Hipoglicemia no RN, Notas de estudo de Enfermagem
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Hipoglicemia do recem nascido

Recém-Nascido

Resenha compilada por Anthony F. Williams, DPhil, FRCP

Catedrático e Consultor em Pediatria Perinatal St. George‘s Hospital Medical School

Londres, Reino Unido

Organização Pan Americana de Saúde Organização

Mundial da Saúde Divisão de Prevenção e Controle de Doenças

Programa de Doenças Transmissiveis Unidade de Atenção Integrada das

Doenças Prevalentes da Infancia

Documento original WHSCHD97.1 “Hipoglicemia do Recém-Nascido”, Organização Mundial da Saúde, Genebre, Suiza. A tradução, impressão, distribução de versão em espanhol estive a cargo da unidade de Atenção Integrada das Doenças Prevalentes da Infancia, Programa de Doenças Transmissiveis , Divisão de Prevenção e Controle de Doenças

Este documento não é uma publicação oficial da Organização Mundial da Saúde (OMS), que se reserva todos os direitos sobre o mesmo. Permite-se, porém, a revisão, reprodução, tradução ou condensação do documento, no todo ou em parte, exceto para venda ou para uso vinculado a fins comerciais.

A responsabilidade pelas opiniões expressas em documentos por autores identificados recai unicamente sobre ditos autores.

Hipoglicemia no

Índice Page

Agradecimentos 1

Resumo de Diretrizes para Prevenção e Controle 2

Resumo Executivo 5

1. HISTÓRICO 7

1.1 Padrões de hipoglicemia 7

1.2 Hipoglicemia “sintomática” e “assintomática” 8

1.3 Hipoglicemia neonatal: problemas atuais 9

2. HOMEOSTASE DA GLICOSE E ADAPTAÇÃO METABÓLICA NO NASCIMENTO 10

2.1 O ambiente nutricional e metabólico do feto 10 Tabela 1. Efeitos metabólicos da insulina 11

2.2 A regulação do nível de glicose no sangue após o nascimento 11 Tabela 2. Hormônios contra-reguladores 11

2.3 Ocorrências metabólicas no nascimento: o papel da insulina e de outros substratos além da glicose 13

2.4 Homeostase anormal da glicose 15 Tabela 3. Causas de hipoglicemia neonatal recorrente e persistente 20

3. EFEITOS DA HIPOGLICEMIA NO SISTEMA NERVOSO CENTRAL 21

3.1 Patologia das lesões cerebrais associadas a hipoglicemia 21

3.2 Defesas cerebrais na hipoglicemia 21

3.3 Resumo 22

4. DEFINIÇÃO DE HIPOGLICEMIA 23 Tabela 4. Algumas definições de hipoglicemia neonatal 23

4.1 Definição estatística 23

4.2 Definição metabólica 25

4.3 Definição neurofisiológica 25

4.4 Definição baseada no desenvolvimento neurológico 26

4.5 Resumo 27

5. TRIAGEM 28

5.1 Métodos de medição do nível de glicose no sangue e no plasma 28

5.2 Efetividade da triagem baseada em métodos de tira reagente 31 Tabela 5. Eficiência da triagem de hipoglicemia neonatal 32 usando métodos baseados em tira reagente 32

5.3 Incidência de hipoglicemia 32

5.4 Resumo: é necessária a triagem para detectar hipoglicemia? 33

6. PREVENÇÃO 35

6.1 Fatores periparto 35

6.2 Regimes alimentares 35

6.3 Aditivos em alimentos lácteos 39

6.4 Bebês que não podem ser alimentados 40

7. TRATAMENTO 42

7.1 Alimentação entérica 42

7.2 Tratamento intravenoso 43

7.3 Drogas 44

8. PESQUISA 45

8.1 A hipoglicemia neonatal compromete o desenvolvimento neurológico? 45

8.2 Qual a relação entre consumo precoce de leite materno e as concentrações plasmáticas de substratos metabólicos? 45

8.3 Qual é a incidência de hipoglicemia neonatal em países menos desenvolvidos? 45

8.4 Qual é o limiar “seguro” da concentração de glicose no sangue de um prematuro? 45

8.5 Qual o papel da administração de glucagon na prevenção e tratamento de hipoglicemia neonatal? 46

8.6 O leite de peito é mais cetogênico do que uma fórmula? Caso afirmativo, por quê? 46

8.7 Papel da medição de outros substratos na formulação de decisões clínicas. 46

8.8 Bebês pequenos para o tempo de gestação (PTG). 46

Referências 48

Agradecimentos

Devemos muitos agradecimentos às seguintes pessoas, que encontraram tempo para ler uma versão preliminar deste trabalho, no todo ou em parte, e que ofereceram críticas valiosas e construtivas: Professora Anna Alisyahbana (Indonésia), Professor A. Aynsley-Green (Institute of Child Health, Londres), Dr. Anthony Costello (Institute of Child Health, Londres), Dra. Armida Fernandes (Bombaim), Dra. Jane Hawdon (University College Hospitals, Londres), Professor W.W. Hay (Colorado), Dra. Jane E. McGowan (Pensilvânia), Dr. A. Mehta (Dundee), Dr. M. Ward Platt (Newcastle) e Dr. S.N. Vani (Ahmedabad).

Resumo de Diretrizes para Prevenção e Controle

1. A amamentação natural exclusiva desde cedo é uma maneira segura de atender às necessidades de recém-nascidos a termo sadios em todo o mundo.

2. Não há necessidade de triagem para detecção de hipoglicemia em recém-nascidos a termo sadios que são amamentados à vontade, nem é necessário que recebam suplementos alimentares ou líquidos.

3. Os recém-nascidos a termo sadios não apresentam hipoglicemia “sintomática” em conseqüência de subalimentação simples. Numa criança em que haja suspeita de hipoglicemia (ver o ponto 17), deve-se procurar condição subjacente. A detecção e tratamento da causa é tão importante como a correção do nível de glicose no sangue.

4. Além da amamentação natural, a proteção térmica (a manutenção da temperatura normal do corpo) é necessária para prevenir a hipoglicemia.

5. A amamentação natural deve ser iniciada tão logo o recém-nascido esteja pronto para recebê-la, de preferência dentro de uma hora após o parto. Imediatamente após o parto, a criança deve ser enxugada e colocada junto ao seio da mãe, com pele contra pele, para dar calor e facilitar o início da amamentação.

6. A amamentação natural à vontade deve ser mantida. Os recém-nascidos a termo sadios mostram sinais de disposição para se alimentarem quando sentem fome, mas o intervalo entre as mamadas varia muito, particularmente nos primeiros dias de vida. Não há indicações de que os recém-nascidos sadios sejam afetados por longos intervalos entre mamadas, quando são agasalhados e amamentados ao mostrarem sinais de fome. A criança que não mostra sinais de fome ou não tem disposição para se alimentar deve ser examinada, para eliminar a possibilidade de doenças subjacentes.

7. Os recém nascidos em risco de hipoglicemia compreendem aqueles que são prematuros eou pequenos em relação ao tempo de gestação (PTG), os que sofreram asfixia durante o parto ou que estão doentes e os que nasceram de mães diabéticas.

8. No recém-nascido em risco, a maior probabilidade de ocorrer hipoglicemia verifica-se nas primeiras 24 horas de vida, ao se adaptar a criança à vida extra-uterina. Nem sempre a hipoglicemia que se manifesta após o primeiro dia de vida ou que persiste ou retorna indica uma alimentação inadequada. É possível que indique distúrbios subjacentes, como uma infecção ou toda uma série de outras condições (ver a Tabela 3 do documento principal). Cumpre consultar os textos padrão.

9. Para os recém-nascidos em risco, o leite materno é o alimento mais inócuo e dieteticamente mais apropriado. Para certos bebês nascidos com peso muito baixo, porém, pode haver necessidade de suplementá-lo com nutrientes específicos.

10. Os recém-nascidos em risco com 32 semanas ou mais de tempo de gestação ou com peso superior a 1500 g ao nascer podem estar em condições de mamar suficientemente para satisfazer as suas necessidades nutricionais (mas veja-se também o ponto 12). Quando sadia, deve-se dar à criança a oportunidade de mamar dentro de uma hora após o parto, tal como aos bebês nascidos a termo.

11. O recém-nascido em risco que é capaz de sugar suficientemente deve continuar amamentando ao seio quando mostra sinais de fome. Não se deve, porém, deixar que espere mais de três horas entre uma e outra mamada. Deve-se manter cuidadosamente a temperatura do corpo.

12. O recém-nascido em risco que não é capaz de sugar adequadamente e obter do seio todo o leite de que necessita, mas que esteja em condições de receber alimentação oral, pode ser alimentado com leite materno extraído (LME) ou, se necessário, com um substituto adequado do leite materno, com uso de xícara ou cevadura (alimentação por meio de sonda orogástrica ou nasogástrica). Deve-se começar a dar o alimento dentro de três horas após o parto, continuando por pelo menos três horas desde então.

13. Devem ser consultados os textos padrão para detalhes da alimentação de recém-nascidos com menos de 32 semanas de gestação ou com peso muito baixo ao nascer, que se mostram doentias ou que nasceram de mães diabéticas; ou que não são capazes de receber alimentação por via entérica.

14. Havendo disponibilidade de medidas laboratoriais confiáveis, a concentração de glicose no sangue do recém-nascido em risco deve ser aferida em aproximadamente 4-6 horas após o parto, antes de receber alimento. As medições que usam tiras de papel reagente baseadas em glicose-oxidase têm baixa sensibilidade e especificidade em recém-nascidos e não merecem confiança.

15. Para os recém-nascidos em risco que não acusam sinais clínicos anormais (“assintomáticos”), a concentração de glicose no sangue deve ser, de preferência, mantida em ou acima de 2,6 mmoll (47 mg100 ml).

Se a concentração de glicose no sangue for inferior a 2,6 mmoll: § A criança deve ser alimentada. Se a criança for capaz de sugar adequadamente, pode-se dar o peito. Caso contrário, pode-se dar LME ou um substituto apropriado do leite materno usando xícara ou sonda. § A medição da glicose no sangue deve ser repetida preferivelmente após uma hora e, com certeza, antes da próxima mamada, três horas depois. Se a concentração continuar inferior a 2,6 mmoll, deve-se cogitar da administração intravenosa de glicose. § Se não houver imediata disponibilidade de facilidades para a administração intravenosa de glicose, deve-se dar um suplemento alimentar por meio de xícara ou cevadura. § A amamentação natural deve ser mantida.

16. Não havendo disponibilidade de medidas laboratoriais confiáveis de glicose no sangue, deve-se manter o recém-nascido em risco agasalhado e amamentado ao seio. Se não for possível

a amamentação ao seio, deve-se-lhe dar suplementos de LME ou um substituto apropriado do leite materno, por meio de xícara ou cevadura, a intervalos de pelo menos três horas. A criança deve continuar sendo amamentada tanto quanto seja capaz de sugar.

17. Se a criança não estiver bem ou mostrar sinais de hipoglicemia — apnéia, cianose, agitação ou convulsões (“hipoglicemia sintomática”) —, não se aplicam as diretrizes acima. Deve-se medir com urgência a glicose no sangue e, se o índice for inferior a 2,6 mmoll, administrar glicose intravenosa o mais depressa possível.

18. Para o controle de “hipoglicemia sintomática”, quando é indicado e viável o tratamento intravenoso, dar glicose a 10% por via intravenosa. Deve-se verificar a glicose no sangue e ajustar a taxa de infusão conforme essa verificação. Continuar com a alimentação normal tão logo seja possível.

19. Não sendo possível a medição confiável da glicose no sangue, deve-se reservar a glicose intravenosa para o tratamento de complicações graves associadas a hipoglicemia (p. ex., convulsões) e para situações em que seja contra-indicada a alimentação por via entérica. Noutras condições, o tratamento entérico é preferível.

Encontrar-se-ão maiores detalhes sobre os procedimentos acima no documento principal — “Hipoglicemia do Recém-Nascido” (WHOCHD97.1) (WHOMSM97.1).

Definições

Amamentação natural exclusiva: O recém-nascido não recebe nenhum outro alimento ou bebida, nem mesmo água, além do leite de peito (exceção feita de quaisquer gotas ou xaropes medicinais que possam ser indicados).

Prematuro: O bebê nascido antes de 37 semanas completas de gestação.

Pequeno em relação ao tempo de gestação (PTG): Peso ao nascer inferior ao décimo percentil para crianças da mesma população e com o mesmo tempo de gestação.

Peso muito baixo ao nascer: Peso ao nascer inferior a 1500 gramas.

Resumo Executivo

1. O termo “hipoglicemia” refere-se a uma baixa concentração de glicose no sangue. A hipoglicemia neonatal não é uma condição médica e si mesma, constituindo antes uma manifestação doentia ou a falta de adaptação da situação fetal, de consumo transplacental contínuo de glicose, para o padrão extra-uterino de recebimento intermitente de nutriente. A probabilidade de ocorrência é maior em condições nas quais a criança tem frio ou em que é retardado o início da alimentação.

2. A adaptação metabólica no nascimento envolve a mobilização de depósitos de glicogênio (glicogenólise), síntese hepática de glicose de outros substratos (gliconeogênese) e a produção de combustíveis cerebrais alternativos, tais como os corpos cetônicos. A série de processos que garantem a disponibilidade de glicose e outros combustíveis é coletivamente denominada contra- regulação. Eles são ativados principalmente pelo glucagon e pela adrenalina. A concentração de glicose no sangue é apenas uma peça de um complicado quebra-cabeça metabólico e não pode ser interpretada isoladamente. (Seção 2.2; Seção 3.2)

3. Não está adequadamente definida uma “faixa normal” de valores de glicose no sangue do recém-nascido. Os valores sofrem a influência do peso, do tempo de gestação, do método de alimentação e da idade pós-natal. São poucos os estudos de crianças amamentadas ao seio e eles não definem padrões de alimentação nem de ingestão de leite. (Seção 4.1)

4. Há controvérsia no que se refere à definição de uma concentração “inócua” de glicose no sangue, ou seja, de um valor abaixo do qual há risco de comprometimento do desenvolvimento neurológico a longo prazo. A hipoglicemia associada a sinais clínicos anormais (hipoglicemia sintomática) apresenta perspectivas sombrias a curto e a longo prazo, mas e evidência de risco na ausência de sinais clínicos (hipoglicemia assintomática) é inconcludente. Esse fato seria de esperar, dado que a manutenção da função cerebral depende tanto da capacidade de mobilizar combustíveis alternativos (p. ex., cetonas) como da concentração de glicose no sangue. (Capítulo 1; Capítulo 3)

5. Segue-se que a maturidade antecipada da resposta contra-reguladora e a presença de sintomas devem ter tanta influência na decisão de tratar ou não tratar como a concentração de glicose no sangue. Não se pode formular uma definição rígida de hipoglicemia aplicável em todas as situações clínicas.

6. Não há indícios de que baixas concentrações de glicose no sangue entre bebês sadios nascidos a termo e amamentados ao seio possam dar resultados prejudiciais. Os recém-nascidos a termo sadios que são amamentados ao seio à vontade não necessitam de outro alimento ou bebida além do leite de peito. (Seção 6.2.1)

7. Todos os recém-nascidos devem receber alimento o mais depressa possível após o parto. Aos que são sadios e suficientemente maduros para sugar deve-se oferecer o seio. Há indícios de que o leite de peito promove a cetogênese mais vigorosamente do que as fórmulas. (Seção 2.3)

8. A triagem de hipoglicemia usando tiras reagentes à base de glicose-oxidase apresenta pouca sensibilidade e especificidade. É preferível fazer ocasionalmente medições laboratoriais de glicose no sangue antes da alimentação de crianças em risco. A triagem de hipoglicemia em recém-nascidos a termo sadios que recebem amamentação natural é ainda mais imprópria pelo fato de não estar definida uma faixa normal de índices de glicose no sangue. (Seção 4.1; Seção 5.1.6)

9. Há indícios de que os prematuros e os bebês que são pequenos em relação ao tempo de gestação acusam uma debilitação da resposta contra-reguladora face à hipoglicemia. Por isso, é importante a detecção e tratamento de hipoglicemia nesses grupos. Outros grupos de crianças em risco de hipoglicemia precoce são aqueles que estão infectados, sofreram asfixia durante o parto ou nasceram de mães diabéticas. Pode-se fazer necessária nesses grupos a suplementação alimentar tanto para prevenção como tratamento de hipoglicemia. A hipoglicemia que volta ou persiste mais de 48-72 horas após o parto sugere uma condição médica subjacente (p. ex., erro congênito de metabolismo ou distúrbio endócrino). (Seção 2.3; Capítulo 6; Capítulo 7)

10. O recém-nascido em risco de hipoglicemia que é suficientemente maduro para sugar deve ser amamentado naturalmente à vontade. Deve-se fazer uma estimativa da glicose no sangue antes de uma mamada, por volta de 4-6 horas de idade. Os indícios atualmente disponíveis sugerem a consideração de um suplemento alimentar se o valor for inferior a 2,6 mmoll, embora não haja indicações concludentes de que uma breve exposição a níveis mais baixos seja prejudicial em recém-nascidos assintomáticos. A medição da glicose no sangue deve ser repetida uma hora após a mamada. Se o valor de glicose no sangue permanecer ainda abaixo de 2,6 mmoll, torna-se necessário o tratamento com uma infusão intravenosa de glicose. (Seção 6.2; Seção 7.1)

11. O recém-nascido demasiado imaturo deve receber alimentação suplementar por meio de xícara ou sonda. Dar de preferência leite de peito ou fórmula, que é preferível à solução aquosa de dextrose, por ter maior densidade energética e conter gorduras que promovem a cetogênese e reduzem a oxidação da glicose. O volume de leite administrado deve ser de 60 (mlkg)d no primeiro dia, 90 (mlkg)d no segundo dia, 120 (mlkg)d no terceiro e 150 (mlkg)d no quarto. O bebê em condição estável e sem dificuldade respiratória pode tolerar volumes maiores, começando com 100 (mlkg)d no primeiro dia. A concentração de glicose no sangue deve ser medida por volta de 4-6 horas de idade. (Seção 6.1; Seção 7.1)

12. A criança doente que tem sintomas clínicos que contra-indicam a alimentação entérica (p. ex., instabilidade cárdio-respiratória, distensão abdominal) deve receber uma infusão intravenosa de dextrose a 10%, começando com 60 (mlkg)d. Essa quantidade de glicose (4 (mgkg)min) manterá a normoglicemia na maioria das crianças de peso apropriado para o tempo de gestação. A taxa de infusão deve ser ajustada de acordo com a concentração de glicose no sangue. (Seção 6.2; Seção 7.1)

13. A triagem e a suplementação alimentar são impróprias para recém-nascidos que são sadios mas grandes em relação ao tempo de gestação, a menos que se trate de crianças nascidas de mães sabidamente diabéticas. (Seção 5.3; Seção 5.4; Seção 6.2.5)

Hipoglicemia do Recém-Nascido

1. HISTÓRICO

O termo “hipoglicemia” refere-se a uma redução da concentração de glicose no sangue em circulação. Foi descrita pela primeira vez em crianças há quase um século e reconhecida há mais de 50 anos em recém-nascidos e lactantes maiores (1). Dados os numerosos avanços ocorridos desde então na atenção dos recém-nascidos, é surpreendente que a definição, o significado e o controle da hipoglicemia neonatal estejam ainda cercados de tanta controvérsia. Paradoxalmente, avanços tecnológicos na forma de monitoração de glicose junto ao leito vieram agravar em vez de minorar o problema, por facilitar a triagem de uma entidade clínica mal caracterizada.

1.1 Padrões de hipoglicemia

A vulnerabilidade dos prematuros e dos bebês nascidos de mães diabéticas à hipoglicemia é reconhecida desde os primórdios da medicina neonatal (p. ex., 2, 3, 4, 5). O caráter transitório da hipoglicemia e a aparentemente pouca freqüência de manifestações clínicas levaram muitos a supor que a ocorrência de baixas concentrações de glicose no sangue entre aqueles grupos fosse inócua e “fisiológica”, em contraste com a hipoglicemia causada por distúrbios metabólicos e endócrinos. Em 1959, contudo, Cornblath et al (6) descreveram oito recém-nascidos com 2 dias de idade nascidos de mães com toxemia pré-eclâmptica, nos quais os sintomas (apnéia, cianose, coma e convulsões) estavam associados a concentrações reduzidas de glicose no sangue (1-24 mgdl)11. Depois de descrever uma resposta clínica à infusão intravenosa de glicose, os autores chamaram atenção para o “curso de cura espontânea mas algo recalcitrante” da hipoglicemia. O resultado para esse pequeno grupo de crianças foi pouco animador. Cinco mostraram-se normais no seguimento com duas semanas a onze meses, mas um veio a falecer e dois acusaram anormalidades neurológicas persistentes. Seguiram-se outras descrições de seqüelas neurológicas associadas à hipoglicemia sintomática (isto é, associada a sinais clínicos22 que desaparecem com o aumento da concentração de glicose no sangue). Manifestou-se a preocupação de que a hipoglicemia sem sinais clínicos2 (hipoglicemia assintomática) pudesse também levar a seqüelas no desenvolvimento neurológico. Veio daí uma tentativa de definir a hipoglicemia estatisticamente, como uma concentração de glicose no sangue inferior em mais de 2 desvios padrão à média de populações de recém-nascidos sadios a termo com baixo peso ao nascer. Esse fato e a introdução na década de 1970 de testes de glicose por meio de tiras reagentes (Dextrostix, por exemplo) para triagem junto ao berço de recém- nascidos em risco levaram a classificações clínicas de hipoglicemia neonatal (p. ex., 7, 8). Gutberlet e Cornblath mg100 ml (8) estimaram a prevalência de hipoglicemia (definida como uma concentração de glicose no soro de <30 mg100 ml) em 4,4 por 1000 nascidos vivos a termo, 15,5 por 1000 recém-nascidos com baixo peso ao nascer. Lubchenco e Bard (9) chegaram a estimativas muito mais altas: 11,4% de todas as admissões pediátricas e 20,3% dos bebês prematuros ou com baixo peso ao nascer acusaram concentrações <30 mg100 ml de açúcar no sangue quando submetidos a triagem antes da mamada às 6 horas de idade.

A estimativa da freqüência exata de hipoglicemia assintomática evidentemente traz à baila a questão da definição numérica. Esse aspecto é examinado na Seção 4, mas convém assinalar a

esta altura que a hipoglicemia transitória é um problema comum observado em países tanto industrializados como menos desenvolvidos. Nestes últimos, são raros os estudos formais. Anderson et al (10), contudo, observaram que 38% dos nascimentos a termo sem complicações em Kathmandu, Nepal, mostraram um nível de glicose de <2,6 mmoll durante as primeiras 50 horas de vida. Assim, têm importância mundial a detecção correta de hipoglicemia e a instituição de tratamento apropriado e seguro, que não seja prejudicial à amamentação natural.

1.2 Hipoglicemia “sintomática” e “assintomática”

Não obstante a caracterização clínica da hipoglicemia neonatal com base na concentração de glicose no sangue, houve controvérsia quanto a ser a hipoglicemia, particularmente na ausência de sinais clínicos, causada por seqüelas no desenvolvimento neurológico ou simplesmente a elas associada. Identificaram-se seqüelas neurológicas de longo prazo em até 35% daqueles com hipoglicemia sintomática e 20% daqueles com hipoglicemia assintomática (11, 12); outros, porém, não encontraram relação alguma (13).

Num grande estudo retrospectivo de controle de casos, Koivisto (14) e colaboradores acompanharam 151 casos de hipoglicemia neonatal (definida como índice de glicose no sangue inferior a 30 mgdl) durante até quatro anos. A série de controle consistiu de 56 recém-nascidos assintomáticos tratados simultaneamente, sem hipoglicemia ou doenças neonatais. No seguimento, 94% dos 66 pacientes assintomáticos e 95% dos casos de controle foram classificados como normais no desenvolvimento. Entre os 85 que haviam sofrido hipoglicemia sintomática, apenas 50% dos que apresentaram convulsões (8 crianças) e 88% dos que apresentaram sintomas não convulsivos tiveram desenvolvimento normal. Assim, aquele estudo não identificou anormalidades significativas no desenvolvimento neurológico em lactantes com hipoglicemia assintomática. Os autores destacaram a tendência da hipoglicemia sintomática a se apresentar na evolução clínica mais tarde do que a assintomática. Foram registradas conclusões semelhantes num estudo de seguimento de 107 casos de hipoglicemia neonatal assintomática ou sintomática recentemente publicado na Índia (15).

Pildes et al (16) estudaram o efeito do tratamento sobre a prognose num estudo prospectivo de 39 casos. Foram selecionados 41 controles na primeira semana de vida, tendo-se procurado a maior correspondência possível quanto a sexo, peso, gestação, grupo étnico, modo de nascimento, condição ao nascer, química do soro e data de nascimento. No seguimento (5 a 7 anos de idade), em apenas dois casos hipoglicemia “tratada adequadamente” foi o único fator identificável associado a seqüelas neurológicas. Lamentavelmente, apesar dos ingentes esforços envidados para achar uma correspondência prospectiva entre casos e controles, verificou-se extraordinária diferença no número de crianças pequenas em relação ao tempo de gestação (72,2% dos casos, 28,8% dos controles). Isso põe em evidência a debilidade da metodologia de casos e controles para estudar e determinar se a própria hipoglicemia afeta o resultado ou constitui apenas uma variável substituta de outros fatores de risco. Sinclair (17) assinalou recentemente que todos os estudos até agora foram demasiado falhos para demonstrar uma correlação definitiva entre hipoglicemia e efeitos no desenvolvimento. Ao que tudo parece indicar, uma análise aleatória de intervenções seria a única maneira de estudar adequadamente esse problema.

1.3 Hipoglicemia neonatal: problemas atuais

A hipoglicemia sintomática está associada ao risco de seqüelas de longo prazo no desenvolvimento neurológico, embora sejam escassos os indícios de um vínculo causal. Persiste por diversas razões a controvérsia em relação ao significado da hipoglicemia assintomática. Em primeiro lugar, a glicose é apenas um de vários combustíveis cerebrais e os recém-nascidos a termo sadios, capazes de deflagrar uma resposta contra-reguladora (Seção 2) parecem ter poucas probabilidade de desenvolver seqüelas, quando assintomáticos. Um corolário desse achado é o fato de que os prematuros e os recém-nascidos que são pequenos em relação ao tempo de gestação (PTG) podem estar em maior risco de seqüelas (18) em virtude de imaturidade metabólica (Seção 2). Em segundo, parece provável que os recém-nascidos que apresentaram hipoglicemia sintomática eram hipoglicêmicos, embora assintomáticos, numa etapa inicial da sua progressão clínica. Torna-se assim difícil uma rigorosa classificação dicotômica de hipoglicemia sintomática e assintomática. 2. HOMEOSTASE DA GLICOSE E ADAPTAÇÃO METABÓLICA NO

NASCIMENTO

2.1 O ambiente nutricional e metabólico do feto

Durante a vida fetal, os principais substratos energéticos são a glicose, os aminoácidos e o lactato, respondendo a glicose pela provisão de cerca de metade dos requisitos energéticos totais. A glicose atravessa a placenta por difusão facilitada ao longo de um gradiente de densidade entre o plasma materno e o plasma fetal, verificando-se no plasma fetal níveis de glicose correspondentes a 70-80% dos encontrados no plasma venoso da mãe. O consumo fetal líquido de glicose depende muito tanto da concentração de glicose no sangue materno como do gradiente de densidade placentária, mas se aproxima de uma média de 7 (gkg de peso fetal)d (5 (mgkg)min), que se aproxima da taxa de produção endógena de glicose após o nascimento. Os sistemas enzimáticos envolvidos na gliconeogênese e na glicogenólise estão presentes no fígado fetal, mantendo-se, porém, inativos, a menos que provocados por míngua extrema de alimentos na mãe. Peso por peso, o fígado fetal contém cerca de três vezes mais glicogênio do que o fígado do adulto, correspondendo aos depósitos glicogênicos no nascimento cerca de 1% das reservas energéticas do neonato.

A taxa de transporte placentário de ácidos graxos varia de uma para outra espécie em proporção à adiposidade do recém-nascido. Acredita-se que a oxidação de gorduras é quantitativamente menos importante do que a oxidação de glicoseaminoácidos, e as taxas de produção de corpos cetônicos são baixas durante a vida fetal (19). O ambiente endócrino fetal é dominado pela insulina. Esta não atravessa a placenta, sendo a secreção fetal influenciada por concentrações tanto de glicose como de aminoácidos no plasma fetal. Assim, o eixo insulínico fetal é independente do da mãe. As células β do pâncreas fetal passam a responder à glicose numa fase relativamente tardia da gestação, aumentando consideravelmente a massa de células β no último trimestre da gravidez. Já se aventou a possibilidade de ser crítico esse período de desenvolvimento em que a provisão de substrato programa o desenvolvimento das ilhotas pancreáticas, influenciando irreversivelmente a resposta metabólica à glicose numa fase posterior da vida e predispondo a certos padrões patológicos no adulto (20). A insulina promove o anabolismo no feto, estimulando a absorção de glicose pelo tecido muscular e adiposo (Tabela

1). Assim, o último trimestre da gravidez é um período de rápido crescimento fetal, particularmente de deposição de gordura no tecido adiposo. Dessa forma, são preparadas as reservas de energia para o nascimento.

Tabela 1 Efeitos metabólicos da insulina

(+ indica estímulo, - indica inibição)

Absorção de glicose pelos músculos + Absorção de glicose pelos tecidos adiposos + Libertação de aminoácidos pelos músculos - Libertação de ácidos graxos pelos tecidos adiposos - Gliconeogênese - Cetogênese -

2.2 A regulação do nível de glicose no sangue após o nascimento

Normalmente, o nível de glicose no sangue é regulado dentro de uma faixa muito mais estreita que a de outros combustíveis metabólicos, com variações de apenas duas a três vezes. Em comparação, as concentrações de corpos cetônicos e ácidos graxos não esterificados podem variar de 10 a 100 vezes em diferentes condições fisiológicas. Esse rigoroso controle do nível de glicose no estado tanto alimentado (ou pós-prandial) como em jejum (ou pós-absortivo) é efetivado mediante o equilíbrio da utilização de glicose nos tecidos com a produção endógena de glicose. O fígado é o principal centro de produção endógena de glicose, embora, após períodos prolongados de jejum, até 10% da glicose em circulação possam ter origem nos rins. A glicose é produzida por degradação de glicogênio (glicogenólise) ou sintetizada a partir de glicerol, lactato, piruvato e precursores glicogênicos de aminoácidos, dentre os quais é quantitativamente mais importante a alanina. Contra-regulação é o termo geral usado para descrever o processo pelo qual o corpo põe glicose à disposição no estado de jejum.

2.2.1 Metabolismo do glicogênio. O glicogênio pode ser sintetizado diretamente da glicose ou indiretamente de outros precursores, como o lactato, o piruvato e o glicerol. O equilíbrio entre a síntese e a degradação do glicogênio é determinado pelas atividades relativas de sintase e fosforilase glicogênica, respectivamente. A cinase, uma proteína ativada pelo aumento das concentrações de cAMP hepatocítico, ativa simultaneamente a fosforilase hepática e desativa a sintase glicogênica. Assim, uma elevação dos níveis de cAMP hepatocítico estimula o desdobramento de glicogênio, enquanto uma queda estimula a síntese glicogênica.

As variações nos níveis de cAMP hepatocítico são provocadas por hormônios que regulam o metabolismo da glicose. Estes se dividem em dois grupos: a insulina e os chamados hormônios contra-reguladores (Tabelas 1 e 2).

Tabela 2 Hormônios contra-reguladores Glucagon Catecolaminas Cortisol Hormônio do crescimento

A insulina é secretada em resposta a uma elevação dos níveis de glicose no sangue. Os níveos de cAMP hepatocítico caem na presença de insulina, estimulando assim a síntese glicogênica. Os principais hormônios contra-reguladores são o glucagon e a adrenalina. Ambos elevam os níveis de cAMP hepatocítico e facilitam a degradação da glicose. A adrenalina promove também a libertação de substratos glicogênicos (lactato e alanina) dos tecidos periféricos mediante o estímulo dos receptores β periféricos.

2.2.2 Gliconeogênese. A glicose é sintetizada a partir de lactato ou piruvato (parte dos quais é derivada da alanina), essencialmente pela reversão do caminho glicolítico. Certas etapas reguladoras são sujeitas à presença de substrato eou à ativação ou inibição endócrina. São elas: deidrogenase de piruvato, carboxilase de piruvato, carboxicinase de fosfenolpiruvato (PEPCK), cinase de piruvato e frutose-1,6-bifosfatase. Os detalhes exatos da ativaçãoinibição em cada uma dessas etapas são complicados (ver descrição em 21), mas, para os fins deste trabalho, basta assinalar que o efeito geral da insulina é inibir a gliconeogênese, ao passo que o glucagon a ativa diretamente. Além do índice de insulinaglucagon, a acumulação intracelular de precursores (p. ex., piruvato), a concentração de acetil CoA e o coeficiente NADHNAD+

exercem influência reguladora. A gordura e o tecido adiposo em si mesmos não são convertidos em glicose. A oxidação de gorduras, porém, promove a gliconeogênese, aumentando a concentração de acetil CoA e o coeficiente NADHNAD+ . A adrenalina estimula indiretamente a gliconeogênese, estimulando a mobilização periférica de ácidos graxos não esterificados do tecido adiposo e a sua subseqüente oxidação no fígado. As concentrações de adrenalina no plasma imediatamente após o nascimento são mais altas do que em qualquer outra fase da vida, o que demonstra indutivamente o papel essencial desse hormônio na adaptação metabólica e cárdio-respiratória perinatal.

2.2.3 Utilização periférica de glicose. A maioria dos tecidos, inclusive o cérebro, consome glicose em proporção ao gradiente de densidade através da membrana celular, mas nos músculos, no tecido adiposo e no fígado, o processo é sensível à insulina. A glicose intracelular é fosforilada em glicose-6-fosfato (G6P) pela ação da hexocinase. Quando as células oxidam a gordura, elevam-se as concentrações de glicose-6-fosfato (G6P) citoplásmica, inibindo a hexocinase e reduzindo a capacidade da célula de “capturar” a glicose por fosforilação. Assim, a provisão de gordura tanto reduz o consumo de glicose pelas células como promove a gliconeogênese no fígado.

2.2.4 Reposição de glicose: equilíbrio entre produção e utilização. Nos últimos anos, tornou-se possível medir taxas de produção de glicose em recém-nascidos usando isótopos estáveis (não radioativos) de glicose marcados com deutério (2 H) ou 13 C (glicose 6,62 H2 , glicose l-13 C e glicose U-13 C). Experiências com traçadores 2 H resultam em estimativas de produção de glicose cerca de 15% mais altas do que as obtidas como seguidores 13 C,

dado o fato de que parte do 13 C é reciclada dentro do ciclo de Cori. Utilizando glicose 6,62 H2 , Bier et al (22) estimaram uma taxa de produção de glicose em lactantes de mais de 1 dia de idade em 4,3-8,5 (mgkg)min. Por outro lado, Kalhan et al (23) obtiveram uma cifra de 3,8-4,9 (mgkg)min usando glicose l-13 C em recém-nascidos de 2 horas. É certamente demonstrável a gliconeogênese no segundo dia de vida em recém-nascidos a termo sadios. Denne e Kalhan (24) utilizaram glicose D-[U-13 C] para medir taxas de produção de glicose no segundo dia de vida de crianças não alimentadas por nove

2.2.5 horas. A proporção de glicose produzida a partir de glicose reciclada (medida por 13 C-1 enriquecida) foi por eles estimada em aproximadamente 36% ou 1,87± 0,74 (mgkg)min da taxa de produção total de glicose de 5.02± 0,41 (mgkg)min.

Estudos subseqüentes, utilizando glicose 6,62 H2 , encontraram taxas comparáveis de produção de glicose em recém-nascidos prematuros e a termo com peso adequado para o tempo de gestação (média ± d.p.: 3,5± 0,4 (mgkg)min e 3,5± 0,3 (mgkg)min, respectivamente). Na mesma experiência, recém-nascidos pequenos em relação ao tempo de gestação (PTG) mostraram taxas mais altas de produção de glicose (4,3± 1,0 (mgkg)min). Já se sugeriu que isso refletiria a relação cérebromassa corporal dos bebês PTG (25) e que as necessidades de glicose estão correlacionadas mais estreitamente com o cérebro do que com o peso corporal (22).

A infusão de glicose no adulto suprime a glicogênese endógena, tanto por efeito direto da concentração de glicose como pelo aumento da secreção de insulina (ver 2.2.2, acima). O mesmo fenômeno foi observado em recém-nascidos normais, embora o grau de supressão seja muito variável e menos pronunciado em crianças doentes e estressadas, particularmente as que são muito prematuras (26, 27). Isso provavelmente demonstra a expressão variável da resposta contra-reguladora em recém-nascidos hipoglicêmicos e estressados.

2.2.5 Resumo. O controle endócrino constante do nível de glicose no sangue é realizado pelas ações opostas da insulina e do glucagon. A adrenalina “reforça” a resposta contra-reguladora em situação de stress. Outros hormônios atuam permissivamente; o cortisol tem pouco efeito direto a curto prazo sobre as concentrações de glicose no sangue mas o efeito do glucagon é reduzido quando há deficiência de cortisol. As concentrações de substrato afetam diretamente a velocidade da gliconeogênese. A administração de glicose suprime a gliconeogênese, mas é ativada por ação de lactato, piruvato e aminoácidos glicogênicos. O aumento da oxidação de ácidos graxos não esterificados, aumentando as concentrações de acetil CaA e NADH, facilita indiretamente a gliconeogênese no fígado. Além disso, reduz as necessidades periféricas de glicose.

2.3 Ocorrências metabólicas no nascimento: o papel da insulina e de outros substratos além da glicose

Insulina. Ao vir à luz, o nascituro deve passar abruptamente de um estado de consumo líquido de glicose e síntese de glicogênio para uma situação de produção independente de glicose. A manutenção da normoglicemia depende da suficiência dos depósitos de glicogênio, do amadurecimento das vias glicogenolíticas e gliconeogênicas e de uma resposta endócrina integrada. Os eventos endócrinos que se acredita determinarem a libertação de glicose e a mobilização de gordura dos depósitos periféricos são um aumento da secreção de adrenalina e

uma rápida queda do coeficiente insulinaglucagon durante as primeiras horas de viga, atribuída tanto a uma redução da concentração de insulina no plasma como a um aumento da concentração de glucagon (28). Se efetivamente ocorre queda da concentração de insulina é ainda matéria de debate. Hawdon et al (29) não puderam confirmar essa ocorrência num estudo transversal de recém-nascidos sadios a termo e prematuros de peso apropriado para o tempo de gestação. Um problema metodológico vem da reação cruzada entre insulina, proinsulina e outros propetídeos nas provas radioimunes. Com uso de provas altamente especificas, Hawdon et al (30) verificaram que os coeficientes de insulinaglicose permanecem elevados em recém-nascidos sadios prematuros, enquanto a proinsulina e a proinsulina desdobrada a 3233 geram 34-70% da concentração total de insulinainsulina propetídeo. Até agora, não foram feitos estudos de recém- nascidos sadios a termo. Há ainda muito que aprender no que se refere à maturação da secreção de insulina e insulina propetídeo no período neonatal e à sua relevância para a regulação metabólica.

Substratos metabólicos. Os dados sobre concentrações de substratos metabólicos nos primeiros momentos da adaptação pós-natal do neonato humano são relativamente escassos, e muitos datam de uma época em que era de moda deixar a criança em jejum, adiando a alimentação (geralmente com mamadeira) por horas ou dias após o nascimento (31, 32, 33, 34, 35). As principais constatações desses estudos foram, primeiro, que o índice de glicose no sangue cai conforme dure o período de fome, e segundo, que as concentrações de outros substratos metabólicos (ácidos graxos livres, corpos cetônicos e glicerol) sobem à medida que cai a concentração de glicose.

Por exemplo, Beard et al (31) colocaram recém-nascidos a termo e prematuros alternadamente num grupo “alimentado precocemente” (com fórmula, a partir de 6 horas de idade) e num grupo submetido a jejum por 72 horas. Com 72 horas, a concentração de glicose no sangue era de 40 mgdl (2,2 mmoll) nos recém-nascidos a termo em jejum, em comparação com 68 mgdl (3,8 mmoll) no grupo “alimentado precocemente”. Dos prematuros submetidos a jejum, 58% tinham concentrações de glicose de <25 mgdl (1,4 mmoll) às 72 horas de idade, em comparação com apenas 4% (uma criança) do grupo alimentado precocemente; contudo, não se observaram complicações. O grupo submetido a jejum mostrou também uma redução incremental da concentração de glicose ao receber injeções de glucagon e adrenalina, o que indicaria uma relativa redução dos seus depósitos de glicogênio. As concentrações de ácidos graxos livres, contudo, elevaram-se nos bebês a termo submetidos a jejum; e mais de 50% dos prematuros sadios desse grupo acusaram cetonúria com 48-72 horas de idade. De igual forma, Persson e Gentz (33) observaram elevação dos níveis de ácidos graxos livres, glicerol e corpos cetônicos entre os recém-nascidos a termo submetidos a jejum. Os valores mais altos foram registrados em bebês com as mais baixas concentrações de glicose no sangue. Os aumentos da concentração de precursores glicogênicos (alanina e lactato) e de corpos cetônicos com o jejum nessa fase da vida são, porém, menores do que os observados em crianças maiores com níveis de glicose igualmente baixos (34, 35). Ademais, é importante acentuar que os bebês prematuros de há 30 anos eram, como um grupo, mais maduros do que os prematuros de hoje, cuja capacidade de adaptação pode ser ainda menos desenvolvida.

Mais recentemente, Hawdon et al (36) fizeram um estudo transversal da concentração de glicose no sangue integral entre 156 neonatos a termo sadios. Esse trabalho é importante por diversas

razões. Primeiro, os bebês eram alimentados à vontade. Em segundo lugar, foram estudados recém-nascidos amamentados naturalmente (46% da amostra). Em terceiro, foram medidos outros substratos metabólicos além da glicose (glicerol, lactato, piruvato, alanina, ácidos graxos não esterificados, corpos cetônicos). E, finalmente, os recém nascidos foram estudados ao longo da primeira semana, e não apenas no período das primeiras oito horas (34) a três dias (31, 35). Foi convincentemente demonstrado que, embora os recém-nascidos a termo sadios apresentassem níveis de glicose no sangue significativamente mais baixos do que os bebês alimentados a mamadeira (amamentados naturalmente: média de 3,6 mmoll, variação de 1,5-5,3 mmoll; amamentados a mamadeira: média de 4,0 mmoll, variação de 2,5-6,2 mmoll), as respectivas concentrações de corpos cetônicos eram elevadas em resposta. Encontrou-se uma correlação negativa estatisticamente significante entre o logaritmo dos corpos cetônicos e a concentração de glicose no sangue aos 2-3 dias de idade, mas não nas primeiras 24 horas ou depois de três dias. Lucas et al (37) também encontraram concentrações de corpos cetônicos significativamente mais altas em recém-nascidos amamentados naturalmente do que em bebês alimentados a mamadeira estudados no sexto dia de vida.

Em suma, o índice de glicose no sangue cai em bebês que não recebem alimento. Mas os recém- nascidos a termo sadios que têm peso apropriado para o tempo de gestação (APG) mobilizam substratos metabólicos alternativos (ácidos graxos livres e corpos cetônicos) em resposta. O grupo de recém-nascidos amamentados naturalmente apresenta menor concentração de glicose no sangue (mais adiante denominada “hipoglicemia de sucção”) e níveis mais altos de corpos cetônicos do que os que são alimentados a mamadeira. Não está claramente determinado se isso reflete uma promoção específica de cetogênese (p. ex., pelas gorduras do leite de peito ou por outro componente do leite) ou se é nada mais que o resultado de diferenças nas concentrações de glicose e nos incrementos pós-prandiais das concentrações plasmáticas de insulina.

2.4 Homeostase anormal da glicose

2.4.4 Prematuros. É reconhecido há muitos anos que os níveis de glicose no sangue de recém- nascidos prematuros tendem a ser mais baixos do que os de bebês nascidos a termo. Esse fato era considerado “fisiológico”, embora não haja indícios de que os prematuros sejam mais resistentes aos efeitos da hipoglicemia do que os nascidos a termo.

São muitas as razões da propensão dos prematuros à hipoglicemia. Em primeiro lugar, as reservas de energia ao nascer, na forma tanto de glicogênio no fígado como de gorduras, são consideravelmente reduzidas. São particularmente importantes as diferenças no teor de gorduras; estas representam apenas 2% do peso do corpo com 28 semanas de gestação, chegando, porém, a cerca de 16% ao termo. Embora a gordura em si mesma não seja conversível em glicose, a mobilização e oxidação das gorduras reduz o consumo e a oxidação de glicose (Seção 2.2.3).

Em segundo, achados recentes indicam que os prematuros acusam concentrações plasmáticas de insulina maiores do que as de recém-nascidos a termo, quando relacionadas com a concentração de glicose no plasma. Ao que parece, o elevado coeficiente de insulinaglicose e a relativa imaturidade da cetogênese persistem por alguns meses após o nascimento (38). Embora esse fenômeno não esteja explicado, é possível que o aumento do consumo de proteína dos recém- nascidos prematuros, necessário para atender ao seu mais rápido potencial de crescimento, seja

um estímulo insulinogênico. Sabe-se já há alguns anos que a secreção de insulina em recém- nascidos a termo (refletida pela excreção de C-peptídeo) é modificada pelo consumo dietético de proteína e se relaciona com o coeficiente plasmático de valinaglicina (39).

Terceiro, é bem provável que as vias gliconeogênicas sejam menos amadurecidas do que nos neonatos a termo. Por exemplo, a expressão de glicose-6-fosfatase microssomática mostrou-se reduzida em amostras de fígado necropsiado obtidas de lactantes prematuros, até 1 ano de idade, com tempo de gestação variando de 24 a 36 semanas ao nascer. Essa enzima catalisa a etapa final tanto da glicogenólise como da gliconeogênese (40).

Dado o aumento do risco de hipoglicemia associado à prematuridade, algumas pesquisas recentes concentraram-se na adequação da resposta contra-reguladora. Hawdon et al (36) estudaram 62 neonatos prematuros estáveis (gestação mediana de 31 semanas, variação de 25 a 36 semanas; peso mediano ao nascer de 1760 g; variação de 830 g a 3203 g). Encontraram-se concentrações de ácidos graxos não esterificados e corpos cetônicos significativamente mais baixas nos recém-nascidos prematuros do que nos nascidos a termo. Chama atenção nesse estudo a variação dos tempos de gestação. Com 36 semanas de gestação, verificou-se uma significativa elevação do potencial cetogênico, mas esse estudo de observação transversal não esclarece se se trata de uma ocorrência do desenvolvimento ou simplesmente reflete diferenças no manejo clínico de recém-nascidos com menos de 36 semanas de gestação. Cabe recordar (Seção 2.3) que Beard et al (31) observaram cetonúria em mais de 50% dos prematuros após períodos prolongados de jejum (48-72 horas). Não foram medidas, porém, as concentrações de corpos cetônicos no sangue.

Em suma, os recém-nascidos prematuros mostram uma incidência maior de hipoglicemia e uma redução da capacidade de mobilizar combustíveis metabólicos alternativos. Do ponto de vista do manejo do aleitamento natural em crianças ligeiramente prematuras (32-36 semanas de gestação), fazem-se necessários mais dados sobre amadurecimento da resposta contra-reguladora para que se possam evitar intervenções excessivas.

2.4.2 Recém-nascidos pequenos para o tempo de gestação (PTG). De há muito se reconhece este grupo como em maior risco de hipoglicemia neonatal (6). Mais recentemente, detectou-se hipoglicemia durante a vida fetal em crianças que nascem pequenas em relação ao tempo de gestação. Isso pode ser atribuído a fatores tais como uma elevada relação cérebromassa corporal (com aumento correspondente do consumo de glicose), redução dos depósitos de gorduras, falha de contra-regulação (inclusive retardamento da maturação da gliconeogênese) e hiperinsulinismo.

Kalhan et al (25) observaram em crianças PTG em estado basal (jejum) no primeiro dia de vida taxas de produção endógena de glicose (4,25± 0,98 (mgkg)min) mais altas do que em recém- nascidos com peso apropriado para o tempo de gestação (ATG) (3,53± 0,32 (mgkg)min; p<0,3). Sugeriu-se a possibilidade de que isso reflita um peso cerebral maior em crianças PTG em relação a bebês ATG. Vários estudos mostraram que os neonatos PTG, quando comparados com os ATG, mostram maiores concentrações de substrato glicogênico no plasma (41, 42, 43, 44). Entre os substratos glicogênicos, observou-se particular elevação dos níveis de alanina e lactato. Quando infundida em bebês PTG, a alanina desaparece mais lentamente do que em recém-

nascidos ATG normais nascidos a termo (44) e tem menos efeito sobre as concentrações de glicose no sangue (45). Essas mudanças são mais pronunciadas nas primeiras horas da vida, já se tendo sugerido que refletem um retardamento na maturação das vias glicogênicas, e especialmente na indução de carboxicinase do fosfofenolpiruvato (PEPCK) (43). Hawdon e Ward Platt (46), num estudo longitudinal de 33 lactantes ATG durante a primeira semana pós- natal, verificaram que persistem elevação dos níveis de lactato e outros substratos gliconeogênicos totais até o quarto dia pós-natal em crianças PTG prematuras, e queda dentro das primeiras 24 horas em crianças PTG nascidas a termo, permanecendo desde então mais baixos do que os dos bebês ATG. Isso parece condizer com a hipótese de que as concentrações elevadas de substratos gliconeogênicos refletem retardamento da maturação das vias gliconeogênicas em crianças PTG, particularmente quando prematuras.

No nascimento, não parecem ser diferentes as concentrações de corpos cetônicos em crianças PTG e ATG, mas, às 24 horas de idade (43) e ao longo da primeira semana pós-natal (46), os níveis de corpos cetônicos em crianças PTG tanto nascidas a termo como prematuras permanecem baixos em relação aos observados em lactantes ATG com concentrações equivalentes de glicose no sangue. Ainda está sujeita a debate a questão de saber se isso reflete incapacidade do bebê PTG de deflagrar uma resposta cetogênica ou apenas uma atenção mais agressiva ao controle e prevenção dietética de hipoglicemia entre as crianças estudadas. Nos estudos de Hawdon e Ward Platt (46), a ocorrência de concentrações de glicose inferiores a 3 mmoll foi menor entre crianças PTG do que entre bebês ATG.

Há certos indícios de que os recém-nascidos PTG com adaptação metabólica anormal são aqueles em que estudos de Doppler identificam anormalidade das velocidades da corrente diastólica final (VDF) na artéria umbilical. Hawdon et al (47), num grupo de 11 fetos com VDF ausente, encontraram concentrações de glicose e ácidos graxos livres no sangue nas primeiras seis horas de vida mais baixas do que num grupo de controle de 14 recém-nascidos PTG com VDF normal. Nesse pequeno estudo, o grupo com VDF ausente acusou peso mais baixo ao nascer (1525 g, variação de 668-2020 g contra 1903 g com variação de 859-2296 g); a diferença, porém, não chegou a ter significância estatística (p = 0,065).

Vários autores estudaram também a adaptação endócrina em bebês PTG. A maioria não mostrou diferenças de concentrações de insulina e glucagon entre crianças ATG e PTG, embora seja grande a variação observada em ambas as populações. Não obstante, certos neonatos parecem ter tanto altas concentrações plasmáticas de insulina como altos requisitos de glicose, o que condiz com hiperinsulinismo (48, 49, 50). Um estudo prospectivo de bebês PTG admitidos numa mesma unidade neonatal em mais de um ano encontrou 10 em 27 que se tornaram hipoglicêmicos e constatou que metade deles acusava concentrações plasmáticas de insulina anormalmente elevadas ao tempo da hipoglicemia (50). Embora o teste utilizado não fizesse discriminação entre a insulina e as suas propriedades, podendo ter, por isso mesmo, superestimado a concentração “verdadeira” de insulina (30), a ocorrência de baixas concentrações de ácidos graxos livres no plasma e altos requisitos de glicose (superiores a 10 (mgkg)min em dois lactantes) deu uma prova funcional de hiperinsulinismo.

Alguns dos bebês mostraram também baixas concentrações plasmáticas de glucagon, levantando a possibilidade de que a ausência de um surto de glucagon após o parto desempenhe na etiologia

da hipoglicemia em bebês PTG papel tão importante como o do hiperinsulinismo (51). Mestyan et al (52) estudaram essa possibilidade mediante a infusão de glucagon em crianças PTG normoglicêmicas e hipoglicêmicas. Somente o primeiro grupo respondeu mostrando uma queda da concentração de aminoácidos glicogênicos. Foi sugerida a possibilidade de que os recém- nascidos PTG tenham resistência ao glucagon (ver Seção 7.3.1).

2.4.3 Hipoglicemia de stress. A hipoglicemia pode estar presente em diversas condições neonatais associadas a stress severo. As mais comuns são sepsia e asfixia perinatal, mas foi também observada hipoglicemia em cardiopatias congênitas (falha cardíaca e doença cianótica grave do coração), bem como em lesões neonatais de frio com necrose de gorduras.

Embora a resposta catecolamínica ao stress seja uma característica central da contra-regulação, a falha circulatória periférica na sepsia e na asfixia pode levar tanto a uma redução da mobilização de substrato da periferia como a uma acumulação de lactato na presença de glicólise anaeróbica. Isso leva ao esgotamento do glicogênio do sangue e à redução da capacidade de gliconeogênese, que pode ser agravada por lesão hepática anóxica. Nessas circunstâncias, pode-se observar também a ocorrência de hiperinsulinismo e aumento da sensibilidade à insulina.

2.4.4 Hiperinsulinismo transitório. A hipoglicemia associada ao hiperinsulinismo transitório é mais comumente observada entre lactantes nascidos de mães diabéticas. Observa-se também em crianças afetadas por eritroblastose fetal. Fatores iatrogênicos, inclusive o uso de infusões de glicose durante o parto e a administração de simpatomiméticos β à mãe, pode resultar em hiperglicemia materna e hiperinsulinismo fetal associado. Menos freqüentemente, o hiperinsulinismo é associado à síndrome de Beckwith-Wiedemann, que é rara, ou pode ter caráter idiopático.

O filho macrossômico de mãe diabética (FMD) tem um hábito característico. Enquanto a criança que é simplesmente grande em relação à idade apresenta aumentos proporcionais tanto do tamanho do cérebro como do perímetro abdominal, o FMD macrossômico acusa aumento dos másculos, da gordura e da massa hepática, como se poderia prever pelos efeitos conhecidos da insulina (Tabela 1). Assim, na vida fetal, o FMD tem um aumento do coeficiente perímetro abdominalcircunferência craniana (53). Por muitos anos, o hiperinsulinismo fetal foi atribuído à hiperglicemia materna, e conseqüentemente fetal (54). Mais recentemente, aventou-se a hipótese de ação de outros fatores, inclusive concentrações de aminoácidos, uma vez que o tecido pancreático humano no meio do trimestre mostra pouca resposta insulínica à concentração de glicose in vitro (55). Pode-se reduzir o risco de hipoglicemia no período neonatal (56) mediante um controle cuidadoso do nível de glicose no sangue da mãe durante a gravidez, mas esse risco é ainda maior no FMD de peso adequado para o tempo de gestação do que na população neonata normal. O hiperinsulinismo causa redução das concentrações de ácidos graxos livres e corpos cetônicos em associação com hipoglicemia, o que reflete tanto um aumento da absorção de glicose como uma redução da taxa de produção de glicose (57). O hiperinsulinismo parece ocorrer acompanhado de uma redução de glucagon pós-natal (58).

Alguns aspectos do manejo obstétrico podem resultar em hiperinsulinismo transitório e hipoglicemia entre lactantes normais noutros aspectos. Lucas et al (59) constataram uma associação entre a infusão intravenosa de >10 g de glicoseh durante o parto com um aumento

significativo da concentração de insulina no cordão umbilical. DiGiacomo e Hay (60) analisaram provas aleatórias posteriores, investigando o efeito das concentrações de glicose no sangue e a incidência de hipoglicemia no recém-nascido. Nas mães que receberam infusão de >25 g glicoseh nas duas horas anteriores ao parto, observou-se um aumento médio de 17% (IC de 95% 5, 30) na incidência de hipoglicemia (nível de glicose de <2,2 mmoll). A glicose nos recém- nascidos registrou uma média de 0,8 mmoll (95% C 0,5, 1,1) às 2 horas de idade, mais baixa que a de recém-nascidos cujas mães não receberam glicose. A diferença à idade de 1 hora não foi estatisticamente significante. Verificaram-se também diferenças menores nas concentrações de glicose no sangue com duas horas mesmo depois de uma infusão de <25 g glicoseh (média de 0,4 mmoll, IC de 95% 0, 0,8), embora não fosse significativamente diferente a incidência de hipoglicemia (coeficiente probabilístico médio de 2,6, IC de 95% 0,61, 11,34).

Tanto a administração oral prolongada (61) como a administração intravenosa a curto prazo de β-agonistas (62), usados para inibir o trabalho de parto prematuro, têm sido associadas ao aumento das concentrações plasmáticas de insulina no cordão. Isso poderia resultar tanto da passagem transplacentária da droga como da presença de hiperglicemia na mãe (63). Epstein et al (61) constataram hipoglicemia transitória no neonato, mas Jouppila et al (64) observaram um aumento da concentração de glicose no sangue da criança, quando se fez breve administração de fenoterol para suprimir as contrações uterinas antes de uma seção cesariana.

2.4.5 Hiperinsulinismo persistente, distúrbios endócrinos e erros congênitos de metabolismo. A hipoglicemia neonatal que persiste ou reaparece após os primeiros dias de vida deve suscitar a possibilidade diagnóstica de distúrbio endócrino ou erro congênito de metabolismo (Tabela 3).

Entre os distúrbios endócrinos mais comuns contam-se a insuficiência de adrenocorticóides, o hipopituitarismo e a síndrome de “células B desreguladas” (nesidioblastose). As duas primeiras podem estar associadas a anormalidades do aparelho genital externo. A displasia septo-óptica pode estar também associada ao hipopituitarismo. O recém-nascido com hiperinsulinismo orgânico tem um hábito semelhante ao do FMD, na ausência de características de diabetes mellitus gestacional na mãe. Os lactantes com deficiência congênita ou adquirida de glucagon também mostram hipoglicemia severa e prolongada (65, 66, 67), numa boa demonstração da importância desse hormônio na adaptação perinatal.

Os erros congênitos de metabolismo que podem apesentar-se como hipoglicemia no período neonatal compreendem distúrbios das reservas de glicogênio, defeitos da β-oxidação (acidúria dicarboxílica), defeitos da gliconeogênese (p. ex., deficiência de frutose-1,6-difosfatase) e alguns defeitos do metabolismo dos aminoácidos.

O diagnóstico e tratamento dessas condições fogem ao âmbito deste trabalho, razão pela qual se recomenda aos leitores a consulta a recentes artigos de revisão da matéria (68, 69, 70, 71).

Tabela 3 Causas de hipoglicemia neonatal recorrente e persistente

(71)

Deficiência endócrina Hipopituitarismo Deficiência de hormônio do crescimento Deficiência de glucagon Deficiência de cortisolAusência de reação de ACTH

Hiperinsulinismo Síndrome de Beckwith-Wiedemann Síndrome de células B desreguladas

Distúrbios do metabolismo dos carboidratos Doença das reservas de glicogênio Tipo I Intolerância a frutose Galactossemia Deficiência na sintase de glicogênio Deficiência de frutose-1,6-difosfatase

Distúrbios do metabolismo dos aminoácidos Doença da urina com açúcar de bordo Acidemia propiônica Acidemia metilmalônica Tirosinemia Deficiência de 3-metiglutaril CoA liase

Distúrbios do metabolismo dos ácidos graxos Deficiência da cadeia média de acil deidrogenase CoA Deficiência da cadeia longa de acil deidrogenase CoA

3. EFEITOS DA HIPOGLICEMIA NO SISTEMA NERVOSO CENTRAL

Apesar da falta de evidência clínica do efeito causal da hipoglicemia na indução de seqüelas de hipoglicemia sintomática (Seção 1) em neonatos humanos, indícios procedentes de estudos com animais e estudos post mortem de recém-nascidos humanos indicam a possibilidade de correlação de hipoglicemia prolongada com determinados padrões neuroanatômicos de lesões cerebrais. Nos últimos anos, muito se aprendeu sobre os mecanismos excitotóxicos que resultam em lesões na hipoglicemia.

3.1 Patologia das lesões cerebrais associadas a hipoglicemia

O córtex cerebral, o hipocampo e o núcleo caudado são as regiões principalmente afetadas por hipoglicemia induzida experimentalmente e suficiente para gerar um EEG isoelétrico. Isso difere da distribuição de lesões hipóxicasisquêmicas; o giro dentado em particular raramente é afetado por isquemia mas é caracteristicamente danificado por hipoglicemia. A medula oblonga e as estruturas da fossa posterior são menos afetadas por hipoglicemia (resenhado em 72, 73).

Hoje, está evidenciado que a morte neurônica imputada à hipoglicemia não é simplesmente o resultado de um atrito metabólico, mas um processo excitotóxico ativo. A microscopia eletrônica revela a lesão dendrítica sem comprometimento axônico característica desse processo. A compreensão da natureza da injúria celular tem importância potencial na prevenção de lesão cerebral hipoglicêmica,.dado que tratamento antecipado com drogas antagonistas à base de n- metil-d-aspartato (NMDA) (notadamente maleato de dizocilpina) se revelou protetor tanto em culturas celulares como em modelos animais (resenhado em 73, 74).

3.2 Defesas cerebrais na hipoglicemia

Substratos alternativos. A hipoglicemia reduz o consumo cerebral de glicose em animais recém- nascidos, sem equivalente redução do consumo cerebral de oxigênio. Isso indicaria que são utilizados combustíveis metabólicos alternativos. Os principais candidatos são o lactato e os corpos cetônicos. O lactato reverte o estupor associado a hipoglicemia induzida por insulina em filhotes de camundongos desmamados (75) e foi demonstrada a sua função de combustível cerebral em outras espécies de animais recém-nascidos (76). A hipoglicemia induzida por insulina (glicose no sangue <0,5 mmoll) em cães recém-nascidos foi acompanhada de uma queda de mais de 50% na taxa metabólica cerebral de glicose (TMCglic ) e de uma elevação em mais de 15 vezes da taxa metabólica cerebral de lactato (TMClac ), que passou a ser o combustível metabólico predominante nessa situação hipocetonêmica (77). Estudos recentes em adultos humanos diabéticos hipoglicêmicos demonstraram também que o cérebro consome lactato (78). Acredita-se que a acidose láctica é protetora durante os episódios profundos e prolongados de hipoglicemia observados em recém-nascidos com distúrbio das reservas de glicogênio Tipo I (deficiência de glicose-6-fosfatase) (79).

A capacidade do recém-nascido de promover cetogênese em face de “hipoglicemia de sucção” já foi descrita (Seção 2.3). Os recém-nascidos a termo aumentam rapidamente o fluxo de corpos cetônicos, atingindo as taxas observadas em adultos, mas apenas depois de vários dias de jejum,

correlacionando-se o fluxo (isto é, a taxa de reposição de corpos cetônicos) com a concentração plasmática de corpos cetônicos (80). Ademais, as concentrações de ácidos graxos livres, glicerol (33) e corpos cetônicos (36) são inversamente relacionadas com o nível de glicose no sangue. Amplos indícios em espécies animais (81, 82), inclusive primatas (83), demonstram que os corpos cetônicos são importantes substratos energéticos cerebrais. Owen et al (84) foram os primeiros a demonstrar que o cérebro humano consome cetonas. Cateterizando os vasos cerebrais de três adultos, eles constataram que, com o jejum prolongado (5-6 semanas), os corpos cetônicos passam a ser o combustível cerebral predominante. Estudos de cateterismo semelhantes em lactantes (idade média de 5 meses) submetidos a cirurgia eletiva demonstraram taxas de consumo de corpos cetônicos mais altas do que as medidas em adultos (85). Os sistemas enzimáticos necessários para o metabolismo das cetonas estão presentes no cérebro do feto humano (86) e foi demonstrado o consumo de cetonas em cérebro perfundido obtido de fetos abortados com 12-21 semanas de gestação (87). Kraus et al (88) estudaram a diferença arteriovenosa cerebral (∆AV) em concentrações de corpos cetônicos em 11 bebês prematuros e 2 nascidos a termo, em jejum por seis horas. A ∆AV e a concentração de corpos cetônicos mostraram correlação positiva com o consumo cerebral de corpos cetônicos, correspondendo a aproximadamente 10% do saldo energético cerebral total. Nesses estudos, observou-se produção líquida de lactato e piruvato, o que indicaria que os corpos cetônicos são mais importantes do que o lactato como combustível cerebral alternativo à glicose.

Fluxo cerebral de sangue. Nos animais totalmente crescidos, o fluxo cerebral local de sangue (FCLS) corresponde muito de perto à taxa metabólica cerebral de glicose (TMCglic ). Em cães recém-nascidos observou-se conservação do fluxo cerebral total de sangue mesmo com concentrações de glicose inferiores a 0,5 mmoll (77). Contudo, o tempo de desenvolvimento dos mecanismos responsáveis pode variar de uma para outra espécie (resenhado em 89) e deve-se usar de cautela na extrapolação para neonatos humanos. Pryds et al (90, 91) identificaram concentrações plasmáticas de adrenalina e fluxo cerebral de sangue (medido com uso de 133 Xe) em bebês prematuros cujo nível de glicose no sangue caíra para menos de 1,7 mmoll. Em outros estudos, a restauração da concentração normal de glicose no sangue de recém-nascidos prematuros hipoglicêmicos foi acompanhada de uma queda do volume cerebral de sangue (medido com uso de espectroscopia infra-vermelho) (92). Os autores aventaram a hipótese de que a velocidade da mudança pudesse refletir a existência de um “sensor” cerebral de glicose, que manteria o suprimento cerebral de glicose mediante recrutamento dos capilares subperfundidos.

3.3 Resumo

As lesões cerebrais hipoglicêmicas diferem das lesões cerebrais isquêmicas no que se refere tanto à distribuição como ao mecanismo de injúria celular. O recém-nascido mostra respostas adaptativas à hipoglicemia que podem oferecer proteção ao metabolismo cerebral. Essas respostas incluem um aumento do fluxo cerebral de sangue e o uso de substratos metabólicos alternativos, particularmente corpos cetônicos e lactato. O aumento da compreensão do mecanismo das lesões cerebrais hipoglicêmicas indica que o uso de antagonistas NMDA pode vir a desempenhar um papel clínico na proteção cerebral.

4. DEFINIÇÃO DE HIPOGLICEMIA

A confusão em torno da definição de “hipoglicemia neonatal” foi bem documentada por Koh et al (93), que passaram em revista textos pediátricos e a opinião de consultores em pediatria no Reino Unido (Tabela 4). Resenhas posteriores vieram ressuscitar a controvérsia (17, 69, 71, 94, 95, 96).

Tabela 4 Algumas definições de hipoglicemia neonatal

Textos Pediatras

ATG a <17 (<1,0 - <2,0 (<1,0 - Termo 2,5) <4,0)

Prematuros ou PTG <1,1 (<1,0 - 2,5) <1,1 (<1,0 - <4,0)

A tabela mostra valores modais (variação entre parênteses) de concentração de glicose no sangue (mmol l-1 ), definida como hipoglicemia neonatal pelos textos pediátricos e pediatras clínicos (93).

Os pontos de vista assumidos na definição de concentrações anormalmente baixas de glicose no sangue são de caráter estatístico (4.1), metabólico (4.2), neurofisiológico (4.3) e do desenvolvimento neurológico (4.4).

4.1 Definição estatística

Em termos gerais, define-se como valor “baixo” qualquer variável bioquímica com distribuição normal com um valor 2 desvios padrão abaixo da média para uma população sadia. Lamentavelmente, esse enfoque suscita muitos problemas no que se refere à glicose no sangue.

Em primeiro lugar, o resultado depende da fonte da amostra de sangue, do método de teste, e de estar ou não estar determinada a concentração de glicose no sangue ou no plasma. Esses aspectos são examinados mais a fundo no Capítulo 5. Em segundo, os esquemas de alimentação inicial têm decidido efeito sobre os níveis de glicose no sangue, mas sofreram consideráveis mudanças desde os primeiros estudos (7, 9, 97, 98). Ainda hoje, eles variam muito de um para outro hospital e poucos foram os bebês amamentados ao seio estudados (10, 36). Terceiro, é problemática a definição do que se entende por um “bebê sadio normal nascido a termo” neste contexto; em um estudo (99), 72% dos bebês a termo apresentavam um ou mais dos “fatores de risco” de hipoglicemia estabelecidos por Cornblath e Schwartz (100). Em quarto lugar, há um dilema ético na coleta longitudinal de amostras de sangue de recém-nascidos sadios simplesmente para definir uma faixa bioquímica “normal”. Assim, os únicos dados disponíveis para bebês amamentados ao peito são de estudos transversais (36).

Cornblath e Reisner (97) foram os primeiros a publicar dados sobre níveis de glicose no sangue de recém-nascidos normais. Eles constataram que 95% dos valores entre recém-nascidos a termo eram >30 mgdl e 98,4% dos valores em “prematuros” eram >20 mgdl. Os autores definiram

hipoglicemia em recém-nascidos a termo de tamanho normal como um nível de glicose no sangue inferior a 30 mgdl nas primeiras 48 horas e inferior a 40-50 mgdl após 48 horas de idade. Os bebês PTG não foram considerados como um grupo específico. A hipoglicemia entre bebês com baixo peso ao nascer foi definida como <20 mgdl. Por muitos anos, esses valores dominaram a opinião quanto ao controle da hipoglicemia neonatal. Ademais, só em época relativamente recente foi questionada a aceitação de um nível mínimo mais baixo para crianças menores .

Na época desse estudo (97), geralmente se desaconselhava a alimentação desde cedo. Srinivasan et al (101) publicaram mais recentemente níveis de glicose plasmática33de 344 recém-nascidos sadios a termo de peso apropriado para o tempo de gestação (ATG). Foram calculados intervalos médios e intervalos de confiança a 95% (IC de 95%) de uma mistura de dados seqüenciais e transversais. A estimativa mais baixa, de IC de 95% para amostras do cordão, foi de 3,3 mmoll, caindo para 1,4 mmoll (26 mgdl) com 1 hora de idade. Após 2 horas, a concentração era superior a 2,3 mmoll (42 mgdl). É questionável a aplicabilidade mesmo desses dados a bebês que recebem amamentação natural, dado que a atenção inicial dos recém-nascidos estudados é assim descrita:

“Todos os recém-nascidos foram admitidos a um berçário de observação onde foram registrados o peso, a temperatura e outros sinais vitais. Para manter a temperatura da epiderme a 36,5o C, a criança era colocada numa estufa radiante servocontrolada. Uma vez estabilizada a temperatura nuclear, foi dada atenção à epiderme e um banho. Todos os neonatos receberam uma fórmula de dez caloriasonça às 3 a 4 horas de idade; após receber o alimento, as crianças foram transferidas para os respectivos berçários e alimentadas de 4 em 4 horas; 10-15% dos recém nascidos eram amamentados ao seio.”

Heck e Erenburg (101) fizeram medições longitudinais de concentrações de glicose no sangue de 64 bebês nascidos a termo amamentados ao seio e 50 alimentados à mamadeira durante as primeiras 48 horas de vida. Ambos os grupos parecem ter sido alimentados pela primeira vez às 2 horas de idade, e depois a intervalos “programados” de 3-4 horas. A um número não especificado de bebês amamentados naturalmente foram dadas água ou fórmulas suplementares (embora não antes da coleta de amostras de sangue). As concentrações de glicose no sangue do quinto centil do grupo combinado de bebês amamentados ao seio e à mamadeira foram os mais baixos na idade de 6-12 horas (1,9 mmoll), subindo para 2,7 mmoll às 48 horas de idade. Foram obtidos valores de <2,2 mmoll em 16% da amostra estudada. É interessante observar que a concentração sérica média de glicose dos bebês amamentados à mamadeira era 0,22 mmoll mais baixa que a dos amamentados ao seio às 5-6 horas de idade. Essa diferença estatisticamente significante pode ter sido imputável à ocorrência pós-prandial de níveis mais altos de insulina nos bebês alimentados à mamadeira (37).

Dados publicados por Hawdon et al (36) foram examinados numa seção anterior (2.3). Aqueles autores mediram transversalmente certo número de substratos metabólicos, e não somente glicose, entre bebês sadios nascidos a termo amamentados ao seio e à mamadeira. O estudo contém limitadas informações sobre o controle da amamentação natural nos bebês estudados, dizendo apenas que as crianças eram “amamentadas à vontade”. Não foram dados suplementos de água ou fórmula (comunicação pessoal de J.M. Hawdon). Grandes variações nas concentrações tanto de glicose como de outros substratos no sangue levaram os autores a destacar um último problema na definição de hipoglicemia para fins de manejo clínico.

“(...) Outros fatores além da concentração absoluta de glicose no sangue são importantes no período neonatal, face ao quê, embora seja importante contar com diretrizes para o manejo clínico, as definições rígidas [de hipoglicemia] são impróprias e devem ser evitadas. A influência do tempo de gestação, das práticas de alimentação e da capacidade contra-reguladora (...) devem ser consideradas na interpretação de dados metabólicos neonatais.”

Em suma, a mudança das práticas de atenção explica a ampla variedade de concentrações mínimas de glicose no plasma e no sangue usadas antigamente para a definição estatística de “hipoglicemia”. São muito escassos os dados sobre bebês amamentados ao seio. Estudos mais recentes do papel desempenhado por outros substratos que não a glicose na adaptação metabólica perinatal dão a entender que não é apropriado o esforço para definir um nível “inócuo” de glicose no sangue mediante a definição de uma faixa “normal”.

4.2 Definição metabólica

Se a glicose é considerada como o combustível metabólico principal, a concentração de glicose em que é ativada a resposta contra-reguladora indicam um valor “inócuo”? Atualmente, não se pode identificar tal cifra a partir dos limitados dados publicados; poucos estudos mediram concentrações de outros substratos metabólicos que não a glicose e a variabilidade na concentração de alguns, como os corpos cetônicos, por exemplo, parece ser ainda maior que a da glicose.

Não obstante, os estudos metabólicos destacam um aspecto essencial da definição de hipoglicemia. As respostas contra-reguladoras diferem significativamente entre recém-nascidos a termo e prematuros (36), o que indicaria que o limiar de uma concentração “inócua” de glicose no sangue do prematuro é mais alto que o um recém-nascido a termo, e não mais baixo, como dados anteriores davam a entender (97).

4.3 Definição neurofisiológica

Se a meta final da identificação e tratamento de hipoglicemia é a manutenção do metabolismo cerebral normal, será possível identificar um nível mínimo de concentração de glicose associado a distúrbios da função neurofisiológica?

Koh et al (103) estudaram a latência da forma das ondas evocadas em resposta a estímulos auditivos (AEP) entre 17 crianças, algumas das quais espontaneamente hipoglicêmicas, enquanto outras estavam sendo submetidas a provas de stress hipoglicêmico induzido por insulina. Identificaram-se anormalidades em alguns quando a concentração de glicose no sangue caiu a menos de 2,6 mmoll, mas a aplicação generalizada ao recém-nascido sadio é muito difícil, por duas razões. A primeira é que apenas cinco dos sujeitos eram recém-nascidos. Em segundo lugar, os lactantes eram relativamente hipocetonêmicos e conseqüentemente carentes de combustíveis cerebrais (Seção 3.3), ao contrário das crianças sadias amamentadas ao seio. É importante assinalar também que as anormalidades eletrofisiológicas identificadas não tinham caráter permanente.

Outros não lograram observar o efeito da hipoglicemia na AEP do recém-nascido (104). Ademais, Pryds et al (90) não puderam identificar anormalidades do sinal de EEG de amplitude

integrada nem de potenciais visuais evocados por um estímulo único (VEP) entre nove prematuros hipoglicêmicos (tempo de gestação médio de 30,8 semanas, variação de 26-34 semanas). As concentrações de glicose no sangue por ocasião do estudo variaram de <0,5 mmoll (cinco crianças) a 1,5 mmoll.

Em suma, as indicações atualmente publicadas correlacionando distúrbios neurofisiológicos com o nível de glicose no sangue são equívocas e baseiam-se num número demasiado pequeno de observações para estabelecer um limiar “inócuo” para crianças a termo ou prematuras.

4.4 Definição baseada no desenvolvimento neurológico

A maioria dos estudos que examinam a prognose do desenvolvimento neurológico após a ocorrência de hipoglicemia sintomática ou assintomática tem grupos de controle comparáveis formados de crianças nas quais o nível de glicose ficou abaixo de um valor definido (Seção 1.2). Usando uma abordagem diferente, Lucas et al (18) correlacionaram o nível plasmático de glicose com o resultado, num grande estudo de 661 prematuros com <1859 g de peso ao nascer. Foi feita a regressão de graus de desenvolvimento motor e mental medidos randomicamente pela escala de Bayley aos 18 meses de idade sobre as mais baixas concentrações de glicose registradas, entre 0,5 e 4,0 mmoll, com correção correspondente a sexo, tempo de gestação, peso ao nascer, dias de ventilação e outros fatores de risco perinatal e social identificáveis. Observaram-se o coeficiente máximo de regressão para a concentração de glicose no sangue e os graus de Bayley no valor mínimo de 2,5 mmoll, não se evidenciando, porém, correlação com o resultado para concentrações plasmáticas de glicose >4,0 mmoll. Verificou-se também uma significativa correlação dos resultados com o logaritmo do número de dias em que foram registrados níveis de glicose no plasma <2,6 mmoll. A ocorrência de hipoglicemia “moderada” freqüente (glicose plasmática <2,6 mmoll) foi associada mais estreitamente ao desenvolvimento deficitário do que a hipoglicemia grave mas menos freqüente. Observaram-se grandes diferenças entre lactantes euglicêmicos e aqueles em que a glicose plasmática caiu a menos de 2,6 mmoll em cinco ou mais dias, não necessariamente consecutivos. Os resultados médios nos respectivos grupos, no que se refere ao índice de desenvolvimento motor de Bayley, foram de 96,1 (1,3) v 84,4 (3,2) (p<0,001) e 102,0 (1,5) v 85,6 (3,7) (p<0,005) para o desenvolvimento mental. Ademais, o risco de deficiência do desenvolvimento neurológico (definido como paralisia cerebral ou grau de desenvolvimento motormental de Bayley <70) para crianças cuja glicose plasmática caiu abaixo de 2,6 mmoll em cinco dias ou mais foi de 3,5 (IC de 95% 1,3-9,4, p<0,02) em relação ao risco dos em que não foi registrada hipoglicemia.

Esse estudo destaca-se pelo grande tamanho da sua amostra e pelo seu poder estatístico sem paralelo. Não obstante, tem numerosas limitações como guida para concentrações “inócuas” de glicose no plasma. Primeiro, aplica-se apenas a prematuros e há crescentes indicações de que a resposta contra-reguladora imatura desse grupo poderia torná-lo mais vulnerável aos efeitos da hipoglicemia (Seção 2.4.1). Segundo, é importante reiterar (Seção 1.3) que a evidência de uma associação entre hipoglicemia e os resultados do desenvolvimento neurológico em estudos desse tipo pode não denotar uma relação causal. É possível que a hipoglicemia tenha apenas agido como substituta de outros fatores de risco não identificados e não introduzidos no modelo de regressão múltipla. Não se pode pressupor que a manutenção de um nível plasmático de glicose >2,5 mmoll teria evitado seqüelas no desenvolvimento neurológico.

4.5 Resumo

Não há dados suficientes para definir uma faixa normal de valores de glicose no sangue em lactantes sadios nascidos a termo e amamentados ao seio. Os poucos estudos que examinaram esse problema não deram descrições minuciosas do controle da amamentação natural. Mesmo que se pudesse estabelecer uma faixa normal de concentrações de glicose no sangue, isso não definiria um nível limiar de glicose no qual se deveria iniciar o tratamento no bebê assintomático, porque as concentrações de outros combustíveis cerebrais (particularmente corpos cetônicos, ácidos graxos e lactato) continuam desconhecidas. A concentração de glicose é apenas uma peça de um complexo quebra-cabeça metabólico e não se pode determinar isoladamente o seu significado.

No caso dos bebês sintomáticos a termo e prematuros, há mais razão para agir com cautela. Dados limitados parecem indicar tanto que a cetogênese é limitada em prematuros (Seção 2.4, Seção 4.2), como que a presença de uma concentração plasmática de glicose <2,6 mmoll nesse grupo é associada a resultados adversos no desenvolvimento neurológico (Seção 4.4). O resultado do desenvolvimento neurológico de bebês a termo sintomáticos com hipoglicemia também é pior do que naqueles que são assintomáticos. Embora essas associações não constituam prova de uma vinculação causal, parece prudente adotar um enfogue cauteloso em presença de sintomas e instituir rapidamente o tratamento, para aumentar a concentração de glicose no sangue, independentemente do valor medido, uma vez que não se pode estabelecer um limiar definido.

5. TRIAGEM

O aperfeiçoamento de tiras reagentes pra testes de glicose no sangue nos anos 70 facilitou a prática de triagem de hipoglicemia em recém-nascidos. Qual o grau de confiança desses testes e como se justifica essa triagem?

5.1 Métodos de medição do nível de glicose no sangue e no plasma

5.1.1 Método reduciométrico. Os métodos tradicionais de medição de glicose no sangue dependiam da propriedade redutora da glicose. Um exemplo é o método do ferrocianeto, que pode ser adaptado para uso num aparelho Autoanalyser. Esses métodos medem as concentrações totais redutoras de açúcar. A diferença entre o açúcar redutor total e as concentrações de glicose geralmente não tem importância a níveis de glicose muito altos, tornando-se, porém, clinicamente significativa a baixos níveis de glicose no sangue. Uma etapa preliminar de diálise da amostra nos métodos de ferrocianeto totalmente automatizados contorna esse problema. Os métodos enzimáticos (105) superaram em grande parte os métodos reduciométricos na prática clinica em que há necessidade de uma medição precisa de concentrações de glicose no sangue e no plasma.

5.1.2 Método de oxidase da glicose. A oxidase da glicose catalisa a sua oxidação para produzir ácido glicurônico e peróxido de hidrogênio. Mede-se a concentração de peróxido de hidrogênio liberado usando a ação da peroxidase combinada com um aceitante corado de oxigênio ou um

elétrodo (105). Essas reações constituem a base dos métodos tanto de tira reagente como de eletrólise de glicose em bancada. As limitações desses sistemas são descritas abaixo mais pormenorizadamente (Seções 5.1.6, 5.1.7).

5.1.3 Método de hexocinase. A hexocinase catalisa a fosforilação da glicose por ATP. Em seguida, a glicose-6-fosfato é reduzida por deidrogenase da glicose, produzindo NADPHH+ , que pode sr medido usando um sistema indicador espetrofotométrico adequado. Esse método é preciso e altamente específico para glicose (105).

5.1.4 Precisão e fontes de erros na determinação de concentrações de glicose no sangue e no plasma. Para um método ideal de medição de concentrações de glicose na prática clínica, os requisitos são: exatidão, precisão e processamento rápido de pequenas amostrar sem necessidade de etapas preparatórias. O método deve ser também suficientemente simples para ser levado a cabo por pessoal médico e de enfermagem sem treinamento extensivo em aptidões de laboratório. Os métodos aperfeiçoados e usados mais freqüentemente nos dois últimos decênios para monitoria junto ao berço dos níveis de glicose no sangue e no plasma incluem as tiras de papel reagente e os elétrodos de glicose. Ambas as modalidades dependem da reação da oxidase da glicose (Seção 5.1.2). Outro método, desenvolvido mais recentemente (o do fotômetro HemoCue, Seção 5.1.8) utiliza a deidrogenase da glicose para reduzir NAD mas mede a mudança de cor do indicador por espectrometria de transmissão e não pela tecnologia de refletância empregada com os métodos baseados em tiras de papel.

5.1.5 Propriedades da amostra e fontes de erro. O sangue arterial tem uma concentração de glicose maior que a do sangue venoso. A magnitude dessa diferença varia de acordo com os requisitos de glicose nos tecidos e será maior em condições anaeróbicas. A coleta de amostra por capilaridade não merece fé se for reduzido o fluxo de sangue periférico. As amostras devem ser sempre de sangue em circulação livre, dado que a expressão do calcanhar causa hemólise, que interfere na prova, salvo se for feita desproteinização (ver adiante). A contaminação pelo álcool usado na preparação da pele dá valores erroneamente elevados (106, 107). A amostra deve ser analisada imediatamente ou desproteinizada (usando, por exemplo, ácido perclórico) e resfriada. Caso contrário, a glicólise continua. Os tubos revestidos de fluoreto de sódio achados no comércio nem sempre garantem uma concentração de fluoreto suficiente para inibir a glicólise (108).

Um dos maiores problemas em amostras neonatais é que o hematócrito pode variar de <40 a >70%. As hemácias contêm menos linfa do que um volume equivalente de plasma (embora a concentração de glicose na linfa do glóbulo vermelho seja a mesma da do plasma). Assim, o nível plasmático de glicose é mais alto que o do sangue integral, numa média de cerca de 18% (69). Ademais, todos os métodos que empregam tiras de papel reagente são sujeitos ao vício hematocrítico intrínseco; quanto maior o valor hematocrítico, mais baixo o resultado. Seriam possíveis razões a mudança de cor do bloco de teste e a resistência à secagem e lavagem antes da leitura. Ademais, a viscosidade maior da amostra impede a difusão de plasma no bloco de teste da tira. A preparação da amostra de plasma, por exemplo num tubo micro-hematocrítico heparinizado, resolve esse problema (109).

A bilirrubina, o ácido úrico e a hemólise também interferem nos métodos à base de tiras de

oxidase-peroxidase de glicose. A bilirrubina inibe as duas etapas da prova, resultando em valores falsamente baixos (110). A hemólise também produz valores falsamente baixos. Isso poderia ser atribuído à presença de hemoglobina ou a libertação de glutation reduzido, que compete com o cromogênio pelo peróxido de hidrogênio libertado na prova. Pode-se evitar a interferência por hemolisados, ácido úrico e bilirrubina pela desproteinização da amostra.

5.1.6 Tiras de papel. Desenvolvidas inicialmente para monitoração do nível de glicose no sangue no diabetes, estas tiras não se destinavam à detecção de hipoglicemia. É necessário tomar cuidado para evitar contaminação por produtos de limpeza da pele contendo álcool, cobrir toda a superfície do bloco de prova e cronometrar precisamente a reação antes de secar a tira. Mesmo quando são tomadas essas precauções, todas as provas tendem a subestimar sistematicamente a média de uma série de medições na faixa de concentrações de glicose relevante para o diagnóstico de hipoglicemia neonatal (<2,6 mmoll; aproximadamente <50 mgdl) e são imprecisas, dando, em geral, valores com uma margem de apenas ± 0,5 mmoll, mesmo quando combinadas com um sistema de medição de refletância (p. ex., Reflolux).

Vários sistemas podem ser encontrados no comércio e foram avaliados para uso neonatal, tais como Dextrostix (Ames Co.) (111, 112) BM-test-glycemie 1-44 (10, 112, 113) e Chemstrip bG (Boehringer Mannheim) (109, 114). A maioria dos estudos compara métodos usando uma análise de correlação linear (p. ex., 109, 112, 115, 116, 117, 118, 119), mas um modo mais informativo de comparar os métodos de medição é representar graficamente a diferença entre resultados obtidos por diferentes métodos comparada com a média dos dois (120). Isso descreve mais claramente a inexatidão (diferença sistemática entre métodos) e a imprecisão (variação aleatória dos resultados em torno da média).

Quatro estudos examinaram o problema dessa forma. Num (69), foram comparadas medidas de glicose no sangue feitas com tiras BM glycemie 1-44 e medidor de refletância Reflolux, com medidas obtidas por Autoanalyser em toda uma faixa de níveis de glicose de 0,8-2,8 mmoll. Os limites de confiança de 95% (precisão) nessa faixa foram próximos de 0,5 mmoll, e registrou-se uma diferença sistemática de 0,5 mmoll em todas as concentrações. Anderson et al (10) compararam tiras BM com o sistema Yellow Springs Instruments, baseado no elétrodo de glicose. O BM glycemie test deu resultados em média inferiores em 0,37 mmoll aos obtidos com o elétrodo de glicose na faixa de concentrações de 1-5 mmoll. Não foram dados os limites de confiança.

Um terceiro estudo (113) examinou a eficiência dos sistemas baseados em tiras de papel na triagem de hipoglicemia neonatal (ver 5.2, adiante), definida como um nível de glicose no sangue <2.0 mmoll detectado no berçário pela prova de BM glycemie 1-44 (Tabela 5). Utilizou- se o sistema Kodak Ektachem como referência comparativa de laboratório. Os valores médios da prova de BM glycemie subestimaram em até 1,5 mmoll os valores do teste Kodak Ektachem numa concentração de glicose de 1 mmoll, mas foram comparáveis ao nível de 3,5 mmoll. Em todas as concentrações, verificou-se uma ampla dispersão dos resultados, a tal ponto que, em 95% dos casos, um valor BM de 2,0 mmoll poderia estar situado entre 1,4 e 4,3 mmoll. De igual forma, Hameed et al (119) compararam estimativas de refletância pela prova BM em amostras de sangue venoso e capilar com valores obtidos no laboratório pela técnica de hexicinase e observaram, nos valores médios da prova BM, uma tendência a subestimar, com uma ampla

dispersão de valores individuais (IC de 95% aproximadamente ± 1,6 mmoll).

Em suma, os métodos à base de tiras reagentes são sujeitos a muitos erros quando usados para triagem de hipoglicemia neonatal. A média de uma série de medições pode ser subestimada por até 0,5-1,0 mmoll. Devido a isso, não se deve iniciar o tratamento com base nos resultados obtidos somente com esses testes.

5.17 Sistemas baseados no elétrodo de glicose. Um estudo (121) examinou a confiabilidade de um analisador baseado no elétrodo de glicose (YSI) (Yellow Springs Instruments, Modelo 23A) usado por enfermeiras num meio clínico. O aparelho mede a concentração plasmática de glicose numa amostra não centrifugada de sangue integral de 25µl. Um estudo in vitro acusou uma boa concordância linear (r = 0,99) numa faixa de 0-100 mgdl (0-5,6 mmoll) entre dados de estudos com YSI e os obtidos com uso de um método laboratorial de oxidase da glicose. A equação de regressão foi a seguinte:

Glicose no sangue medida por YSI (mgdl) = 0,95 valor laboratorial + 0,76 mgdl.

O erro padrão de estimativa (n = 49) foi de 3,0 mgdl (0,17 mmoll), significativamente melhor que a concordância verificada entre o método YSI e o de tiras reagentes (Glucometer II, Chemstrip bG, Dextrostix, Glucostix), para os quais o erro padrão de estimativa variou entre 15 e 20 mgdl. Nas concentrações encontradas na prática, a interferência da bilirrubina é desprezível e o teste não é afetado pelo hematócrito da amostra. Existem sistemas totalmente automáticos, mas estes custam caro (US$15 000) em comparação com os medidores de refletância. Uma vez adquirido, os custos de operação do YSI equivalem muito de perto ao custo das fitas reagentes descartáveis. 5.1.8 Outros sistemas para uso no berçário. O fotômetro de glicose β HemoCue (Hemo-Cue AB, Angleholm, Suécia) é um método ótico que mede a glicose no sangue total em pequenas amostras (5 µg) usando tinas descartáveis. O sangue é hemolizado na tina, e o NADH formado por oxidação enzimática da glicose reduz o tetrazólio de metiltiazolildifenil, para produzir um corante de formazan, cuja concentração é determinada por espectrometria. Somente um estudo avaliou a aplicação a amostras neonatais (122). Ademais, não se pode estabelecer a sua confiabilidade para detecção de hipoglicemia pelo fato de que muito poucas observações situaram-se na faixa de importância (<3 mmoll) e os resultados foram expressos apenas em termos de correlação estatística, e não dos limites de concordância (ver comentários na Seção 5.1.7). Ademais, o custo por teste é elevado em comparação com os sistemas baseados em tiras reagentes ou elétrodos. Variações na temperatura de armazenagem das tinas e na temperatura ambiente podem introduzir erros, embora estes sejam mais significativos em altas concentrações de glicose do que em concentrações baixas. Um estudo recente (123) realizado no Nepal constatou que o HaemoCue tendia a superestimar o nível de glicose no sangue de amostras neonatais e era impróprio para a detecção de hipoglicemia (<2 mmoll).

5.2 Efetividade da triagem baseada em métodos de tira reagente

A Tabela 5 resume os dados sobre efetividade da triagem procedentes de dois estudos publicados. Um valor preditivo positivo (VPP) de 0,18 ou 0,52 implica o fato de que uma medição com tira reagente previu hipoglicemia verdadeira (isto é, confirmada por medição no

laboratório) em apenas 18 ocasiões, ou 52%. A discrepância entre estudos de valor estimado de previsão provavelmente reflete diferenças na incidência de hipoglicemia. Em um deles (114), a proporção de positivos verdadeiros foi de 21% em todos os testes, enquanto, no outro (113), foi inferior a 10%. Em geral, quanto mais baixa a incidência de uma condição, maior a probabilidade de se fazer um diagnóstico falso positivo por prova de triagem e menos fiel o valor preditivo (124). Os valores pertinentes a sensibilidade e especificidade não são afetados pela incidência de uma condição e as estimativas desses dois estudos, de 82% e 86% quanto à sensibilidade, e de 70% e 78% quanto à especificidade, foram comparáveis. Usando um valor médio para especificidade de 74%, pode-se calcular que aproximadamente um de cada quatro bebês normoglicêmicos testados teria sido erroneamente classificado como hipoglicêmico. Um terceiro estudo (125, não mostrado na Tabela), usando o teste de BM glycemie 20-800 e o medidor Reflolux, produziu estimativas semelhantes: 88% de sensibilidade e 81% de especificidade.

Tabela 5 Eficiência da triagem de hipoglicemia neonatal

usando métodos baseados em tira reagente

Definição

Sensibilidade Especificidade Valor preditivo positivo

Valor preditivo negativo

Hipoglicemia definida como <2,0 mmol l-1 usando os sistemas BM glycemie e Reflolux (113), ou como <1,9 mmol l-1

usando Chemstrip BG com comparação visual (114).

Sensibilidade = positivos verdadeiros [positivos verdadeiros + falsos negativos] Especificidade = negativos verdadeiros [negativos verdadeiros + falsos positivos] Valor preditivo positivo = positivos verdadeiros [positivos verdadeiros + falsos positivos] Valor preditivo negativo = verdadeiros negativos [verdadeiros negativos + falsos negativos]

Em suma, estes estudos mostram que a triagem baseada em tira reagente detecta apenas cerca de 85% dos casos verdadeiros de hipoglicemia e 75% dos bebês verdadeiramente normoglicêmicos. Assim, os testes baseados em tira reagente são inadequados para o diagnóstico de hipoglicemia neonatal e não devem ser empregados. São preferíveis medições de laboratório, menos freqüentes porém mais exatas, ou de elétrodo de glicose usado no berçário com bebês em risco (Seção 6).

5.3 Incidência de hipoglicemia

Evidentemente, as estimativas de incidência de hipoglicemia variam conforme a definição escolhida, a população estudada (idade pós-natal, gestação, peso em relação ao tempo de gestação) e o padrão de atenção.

Sexson (99) examinou o efeito do limiar de diagnóstico de hipoglicemia na incidência dessa condição entre 232 recém-nascidos de mães de baixo risco, em Ohio. Não foi dada informação sobre regimes alimentares. Em 72% (168), foram encontrados um ou mais fatores de risco de hipoglicemia segundo a definição de Cornblath e Schwartz (100). Foi utilizado Dextrostix para triagem de hipoglicemia, prática que provavelmente superestima a incidência verdadeira (Seção 5.1.6; Seção 5.2), embora a análise de laboratório haja confirmado valores baixos. A hipoglicemia foi definida como um índice de glicose no sangue de <2,2 mmoll (<40 mgdl). Nenhum dos 64 bebês sem fator de risco acusou hipoglicemia ao ser testado às 5 horas de idade (antes da primeira alimentação), mas 28,6% dos 168 neonatos com fator de risco tornaram-se hipoglicêmicos dentro das primeiras 12 horas de vida. A glicose média no sangue dos bebês

hipoglicêmicos foi de 1,5 mmoll (variação de 0-2,1 mmoll e a idade média ao tempo do diagnóstico foi de 3,4 horas (variação de 0,5-12 horas). A incidência geral de hipoglicemia na amostra total de 232 bebês foi de 20,6%, mas é difícil estabelecê-la neste contexto, por não terem sido fornecidos dados sobre peso ao nascer e idade uterina. Não obstante, se tivesse sido usada a definição proposta por Cornblath et al (<1,7 mmoll), apenas 8,1% teriam sido identificados como hipoglicêmicos (17).

Holtrop (126) estudou a incidência de hipoglicemia em recém-nascidos GTG e PTG americanos identificados como tendo peso ao nascer no centil >90º ou <10º, respectivamente. A definição de hipoglicemia escolhida foi a sugerida por Srinivasan et al (101): uma concentração sérica de glicose de <35 mgdl com <3 horas de idade, <40 mgdl às 3-24 horas de idade e <45 mgdl com >24 horas de idade. Foi detectada hipoglicemia em 8,1% (24298) dos lactantes GTG e 17,7% (30204) dos bebês PTG. Com três exceções, a hipoglicemia em bebês PTG ocorreu nas primeiras 10 horas de vida. Embora tenham sido fornecidos dados sobre peso médio ao nascer e gestação, não foi apresentada informação sobre regimes alimentares.

Um estudo de 164 bebês PTG realizado na Grã Bretanha (127) identificou hipoglicemia (definida como um nível de <1,4 mmoll medido por Dextrostix) em apenas 3 de 104 com peso ao nascer no centil >2.3 e 6 de 60 com peso ao nascer no centil <2,3. Somente um dos seis bebês, descrito como “nervoso”, mostrou-se sintomático. Hawdon et al (36), fazendo uma resenha da bibliografia, citam incidências de “hipoglicemia”44 em recém-nascidos a termo entre 0 e 8% e entre 3% e 15% em prematuros.

São muito limitadas as informações sobre incidência de hipoglicemia neonatal em países em desenvolvimento. Anderson et al (10) fizeram um estudo transversal de 226 recém-nascidos a termo sem complicações num hospital de Kathmandu, Nepal. Verificou-se a presença de hipoglicemia, definida como um nível de glicose no sangue de <2,0 mmoll durante as primeiras 50 horas de vida (103), em 38%. Sete por cento acusaram uma concentração de glicose no sangue de <2,0 mmoll. Constatou-se uma associação entre baixo peso ao nascer e hipoglicemia, presente em 55% dos que pesavam <2500 g e 32% dos com >2500 g. De igual forma, 57% dos com temperatura retal de <35,5° ao tempo da coleta da amostra eram hipoglicêmicos, em comparação com 32% dos que não eram. Mais da metade dos bebês estudados receberam alimentação pré-láctea (água açucarada) e muitas mães retardaram o início da amamentação por mais de 24 horas, descartando o colostro. Com boas razões, os autores aventaram a possibilidade de existência de importantes fatores etiológicos, mas não procuraram correlacionar sistematicamente essas práticas com a ocorrência de hipoglicemia em seu estudo.

5.4 Resumo: é necessária a triagem para detectar hipoglicemia?

Usa-se o termo “triagem” neste trabalho para denotar a medição regular de glicose no sangue de recém-nascidos assintomáticos. Recém-nascidos a termo. A triagem de hipoglicemia em recém-nascidos a termo sadios é falha por duas razões principais: primeiro, não se pode estabelecer um nível diagnóstico de glicose no sangue (Seção 4). Segundo, não se dispõe de metodologia confiável para uso no berçário: os métodos baseados em tiras reagentes superestimam consideravelmente a verdadeira freqüência de hipoglicemia nessa população (Seção 5.2), com probabilidades de levar a investigação e

tratamento desnecessários.

Prematuros. A limitada disponibilidade de dados suscita a preocupação pelo fato de que os neonatos com <37 semanas de gestação têm uma resposta contra-reguladora imatura à hipoglicemia (Seção 2.3; Seção 2.4). Pareceria conveniente manter nesse grupo um nível plasmático de glicose de >2,6 mmoll (18). Para atingir esse objetivo, a prevenção (Seção 6) mediante alimentação entérica (ou provisão intravenosa de glicose aos incapazes de se alimentar) é mais importante do que a testagem freqüente de níveis de glicose no sangue. É preferível a medição laboratorial diária ou duas vezes por dia, às medições freqüentes mas imprecisas com tiras reagentes. Na maioria dos casos, a medição laboratorial deve ser suficiente para dimensionar os regimes alimentares às necessidades da criança.

Crianças pequenas em relação ao tempo de gestação (PTG). É necessário tomar cuidado no diagnóstico de PTG (ver Seção 6.2.3). Este grupo é muito heterogêneo e nem todos estão em risco de hipoglicemia. Os que ficam abaixo do 3º percentil (peso ao nascer de <2 DP da média para o tempo de gestação) (71, 127) e os que são desproporcionais (incremento da relação circunferência cranianapeso do corpo) ou acusam perfis anormais de velocidade do fluxo Doppler na artéria umbilical durante a vida fetal (47) provavelmente são mais vulneráveis. A policitemia é um fator de risco adicional que se pode facilmente excluir (Seção 6.1). Não é necessária a extração excessiva de amostras de sangue para detectar crianças em risco. Deve-se dar preferência às medições laboratoriais de glicose no sangue do cordão umbilical e de glicose no sangue às 4-6 horas de idade (antes da segunda alimentação) (46).

Recém-nascidos a termo grandes para o tempo de gestação (GTG). Os raros recém-nascidos que acusam hiperinsulinismo orgânico são, via de regra, grandes ao nascer, e essa associação tem levado à triagem de crianças cujo peso ao nascer excede o do 90º percentil para o tempo de gestação. Vez por outra, o GTG está associado a diabete gestacional materna até então não detectada. Na maioria, porém, os bebês GTG são simplesmente crianças grandes, normais e sadias (ver Seção 2.4.4). Como nas crianças ATG (36), as concentrações de glicose no sangue podem cair a menos de 2 mmoll nesse grupo, geralmente dentro das primeiras 8 horas de vida (126). Não há provas de que a ocorrência de hipoglicemia transitória nesse grupo tenha resultados danosos. Conseqüentemente, na ausência de sintomas, a triagem com tiras reagentes, a alimentação suplementar e o tratamento de hipoglicemia transitória branda são impróprios.

Filhos de mães diabéticas. A maioria dessas crianças exibe hiperinsulinismo transitório e está, conseqüentemente, em risco de hipoglicemia hipocetonêmica. Deve-se fazer a triagem pelo menos nas primeiras 24 horas de vida, e a concentração de glicose no sangue deve ser mantida em >2,6 mmoll. Os testes podem ser suspensos uma vez que os níveis de glicose no sangue sejam mantidos sem alimentação suplementar ou terapia intravenosa.

6. PREVENÇÃO

6.1 Fatores periparto

6.1.1 Ocorrências durante o parto. Embora muitos fatores que ocorrem durante o parto e que predispõem à hipoglicemia neonatal sejam inevitáveis (p. ex., uso de simpatomiméticos β para suspender trabalho de parto prematuro, seção cesariana), alguns podem ser evitados. Um deles é a infusão excessiva de glicose na mãe durante o parto. A restrição a <10 gh não deve ter efeito significativo nem na concentração de insulina no sangue do cordão umbilical nem na incidência de hipoglicemia (Seção 2.4.4).

6.1.2 Controle pós-parto inicial. O bebê deve sr imediatamente enxugado para reduzir a perda de calor por evaporação, que aumenta com as exigências de energia. O contato pele a pele entre a mãe e a criança tão logo seja possível após o parto é importante para manter a temperatura nuclear (128). Deve-se dar a mais alta prioridade à alimentação entérica precoce em recém- nascidos sadios, quer a termo quer prematuros (129, 130).

6.1.3 Fatores de risco neonatal. A Seção 2.4 examina os fatores que aumentam o risco de hipoglicemia neonatal. Sugerem-se abaixo (Seção 6.2) regimes alimentares por categorias de bebês em risco. A policitemia (volume de células concentradas ou VCC de >0,65) pode estar associada a hipoglicemia em certos bebês, particularmente aqueles que são pequenos em relação ao tempo de gestação e os filhos de mães diabéticas. Há controvérsia quanto ao manejo de policitemia neonatal, recomendando algumas autoridades (131) a troca parcial por diluição com 5% de albumina em bebês “sintomáticos” (inclusive os que são hipoglicêmicos), mas não há indicações definidas de benefício a curto ou longo prazo nos que são sadios (132).

6.2 Regimes alimentares

O método mais eficaz de prevenção de hipoglicemia é dar leite tão logo seja possível após o parto. O jejum prolongado está associado à queda progressiva do nível médio de glicose no sangue em recém-nascidos tanto a termo como prematuros e nos de tamanho apropriado ou pequeno para o tempo de gestação (31). Dá-se preferência ao leite de peito, e não a fórmulas, porque ele parece promover a cetogênese (36). Ademais, ainda há certos indícios de que os níveis iniciais de glicose no sengue de recém-nascidos a termo alimentados à mamadeira são mais baixos do que nos amamentados ao seio (102). Isso poderia refletir o efeito insulinogênico da proteína na fórmula (37) (Seção 4.1).

Recém-nascidos a termo. Não se justifica a administração ao recém-nascido a termo sadio de água com dextrose a 10% ou qualquer outra forma de alimento pré-lácteo. Embora tenha sido rotineira antigamente, especialmente em berçários norte-americanos, essa prática está superada. A água com dextrose tem uma densidade energética mais baixa que a do leite, que contém gordura. A prática de dar água com dextrose surgiu provavelmente da preocupação com a aspiração no bebê que é alimentado pela primeira vez, mas não há indicação de que a aspiração de colostro seja mais prejudicial em qualquer aspecto do que a aspiração de dextrose ou água.

Em certas partes do mundo, notadamente no subcontinente indiano, é comum a alimentação pré-

láctea e a supressão de colostro. Num estudo em colaboração com o Conselho Indiano de Pesquisa Médica sobre a alimentação de recém-nascidos, apenas 32% das mães davam o peito à criança dentro das primeiras 24 horas e apenas 13% nas primeiras 8 horas. Setenta e um por cento das mães ofereciam uma alternativa ao leite de peito, como água com mel ou açúcar (10). Ao que tudo indica, tais práticas aumentam a incidência provável de hipoglicemia neonatal, embora esse fato não pareça estar confirmado por estudos de intervenção.

6.2.2 Recém-nascidos prematuros. Já se passaram 30 anos desde que dois estudos britânicos documentaram que a alimentação “precoce” com leite de peito extraído reduz a incidência de hipoglicemia (glicose no sangue de <20 mgdl) em prematuros (129, 130). Nas décadas de 1940 e 1950, os prematuros eram submetidos a jejum nas primeiras 24 horas de vida a fim de reduzir a incidência de aspiração. Smallpeice e Davies (129) mostraram que a alimentação de recém- nascidos pequenos (peso ao nascer de 1-2 kg) com sonda nasogástrica, usando volumes graduados de leite, era inócua e reduzia a freqüência de hipoglicemia, icterícia e desidratação, em comparação com controles históricos. O esquema de alimentação por eles adotado, começando com 60 (mlkg)d e aumentando dia a dia em incrementos de 30 (mlkg)d, até chegar a 150 (mlkg)d no quarto dia de vida, ainda é amplamente recomendado nos textos padrão sobre atenção neonatal, embora nunca tenha sido avaliado sistematicamente. Wharton e Bower (130) verificaram que essa prática reduz à metade a incidência de hipoglicemia assintomática (544 em grupos alimentados imediatamente, 1054 em grupos alimentados tardiamente) e abole a hipoglicemia sintomática (044 nos alimentados imediatamente, 454 nos alimentados tardiamente), embora estivesse associada a um aumento do risco de mortalidade, freqüentemente associada a aspiração.

Outra alternativa seria dar 100 (mlkg)d no primeiro dia, 75 (mlkg)d no segundo e 50 (mlkg)d no terceiro, à medida que aumente o volume de leite de peito obtido por sucção (J. M. Hawdon, M. Ward Platt; comunicações pessoais, 1996). A preocupação com uma possível relação entre um volume alto de alimentação e a ocorrência de enterocolite necrotizante pode ser injustificada, baseada como é em dados de casos de controle (133, 134) e estudos controlados retrospectivamente (135, 136). Não foi também apoiada por uma única pequena prova aleatória controlada (137). Ademais, os estudos que examinam o volume da alimentação não contêm adequados controles para os efeitos protetores do leite humano (138, 139).

Os prematuros com indicação de dificuldades respiratórias (taquipnéia, ronco, recessão) não devem receber alimentação entérica, mas devem ser tratados com glicose intravenosa (ver Seção 6.4) até que o ritmo respiratório comece a cair. As sondas devem ser sempre introduzidas pela boca em crianças que se estão recuperando de dificuldades respiratórias, dado que as sondas nasogástricas aumentam a impedância das vias aéreas e podem precipitar apnéia (140). Por outro lado, os recém-nascidos podem ser alimentados com xícara (141). A princípio, pequenas quantidades de alimento devem ser oferecidas de hora em hora, aumentando-se os intervalos para três horas, conforme a tolerância.

Recém-nascidos prematuros com 32-36 semanas de gestação. A coordenação sustentada da sucção com a deglutição está presente aproximadamente desde a 32ª semana de gestação (142) e pode-se dar a muitas crianças nessas condições a oportunidade de sugar. A capacidade dos recém-nascidos pequenos de sugar o seio muitas vezes é subestimada. Pearce e Buchanan (143)

informaram que 12 de 17 bebês com peso ao nascer muito baixo admitidos consecutivamente a uma unidade neonatal começaram a ser amamentados ao seio com um peso médio de 1,324 ± 0,099 kg (média, ± DP) e uma idade média de 11 dias. Dez estavam sendo aleitados ao seio exclusivamente aos 27 dias de idade, quando pesavam 1,600 ± 0,139 kg.

O seio deve ser oferecido tão logo seja possível após o nascimento, e a intervalos de três horas desde então. Não há vantagem em persistir se o bebê cai no sono, não mostra vontade ou não tem disposição para tomar e sugar o seio. É possível que as necessidades totais não sejam preenchidas e, durante os primeiros dias de vida, deve-se dar alimentação suplementar após as mamadas. O volume de suplemento deve ser reduzido à medida que melhore a sucção e o peso seja recuperado (ver diretrizes acima, em 6.2.2). A alimentação deve ser oferecida em xícara ou por sonda, de preferência à mamadeira. O leite de peito extraído é o alimento de escolha mas, na sua falta, é preferível dar fórmula em vez de água com dextrose.

Recém-nascidos prematuros com menos de 32 semanas de gestação. A maioria destes não sugará eficientemente e terá de ser alimentada por cevadura, embora a alimentação com xícara seja possível a partir de 30 semanas de gestação (141). Se necessário, deve-se introduzir uma sonda gástrica, usando, porém, a via oral, e não a nasal (140). No primeiro dia, deve-se dar um volume de 60 (mlkg)d, dividido em porções horárias. Se houver facilidades para terapia intravenosa, deve-se iniciar uma infusão de glicose a 10% tão logo seja possível após o nascimento (Seção 6.4). São contra-indicações absolutas à alimentação a ocorrência de aspirado gástrico com vestígios de bile e a distensão abdominal, imputável mais comumente ao íleo. Deve-se suspender a alimentação e iniciar infusão intravenosa de glicose a 10% (ou nutrição parenteral, quando disponível). A alimentação entérica pode ser reiniciada quando desaparecerem os sinais, supondo-se que tenha sido excluída a enterocolite necrotizante (ECN). A ECN e outras condições associadas ao íleo (p. ex., sepsia, doenças respiratórias) devem ser tratadas de acordo com os textos padrão.

A maioria dos recém-nascidos com menos de 28 semanas de gestação acusa padrões imaturos de motilidade intestinal, embora se haja demonstrado que a alimentação precoce acelera a adaptação ao padrão observado em bebês mais maduros (144). Um estudo aleatório controlado de bebês <1850 g de peso constatou que a alimentação com leite humano é mais rapidamente tolerada com que a com fórmula (145).

Manejo da mãe. Quando a criança é incapaz de sugar, a mãe deve extrair o leite de peito tão logo seja possível após o parto, e continuar a intervalos de pelo menos 3 horas, mesmo à noite. Todo o leite extraído deve ser dado ao bebê. Se este for capaz de sugar mas parece incapaz de obter tudo o de que necessita, a mãe deve extrair leite após cada mamada. Num estudo aleatório, demonstrou-se que o contato pele a pele (“atenção canguru”) aumenta a duração da lactação entre as mães de prematuros muito pequenos (146).

6.2.3 Lactante pequeno em relação ao tempo de gestação (PTG)

Identificação de bebês PTG. Via de regra, são definidos como PTG os bebês cujo peso ao nascer é inferior ao do 10º centil para o tempo de gestação. Essa classificação grosseira não leva em conta o efeito da estatura e do peso da mãe sobre o peso ao nascer. Há uma diferença de

aproximadamente 500 g entre o peso médio dos bebês nascidos a termo de mães de 1,46 m ou 1,74 m. Se forem levados em conta os extremos de peso na metade da gravidez, a diferença se aproxima de 1 kg (147). Um estudo de bebês britânicos (148) estimou que 28% dos recém- nascidos convencionalmente classificados com PTG tinham o peso apropriado, uma vez considerada a raça, a estatura, o peso e o número de partos da mãe. Assim também, 24% dos bebês classificados como de peso apropriado para o tempo de gestação (ATG) eram, na verdade, PTG. Em condições ideais, o peso ao nascer deve ser ajustado pelo menos em função do efeito da estatura, do número de partos e do peso da mãe na metade da gravidez (147), antes de serem os bebês classificados como PTG.

Como a produção endógena de glicose e os respectivos requisitos estão mais estreitamente correlacionados com o peso do cérebro que com o peso do corpo, os bebês PTG em maior risco de hipoglicemia provavelmente são aqueles com aparência desproporcional, com uma alta relação circunferência cranianacircunferência a meio braço, ou circunferência cranianapeso do corpo. Lamentavelmente, os dados atualmente disponíveis são insuficientes para definir um limiar preciso na identificação da população em risco. Ademais, o cálculo de tal indicador a partir de dois parâmetros independentes duplica o potencial de erro de medição.

Manejo de bebês PTG. As razões da maior incidência de hipoglicemia entre bebês PTG foram examinadas na Seção 2.4: a resposta contra-reguladora e a cetogênese são enfraquecidas numa comparação com crianças ATG mas parecem amadurecer com a alimentação. Assim, acredita-se que a alimentação precoce seja tão importante nesse grupo como no dos prematuros de peso normal. As taxas de produção de glicose em bebês PTG são mais altas do que em bebês ATG (Seção 2.2.4). Por isso, começamos a alimentação entérica de bebês PTG sadios com 90 (mlkg)d de três em três horas no primeiro dia, aumentando em incrementos de 30 mlkg por dia.

Num estudo feito em Cambridge (149), de 269 recém-nascidos com 1,8-2,5 kg de peso que receberam 60 (mlkg)d no primeiro dia (com incrementos de 30 (mlkg)d), apenas cinco vieram a ter hipoglicemia55. Todos eram assintomáticos. Cinqüenta e cinco por cento dos neonatos estavam “(...) fazendo alguma tentativa para mamar por ocasião da descarga”.Outro estudo feito em Cambridge de 164 recém-nascidos com peso ao nascer inferior ao 5º centil com ≥32 semanas alimentados segundo esse regime constatou apenas nove casos de hipoglicemia (rodapé, nota 4), sendo, na maioria, bebês com <2 desvios padrão abaixo do peso médio para o tempo de gestação. Oito dos nove eram assintomáticos e um foi descrito como “nervoso”.

Não há estudos devidamente controlados da incidência de hipoglicemia entre bebês pequenos (PTG e prematuros) amamentados exclusivamente ao seio, à vontade, ou alimentados ao seio com suplementos. Há urgente necessidade de descobrir a incidência e o resultado da hipoglicemia, a incidência de efeitos adversos associados à suplementação com fórmulas e o peso de qualquer efeito negativo sobre a amamentação natural. Outra área que mereceria ser estudada é o papel da antropometria rudimentar (p. ex., relações entre circunferência craniana e circunferência a meio braço ou estatura) na identificação mais precisa dos bebês pequenos para o tempo de gestação que estejam em risco.

6.2.4 Filhos de mães diabéticas. Estas crianças exibem hiperinsulinismo transitório. O risco é maior entre as que são macrossômicas (Seção 2.4). Há pouca probabilidade de ocorrência de

hipoglicemia após as primeiras 24 horas de vida. A criança afetada deve ser amamentada ao seio tão logo seja possível após o parto, e à vontade desde então. Se uma estimativa de glicose no sangue antes da mamada, às 3 horas de idade, for normal, é pouco provável que sejam necessários suplementos. Se, porém, a glicose plasmática for <2,6 mmoll nessa idade, deve-se instituir a suplementação alimentar (90 (mlkg)d) para as primeiras 24-48 horas de vida, lembrando sempre que a capacidade de suportar a hipoglicemia nessas crianças pode ser comprometida por hipocetonemia. Vale observar que a maioria dos estudos veio a constatar que o desenvolvimento neurológico em filhos de mães diabéticas tem resultados semelhantes aos dos controles, desde que seja adequadamente tratada a hipoglicemia.

6.2.5 Crianças grandes para o tempo de gestação (GTG). Define-se geralmente como uma criança GTG aquela cujo peso ao nascer situa-se em >90º centil para o tempo de gestação. Em geral, os recém-nascidos com hiperinsulinismo persistente (imputável, p. ex., à síndrome de desregulação das células B) são GTG, assim como o são os nascidos de mães com diabetes gestacional não identificado. A adaptação metabólica em crianças GTG não tem sido estudada tão intensamente como é o caso, por exemplo, dos bebês PTG ou prematuros. A incidência de hipoglicemia66 num estudo de bebês GTG (126) realizado nos Estados Unidos foi de 8,1%, mas não foram fornecidos detalhes sobre os regimes alimentares. No mesmo estudo, o uso dos mesmos critérios constatou que 14,7% dos neonatos PTG eram hipoglicêmicos. A hipoglicemia foi precoce (idade média de 2,9 horas) nos recém-nascidos GTG e não ocorreram casos entre bebês com mais de 8 horas de idade. O hiperinsulinismo persistente entre bebês sadios noutros aspectos é muito raro, duvidando-se que se justifique a triagem e a administração de suplemento alimentar ao bebê GTG amamentado ao seio.

6.3 Aditivos em alimentos lácteos

A efetividade da suplementação alimentar com carboidratos foi investigada numa prova aleatória controlada com 130 bebês PTG77 sadios nascidos a termo (150). Os bebês foram admitidos a um berçário nas primeiras 24 horas de vida e receberam fórmula padrão, sozinha ou suplementada com 5 g de “açúcar” refinado por 100 ml. Ambos os grupos receberam 80 (mlkg)24 h por mamadeira ou sonda gástrica, dando um suprimento médio de glicose dos dois grupos de 5 ou 7,8 (mgkg)min, respectivamente. As concentrações de glicose no sangue (determinadas por um Autoanalyser) dos dois grupos, às 12 horas de idade, foram de 53,5 ± 7,1 e 71,6± 6,5 mgdl, respectivamente. Ademais, um número significativamente menor de crianças do grupo suplementado (4,6%) do que no grupo de controle (16,9%) acusou um registro de glicose no sangue <30 mgdl (Risco relativo, 4,2, IC de 95% 2,88, 5,44, p<0,05).

Lamentavelmente, esse estudo não procurou verificar se a ocorrência de uma concentração mais alta de glicose no sangue, no grupo suplementado, foi benéfica para o resultado. Ademais, há probabilidades de que a incidência de hipoglicemia em ambos os grupos seja espuriamente elevada devido ao uso de Dextrostix para a detecção de casos (Seção 5.1.6; Seção 5.2). Há ainda uma questão relativa à segurança do aumento da concentração osmótica com o acréscimo de açúcar à alimentação. Neste estudo, o suplemento alimentar continha 363 mosml, em comparação com 290 mosml no alimento padrão. Não se observou distensão abdominal, mas...

“(...) 10,8% dos bebês com alimentação fortificada não gostaram do sabor, em comparação com

4,8% alimentados com leite padrão.”

São necessários outros estudos sobre resultado e segurança antes que essa prática possa ser recomendada.

A suplementação de gordura dos alimentos entéricos pode ter uma função na prevenção de hipoglicemia (151). Há indícios de que a administração oral de lipídio (na forma de triglicerídio de cadeia média) aumenta a concentração de glicose nos bebês prematuros e PTG não alimentados (152, 153). O uso excessivo de suplementos gordurosos pode, contudo, precipitar diarréia, havendo ainda a possibilidade de precipitar doenças graves nos raros bebês que têm vias de oxidação β defeituosas.

6.4 Bebês que não podem ser alimentados

A alimentação entérica imediata é contra-indicada em certas situações, como, por exemplo, a presença de dificuldades cárdio-respiratórias, malformações congênitas do trato gastrintestinal, íleo e prematuridade extrema (menos de 28 semanas de gestação). A infusão de glicose deve ser iniciada a uma taxa que se aproxime da de produção endógena de glicose no fígado (Seção 2.2.4), vale dizer:

Bebê nascido a termo, peso apropriado para o tempo de 3-5 mg kg-1 min-1

gestação 4-6 mg kg-1 min-1

Bebê prematuro, peso apropriado para o tempo de gestação 6-8 mg kg-1 min-1

Bebê pequeno para o tempo de gestação

Nota: 60 ml kg-1 de dextrose a 10% fornecem 4,2 mg kg-1 min-1 de glicose88.

O uso de bolus ou “minibolus” de glicose injetada no tratamento de hipoglicemia documentada é discutível (ver Seção 7.2), mas há concordância em considerá-lo desnecessário ao se iniciar a infusão de glicose para evitar hipoglicemia em bebês que não podem ser alimentados por via entérica. Não é conveniente suspender abruptamente as infusões intravenosas de glicose. A concentração de glicose infundida numa veia periférica não deve ser superior a 10%. Se as necessidades de glicose forem maiores, pode-se tornar necessária a inserção de uma linha intravenosa central, embora se possa ter uma alternativa na injeção intravenosa de glucagon (200 µgkg (Seção 7.3.1, 154).

7. TRATAMENTO

A ocorrência de hipoglicemia deve levar à consideração da causa. É especialmente importante observar que os recém-nascidos a termo amamentados ao seio não exibem hipoglicemia sintomática em resultado de simples subalimentação. A presença de hipoglicemia nesse grupo será provavelmente a manifestação de distúrbios subjacentes, como sepsia, por exemplo. A detecção e tratamento da causa é tão importante como a correção do nível de glicose no sangue.

7.1 Alimentação entérica

A hipoglicemia assintomática moderada deve ser tratada mediante um ajustamento do regime de alimentação entérica. Se essa abordagem falhar, deve-se instituir terapia intravenosa, se houver facilidades para isso (ver Seção 7.2).

7.1.1 Administração oral de água com dextrose ou leite? Algumas autoridades recomendam a alimentação oral com água com dextrose a 10% na dosagem de 10 mlkg (71). Outros (46, 69) argumentam que o leite (10 mlkg) tem maior densidade energética (100 ml de leite de peito contêm 70 calorias; 100 ml de dextrose a 10% contêm 40 calorias) e que o componente gorduroso é teoricamente benéfico: a gordura tanto promove a cetogênese como reduz a absorção de glicose pelas células (Seção 2.2.3; Seção 2.3). Quer se administre glicose, quer leite, a medição da glicose no sangue deve ser repetida, de preferência dentro de uma hora. A alimentação freqüente e a medição de glicose no sangue pré-prandial (pelo menos a cada três horas) devem continuar.

7.1.2 Lipídios. Estudos de bebês hipoglicêmicos e de recém nascidos prematuros e PTG mostraram que a administração de lipídios produz um aumento das concentrações de glicose e de ácidos graxos não esterificados no sangue (152, 153) (Seção 2.2.3; Seção 2.3). Hawdon et al (155) administraram 5 mlkg de triglicerídio de cadeia média (MCT) intragastricamente e mediram aumentos pequenos mas significativos dos níveis de glicose no sangue, juntamente com uma mudança altamente variável da taxa de produção de glicose. Atribuiu-se a variabilidade a diferenças de absorção (a qual, porém, não foi medida). Embora o efeito glicêmico da administração de 200 µgkg de glucagon tenha sido maior que o da administração de 5 mlkg de MCT, este promoveu mais efetivamente a cetogênese, e essa variação poderia ter tido igual importância para o efeito glicêmico, dada a provável importância dos corpos cetônicos como combustível cerebral (Seção 3.2).

7.1.3 Gel de Dextrose Concentrada. Chegaram a ser relatados casos de uso de “Hypostop”, um gel de dextrose a 40%, no tratamento de hipoglicemia neonatal. Num estudo não controlado, fizeram-se massagens de 0,5 mlkg de Hypostop na mucosa bucal, depois de enxugada com um chumaço de gaze. Segundo se informou, 67% dos bebês nascidos a termo reagiram com um aumento de ≥0,5 mmoll na concentração de glicose no sangue (156). Na ausência de estudos controlados, não podemos recomendar essa prática como eficaz, e vemos com preocupação a possibilidade de que ela retarde a implementação de um tratamento mais adequado, visando a correção da hipoglicemia e o tratamento da sua causa.

7.2 Tratamento intravenoso

Se houver facilidades disponíveis, deve-se usar o tratamento intravenoso em qualquer das seguintes circunstâncias:

A. Falha do tratamento entérico (ver Seção 7.1) B. Hipoglicemia grave (<1,1 mmoll)

C. O bebê não passa bem ou tem sinais que podem ser imputados a hipoglicemia (hipoglicemia “sintomática”).

Há controvérsia quanto ao lugar de um “bolus” inicial de glicose (2,5-3,0 ml de dextrose a 10% por kg y por min administrados à taxa de 1 mlmin) antes da infusão de glicose. Alguns autores (71, 157, 158) recomendam esse procedimento mas outros alegam que a taxa de entrada de glicose em tal situação excede a capacidade de absorção (154), provocando “hipoglicemia reflexa” devida à intensificação da secreção de insulina e à inibição da secreção de glucagon. Uma administração excessivamente rápida de glicose tem, ademais, a possibilidade de causar edema cerebral hiperosmolar, conforme foi descrito em crianças maiores (159). Qualquer bolus que se dê tem de ser seguido de uma infusão contínua de glicose, à taxa inicial de 4-8 (mgkg)min. Não se justifica o tratamento apenas com administração intermitente de bolus de glicose.

Nos Estados Unidos, é comum a prática de dar um “minibolus” de 2 mlkg de dextrose a 10% por via intravenosa antes de iniciar uma infusão contínua e repetindo o bolus após uma hora se a concentração de glicose no sangue permanecer baixa (J.E. McGowan, comunicação pessoal, 1995). Num estudo com uso de controles históricos, Lilien et al (157) mostraram que a concentração de glicose no sangue era restabelecida mais rapidamente dessa forma do que pela infusão contínua apenas de glicose (8 (mgkg)min). Somente uma criança tornou-se transitoriamente hiperglicêmica. Hawdon et al (158) recomendaram o uso de um bolus inicial de 3 mlkg de dextrose a 10% para lactantes sintomático, contando com uma correção mais lenta somente pela infusão contínua (pelo menos 5 (mgkg)min) em crianças que são hipoglicêmicas mas estão bem noutros aspectos (95).

A taxa de infusão pode necessitar de ajustamento até que seja corrigida e estabilizada a concentração plasmática de glicose. A ocorrência de necessidades superiores a 10-12 (mgkg)min ou a dependência após 5-7 dias de idade indicaria a presença de uma causa que requer maior investigação e tratamento (Seção 2.4.5; Tabela 3).

As infusões de glicose não devem ser suspensas abruptamente. A taxa de infusão deve ser pouco a pouco reduzida, pari passu com o aumento do volume de alimentação entérica (já se recomendaram incrementos de 1 (mlkg)h). O extravasamento no ponto de entrada requer atenção urgente para assegurar o fornecimento constante de glicose e evitar danos aos tecidos; as soluções de glicose são irritantes e não se devem infundir concentrações superiores a 10% nas veias periféricas. Pode haver necessidade de uma linha central, se os requisitos de glicose forem superiores a 10,5 (mgkg)min (150 (mlkg)d de dextrose a 10%). Não sendo possível a inserção de uma linha central, uma alternativa seria a administração de glucagon (200 µg).

7.3 Drogas

7.3.1 Glucagon. Metha et al (160) descreveram quatro recém-nascidos a termo que apresentaram sintomas de hipoglicemia associados a concentrações “normais” de insulina. Estudos com uso de traçadores de 6,6-dideuteroglicose indicaram uma taxa reduzida de produção hepática de glicose. A injeção de glucagon (200 mgkg i.v.) levou a um rápido e persistente aumento da taxa de produção hepática de glicose, com restauração do seu nível plasmático. Hawdon et al (155) descreveram também aumentos rápidos tanto na concentração plasmática de glicose como no substrato glicogênico total e na taxa de produção de glicose após um bolus intravenoso de 200 µgkg entre 10 de 11 recém-nascidos hipoglicêmicos a termo e prematuros. Num estudo não controlado, Carter et al (161) descreveram uma resposta à infusão contínua de glucagon intravenoso entre 20 de 25 bebês PTG hipoglicêmicos nos quais o nível de glicose no sangue se mantivera em <2,0 mmoll apesar da infusão de 6,5 (mgkg)min de glicose. A dose inicial empregada foi de 0,5 mgd, elevada, se necessário, para 20 mgd. Em certos aspectos, esses resultados surpreendem, uma vez que os bebês PTG podem ser resistentes ao glucagon, devido provavelmente à demora na maturação das vias gliconeogênicas (Seção 2.2; Seção 2.4) (52).

Há controvérsia quanto ao lugar do glucagon no tratamento de hipoglicemia neonatal (154, 158). Teoricamente, um bolus intravenoso de 200 µgkg provoca aumento da gliconeogênese e da cetogênese (Seção 2.2), que persiste por muitas horas, embora haja alegações de um efeito para doses que variam de 2-300 µgkg. O glucagon produz efeitos colaterais como vômitos, diarréia e hipocalemia. Em doses altas, pode estimular a libertação de insulina. Há necessidade de estudos controlados da eficácia relativa do glucagon e da alternativa mais convencional, de infusão de glicose a >6 (mgkg)min. São também necessárias maiores informações sobre dosagem.

7.3.2 Outras drogas. Diazoxide, somatostatina e octreotide. Estas drogas desempenham papel específico no controle de hiperinsulinismo persistente e não têm lugar no manejo de hipoglicemia transitória associada à adaptação metabólica anormal em recém-nascidos prematuros e PTG (ver 71, 95). Recomenda-se consultar os textos apropriados.

8. PESQUISA

As perguntas abaixo foram identificadas como aqueles que mais necessitam de resposta para melhorar a prevenção e o manejo da hipoglicemia no recém-nascido.

8.1 A hipoglicemia neonatal compromete o desenvolvimento neurológico?

Ainda existem dúvidas quanto ao efeito da hipoglicemia, particularmente a hipoglicemia assintomática, no desenvolvimento neurológico (Seção 1; Seção 3). Estudos aleatórios de intervenções na hipoglicemia assintomática seriam, ao que tudo parece indicar, o único meio de obter uma resposta definitiva. Esse enfoque seria visivelmente contrário à ética na hipoglicemia sintomática.

8.2 Qual a relação entre consumo precoce de leite materno e as concentrações plasmáticas de substratos metabólicos?

Embora o recém-nascido a termo sadio amamentado ao seio deva representar uma norma bioquímica, poucos são os dados sobre concentrações sanguíneas de glicose e outros substratos metabólicos. A maioria dos estudos refere-se a lactantes que receberam fórmula ou água glicosada em forma regular, muitas vezes após um período inicial de jejum. Ademais, os estudos que chegam a mencionar recém-nascidos amamentados ao seio não informam sobre a freqüência das mamadas e a extensão da alimentação suplementar, isso sem mencionar as medidas de absorção de leite materno. Há urgente necessidade de um estudo detalhado da relação entre os padrões de alimentação, a absorção de leite de peito e as concentrações de substratos (inclusive glicose), a fim de caracterizar o padrão normal de adaptações metabólicas. Será preciso levar a cabo tais estudos tanto nos países em desenvolvimento como nos industrializados.

8.3 Qual é a incidência de hipoglicemia neonatal em países menos desenvolvidos?

Há urgente necessidade de estudos sobre a incidência de hipoglicemia e suas causas em países menos desenvolvidos. O aumento da incidência de peso baixo ao nascer torna vitais esses estudos para a formulação de recomendações para prevenção e tratamento.

8.4 Qual é o limiar “seguro” da concentração de glicose no sangue de um prematuro?

Várias autoridades recomendam tratamento quando a concentração de glicose no sangue é <2,6 mmoll. Esse valor tem três justificativas principais: primeiro, a resposta contra-reguladora dos prematuros é embotada; segundo, há indicações de disfunção neurofisiológica nesse nível; e terceiro, há indicações de retardamento subseqüente do desenvolvimento neurológico em prematuros expostos a hipoglicemia com esse grau de severidade. Cada uma dessas justificativas, porém, pode ser posta em dúvida (Seção 4).

Estudos como os de Hawdon et al (36, 47, 162) indicaram a possibilidade de serem os bebês PTG e prematuros menos capazes de lançar uma resposta contra-reguladora do que os nascidos a termo. Esses estudos, porém, tiveram caráter de observação e poderiam simplesmente refletir o sucesso do manejo médico na prevenção de hipoglicemia e não a imaturidade metabólica. Em

contraposição a essa explicação, apontou-se a baixa concentração de corpos cetônicos nos níveis de glicose no sangue associados a uma vigorosa resposta cetogênica em bebês sadios nascidos a termo. Trabalhos iniciais, contudo, demonstraram a ocorrência de cetonúria em “prematuros” submetidos a jejum e ainda há controvérsia quando aos efeitos que a hipoglicemia branda (glicose plasmática de <2,6 mmoll) sobre a latência de potenciais visuais e auditivos evocados nesse grupo.

São necessários estudos de intervenção para determinar mais precisamente se há necessidade de tratamento de hipoglicemia brandamoderada em prematuros. Poderia ser desnecessário usar um limiar de intervenção de 2,6 mmoll, conforme se sugeriu, particularmente nos recém-nascidos prematuros mais amadurecidos (32-36 semanas de gestação) sadios noutros aspectos.

8.5 Qual o papel da administração de glucagon na prevenção e tratamento de hipoglicemia neonatal?

Já se demonstrou a efetividade do glucagon para provocar glicogenólise e gliconeogênese em bebês hipoglicêmicos. Não há estudos controlados comparando a terapia com glucagon com o tratamento convencional com infusão intravenosa de dextrose. A dosagem, a eficácia e a inocuidade do glucagon como alternativa à infusão de glicose (particularmente quando as necessidades são superiores a 10 (mgkg)min) teriam de ser estabelecidas mediante estudos aleatórios controlados.

8.6 O leite de peito é mais cetogênico do que uma fórmula? Caso afirmativo, por quê?

Alguns autores indicaram que o leite de peito é especificamente cetogênico (Seção 2.3). Não está claro se isso reflete uma promoção ativa de cetogênese por um componente do leite de peito ou se é simplesmente uma conseqüência da tendência a uma ligeira redução dos níveis de glicose no sangue entre bebês amamentados ao seio.

8.7 Papel da medição de outros substratos na formulação de decisões clínicas.

Tem-se dado muita ênfase à influência protetora dos substratos metabólicos cerebrais alternativos na hipoglicemia, mas ainda assim estes raramente são levados em conta no manejo clínico. Devem-se basear as decisões sobre tratamento não somente nos níveis de glicose no sangue mas também na concentração simultânea de corpos cetônicos e outros substratos no sangue ou na presençaausência de cetonúria?

8.8 Bebês pequenos para o tempo de gestação (PTG).

Estes têm grande importância pelo fato de representarem o maior grupo com probabilidade de receber suplementos para evitar hipoglicemia. São urgentemente necessários testes aleatórios de alimentação suplementar nesse grupo para estabelecer a incidência e o resultado da hipoglicemia durante a amamentação natural exclusiva e os efeitos adversos (inclusive a cessação do aleitamento natural) da administração precoce de fórmulas (Seção 6.2.3).

Também é necessário identificar previsores antropométricos da hipoglicemia melhores do que o peso em relação ao tempo de gestação em bebês PTG (Seção 6.2.3).

Esses dois aspectos são cruciais no manejo de bebês PTG em países menos desenvolvidos.

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Acknowledgements

Devemos muitos agradecimentos às seguintes pessoas, que encontraram tempo para ler uma versão inicial deste trabalho, no todo ou em parte, e para oferecer críticas valiosas e construtivas: Professora Anna Alisyahbana (Indonésia), Professor A. Aynsley-Green (Institute of Child Health, Londres), Dr. Anthony Costello (Londres), Dra. Armeda Fernandes (Bombaim), Dra. Jane Hawdon (University College Hospitals, Londres), Professor W.W. Hay (Colorado), Dra Jane E. McGowan (Pensilvânia), Dr. A. Mehta (Dundee), e Dr M. Ward Platt (Newcastle).

Divisão de Desenvolvimento de Sistemas e Serviços de Saúde (HSP) Organização

Mundial da Saúde

1 18 mg dl-1 = 1 mmol l-1 de glicose. 2 É tecnicamente incorreto falar de “sintomas” em relação a um recém-nascido, uma vez que o termo descreve alterações informadas pelo paciente. O termo “sinais” descreve mais precisamente as observações clínicas. Manteve-se, porém, em todo o documento, a referência a hipoglicemia “assintomática” e “sintomática” pelo fato de terem esses termos grande aceitação na bibliografia. 3Geralmente 10-20% mais altos que os níveis de glicose no sangue. Seção 5.1.5. 4 Hipoglicemia definida como <30 mg dl-1 (1,6 mmol l-1 ) em bebês nascidos a termo, com <48 horas de idade, <40 mg dl-1 se com mais de 48 horas deidade. Hipoglicemia em prematuros definida como <20 mg dl-1 (1,1 mmol l-1 ). 5 Valor de <25 mg dl-1 com Dextrostix.

6 Aqui definida como uma concentração sérica de glicose de <35 mg dl-1 às 3 horas de idade, <40 mg dl-1 às 3-24 horas de idade, <45 mg dl-1 a >24 horas de idade. 7 Por definição, peso ao nascer em >90º centil nos quadros locais indianos. 8 A rigor, a solução de dextrose a 10% contém 9,3 g de glicose em forma desidratada, supondo-se, por+em, que contenha 10 g para a maioria dos objetivos clínicos.

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