Identificação e Análise de Riscos em Levantamentos Topográficos em Barragens Hidrelétricas: Estudo de Caso na UHE Salto Caxias, Notas de estudo de Engenharia de Produção
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Identificação e Análise de Riscos em Levantamentos Topográficos em Barragens Hidrelétricas: Estudo de Caso na UHE Salto Caxias, Notas de estudo de Engenharia de Produção

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Os levantamentos topográficos requerem cuidados e procedimentos de segurança a serem adotados pelos profissionais da área, pois dessa conduta depende o bom andamento das atividades, incorrendo em ganho de tempo, praticidade e minimização de riscos de acidentes de trabalho. Assim, este trabalho tem como objetivo a identificação e análise de riscos em levantamentos topográficos realizados na barragem hidrelétrica Governador José Richa – Salto Caxias, no município de Capitão Leônidas Marques – PR. O trabalho propõe medidas de controle para os pontos mais críticos, através da Análise Preliminar de Riscos, embasando a implantação futura de um Programa de Gerenciamento de Riscos, uma vez que possibilita a antecipação, identificação, avaliação e conseqüente controle dos riscos ambientais existentes ou que venham a existir no ambiente de trabalho.
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Identificação e Análise de Riscos em Levantamentos Topográficos em Barragens Hidrelétricas: Estudo de Caso na UHE Gov. José Richa - Salto Caxias

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MINISTÉRIO DA EDUCAÇÃO UNIVERSIDADE TECNOLÓGICA FEDERAL DO PARANÁ

CAMPUS PATO BRANCO

IV CURSO DE ESPECIALIZAÇÃO EM ENGENHARIA DE SEGURANÇA DO TRABALHO

IDENTIFICAÇÃO E ANÁLISE DE RISCOS EM LEVANTAMENTOS TOPOGRÁFICOS EM BARRAGENS HIDRELÉTRICAS: ESTUDO

DE CASO NA UHE GOVERNADOR JOSÉ RICHA - SALTO CAXIAS

Aluno: Daniel Carvalho Granemann Orientador: Prof. Dr. Marcelo Fabiano Costella

Pato Branco – PR Setembro/2009

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DANIEL CARVALHO GRANEMANN

IDENTIFICAÇÃO E ANÁLISE DE RISCOS EM LEVANTAMENTOS TOPOGRÁFICOS EM BARRAGENS HIDRELÉTRICAS: ESTUDO DE

CASO NA UHE GOVERNADOR JOSÉ RICHA – SALTO CAXIAS

Monografia apresentada ao IV Curso de Especialização em Engenharia de Segurança do Trabalho, como requisito parcial para a obtenção do Título de Especialista em Engenharia de Segurança do Trabalho, realizado pela UTFPR Campus Pato Branco.

Pato Branco - PR Setembro/2009

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À amada esposa Mel, pelo incondicional

apoio e compreensão em mais esta etapa

de vida.

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AGRADECIMENTOS

A Deus pela vida, oportunidades, obstáculos e vitórias;

Aos amados pais Antonio Francisco e Ana Maria, por todo o amor e

compreensão e por nunca medirem esforços para que eu alcançasse meus

objetivos;

Ao meu irmão Marcelo e aos primos Lucas e Marcus Vinícius, pela irmandade

e momentos de alegria e descontração nas rodas de viola e tereré;

À Universidade Tecnológica Federal do Paraná pela oportunidade;

Ao Prof. Dr. Marcelo Fabiano Costella, pelas orientações importantes na

elaboração desta monografia;

Aos amigos e parceiros da UTFPR, José Ilo Pereira Filho e Evandro Marcos

Kolling, e ao companheiro Marco Aurélio Nadal, pelos conselhos, instruções, apoio,

discussões e contribuições diversas a este trabalho;

Aos Professores Pedro Luis Faggion, Luis Augusto Koenig Veiga e Carlos

Aurélio Nadal - Universidade Federal do Paraná - pelo incentivo na realização deste

trabalho;

À Companhia Paranaense de Energia (COPEL) pelo apoio, ao gerente de

área da UHE Salto Caxias Edson José Marcolin pela atenção, e aos colegas

engenheiros da COPEL Marcos Alberto Soares, Elizeu Santos Ferreira e Marcelo

Madeira, pelo incondicional apoio, amizade e confiança em nossos trabalhos;

Aos que impuseram obstáculos em nosso dia-a-dia, pois foram o diferencial

de força na conquista dessa vitória.

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“Combati o bom combate, Completei a carreira,

Guardei a fé.” (São Paulo Apóstolo: 2 Tm 4,7)

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RESUMO

Os levantamentos topográficos requerem cuidados e procedimentos de

segurança a serem adotados pelos profissionais da área, pois dessa conduta

depende o bom andamento das atividades, incorrendo em ganho de tempo,

praticidade e minimização de riscos de acidentes de trabalho. Assim, este

trabalho tem como objetivo a identificação e análise de riscos em

levantamentos topográficos realizados na barragem hidrelétrica

Governador José Richa – Salto Caxias, no município de Capitão

Leônidas Marques – PR. O trabalho propõe medidas de controle para os

pontos mais críticos, através da Análise Preliminar de Riscos,

embasando a implantação futura de um Programa de Gerenciamento de

Riscos, uma vez que possibilita a antecipação, identificação, avaliação e

conseqüente controle dos riscos ambientais existentes ou que venham a

existir no ambiente de trabalho.

Palavras-chave: riscos, barragem hidrelétrica

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ABSTRACT

The surveys require care and safety procedures to be adopted by professionals,

because of such conduct depends on the good progress of activities, incurring

time saving, convenience and minimize risks of accidents.

This paper aims to identify and analyze risks in surveys conducted in the

hydroelectric dam Governor José Richa - Salto Caxias, in the city of Capitão

Leonidas Marques - PR, proposing measures to control the most important

issues through the Preliminary Analysis Risk , affording the future deployment

of a program of risk management, because it allows the anticipation,

identification, assessment and consequent control of the risks that exist or will

exist in the workplace.

Keywords: risks, hydroelectric dam

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LISTA DE FIGURAS

Figura 1 - Rede de Pontos – Triangulação ................................................... 9 Figura 2 – Nivelamento geométrico ............................................................. 10 Figura 3 – Gerenciamento de acidentes ...................................................... 13 Figura 4 – Capacete de segurança ............................................................... 23 Figura 5 – Óculos de segurança ................................................................... 23 Figura 6 – Protetor auricular tipo concha ...................................................... 23 Figura 7 – Protetor auricular tipo plug ........................................................... 24 Figura 8 – Respirador facial .......................................................................... 24 Figura 9 – Cinto travaquedas – modelo paraquedista .................................. 24 Figura 10 – Localização da UHE Gov. José Richa - Salto Caxias ............... 26 Figura 11 – Complexo de usinas hidrelétricas no Rio Iguaçu ....................... 27 Figura 12 –Vista aérea da UHE Gov. José Richa – Salto Caxias ................ 28 Figura 13 –Vista em planta da UHE Gov. José Richa – Salto Caxias .......... 28 Figura 14. Esquema para a APR .................................................................. 30 Figura 15. Nivelamento geométrico – crista da barragem .......................... 32 Figura 16. Posto de trabalho P1 - rede externa ............................................ 33 Figura 17. Postos de trabalho – rede interna de monitoramento .................. 34

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LISTA DE QUADROS

Quadro 1. Avaliação de Frequência .............................................................. 18 Quadro 2. Avaliação de Consequência ......................................................... 19 Quadro 3. Categorias de Riscos .................................................................... 19 Quadro 4. Avaliação Qualitativa de Riscos ................................................... 20 Quadro 5. Categorias de Riscos .................................................................... 20 Quadro 6. Agentes de Riscos – Levantamentos Topográficos em

Barragem ......................................................................................

35 Quadro 7. Análise Preliminar de Riscos – Levantamentos Topográficos

na UHE .........................................................................................

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LISTA DE TABELAS

Tabela 1.Riscos - Frequências e Consequências ........................................ 36 Tabela 2. Avaliação Qualitativa de Riscos .................................................... 36

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SUMÁRIO

1. INTRODUÇÃO .................................................................................................. 3

1.1. OBJETIVO .................................................................................................. 3 1.2. JUSTIFICATIVA .......................................................................................... 4 1.3. ORGANIZAÇÃO DA PESQUISA ................................................................ 4

2. EMBASAMENTO TEÓRICO ............................................................................ 6

2.1. SEGURANÇA EM BARRAGENS HIDRELÉTRICAS .................................. 6 2.2. LEVANTAMENTOS GEODÉSICOS E TOPOGRÁFICOS EM ÁREAS DE

BARRAGENS HIDRELÉTRICAS ................................................................

7 2.2.1. Técnicas de Levantamentos Geodésicos Aplicadas ao Monitoramento de

Barragens ....................................................................................................

8 2.2.1.1. Triangulação ......................................................................................... 8 2.2.1.2. Trilateração ........................................................................................... 9 2.2.1.3. Nivelamento Geométrico ....................................................................... 9 2.3. GERENCIAMENTO DE RISCOS ................................................................ 10 2.3.1. Conceitos Básicos em Análise de Riscos ................................................... 11 2.3.2. Estrutura de um Programa de Gerenciamento de Riscos (PGR) ............... 12 2.3.3. Riscos em Levantamentos Topográficos .................................................... 13 2.3.3.1. Agentes Físicos ..................................................................................... 15 2.3.3.2. Agentes Químicos ................................................................................. 15 2.3.3.3. Agentes Biológicos ................................................................................ 16 2.3.3.4. Agentes Ergonômicos ........................................................................... 16 2.3.4. Análise de Riscos e Identificação de Perigos ............................................. 16 2.3.4.1. Avaliação de Riscos .............................................................................. 18 2.3.4.2. Categorias de Riscos ............................................................................ 20 2.3.5. Trabalhos em Espaços Confinados ............................................................ 21 2.3.6. Equipamentos de Proteção ......................................................................... 22 2.3.7. Plano de Emergência .................................................................................. 25

3. MÉTODO DE PESQUISA ................................................................................. 26

3.1. LOCAL DE TRABALHO .............................................................................. 26 3.2. OBTENÇÃO DE DADOS ............................................................................ 29

4. RESULTADOS E DISCUSSÕES ..................................................................... 31

4.1. LEVANTAMENTOS TOPOGRÁFICOS REALIZADOS NA BARRAGEM

HIDRELÉTRICA ..........................................................................................

31 4.1.1. Nivelamento da Crista da Barragem ........................................................... 31 4.1.2. Monitoramento da Rede Externa ................................................................ 32 4.1.3. Monitoramento da Rede Interna ................................................................. 34 4.2. RISCOS PRESENTES NOS LEVANTAMENTOS ...................................... 35 4.3. AVALIAÇÃO DOS RISCOS ........................................................................ 35

5. CONCLUSÕES ................................................................................................. 40

REFERÊNCIAS ...................................................................................................... 41

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1. INTRODUÇÃO

Esta monografia trata da identificação e análise de riscos em

levantamentos topográficos em áreas de barragens hidrelétricas.

Tendo em vista que os levantamentos topográficos estão em constante

movimentação e deslocamento, podem surgir situações de risco aos profissionais

das equipes de trabalho, quer por falta de sinalização adequada no local de

trabalho, ausência ou descumprimento de procedimentos, imperícia na operação

dos instrumentos topográficos ou mesmo por falta de equipamentos de proteção

coletiva e individual.

Dessa forma, considerando dados e informações obtidas em campanhas

para o monitoramento da estrutura da barragem hidrelétrica da Usina Governador

José Richa (Salto Caxias), no município de Capitão Leônidas Marques – PR,

realizadas de 2002 a 2005, pretende-se readequar os procedimentos de

segurança para estes trabalhos, através da identificação de riscos e a proposição

de medidas de controle, os quais englobam nivelamento geométrico da crista da

barragem, trilateração e triangulação das redes de monitoramento interna e

externa à barragem.

1.1. OBJETIVO

Identificar riscos e propor medidas de controle para levantamentos

topográficos em barragens hidrelétricas, embasando a implantação de um

Programa de Gerenciamento de Riscos (PGR), uma vez que possibilita a

antecipação, identificação, avaliação e conseqüente controle dos riscos

ambientais existentes ou que venham a existir no ambiente de trabalho.

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1.2. JUSTIFICATIVA

No Brasil ainda é insípida a segurança em levantamentos topográficos, uma

vez que as Normas Regulamentadoras (NRs) do Ministério do Trabalho, como a

NR 18, são em grande parte aplicáveis a construção civil. Nestas normas não há

abordagem alguma relacionada à Topografia, que por sua natureza também não

se enquadra em trabalhos rurais, estando desprotegida dos amparos legais.

Dessa forma, a análise de riscos em levantamentos dessa categoria reveste-se

de especial importância, uma vez que são necessárias readequações e

adaptações das NRs para estes casos. Neste escopo, um PGR torna-se

importante, pois possibilita a antecipação e identificação de fatores de risco,

avaliação e controle dos riscos ambientais existentes no ambiente de trabalho.

Assim, o monitoramento topográfico deve ser analisado de forma que as

situações de risco presentes sejam minimizadas ou eliminadas, ressaltando que o

trabalho não se resume somente ao ambiente em que é realizado, envolvendo

também o corpo técnico responsável pelos levantamentos.

1.3. ORGANIZAÇÃO DA MONOGRAFIA

O tema proposto neste trabalho será tratado da seguinte forma:

No capítulo 2 é apresentada a fundamentação teórica, enfatizando-se a

segurança de barragens hidrelétricas, levantamentos geodésicos e

topográficos realizados em áreas de barragens e o gerenciamento de riscos.

No capítulo 3 descreve-se o método de pesquisa, as atividades realizadas

nas etapas do monitoramento da barragem e a obtenção dos dados para a

avaliação dos riscos.

No capítulo 4 são apresentados os riscos presentes nos levantamentos, a

identificação e análise de riscos das atividades, e a análise preliminar de

riscos elaborada para os pontos críticos do monitoramento.

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No capítulo 5 são apresentadas recomendações para os pontos críticos,

bem como as conclusões sobre a análise de riscos inerentes aos

levantamentos topográficos realizados na barragem hidrelétrica.

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2. EMBASAMENTO TEÓRICO

2.1. SEGURANÇA EM BARRAGENS HIDRELÉTRICAS

O monitoramento de barragens só não tem importância quando vidas e

prejuízos materiais não são computados. No entanto, sabendo-se que o

rompimento de uma barragem acaba por inundar cidades, destruindo casas,

ocasionando perdas inestimáveis e danos econômicos a toda uma região, a

observação e a instrumentação de barragens ganhou importância em meados da

década de 50. Desde então há um continuo avanço nos instrumentos e métodos

utilizados para a auscultação de barragem (GRANEMANN, 2005).

Em 1996 e 1997 o Comitê Brasileiro de Grandes Barragens (CBGB),

através da Comissão de Deterioração e Reabilitação de Barragens, elaborou

minuta de portaria nº 739, do Ministério de Minas e Energia, criando o Conselho

Nacional de Segurança de Barragens. Depois disso, o Ministério criou um grupo

de trabalho a fim de elaborar um documento para normalizar procedimentos

preventivos e de manutenção com relação à segurança das diversas barragens

existentes. Ao final de 1998 o núcleo de São Paulo do CBGB finalizou o “Guia

Básico de Segurança de Barragens”, contendo padrões e procedimentos para a

orientação dos proprietários de barragens quanto à segurança das mesmas.

Atualmente não há legislação específica no Brasil para as atividades de

segurança de barragem, apenas um projeto de lei a ser aprovado, que consiste

no Manual de Segurança do Ministério da Integração (EMAE, 2004 apud

GRANEMANN, 2005, p. 6).

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2.2. LEVANTAMENTOS GEODÉSICOS E TOPOGRÁFICOS EM ÁREAS

DE BARRAGENS HIDRELÉTRICAS

A Topografia é uma ciência aplicada que emprega métodos, técnicas e

equipamentos para o levantamento de uma porção limitada da superfície

terrestre, desconsiderando a sua curvatura, tendo por finalidade representá-la

graficamente em escala adequada. Tais representações subsidiam estudos

preliminares, pré-projetos, implantação e gerenciamento de obras, com dados e

informações de grande importância para o monitoramento de estruturas, por

exemplo.

Por sua própria natureza um levantamento topográfico está em constante

movimentação e deslocamento, o que por vezes acarretam situações de risco aos

profissionais envolvidos, quer por falta de sinalização adequada no local de

trabalho, ausência ou descumprimento de procedimentos, imperícia na operação

dos instrumentos topográficos ou mesmo por falta de equipamentos de proteção

coletiva e individual.

Estudos têm sido realizados em áreas de barragens unindo-se diferentes

técnicas, como nivelamento geométrico de precisão integrado com o NAVSTAR-

GPS (Navigation System with Time and Ranging – Global Positioning System) no

lago Maracaibo, Venezuela, região de extração de petróleo, trabalhos de

nivelamento de precisão antes e após o enchimento do reservatório em várias

regiões do mundo, como por exemplo o conduzido pelo Serviço Canadense na

Barragem La Grande-2 (Quebec) (LAMBERT; LIARD, 1986) e o executado pelo

Departamento de Levantamentos da antiga Rodésia no lago artificial Kariba,

formado pelo rio Zambezi. Estas mudanças podem provocar deformações na

barragem, terremotos e deslizamentos de terra (ZHANG et al., 1996).

Pesquisadores alertam ainda que é de extrema importância o estabelecimento de

redes geodésicas monitoradas para estudar e analisar as influências de

reservatórios em subsequentes observações geodésicas incluindo, por exemplo,

medidas da gravidade, observações astrogeodésicas e medidas com GPS

(ZHANG et al., 1996).

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No entanto, não se consideram nestes estudos os riscos inerentes aos

levantamentos topográficos. Existem algumas normas reguladoras para os

levantamentos em minas (DNPM, 2002), onde todas as obras de mineração no

subsolo e na superfície devem ser levantadas topograficamente e representadas

em plantas adequadas. No entanto, estas normas não fazem referência alguma

aos riscos inerentes às atividades realizadas nestes ambientes, tão pouco quanto

aos procedimentos de segurança em caso de situação de risco iminente.

Assim, os monitoramentos geodésicos e topográficos devem ser

analisados de forma que as situações de risco presentes sejam minimizadas ou

eliminadas, ressaltando que o trabalho não se resume somente às estruturas

internas e externas da barragem, envolvendo também equipes técnicas formadas

por engenheiros, técnicos, supervisores e encarregados devidamente treinados

na operação de instrumentos e equipamentos de mensuração.

2.2.1. Técnicas de Levantamentos Geodésicos Aplicadas ao Monitoramento

de Barragens

As técnicas básicas de levantamento geodésico utilizadas para fins de

monitoramento de estruturas são: triangulação, trilateração e nivelamento

geométrico de precisão. Outras técnicas são o posicionamento tridimensional por

satélite, através dos Sistemas Globais de Navegação por Satélite (GNSS) e

Gravimetria, aplicada para o acompanhamento de subsidências em áreas de

formação de reservatórios. Mais detalhes sobre esta técnica são referenciadas

por Gemael e Faggion (1996).

2.2.1.1. Triangulação

Entende-se por triangulação o procedimento em que se obtêm figuras

geométricas a partir de triângulos justapostos ou sobrepostos, formados através

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da medição dos ângulos subentendidos por cada vértice (IBGE, 1983, p.6).

A triangulação tem sido uma técnica amplamente empregada para fins de

monitoramento de estruturas. A FIGURA 1 apresenta um esquema de rede de

triangulação.

Figura 1 - Rede de pontos – triangulação Fonte: Granemann (2005, p. 17)

2.2.1.2. Trilateração

De acordo com Granemann (2005), a trilateração é um processo

semelhante à triangulação, porém, ao invés de serem observados os ângulos, os

lados dos triângulos é que são observados, trabalhando-se, portanto com

distâncias. No caso da Geodésia estas distâncias são medidas utilizando-se

distanciômetros eletrônicos, atualmente estações totais, as quais atingem

precisões lineares da ordem de ±(1mm+1ppm), onde:

ppm – partes por milhão de milímetros.

ESCALA:1/10 000

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2.2.1.3. Nivelamento Geométrico

O nivelamento geométrico é a operação que visa a determinação do

desnível entre dois pontos (FIGURA 2) a partir da leitura em miras verticais

graduadas, através de um nível óptico-mecânico ou eletrônico/digital (VEIGA,

2003, p. 134). É um processo bastante simples, onde o desnível é determinado pela

diferença entre uma leitura de ré e uma de vante.

Figura 2 – Nivelamento geométrico Fonte: Veiga et al. (2003, p. 138)

2.3. GERENCIAMENTO DE RISCOS

Conforme Souza (2009, p. 17), o gerenciamento de riscos consiste na

implementação de processos básicos, como:

- Identificação de riscos;

- Análise de riscos;

- Avaliação de riscos;

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A (RÉ)

B (VANTE)

Desnível (∆h) = Ré - Vante

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- Tratamento de riscos por meio de:

- prevenção: eliminação e redução;

- financiamento: retenção.

2.3.1. Conceitos Básicos em Análise de Riscos

Dentre os conceitos básicos, podem-se citar (SOUZA, 2009, p. 18):

- Risco: condição com potencial de causar danos, podendo ser

caracterizado também como freqüência ou probabilidade;

- Perigo: expressa o grau de exposição em relação a um risco que favorece

a sua materialização em danos;

- Dano: severidade da lesão ou perda física resultante da perda de controle

sobre um risco;

- Causa: eventos, falhas ou omissões que podem provocar acidentes;

- Segurança: definida como isenção de riscos;

- Perda: prejuízo sofrido, sem garantia de ressarcimento por seguros ou

outros meios;

- Sinistro: prejuízo sofrido, com garantia de ressarcimento por seguros ou

outros meios;

- Incidente: também chamado de quase-acidente, é entendido como

qualquer evento com potencial de causar danos não visíveis;

- Acidente: evento não desejado que resulta em lesão, doença, danos à

propriedad , interrupções de processos produtivos ou agressões ao meio

ambiente.

- Tratamento de riscos por meio de:

- prevenção: eliminação e redução;

- financiamento: retenção.

Conforme o autor, em análise de riscos existem as séries, que consistem

na relação de todos os riscos capazes de contribuir para a ocorrência de danos,

podendo ser divididas em risco:

- Inicial: o que dá origem à série;

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- Principal: pode causar lesão, degradação da capacidade funcional dos

trabalhadores, mortes, danos ao patrimônio;

- Contribuinte: todos os demais riscos que compõem a série.

2.3.2. Estrutura de um Programa de Gerenciamento de Riscos (PGR)

A primeira etapa de um PGR está voltada à elaboração e implementação,

com a antecipação dos riscos ambientais, denominada prevenção, que significa

“chegar antes, antecipar”, originada do latim praevenire (PROTEÇÃO, 2009, p.

17). A antecipação envolve a análise de projeto de novas instalações, métodos ou

processos de trabalho, ou de modificações das já existentes, objetivando a

identificação de riscos potenciais e a introdução de medidas de proteção para sua

redução ou eliminação.

A etapa seguinte refere-se ao reconhecimento dos riscos existentes nos

locais de trabalho, estabelecendo prioridades, avaliando fatores de risco e

exposição dos trabalhadores, acompanhamento das medidas de controle

implementadas, monitorização da exposição aos fatores de riscos, registro e

manutenção dos dados e avaliação periódica do programa.

Dessa forma, o PGR deve contemplar alguns aspectos, como por exemplo,

riscos físicos, químicos e biológicos, ventilação, investigação e análise de

acidentes do trabalho, ergonomia e organização do trabalho, riscos decorrentes

do trabalho em espaços confinados, equipamento de proteção individual (EPI) e

plano de emergência, onde está inserida a prestação de primeiros socorros.

Esquematicamente, o gerenciamento de acidentes de trabalho pode ser

visualizado conforme a FIGURA 3.

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Figura 3 – Gerenciamento de acidentes Fonte: Carneiro (2009)

2.3.3. Riscos em Levantamentos Topográficos

Conforme Glassey (2004), os levantamentos topográficos apresentam

riscos de acidentes de trabalho constantes. Segundo o autor, os dados

estatísticos indicam 20 acidentes fatais a cada 50.000 levantamentos realizados

nos Estados Unidos, sendo uma parcela considerável devido aos acidentes de

trajeto e trabalhos ao longo de rodovias.

Quando se realizam trabalhos nessa área, alguns riscos estão presentes,

tais como:

• Queda de pessoa de mesmo nível;

• Queda de materiais, equipamentos;

• Queda de nível diferente;

• Exposição à poeira;

• Impacto de objeto projetado;

• Queda de ferramentas e materiais;

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• Corte.

Dentro dos programas de gestão de segurança estão contempladas

algumas ferramentas de prevenção, como o Programa de Prevenção de Riscos

Ambientais (PPRA), Programa de Controle Médico e Saúde Ocupacional

(PCMSO) e APR.

O PPRA é parte integrante de um conjunto de medidas mais amplas,

contidas nas demais Normas Regulamentadoras (NR 09, 1978), articulando-se

principalmente com a NR 07 - Programa de Controle Médico de Saúde

Ocupacional (PCMSO) e de Prevenção de Perdas Auditivas (PPPA). Seu principal

objetivo é fazer da prevenção de acidentes e doenças ocupacionais uma forma de

eliminar ou minimizar os riscos para os trabalhadores, melhorando o desempenho

dos negócios e auxiliando as organizações em geral, estabelecendo uma imagem

responsável da empresa no mercado (SESI, 2009).

Conforme o autor, para o desenvolvimento do PPRAdeve ser realizado

uma abordagem com a finalidade de aplicar técnicas de higiene e segurança

ocupacional com recursos disponíveis, atribuindo responsabilidades e integrando

o Serviço de Segurança e Saúde do Trabalhado em toda organização,

envolvendo e comprometendo os trabalhadores através de documentações e

treinamentos em serviços especializados.

Dentre as vantagens do PPRA, destacam-se:

• Prevenção de acidentes de trabalho;

• Redução de perdas de material e de pessoal;

• Otimização dos custos;

• Redução dos gastos com saúde;

• Aumento da qualidade, produtividade e competitividade.

A elaboração e implementação deste programa é única e total do

empregador, devendo zelar pela sua eficácia, sendo sua profundidade e

abrangência dependentes das características dos riscos ambientais e

necessidades de controle.

Riscos ambientais são entendidos como tudo o que tem potencial para

gerar acidentes no trabalho, em função de sua natureza, concentração,

intensidade e tempo de exposição, dividindo-se em agentes físicos, químicos,

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biológicos e ergonômicos, sendo que em levantamentos topográficos em áreas de

barragens, os agentes que estão mais presentes são os físicos e os ergonômicos.

2.3.3.1. Agentes Físicos

São representados pelas condições físicas no ambiente de trabalho,

como por exemplo, vibração, ruído, calor, frio, podendo causar danos à saúde.

A vibração pode ser entendida como o movimento oscilatório de um corpo,

devido a forças desequilibradas de componentes rotativos e movimentos

alternados de uma máquina ou equipamento.

De acordo com OSHA (2009 apud PESSA, 2008), ruído é um som

indesejado, que traz uma sensação auditiva desagradável e perturbadora, cuja

intensidade é medida em decibéis (dB). A Norma de Higiene Ocupacional 1 -

Avaliação da Exposição Ocupacional ao Ruído - preconiza que o tempo máximo

de exposição diário permissível em função do nível de ruído de 85 db é de 8

horas (NHO, 2001, p. 18).

As normas internacionais ISO 7243/89 - Ambientes quentes – e ISO/TR

11079/93 - Ambientes frios, apud Pessa (2008), são adotadas para verificar se os

ambientes de trabalho podem ocasionar estresse térmico em virtude do calor e do

frio, sendo necessário utilizar o termômetro de globo para estas verificações.

2.3.3.2. Agentes Químicos

São encontrados em forma gasosa, líquida, sólida e pastosa. A poeira é

um exemplo de partícula sólida, que por ação do vento, e dependendo do

tamanho da partícula, pode causar pneumoconiose - doença respiratória

provocada pela inalação de partículas suspensas no ar por períodos prolongados

- tumores pulmonares, alergias e irritações nas vias respiratórias.

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2.3.3.3. Agentes Biológicos

São microorganismos patógenos presentes no ambiente de trabalho,

como bactérias, fungos, vírus, bacilos, parasitas, capazes de produzir doenças,

deterioração de alimentos, entre outros, e que apresentam facilidade de

reprodução, além de contarem com diversos processos de transmissão.

2.3.3.4. Agentes Ergonômicos

É o conjunto de conhecimentos sobre o homem e o ambiente de trabalho,

fundamentais ao planejamento de tarefas, postos e ambientes de trabalho,

ferramentas e máquinas, a fim de que sejam utilizados com o máximo de conforto,

segurança e eficiência. Dentre os casos mais comuns de problemas ergonômicos

têm-se esforço físico intenso, levantamento e transporte manual de peso,

monotonia e repetividade.

Trabalhos repetitivos podem ocasionar lesão por esforço repetitivo (LER)

e distúrbio osteomuscular relacionado ao trabalho (DORT), caso não sejam

considerados os agentes ergonômicos presentes no ambiente de trabalho.

Exemplo disso é que em 2008 foram concedidos 117353 auxílios-doença

acidentáricos devido à LER/DORT, contra 95473 em 2007 e 19556 em 2006,

significando um aumento superior a 500% em apenas dois anos. (PROTEÇÃO,

2009, p. 19).

2.3.4. Análise de Riscos e Identificação de Perigos

Existem diferenças entre as definições de risco e perigo. Conforme a

OSHA 18001 apud Costella (2009):

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- risco é a combinação entre probabilidade e severidade da ocorrência de

uma situação de perigo específica; e

- perigo é uma fonte ou situação com potencial de causar danos à saúde,

prejuízos à propriedade, ao ambiente de trabalho ou combinação entre eles.

De acordo com Souza (2009, p. 19), os elementos chaves na identificação

e reconhecimento de riscos são:

- identificação: onde são reconhecidos todos os riscos inerentes às

atividades;

- avaliação: que classifica os riscos conforme a sua gravidade;

- comunicação: cujo objetivo é a tomada de decisões sobre os riscos

constatados; e

- controle: constitui a fase final quando o risco é controlado.

Dentro das técnicas de análise de riscos encontra-se a Análise Preliminar

de Riscos (APR), as quais estão classificadas em:

- Convencionais: constituídas por reuniões da Comissão Interna de

Prevenção de Acidentes (CIPA) e de segurança, inspeções, relatos, análises e

divulgação de acidentes, análise de tarefas e listas de verificações;

- Não convencionais: divididas em análises:

- Iniciais: destaca-se nessa análise a APR, cujo objetivo é o estudo dos

riscos que podem estar presentes na fase operacional de um projeto, sendo uma

revisão superficial de problemas gerais de segurança;

- Operacionais: cujo objetivo é conhecer todas as operações que o

trabalhador realiza, identificando os riscos e as medidas preventivas e corretivas;

- Detalhadas: possibilita analisar as falhas dos componentes de um

equipamento ou sistema, estimando taxas de falhas, determinando os efeitos

provenientes e estabelecendo medidas de correção ou prevenção; e

- Quantitativas: determina a seqüência crítica mais provável de eventos,

identificando as falhas localizadas mais importantes no sistema, e determinando

os elementos de controle das falhas encontradas.

A análise de riscos busca discutir o que pode dar errado, e a possibilidade

de desvios de projeto, operacionais ou manutenção transformarem-se em

acidentes maiores. Assim, devem ser consideradas as questões:

- O que pode dar errado;

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- Quais as causas básicas dos eventos indesejados;

- Quais as freqüências de ocorrência dos acidentes;

- Quais as conseqüências; e

- Se os riscos são toleráveis.

Esta análise não tem caráter determinístico, e sendo assim, não há uma

resposta exata para cada pergunta. Ainda assim, exerce importante papel no

gerenciamento de riscos.

2.3.4.1. Avaliação de Riscos

Conforme Cardella (1999), o risco associado a um evento é resultado da

sua freqüência e conseqüência. A freqüência pode ser entendida como o número

de ocorrências na unidade de tempo, tendo por unidades a ocorrência/ano ou

ocorrência/hora.

De acordo com o autor, nas avaliações de freqüências podem ocorrer

multiplicações da freqüência com que um evento ocorre pela probabilidade deste

ocorrer, resultando em um quadro de avaliação de freqüência (QUADRO 1).

Quadro 1.Avaliação de Frequência Categoria Probabilidade Característica

0 Extremamente baixa Possível teoricamente, mas altamente improvável.

1 Muito baixa Pode ocorrer em situações muito especiais; sua ocorrência não é esperada. 2 Baixa Pode ocorrer raramente 3 Média Pode ocorrer com relativa facilidade 4 Alta Pode ocorrer com muita facilidade

Fonte: Adaptado de Cardella (1999)

Na avaliação das consequências o objetivo é avaliar a área de

abrangência do agente agressivo, calculando-se a capacidade agressiva em cada

ponto. Conforme o autor, deve-se escolher o evento perigoso de nível adequado

para enquadrar a conseqüência do evento (QUADRO 2).

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Quadro 2. Avaliação de Consequência Categoria Probabilidade Característica das Lesões

0 Desprezível Incômodos passageiros 1 Muito leve Recuperação muito rápida

2 Leve Provocam sofrimentos passageiros, não incapacitando para o trabalho

3 Média baixa Não resultam em danos permanentes; provocam

incapacidade temporária por períodos menores que uma semana

4 Média Não resultam em danos permanentes; provocam

incapacidade temporária por períodos maiores que uma semana

5 Média Alta Resultam em perda permanente de funções; não afetam acentuadamente a vida normal 6 Grave Incapacitam para o trabalho ou outras atividades 7 Muito grave Morte

8 Extremamente grave Algumas mortes

9 Catastrófica Grande número de mortes Fonte: Adaptado de Cardella (1999)

Assim, para a análise qualitativa dos riscos, realiza-se a combinação do

QUADRO 1 e QUADRO 2, obtendo-se as categorias de riscos (QUADRO 3).

Quadro 3. Categorias de Riscos Categoria

de frequência

Categoria de consequência 0 1 2 3 4 5 6 7 8 9

Categoria de risco 0 0 0 0 0 0 1 1 1 1 1 1 0 0 1 1 2 2 2 3 3 3 2 2 2 2 3 3 4 4 5 5 5 3 2 3 4 5 5 5 6 7 8 8 4 3 4 4 5 6 6 7 8 9 9

Fonte: Adaptado de Cardella (1999)

Assim, é possível avaliar qualitativamente os riscos inerentes às

atividades realizadas, inferindo sobre as medidas de controle a serem adotadas,

visando a minimização das conseqüências (QUADRO 4).

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Quadro 4. Avaliação Qualitativa de Riscos Categoria Qualitativo Controle

0 Extremamente baixo Basta ser identificado 1 Muito baixo Verificação das possibilidades de ocorrência

2 Baixo Requer ações integrantes de um programa tipo sinalização – ordem – limpeza (SOL), e boas práticas de trabalho (BPT)

3 Médio baixo Requer ações de SOL e BPT 4 Médio tolerado Requer ações de melhoria contínua 5 Médio não tolerado Programa específico de controle de riscos 6 Elevado Ações urgentes

7 Médio Elevado Intervenção urgente com cessação das atividades que geram o risco

8 Individual

extremamente elevado Intervenção imediata com cessação das atividades que

geram o risco 9 Social extremamente elevado

Fonte: Adaptado de Cardella (1999)

2.3.4.2. Categorias de Riscos

De acordo com a APR realizada, os riscos podem ser classificados

conforme o QUADRO 5.

Quadro 5. Categorias de Riscos Categoria Falha

1. Desprezível Não resultará em degradação maior do sistema, nem produzir danos funcionais ou lesões, ou mesmo contribuir com um risco ao sistema

2. Limítrofe Degradação do sistema em uma certa extensão, porém sem causar danos maiores ou lesões

3. Crítica Degradação do sistema causando lesões, danos substanciais, resultando em risco inaceitável, necessitando ações corretivas imediatas

4. Catastrófica Degradação severa do sistema, resultando em perda total, lesões ou morte Fonte: Adaptado de Souza (2009, p. 21)

Assim, para realizar a APR recomenda-se rever os problemas

conhecidos, determinar os riscos principais, iniciais e contribuintes, os meios de

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eliminação e controle de riscos, analisar os métodos de restrição de danos, e

determinar quem realizará as ações corretivas.

2.3.5. Trabalhos em Espaços Confinados

A norma regulamentadora NR 33 estabelece os requisitos mínimos para a

identificação de espaços confinados, bem como o reconhecimento, avaliação,

monitoramento e controle dos riscos existentes, de forma a garantir

permanentemente a segurança e saúde dos trabalhadores que interagem direta

ou indiretamente nestes espaços. De acordo com esta norma, espaço confinado é

qualquer área ou ambiente não projetado para ocupação humana contínua, que

possua meios limitados de entrada e saída, cuja ventilação existente é insuficiente

para remover contaminantes ou onde possa existir a deficiência ou

enriquecimento de oxigênio.

Segundo o Anuário Brasileiro de Proteção (2008), publicado pela Revista

Proteção, o Paraná ocupa a 11ª posição no ranking dos estados brasileiros, com

o maior índice de acidentes no setor extrativo mineral, com 5137 acidentes e

nenhuma morte, ocupando uma posição menos grave que Santa Catarina, com

6299 e Rio Grande do Sul, com 5526.

O Departamento Nacional de Produção Mineral (DNPM/PR) é o órgão

que fiscaliza a segurança das atividades de mineração, assim como a pesquisa,

lavra e beneficiamento dos bens minerais, realizando vistorias, autuando

infratores e impondo sanções conforme a legislação mineral.

O setor extrativo mineral paranaense é formado por empresas de

pequeno a médio porte, sendo a maioria das minas é a céu aberto. Apenas duas

mineradoras em atividade, uma de ouro, em Campo Largo, e outra de carvão, em

Figueira, são subterrâneas.

Neste setor os trabalhadores ficam expostos a riscos:

- Físicos: ruídos, vibrações, umidade, entre outros;

- Químicos: poeiras minerais, fumos, gases, etc.;

- Biológicos: vírus, parasitas e bactérias; e

- Ergonômicos: postura inadequada, esforço físico, turnos alternados.

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A partir de 2001, quando entraram em vigor as Normas

Regulamentadoras de Mineração (NRM), as condições de trabalho no setor

tiveram melhorias. Antes disso, o trabalho de fiscalização era feito com base no

Código da Mineração. As NRM são mais detalhadas, definindo os itens a serem

fiscalizados. Ainda assim, de acordo com especialistas, há muito o que melhorar.

2.3.6. Equipamentos de Proteção

A importância da proteção coletiva e individual está diretamente ligada à

preservação da saúde e da integridade física do trabalhador. No entanto, somente

nos casos em que não é possível eliminar as causas de acidentes, com proteção

em máquinas, equipamentos ou locais de trabalho, é que o uso de equipamentos

de proteção individual torna-se indispensável.

Os equipamentos de proteção coletiva são aqueles que visam orientar os

trabalhadores para evitar os, até então denominados, atos inseguros1, os quais

implicam em acidentes do trabalho, como: proteção de máquinas, sinalização de

segurança, normas e regulamentos de segurança, entre outros.

Os equipamentos de proteção individual, conforme a NR 06, destinam-se

a preservar a saúde do trabalhador no exercício de suas funções. Como

exemplos destes equipamentos, pode-se citar: capacetes (FIGURA 4), óculos

(FIGURA 5), protetor auricular tipo concha (FIGURA 6) e tipo plug (FIGURA 7),

respirador facial (FIGURA 8), cinto travaquedas – modelo paraquedista - (FIGURA

9), entre outros.

1 A expressão “ato inseguro”, contida na alínea “b” do item 1.7 da NR 1, foi retirada da

regulamentação, assim como os demais subitens que atribuíam ao trabalhador a culpa pelo acidente de trabalho, através da Portaria 84/09. (PROTEÇÃO, 2009, p. 16).

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Figura 4 – Capacete de segurança Fonte: http://www.dalberti.com.br

Figura 5 – Óculos de segurança Fonte: http://www.scudoseg.com.br

Figura 6 – Protetor auricular tipo concha Fonte: http://www.equipaindustria.com.br/produtos

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Figura 7 – Protetor auricular tipo plug Fonte: http://www.equipaindustria.com.br/produtos

Figura 8 –Respirador facial Fonte: http://www.equipaindustria.com.br/produtos

Figura 9 – Cinto travaquedas – modelo paraquedista Fonte: http://www.equipaindustria.com.br/produtos

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2.3.7. Plano de Emergência

O objetivo do plano de emergência é a preservação da vida, evitando ou

minimizando os danos físicos e psíquicos aos trabalhadores, visando a proteção

da propriedade e evitando a paralisação da produção.

Basicamente, as fases do plano de emergência são:

1 – Levantamento de riscos e proposição de medidas preventivas;

2 – Instalação de equipamentos de combate à incêndio;

3 – Formação de equipes de abandono de áreas;

4 – Instalação de material de primeiros socorros e formação de equipes

de atendimento de urgência.

No plano de emergência considera-se também a prestação dos primeiros

socorros, que é a atenção imediata prestada a uma pessoa, cujo estado físico

coloca em perigo sua vida, tendo por finalidade a manutenção das funções vitais,

evitando dessa forma o agravamento de suas condições até receber assistência

qualificada.

Devido ao ritmo dos levantamentos topográficos, e mesmo estando bem

condicionados fisicamente, os trabalhadores estão sujeitos à paradas

cardiorespiratórias, lesões em articulações e ossos, incluindo fraturas,

convulsões, picadas de insetos e animais peçonhentos, ferimentos, entre outros.

Assim, reveste-se de especial importância a presença de socorristas nas

equipes de trabalho, de forma que os trabalhadores possam ser prontamente

atendidos no caso de algum acidente. Além disso, todos os levantamentos a

serem realizados, bem como hora de início e término das atividades, e local de

trabalho, devem constar na ordem de serviço do dia, devendo o responsável por

cada equipe realizar o Diálogo Diário de Serviço (DDS) com seus encarregados,

identificando os riscos naquele local, e os procedimentos na prestação dos

primeiros socorros.

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3. MÉTODO DE PESQUISA

3.1. LOCAL DE TRABALHO

A Usina Hidrelétrica Governador José Richa - Salto Caxias - está situada

no Rio Iguaçu, no município de Capitão Leônidas Marques (FIGURA 10).

Figura 10 – Localização da UHE Gov. José Richa - Salto Caxias Fonte: Granemann (2005, p. 36)

A construção das obras civis iniciou-se em janeiro de 1995, sendo que a

produção comercial da primeira unidade geradora ocorreu em 18 de fevereiro de

1999 (COPEL, s.d.).

De acordo com Copel (s.d.) a usina possui uma capacidade instalada de

1240 MW de potência, em quatro unidades instaladas. A barragem de Salto

Caxias apresenta 67 m de altura e 1083 m de comprimento, é do tipo gravidade

em CCR (concreto compactado a rolo). O vertedouro sobre a barragem abriga 14

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comportas com capacidade máxima de descarga para 49.600 metros cúbicos de

água por segundo.

A UHE Governador José Richa faz parte do complexo de usinas

construídas no Rio Iguaçu, conforme ilustra a FIGURA 11.

Figura 11 – Complexo de usinas hidrelétricas no Rio Iguaçu Fonte: Granemann (2005, p. 37)

A FIGURA 12 apresenta a vista aérea da área da usina. De acordo com

Copel (2004), a barragem de Salto Caxias, com 912.000 m3 de CCR, é a maior da

América do Sul construída com esta técnica e a 8ª em volume de CCR no mundo.

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Figura 12 –Vista aérea da UHE Gov. José Richa – Salto Caxias Fonte: Granemann (2005, p. 37)

Uma vista em planta é apresentada na FIGURA 13.

Figura 13 –Vista em planta da UHE Gov. José Richa – Salto Caxias Fonte: Nadal et al.(2004) apud Granemann (2005, p. 37)

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3.2. OBTENÇÃO DE DADOS

O trabalho consistiu em acompanhar os levantamentos topográficos

realizados na barragem, observando e descrevendo todas as atividades

realizadas pelos colaboradores envolvidos.

Em um primeiro momento foram identificados os riscos destas atividades,

para em seguida serem analisados e classificados conforme Cardella (1999),

exposto no item 2.3.4.1.

Na sequência realizou-se a APR para os pontos críticos dos

levantamentos, identificados pela classificação anterior, determinando-se os

riscos principais, iniciais e contribuintes, as formas de eliminação e controle

destes riscos.

3.3. ANÁLISE PRELIMINAR DE RISCOS

A análise preliminar de riscos (APR) tem por objetivo estudar os riscos

que poderão estar presentes na fase operacional de um determinado projeto ou

sistema, sendo normalmente uma revisão superficial de problemas gerais de

segurança (SOUZA, 2009).

Assim, permite a identificação dos riscos envolvidos em cada passo da

tarefa, propiciando condições para evitá-los ou conviver com eles em segurança.

Por se tratar de uma técnica aplicável à todas as atividades, a APR promove e

estimula o trabalho em equipe e a responsabilidade solidária.

Um esquema para a adoção da APR é apresentado na FIGURA 14.

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Figura 14. Esquema para a APR Fonte: CPNSP (2009)

Dessa forma, considerando que existe procedimento passo a passo para

a realização das tarefas, apo a identificação e análise dos riscos, elaborou-se a

APR simplificada para as atividades que apresentaram maior grau de risco.

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4. RESULTADOS E DISCUSSÕES

4.1. LEVANTAMENTOS TOPOGRÁFICOS REALIZADOS NA BARRAGEM

HIDRELÉTRICA

Os trabalhos realizados nos levantamentos topográficos em barragens

hidrelétricas compreendem basicamente o nivelamento geométrico da crista da

barragem, monitoramento da rede geodésica externa à barragem e

monitoramento da rede topográfica interna à barragem. As atividades são

executadas por pessoas devidamente habilitadas e treinadas, em jornadas diárias

de 7 a 10 horas, de segunda à sexta-feira.

Para orientar a equipe sobre os equipamentos, instrumentos, materiais e

metodologias necessários para os levantamentos geodésicos e topográficos na

área da barragem da UHE Salto Caxias, bem como o processamento dos dados

obtidos em campo, elaborou-se um manual de procedimentos para cada uma das

atividades executadas.

4.1.1. Nivelamento da Crista da Barragem

O nivelamento geométrico na crista da barragem (FIGURA 15) visa a

averiguação de deslocamentos verticais dos blocos que compõem a sua

estrutura, através de campanhas periódicas.

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Figura 15. Nivelamento geométrico – crista da barragem Fonte: Arquivo Pessoal

No nivelamento a equipe de topografia desloca-se sobre a pista de

rolamento, averiguando se há o deslocamento vertical da estrutura ao longo da

crista da barragem. A equipe é formada por quatro pessoas, sendo um operador

de nível, dois portamiras e um anotador. O nivelamento é realizado sob condições

climáticas e atmosféricas variadas - calor, frio, chuva - não havendo intervalo para

descanso. O trabalho tem duração média de 5 horas, havendo a passagem

constante de veículos no local, além de animais peçonhentos como aranhas e

lacraias no trajeto.

4.1.2. Monitoramento da Rede Externa

Este levantamento visa a aplicação de métodos e técnicas geodésicas

para a triangulação e trilateração da rede externa à barragem, visando o

monitoramento de pontos de controle na estrutura desta, a partir dos pilares P1,

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P2, P3, P4, P5 e P6 da rede externa de monitoramento.

Neste trabalho os colaboradores ficam expostos a temperaturas extremas

durante o dia, em virtude do calor, frio, chuva, entre outros. Durante toda a

jornada o operador do instrumento de medida (estação total) permanece em pé,

conforme ilustra a FIGURA 16, realizando observações de direções e distâncias

aos vértices da rede. Os postos de trabalho ficam próximos à matas e matagais, e

a presença de animais peçonhentos é constante. Além disso, o desnível entre o

ponto de observação e a pista de rolamento, além do guardacorpo, constitui um

risco de acidente, agravado pelo ofuscamento da visão em observações noturnas.

Figura 16. Posto de trabalho P1 - rede externa Fonte: Arquivo Pessoal

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4.1.3. Monitoramento da Rede Interna

Este trabalho é realizado em períodos diuturnos, e os operadores

permanecem em pé durante as jornadas, conforme ilustram a FIGURA 17 (a e b),

operando e transportando instrumentos, equipamentos e acessórios, havendo o

intervalo de uma hora para o almoço. Os postos de trabalho na entrada e saída

da galeria de inspeção estão sujeitos a riscos de queda da própria altura, entorce

e animais peçonhentos.

(a) Entrada da Galeria de Drenagem – Margem Esquerda

(b) Ponto Topográfico Intermediário

Figura 17. Postos de trabalho – rede interna de monitoramento Fonte: Arquivo Pessoal

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4.2. RISCOS PRESENTES NOS LEVANTAMENTOS

De acordo com os levantamentos topográficos realizados, a equipe de

trabalho fica exposta aos agentes de riscos apresentados no QUADRO 6.

Quadro 6. Agentes de Riscos – Levantamentos Topográficos em Barragem Levantamento Nivelamento

Geométrico Rede

Externa Rede

Interna Riscos

Biológicos

Picadas de Animais Peçonhentos (cobra, aranha, etc.)

X X X

Picadas de Mosquitos, Pernilongos, etc.

X X

Ergonômicos

Esforço Físico X Postura Inadequada (tronco curvado a 20º, membros superiores a 90 º em relação ao tronco), quedas, entorces, fraturas

X X X

Físicos

Iluminação Excessiva (visão ofuscada, dores de cabeça)

X

Iluminação Insuficiente (visão turva, dores de cabeça)

X X

Ruídos (dores de cabeça) X Temp. Extrema: calor, frio (dores de cabeça, náuseas, insolação, vômitos)

X X X

Fadiga X

Organização do Trabalho

Pressão e Cobrança X X Repetitivo e Monótono X X X Turnos Alternados X

Analisando-se o quadro, constata-se que a presença de animais

peçonhentos, postura inadequada e trabalho repetitivo e monótono são

constantes em todos os levantamentos realizados.

4.3. AVALIAÇÃO DOS RISCOS

Em virtude do maior número de reclamações de posturas inadequadas,

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excesso e insuficiência de iluminação, ruídos e temperaturas extremas nos

monitoramentos interno e externo da barragem, analisaram-se as freqüências

com que ocorrem os problemas, e as consequências dos riscos destas atividades,

sendo classificados de acordo com o exposto no QUADRO 1 e QUADRO 2,

respectivamente. Os enquadramentos são apresentados na TABELA 1.

Tabela 1.Riscos - Frequências e Consequências

Atividades

Freq. Cons. 1. Monitoramento Externo (postura, iluminação, ruídos, temp. extrema)

Pilar P1 3 6

Pilar P2 3 6

Pilar P3 2 3

Pilar P6 2 7

2. Monitoramento Interno (postura, iluminação, ruídos, temp. extrema, fadiga)

3 2

Considerando-se a TABELA 1, realizou-se a avaliação qualitativa dos

riscos das atividades (TABELA 2), conforme proposto por Cardella (1999).

Tabela 2. Avaliação Qualitativa de Riscos

Atividades

Categoria Qualitativo Controle 1. Monitoramento Externo (postura, iluminação, ruídos e temp. extrema)

Pilar P1 6 Elevado Ações Urgentes

Pilar P2 6 Elevado Ações Urgentes

Pilar P3 3 Médio baixo Requer ações de SOL E BPT

Pilar P6 5 Médio não tolerado

Programa específico de

controle de riscos 2. Monitoramento Interno

(postura, iluminação, ruídos, temp. extrema, fadiga)

4 Médio tolerado Requer ações de melhoria contínua

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Na sequência foram elaboradas as APR para os levantamentos que

apresentaram o maior grau de risco (QUADRO 7).

Quadro 7. Análise Preliminar de Riscos – Levantamentos Topográficos na UHEANÁLISE PRELIMINAR DE RISCOS

Local de Trabalho: Rede Geodésica de Monitoramento Externo – UHE Salto Caxias Data: 09/02/2009 Responsável pela análise: Daniel C. Granemann Ponto Risco

Causa Efeito Categoria de Risco Tratamento

P1, P2

e P6

Biológico:

Picadas de aranhas,

cobras, lacraias, etc.

Locais de trabalho sem

aceiro

Asfixia, câimbras, inchaço, náuseas,

morte Catastrófica

Uso de caneleiras até a altura do joelho; Utilização de luvas para a limpeza dos locais de trabalho; botas de segurança, inspeção local antes do início das atividades

Picadas de mosquitos e pernilongos

Locais de trabalho com acúmulo de

água

Inchaço, alergia, coceira Crítica

Uso de repelentes; camisas manga longa, calça comprida e botas de segurança

Ergonômico:

Postura inadequada

Operação de equipamentos topográficos

Lombalgias, fadigas muscular e mental Limítrofe

Pausas para descanso; alongamentos, correção dos locais de trabalho para garantir a correção postural

Físicos:

Iluminação Excessiva

Incidência direta dos raios

solares

Cefaleia; irritabilidade;

imprecisão nas mensurações

Limítrofe

Utilização de chapéu ou boné; óculos de sol, trabalhar em horários com menor insolação direta

Iluminação Insuficiente

Sistemas de iluminação

inadequados

Cefaleia; vista cansada;

imprecisão nas mensurações

Limítrofe Utilização de sistemas de iluminação adequados

Ruídos Trânsito de veículos

Cefaleia; Irritabillidade;

desconcentração Limítrofe Utilização de

protetores auriculares

Temperatura Extrema

Calor

Cefaleia, insolação, irritabilidade,

desmaios, náuseas, vômitos,

Crítica

Utilização de chapéu, boné, protetor solar, óculos de sol; trabalhar em períodos com menor insolação direta

Frio

Cefaleia, congelamento das extremidades do

corpo (mãos e pés); desconcentração

Crítica

Utilização de vestimentas adequadas e luvas, que não comprometam o desempenho das funções

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Considerando-se a avaliação qualitativa e a análise preliminar de riscos,

percebe-se a importância de intervir imediatamente em alguns postos de trabalho,

uma vez que apresentam maior grau de risco aos trabalhadores.

No monitoramento externo da barragem, a partir do pilar P1, não se

apresentam EPC adequados, conforme visualizado na figura 15, em que o

guarda-corpo utilizado não oferece a proteção adequada. Esta atividade

atualmente é realizada no período noturno, para minimizar efeitos atmosféricos,

tais como reverberação e refração, visando observar direções e distâncias com

qualidade. Em virtude do horário do início da atividade, o local torna-se mal

iluminado, aumentando os riscos de quedas e escoriações.

A limpeza dos acessos ao pilar P1, a readequação do guarda-corpo,

através de um projeto que ofereça segurança para os colaboradores no

desempenho de suas funções, e a utilização de cinto travaqueda, tipo

paraquedista, minimizariam os riscos da atividade. Ressalta-se que para os

pilares P2 e P6 medidas idênticas são necessárias e igualmente válidas.

A região do corpo mais afetada, de acordo com informações dos próprios

colaboradores, é a região torácica, seguida da lombar. Há queixas de dores nas

articulações dos membros superiores e inferiores, ombros e joelhos,

respectivamente, por ocasião dos trabalhos realizados em pé. Neste sentido,

devem ser adotadas pausas para descansos e alongamentos, proporcionando

bem estar e relaxamento. A análise ergonômica do posto de trabalho aliada à

fisioterapia também é importante, uma vez que o investimento em prevenção e

saúde implica diretamente no aumento da produtividade, eficiência e motivação.

Contudo, o trabalhador tem o dever de participar do aprendizado e aplicação das

estratégias para a redução dos riscos. Não obstante, a empresa deve investigar e

reconhecer os sintomas de risco, pois respeitar os limites individuais significa

prevenir lesões na coluna, os quais podem afastar temporária ou definitivamente

o trabalhador de suas atividades.

Dos riscos físicos elencados na APR, o calor e o frio são os maiores

causadores de irritabilidade e cefaleia, influenciando diretamente na execução

das tarefas. As dores de cabeça afetam diretamente a visão e a audição,

sensibilizando-os, desconcentrando o trabalhador, tornando-o susceptível a

acidentes. Como os levantamentos topográficos na barragem são realizados em

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horários próximos ao meiodia, há o aumento da temperatura ambiente e interna

do corpo, desencadeando reações químicas e térmicas que podem ocasionar

desmaios, náuseas e vômitos.

Visando a minimização destes efeitos, os quais ocorrem mais

intensamente no verão, deve-se realizar as atividades até no máximo 11 horas,

no período matutino, e após às 15 horas, no período vespertino. Além disso, a

utilização de vestimentas adequadas e compatíveis para o desempenho das

funções, bem como protetor solar, proteção para a cabeça e os olhos, como

chapéus e óculos de sol, respectivamente, melhoram as condições de trabalho,

proporcionando bem estar aos colaboradores.

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5. CONCLUSÕES

O modelo de APR empregado identifica os riscos, causas, efeitos,

categorias de riscos e tratamento para cada um deles. Durante os trabalhos,

notou-se que nem todos os colaboradores utilizam EPI adequados. Por exemplo,

no monitoramento externo não utilizam caneleiras, para prevenir contra eventuais

picadas de cobras, escorpiões e aranhas. No local é constante a presença de

animais peçonhentos, tais como cobra cascavel, coral e urutu, cujos venenos

podem ser letais, caso não sejam prestados socorros adequados a tempo.

Apesar da APR ser uma técnica de análise não convencional, inserida nas

análises iniciais de um processo ou sistema, é ferramenta importante no

gerenciamento de riscos, embasando o check list específico para cada atividade,

como forma de verificar junto aos colaboradores quais os riscos inerentes a estas,

e as respectivas medidas mitigadoras.

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bem feito valeu amigo
Muito bom, otimo material
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