Guia estratigráfico internacional revisão condensada, Pesquisas de Geologia. Universidade Federal de Ouro Preto (UFOP)
Alessandra.Gracietti
Alessandra.Gracietti23 de Setembro de 2016

Guia estratigráfico internacional revisão condensada, Pesquisas de Geologia. Universidade Federal de Ouro Preto (UFOP)

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(Microsoft Word - Guia Estratigr\341fico Internacional_tradu\347\343o_CBE-SBG.doc)

1

SOCIEDADE BRASILEIRA DE GEOLOGIA

COMISSÃO BRASILEIRA DE ESTRATIGRAFIA

2003

Guia Estratigráfico Internacional –

Uma versão condensada

Editada por Michael A. Murphy1 e Amos Salvador2

Subcomissão Internacional de Classificação Estratigráfica da IUGS

Comissão Internacional de Estratigrafia

http://micropress.org/stratigraphy/guide.htm outubro/2003

1Geology Department, University of California, Davis, California 95616, USA 2Department of Geological Sciences, University of Texas at Austin, Austin, Texas 78712, USA; e-mail: amos.salvador@mail.utexas.edu

Traduzido por Léo Afraneo Hartmann

Presidente da Comissão Brasileira de Estratigrafia/SBG

Instituto de Geociências

Universidade Federal do Rio Grande do Sul

leo.hartmann@ufrgs.br

(Revisado e aprovado pelos demais membros da comissão)

A comunicação eficiente em ciência exige o uso de terminologia e procedimentos

com alta acuracidade e precisão e que sejam aceitos internacionalmente. A Versão

Condensada do Guia Estratigráfico Internacional foi desenvolvido com o mesmo

objetivo do próprio Guia, ou seja, promover um acordo internacional sobre os princípios

da classificação estratigráfica e desenvolver uma terminologia e regras de procedimento

estratigráficos aceitáveis internacionalmente, com vistas a melhorar a acuracidade e

precisão na comunicação, coordenação e entendimento internacionais. Esta Versão

2

Condensada não é um revisão do Guia, pois é uma versão concisa, que omite a

história, texto explanatório e exemplos, os glossários e a bibliografia.

Prefácio

A segunda edição do Guia Estratigráfico Internacional, editada por Amos Salvador,

foi preparada pela Subcomissão Internacional de Classificação Estratigráfica da

Comissão Internacional de Estratigrafia e co-publicado em 1994 pela “International

Union of Geological Sciences” e “Geological Society of America”. Assim com a primeira

edição, que foi editada por Hollis D. Hedberg e publicada em 1976, a segunda edição

do Guia foi amplamente aceita e usada por estratígrafos de todo o mundo. Cópias

podem ser obtidas do “Geological Society of America, Publication Sales, P.O. Box 9140,

Boulder, CO 80301, USA, Fax 303-447-1133.

Apesar da ampla aceitação e distribuição da segunda edição do Guia, muitos

estratígrafos e estudantes de estratigrafia de muitos lugares do mundo tem comentado

sobre a dificuldade de obter acesso ao Guia, principalmente devido à disponibilidade

restrita de cópias e alto custo. Esta versão condensada da segunda edição do Guia é

uma tentativa de superar êsses problemas.

Esta versão condensada não é uma revisão do conteúdo do Guia; todos os

princípios essenciais da segunda edição completa são mantidos, incluindo classificação,

terminologia e procedimentos estratigráficos. Além disso, a versão condensada mantém

a mesma estrutura de organização ao nível de capítulos, cabeçalhos e subtítulos, de

maneira que o leitor pode acessar facilmente a versão completa do Guia em busca de

material suplementar. E os cabeçalhos foram mantidos mesmo onde foram eliminadas

discussões não-essenciais de algumas seções, de forma que o usuário pode encontrar

a seção correspondente na versão completa do Guia com bastante facilidade. As

vítimas principais da redução do Guia são o texto explanatório, exemplos de

procedimentos estratigráficos, o Glossário de Termos Estratigráficos, a Lista de Códigos

Estratigráficos Nacionais ou Regionais, e a extensa Bibliografia de Classificação,

Terminologia e Procedimentos Estratigráficos.

Os editores expressam seu reconhecimento ao editor de Episodes pela publicação

da versão condensada do Guia Estratigráfico Internacional nesse periódico, e por

concordar em preparar e comercializar separatas especiais deste documento a preço de

custo. Essas ações possibilitam que os princípios básicos da classificação, terminologia

3

e procedimentos estratigráficos possam atingir os estratígrafos e estudantes de

estratigrafia em todos os lugares do mundo.

Separatas especiais da versão condensada da segunda edição do Guia podem

ser obtidas de Episodes, P.O. Box 823, 26 Baiwanzhuang Road, 100037 Beijing,

República Popular da China, a um preço acessível.

Capítulo 1. Introdução

A. Origem e objetivos do Guia

Os objetivos e o espírito desta versão condensada são os mesmos da segunda

edição do Guia: A promoção de concordância internacional sobre os princípios da

classificação estratigráfica, o desenvolvimento de terminologia estratigráfica e regras de

procedimento estratigráfico que sejam aceitos internacionalmente. Êsses objetivos e

espírito são baseados no interesse de melhor a acuracidade e a precisão da

comunicação, coordenação e conhecimento internacionais.

B. Composição da Sub-Comissão

A composição da Sub-Comissão representa uma distribuição geográfica mundial

de estratígrafos e organizações estratigráficas e também um amplo espectro de

interesses, tradições e filosofias estratigráficas.

Ao longo dos anos, o número de membros tem variado entre 75 e 130,

representando 30 a 45 países.

C. Preparação e revisão do Guia

D. O espírito do Guia

Assim como a segunda edição do International Stratigraphic Guide, esta versão

condensada é oferecida como uma aproximação recomendada à classificação,

terminologia e procedimentos estratigráficos, e não como um “código”.

E. Códigos estratigráficos regionais e nacionais

4

A International Subcommission on Stratigraphic Classification apoiou em todas as

oportunidades o desenvolvimento de códigos estratigráficos regionais e nacionais, pois

êstes códigos auxiliaram no passado o desenvolvimento de princípios e fornecerem um

campo de testes para várias propostas contidas no Guia.

F. Posições alternativas ou discordantes

Capítulo 2. Princípios de classificação estratigráfica

A. Geral

A classificação estratigráfica engloba todas as rochas da crosta da Terra. As

rochas tem muitas propriedades tangíveis e mensuráveis e podem ser classificadas

com base em qualquer uma dessas propriedades, tal como ambiente ou gênese.

A posição estratigráfica de modificação de qualquer propriedade ou atributo não

coincide necessariamente com qualquer outra modificação. Em consequência, as

unidades baseadas em uma propriedade não coincidem com as unidades baseadas em

outra propriedade. Portanto, não é possível expressar as distribuições das diversas

propriedades das rochas utilizando apenas um conjunto de unidades estratigráficas. É

necessário utilizar diferentes conjuntos de unidades.

No entanto, todas as diferentes classificações são intimamente relacionadas, pois

expressam aspectos diferentes dos mesmos corpos rochosos e podem ser utilizadas

para atingir os mesmos objetivos da estratigrafia: O aperfeiçoamento do nosso

conhecimento e entendimento dos corpos rochosos da Terra e da sua história.

B. As categorias de classificação estratigráfica

Os corpos rochosos podem ser classificados com base em muitas propriedades

intrínsecas. Cada classificação exige uma nomenclatura própria. Os seguintes tipos de

unidades formais são bem conhecidos e muito usados:

1. Unidades litoestratigráficas – São unidades baseadas nas propriedades

litológicas dos corpos rochosos.

2. Unidades delimitadas por discordâncias – São corpos rochosos limitados no

topo e na base por discordâncias significativas na sucessão estratigráfica.

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3. Unidades bioestratigráficas – São unidades baseadas no conteúdo fossilífero

dos corpos rochosos.

4. Unidades de polaridade magnetoestratigráfica – São unidades baseadas em

mudanças na orientação da magnetização remanescente dos corpos rochosos.

5. Unidades cronoestratigráficas – São unidades baseadas no tempo de formação

de corpos rochosos.

Muitas outras propriedades e atributos podem ser utilizados para classificar corpos

rochosos, exigindo a abertura de possibilidade de uso de qualquer caminho promissor.

Quando isso ocorrer, deve haver uma definição inicial das unidades e termos utilizados.

Cada tipo de unidade estratigráfica pode ser útil na classificação estratigráfica em

casos específicos, em certas regiões ou para certos objetivos. No entanto, as unidades

cronoestratigráficas são as mais promissoras para unidades formais de aplicação

mundial, pois são baseadas no tempo de sua formação. As unidades litoestratigráficas,

bioestratigráficas, e as unidades delimitadas por discordâncias tem extensão areal

limitada, e são por isso inadequadas para a síntese global.

As unidades magnetoestratigráficas tem extensão mundial em princípio, mas

exigem dados extrínsecos para seu reconhecimento e datação, e esses dados provem

de outras unidades. Devido a isso, as unidades cronoestratigráficas tem sido escolhidas

para a comunicação internacional entre os estratígrafos no tocante à sua posição na

coluna estratigráfica.

C. A distinção de terminologias para cada categoria

Há necessidade de termos distintivos apropriados para cada uma das várias

categorias de unidades estratigráficas. Algumas das classificações são mais

apropriadas para a classificação hierárquica, ao passo que em outras classificações

todas as categorias tem a mesma hierarquia.

D. Unidades cronoestratigráficas e geocronológicas

As unidades cronoestratigráficas (Tabela 1) são unidades estratigráficas tangíveis

porque elas incluem todas as rochas formadas durante um intervalo definido de tempo.

As unidades geocronológicas são unidades de tempo, que é uma propriedade

intangível, e são portanto unidades intangíveis e não constituem unidades

estratigráficas em si.

6

E. O registro geológico incompleto

O registro de rochas em qualquer área específica não é contínuo ou completo. O

registro está geralmente interrompido por diversos diastemas, descontinuidades e

discordâncias.

Tabela 1. Resumo das categorias e termos-unidades da classificação estratigráfica

Categoria estratigráfica Unidades e termos estratigráficos principais

Litoestratigráfica Grupo Formação Membro Camada(s), derrame(s)

Delimitadas por discordâncias Sintema Bioestratigráfica Biozonas:

Zona de distribuição Zona de intervalo Zona de descendência Zona de assembléia Zona de abundância Outros tipos de biozonas

Polaridade magnetoestratigráfica Zona de polaridade Outras categorias estratigráficas (informais – mineralógicas, isótopos estáveis, meio ambiente, sísmica, e outras)

Zona de ............... (inserir nome apropriado)

Unidade geocronológica equivalente

Cronoestratigráfica Eonotema Eratema Sistema Série Estágio Sub-estágio (Cronozona)

Éon Era Período Época Idade Sub-idade (ou idade) (Cron)

* Se houver necessidade de escalões adicionais, podem ser utilizados os prefixos “sub” e “super” podem ser utilizados com as unidades/termos quando fôr apropriado. No entanto, recomendamos moderação no uso desses prefixos para não complicar desnecessariamente a nomenclatura. Interrupções curtas do registro existem na realidade em rochas acamadadas em

cada plano de acamadamento. A evidência desses intervalos ausentes, presente nas

rochas, é por si só parte da estratigrafia e uma contribuição muito importante para o

entendimento da história da Terra.

Capítulo 3. Definições e procedimentos

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A. Definições

1. Estratigrafia. A estratigrafia, que vem do latim stratum + grego graphia, é a descrição

de todos os corpos rochosos que formam a crosta da Terra e sua organização em

unidades mapeáveis distintas e úteis, com base em suas propriedades ou atributos

intrínsecos, com vistas a estabelecer sua distribuição e relações no espaço e sua

sucessão no tempo, e para interpretar a história geológica.

2. Estrato. Camada de rocha caracterizada por propriedades litológicas e atributos

específicos que a distinguem de camadas adjacentes.

3. Classificação estratigráfica. Organização sistemática dos corpos rochosos da

Terra, conforme são encontrados em suas relações originais, em unidades baseadas

em qualquer propriedade ou atributo que venha a ser útil para o trabalho estratigráfico.

4. Unidade estratigráfica. O corpo de rocha estabelecido como uma entidade distinta

na classificação das rochas da Terra, com base em qualquer propriedade ou atributo ou

suas combinações que possam estar presentes nas rochas.

Unidades estratigráficas baseadas em uma propriedade não coincidem

necessariamente com aquelas baseadas em outra propriedade.

5. Terminologia estratigráfica. É o conjunto total de unidades/termos utilizados na

classificação estratigráfica. A terminologia pode ser formal ou informal.

a. A terminologia estratigráfica formal utiliza unidades/termos definidos e

nomeados com base em orientações estabelecidas convencionalmente.

b. A terminologia estratigráfica informal utiliza unidades/termos como nomes

comuns e com sentido descritivo, não como parte de um esquema específico de

classificação estratigráfica. Enfatizamos o desestímulo ao uso de termos informais em

documentos publicados.

6. Nomenclatura estratigráfica. É o sistema de nomes adequados conferidos a

unidades estratigráficas específicas.

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7. Zona. Corpo menor de rocha em muitas categorias diferentes de classificação

estratigráfica. O tipo de zona indicada é constituída por um prefixo, p. ex.: litozona,

biozona, cronozona.

8. Horizonte. Uma interface que indica uma posição específica em uma sequência

estratigráfica. O tipo de horizonte é indicado por um prefixo, p. ex.: lito-horizonte, bio-

horizonte, crono-horizonte.

9. Correlação. Uma demonstração da correspondência entre caráter e/ou posição

estratigráfica. O tipo de correlação é indicado por um prefixo, p. ex.: lito-correlação, bio-

correlação, crono-correlação.

10. Geocronologia. A ciência da datação e determinação da sequência de tempo dos

eventos no história da Terra.

11. Unidade geocronológica. Uma subdivisão do tempo geológico.

12. Geocronometria. Um ramo da geocronologia que aborda a medição quantitativa

(numérica) do tempo geológico. São usadas as abreviações ka para milhares, Ma para

milhões e Ga para bilhões de anos.

13. Fácies. O termo “fácies” significava inicialmente a modificação lateral de aspecto

litológico de uma unidade estratigráfica. O seu significado foi ampliado para incluir um

amplo espectro de conceitos geológicos: ambiente de deposição, composição litológica,

associação geográfica, climática ou tectônica, dentre outras.

14. Aviso contra o uso de termos gerais para significados especiais. O uso de

termos gerais para significados especiais tem sido uma fonte de muita confusão. É

preferível conservar o significado genérico original do termo e buscar uma palavra mais

precisa e menos ambígua para o significado especial.

B. Procedimentos para o estabelecimento e revisão de unidades

estratigráficas

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A proposição de uma nova unidade estratigráfica formal exige uma declaração da

intenção de introduzir uma nova unidade e dos motivos para essa ação. Uma nova

unidade tem que ser proposta de forma adequada e descrita adequadamente. Isso

inclui:

• Definição, caracterização e descrição clara e completa da unidade, para que

qualquer pesquisador possa identificá-la no futuro.

• Proposição do tipo, nome e escalão da unidade.

• Designação de um estrato-tipo (seção tipo) ou localidade tipo em que a unidade

está baseada e que pode ser utilizada como referência por cientistas

interessados.

• Publicação em veículo científico reconhecido.

1. Definição, caracterização e descrição.

a. Nome (ver seção 3.B.5)

b. Estrato-tipos ou outras padrões de referência. Fornecer a localização geográfica

e ambiente geológico do estrato-tipo, com uma indicação de acesso, mapas e acidentes

geográficos marcadores, tanto naturais quanto artificiais.

Quando não fôr prático utilizar estrato-tipos como padrões, a confiabilidade é

obtida pela descrição e ilustração acurada das feições que constituem os critérios

diagnósticos da unidade.

c. Descrição da unidade como um estrato-tipo ou local tipo.

d. Aspectos regionais. Extensão geográfica; variações regionais em espessura,

litoestratigrafia, bioestratigrafia ou outras propriedades; natureza de limites localizados

longe do tipo; critérios a serem utilizados para identificar e expandir a unidade dentro da

área de sua presença.

e. Idade geológica.

f. Correlação com outras unidades.

g. Gênese (quando apropriado).

h. Referências à literatura.

2. Exigências especiais para o estabelecimento de unidades de subsuperfície.

Aplicam-se as mesmas regras de procedimento de seções expostas para as unidades

de subsuperfície estabelecidas com base em minas, túneis ou outras seções perfuradas

em sondagem. Os estrato-tipos de seções de sondagem são designados por

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profundidades de sondagem e por descrições (logs) e testemunhos (cores), caso

disponíveis. É desejável a obtenção dos seguintes dados para o estabelecimento de

unidades de subsuperfície:

a. Designação da sondagem ou mina. Nome da sondagem ou mina e a localização

geográfica através do uso de nomenclatura topográfica ou de campos de petróleo

convencionais.

b. Descrições (logs) geológicas dos testemunhos. Descrição (logs) litológica e

paleontológica dos testemunhos de sondagem (ou sondagens), e mapas e seções

transversais da mina, na forma escrita e gráfica, mostrando os limites da nova unidade

e suas subdivisões.

c. Descrição (log) e perfilagem geofísica. Descrição (log) da perfilagem elétrica e/ou

de outro tipo e perfilagem sísmica, com limites e subdivisões da unidade mostrados em

escala adequada, que permita a avaliação dos detalhes.

d. Fiel depositário. Um fiel depositário deve ser uma instituição que tenha as

facilidades de curador e garantia de perpetuidade; os materiais devem estar disponíveis

para estudo. Deve ser fornecida a localização do fiel depositário dos materiais da

sondagem do estrato-tipo, túnel ou mina.

3. Dando nomes a unidades estratigráficas. Os nomes da maioria da unidades

estratigráficas formais consistem de um nome geográfico apropriado, combinado com

um termo apropriado que indica o tipo e escalão da unidade, p. ex.: Formação La Luna,

exceto em alguns casos em que os termos foram estabelecidos no início da história da

estratigrafia.

O nome formal de uma unidade bioestratigráfica é formado a partir dos nomes de

um ou mais fósseis apropriados, combinados com o termo apropriado para o tipo de

unidade bioestratigráfica, p. ex.: Zona de Assembléia Exus albus. (Ver Capítulo 7 –

Unidades Bioestratigráficas).

a. Componentes geográficos dos nomes de unidades estratigráficas.

i. Fonte. Nomes geográficos devem ser obtidos a partir de feições naturais ou

artificiais no local ou próximo do local onde a unidade estratigráfica está presente. Êsse

nome deve estar presente em mapas publicados sobre a compartimentação política

pertinente.

11

Quando tais nomes não estão disponíveis, deve ser descrito o local de onde o

nome foi obtido, e êsse local deve ser mostrado em mapa de escala apropriada e que

acompanha a descrição da nova unidade.

Nomes curtos são preferíveis a nomes longos ou compostos. O nome da unidade

estratigráfica deve ser exatamente o mesmo que o nome da feição geográfica utilizada

para a designação.

ii. Grafia dos nomes geográficos. A grafia do componente geográfico do nome de

uma unidade estratigráfica deve estar conforme com o uso no país de origem.

A grafia do componente geográfico, após estabelecida, não deve ser modificada.

A hierarquia ou componente litológico pode ser modificado quando fôr traduzido para

outro idioma.

iii. Modificações nos nomes geográficos. A modificação do nome de uma feição

geográfica não afeta o nome da unidade estratigráfica associada; o desaparecimento de

uma feição geográfica também não exige um novo nome.

iv. Nomes geográficos inapropriados. Um nome geográfico não deve induzir

confusão, p. ex.: Formação London para uma unidade no Canadá, apesar de haver uma

cidade com êsse nome no Canadá.

v. Duplicação de nomes geográficos. O nome de uma unidade estratigráfica nova

deve ser único, para evitar ambigüidade. Listas de nomes já utilizados constam do

IUGS Lexique Stratigraphique International e de léxicos nacionais e regionais. É

recomendada a consulta aos serviços geológicos e outras organizações regionais para

descobrir nomes usados previamente e que ainda não constem do léxicos.

vi. Nomes para as subdivisões das unidades estratigráficas. Quando uma

unidade fôr dividida em duas ou mais unidades componentes formais, o nome

geográfico da unidade original não deve ser empregado para qualquer uma das

subdivisões.

b. Componente unidade-termo dos nomes de unidades estratigráficas. O

componente unidade-termo de um nome estratigráfico indica o tipo e escalão da

unidade. Uma unidade-termo estratigráfico pode ser diferente em idiomas diferentes.

c. Relação entre nomes e limites políticos. As unidades estratigráficas não estão

limitadas por limites políticos e não devem ser diferentes nos dois lados.

d. Redução do número de nomes através de correlação. Quando a identidade de

duas unidades estratigráficas diferentes fica estabelecida por correlação, o nome mais

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recente deve ser substituído pelo mais antigo, sempre que as demais considerações

forem equivalentes.

e. Dúvida na designação. Quando houver dúvida na designação de uma unidade

estratigráfica, essa dúvida deve ser expressa na nomenclatura utilizada. As seguintes

convenções podem ser utilizadas:

• Devoniana? = dúvida sobre idade Devoniana

• Formação Macoa? = dúvida sobre o posicionamento como Formação Macoa

• Formação Peroc-Macoa = estratos em posição intermediária (horizontalmente ou

verticalmente) entre duas unidades estratigráficas

• Siluriano-Devoniano = uma parte Siluriano, outra parte Devoniano

• Siluriano ou Devoniano = tanto pode ser Siluriano quanto Devoniano

• Siluriano e Devoniano = tanto Siluriano quanto Devoniano, mas não

diferenciado.

O nome de uma unidade mais velha ou inferior, caso seja possível fazer a

distinção, deve vir em primeiro lugar sempre que duas unidades são ligadas por hífen

ou utilizadas de forma combinada.

f. Nomes abandonados. Após ser utilizado e posteriormente abandonado, o nome de

uma unidade estratigráfica não deve ser ressuscitado, exceto no seu sentido original. A

referência a um nome abandonado deve indicar o sentido original em que o nome foi

utilizado, p. ex.: “Arenito Mornas de Hebert (1874)”.

g. Preservação de nomes tradicionais ou bem estabelecidos. Nomes tradicionais

ou bem estabelecidos que não seguem os procedimentos e convenções acima referidos

não devem ser abandonados, contanto que sejam ou venham a ser bem definidos ou

caracterizados.

4. Publicação

a. Veículo científico reconhecido. O estabelecimento ou revisão de uma unidade

estratigráfica formal exige a publicação em veículo científico reconhecido.

As principais qualificações de um veículo científico reconhecido são a publicação

regular e o acesso razoavelmente amplo ao público científico ao ser requisitado para

aquisição ou disponibilidade em biblioteca.

Resumos, a maioria dos guias de excursão, dissertações e teses, relatórios de

empresas, relatórios públicos e veículos similares geralmente não alcançam essa

exigência.

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b. Prioridade. A publicação de uma unidade feita de forma apropriada, com nome e

descrição, tem prioridade. No entanto, a prioridade por si só não justifica o

deslocamento de um nome bem estabelecido por outro pouco conhecido ou raramente

utilizado. Da mesma forma, um nome estabelecido de forma inadequada não deve ser

preservado somente devido à prioridade.

c. Procedimentos editoriais recomendados. As regras e procedimentos numerados

a seguir são aplicáveis para o idioma Inglês. As regras de ortografia de outros idiomas

podem tornar essas recomendações inaplicáveis.

i. Maiúsculo. As primeiras letras de todas as palavras utilizadas nos nomes de

unidades estratigráficas formais são maiúsculas (exceto para nomes triviais da

hierarquis de espécies e subespécies no nome de unidades bioestratigráficas). Termos

informais não tem iniciais maiúsculas.

ii. Hífen. Para a maioria das unidades estratigráficas, os termos compostos, em que

duas palavras comuns são juntadas para a obtenção de um significado especial, devem

ter hífen, p. ex.: zona concurrent-range, zona normal-polarity. São exceções os prefixos

adjetivadores ou formas combinatórias que sãogeralmente combinadas como o termo-

nome sem hífen, p. ex.: biozona.

iii. Repetição do nome completo. Após a publicação do nome completo de uma

unidade estratigráfica, pode-se omitir parte do nome para fins de brevidade, sempre que

o significado ficar claro; p. ex.: o Estágio Oxfordiano pode ser referido como “o

Oxfordiano” ou “o Estágio”.

5. Revisão ou redefinição de unidades estratigráficas estabelecidas previamente.

A revisão ou redefinição de uma unidade estabelecida adequadamente sem a

modificação de seu nome exige uma declaração de intenção de revisar a unidade, as

razões para isso, e justificativa e documentação tão completa quanto a proposição de

uma nova unidade.

A modificação do escalão de uma unidade estratigráfica não exige redefinição da

unidade ou de seus limites e nem a alteração da parte geográfica do nome. Uma

unidade estratigráfica pode ser promovida ou rebaixada em hierarquia sem a

modificação da parte geográfica de seu nome.

Capítulo 4. Estratotipo e local-tipo

14

A. O estratotipo na definição e caracterização de unidades estratigráficas

1. Definição de padrão. Unidades estratigráficas com nome designado tem que ser

definidas ou caracterizadas em um local específico, em que estejam bem expostas e

desenvolvidas, para que exista um padrão de referência comum e material para sua

identificação.

2. Referência a uma seção rochosa específica. A sequência específica de estratos

escolhidos como padrão de referência de uma unidade estratigráfica acamadada é

chamada de estratotipo. No caso de rochas não acamadadas, o padrão de referência é

um local-tipo. O local-tipo pode ser uma área de exposição (ou testemunho de

sondagem ou mina) e constitui uma parte essencial do estabelecimento de uma unidade

estratigráfica formal. Nos casos em que a descrição escrita e o estratotipo não são

equivalentes, os dados do estratotipo tem precedência.

Para algumas unidades estratigráficas, tais como zonas de variação

bioestratigráfica, o padrão da unidade não pode ser ligado a uma seção ou área

estratigráfica específica, pois o alcance estratigráfico da unidade pode variar com a

expansão do conhecimento. No entanto, a caracterização e descrição destas e outras

unidades bioestratigráficas pode ser melhorada através da designação de uma ou mais

seções de referência específicas.

B. Definições

1. Estratotipos (seção-tipo). É a exposição especificada de uma unidade estratigráfica

acamadada que tenha sido nomeada ou de um limite estratigráfico que serve de padão

de referência. Um estratotipo é a sequência de estratos específica utilizada para a

definição e/ou caracterização da unidade ou limite estratigráfico que está sendo

definido.

2. Estratotipo unitário. É a seção-tipo de uma unidade estratigráfica acamadada que

serve de padrão de referência para a definição e caracterização da unidade.

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3. Estratotipo delimitador. É a sequência especificada de estratos que contém o ponto

específico que define um limite entre duas unidades estratigráficas.

4. Estratotipo composto. É o estratotipo unitário formado pela combinação de vários

intervalos específicos de estratos, combinados para constituir um padrão de referência

composto.

5. Local-tipo. É o local geográfico específico em que está localizado o estratotipo de

uma unidade estratigráfica acamadada. O nome também inclui o local onde a unidade

foi descrita e/ou nomeada originalmente. Quando as unidades forem compostas de

rochas ígneas ou metamórficas não-acamadadas, o local-tipo é o local geográfico

específico onde a unidade foi definida originalmente.

6. Área-tipo ou Região-tipo. É a área geográfica ou região que compreende o

estratotipo ou local-tipo de uma unidade ou limite estratigráfico.

7. Holo-, para-, neo-, lecto- e hypo-estratotipos.

C. Exigências para estratotipos (seções-tipo)

As seguintes exigências são feitas para estratotipos:

1. Expressão conceitual. O requisito mais importante de um estratotipo é que êle deve

representar adequadamente o conceito do qual êle é o tipo material.

2. Descrição. A descrição de um estratotipo é geográfica e geológica. A descrição

geográfica inclui um mapa de localização ou foto aérea de detalhe, com a indicação dos

meios de acesso ao local-tipo e a distribuição da unidade na área.

A descrição geológica inclui as feições geológicas, paleontológicas, geofísicas e

geomorfológicas da unidade na seção-tipo. A descrição contém duas partes: Uma parte

relacionada com os limites e uma parte relacionada com o conteúdo da unidade.

16

3. Identificação e marcação. Uma exigência importante de um estratotipo é que êle

deve ser marcado claramente. Um estratotipo delimitador é marcado em um ponto,

preferencialmente através de um monumento permanente.

Limites de unidades devem ser designados claramente no local-tipo através da

referência a feições geológicas e geográficas permanentes.

4. Acesso e garantia de preservação. Os estratotipos tem que ser acessíveis a todos

que estejam interessados em seu estudo, sem restrições políticas ou de outro tipo, e

deve haver garantia razoável de sua preservação a longo prazo.

5. Estratotipos de subsuperfície. Os estratotipos de subsuperfície são aceitáveis na

ausência de seções expostas na superfície, sempre que amostras e descrições de

testemunhos de subsuperfície estejam disponíveis.

6. Aceitação. A utilidade de estratotipos como unidades estratigráficas de expressão

internacional está diretamente relacionada à dimensão de sua aceitação geral ou

reconhecimento como padrão de referência para as unidades. É desejável, portanto,

que a designação de um estratotipo seja submetido à aprovação de um órgão geológico

do mais alto nível, para cada caso específico.

A IUGS International Commission on Stratigraphy é o órgão ao qual devem ser

submetidas as propostas de designação de estratotipos de unidades de aplicação

mundial. Os estratotipos de unidades locais exigem a aprovação do serviço geológico

local ou nacional ou de comissões estratigráficas.

D. Exigências para local-tipo de corpos rochosos de rochas ígneas ou

metamórficas não-acamadadas

O local-tipo e área-tipo para corpos rochosos de rochas ígneas ou metamórficas

não-acamadadas devem representar o conceito material da unidade e devem ter outros

atributos de descrição, definição, localização e acesso que são aplicados a unidades

estratigráficas acamadadas.

Capítulo 5. Unidades litoestratigráficas

17

A. Natureza das unidades litoestratigráficas

As unidades litoestratigráficas são corpos de rochas, acamadadas ou não, que

são definidas e caracterizadas com base nas suas propriedades litológicas e suas

relações estratigráficas. As unidades litoestratigráficas são as unidades básicas do

mapeamento geológico.

As relações entre unidades litoestratigráficas e outros tipos de unidades

estratigráficas são discutidas no Capítulo 10.

B. Definições

1. Litoestratigrafia. É o elemento da estratigrafia relacionado com a descrição e

nomenclatura das rochas da Terra com base nas suas litologias e suas relações

estratigráficas.

2. Classificação litoestratigráfica. É a organização de corpos rochosos em unidades

baseadas em suas propriedades litológicas e suas relações estratigráficas.

3. Unidade litoestratigráfica. É um corpo de rochas definido e reconhecido com base

nas suas propriedades litológicas ou combinação de propriedades litológicas e relações

estratigráficas.

Uma unidade litoestratigráfica pode consistir de rochas sedimentares, ígneas ou

metamórficas. As unidades litoestratigráficas são definidas e reconhecidas através de

feições físicas observáveis e não pela sua idade inferida, pelo tempo que representam,

pela história geológica ou pela maneira de formação.

A extensão geográfica de uma unidade litoestratigráfica é controlada inteiramente

pela continuidade e extensão de suas feições litológicas diagnósticas.

C. Tipos de unidades litoestratigráficas

1. Unidades litoestratigráficas formais. Ver Tabela 1 e seção 3.A.5.

A hierarquia convencional de termos litoestratigráficos formais é a seguinte:

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Grupo – Duas ou mais formações

Formação – É a unidade primária da litoestratigrafia

Membro – É a subdivisão litológica nomeada de uma formação

Camada (bed) – É uma camada distinta dentro de um membro ou formação

Derrame – É a camada distinta de menor espessura dentro de uma sequência vulcânica

As unidades que compõem uma unidade de escalão mais alto na subdivisão não

necessitam ser as mesmas em todos os locais.

2. Formação. É a unidade formal primária da classificação litoestratigráfica.

As formações são as únicas unidades litoestratigráficas formais em que a coluna

estratigráfica deve ser dividida inteiramente e universalmente com base em litologia.

O contraste litológico entre formações exigido para justificar o seu estabelecimento

como unidade distintas varia com a complexidade da geologia de uma região e com o

detalhe exigido para mapeamento geológico com vistas ao entendimento de sua história

geológica.

Uma formação não é considerada justificada e útil se não puder ser delineada na

escala de mapeamento geológico usual na região. A espessura das formações pode

variar entre menos de um metro a vários milhares de metros.

3. Membro. É a unidade litoestratigráfica formal de escalão imediatamente inferior à

formação. Possui características litológicas que o distinguem de partes adjacentes da

formação. Não é exigido padrão fixo para a extensão e espessura de um membro. Uma

formação não precisa ser dividida em membros a não ser que haja um objetivo útil

nessa divisão. Algumas formações podem ser divididas completamente em membros;

outras podem ter só certas partes designadas como membros. Um membro pode

estender de uma formação a outra.

Formas especiais de membros (ou de formações) são lentes e línguas. Uma lente

é um corpo de rocha com forma de lente e que possui litologia diferente da unidade que

a engloba. Uma língua é uma parte protuberante de uma unidade litoestratigráfica que

se estende além do corpo principal.

4. Camada (bed). É a menor unidade formal na hierarquia das unidades

litoestratigráficas sedimentares; p. ex.: um único estrato que seja distinto das outras

camadas situadas acima e abaixo. Costumeiramente, só as camadas distintas

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(camadas-chave, camadas marcadoras) que sejam particularmente úteis para fins

estratigráficos recebem nomes próprios e são consideradas unidades litoestratigráficas

formais.

5. Derrame. É um corpo vulcânico extrusivo de dimensão limitada, que pode ser

identificado por textura, composição ou outros critérios objetivos. A designação e

nomeação de derrames como unidades litoestratigráficas formais deve ser restrita

àqueles que sejam distintos e com ampla distribuição.

6. Grupo. É uma sucessão de duas ou mais formações contiguas ou associadas, que

tenham em comum propriedades litológicas distintas e diagnósticas.

As formações não precisam ser agregadas em grupos a não ser que isso seja

uma forma útil de simplificar a classificação estratigráfica em certas regiões ou em

certos intervalos. A espessura de uma sucessão estratigráfica não é um motivo válido

para definir uma unidade como sendo um grupo ao invés de uma formação. As

formações componentes de um grupo não precisam ser iguais em todos os lugares.

7. Supergrupo e subgrupo. O termo “supergrupo” pode ser usado para vários grupos

associados ou para grupos e formações associados, que tenham em comum

propriedades litológicas significativas. Excepcionalmente, um grupo pode ser dividido

em subgrupos.

8. Complexo. É uma unidade litoestratigráfica composta de tipos diversos de qualquer

classe ou classes de rochas (sedimentare, ígneas, metamórficas) e é caracterizada por

litologias misturadas irregularmente or por relações estruturais complexas.

9. Horizonte litoestratigráfico (lito-horizonte). É a superfície de modificação

litoestratigráfica, geralmente o limite de uma unidade litoestratigráfica, ou uma camada

marcadora muito fina e litologicamente distinta, contida em uma unidade

litoestratigráfica.

10. Unidades litoestratigráficas informais. São unidades litoestratigráficas

reconhecidas em estudos preliminares e que não tenham sido descritas e

caracterizadas plenamente; estas unidades recebem eventualmente nomes. Tais

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nomes devem ser considerados informais e não devem ser incluídos em documentos

publicados.

Se uma unidade merece um nome formal, ela merece ser definida e descrita

formalmente de forma adequada.

D. Procedimentos para o estabelecimento de unidades litoestratigráficas

1. Estratotipos e locais-tipo como padrões de definição

Cada unidade litoestratigráfica formal deve ter uma definição ou caracterização

precisa. É essencial designar um estratotipo para uma unidade acamadada ou um local-

tipo para uma unidade não-acamadada.

A designação de seções de referência auxiliares ou locais-tipo adicionais pode ser

feita para suplementar a definição de uma unidade litoestratigráfica. Quando não houver

a exposição de uma seção completa de uma unidade em determinada área, há

necessidade designar os estratotipos delimitadores na base e no topo de seções

específicas.

2. Limites. Os limites de unidades litoestratigráficas são colocados em posições de

mudanças litológicas ou colocados arbitrariamente dentro de zonas de gradação ou

interdigitação litológica vertical ou lateral. Em trabalho de subsuperfície, geralmente

ocorre desmoronamento das paredes do furo, tornando melhor definir limites

litoestratigráficos na ocorrência mais superior de um tipo específico de rocha do que na

mais inferior.

3. Discordâncias e hiatos. Sequências estratigráficas de composição litológica

semelhante mas separadas por discordâncias regionais ou por hiatos significativos

devem ser mapeadas como unidades litoestratigráficas separadas.

Hiatos locais ou de menor expressão, desconformidades ou discordâncias dentro

de uma sequência que tenha composição litológica semelhante não são suficientes para

o reconhecimento de mais de uma unidades litoestratigráfica.

E. Procedimentos para a ampliação de unidades litoestratigráficas – Correlação

litoestratigráfica

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Uma unidade litoestratigráfica e seus limites são ampliados a partir da seção-tipo

ou local-tipo somente até onde ocorram as propriedades litológicas diagnósticas em que

a unidade é baseada.

1. Uso de evidências indiretas para a identificação de unidades e de seus limites.

Onde a identidade litológica é difícil de ser determinada porque não existem

afloramentos ou eles são ruins, uma unidade litoestratigráfica e seus limites podem ser

identificados e correlacionados com base em evidências indiretas: Expressão

geomorfológica, descrição de testemunhos geofísicos (wire-line logs), reflexões

sísmicas, vegetação distinta, etc.

2. Camadas marcadoras utilizadas como limites. O topo ou base de uma camada

marcadora pode ser utilizada como um limite para uma unidade litoestratigráfica formal

quando a camada marcadora ocorre no local identificável de modificação vertical em

litologia ou próximo ao local.

F. Nomeando unidades litoestratigráficas.

1. Geral. O nome de unidades litoestratigráficas é dado de acordo com as regras gerais

para a nomeação de unidades estratigráficas (seção 3.B.3).

No caso de unidades litoestratigráficas, pode ser utilizado um termo litológico

simples, que indique o tipo de rocha dominante, ao invés do termo-unidade que indica a

hierarquia (grupo, formação, membro, camada). No entanto, o uso de termo-unidade é

preferível. É desencorajado o uso simultâneo de um termo litológico e de um termo-

unidade.

Os termos “inferior”, “médio” e “superior” não devem ser utilizados para

subdivisões de unidades litoestratigráficas.

2. Componente geográfico do nome. Ver seção 3.B.3.a.

No caso de mudanças laterais na composição litológica, é desejável a modificação

do nome geográfico para mudanças regionais importante, mas não é desejável a

proposição indiscriminada de novos nomes para mudanças litológicas menores.

Termos compostos, combinados ou litogenéticos não devem ser utilizados.

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3. Alguns aspectos especiais de rochas ígneas e metamórficas. Rochas vulcânicas

estratificadas e corpos de rochas metamórficas que podem ser reconhecidos como

sendo de origem sedimentar e/ou vulcânica extrusiva podem ser tratados como

unidades litoestratigráficas sedimentares.

Rochas ígneas não acamadadas e corpos de rochas metamórficas que estão

deformados e/ou recristalizados, de forma que seu acamadamento original e sucessão

estratigráfica original não podem mais ser identificados, exigem um tratamento um tanto

diferente.

Na condição de unidades litoestratigráficas, seu nome deve ser composto de um

termo geográfico local apropriado, combinado com um termo-unidade ou com um termo

litológico de campo e simples. No entanto, a maioria dos geólogos parece concordar

que termos-unidade como “grupo”, “formação” ou “membro” tem a conotação de

estratificação e posicionamento dentro de uma sequência estratigráfica, de forma que é

mais apropriado utilizar, para essas unidades não acamadadas, termos litológicos de

campo e simples, tais como “granito”, “gnaisse” ou “xisto”.

Também é apropriado o uso dos termos “complexo”, “melange” e “ofiolito”. Por

outro lado, o uso do termo “suite” parece não-aconselhável. O termo tem sido usado

comumente para associações de corpos de rochas ígneas intrusivas co-magmáticas e

que tenham litologias similares ou relacionadas e também associação íntima no tempo,

espaço e origem.

O uso de adjetivos qualificadores como “plutônica”, “ígnea” ou “vulcânica” deve ser

preferencialmente minimizado na nomenclatura formal de unidades litoestratigráficas,

mas pode ser feito para ajudar a esclarecer a natureza de uma unidade; p. ex.:

“complexo ígneo”, “complexo vulcânico”.

Deve ser evitado o uso de adjetivos na condição de nomes, tais como “vulcânica”

ou “metamórfica”, apesar do fato de terem sido utilizados amplamente até hoje.

Os nomes litoestratigráficos de corpos de rochas ígneas e metamórficas não

devem incluir termos que expressam forma ou estrutura, tais como “dique”, “sill”,

“pluton” e “neck”, ou o termo mais genérico “intrusão”. Estes termos não indicam

litologia, não são termos-unidade na hierarquia litoestratigráfica, e não são, portanto,

termos litoestratigráficos.

G. Revisão de unidades litoestratigráficas. Ver seções 3.B.5, 5.F.2 e 5.F.3.

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Capítulo 6. Unidades delimitadas por discordâncias

A. Natureza das unidades delimitadas por discordâncias

As unidades delimitadas por discordâncias são corpos de rochas limitados tanto

no topo quanto na base por discordâncias significativas. Elas são compostas por

diversos tipos de rochas diferentes, mas as propriedades litológicas dessas rochas, seu

conteúdo fossilífero, ou o intervalo cronoestratigráfico das rochas de cada lado das

discordâncias delimitadoras só são significativos para o reconhecimento das

discordâncias delimitadoras.

Unidades delimitadas por discordâncias são unidades estratigráficas objetivas e

são identificadas sem relação com a gênese ou interpretação do motivo causador das

discordâncias delimitadoras. A relação entre as unidades delimitadas por discordâncias

e outros tipos de unidades estratigráficas é discutida no Capítulo 10.

B. Definições

1. Unidade delimitada por discordâncias. É uma corpo de rochas limitado na base e

no topo por discordâncias significativas, designadas especificamente, presentes na

sucessão estratigráfica e que tenham preferencialmente extensão regional ou inter-

regional.

Os critérios diagnósticos utilizados para estabelecer e identificar uma unidade

delimitada por discordância são as suas duas discordâncias designadas. Unidades

delimitadas por discordância podem incluir qualquer número de outros tipos de

unidades estratigráficas.

2. Discordância. É uma superfície de erosão entre corpos de rochas e que representa

um hiato ou vazio significativo na sucessão estratigráfica. Alguns tipos de discordâncias

são:

a. Discordância angular. É uma discordância em que os planos de acamadamento

situados acima e abaixo da discordância apresentam um ângulo >0° entre si.

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b. Disconformidade. É uma discordância em que os planos de acamadamento

situados acima e abaixo da quebra estratigráfica estão essencialmente paralelos.

c. Diastema. É uma curta interrupção na deposição, com pouca ou nenhuma erosão

antes do reinício da sedimentação. Os diastemas não constituem uma base apropriada

para o estabelecimento de unidades delimitadas por discordância.

C. Tipos de unidades delimitadas por discordâncias

O sintema é a unidade básica delimitada por discordância.

D. Hierarquia de unidades delimitadas por discordâncias

E. Procedimentos para o estabelecimento de unidades delimitadas por

discordâncias

A presença ou ausência de descontinuidades delimitadoras é o único critério

diagnóstico para o estabelecimento, definição, reconhecimento e ampliação de

unidades delimitadas por discordâncias. Por isso, a definição dessas unidades deve

enfatizar a discussão da natureza, posição e caracterização das descontinuidades.

As unidades delimitadas por discordâncias devem ser estabelecidas somente

onde e quando atenderem uma necessidade que as demais unidades estratigráficas

não preenchem.

F. Procedimentos para a ampliação das unidades delimitadas por

discordâncias

Uma unidade delimitada por discordâncias deve ser ampliada lateralmente

somente até onde suas duas discordâncias delimitadoras podem ser reconhecidas.

G. Nomeando unidades delimitadas por discordâncias. Ver seção 3.B.3.

H. Revisão de unidades delimitadas por discordâncias. Ver seção 3.B.5.

Capítulo 7. Unidades bioestratigráficas

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A. Natureza das unidades bioestratigráficas

As unidades bioestratigráficas (biozonas) são corpos de estratos definidos ou

caracterizados com no seu conteúdo fossilífero.

As unidades bioestratigráficas só existem onde tenha sido identificada a feição ou

atributo diagnóstico específico em que a unidade é baseada. Unidades

bioestratigráficas, portanto, são unidades objetivas baseadas na identificação da taxa

fóssil. O seu reconhecimento depende da identificação dos seus atributos definidores ou

caracterizadores. Unidades bioestratigráficas podem ser ampliadas com vistas a incluir

uma fatia maior do registro estratigráfico, tanto verticalmente quanto geograficamente,

sempre forem obtidos dados adicionais. E ainda, elas dependem da prática taxonômica,

e por isso mudanças na sua base taxonômica podem aumentar ou reduzir o corpo de

estratos incluídos em uma unidade bioestratigráfica específica.

Uma unidade bioestratigráfica podem ser baseada em um único taxon, em

combinações de taxa, em feições morfológicas especificadas, ou em variações em

quaisquer das muitas feições relacionadas com o conteúdo e distribuição dos fósseis

nos estratos. O mesmo intervalo de estratos pode ter zonação diferente na dependência

de critérios diagnósticos ou grupo de fósseis escolhido. Assim, podem haver vários tipos

de unidades bioestratigráficas no mesmo intervalo de estratos se houverem vazios

(gaps) ou superposições de sua variação vertical e horizontal.

Unidades bioestratigráficas são diferentes de outros tipos de unidades

estratigráficas porque os organismos, cujos restos fossilizados são responsáveis pelo

seu estabelecimento, mostram mudanças evolutionárias através do tempo geológico

que não são repetidos no registro estratigráfico. Isso torna a assembléia fossilífera de

uma certa idade diferente de qualquer outra.

A relação entre unidades bioestratigráficas e outros tipos de unidades

estratigráficas será discutida no Capítulo 10.

B. Os fósseis

1. Valor dos fósseis. Fósseis já foram organismos vivos e são portanto indicadores

sensíveis do passado, como ambientes, estilos de sedimentação e suas distribuições.

Além disso, devido à irreversibilidade da evolução, os fósseis são particularmente úteis

para elucidar os tempos relativos de origem dos estratos sedimentares.

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