Geomorfologia - Antonio Christofoletti, Notas de estudo de Geografia
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Geomorfologia - Antonio Christofoletti, Notas de estudo de Geografia

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Livro clássico da Geomorfologia Brasileira trazendos os conceitos básicos desta ciência.
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o 8 s & 5 s 5 FICHA CATALOGRÁFICA Christofoletti, Antônio, 1936- CaBg Geomorfologia. São Paulo, Edgard Bliicher, 22 edição, 1980. Uust, Bibliografia 1. Geomorfologia 74-0411 CDD-551.4 Índices para catálogo sistemático: 1. Geomorfologia 551.4 ANTONIO CHRISTOFOLETTI Professor Titular no Departamento de Geografia e Planejamento Insthtuto de Geociências é Ciências Exatas UNESP — Campus de Rio Claro GEOMORFOLOGIA 2? edição — Revista e ampliada Edirora EDGARD BLUCHER lda. 43030 O 1974 Editora Edeard Blhicher Ltda. 2º edição, 1980 1º reimpressão 1982 É proibida a reprodução total ou parcial por quaisquer meios sem autorizução escrita de editora EDITORA EDGARD BLUCHER LTDA, 01000 Caixa PosTAL 5450 END. TELEGRÁFICO: BLUCHERLIVRO São PauLO — SP — BRASIL Impresso no Brasil Printed in Brazil CONTEÚDO Prefácio da primeira cdição . Prefácio da segunda edição . Capítulo 1. Capítulo 2. «Capitulo 3, Introdução à Geontorfalagia Sistemas em Geomorfologia . 1. Noções gerais sobre sistemas 2. Classificação dos sistemas em Geomurfologia 3, A noção de equilibrio em Geomorfologia 4, O sistema geomorFológico ........... 5. Classificação dos fatos geomorfológicos . História da Geomorfologia ............. t. O desenvolvimento histórico da Geomorfologia 2. A expansão da teoria davisiana e a Geomorfologia estrutural 3. A Geomorfologia climática ...... 4. A quantificação em Geomorfologia . 5. A Geomorfologia no Brasil....... Vertentes: processos e formas A morFogênese das vertentes A. Os processos mor Fngenéticos. 1. Metcorização ou intemperismo 2. Movimentos do regolito ..... 3. O processo morfogenético pluvial 4. A ação biológica, : B. Os sislemas morfogenéticos. 1. Asclassificações indulivas . 2. Asclassificações sintéticas . Classificações objetivas A Forma das vertentes. ..... A. Terminologia e modelos análogos. B. A análise das vertentes ....... , tentes, como sistema morfalógico . nica das vertentes... As vertentes e a rede hidrográfica. Importância geológica do estudo das vertentes. Geomorfologia Fluvial... Hidrologia e geometria hidráulica O trabalho dos rios... Os tipos de leitos fluviais . Os terraços Muviais.. Ostipos de canais Auviais Perfil longitudinal de rios .. . O equilibrio fluvial. ....l. secs sos ccsrerereercrescceneaerrrires Capílulo 4. Capitulo 5. Capitulo 6. Capítulo 7. A análise de bacias hidrográficas .....ccccererereserarecrrrrrrroo As bacias e os padrões de drenagem . A análise de bacias hidrográficas A. Hisrarquia Aluvial B. Análise lincar da rede hi rográ ica. 1, Relação de bifurcação ....... 2. Relação entre o comprimento médio dos canais de cada ordem. 3. Relação entre o indice do comprimento médio dos canais e o índice de bifurcação... 4. Comprimento do rio principal 5. Extensão do percurso superficial 6. Relação do equivalente vectorial 7. Gradiente dos canais ..... €. Análisc areal das bacias hidrográficas . Área da bacia. . . Comprimento dabacia cio + Relação entre o comprimento do rio principal e a área da baci Forma da bacia. ........ . . . « . Densidade de rios..... . Densidade da drenagem . + Densidade de segmentos da bacia . . Relação entre as áreas das bacias . + Covficicnte de manutenção. D. A análise hipsométrica 1. A curva hipsométrie 2. O coeficiente de massividade e o cocficiente orogrático 3. Amplitude altimétrica máxima da bacia . . 4. Relação de relevo. . . . 5. Índice de rugosidade . E. Análise topológica ennama Geomorfologia Litorânea ..... Nomenclatura descritiva do perfil liorânco Os fatores responsáveis pela morfogênese litorânea. As forças marinhas atuantes no litoral . As farmas de relevo .... Morfumetria planimétrica de praias. Recifes Eustasia Classificação das paisagens litorâneas erennratas A morfologia cúrsica .. cce As formas caracteristicas do modelado cársico A Hidrologia cársica Intensidade da erosão cm calcários As teorias peomorfológicas . A teoria do ciclo peográfico. . O moedelo da pedimentação e pediplanação .. A teoria do equilibrio dinâmico ....... A teoria probabilistica da evolução do modelado Considerações finai: Índico de autores... Índice... PREFÁCIO DA PRIMEIRA EDIÇÃO O ensino da Geomorfologia no Brasil ressente-se da falta de livros-textos em ver- náculo, que sirvam de base aos estudantes. Elaboramos o volume que ora vem a público, como tentativa para suprimir essa lacuna. O nosso objetivo muior é fornecer as noções fundamentais sobre as várias classes de relacionamento entre processos é larmas. Não tos preocupamos em descrever casos e exemplos típicos, mas procuramos apresentar as linhas conceiluuis. Embora seja tenta- tiva de redigir dentro da perspectiva da análise sislêmica, não apresentamos exemplos de sistemas descritos em toda a sua estrutura. Os elementos necessários estão inseridos em capítulos diferentes, e a leitor poderá estruturá-los utilizando-se dos componentes e das relações assinalados em vários itens. Este volume é obra introdutória e não minucioso e extensivo tratado geomoriotágico. De acardo com nossa experiência, fornece matorial para ser abordado em um semestre letivo, Entretanto, como ponto fundamental, esperamos receber críticas, sugestões é colaboração pura contínuo aprimoramento. A cluburação desta obra tornou-se possível graças ao constante « cletivo estimulo feccbido dos muitos colegas e aruipos, tanto geógrafos como geólogos. Seria dificil enumerar à quanto devo a todos eles. Entretanto, descjamos consignar nossos agrade- cimentos a todos os que nos favoreocram com suas observações e conselhos, mencionando dois nomes representativos que, pessoalmente, nunca poderiamos omílir, por causa da contribuição c apoio em nossa carreira científica e profissional. Aa Prof. Dr. Aziz Nacib Ab'Saber e ao Prof. Dr, Josué Camargo Mendes, o nosso reconhecimento e mais profunda gratidão. Por último, queremos cxternar os agradecimentos à Editora Edgard Blúcher Ltda. e à Editora da Universidade de São Paulo, pela acolhida em editar cssa singela contri- buição à difusão do conhecimento geomorfológico. Rio Claro, 19 de junho de 1974 ANTONIO CHRISTOFOLETTI PREFÁCIO DA SEGUNDA EDIÇÃO Decorrido um lustro, tornou-se imperioso aproveitar à oportunidade para rever u primeira edição da “Geumorlologia”, procurando ampliar e atualizar o seu conteúdo. Ao realizar a revisão, praticamente aproveitamos a quase totalidade do texto anterior, mas inovações sensíveis foram introduzidas nos vários capítulos, Queremos assinalar, principalmente, os itens sobre o equilibrio e slometria nos sistemes (cup. 1); a análise das vertentes como sistema morfológico (cap. 2); O estudo da geometria hidráulica, o dus formas topográficas dos leitos Muviais e o do perfil longitudinal dos cursos de água fcap. 3): a caracterização das variáveis da análise mortométrica e a análise topológica das redes de bacias hidrográficas (cap. 4); a morfometria planimétrica de praias (cap. 5) eo item sobre a teoria probabilística da evolução do modelado (cap. 7). Muntevo-se a mesma perspectiva, u de contribuir para 4 difusão do conhecimento geomorfológico. Queremos, por fim, agradecer a Editora Edgard Bliicher Ltda. pelo interesse de- monsttado em publicar esta nova edição, c ão público brasileiro pela receptividade com que ucolheu a princira cdição, estimulando-nos a realizar outras tarefas similares. Rio Claro, agosto de 1979 OFOLETTE ANTONIO CHR: t INTRODUÇÃO À GEOMORFOLOGIA A Geomorfologia é a ciência que estuda as formas de relevo. As formas representam a expressão espacial de uma superfície, compondo as diferentes configurações da paisa- sem morfológica É o scu uspecta visivel, a sua configuração. que caracteriza o modelado topográfico de uma área. As formas de releva canstituem q objeto da Geomorfologia. Mas se as formas exis- tem, é porque clas foram esculpidas pela ação de determinado processo ou grupo de processos. Podemos definir processo como sendo uma segilência de ações regulares e continuas que 'se desenvolvem de maneira relativamente bem especificada é levando a um resultado determinado. Dessa maneira, há um relacionamento muito grande entre as formas e os processos; o estudo de ambos pode ser considerado como o objetivo central deste ramo do conhecimento, como as características fundamentais do sistema gcomor- fológico/ As formas, os processos c as suas relações constituem o sistema geomorfológico, que é um sistema aberto pois recebe influências c também atua sobre outros sistemas componentes de seu universo / À análise das formas e dos processos fornece conhecimento sobre os aspectos ea di- nâmica du topografia atual, sob as diversas condições climáticas, possibilitando com- preender as formas esculpidas pelas forças destrutivas e as originadas nos ambientes deposicionais. No transcorrer do tempo geológico, muitas topografias forum elaboradas e destruídas pela erosão ou pelo recobrimento sedimentar. As camadas redimentares, com suas estruturas deposicionais, são importantes fontes de informação e registros valiosos para se interpretar os processos atuantes no passado e quais as condições am- bientais reinantes naquelas épocas. O estudo dos processos atuais e das características dos ambientes de sedimentação propiciam quadros c padrães de referência que orientam a interpretação dos depósitos antigos. Aq estudar e interpretar essas segiiências depo- sicionais, o pesquisador procura retraçar as diversas mudanças nas condições ambientais, decifrando a evolução da história regional e melhor compreendendo as caracteristicas da atual paisagem morfológica. SISTEMAS EM GEOMORFOLOGIA 1, Noções gerais sobre sistemas. Um sistema pode ser definido como o conjunto dos clementos e das relações entre si é entre os seus atributos. À aplicação da teoria das sistemas aos estudos geomoriológicos tem servido para melhor focalizar as pesquisas e para delinear com maior exatidão o setor de estudo dessa ciência/A teoria dos sistemas gerais (General Systems Theury) foi inicialmente introduzida na Geomorfologia pelos trabalhos de Arthur N. Strabler (1950; 1952), e posteriormente utilizada, ampliada é discutida em vasta bibliografia, Porém, as contribuições de John T, Hack (1960) Richard 2 Geomorfologia 3. Chorley (1962) e Alan D. Howard (1965) constiluem os trabalhos básicos e essenciais para a colocação dessa problemática. Quando se conceituam os fenômenos como sistemas, uma das principais atribuições e dificuldades está em identificar os elementos, seus atributos e suas relações, a fim de delinear com clareza a extensão abrangida pelo sistema em foco. Praticamente, a totali- dade dos sistemas que interessam ao geomorfólogo não aluu de modo isolado, mas funciona dentro de um ambiente e faz parte de um conjunto maior. Esse conjunto maior, no qual se encontra inserido o sistema particular que se está estudando, pude ser deno- minado de universo, 9 qual compreende o conjunto de todos os fenômenos c cventos que, através de suas mudanças e dinamismo, apresentam repercussões no sistema foca- lizado, e também de todos os fenômenos e eventos que sofrem altcrações e mudanças por causa do comportamento do referido sistema particular. Dentro do universo, a fim de classificar, podemos considerar os primeiros como sistemas antecedentes e os segundos como sistemus subsequentes, Entretanto, não se deve pesar que exista um encadeamento lincar, sequencial, entre os sistemas antecedentes, o sistema que se eslá estudando é os sistemas subscyilêntes. Através do mecanismo de retroalimentação (feedback), os sistemas subsegiientes voltam a exetcer influências sobre vs antecedentes, numa perfeita interação entre todo à universo. f No estudo da composição dos sistemas, vários aspectos importantes devem ser abordados tais como a matéria, a energia e a estrutura. "A matéria corresponde ao material que vai ser mabitizado através do sislema, Por exemplo, no sistema hidrográlico a matéria é representada pela água e detritos; no sis- tema hidrológico, pela água em seus vários estados; no sistema vertente, as fontes pui- múrias de matéria são a precipitação, a rocha subjacente e a vegetação. A energia cor- responde às forças que fazem o sistema funcionar, gerando a capacidade de realizar trabalho, No tocante à energia, deve-se fazer distinção entre a energia potencial ca energia cinética. A energia potenciul é representada pela torça inicial que leva ao funcionamento do sistema: a gravidade funciona como energia potencial para q sistema hidrológico, hidrográfico c para os sistemas morfogenéticos. Ela, então, desencadeia à movimentação do material, e é tanto maior quanto mais acentuada for a amplitude altimétrica, Uma vez que o material se coloque em movimento, surge à energia cinética (ou energia do movimento), cuja próptia força aliu-se à potencial. Assim, o escoamento das águas ao longo dos rios, a movimentação dos fragmentos detríticos ao longo das vertentes, e o caminhar das águas marinhas ao longo das. praias, geram a energia cinética. Ocorrência comtim que pode ser verificada é a transferência de encrgia de um sistema para outro, Reconhece-se que o vento é o principal fator no mecanismo de Iormação das ondas. À geração de ondas representa a transferência dircta da energia cinética da atmosfera para, a superficie oceânica. Não se deve esquecer que à energia total é constituida pela soma entre a energia potencial e a encrgia cinética. ? ÍA estrutura do sistema é contituida pelos elementos c suas relações, expressando-se através do arranjo de seus componentes. O elemento é a unidade básica do sistema. O problema da escala é importante quando se quer caracterizar os elementos de deter- minado sistema. Um rio é elemento no sistema hidrográfico, mas pode ser concehido como sistema em si mesmo; a vertente é elemento no sistema da bacia de drenagem, mas pode scr sistema em si mesma; um carro é elemento no sistema trânsito, mas pode representar um sistema completo em sua tnidade/Conforme a escala que se deseja ana- lisar, deve-se ter em vista que cada sistema passa à ser um subsistema (ou elemento) quando se procuia analisar o fenômeno em escala maior. Três caracteristicas principais das estruturas devem ser observadas: a) tamanho — o tamanho de um sistema é determinado pelo número de variáveis que o compõem. Quando o sistema é composta por variáveis que estão completamente Introdução à acomorfologia 3 inter-rclacionadas, isto é, cada uma se relaciona com todas as outras, a sua complexidade € tamanho são expressos através do espaço-fase ou número de variáveis. Se houver duas variáveis, O sistema será de espaço-fase bidimensional; sc houver três, será de espuço- -fase tridimensional; se houver n variáveis, O sistema será de » espaço-fase, b) correlação — a correlação entre as variáveis em um sistema expressa o modo pelo qual elas se relacionam. A sua análise é feita por intermédio das linhas de regressão, da correlação simples (quando se relacionam variáveis) c da correlação canônica (quando se relacionam conjuntos de variáveis), Nu correlação, a força é assinalada pelo valor da intensidade enquanto q sinal, positivo ou negativo, indica a direção na qual ocorre o relacionamento. c) causalidade — a direção da causalidade mostra qual é a variável independente, a variável que controla, e a dependente, aqucia que é controlada, de modo que a úllima só sofre modificações sc a primeira se alterar, A distinção entre tais variáveis ainda está na dependência do bom senso, embora haja várias regras lógicas pura se estudar o problema da causalidade, 2. Classificação dos sistemas em Geomorfologia. Os sistemas podem ser classificados de acordo com o critério funcional ou conforme a sua complexidade estralural, Levando em consideração a critério funcional, Forsler, Rapuport e 'Irucco dis- tinguem os seguintes tipos de sistemas: 7a) sistemas isolados são aqueles que, dadas as condições iniciais, não sofrem mais nenhuma perda nem recebem energia ou matéria do ambiente que os circundam. Dessa maneira, conhecendo-se a quantidade inicial de energia livre e es caracteri matéria, pode-se calcular exatamente o evoluir do sistema e qual o tempo-que decorrerá até o seu final /Richard Chorley (1962) já assinalou que u concepção davisiana do ciclo de erosão ilustra perfeitamente essa perspectiva, pois se inicia com soerguimento brusco antes que os processos tenham tempo de modificar a paisagem. O ciclo começa com q máximo de energia livre devido ao socrguimento e, com q decorrer do tempo, os processos vão atuando e rebaixando o conjunto até que alcance o estágio final, quando a energia livre é diminuta; isso devido à quase uniformidade da área que foi aplainada em função do nível de base. A perspectiva em sistemas isolados favorece a abordagem dos fenó- menos através do tratamento vvolutivo c histórico, pois pode-se predizer o começo 1 a sucessão das etapas até o seu final/ *b) os sistemas não-isolados mantêm relações com os demais sistemas do universo no qual funcionam, podendo ser subdivididos em — fechados, quando há permuta de energia (recebimento e perda), mas não de matéria. O planeta Terra pode ser considerado como sistema não-isolado fechado, pois tecebe energia solur c também a perde por meio da radiação para as cumadas cxtra- -atmosíéricas, mas não recebe nem perde matéria de outros pluncias ou astros, a não ser em proporção insignificante, quase mula; é — abertos, são aqueles nos quais acorrem constantes trocas de energia e matéria, tanto recebendo comu purdendo. Os sistemas abertos são os mais comuns, podendo ser exemplificados por uma bacia hidrográfica, vertente, bomerm, cidade, indústria, animal, etc? Levando-se em consideração a complexidade estrutural, Chorley e Kennedy (1971) distinguem dez tipos de sistemas. Dentre essas categorias, os que pertencem ao âmbito da Geomorfologia são os quatro primeiros, cujas ct.racterísticas são as seguintes. 0) sistemas morfológicos — são compostos somente pela associução das propricdades fisicas do fenômeno (geometria, composição, etc.) constituindo os sistemas menos com- plexos das estruturas naturais. Correspondem às formas, sobre as quais podem-se escolher diversas variáveis a serem medidas (comprimento, altura, largura, declividade, granulo- metria, densidade c outras): A coesão e a direção da conexidade entre tais variáveis são reveladas pela análise de correlação. 4 Geomorfologia Funcionalmente, os sistemas morfológicos podem ser isolados, fechados on abertos. Os que normalmente pertencem ao interesse do geomorfólogo são abertos ou fechados, e mnitas de suas propriedades podem ser consideradas como respostas ou ajustamento ao fluxo de energia ou matéria alravés dos sistemas em segiiência aos quais cstão ligados. Por cxemplo, a densidade de drenagem é uma “resposta” à hidrologia da área. As redes de drenagem, as vertentes, as praias, os canais Fluviais, as dunas e as restingas são exemplos de sistenias morfológicos, nos quais se podem distinguir, medir e correlacionar as variáveis geométricas é as de composição. d) sistemas em segiiência — são compostos por uma cadeia de subsistemas, pos- suindo tanto magnitude espacial quanto localização geográfica, que são dinamicamente relacionados por uma cascata de matéria ou energia, Nessa sequência, a saida (output) de matéria ou energia de um subsistema torna-se a entrada (input) para o subsistema de localização adjacente. Por cxempio, a Fig. 11 mostra a scyiúência entre os subsistemas atmosfera, vertente, tençol subterrâneo, vegetação, rios e mar. Importante é lembrar que dentro de cada subsistema deve haver um regulador que trabalhe a fim de repartir o input recebido de matéria ou energia em dois caminhos: armazenando-o (ou depositando) ou fazendo-o atravessar o subsislema c tornando-o um output do referido subsistema. Por exemplo, no subsistema vertente, a água recebida pode ser armazenada nos poros das rachas on ser transferida para os rios (escoamento superficial) ou para o lençol subterrâneo; no subsistema lençol subterrâneo, a água pode ser armazenada ou ser transferida para as plantas e rios; no subsistema vegetação, u úgua pode ser armazenada nas plantas ou ser transferida para a atmosfera, através da transpiração; no subsistema rios, a carga recebida de água e de detritos pode ser arma- zenada ou depositada no leito ou nas margens, ou ser transferida para os mares. fe) sistemas de processos-respostas -- são formados pela combinação de sistemas morfológicos e sistemas em segiiência. Os sistemas em segiência indicam O processo, enquanto o morfológico representa & forma, 4 resposta a determinado estímulo. Ao definir os sistemas de processos-respostas, a ênfase maior está focalizada para identificar as evaporação, ATMOSFERA PRECIPITAÇÃO VERTENTE escoamento TRANSPIRAÇÃO INFILÍTRAÇÃO RIOS Lençol sub=| — escaamento terrôneo MAR ALIMENTAÇÃO VEGETAÇÃO Figura 1.1 Exemplo de sistema em segiiência, mostrando w relacionamento entre vários subsistemas Introdução à geomorfologia 5 relações entro o processo c as formas que dele resultam. Consegilentemente, pode-se estabelecer um equilibrio entrs o processo e'a forma, de modo que qualquer alleração no sistema em sequência será refletida por áleração na estrutura do sistema morfológico (isto 6, na forma), através de reajustamento das variáveis, em vista a alcançar um novo equilíbrio, estabelecendo uma nova forma. Por outro lado, as alterações ocorridas nas formas podem alterar a mancira pela qual o processo se realiza, produzindo modificações na qualidade dos inputs fornecidos ao sistema morfológico. Por exemplo, aumentando & capacidade de infiltração de determinada área, haverá diminuição no escoamento superficial e na densidade de drenagem, o que reflete na diminuição da declividade das vertentes. Essa diminuição, por sua vez, facilita a capacidade de infiltração e diminui O escoamento superficial. Aa contrário, diminuindo « capacidade de infiltração de uma área, haverá aumento do escoamento superficial c da densidade de drenagem, o que rellete cm maior declividade das vertentes, Este aumento, por sua vez, irá dificultar a capacidade de infiltração e aumentar o escoamento superficial (Fig 1.2) copacidade = intiliração densidade da drenagem declividade vertentes. Figura 12 Refaçães estabelecidas pela retroalimentação em circuito cm um sistema de processos- respostas Essa propriedade apresentada pelos sistemas, a de que o efeito de uma alteração volte 4 atuar sobre a variável ou elemento inicial, produzindo uma circularidade de ação, é denominada de mecanismo de retrontimentação ( feedback). Quatro tipos de retroalimen- tação são os mais comuns (Fig. 1.3): retroalimentação direta, quando há relacionamento direto de ida e volta da ação entre duas variáveis; retroalimentação em circuito, quando envolve mais de duas variáveis e a retroalimen- tação volta ao ponto inicial, completando um circuito ou areo. No exemplo citado na Fig. 1.3, nota-se que o frio provoca a precipitação nevosa, a qual leva ao aparecimento das geleiras, e estas intensificam o frio; retroalimentação negativa, é O tipo mis comum, ocorre quando uma variação externamente produzida leva ao estabelecimento de um circuito fechado de alteração, que tem a função de arrefecer ou estabilizar o efeito da mudança original. Essa situação é indicada por um circuito com um número impar de sinais negativos de correlação. Por exemplo, em um canal fluvial, se se aumentar o volume de água (variação externa), havetá aumento da velocidade. O aumento da velocidade ocasionará aumento da erosão (correlação positiva), e esse provocará aumento da largura do canal (correlação positiva). Todavia, o aumento da largura provocará à diminuição my velocidade da água (cor- relação negativa). Através desse mecanismo, a sistema procura reajustar-se, reequilibrar-se, em função das novas condições de fluxo; retroalimentação positiva, ocorre quando os circuitos entre as variáveis reforçam o efeito da ação, externamente produzida, ocasionando uma acão de “bola de neve” E 1. Retroalimentação direta NEVE e [o] Leno 2. Retroolimentação em circuito à. Retroolimentação positivo Figura 1.3 Os principais tipos de mecanismos de retroulimentação h influê igina is circuitos podem das alterações sempre no mesmo sentido da influência originál. Juis citados po em não ter sinais negativos de correlação, mas se acaso aprescntá-los, ã ilização do sistema, ntidade par. Esse tipo de retroalimentação não promove a e cidade dias a sua destruição. Por exemplo, & desmatamento (ação enlerna) a) ao de q ci ficial (correlação ne: . i cão e aumenta 0 escoamento Super) a o nene a uno superficial aumenta à erosão das vertentes o er pa i ] i relação negativa). de iminui 4 capacidade de infiltração (cor! iva cone a cao E alloramento da'rocha sã, não havendo praticamente mais infiltraçi tempo, da + sã, nã nem erosão do regolito. O sistema foi destruído. 1) sistemas controlados — são aqueles que apresen mes os sistemas de processos-respostas. A complexidade é aunis tam à atuação do homem sobre pela intervenção humana, Introdução à geomorfologia 7 Quando se examina a estrutura dos sistemas de processos-respostas, verifica-se que há certas variáveis-chaves, ou sálvulas, sobre as quais o homem pode intervir para produzir modificações na distribuição de matéria e energia dentro dos sistemas em sequência e conseyiicntemente, influenciar nas formas que com clc estão relacionadas. Por exemplo, modificando a capacidade de infiltração de determinada área ou a movimentação de areias em determinada praia, o homem pode produzir, consciente ou inadvertidamente, modificações consideráveis na densidade de drenagem ou na geometria da praia. É na orientação dessa intervenção humana que reside a finalidade aplicada da ciência geo- morfológica. 3. A nação te equilíbrio em Geomorfologia, O conceito de equilíbrio em Geomorfologia significa que materiais, processos e a geometria do modelado, compõem um conjunto auto-regulador, sendo que toda forma é o produto do ajustamento cntre materiais e processos. A importância do conceito de equilibrio foi reconhecida por Grove Karl Gilbert, desde 1880. Todavia, ocluso pelo desenvolvimento da geomorfologia davisiana, que o utilizou somente no estudo do perfit longitudinal dos cursos de água, recentemente vem sendo aplicado com maior continvidade e amplitude. Com a introdução na Geomorfologia dos princípios da teoria dos sistemas, hóuve retomada e revisão desse assunto. O equilíbrio de um sistema representa o ajustamento completa das suas variáveis internas às condições externas. Isso significa que as formas e os seus atributos apresentam valores dimensionais de acordo com as influências exer- cidas pelo ambiente, que controla a qualidade c à quantidade de matéria e energia à fluir pelo sistema. Quando as condições externas permanecerem imutáveis, o equilíbrio dinã- mico pode chegar ao estado que melhor exprima a organização inlerna em função das referidas características exteriores. Hsse estado constante ou de estabilidade ("steady site”) é atingido quando a importação e a exportação de matéria e energia forem equa- cionadas por meio do ajustamento das formas do própria sistema, permanecendo cons- tantes enquanto não se alterarem as condições externas. Assim sendo, o estado de estabili- dade é independente do tempo, e as suas formas e organização não se modificam pelo simples transcorrer da variável temporát. Em uma bacia hidrográfica, as condições cli- máticas, litológicas, biogeográficas é outras vão condicionar a estruturação de determi- nada rede de drenagem c de determinadas formas de relevo. Alcançado o estado de esta- bilidade, a geomettia da rede fluvial e a da morfologia encontram-se em perfeito estado de equilibrio e só sofrerão modificações se porventura houver allerações nas variáveis condicionantes. Os geossistemas e os demais sistemas geográficos sempre estão funcionando perante flutuações no Fornecimento de matéria e energia. Todavia, a ajustagem interna do sistema permite que haja absorção das flutuações dentro de determinada amplitude, sem que o estado seja modificado. O estado estacionário não é imutável, mas representa o com- portamento em torno de amplitude de variação. A escala temporal representa: o melhor crilério para verificar a estabilidade ou instabilidade do sistema. Se o comportamento do sistema é observado durante determinada escala temporal, as flutuações que ocorrem no outpuí durante o referido periodo de tempo podem ser irrelevantes, pois a média e a-variância das variáveis que descrevem o output permanecem constante ou estatistica- mente estável A quantidade de material detrítico transportado por um rio, quando observado de mês para mês ou de estação sazonal para estação, pode permanecer es- tatisticamente estável por um periodo de dez ou vinte anos, por exemplo. Mas se formos analisar o transporte diário da carga detrítica. haverá mudanças muito rápidas: de um dia para outro, ” Considerando que os sistemas estudados pela geomorfologia são sistemas abertos, eles mantêm-se estabilizados na medida em que as forças atuantes e provindas do meio ambiente possam ser absorvidas pela flexibilidade existente na estrutura do sistema. TP i 8 Geomorfolagia Quando a introdução de novas forças geram movimentos que ultrapassam o grau de absorção. há um reajuste em busca de novo estado de equilíbrio. A fase de transição entre 0 estado de equilibrio existente e o do novo equilibrio a scr alcançado corresponde “o tempo de readaptação do sistema. Os diversos estados transitórios seguidos pelo sis- temu na passagem entre os dois estados constitui a trejatória de readaptação O tempo de readaptação varia de um sistema para outro, e será mais longo se houver elementos de maior resistência à mudança no interior do sistema. Um peossistema, por exemplo, é composto por clementos orgânicos e inorgânicos, englobundo subsistemas possuidores de propricdudes diferentes. A habilidade em enfrentar as influências externas é maior é mais típica nas comunidades vegetais e animais € menos pronunciada nos com- ponenies inorgânicos. Quando ocorre um distúrbio no equilibrio de um dos compoentes do sislema, entra em ação um conjunto de relações retroalimentadoras, resultando que o sistema todo novamente atinja o equilíbrio após passar através de uma séric de cstados transitórios. Se à modificação inicial for reversivel, o equilíbrio restaurado será semelhante ao estado precedente, Por exemplo, após exterminação artificial, a associação de ptantas tende a se restaurar de Forma semelhante à original. No caso de modificações não rever- síveis, o novo equilíbrio será atingido em outro estado, diferente do. procedente. A dis- posição dos solos, da vegetação e as características topográficas serão diferentes se houver modificação na composição dos afloramentos litológico: A ruptura do equilíbrio e o desencadeamento da trajetória de readaptação ocorrem quando a estimulo exterior apresentar magnitude suficiente, ultrapassando a capacidade de absorção. Ultrapassado o limite divisório crítico da faixa de absoição, o sistema es- pontaneamente se modifica a fim de atingir novo estado de equilibrio, No geossistema, os diversos subsistemas possuem escalas diferentes para a reajustagem trente às modi- ficações provocadas externamente, até que restaure o equilibrio perdido, podendo oscilar da cscala medidas em anos até a de milhões de anos. Numa sequência qualitativa, dos elementos de reajustagem mais rápida aos mais lentos, temos os zoogeográficos, os du vegetação, os solos e as formas de relevo. Os elementos de restauração rápida scrão os primeiros a se adaptarem às novas condições ambientais, Todavia, desde que os outros componentes de maior inércia continuam paulatinamente à se transformar, os pioneiros na adaptação devem continuar à se adaptar às caracteristicas que vão sendo apresen- tadas pelos componentes de ajustagem mais lenta. Toda vez que ocorre transformação do estado do sistema, passando de um equilibrio para outro, em virtude de um estimulo exterior, verifica-se uma fase ou etapa na história do sistema. As transformações ao longo da escala temporal assinalam a tvolução do siftema. O tratamento histórico aplica-se aus vasos individuais, assinalando os aconte- cimentos verificados no sistema especificado, Ao se aplicar a descrição histórica, duas questões são relevantes: a) O retrospecto histórico pode ser desenvolvido desde que haja remanescentes no sistema, denunciando as fases evolutivas. Há que verificar a velo- cidade de transformação das lormas, assinalando o periodo de inércia, isto é, o tempo que a forma leva para se transformar, passando de um estado de equilibrio para oulro, ou para desaparecer. Em determinado sistema, o grau de inércia é diferente para os diversos elementos componentes. A história pode retroagir até u fase denunciada pelas relíquias ou elementos de maior inércia; b) ao sc transformarem, os sistemas passam por diversos estados, Qual a categoria dos estados representativos do equilibrio, assi- nalando q “stcady state”? Alcançar o estado estacionário é a Finalidade básica do fun- cionamento do sistema geomorfológica? Qual o tempo de readaptação necessário para que o sistema se reestruture em novo estado de equilibrio? A noção de equilíbrio pode ser aplicada a qualquer sistema geomorfológico, tais como no estudo das vertentes, rios, bacias de drenagem, dunas, litorais e oulros. No caso do estudo sobre litorais, pode-se observar que “o equilíbrio em uma praia apresenta curvaturas c tamanho de grãos, ajustados uns aos outros de modo tão delicado, que o introdução à geomortologia 9 movimento litorânco potencial providencia a energia necessária para transportar os detritos fornecidos c os retirados” (Funncr, 1968). Nessa esquematização, a geometria (curvatura) é controlada por materiais (detritos) e processos (transporte). Outro aspecto que deve ser lembrado refere-se à proporcionalidade de crescimento entre os elementos componentes do sistema. O tamanho apresentado por determinado elemento está cm proporção ao tamanho do sistema coma um todo, assim como o cres- cimento de cada parte do organismo está em relação ao tamanho do corpo humano. Na análise do crescimento equilibrado e proporcional, aplica-se a lei do crescimento ulomégrico (law uf allometric growth), enunciando que “a (axa relativa de crescimento de um órgão é uma fração constante da taxa relativa do crescimento do organismo come um todo”. Michael 1. Woldenberg (1966) aplicor essa lei no estudo das alterações dos sistemas (luviais; um exemplo de sua utilização pode ser mostrado pelo relacionamento entre o débito Fluvial e a área da bacia hidrográfica (Fig. 1.4). 190 Débito (mês) Ol 10 109 1600 ioboo área (kof) Figura 1.4 Há crescimento proporcional entre o débito e a área de determinada bacia hidrográfica, exemplificundo u lei do vrescimento ulométrico A fórmula alométrica é expressa como sendo igual a s= a" ou log, 3 = loga + blog X. O significado da equação alométrica mostra que a taxa de crescimento especifico (isto é, o aumenta por unidade de tamanha por unidade de tempo) de um elemento y permanece ém relação constante com a taxa de crescimento especifico de outro elemento au do sistema total x. Como exemplo, consideremos o caso de uma bacia hidrográfica, em que o débito aumenta com o tamanho da área. Neste caso, a taxa relativa de mu- dança vo débito (0) é uma fração constante (b) da luxa relativa de modificação na área da bacia (x) Quando figurada em papel log-log, a representação da variável y (dependente) e da variável x (independente) dará origem a uma linha reta. Essa representação simples assinala os casos em que a lei do crescimento alométrico pode ser aplicada e facilita calcular os valores das constantes a e b. O valor da constante q corresponde ao valor 10 Goomortolagia da interceptação da linha reta com a da ordenada, para o valor extrapolado de x = 1: o valor de constante b corresponde ao valor da inclisação da linha alométrica. As relações entre as variáveis podem scr funções alométricas, positivas ou negativas. Se 4 > 1,0 crescimento relativo mostra alometria positiva, pois y está crescendo mais rapidamente que x; se b — 1, o crescimento é isométrico, pois y cresce em proporciona- lidade igual a x, e se b < 1, a crescimento é alometricamente negativo, pois p cresce de modo mais lento que x. Por exemplo, a taxa de aumento da diferença altimétrica em relação com o comprimento da vertente, a partir do topo de um interflúvio convexo, seria uma função alométrica positiva na qual o expocnte é sempre maior que a unidade, A laxa de diminuição da diferença allimétrica em relação com o comprimento da ver. tente, cm um segmento busal côncavo, seria uma Função alométrica negativa, na qual “o expoente b conserva sempre valores inferiores à unidade (Bull, 1975), A análise alométrica pade ser realizada nas perspectivas dinâmica e estática. A alometria dinâmica refere-se às interrelações de medidas [citas sobre a forma ou sobre os processos de um sistema em diferentes épocas durante a sua história. Neste cuso, a * variável tempo é muito importante. A alomerria estática velere-se às interrelações de medidas Feitas sobre determinado tipo de sistema, em determinado. momento da sua história. O exemplo da geometria hidráulica constitui caso esclarecedor. A mensuração das suas variáveis, no mesmo local, em diversas fases lemporais, assinala as mudanças que ocorrem na geometria hidráulica em relação com as oscilações do débito. A men- suração das variáveis da geometria hidráulica, em diversas seções transversais ao longo do rio, na mesma fasc temporal, assinala as mudanças que ocorrem em relação a dete minada Frequência de fluxos nas diferentes estações Mluviométricas. A primeira é exemplo de alômetria dinâmica, enquanto à segunda se refere à alometria estálica. Em todos os sistemas, os processos são Os responsáveis pelo crescimento e à forma reflete à organização da estrutura. Se a intensidade de crescimento pode ser mais acen- tuada nas fases iniciais do sistema, o crescimento c a cxpansão não ocorrem indefini mente. O sistema cresce ulé que alinja o seu tenuatho ósimo que, quando for atingido. será mantido através de longo periodo de tempo e não estará sempre susceptível às mu- danças sucessivas e sequenciais (Chorley, 1962). Uma planta ou um animal não crescem continuamente, mas até determinado ponto de funcionalidade. Se houvesse crescimento contínuo. expansão indefinida, estariamos em presença de casos anômalos. As formas de relevo, por exemplo, evoluem até que atinjam o equilíbrio dinâmico denunciado pela proporcionalidade das variáveis geométricas em relação aos processos aperantes: quando esse estado é atingido. permanecein estacionárias em sua forma, tornando-se indepen- dentes da escala temporal. a “4 O sistema genmariológico, Considerando que as formas c os processos representam o âmago da. Geomorfologia, podemos distinguir dentro do universo gcomorfológico Os seguintes sistemas antecedentes, que são Os mais importantes para a compreensão das formas de relevo (Fig. 1.5): a) O sistema elinuítico que, através do calor, da umidade e dos movimentos atmos- féricos, sustenta c mantém o dinamismo dos processos, bj O sistema biogengráfico que, representado pela cobertura vegetal e pela vida uuimal que lhe são inerentes, é de acordo com suas características, atua como fator de diferenciação na modatidado e intensidude dos processos, assim como fornecendo c retirando matéria. “) O sistema geológico que, através da disposição c variação litológica, é o principal fornecedor do material, constituindo o fator passivo sobre o qual atuam os processos. d) O sistema antrópico, representado pela ação humana, é o fator responsável por mudanças na distribuição da matéria e energia dentro dos sistemas, e modifica o equi- Introdugito à geomorfologia nm líbrio dos mesmos. Consciente ou inadvertidamente, o homem produz modificações sensíveis nO processos c nas formas, através de influências destruidoras au controjadoras sobre os sistemas em scqúência. Há fluxo de matéria e energia através do sistema geomorfológico, e us saídas (uutpuis) principais desse sistema são representadas pelas descargas de água « de detritos. Dessa maneira, 0 sistema hidrológico e o sistema sedimentação consliluem os principais sistomas subsegientes. Os quatro sistemas acima mencionados são os controladores mais importantes do sistema geomortológico, representando os seus fatores, o seu ambiente. Entretanto, por meio do mecanisma de retroalimentação, o sistema geomorfológico também atua sobre eles. À transferência de detritos das áreas mais elevadas para as mais baixas tem reper- cussão uas condições climáticas, pelo rebaixamento da topoprafia, nas condições bjo- geográficas e no sistema geológico, mormente em função da distribuição dos sedimentos. Novas bacias sedimentares vão sendo formadas e preenchidas, e o acúmulo de malerial poderá gerar alterações na isostasia da crosta terrestre, isto é, no equilibrio distributivo das massas stáficas. Climo processos HOMEM |—— 514 Biogeogrofia formas Geologia Figura 1.5 Os sislemys unlecedentes controladores do sistema geomorfológico 5. Classificação dos fatos geomorfológicos. Deixamos perfeitamente esclarecido que as formas de relevo são fatns que devem ser estudados e classificados. Cada fato, isto é, cada forma, representa um exemplo que deve ser relacionado a determinada categoria ou classe/O problema que se levanta é: como classificar os fatos gcomorfológicos? Um critério amplamente utilizado foi o de classificar os fatos geomorfoló; função da disposição das camadas rochosas, compondo a denominada “Geomorfotogia estrutural”, De acordo com esse vritério, as formas de relevo pertenceriam às seguintes categorias: 12 Gaomorfologia u) Morfologia das estruturas concordantes: — o relevo tabular; — 0 relevo de cuestas; = contacio cutre maciços antigos e bacias sedimentares, b) Morfologia das estruturas dobradas: — o relevo dômico; o relevo dobrado; — o relevo apalacheano. “) Morfologia em estruturas falhadas. d) Morfologia relacionada com o vulcanismo. e) Morfologia relacionada com as litologias especificas: — O relevo cársico; — o relevo granítico. Na perspectiva da classificação acima, tornava-se dificil a colocação das categorias de formas relacionadas a processos mofogenéticos, tais como as formas litorâneas, as fluviais, as glaciárias e outras. A fim de suplantar essa dificuldade, c também como reução à dominância estrutural nas pesquisas geomarfológicas, desenvolveram-se os estudos sob à perspectiva de que as formas de relevo estavam relacionadas com a zonalidade climática, diferenciando-se em função das zonas morloclimáticas. Utilizando-se desse critério, Jcan Tricart e André Cailleux (1965) e Julius Búdel (1963) estubeleceram classificações sintéticas (vide pp. 30-32), Na classificação climática, o estudo das formas Tuviais e Hitarâneas, por exemplo, tambéin não encontra posicionamento definido, A fim de contornar o problema, os autores reconheceram a existência do fatos zonais, que ocorrem de acordo com a zona- lidedo climática; azonais, que ocorrem independentemente da zonalidade climática, e plirizonais, que ocorrem em várias zonas, mas não em todas. 30 surgimento da Geomorfologia Climática não procurava substituir à Geomorfo- logia Estrulural, mas completi-la./O reconhecimento da dicotomia entre estrutural é climática, como se fossem as duas faces de uma mesma mneda, trazia problemas sérios à classificação dos fatos gcomortológicos. Automaticamente, qualquer forma podia ser classificada tanto na estrutural como na climálica, porque simultancamente eta o resultado da ação climática sobre determinado tipo de rocha. Isto infringiu as regras de classifica- São, ma qual a cocrência-de determinado critério implica nu eliminação dos demais. No caso, a aplicação da critério estrutura! elimina o climático, é vice-versa. Consequente- mente, a divisão da Geomorfologia deveria ser realizada em têrmos da Estrutural ou em têrmos da Climática, mas nunca como Geomorfologia Estrutural c Climática Tentativas de classificação dos fatos gcomorfológicos de acôrdo com o critério espacio-temporal, distinguindo as várias grandezas, como à proposta pur Tricart e Cailleux (1956) é a de Chorlcy, Haggeil e Stoddart (1965), também-não superavam o problema lógico da clussificação para a ciência geomortológica. Os pesquisadores soviélicos tam- bém se preocuparam com o problema, embora procurando uma classificação para as unidudos componentes da superfície terrestre. Em 1946, |. G. Gerasimov propôs subdi- vidir todas as formas de relevo em três grandes categorias genélicas: a) unidades georexturais, compreendendo as imuivres unidades da superfície terrestre (massas continentais, grandes zonas montanhosas, depressões oceânicas e escudos). Posteriormente, J. A. Mescerjakov propôs designar tais elementos como unidades morfotecturais b) as unidades morfoestruiurais, designando os elementos do relevo de ordem média que parecem complicar as unidades morfotecturais, tais como as cadeius de montanha, maciços, planaltos e depressões internas dos continentes e Oceanos; Introdução à gevmorfologia 13 “)as unidades morfoesculturais, relacionadas com a ação dos sistemas marfogenéticos. Em duta recente, Mescerjakov (1968) aborda essa temática dentro das mesmas perspec- tivas. Em 1967, Bachenina e Zarouiskaya apresentaram minuciosa sistemática e classi- ficação dos elementos do relevo com critérios baseados nas diferenças principais da tectogênese no transcurso da hislória geotógica (elementos de primeira até quarta ordem), caracterizando os megarrelevos, Os elementos de ordem menores relacionam-se 10 macro e mesprrelevo e classificam-se em função do controle e do regime tectônico atual. Em algumas das contribuições, verifica-se que há imbricamento de aspectas estruturais e climáticos. Todas as clussificaçães acima relacionadas procuram classificar os fatos e dividir a Geomorfologia utilizando de critérios baseados nos fatores controlantes do sistema geomorfológico. Não há nenhuma tentativa para classificá-la em função do seu objetivo central, embora a vbra de Adrian Scheidegger (1970) possa ser considerada como con- tribuição sob esse aspecto izando da definição de Geomorfologia (“estudo das formas de relevo”), pode- mos perfeitamente considerar. as formas como sendo respostas à processos. As formas & 08 processos constituem o essencial da Geomorfologia, e é sob essa perspectiva que a classificação dos fatos e a divisão desta ciência devem ser orientadas. Se tomarmos como base o aspecto das formas (morfologia), iremos verificar que o seu estudo ainda não evoluiu o suficiente para permitir uma classificação aceitável em função desse cri- tério, embora já se possa alinar com a categoria das vertentes, das redes (de drenagem, de cavernas, glaciárias e outras) é dos lineamentos (de canais, de dunas, de litorais, etc). O estuda dos processes está mais desenvolvido e, considerando a sua ação ativa c dinã- mica podemos estabelecer uma classificação lógicu c exequivel dos fatos gcomorfológicas. categorias seriam as seguintes, lembrando as formas originadas por tais processos: morfologia fluvial: — morfologia litorânea: — morfologia eólica: — morfologia gls — morfologia periglaciã - morfologia cársica : — morfologia pluvial: — morfologia submarina, A classificação acima é provisória c, evidentemente, não está completa. Que déno- minação se deve utilizar pura designar o conjunto de processos fe as formas correlatas) atuuntes sobre as verlentes? Verifica-se, portanto, que vs critérios de classificação dos fatos apresentam impli- cações imediatas para o problema de divisão du Geomorfologia, e ambos estão intima- mente relicionados. Conforme os critérios udotudos observamos que: 1) os setores du Geomorfologia dividicium-se conforme a lipologia estrutural; ii) os setores da Geomorfologia dividiriam-se conforme us zonas morfoctimáticas; iii) os setores da Geomoriologia dividiriam-se conforme as categorias de processos e lormas. Compete ao estudioso escolher qual o critério que deseja utilizar pura classificar & dividit a Geomorfologia: mas o critério deve ter coesão durante o transcorrer de toda a obra. Por vutro lado, deve-se ser cuidaduso ao explicar o que se entende pela definição de Geomorfologia. A interpretação que apresentamos permito abordar O sistema geo- morfológico e fazer a divisão, considerando os processos e as formas. É essa perspectiva que transparece no presente volume. a 14 Geomorfologia HISTÓRIA DA GEOMORFOLOGIA 1. O desenvolvimento histórico da Geomorfologia. Explicar as formas da superficie ferrestre sempro se constituiu em alvo da curiosidade humana. Desde"os primórdios da ci ação, encontramos alusões a propósito, As explicações emanadas durante à antiguidade eram apresentadas em forma de fábulas, canstruídas em tomo dos conceitos religiosos então vigentes. No decorrer da Idudc Média, quando a Igreja dirigia a cultura & o ensino, à dogma du criação do mundo e da vida por um único sto de Dens, passou a dominar o pensamento especulativo, c ponco à pouco estabeleceu-se uma cronologia biblica ou mosaica. Duraito v Renascimento, todavia, alguns pensadores chegaram a compreender a influência dos processos subaórcos, mormente o Muvial, um csculturação dus paisagens, tais como Leonardo da Vinei (1452-1519) c Ibernard Palissy (1510-1590), O primeiro reconheceu “que cada vale foi escavado pelo seu rio, e a relação entre os vales é a mesma que enlre us rios”, além de observar que os cursos fuvixis carregavam materiais de uma parte da Terra e os depositavam em outra. O seguulo chegou a compreender alguns conceitos básicos da Cisomorfologia, tais como o antagonismo entre ss ações internas, que criam o relevo, e as ações externas, que tentam destruí-lo; o antagonismo entre O escoamento « a vegetação, uxpressando claramente a idéia de plantar árvores a fim de amenizar a erosão; a importância dos fenômenos externos no fornecimento dos materiais constituintes das rochas, é a relação existente entre os fenômenos gemmorfo- lógicos e a pedologia. É óbvio que a linguagem usada era u do seu tempo, mas, infelizmente, as suas ídéias não tiveram repercussão e permaneceram esquecidas. No decorrer dos séculos XVI XVII, apareceram observações isoladas, mas foi no século XVIH que se tornaram mais mimerosas 6 mais importantes, tais como as do engenheiro hidráulico francês L. 6. du Buat, antor do Principes d'hyeranligue (1779), de Jean Baptiste de Lemarck (1744-1829), Turgioni-Tozetti (1712-1784), Desmarest (tizas- “1815) e do suíço Bénédiet de Sansurre (1740-1799), entre outros, Porém, James Huiton (1726-1797) é reconhecido como o primeiro grande fluvialista £ como um dos fundadores da moderna Geomorfologia. Bascando as suas concepções na observação dos fenômenos naturais, apresenta à primeira tentativa científica e cocrente de uma história natural du Terra. Explica que serum as ações observáveis na superficie do globo que reduziriam o relevo « permitiriam o arrasamento das montanhas. Dedu- zindo a partir das causas atuaj fundamentou à teoria do “actualismo” — “o presente é à chave do passado” — que cunhecoria com Charles Lyell grande divulgação. As suus idéias foram expostas através de texto confuso, e passariam completamente despercebidas, Se 08 seus críticos e amigos não tivessem contribuído para 4 divulgação de suas teorias, Entre eles salienta a contribuição de John Playfair (1748-1819). Ptayfair redigiu a obra Hlustrutions of the Hurtonian Hieory of the Earth (1802) onde, através de texto mais lúcido, esclareceu muitas das idéias dc sen amigo. Nessa obra encontra-se uma das observações pioneiras sobre o Comportamento da rede de drenagem, assinalando que “cada rio consiste em um tronco principal, alimentado por um certo número de tributários, sendo que cada um deles corre em um vale proporcional ao seu tamanho, e o conjunto forma um sistema de vales comunicantes com declivi ades tão perfeitamente ajustadus que nenhum deles se une ao vale principal em um nível dema- sindo superior ou inferior; tal circunstância seria infinitamente improvável ss cada vale não Tosse abra do rio que o ocupa”. Essa obscrvação é considerada como lei de Playfuir, ou lei das conflyuências concordantes, pois foi o primeiro e Permaneceu por muilo tempo somo o único a tê-la formulado e compreendido. As concenções hullonianas criaram controvér ias com as idéias expendidas pelos neptunistas, e ficaram esquecidas com o desenvolvimento dessa corrente. Abraham Guttiob Werner (1749-1817) Postulava a existência de um oceano universal que teria contido em solução todos os principios minerais de formação da crasta (crrestre. À introdução à geornarfologia 15 precipitação desses mincrais originaram, sucessivamente, as rachas primitivas, as tran- sicionais (secundárias), as derivativas (terciárias) e, finalmente, as rochas vulcânicas. Inclusive as rochas graníticas eram originárias dessa sedimentação no ambiente do vceano universal. Os neptunistas werngrianos, embora acreditem que essc oceano desapareceu de modo súbito, não conseguem explicar a maneira pela qual se realizou tal desapare- ciménio, Ão chegar-se ao início da século XIX, havia praticamente três correntes do pensa- mento a propósito da esculturação do relevo terrestre: a dos fluvialistas, a dos estrutura- listas e a dos diluvianistas, sendo que as duas últimas defendiam princípios de caráter catastiólicos, Em 1830, Charles 1yell (1797-875) publicava os Principles of Geology, Ppopulurizando o principio do atualismo, realizando ataque inclemente às correntes catas- tróficas e fornecendo detalhes dos processos erosivos c denudacionuis. Um ponco mais tarde, Jean Louis Agassis (1807-1873) reconhecia u cvidência de uma idade glacial durante a qual as geleiras cobriram grando parte da Europa Setentrional, À ação dos glaciares, inclusive as suas várias fases, passou a ter aceitação ampla, graças também “o trabalho de outros pesquisadores. A importância da abrasão marinha foi evidenciada por Andrew E. Ramsay (1814- -1891) e por Ferdinand Von Richthoften (1833-1905). O primeiro descreveu o que acre- ditava ser uma superficie de abrasão marinha no oeste da Grã-ltretanha e introduziu um método de estudo da evolução do relevo através da reconstrução visual das estruturas truncadas. Richthoffen ofereceu argumentos comprobatórios às idéias de Ramsay em suas observações efetuadas na China, Pouco a pouco à corrente fluvialista começou a impor-se de modo definitivo, devido às contribuições de Alexandre Surell, George Cireenwond, James Dwight Dana e Jukes. Acumulavam-se informações e conceilos emitidos em trabalhos variados, aos quais podemos englobar alguns livrós-textos de interesse gcomoriológico. Em 1869, Peschcl Procurou reunir os princípios do desenvolvimento das formas de relevo de modo sisto- mático, mas Richthoffen (oi mais feliz, em tentativa semelhante, ao elaborar o Fiiltrer Rár Porchunysreisende (1886). Na França, em 1488, surgia a obra de amplos méritos de G. de la Noc e E. de Murgcrie, intitulada Les formes du tervain. Entretanto, a tentativa mais significativa pertence a A. Penck que, em 1894, publicou a Mor phologie der Erdo- berflache, contendo tratamento genético das formas do releva terrestre. Enquanto esse desenvolvimento se verificava na Europa, surgia, no decorrer do último quarto do século XIX, nos Estados Unidos, um grupo de pesquisadores c pensa- dores que iam reformular e pensamento geomorfológico, exponcio as principais noções teóricas que permitiriam isolar à Geomorfologia do âmbito geológico, no qual sempre estivera integrada, Essa fase está ligada ao trabalho de alguns geólogos que trabalharam no oeste dos Estados Unidos, sendo que três nomes ganharam destaque incontestável, John Wesley Powell (1834-1902), Grove Karl Gilbert (1843-1918) e Clarence E. Dutton (1841-1912), James Powell explorou a região do Colorado e suu obra fundamental foi apresen- tada em 1875 sob a forma de relatório Exploration cf the Colorado River af the West and its tributaries. Fundamentando-sc em seus estudos, ficou impressionado pela importância assumida pela estrutura geológica como basc para a classificação das formas de relevo, e propôs uma classificação genética dos vales fluviais em vales antecedentes, consegiientes e superimpostos, Das suas Esneralizações, surge como fundamental o conceito de nível minimo para a redução do relevo terrestre, denominado de nivel de base da erosão. Pura Powell, o nivel de base cra mais um conceito teórico que uma realidade fisica, pela dificuldade de captar o momento em que um rio tenha parado de escavar o seu leito; e OS rios « outros processos de erosão, atuando lentamente sobre as continentes, eventual. mente chegariam a reduzir o relevo a uma forma final que cortesponderia a uma planura Pouco acima do mar. Dessa maneira, ficava para W. M, Davis apenas a designação do 16 Geomorfologia nome dessa forma final peneplanicie —, mas o mérilo da idéia pertence à Powell. Observou também que as grandes discordâncias nus rochas do Grande Canyon do Colorado registravam períodos geologicamente antigos da erosão Lerrestre. Grove K. Gilbert cfetuou minuciosa análise dos processos subaéreos e das nume- rosás inodificações solridas pelos valts à medida que os rios crodem, considerando os elementos fluviais e os das vertentes como integrados em. um sistema inter-relucionado. Reconheceu a importância da aplanação lateral na evolução das vales é cfetuou uma das primeiras Lentulivas do estudo quantificativo das relações entre à carga, 0 volume, & velocidade c a declividade de um rio. Em sen Report of the Henry Mountains (1877) explica o relevo da área como resultante da erosão sobre corpos intrusivos, aos quais denominou tacolitos; foi o primeiro à citar provas gcomérficas sobre a origem de um bloco de falha, na região da Grande Bacia. Nu obra, History of the Lake Bonneville (1890), lago antecessor do Cirande Seit Lake, mostra à interpretação evolutiva com base nas sucessivas linhas de margem e «los terraços fluviais, permunccendo como abra clássica da Geomorfologia. Dutton é lembrado pela contribuição às compensações isostáúsicas que sc processam devido à remoção de vastas camadas de terrenos durante um longo periodo erosivo, é pela descrição das escarpas que-foram consideradas como rcgredindo parale- lamente a si mesmas, soh condições de clima árido, como no caso dos Canyons do Colorado, Percebe-se que estavam consolidados os conceitos fundamentais da Geomorfologia, embora expressos de maneira dispersa. William Morris Davis (1850-1934) deu coesão ca vitalidade a esses conceitos, sua contribuição pessoal consistiu essencialmente em integrar, sistematizar e definir a sequência normal dos acontecimentos num ciclo ideal, e procurou uma terminologia para uma classificação genética das formas de relevo ter. 1estre, como apoio para sua descrição. A influência de W. M. Davis sobre a Geomorfologia foi maior que à de qualquer outra pessoa e, comu viajante infatigável, publicou numerosos trabalhos, resultantes de suas abservações c ensinou em várias universidades americanas c européias. Ele pode ser considerado como o fundador da Geomorfologia como disciplina especializada, estruturando-a como disciplina independeme e possuidora de um corpo de doutrina cocrente e original. Embora deixasse obra vastu sobre os mais variados aspectos da Geomorfologia, nãv chegou a escrever um trabalho de fátego sobre o seu “ciclo de erosão” sa “erosão normal”.A idéia de ciclo de erosão resume-se em uma superficie plana defor- mada bruscamente por uma ação leclônica e, sobre o televo então formado, age à erosão que o reduz, lenta e progressivamente, através das fases de juventude, maturidade c seni- lidado, até nova superfície plana, a peneplanície, ponto de partida para novo ciclo.” A concepção avima sempre salrew objeções pela sua simplicidade, « o próprio Davis reconhecia e defendia a natureza teórica do modelo, explicando que o esquema cor- respondia à construção, passo a passo, de séries evolutivas de formas-tipos. Era um esquema da imaginação e não um assunto de observação que, detiberadamente simpli- ficado, poderia, na realidade, sofrer interrupções ou complicações inseridas pela tectânica Gnovimentos da terra em relação ao nivel de base), pelas modificações climáticas e pelas erupções vulcânicas. O tempo necessário ao desenvolvimento desse ciclo é muito longo, calculado entre 20 a 200 milhões de anos. Nessa escala, as interrupções representariam meros acidentes, localizados em certas zonas terrestres ou confinadas a determinadas épocas, O essencial do trabalho exosivo é devido à ação das águas correntes que, agindo desde o início do cícla até o fim, é à única a ter o direito de reivindicar o qualitalivo de erosão normal, pois atur de modo decisivo na esculturação das formas até à fasc final. À teoria da erosão normal vem completar a do sido de erosão. 2. A expansão da tenra davisiana c à Geomorfologia estrutural. A influência das concepções davisianas foi quase absoluta nos Estados Unidos e espalhou-se rapidamente Introdução à geomortologia 1 pela Europa, Dentre os países curopeus, foi ba França que recebeu maior aceitação, sendo que Emmanoel de Martonne (1873-1955) e Henri Maulig (1877-1962) foram os seus principais divulgadores, Ao primeiro, devemos o importante Traité de Géogruphie Physique, publicado inicialmente em 1909 « posteriormente completado e aperfeiçoado, mas sem que se modificasse a concepção inicial, Os problemas relacionados com as super. ficies de apluinamento constituíram uma de suas preocupações constantes, expressos em numerosos artigos e estudos regionais. Baulig preocupou-se com o discernimento dos níveis de aplainamento, cuja obra básica é Le Plateau Central de la France (1928). Encon- trando escalonamento de vários níveis, distribuídos em cotas altimétricas semelhantes vas diversas partes do maciço, ele julgou impossível que um maciço deslocudo, como o Planulto Centrat francês, pudesso ser soerguido por ctapas de modo uniforme por toda a sua superfície. A semelhança dos perfis fluviais e das superfícies planas sugeriu-lhe que o maciço tenha permanecido imóvel enquanto ocorriam variações sucessivas do nível mainho, responsáveis pelo escalonamento dos níveis aplainados, pois o mar era 9 único elemento susceptivel de adquirir uma uniformidade de altitude a fim de comandar a elaboração dos perfis de equilíbrio de todo um maciço. As variações do nivel marinho foram denominadas de movimentos eustálicos, cuja teoria não recebeu acolhida (ão ampla quanto a do sistema davisiano. Enquanto as concenções davisianas cram acolhidas na França, Inglaterra, Romênia e outros países, O contrário acontecia na*Alemanha, Polônia, URSS, etc. Embora Davis houvesse ensinado na Alemanha, e em alemão huja publicado um dos seus principais trabalhos, Die erklarende Beschreibung der Landformen (1912), as suas concepções per- mancceram ignoradus devido ao fato de sc chocarem com a mentalidade intelectual gtr- mânica, provinda de uma escola de vbscrvação direta « detalhada das paisagens. Fato mais importante, todavia, é que Alfred Ietter, cm uma série de artigos publicados entre 1910 é 1924, expôs várias dus deficiências das pressuposições davisianas, a propósito da influência climática sobre as paisagens. Ao expor a concepção do ciclo geográfico, Davis obscrvara que ela estuva cm Tunção da estrutura, dos processos e da tempo. Na primeira metade do século XX, foi a primeira perspectiva que recebeu maior atenção, enquanto o estudo dos processos e da intensidade da denudação foram quase totalmente ignorados. Muitos pesquisadores tém se utilizado dessa deficiência em suas críticas à teoria davisiuna. À nosso ver, entre- tanto, a despreocupação em estudar os processos é conseguiência direta da coesão lógica da teoria proposta por W. M. Davis, É evidente que tais gromoriólogos pressupunham 95 efeitos dos procssos, mas como a estala temporal ile sua ocorrência é muito reduzida em relação da escala da tempo cíclico, eles deixavam de ter significância como olijeto de estudos em si mesmos. Qualquer que fossem cles, o conjunto dos proces:os levava a paisagem à evoluir conforme as etapas previstas pela teoria, Em função dessa perspectiva, advém o fato de que os estudos procuravam relacionar às formas topográficas com à estrutura geológica e discernir a evolução do modelado, o que implicava na ulitização de escala temporal significativa no contexto do desenvolvimento cíclico. - 4 Considerando as formas como oritindas do controle estrutural, houve extraordinário desenvolvimento da denominada Geomoriologia estrutural. Toda uma tipologia foi criada, assinalando us características e as ciclos evolutivos das paisagens formadas em estrutnras convordantes (planaltos tubulares, planícies costeiras e bacias sedimentares), em estruturas dobradas (domos c dobramentos), em cstrnturas falhadas c vulcânicas, € em grau mais complexo do modelado estrutural dos escudos e dos maciços antigos. O relevo cársica e o granítico, relacionados com as litologias determinadas, surgiam como modelados especiuis. . A quantidade de trabalhos claborados sob à perspectiva estrutural é enorme, c as tecentes contribuições de Pierre Birot, Morphologte Structurale (1958), c de Jean Tricart, Géomorphologie Structurate (1968), foriccem panorama gerul sobre esse vasto campo 18 Geomorfologia dos estudos geomoriológicos. Entre as obras de caráter regional, avulta à de William “Thornbury, Regional! Geomorphology of the United States (1965), um estudo detalhado da mortoestrutura dos Estados Unidos, 3, A Geomorfologia climática. Em sua evolução, a Geomorfologia apresenta tendências que sc sucedem, à medida que os renovadores lançam novas perspectivas c novos métodos. Normalmente, quando expostos pela primeira vez, não são levados em con- sideração, permanecendo como tentativas negligenciadas por estarem em desacordo com o conhecimento imperante na ocasião. Posteriormente, com o transcorrer do tempo, essas concepções são retomadas, ampliadas, constituindo novas correntes do pensamento, o os antigos pesquisadores ressurgem como pioneiros. Enquanto dominava o pensamento davisiano, pesquisudores vários estudavam os processos c reconheciam a influência climática sobre q modelado. Somente para lembrar alguns trabalhos pioneiros, é justo salientar a exposição que G.K. Gilbert (1877) fez a propósito da correlação entre a escoamento concentrado e a concavidade das vertentes; a abordagem de W. McCiee (1897) sobre a formação dos pedimentos no oeste dos Estados Unidos; 4 atenção despertada por W. Bornbardt (1899) pura o estuda das vastas plunuras com inselberge, nos climas de savana da África Oriental, e Passarge (1904), no trabalhar no Kalahari, Botswana, observou, nas margens dos grandes desertos, fenômenos de oscilações bioclimáticas que teriam facilitado o desenvolvimento das superfícies aplainadas, O próprio W.M. Davis reconhecia as modificações que os climas excrciam em scus esquemus, no propor o ciclo normal ou fluvial temperado (1899), à ciclo árido (1905) é 9 ciclo glacial (1906), além de reconhecer que mudanças temporais, “acidentes climá- ticos”, podiam ocorrer em qualquer área resultando na formação de formas de relevo poligênicas. O termo de “Geomorfologia climática” provavelmente foi empregado pela primeira vez em 1913 por E. de Martonne. Esse autor, trabalhando no Brasil, publicou em 1940, transcrito em 1943 para 2 lingua porugacsa), uma contribuição clássica sobre as puisi gens e os processos atuantes nos trópicos úmidos. Da mesma maneira, são importantes as contribuições de F. W, Freise à propósito da erosão sob cobertura florestal no Iistado dv Rio de Janeiro (1932) e sobre os pães de açúvar brasileiros (1933). Entre os pesquisa- dores germânicos, as contribuições iniciais são devidas a Jessen, Passarge, Sapper, Albretch Penck, e essa fase inicial culminou com o simpósio realizado em DiisseJdorf sobre Murphologie der Klimazonen, vujo volume editado por Thorbecke em 1927 cons- titui um documento importante para a Geomorfologin climática, As primeiras tentativas de sistematização de toda a documentação que se avolumava, assira como u estruturação e à colocação conceitual da nova perspectiva, são devidas à Jules Búdvl, com Das system der Klimatischen Geomorphologie (1948), a André Cholley, Morphologie strueturate et morphologie climatique (1950), e à ..C, Pellier com o ar iga The geographie cycle in periglacial regions as it is related to elimatio Geomorphotogp (1950). Pierre Birot que, em 1949, apresentava observações importantes em scu Essai sur guelques problêmes de morphologie gênérale, posteriormente surge com «contribuições sigaificalivas no âmbito das obras gerais, tais como Précis de Géogruphie pkysigue géncrale (1959) e Le cycle d'érosion sous les differenis climats (1960). Entretanto, a contribuição muis substancial para a sistematização da Geomorfologia elimática é devida à Jean Tricartc André Cailleus que, no decorrer ca década de cingiienta, redigiram vários fasciculos preliminares, os quais ampliados e atuslizados vêm cons. tituindo os volumes do Iraité de Géumorphologie que, planvjudo para doze volumes, representa a maior e mais imporlante obra de caráter gcomorfológica. Cerca de nove volumes versam sobre aspectos relacionados com a Geomorfologia climática, sendo que, à Introduction à ia Géomorphologie limatique (1965) e Os Lomos relacionados com intradução à geomorfologia 19 o modelado periglaciário, glaciário, com regiões secas c com regiões quentes com florestas e savanas, já sc encontram publicados. Os pesquisadores reconheceram a cxistência de vários sistemas morfoctimáricos. Todavia, esses sistemas sofriam oscilações no decorrer do tempo geológico, e uma mesma área podia sofver influências de vários deles. Verificando-se as oscilações climáticas das zonas frias é temperadas, com a ocorrência de várias fases glaciárias e interglaciárias, cra lógico que modificações semelhantes também acorressem na zona intertropical. Nas zonas frias, as variações se processaram em função das temperaturas, enquanto na zóna infertropical se relacionaram com mudanças na pluviosidade, Aos períodos glaciais & interglaciais reconhevia-se a ocorrência de periodos interpluviais e pluviais, cuja cor- relação e cronologia são variáveis conforme as árcas. Grando parte da literatum gcomor- fológica é dedicada a perscrutar os vestígios paleoclimáticos, mostrando à cvolução regional do modelado em função dos sucessivos sistemas morfoclimáticos atuantes. Estudando as caruterísticas e a dinâmica dos sistemas morfogenéticos, Búdel (1963) introduziu dois conceitos importantes designados pelos termos de Geomorlologia climá- tica e-Geomorfologia climato-genética. O primeiro assinala que os diferentes climas, cundicionando os processos, propiciam o desenvolvimento de conjuntos individualizados de formas de relevo. Nessa perspectiva, a Geomorfologiu climática seria à análise desses processos e formas, « de suas relações com o clima, tendo o objetivo de definir as regiões morfogenéticas em basc mundial. O segundo conceito, o da Geomorfologia climato- -Benélica, acentua que desde que 6 clima lem sc alterado durante o Terciário « Pleisto- teno, c continua a mudar, o conjunto das formas de relevo controladas climaticamente estão sendo sucessivamente supcrimpostas uma às outras; as formas de qualquer área mostram as infltências de climas cuja ação não é muito longa. Nessa conceituação, a Geomorfologia climática é um estudo penérico, enquanto à Geomorfologia climato- -genética torna-se a análise do desenvolvimento histórico de áreas particulares. Levan- do-se em consideração o tempo, essa última perspectiva torna-se uma síntese em quatro dimensões. Essa perspectiva da Geomorfologia tem suscitado inúsneras discussões, sencia que con- tribuições recentes sobre problemas globais da Geomorfologia climática são encontradas sob u lavra de Schou (1965), Holzner e Weaver (1965), údei (1969) e Stoddart (1969). 4. À quantificação cm Geumoríologia. O emprego: de métodos quantiticativos em fisomorfologia não constitui uma novidade. Análises mortométricas, com à preocupação de medir as formas de relevo através de processos sistemáticos e racionais, tiveram grande sucesso no final do século XIX, mormente entre os pesquisadores sediados nos países germânicos, principalmente na Áustria, Alemanha e Suíça. Uma das abordagens mais antigas, e que vem sendo sucessivamente ampliada e melhorada, tem a finalidade de construir curvas hipsográficas, indicando a proporção ocupada por determinada área da superfície terrestre em relação às variações allimétricas a partir de determinada isoipsa base. As técnicas morfométricas, empregadas na identificação de superfícies aplainadas ou ma análisc global do relevo, têm recebido novas contribuições, luis como a integral hipsométrica de A, N. Strahler (1952) c o coeficiente orográlico de F. Fourier (1960). A ampliação dos mupcamentos em escala grande, u cxpansão das Fotografias aéreas, € as facilidades técnicas oferecidas para a coleta dos dados, favorecem de maneira extraordinária a pesquisa quantificada. A partir da Segunda Guerra Mundial surgiram contribuições importantes, como a dy engenheiro hidráulico Robert E. Horton, Erosional development of streams and their drainago basins: hydrographical approach to quentitative morphology (1945), que, usando técnicas baseadus na hidrologia, elaborou um trabalho que serviu de busc para ampla bibliografia relacionada com os estudos de bacias hidro- gráficas. No decorrer da última década, uma das características mais interessantes da investigação peomorfológica foi justamente o desenvolvimento de vumerosas técnicas eimaimanes 20 Geumortologia & teorias, simulando e predizendo algumas das propricdades estatísticas das redes de drenugem, incluindo as relações entre o número de rios, comprimento dos canais, área de arenagem dos segmentos flnviais e ordem da bacia hidrográfica. Uma cas tendências mais estimulantes é a precisão analítica que se procura para 9 estudo dos processos, avaliando à intensidade da melcorização é o comportamento dinâmico dos processos fluviuis, cólicas, glaciais e litorâneas, Os processos morfogene- ticos não são estudados somente em função das vbservações de vumpo, mas também pela reprodução dus mesmos em modelos escalares, criando condições pata a experimen- tação, Outro campo promissor é o estudo da formação e desenvolvimento das vertentes, para as quais vários modelos matemáticos já foram propostos. Evolvi de mancita ex. traordinária o conhecimento tcárico dos fenômenos scomortológicos, sendo que a obra mais significativa é u de Adrian Scheidegger, Theorerical Geomorphology (1970), apre- sentando modelos matemáticos para a análise das vertentes c dos processos. Por causa de sua perspectiva, omitindo mencionar quaiquer fato localizado, essa obra não tem sido devidamente compreendida. Utilizando-se dos recursos oferecidos pelas matemá- ficas, padera-se construir os mais variados modelos para as vertentes e processos, pouco importando que tais modelos encontrem exemplificações na natureza, À obra de Schei- degper propicia possibilidades pura o avanço teórico dz Geomorfologia, através de aberlura ampla, cuja perspectiva coloca-se na mesma posição em que a geometria se encontra, face ao estudo dus formas, e da cibernética, lrente ao estudo das máquina: É evidente que, devido à complexidade das variáveis implicadas nos estudos gco- morfológicos, o conhecimento atual uinda não está em condições de propor modelos determinísticos para os fenômenos a screm analisados. Os modelos apresentados, em Sua grande maioria, são conceituais ou matemáticos, mas o desenvolvimento da expe- rimentação, da observação « do conhecimento Igórico, propicia, paulatinamente, opor- tunidades e fundamentos para a análise global dos problemas gcomoriológicos. A quantificação em Cieomotfologia, pelo impulso que tomou, constitui a fase mais atraente da última década. As técnicas estatisticas passuem importância éêm muitos está gios da pesquisa, fornscendo as bascs pata a amostragem, a fim de analisarem à signifi cânciu dos dados e estabelecer as correlações. É sintomático, também, que a análise e à experimentação dos estudos gcomorfológicos se Iaçam aplicando princípios e conceitos admitidos em outras ciências, lazendo com que cla se integre definitivamente no movi- mento científico iterdisciplinar da nossa época. 5. À Geumorfologia no Brasil, A evolução do conhecimento gsomorfológico no Brasil é de data recente. Embora observações pioneiras importantes ocorressem no século XIX, as contribuições de caráter estruturado c direto sobre o lerritório brasileiro per- tencem todas ao século XX. A propósito do desenvolvimento histórico dessa ciência entre nós, só existem algumas notas de Aziz N. Ab'Saber (1958, 1964), que reconhece ttês períodos principais: a) período dos prececessores (1817-1810); b) poriodo dos estudos pioneiros (1910-1940) é c) periodo de implantação das técnicas modernas (1940-1949), Como prolongamento, v periodo posterior pode ser designado como contemporâneo AQ primeiro período pertencem vs escritos esparsos de viajantes € naturalistas que percorreram o território brasileiro na primeira metade do século XIX. assim como os trabalhadores deixados pelos geólogos estrangeiros que aqui operaram desde a segunda metade do sécula passado até a primeira década do século XX, muitas vezes trabalhando * dirigindo as diversas comissões geológicas que foram criadas. À fase dos geólogos estrangeiros e das comissões geológicas pertencem diversas contribuições objetivas e ampla documentação cartográfica, constituindo elementos extremamente úlcis para a realização posterior de estudos gcomorfológicos propriamente ditos. Os nomes que mais se destacaram foram Charles Frederik Hartt (1840-1878), Orville Adalbert Derby (1851- 1915) e John Casper Branner (1850-1922). Hant visitou pela primeira vez o Brasil como Introdução à gaamor fologia 21 membro da expedição Thayer, chefiada pelo cientista suiço ]. L. R. Agassiz, a fim de estuclar o vale do Amazonas, mas chegou posteriormente à estudar os arredores do Rio de Janeiro c várias bacias fluviais entre o Rio t à Bahia. Em 1867 empreendeu a segunda viagem ao Brasil, tendo em vista completar os seus estudos sobre a geologia litorânea, no Nordeste brasileiro. Com a soma dos conhecimentos adquiridos por suas próprias investigações e pela contribuição alheia bem coordenada, preparou a notável obra “Geologia e Geografiu Física do Brasil”, publicada em I870. O trabulho de O. Derby para a geologia brasileira foi extraordinário, tornando-se vulto dos mais proentinentes e consagrados dentre todos os que trabulharam em terras brasileiras. Para a geomor- fologia, às suus contribuições inseridas na “CGeographia do Império do Brasil”, uu edição realizada cm 1884, representa o documentário preciso dos conhecimentos existentes nessa época sobre o relevo brasileiro (Ab'Saber, 1958). John C. Branner realizou inúme- ras viagens pelo Brasil, « entre a sua numerosa contribuição destaca-se como o autor do primeito compêndio de Geologia, “preparado com referência especial aos estudantes brasileiros e à geologia do Brasil”, livro publicado em 1906. O segundo períado caracteriza-se pelo predomínio de pesquisadores estrangeiros, especialistas em Geologia e Geomorfolagia, que contribuiram com observações impor. tunices cm seus trabalhos, cv a participação efetiva de pesquisadores brasileiros. Esse período tem o seu início com a publicação dos estudos de Miguel Arrojado Lisboa sobre 9 oeste panlista e sul de Mato Grosso (em 1909), com as pesquisas de Roderic Crandall sobre o Nordestu Oriental (em 1910), « culminando com os trabalhos de Preston James sobre o Brasil de Sudeste (1933) e de Luiz Flores de Morais Rego sobre a gêncse do relevo do Estado de São Paulo (1930; 1932 e 1938). Nessa época salientam-se também as con- tribuições de Otto Maull, Pierre Denis, Reinhard Maack, Alex L, «lu Toit e Friedrich W. Freise, É oportuno lembrar que Freise, cm 1932 e 1933, realizou estudos importan- tes sobre o mecanismo dos processos morfogenéticos atuantes sob cobertura florestal, no Estado do Rio de Ianeiro, e paru a compreensão da genese dos pães de açúcar. Dentre os brasileiros, cumpre destacar as contribuições realizudas por Delgado de Carvalho, Teodoro Sampaio, Everardo Backeuser, Alberto Betim Paes Leme, Pedro de Moura e Alberto Ribeiro Lamego, outros. O terceito período ocorreu após a criação das primeiras Faculdades de Filosofia no pais e após a Fundação do Conselho Nacional de Geogralia, em 1937, A publicação do artigo de Erumanoel de Martonne sobre “os problemas morfológicos do Brasil Tro- pical Atlântico”, em 1940, serve de marco cronológico a esse periodo. O grande incen- tivador das pesquisas geomurlológicas durante essa década foi Francis Ruclan, tr balhando principalmente no Riô de Janeiro, onde introduziu e divulgou numerosas téunicas de trabalho. No referido período hi que destacar, também, o trabalha de Fábio Mucedo Soares Guimarães sobre o relevo do Brasil, em 1943, e o de Aroldo de Azcvedo sobre “o Planalto Brasileiro é o problema da classificação de suas formas de relevo”, em 1949, que procuraram sistemulizar os conhecimentos que se acumulavam. A partir de 1950, o conhecimento geomorfológico do território brasileiro evoluiu de maneira rápida, embora não se posse deixar de reconhecer u significativa importância das contribuições eliboradas por pesquisadores alienigenas. A realização do XVII Cangresso internacional de Geografia no Rio de Janeiro. em 1956, a expansão dos cursos de Geografia e de Geologia c o surgimento de várias publicações geográficas c geológicas, constituindo veiculos que difundem os conhecimentos geomorfológicos, foram fatores importantes no decorrer desta etapa. Com a ampliação do número de pesquisadores interessados na ciência geomorfológica, as pesquisas passaram a abordar áreas detalhadas £ problentas especificos (oscilações paleoclimáticas, formações quaternárias, mapeamen- tos geomorfológicos, processos morfagenéticos, evolução de vertentes, caracteristicas sedimentológicas, ambientes de sedimentação, redes de drenagem e morfologia litorânea), estabelecendo u (asc contemporânea da geomorfologia brasileira. Geomortotogia ista não é ocasião para se fazer estudo au ontribuições geomorfológicas idas nos últimos vinte e cinco unas. Entretanto, podemos u serviram como guias para as posteriores. Em 1949, dois artigos importantes cados: Aziz A'Suber esboça us caracteristicas di de cireundesnudação pós- cretéceus no Planalto B leiro”, enguanto Fernando F. M. de Almeida descreve o “relevo de euestus na bacia sedimentar do rio Puruná”, quadro que viria a ser completado pelo mesmo autor ao tratar do “Planalto Basáltico da bacia do Paranã”, em 1956. Em 1950, João Dias da Silveira realizava estudos sobre as baixadas litorâneas quentes e úmi- das, assunto que retomaria em 1964 ao realizar um quadro geral sobre as peculiaridades do litoral brasileiro. Francis Ruellan, em [952, após mais de dez anos de pesquisas sobre o território brasileiró, reuniu todas as informações pertinentes aos dobramentos de fundo no Escudo Brasileiro. Em [954 surge o excelente trabalho sobre a “Geomor- fologia do Estudo de São Paulo”, elaborado por Aziz N. Ab'Saber, que, juntamente vom a contribui posterior de Fernando F. M. de Almeida, em 1964, sobre “os fun- damentos geológicos do retevo paulista”, representa a mclhor bagagem bibliográfica existente sobre qualquer das unidades politicas do Brasil. O ano de 1956 vê-se assinalado pelo longo artigo de Lester C. King sobre a “geomortalogia do Brasil Oriental”, estahe- lecendo amplo quadro descritivo das superfícies aplainadas brasileiras. Nesse mesmo ano, em virtude do XVHI Congresso Internacional de Geografia, a claboração de nove livros guias de excursão propiciou a oportunidade para se enfcixar os conhecimentos geomor- fológicos adquiridos sobre as várias regiões percorridas. Na mesma ocasião, os diversos geomorfólogos que tiveram a oportunidade de percorrer à terra brasileira consignaram as suas observações em artigos esparsos ou na realização de simpósios, como o da Co- missão de Estudos Periglaciários à propósito do Itatiaia (Cailleux, 1957). O estudo peo- morfológico detalhado de pequenas àreas recebeu contribuição exemplar durante o ano de 1958, com a obra de Aziz N. Ab'Saber sobre a “geomortologia do sítio urbano de São Paulo”. Dois trabalhos de sipuilicativa expressão marcam o ano de 1959, elaborados “por Jean Tricart, abordundo a divisão morfoclimática do Brasil Atlântico Central é os problemas geomortológicos do litoral oriental do Brasil. A partir de então há a reali. zação de inúmeras pesquisas visando elucidar as influências das oscilações paleoclimáticas quatecnárias nas diversas regiões brasileiras, e as oscilações custáticas, destacando-se nesses setores contribuições variadas de Aziz N. Ab'Saber, João José Higarella, Margarida M. Penteado, Jean Tricart e André Cailicux, entre muitos outros. Em 1965, Joãv José Bigarella e colaberadores apresentaram, em número especial do “Boletim Paranaense de Geografia”, seis contribuições que focalizam diversos aspectos relacionados com a Geomorfologia do Qualernário. A preocupação interdisciplinur ligada aos estudos sobre o Quaternário propiciou a criação da Comissão Brasileira para o Estudo do Quaternário, no âmbito da Sociedade Brasileira de Geologia, em 1973. No ano de 1944, em capítulo inserido na obra “ Brasil: à terra e o homem”, organizada por Araldo de Azevedo, Aziz N. Ab'Saber apresentou à mais completa abordagem global sobre o relevo brasileiro c seus problemas, constituindo levantumento das informações disponíveis, apresentação dos problemas pendentes e reunindo praticamente toda à bibliografin geomorfológica existente até 1960. A importância das depressões periféricas e superfícies aplainadas na compartimentação do Planalto Brasileiro foi assunto de amplo trabalho critico, em 1965, redigido por Aziz N, Ab'Saber. Em 1968, dois campos de trabalho receberam tra- tamento avolumada, representados pelas contribuições de Margarida M. Penteado sobre a “geomorfologia do setor centro-orienlal da Depressão Periférica paulista”, caracteri- zado pelo minucioso mapeamento gcomorfológico sobre esse amplo setor. e de Antonio Christofoletti sobre os processos morfogenéticos no município de Campinas. No transcorrer dos últimos anos foram realizadas inúmeras pesquisas. mas no con- junto deve-se destacar a preocupação em utilizar novas técnicas de pesquisa, em enve- redar por novos tipos de problemas e em aplicar interpretações com base em novas teorias Intradução à geomorfologia 23 geumorfológicas. A difusão de novos conceitos e teorias fai desenvolvida de modo mais intenso, é o cuidado com à tratamento didático das questães peomorfológicas culminou no ano de 1974, com a publicação de dois livros textos, de nivel universitário, elaborados por Margarida M. Penteado (*Fundementos de Geomorfologia") c Antonio Christofoleui (cGeomortologiu") Sobre à literatura geomorfológlca brasileira, relacionada com esse período contemporâneo, uma abordagem panorâmica é apresentada por Christofo- letti (1979. BIBLIOGRAFIA Ab'Saher, Aziz Nacib, “A Geomorfologia no Brasil”, Notícia Geomorfológica (1958), 1 (2) pp. 1-8, Campinas. 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Considerando a dificuldade de se encontrar uma denominação geral satisfatória, prefe- rimos conservar a de vertentes, denolundo sob essa rubrica os Processos moriogenéticos vas formas, sendo que essas são representativas dos sistemas morfogenéticos e não de processos particulares. Em seu sentido amplo, vertente significa superficie inclinada, não horizontal, sem apresentar qualquer conotação genética ou locacional. As vertentes podem scr subaéreas om submarinas, podendo resultar da influência de qualquer processo, c, nesse sentido amplo, abrangem lodos os elementos componenles da superfície terrestre, sendo for- madas pela ampla variedade de condições internas c externas. As pertentes endegenéticas são aquelas que devem a sua existência aos processos que se originaram no interior da Tetra torogenia, epirogênese, vulcanismo), porque cada um desses processos martifica a posição altimétrica v a orientação das vertentes preexistentes, podendo também pro- Uuzir vertentes inteiramente novas. As pertentes exogenóticas são aguclas que resultam dk ação dos processos que têm sug origem na superficie terrestre, ou próximo dela, sendo controlados pelos fatores externos. Os Processos cxógenos (metrorização, movimentos de massa, ablação, transporte, deposição) tendem a reduzir a puisagem terrestre a deter- minado nível de base (o principal é o nivel do mar). Os processos acurulativos do nivela. mento das paisagens são denominados de gradação, que envolve o rebuitamento de áreas pela degradação c o entulhamento de outras por agradação. Os processos endogenéticos « exogenéticos interagem para produzir as formas da superficie terrestre, continentais c oceânicas, Considerando que us processos endógenos Pertencem Ho âmbito da geodinâmica, e que qualquer gue seja s origem endogênica pri- mitiva toda vertente está esculpida pelos processos exogénos, cm maior ou menor grau, podemos afirmar que as vertentes representam a categoria de formas que se constitui no objeto primordiul da geomorfologia, pois são os componentes básicos de qualquer paisagem. Surge, portanto, a necessidade de se encontrar uma definição mais precisa par às vertentes. Contormo Jan Dylik (1968), a vertente é umá forina tridimensional que foi modelada pelos process de denudução, amantes no presente ou mp passado, e represen- sando a conexio dinâmica entre o intesflúvio e o fundo do vate. Os elementos que o levaram a propor a definição acima são: a) 0 limite inferior da vertente somente possui um valor de orientação, pois o leito de um rio não pode defini-lo senão em casos excepcionais. Como são os processos morfo- Vartentes: processos e formas 27 genéticos que determinam a natureza da verterite, esta termina justamente onde os processos que Ihc são próprios deixam de atuar, sendo substituídos por outros. Pela mesma razão, a presença de descontinuidades naturais, como terraços, pedimentos, falésias e outras, condicionam alterações bruscas nos processos atuantes e devem ser levadas em consideração no ato de delimitar a parte inferior da vertente; b) o limite superior da vertente é muito dificil de precisar. Nem sempre pode-se identificá-lo com a linha de partilha das águas, mas o limite superior deve indicar à extensão mais distante e mais alta da superficie de onde provém um transporte continto de matcriais sólidos para a base da vertente; c) O limite interno, que lhe dá a terceira dimensão, é constituido pelo embasamento rochoso au pela superfície de ataque da meteorização. Por outro tado, a cobertura de depósitos correlativos apresenta certa espessura, testemunhando os processas morfope- nélicos que modeluram à vertente em um passado muis uu menos remoto. Nessa perspec- tiva, surge à quarta dimensão, a tempo-espaciul, que enriquece a noção de vertente; d) o processo atuante é representado pelo escoamento que ocupa posição excepcional em relação aos demais processos. O escoamento é um grupo de processos que abarca toda uma série de mecunismos, desde os que estão próximos aos movimentos de: massa até Os que se asserclham aos processos fluviais, Tais processos morfogenélicos são os responsáveis pola dinâmica e pelo relacionamento funcional de todas as partes da vertente A MORFOGÊNESE DAS VERTENTES 4. OS PROCESSOS MORFOGENÉTICOS Os processos morfogenéticos são os responsáveis pela esculturação das formas de relevo, representando a ação da dinâmica externa sobre as vertentes. Esses processos não agem separadamente, mas em conjunto, no qual à composição qualitativa e a intensidade das fatores respectivos são diferentes. Esses conjuntos de fatores responsáveis pela cla- boração têm desenvolvimento diferente e a suu cficácia é igualmente variada, contorme O meio no qual agem, Fis a razão pela qual é possivel distinguir os vários sistemas mor- fogenéricos e as regiões morfogenéticas. Os processos morfogenélicos constituem fenômenos de escala métrica ou deça- métrica, e O seu estudo traz informações de ordem teórica c prática. No âmbito trórico, explica a evolução das vertentes e a escuituração do relevo, e no campo prático fornece informações a propósito da melhor aplicabilidade das técnicas de conservação dos solos. Considerando os processos isoludumente, podemos distinguir us seguintes categorias impottantes na morfogênesc do modelado terrestre, mai 1. Meteorização ou intemperismo, É a responsável pela produção de detritos a screm erosidos, constituindo etapa na formação do regolito; representa pré-requisito neces-, sário para a movimentação de fragmentos rochosos ao longo das vertentes; pode-se dislinguir entre a meteorização química e bioquímica, “responsável pela decomposição dus rochas, e a meteorização física, responsável pela fragmentação cas rochas. No que tange à fragmentação rochosa, três processos assumem importância básica: a termoclustia resulta das oscilações do calor entre o dia e à noite, ocasionando ampli- tudes altas de temperaturas, Essas elevadas amplitudes ocorrem de modo mais comum nas áreas desérticas, e a alternância sucessiva de dilatação e contração provoca a frag- mentação rochosa. Ela é fenômeno lento e variável conforme as rochas e suas caracterii ticas (cor, polimento, textura é estrutura); a «; clastia resulta da alternância de guo- -degelo, sendo fenômeno comum nas zonas periglaciárias, Nas superfícies horizontais, 9 solo allcrnadamente gelado e degelado sofre uma mistura, intricamento dos materiais, cujo processo recebe o nome de crioturbação ou geliturbação; a halociastia resulta da 28 Geomorfologia cristalização é estufamento dos sais, podendo ocorrer nas zonas litorâneas e nos desertos. “Vambém é responsável pola fragmentação de rochas, é os resultados são semelhantes aos da crioclastia. Da mesma forma, 08 fragmentos intricam-se gerando o processo de haloturbação. 2. Movimentos do regolito. Corresponde a lados os movimentos gravitacionais que promovem a movimentação de partículas ou partes do regolito pela encosta abaixo. Implicitamente considera-se que à gravidade é a única força importante e que nenhum meio de transporte está envolvido, como o vento, água em movimento, gelo € lava em fusão. Embora a água em movimento esteja excluída do processo, a presença dela exerce Tunção importante no movimento do regolito por reduzir v cocficiente de fricção c por aumentar o peso da massa intemperizada, preenchendo os espaços entre os poros. O gelo também pode lubrificar e aumentar o peso das Iragmontos rochosos, acelerando o movimento do regolito. Os processos mais importantes são: a) rastejamento (creep ou reptação) — corresponde ao deslocamento das parti culas, promovendo movimentação lenta € imperceptível dos vários horizontes do solo. A velocidade do rastejamento é maior na superficie e gradualmente diminui com a pro- fundidade, chegando a ser nula, tornando-se incapaz de desgastar ou causar abrasão nas rochas soterradas. Várias são as causas do rastejamento, podendo-se vitar o pisotcio do gado, o crescimento de raizes e o escavamento de buracos pelos animais que podem gerar uma sérié de movimentos minúsculos às partículas terrosas. O rastejamento tam- bêm é auxiliado pela presença da água, em sua forma sólida ou líquida. A expansão provocada pelo congelamento ou pela umidificação faz com que a partícula sg eleve em direção perpendicular à superíícic, caquanto à contração relacionada com o degelo e dessecamento faz com que a mesma sc abaixe no sentido vertical, c isso normalmente ocasióna uma movimentação das partículas para jusante. A velocidade do rastejamento é de poucas centimetros por ano, ou menos, e pode ser perceptível em postes, muros e árvores (Fip. 2.1). ARO CA CEE A aa dE pre OVNI: DD oa Figura 2.1 À reptação pode ser vista através de vários indicias, tais como o deslacamento de blocos (A); 4 presença de árvores com troncos recurvados (B); acamução pura jusante de blocos intem- periados e fraturados (C); o deslocamento de postes, cercas e marcos (D); o deslocamento ou rupturas de muros e muretas de proteção (E); « existência de rodovias ou ferrovias fora do alinha- mento (F); à presença de matações rolados, (G), e à acorrência' de cascalheiras ou linhas de frag- mentos rochosos (stue lines) nu base do regolito em reptução (H) Vertentes: processos e formas 29 b) solifiuxão e fluxos de lama — a solifluxdo corresponde aos movimentos coletivos do regolito quando este se encontra saturado de água, podendo-se deslocar alguns con- b limetros ou poucos decimetros por hora ou por dia. Ocarre quando de uma camada impermeável do regolito impede à penctração da água, provocando a concei Urano mada sobrejacente. Rompido 0 limite de fitidez (quantidade de acima da qual o tetreno se compória como um líquido), há um fluir de uma perte do regolito pela vertente. Uma camada de argila ou a camada rachosa do embasamento impermeável pode provocar a solifluxão, mas a melhor condição é exercida pela camada permanentemente gelucia dos solos das regiões frias. É nas áreas poriglaciárias que o processo é muito comum, pois durante o rápido degelo cstival da superfície do solo há excesso de água saturando-o. A fim de distinguir esse processo daquele que se verifica cm todas as zonas, o mesmo foi designado como geliftuxão. Os fluxos de terra ou fluxos de lama são movimentos do regolilo muito similares à solifluxão. A diferença é que são mais rápidos e atingem áreus maiores, Os fluxos de terra são comuns onde uma camada de argila está soterrada por areia. A argila, apesar de suturada de água, é estável, a não ser que seja perturbada por choque explosivo, ter- remoto ou carga artificial excessiva. Desde que as tênues ligações entre as partículas argilosas e à água sejam rompidas, a massa liquefaz-se expontaneamente. Ocorrência desse fenômeno é comum nas regiões periglaciárias e nas áreas alctadas por abalos sis- micos, como o acontecido no Alasca em 1964. o) avalancha — é o fluxo coletivo do regolito mais rápido que se conhece, movi- mentundo cnormes volumes de materiais. Quanto à composição, a avalancha pode com- preender tanto as inteiramente constiluídas de gelo e neve até às formadas predominante- mente de fragmentos rochosos. A avalancha, de modo geral, começa com uma q livre-de- uma massa rochesa, qn de. gen, que é pulverizada no impacto 6 corre a prar velocidade, em vista da fluidez adquirida pela pressão do ar aquecido e água retida dentro da massu, Arthur Bloom (1970) fornece desurição da avalancha que destruiu à região ao redor de Ranrahirca, Peru, no dia 30 de junciro de 1962, e que por estimalivas óficiais matou 3500 pessoas. d) deslizumentos — são deslocamentos de uma massa do regolito sobre um embasa- mento ordinariumente saturado de água, A função de nível de deslizamento pode ser dada por uma rocha sã ou por um horizonte do regolito possuidor de maior quantidade de clemcatos finos, de siltes ou argilas, favorecendo atingir de modo mais rápido o limite de plasticidade e o de fluidez, No sudeste do Brasil dois fatores contribuem para à ocor- rência de deslizamentos: a prolongada estação chuvosa e a declividade relativamente acentuada das vertentes, Dessa maneira, na Serra do Mar, na da Mantiqueira, e nos immúmeros morros isolados das baixadas litorâneas, os deslizamentos acorrem anualmente Som maior ou menor intensidade. Por vezes, como em 1956, em Santos, em 1967, na área de Caraguatatuba, e em 1971, na Serra das Araras, assumem aspectos de catástrofes. €) desmoronumentos — é o deslocamento rápido de um bloco de terra, quando o solapamento criou um vazio na parte inferior da vertente, Geralmente ocortem em ver- tentes-Íngtemes, sendo comuns nas falésias litorâncas, nas margens fluviais e em muitos cortes de rodovias e lerrovias. 3. O processo morfogenético pluvial, Esse processo é dos muis generalizados e impor- tantes na esculturação das vertentes, podendo-se distinguir entre a ação mecânica das gotas de chuva e o escoamento pluvial. O primeiro impacto erosivo dos solos é propiciado pela ação mecânica des gotas de chuva, que promove o arrancumento e deslocamento das partículus Lerrosas. Essa ação mecânica é exercida por causa da energia cinética das golas, variável de acordo com o tamanho e a velocidade das mesmas. Em geral, as golas atingem a velocidade terminal, qualquer que seja o diâmetro delas, quando a distância percorrida ultrapassa oito metros 30 Geamarfologia Tabela 2.1 Velovidade lerminal c altura de queda uecessíria para atingi-la (Dados de 3. O, Laws; R. Gunn e G. Kinza). Altura da queda necessária para Velocidade term elocidade lerminal atingir 95%, da velocidade Diâmetro da gota (am) (m/s) tctiinal (em melros) 025 nu , so 20 » 100 49 22 2,00 45 so 3,00 81 n2 avo 8 ja 500 9! 6 600 23 1 (Tab. 2.1). Os dados contidos no referido quadro referem-se a gotas de chuva particulares. Para se calenlar a ensrgia cinética de uma chuva é preciso conhecer o formato das gotas, a sua quantidade respectiva e a quantidade de água precipitada, O impacto das gotas de chuva provoca movimentação das partículas de lorma inconstante; a mesma partícula dra pode ser atirada a jusante, ora à montante, conforme u posição frente ao impacto da gota quea atinge. Não há adição imediatu dos efeitos de montante para jusante, embora O saldo, em conjunto, seja positivo nessa direção. Esse movimento de partícults, cm direção inconstante, é denominado de saltitação ou splash erosiom. As areias finas são as particulas mais susceptíveis de screm transportadas pela” saltitação, podendo ser lançadas a 1,50m de distância, enquanto as partículas de 2 tom podem ser lançadas a 40 cm, e as cc 4mm a 20 em de distância. Se individualmente a ação mecânica promovo o transporte das partículas a pequenas distâncias, cm conjunto esse processo torna-se o responsável por um remanuscamento de grande quantidade da superficie do solo. O impacto da gota (az as particulas seltarem com uma força igual & em todas as direções. Nas vertentes inclinadas, as partículas dirigidas a jusante alingem uma distância maior do que as dirigidas a montante e, sendo constantemente retomadas, sofrem deslocamento do topo para o sopé das vertentes, Embora seja dificil precisar a quantidade de material carreado das vertentes pela saltitação, há dados velativos ao volume do material movimentado pelas gotas, W. 1). Tillison calcula que uma precipitação de [00 mm pode movimentar mais de 300 t de solo por hectare, c G. R. Free observa que uma chuva de 25mm provoca o deslocamento de 15 t/ha, O impucto da chuva engendra a primeira fase du morfogênese pluvial, mas essa influência direta é relativamente cfêmera. O processo de transporte mais importante é 9 escoamento pluvial, que começa a aparecer quando a quantidade de água. precipi é major que a, velocidade de infiltração, Os minúsculos filetes de águu que então se formam, devido às asperezas da superficie e a existência da cobertura vegetal, são incessantemente freadas e desviados de sou curso, mas vão sc engrossando à medida que descem a encosta, £ quando se concentram formam as enxurradas. Há, pois, necessidade de se di tinguir ente O escoamento pluvial difuso, quando as águas escorrem sem hieryrquia e fixação dos leitos, anastomosando-se constantemente, e o escoamento concentrado ou enxurradas, quando as águas se concentram, possuindo maior competência erosiva e fixando o leito, deixando marcas sensíveis na superfície topográfica. Tais sulcos são conhecidos como ravinas, Nas áreas argilosas de regiões secas, como no Oeste dos Estados Unidos, as ravinas assumem densidades muito elevadas, caracterizando as badiands. O transporte efetuado pelo cscoamento pluvial ateta as particulas deslocadas pelo impacto direta das gotas de chuva e as erodidas diretamente pelo escoamento, através do solapamento de suas margens. A velocidade das águas e à rugosidade da superfície Vertentes: procassos e formas 31 acasionam o turbilhonamento, colocando em suspensão as particulas mais finas. Essa categoria de sedimentos é transportada até us riachos, ou até cessar o escoamento do filete de água. As partículas mais grossciras são arrastadas pela corrente, quando o movi- mento ascencional do turbilhonamento atingir valor elevado. Esse movimento é inter mitents e o deslocamento dos grãos é feito por sultação, pois através de saltos constantes são carregados sempre em direção de jusante. “Forna-se óbvio que a escoamento concentrado é característico das vertentes des- nudas. Sob cobertura vegetal, sobretudo sob a cobertera florestal, o escoamento difuso é o domihante, e as possibilidades de ravinamento são diminutas. 4. À ação bivlógica. A ação morfogenélica dos seres vivos também sc faz presente no mydelado das vertentes, As plantas possuem dupla ação. Através das raizes provocam o deslocamento de partionlas, aumentam a permeabilidade do solo, intensificam as ações bioquímicas c retiram nutrientes; é a função de desagregação c empobrecimento. Por outro lado, han- cionam como camada interceptadora frente à ação mecânica da chuva, como obstáculo ao escoamento pluvial € aos ventos, c, através do fornecimento de humus, como fator tie agregação dos solos. Quando se verifica a desabamento de árvores, de modo natural, ocorre movimentação de terra na superfícic da encosta. A ação dos animais efetua-se alravés dos vermes, fuçadores, formigas e termitas. Os vermes (minhocas) existentes nus camadas superficiais do solo, digerindo a terra, promovem a diminuição granulométrica das particulas. Os fuçadores, ao escavarem suas tocas, deslocam as partículas para jusante. Às formigas, com presença generalizada, escavam galerias no solu, facilitando à permeabilidade c infiltração, e removem par- ticulas das profundidades para a superfície. Essc material é desapregado c facilmente carregado pula água. As termitas constrocm scus ninhos sobre o solo, carrcando materiais da profundidade. Em suma, a influência morfogenética dos animais é mais ativa, e a du vegetação mais passiva. RB. OS SISTEMAS MORFOGENÉTICOS O cstudo dos processos morfvgenéticos demonstra a importância que o fator climá- tico assume no condicionamento pata a esculturação das formas de relevo. Sulienta, também, que dois conceitos básicos estão implicitamente envolvidos: que processos marfogenéticos diferentes produzem formas de relevo dil rentes; e que as características da modeludo devem refletir atê certo ponto as condições climálicas sob as quais se desenvolveu a topografia. Baseado nesses principios, decorre o corolário de que as cou- segiiências das ascilações climáticas porem ser teconhecidas através de elementos espe. eíficos da topografia, constituindo as formas relíquias que ainda não se adaptaram às novas condições de fluxo de matéria e encrgia. Individuslmente, os processos morfogenéticos possuem uma dinâmica própria e são elementos componentes de um conjunto maior, refletindo a influência do clima regional, Fisse conjunto é denominado de sistema morfogenético, formando uma estrii- tura perfeitamente caracterizada, pois: É — a estrutura não é reduzível à soma de suas partes. Cada processo pode sc integrar e ser encontrado em diversos sistemas morfogenéticos, mas q seu papel sc modi- ficará em função das condições gerais c dos demais processos aos quais está associado: ii — a estrutura é um sistema de relações, Os processos inter-relacionam-se em um verdadeiro conjunto; jii — à estrutura é ordenada e possui uma dominante. Em cada sistema podem ser encontrados inúmeros processos comuns aos demais; todavia, todos os processos não possuem a mesma importância cm cada sistema, compondo uma certa hierarquia, mas 32 Geomurfologia um deles será o predominante e fornecerá a característica básica de determinado sistema morfogenético, implicando a existência de relações variáveis entre os processos. Por exemplo, a alternância gelo-degelo constitui a dominante no sistema mortogenético periglaciário, mas é clemento subsidiário no sistema desértico ou no temperado; da mesma forma, a meteorização bioquímica é intensa nos sislemas tropicais úmidos, mas é reduzida nos sistemas desérlicos c frios. A verificação de semelhanças no modelado regional, aliada aos tipos de vegetação s aos solos, permite distinguir as regiões morfogentticas, Essa noção foi introduzida Primeiramente por Julius Biidel (1944), utilizando 6 termo Formkreisen, mas ganhou realce a partir de 1950, O seu conceito é o seguinte: “sob um conjunto determinado de - condições climáticas, predominarão processos geomórficos particulares que, por sua vez, imprimirão à paisagem da região características que a tornarão distinta de outras áreas desenvolvidas sob condições climáticas diferentes” ( hornbury). Nota-se, portanto, que * a região morlogenética nada mais é que a expressão areal do sistema morfogenético. Como tais sistemas são dependentes dos tipos de clima, facilmente se depreende o con- ceito de região ou zona morfoctimática. Várias foram as tenlativas realizadas a fim de reconhecer as regiões morfoclimáticas do globo terrestre, e pudemos classificâ-las em três categorias, clussificações indutivas, sintéticas e objetivas. É As classificações indulivas. A primeira tentativa para definir as regiões morfo- Slimáticas foi a de LC. Pelticr (1950), posteriormente adaptada por L. B. Leopold, M. G. Wolman e J.P. Miller (1964). Os fatores climáticos foram reduzidos por Peltier a dois parâmetros, a lemperatura média anual c à precipitação média anual, e o autor então examinou os efeitos hipotéticos de tais valoros sobre u meteorização e provessos mor- Fagenélicos. Observou que a metcorização quimica se acontuava de acordo com o aumento da pluyiusidade e temperatura, e que a influência da gelivação era muior de acordo com as temperaturas baixas c precipitações moderadas. Combinando ambas, Peltier estava apto a definir as regiões quanto à meteorização, em termos de temperatura e precipitação. “Tratamentos similares foram realizados a propó: dos movimentos coletivos do regolito, = 2000 1500 precipitação médio onual (mm) savang temperaturo média anual (ºC) semidrido temperado Figura 22 As características climáticas dus regiões morfogenêticus ostabelecidas por Pellicr (1950) Vertentas: pracassos a formas 33 ação cólica e erosão pluviul, sendo que todos são influenciados pelo clima através de relações complexas entre a precipitação, evaporação, escoamento c cobertura vegetal. A combinação de tais resultados serviu para definir uma série de regiões morfogenéticas, (Fig. 2.2), cujas características climáticas e os processos morfogenéticos das nove regiões prapestas por Peltier estão inseridas ma Tab, 2.2. Várias são as criticas que se pode lazer sobre a classificação de Peltier, Os fatores climáticos que foram selecionados somente fornecem uma pálida imagem das relações entre precipitação/umidade do solo e escoamento; não se leva cm consideração a inten- sidade c a Iregiiência dos aguaceiros e cheias, que possucm importante significação geo- morlológica, Nota-se também que os efeitos oriundos dos processos são esboçudos cm linhas amplas, fornecendo impressões gerais e não dados quantitativos mais precisos Por outro lado, as características morfológicas referem-se “os processos morfogenéticos e não aos tipos de formas de relevo. Tabela 2.2 As caracicrísticas climálicas c os processos atuantes nus regiões cstabelecidas por Pelticr (1950) Limites caiculados o das médias anuais Região moropenética Tm Predp, CO em tu) Características morfológicas Glacial -18a 7 0-1 150 — erosão glaciária — nivação — ução do vento 125-1400 — movimentos coletivos acentuados — ugão do vento de moderada a forte — efeito dêbil da águu corrente 250-1500 -- ação modorada da gelivação — ação do vento moderada u levo efeito modorado da água corrente acentuada ação dos movimentos coletivos ação da Agua corrente moderada a forte 1400-2300 — ação acentuada dos movimentos coletivos - love efeito da lavagem nas ver- tentes ação nula do vento efeito máximo da água corrente — moderada ução dos movimentos coletivos — love ação du gelivação nas áreas mais frias — ação insiguificunto do vento, ex- ecto nos litorais 650 -E300 — ação da água corrente de forte à débil — ação moderuda do vento 2229 250 650 — ação forte do vento , — ação da água corrente moderada. a forto 400 — ação forte do vento ação leve da água corrente c dos movimentos coletivos Periglacial “acl Boreal -9u 3 1300-1900 Maritima Zu 2 Selva l6a 29 Moderada 3a 29 900.2 500 Savana 2a 29 Semiárida árida 3a 29 34 Geomorfologia "Tanner (1961) propôs uma outra classificação, e procurando utilizar parâmetros climáticos mais significativos, substituiu a temperattira média anual pelo valor da evapo- ração potencial, pois us relações entre à precipitação e u evaporação fornecem um índice mais real das disponibilidades em água. O outro parâmetro empregado foi a da precipi- tação média antat. () referido autor considera que para à geomoriólogo existem quatro tipos climáticos principais, sendo que os subtipos poderiam ser examinados após firme- mente estabelecidos os primeiros, os quais são úmido (selva), quente e seco (árido), frio e seco (glacial, tundra) e lemperado (umidade moderada) (vide Fig. 2.3) Precipitoçõo anual mécio imm) OVO 540 100 200 199.70 5040 30 20, Or s43 q 1 ' ma SER oro ARBI eegmino ET usojrera, Ee ogsosodoag po o F ho 8 a - e sc jo Ú e . na : Figura 23 A delimitação climálica das regiões morfogenéticas cstabelecidas por Tanner (1961) Um data mais recente, Lee Wilson (1968) apresentou uma nova classificação mor- fogenética, baseando-se no estudo das relações idealizadas entre o vlima e os vários processos morfogenéticos. O resultado foi o reconhecimento de seis sistemas morto- genéticos: glacial, periglacial, árido, semiárido, temperado úmido é selva. Para cada região estabeleceu 9 tipo de clima equivalente de acordo com 1 classificação de Kocppen, Os processos dominantes e as características da paisagem. A Tab, 2.3 esquematiza a sua divisão, . As classificações acima, pressupondo o controle climático das formas de relevo, apresentam problemas semelhantes aos da distinção das regiõos climáticas. Enquanto es climatótogos, seguindo a concepção de Koeppen, selecionam limites climáticos de significação biológica como critérios para a regionulização, em nossa ciência o problema maior reside na escolhu dos limites de significação geomoriológica. Algumas ocorrências, tais como a fregijência da alternância gelo-dcgelo no decorrer do ano, são facilmente teconhecidus, € não é de se estranhar que os trabalhos mais precisos sobre os processos controlados pelo clima estejam relacionados com os fenômenos periglaciários. Embora haja tentativas para encontrar os limites de precipilação e de temperatura que sejam significantes, o problema permanece ainda inteiramente aberto. Não há nenhuma razão para que os parâmetros utilizados pelos climatólogos tenham significação geomoifotógica, e, devido à complexidade dos fenômenos morfogenéticos, a delimitação das regiões morfogenélicas talvez ganhe impulso e maior precisão com o emprego das técnicas de nálise multivariada (análise fatorial, análise de grupamento c análise dos componentes), no estudo dos sistemas de processos-respostas que lhc são inerentes. 2. As classificações sintéticas. As classificações inseridas nesse item também acatam 9 postulado da influência climática sobre o modelado, pois pressupõem áreas de topo- grafia homogênea perfeitamente definidas e que os seus limites e extensão podem ser interpretados de acordo com as caracteristicas climáticas gerais. É uma perspectiva Vertentas: processos e formas 35 Pabela 2.3 Os sistemas imorfogenélicos distinguidos por Lee Wilson (1968) Nome do sistema e Processo dominante Caracteristica da paisagem tipo climático Glacial (er) — placiação — polimento glaciário — nivação — topografia alpina — ação eólica — morainas, kames, esters Perigtecial (EM — gelivação — solos potiganui (ET) (EM) — soliflução — vertentes de soliftuxão, ló- hulos, terruços (De — água corrente — planícies de lavagem Árido (BW) — dessecação — dunas, playus — ação cólica — bacias de deflas — água corrente — vertentes angulares, riachos Semiárido (Bs) — água corrente — pedimentos, fans (snbríimido) (Cura) — metcorização — vertentes angulares com de- (esp. mecânica) tritos grosseiros — rápidus movimentos coletivos — bradlands Temperado úmido (Ch) - dgua corrente — vertentes suaves, solos co. bertos - meleorização — uristas e valos (esp. quimica) rastejumento c outros movimentos cotetivos — extensos depósitos aluvivis Selva (49 meleorização química — vertentes acentuadas, eristas truncadas (Am) moviínentos coletivos — solos profundos (inclusive Interitas) água corrente — recifes sintética e cronológica, pois inicialmente procuram definir as regiões mortoclimáticas e a investigação dos mecanismos inerentes pode scr efetuada após o reconhecimento de tais áreas. Duas classificações podem ser aqui mencionadas, a de Jean Tricarl é André Cailleux ea de Julius Bidel. Tricart e Cailleux (1965) distinguem as zonas morfoclimáticas através dus seguintes critérios, a) a existência das grandes zonas climáticas e biogengráficas, que fornecem as divisões maiores; b) as diferenças climáticas ou biogeográficas, com- binadas com as palecctimálicas, servem para estabelecer subdivisões em cada uma das grandes zonas precedentes. A classificação proposta é a seguinte: i— Zoma fria, chracterizada pela importância predominante do pelo e subdivi- dindo-se em: jo, onde O escoamento da água se faz na maior parte sob a forma b) domínio periglaciário com escoamento liquido sazonário, mas onde a formação do gelo no soto atua de modo importante na morfogêncsc dos interttúvios. ii — Zona florestal das latitudes médias, com modificações inseridas pelo homem e sobrevivências de formas glaciárias e periglaciârias do Quaternário. Subdivido-se em: 8) domínio maritimo com inverno ameno, apresentando reduzida ação do geto e forte sobrevivência de formas glaciárias e periglaciárias; b) dominio continental com invernos rudes, apresentando intensa ação do gelo atual e quaternário, podendo até permitir sobrevivência de permafrost do Quaternário; 36 Geomorfologia e) domínio mediterrâneo com verões secos, onde é pequena a influência das sobre. vivências pcriglaciárias quaternátias, — Zonas áridas e subáridas das baixas e médias Intitudes, caracterizadas por Uma cobcrtura vegeta! pouco densa € escoamento intermitente das águas locais. Duas subdivisões importantes surgem em função do: “) grau de secura, levando à distinção entre desertos e árcas semiáridas; 8) da temperatura itvernal, distinguindo regiões com frio invernal (desertos frios) e regiões quentes (desertos quentes), iv — Zona intertropical, onde as temporaturas permanecem sempre elevadas c a umidade é abundante para permitir o escoamento [luvial, Distingue-se em: 2) dominio das suvanas, apresentando cobertura vegetal mtnos densa É Pluvio- sidade menor, sendo caracterizadas Por um escoamento difuso considerável e uma alteração quimica descontinua no tempo; b) domínio das florestus, com. densa cobertura vegetal e elevada umidade, onde as ações químicas e bioquímicas apresentam sua múxima intensidude. Julius Búidel (1963, 1969), considerando a necessidade de reconhecer tanto as influên- cias fósseis como as tontemporâneas c combinando fatores climáticos e aclimáticos (petrografia, epirogênese, nível de buse, intlvência do relevo global e influências humanas), apresenta a seguinte classificação das zonas morfoclimáticas (Fig, 2.4): -*.) Zona de glaciares. cão de vales. ZE tona de formação pronunciada WIRE zono tropical ce formação de superfícies de vales de aplanação. Zona axtra-tropical da formação de voles, Figura 2.4 As zonas morfoclimáticas da Terra, conforme Diidel (1963) [HM zono subtragicor de padimento e de tormo- Vertentas: processos e formas 37 i— Zoria dos glaciares (regiões polares e montanhas clevadas); ii — Zona de formação pronunciada de vales (partes das regiões subpolares atual- mente lives do gelo, mas apresentando solos gelados); iii -- Zona extratropical de formação de vales, englobando a maioria das regiões das latitudes médias. Na atualidade cla é caracterizada por processos moderadamente ativos e, regra geral, subordinados aos testemunhos fósseis dos períodos glaciários; iv — Zona subtropical de pedimentos e formação de vales, constituindo uma tran- sição entre as zonas Ce FE é internamente muito diferenciada; v — Zona tropical de formação de superfícies de aplainamento, englobando as regiões florestais úmidas, sendo que v processo é particularmente ativo nas regiões sazonariamente úmidas. As classificações acima são gerais e empíricas, tornando-se dificil a delimitação precisa, embora os traços globais possam ser reconhecidos. 3. Classificações objetivas. As tentativas relacionadas com critérios objetivos de defi- nição das regiões morfogenéticas são muito reduzidas, mostrando caminhos diferentes dos Lrilhados pelas demais classificações. L.C, Peltier (1962) realizou um estudo morfométrico através de amostragem, sele- cionando aleatoriamente mapas topugrálicos de acordo com as coordenadas geográficas. Por causa da grande variabilidade nas escalas dos mapas disponíveis, ele mediu a dife- rença máxima de altitude dentro de áreas com 100 milhas quadradas, é usou tais dados para calcular o relevo médio e a declividade média; classificou as localidades umostradas em grandes grupos climáticos (tundra, microtermal, mesotermal € tropical) e calculou “ número médio de canais [luviais, por milha, como sendo representativo da medida da textura topográfica. Cansiderando a declividade média e o número médio de canais fluviais como os parâmetros principais, construiu um gráfico (Fig, 2.5) no qual se observa que as curvas médio (em graus) Ceclividade Do 08 16 24 SE ag Número médio de canais de drenagem (por krê) Vigura 25 Caracteristicas morfométricus das grandes regiões climáticas, conforme Pelticr (1962) 38 Geomorfologia representativas dos desertos e dos climas mesotermal e mivrotermal são sensivelmente paralelas, embora com deslocamentos laterais devido a mudanças quanto ao escoamento superficial, e que as curvas para as áreas tropicais e glaciárias são anômalas, Tais com- portamentos denunciam a cxistência de bases objctivas para diferençar as paisagens gla- ciais, tropicais e fluviais, mas que as distinções dentro do conjunto desértico, semidesérlico é Tluvial temperado não são da mesma ordem. Uma scgunda tentativa foi realizada por Nel Caine (1967), com base no índice de denudação, isto é, a velocidade média com que a superfície de determinada bacia de drena- gem está sendo rebaixada. Levando em consideração os dados disponíveis observou aue hã um contraste acentuado entre as áreas montanhosas e us planas, mormente nas de climas frios ou áridos e nas de clima subtropical. Sob tais condições, a intensidade de denudação é de pelo menos dez vezes maior nas áreas montanhosas que nas «le planícies. Esse contraste reflete a importância do relevo disponível e da declividade média sobre “5 processos morfogenéticos que são dependentes da gravidade. Após mostrar a eficácia dos sistemas morfogenéticos, foi possível sugerir um esquema hierárquico simples das regiões morfogenéticas, em função da intensidade da denudação, Em primeiro nível, há que so distinguir as áreas montanhosas das de baixadas, pois refletem O relevo e a encrgia livro disponível e não possuem nenhuma conotação climá- tica. O primeiro grupo pace ser, em segundo nível, subdividido em dois outros, acentuada- mente controlados pelo clima, que são as regiões áridas « us que podem ser designadas como fiuviais. Comparável a cssas duas divisões sevundárias, quanto à natureza, mas surgindo diretamente da distinção entre áreas montanhosas é de baixadas, é a região mortogenética glaciária. Esse sistema pode ser sumariado da mancira seguinte A PAISAGEM — MONTANHAS o º e BAIXADAS ÁRIDA FLUVIAL ARIDA FLUVIAL ULACIAL Na classificação acima, as distinções realizadas têm significância para a dinâmica dos processos morfagenéticos envolvidos. A principal distinção deriva das diferenças topográficas e da disponibilidade geral da energia, enquanto as demais são provenientes das modificações da água, líquida ou sólida, ou em sua virtual ausência. O esquema per- mite continuar a subdivisão, conforme o critério das caructerísticas morfoclimáticas oriundas da análise da intensidade de denudação verificada nas bacias de dronagem, que-vêm sendo consideradas como unidades geomorfológicas funcionais, Em conclusão, verifica-se que à perspectiva morfaclimática propiciou avanço da ciência geomorfológica nas duas últimas décadas, mas ela não abrange todos os processos e formas. Há processos que são relativamente independentes do clima, como as ondas s.0 esconmento das águas, que produzem formas específicas, como as fitorâncas e as meanros. Por outro lado, ainda são pouco conhecidas e compreendidas as relações entre climas, processos e formas de relevo. Devido à carência de pesquisas analíticas quantificativas, as classificações morfogencticas ou morfoclimáticas foram elaborulas em bases subjetivas e empíricas, dando-se ênfase ao aspecto qualitativo e representam simples modelos conceituais que podem ser usados com Pleno conhecimento de suas deficiências, 39 Vertentes: processos e formas A FORMA DAS VERTENTES A, TERMINOLOGIA E MODELOS ANÁLOGOS A descrição das vertentes fornece informações básicas necessárias à caracterização de determinada área, c ela pode ser realizada em perfil ou em plano, A terminologia empregada para descrever as parcelas componentes da vertente & assunto abordado por numerosos autores, e entre os mais recentes devemos salientar as contribuições de R.A.'G. Savigear (1956, 1967) c Anthony Young (1964, 1971). Os principais termos utilizados possuem a seguinle concrituação: — unidade de vertente, consiste em um segmento ou em um elemento; — segmento, é uma porção do pcrfil da vertente no qual os ângulos permaneecm aproximadamente constantes, o que lhe dá o caráter retilinco; . — elemento, é a porção da vertente na qual a curvatura permancce aproximada- mente constante. Pode ser dividido em elemento convexo, com curvatura positiva, quando os ângulos aumentam continuadamente para baixo, e em elemento côncavo, com curva- tura negativa, quando os ângulos decrescem continuamente para baixo; — tunvexidade, consiste no conjunto de todas as partes de um perfil de vertente no qual não há diminuição dos ângulos em direção a jusante; — coneavidade, consiste no conjunto de todas as partes de um perfil de vertente no qual não há aumento dos ângulos em direção a jusante; — segiiência de vertente, é uma porção do perfil consistindo sucessivamente de uma vonvexidade, de um segmento com declividade maior que as unidades superior e inferior, e de uma concavidade; : —ruprura de declive, consiste no ponto de passagem de uma unidade à outra. Max Derruau (1965) considera que o perfil típico de uma vertente apresenta uma convexidade no topo e uma concavidade na parte inferior, sendo que ambas estão sepa- radas por um simples ponto de inflexão ou por um segmento. Quando lais vertentes sc enconiram recobertas por um manto de detritos, com superfície lisa « sem ravinamentos, ele a denomina de regular ou normai. A declividade varia muito de uma vertente à outra, mas nas vertentes normais ela é sempre inferior u dos taludes de gravidade dos materiais. Um tipo especial de vertente, consagrado na literatura geomorfológica, é representado pela vertente de Richter, correspondendo a uma vertente lisa, sem ravinamento, mas com segmento muito longo c de declividade muito elevada (da ordem de 25º), Nem toda vertente relilínca pode receber tal designação, pois ela não sc aplica às vertentes com declividade suave ou desigual. Concovidade Segmento riocho Figura 2.6 A composição da vertente normal ou regular, conforme apresentada por Derrmau (1965). A hrca pontilkada indica o regokito 40 . Geomorfologia convexidade —. escorpa (face livre) relilinea (com detritos) concavidade Kigura 2.7 As quatro partes componentes da vertente, conforino o modelo apresentado por Lester King, em 1953 Lester €. King, em 1953, baseando-se em trabalho anterior de A. Wood (1942), propôs um modelo descritivo de perfil totalmente diferente do acima apresentado. Para ele, a vertente típica apresenta quatro partes; convexidade no topo, face livre ou escarpa retilinça, parte reta com detritos du porção superior da vertente e pedimento sunvemente côncavo (Pig. 2.7) Enquanto King considera esse perfil virtualmente universal, outros pesquisadores estão em desacordo. Todavia, o perfil assinalado corresponde ao comu- mente encontrado em regiões de rochas estratificadas, em esvarpamentos relacionadus à atividade erosiva. Por outro lado, as vertentes elaboradas em bacias de drenagem desenvolvidas em “rochas não-estratificadas ou em rochas cristalinas, como no lrasil Oriental, estão longe de se ussemelharem ao modelo descrito. Uaseando se cin seus cstudos nas áreas Lemperadas úmidas, Dalrymple, Blong e Conacher (1968) propuscram outra classificação, distinguindo nove unidades hipotéticas no modelo de perfil das vertentes (Fig. 2.8), Tais autores consideram à vertente como sis- tema complexo tridimensional que se estende do intesflúvio ao meio do leito fluvial e da superficie do solo aa limite superior da rocha não-inlemperizada. A vertente é dividida em nove unidades, cada uma sendo definida em função da forma e dos processos morfo- genéticos dominantes e normalmente atuantes subre ela. Na verdade, é muito improvável encontrar as nove unidades ocorrendo em um único perfil de vertente e nem sequer clas devem se distribuir, necessariamente, na mesma ordem mostrada no modelo. O que se torna comum é verificar a existência de algumas unidades em cada vertente, c a mesma unidade pode ser recorrenig ao longo do perfil. Portanto, o modelo apresentado pelos autores representa um padrão ideal para ser aplicado na descrição « não tem nenhuma implicação para qual tipo de forma as vertentes podem se desenvolver. No tocante à descrição das vertentes, Arthur N. Slrahler, em 1950, apresentou abordagem c terminologia diferentes, dividindo as vertentes erosivas em três tipos básicos conforme o ângulo de repouso dos materiais terrestres não coesivos. Aquelas que se encontram em seus ângulos de repouso são denominadas de vertentes em repouso; as vertentes de alta coesão apresentam as maiores declividades e comumente são elaboradas em material rochoso resistente ou em argila compacta e seca, As vertentes com declividades mais suaves são designadas como reduzidas pelo escoumento e rastejamento, Os estudos atinentes a descrever as vertentes na perspectiva plana, ou areal, são muito reduzidos. Frederick R. Troeh, em 1965, publicou importante contribuição a partir do emprego de equações matemáticas. Considerando que o cone aluvial é um bom exemplo de forma de relevo que apresenta configuração superficial regular, na qual o perfil longitudinal tende à ser côncavo a montante e a curvatura das linhas de contorno ou ixoipsas tendem a ser convexas a jusante, e levando em conta que cada elemento da Vertentes: processos e formas mM / í ! Ls La ra Vos pal va [RR [RR rota vo Va Vota Lota 1 1 —— HH i Figura 2.8 As nove unidades hipotéticas no modelo de vertente apresentado pot Dalrympie, Blong é Comucher (1968). (As selus indicam a direção e intensidade relativa do movimento du rocha intem- perizada e dos materiais do solo pelos processos geomóriicos dominantes). As caracteristicas de cada unidade são sumuriadus no quadro abaixo - Unidade da vertente Processo gcomórfico dominante processos pedogenéticos associados vom movimento vertical da água superficial. cluviação mecânica e quimica pelo movimento luteral da água 1 Interílúvio (01º) 2 Dedlive com infiltração (24º) subsuperficiat. 3 Declive convexo vom reptação e formação de terracetes. reptação . , 4 Escarpa (ângulo desmoronamentos, deslizamentos, intemperismo químico e mecã- minimo de 45º) nico. transporte de material pelos movimentos coletivos do solo; for- mação de terraceles; ação da água superficial e subsuperfícial reposição de material pelos movimentos coletivos c escoamento superficial; formação de cones de dejeção; transporte de material; reptução; ação subsuperficial da água. deposição aluvial; processos oriundos do movimento subsuperii da água. corrasão, deslizamento, desmoronamento. 5 Deetive internrediário de transporte 6 Sopé colavial (ângulos entre 26º c 35%) 7 Deelive aluvial (0º-4º) & Margem de curso de água o o 9 Leito do curso de água transporte de material para jusante pela ação du água superficial; etadação periódica e corrasão. encosta pode ser matematicamente representado por uma equação quadrática, porque cada superfícic é gerada pela rotação de um segmento de parábola em torno de um cixo vertical, o referido autor apresentou a seguinte equação do segundo grau, com a finali- dade de descrever cada parcela componente da vertente, Z=PASR LR, Na qual Z = altitude de qualquer ponto da superficie; R = distância radial horizontal da ponto Z ao ápice da superficie; P = altitude do ápice da superficie; S = gradiente da declividade ao longo do raio inicial; taxa de variação de declividade
e com grande entusiasmo que agradesso ao geografo, que aborda um conteudo com grande relevancia sobre os sistemas em geomorfologia. canimambo _x0008__x0008_
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