Limpeza Urbana - Apostilas - Engenharia Ambiental, Notas de estudo de Sociedade e Meio Ambiente
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Apostilas de Engenharia Ambiental sobre o estudo da Limpeza Urbana, Resíduos Sólidos Domiciliares, Classificação dos resíduos sólidos, Características Físicas, Amostragem e Quartejamento.
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LIMPEZA PÚBLICA

Prof. Eng. FERNANDO ANTONIO WOLMER

AGOSTO/2002

RESÍDUOS SÓLIDOS DOMICILIARES

1. INTRODUÇÃO

Consideramos como lixo tudo aquilo gerado por atividades humanas que não possuam valor econômico, inúteis, indesejáveis e totalmente descartáveis.

A Associação Brasileira de Normas Técnicas – ABNT, conceitua resíduos sólidos domiciliares como sendo todos os produzidos em edificações residenciais, em estabelecimentos públicos e do comércio em geral, assim como aqueles resultantes das diversas atividades de limpeza urbana.

Excluem-se os resíduos industriais, de serviços de saúde, os de portos e aeroportos que exigem cuidados especiais quanto ao manuseio, acondicionamento, coleta e disposição final.

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Vale ressaltar que em qualquer dos estabelecimentos excluídos, acima mencionados, existem a geração de resíduos considerados domésticos, ou seja, nas indústrias além da atividade industrial propriamente dita há a geração de resíduos no refeitório, escritório e banheiros que são considerados resíduos domésticos. Nos serviços de saúde tais como: hospitais, postos de saúde, pronto socorros, centros de ortopedia, clínicas, laboratórios de análises clínicas, clínicas médico e odontológicas, clínicas veterinárias e farmácias, existem também a parte sem contato com o paciente como escritórios, lanchonetes que devem ser segregados e dispostos como resíduos domiciliares.

Nos portos e aeroportos todos os resíduos oriundos dos navios e aviões, e dos locais em que os passageiros tenham contato, devem ter tratamento especial.

2. CLASSIFICAÇÃO DOS RESÍDUOS SÓLIDOS

A ABNT editou um conjunto de normas para padronizar, a nível nacional, a classificação dos resíduos. Segundo a Norma NBR 10004 os resíduos são agrupados em três classes:

• RESÍDUOS CLASSE I – PERIGOSOS: aqueles que apresentam periculosidade, conforme definição contida nessa norma, ou apresentarem características de: inflamabilidade, corrosividade, reatividade, toxicidade e patogenicidade.

• RESÍDUOS CLASSE II – NÃO INERTES: aqueles que não se enquadram nas especificações da Classe I – perigosos ou Classe III – inertes ou seja aqueles que podem apresentar propriedades como: combustibilidade, biodegradabilidade ou insolubilidade em água.

• RESÍDUOS CLASSE III – INERTES : como exemplo podemos citar: entulho e restos de construção.

O Quadro a seguir mostra que o lixo pode ser classificado de acordo com a sua natureza, os riscos ao meio ambiente e sua origem.

NATUREZA FÍSICA QUÍMICA

CARACTERIZAÇÃO DOS RESÍDUOS

RISCOS AO MEIO

AMBIENTE

CLASSE I CLASSE II CLASSE III

ORIGEM

DOMICILIAR COMERCIAL INDUSTRIAL PÚBLICOS(VARRIÇÃO, CAPINAÇÃO, RASPAGEM) FEIRAS LIVRES PARQUES E JARDINS SERVIÇOS DE SAÚDE PORTOS E AEROPORTOS AGRÍCOLAS ENTULHOS DEMOLIÇÕES

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2. 1 – Características Físicas

As características físicas são determinadas através de sua composição qualitativa e quantitativa.

A tabela a seguir mostra a característica física do lixo no município de São Paulo.

CONSTITUINTES Ano 1972 (%) (1) Ano 1992 (%) (2) Ano 1998 (%) (2) Papel 21,8 4,4 18,7 Papelão 4,1 2,5

Madeira 1,9 0,4 1,3 Trapos 3,4 3,5 0,2 Couro 0,9 0,3

Borracha 0,6

Osso 0,1

Plástico 4,3 9,5 22,8 Frutas e verduras 42,7

Folhagens 4,1

Restos de comida 0,7

Animais mortos 0,1

Latas 3,9 0,9

Metais 0,3 3,1 0,1 Vidro 2,1 1,2 1,5 Terra 9,0 2,9

Matéria orgânica 74,6 49,5

Outros 0,5 2,1

Peso Específico (Kg/m)

215 188

Fonte : (1) Serete Engenharia (2) Proema Engenharia

2.1.1 – Amostragem e Quartejamento

Para se obter a quantidade em peso ou porcentagem em peso dos materiais contidos nos resíduos gerados e coletados em um centro produtor existem algumas maneiras normalmente utilizadas.

Os materiais necessários são: encerado ou lona plástica, luvas, aventais, botas, pás, rastelos, tambores ou outro tipo de recipiente e uma balança de armazém.

O encerado ou lona será estendido no chão onde se despeja o lixo coletado pelo caminhão. A partir daí os braçais começaram o processo de separação e armazenagem de cada tipo de material separado para posterior pesagem.

Se for em cidades de pequeno porte, onde a geração e coleta dos resíduos perfazerem menos de um caminhão por dia, a forma de se obter um dado mais próximo do real é separando e pesando o total da carga. Se for em cidades de grande porte, onde a geração e coleta de resíduos perfazerem diversos

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veículos por dia, a forma de se obter um dado mais próximo do real é misturando o conteúdo dos diversos caminhões e “quartejando”, isto é, dividindo em quatro essa massa de lixo para posterior separação e pesagem.

De uma forma ou de outra, essa tarefa deverá ser repetida por diversos dias, nunca esquecendo as segundas-feiras que é um dia que mostra o lixo gerado nos finais de semana onde normalmente não há coleta.

2.2 – Características Químicas

As características químicas dos resíduos é determinada por análises realizadas em laboratórios especializados e seguem métodos recomendados pelo Institute of Solid Wastes e pelo American Public Works Association.

A tabela a seguir mostra as características químicas dos resíduos coletados nos municípios de Santo André e São Bernardo do Campo.

CARACTERÍSTICAS SANTO ANDRÉ SÃO BERNARDO DO CAMPO

Nº DE ANÁLISES 25 19 PODER CALORÍFERO SUPERIOR ( KCAL/KG)

2.644 3.606

SÓLIDOS VOLÁTEIS 57,32 74,27 MATERIAL FIXO 20,55 10,27

UMIDADE 53,13 62,41 N 1,13 1,53 P 0,23 0,25 K 0,71 0,93 C 29,38 38,62 S 0,18 0,17 H 3,35 3,31 O 44,87 45,22

FONTE: Serete Engenharia

2.3 – Características Físico-químicas

A tabela a seguir mostra os parâmetros físico-químicos dos resíduos nos municípios de Santo André e São Bernardo do Campo.

MUNICÍPIOS PARÃMETROS SANTO ANDRÉ SÃO BERNARDO DO CAMPO

PH 6,6 6,5 Fosfato total ( g/g ) 3.380 9.000

Potássio ( g/g ) 4.400 6.000 Nitrogênio total ( g/g ) 8.250 9.500

Enxofre ( % ) 0,3 0,3 Carbono ( % ) 29,0 25,0 Umidade ( % ) 61,0 58,0

Resíduo volátil ( % ) 67,0 59,2 Cinzas ( % ) 33,0 40,8

Poder calorífero superior ( cal/g ) 2.783 3.026 Poder calorífero inferior (cal/g ) 637 834

FONTE: Proema

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2.4 – Características por Nível Social

A tabela a seguir mostra a composição físico-química dos resíduos domiciliares do município de São Paulo por classe de renda familiar – 1998.

Classe Parâmetros ALTA ALTA MÈDIA MÉDIA BAIXA BAIXA

Moema Pinheiros Butantã Ipiranga S. Miguel Campo Limpo Umidade (%) 49,1 61,8 59,7 67,4 33,9 48,2

Mat. Orgânico (%) 37,0 35,8 35,7 30,1 60,6 57,2 Mat. Inorgânico (%) 50,0 54,1 40,9 44,3 28,1 30,4

Outros (%) 13,0 10,9 23,4 25,6 11,3 12,4 FONTE: Ecolabor Ltda.

3. GERAÇÃO DE RESÍDUOS SÓLIDOS

A produção de resíduos sólidos domiciliares de uma cidade está relacionada com a condição socioeconômica da mesma. As cidades com rendas “per capita” maior produziram mais lixo que outras cidades com população semelhante mas com renda “per capita” menor. Outras variáveis como clima e costumes, também pode alterar a geração de lixo.

Para se obter um valor correto da geração de resíduos de um município deve- se utilizar da pesagem diária dos caminhões da coleta, em balanças tipo rodoviárias.

O critério indicado para a execução dessa pesagem é de 7 (sete) dias corridos, de segunda a segunda. Em municípios com atividades sazonais, como por exemplo cidades do litoral no verão e climáticas no inverno, a pesagem deve ser efetuada na época considerada comum e em períodos de temporada.

Quando não houver possibilidade da pesagem e existindo a necessidade de estimar a quantidade de lixo originado nos domicílios, considera-se a produção de lixo por nº de habitante. A tabela a seguir mostra a produção domiciliar de resíduos e a quantidade recebida nos locais de disposição final.

POPULAÇÃO RESÍDUO PRODUZIDO (Kg/dia) RESÍDUO DISPOSTO (Kg/dia) Até 100.000 0,40 0,50

100.001 a 500.000 0,60 0,70 500.001 a 1.000.000 0,70 0,80

+ 1.000.000 0,80 1,00 FONTE: CETESB

A diferença entre resíduo domiciliar produzido e resíduo disposto é geralmente a quantidade a maior gerada nos estabelecimentos comerciais e nas áreas domésticas das indústrias, coletados pelo serviço de coleta regular.

Geralmente em grandes municípios, de 5 a 10% do lixo produzido não é coletado, devido aos acessos difíceis, favelas, costumes inadequados da população que queimam ou despejam em córregos e terrenos baldios.

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4. PRODUÇÃO E PESOS ESPECÍFICOS

O peso específico ou densidade aparente do lixo, isto é, não descontando o volume referente aos vazios, é obtido por diferença de pesagem do veículo coletor, cheio e vazio, em relação ao volume da caçamba.

Esse valor constitui outro elemento básico para o dimensionamento do serviço de coleta e a forma ideal de acondicionamento do material a remover.

Nas últimas décadas o peso específico aparente tem decaído em consequência do teor de matéria orgânica encontrada no lixo e pelo aumento da quantidade de plástico e alumínio em uso pela sociedade.

A tabela a seguir mostra a produção de resíduos e os pesos específicos.

TIPO DE RESÍDUO SÓLIDO PRODUÇÃO PESO ESPECÍFICO ( Kg/m3) Domiciliar 0,4 a 0,8 kg x hab./dia 160 a 180 Comercial 150

Industrial 320

Varrição De 6 a 10 sacos de 100 litros x varredor 80 a 120 Feiras livres 0,55 kg/m2 120 a 500

Serviços de saúde 2,5 kg/leito 200 a 250 Capinação 120 m2/ capinador x dia 230 a 300 Raspagem 260 m2/ raspador x dia 1.000

Caminhões compactadores Vc ( veloc. Média de coleta ) = 5 km/h Qm ( quant. Média coletada) = 0,88 t/h

500 a 580

Aterro sanitário 700 a 900

FONTE: Serete Engenharia

5. ASPECTOS EPIDEMIOLÓGICOS DOS RESÍDUOS SÓLIDOS

Normalmente, o lixo não é enfatizado por ser um risco a saúde pública e sim pelo aspecto estético. Seres patogênicos não sobrevivem na massa compactada e coberta do aterro sanitário devido a decomposição biológica que gera altas temperaturas. O pessoal que trabalha na coleta e processamento do lixo, não tem apresentado sintomatologia especial e as perturbações normalmente são devido a esforços físicos e viciosos.

O comprometimento da saúde humana está na presença de organismos que vivem ou são atraídos aos lixões a céu aberto. Dentre esses vetores, os mais importantes são os insetos, roedores, suínos e aves que causam as mais diversas moléstias aos seres humanos.

O quadro abaixo mostra os principais vetores encontrados nos lixões e as doenças principais causadas pelos mesmos.

VETORES MODO DE TRANSMISSÃO DOENÇAS Rato Mordida, pulga e urina Tifo, peste e leptospirose

Mosca doméstica e varejeira

Contato das patas Febre tifóide, verminose e gastroenterite

Barata e formiga Patas, corpo e fezes Febre tifóide, giardíase e diarréias

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Mosquito Picada da fêmea Dengue, malária, febre amarela e leishmaniose

Escorpião e aranha Picada Doenças cardíacas, coma e morte Urubus, gaivotas Patas, piolho Pestes,

Porcos Carne Salmoneloses FONTE: CETESB

Não podemos esquecer que os seres humanos são grandes “AMIGOS” desses vetores pois:

• Escolhemos lugares afastados dos grandes centros para esse tipo de vazadouro, portanto sem perturbação.

• Diariamente despejamos grande quantidade de matéria orgânica coletada nos centros urbanos, portanto saciamos sua fome.

• Os resíduos coletados são constituídos de vasilhames plásticos ou metal que acumulam água de chuva, portanto saciamos sua sede.

• Esses mesmos resíduos de plásticos ou metal que acumulam água de chuva servem também para a sua proliferação e desenvolvimento.

• Os resíduos coletados são constituídos de vasilhames de madeira e papelão que servem como abrigo contra chuva, ventos e outros animais, portanto damos proteção.

ATIVIDADES DA LIMPEZA PÚBLICA

Limpeza Pública ou Urbana é um conjunto de atividades atribuída ao poder público, a fim de preservar a saúde local e fornecer um meio ambiente agradável para o bem estar comum da população.

1. ADMINISTRAÇÃO DOS SERVIÇOS

Até pouco tempo atrás, o serviço de limpeza pública era efetuado exclusivamente com administração direta, ou seja, pela Prefeitura Municipal. De uns tempos para cá, esse serviço foi sendo terceirizado, administrado indiretamente. Surgirão empresas especializadas no ramo que iniciaram suas atividades em cidades de grande porte, passando para as de médio e agora até as pequenas comunidades repassam esses trabalhos.

Na administração indireta cabe a empreiteira executar as tarefas e a municipalidade fiscalizar e efetuar a medição (comprovar a realização) dos serviços contratados.

O quadro abaixo mostra algumas vantagens de um ou outro tipo de administração. 7 PAGE 57

ADMINISTRAÇÃO DIRETA

VANTAGENS DESVANTAGENS Não visa lucro Não forma bom quadro de pessoal

Aquisição de equipamentos com menor custo Dificuldade de premiar ou punir o quadro funcional

Integração mais perfeita com outros serviços públicos

Demora no conserto e recuperação de equipamentos

Cooperação dos munícipes com mais rapidez Redução da vida útil dos equipamentos Dependência de transferência de recursos

Interferência política

Descontinuidade administrativa

ADMINISTRAÇÃO INDIRETA VANTAGENS DESVANTAGENS

Obtenção de mão de obra eficaz Abuso por falta de fiscalização Aquisição de equipamentos e

peças com rapidez Interferências políticas nos serviços

Melhor rendimento com incentivos ao pessoal Subornos a fiscalização Modificações com rapidez Difícil retorno para a administração direta

Continuidade administrativa Maior possibilidade de greves e paralisações Melhor fiscalização

Em resumo, com um bom edital de concorrência e um contrato bem preparado é possível servir melhor a população, utilizando-se o serviço empreitado, à vista do desembaraço que o mesmo dispõe para a execução dos serviços.

Na redação do edital, não é suficiente que funcionários e advogados se concentrem procurando cercear o futuro contratado. É necessário que chefes e encarregados com experiência na execução dos serviços, participem sendo que eventuais interessados sejam consultados, examinando todas as possibilidades e alternativas para evitar concorrências não correspondidas, ou contratos dando origens a situações imprevistas, controvérsias e impasses que acabam condenando o sistema.

2. ATRIBUIÇÕES DA LIMPEZA PÚBLICA OU URBANA As principais atividades atribuídas à limpeza pública de um município são:

• Coleta de lixo; • Varrição de vias públicas; • Capinação; • Raspagem; • Pintura de guias e sarjetas; • Limpeza de locais de feiras livres; • Limpeza de bocas de lobo; • Coleta seletiva; • Coleta de resíduos de serviços de saúde; • Coletas especiais (bota-fora); • Apreensão de animais; • Limpeza de praias; 8 PAGE 57

• Coleta de entulhos; • Limpeza de logradouros públicos; • Operação de sistemas de transbordo de lixo; • Operação de sistemas de tratamento de lixo; • Operação de aterros sanitários.

3. ACONDICIONAMENTO DOS RESÍDUOS

3.1 – Recipientes Pequenos e Sacos Plásticos

A forma de acondicionamento do lixo, isto é, as condições em que os resíduos devem ser apresentados na fonte de produção para o seu recolhimento pela coleta, é de suma importância para a eficácia da coleta.

A primeira exigência legal determinando o uso de recipientes padronizados que se tem notícia data de 07.03.1884, promulgada pelo prefeito de Paris, que denominou esses recipientes de vasilhames.

Atualmente no Brasil, o acondicionamento de lixo para a coleta regular está dividido em duas formas: recipientes diversos de metal (latas) e madeira (caixotes) e o uso de sacos plásticos.

O saco plástico, cuja primeira experiência em São Paulo foi em 1971, tornou- se o mais utilizado em todo mundo e em muitas cidades já são exigidos por leis municipais.

Esse tipo de acondicionamento apresenta as seguintes vantagens:

• Elimina a operação de recolher o vasilhame; • Dispensa sua limpeza periódica; • Reduz totalmente a atração de vetores; • Evita espalhamento do lixo por cães; • Elimina mau cheiro; • Evita ruídos na descarga; • Evita furtos; • Reduz o tempo de coleta pois não tem retorno; • Contribui para a limpeza do logradouro pois são fechados; • Impede o acúmulo de água; • Evita a permanência do recipiente por longos períodos na calçada.

O único inconveniente é o seu custo, razão pela qual o seu uso não é obrigatório em locais de baixa renda.

As Normas Técnicas NBR 9190 e 9191, nem sempre seguidas, são as que especificam os padrões para fabricação de sacos descartáveis

As normas da ABNT exigem o uso exclusivo de polietileno, composto sem cloro podendo ter sua incineração sem risco de emissão de contaminantes na atmosfera.

Se considerarmos a média brasileira como sendo próxima de 5 habitantes por residência, produzindo uma média de 0,7 kg/dia cada e o peso específico 9 PAGE 57

médio de 200 kg/m3, teremos: 5 X 0,7 : 200 = 0,0175 m3 ou 17,5 litros de lixo por residência/dia. Como comprovadamente não se justifica a coleta diária na grande maioria dos municípios e sim em dias alternados, temos que 17,5 x 2 = 30,0 litros.

Na prática, devido a excessos por festividades, grande número de embalagens descartáveis, recomenda-se o uso de sacos plásticos de 50,0 litros. Muitos códigos de postura municipais permitem um volume de até 100,0 litros que é a capacidade máxima que pode ser manuseada sem maiores esforços pelos coletores.

A maioria dos códigos de postura municipais, para efeito de coleta regular de resíduos sólidos, determina que cada residência ou estabelecimento comercial deposite para coleta até 100 litros diariamente. Muitas vezes isto não é cumprido devido a falta de fiscalização e interesse dos coletores, sempre acabam sendo compensados com gorjetas ou brindes.

3.2 – Contêineres

É um recipiente utilizado nas fontes com elevada geração de resíduos para o acondicionamento, como é o caso de estabelecimentos comerciais, prestação de serviços, supermercados, shopping centers, edifícios, indústrias, condomínios e outros. O lixo pode ser acondicionado utilizando-se dispositivo compactador descarregado nos veículos coletores por equipamento basculador, acoplado ao chassis.

Há duas classes de contêineres, os basculáveis e os intercambiáveis. Os basculáveis, dotados geralmente de rodízios são deslocados até o veículo coletor que através de um dispositivo acoplado, realiza o basculamento da carga para dentro da caçamba. As suas capacidades variam de 1,0 a 3,0 m3. Os intercambiáveis ou estacionários são removidos por caminhões dotados de guincho ou guindaste, devendo deixar um vazio enquanto leva o carregado (intercâmbio). As capacidades destes últimos são maiores variando de 3 a 30 m3.

3.3- Recipientes Herméticos Basculáveis

Esses recipientes caracterizam-se pela estanqueidade, pelo formato retangular, bonito visual e poder ser basculável no caminhão coletor. Possuem rodízios e são fabricados em polietileno e a sua capacidade varia de 25 a 700 litros. São conhecidos pela sigla RECHE, recipientes herméticos.

É muito difundida sua utilização nos programas de coleta seletiva onde são juntados Reches com as cores padronizadas para armazenamento de materiais recicláveis.

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3.4- Contêineres Estacionários Compactadores

São caixas metálicas retangulares, constituídas por duas partes: uma parte motora, que é a prensa elétrica e uma parte passiva onde há armazenagem dos resíduos. A parte do contêiner de armazenagem é removido por caminhão com dispositivo “roll on roll off”. Também existem alguns tipos onde o compactador é monobloco formando um só corpo que é removido por inteiro para esvaziamento.

Esses contêineres são muito utilizados nos grandes centros geradores de resíduos.

4. COLETA REGULAR DE RESÍDUOS SÓLIDOS

A coleta regular de resíduos é a atividade da limpeza pública de maior preocupação do dirigente municipal ou de empresa privada em virtude do 11 PAGE 57

montante de recursos que absorve e do estreito relacionamento entre esse serviço e a população. Caso esse serviço não seja equacionado corretamente, ocasionará gastos excessivos, desconfiança e reclamações de imediato da população. Os resíduos quando não são coletados dentro de uma periodicidade adequada resultam em períodos longos de exposição e armazenamento nos passeios públicos e o descarte dos mesmos em terrenos baldios, rios, erosões e outros, podendo trazer graves riscos a saúde pública além de críticas e reclamações à administração.

Seu orçamento é estimado entre 35 a 50% de toda a verba destinada a limpeza pública.

Esse serviço é responsável pelo recolhimento do lixo domiciliar das residências, estabelecimentos comerciais, prestadoras de serviços, repartições públicas, pequenas fábricas e da ala domestica (cozinha, vestiário, w.c. e refeitório) de indústrias de porte médio.

4.1 - Frequência da Coleta

A frequência usualmente recomendada para a grande maioria das cidades é a de dias alternados. Isto está baseado no fato de que:

• O lixo pode ser perfeitamente acumulado em uma residência de um dia para o outro sem grandes transtornos e riscos.

• Não dobra de peso ou volume devido a uma melhor acomodação por parte dos munícipes para economia de recipientes.

• Gera uma economia de 30 a 40% nos gasto em comparação com a coleta diária pois um único veículo pode atender até 3 áreas diferentes.

A coleta com frequência diária é normalmente programada para locais de grande produção de resíduos como por exemplo, a região central do município onde está agrupado o comércio, bancos e prestadoras de serviço.

Costuma-se também, em locais periféricos com pouca densidade demográfica, efetuar a coleta periódica ou seja duas vezes por semana, 2ª e 5ª feiras , 3ª e 6ª feiras e 4ª e sábados.

Tanto na frequência em dias alternados como na periódica, é necessário que se cumpram as tarefas nos sábados e feriados.

4.2 – Horário da Coleta

Quando não há coleta noturna em um município o ideal é reservar as primeiras horas da manhã para atender a zona central onde, com o passar das horas, surgem grande concentração de tráfego tanto de veículos como de transeuntes.

Deve-se considerar que horários muito matinais podem não encontrar todos os vasilhames expostos, principalmente em locais de muito comércio onde o início das atividades são a partir das 08h, e com isso comprometer a eficiência do serviço prestado. 12 PAGE 57

A coleta noturna é a solução ideal, deveria ser implantada em todos os lugares. É a que apresenta um rendimento muito maior pois encontra as vias e passeios mais desimpedidos, o serviço passa mais desapercebido, melhora a eficiência dos coletores devido ao clima mais ameno.

Em lugares onde não são obrigados o uso de sacos plásticos a coleta noturna pode trazer a desvantagem do ruído e da exposição dos vasilhames até o início do dia seguinte.

A implantação do sistema misto ou seja parte do município no horário noturno e parte no diurno é a forma correta pois reduz o número de veículos necessários, pela metade.

4.3- Equipe de Coleta

A velocidade com que se efetua a coleta é um elemento básico para o dimensionamento da frota, e esse fator depende em muito da equipe coletora que usualmente é denominada de guarnição. Normalmente essa equipe de coleta é composta de um motorista e três ajudantes. Em cidades onde não há caçamba compactadora de lixo nem a obrigatoriedade do uso de sacos plástico com recipiente, o número de ajudantes chega a quatro, pois um fica em cima da carroçaria recebendo os vazilhames cheios e devolvendo-os vazios.

4.4- Projeto de Coleta Regular

Um bom planejamento dos serviços de coleta regular de resíduos sólidos domiciliares trará economia ao erário público, elogios da população atendida e satisfação da mão-de-obra envolvida, dividendos políticos aos dirigentes municipais e lucro aos empresários do ramo.

Para a elaboração de um projeto de coleta regular deverão ser levantados os seguintes dados:

• Pesagem do lixo coletado diariamente; • Tempo e quilometragem para a carga completa da caçamba em uso; • Tempo despendido na coleta, na circulação na viagem e na descarga; • Quilometragem de coleta circulação e viagem; • Topografia local; • Sistema viário demarcando ruas, avenidas, mão de direção, obstáculos e

outros; • Tipo de calçamento das ruas, avenidas e acesso a descarga; • Tipo de ocupação territorial; • Localização de grandes centros geradores de resíduos.

Com base nos resultados da análise dos dados levantados, o município deverá ser dividido em setores que individualmente forneçam carga de resíduo suficiente para completar a viagem do caminhão coletor, considerando-se todos os parâmetros de influência.

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A coleta a ser realizada em cada setor será de responsabilidade de uma única equipe que ira operar o veículo coletor. Após a divisão do município em setores de coleta, deverá ser elaborado os roteiros de trajetos com mapas e vias a serem percorridas. Esse traçado deve:

• Ser contínuo para evitar interrupções e entrelaçamentos dos trajetos; • Ter seu início o mais próximo da garagem ou pátio de guarda dos veículos; • Ser concluído de possível o mais próximo do acesso para a disposição

final; • Ter sentido descendente nas vias íngremes para poupar a guarnição e

veículo coletor.

4.5 – Dimensionamento da Frota de Caminhões

Antes de falarmos em dimensionamento da frota de caminhões temos que mencionar que em muitos lugares do Brasil, principalmente em municípios de pequeno porte, a coleta ainda é efetuada com carroças e carretas metálicas ou de madeira acoplada a um trator tipo agrícola. Nestas regiões o não existe planejamento e sim, a prática por parte do carroceiro ou tratorista que define os setores e a periodicidade do serviço.

Nas cidades maiores quando a geração de lixo comporta a aquisição de um ou mais caminhões munidos de caçambas coletoras e compactadoras de lixo, vários são os cuidados que devem ser tomados para o dimensionamento da frota de caminhões. Dentre esses cuidados podemos destacar :

• Sempre que possível adquirir caminhões equipados com caçambas coletora e compactadoras de lixo pois:

• O volume de armazenagem é muito maior, evitando várias viagens ao local de disposição do lixo;

• A estanqueidade do lixo é total evitando sua visualização, queda e espalhamento;

• Possui um compartimento para armazenagem de chorume ou líquidos percolados da massa de lixo e com isso evita o derramamento dos mesmos nas vias públicas;

• Compartimento de carga é grande, o que permite a descarga de vários recipientes ao mesmo tempo. Esse compartimento é traseiro, proporcionando maior segurança à guarnição evitando atropelamento;

• A borda de carga é na cintura do coletor o que trás facilidade para descarga.

• Tomar como base a demanda de lixo em dias normais. É mais econômico dimensionar os circuitos de forma que a capacidade de carga dos veículos coletores se complete durante a jornada de 08 horas de serviço. Quando houver excesso de lixo ele será coletado pela prestação de horas extra.

• Adotar como capacidade de coleta dos vários modelos de caçamba existente, somente 80% do valor nominal expresso nos catálogos do fabricante.

• Manter 10% da frota em reserva para que a frota sofra as manutenções periódicas e para casos de colisão ou quebra dos veículos titulares.

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• Nos casos de municípios com grande demanda sazonal de turista, como por exemplo, cidades litorâneas na temporada de verão, ou estâncias climáticas na temporada de inverno onde a geração diária de lixo chega a quadruplicar, a administração municipal deverá prever serviços temporários com o aumento da frota e equipe coletora.

• Verificar a existência de locais onde um veículo munido de caçamba compactadora não é capaz de circular como por exemplo favelas, ruas com declividade acentuada, nos quais a coleta de lixo será efetuada com caçambas estacionárias ou caminhões basculantes com tração nas quatro rodas.

4.5.1 Exemplo de Cálculo do Dimensionamento da Frota

Dimensionar a frota de veículos coletores de resíduos sólidos domiciliares e guarnição para uma cidade de 100.000 habitantes na zona urbana.

a-) Cálculo da quantidade diária de lixo gerado a ser coletado (Q)

Onde: R = porcentagem do lixo gerado no município que realmente é coletado. H = população urbana onde normalmente existe serviço de coleta lixo. G = estimativa da quantidade diária gerada de lixo por habitante.

b-) Cálculo do tempo dispendido pelo transporte de cada viagem ao sistema de tratamento ou destinação final

Onde: D = distância média do centro gerador até o local de descarga. Adotaremos a média de 10 km.

Vt = velocidade de transporte na viagem até o local de descarga. Adotamos a média de 30km/hora.

T1 = tempo necessário para a viagem, pesagem descarga do lixo e retorno Adotamos a média de 20 minutos = 0,3333 horas.

c-) Cálculo do número de viagens possíveis de cada veículo realizar dentro de um período de 8 horas de trabalho

Onde: NV = número de viagens por dia. Q = quantidade de lixo a ser coletado por dia que foi calculado

no item a-) dando o valor de 38 t/dia. VC = velocidade de coleta. Adotamos a média de 5 km por hora. J = jornada de trabalho de 8 horas.

L = quilômetros de vias públicas de uma cidade a serem atendidas pelo serviço de coleta. Foi adotado a média de 200 km que por ser coleta em dias alternados deverá ser dividido por 2 .

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C = capacidade de carga da caçamba. Adotado a média de 5 toneladas por viagem TV = tempo de viagem que cada veículo executa para descarga do lixo. Calculado no item b-) em 0,9999.

d-) Cálculo da frota

Onde: NV = É o número de viagens possível de cada caminhão realizar dentro de uma jornada de trabalho. Foi calculado no item c-) como sendo 2,2. Q = É a quantidade de lixo coletado. Foi calculado no item a-) como sendo 38 t/dia. C = É a capacidade de carga de uma caçamba> foi adotado a média de 5 ton/viagem. Y = É o número de viagens necessárias, por veículo, por setor em uma jornada de trabalho no período noturno. K = número de veículos de reserva. Foi adotado a quantidade de 1 caminhão.

Se um caminhão efetua 2,2 viagens por jornada normal de trabalho de 8 horas e o veículo tem capacidade de carga de 5 t de lixo por viagem temos que um caminhão transporta 11 t de lixo por jornada de trabalho.

Se o município produz 38 toneladas por dia e um caminhão transporta 11 t de lixo por jornada de trabalho temos: 38 : 11 = 3,45 = 4 veículos na ativa.

Porém, e propusermos um setor no período noturno temos que serão recolhidas diariamente 11 toneladas à noite, utilizando-se um dos caminhões que fazem a coleta no período diurno sobraram 27 toneladas para recolhimento e portanto temos: 27 : 11 = 2,45 = 3 veículos.

Para segurança do andamento adequado do sistema implantado será necessário mais 1 veículo de reserva.

Portanto, a frota necessária para esse município, tomado como exemplo, será de 4 veículos com capacidade para transportar 5 t/viagem, com caçamba para 8 a 10 m3.

Se conseguirmos dois setores no período noturno, e dois no período diurno poderemos economizar na aquisição de um veículo, pois teríamos dois caminhões coletando diuturnamente.

Na prática, devido a falta de recursos, não se adquire um veículo para a reserva e quando por qualquer motivo houver necessidade da substituição temporária de um veículo da coleta regular, a administração desloca um caminhão basculante do departamento de obras da prefeitura. Essa regra não se aplica ao serviço terceirizado onde o contrato reza que a coleta deverá ser

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efetuada com veículos compactadores e neste caso normalmente o empreiteiro alugará esse veículo, quando necessário.

4.6 – Uniformização da Equipe de Coleta

O uso de uniformes é um fator primordial não só para a manutenção da higiene e segurança dos coletores como também para a boa apresentação dos servidores da limpeza pública que estão em contato muito próximos com os munícipes.

Esses uniformes devem apresentar algumas características, tais como:

• Coloração facilmente identificável pela população; • Resistência que garanta a proteção do servidor; • Leveza, conforto, mobilidade e boa absorção do suor; • Luvas para proteção de materiais cortantes; • Calçados leves com solado antiderrapante; • Capa de proteção contra chuvas; • Coletes refletores.

4.7- Implantação do Projeto

Para implantação de um projeto de coleta regular de resíduos sólidos domiciliares, deverão ser programadas as seguintes fases:

1ª - Divulgação do plano internamente.

2ª - Treinamento do pessoal envolvido.

3ª - Divulgação externa do sistema a ser implantado, junto à população, através de faixas, panfletos, imprensa, mostrando os dias da semana e horário em que a coleta será efetuada naquele bairro/setor.

4ª - Implantação propriamente dita em toda a região preestabelecida no projeto.

5ª - Análise do desempenho das equipes por meio de inspeções de fiscais e informações prestadas pela população.

6ª - Avaliação do sistema implantado, através de entrevistas com a equipe, vistoria nos setores e dados registrados em planilhas pelos motoristas dos veículos coletores.

7ª - Reajustes necessários através do compilamento dos dados corrigindo algumas distorções existentes. Esse ajustamento deve ser sistemático e contínuo devido a expansão municipal, construção de fontes com grande geração de resíduos e outros.

Exemplos:

a-) Desenho de um setor e trajeto de coleta

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b-) Planilha de coleta

DIA DA SEMANA..................DATA......../......./.........SETOR.................PERÍODO........................

NOME DO MOTORISTA................................................................................................................

NÚMERO DE COLETORES.....................PREFIXO..........................PLACA................................

BAIRROS COLETADOS................................................................................................................ ...................................................................................................................................................... ..

PRIMEIRA VIAGEM SEGUNDA VIAGEM TERCEIRA VIAGEM

KM HORA KM HORA KM HORA

SAÍDA DA GARAGEM PARA O SETOR

COLETA DO PRIMEIRO RECIPIENTE 1ª VIAGEM

COLETA DO ÚLTIMO RECIPIENTE

CHEGADA AO LOCAL DE DESCARGA

SAIDA DO LOCAL DE DESCARGA

COLETA DO PRIMEIRO RECIPIENTE 2ª VIAGEM

COLETA DO ÚLTIMO RECIPIENTE

CHEGADA AO LOCAL DE DESCARGA

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SAIDA DO LOCAL DE DESCARGA

COLETA DO PRIMEIRO RECIPIENTE 3ª VIAGEM

COLETA DO ÚLTIMO RECIPIENTE

CHEGADA AO LOCAL DE DESCARGA

SAIDA DO LOCAL DE DESCARGA

CHEGADA À GARAGEM

PRIMEIRA VIAGEM SEGUNDA VIAGEM TERCEIRA VIAGEM

PESO BRUTO DO CAMINHÃO

c-) Folheto de orientação à população

PERÍODO DIURNO SEGUNDA, QUARTA E SEXTA-FEIRA.

PASSA O CAMINHÃO DE LIXO

1- SOMENTE PONHA O LIXO NA CALÇADA NOS DIAS INDICADOS NESTE FOLHETO.

2- OBSERVE O HORÁRIO QUE O COLETOR PASSA EM SUA RUA. ASSIM VOCÊ SABERÁ O PERÍODO DE COLETA: MANHÃ OU TARDE.

d-) Fotos de caminhões munidos com caçambas coletoras/compactadores

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5. COLETAS ESPECIAIS

Considera-se coleta especial a remoção de resíduos não tidos como lixo pela coleta regular.

A seguir são apresentados os principais tipos de coletas especiais.

5.1. Coleta de Resíduos Volumosos

Na grande maioria das cidades os resíduos considerados volumosos são removidos pelo próprio produtor. Porém, existem em muitos municípios coletas bancadas pela municipalidade denominadas “Operação Bota-fora, Cata Bagulho, Cata treco”.

Essas operações funcionam em dias predeterminados, em itinerários preestabelecidos, com muita campanha de esclarecimento e orientação a população envolvida. A administração coloca caminhões de carroçaria de madeira ou basculante munidos de guindaste tipo Munck, que fazem o recolhimento desses entulhos constituídos geralmente por móveis, geladeiras, fogões restos de mudanças em geral, colchões, máquinas de lavar roupas e outros.

Esses resíduos são levados para alguma entidade assistencial e após triagem, são recuperados e doados às camadas menos favorecida da população.

É bom lembrar que alguns desses objetos quando jogados no fundo do quintal, pode ser reservatório de água de chuva e contribuir em muito para a proliferação da Dengue.

2. Poda

São resíduos originários da poda da vegetação existente nos jardins, praças, vias e logradouros públicos e até em quintais particulares.

Normalmente, para a realização dessa tarefa, utilizam-se caminhões munidos de carroçaria de madeira. Em função das características do material a ser transportado (galhos, pequenas árvores e arbustos) é necessário efetuar diversas viagens ao local de disposição, devido aos espaços vazios que sobram na carga.

Hoje em dia está muito difundido o uso de picadores de galhos. Esses equipamentos são um conjunto formado por um rotor provido de lâminas acionados, por gerador, por motores à combustão ou acoplados no terceiro eixo de força de um trator tipo agrícola e a carreta que serve em parte para o transporte dos equipamentos e também para armazenamento dos cavacos. Esses cavacos são levados à carreta ou à carroçaria de outro caminhão, pela impulsão da própria força centrífuga do rotor, por intermédio de duto ou tubulação.

Os picadores atualmente existentes no mercado variam de potência dependendo da finalidade do seu uso. Normalmente se reduz o volume de 22 PAGE 57

poda em até 1/15 do original. O cavaco originário serve como forração de canteiros agrícola, cama de frango e outros. Em algumas cidades, como já verificado destinam esse tipo de resíduo para olarias, onde é utilizado como lenha e em contrapartida, esses estabelecimentos doam tijolos e telhas para a manutenção de escolas e creches municipais.

Foto de um picador de galho

3. Coleta de Animais Mortos

Um dos problemas que ocorre nos centros urbanos é o aparecimento de animais mortos nas vias públicas, vitimados geralmente em acidentes de trânsito (atropelamento) e cuja remoção tem que ser de imediato.

Podemos classificá-los de duas maneiras:

5.3.1 Coleta de Animais de Grande Porte

A maioria dos animais de grande porte mortos em vias públicas são os equinos. Quando é grande o número de acidentes e posteriormente a remoção desses animais, recomenda-se a aquisição de um equipamento especialmente projetado para esse fim, ou seja, de um veículo munido de guincho acionado por tomada de força do chassis, carroçarias hermeticamente fechadas, com dispositivo para armazenagem do sangue, e com tampa traseira que baixa ficando como estrado inclinado.

Com o uso do guincho, o animal é puxado sobre o estrado (tampa traseira) e posteriormente, para dentro da carroçaria. Essa mesma operação é feita para a descarga do animal nos incineradores ou aterrados em vala. Animais vivos abandonados ou perdidos são recolhidos pela municipalidade, transportados em veículos apropriados com rampa na parte traseira e enviados a cocheiras públicas, onde aguardarão sua retirada pelo proprietário ou leiloados. 23 PAGE 57

5.3.2 Coleta de Animais de Pequeno Porte

A maioria dos animais mortos de pequeno porte (cães e gatos), quando encontrados em vias públicas, são recolhidos da mesma forma que a descrita acima, para animais maiores.

Outra atividade é o recolhimento de cães vivos que ficam perambulando pelas vias e logradouros públicos. Para isso são utilizados veículos tipo jaula denominados “carrocinhas” que após a apreensão levam os animais para o Serviço de Apreensão de Animais para posteriormente, se não forem reclamados e retirados pelos donos em três dias, serem sacrificados.

Os animais, depois de mortos, são colocados em sacos plásticos e transportados em veículos hermeticamente fechados, para os incineradores de resíduos de serviços de saúde.

Em cidades pequenas onde a quantidade de animais mortos é bem menor, e devido a falta de um sistema de incineração, os mesmos são levados e enterrados nos aterros sanitários, em valas especiais.

5.4. Coleta de Resíduos de Serviços de Saúde

Os resíduos de serviços de saúde gerados em: hospitais, postos de saúde, prontos-socorros, ambulatórios, clínicas, farmácias, serviços veterinários e outros, normalmente são recolhidos de duas maneiras.

A primeira são nos centros de grande e médio porte que contratam empresas especializadas neste tipo de atividade, que coletam esses resíduos em furgões com carroçarias especialmente projetadas e fabricadas para esse fim, que não permitem qualquer visualização da carga e também não deixam o sangue ou outro líquido escorrer pelas vias públicas. Após o seu recolhimento os mesmos são transportados para serem tratados em incineradores, sistema de microondas, autoclaves e outros. Nesses locais pode ser adaptado um dispositivos pneumático que ergue a frente do veículo fazendo com que a carga deslize para traz.

Não podemos esquecer que este tipo de coleta especial é caro em comparação com a coleta normal de resíduos domiciliares e portanto deve ser cobrado um valor diferenciado da fonte geradora. Esses estabelecimentos, por conseguinte, farão uma segregação dos resíduos, diferenciando o que é realmente lixo séptico (do paciente ou que teve contato com o mesmo) do lixo tipo doméstico (material de escritório, recepção, refeitório de visitantes) que pode ser coletado pelo serviço de coleta regular.

A segunda forma são em cidades de pequeno porte onde a produção desse tipo de resíduo não comporta a aquisição de um veículo especial ou a contratação de empresas especializada nesse recolhimento. Neste caso o lixo ainda é misturado com o resíduo doméstico e recolhido pela coleta regular.

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O que é recomendado, se possível, que esses resíduos sejam acondicionados em sacos plásticos na cor branca (mais resistentes), para posterior disposição em pequenas valas impermeabilizadas com manta de PEAD e com cobertura, escavadas no próprio aterro sanitário.

5.5. Coleta de Entulhos e Restos de Construções

Normalmente a coleta e transporte desses resíduos, resultantes de reformas residenciais ou de trabalhos na construção civil é efetuada com a contratação de empresa especializada, que efetua essa atividade através do intercâmbio de caixas metálicas padronizadas (contêineres) conhecidas como “caixas brooks”, transportadas através de caminhões poliguindastes. O gerador particular aluga essa caixa, e a mesma permanece defronte a obra por dois ou mais dias até seu esgotamento.

O destino desse material inerte, nas grandes cidades, são os aterros especialmente construídos para esse tipo de resíduo nos próprios aterros sanitários, em locais reservados para esse fim. Não é aconselhado a mistura do lixo doméstico com esse tipo de resíduo pois em muitas vezes este último é constituído de grandes blocos e lajes de concreto, que ocasionará danos no equipamento ou dificuldade na operação do aterro sanitário.

Hoje, já existe no mercado, um equipamento tipo moinho, utilizado em pedreiras, que faz a moagem desses restos de construção, constituídos especialmente de telhas e paredes de tijolos ou blocos, desde que não possuam em seu meio vigas ou outro elemento de concreto. O material resultante desta moagem serve para nivelamento de terrenos e vias públicas.

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