História na visão de  Nietzsche - Apostilas - Filosofia, Notas de estudo de Filosofia. Centro Universitário La Salle (Unilasalle)
Garrincha
Garrincha5 de Março de 2013

História na visão de Nietzsche - Apostilas - Filosofia, Notas de estudo de Filosofia. Centro Universitário La Salle (Unilasalle)

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Apostilas de Filosofia sobre o estudo da história na visão de Nietzsche, sentido histórico, vontade de potência e eterno retorno.
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TÓPICOS DE HISTÓRIA DA FILOSOFIA.

22. OUT. 2012.

A HISTÓRIA NA VISÃO DE NIETZSCHE

O notório contato com a cultura e a filosofia grega fez com que Nietzsche, ficasse conhecido como um pensador ímpar da história da filosofia. Com uma visão ácida perante a modernidade, criou conceitos e derrubou paradigmas.

Abordaremos neste trabalho a relação do conhecimento histórico que Nietzsche denominou como “sentido histórico” com dois outros conceitos criados por ele: primeiro com a “vontade de potência” e segundo com o conceito de “eterno retorno”, levando em consideração a visão de vida, a moral de mundo e o problema da experiência do tempo na história.

Antes de um método, o “sentido histórico” se revela como uma tendência, uma atitude diante da vida, uma concepção do próprio saber. Unindo o passado e o futuro Nietzsche os coloca em um mesmo princípio: a vida. Ou seja, quem orienta o momento de esquecer o passado e quem orienta um amadurecimento na imagem de um futuro é a vida. É ela que orienta os homens a expansão e ao crescimento. Assim o intervalo de tempo que fica entre o passado e futuro só existe porque a vida necessita para prosseguir seu crescimento e se renovar.

Neste âmbito, Nietzsche compreende que a memória é um recurso da vida, o sentido histórico, por sua vez, como forma de memória, poderia orientar os impasses humanos em sua existência presente. Assim, o passado está a serviço do presente, a memória é útil na medida em que é fonte de experiência e fortalecimento e também no momento que o presente se voltar-se ao futuro é a própria memória que vem em seu auxilio. Este momento fica denominado como sendo uma história tradicionalista. Em contraposição Nietzsche denomina história crítica, aquela que tem o trabalho negativo, ou seja, com instinto construtivo ela rompe com o passado, e só retorna a ele para tirar lições.

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Em ambos os casos não é o passado que está em evidência, mas sim tudo que nele permite a vida e seu crescimento, é como experiência que o passado serve à vida. Assim, é importante ressaltar que se o sentido histórico reinar irrefreável ele trará consigo todas consequências, destruindo totalmente o futuro.

As três dimensões temporais (passado, presente e futuro) é tratado por Nietzsche como um ato de experiência, onde o passado não tem mais vida nem efeitos, ele se torna somente um objeto de conhecimento frio e objetivo. Desta forma:

A vida presente tem sua origem no passado e dele serve como fortalecimento e experiência. Mas exatamente porque esse passado pode se cristalizar no presente impedir seu crescimento é o que o presente precisa do futuro e curiosamente vai buscá-lo no passado. Parece haver no passado uma riqueza de experiência, mas sobretudo há a possibilidade da experiência [...] Tornar a história ciências é aniquilar seus efeitos, aniquilar portanto a memória que pode vir em auxílio da vida. (CAVALCANTI, p. 33).

O que há de mais prejudicial no sentido histórico é que ele, exercido sem limites, pode sacrificar o presente e mais ainda o futuro por conta uma fixação do passado. É neste aspecto que Nietzsche coloca o problema principal que ao seu ver é a destruição da vida. Para ele o sentido histórico é bom até um limite, pois a vida precisa dele, mas quando este ultrapassa ele altera chegando até destruí a saúde de um homem, de um povo, de uma cultura. Pois quando a um excesso dela esmigalha e degenera a vida e, por fim, com essa degeneração, a própria história. É neste ponto que para ele a história se transforma em ciências objetiva, retirando então da história justamente o que nela há de vital.

Portanto é nítida esta preocupação que Nietzsche tem em transformar a história em uma escrita puramente objetividade científica. Ele não faz um repúdio a própria história, pelo contrário, ele reconhece a necessidade da vida em ter a história junto a ela, para eu crescimento, fortalecimento, renovação, etc. Ele acredita que o humano deve conhecer a história, mas não ficar pressa a ela, pressa ao passado para ele a história serve como experiência e que suas lições tivessem sempre os olhos para a ação e para o futuro.

Já conceito de vontade de potência vem dar sentido e sustentabilidade a crítica de Nietzsche aos valores morais, sendo uma ferramenta importante no combate à moral cristã e a metafísica a ela atrelada.

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Utilizando desta hipótese para entendimento do mundo como vontade de potência, almejando, com isso, acolher e justificar o mundo sobre o ponto de vista de sua multiplicidade, diferença e distância irredutíveis.

Esse pensamento são conceitos interpretativos, com a função de tornar inteligível o caráter decadencial do homem moderno, mas também como possibilidade de engajamento crítico frente à moral dominante e aos ideais nela apoiados.

Todo o empreendimento crítico de Nietzsche ao tipo de moral predominante no ocidente, ganhando sentido e consistência na medida em que o filósofo abre o horizonte para este recuo genealógico. Seu propósito se revela, de um lado, uma preocupação com a origem, e com o valor da origem dos valores morais e, de outro, o critério sob o qual este valor deve ser avaliado como expressão da vida ou da vontade de potência ascendente ou decadente.

Enfim, para Nietzsche, a moral degenera o homem. O mais crucial é que a vontade de poder é podermos observar o que diz a respeito a todo o processo de determinação de uma moral como algo inerente à natureza do homem. Sendo assim, esse é justamente o elemento que possibilita que cada indivíduo se insira de modo diferente dentro de uma sociedade estabelecida. Portanto, toda moral é a medida de algumas vontades de poder que conseguem se manifestar de modo mais contundente e se sobrepor as demais, como no caso da moral cristã a que Nietzsche se manifesta contra, pois a mesma veste-se de moral, quando na verdade é mais uma expressão de poder. A negação da existência da vontade de poder é um dos motores de uma moral contaminada e que busca castrar os indivíduos e a manifestação de sua força individual, ou seja, sua vontade que é poder.

Outro conceito de Nietzsche aponta que todas as coisas estão irremediavelmente encadeadas na infinidade do tempo, em que as forças se combinam até esgotarem todas as possibilidades, para logo retomarem uma a uma todas as combinações já ocorridas, então resta à vontade humana desejar seu destino tal com ele é, aceitar a realidade em todos os seus aspectos do sofrimento mais pungente à mais intensa felicidade, na medida em que elas se condicionam mutuamente.

Esse pensamento vem acompanhado de um sentimento elevado que nos impulsiona a viver, desejamos reviver porque necessariamente reviveremos. Este estado de ânimo encontra-se com a ambição suprema da espécie humana: a eternidade.

Para Nietzsche o conceito de eterno retorno é carregado de palavras de sentidos ao tratar- se de invenções afirmativas que potencializam a vontade de potência.

E a memória dos tempos vividos joga com o esquecimento justamente para dar lugar à memória dos tempos para quem conhece do eterno retorno o valor singular, valor que se faz universal na criação, pois recria-se eternamente em si mesmo.

O sentindo histórico neste momento entra como certa força, pois neste momento o eterno retorno está ligado a polos que se alteram nas vivencias numa eterna repetição, ou seja, todos os sentimentos do ser humanos, da vida, repetem em um jogo só. As alegrias e tristezas, a criação e destruição, saúde e doença, bem e mal, etc., tudo vai e retorna. A temporalidade não existe no Eterno retorno, pois a realidade não tem uma finalidade nem um objetivo a

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cumprir e é por isso que as alternâncias de prazer e desprazer se repetem durante a vida, durante o passado, presente e futuro. Como o próprio nome diz o eterno retorno não se reporta a uma demarcação temporal cíclica e exata, ele simplesmente se renova e retorna em um ciclo sem fim. O devir não ocorre de um modo exatamente igual, mas são variações de sentidos já vivenciados, faces de uma mesma realidade. A alegria e a tristeza sentida em um momento, não serão iguais ao amanhã, mas voltará ser provada e vivida em suas diferentes variações.

Assim o sentido histórico inserido neste ponto, serve como uma leve experiência, que aprimorada terá um sentido diferente do passado. O passado só dará lições a um sentimento, criação, fortalecimento e renovação para o futuro.

Para concluir, levaremos em conta o sentido histórico presente em todos os momentos da vida, presente em todas as características da vida e do ser humano. Por mais que Nietzsche só colocasse a importância do passado em trazer experiência, este por excelência há algo maior e de suma importância do que a simples lição e experiência.

Ao decorrer o trabalho percebemos que este exprime um ligação muito forte com a temporalidade da vida, o presente e o futuro é uma continuação do passado, de fato usam a experiências e lições do passado para se fortalecerem e recriar um futuro, mas é inevitável trazer consigo as tradições, vivências de prazeres, as características do ser humanos auto superar-se e claro a vontade do sempre mais, ou seja, a luta para alcançar o possível, e ir sempre além daquilo que é atual, é a vontade de ultrapassar de sempre ir mais adiante. Ela é o impulso interior da força que gera o movimento da vida. Ou seja, com a experiência do passado, esta vontade tende a impulsionar o homem a ser criativo e a não se conter com o que já foi alcançado, mas ir sempre em direção ao novo.

Por fim, o sentido histórico defendido por Nietzsche como um conhecimento necessário a vida, da experiência do passado, resulta em outros conceitos dele: a vontade de potência e o eterno retorno, ligados às experiências, o primeiro sempre a procura do melhor, do novo e da superação e o segundo sempre se renovando e vivendo todas as alternâncias presente na vida, independente da temporalidade.

REFERÊNCIA BIBLIOGRAFICA:

CAVALCANTI, Anna Harmann. Nietzsche e a história. Disponível em: . Acesso em 15 de out. 2012.

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D’ LORIO, Paolo. O eterno retorno. Gênese e interpretação. Cadernos de Nietzsche. São Paulo, n. 20. 2006. Disponivél em: www.cadernosnietzsche.unifesp.br. Acesso em: 15 de out. 2012.

ITAPARICA, L. M. André. Nietzsche e o sentido histórico. Cadernos de Nietzsche. São Paulo, n. 19. 2005. Disponivél em: www.cadernosnietzsche.unifesp.br. Acesso em: 15 de out. 2012.

NIETZSCHE, Friedrich. “Da utilidade e desvantagem da história para a vida”. In: Considerações Extemporâneas. Lisboa: Presença/ Martins Fontes, 1980.

ROCHA, Rodrigo. Sobre o problema da moral no pensamento de Nietzsche: apontamentos. In: Encontro de Pesquisa na graduação em Filosofia da Unesp, 4. 2009. Marília. Disponivél em:< www.marilia.unesp.br/filogenese>. Acesso em: 15 de out. 2012.

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