Intervenções psicológicas como ferramentas de transformação do funcionamento cerebral, Notas de estudo de Psicologia
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Intervenções psicológicas como ferramentas de transformação do funcionamento cerebral, Notas de estudo de Psicologia

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INTERVENÇÕES PSICOLÓGICAS COMO FERRAMENTAS DE TRANSFORMAÇÃO DO FUNCIONAMENTO CEREBRAL
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FACULDADE CASTRO ALVES CURSO: PSICOLOGIA SEMESTRE: 2009.2 REGENTE: RAFAEL FERNANDES DISCIPLINA: NEUROCIÊNCIAS 2

A.P.O - AS INTERVENÇÕES PSICOLÓGICAS COMO FERRAMENTAS DE TRANSFORMAÇÃO

DO FUNCIONAMENTO CEREBRAL

DISCIPLINA: NEUROCIÊNCIAS 2

Componentes:

. Ana Célia Rosas Pucci . Cristiane Dactes . Kátia Queiroz . Kátia Gesteira . Salete Aurora

PROJETO DE PESQUISA

TEMA: As intervenções psicológicas como ferramentas de transformação do funcionamento cerebral.

PROBLEMA: A psicologia como terapêutica, utilizando-se de outros instrumentos estimuladores, minimizará o problema do ser humano, em suas relações interpessoal e intrapessoal ?

HIPÓTESE: A intervenção psicológica com suas ferramentas, aliada a outros recursos terapêuticos, poderão dar um melhor ajustamento ao ser, em sua dinâmica cerebral.

JUSTIFICATIVA: As práticas psicológicas, decisivamente ‘ajudarão’ no processo de busca e aperfeiçoamento do ser humano, tentando harmonizá-lo e enquadrá-lo dentro de uma perspectiva biopsicossocial, onde o mesmo possa ajustar-se de maneira satisfatória, oferecendo-lhes assim, uma melhor qualidade de vida. Este mesmo profissional, atuará de maneira criativa, enriquecedora e transformadora, enaltecendo certamente as qualidades e habilidades deste ser, bem como minimizando sua problemática, através da utilização de recursos artísticos em contextos terapêuticos, onde pressupõe que este mesmo processo do fazer artístico, tem o potencial de cura, facilitando a ampliação da consciência e do auto-conhecimento, possibilitando mudanças significativas.

OBJETIVO GERAL: Promover no processo psicoterapêutico, a arte psicoterapia, pois como manobra de intervenção, procura desenvolver aspectos físicos, emocionais, sociais e cognitivos, facilitando o aumento de habilidades e potencialidades, viabilizando a utilização de recursos internos na resolução de conflitos, estimulando também a livre expressão criadora, granjeando assim, espaços para a externalização de aspectos conscientes ou não da subjetividade do ser, quem sabe, levando-o a sua auto- cura.

OBJETIVOS ESPECÍFICO: Contactar as imagens arquetípicas pessoais e procurar sua harmonização interior, através da prática da arte psicoterapia.

OBJETIVOS ESPECÍFICOS: Levar o indivíduo á busca de sua identidade, sendo ela essencial, exercitando-o através das vivências terapêuticas através da intuição, percepção e da imaginação, ajudando-o na resolução de problemas e conflitos internos.

METODOLOGIA

Para o desenvolvimento desta monografia, optou-se pela pesquisa

bibliográfica.

A pesquisa bibliográfica, procura explicar um problema à partir de

referências teóricas publicadas através de revisões literárias em livros, revistas, artigos

científicos da internet, pertinentes a temática abordada, buscando conhecer e analisar as

contribuições culturais ou científicas do passado existentes, sobre um determinado tema

ou problema.

Este projeto fundamenta-se nos seguintes e principais autores, que decisivamente deram suporte e ajudaram no aprofundamento das idéias, na bibliografia, bem como na elaboração e realização do mesmo, nos seus aspectos de maior relevância: Carl Gustav Jung, Fayga Ostrower, Violet Oaklander, Vygotsky, Maria Fux, entre outros que contribuíram de forma decisiva para a elaboração deste projeto.

O presente estudo será dividido em cinco etapas, a saber: (a) levantamento

do referencial teórico; (b) seleção do referencial teórico apropriado a presente

investigação; (c) leitura crítico-analítica do referencial selecionado; (d) organização dos

dados levantados; (e) elaboração do relatório final.

SUMÁRIO

METODOLOGIA

INTRODUÇÃO.??????.................................................................................

CAPÍTULO 1.0 – A PSICOTERAPIA E SUAS MANOBRAS INTERVENTIVAS NO AUXÍLIO DO HOMEM INTEGRAL..................................................................

1.2 – Psicoterapia e Rotas de mudanças...........................

3. - Aplicação e Abordagens em Psicoterapia.............

CAPÍTULO 2.0 – UNIÃO DA ARTE COM A PSICOLOGIA...............

2.1 – A arte como forma de cura................................

2.2 – As artes plásticas, o teatro, a música e a dança Como propulsores do bem estar........................

2.2.1 - Combinando Imaginação e Fantasia..........

2.2.3 – A Criatividade e o Homem..........................

Conclusão

REFERÊNCIAS

FUX, Maria . Formação em Arteterapia. São Paulo: Simmus, 1996

ATACK, S. M. Atividades Artísticas para os Deficientes. Campinas: Papirus, 1995

ALBANO, A. Mostra de Arte contemporânea: Rio de Janeiro, 2001

BRONOWSKI, J. A Escalada do homem: São Paulo: Martins Fontes, 1992

ALTSCHULER,F. Clinical Pediatrics, 3ª. Ed, 1995. Trad: Ana Lúcia Paranhos

SMOLKA, A. L. Novas Contribuições aos processos de ensino e aprendizagem

São Paulo: Cortez editora, 1997

GRIPP, R. E. & VASCONCELLOS, C. N. Um teatro muito especial. Rio de Janeiro: Record, 1990

BAHIA, SEC. A importância da arte para deficientes mentais. Salvador: MEC, 1999

VIEGAS, C. M. C. A arte como fator de desenvolvimento e integração sócio- Cultural. São Paulo: Nobre, 1995

VYGOTSKY, L. S. A formação social da mente. Trad; José Cipolla Neto & Solange Castro Afeche, 4ª. Edição, São Paulo: Martins Fontes, 1991

JUNG, C. G. Símbolos da Transformação. Rio de Janeiro: Vozes, 1995

MAFRA, A.M. Artes Plásticas. 1ª. Edição, Rio de Janeiro: Bloch, 1977

SILVEIRA, Nise da. O mundo das imagens. São Paulo: Atica,1996

MOROZOVA, Sofia. Expressão Plástica. São Paulo: Summus, 1992

Artigo scielo: Introdução da arte na psicoterapia: enfoque clínico e hospitalar

Erika Antunes VasconcellosI; Joel Sales GiglioII IUniversidade Estadual de Santa Cruz, Departamento de Filosofia e Ciências Humanas. Campus Soane Nazaré de Andrade, Rod. Ilhéus, km 16, Itabuna, 45662-000, Ilhéus, BA, Brasil. IIUniversidade Estadual de Campinas, Faculdade de Ciências Médicas, Departamento de Psicologia Médica e Psiquiatria. Campinas, SP, Brasil

CAPÍTULO 1.0 – A PSICOTERAPIA E SUAS MANOBRAS INTERVENTIVAS NO AUXÍLIO DO HOMEM INTEGRAL A psicoterapia apresenta-se como imprescindível nos dias de hoje, para lidar com as mazelas da existência humana,em todas as formas, que o sofrimento possa apresentar- se, bem como: crises pessoais, conflitos conjugais e familiares, transtornos psicopatológicas, distúrbios psicossomáticos, crises existenciais e problemas nas transições entre as fases da vida, etc. A psicoterapia vem destacando-se, e é vista como um espaço favorável ao crescimento pessoal, um lugar/tempo/modo privilegiado de criar intimidade consigo mesmo; de estabelecer diálogos construtivos e abrir novos canais de comunicação, de transformar padrões estereotipados de funcionamento, restabelecendo o processo formativo e criativo de cada um.

A Psicoterapia ocupa hoje um lugar fundamental na área da saúde, por trazer uma visão integrada do homem, considerando as dimensões psíquica, orgânica e social agindo conjuntamente na produção da existência humana, assim como de seus problemas, por isso a psicoterapia oferece uma oportunidade de compreender e mudar os padrões de vinculo e relação interpessoal. Os problemas vinculares são fonte de incontáveis sofrimentos e doenças. Em alguns casos, a Psicoterapia cumpre também uma função de educação para a vida, oferecendo um espaço privilegiado de reflexão, com instrumentos e conhecimentos que podem ajudar na orientação e condução da vida; função que se torna fundamental em situações de desestruturação e crise, quando a pessoa se sente inapta para lidar com as dificuldades em sua vida. Através de suas técnicas e variados recursos terapêuticos utilizados, a psicoterapia fornece uma visão ampliada do potencial humano de bem – estar; é uma tentativa de facilitar o crescimento dos pacientes, não apenas no atingimento do fortalecimento do ego e da identidade existencial, mas também transformar emoções que estão presas dentro do paciente ligadas a situações difíceis de serem tratadas. Sabemos, através de Freud, que a sintomatologia de fobia tem um mecanismo de deslocamento para uma outra situação, uma emoção reprimida, uma emoção presa, ligada a alguma situação mais antiga ou infantil. O psicoterapeuta poderá utilizar variados recursos para minimizar a problemática de seu cliente, e uma delas, que tem correspondido positivamente, é o uso da arte. Privilegiar a arte, por ser facilitadora do processo, por permitir criar, transformar, redescobrir e começar de novo tem sido compensatório. O terapeuta utilizando-se deste valioso canal, possibilitará permitir a descarga de tensões, dando vazão a expressão e a representação de conteúdos internos ( pensamentos, sentimentos, fantasias, desejos) de forma socialmente aceita. Como afirma Kramer, “ a arte é o lugar onde as fantasias tomam forma” ( 1977,p.30)

De acordo com Frances Vaughan, o conteúdo da terapia é traçado pelo paciente e de acordo com suas vivências, experiências, preocupações e toda problemática que ele traz, o terapeuta irá intervir observando o perfil do mesmo, podendo utilizar o trabalho onírico, a imaginação criativa, a focalização interior. Como cada ser é único, cada terapia necessita ser única e sob medida, pois normalmente o paciente já traz seus próprios símbolos do que representam, naquilo que sente.

1.2 – Psicoterapia e Rotas de Mudanças

O processo terapêutico é atravessar um longo caminho e neste caminhar, você vai rever muitas cenas da história da sua vida de um ângulo completamente novo, fazendo conexões inusitadas entre os eventos e percebendo a potência do passado para moldar quem você é hoje e a potência do presente, para construir novas possibilidades de vida. Na travessia destas estradas, muitas vezes tortuosas e difíceis de serem atravessadas, você vai aprender a reconhecer os seus padrões de comportamento que levam você a se comportar de modo parecido em situações diferentes, e muitas vezes "repetindo os mesmos erros". Você vai aprender a reconhecer o "como" do seu comportamento; como você age, como se relaciona, como pensa, como sente e vai aprender caminhos para poder influenciar e transformar estes padrões.

Esta é uma jornada que deve ser acompanhada de alguém, que pode ajudar você a se compreender e que possa auxiliá-lo a transformar, a modificar-se, procurando conhecer- se profundamente e que esteja disposto a mudar. É uma trajetória longa, mas se partilhada com alguém, poderão ocorrer acréscimos positivos. As pesquisas demonstram uma grande eficácia da psicoterapia. Mesmo as recentes tecnologias de mapeamento cerebral têm permitido demonstrar como o tratamento psicológico age transformando o funcionamento cerebral. A eficácia do tratamento psicológico, que já era conhecida há várias décadas, tem sido corroborado recentemente pelos novos conhecimentos das neurociências. Existem centenas de livros e pesquisas explorando e explicando porque a psicoterapia funciona. Porém, como simples exercício de compreensão, vamos listar alguns motivos para tentar entender um pouco sobre a efetividade da psicoterapia. No início da lista, organizada num continuum que vai do mais simples ao mais complexo, temos aqueles motivos que são comuns a outras relações de ajuda, mesmo não profissionais, como uma conversa íntima com um amigo, uma conversa sobre um problema pessoal com um professor, um médico, etc. Avançando na lista vamos chegando aos motivos que são próprios da psicoterapia, até aqueles que lhe são exclusivos - possíveis pelo meticuloso treinamento teórico e técnico adquirido pelo psicólogo em sua trajetória de formação profissional. Eis alguns motivos pelos quais a psicoterapia funciona: Ao dividir um problema você passa a ter "meio" problema. Compartilhar ajuda a aliviar a carga emocional e o sofrimento. Os vínculos de ajuda têm um poder curativo. É mais fácil superar as dores através de uma relação autêntica de respeito mútuo do que sozinho. A relação terapêutica é uma relação de ajuda, de compreensão e apoio. O psicólogo clínico (psicoterapeuta) é um outro , com o olhar e a perspectiva de um outro, o que lhe ajudará ver a sua vida de um modo diferente, lhe fazer perguntas diferentes, ajudá-lo a perceber as coisas de um ângulo que você não tinha visto antes e nem suspeitava ser possível. Assim, a psicoterapia faz você parar para refletir sobre a própria vida. Parar, observar e refletir, permite muitas mudanças de orientação, sentido, rumo e aprofundamento da experiência de vida. O psicoterapeuta conhece teorias psicológicas que ajudam na compreensão do que ocorre com você, auxiliam a identificar o que pode estar errado em sua vida, a direção que você está seguindo e as mudanças de rumo necessárias. A partir de seu conhecimento, o psicólogo pode apontar o que olhar, como olhar e o quefazer com o que se descobre, para que estas descobertas possam ser construtivas em sua vida. O psicoterapeuta conhece métodos de investigação que tornam possível descobrir aspectos da sua personalidade que seriam inacessíveis a uma observação não treinada ou a uma conversa comum. Há um amplo espectro de técnicas de investigação psicológica que permitem esclarecer problemas de modo extremamente eficaz. O psicoterapeuta domina técnicas terapêuticas que ajudam a realizar mudanças profundas na existência. O psicoterapeuta está preparado para te compreender a partir do vínculoque você estabelece com ele, das respostas emocionais que você suscita nele. Em seu treinamento ele afinou a si mesmo como instrumento de trabalho para reconhecer pequenas nuances do que você mostra na relação com ele (e consequentemente com "os outros") e assim poder compreender seus modos de vinculação e suas dificuldades nos relacionamentos.

O psicoterapeuta é capaz de oferecer uma presença autêntica no vínculo com você. Esta relação funciona como catalisador de processos de mudança necessários em sua vida, incluindo a superação dos efeitos de traumas de relacionamentos anteriores. O psicoterapeuta passou por todos estes passos anteriores, tendo estado em todos os papéis, como cliente, como profissional e como observador, o que o habilita a "sentir- se em casa" em situações difíceis , poder caminhar por terrenos inóspitos, cheios de sofrimento e problemas emocionais, e saber ajudar seu cliente a encontrar um caminho de melhora.

1.3 - Aplicação e Abordagens em Psicoterapia A psicoterapia é um processo que permite transformações profundas da personalidade, com resultados evidentes em diversas situações como:

• tratamento de vários transtornos psicológicos como pânico, fobias, depressão, anorexia, bulimia, etc.

• resolução de conflitos pessoais, interpessoais, conjugais, familiares, profissionais etc.

• elaboração de crises existenciais, de transições difíceis (luto, crises profissionais, etc) e mudanças de fases de vida (puberdade, adolescência, vida adulta, menopausa, envelhecimento, etc.)

• desenvolvimento da capacidade de auto-gerenciamento, aprendendo a lidar com o estresse e os estados de desequilíbrio.

• desenvolvimento da capacidade de auto-reflexão, de formular novas narrativas de vida, criando autonomia, com novos modos de comprender e conduzir a própria vida .

• fortalecimento psicológico - resiliência - para lidar com todas as dificuldades que a vida apresenta.

• amadurecimento pessoal. Não é possível hoje se falar em "doenças orgânicas" sem uma consideração pela dimensão psicológica e emocional, sendo evidente a natureza psicossomática da existência humana. Cada ser humano - psicossomático por natureza - vive uma história de interações, encontros e acontecimentos em que as doenças, quer se manifestem mais no corpo ou na "mente", resultam dos desequilíbrios existenciais e de soluções inadequadas de vida. Os aspectos psicológicos participam na formação de muitas doenças e tem um papel fundamental na sua recuperação. A psicoterapia oferece recursos importantes para uma compreensão mais ampla do processo de adoecimento assim como estratégias para uma vida mais íntegra. AS ABORDAGENS E TIPOS DE PSICOTERAPIA Há diversas escolas teóricas na Psicologia que podem ser agrupadas em quatro grandes perspectivas: psicodinâmica, humanista, cognitivo-comportamental e sistêmica, com vários ramos e derivações.

A diversidade decorre tanto da complexidade do tema - a psique humana - como a origem e o desenvolvimento da Psicologia a partir da influência de diferentes tradições da Filosofia, da Medicina e das Religiões. No geral, todas as teorias psicológicas apresentam pelo menos quatro elementos: (1) uma teoria sobre o que é a mente humana e como ela funciona, (2) uma teoria do desenvolvimento psicológico, (3) uma teoria psicopatológica e (4) uma teoria do processo terapêutico. As abordagens contém tanto uma compreensão do ser humano como propostas de intervenção, aplicações do conhecimento psicológico para transformação da vida humana e para cuidar do sofrimento. Há alguns tipos de psicoterapia, conforme as necessidades e a configuração dos problemas, sendo o s principais: psicoterapia de grupo, de casal, família, intitucional, individual para crianças, adolescentes, adultos e idosos e atendimentos de emergência e situações de crises.

CAPÍTULO 2.0 – UNIÃO DA ARTE COM A PSICOLOGIA A teoria histórico-cultural atribui importância fundamental às interações sociais na formação do psiquismo humano. O desenvolvimento é concebido como o movimento de apropriação de formas culturais mais elaboradas de atividade, sendo que o funcionamento psicológico só pode ser entendido em suas dimensões individual e social. Segundo Vygotsky (1988), os signos criados pela humanidade (como a linguagem, o desenho, os sistemas numéricos etc.) dialeticamente apresentam a capacidade de transformar o funcionamento mental, configurando as funções psicológicas superiores (memória mediada, percepção mediada e outras) e também promovendo alterações qualitativas nas mesmas. Essas funções encontram terreno fértil para seu desenvolvimento no contato com as obras de arte. Acreditamos que, como afirma o citado autor (2001), a vivência estética marca indelevelmente o comportamento humano. Músicas, livros, pinturas e outras formas de arte são constituídas pela linguagem, mesmo que o artista, inicialmente, não esteja consciente disso ao criar. Ao adquirir forma, a obra de arte exige a participação da consciência do fruidor. Quando o espectador ouve música, por exemplo, toda a atividade mental necessária à apreensão, audição e apreciação tem, como suporte, o signo. Assumindo como pressuposto que a natureza da atividade mental é "social/semiótica" (Smolka, 1997, p. 29), o contato com a obra de arte repercute dialeticamente nos processos mentais envolvidos na fruição, provocando uma expansão nas funções psicológicas como a percepção, a atenção e a memória. A própria polissemia da obra de arte instiga o indivíduo a encontrar novos sentidos a cada leitura. Pensamos ser possível unir arte e Psicologia, pois acreditamos que o contato com conteúdos referentes à arte possibilita um outro olhar sobre si mesmo e o mundo, podendo conduzir a novos processos mentais ao provocar diferentes formas de pensar e de ver o cotidiano. Ao discorrer sobre a obra de arte, Albano (2001, p.3) assinala o "poder de revelação por ser, ao mesmo tempo, reflexo e espelho. Diante de uma obra, podemos nos observar, ao mesmo tempo que observamos a imagem que se entrega à nossa contemplação. Ao nos emocionarmos com uma obra, passamos a ouvir em nós o eco da mesma verdade que levou o artista a criá-la."

A autora também afirma que, para que possamos compreender o sentido de uma obra, é necessário permitir que ela nos transforme como transformou o artista. É essa relação dialética que acentua e possibilita a existência da obra de arte no contato com o público. Vygotsky (1999, p. 315) afirma que a arte sempre implica transformação, e enfatiza o seu sentido social ao escrever que "A arte é o social em nós [...]; quando cada um de nós vivencia uma obra de arte, converte-se em pessoal sem, com isso, deixar de continuar social". O contato de cada indivíduo com uma música, um poema ou um quadro implica uma apreciação que envolve aspectos cognitivos, afetivos e sociais a partir de seus referenciais histórico-culturais. Para Bronowski (1983), a obra de arte só existe quando a recriamos para nós. Pressupõe, assim, a participação ativa e efetiva do sujeito no processo de fruição. A partir dessa perspectiva, a arte pode oferecer oportunidades preciosas tanto para trabalhos em Psicologia quanto para a formação do psicólogo.

2.1 -A MÚSICA, A DANÇA , AS ARTES PLÁSTICAS COMO PROPULSORES DO BEM ESTAR.

De acordo com Weaver e Canning, no texto: A importância da arte para os deficientes mentais ( 1999) as atividades artísticas, desempenharão um papel fundamental na vida das pessoas. Segundo os referidos autores, eles definem as atividades artísticas, a diversão e lazer como meios importantes de assimilação, facilitando no processo de aprendizagem e como elemento chave no desenvolvimento psicomotor, social e psicossocial. Vantagens estas, que os ajudarão decisivamente no processo de desenvolvimento de aptidões, oferecendo-lhes oportunidades no senso de realização, ampliação da consciência corporal, desafios físicos e mentais, melhoria da auto-estima, extravazamento de emoções, através das expressões criativas.

O Psicoterapeuta poderá inserir em suas abordagens, manobras interventivas baseadas na arte e na livre expressão, onde o indivíduo poderá beneficiar-se de maneira positiva, ajudando-o assim em seu processo de melhora e restabelecimento gradual, onde poderá interferir decisivamente em sua psicodinâmica cerebral, atenuando sua problemática.

A música é vista como elemento propiciador da melhora de qualidade de vida das pessoas, porque poderá oferecer-lhe harmonia, momentos de paz e tranqüilidade, desenvolvendo o seu poder de expressão e criatividade e oferecendo-lhe subsídios para a ampliação de suas idéias e gostos. Estudos recentes apontam que a música clássica, poderia funcionar melhor que remédios tradicionais no tratamento de diversos males, até mesmo de doenças complexas – exemplo disto, são as sonatas de Amadeus Mozart ( 1756 – 1791). Seguindo os indícios, os médicos descobriram que “doses” de Mozart aumentariam a capacidade matemática e visual, reduziriam o stresse, dores de artrite, além de produzir efeitos positivos no coração de pessoas e em fetos, estimularia o cérebro do mesmo. Em testes com ratos e carpas, verificou-se melhora no senso de orientação e humor, principalmente com as notas de “ Eine Kleine Nachtmusik”.

O porquê dos efeitos ainda não é tão claro, mas muitos especialistas afirmam que a zona do cérebro que recebe e processa a música é a mesma da percepção espacial, por exemplo. Os estímulos provocados pela complexa e refinada música de Mozart, sobretudo a sonata K448, teriam um impacto benéfico na massa cinzenta – organizando e estimulando células nervosas precárias – em um processo comparável a impulsos elétricos.

A música, independente de ser aproveitada como terapia tradicional, possui a capacidade inerente de efetuar mudanças, justamente pela sua linguagem mais harmoniosa, extremamente afetiva, onde se observa o seu impacto terapêutico sobre a mente e o corpo. Determinados tipos de música, proporcionam as pessoas com conflitos ou não, efeitos mentais relaxantes, tranqüilizadores e tonificantes.

Nas palavras de Altschuler ( 1954) a importância da música está assim expressa em termos psiquiátricos:

“ Existem pacientes portadores de doenças nervosas e mentais, incapazes de serem atingidos pela palavra falada ( isto é, através do hemisfério dominante) por serem desatentos, distraídos, confusos, depressivos ou por estarem em estado alucinatório ou de ansiedade, o que torna o contato verbal quase impossível. A música, exatamente nesse caso, se faz útil. Não dependendo do hemisfério dominante para ter acesso ao organismo, a música pode ainda estimular por meio do tálamo – o centro retransmissor de todas as emoções, sensações e sentimentos. Uma vez tendo atingido o tálamo, o hemisfério dominante é automaticamente invadido e, persistindo a situação, um contato mais próximo entre o hemisfério dominante e o mundo da realidade pode vir a se estabelecer.” ( Altschuler, 1954 apud SEC/BA, P.30)

Na Dança temos Jung (1995) que diz que a terapia do futuro vai ser a do movimento. Já em Fux (1996, p. 82), ela comenta: “ ... a idéia de que as mudanças produzidas pelos movimentos corporais estariam ligadas a outros movimentos que não são imitados, ou movimentos próprios que levam o homem `a sua própria natureza”.

O objetivo principal da dança será o de resgatar a boa convivência, a partir de si próprio e com o outro, bem como resgatar a auto-estima.

A dança e o teatro poderá proporcionar ao ser humano, momentos de integração, socialização e harmonização, ajudando-o no desenvolvimento de habilidades motoras grossas, no equilíbrio e no sentido de auto-expressão.

Mafra ( 1977) diz que: “ As atividades criadoras estão indissoluvelmente ligadas ao desenvolvimento do homem “ ( ibid, p.38), sendo assim as mesmas são imprescindíveis ao homem e a construção dc sua vida. Elas irão ajudá-lo no processo de resgate e auto- realização, onde poderá expressar seus medos, anseios, dores, angústias, através da expressividade.

Segundo Mafra ( 1977, p.56) “ a atividade criadora constitui um instrumento de expressão objetiva, porque extravasa e exterioriza o pensamento, uma vez que os sentimentos são exteriorizados, através da criação, numa espécie de catarse, o indivíduo, poderá assim desbloquear antigos temores e libertar-se de traumas e idéias acrisoladas que o incomodam”.

2.2 – A arte como forma de cura

A Arte vem sendo utilizada constantemente para expressar os sentimentos do homem, suas emoções e o estado de sua alma, e busca assim através das manifestações artísticas, o contato consigo, para tentar unir os elos de seu “eu” que julga perdido. Mediante técnicas e vivências, aliadas a criatividade, o psicoterapeuta poderá utilizar-se destes recursos, para tentar ajudar seu paciente, desbloqueando assim emoções conflituosas, onde as manifestações artísticas deste ser, poderão lhe dar um roteiro de ajuda, na sua prática interventiva.

Jung (1995) já havia descoberto que as mandalas quando confeccionadas, atuariam terapeuticamente nas pessoas em estado de desorientação psíquica, e que as imagens das mesmas, produziria nelas sentimentos de ordem e organização.

Seria comum em seus pacientes desorientados psiquicamente, desenharem mandalas como forma espontânea de auto-cura ou melhora. Sabemos que a terapia através da arte, difere-se como um processo terapêutico que acontece mediante o emprego de modalidades expressivas diversas, e quão importante é dar livre expressão as imagens que guardamos. Se as imagens são objetivadas, através da escrita, desenho, pintura, modelagem, etc... facilita ainda mais a sua integração na consciência.

Mediante as práticas arteterapêuticas, dando-lhes bastante ênfase, que a Dra. Nise da Silveira, psiquiatra no Rio de Janeiro, conseguiu grandes progressos com os seus pacientes esquizofrênicos, onde introduziu com sucesso, as técnicas de desenhar e pintar. Os doentes que ela tratava, resgatava sua identidade através do canal da expressividade, chegando talvez até a sua renovação ou a reorientação de sua consciência.

A renomada psiquiatra, fundadora do Museu “ Imagens do Inconsciente” e pioneira do uso da arte para tratamento da alma de pacientes esquizofrênicos, brinda-nos com suas pesquisas baseadas nos trabalhos de Jung. Em 1954, Nise da Silveira enviou fotos das obras de seus pacientes para Jung e três semanas após, recebeu o seu agradecimento pelas desenhos. A repetição das mandalas nos trabalhos dos doentes impressionou profundamente o experimentado psiquiatra.

Nise da Silveira contribuiu de maneira enfática e decisiva para a reabilitação de doentes mentais esquizofrênicos do Hospital Psiquiátrico D. Pedro II no Rio de Janeiro. Ao invés de remédios e camisa- de- força, ofereceu-lhes tintas e pincéis. Os doentes mentais habituados aos efeitos colaterais dos medicamentos que lhes causavam sofrimentos, de repente puseram-se a criar, a se expressar por meio da arte. De suas mentes em “ curto-circuito” brotavam imagens fortes, geniais. As obras dos internos, hoje constam em 350 mil obras e tornaram-se referência no mundo inteiro.

A Dra. Nise vinha estudando apaixonadamente as relações entre arte e loucura e sua intuição dizia-lhe que pela arte, pessoas privadas da consciência, conseguiriam expressar o que lhes ia na alma sem precisar de palavras, mesmo porque muitos dos deficientes nem falavam. A psiquiatra montou oficinas de criação artística e pôs seus clientes para pintar, modelar e fazer teatro, porque achava que dando a eles um canal de expressão, talvez pudessem chegar à cura. Pela pintura, concluiu que os esquizofrênicos mais calados e de trato mais difícil começaram a manifestar sentimentos com muita força e beleza.

2.2.1 – O Psicoterapeuta combinando Imaginação e Fantasia

A atividade imaginativa é criadora por excelência, pois resulta da reformulação de experiências vivenciadas e da combinação de elementos constitutivos do mundo real, como imagens, idéias e conceitos, que vinculam a fantasia à realidade. Importante ferramenta para o psicoterapeuta, ele deverá saber explorar este campo, para pinçar elementos significativos, onde lhe servirá de valiosíssimo subsídio na construção e ajuda, no roteiro do paciente.

Vygotsky (1991,p.17), comenta sobre a imaginação, chama-nos a atenção para a sua infinita possibilidade de “...poder criar novos graus de combinações, mesclando primeiramente elementos reais (...) e assim sucessivamente “. Com isto, o processo imaginativo adquire autonomia e diversos graus de complexidade. Além disso, quanto maior a variedade de experiências, mais possibilidades existem para a atividade criadora e imaginativa. Há de se reconhecer que a produção imaginativa tem relação com a realidade, mas é constituída de novas elaborações, entre as quais,as afetivas e as sociais, o que a torna singular.

A imaginação criadora, portanto, em si já se mostra bastante complexa, mais ainda se considerarmos as diferenças de ordem bio psíquica-social do indivíduo.

Lembremos que todo trabalho pautado no desenvolvimento da observação, percepção e imaginação não pode ser desvinculado de atividades com caráter lúdico, por serem fundamentais no processo de experimentação e enriquecimento. O psicoterapeuta trabalhará através das” oficinas perceptivas”, onde a riqueza das elaborações expressivas e imaginativas do indivíduo, interagem e ganham forma, juntamente com os encaminhamentos oferecidos pelo psicoterapeuta, pois quando o mesmo souber intermediar os conhecimentos, ele será capaz de incentivar a construção e as habilidades do ver, do observar, do ouvir, do imaginar e do fazer deste indivíduo., através de suas representações.

O Psicoterapeuta proporcionando um clima de experimentação lúdica em suas terapias, através da arteterapia, esta será marcada por símbolos, que vão indicando todos os elementos expostos nos objetivos pessoais como nos sociais, o alcance do caminhar individual em direção a uma autoconsciência ou do autoconhecimento.

2.2.3 – A Criatividade e o Homem

A criatividade é vista como um potencial que só pertence ao homem. De acordo com Jung ( 1995), a criatividade é uma das cinco categorias responsáveis pelo comportamento do homem como elemento que o motiva, organiza e o dinamiza. Dessa

forma, a criação está para o processo de desenvolvimento do homem como um aspecto formador de suas atividades psicológicas superiores, como o pensar, a linguagem, a memória, a atenção e a motivação.

De acordo com Mafra: “ A atividade criadora constitui um instrumento de expressão objetiva porque exterioriza o pensa- mento, assinalando-lhes os valores e os ideais. É o meio de expressão comum aos homens, no tempo e no espaço...” MAFRA, 1977,p. 85

A utilização da arte como técnica terapêutica visa motivar, orientar e estruturar o desenvolvimento do pensamento complexo, como atividade psíquica, capaz de considerar todas as influências recebidas pelo sujeito.

Através do manejo de técnicas expressivas, como as desenvolvidas na arteterapia, o indivíduo se disponibiliza a relacionar as influências externas (forma criada) com as influências internas ( sujeito criador).

Para Gripp e Vasconcellos ( 1990), a arte é importante em qualquer processo de reabilitação. A expressão criativa, a linguagem e a motivação que partem do ser, propiciam uma experiência nova a este indivíduo, que é discriminado ou classificado por áreas que funcionam mal. O psicoterapeuta deve ajudar o cliente a separar-se de avaliações externas negativas e de auto-conceitos errôneos, auxiliando-o a reconhecer- se, aceitar-se, exercer autocontrole, aprender a fazer escolhas, verbalizar seus desejos, necessidades e pensamentos. Sendo assim, o uso de recursos artísticos é facilitador para tais processos, aonde apresenta importância irrelevante.

CONCLUSÃO

Dentro deste enorme universo está o homem, tentanto posicionar-se e harmonizar-se, buscando condições favoráveis para o seu ajustamento dentro da sociedade pela qual vive. Nesta busca pelo seu bem –estar ele procura soluções práticas e ajuda, de pessoas especializadas, para resolver seus problemas e com isso granjear melhor qualidade de vida. Essa forma de auxílio vem muitas vezes, personificada através do profissional psicólogo.

Dentro de sua enorme complexibilidade, sendo ele biopsicossocial, o homem necessita ser estudado e observado, sendo assim a psicologia deve atuar de sobre maneira, que abarque toda a relação existente, dentro desta perspectiva, utilizando-se de recursos que possam melhor entender o indivíduo. Compreendemos que um desses caminhos viáveis, é a abordagem da ARTE como forma de cura, onde o profissional utilizará suas manobras interventivas, ajudando e complementando na reforma do paciente como um todo e em sua dinâmica cerebral.

No presente trabalho, procuramos dar um enfoque a importância do trabalho do psicólogo, juntamente com suas intervenções e de como o mesmo atua, oferecendo assim todo um suporte necessário para tentar minimizar a problemática do seu paciente.

Apresentamos por vez, as práticas psicoterapêuticas como ferramentas importantes dentro de sua dinâmica de trabalho e como as mesmas são utilizadas.

Vislumbramos a especificidade da Arteterapia como um modelo terapêutico, bem como a sua incorporação, como instrumento e meio facilitador do processo, onde através da mesma, lhe atribuímos grande importância da ativação da função simbólica como fator imprescindível à saúde psicológica do indivíduo.

Pode ser usada por qualquer um que queira se aperfeiçoar e rever problemas como baixa auto-estima, dificuldades de relacionamento interpessoal, angústia, estresse e ansiedade. Pode aliviar sintomas de doenças, como câncer e vitiligo, e promover mais qualidade de vida. É usada também no tratamento de crianças e adolescentes hiperativos ou com dificuldade de aprendizado. Além disso, é recomendada, entre outras situações, na recuperação de quem sofreu traumatismos ortopédicos ou cerebrais. São infinitas, portanto, as possibilidades oferecidas pela arteterapia e sem dúvida um excelente recurso utilizado pelo psicoterapeuta.

parabéns pessoal pelo trabalho, realmente a arte é uma fabulosa ferramenta em nosso consultorio.
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