Introducao a economia, Exercícios de Fundamentos de Físicao. Universidade Norte do Paraná (UNOPAR)
Felipe.Alves
Felipe.Alves25 de Outubro de 2016

Introducao a economia, Exercícios de Fundamentos de Físicao. Universidade Norte do Paraná (UNOPAR)

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Introdução à economia

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Introdução à economia

Regina Lúcia Sanches Malassise Wilson Salvalagio

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Dados Internacionais de Catalogação na Publicação (CIP)

Malassise, Regina Lúcia Sanches M238i Introdução à Economia / Regina Lúcia Sanches Malassise; Wilson Salvalagio – Londrina: UNOPAR, 2014. 168 p.

ISBN 978-85-87686-51-0

1. Economia 2. Macroeconomia. I Título.

CDD-300

© 2014 by Unopar

Todos os direitos reservados. Nenhuma parte desta publicação poderá ser reproduzida ou transmitida de qualquer modo

ou por qualquer outro meio, eletrônico ou mecânico, incluindo fotocópia, gravação ou qualquer outro tipo de sistema de armazenamento e transmissão de informação,

sem prévia autorização, por escrito, da Unopar.

Diretor editorial e de conteúdo: Roger Trimer Gerente de produção editorial: Kelly Tavares

Supervisora de produção editorial: Silvana Afonso Coordenador de produção editorial: Sérgio Nascimento

Editor: Casa de Ideias Editor assistente: Marcos Guimarães

Revisão: Luciane Gomide Capa: Solange Rennó

Diagramação: Casa de Ideias

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Unidade 1 — Iniciação à economia ...............................1 Seção 1 Conceito de economia ........................................................3

1.1 Breve retrospecto do pensamento econômico .........................................5

Seção 2 Funcionamento da economia de mercado ........................17

2.1 Fatores de produção e necessidades humanas .......................................17

2.2 Problemas econômicos fundamentais e a questão da escassez ..............19

2.3 Sistemas econômicos e o papel do Estado .............................................20

2.4 Bens e serviços econômicos..................................................................24

2.5 Fluxo circular de renda .........................................................................25

2.6 Divisão da economia ............................................................................26

2.7 Economia e demais áreas do conhecimento ..........................................26

Unidade 2 — Elementos básicos de macroeconomia ................................31

Seção 1 Macroeconomia: conceitos básicos..................................32

1.1 Objetivos de política econômica ..........................................................33

1.2 Estrutura da análise macroeconômica ..................................................56

Seção 2 Entendendo os indicadores econômicos ..........................58

2.1 Produto Interno Bruto (PIB) ...................................................................58

2.2 Índices de inflação ................................................................................62

2.3 Medindo o desemprego ........................................................................63

2.4 Rendaper capita ...................................................................................63

2.5 Balanço de pagamentos ........................................................................64

2.6 Dívida externa ......................................................................................66

2.7 Carga tributária .....................................................................................66

Sumário

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vi I N T R O D U Ç Ã O À E C O N O M I A

2.8 Dívida interna pública ..........................................................................66

2.9 Base monetária/meios de pagamentos ...................................................66

2.10 Taxa de juros .......................................................................................67

2.11 Reservas cambiais ...............................................................................67

Unidade 3 — Noções de economia brasileira ..............71 Seção 1 Transformações econômicas nos anos recentes .................73

1.1 Um mundo em transformação ..............................................................73

1.2 Processo inflacionário brasileiro ...........................................................79

1.3 Planos de combate à inflação até 1994 .................................................81

Seção 2 Plano Real .........................................................................84

2.1 Processo de implantação e os primeiros anos .......................................84

2.2 Atividade econômica nos primeiros anos do real ..................................87

2.3 Segundo governo FHC ..........................................................................90

2.4 Plano Real sob o governo Lula ..............................................................92

2.5 Alguns resultados do governo Lula ........................................................93

2.6 Plano Real sob o governo Dilma Rousseff .............................................93

Seção 3 Sistema financeiro nacional ..............................................96

3.1 Conceito, evolução e atualidade do SFN ..............................................96

3.2 Estrutura do sistema financeiro nacional ...............................................96

Unidade 4 — Elementos básicos de microeconomia ..105 Seção 1 Análise de mercado .........................................................106

1.1 Pressupostos da análise microeconômica ............................................106

1.2 Demanda e seus determinantes ...........................................................111

1.3 Deslocamentos da curva de demanda ................................................117

Seção 2 Estruturas de mercado ....................................................123

2.1 Concorrência pura ou perfeita ............................................................124

2.2 Oligopólio ..........................................................................................125

2.3 Monopólio ..........................................................................................126

2.4 Concorrência monopolística ...............................................................126

2.5 Demais estruturas de mercado ............................................................128

2.6 Concentração de mercado ..................................................................128

2.7 Markup ...............................................................................................129

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S u m á r i o vii

2.8 Outras considerações sobre o preço do produto .................................129

2.9 Economias de escala ...........................................................................130

2.10 Arranjo Produtivo Local (APL’s) .........................................................130

Unidade 5 — Tecnologia, produção e receitas das firmas ............................................139

Seção 1 Estudo da produção ........................................................140

1.1 Produção ............................................................................................141

1.2 Produtividade .....................................................................................142

Seção 2 Custo de produção e receita ...........................................144

2.1 Custos de curto prazo .........................................................................144

2.2 Observações adicionais sobre a teoria dos custos de produção ...........145

2.3 Receita da firma ..................................................................................147

2.4 Break-Even Point .................................................................................147

Referências ................................................................149

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O crescimento e a convergência do potencial das tecnologias da informação e da comunicação fazem com que a educação a distância, sem dúvida, contribua para a expansão do ensino superior no Brasil, além de favorecer a transformação dos métodos tradicionais de ensino em uma inovadora proposta pedagógica.

Foram exatamente essas características que possibilitaram à Unopar ser o que é hoje: uma referência nacional em ensino superior. Além de oferecer cursos nas áreas de humanas, exatas e da saúde em três campi localizados no Paraná, é uma das maiores universidades de educação a distância do país, com mais de 450 polos e um sistema de ensino diferenciado que engloba aulas ao vivo via satélite, Internet, ambiente Web e, agora, livros‑texto como este.

Elaborados com base na ideia de que os alunos precisam de instrumentos di‑ dáticos que os apoiem — embora a educação a distância tenha entre seus pilares o autodesenvolvimento —, os livros‑texto da Unopar têm como objetivo permitir que os estudantes ampliem seu conhecimento teórico, ao mesmo tempo em que aprendem a partir de suas experiências, desenvolvendo a capacidade de analisar o mundo a seu redor.

Para tanto, além de possuírem um alto grau de dialogicidade — caracterizado por um texto claro e apoiado por elementos como “Saiba mais”, “Links” e “Para saber mais” —, esses livros contam com a seção “Aprofundando o conhecimento”, que proporciona acesso a materiais de jornais e revistas, artigos e textos de outros autores.

E, como não deve haver limites para o aprendizado, os alunos que quiserem ampliar seus estudos poderão encontrar na íntegra, na Biblioteca Digital, acessando a Biblioteca Virtual Universitária disponibilizada pela instituição, a grande maioria dos livros indicada na seção “Aprofundando o conhecimento”.

Essa biblioteca, que funciona 24 horas por dia durante os sete dias da semana, conta com mais de 2.500 títulos em português, das mais diversas áreas do conhe‑ cimento, e pode ser acessada de qualquer computador conectado à Internet.

Carta ao aluno

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Somados à experiência dos professores e coordenadores pedagógicos da Unopar, esses recursos são uma parte do esforço da instituição para realmente fazer diferença na vida e na carreira de seus estudantes e também — por que não? — para contribuir com o futuro de nosso país.

Bom estudo!

Pró‑reitoria

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A disciplina de Introdução à Economia propiciará a você, aluno, conhecimentos básicos da economia.

Para entendermos a importância da economia na vida das empresas e das pes- soas, é importante compreendermos que o estudo da economia tem por objetivo formular propostas a fim de resolver ou minimizar os problemas econômicos, atendendo, assim, às necessidades humanas e promovendo o bem-estar de cada um. Dessa forma, podemos conceituar a economia como uma ciência social que estuda de que forma a sociedade decide empregar os recursos produtivos escassos, ou seja, os fatores de produção terra, trabalho e capital, a fim de mais bem atender às necessidades da coletividade.

O estudo da teoria econômica divide-se em duas partes: a microeconomia, que trata do estudo de mercados individuais — os agentes econômicos privados —, verificando como se comportam os consumidores e os produtores nesse mercado, como se dá a formação de preços dos produtos; e a macroeconomia, que analisa os agregados econômicos, buscando estudar o comportamento da produção total de bens e serviços do país, bem como a evolução da inflação, os investimentos totais da economia, as exportações, a renda etc.

Apresentação

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Seção 1: Conceitos de economia

Nesta seção abordaremos as noções conceituais de economia e discutiremos os itens: necessidades hu- manas e fatores de produção. Finalizaremos com uma breve evolução do pensamento econômico.

Seção 2: Funcionamento da economia de mercado

Nesta seção será abordada a forma como os econo- mistas descrevem a atividade econômica. Discutire- mos os itens: bens econômicos, sistemas econômicos e problemas econômicos num contexto de economia de mercado.

Objetivos de aprendizagem: Nesta unidade você será levado a co- nhecer os conceitos básicos de economia. Assim, você aprofundará seus conhecimentos sobre o funcionamento da atividade econômica.

Regina Lucia Sanches Malassise

Iniciação à economia

Unidade 1

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Introdução ao estudo

Para que o gestor possa tomar as decisões nas empresas que administra é impor- tante que ele conheça a lógica econômica. Independente do tamanho da empresa é necessário conhecer a evolução da economia, sua conjuntura, suas perspectivas futuras e principalmente seu estágio atual. Não há possibilidades de gerir qualquer atividade se o gestor não compreender o significado da economia para o mercado.

Para entendermos a importância da economia na vida das pessoas é importante compreendermos que o estudo da economia tem por objetivo formular propostas a fim de resolver ou minimizar os problemas econômicos, atendendo, assim, às necessidades humanas e promovendo o bem-estar de cada um. Dessa forma, pode- mos conceituar a economia como uma ciência social que estuda como a sociedade decide empregar os recursos produtivos escassos, ou seja, os fatores de produção terra, trabalho e capital, a fim de mais bem atender às necessidades da coletividade (VASCONCELLOS; GARCIA, 2006).

Necessidades humanas: Desejo de compra de bens e serviços, que podem surgir em função das necessidades próprias de subsistência de cada um; em função do meio em que se vive; ou em função de aspectos psicológicos que induzem ao surgimento de necessidades nas pessoas.

Para saber mais

Ciência social: Estuda o homem e seu convívio em sociedade em momentos históricos preestabelecidos.

Para saber mais

Nesta unidade iremos conhecer os conceitos básicos da economia, seus objetivos, os problemas econômicos fundamentais e o uso dos fatores de produção como ele- mentos essenciais para o funcionamento do processo econômico. O conhecimento obtido com o estudo desta unidade permitirá ao aluno compreender o processo eco- nômico desde seus objetivos básicos, que desencadeará na formação de conceitos econômicos que contribuirão para o entendimento dos outros aspectos da economia, que serão vistos nas demais unidades.

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I n i c i a ç ã o à e c o n o m i a 3

Seção 1 Conceito de economia

A palavra economia deriva do grego oikonomía, originada de óikos, que significa casa, e nómos, que significa lei, tendo, portanto, a significação de administração de uma casa, ou do Estado. Podemos, então, definir a economia como:

Uma ciência social que estuda como o indivíduo e a sociedade decidem empregar recursos produtivos escassos na produção de bens e serviços, de modo a distribuí-los entre as pessoas e grupos da sociedade, a fim de satisfazer as necessidades humanas. Em qualquer sociedade, os recursos ou fatores de produção são es- cassos; contudo as necessidades humanas são ilimitadas, e sempre se renovam. Isso obriga a sociedade a escolher entre alternativas de produção e de distribuição dos resultados da atividade produ- tiva aos vários grupos da sociedade (VASCONCELLOS; GARCIA, 2004, p. 2).

Desse conceito podemos destacar algumas palavras-chave. Comecemos por ciência, que em linhas gerais é um termo utilizado para definir todas as áreas do conhecimento que tem método de estudo. As análises econômicas têm por base um método de estudo.

O pai da ciência é Galileu Galilei, italiano que viveu entre 1564 e 1642, que observou os fenô- menos mais comuns da natureza e a regularidade com que eles ocorriam procurando descrevê-los com detalhes de cálculo e matemáticos. De seus estudos nasceu o método científico.

Para saber mais

Depois destacamos o termo social; como vocês já ouviram muitas vezes, o homem é um ser social, isto é, vive em grupos e sob determinada organização social. Isso quer dizer que temos leis, normas e regras que devem ser seguidas para garantir um bom convívio social, ou seja, garantir não só o convívio, mas também a sobrevivência do grupo.

O homem vive em sociedade, o todo social exige certo nível de organização para que as atividades que promovem a existência e subsistência do homem sejam possíveis. Para saber e entender mais sobre o tema organização social você deve estudar o material indicado acessando o link:

RIBEIRO, Paulo Silvino. O que é organização social? Disponível em: <http://www.brasilescola.com/ sociologia/o-que-organizacao-social.htm>. Acesso em: 23 out. 2012.

Saiba mais

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Depois destacamos a palavra decidem, o que quer dizer que os homens terão que fazer escolhas. Feita a escolha eles empregam, ou seja, utilizam os fatores produtivos. Recursos produtivos, fatores de produção ou meios de produção referem-se aos recur- sos utilizados pela sociedade para produzir bens e serviços. Eles estão agrupados em grandes categorias como: recursos naturais, recursos humanos, capital, tecnologia. Mais à frente falaremos deles com mais detalhes.

Quanto às palavras bens e serviços, trata-se de itens produzidos para satisfazer as necessidades humanas. Conforme veremos mais à frente eles recebem diferentes classificações.

Quanto às necessidades humanas destacamos que as pessoas procuram bens e serviços porque eles são úteis, ou seja, satisfazem alguma necessidade. Um exemplo de como são e evoluem as necessidades humanas é representado pela Hierarquia das Necessidades de Maslow. Segundo essa teoria os seres humanos têm desde necessi- dades básicas, que estão na base da pirâmide, até necessidade de autorrealização, que está no topo da pirâmide. Muitas dessas necessidades precisam de diversos bens e serviços para serem satisfeitas. Assim, com esse exemplo, podemos ver que as ne- cessidades se transformam e evoluem; se pensarmos na humanidade toda, veremos que de fato elas são ilimitadas.

Falando especificamente dos produtos e serviços. Se você pensar um pouco verá que existe uma infinidade de produtos e serviços que se destinam à satisfação dessas necessidades. Não que elas dependam somente de recursos materiais para serem sa- tisfeitas, mas, como estamos no campo da economia, devemos observar quais delas podem ser supridas pela existência de recursos materiais e disponíveis no mercado de bens e serviços.

A palavra escasso vem do termo escassez. Esse termo pode ser entendido como referência a valores absolutos, como se produzirmos todos os bens e serviços para satisfazer todas as necessidades até que todos os seres humanos estejam satisfeitos, com certeza esgotaremos os recursos naturais do planeta. Ou em termos relativos, quando, por exemplo, temos um aumento no preço do açúcar, a cana (que é um recurso natural) é direcionada para produção de açúcar, então ocorre queda da pro- dução de etanol no mercado interno.

Essa escassez é momentânea até que a nova safra de cana seja produzida ou que os produtores reduzam a produção de açúcar e direcionem a cana para produção de etanol. Assim, outros exemplos podem ilustrar a escassez: o tempo que você estuda não pode ser utilizado em lazer; quando vai ao supermercado seu dinheiro é limitado e você terá que escolher o que comprar assim como as quantidades; a fábrica de confecções tem máquinas que devem ser utilizadas na produção de roupas, mas o em- presário deverá escolher o que produzir já que a demanda por roupas é diversificada.

Do conceito de economia podemos, então, concluir que, se há produção de bens e serviços e eles satisfazem as necessidades humanas, ao mesmo tempo isso atende a uma questão econômica. Por meio da produção dos bens, gera-se riqueza que será distribuída pela sociedade. Também podemos ver que do conceito de economia

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emanam todos os demais estudos da economia que se complementam e ao mesmo tempo permitem sistematizar a análise econômica.

Não há sociedade que não tenha as necessidades como grande desafio a ser vencido. Assim, a economia tem como tarefa primordial empregar adequadamente os fatores de produção para possibilitar o atendimento desse grande desafio. Mas podemos também dizer que nesse processo estamos gerando, criando e distribuindo riqueza, então, entender como a riqueza se distribui e como isso afeta o mundo é uma das preocupações da economia.

Assim, quer da ótica do estudo da melhor alocação de recursos escassos, quer da ótica da investigação sobre a riqueza, tivemos vários economistas de diferentes escolas do pensamento econômico que estudaram e explicaram a economia de acordo com suas concepções. Na sequência veremos, de maneira resumida, a evolução do pensamento econômico.

1.1 Breve retrospecto do pensamento econômico a) Mercantilistas: foram os primeiros economistas a estruturar al-

gumas observações com sentido econômico. Sua preocupação com o poder de uma nação levou-os a pregar que a acumulação de metais preciosos era fundamental para o crescimento do país. Então, incentivaram a balança comercial positiva, a exploração de outras fronteiras e o estabelecimento de colônias, além de apoiarem a centralização do poder nas mãos dos monarcas.

b) Fisiocratas: suas ideias sobre crescimento estavam centradas na agricultura, pois na visão desse grupo somente a terra tinha a capacidade de multiplicar um produto, pois recebia uma semente e devolvia muitas outras. Também pregavam que o funcionamento da economia se dava via fluxo, assim a riqueza circulava pela economia, como o sangue nas veias, em dois fluxos que ficaram conhecidos como fluxo real e fluxo nominal. Para que esse fluxo funcionasse corretamente os homens preci- sam agir livremente sem a intervenção do Estado. Dessa forma prevaleceria na economia o laissez-faire. Com essas condições toda riqueza gerada na produção, circulação e distribuição de mercadorias seria reaplicada na própria economia fazendo-a crescer.

c) Economia clássica: estes partiram do laissez-faire e acrescenta- ram a ideia de que ele promoveria, por meio da mão invisível, o melhor bem-estar. Essa ideia é mais bem entendida se ob- servarmos que a racionalidade dos homens os levaria a buscar o melhor para si. Num mundo onde todos os homens agem, buscando o melhor para si, prevaleceria o melhor para todos. As nações cresceriam porque seus cidadãos teriam empresas e buscariam produzir mais e melhor para poder vender aos demais países. O aumento da produção seria conquistado com a divisão do trabalho, conforme descreve Adam Smith, na obra Riqueza das Nações (1776), e pela aplicação da lei de Say criada por Jean Baptiste Say (1803), que também aceitava que a oferta cria sua própria procura. Além disso, um país poderia obter bene-

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fícios ao se especializar na produção de bens nos quais tivesse vantagem comparativa em relação aos demais países, conforme destacou David Ricardo (1817). Porém, um ponto importante de preocupação já era o crescimento populacional. Thomas Malthus (1798) alertava para tal, enfatizando que a população crescia mais rapidamente que a produção de alimentos. Assim, a escola clássica elabora suas suposições sobre o funcionamento da economia e geração de riqueza observando os fatos históricos e necessidades da Revolução Industrial. Essa forma de pensar a economia será dominante até a crise de 1930.

d) Pensamento de Karl Marx: economista que viveu entre 1818 e 1883, Marx trabalhou junto com Friedrich Engels (1820-1895) e fizeram uma leitura histórico-crítica da economia na obra O Capital. Em sua obra, capital é uma relação social que surge com a burguesia e cria duas classes sociais, os capitalistas e os proletários. Os capitalistas são os donos dos meios de produção e ampliam sua riqueza pela extração da mais-valia. A mais-valia é a diferença existente entre o valor produzido pelos proletários e o valor pelo qual foram contratados.

A forma de geração de riqueza seria a extração da mais-valia, prática comum a todos os capitalistas. Ao longo do tempo a perpetuação dessa prática avança dando origem as duas leis que explicam o movimento do capital na geração de riqueza, são elas: a concentração e a centralização de capitais. Na primeira, as empresas maiores absorvem as menores e, na segunda, as grandes empresas disputam o mercado entre si, surgindo as fusões, aquisições de grandes grupos empresariais. Assim, a forma como o capitalismo evolui levaria ao seu fim na medida em que os capitais se fundissem até restar um grande capital e um grande contingente de proletários/trabalhadores excluídos. Para Marx, somente a união dos trabalhadores poderia por fim ao avanço predatório do capitalismo, por isso ficou célebre sua frase “trabalhadores do mundo todo uni-vos”.

A forma como Marx explicou o funcionamento da economia capitalista e o alerta de seus seguidores como Michal Kalecki (1899-1970) levantaram as suspeitas sobre a tendência à superprodução do sistema capitalista, o que foi uma grande contribuição para a teoria econômica. Porém, essas obras foram pouco divulgadas e tiveram pouco impacto no pensamento econômico da época. Um dos motivos para isso era tocar em pontos delicados sobre a geração e distribuição da riqueza, pois essa visão abordava a questão de luta de classes que surge do direito da propriedade privada dos meios de produção e que é uma discussão muito maior do que aceitar as leis naturais ou a mão invisível, conforme destacavam os clássicos.

Singer (1987) sugeriu uma leitura simples e acessível da forma de análise do pensamento de Karl Marx. Segundo ele, o capitalismo sugere uma série de imagens e ideias, dentre elas destaca: o capitalista, que é o dono do capital, é um sujeito rico; a existência de uma enorme variedade de bens e serviços; a ideia de especulação ou ganho financeiro com a valorização de alguma mercadoria; a busca incessante e concorrência pelo dinheiro; a ideia de que tudo vira mercadoria, isto é, pode ser vendido no mercado, assim, é possível transformar tudo o que é desejável em objeto

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de comércio, quando não é possível arrumam-se sucedâneos para estes, por exemplo, amor não se vende, mas sexo sim.

Esta leitura se explica pela análise histórica da evolução da economia. Nas eco- nomias anteriores ao capitalismo: os bens eram intercambiados em feiras sazonais ou mercados permanentes; as pessoas produziam para seu consumo básico e não dependiam do mercado para isso; o dinheiro era importante para adquirir bens de ostentação.

Assim, o tempo dedicado a ganhar dinheiro devia ser menor que o tempo dedicado ao autoconsumo e as atividades não econômicas de cunho religioso e recreativo. A produção era artesanal, realizada em unidades pequenas, corporações de ofícios. Nesses casos havia uma limitação do volume da produção cujo objetivo era manter o preço justo. Além disso, para manter a qualidade dos produtos, proibiam-se as inovações técnicas valorizando a tradição e a defesa das vantagens adquiridas no passado; essa economia prevalece na Idade Média.

Surge no século XVI o capitalismo manufatureiro como fruto da formação do mercado mundial e das grandes navegações. Nele ganham destaque os produtos com grande densidade de valor, como ouro, prata, tabaco. Com o crescimento dos mercados, o capital, que antes circulava mercadorias e valores, adentra a produção e torna-se manufatureiro. Na Europa muitos empresários capitalistas investem e em- pregam muitas pessoas para atender a demanda dos novos mercados, que surgem com a queda das barreiras que os separavam. O desenvolvimento da navegação é condição necessária para a unificação dos mercados, e o acesso econômico a esses mercados foi garantido pelas monarquias, que contribuíram para a superação das cor- porações. De forma geral, o avanço do capitalismo manufatureiro foi lento e desigual (em consequência da exploração das metrópoles sobre as colônias), e alcança melhor desenvolvimento na Grã-Bretanha criando condições para a Revolução Industrial.

Reunindo vários trabalhadores sobre o teto da fábrica o capitalista pode, por meio da divisão técnica do trabalho, alcançar maior escala de produção e maior produtivi- dade do trabalho. A divisão técnica do trabalho dentro da manufatura proporcionava aumento de produtividade de três formas: poupando tempo concentrando o trabalha- dor em uma única atividade, aumentando a destreza e especialidade naquele trabalho, e ensejando a invenção de várias ferramentas adaptadas a cada tipo de trabalho.

Aos poucos as atividades de subsistência começaram a ser incorporadas à econo- mia capitalista (de mercado). Do desligamento do trabalhador da produção de bens para sua subsistência surge o assalariamento (proletários puros), o mercado de bens para assalariados que também atendia os demais dependentes do mercado, ou seja, aquelas pessoas que compravam no mercado as mercadorias para sua subsistência.

No capitalismo industrial, a maquinofatura substitui o trabalho do homem pelo da máquina na realização de tarefas, assim o operário é reduzido a servente da máquina, cuja força, velocidade e regularidade são superiores às dele. Enquanto o capitalismo manufatureiro desejava a unificação do mercado nacional e necessitava, para isso, da intervenção do Estado (no mercantilismo cabe ao Estado promover as exportações

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e limitar as importações), o capitalismo industrial se inspira no liberalismo e sua es- tratégia de expansão requer unificação de todos os mercados locais e nacionais com livre concorrência em todos eles. “É autoconfiante, pois sua superioridade produtiva dá-lhe confiança de poder vencer a competição. O liberalismo é o estandarte sob o qual a burguesia luta e conquista a hegemonia econômica e política” (SINGER, 1987, p. 19).

A ofensiva capitalista tem como motor o desenvolvimento das forças produtivas e a eliminação das barreiras institucionais à livre concorrência. O capitalismo in- dustrial acelera o desenvolvimento das forças produtivas mediante o progresso das ciências físicas e a sistemática aplicação dos seus resultados na atividade produtiva. O ensino científico foi se transformando em função da necessidade do novo modo de produção, de tal forma que:

O prestígio da física nas universidades não ultrapassou o da astrono- mia até que o industrialismo ultrapassasse o mercantilismo. Há um extraordinário desenvolvimento das forças produtivas pelo capita- lismo industrial, resultado tanto do fomento da atividade científica quanto da estreita ligação com os laboratórios das fábricas, é isto que explica o aumento da produtividade e o barateamento dos preços das mercadorias produzidas. O capitalista fomenta a sistemática redução de custos e de preços. Ainda sobrou espaço para a produção simples de mercadorias, mas a produção capitalista ocupa maior parte da economia de mercado (SINGER, 1987, p. 20).

Na economia capitalista, a acumulação de capital tem se processado via desen- volvimento capitalista das forças produtivas criando novos produtos e provocando uma progressiva atrofia na produção para autoconsumo, uma vez que cada vez mais produtos, e serviços análogos aos feitos pela própria pessoa estão disponíveis no mercado a preços mais acessíveis. Por exemplo, máquina de lavar roupa e louça, aspirador de pó etc. Dessa maneira, a economia de mercado se diversifica e atrai parcela significativa da população, inclusive donas de casa ao mercado de trabalho. “A oferta de novos produtos suscita novas necessidades, cuja satisfação requer ele- vação da renda familiar” (SINGER, 1987, p. 23). Dessa maneira, o capital cria para si novas oportunidades perenes de expansão.

a) Neoclássicos: a partir de 1870 surge um grupo de economistas que propõem estudar a alocação ótima dos fatores de produ- ção em seus usos alternativos destacando o princípio marginal na produção. Por essa ótica os agentes são maximizadores, os consumidores querem bens úteis e os produtores querem ter mais lucro. Assim as decisões dos agentes (consumidores e produtores) dependem do custo-benefício proporcionado pelas suas escolhas. Quanto mais útil mais valorizado, e quanto maior o lucro maior a produção. A concorrência em todos os merca- dos desempenha um papel importante, pois é ela que garante que não haverá excesso nem escassez de produtos e serviços. Assim, essa teoria se desenvolve explicando o funcionamento da economia com base nos fundamentos microeconômicos da

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empresa e das famílias com ênfase na utilidade, na tendência ao equilíbrio e na racionalidade dos agentes.

b) Teoria keynesiana: John Maynard Keynes foi um economista inglês que viveu entre 1883 e 1946, e escreveu a obra Teoria Geral do Emprego dos Juros e da Moeda em 1936. Na década de 1930 ocorre a Grande Depressão, período no qual se obser- vam muitas falências com aumento expressivo do desemprego e da miséria. Keynes associava essa crise ao fato de a capaci- dade de produção ser muito maior que a demanda. Para ele a economia tinha um problema de demanda efetiva. Para ele o laissez-faire e a mão invisível haviam falhado e o mercado não era autorregulado. Assim, se houvesse produção maior que demanda, deveria haver intervenção do Estado no sentido de conduzir a demanda efetiva aproximando-a da oferta. Nas aná- lises keynesianas destaca-se que a demanda de bens (o destino dos bens produzidos) é realizada para consumo, investimento, gasto público e ainda exportações. Em suas observações veri- ficou que o consumo é mais estável, porém os investimentos não. Assim, em períodos de baixo investimento o gasto público deveria se elevar para estimular a demanda e o aumento dos investimentos, e em períodos de grande investimento deveria agir de maneira contrária. Dessa forma, ao destacar o papel do Estado na condução da economia, Keynes abre um novo cami- nho para a resolução das crises econômicas. As políticas postas em prática a partir de então alcançaram resultados positivos até os anos 1970 quando da ocorrência dos choques do petróleo.

c) Desenvolvimentos recentes: nesse ponto tomamos por base os estudos de Souza (2003), que destaca mais detalhes sobre os desenvolvimentos recentes. Depois da grande crise de 1930 surge os neoclássicos que aceitam certo grau de intervenção do Estado na economia para contornar os problemas das falhas de mercado. Surge também a síntese neoclássica que propõe ações deliberadas de política fiscal e monetárias para conduzir a economia ao equilíbrio. Seu instrumento de análise ficou co- nhecido como modelo IS-LM. Depois vêm os monetaristas que acreditam que o controle da moeda pode reduzir os desequilí- brios do mercado. Seguem as novas teorias do crescimento que destacam o papel do progresso técnico como outro importante fator de produção que gera riqueza e crescimento das nações.

d) Economia política da sustentabilidade: o que há de mais recente nas discussões econômicas é a questão da sustentabilidade (MAY, 2010). Nesse contexto duas novas correntes se destacam, a economia ecológica, para a qual o fluxo econômico de produ- ção de bens e serviços está limitado pela capacidade de carga suportada pelo meio ambiente, e a economia ambiental para a qual a possibilidade de substitubilidade perfeita entre os fatores de produção e o avanço tecnológico relativiza o esgotamento ambiental. Sobre essas novas vertentes o impacto ambiental da produção de bens e serviços é uma questão fundamental, bem como encontrar caminhos para contorná-las privilegiando a questão da sustentabilidade.

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1.1.1 Entendendo a diferença entre marxista, neoclássicos e keynesianos

Paul Singer escreveu em sua obra O que é economia, publicada em 2003, um importante retrospecto comparativo entre duas grandes escolas do pensamento eco- nômico. Tomando por base essa obra destacamos os pontos mais relevantes dessas diferenças nas linhas a seguir.

O termo economia pode ter vários significados, mas três entendimentos são con- siderados mais relevantes. O primeiro é ser austero no uso dos valores; o segundo refere-se à atividade econômica como aquela que visa ganho pecuniário e que pro- porciona um rendimento em dinheiro; o terceiro refere-se à ciência econômica, que é a sistematização do conhecimento sobre a economia enquanto atividade.

O autor destaca que o entendimento mais importante é o terceiro, no qual a Economia é considerada uma Ciência. E para isso discutirá inicialmente o que é eco- nomia enquanto atividade. Deve-se destacar que tudo que é referente à economia é controverso, isto é, tem sempre mais de uma teoria e entendimento, e é exatamente isso que movimenta os apaixonados debates econômicos.

Quando estudamos a economia como atividade, percebemos uma clara contro- vérsia entre marxistas e marginalistas destacando que “[...] enquanto uma escola – de inspiração marxista – a concebe como social, a outra – de tradição marginalista – a concebe como sendo individual” (SINGER, 2003, p. 9). As diferentes concepções dessas duas escolas do pensamento econômicos são sintetizadas no Quadro 1.

Quadro 1.1 Atividade econômica na visão de marxistas e marginalistas

Aspectos Marxistas Neoclássicos/marginalista

Abrangência da Ciência Econômica

É uma ciência social que tem como foco de estudo o coletivo da sociedade.

É uma ciência social, porém seu foco de estudo é o indivíduo em sociedade.

Como a economia é posta em prática

Por meio da divisão social do trabalho = especialização de grupos na execução de tarefas distintas.

Por meio da divisão do trabalho, porém a produtividade individual é a justificativa para isso.

O papel desempenhado pelos agentes

Os agentes já nascem num modo de produção predeterminado, o modo de produção hierarquiza os participantes em classes sociais, que se reproduzem dentro de processos sociais. O cidadão é fruto do meio.

Os agentes atuam autônoma e individualmente. Suas escolhas ocorrem sempre da mesma forma pela análise de vantagens versus desvantagens. O indivíduo é o resultado de suas escolhas.

continua

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A tarefa do economista ou qualquer pessoa que queira entender a eco- nomia

Analisar como o modo de produção redistribui a riqueza por meio da hierarquização dos participantes (classes sociais) e como essa hierarquia se reproduz (diferenciação, propriedade privada etc.).

Analisar as escolhas dos agentes de acordo com o princípio maximizador (vantagem versus desvantagem). As diferenças sociais provocadas pelo meio são objeto de estudo de outras áreas de estudos sociais.

Como entendem as ati- vidades para uso próprio (Ex: guardar roupa)

Não fazem parte da economia social.

Fazem parte da economia e são uma escolha racional. Porém, as contas nacionais apresentam apenas atividades remuneradas.

Fonte: Do autor.

Na discussão sobre a economia como ciência existem diferenças entre as duas escolas, em especial quanto à natureza e origem dos problemas econômicos.

Para os marxistas a economia política é uma ciência social total, ou seja, ela re- sulta da vida econômica do homem em sociedade, o homem e a sociedade evoluíram historicamente. A evolução do modo de produção (objeto de estudo da economia política) sempre foi marcada por conflitos distributivos. A economia política estuda a evolução histórica do modo de produção e como se distribuem socialmente as riquezas por ele geradas. A economia se diferencia das outras áreas sociais porque seu foco está na conjuntura econômica.

Para os marginalistas a evolução natural (o mais forte vence) seleciona os agentes, as pessoas tomam decisões econômicas sempre da mesma forma, ou seja, visando obter maior benefício (princípio do egoísmo/hedonismo). Eles propõem o estudo da economia pura (concorrência perfeita) no qual alguns pressupostos (hipóteses) devem existir, tais como: atomicidade dos agentes (pequenos produtores que obedecem um preço de mercado para suas mercadorias), os agentes são racionais (tomam decisões sempre visando o melhor para si) e conhecem as condições de oferta (custos e bene- fícios) e de demanda (buscam satisfação máxima no consumo) de cada setor, todos os agentes (empresários e consumidores) são maximizadores de vantagens econômicas, alguns buscam maior lucro (empresário), outros, maior utilidade para as mercadorias que adquirem (consumidor).

No sistema capitalista, para Keynes, as empresas produzem mercadorias (valores de uso), para isso adquirem fatores de produção (trabalho, espaço, capital) que são remunerados (salários, aluguéis, juros, dividendos e lucro líquido). As mercadorias têm um preço que é resultado da soma dos custos de produção mais uma margem de lucro. Para toda mercadoria deve haver uma demanda solvável (demanda pelo produto e possibilidade de venda do mesmo). Esta refere-se à realização das merca- dorias (venda) que só ocorre caso as pessoas necessitem do produto e tenham renda para adquiri-los. Para os marginalistas a existência da Lei de Say (a oferta cria sua própria procura = tudo que for produzido será vendido), da mão invisível (o egoísmo e hedonismo) e o laissez-faire (liberdade de mercado) conduz ao melhor dos mundos,

continuação

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onde não haverá excesso (porque um setor que der prejuízo não terá produtores e um setor com muito lucro atrairá muitos produtores) nem escassez de produtos. Caso não haja nenhuma interferência do governo nas leis de mercado, ele tenderá a manter equilibrado o ciclo de produção-distribuição-consumo, por meio da lei da oferta e procura. Os mercados funcionando livremente não falham.

Para os marxistas, o ciclo produção-distribuição-consumo, da economia capita- lista, contém conflitos sociais de distribuição de renda. Os empresários reinvestem parte dos lucros e isso aumenta a capacidade de produção, porém, ao adotarem a estratégia de reduzir custo, reduzem o número de empregados e pagam baixos salários. Se todos os empresários agem da mesma forma e sendo os consumidores compostos por grande número de empregados, que diminuem em número (aumento dos desempregados) ou têm o salário reduzido, como consequência afeta-se o con- sumo. Dessa forma, a demanda solvável não cresce de acordo com a produção e nesse caso haverá excesso de produção, estoques e capacidade ociosa nas empresas. E o consumo será cada vez menor por parte dos empregados.

Ocorre que a economia não foi sempre capitalista, ela começa com a criação do trabalho assalariado, que ocorre com a separação do pequeno produtor dos meios de produção de sobrevivência (autoconsumo). O capitalismo se espalha pelo impe- rialismo dos países mais adiantados na Revolução Industrial e que impõem a partir daí uma divisão internacional do trabalho. Num mundo em que a industrialização se expandia, era necessário um número cada vez maior de trabalhadores.

Os primeiros regimes democráticos eram elitistas (só empresários podiam votar); com o crescimento da massa de trabalhadores assalariados os movimentos sindicais ganham força e conquistam o direito ao voto para os trabalhadores. Os trabalhadores elegem aqueles que têm propostas que os protejam ante os empresários. Durante uma época específica, a partir de 1930 até final da década de 1970, os políticos que defenderam os movimentos sociais se elegeram e então surge uma política de promoção do melhor bem-estar social. O problema é que essas políticas significa- ram aumento dos gastos públicos. Foi o período em que foram postas em prática as recomendações da teoria keynesiana.

No período da Primeira Guerra Mundial (1914-1918), Segunda Guerra Mundial (1939-1945) e da Grande Depressão de 1930, ocorre o avanço dos regimes democrá- ticos no mundo. Nesse momento verifica-se também a divisão da microeconomia e macroeconomia como marco implantado depois da teoria keynesiana, e o surgimento do neoliberalismo buscando explicar com fundamentos microeconômicos os fatos ocorridos pós-1960.

Na atualidade a discussão econômica é sobre a existência de um grande setor público que tem ampla receita e grande despesa e que influi decisivamente sobre os rumos da economia de mercado. Em relação à participação do Estado na economia, a dúvida é entre bens públicos (seus custos e benefícios) e bens privados, ou seja, qual o grau de intervenção do governo na economia que possa ser considerado aceitável. Não devemos esquecer que os choques do petróleo (1973 e 1979) culminaram nas

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crises das dívidas externas dos países em desenvolvimento ao longo de toda a dé- cada de 1980, isso foi um dos grandes responsáveis pelo crescimento do gasto e do endividamento público. Os problemas de subdesenvolvimento, como endividamento, fome e miséria, se agravaram.

Logo, o aumento do gasto público e as formas de financiamento deste levaram às discussões sobre o processo inflacionário. Argumenta-se que o aumento da inflação surge em virtude da necessidade de financiar os gastos do governo, em princípio, da emissão excessiva de moeda.

Os marginalistas começaram a argumentar que a inflação era um inimigo pior do que o desemprego e, como em 1980 viu-se um processo estaginflacionário (cresci- mento dos preços sem crescimento da produção), nos regimes democráticos os polí- ticos neoliberais ganharam espaço. Ganham forças as propostas para ter um Estado mínimo, incentivar a competitividade individual entre as empresas. Desde então, os países adotam políticas de contenção da demanda solvável (com a redução do gasto público) a fim de evitar a necessidade de emissão de moeda e assim conter a inflação.

Abandonou-se por parte dos países a busca por melhores níveis de emprego. A inflação tornou-se um problema difícil de combater porque surge do conflito exis- tente entre capitalista, empregado e Estado para ver quem fica com a renda gerada na produção de bens e serviços. Cada um desses agentes quer garantir que sua parte não se reduzirá.

A discussão passa pelos neoliberais, que propõem o Estado mínimo sempre, e os keynesianos, que propõem políticas públicas todas as vezes que a economia apre- sentar baixo crescimento do produto. Para os neoliberais o Estado mínimo reduzirá a carga tributária e ainda deixará espaços para a iniciativa privada atuar, por isso propõe a privatização de vários setores da economia. Em termos de legislação pregam a supremacia dos ganhadores (no caso dos capitalistas). Para os keynesianos haverá problemas que impedem que a demanda solvável seja igual à oferta potencial, em períodos de crise a diferença entre um e outro é grande, então será necessário que o governo amplie seus gastos para reduzir a diferença entre essas duas variáveis.

Por outro lado, só o Estado pode levar a melhor distribuição dos benefícios do desenvolvimento porque ele pode oferecer produtos e serviços a preços mais baixos sem se preocupar com a geração de lucro. Enfim, os rumos da economia capitalista, na definição dos mecanismos corretos de administração pública e do real espaço para a iniciativa privada e trabalhadores, ainda são uma construção que tem muito a revelar nos próximos anos, isso não é uma questão fechada.

Nesse entremeio nem marxistas, neoclássicos ou keynesianos dedicaram tempo à discussão sobre a questão ambiental. Enquanto nos anos anteriores a discussão sobre inflação e intervenção do Estado era urgente, na atualidade outra questão urgente é o meio ambiente. Nesse sentido vamos estudar com mais detalhes a Economia do Meio Ambiente.

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