História da Arte - Apostilas - Arte_Parte2, Notas de estudo de Artes Cênicas. Universidade de Taubaté (Unitau)
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História da Arte - Apostilas - Arte_Parte2, Notas de estudo de Artes Cênicas. Universidade de Taubaté (Unitau)

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Apostilas de Arte sobre o estudo da História da Arte, do Gótico ao Romantismo, Estilos Internacionais, Tradição Italiana.
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Arte Gótica

3. Estilos Internacionais

No final do século XIV, a fusão da arte italiana e norte-européia já resultara no

desenvolvimento de uma arte gótica internacional. Destacados artistas viajaram por toda Europa.

Em conseqüência, idéias foram disseminadas e combinadas, até que obras nesse estilo acabaram

por surgir principalmente na França, Itália, Espanha, Inglaterra e Alemanha.

O gótico internacional guardava um sabor especialmente cortês e aristocrático,

impregnado de uma preocupação flamenga pelo detalhe naturalista; e, ao contrário das diversas

vertentes da primeira arte gótica, tinha caráter distinto e uniforme.

No século XV, o gótico internacional desenvolveu-se em duas vertentes, e ambas

podem ser consideradas revoluções. Uma estava no sul da Europa, em Florença, e originou a

Renascença italiana. A outra estava no norte, nos Países Baixos (Bélgica e Holanda), onde a

pintura passou por uma transformação autônoma, mas igualmente radical, que daria início à

Renascença setentrional.

Abaixo, seguem as principais vertentes da arte gótica internacional, acompanhadas de

suas principais características.

3.1. Gótico Francês

A França foi o berço do Gótico, favorecida por sua intensa atividade intelectual

baseada no período anterior, o Românico. Os suportes intelectuais do gótico proporcionaram o

desenvolvimento de um novo valor aos sentidos do ser humano e a Natureza. Graças a esse fato,

ocorreu a suavização da rigidez românica, proporcionando a criação de um estilo mais natural,

mais humano, no qual os santos sorriam. Assim como no Românico, a pintura ganhou destaque

no gótico francês, caracterizada pela elegância e pelo dinamismo. No início, eram utilizadas cores

planas, mas progressivamente as pinturas adquiriram gradações que o aproximaram do Gótico

Italiano.

A arquitetura e a escultura gótica francesa apresentam uma característica marcante: o

uso de fundos dourados, para aumentar o valor material e simbólico das obras, isso ocorria

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principalmente nas igrejas, visando a valorização das imagens santas - um fundo de ouro introduz

uma luz mágica e não natural, bem como configura um espaço inexistente.

Catedral de Canterbury

3.2. Gótico Alemão

O gótico alemão se põe em paralelo com outros estilos continentais, como o do gótico

francês, e alguns rasgos do gótico inglês, especialmente nos vitrais, como nas da catedral de

Estrasburgo. Uma das obras mais conhecidas do gótico alemão é a Códice Manesse, realizado

para 1300 por Rudiger Manesse, dedicado ao rei de Boêmia.

Uma das principais características do gótico alemão é o fato de demonstrar uma

complexa simbologia religiosa ao mesmo tempo que exaltam o rei.

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Catedral de Estraburgo

3.3. Gótico Espanhol

A influência dos estilos internacionais determinou a origem do Gótico espanhol.O

estilo francês foi o mais influente no estilo espanhol, devido ao fato de Espanha e França

passarem unidas culturalmente ao longo da Idade Média, graças às rotas de peregrinagem do

Caminho de Santiago.

A influência francesa teve seu ponto álgido no século XIII. As pinturas deste século

são praticamente em sua maioria quadros ou vitrais, onde destaca-se o vitral que enfeita a

catedral de Leon. As principais características da pintura espanhola são: contorno muito marcado,

obras coloridas e cenas complexas. Os séculos XIV e o XV foram testemunhas da implantação de

duas escolas de poderosa influência nos artistas hispanos, a centro-europea, que teve como

conseqüência a pintura hispano-flamenca, e a pintura do Gótico italiano, que teve como

conseqüência o gótico italianizante.

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Cantigas de Alfonso X

3.4. Gótico Italiano

O Gótico Italiano esteve presente nos séculos XIII e XIV. Originou-se ao norte da

península italiana: Florença, Assis, *Parma, *Pescia e foram as principais cidade de onde surgiu o

novo estilo ,afastado do Gótico europeu. Este novo estilo baseia-se na recreação sobre artifícios

de captação espacial e ordenamento geométrico, resgatados da Antigüidade clássica, que nunca

foi abandonada nas cidades citadas. A temática segue sendo religiosa em sua maioria, mas é

nestes momentos que aparece uma tendência nova, que busca inspiração na vida cotidiana dos

cidadãos das repúblicas mercantis italianas.

As províncias italianas mais orientais receberam a influência da arte bizantina, as

obras produzidas nessas regiões são caracterizadas como feitas a "maneira greca ",tal fato é

facilmente notado em Roma, Veneza e Sicilia. Aparte desta escola de influência oriental, outros

focos importantes foram Siena e Florença, escolas de enorme valor. Alguns desenvolvimentos

técnicos, como a introdução do óleo, ainda imperfeito, a plasmação da perspectiva em caixa, que

anuncia a perspectiva geométrica, o prolongamento visual em pontos de fuga, são os precedentes

imediatos da perfeição científica do período imediatamente conseqüente na Itália.

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O principal artista do estilo gótico foi italiano Giotto. Giotto revolucionou a pintura ao

criar a noção de tridimensionalidade. Abandonou a rigidez bizantina e dotou suas figuras de

volume e sentimento, expressando assim, por meio da arte, o humanismo que são Francisco de

Assis imprimiu à religião no início do século XIII.

Giotto di Bondone nasceu na localidade de Vespignano, perto de Florença, em 1266,

1267 ou 1276, e foi discípulo de Giovanni Cimabue, o maior pintor da Itália no fim do século

XIII.

Entre 1306 e 1309, em Pádua , Giotto foi chamado para executar o que muitos

consideram sua maior obra, a decoração da capela da Arena, de propriedade de Enrico Scrovegni.

Atrás do altar, Giotto pintou o "Juízo final" e nas paredes laterais, afrescos com cenas dos

Evangelhos e da vida da Virgem e a série "Vícios e virtudes".

Madona - Capela de Pádua /Itália – Giotto

3.5. Gótico Inglês

Já desde o século XI, concretamente no ano 1066, os normandos tinham-se

estabelecido como dinastia dominante no trono inglês. Isto trouxe consigo a implantação dos

modelos estéticos de sua terra natal, o norte francês, pelo qual o resultado final do gótico

britânico tem muito que ver com o desenvolvimento do gótico em França. Ao mesmo tempo,

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temos de somar a grande tradição pictórica de qualidade que se tinha desenvolvido nas ilhas

durante o período anglo-saxão e celta, já que o românico inglês era muito escasso. A dinastia

normanda financiou a implantação das Universidades, como centros educacionais afastados da

órbita católica, mais afim às ordens do Vaticano, para poder criar um conhecimento unido à

monarquia. A mais importante neste momento foi Oxford. O grande centro artístico, no entanto,

foi à corte de Londres. A pintura inglesa do gótico é quase em sua totalidade composta por

quadros.

O estilo gótico inglês tem como característica o fato de apresentar imagens muito

decorativas, realizadas com elegância.Outra característica da pintura inglesa é a presença de

fundo, que apóia o aspecto de tapeçaria.

King´s College (Cambridge, Gran Bretaña)

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4. Tradição Italiana

4.1. Introdução

A arte italiana pode ser estudada a partir da formação do império romano até os dias

de hoje. Porém, sua tradição como estética que influenciaria diferentes estilos, na modernidade,

teve inicio por volta do século XV e XVI. É nesse período que as cidades-estados italianas

estabelecem-se economicamente e ganham autonomia. Também é nessa época que os chamados

Estados Papais estão em seu máximo desenvolvimento.

Com isso, a arte italiana foi influencia e patrocinada, nesses séculos, por duas

“vertentes”. A católica, onde a Igreja investe pesadamente em obras de pintura, arquitetura e

escultura, buscando mostrar seu esplendor e poder. E a Mecenica, que representava o ideal da

burguesia de afirmar-se como nova classe social e revelando seu potencial.

É nessa situação favorável que a Itália surge como um centro de desenvolvimento

artístico na Europa. A influência da arte italiana seria sentida por todo o continente e além.

Para melhor estudar a tradição italiana buscaremos analisar cada região

separadamente.

4.2. Tradição Italiana

AItália sofre um período de renovação durante os séculos XV e XVI. Financiado

pelos papas e por mecenas, as artes desenvolvem-se voltadas para o ideal católico e/ou burguês.

Vários artistas são contratados para desenvolver obras que retomassem a estética clássica. Por

isso era período da história da arte italiana foi chamado de renascimento.

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4.3.Influencia Cristã, Clássica e Burguesa

A diferença do período clássico para o renascimento é a temática das obras. Por serem

produzidas sob o ideal cristão as representações eram, em sua maioria, de temas religiosos. Em

inúmeras obras eram representadas passagens bíblicas, ideais cristãos e exaltação de Jesus Cristo.

A perfeição do homem era justificada por sua origem divina.

Com o estabelecimento da sede da igreja católica em Roma, o sul da Itália vive um

período de promissor no campo das artes. Vejam exemplos de algumas obras:

Cristo com Coroa de

Espinhos - Antonello da Messina

(Antonello di Giovanni d'Antonio) data

de 1470 (Itália, Sicília, nascido em 1430,

morreu em 1479) Óleo, talvez sobre

têmpera, sobre madeira. (42.5 x 30.5

cm)

Fonte: Metripolitan

Museum Of Art –

www.metmuseum.org

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Esta obra do início do período ilustra bem o ideal cristão. Já encontramos a utilização

da tinta óleo o que confere maior versatilidade ao pintor para produzir tons de cores e texturas.

Outra característica é que, apesar da temática cristã, já encontramos um traço mais humano

atribuído ao personagem. Isso demonstra a crescente preocupação dos artistas em estudarem e

entenderem o corpo humano.

Já dentro da influência clássica temos diversas obras que retratam o mundo Grego e

Romano antigo. Embora sempre permeadas por ideais cristãos, as obras passam a representar

cenas e ícones da mitologia, tomando a antiguidade como um período a ser lembrado e apreciado.

Escola de Atenas,Palácio de Vaticano, Afresco feito por Rafael (italiano, 1483–1520)

Fonte: Metripolitan Museum Of Art – www.metmuseum.org

A burguesia além de estar ligada a representação das artes cristã e clássica buscava

afirmar-se como classe emergente na sociedade. Dessa forma, ela começa a patrocinar obras e a

retratava. Isso gerou pinturas que buscavam representar o cotidiano e os ideais burgueses.

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Retrato de um Jovem Burguês, 1530s

Bronzino (Agnolo di Cosimo di Mariano) (Italiano, Florentino, 1503–1572) Óleo sobre madeira; (95.6

x 74.9 cm)

Fonte: Metripolitan Museum Of Art – www.metmuseum.org

4.4. Corpo Humano e Movimento

A busca pela representação perfeita do homem leva os artistas a estudarem

profundamente a anatomia e a fisiologia humana. Assim surgem obras que buscam cada vez mais

se assemelharem a realidade.

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Embora vários artistas tenham buscado estudar a fisiologia e o movimento do corpo

humano, essa preocupação é levada a sua máxima pelo pintor, arquiteto e escultor, Michelangelo

Buonarroti.

Estudos para o Sibyl líbio (frente) e um Esboço Pequeno para uma Figura Assentada (verso),

1508–12 Michelangelo de Buonarroti (italiano, 1475–1564) giz Vermelho italiano (frente); carvão ou giz preto

(verso); (28,9 x 21,4 cm)

Fonte: Metripolitan Museum Of Art – www.metmuseum.org

Podemos notar a preocupação do autor com a fisiologia humana. Cada traço busca

reproduzir fielmente o corpo do homem dando idéia de massa, densidade e flexibilidade.

Também é importante destacar a sensação de movimento passada pela figura. Esse dinamismo só

havia sido atingido na arte clássica. Essa obra em especial foi elaborada para dar base a alguns

afrescos da Capela Sistina.

Outra manifestação artística focada no corpo e no movimento são as esculturas.

Através delas os artistas procuraram exprimir o máximo de densidade e movimento do corpo.

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Bacanal: Um Fauno Perturbado

por Crianças, (ca.1616-17) Bernini de Lorenzo

de Gian (italiano, 1598-1680) Roma, Itália,

Mármore (H. 132,1 cm)

Fonte: Metripolitan Museum Of

Art – www.metmuseum.org

Nessa escultura observamos a idéia de movimento, flexibilidade e reprodução fiel do

corpo humano. É perceptível a contração muscular das personagens. A expressão facial é viva e

transmite sentimentos. Dessa forma os artistas conseguiam representar seres que pareciam ter

vida. É importante lembrar que todas essas características influenciariam grande parte das obras

em toda a Europa nesses séculos.

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4.5. Ritmo e Equilíbrio

Outra característica fundamental da tradição italiana é a preocupação com o ritmo e o

equilíbrio nas obras. Muitos artistas começam a compreender que existe uma seqüência na

percepção das obras, sendo assim, a disposição dos elementos influencia na apreciação da

mesma. Distribuir esses elementos de forma a empregar um ritmo e equilíbrio a obra torna-se

uma preocupação para os autores.

Essa característica é visualizada mais facilmente na arquitetura. Mostraremos agora

alguns exemplos desse ritmo.

Piazza del Campidoglio, Roma, Palácio do Senador, Escada dupla em caixa projetada por

Michelangelo de Buonarroti (italiano, 1475–1564) construído entre 1544–52

Fonte: Metripolitan Museum Of Art – www.metmuseum.org

Esse palácio ilustra bem a idéia de ritmo e equilíbrio. Vejam como cada um dos

elementos toma posições de maneira a ritmar a obra. O padrão das janelas, as colunas e as

estatuas no terraço superior formam um conjunto orquestrado de elementos.

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A simetria de toda a obra (contando inclusive a do próprio piso externo), juntamente

com a escada e a base de pedra, confere a sensação de equilíbrio. O prédio parece sólido e

maciço.

Somando-se esses elementos, temos uma obra que valoriza os aspectos físicos e

artísticos. Notem como se pode abstrair uma figura piramidal de todo o prédio. Esse aspecto não

só da à idéia de coesão, mas também, valoriza a estatua central.

Outra obra que demonstra a importância do ritmo e do equilíbrio é a Basílica de São

Pedro.

Basílica de São Pedro, Roma, Construída de 1546 a 1590, concebida por Michelangelo de Buonarroti

(italiano, 1475–1564)

Fonte: Metripolitan Museum Of Art – www.metmuseum.org

A Basílica de São Pedro demonstra o desenvolvimento máximo da tradição italiana.

Michelangelo não só retoma os valores clássico grego e romano (Nota-se nitidamente a

inspiração na estrutura grega Corinthia), mas também acrescenta elementos cristãos a ela. O

ritmo e o equilíbrio são entendidos em toda a obra. Notem os detalhes das estruturas do frontão e

da doma.

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Basílica de São Pedro, Roma, Construída de 1546 a 1590, concebida por Michelangelo de Buonarroti

(italiano, 1475–1564)

Fonte: Metripolitan Museum Of Art – www.metmuseum.org

Podemos abstrair um ritmo e um equilíbrio de ambas as partes da estrutura. Notem a

disposição das colonas e das estatuas da parte superior. Para cada estatua temos uma coluna de

sustentação (Exceto a central que parece estar sendo sustentada pela própria estrutura. Esse

aspecto reforça a idéia de convergência para o centro e a estrutura piramidal). Já na doma vemos

o ritmo e o equilíbrio causados pelos arcos de sustentação.

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Internamente, as estruturas mentem essas características. Com o acréscimo de

retratarem os ideais cristãos e clássicos mais detalhados. Esse objetivo era atingido combinando,

arquitetura pintura e escultura. Dessa forma a arquitetura interna segue os ideais da tradição

romana.

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