Guia de produção do milho, Manual de Agronomia. Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFRPE)
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juliana_lima310 de Outubro de 2017

Guia de produção do milho, Manual de Agronomia. Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFRPE)

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Manueal explicando sobre a evolução na produção de milho
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cartilha 1

MILHO • TECNOLOGIA DO CAMPO À MESA 2

Índice

O Conselho de Informações sobre Biotecnologia

(www.cib.org.br) é uma organização não-gover-

namental e uma associação civil sem fins lucrativos

e sem nenhuma conotação político-partidária ou

ideológica. Seu objetivo básico é divulgar informa-

ções técnico-científicas sobre a Biotecnologia e seus

benefícios, aumentando a familiaridade de todos os

setores da sociedade com o tema.

EXPEDIENTE

Coordenadora Geral: Alda Lerayer Editor Executivo: Antonio Celso Villari Redação: Débora Marques Consultores Técnicos: William da Silva – Unicamp

Ernesto Paterniani – Esalq/USP Leonardo Sologuren – Céleres Luciana Di Ciero – Esalq/USP

Apoio Operacional: Jacqueline Ambrosio Erika Nakamura

Projeto Gráfico: Sérgio Brito Imagens: Agência Estado / Arquivo CIB

• Um pouco de história 4

• Origem 4

• Domesticação – Ação do homem 5

• Genética Clássica 6

• Milho híbrido 6

• Biotecnologia 7

• Presente e futuro 7

• Benefícios 8

• Segurança Ambiental 9

• Fluxo Gênico 9

• Segurança Alimentar 10

• Testes e avaliações 10

• Micotoxinas 10

• No Brasil 11

• Aprovações 11

• Entrave – Situação atual das avaliações 12

• Potencial brasileiro 13

• Milho e seus derivados 14

• Alimentação humana 14

• Alimentação animal 15

3

Tecnologia do campo à mesa

Devido à importância da cultura do milho na economia mundial

– e ao enorme potencial de crescimento do Brasil nesse cam-

po –, o Conselho de Informações sobre Biotecnologia (CIB) ofe-

rece à sociedade este guia, que resume os principais avanços

técnico-científicos desenvolvidos neste cereal, desde o seu

surgimento até a Biotecnologia, passando por questões impor-

tantes como segurança ambiental e alimentar.

A mais antiga espiga de milho conhecida é datada de 7.000

a.C. Com o passar dos anos, o alto nível de domesticação e o

melhoramento genético tornaram a planta completamente de-

pendente da ação do homem.

A aplicação da Biotecnologia no desenvolvimento de novas cul-

tivares é uma grande aliada do melhoramento genético, propi-

ciando benefícios diretos a agricultores e consumidores.

Atualmente, em muitos países, grandes e pequenos produtores

usufruem dos benefícios do milho desenvolvido pela Biotecno-

logia – também chamado de geneticamente modificado (GM) –

e apresentam maior competitividade, principalmente conside-

rando a diminuição do número de aplicações de agroquímicos.

A Biotecnologia pode ser utilizada para o desenvolvimento de

variedades resistentes a pragas e tolerantes a herbicidas ou que

proporcionem melhor aproveitamento de água e nutrientes. Um

dos exemplos particularmente importante para os agricultores

do Brasil será o emprego do milho tolerante à seca, que poderá

auxiliar na utilização mais eficiente da água disponível.

Boa leitura!

4

Um pouco de história

Saiba também que...

Origem O milho é uma espécie da família das gramíneas,

sendo o único cereal nativo do Novo Mundo. É o

terceiro cereal mais cultivado no planeta (ver pági-

na 13). A cultura está espalhada numa vasta região

do globo, em altitudes que vão desde o nível do mar

até 3 mil metros.

Este cereal não é nativo do Brasil e, assim, é impor-

tante ressaltar que não somos o centro de origem

dessa cultura, como, equivocadamente, muitos po-

dem imaginar. Apenas o México e a Guatemala são

considerados países que deram origem ao milho que

conhecemos hoje.

A mais antiga espiga de milho foi encontrada no

vale do Tehucan, na região onde hoje se localiza o

México, datada de 7.000 a.C. O Teosinte ou “ali-

mento dos deuses”, como era chamado pelos maias,

deu origem ao milho por meio de um processo de

seleção artificial (feito pelo homem). O Teosinte ain-

da é encontrado na América Central.

Ao longo do tempo, o homem promoveu uma cres-

cente domesticação do milho por meio da seleção

visual no campo, considerando importantes caracte-

rísticas, tais como produtividade, resistência a doen-

ças e capacidade de adaptação, dentre outras, dan-

do origem às variedades hoje conhecidas.

• O milho descende do ancestral conhecido

como Teosinte, que é uma gramínea com várias

espigas sem sabugo, até hoje encontrado em

lavouras de milho na América Central. Pode cru-

zar naturalmente com o milho e produzir des-

cendentes férteis.

• Esses cruzamentos com o Teosinte não agra-

dam aos pequenos agricultores que cultivam va-

riedades locais, pois resultam em plantas de

baixa produtividade na geração seguinte.

• Depois do Teosinte, outro parente genetica-

mente mais distante do milho encontrado na

América Latina, inclusive no Brasil, é o Tripsa-

cum, em alguns locais chamado de Capim

Guatemala. Ao contrário do Teosinte, milho e

Tripsacum não se cruzam na natureza em fun-

ção das diferenças genéticas significativas en-

tre as duas espécies.

O Teosinte tem sido apontado por por trabalhos científicos como o parente mais próximo do milho

Pela sua importância

na economia

mundial, o milho já

foi objeto de estudo

de destacados

cientistas,

resultando em

milhares de

trabalhos científicos,

e, atualmente, é um

dos principais temas

pesquisados pela

Genética e

Biotecnologia

MILHO • TECNOLOGIA DO CAMPO À MESA

Domesticação – Ação do homem

5

A partir da gramínea Teosinte, na região hoje ocu-

pada pelo México, o homem foi selecionando varia-

ções genéticas naturais, que, gradativamente, deram

origem ao milho domesticado. Inicialmente, os grãos

eram expostos fora da casca, formando um sabugo,

parecido com a forma que conhecemos atualmente.

Essa estrutura, que reteve os grãos e os organizou

em pequenos pares de fileiras, atraiu os nativos ante-

cessores dos astecas.

Mais tarde, esses nativos, por meio de um processo

inconsciente de seleção, escolhiam as espigas mais

fáceis de serem colhidas e armazenadas. Isso levou,

naturalmente, à redução do número de espigas por

planta e ao aumento do número de fileiras de grãos

no comprimento das espigas, que se tornaram maio-

res.

Com o tempo, eram colhidas as plantas mais vigoro-

sas, produtivas e de maior qualidade. Essas varia-

ções mais “fortes” contribuíram para o surgimento

de variedades com capacidade de adaptação em al-

tas e baixas altitudes, como é o relevo da América

Central.

Um pouco de história

A imagem dá uma idéia clara de alterações importantes que ocorreram ao longo da domesticação do milho, que passou de uma gramínea com espigas de poucos grãos cobertos com uma casca dura (Teosinte, à esquerda) até o milho moderno (à direita,) com grãos maiores descobertos e presos ao sabugo, o que não ocorre no ancestral selvagem

• Já na época do descobrimento das Américas,

o milho era o alimento base de todas as civili-

zações do continente. Das mais de 300 raças

de milho identificadas no mundo, praticamente

todas tiveram sua origem direta ou indireta nos

trabalhos pioneiros dessas civilizações pré-co-

lombianas.

• Em 1493, quando retornou à Europa, Cristó-

vão Colombo levou consigo variedades de grãos

de milho. No final do século seguinte, o milho

já se encontrava estabelecido em todos os con-

tinentes, nos mais variados ambientes e climas.

Vale saber também que:

A domesticação do milho, realizada por indígenas americanos, foi tão intensa que o milho atualmente não sobrevive no campo sem a participação do homem

6

A partir do início do século XX, vários pro-

gramas de melhoramento genético usando

bases científicas foram iniciados.

O desenvolvimento de linhas puras, ou li-

nhagens, oriundas do processo de

autofecundação (pólen da planta fecundan-

do a si própria) das plantas de milho por

várias gerações, e do vigor híbrido, ou

heterose – resultante do cruzamento des-

sas linhagens –, foram os responsáveis pelo

impulso que o melhoramento genético con-

vencional tomou no início do século passa-

do.

Esse conhecimento permitiu que os progra-

mas de melhoramento conseguissem intro-

duzir novas características ao milho como

resistência a doenças e pragas, maior pro-

teção dos grãos por meio do melhor empa-

• Em 1909, o botânico e geneticista norte-ame-

ricano George Harrison Shull criou o primeiro es-

quema para a produção de sementes híbridas de

milho. Ele mostrou que, ao fecundar a planta com

o próprio pólen (autofecundação), eram produzi-

dos descendentes menos vigorosos. Repetindo o

processo nas seis ou oito gerações seguintes, os

descendentes fixavam características agronômi-

cas e econômicas importantes. Por meio da sele-

ção, esses descendentes tornavam-se semelhan-

tes.

• As plantas que geravam filhos geneticamente

semelhantes, e também iguais às mães, passa-

ram a ser chamadas de linha pura. Shull notou

que duas linhas puras diferentes ao serem cruza-

das entre si produziam descendentes com gran-

de vigor, chamado de vigor híbrido ou heterose,

dando origem ao milho híbrido.

Milho híbrido

1. O cruzamento de uma linha pura A com linha pura B dá origem à semente de um híbrido simples AxB.

2. Um híbrido simples AxB cruzado com uma linha pura C dá origem a um híbrido triplo (AxB)xC.

3. O cruzamento de dois híbridos simples, AxB e CxD, produz um híbrido duplo (AxB)x(CxD).

Os diferentes tipos de híbridos

A Genética Clássica no desenvolvimento do milho

lhamento, maior resposta às práticas de ma-

nejo, melhor qualidade nutricional e me-

nor tombamento e quebramento de plan-

tas. Esse conjunto de melhorias – cuja par-

ticipação de pesquisadores brasileiros foi

de extrema importância – fez com que o

milho se adaptasse a diferentes regiões,

condições de clima, solo e finalidade de uso.

Técnica para obtenção de linhagens puras de milho por autofecundação

MILHO • TECNOLOGIA DO CAMPO À MESA

Melhoramento genético

7

A contribuição da Biotecnologia para o desenvolvimento de novas cultivares Após a descoberta da estrutura da molécula básica

da vida, o DNA – e a revelação de que o código

genético correspondente é universal –, os pesquisa-

dores começaram a trabalhar, a partir da década de

70, com a possibilidade de adicionar características

específicas por meio da transferência de genes de

uma espécie para outra. Assim, uma planta pode ter

a qualidade nutritiva aprimorada ou adquirir a resis-

tência a uma praga, a tolerância a um herbicida ou

a resistência à seca, ao frio, etc.

Surgia de fato a Biotecnologia como uma forte alia-

da aos programas de melhoramento convencional.

A possibilidade de contribuir com benefícios no mé-

dio prazo ao consumidor – e, de imediato, um au-

mento de competitividade ao agronegócio, princi-

palmente ao serem consideradas as adequações de

custos –, fez com que pesquisadores de empresas

públicas e privadas do setor, universidades e centros

de pesquisas investissem nessa ciência. Recursos fi-

nanceiros e humanos foram direcionados para a

Biotecnologia como ferramenta de apoio aos pro-

gramas de melhoramento. Com isso, ganha-se efi-

ciência, pois o cientista pode introduzir uma carac-

terística de interesse sem modificar as demais exis-

tentes na planta receptora do novo gene.

Melhoramento genético

• Até agora, a maior parte dos trabalhos com milho ligados à Biotecnologia

envolve o controle de insetos e tolerância a herbicidas.

• Muitos desses genes são provenientes do Bacillus thuringiensis (Bt), um

microrganismo encontrado no solo de várias regiões do Brasil. Essa bacté-

ria tem sido usada como inseticida biológico, desde a década de 60, por

meio da pulverização dos esporos sobre a lavoura. Ela não é tóxica para o

homem, mas apenas para os insetos-praga, e é amplamente utilizada na

agricultura orgânica.

• Diferentes genes Bt têm sido isolados e incorporados ao milho. Dentre

eles, Cry1Ab, Cry1F e Cry1Ac, que produzem proteínas capazes de contro-

lar a população de lagartas, como a mais destrutiva praga do milho, a

lagarta-do-cartucho.

Com melhor controle de insetos que atacam as espigas, os

grãos são menos danificados por fungos que produzem mico-

toxinas, substâncias causadoras de problemas sérios à saúde

animal e humana.

• Outros genes Bt, como o Cry34Ab1, Cry35Ab1 e Cry3Bb1, produzem

proteínas que controlam larvas, como a larva-alfinete, que ataca as raízes.

• Genes que conferem às plantas tolerância aos herbicidas à base de

glifosato, glufosinato e imidazolinona também têm sido amplamente

pesquisados e inseridos em milho.

Em vários países já estão sendo cultivados híbridos de milho

com genes combinados, como o de resistência à praga e o de

tolerância a herbicida.

Presente

• Genes estão sendo incorporados ao cereal para aumentar a estabilidade

e a produtividade das plantas de milho, por meio de tolerância à seca e

resistência a doenças.

• Estão em andamento pesquisas com genes que melhoram a qualidade

nutritiva do grão, conferindo aumento do teor de aminoácidos essenciais,

como a lisina.

• Também estão sendo estudados genes que melhoram a composição de

proteínas, aumentando a solubilidade no trato digestivo e a absorção de

minerais pelos suínos.

• Recentemente, os cientistas vêm trabalhando no isolamento de genes

visando a melhor conversão de amido do milho em álcool.

Futuro

Benefícios do milho GM

Maior rendimento por hectare – redução da

perda em razão da menor incidência de pragas

Diminuição do número de aplicações de

agroquímicos e, em conseqüência disso, econo-

mia de combustível nos equipamentos e redu-

ção na emissão de poluentes

Baixa incidência de micotoxinas no milho re-

sistente a pragas (substâncias tóxicas deriva-

das da contaminação da espiga por fungos) em

comparação com híbridos convencionais

Contribuição para o controle de plantas dani-

nhas

Redução no dano causado por insetos-pra-

gas

Melhoria do sistema radicular (raiz) do milho

resistente a pragas do solo com conseqüente

redução do tombamento das plantas

O cientista

transfere apenas

os genes de

interesse que

expressam uma

característica

específica

MILHO • TECNOLOGIA DO CAMPO À MESA

Biotecnologia

8

A aplicação da Biotecnologia no melhoramento do

milho permite adicionar novas características à plan-

ta, dando origem a híbridos que apresentam vanta-

gens competitivas em comparação com o cereal con-

vencional. Em países como Estados Unidos, Canadá

e Argentina, produtores vêm colhendo tais benefíci-

os há muito tempo, já que há mais de 10 anos vari-

edades GM estão sendo cultivadas e comercializadas.

Confira algumas das vantagens já conhecidas proporcionadas por diferentes cultivares de milho transgênico

9

Fluxo Gênico Trata-se da passagem do material genético

de uma planta para outra por meio da dis-

persão do pólen ou polinização cruzada.

A dispersão do pólen de uma planta para

outra e sua conseqüente fecundação vem

sendo muito bem estudada pelos cientis-

tas há muitos anos, em virtude do interes-

se pelo conhecimento dos efeitos da troca

de genes entre as plantas.

São inúmeros os trabalhos científicos,al-

guns deles bem recentes desenvolvidos na

Europa, nos Estados Unidos e em outros

países, que comprovam a possibilidade de

convivência de diferentes lavouras de mi-

lho convencionais, transgênicas e orgâni-

cas, com isolamento espacial médio de 200

metros, dependendo do local de plantio.

Há muitos estudos sobre a dispersão de pólen e plantas GM?

• O fluxo gênico não é uma questão ex-

clusiva dos transgênicos e tem sido estu-

dado desde o início da produção de se-

mentes híbridas de milho. Num campo de

produção de híbridos, as sementes gera-

das têm a sua identidade claramente de-

terminada e preservada. Isso é obtido por

isolamento do campo de produção, de

modo que o pólen de plantas da vizinhan-

ça não consiga fecundar plantas da área

isolada. Até mesmo os índios já o pratica-

vam há milhares de anos

• Nos EUA, maior produtor de milho do

mundo, o isolamento reprodutivo é feito

por distâncias de 200 metros, em média.

Sim. O assunto é alvo de diversos estudos em todo o

mundo, feitos por cientistas das mais importantes

universidades. Um dos mais recentes e esclarecedores

foi concluído em 2004. Os pesquisadores Ma, B.L.,

Fubeti, K. D.e Reid, L.M., do Eastern Cereal and

Oilseed Research Center, do Canadá, mostraram que,

com o milho Bt, a taxa de dispersão depende da

distância da fonte de pólen, da direção do vento e

da coincidência da saída do pólen com a emissão

das bonecas (estilo-estigmas) das espigas. A porcen-

tagem de cruzamento foi menor que 1% dentro de

uma distância de 28 metros, na direção do vento, e

de 10 metros, na direção oposta. Por isso, os auto-

res recomendaram uma distância de 200 metros de

plantas GM, bem como de parentes selvagens do

cereal, para impedir a ocorrência de presença ad-

ventícia.

Mas, vamos aos fatos: Agricultores de países localizados em

regiões tropicais e subtropicais, como o

Brasil, têm a vantagem de impedir o fluxo

gênico usando não só distâncias mínimas

entre as lavouras como também ao apli-

car o isolamento temporal, ou seja, fazen-

do plantios com diferença de cerca de 30

dias da emergência de outro milho qual-

quer.

Isso porque uma lavoura de milho flo-

resce, em média, por um período de sete

dias, dependendo, principalmente, da tem-

peratura e da umidade relativa. E a viabi-

lidade do grão de pólen, em média, é de

24 horas, variando de acordo com as con-

dições ambientais.

Segurança ambiental

Estudos científicos

comprovam que essa

separação, além de

preservar a

biodiversidade, é

suficiente para que a

presença adventícia

(ocorrência não-

intencional de

cruzamentos de

diferentes variedades)

seja de 0,5%, nível

aceito para plantas

ainda não aprovadas na

União Européia, que tem

uma das

regulamentações mais

restritivas do mundo.

10 MILHO • TECNOLOGIA DO CAMPO À MESA

Testes e avaliações A análise de segurança do milho GM não é diferen-

te de outros produtos derivados da aplicação da

Biotecnologia. Cada um deles é extensivamente ava-

liado no que diz respeito à segurança alimentar, com

base em protocolos reconhecidos internacionalmente

por instituições de alta credibilidade, a exemplo da

Organização Mundial da Saúde (OMS) e da Food and

Agriculture Organization (FAO).

Individualmente, as cultivares de milho GM são sub-

metidas a testes que vão considerar características

como toxicidade, potencial alergênico e composição.

As avaliações são realizadas em diferentes estágios,

caso a caso, desde o início do desenvolvimento da

planta em laboratório, seguido pela fase de experi-

mentos em campo até a conclusão dos trabalhos.

Ou seja: o produto só é colocado no mercado se for

tão seguro quanto sua variedade convencional.

Vale ressaltar que o milho GM resistente a insetos é

considerado seguro para o consumo humano e ani-

mal, pois é altamente específico para o inseto-alvo.

Da mesma forma ocorre com o milho GM tolerante

a herbicidas, cujo gene inserido também é específi-

co para plantas e, portanto, não provoca nenhum

efeito adverso no organismo animal ou humano.

O milho Bt se caracteriza pela inserção de

um gene da bactéria Bacillus thuringiensis

(Bt), o que faz a planta produzir uma proteí-

na tóxica para determinados insetos, redu-

zindo os ataques em até 90% e diminuindo,

assim, a probabilidade de crescimento de

fungos. Pesquisas feitas no País e no exterior

mostram que o milho Bt reduz a presença de

micotoxinas quando comparado ao milho

convencional.

As micotoxinas são substâncias resultantes

do metabolismo dos fungos que crescem nos

alimentos, quando em condições de umida-

de do produto, umidade relativa do ar e tem-

peratura ambiente favoráveis. As mais conhe-

cidas são as aflatoxinas, derivadas do

Aspergillus – fungo que contamina o milho

armazenado, muito comum no Brasil em ra-

zão do clima tropical –, e do Fusarium, que

se desenvolve sobre milho, trigo e cevada,

entre outras culturas. O Fusarium produz mais

de 100 micotoxinas diferentes, umas mais

tóxicas que outras. De qualquer maneira, es-

sas substâncias são danosas para o homem

e para os animais, pois agem diretamente no

fígado. Elas inibem a síntese de proteínas,

causando queda no nível de anticorpos e

enzimas e provocando lesões e hemorragias

que podem levar ao câncer e à morte.

As principais condições que levam os fungos

a produzir micotoxinas são a deficiência no

armazenamento dos grãos (umidade e tem-

peratura), a maior permanência das lavouras

no campo e o ataque de insetos. No caso do

milho, um dos cultivos mais afetados, o inse-

to perfura a espiga e abre caminho para que

o fungo se instale e se desenvolva. Cerca de

45% do milho produzido no Brasil é conta-

minado por micotoxinas.

Micotoxinas

Aspergillus

Fusarium

Amostra de milho contaminado com aflatoxina

Segurança alimentar

11

Milho transgênico no Brasil

Em que estágio estão as aprovações? Como se sabe, a autorização para pesquisa e comer-

cialização de plantas transgênicas é dada, no Brasil,

pela Comissão Técnica Nacional de Biossegurança

(CTNBio) – www.ctnbio.org.br –, órgão do Mi-

nistério de Ciência e Tecnologia.

Em outras palavras, a CTNBio é responsável pela

análise e aprovação de experimentos de plantas

transgênicas no laboratório, em casa de vegetação

e no campo.

É por intermédio desses estudos que instituições

públicas e privadas coletam informações que de-

monstram a segurança ambiental e alimentar das

plantas GM, caso a caso, e evidenciam que são tão

seguras e nutritivas quanto as convencionais.

Essas informações dão subsídios para a CTNBio au-

torizar ou não o cultivo do produto no País.

Após a aprovação da CTNBio, os dados agronômi-

cos do híbrido geneticamente modificado são sub-

metidos ao Ministério da Agricultura para registro

Em vários países,

como Canadá e

Argentina, o

produtor já está

plantando milho

com dois genes

combinados; nos

EUA, os agricultores

já utilizam cultivares

com três

características

combinadas; no

Brasil, entretanto,

ainda não foi liberado

nenhum evento

Cultivares de milho GM já plantadas no mundo

Eventos que aguardam liberação comercial pela CTNBio MILHO

Característica adquirida

• Tolerância ao herbicida glufosinato de amônio

• Resistência a insetos da ordem Lepidóptera (lagartas)

• Tolerância ao herbicida glifosato

da cultivar. Após o registro, o milho GM poderá ser

produzido nas regiões indicadas pelo zoneamento

agrícola, estabelecido pelo Ministério da Agricultu-

ra, órgão responsável também pela fiscalização das

pesquisas de campo.

Fonte: AGBIOS e ISAAA, 2006 Larva-alfinete (Diabrotica spp.) – inseto da ordem das Coleópteras Broca européia do colmo (Ostrinia nubilalis) – inseto da ordem das Lepidópteras Lagarta-do-cartucho (Spodoptera frugiperda) – inseto da ordem das Lepidópteras

Tolerância ao herbicida glufosinato de amônio Argentina, Austrália, Canadá, Japão e EUA

Tolerância ao herbicida glifosato Argentina, Canadá, Japão, África do Sul e EUA

Resistência a Lepidópteros Japão, EUA, Argentina, Canadá, alguns países (ex. broca européia do colmo, lagarta-do-cartucho) da União Européia, Filipinas, África do Sul

Resistência a Coleópteros (ex. larva-alfinete) Canadá, Japão e EUA

Resistência múltipla a Lepidópteros (ex. broca européia do colmo, Canadá, Japão e EUA lagarta-do-cartucho) e a Coleópteros (ex. larva-alfinete)

Resistência a Lepidópteros (ex. broca européia do colmo, União Européia, Canadá, Japão e EUA lagarta-do-cartucho) e tolerância ao herbicida glifosato

Resistência a Coleópteros (ex. larva-alfinete) e tolerância ao herbicida glifosato Canadá, Japão e EUA

Resistência a Lepidópteros (ex. broca européia do colmo, Argentina, Canadá, Japão (teste), alguns países lagarta-do-cartucho) e tolerância ao herbicida glufosinato de amônio da União Européia (teste), Uruguai e EUA

Resistência múltipla a Lepidópteros (ex. broca européia do colmo, Canadá, Japão e EUA lagarta-do-cartucho) e a Coleópteros (ex. larva-alfinete) e tolerância ao herbicida glufosinato de amônio

Macho-esterilidade e tolerância ao herbicida glufosinato de amônio Canadá e EUA

12 MILHO • TECNOLOGIA DO CAMPO À MESA

Milho transgênico no Brasil

• Várias solicitações para liberação no meio ambi-

ente com fins de pesquisa e liberação comercial es-

tão em análise na CTNBio. Dentre elas, algumas ca-

racterísticas que conferem ao milho a resistência ao

ataque de pragas (p.ex. milho Bt) e a tolerância a

herbicidas (p.ex. glifosato e glufosinato de amônio).

• Muitas dessas liberações ainda estão sem parecer

técnico conclusivo da CTNBio e sem data prevista

para análise. Isso prejudica o planejamento de pes-

quisas de instituições públicas e privadas que enca-

minharam solicitações.

• Empresas públicas e privadas que mantêm linhas

de pesquisa com milho transgênico estão impossibi-

litadas de gerar dados, oriundos das pesquisas, para

solicitar a liberação comercial e para informar os pro-

dutores e técnicos do setor agrícola.

• Liberações comerciais estão aguardando parece-

res técnicos da CTNBio. Existem casos que foram en-

caminhados em 1998 e ainda não foram avaliados.

• Muitas das solicitações para pesquisa e/ou libera-

ção comercial na CTNBio referem-se a produtos já

comercializados há vários anos em outros países.

• Esses fatos colocam o produtor brasileiro numa

condição de inferioridade tecnológica e em risco a

sua própria competitividade. Em muitas regiões do

Brasil, os agricultores chegam a usar várias aplica-

ções de agroquímicos só para controlar a lagarta-

do-cartucho.

O milho Bt, além da vantagem de evitar

muitas pulverizações de agroquímicos contra

as pragas-alvo da cultura, apresenta benefí-

cios para o meio ambiente: economia de com-

bustível e preservação de insetos não-alvo,

inimigos naturais e agentes polinizadores,

pelo fato de ser altamente específico para a

praga-alvo.

Entraves – situação atual das avaliações na CTNBio

13

A importância técnica e econômica do milho O milho é a terceira cultura mais cultivada no mun-

do. No Brasil, são colhidos em média 12 milhões de

hectares a cada safra, o que coloca o país como o

terceiro no ranking mundial de área colhida.

Além da sua importância econômica como principal

componente na alimentação de aves, suínos e bovi-

nos, o milho cumpre papel técnico importante para

a viabilidade de outras culturas, como a soja e o al-

godão, por meio da rotação de culturas, minimizando

possíveis problemas como nematóides de galha,

nematóide de cisto e doenças como o mofo branco

e outras, dando sustentabilidade para diferentes sis-

temas de produção em muitas regiões agrícolas do

Brasil e do mundo.

Ranking da área colhida de milho no mundo (em mil hectares)

China

• 24.068 • 25.446 • 26.200

UE

• 6.035 • 6.383 • 5.840

EUA

• 28.710 • 29.798 • 30.395

México

• 7.690 • 7.755 • 7.200

Brasil

• 12.822 • 12.089 • 12.673

Índia

• 7.420 • 7.000 • 7.200

• Safra 2003/4 • Safra 2004/5 • Safra 2005/6

(previsão)

Fonte: Sindirações

Potencial brasileiro

Produção brasileira (milhões de toneladas) Produção de grãos 2005 2006 (previsão)

MILHO 35,0 41,3

Fonte: Abimilho

Particularmente para o pequeno agricultor, o mi-

lho GM pode trazer benefícios bastante evidentes

no tocante ao aumento de produtividade e à quali-

dade de grão, maior flexibilidade no manejo da cul-

tura, diminuição do número de aplicações de inse-

ticidas e herbicidas convencionais, o que pode con-

tribuir para o crescimento da produção e, conse-

qüentemente, das exportações, ranking no qual o

Brasil figura, ainda, em nono lugar.

Além disso, criadores de porcos e frangos, por

exemplo, poderão reduzir a quantidade de antibió-

ticos administrados para o tratamento dos efeitos

nocivos das micotoxinas nesses animais, já que tais

substâncias, no milho GM resistente a insetos-pra-

gas, têm incidência mais baixa em comparação com

variedades convencionais.

Algumas cultivares de milho GM têm maior capa-

cidade de absorção de nutrientes do solo, caracte-

rística determinada por um gene (fitase) que reduz

a ação de antinutrientes (ácido fítico) na planta. Da

mesma forma, tais cultivares podem ajudar não ape-

nas na nutrição animal – já que a fitase bloqueia a

ação do ácido fítico, promovendo a absorção de mi-

nerais pelo metabolismo animal – como também

na conseqüente redução de compostos tóxicos (ni-

trato e fosfato) em dejetos animais.

Com a crise energética mundial, a importância

do milho cresceu muito em razão de programas

como os do biodiesel e do etanol. Surge, assim, uma

grande oportunidade para que o Brasil definitiva-

mente ingresse como um grande país exportador

desse cereal, considerando que os Estados Unidos,

o maior exportador para o mercado internacional,

irão consumir parte significativa de sua produção

para a indústria do álcool. Para se ter uma idéia, os

EUA dedicarão em 2006 cerca de 54,6 milhões de

toneladas de milho para tal finalidade, de um total

de 272,8 milhões de toneladas.

Híbridos GM

A Biotecnologia

é uma forte

aliada dos

programas de

melhoramento

convencional

14

Alimentação humana Muito energético, o milho traz em sua composição

vitaminas A e do complexo B, proteínas, gorduras,

carboidratos, cálcio, ferro, fósforo e amido, além de

ser rico em fibras. Cada 100 gramas do alimento

tem cerca de 360 Kcal, sendo 70% de glicídios, 10%

de protídeos e 4,5% de lipídios.

O milho pode receber genes para alterar a composi-

ção química de carboidratos, proteínas e aminoácidos

e produzir variedades com finalidades especiais. Al-

guns genes, quando inseridos no milho comum, po-

dem bloquear a síntese de amido e acumular açúcar

nos grãos, dando origem ao milho doce, ideal para

consumo “in natura” e enlatamento. Outros genes

podem modificar a fração do amido no milho co-

mum, dando origem a variedades amplamente utili-

zadas na indústria de alimentos.

• O milho pode suprir boa parte das ne-

cessidades nutricionais da população,

além de ser excelente complemento ali-

mentar, “in natura” ou em forma de fari-

nha de milho, fubá, canjica, polenta,

cuscuz e outras.

• Além das fibras, o grão de milho é cons-

tituído de carboidratos, proteínas, vitami-

nas (complexo B), sais minerais (ferro, fós-

foro, potássio e cálcio), óleo e grandes

quantidades de açúcares, gorduras, celu-

lose e calorias.

• Maior que as qualidades nutricionais

do milho, só mesmo sua versatilidade para

o aproveitamento na alimentação huma-

na. Ele pode ser consumido diretamente

ou como componente para a fabricação

de balas, biscoitos, pães, chocolates, ge-

léias, sorvetes, maionese e até cerveja.

• Atualmente, somente cerca de 15% de

produção nacional se destina ao consu-

mo humano, de maneira indireta na com-

posição de outros produtos.

É por isso que: Exemplos de pratos à base de milho, típicos da culinária brasileira.

MILHO • TECNOLOGIA DO CAMPO À MESA

Milho e seus derivados

15

• O milho hidratado serve como meio de fermen-

tação para a produção de penicilina e estreptomi-

cina, além de outras aplicações no campo farma-

cêutico.

• O xarope de glicose de milho é usado na fabri-

cação de cosméticos, soluções medicinais, gra-

xas e resinas.

• Já nas fábricas de aviões e veículos, os deriva-

dos de milho são utilizados nos moldes de areia

para a fabricação de fôrmas e peças fundidas.

• Também na extração de minério e petróleo o

milho está presente, assim como em outras áreas

pouco divulgadas, como as de explosivos, bateri-

as elétricas, cabeças de fósforo, etc.

• Além disso, os amidos de milho entram na for-

mulação de produtos de limpeza, filmes fotográ-

ficos, plásticos, pneus de borracha, tintas, fogos

de artifício, papéis e tecidos.

Alimentação animal O milho é o principal componente da dieta animal:

participa com mais de 60% do volume utilizado na

alimentação animal de bovinos, aves e suínos. O

milho assegura a parte energética das rações.

Combinados com outros ingredientes, o milho per-

mite ajustar a formulação de rações específicas para

a dieta balanceada de acordo com o tipo e a desti-

nação dos animais, a exemplo de suínos em geral,

leitões, matrizes, aves poedeiras ou de corte, gado

leiteiro ou de corte.

O milho pode ser processado e utilizado por dois

principais processos (seco e úmido) para produção

de produtos como: farelo de milho moído, farelo de

gérmen de milho peletizado, farinhas pré-gelati-

nizadas, milho em grãos, fubá grosso, glúten de mi-

lho, farelo de glúten de milho e farelo de milho.

Além das rações, o milho pode ser utilizado na for-

ma de silagem de planta inteira, para uso em bovi-

nos, e de grão úmido, para uso, principalmente, em

suínos.

Outras utilizações do produto

Demanda de milho para alimentação animal em 2005 (de um total de 35 milhões de toneladas)

Avicultura Suinocultura Bovinocultura Outros Totais

Corte Postura Corte Leite

14,8 2,4 7,9 0,494 1,2 0,661 27,6

Fonte: Sindirações

Além do uso em rações animais, substâncias presentes no milho também são empregadas em produtos como papéis, fósforos e borrachas.

SITES RELACIONADOS:

Abag – Associação Brasileira de Agribusiness www.abag.com.br

Abimilho – Associação Brasileira das Indústrias de Milho www.abimilho.com.br

Abiove – Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais www.abiove.com.br

Abrasem – Associação Brasileira de Sementes e Mudas www.abrasem.com.br

APPS - Associação Paulista dos Produtores de Sementes e Mudas www.apps.agr.br

ANBio – Associação Nacional de Biossegurança www.anbio.org.br

Agbios www.agbios.com

AgroBio Colômbia www.agrobio.org

AgroBio México www.agrobiomexico.org

Argenbio www.argenbio.org

Braspov – Associação Brasileira de Obtentores Vegetais www.braspov.com.br/index.asp

Cargill www.cargill.com.br

CBI – Council for Biotechnology Information www.whybiotech.com

Céleres – Consultoria Empresarial www.celeres.com.br

ChileBio www.chilebio.cl

CNA – Confederação da Agricultura e Pecuária no Brasil www.cna.org.br

CNI – Confederação Nacional da Indústria www.cni.org.br

CNT – Confederação Nacional dos Transportes www.cnt.org.br

CTNBio – Comissão Técnica Nacional de Biossegurança www.ctnbio.gov.br

Embrapa Milho e Sorgo www.cnpms.embrapa.br

FAO – Food and Agriculture Organization www.fao.org

Sindirações – Sindicato Nacional da Indústria de Alimentação Animal www.sindiracoes.org.br

JULHO / 2006

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