Intervenção Ergonômica em uma Olaria, Notas de estudo de Design
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Intervenção Ergonômica em uma Olaria, Notas de estudo de Design

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Estudo ergonomico em uma fábrica de tijolos. Identificação de problemas e sugestões ergonomicas.
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1. Introdução

Quando deixou de ser nômade, o homem passou a ter necessidade de possuir construções resistentes e duráveis e com a evolução de tecnologia ele foi descobrindo diversos materiais, entre eles, o tijolo que pode ser fabricado de argila, o mais comum, argila xistosa, silicato de cálcio, ou cimento. São fabricados em olarias onde seguem o seguinte processo:

Extração da argila > Caixão alimentador (onde a argila é triturada pela primeira vez) > Correia transportadora (conduz o barro do caixão alimentador para o misturador) >Misturador (mistura, amassa e fornece a quantidade de água necessária) > Laminador (dois cilindros que moem os pedregulhos e os torrões do barro pela segunda vez) > Maromba (prensa formando uma só barra já com os furos do tijolo a ser fabricado) > Esteira transportadora (transporta a barra da maromba para o corte) > Máquina de corte (com dois fios de aço que cortam os tijolos no tamanho desejado) > Secagem (os tijolos ficam expostos ao vento para secarem bem, pois podem trincar no forno) > Forno (os tijolos são colocados em fileiras espaçadas umas das outras, onde é colocado serragem e lenha por cima para queimar. Esta porta é fechada e o tijolo fica queimando à aproximadamente 800°C)

Apesar de um processo fácil, precisa-se de mão-de-obra para um trabalho pesado, onde se exige principalmente força para carregamento de pilhas de tijolos e muitas vezes não há preocupação nos operários que o fazem, sendo muitas vezes eles lesados fisicamente e por tanto outro fatores como os equipamentos ou falta deles e também ambiências físicas.

Assim a ergonomia como disciplina que atua com abordagens, métodos e técnicas, usa ferramentas e processos que melhorem o ambiente de trabalho do homem podendo provocar maior conforto, segurança e eficácia em um ambiente como este. Sendo objeto de estudo a Cerâmica São José localizada em Caruaru - PE

2. Problema

A grande demanda crescente de pedidos de materiais para construção civil, o que incorpora tijolos (um dos mais procurados) sobrecarrega a mão de obra operaria estudada, acelerando o desgaste físico sofrido por esforços não só repetitivos, mas também nada ergonômicos, podendo causar o afastamento temporário do operário em questão ao seu posto, atrasando a produção e trazendo prejuízo não só financeiro para a empresa, mas físico ao funcionário que muitas vezes não consegue mais exercer a mesma função de antes. Por isso, trabalhar com aqueles que participam de um processo de fabricação pesado e usar de intervenção ergonômica para melhorar as suas condições de trabalho é o objetivo deste documento. Sendo este desenvolvido através de observações e aplicação de métodos na Cerâmica São José, localizada em Caruaru PE.

3. Hipótese

A ergonomia, através dos métodos e ferramentas, pode contribuir na investigação de constrangimentos físicos e de ambiente gerando recomendações e proposta de artefatos que melhoram as condições de trabalho dentro de uma olaria.

4. Métodos e Técnicas

4.1 Métodos de abordagem

Foram aplicados os métodos indutivos e dedutivos.

4.2 Técnicas utilizadas

As técnicas utilizadas para obtenção de dados foi a observação, o registro fotográfico, registro em vídeo, entrevista aberta e uma estruturada juntamente com o Corllet.

4.3 Fundamentação teórica

O principal problema observado em algumas olarias, mas especificamente a trabalhada, é o carregamento de peso excessivo por parte de seus funcionários, onde em seus carrinhos possuem em média uns cem tijolos, cada um com aproximadamente 2kg. Mas o artigo 198 da CLT (2005), Brasil, In: CARRION, 2005 diz que é de 60 kg o peso máximo que um empregado pode remover individualmente. Mas não está compreendida a proibição deste artigo a remoção de material feita por impulsão ou tração de vagonetes sobre trilhos, carros de mão ou quaisquer outros aparelhos mecânicos, podendo o Ministério do Trabalho, em tais casos, fixar limites diversos, que evitem que sejam exigidos do empregado serviços superiores às suas forças.

Outro caso observado é a falta de Equipamento de proteção individual (EPI), e a Legislação sobre EPI diz que é obrigação da empresa fornecê-los aos seus funcionários.

4.4- Execução das técnicas

4.4.1- Técnica de observação análise fotográfica

A partir das observações foram feitos registros fotografico onde pode-se mostrar:

- posições de trabalho que comprometem a postura, - falta de iluminação adequada, - carregamento de peso excessivo, - equipamentos que comprometem a atividade, - piso irregular que dificulta o transporte dos tijolos, - ausência do uso de EPIs - ausência de instalações favoráveis aos funcionários

Fig.2 - Curvatura na lombar Fig.3 - Falta de iluminação e piso irregular

Fig. 4 - Sobrecarga Fig. 5 - Pouca instabilidade do carrinho

4.4.2- Aplicação e análise da ferramenta Corllet

O corllet é ferramenta de ergonomia que serve para avaliar o desconforto corporal em quem está sendo aplicado. Funciona com um diagrama do corpo humano com pontos onde a pessoa entrevistada deve dizer o nível de desconforto daquele momento onde: 1 representa nenhuma dor, 2 – dor leve , 3 – dor moderada, 4 –dor suportável e 5 – dor insuportável. Ele deve ser aplicado no inicio, meio e fim da jornada de trabalho para avaliar os danos físicos obtidos durante a jornada diária.

Neste estudo de caso foi constatado a ausência de cansaço no inicio do expediente, de acordo com entrevistas preliminares com os funcionários, sendo aplicado apenas no meio e fim das atividades.

Sendo assim foram entrevistados seis funcionários que arrumavam os tijolos saídos da maromba para os carrinhos e estes revezavam com os que levavam os carrinhos para descarregar nas estufas. Indicando a parte do corpo e perguntando o nível de intensidade de cansaço foi possível fazer um gráfico geral um para o período do inicio da tarde e outro no final.

Para melhor compreensão dos resultados agrupamos os 5 níveis de dor e transformamos em 3 onde: 1 – pouca dor ou nenhuma dor, 2 – dor média, 3 – muita dor

Fig. 6 - Corllet aplicado no meio Fig. 7 - Corllet aplicado nofim da jornada de trabalho da jornada de trabalho

Resultado analítico do gráfico do meio do dia (Fig.6).

[a] A região das costas. 17% dos participantes da amostra já afirmavam ter algum tipo de dor no meio do horário de trabalho, principalmente nas regiões da costa superior e média. Na costa inferior não houve queixas de dor.

[b] A região dos ombros. 17% dos entrevistados relatam sentir dor média já os outros 83% sentiam pouca ou nenhuma dor.

[c] A região do pescoço e nuca. Esta região não apresentou índices de desconforto no meio da jornada de trabalho. 100% dos respondentes

apontaram pouca ou nenhum tipo de dor ou cansaço no pescoço.

[d] A região dos membros superiores. Esta região foi a que mais ouve índices de queixa sendo o braço direito e esquerdo com 17% de dor média e 17% muita dor. Os punhos com 17% de dor média e as mãos em 100% de pouca ou nenhuma dor.

[e] A região dos membros inferiores. Esta região também apresentou índices de queixas sendo nas coxas 17% muita dor índice igual ao das panturrilhas. Os outros 83% sentiam pouca ou nenhuma dor.

Resultado analítico do gráfico do fim do dia (Fig. 7)

[a] A região das costas. Nas costas média, superior e inferior apresentaram 17% de queixas de muita dor.

[b] A região dos ombros. 50% relataram ter pouca ou quase nenhuma dor, já 33% e 17% sentiam muita dor.

[c] A região do pescoço e nuca. Já no fim da jornada de trabalho há queixas de muita dor em 17% dos entrevistados.

[d] A região dos membros superiores. Nos braços ouve índices de 17% de muita dor, nos punhos e nas mãos essa medida cresce para 33%.

[e] A região dos membros inferiores. Esta região também apresentou índices de queixas sendo nas coxas 33% muita dor índice igual ao das panturrilhas. Os joelhos 17% de dor média e os pés 17% de muita dor.

4.4.3- Análise das entrevistas

Foram realizadas primeiramente entrevistas com vinte funcionários para maior reunião de informações sendo estas de todas as atividades realizadas e depois concentração em apenas um grupo de atividades que foi apontada na primeira entrevista como sendo a mais critica. Através dos entrevistados pode-se perceber que a área da maromba, máquina que fabrica os tijolos, foi a mais citada como sendo a mais cansativa devido ao ritmo acelerado.

Esta segunda entrevista teve como objetivo captar as sensações e sugestões dos funcionários que realizam esta atividade. Foram questionados alguns pontos específicos sobre o percurso, dor, carregamento de peso e outros para melhor recomendações futuras.

A entrevista só confirmou o corllet quanto ao aumento de dor a partir da metade da jornada de trabalho, e que os funcionários não tem a oportunidade de pausas e carregam muito peso com um suporte que não lhes oferece uma boa pega e estabilidade, mas, a falta de equilíbrio esta relacionada ao piso do ambiente que não é plano.

5. Resultados

De acordo com as observações, entrevistas e as ferramentas aplicadas foi constatado os seguintes problemas:

Geral

- A falta de uma boa inluminação em certas partes da cerâmica compromete uma boa visibilidade. - O piso por ser irregular promove instabilidade no percurso do manuseio dos carrinhos, causando algumas vezes a queda destes. - A falta de EPI's em algumas situações compromete a segurança dos funcionários. - a falta de um filtro com água gelada para os funcionários. - Há poucos banheiros para o número de funcionários e não existe limpeza periódica. - Botas desconfortáveis e provocam dores nos pés. - Os funcionários que trabalham no forno ficam expostos a um ambiente muito quente durante a retirada dos tijolos já cozidos.

Específicos do posto de trabalho

- Os funcionários carregam muito peso, em media, são 80 tijolos e cada um pesa em torno de 2kg. - A altura da pega do carrinho, pois a mesma obriga o usuário a flexionar os braços no momento do transporte, causando cansaço excessivo. - O sistema de arrumação dos tijolos cru no carrinho, pois o mesmo obriga os funcionários a torcer o tronco na altura da lombar por muitas vezes causando danos a coluna vertebral à longo prazo. - A maromba apresenta uma altura baixa o que causa uma má postura na hora da pega dos tijolos.

5.1 Sujestões dos problemas encontrados

Quanto aos aspectos gerais

1-Iluminação- A possivel troca das telhas existentes por telhas transparêntes em alguns pontos do local.

2-Piso- A planificação do piso resolve o problema da locomoção, da poeira e ajuda a evitar acidêntes com carro de mão.

3-EPI's- Sugerimos os EPI's para as funções especificadas. Carregador- botas mais resistentes e confortáveis, protetor auricular e luvas. Funcionário da maromba- botas e protetor auricular.

4-Água mineral- acesso fácil a água mineral com temperatura aceitável para consumo, como está se trabalhando numa cerâmica, o filtro pode ser de cerâmica o que proporciona uma temperatura agradável à água armazenado no mesmo.

5-Banheiro- acesso fácil a banheiro limpo e compatível com o numero de funcionários.

6-Refeitório- melhoria do ambiente do refeitório, deixando-o mais limpo e bem equipodo.

7-Fornos- as retiradas dos tijolos do forno poderia ser feita de forma mais rápida para uma menor exposição com relação ao tempo de temperaturas altas, prateleiras resistentes ao calor agilizariam a tarefa.

Quanto aos aspectos específicos da função:

1-Peso de carga- diminuir o esforço físico usado no carregamento do carro de mão, um possível redimensionamento para diminuição da carga.

2-Pega do carro de mão- melhorar a pega do carro de mão com o uso de luvas ou adotando um novo modelo de carro de mão.

3-Sistema de arrumação de tijolos- mudança da posição do carro de mão junto ao fim da produção, valorizando a arrumação e não a troca de carrinhos como é feita atualmente.

4-A maromba apresenta um altura baixa o que causa uma má postura na hora da pega dos tijolos, assim uma altura de 97cm seria ideal recomendada.

5.2 Sugestão projetual

Uum possível novo modelo de carro de mão que diminui o esforço feito pelo funionário e possui maior equilíbrio.

Fig. 8 -nova proposta para o transporte dos tijolos

6. Conclusão

Comparando as regiões que mais provocavam dores nos três momentos da aplicação do mapa de desconforto postural, observa-se que a região dos ombros, antebraço, punhos, mãos, coxas e panturrilhas foram as áreas que aumentaram consideravelmente o seu nível de dor. Devido às atividades que exigem força e ritmo dessas áreas.

Pode-se concluir que a região superior o nível de dor ainda é mais critico devido as posturas que os funcionários exercem e o peso que têm que elevar já as dores da região inferior são devidas o ritmo das atividades e a falta de pausas sistemáticas.

A intervenção da ergonomia, junto a aplicação de suas ferramentas, se mostra de grande importância para a investigação e resolução de problemas que parecem ser irrelevantes e muitas vezes não são levados em considerações, mas podem trazer grandes benefícios aos funcionários tornando sua atividade mais confortável e eficaz.

7.Referências

Associação Brasileira de Cerâmica Disponível em < http://www.abceram.org.br > Acesso em 17 de out. 2008

Associação Port. De Ind. Cerâmica Disponível em < http://www.apicer.pt/sobre/sobre_ceramica_page.asp > Acesso em 28 de out. 2008

BOOTH, Wayne C,; COLOMB, Gregory G.; WILLIAMS, Joseph M.. A Arte da Pesquisa. 2 ed. São Paulo: Martins Fontes, 2005.

FALZON, Pierre. Ergonomia. São Paulo: Blucher, 2007.

MARCONI, Marina de Andrade; LAKATOS, Eva Maria. Metodologia do trabalho científico: procedimentos básicos, pesquisa bibliográfica, projeto e relatório, publicações e trabalhos científico. 6 ed. São Paulo: Atlas, 2001.

INTERVENÇÃO ERGONÔMICA EM UMA OLARIA

UFPE- CAA

KLEBER ROBERTO LOPES, TASSIANE SOUTO MAIOR, GERMANNYA D´GARCIA DE ARAÚJO E SILVA

Li gostei muito deste trabalho
gostei dos termos abordados.....