História da Anatomia - Apostilas - Biologia, Notas de estudo de Biologia. Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUC-RS)
Paulo89
Paulo891 de Março de 2013

História da Anatomia - Apostilas - Biologia, Notas de estudo de Biologia. Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUC-RS)

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Apostilas sobre o estudo da história da anatomia humana, evolução e tipos.
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HISTORIA DA ANATOMIA

Em termos mais restritos e clássicos, a anatomia confunde-se com a morfologia (biologia)[->0] interna, isto é, com o estudo da organização interna dos seres vivos[->1], o que implicava uma vertente predominantemente prática que se concretizava através de métodos precisos de corte e dissecação[->2] (ou dissecção[->3]) de seres vivos[->4] (cadáveres[->5], pelo menos no ser humano[->6]), com o intuito de revelar a sua organização estrutural.

O mais antigo relato conhecido de uma dissecação[->7] pertence ao grego Teofrasto[->8] (? – 287 a. C.), discípulo de Aristóteles[->9]. Ele a chamou de anatomia (em grego, “anna temnein”), o termo que se generalizou, englobando todo o campo da biologia[->10] que estuda a forma e a estrutura dos seres vivos[->11], existentes ou extintos[->12]. O nome mais indicado seria morfologia (que hoje indica o conjunto das leis da anatomia), pois “anna temnein” tem, literalmente, um sentido muito restrito: significa apenas “dissecar[->13]”.

Conforme seu campo de aplicação, a anatomia se divide em vegetal[->14] e animal[->15] (esta, incluindo o homem[->16]).

A anatomia animal[->17], por sua vez, divide-se em dois ramos fundamentais: descritiva e topográfica[->18]. A primeira ocupa-se da descrição dos diversos aparelhos (ósseo[->19], muscular[->20], nervoso[->21], etc...) e subdivide-se em macroscópica (estudo dos órgãos quanto a sua forma, seus caracteres morfológicos, seu relacionamento e sua constituição) e microscópica (estudo da estrutura íntima dos órgãos pela pesquisa microscópica dos tecidos e das células). A anatomia topográfica dedica-se ao estudo em conjunto de todos os sistemas contidos em cada região do corpo e das relações entre eles.

A anatomia humana se define como normal quando estuda o corpo humano[->22] em condições de saúde[->23], e como patológica[->24] ao interessar-se pelo organismo afetado por anomalias[->25] ou processos mórbidos.

O desejo natural de conhecimento e as necessidades vitais levaram o homem, desde a pré- história[->26], a interessar-se pela anatomia. A dissecação de animais (para sacrifícios) antecedeu a de seres humanos.

Alcméon[->27], na Grécia, lutando contra o tabu[->28] que envolvia o estudo do corpo humano, realizou pesquisas anatômicas já no século VI a.C. (por isso muitos o consideram o “pai” da anatomia). Entre 600 e 350 a.C. , Empédocles[->29], Anaxágoras[->30], Esculápio[->31] e Aristóteles[->32] também se dedicaram a dissecações. Foi, porém, no século IV a.C, com a escola Alexandrina, que a anatomia prática começou a progredir. Na época, destacou-se Herófilo[->33],

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que, observando cadáveres humanos, classificou os nervos como sensitivos e motores, reconhecendo no cérebro[->34] a sede da inteligência[->35] e o centro do sistema nervoso[- >36]. Escreveu três livros “Sobre a Anatomia”, que desapareceram. Seu contemporâneo Erasístrato[->37] descobriu que as veias[->38] e artérias[->39] convergem tanto para o coração[- >40] quanto para o fígado[->41].

Galeno[->42], nascido a 131 na Ásia Menor, onde provavelmente morreu em 201, aperfeiçoou seus estudos anatômicos em Alexandria[->43]. Durante toda a Idade Média[->44], foi atribuída enorme autoridade a suas teoria[->45], que incluíam errôneas transposições ao homem de observações feitas em animais. Esse fato, mais os preconceitos[->46] morais e religiosos que consideravam sacrílega a dissecação de cadáveres, retardaram o aparecimento de uma anatomia científica. Os grandes progressos da medicina[->47] árabe não incluíram a anatomia prática, também por questões religiosas. As numerosas informações do “Cânon de Medicina”, de Avicena[->48], por exemplo, referem-se apenas à anatomia de animais.

O clima geral do Renascimento[->49] favoreceu o progresso dos estudos anatômicos. A descoberta de textos gregos sobre o assunto, e a influência dos pensadores humanistas[->50], levou a Igreja[->51] a ser mais condescendente com a dissecação de cadáveres. Artistas[->52] como Michelangelo[->53], Leonardo da Vinci[->54] e Rafael[->55] mostraram grande interesse sobre a estrutura do corpo humano. Leonardo dissecou, talvez, meia dúzia de cadáveres. O maior anatomista da época foi o médico flamengo André Vesalius[->56], cujo nome real era Andreas Vesaliusum[->57] dos maiores contestadores da obscurantista tradição de Galeno[- >58]. Dissecou cadáveres durante anos, em Pádua[->59], e descreveu detalhadamente suas descobertas[->60]. Seu “De Humani Corporis Fabrica”, publicado em Basileia[->61] em 1543, foi o primeiro texto anatômico baseado na observação direta do corpo humano e não no livro de Galeno[->62]. Este método de pesquisa lhe dava muita autoridade e, não obstante as duras polêmicas que precisou enfrentar, seus ensinamentos suscitaram a atenção de médicos, artistas e estudiosos. Entretanto, provavelmente as técnicas de dissecação e preservação das pecas anatômicas da época não permitiam um processo mais detalhado, incorrendo Vesalius em alguns erros, talvez pela necessidade de dissecções mais rápidas. Entre seus discípulos[->63], continuadores de sua obra, estão Gabriele Fallopio, célebre por seus estudos sobre órgãos genitais (piu-piu), tímpanos[->64] e músculos dos olhos[->65], e Fabrizio d’Acquapendente[->66], que fez construir o Teatro Anatômico, em Pádua (onde lecionou cinquenta anos). A D’Acquapendente se deve, ainda, a exata descrição das válvulas das veias.

A partir de então, o desenvolvimento da anatomia acelerou-se. Berengario da Carpi estudou o apêndice[->67] e o timo[->68], e Bartolomeu Eustáquio os canais auditivos. A nova anatomia do Renascimento exigiu a revisão da ciência[->69]. O inglês William Harvey[->70], educado em Pádua, combinou a tradição anatômica italiana com a ciência experimental que nascia na Inglaterra. Seu livro a respeito, publicado em 1628, trata de anatomia e fisiologia[->71]. Ao lado de problemas de dissecação e descrição de órgãos isolados, estuda a mecânica da circulação do sangue, comparando o corpo humano a uma máquina hidráulica. O aperfeiçoamento do

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microscópio[->72] (por Leeuwenhoek[->73]) ajudou Marcello Malpighi[->74] a provar a teoria de Harvey, sobre a circulação do sangue, e também a descobrir a estrutura mais íntima de muitos órgãos. Introduzia-se, assim, o estudo microscópico da anatomia. Gabriele Aselli punha em evidência os vasos linfáticos[->75]; Bernardino Genga falava, então, em “anatomia cirúrgica”.

Nos séculos XVIII e XIX, o estudo cada vês pormenorizado das técnicas operatórias levou à subdivisão da anatomia, dando-se muita importância à anatomia topográfica. O estudo anatômico-clínico do cadáver, como meio mais seguro de estudar as alterações provocadas pela doença, foi introduzido por Giovan Battista Morgani. Surgia a anatomia patológica, que permitiu grandes descobertas no campo da patologia celular, por Rudolf Virchow[->76], e dos agentes responsáveis por doenças infecciosas, por Pasteur[->77] e Koch[->78].

Recentemente, a anatomia tornou-se submicroscópica. A fisiologia, a bioquímica[->79], a microscopia eletrônica e positrônica, as técnicas de difração com raios X[->80], aplicadas ao estudo das células[->81], estão descrevendo suas estruturas íntimas em nível molecular.

Hoje em dia há a possibilidade de estudar anatomia mesmo em pessoas vivas, através de técnicas de imagem como a radiografia[->82], a endoscopia[->83], a angiografia[->84], a tomografia axial computadorizada[->85], a tomografia por emissão de positrões[->86], a imagem de ressonância magnética nuclear, a ecografia[->87], a termografia[->88] e outras.

[->0] - /wiki/Morfologia_(biologia)

[->1] - /wiki/Seres_vivos

[->2] - /wiki/Disseca%C3%A7%C3%A3o

[->3] - /wiki/Dissec%C3%A7%C3%A3o

[->4] - /wiki/Seres_vivos

[->5] - /wiki/Cad%C3%A1ver

[->6] - /wiki/Ser_humano

[->7] - /wiki/Disseca%C3%A7%C3%A3o

[->8] - /wiki/Teofrasto

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[->9] - /wiki/Arist%C3%B3teles

[->10] - /wiki/Biologia

[->11] - /wiki/Seres_vivos

[->12] - /wiki/Extin%C3%A7%C3%A3o

[->13] - /wiki/Dissecar

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[->17] - /wiki/Animalia

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[->33] - /wiki/Her%C3%B3filo_de_Alexandria

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