadas estruturas designadas de sigmóides de maré.

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Capítulo 3 – Geologia Local Página 29

Já os calcilutitos (Mudstone) ocorrem em abundancia na área. Apresentam textura

maciça cor creme a esbranquiçado, com matriz micrítica (< 0,004mm) superior a 90%,

podendo exibir estruturas de greta de contração, e sigmóides de maré, indicando tratar-se

de calcário de maré.

Estes calcilutitos podem estar constantemente sofrendo processo de dolomitização,

tratando-se, nesses casos, de calcários dolomiticos de coloração comumente acinzentada.

São bastante coesos e os fósseis são mais raros em relação aos calcários puros. É Freqüente

a porosidade vulgular, na forma de pequenos geodos de calcita, precipitados nos espaços

vazios (Figura 3.17). Predominantemente ocorre dolomita de origem diagenética

(primária), exibindo textura maciça com rara porosidade. Todavia, é possível, também, a

Figura 3.15 - Na foto A é possível observar gretas de contração, indicando calcário de ambiente de maré

no afloramento 13. Na foto B destacam-se os estilólitos no Calcário Jandaíra no afloramento 12.

Figura 3.16 – Desenho esquemático do

afloramento 12 exibindo a movimentação

do plano de falha normal, eixos de Strain e

estilótos perpendiculares a δ1.

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Capítulo 3 – Geologia Local Página 30

ocorrência de dolomitas secundárias, produtos da substituição do Ca 2+

por Mg 2+

. O

resultado desta substituição é um dolomito de porosidade considerável que está relacionada

com os espaços vazios criados no processo de substituição, uma vez que o volume do

cristal de dolomita é 13% menor do que o da calcita.

Na Figura 3.18, pode-se observar seção colunar evidenciando camadas de rochas

carbonáticas encontradas no afloramento 12.

Figura 3.17 - Dolomita com porosidade vulgular, semi-

preenchida por cristais de calcita.

Figura 3.18 – Seção colunar esquemática ilustrando as camadas de rochas calcárias

encontradas no afloramento 12. Na base, calssiltito bioclástico, no intermédio, calcilutito

com estilólitos e no topo, calcilutito dolomitizado.

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Capítulo 3 – Geologia Local Página 31

Caliche são solos calcários formados a partir da dissolução e reprecipitação de

carbonato de cálcio, principalmente quando essas rochas carbonáticas ficam expostas no

decorrer do tempo em regiões de clima árido e semi-árido, onde os sedimentos sofrem

exposição subaérea possibilitando a ação de processo pedológicos. Ocorrem de forma

restrita e repousam sobre arenitos calcíferos da Formação Açu, sotoposto a coberturas

aluvionares antiga (Figura 3.19). Por vezes, exibem a presença de blocos e matacões de

calcários da Formação Jandaíra, indicando que estas são as rochas fontes.

3.2.3 Depósitos Quaternários

Foram encontrados vários tipos litológicos, siliciclásticos ou não, cujos sedimentos

têm caráter quaternário, tais como depósitos lacustres recentes, depósitos aluvionares

recentes e antigos, bem como depósitos de origem secundária, isto é, originados a partir da

interação física e/ou química de outros litotipos. Estes depósitos foram agrupados em uma

única fácies F.

3.2.3.1 Depósitos Aluvionares Antigos

São representados por sedimentos paleoaluvionares (quaternários) de caráter

siliciclástico. Os sedimentos, cuja granulometria varia de argila a areia média, são

compostos mineralogicamente, em sua essência, por quartzo e feldspatos alterados por

Figura 3.19 - Na foto A, visão geral do afloramento exibindo depósito aluvionar antigo e níveis de caliche

(pontilhado vermelho) sobrepostos a arenitos calcíferos da Formação Açu. Na foto B pode-se observar com

maior detalhe as camadas referidas na foto A.

A B

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Capítulo 3 – Geologia Local Página 32

meio de processos pedogenéticos. Os sedimentos desse depósito são originados a partir da

erosão do arenito pelo paleorio.

Na seção colunar a seguir (Figura 3.20), a camada 1 é composta de sedimentos

argilosos com presença de matéria orgânica, provavelmente folhas. Na camada 2, cuja

granulometria varia de areia média a argila é possível distinguir granodecrescência

ascendente e estratificações plano-paralelas, principalmente quando a granulometria atinge

tamanho areia fina a silte.

Os depósitos aluvionares são constituidos de sedimentos clásticos (areia, cascalho

e/ou lama) depositados por um sistema fluvial no leito e nas margens da drenagem,

incluindo as planícies de inundação e as áreas deltaicas, com material mais fino

extravasado dos canais nas cheias.

3.2.3.2 Depósitos lateríticos

É fruto do ciclo da evolução de terrenos cársticos, resultante do intemperismo do

calcário, tendo antes passado por estágio de desenvolvimentos de dolinas e úvulas. A

evolução do relevo cárstico é dividida em três principais fases: desde a fase juvenil,

caracterizada pela preservação de extensas áreas de superfície original, até a fase senil,

quando a superfície encontra-se complemente coberta por solo avermelhado, exibindo

concreções limoníticas e, até mesmo crostas (canga) lateríticas (Figura 3.21).

Figura 3.20 – Seção colunar das rochas encontradas no afloramento21. Na base, sedimentos

argilosos, no topo, sedimentos mais grossos variando de areia média a argila.

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Capítulo 3 – Geologia Local Página 33

3.2.3.3 Depósitos Aluvionares Recentes

Os depósitos aluvionares recentes (Figura 3.22) encontrados na Área 5 revelam

sedimentos incoesos, argilo-arenosos e de composição siliciclástica, principalmente

quartzo e feldspatos. Os sedimentos desse depósito estão associados à erosão do Arenito

Açu pelos Córregos Lagoinha e Belém. O forte domínio da dinâmica fluvial influencia

sobremaneira a morfologia dos terrenos da região, uma vez que os córregos correm

modelando o relevo e alterando a paisagem. Uma evidência marcante do poder da ação

fluvial durante os parcos períodos chuvosos é a presença dos depósitos aluvionares

recentes nas porções topograficamente mais baixas, enquanto os arenitos, preservados,

situam-se nas porções topograficamente mais elevadas do terreno, formando um intricado

labirinto de pequenos vales escavados.

Figura 3.22 – Fotografia com visão panorâmica de um

depósito aluvionar recente, cujo córrego desaparece nos

períodos secos do ano.

Figura 3.21 - Fotografia mostrando

depósito laterítico (canga) resultante da

dissolução de carbonato e conseqüente

precipitação de ferro.

Alves, R.S.; Lima, F.G.F.; Macêdo Filho, A.A.; Medeiros, A.C.; Santos, A.V. Geologia de Campo II

Capítulo 3 – Geologia Local Página 34

3.2.3.4 Depósitos Lacustres

Os depósitos relacionados à Fácies F tiveram seus sedimentos depositados por

sistemas lacustres. Os sedimentos têm origem recente e dentrítica, sendo compostos por

sedimentos incoesos, obecendo a distribuição clássica lacustre, cuja granulometria varia de

argila, no centro do lago, exibindo uma lama (argila) rica em matéria orgânica, gradando

para uma lama silto-arenosa, também rica em matéria orgânica, até areia média e, nas

regiões mais afastadas, areia cascalhosa composta por seixos angulosos e areia de média a

grossa. Esses sedimentos, essencialmente quartzosos, são provenientes de rochas

cristalinas e arenitos que são cortados pelo Córrego Belém, cujos detritos são

descarregados na Lagoa do Tapuio (Figura 3.23). Trata-se de um lago estrutural originado

pela acumulação de água em uma região de depressão topográfica nitidamente alongada,

delimitada entre falhas. Sua a margem é quase retilínea e a estrutura bastente simples. Seus

sedimentos são distribuidos em volta de toda a lagoa (Figura 3.24), ficando expostos nos

períodos mais secos, em que há o retraimento das águas do corpo d’água devido a grande

evaporação. É notável a presença de matéria orgânica, conferindo aos sedimentos

próximos às margens do lago coloração escura.

Figura3.23 - Foto panorâmica da Lagoa do Tapuio. Na porção central os

sedimentos tendem a ser mais argilosos e mais arenosos nas bordas.

Alves, R.S.; Lima, F.G.F.; Macêdo Filho, A.A.; Medeiros, A.C.; Santos, A.V. Geologia de Campo II

Capítulo 3 – Geologia Local Página 35

3.3 Embasamento Cristalino e Contexto Estrutural da Área Estudada

O Córrego Belém surgiu, provavelmente, aproveitando a influência de falhas

presentes na região, uma vez que a morfologia do lago, bem como o curso do córrego,

possuem a orientação do trend desenvolvido por essas estruturas de deformação. Trata-se

do contato da bacia sedimentar com o embasamento cristalino, ou seja, a borda da bacia.

Essas zonas de falha obedecem ao padrão de desenvolvimento das bacias do nordeste,

formadas durante grandes eventos de afinamento crustal, principalmente no cretáceo, onde

os falhamentos se instalaram aproveitando planos de fraqueza de zonas de cisalhamento

Brasilianas. Nesta mesma região, foram observados litotipos fruto de metamorfismo

dinâmico/cataclástico como milonitos, cataclasitos extremamente brechados e, por vezes,

exibindo gounge ou farinha de falha (figuras 3.25 e 3.26). Nas porções mais profundas,

dominadas pelo regime de deformação dúctil, surgiram milonitos (Figura 3.27) de provável

idade brasiliana, que por denudação foram trazidos à superfície e sofreram uma posterior

Figura 3.24 - Perfil esquemático do sistema deposicional lacustre para a Lagoa do Tapuio e possível

interpretação para a formação do lago instalado em uma zona de falha.

Alves, R.S.; Lima, F.G.F.; Macêdo Filho, A.A.; Medeiros, A.C.; Santos, A.V. Geologia de Campo II

Capítulo 3 – Geologia Local Página 36

deformação, desenvolvendo rochas e estruturas típicas de regime frágil como cataclasitos,

brechas e gounge, frutos de eventos posteriores, talvez, do cretáceo.

Os milonitos encontrados na área mostram planos de falha mergulhando

preferencialmente para NE com mergulhos da ordem de 40º, sendo a orientação

preferencial desses planos NW-SE (figuras 3.28 e 3.29)

Figura 3.27 - Ortognaisse Milonítico exibindo

porfiroclastos de K-feldspato com caudas de

recristalização na região de Tapuio I

(afloramento 48).

Figura 3.25 - Fotografia mostrando cataclasito

cimentado visto no afloramento 48, Lagoa do Tapuio.

Figura 3.26 - Fotografia exibindo típica zona de

falha no afloramento 48. Brechas e níveis de

gounge, estão destacados pelo tracejado.

Alves, R.S.; Lima, F.G.F.; Macêdo Filho, A.A.; Medeiros, A.C.; Santos, A.V. Geologia de Campo II

Capítulo 3 – Geologia Local Página 37

O arcabouço estrutural da Bacia Potiguar compreende o desenvolvimento de falhas

distensivas impostas sobre planos de fraqueza das zonas de cisalhamento brasilianas. Exibe

configuração em semi-graben basculados, de orientação aproximadamente NE-SW, na

porção central, e mais meridionalmente sistemas de falhas com orientação NW-SE. Os

lineamentos analisados mostraram majoritária ocorrência nas direções NE-SW e,

secundariamente, direções NW-SE. Deste modo, é possível inferir que os planos de ruptura

identificados estão intimamente controlados pelo sistema de falhas do graben da bacia.

Esta tectônica regional controlou ainda o sentido das paleocorrentes que, na área de estudo,

convergiam todas para direção NE-SW, indo de encontro ao depocentro da Bacia Potiguar.

A partir de fotointerpretação aliado a técnicas de sensoriamento remoto que

ressaltam estruturas em imagens de satélite Landsat7 TM+ foram extaídos fotolineamentos

estruturais, onde foi observado que os lineamentos da Área V possuem orientação

preferencial NE-SW, preferencialmente, e NW-SE, de forma subordinada, conforme

diagrama de rosetas apresentado na Figura 3.30 (ver anexo II).

Elaborou-se um modelo digital do terreno a partir de imagens Aster DEM e

software GIS para uma visualização tridimensional do mapa geológico elaborado (anexo

II) pelo mapeamento na escala de 1:50.000 da Área V (Figura 3.31).

Figura 28 – Estereograma com atitudes dos planos de

falha encontrados nos milonitos do embasamento no

afloramento 48.

Figura 29 – Diagrama de roseta mostrando que a

orientação preferencial das falhas encontradas nos

milonitos do embasamento do afloramento 48 tem orientação preferencial NW-SE.

Alves, R.S.; Lima, F.G.F.; Macêdo Filho, A.A.; Medeiros, A.C.; Santos, A.V. Geologia de Campo II

Capítulo 3 – Geologia Local Página 38

Figura 3.30 – Diagrama de roseta com dados de lineamentos extraídos a

partir de fotointerpretação e imagens de satélite Landsat7 TM em toda

Área V. Foram identificadas 185 lineamentos estruturais na área.

Figura 3.31 – Modelo Digital do Terreno produzido a partir do mapa geológico confeccionado em campo e

de imagens de satélite Aster DEM.

Capítulo IV - Considerações

Finais

Alves, R.S.; Lima, F.G.F.; Macêdo Filho, A.A.; Medeiros, A.C.; Santos, A.V. Geologia de Campo II

Capítulo IV - Considerações Finais Página 40

Considerações Finais

Este relatório finaliza as atividades desenvolvidas na disciplina de Campo II, onde,

inicialmente, foi realizada uma etapa pré-campo, cujo foco foi a interpretação de

fotografias aéreas e a confecção de mapas de localização, de zonas homólogas, de

drenagens e de lineamento, bem como, a realização de viagens expositivas a fim de se

fazer uma síntese sobre os litotipos aflorantes da bacia e suas características gerais.

Posteriormente, foi realizada etapa de campo que possibilitou a obtenção de informações

para a caracterização das fácies quanto à granulometria, estruturas sedimentares e, quando

possível, a medição de parâmetros estruturais e sentido de paleocorrentes. Estes dados

foram cruciais para a interpretação dos sistemas deposicionais. Finalmente, na etapa de

pós-campo foi feito o relatório e confeccionado o mapa litológico da área.

Através da associação das fácies sedimentares foi possível caracterizar os sistemas

deposicionais da área. O estudo das fácies foi baseado nas observações coletadas em

campo, como aspectos composicionais, de coloração, texturais, paleocorrentes e coloração

das rochas aflorantes, bem como da análise e descrição dos eventos diagenéticos ocorridos.

Tal estudo permitiu tecer para a área mapeada uma série de considerações relatadas a

seguir.

A área em estudo é caracterizada pela presença de rochas das Formações Açu e

Jandaíra, capeadas por coberturas sedimentares quaternárias representadas por depósitos

aluvionares antigos que recobrem, principalmente, rochas da Formação Açu e sedimentos

lateríticos (derivados da Formação Jandaíra). Mais jovens que estes, foram

individualizados os sedimentos aluvionares cuja ocorrência está relacionada com o

preenchimento de canais, tendo como principais os córregos Belém e Lagoinha. Outro

correlato depósito contemporâneo a este, é o lacustre recente, ocorrendo basicamente

preenchendo a Lagoa do Tapuio, que está instalada em zonas de falhamentos que marcam

o contato entre as rochas sedimentares da Bacia Potiguar e as rochas do embasamento

cristalino.

A partir da identificação das rochas sedimentares e sedimentos da região foram

realizadas as descrições faciológicas que possibilitaram a individualização de seis unidades

litofaciológicas denominadas de fácies: A,B,C,D,E e F.

Para a Formação Açu foram identificadas quatro fácies: A e B, como sendo rochas

que foram depositadas por um sistema fluvial meandrante (arenito arcosiano

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Capítulo IV - Considerações Finais Página 41

conglomerático) e entrelaçado (arenito argiloso com estratificações cruzadas acanaladas); e

C e D, onde pode-se inferir um sistema deposicional do tipo estuarino como sendo

responsável pela deposição dos litotipos (arenito calcífero e folhelhos e siltitos argilosos,

respectivamente).

No tocante a Formação Jandaíra, foi convencionada uma única fácies (E),

representada por pacotes de calcissiltitos (com biolcastos) e calcilutitos com estilólitos e

sigmóides de maré, por vezes sofendo dolomitização. Ambos constituindo depósitos de

planície de maré.

No que diz respeito aos depósitos quartenários, a fácies F trata-se de depósitos

quaternários recentes constituídos por depósitos aluvionares antigos, compostos

essencialmente por sedimentos silicilásticos variando de argila à areia média; depósitos

lacustres recentes, com sedimentos que variam de argila à areia grossa; depósitos

aluvinares recentes, formados principalmente por sedimentos argilo-arenosos de

composição siliciclástica; depósitos de canga (crosta laterítica).

O arcabouço estrutural da Bacia Potiguar compreende o desenvolvimento de falhas

distensivas impostas sobre planos de fraqueza das zonas de cisalhamento brasilianas. Exibe

configuração em semi-graben basculados, de orientação aproximadamente NE-SW, na

porção central, e mais meridionalmente sistemas de falhas com orientação NW-SE. Os

lineamentos analisados mostraram majoritária ocorrência nas direções NE-SW e,

secundariamente, direções NW-SE. Deste modo, é possível inferir que os planos de ruptura

identificados estão intimamente controlados pelo sistema de falhas do graben da bacia.

Esta tectônica regional controlou ainda o sentido das paleocorrentes que, na área de estudo,

convergiam todas para direção NE-SW, indo de encontro ao depocentro da Bacia Potiguar.

Capítulo V –

Referências

Bibliográficas

Alves, R.S.; Lima, F.G.F.; Macêdo Filho, A.A.; Medeiros, A.C.; Santos, A.V. Geologia de Campo II

Capítulo V - Referências Bibliográficas Página 43

Referências Bibliográficas

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Anexo I

Alves, R.S.; Lima, F.G.F.; Macêdo Filho, A.A.; Medeiros, A.C.; Santos, A.V. Geologia de Campo II

Anexo 1 Página 47

Pré-campo

Formação Tibau

A Formaçao Tibau é representada por arenitos de origem fluvial e possui idades

miocênicas, tendo sido cozido no contato com o Vulcanismo Macau (45 a 7 Ma.). Trata-se

de rochas conglomeráticas mal selecionadas.

O afloramento 1PC, apresenta coloração marrom escura e com gretas de contração.

Ocorre um sistema de juntas de distensão que fraturou a rocha em blocos de proporções

semelhantes. Nas juntas de distensão é possível observar estruturas em plumas geradas

pelo esforço tectônico na rocha.

Pode-se perceber, também, um plano de falha bem definido com pequenos

“batentes” indicando um movimento normal (Figura A1.1). As estrias, relativas ao

movimento dos blocos no plano de falha, riscam o intemperismo, revelando que a falha

atuou após a ação dos fluidos intempéricos (precipitados de oxido/hidróxido de ferro).

Parâmetros do plano de falha:

S = 060/39NW; L = 115/36NW

A Figura A1.2 mostra que é possível ver no arenito cozido grãos de quartzo preservados.

Figura A1.1: Bloco diagrama esquemático do plano de falha do

afloramento 1PC.

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Anexo 1 Página 48

Formação Macau

Basaltos alterados pelo alto grau de intemperismo, com coloração

rosa/esbranquiçada e estruturas circulares, (Anéis de Liesegang) frutos da percolação de

fluidos de intemperismo.

No Afloramento 2PC, tem-se falhamentos normais, pós-intemperismo deslocando

os anéis de Liesegang (Figura A1.3), em um domo basáltico da Formação Macau.

Sobre o basalto intemperizado dessa formação, é possível observar o

desenvolvimento de uma crosta laterítica.

Formação Jandaíra

Essa formação pode atingir até 700 m de espessura, apresentando basicamente

litofácies carbonáticas. Exibindo calcários fossilíferos, dolomitos, biomicritos entre

outros de espessura variada.

Figura A1.3: Anéis de liesegang no basalto,

formados pela percolação de fluidos exibindo

movimentação dextral pós-intemperismo.

Figura A1.2: grãos de quartzo preservados noarenito da Formação Tibau.

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Anexo 1 Página 49

No afloramento 3PC, encontram-se lajedos extremamente sulcados, frutos da

evolução de terrenos cársticos (Figura A1.4). Trata-se de travertinos que exibem

porosidade conspícua. Esse tipo de rocha é formada em zona cárstica pela precipitação de

CaCO3 em água doce. Estruturas do tipo dolina são comuns.

Exibe juntas de distensão, onde cada set representa um evento distensivo ocorrido

na bacia, podendo até permutar os eixos de strain. Baseando-se na disposição das juntas,

foram identificadas três direções principais e assumiu-se que as juntas N-S estão

relacionadas com o primeiro evento distensivo. As juntas com direção 30Az estão

associadas ao segundo evento e as juntas com direção 300 Az ao terceiro evento de

distenção (Figura A1.5).

Figura A1.5: sets de juntas conjugadas,sendo a N-S mais antiga

e principal.

Figura A1.4: Relevo cárstico no Calcário Jandaíra

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Anexo 1 Página 50

Contato Açu-Jandaíra

O contato entre as formações Açu e Jandaíra caracterizam um ambiente estuarino,

com a possibilidade de ocorrência de fósseis de madeira e moluscos.

No afloramento 4PC, encontra-se o vulgarmente designado Açu-4, caracterizado

por um arenito argiloso, podendo apresentar matéria orgânica, por vezes interdigitado com

a Formação Jandaíra, possui comumente cimentação carbonática, lentes de calcário e

margas no topo, como pode ser vista nesse afloramento.

Ao se traçar um perfil N-S nessa região é possível visualizar a trasição do

embasamento cristalino, exibindo ao sul o Granito do Turrião e na porção norte a escarpa

entre as formações Açu e Jandaíra da bacia Potiguar de acordo com o perfil (Figura A1.6).

Formação Açu

A Formação Açu é composta por arenitos de terceira e quarta fase do rio,

entrelaçado e meandrante, respectivamente. Arenitos com granulometria de fina à média e

alguns exibem camadas argilosas.

No afloramento 6PC é possível perceber estruturas sedimentares como

estratificações cruzadas acanaladas e tabulares (Figura A1.7) exibindo sedimentos

Figura A1.6: bloco diagrama esquemático da região do afloramento 4PC. Denotando

que a escarpa representa o contato entre as formações Açu e Jandaíra.

Alves, R.S.; Lima, F.G.F.; Macêdo Filho, A.A.; Medeiros, A.C.; Santos, A.V. Geologia de Campo II

Anexo 1 Página 51

argilosos de planície de inundação, caracterizando um sistema entrelaçado distal a

meandrante incial. Possuem lentes de argilitos pouco espessas.

Possui sentido de paleocorrente de 330 Az. A região possui ainda comuns

ocorrências de sílex, cuja gênese está relacionada com a Formação Jandaíra, uma vez que a

sílica livre, substitui porções do CaCO3, podendo preservar fósseis em sua composição.

Paleocascalheiras do Rio Açu

É caracterizado por sedimentos aluvionares recentes. Os depósitos mais

significativos estão situados ao longo dos vales dos rios Apodi, Carmo, Ceará-Mirim,

Maxaranguape, Paraú, Piranhas-Açu, Pium, Potengi, Seridó e Trairi.

No afloramento 7PC ocorrem os campos de petróleo mais rasos da bacia, com cerca

de 200 m de profundidade. Ocorrem depósitos de paleocanais do Rio Açu, são seixos e

matacões arredondados, intercalados em entre níveis mais argilosos e níveis mais

cascalhosos, ricos em grandes seixos. Apresentando um gradiente inverso de densidade.

Como a região encontra-se próxima a uma zona de falha, ou seja, próximo a falha

Canaubais, onde houve grande atividade tectônica no passado, é observada estruturas de

sismitos (Figura A1.8), formadas durante eventos de abalos sísmicos.

Figura A1.7: Arenitos exibindo estratificações tabulares (em

amarelo) e acanaladas( em preto).

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Anexo 1 Página 52

Tufas carbonáticas

As tufas caracterizam-se por serem depósitos quartenários, típicos de

preenchimento de cavernas, conservando fósseis de folhas, troncos e raízes, além de

molusculos, gastropodes e ainda, estruturas de estalactites e estalagmites (Figura A1.9). O

material que preenche as carvernas é todo fruto da dissolução carbonática por água

meteórica em relevo cárstico.

Apesar de por vezes esses depósitos ocorrerem topograficamente mais elevadas em

relação aos calcários da Formação Jandaíra, a tufa está estratigraficamente sobreposta a

estes.

Figura A1.8: Paleocascalheira, exibindo estrutura de sismitos.

Figura A1.9: Fósseis de folhas preservados na rocha carbonática.

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Anexo 1 Página 53

No afloramento 8PC o calcário é secundário proveniente de dissolução e

redeposição preservando raízes e folhas. Podem ser encontrados fósseis marinhos. Possui

idade Pleistocênica.

Trata-se de um material altamente plástico, por isso é comum exibir pares de falhas

conjugados, contudo de caráter totalmente gravitacional (Figura A1.10).

Embasamento cristalino

O complexo Caicó, embasamento paleoproterozóico, são geralmente ortognaisses

com altas taxas de deformação, exibindo zonas de cisalhamento de alto strain e deformação

dúctil-frágil, cravados nele é possível encontrar evidências de todos os eventos

deformacionais relacionados com a evolução da bacia, exibindo todas as feições que

colaboraram para a formação da mesma, a principal delas é o sistema de ruptura por onde

intrudiram os basaltos do vulcanismo Rio Ceará-Mirim, caracterizado por um enxame de

diques com cerca de 140 Ma, afloram em direções E-W que intrudiram aproveitando

condutos abertos pelo sistema distensivo N-S. Os eventos distensivos relacionados ao

surgimento da bacia iniciaram pré fragmentação dos continentes sulamericano e africano

até a formação da bacia, sendo contemporâneos a Formação Pendencias, primeira

sequência sedimentar deposta.

Figura A1.10: Colapso gravitacional da tufa

calcária.

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Anexo 1 Página 54

De acordo com as observações feitas no afloramento 5PC, o magma de origem

mantélica intrude não alterando a encaixante, denotando um sistema de rápido

resfriamento, exibindo bordas mais escuras com matriz vítrea e encaixante inalterada, além

disso, é possível observar que a intrusão dos diques ocorreu em vários incrementos.

Arrancando porções da encaixante, incluindo pequenos xenólitos. Em maiores proporções,

ocorrem em blocos basálticos com alta decomposição esferoidal.

De acordo com a disposição dos diques, a intrusão se deu em um processo

transtrativo (Figura A.11).

Figura A1.11: Diques Rio Ceará-Mirim intrudidos fraturas

de regime de transtativo.

Anexo II

Figura 2.1 – Mapa de Drenagens

Figura A2.2: Mapa de zonas homólogas e lineamentos

Figura A2.3: Mapa geológico em escala de 1:50.000

Anexo III

Alves, R.S.; Lima, F.G.F.; Macêdo Filho, A.A.; Medeiros, A.C.; Santos, A.V. Geologia de Campo II

Anexo III Página 60

Afloramentos Visitados

Afloramentos Coordenadas UTM Formação

x y

1 599800 9411850 Depósito Aluvionar Recente

2 600500 9409650 Depósito Aluvionar Recente

3 604900 9406000 Depósito Aluvionar Recente

4 602650 9407850 Depósito Aluvionar Recente

5 600267 9410064 Depósito Aluvionar Antigo

6 602788 9407746 Depósito Aluvionar Antigo

7 605016 9405900 Depósito Aluvionar Antigo

8 605440 9405768 Açu

9 605748 9405666 Açu

10 608373 9406220 Açu

11 608091 9407058 Açu

12 608374 9407140 Contato Açu - Jandaira

13 607897 9407270 Olho D'água dos Currais

14 607968 9408330 Açu

15 608001 9408402 Jandaira

16 608151 9408458 Jandaira

17 609025 9409438 Currais de Cima

18 609732 9411086 Jandaira

19 609378 9411360 Sítio Ferreira

20 608727 9411842 Jandaira

21 608586 9411158 Depósito Laterítico

22 608347 9410148 Depósito Laterítico

23 608246 9409618 Jandaira

24 608294 9409440 Jandaira

25 608681 9408478 Jandaira

26 608378 9408500 Jandaira

27 608206 9408470 Jandaira

28 605531 9409672 Baixa Funda

29 605475 9409908 Açu

30 605411 9410738 Pau Furado

31 603310 9407644 Alto do Mendes

32 603238 9407296 Depósito Aluvionar Antigo

33 600546 9409620 Depósito Aluvionar Antigo

34 599857 9411842 Chácara KK's

35 599447 9413242 Gangorrinha

36 603295 9417490 Açu

Alves, R.S.; Lima, F.G.F.; Macêdo Filho, A.A.; Medeiros, A.C.; Santos, A.V. Geologia de Campo II

Anexo III Página 61

37 605041 9412172 Sítio Ponta da Serra

38 604672 9411732 Açu

39 600074 9408458 Açu

40 599960 9408116 Fazenda Maia

41 599880 9407006 Sítio do Rocha

42 599577 9406000 Mundo Novo

43 599596 9408074 Açu

44 598616 9408174 Depósito Aluvionar Recente

45 595824 9408252 Açu

46 593955 9407270 Lagoa do Tapuio

47 592815 9408084 Embasamento

48 592694 9408212 Embasamento

49 592330 9408412 Zona de Falha

50 589685 9408902 Cruzamento - BR

51 608805 9404698 Cruzamento - Cemitério

52 608180 9406744 Depósito Aluvionar Recente

53 608089 9407054 Açu

54 608142 9407702 Açu

55 608313 9407638 Contato Açu - Jandaíra

56 608066 9408434 Jandaira

57 608374 9408498 Jandaira

58 608662 9408484 Jandaira

59 596224 9410114 Açu

60 596158 9410138 Açu

61 596322 9411322 Lagoinhas

62 594822 9413164 Depósito Aluvionar Antigo

63 592540 9413840 Depósito Aluvionar Antigo

64 591560 9414172 Depósito Aluvionar Antigo

65 593285 9408124 Contato Açu - Embasamento

66 601873 9408936 Depósito Aluvionar Antigo

67 603291 9408068 Açu

68 604159 9407980 Depósito Aluvionar Recente

69 604570 9407976 Depósito Aluvionar Antigo

70 605274 9407506 Açude Olho D'água dos Currais

71 605155 9407110 Açu

72 605346 9406930 Depósito Aluvionar Recente

73 605565 9406730 Açu

74 606055 9406616 Açu

75 605562 9406344 Açu

76 605320 9406246 Açu

Alves, R.S.; Lima, F.G.F.; Macêdo Filho, A.A.; Medeiros, A.C.; Santos, A.V. Geologia de Campo II

Anexo III Página 62

77 605551 9406172 Açu

78 607350 9408150 Açu

79 607427 9407898 Açu

80 606973 9408180 Depósito Aluvionar Antigo

81 606302 9408066 Jandaira

82 604571 9408226 Açu

83 603770 9408350 Depósito Aluvionar Recente

84 603770 9408350 Depósito Aluvionar Recente

85 603145 9408420 Depósito Aluvionar Recente

86 603335 9409210 Açu

87 603488 9409816 Açu

88 603245 9410088 Açu

89 603250 9409936 Açu

90 603230 9409878 Açu

91 602995 9410434 Açu

92 602950 9410342 Açu

93 601165 9410810 Açu

84 600583 9409596 Depósito Aluvionar Antigo

95 593201 9409114 Embasamento

96 596005 9410974 Depósito Aluvionar Antigo

97 595724 9410778 Depósito Aluvionar Antigo

98 595625 9410784 Depósito Aluvionar Antigo

99 595628 9410832 Depósito Aluvionar Antigo

100 595594 9410856 Depósito Aluvionar Antigo

101 595588 9410878 Depósito Aluvionar Antigo

102 595562 9410902 Depósito Aluvionar Antigo

103 595521 9410932 Depósito Aluvionar Antigo

104 595429 9410992 Depósito Aluvionar Antigo

105 595000 9411000 Depósito Aluvionar Antigo

106 595632 9410852 Depósito Aluvionar Antigo

107 595640 9410810 Depósito Aluvionar Antigo

108 595504 9410080 Depósito Aluvionar Antigo

109 594552 9409402 Contato Embasamento - Aluvionar Antigo

110 594059 9409556 Contato Embasamento - Aluvionar Antigo

111 593706 9409318 Embasamento

112 594714 9409496 Depósito Aluvionar Antigo

113 594649 9409492 Embasamento

114 593448 9409172 Embasamento

115 593267 9409130 Embasamento

116 593288 9409270 Depósito Aluvionar Antigo

Anexo IV

Alves, R.S.; Lima, F.G.F.; Macêdo Filho, A.A.; Medeiros, A.C.; Santos, A.V. Geologia de Campo II

Anexo IV – Descrições Petrográficas Página 62

Anexo 1- Descrições petrográficas de rochas carbonáticas

Descrição Petrográfica

Identificação:

Lâmina: V-85. 1 Bacia: Potiguar Unid. Lito.: Fm. Jandaíra

Afloramento: 12 Impregnação: Não

Texturas:

Granulometria: areia muito fina. Contatos: flutuante.

Seleção: muito bem selecionada. Empacotamento: frouxo.

Grãos: 1% Matriz: 98% Cimento: 1% Poros: 0%

Composição:

Matriz: matriz deposicional micrítica.

Cimento: mosaico de calcita de forma localizada.

Biomorfos: foraminíferos (100%).

Nome da rocha:

Folk: Micrito dolomitizado Grabau: Calcilutito Dunham: Mudstone dolomitizado

Diagênese:

1- Micritização, 2- Mosaico de calcita (muito incipiente), 3- Dolomitização intensa,4- Precipitação

de minerais opacos (incipiente) e 5-oxidação(muito incipiente).

Observações:

A rocha analisada apresenta-se muito dolomitizada (Figura A4.1), sendo tal processo

ocupante de 25% da porcentagem total da lâmina.

Figura A4.1 – Fotomicrografia evidenciando processo de dolomitização sofrido pela rocha. Nicóis paralelos; objetiva 4x

Alves, R.S.; Lima, F.G.F.; Macêdo Filho, A.A.; Medeiros, A.C.; Santos, A.V. Geologia de Campo II

Anexo IV – Descrições Petrográficas Página 63

Descrição Petrográfica

Identificação:

Lâmina: V-85.2 Bacia: Potiguar Unid. Lito.: Fm. Jandaíra

Afloramento: 12 Impregnação: Não

Texturas:

Granulometria: areia fina a muito fina. Contatos: flutuante, pontual e raramente côncavo-

convexo.

Seleção: bem selecionado Empacotamento: frouxo

Grãos: 2% Matriz: 96% Cimento: 1% Poros: 1%

Composição:

Matriz: deposicional micrítica. Porosidade: secundária; intercristalina.

Biomorfos: foraminíferos (20%%) e pelóides(80%).

Nome da Rocha:

Folk: Micrito dolomitizadoGrabau: CalcilutitoDuran: Mudstone dolomitizado

Diagênese:

1- Micritização, 2- Mosaico de calcita (muito incipiente), 3- Dolomitização intensa,4- Precipitação

de minerais opacos (incipiente) e 5-oxidação.

Observações:

A rocha em questão apresenta-se muito micritizada e com presença do processo de

dolomitização. A ocorrência de estilólitos indica que a rocha sofreu compactação química na

mesodiagênese, além disso, nota-se a presença de material ferruginoso preenchendo os estilólitos

(Figura A4.2). A oxidação ocorre na telodiagênese, e é possível se observar de forma localizada a

aparição de pelóides.

Figura A4.2 – Microfotografia exibindo ao centro estilólito preenchido por material ferruginoso. Nicóis paralelos; objetiva 10x.

Alves, R.S.; Lima, F.G.F.; Macêdo Filho, A.A.; Medeiros, A.C.; Santos, A.V. Geologia de Campo II

Anexo IV – Descrições Petrográficas Página 64

Descrição Petrográfica

Identificação:

Lâmina: V-85.3 Bacia: Potiguar Unid. Lito.: Fm. Jandaíra

Afloramento: 12 Impregnação: não

Texturas:

Granulometria: areia fina a grossa. Contatos: flutuante, pontual, côncavo-convexo.

Seleção: pobremente selecionada. Empacotamento: normal a fechado.

Grãos: 15% Matriz: 79% Cimento: 10% Poros: 1%

Composição:

Matriz: deposicional micrítica e siltica peloidal localizada; matriz micrítica de preenchimento

interno.

Porosidade: secundária; intercristalina.

Grãos: Biomorfos (60%) -gastrópodes e foraminíferos- e pelóides (40%).

Cimento: mosaico de calcita preenchendo a porosidade vulgular.

Nome da Rocha:

Folk: BiomicritoGrabau: Calcarenito suportado

por lama

Dunham: Wackestone

Diagênese:

1 – Micritização, 2 – Mosaico de calcita espática, 3- Compactação mecánica, 4- Precipitação de

minerais opacos, 5- Oxidação telodiagenética.

Observações:

A rocha em questão apresenta-se muito micritizada, com abundante presença de biomorfos, como

gastrópodes (Figura A4.3) e miliolídeos (Figura A4.4), indicando rocha de baixa energia. Observa-

se a presença de material ferruginoso preenchendo espaços intergranulares.

Alves, R.S.; Lima, F.G.F.; Macêdo Filho, A.A.; Medeiros, A.C.; Santos, A.V. Geologia de Campo II

Anexo IV – Descrições Petrográficas Página 65

Figura A4.3 – Microfotografia evidenciando a presença de gastrópodes na rocha e de matriz micrítca de preenchimento interno. Nícois paralelos; objetiva 4x.

Figura A4.4 – Fotomicrografia aduzindo a presença de miliolídeo na rocha. Nicóis paralelos; objetiva 10x.

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