Língua portuguesa, Notas de aula de Língua Portuguesa. Unidade de Ensino Superior Dom Bosco (UNDB)
Oseias.Silva
Oseias.Silva24 de Novembro de 2015

Língua portuguesa, Notas de aula de Língua Portuguesa. Unidade de Ensino Superior Dom Bosco (UNDB)

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Língua portuguesa
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RELAÇÕES PÚBLICAS (todos os cargos):

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LÍNGUA PORTUGUESA:

1 Compreensão textual.

Interpretar exige raciocínio, discernimento e compreensão do mundo.

A interpretação de textos é de fundamental importância para o concurseiro. Você já se

perguntou por quê? Há alguns anos, as provas de Português, nos principais vestibulares do

país, traziam uma frase, e dela faziam-se as questões. Eram enunciados soltos, sem

conexão, tão ridículos que lembravam muito aquelas frases das antigas cartilhas: "Ivo viu a

uva". Os tempos são outros, e, dentro das modernas tendências do ensino de línguas, fica

cada vez mais claro que o objetivo de ensinar as regras da gramática normativa é

simplesmente o texto. Aprendem-se as regras do português culto, erudito, a fim de

melhorar a qualidade do texto, seja oral, seja escrito.

Nesse sentido, todas as questões são extraídas de textos, escolhidos criteriosamente pelas

bancas, em função da mensagem/conteúdo, em função da estrutura gramatical.

Dessa maneira, fica clara a importância do texto como objetivo último do aprendizado de

língua.

Quais são os textos escolhidos?

Textos retirados de revistas e de jornais de circulação nacional têm a preferência. Portanto,

o romance, a poesia e o conto são quase que exclusividade das provas de Literatura (que

também trabalham interpretação, por evidente). Assim, seria interessante observar as

características fundamentais desses produtos da imprensa.

Os Artigos

São os preferidos das bancas. Esses textos autorais trazem identificado o autor. Essas

opiniões são de expressa responsabilidade de quem as escreveu - chamado aqui de

articulista - e tratam de assunto da realidade objetiva, pautada pela imprensa.

Trata-se, em verdade, de texto argumentativo, no qual o autor/emissor terá como objetivo

convencer o leitor/receptor. Nessa medida, é idêntico à redação escolar, tendo a mesma

estrutura: introdução, desenvolvimento e conclusão.

Exemplo de Artigo

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Os seres humanos que viraram lingüiça

Parece até uma conspiração para mostrar, numa dimensão inédita, os perigos da

delinqüência juvenil. Nem superamos ainda a comoção pelo assassinato do casal de

namorados, somos tomados de assalto por mais uma selvageria que envolve um adolescente

- dessas de filmes de terror inverossímeis. Na quinta-feira, Leonardo José Pereira morreu,

baleado pela polícia, por participar de um dos mais perversos seqüestros de que se tem

notícia ultimamente.

No prontuário de Leonardo na Febem, está o registro de posse ilegal de arma. Mas ele foi

solto e enquadrado na condição de "liberdade assistida": ficaria na rua, longe da prisão,

desde que se submetesse a programas oficiais para integrá-lo à sociedade.

Encontrou "assistência" não no poder público, mas numa quadrilha de seqüestradores que

manteve refém por 53 dias um homem de 81 anos, alimentado a cada dois dias. Joaquim

Ferreira Dias, a vítima, não teve o direito nem de usar o banheiro ou de tomar um simples

banho, reduzido à condição de animal, vivendo em meio a fezes e urina.

A polícia chegou, na quinta-feira de madrugada, a um bairro da zona sul de São Paulo para

libertar o refém, que tinha as mãos presas a um botijão de gás e os pés amarrados.

Encontrou e eliminou Leonardo, segurança do cativeiro -que não teve direito à maioridade

na vida.

Gilberto Dimenstein

Os Editoriais

Novamente , são opinativos, argumentativos e possuem aquela mesma estrutura. Todos os

jornais e revistas têm esses editoriais. Os principais diários do país produzem três textos

desse gênero. Geralmente um deles tratará de política; outro, de economia; um outro, de

temas internacionais. A diferença em relação ao artigo é que o autor, o editorialista, não

expressa sua opinião, apenas serve de intermediário para revelar o ponto de vista da

instituição, da empresa, do órgão de comunicação. Muitas vezes, esses editoriais são

produzidos por mais de um profissional. O editorialista é, quase sempre, antigo na casa e,

obviamente, da confiança do dono da empresa de comunicação. Os temas, por evidente, são

a pauta do momento, os assuntos da semana.

As Notícias

Aqui temos outro gênero, bem diverso. As notícias são autorais, isto é, produzidas por um

jornalista claramente identificado na matéria. Possuem uma estrutura bem fechada, na qual,

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no primeiro parágrafo (também chamado de lide), o autor deve responder às cinco

perguntinhas básicas do jornalismo: Quem? Quando? Onde? Como? E por quê?

Essa maneira de fazer texto atende a uma regra do jornalismo moderno: facilitar a leitura.

Se o leitor/receptor desejar mais informações sobre a notícia, que vá adiante no texto. Fato

é que, lendo apenas o parágrafo inicial, terá as informações básicas do assunto. A grande

diferença em relação ao artigo e ao editorial está no objetivo. O autor quer apenas "passar"

a informação, quer dizer, não busca convencer o leitor/receptor de nada. É aquele texto que

os jornalistas chamam de objetivo ou isento, despido de subjetividade e de

intencionalidade.

Exemplo de Notícia

REUTERS - 19.02.2008 08:02

Bush quer transição democrática com saída de Fidel

KIGALI, Ruanda (Reuters) - O presidente norte-americano, George W. Bush, afirmou

nesta terça-feira que espera que a aposentadoria do líder cubano Fidel Castro marque o

início de uma transição democrática na ilha caribenha.

"Eu acredito que a mudança com Fidel Castro deve marcar o começo de um período de

transição democrática", disse Bush em entrevista coletiva à imprensa, realizada em Ruanda

-- o país integra o roteiro de sua visita a cinco países africanos.

Fidel, 81, anunciou que não vai retornar à liderança do país como presidente, aposentando-

se como chefe de Estado 49 anos depois de ter tomado o poder em uma revolução armada.

(Por Tabassum Zakaria)

As Crônicas

Estamos diante da Literatura. Os cronistas não possuem compromisso com a realidade

objetiva. Eles retratam a realidade subjetiva. Dessa maneira, Rubem Braga, cronista,

jornalista, produziu, por exemplo, um texto abordando a flor que nasceu no seu jardim. Não

importa o mundo com suas tragédias constantes, mas sim o universo interior do cronista,

que nada mais é do que um fotógrafo de sua cidade. É interessante verificar que essas

características fundamentais da crônica vão desaparecendo com o tempo. Não há, por

exemplo, um cronista de Porto Alegre (talvez o último deles tenha sido Sérgio da Costa

Franco).

Se observarmos o jornal Folha de S. Paulo, teremos, junto aos editoriais e a dois artigos

sobre política ou economia, uma crônica de Carlos Heitor Cony, descolada da realidade, se

assim lhe aprouver (Cony, muitas vezes, produz artigos, discutindo algo da realidade

objetiva). O jornal busca, dessa maneira, arejar essa página tão sisuda. A crônica é isso:

uma janela aberta ao mar. Vale lembrar que o jornalismo, ao seu início, era confundido

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com Literatura. Um texto sobre um assassinato, por exemplo, poderia começar assim: "

Chovia muito, e raios luminosos atiravam-se à terra. Num desses clarões, uma faca surge

das trevas..." Dá-se o nome de nariz de cera a essas matérias empoladas, muito comuns nos

tempos heróicos do jornalismo.

Sobre a crônica, há alguns dados interessantes. Considerada por muito tempo como gênero

menor da Literatura, nunca teve status ou maiores reconhecimentos por parte da crítica.

Muitos autores famosos, romancistas, contistas ou poetas, produziram excelentes crônicas,

mas não são conhecidos por isso. Carlos Drummond de Andrade é um belo exemplo. Pela

grandeza de sua poesia, o grande cronista do cotidiano do Rio de Janeiro foi abafado. O

mesmo pode-se falar de Olavo Bilac, que, no início do século passado, passou a produzir

crônicas num jornal carioca, em substituição a outro grande escritor, Machado de Assis.

Essa divisão dos textos da imprensa é didática e objetiva esclarecer um pouco mais o

vestibulando. No entanto, é importante assinalar que os autores modernos fundem essa

divisão, fazendo um trabalho misto. É o caso de Luis Fernando Veríssimo, que ora trabalha

uma crônica, com os personagens conversando em um bar, terminando por um artigo, no

qual faz críticas ao poder central, por exemplo. Martha Medeiros, por seu turno, produz,

muitas vezes, um artigo, revelando a alma feminina. Em outros momentos, faz uma crônica

sobre o quotidiano.

Exemplo de Crônica

A luta e a lição

Um brasileiro de 38 anos, Vítor Negrete, morreu no Tibete após escalar pela segunda vez o

ponto culminante do planeta, o monte Everest. Da primeira, usou o reforço de um cilindro

de oxigênio para suportar a altura. Na segunda (e última), dispensou o cilindro, devido ao

seu estado geral, que era considerado ótimo.

As façanhas dele me emocionaram, a bem sucedida e a malograda. Aqui do meu canto,

temendo e tremendo toda a vez que viajo no bondinho do Pão de Açúcar, fico meditando

sobre os motivos que levam alguns heróis a se superarem. Vitor já havia vencido o cume

mais alto do mundo. Quis provar mais, fazendo a escalada sem a ajuda do oxigênio

suplementar. O que leva um ser humano bem sucedido a vencer desafios assim?

Ora, dirão os entendidos, é assim que caminha a humanidade. Se cada um repetisse meu

exemplo, ficando solidamente instalado no chão, sem tentar a aventura, ainda estaríamos

nas cavernas, lascando o fogo com pedras, comendo animais crus e puxando nossas

mulheres pelos cabelos, como os trogloditas --se é que os trogloditas faziam isso. Somos o

que somos hoje devido a heróis que trocam a vida pelo risco. Bem verdade que escalar

montanhas, em si, não traz nada de prático ao resto da humanidade que prefere ficar na

cômoda planície da segurança.

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Mas o que há de louvável (e lamentável) na aventura de Vítor Negrete é a aspiração de ir

mais longe, de superar marcas, de ir mais alto, desafiando os riscos. Não sei até que ponto

ele foi temerário ao recusar o oxigênio suplementar. Mas seu exemplo --e seu sacrifício- é

uma lição de luta, mesmo sendo uma luta perdida.

(Carlos Heitor Cony, Folha de S. Paulo)

A interpretação serve para Química!

Responda rápido a uma pergunta: O que há em comum entre os vestibulandos aprovados

nos primeiros lugares? Será que possuem semelhanças? Sim, de fato, o que os identifica é a

leitura e a curiosidade pelo mundo que os cerca. Eles lêem bastante, e lêem de tudo um

pouco. As instituições de ensino superior não querem mais aquele aluno que decora

regrinhas. Elas buscam o cidadão que possui leitura e conhecimento de mundo. Nesse

aspecto, as questões, inclusive das provas de exatas, muitas vezes pedem criticidade e

compreensão de enunciados. Quantas vezes você, caro vestibulando, não errou uma

questão de Física ou de Biologia por não entender o que foi pedido. Pois estamos falando

de interpretação de textos. A leitura e a interpretação tornam-se, dessa maneira, exigência

de todas as disciplinas. E não pense que essa capacidade crítica de entender o texto escrito

(e até falado) é exclusividade do vestibular. Quando você for buscar uma vaga no mercado

de trabalho, a criticidade, a capacidade de comunicação e de compreensão do mundo serão

atributos importantes nessa concorrência. Lembre-se disso na hora de planejar os estudos

para os próximos vestibulares.

Instruções Gerais

Em primeiro lugar, você deve ter em mente que interpretação de textos em testes de

múltipla escolha pressupõe armadilhas da banca. Isso significa dizer que as questões são

montadas de modo a induzir o incauto e sofrido vestibulando ao erro. Nesse sentido, é

importante observar os comandos da questão (de acordo com o texto, conforme o texto,

segundo o autor...). Se forem esses os comandos, você deve-se limitar à realidade do texto.

Muitas vezes, as alternativas extrapolam as verdades do texto; ou ainda diminuem essas

mesmas verdades; ou fazem afirmações que nem de longe estão no texto.

Exemplo de Editorial

Dificilmente a Câmara dos Deputados conseguirá aprovar a curto prazo a Lei de

Biossegurança que precisa votar por ter sido modificada no Senado.

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É muito longa a pauta de projetos à espera de apreciação: além de outras importantes leis,

há projetos de emendas constitucionais e uma série de medidas provisórias, que trancam a

pauta.

Mas, com tudo isso, é importante que os deputados tenham consciência da necessidade de

conceder aos cientistas brasileiros, o mais rapidamente possível, a liberdade de que eles

necessitam para desenvolver pesquisas na área das células-tronco embrionárias.

Embora seja este um novo campo de investigação, já está fazendo surgir aplicações práticas

concretas, que demonstram seu potencial curativo fantasticamente promissor.

Não é por outro motivo que os eleitores da Califórnia aprovaram a emenda 71, que destina

US$ 3 bilhões às pesquisas com células-tronco, causa defendida com veemência por seu

governador, o mais do que conservador Arnold Schwarzenegger.

O caso chama a atenção porque o ex-ator, ao contrário de outros republicanos (como Ron

Reagan, cujo pai sofria do mal de Alzheimer), não tem interesse pessoal no

desenvolvimento de tratamentos médicos para doenças degenerativas hoje incuráveis.

Apenas o convívio com pessoas como o recentemente falecido Christopher Reeve, que

ficou tetraplégico após um acidente, ou Michael J. Fox, que sofre do mal de Parkinson,

parece ter sido suficiente para convencer Schwarzenegger de que é fundamental apoiar a

pesquisa.

O projeto que retornou do Senado ainda inclui graves restrições à ciência, como a limitação

das pesquisas às células de embriões congelados há pelo menos três anos nas clínicas de

fertilização — embriões descartados que, com qualquer tempo de congelamento, vão

acabar no lixo.

Também algum dia será preciso admitir a clonagem com fins terapêuticos, hoje vedada, e

que é particularmente promissora.

Ainda assim, comparado com o projeto proibitivo que veio originalmente da Câmara, o

novo texto da Lei de Biossegurança é um importante passo à frente. Merece ser apreciado

com rapidez e aprovado pelos deputados.

(O Globo, 5/11)

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Tipologia textual.

1. texto Literário: expressa a opinião pessoal do autor que também é transmitida através

de figuras, impregnado de subjetivismo. Ex: um romance, um conto, uma poesia...

2. texto não-literário: preocupa-se em transmitir uma mensagem da forma mais clara e

objetiva possível. Ex: uma notícia de jornal, uma bula de medicamento.

TEXTO LITERÁRIOTEXTO NÃO-LITERÁRIO

Conotação Figurado, subjetivo

Pessoal

Denotação Claro, objetivo

Informativo

TIPOS DE COMPOSIÇÃO

1. Descrição: descrever é representar verbalmente um objeto, uma pessoal, um lugar,

mediante a indicação de aspectos característicos, de pormenores individualizantes. Requer

observação cuidadosa, para tornar aquilo que vai ser descrito um modelo inconfundível.

Não se trata de enumerar uma série de elementos, mas de captar os traços capazes de

transmitir uma impressão autêntica. Descrever é mais que apontar, é muito mais que

fotografar. É pintar, é criar. Por isso, impõe-se o uso de palavras específicas, exatas.

2. Narração: é um relato organizado de acontecimentos reais ou imaginários. São seus

elementos constitutivos: personagens, circunstâncias, ação; o seu núcleo é o incidente, o

episódio, e o que a distingue da descrição é a presença de personagens atuantes, que estão

quase sempre em conflito.

A Narração envolve:

I. Quem? Personagem;

II. Quê? Fatos, enredo;

III. Quando? A época em que ocorreram os acontecimentos;

IV. Onde? O lugar da ocorrência;

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V. Como? O modo como se desenvolveram os acontecimentos;

VI. Por quê? A causa dos acontecimentos;

3. Dissertação: dissertar é apresentar idéias, analisá-las, é estabelecer um ponto de vista

baseado em argumentos lógicos; é estabelecer relações de causa e efeito. Aqui não basta

expor, narrar ou descrever, é necessário explanar e explicar. O raciocínio é que deve

imperar neste tipo de composição, e quanto maior a fundamentação argumentativa, mais

brilhante será o desempenho.

2. Ortografia.

A técnica de empregar a linguagem na forma de comunicação escrita é chamada de

grafia.

O emprego da grafia correta é conhecido em nossa língua como ortografia.

A ortografia ainda empregada no Brasil é a do Pequeno Vocabulário Ortográfico da

Língua Portuguesa, 1943, que em 18 de dezembro de 1971, sofreu algumas alterações, no

que tange às regras de acentuação gráfica das palavras.

Na ortografia estudam-se, entre outros pontos:

- alfabeto

- letras

- vocábulos homógrafos e homófonos

- acentuação gráfica

- emprego de algumas letras

- abreviaturas.

ALFABETO

O conjunto de letras empregadas na comunicação escrita de uma língua é chamado de

alfabeto.

O alfabeto da língua portuguesa é composto de 23 (vinte e três) letras, cinco vogais e

dezoito consoantes.

Letras que compõem o alfabeto e seus respectivos nomes: a (á), b (bê), c (cê), d (dê),

e (é), f (efe), g (gê), h (agá), i (i), j (jota), l (ele), m (eme), n (ene), o (ó), p (pê), q (quê), r

(erre), s (esse), t (tê), u (u), v (vê), x (xis), z (zê).

LETRAS

Enquanto os fonemas são unidades sonoras, as letras são sinais gráficos que

representam os fonemas.

Quanto à forma, as letras podem ser: maiúsculas e minúsculas.

Observe: A, B, C, D, E

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a, b, c, d, e

Quanto à natureza, as letras podem ser; vogais e consoantes.

Observe:

a, e, i, o, u --- vogais

b, c, d, f, g ... - consoantes

EMPREGO DAS LETRAS G e J

1) Escrevem-se com g: argila, agenda, gesto, giz, gengiva, girafa, gente, gesso,

sargento, viagem, etc.

2) Usa-se a consoante j:

a) nos derivados de palavras terminadas em - ja:

- gorjeta, gorjeio, gorjear (e suas flexões) (de gorja = garganta)

- lojista, lojinha (de loja)

- lisonjeiro, lisonjear (de lisonja)

b) em todas as formas de conjugação dos verbos em - jar:

- arranjar, viajar, etc.

c) em palavras de origem ameríndia, africana ou popular: canjica, jeca, jequitibá, jerico,

cafajeste, jibóia, pajé, Moji, etc.

d) nas seguintes palavras: jeito, ajeitar, desajeitado, injeção, jerimum, majestade, pajem,

ajuíza, etc.

EMPREGO DO S

Muitas vezes o S é confundido com C, Ç ou X, mas mencionaremos apenas os casos

em que mais freqüentemente se erra no emprego:

1) nos seguintes monossílabos: ás (carta, aviador exímio), três, mês, rês, trás (prep.), gás

(e seus derivados).

2) nos oxítonos: aliás, anis, arnês, atrás, através, convés, freguês, país, retrós, revés (e

seus derivados).

3) nos seguintes nomes próprios: Inês, Isabel, Luís, Resende, Teresa, Tomás, Luísa, etc.

4) nos adjetivos pátrios em -ês: francês, inglês, português, etc.

5) nos verbos em isar, derivados de palavras cujo radical termina em s: analisar, alisar,

pesquisar, paralisar, avisar, etc.

exceção: catequese = catequizar.

6) nas formas dos verbos pôr, querer, usar e seus derivados: pus, pusesse, quis, quiser,

repus, repuser, compus, compusesse, usasse, etc.

7) nas palavras: pretensão, salsicha, senso (juízo), misto, cansaço, descanso, ansioso,

esplendor, turquesa, ânsia, etc.

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EMPREGO DO Ç

Às vezes, o C e o Ç são confundidos com S ou SS.

Algumas palavras com C: acender (iluminar), acento (tom de voz), alicerce, cacique,

cear, cebola, cê-cedilha, cédula, célula, censo (recenseamento), penicilina, etc.

Algumas palavras com Ç: aço (ferro temperado), açúcar, alçapão, almoço, caiçara,

coação, maçom, mordaça, ouriço, ruço (grisalho), traça, etc.

EMPREGO DO SS e RR

Duplicam-se o S e o R em dois casos:

1) quando intervocálicos, representam os sons simples do R e S iniciais: carro, ferro,

pêssego, missão.

2) quando a um elemento de composição terminado em vogal, seguir, sem interposição

do hífen, palavra começada por uma daquelas: derrogar, prerrogativa, prorrogação,

pressentimento, madressilva, sacrossanto, dulcíssimo, etc.

EMPREGO DO SC

1) Elimina-se a letra S do dígrafo SC:

a) quando inicial: cena, cetro, ciência;

b) nos compostos formados em nossa língua: encenação, alvorecer, anticientífico.

2) Mantém-se o S:

a) em palavras compostas provindas do latim; consciência, cônscio, acrescentar,

prescindir, proscênio.

b) no dígrafo medial SC de certas palavras de origem latina: nascer, crescer, descer,

florescer, discípulos, ascensão, imprescindível, piscina, seiscentos, susceptível, etc.

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EMPREGO DO Z

Emprega-se:

1) Nos derivados em zal, zinho, zito: cafezal, cafezeiro, cafezinho, irmãozinho.

2) Nos derivados de palavras de radical em Z: cruzeiro (de cruz), enraizar (de raiz).

3) Nos verbos formados com o sufixo IZAR: fertilizar, civilizar, e palavras corradicais:

civilização.

4) Nos substantivos abstratos em EZA, derivados de adjetivos e denotando qualidade

física ou moral: pobreza (de pobre), leveza (de leve).

5) Em várias outras palavras: azeite, azedo, cozinha, mezinha (remédio), bazar, proeza,

buzina, etc.

EMPREGO DO CH

Algumas palavras com CH: bicho, bucha, broche, bochecha, boliche, cacho, chuchu,

charque, chimarrão, charuto, chope, chumaço, churrasco, colchão, cachaça, cochicho,

cochilo, deboche, encharcar, ficha, flecha, fantoche, salsicha, inchar, mochila, piche,

prancha, penacho, guincho, etc.

EMPREGO DO X

1) Esta letra representa os seguintes sons:

a) CH: xarope, vexame.

b) CS: reflexo, tóxico.

c) Z: exame, exílio.

d) SS: auxílio, próximo.

e) S: sexta, texto.

2) Não soa nos grupos internos: ―XCE‖ e ―XCI‖: exceção, exceder, excelente.

3) Escreve-se com X:

a) em geral, depois de ditongo: caixa, rouxinol, ameixa, frouxo.

b) geralmente, depois da sílaba inicial EN: enxame, enxada, enxugar.

c) em vocábulos de origem indígena ou africana: abacaxi, xavante, caxambu.

4) Note-se a presença desta consoante em: puxar, enxofre, lixa, mexer, mexerico, rixa,

praxe, xadrez, xale, xingar, bexiga, xícara, Xá (soberano da Pérsia).

EMPREGO DA LETRA H

Esta letra não tem valor fonético no começo das palavras; conservou-se apenas como

símbolo, por força da etimologia e da tradição escrita.

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Emprega-se o H:

1) Inicial, quando etimológico: homem, hélice.

2) Medial, como integrante dos dígrafos CH, LH, NH: chave, telha, campainha.

3) Final, em certas interjeições: ah! ih!

4) Em compostos unidos por hífen no início do segundo elemento: sobre-humano.

5) No substantivo próprio Bahia (estado do Brasil).

EMPREGO DAS LETRAS K, W e Y

Usam-se apenas:

1) Em abreviaturas e como símbolos de termos científicos de uso internacional: Km

(quilômetro), k (potássio), etc.

2) Na transcrição de palavras estrangeiras não aportuguesadas: Kart, smoking.

3) Em nomes próprios estrangeiros não aportuguesados e seus derivados: Kant, Wagner,

Disneylândia.

S ou Z

I - SUFIXOS - ÊS e EZ:

a) O sufixo ÊS forma adjetivos (às vezes substantivos) derivados de substantivos: cortês

(de corte), chinês (de China), francês (de França).

b) O sufixo EZ forma substantivos abstratos femininos, derivados de adjetivos: aridez

(de árido), acidez (de ácido), estupidez (de estúpido).

II - SUFIXOS - ESA e EZA:

a) Escreve-se - ESA (com S):

1) nos seguintes substantivos derivados de verbos em ender: defesa (defender), despesa

(despender).

2) nos substantivos femininos designativos de títulos nobiliárquicos: baronesa, duquesa,

marquesa, princesa, consulesa.

3) nas formas femininas dos adjetivos em ÊS: burguesa (de burguês), freguesa (de

freguês).

4) nas seguintes palavras femininas: framboesa, indefesa, mesa.

b) Escreve-se com EZA: substantivos abstratos como: tristeza, moleza, etc.

III - VERBOS EM ISAR e IZAR:

Escreve-se - ISAR (com S) quando o radical dos nomes correspondentes termina em

S: avisar (aviso + ar).

Se o radical não terminar em S, grafa-se - IZAR (com Z): anarquizar (anarquia +

izar).

3. Semântica

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Semântica é o estudo do significado, isto é a ciência das significações, com os

problemas suscitados sobre o significado: Tudo tem significado? Significado é imagem

acústica, ou imagem visual? O homem sempre se preocupou com a origem das línguas e

com a relação entre as palavras e as coisas que elas significam, se há uma ligação natural

entre os nomes e as coisas nomeadas ou se essa associação é mero resultado de

convenção. Nesse estudo consideram-se também as mudanças de sentido, a escolha de

novas expressões, o nascimento e morte das locuções. A semântica como estudo das

alterações de significado prende-se a Michel Bréal e a Gaston Paris. Um tratamento

sincrônico descritivo dos fatos da linguagem e da visão da língua como estrutura e as

novas teorias do símbolo datam do século. XX.

As formas lingüísticas são símbolos e valem pelo que significam. São ruídos

bucais, mas ruídos significantes. É a constante referência mental de uma forma a

determinado significado que a eleva a elemento de uma língua. Não há nenhuma relação

entre o semantema (ou lexema ou morfema lexical – unidade léxica, que compõe o

léxico) cão e um certo animal doméstico a não ser o uso que se faz desse semantema

para referir-se a esse animal. Cada língua ―recorta‖ o mundo objetivo a seu modo, o que

Humboldt chama ―visão do mundo‖. Registre-se a existência da linguagem figurada, a

metáfora, uso de uma palavra por outra, subjazendo à segunda a significação da

primeira. Há que se levar em conta a denotação (significado mais restrito) e a conotação

(halo de emoção envolvendo o semantema – casa / lar).

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O estudo dos semantemas é difícil, pois são em número infinito e sua significação

fluída, sujeita às variações sincrônica, sintópica etc. A polissemia faz da significação dos

semantemas um conglomerado de elementos e não um elemento único: ele anda a passos

largos / anda de carro / anda doente. Quanto à significação interna dos morfemas, (ou

gramema ou morfema gramatical) ela se distribui nas categorias gramaticais que

enquadram um dado semantema numa gama de categoria – gênero, número etc – para

maior economia da linguagem.

Os elementos lexicais que fazem parte do acervo do falante de uma língua podem ser:

– simples – cavalo

– compostos – cavalo-marinho

– complexos – a olhos vistos, briga de foice no escuro (são sintagmáticos)

– textuais – orações, pragas, hinos (são pragmáticos, não entram nos dicionários de

língua, a não ser por comodidade. O conceito de gato não está contido em "à noite todos os

gatos são pardos‖)

Nem todo lexema é, portanto, uma palavra, às vezes é um conjunto, em geral

idiomático: favas contadas, nabos em saco etc. Nesse caso, falamos em sentido figurado,

oposto a sentidoliteral.

Nas alterações sofridas nas relações entre as palavras estão as chamadas figuras de

retórica clássica:

1) Metáfora – comparação abreviada

2) Metonímia – transferência do nome de um objeto a outro, com o qual guarda

alguma relação de:

– autor pela obra – Ler Machado de Assis

– agente pelo objeto – Comprar um Portinari

– causa pelo efeito – Viver do seu trabalho

– continente pelo conteúdo – Comeu dois pratos

– local pelo produto – Fumar um havana

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etc

3) Sinédoque (para alguns é caso de metonímia)

– parte pelo todo – Completar 15 primaveras

– singular pelo plural – O português chegou à América em 1500

4) Catacrese – extensão do sentido de uma palavra a objetos ou ações que não

possuem denominação própria – embarcar no ônibus; o da mesa

No levantamento da tipologia das relações entre as palavras assinalam-se ainda os

fenômenos da sinonímia, antonímia, homonímia, polissemia e hiponímia. Os sinônimos

se dizem completos, quando são intercambiáveis no contexto em questão. São perfeitos

quando intercambiáveis em todos os contextos, o que é muito raro, a não ser em termos

técnicos.

Por exemplo, em: casamento, matrimônio, enlace, bodas, consórcio, há um fundo

comum, um "núcleo"; os empregos são diferentes, porém próximos. Nem todas as palavras

aceitam sinônimos ou antônimos. A escolha entre séries sinonímicas é, às vezes, regional.

(Ex: pandorga, papagaio, pipa). Quanto à homonímia, pode ocorrer coincidência fônica

e/ou gráfica. A coincidência de grafemas e fonemas pode decorrer de convergência de

formas (Ex: são – verbo ser, sinônimo de sadio, forma variante de santo derivando

respectivamente de sunt, sanum, sanctum). Ou é resultado de existência coincidente do

mesmo vocábulo em línguas diferentes (Ex: manga – parte da roupa ou fruto, provindo,

respectivamente do Latim e do Malaio).

Cumpre distinguir homonímia de polissemia, o que nem sempre é fácil. A distinção

pode ser:

– descritiva – considerando ser a palavra um feixe de semas, se entre duas palavras

com a mesma forma, houver um sema comum, diz-se ser um caso de polissemia (Ex: coroa

– adorno para a cabeça ou trabalho dentário). Em caso contrário, será homonímia (Ex pena

– sofrimento ou revestimento do corpo das aves) .

– diacrônica – se as palavras provém do mesmo léxico, diz-se ocorrer um caso de

polissemia;(Ex: cabo – acidente geográfico e fim de alguma coisa) No contrário, ocorrerá

um caso de convergência de formas (Ex: canto – verbo cantar e ângulo).

O estudo da homonímia e da polissemia envolve, portanto, o problema de significação,

principalmente universal, e de significação, marginalmente ocasional. Quando a mesma

forma fônica cobre significações diferentes, embora correlatas, tem-se a polissemia;

quando cobre significações completamente diferentes, tem-se a homonímia. A

polissemia envolve matizes emocionais, é determinada pelo contexto; constitui, às vezes,

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linguagem figurada e linguagem literária. A tarefa do ouvinte é fazer uma seleção entre

as significações alternativas, por meio do contexto em que se acha o signo. Diz-se serem

os homônimos lexemas iguais e palavras diferentes, isto é, com conteúdo semântico

diferente. Como os lexemas também podem se apresentar com mais de uma forma, a

descrição de homonímia precisa ser refinada para se distinguir homonímia parcial de

homonímia total, considerando-se aqui a não coincidência entre língua escrita e falada.

Já a polissemia só ocorre com lexemas simples. É, por vezes, difícil distingui-la de

homonímia. Um dos critérios é o etimológico, não relevante na linguagem estrutural. O

principal, aqui, é haver relação entre significados. Permanece o problema do dicionário:

deve haver uma ou mais de uma entrada lexical? Ex: pupila – parte do olho / menor de que

se deve cuidar – têm a mesma etimologia. Mas deve-se considerar a relação sincrônica

entre os Significados. O fato de a língua sofrer alterações dificulta o problema.

Quanto à sinonímia, os lexemas podem ser completamente sinônimos ou não,

conforme sejam intercambiáveis em todos os contextos ou não. A sinonímia total é muito

rara, só ocorre em termos científicos. A distinção é, por vezes, sutil, inclui o fator

eufemismo. (vide anexo). Podemos dizer que um lexema se relaciona a outros pelo sentido

e se relaciona com a realidade pela denotação. Sentido e denotação são interdependentes.

Isomorfia total entre duas línguas é difícil, ocorre mais freqüentemente em empréstimos

decorrentes de intercâmbios cultural (Ex. a palavra camisa, herdada pelos romanos aos

iberos). A análise componencial coloca a tese de serem os lexemas de todas as línguas

complexos de conceitos atomísticos universais como os fonemas são complexos de traços

atomísticos universais (possivelmente). Assim o lexema mulher pode ser descrito pelos

traços adulto, feminino, humano, em relação a homem que seria adulto, não-feminino,

humano. Nem todo lexema é passível de análise componencial (a análise componencial

ajuda a distinguir homonímia de polissemia).

Entre as relações pelo sentido, colocamos também a hiponímia e a antonímia. A

antonímia inclui os casos de oposição de sentido (solteiro / casado; morto / vivo), ou, como

dizem alguns autores, a incompatibilidade (vermelho / azul / branco seriam incompatíveis

entre si).

As relações hiponímicas provêm do fato de um termo ser mais abrangente que outro:

(Ex: flor > rosa, orquídea etc)

Um grande número de palavras aceita polissemia. Escapam os termos técnicos,

palavras muito raras e palavras muito longas. O deslizar de sentido ocorre por muitas

causas:

– interpretações analógicas – (Ex: mamão).

– transferência do adjetivo ao substantivo – (Ex: pêssego, burro).

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– adaptação de palavras estrangeiras – (Ex: forró).

Na evolução semântica, as palavras ganham conotação pejorativa (tratante – que faz

um trato), ou valorativa (ministro – que serve os alimentos); ampliam o significado

(trabalho– instrumento de tortura), ou restringem (anjo – mensageiro).

Fontes de renovação do léxico em suas acepções, são as gírias (falares grupais), aí

incluídos os jargões profissionais (chutar, no sentido de mentir; o doente fez uma

hipoglicemia).

As siglas são outra fonte do léxico, dando até palavras derivadas (CLT → celetista).

O signo lingüístico quebra a convencionalidade no caso da derivação, que é um caso

de motivação intra-lingüística e se prende à semântica gramatical (caju → cajueiro; pena

de aveÕpena de caneta) e no caso das onomatopéias (sibilar). Há estudiosos defendendo a

idéia de que, originalmente, seria tudo onomatopéia.

As onomatopéias são iconográficas; na poesia exploram-se as virtualidades da

representação natural. (―Um fino apito estrídulo sibila / rangem as rodas num arranco

perro‖ O trem de ferro – Batista Rebelo)

Na chamada linguagem figurada há várias ocorrências: elipse (bife com fritas);

similaridade (chapéu-coco); sinestesia (cor berrante); contigüidade (beber Champanhe);

perda de motivação (átomo); eufemismo (vida-fácil). Por vezes, o eufemismo provém de

um tabu lingüístico mal dos peitos, doença ruim, malino < maligno etc. Esses fenômenos

são grupais, acabam por convencionalizar-se.

Toda criação de palavras repousa, portanto, em associações, sendo a língua uma

estrutura. O valor de uma palavra se estabelece em relação a outras e em relação ao sistema,

é o centro de uma constelação associativa; toda mudança em um conceito resulta em

mudança nos conceitos vizinhos (mulher / senhora ; sopa fria / água fria)

Em resumo, a significação lexical é a significação, no sentido de uma noção

apropriada, experimentada em conexão com o uso da palavra em causa. A significação

gramatical está ligada aos morfemas, sem se desligar da significação léxica; refere-se às

propriedades e relações dos signos verbais dados e às propriedades e relações dos objetos

reais que são refletidos na linguagem e no pensamento: gênero, número etc. A significação

sintática é, por assim dizer, uma extensão da significação gramatical – lato-sensu, diz-se

que a significação dos morfemas é um elemento da significação sintática; na significação

sintática sempre se acrescenta um elemento qualquer à significação léxica; isso provém dos

morfemas, das regras da ordem das palavras e das palavras funcionais. Quando o quadro de

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morfemas é pobre, a ordenação e as palavras auxiliares tornam-se importantes. Essas

últimas são morfemas, tanto quanto os afixos, pois sempre aparecem em companhia das

palavras mais lexicais e acrescentam algo à significação dessas (Ex. bater no / com o carro

de Maria).

As significações lingüísticas consideram a significação interna ou gramatical

referente aos morfemas e a semântica externa ou lexical, isto é, objetiva, referente aos

semantemas. Pode ser diacrônica ou descritiva (como as línguas interpretam o mundo). A

significação interna, como já se disse, distribui-se pelas categorias gramaticais para maior

economia e eficiência da linguagem. A estrutura sintagmática é também relevante para o

significado, donde poder-se falar em significado gramatical; esse depende da regência, da

colocação e, até, de fatores como pausa, entonação que, na linguagem escrita são

assinaladas, tanto quanto possível, pela pontuação. O significado da sentença não é portanto

a soma do significado dos seus elementos lexicais, muito embora a relevância do

significado de cada um deles.

O significado de uma sentença depende, portanto, do Significado dos seus lexemas

constituintes e o Significado de alguns lexemas dependerá, por sua vez, da sentença em que

aparece. Mas a estrutura da sentença é relevante para a determinação do Significado.

Devemos, por conseguinte, considerar o Significado gramatical como componente para o

Significado da sentença. Já o Significado do enunciado envolve o Significado de sentença,

mas não se esgota nele. Depende de fatores contextuais. Há teorias afirmando que o

Significado do enunciado extrapola a lingüística constituindo a pragmática.

É preciso considerar que as línguas possuem variadas funções. As proposições podem

ser declarativas, imperativas, ou imperativas. As declarativas podem ser afirmativas ou

negativas (falsas ou verdadeiras). Há, então, uma grande divisão entre Significado

descritivo e não-descritivo. (Ex. João levanta tarde (! ? ...) dependendo da entonação, será

uma informação ou uma exteriorização de sentimentos). No significado não-descritivo

inclui-se o significado social, quando este visa a manter ou estabelecer papéis sociais.

Numa visão mais ampla podemos aí incluir das formas ritualizadas (cumprimentos, brindes

etc) até os enunciados científicos que tem por objetivo fazer adeptos e influenciar

comportamentos. O que é dito e o modo de dizer dependem das relações sociais entre os

interlocutores. Quanto aos lexemas, há que se considerar que eles tanto transportam

conteúdo sêmico (do Significado), quanto informações gramaticais expressas nas

desinências e nos determinantes e nas funções que expressam na sentença. Há informações

portanto, mórficas e sintáticas, apontadas já no dicionário. (p. ex. subst. fem., v. trans. etc).

O conceito de semântica gramatical se torna claro ao compararmos: O menino

mordeuo cachorro / O cachorro mordeu o menino. Há também, a considerar, as variações

estilísticas: o emprego do condicional é mais gentil que o presente do indicativo.

Consideremos, ainda, o fato de existirem, nas línguas naturais, sentenças com:

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– pressuposição – Quanto tempo ele ficou em Brasília? – supõe: Ele foi a Brasília.

– implicação – Muitos estudantes não foram capazes de responder à pergunta. –

implica: – Só alguns estudantes responderam.

A compreensão dos significados das sentenças envolve os elementos lexicais isolados

e o modo como eles se relacionam. A análise do significado das palavras requer o uso de

regras semânticas. Menino implica macho, jovem, humano: são os traços pertinentes ou

componentes semânticos, que se apontam na análise componencial. O significado da

palavra é um complexo de componentes semânticos ligados por constantes lógicas. X bate

em Y – implica – Y apanha de X; Caso Paulo venha, Pedro partirá. – implica – Caso Paulo

não venha, Pedro não partirá. Pedro continua a beber – pressupõe – Pedro bebia antes. A

pressuposição com a frase negativa continua a mesma: Pedro não toma bebida alcoólica –

pressupõe – Pedro não gosta, ou está proibido pelo médico, ou por autoridade religiosa, de

tomar bebida alcoólica.

Enfim, o sentido das palavras não é transcendental nem produzido pelo contexto; é a

resultante de contextos já produzidos. A relação entre significante e significado é flutuante,

está sempre em aberto. Disso resultam os problemas lexicográficos. Mesmo aqui, usamos

termos como palavra, vocábulo e outros sobre cujas acepções divergem os estudiosos,

muito embora o seu fundo comum, do qual temos, inclusive os leigos, um conhecimento

intuitivo.

Como dissemos, para alguns autores, o significado do enunciado extrapola o âmbito

da Lingüística, entrando no terreno da Pragmática. Essa ciência pode, em brevíssimas

palavras, ser definida como ―relações da linguagem com seus usuários.‖ Ou por outra,

exame dos discursos formadores da e formados pela visão do mundo. Sendo a língua uma

abstração, um agregado de dialetos, de socioletos, de idioletos, é a fala que tem existência

real, merecedora de atenção por parte de todos que se interessam pelos fenômenos da

linguagem. Quando se fala, faz-se mais que trocar informações. A fala é cooperação, mas é

também conflito, persuasão, negociação. Todo ato de fala se realiza em determinadas

condições psicológicas, dentro de um contexto sociocultural que, mais ou menos, as

controlam. Para a real ocorrência, com sucesso, de um ato de fala são imprescindíveis os

chamados fatores de textualidade:

FATORES

LINGÜÍSTICOS

FATORES

EXTRALINGÜÍSTICOS

Coesão Intencionalidade

Coerência Aceitabilidade

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Intertextualidade Informatividade

Situacionalidade

Esses fatores residem em competências do falante e do ouvinte, em um pacto social

que começa no compartilhamento do mesmo idioma e que transforma a linguagem em

discurso. Para AUSTIN dizer é sempre fazer. Além do simples fenômeno de emissão de

sons bucais dotados de significação clara e permanente, coesos e coerentes, há necessidade

de se situar a emissão, aceitar o emissor, perceber-lhe a intenção (ou, ao menos, a intenção

frontal) para que ocorra a informação. Desse modo, podem os atos de fala, por si, mudar

uma situação. Por exemplo, quando o juiz afirma ao casal de noivos – Eu os declaro marido

e mulher – essas pessoas passam da condição de solteiros para a de casados. Muitos

exemplos podem ser apresentados, inclusive o inicial de todos eles e de tudo mais– ―Faça-

se a luz‖ . As religiões, inclusive em suas cosmogonias, atribuem valor aos atos de fala,

com recomendações de que sejam seguidos à risca para que surtam efeito.

Nos atos declarativos, há que se distinguir entre locutor e enunciador. Locutor será o

autor das palavras, o que diz; enunciador será o indivíduo a quem o locutor atribui a

responsabilidade do foi dito. Por exemplo, no enunciado ―O homem teria chegado ao Brasil

há 45.800 anos‖ [1] o locutor é o jornalista que redige a notícia e o enunciador a arqueóloga

que faz a afirmação. O uso do Futuro do Pretérito, muito usado no discurso jornalístico,

exime o jornalista da responsabilidade quanto à veracidade das palavras.

A essa superposição de falas dá-se o nome de polifonia. O locutor dá voz a um ou

vários enunciadores, cujos discursos ele difunde, organizando-os e não deixando de

manifestar a própria posição. Se o enunciador não é reconhecido pelo ouvinte (caso das

citações muito repetidas – ―Penso, logo existo‖) esse fato não impede a comunicação, logo

não impede o sucesso do ato de fala.

O mesmo se pode dizer da ironia, da hipérbole, que, mesmo quando não de imediato

percebidas, de alguma forma atingem os objetivos do falante.

Outra situação remarcável é dos tropos: desvio de um sentido literal, primitivo a um

sentido implícito. O brasileiro, tido como povo afável, é farto em tropos:

– Você pode me emprestar a caneta? – por– Empreste-me a caneta.

– Não está um pouco tarde? Não vá perder seu ônibus (para a visita) – por – Você

está me cansando com sua permanência.

– Diga boa-noite a seus irmãozinhos. (a mãe para o filho de poucas semanas) – por –

Vão se deitar. (para os filhos mais velhos).

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A Pragmática é observável em todos os contextos. Porém , em algumas situações,

torna-se mais evidente o trato da linguagem como instrumento de manipulação. É o que

acontece nos discursos político, pedagógico, religioso e até no discurso amoroso. Em

todos esses casos, há uma base afirmativa que, manipulada , serve aos objetivos do

emissor. A diferença está no grau de consciência quanto aos recursos utilizados para o

convencimento. A linguagem publicitária prima na utilização desses recursos para

mudar ou manter a opinião do público-alvo.

Como um estranho não tem autoridade para mandar, a publicidade adota técnicas

variadas:

Fazer-agir: Beba Coca-Cola!

Fazer-crer; Só Omo lava mais branco!

Fazer-buscar prazer: Se um desconhecido oferecer flores, isto é Impulse!

A mensagem publicitária, utilizando a moderna tecnologia, promete,

abundância, progresso, lazer, beleza, juventude. Ao contrário das catástrofes

noticiadas nos jornais, a publicidade fala de um mundo bonito e prazeroso. Esse

prazer está associado ao uso de determinado objeto, criando a linguagem da marca, o

ícone do produto. Possuir certos objetos passa a ser sinônimo de felicidade. Se na

linguagem do cotidiano muito pouco se usam as ordens, preferindo formas

eufemísticas (faça o favor de entrar), a publicidade pode ser mais direta: – Abuse e

use C & A!.

A publicidade diz e, também, sugere sem dizer explicitamente. Usa recursos

estilísticos:

1) Fonéticos: onomatopéias, aliterações etc.

2) Léxico-semânticos: criação de termos novos, novos significados, clichês, duplo

sentido etc.

3) Morfossintáticos: grafias inusitadas, flexões novas, sintaxe não linear etc.

– A ERICSSON FEZ UM TELEFONE COM TUDO EM CIMA!

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– DIET-COKE TRAZ O PRAZER DE VIVER EM FORMA!

– AINDA NÃO INVENTARAM UM PASSE BEM MELHOR QUE PASSE

BEM.[2]

O discurso publicitário cumpre seu papel por três vias:

1– psicológica – a eficácia do jogo de palavras resulta do fato de que esse jogo causa

prazer, quando de sua decifração; é erótico, no sentido psicanalítico do termo;

2– antropológica – parte da proclamação de que o consumidor é irracional; reaviva

arquétipos, ocultos, mas fundamentais;

3– sociológica – não se dirigindo a ninguém em particular, passa a impressão de que

se dirige a cada um de nós, identificando-nos como membros de uma polis;

No domínio dessa linguagem, parece dizer-se sempre uma só coisa, utilizando-se o

já utilizado, vendendo ilusão para vender produtos e serviços.

De tudo, parece válido concluir ser a linguagem uma variável com participação

fundamental nos processos de convivência com a realidade física e social, além de sua

importância na maneira de organizar as idéias sobre a realidade que nos rodeia. Sendo

assim, a linguagem nunca se esgota em simples instrumento de referência ao mundo

externo. Ao falarmos, manifestamos a nossa perspectiva, nossa avaliação do conteúdo do

dito. Essa posição é resultado da soma de nossas experiências, de nossa própria ideologia,

desaguando num discurso que, de modo algum pode ser simples e objetiva descrição da

realidade. Todo discurso quer converter a uma ideologia e essa ideologia será,

evidentemente, a ideologia do falante. Uma linguagem que vise, apenas, a reproduzir as

próprias coisas esgota seu poder de informação a dados de fatos. Uma forma de expressão,

se é produtiva, deve conter não só informações, como levantar procuras. O mesmo se pode

dizer das artes visuais. Mesmo quando se dizem meramente representativas, na verdade,

nunca o são. Sempre haverá a dimensão criativa.

A linguagem apenas prolonga a percepção e essa percepção sempre se mostrará

dotada de uma dimensão produtiva.

4. Morfologia

Emprego das classes de palavras.

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Na elaboração de um texto escrito, utilizamos palavras para exprimirem nossas idéias.

De acordo com a idéia que expressam, as palavras são agrupadas, na nossa língua, em dez

classes.

Vamos relembrá-las? No quadro, visualizamos todas elas.

Classes de Palavras

Variáveis Invariáveis

Substantivo Advérbio

Artigo Conjunção

Adjetivo Preposição

Numeral Interjeição

Pronome

Verbo

Substantivo Nomeia pessoa, lugar, coisa, qualidade, estado, ação, sentimento.

- O relatório será encaminhado amanhã.

Artigo Precede e determina o substantivo.

- Redigi o ofício. (artigo definido)

- Ela tem umas idéias ótimas.( artigo indefinido)

Adjetivo Qualifica e modifica o substantivo.

-A atual situação do país é preocupante. (os adjetivos "atual" e "preocupante" estão

modificando o substantivo "situação")

Numeral

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Encerra a idéia de quantidade ou posição numa série.

Os numerais podem ser : cardinais, ordinais, multiplicativos e fracionários.

- Cardinais São os números básicos, que indicam a quantidade.

Entraram em licença apenas três empregados.

- Ordinais Indicam a posição numa série.

Trabalho no primeiro andar.

Veja algumas orientações que podem tirar essas dúvidas:

Na designação de papas, reis, séculos e partes de um livro, usam-se os ordinais até o

décimo e, daí em diante, os cardinais.

��século V (quinto) ��Pedro II (segundo) ��capítulo VI (sexto) ��século XX (vinte) ��João XXIII (vinte e três)

Na numeração de artigos de leis, decretos, usam-se os ordinais até o nono e, daí por

diante, os cardinais.

��artigo IV (quarto) ��artigo IX (nono) ��decreto X (dez) ��artigo XXI (vinte e um)

- Multiplicativos Indicam o aumento proporcional da quantidade.

Ele deu um salto triplo.

- Fracionários Indicam o número de partes.

Ele chegará ao meio-dia e meia.

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Quando o numeral vem anteposto ao substantivo, emprega-se sempre o ordinal: vigésimo

primeiro século

Muitas vezes na linguagem falada, ficamos a nos perguntar:

capítulo I - primeiro ou um?

artigo XX - vinte ou vigésimo?

Gramática Eletrônica

Pronome Palavra que substitui ou acompanha o substantivo, determinando a extensão de seu

significado.

Mais adiante, estudaremos mais detalhadamente a classificação do pronome.

��Ele não veio hoje. ��Aproveitarei bem este curso.

Verbo Encerra a idéia de ação, estado, fenômeno natural, ocorrência, desejo.

O estudo de verbo será feito mais detalhadamente na lição 7.

��Durante a semana, não o encontro.

Advérbio Modifica o verbo, o adjetivo ou o próprio advérbio e exprime, entre outras, as seguintes

circunstâncias:

• lugar (aqui, ali...); • modo (bem, mal..); • afirmação (sim...); • negação (não...); • dúvida (talvez...); • inclusão (também). ��Não sairei amanhã. (não - advérbio de negação; amanhã - advérbio de tempo)

Preposição Liga palavras entre si: de, para, por, a, em, entre, sem, sob, sobre, até, com.

Interjeição Exprime manifestações súbitas, repentinas, momentâneas do nosso íntimo.

Ai! Oh!

Conjunção

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