Mamiferos escrito FINAL, Notas de estudo de Agronomia
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Mamiferos escrito FINAL, Notas de estudo de Agronomia

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Mamíferos como pragas agricolas
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UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA

CENTRO DE CIÊNCIAS RURAIS

CURSO DE AGRONOMIA

DEPARTAMENTO DE DEFESA FITOSSANITÁRIA

DISCIPLINA DE BIOECOLOGIA E CONTROLE DE ANIMAIS DANINHOS

MAMÍFEROS

Camila Belo

Eduardo Canova

Kamila Santos

Maíne Lerner

Tiéle Fernandes

Santa Maria, 24 de junho de 2013

SUMÁRIO

1. INTRODUÇÃO......................................................................................................3 2. IMPORTÂNCIA..................................................................................................... 5 3. MORFOLOGIA E ANATOMIA.............................................................................. 7 4. ALIMENTAÇÃO.................................................................................................. 11 5. HABITAT............................................................................................................. 13 6. BIOLOGIA.......................................................................................................... 13 7. CLASSIFICAÇÃO...............................................................................................15 8. PRINCIPAIS PRAGAS........................................................................................18 9. CONTROLE........................................................................................................ 21 10. CONCLUSÃO......................................................................................................23 11. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS................................................................... 24

1. INTRODUÇÃO O desaparecimento dos grandes répteis há dezenas de milhões de anos, na era mesozoica,

assinalou o começo da ascensão de pequenos animais, tímidos e ariscos, os mamíferos, que,

ao contrário do que se poderia supor, tornaram-se os herdeiros dos imponentes sáurios que até

então haviam reinado como senhores absolutos na Terra. Expandiram-se para quase todos

os nichos e habitats disponíveis sobre a terra. São encontrados nos oceanos, ao

longo dos litorais, em lagos e rios, no subsolo, sobre a terra e nas árvores, alguns

habitam até os ares. Sua distribuição é desde as regiões polares até os trópicos e,

na maior parte das áreas continentais, ultrapassam todos os outros vertebrados em

número de indivíduos.

Os primeiros mamíferos eram pequenos e provavelmente insetívoros. Uns poucos

aspectos selecionados da irradiação adaptativa dos mamíferos modernos

proporcionam uma apreciação da versatilidade da estrutura e função dos mamíferos.

Os modos pelos quais os mamíferos interagem com seus ambientes, é possível

graças ao fato destes animais serem endotérmicos (sangue quente). Devido a sua

habilidade endotérmica em manter uma temperatura corporal interna e relativamente

constante, eram capazes de ser ativos à noite e sob condições frias.

Como grupo, os mamíferos possuem muitas características estruturais, que os

distinguem prontamente de outros vertebrados existentes. O aspecto mais

diagnóstico dos mamíferos é a presença de glândulas mamárias, que fornecem

alimento aos filhos e prolongado cuidado com a prole. Outras glândulas como as

sebáceas e as sudoríparas, são, comumente, encontradas em regiões do corpo.

Pelos existem durante algum período da vida, embora possam ser reduzidos ou

estar completamente ausente no estágio adulto de alguns de seus membros, como

as baleias. Sentidos acurados e variadas especializações dentárias, entre outras

características.

As atividades da grande parte dos mamíferos ocorrem durante as horas

crepusculares e noturnas; no entanto, muitos deles são diurnos, como é o caso da

maior parte dos primatas. Os mamíferos podem ser encontrados nos mais variados

habitats como: interiores de florestas densas, bordas florestais, áreas de campos

naturais, cerrados, próximos à beira de rios e até mesmo em ambientes alterados

pelo homem. Podem utilizar como abrigos buracos, troncos de árvores, fendas de

rochas, espaço entre as raízes, em barrancas de rios, sótãos de edificações

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humanas, entre outros. A alimentação é muito variada, reflexo da existência de

diferentes fórmulas dentárias e adaptações gastrointestinais sendo que algumas

espécies se alimentam de plantas (folhas, frutos e menos comumente flores), outras

de animais (insetos à outros mamíferos) e algumas ambos.

O Brasil é um país privilegiado em termos de diversidade biológica, tanto em

relação à flora quanto à fauna. Dos mamíferos descritos atualmente, cerca de 524

espécies ocorrem em território brasileiro, o que representa aproximadamente 13%

da mastofauna do mundo (FONSECA et al., 1996). Estes números fazem com que o

Brasil possua a maior riqueza de mamíferos de toda a Região Neotropical. No

entanto, por causa da crescente destruição e fragmentação dos ambientes naturais,

cada vez mais espécies se encontram ameaçadas de extinção e muitas delas ainda

têm sua biologia desconhecida.

Dentre os mamíferos terrestres brasileiros existem animais de tamanho variado,

desde os de pequeno porte, como morcegos-borboleta que medem menos de 10 cm

e pesam cerca de 4g, até os de maiores dimensões, como as antas, de até 201 cm

e 300 kg. Além disso, existe uma grande variedade de colorações de pelagens,

deixando os animais aptos a se camuflarem no ambiente em que vivem, tornando-se

assim, menos vulneráveis a possíveis predadores ou aptos a serem caçadores mais

eficientes. Diferentes colorações podem servir também na seleção sexual entre

indivíduos.

Os mamíferos sempre despertaram interesses nas pessoas, devido a sua

diversidade, beleza, utilidade, ou pelos problemas que podem causar. Os roedores,

representados por ratos e camundongos, estão em cada faculdade de ciências

médicas ou biológicas, servindo de cobaias a inúmeros experimentos, e para o

treinamento de futuros profissionais, mas também podem se poderosas pragas que

destroem plantações. Os morcegos fornecem guano para adubo, são dispersores de

pólen e de sementes e reguladores de populações de insetos, porém, são

transmissores de doenças a animais e seres humanos. Os coelhos, há séculos são

companhia para crianças.

Nesse sentido, o objetivo do presente trabalho foi mostrar a importância que os

mamíferos possuem, também foi descrito aspectos relacionados a morfologia e

anatomia, as formas de alimentação e o habitat em que costumam frequentar, sua

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biologia e classificação e por fim mostrar os mamíferos considerados pragas e seu

correto controle.

2. IMPORTÂNCIA

Os mamíferos têm um importante papel na manutenção e na regeneração das

florestas, pois apresentam funções ecológicas vitais e são chaves na estruturação

das comunidades biológicas. Este grupo de animais está entre as espécies mais

utilizadas pelos seres humanos para a alimentação, como animais de estimação e

como artefatos (peles, ossos, dentes), sendo componentes integrantes da religião e

da cultura em algumas comunidades, além de serem fontes de recursos

econômicos.

Os mamíferos desempenham papéis fundamentais na dinâmica dos

ecossistemas, seja como predadores de topo de cadeia alimentar que regulam

herbívoros generalistas, seja como polinizadores dispersores e predadores de

sementes que influenciam a regeneração da vegetação ou provendo recursos que

mantêm espécies que exercem funções ecológicas importantes.

Ao longo da sua história, o ser humano tem se utilizado dos animais (mamíferos)

de diferentes formas, evidenciando a importância destes e refletindo-se em atitudes

de respeito, admiração e afeto. Muitas destas atitudes são afetadas pelo estilo de

vida da pessoa e da visão que ela tem do lugar que o ser humano ocupa na

natureza. Contudo, algumas atitudes ligadas ao domínio, à exploração, ao medo e à

aversão para com os animais têm provocado impactos graves sobre muitas

espécies, gerando conflitos entre as populações humanas e animais.

Esse conflito ocorre quando as necessidades e o comportamento dos animais

geram impactos negativos para os objetivos dos seres humanos (danos à colheita,

ferimento ou morte de animais domésticos, ameaça ou morte de pessoas) ou

quando os objetivos humanos geram impactos negativos para as necessidades dos

animais, como por exemplo, a redução de hábitat e a caça. Ele representa um

problema histórico e que atinge todas localidades onde o homem convive próximo a

‘predadores’.

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Os mamíferos estão entre os grupos zoológicos mais importantes em termos de

impacto econômico, saúde pública. Para o controle de pragas ou doenças em

qualquer cultura, é preciso que haja uma razão de ordem econômica. Todo agricultor

tem a sua lavoura como negócio e não como obra filantrópica. Assim tudo que afeta

a produtividade da lavoura é motivo de preocupação por parte dos lavradores que

chegam, às vezes, ao exagero, tomando medidas antieconômicas visando à solução

do problema.

A grande maioria das espécies de mamíferos neotropicais depende das áreas de

vegetação nativa preservadas para se manter em paisagens dominadas pelo

homem, com exceção de algumas poucas espécies que proliferam e são capazes de

manter populações em ambientes urbanos ou agrícolas, como alguns roedores e

marsupiais ou morcegos. Algumas espécies de mamíferos generalistas que tendem

a proliferar nos ambientes antrópicos, podem se tornar importantes reservatórios de

doenças infecciosas ao homem ou pragas na agricultura. Portanto, se quisermos

manter a sustentabilidade dos ambientes naturais nas paisagens modificadas pelo

homem, certamente temos que levar em conta o papel dos mamíferos nos

ecossistemas.

Muitos mamíferos carnívoros estão no topo da cadeia alimentar e representam

uma extraordinária função na manutenção do equilíbrio ecológico, como

controladores das populações de suas presas. Esse é o caso, por exemplo, dos

felídeos, como a jaguatirica, que frequentemente se alimenta de pequenos roedores,

atuando no controle de suas populações. Já outros carnívoros; como o quati e o

cachorrodo-mato, chegam a consumir frutos em quantidades iguais ou até mesmo

maiores do que a quantidade de presas animais. Ao mesmo tempo, estes animais

podem ser considerados pragas, quando atacam animais de interesse econômico,

como, por exemplo, o ataque destes a animais domésticos.

Os herbívoros desempenham um papel importante na manutenção de diversidade

de árvores da floresta, através da dispersão ou predação de sementes e de plântulas

(ajuda no controle de populações). Exemplos são as antas, veados, lebres,

capivaras, porcos-do-mato, macacos, morcegos, gambás e grandes roedores. Esse

expressivo consumo de frutos e a dispersão de suas sementes indicam que as antas

desempenham um papel fundamental nos ecossistemas onde ocorrem, promovendo

sua regeneração e manutenção. Por outro lado quando estes animais atacam

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plantações podem causar prejuízos enormes, com a destruição e/ou injúrias

causadas a estas.

Embora em alguns casos o conflito seja inevitável, quase sempre é possível

diminuir a perda de animais, plantações, etc., sem a necessidade de se perseguir o

predador. O primeiro passo na resolução do problema é entendê-lo. Antes de pensar

em eliminar o problema, é preciso entender melhor a situação: identificar

corretamente o predador responsável pelas perdas, compreender a importância de

preservá-lo, conhecer os fatores que tornam os animais domésticos mais vulneráveis

ao seu ataque, entender as causas que levam estes animais a ‘destruírem’ as

plantações e saber das medidas alternativas que podem ser tomadas para minimizar

o problema.

3. MORFOLOGIA E ANATOMIA

Os mamíferos são animais tetrápodes de sangue quente, cobertos de pelos e

dotados de glândulas mamárias. São características deste grupo:

• Corpo de divide em cabeça, tronco e membros;

• A formação de uma placenta, um anexo que permite as trocas respiratórias e

nutritivas entre o feto e a mãe, contribuindo para que aquele passe todo o seu

período de desenvolvimento no interior do útero materno, livre dos perigos do

meio exterior;

• A caixa craniana (exceto nos mamíferos mais primitivos) é comparativamente

maior;

• O crânio tem dois côndilos occipitais, o que não permite uma rotação tão

ampla da cabeça sobre o pescoço, como ocorre com outros animais, como

em aves;

• Circulação ampla (dupla) e completa, com o coração apresentando 4

cavidades distintas;

• Respiração pulmonar;

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• Presença de diafragma separando a cavidade torácica (coração e pulmões)

da cavidade abdominal (estômago, intestino, rins, fígado, pâncreas, etc.) e

auxiliando na respiração e na circulação sanguínea;

• Encéfalo altamente desenvolvido, mostrando numerosas circunvoluções que

dão maior extensão à superfície ou córtex cerebral, onde se aloja a massa

cinzenta;

• Animais heterodontes, os dentes são diferenciados em caninos, pré-molares,

molares e incisivos;

• Apresentam dentição de leite e dentição definitiva;

• Articulação têmporo-mandibular, senda a mandíbula formada por apenas por

um osso articulado diretamente com o crânio;

• A coluna vertebral divide-se em cinco zonas específicas (cervical, toráxica,

lombar, sagrada e caudal), permitindo movimentos de flexão e extensão no

plano (vertical) de simetria do corpo, em vez de ondulações laterais, como

nos anfíbios e répteis;

• Presença de glândulas mamárias em ambos os sexos, porém se

desenvolvem mais no sexo feminino e possuem como função o aleitamento

dos filhotes;

• São animais homeotermos ou de sangue quente;

• Corpo total ou parcialmente coberto de pelos;

• Os bigodes de alguns mamíferos, como o rato, são pelos dotados de células

sensoriais embutidas na pele que detectam qualquer movimento;

• Exceto os monotrêmatos (ornitorrinco e equidna), todos os mamíferos têm a

boca rodeada por lábios, necessários aos pequenos animais para a sucção na

fase de amamentação.

• O número de dedos de um mamífero nunca é superior a cinco;

• Viviparidade, desenvolvimento do filhote no interior do útero.

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Os pelos que recobrem o corpo dos mamíferos são constituídos de queratina e

formados no interior dos folículos pilosos, nos quais se abre uma glândula sebácea

que produz gordura e que tem a função de lubrificar a pele e os pelos, contribuindo

para sua impermeabilização. Possuem a função de proteção e também de isolante

térmico, mantendo a temperatura do corpo sempre constante. A pelagem dos

mamíferos oferece proteção e aquecimento aos animais, mas também pode

favorecer o aparecimento de parasitas, que se alojarão na pele quente e se

alimentarão sugando seu sangue. Sob a pele dos mamíferos há uma camada de

células que armazenam gorduras (adipócitos), formando o panículo adiposo. Essa

camada de gordura serve como reserva de alimento e também como isolante

térmico.

Alguns mamíferos apresentam garras, unhas, chifres e cascos. As garras e os

cascos de alguns mamíferos são formados por queratina, enquanto que os cornos,

estruturas permanentes, podem ser formados por queratina, como no rinoceronte;

ou osso coberto por queratina ou pele, como no boi e no antílope. Os chifres

encontrados em alguns grupos de mamíferos são constituídos por ossos e são

revestidos por peles apenas durante o crescimento, como nos veados e alces.

Nestes mamíferos, os chifres são trocados a cada ano.

As glândulas sudoríparas presentes em alguns mamíferos produzem suor e,

com isso, ajudam a baixar a temperatura corporal. Isso acontece porque, ao

evaporar, a água presente no suor retira o calor da pele e do sangue, resfriando o

corpo.

Sistema digestivo

Na boca, além da língua, há diferentes tipos de dentes (incisivos, caninos, pré-

molares e molares). O estômago é simples, pórem nos ruminantes possui quatro

câmaras (pança, barrete, folhoso e coagulador) denominado estômago poligástrico.

Só os monotremos possuem cloaca; os demais possuem ânus. Anexos do sistema

digestivo: fígado, pâncreas e glândulas salivares. Depois de mastigados e

insalivados na boca, os alimentos são engolidos e levados até o estômago. Ao

passarem por várias transformações, seguem do estômago para o intestino

delgado, onde os nutrientes passam para o sangue, através das paredes deste

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órgão. Assim, as substâncias nutritivas podem ser distribuídas pelo corpo do animal.

Os resíduos dos alimentos seguem para o intestino grosso, que absorve a água e

forma as fezes, que são mandadas para fora do corpo pelo ânus.

Sistema excretor

O sistema urinário dos mamíferos é formado por dois rins e pelas vias urinárias

(ureteres, bexiga e uretra). Os rins são órgãos que funcionam como filtros. Sua

função é a retirada de resíduos do sangue para a formação da urina, que fica

armazenada na bexiga. A saída da urina ocorre pela uretra.Mamíferos são animais ureotélicos, ou seja, excretam principalmente uréia através dos rins metanefros. Os

ureteres desembocam na bexiga urinária, da qual sai a uretra, que conduz os

produtos de excreção (principalmente a uréia) ao exterior, em geral, por uma

abertura independente do aparelho digestivo. A urina de todos os mamíferos passa

pelos ureteres, bexiga e uretra, com exceção de indivíduos da Ordem Monotremata,

que possuem apenas uma abertura (cloaca) para o sistema digestivo, reprodutor e

urinário.

Sistema circulatório

Nos mamíferos, a circulação do sangue percorre um duplo circuito. No primeiro,

entre o coração e os pulmões, o sangue é oxigenado. No segundo, entre o coração

e os tecidos, o sangue perde paulatinamente o oxigênio. O coração está dividido em

quatro cavidades: dois átrios e dois ventrículos. Desta forma, o sangue oxigenado

não se mistura com o sangue rico em gás carbônico, o que aumenta o rendimento

do animal. Os mamíferos são homeotermos, pois mantêm sua temperatura

constante independentemente do meio externo no qual se encontram.

Sistema respiratório

O sistema respiratório é formado pelos pulmões, de aspecto esponjoso, e pelas

vias respiratórias (fossas nasais, faringe, laringe, traqueia e brônquios). Possuem

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respiração pulmonar, sendo os pulmões compostos por pequenas estruturas

localizadas ao final dos bronquíolos, denominados alvéolos, onde ocorre a

hematose pulmonar (troca pulmonar). Destaca-se a presença do diafragma

separando os pulmões e o coração da cavidade abdominal, sendo o principal

músculo dos movimentos respiratórios. Possuem a laringe, situada na parte média

do pescoço, importante órgão do aparelho respiratório, que além de ser caminho de

entrada do ar, é essencial para a emissão de sons.

Sistema nervoso

O cérebro dos mamíferos possui muitas circunvoluções ou dobras, que

aumentam a superfície do órgão e o número de células nervosas. Por esta razão,

os mamíferos desenvolveram um comportamento complexo, que pode ser

percebido em atitudes como as estratégias de caça, o cuidado com os filhotes, a

adaptação a qualquer ambiente e os diferentes sistemas de comunicação

estabelecidos entre os indivíduos da mesma espécie.

Sistema reprodutivo

Os mamíferos têm reprodução sexuada. Os machos possuem um órgão

copulador que lhes permitem introduzir os espermatozoides no corpo da fêmea. A

grande maioria é vivípara: uma vez fecundado, o óvulo se transforma num embrião

que se desenvolve dentro da mãe. A viviparidade é possível porque a mãe e o

filhote estão ligados pela placenta. Através da placenta o concepto realiza as trocas

de oxigênio e gás carbônico, recebe os nutrientes por difusão do sangue maternos

e excreta produtos de seu metabolismo (excretas nitrogenadas). Porém existem

espécies ovíparas, os ovos se desenvolvem fora do corpo da fêmea (Ordem

Monotremata - ornitorrinco), e espécies ovovivíparas, onde parte do

desenvolvimento é no interior do corpo da mãe e o restante é no ambiente (Ordem

Diprotodontia - canguru).

4. ALIMENTAÇÃO

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Os mamíferos por serem ativos e de sangue quente, precisam de muita

energia para se manter. Uma das razões da necessidade de energia é a capacidade

de estarem ativos no inverno, quando os animais de sangue frio são lerdos e

preguiçosos. Os mamíferos menores tendem a comer mais, pois proporcionalmente

os corpos pequenos têm uma área maior que os corpos grandes, portanto perdem

calor muito mais depressa. Em climas frios, os mamíferos pequenos têm apenas

algumas horas para encontrar o alimento.

Poucos lugares oferecem abastecimento de alimento durante todo o ano.

Dessa forma, nossos antepassados perceberam a necessidade de construir

depósitos de armazenagem de alimentos. Os mamíferos usam diferentes métodos

para armazenar a energia e os nutrientes de suas refeições. Esses métodos foram

evoluindo conforme a oferta de alimentos.

O leite produzido pelas fêmeas dos mamíferos é um alimento completo para

os filhotes. Contém gorduras e açúcares que fornecem energia, vitaminas e

aminoácidos essenciais além de água e sais minerais, possui também muitos

anticorpos, nas primeiras horas após o nascimento do filhote, que protegem contra

infecções. As proporções dos ingredientes básicos do leite variam muito de uma

espécie para outra.

Os grãos são o alimento preferido, pois nele a planta-mãe deixou os

nutrientes necessários para a germinação. A carne é mais problemática, pois se

decompõem rapidamente, porém uma das técnicas utilizadas pelos animais é

enterrá-la.

Especializações na alimentação Insetívoros: alimentam-se de insetos, possuem dentes cúspides pontudas

individuais ou sem dentes. Dentição generalizada pontiaguda (ouriços), focinho

longo e tubular, dentes perdidos (tamanduás), focinho alongado, dentes reduzidos

em tamanho e número (morcegos).

Carnívoros: Caninos grandes, tendência de redução no número de dentes posterior, aparelho carniceiro, alimentam-se de carne.

Herbívoros: Os dentes rompem as paredes das células, mas somente as enzimas celulase podem digerir a celulose. Porém, nenhum animal sintetiza

celulase, sendo necessária a associação com microrganismos simbiontes. Os

mamíferos herbívoros podem ser monogástricos ou digástricos ruminantes. Os

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monogástricos geralmente mastigam muito as plantas, pois possuem dentes

eficientes na mastigação, à fermentação ocorre no ceco por microrganismos

simbiontes, após é feita a absorção e digestão no intestino. Sobrevivem com

alimentos de baixa qualidade, mais fibrosos, mas em grande quantidade. Os

digástricos ruminantes mastigam pouco as plantas, a fermentação ocorre em

câmaras (rúmen e retículo) e no intestino ocorre somente à absorção. Sobrevivem

com alimentos em menor quantidade, porém de boa qualidade.

5. HABITAT

A capacidade de manter a temperatura do corpo elevada e constante

(homotérmicos) foi o principal fator adaptativo dos representantes desse grupo que

permite que esses animais habitem os mais variados ambientes da Terra, desde

regiões tropicais, polos, mares, desertos, florestas densas, dominando os ambientes

terrestres. Muitos mamíferos voltaram para o meio aquático (baleias, focas,

golfinhos, peixes-boi) e outros se adaptaram ao voo (morcegos) e compartilharam o

meio aéreo com as aves e os insetos. Existem também variações quanto ao modo

de viver, alguns vivem em grupos e outros isolados, porém mesmo isolados,

agrupam-se na época do cio.

Os mamíferos conseguem viver em locais muito quentes ou muito frios, eles

se mantêm em atividade durante as estações frias, desde que tenham alimento

suficiente para sobreviver. Para resistir à falta de comida durante as estações mais

frias do ano, muitas espécies hibernam. Durante a hibernação os batimentos

cardíacos e a temperatura do corpo diminuem, o ritmo respiratório é muito lento e o

animal utiliza a gordura acumulada para obter seu combustível.

6. BIOLOGIA

Os mamíferos constituem o grupo mais “evoluído” do Reino Animal. Receberam

este nome devido à presença de glândulas mamárias, que nas fêmeas fornecem

leite para os filhotes, mais nítida na espécie humana. Habitam os mais diferentes

ambientes e têm uma dieta muito diversificada. Os mamíferos formam o grupo mais

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evoluído e mais conhecido dos cordados. Nesta classe incluem-se as toupeiras,

morcegos, roedores, gatos, macacos, baleias, cavalos, veados e muitos outros, o

próprio homem entre eles. Todos (com raras exceções) apresentam o corpo coberto

de pelos e têm temperatura interna constante. Os cuidados com a prole são os mais

desenvolvidos do reino animal e atingem o seu clímax com a espécie humana. São,

ainda, extremamente adaptáveis, modificando o seu comportamento de acordo com

as condições do meio.

Alguns grupos, principalmente primatas, formam sociedades muito complexas.

Uma característica única dos mamíferos é a capacidade de brincar. Os jovens

mamíferos aprendem quase tudo o que necessitam saber para a sua vida adulta

através de brincadeiras, onde as crias experimentam, entre si e com adultos, as

técnicas de caça, luta e acasalamento. Estas brincadeiras estabelecem

frequentemente uma hierarquia que se manterá na fase adulta, evitando conflitos

potencialmente perigosos para os indivíduos.

Com a extinção dos dinossauros, há cerca de 65 milhões de anos, o rumo da

evolução foi modificado, abrindo caminho para a multiplicação da classe mais

evoluída de vertebrados, os mamíferos (possuidores de mamas). Durante toda a era

dos répteis, pequenos mamíferos conviveram com os dinossauros. Os espaços

vazios que eles podiam ocupar eram muito poucos, pois os habitats terrestres

estavam cheios de grandes répteis. Somente após o desaparecimento dos

dinossauros, os mamíferos puderam, enfim, apossar-se dos locais que ficaram

vazios. Assim, eles conseguiram evoluir e aumentar, progressivamente, o número de

espécies até chegar à grande diversidade que hoje conhecemos.

É o grupo de vertebrados com cerca de 4600 espécies viventes, com uma enorme

variação em termos morfológicos e de ocupação de habitats. Existem mamíferos

vivendo nas regiões polares e nos trópicos, nas florestas tropicais úmidas e nos

desertos, nos mares, rios e no ar. Todos têm outra particularidade: três ossos no

ouvido médio (martelo, bigorna e estribo). É a classe que tem maior cuidado com os

filhotes.

Os mamíferos são representados tanto por pequenas espécies como os

musaranhos e camundongos com menos de 5 cm de comprimento e pesando

apenas alguns gramas, quanto por enormes seres como o elefante africano

(Loxodonta africana), que pode pesar até 7 toneladas. No mar, a baleia-azul

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(Balaenoptera musculus), que pode alcançar 31,5 m e 119 toneladas de peso, é o

maior animal conhecido. No Brasil, o tamanho varia desde cerca de 5 cm e alguns

gramas nos pequenos roedores até aproximadamente 300 kg da anta (Tapirus

terrestris). Eles podem ser extremamente úteis à humanidade, fornecendo alimentos

e matérias primas diversas, ou extremamente prejudiciais, quando são vetores de

doenças.

7. CLASSIFICAÇÃO

Os mamíferos dividem-se em três grandes grupos em relação à reprodução,

embora todos apresentem sexos separados, a fecundação seja interna e as crias

sejam alimentadas com leite secretado pelas glândulas mamárias da fêmea:

- Subclasse Prototheria (monotremados)

Neste grupo incluem-se o ornitorrinco e o equidna. São animais ovíparos,

colocam ovos com casca calcária semelhante aos répteis e aves, onde nasce um

minúsculo embrião que se desloca para uma bolsa, onde termina o seu

desenvolvimento lambendo leite (escorre por pelos) produzido pela mãe, pois não

existem mamilos (ao contrário dos restantes dois grupos). Os representantes

conhecidos vivem na região australiana. Possuem uma característica que os

diferencia de todos os outros mamíferos vivos: seus aparelhos digestivo, urinário e

genital abrem-se num único orifício, a cloaca. Por esse aspecto enquadram-se

numa, ordem à parte, a Monotremata, isto é, com um único orifício. Representam o

grupo mais primitivo de mamíferos, ou seja, o que dispõe de menor complexidade e

especialização do organismo. Por isso recebem também o nome de Prototérios. No

entanto, isso não significa que os outros tenham evoluído a partir deles. Constituem

uma subclasse que conservou muitas das características de grupos de mamíferos

primitivos que se extinguiram.

- Subclasse Methateria (marsupiais)

Os marsupiais iniciam o desenvolvimento no interior do útero materno. Porém,

como não possuem desenvolvimento placentário, o período intrauterino é curto. Logo

que nascem ficam grudados nas glândulas mamárias até completarem o seu

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desenvolvimento. Permanecem numa bolsa conhecida como marsúpio. Os principais

representantes são os cangurus e coalas (típicos da fauna australiana) e o gambá

– sul – americano.

- Subclasse Eutheria (placentários)

Compreende a maioria das espécies de mamíferos (mais de 95%). Possuem

útero e placenta bem desenvolvidos. Este é o maior grupo de mamíferos, dominando

totalmente a classe e os habitats terrestres atuais. Os ovos amnióticos são

geralmente minúsculos e retidos no útero da fêmea para o desenvolvimento, com a

ajuda de uma placenta que fornece fixação e nutrientes (oxigênio e alimentos). Em

sentido contrário passam as excreções do embrião. Ao nascer, os placentários

encontram-se num estado de desenvolvimento superior ao dos marsupiais. Este

método reprodutivo, embora implique a produção de um menor número de

descendentes, permite um grande sucesso pois aumenta grandemente as

probabilidades de sobrevivência dos descendentes. São representados por algumas

ordens importantes:

Insectivora: são várias centenas de espécies de animais, todos de pequeno porte. Dos três grupos de insetívoros (toupeiras, ouriços e musaranhos) não existe

nenhum representante natural no Brasil;

Chiroptera: os únicos mamíferos que realmente voam, graças à ligação dos dedos das mãos por uma ampla membrana, o patágio. Assemelham-se a ratos, com

o pavilhão das orelhas geralmente grande e móvel. O maior é o Pteropus vampirus,

de Java, da subordem dos Megaquirópteros. Os Micro-quirópteros são pequenos, de

dentes agudos, e algumas espécies atacam os animais e chupam o sangue. É a

ordem do morcego;

Lagomorpha: pertencem a ela o coelho, a lebre e pequenos animais do gênero Ochotona, semelhantes ao rato. Com quatro incisivos superiores de

crescimento contínuo, distinguem-se dos roedores, que têm apenas dois.

Alimentam-se de folhas, ramos, raízes. O coelho e a lebre, da família dos

Leporídeos, apresentam orelhas longas e membros posteriores adaptados ao salto;

Perissodactyla: herbívoros, de estômago simples, englobam três famílias, todos com membros longos e grande porte. São Equídeos o cavalo, o asno e a

zebra, de um só dedo funcional. A anta ou tapir, com quatro dedos nos membros

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anteriores e três nos posteriores, é da família dos Tapirídeos. O rinoceronte, dos

Rinocerotídeos, tem três dedos;

Artiodactyla: devem o nome ao fato de terem geralmente quatro dedos funcionais, ou, raramente, dois. Todos têm o estômago adaptado para a ruminação,

com exceção do porco, do javali e do hipopótamo, da subordem dos Suiformes (que

não ruminam). Tilópodes e Ruminantes são as outras subordens. À primeira destas

pertence a família dos Camelídeos: camelo, dromedário e lhama. Boi, girafa, cervo

e alguns outros são ruminantes, com estômago de quatro cavidades;

Sirenia: herbívoros de vida aquática. Inclui o manatim ou peixe-boi, que vive nos rios quentes do Brasil, Flórida e oeste da África, o dugongo, no mar Vermelho e

costas da índia, Nova Guiné e Austrália. Grandes, de corpo fusiforme, têm atrofiados

os membros posteriores e têm os anteriores adaptados como nadadeiras;

Proboscidea: Na África e sudoeste da Ásia vive o maior animal de terra firme: o elefante. Herbívoro, tem os membros cilíndricos com patas de cinco, quatro ou três

dedos, e casco semelhante a unha;

Primates: Da subordem dos Antropóides, que inclui os macacos, consta a família dos Hominídeos, em que se situa o homem. A subordem

dos prossímios inclue primatas mais primitivos, como os lêmures, semelhantes ao

macaco no corpo e à raposa no focinho, e o társio;

Cetacea: mamíferos aquáticos, de corpo fusiforme, sem pescoço visível externamente e cauda musculocutânea, têm os membros anteriores adaptados à

natação. Há duas subordens: dontocetos e Misticetos. A primeira inclui seis famílias

em que se encontram o delfim, o boto, o cachalote, o tucuxi, portadores de dentes

cônicos apreensores. À outra pertencem três famílias, cujos membros não tem

dentes na fase adulta e apresentam barbatanas na abóbada da cavidade bucal.

Entre estes está o maior dos mamíferos, a baleia;

Rodoentia: mais de 6 mil espécies e subespécies. Com dois incisivos em cima e dois embaixo, de crescimento contínuo, e sem

caninos, alimentam-se principalmente de ramos e raízes. As patas têm cinco dedos

com unha. Os roedores são encontrados desde o nível do mar até 6 mil metros no

Himalaia, em desertos secos ou florestas úmidas, em rios e lagos, mas nunca no

mar. Pertencem à ordem o rato, o esquilo, o porco-espinho, o castor, a cobaia e a

capivara (o maior dos roedores);

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Carnivora: uma das subordens vivas distingue-se pelos dedos separados entre si: é a dos Fissípides, que compreende as famílias dos Canídeos (cão, raposa,

lobo), Ursídeos (urso), Procionídeos (quati, panda), Mustelídeos (lontra, furão, marta

, cangambá, ariranha), Viverrídeos (mangusto), Hienídeos (hiena), Felídeos (gato,

leão, onça, lince, tigre, puma). A subordem dos Pinípides vive no mar: tem membros

transformados em nadadeiras e distribui-se em Otarídeos (otária, leão-marinho),

Odobenídeos (morsa) e Focídeos (foca, elefante-marinho);

Edentata: muitos deles não têm dentes (como o tamanduá) mas a preguiça só não tem os incisivos. Na América do Sul vive a maioria dos representantes das

três famílias: Mirmecofagídeos - o tamanduá, de cabeça alongada, focinho comprido

e longa língua, é especialista em apanhar formigas e cupins. Dasipodídeos - o tatu,

de couraça óssea.Bradipodídeos - a preguiça.

8. PRINCIPAIS PRAGAS

Os mamíferos são pragas que de uma forma ou outra prejudicam nossas plantas.

Podem atacar todas as partes da planta, apesar dos danos nas folhas, caules e

frutos serem os mais visíveis. A seguir relataremos algumas das principais pragas

que causam prejuízos à atividade agrícola.

Coelhos

Os coelhos alimentam-se de uma grande variedade de produtos herbáceos,

incluindo variedades hortícolas, cereais verdes e frescos, frutos, sementes ou

cascas de árvores. Por vezes sobem nos ramos mais baixos para comer as folhas.

Lebres

As lebres são mamíferos rápidos, podendo atingir até 65 km/h. Estes animais são

solitários e possuem hábitos noturnos. Sendo uma espécie herbívora, a base da sua

alimentação é constituída por ervas e colheitas agrícolas, basicamente, de partes

verdes das plantas, como brotos e folhas. Há relatos de agricultores em Santa

Catarina a ocorrência de ataques na cultura da melancia, nas quais as lebres estão

se alimentando dos frutos antes mesmo de estarem maduros.

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Sendo uma espécie exótica, com poucos predadores, ela se multiplicam

rapidamente, causando enormes prejuízos em lavouras de citros, maracujá, coco,

pupunha, palmito, pinos, café, soja, feijão, milho, cogumelos e hortaliças. Nas

palmeiras, como o coco, pupunha e palmito, a lebre alimenta-se do broto apical das

mudas, que é mais tenro, levando, quase sempre, à morte das plantas.

Em frutíferas perenes, como os citros, e espécies florestais, a lebre rói o caule,

normalmente até quebrá-lo, o que atrasa o desenvolvimento da muda e, às vezes,

provoca a sua morte. Em lavouras de hortaliças ou plantações de cereais e de

leguminosas, alimenta-se de praticamente todas as partes das plantas.

No caso específico das leguminosas, há tempos se conhece a preferência

alimentar do lebrão pela soja e feijão e, dentre aquelas utilizadas como adubos

verdes, pela crotalária.

Em São Carlos (SP), um produtor de hortaliças folhosas relatou a preferência da

lebre por plantas da família Brassicaceae, especialmente o brócolis de cabeça única,

bem como pela alface do tipo americana. A lebre muitas vezes não se alimenta da

planta toda, porém, no caso de brócolis e couve-flor, destrói a gema apical da planta

logo após o transplante das mudas ou quando a planta ainda está pequena,

inviabilizando a produção. Em Rio Claro (SP), relataram-se 30% de perdas em

cultivo de brócolis, logo após o transplante das mudas.

Ratos

Os ratos causam problemas tanto nas áreas urbanas como nas áreas agrícolas e

rurais. São consideradas pragas agrícolas devido ao grande prejuízo que causam

nas lavouras, destroem as sementes recém-plantadas e atacam os cereais na fase

de espigamento. Nas criações de aves devoram ovos e filhotes e nos armazéns e

silos de grãos atacam os grãos, rações e farelos depois de colhidos e armazenados.

Essas perdas econômicas chegam até 30% da produção de grãos mundial, sendo

que no Brasil este prejuízo é da ordem de 4 a 8% da produção nacional de cereais,

raízes e sementes.

Nas cidades o prejuízo econômico que estes animais trazem é provocado por

suas roeduras em fios, cabos elétricos, de telefonia o que pode levar a curtos

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circuitos, pane em equipamentos ou sistemas de controle de edifícios ou até mesmo

incêndios. Estas roeduras também danificam mobílias e materiais.

Em indústrias de alimentos e unidades de armazenagem de grãos, roedores

apresentam-se como problema devido ao volume de produtos que estes podem

consumir, danificar e contaminar. Estudos revelam que em média um roedor

consome 25g de alimentos por dia. No entanto, um roedor ao alimentar-se

geralmente danifica um volume que varia de 5 a 10 vezes ao consumido. O que

aumenta o prejuízo. Quanto as possibilidades de contaminação dos produtos são

estimados que por meio dos pêlos, fezes, urina e mordidas dos roedores possam ser

transmitidas quarenta e cinco tipos de doenças.

Capivara

A capivara é um herbívoro que se alimenta de gramíneas e plantas aquáticas.

Apresenta grande plasticidade alimentar, adaptando-se facilmente a outros itens

como milho, cana-de-açúcar, arroz, feijão, soja e outros, o que facilita a sua

ocorrência em áreas modificadas pela agricultura. No Estado de Santa Catarina, as

capivaras invadem as lavouras de milho e atacam as plantas antes mesmo da

formação de espigas. As capivaras invadem a plantação em bandos de até mais de

vinte animais, destruindo-a completamente, pois roem a base da planta de milho.

No Polo Regional em Monte Alegre do Sul (SP) têm sido verificados danos

frequentes às culturas de hortaliças diversas, como: alface, cenoura, repolho e

couve-flor; de cereais, como: arroz, milho e trigo e de mandioca.

No Polo Regional do Centro-Sul, em Piracicaba (SP), sua ocorrência foi relatada

em 2010 e 2011, em campos com milho e milho-verde. Além de se deitarem,

amassando as plantas, os animais também se alimentaram dos colmos de milho

prejudicando o desenvolvimento das plantas e infestando a área com carrapatos.

Javali

O javali pode seguir os mais variados tipos de dieta, dependendo da estação do

ano, da região onde habita e ainda da idade. O javali se alimenta em grande

quantidade e de tudo, como pastagens de gramíneas, frutas, grãos –

preferencialmente de milho, batata e mandioca, brotos, raízes, bulbos e também

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invertebrados, como minhocas e cobras, e provavelmente outros pequenos animais,

destruindo lavouras em qualquer lugar.

Devido ao seu hábito de revolver a terra, pode gerar problemas em pequenos

mananciais e nascentes de água pelo assoreamento, turbidez da água e destruição

de sua vegetação nativa protetora. Em consequência, pode-se ter até tombamento

de árvores de médio porte pela destruição das raízes em sua procura por vermes e

larvas. Na lavoura de milho, seu alimento favorito, as reduções de produtividade

podem ser superiores a 50% e, nas de batata, o prejuízo é verificado desde o início

do plantio, devido ao arranquio das batatas-sementes e revolvimento dos sulcos e,

ainda, durante o ciclo vegetativo, danos às ramas e aos tubérculos novos.

9. CONTROLE

Lebres e Coelhos

Algumas alternativas para controle destes animais em plantas frutíferas ou

hortaliças são: proteção da área com tela plástica ou cerca elétrica que são medidas

recomendadas principalmente para áreas pequenas, uso de plantas repelentes como

ramos de ciprestes, dispostos ao lado das mudas, que exalam um odor intenso, uso

de produtos químicos repelentes como tinta plástica com creolina, por exemplo,

cultivo de plantas que sejam preferenciais pelas lebres, ou ainda, o uso de animais

que assustam as lebres, como cachorros.

Ratos

O programa de controle de roedores fundamenta-se na adoção das

seguintes medidas: implantação de barreiras físicas, adoção de métodos para

saneamento de ambientes e redução do número de indivíduos da população. Sendo

as duas primeiras medidas de caráter preventivo visam minimizar as disponibilidades

dos três fatores essências a sobrevivência dos roedores, que são: água, fonte de

alimento e refúgio. Enquanto a última visa o uso de agentes químicos para eliminar

ou reduzir populações de roedores.

A adoção de barreiras físicas visa prover às edificações de artifícios que

minimizem a ação de roedores, no caso de unidades armazenadoras de grãos, as

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aberturas externas dos dutos de aeração e entradas dos ventiladores devem ser

fechadas quando não estão sendo usadas.

Saneamento de ambientes constitui-se em procedimentos que visam eliminar

possíveis locais de abrigo e fontes de alimentos e água. Para tanto são

recomendados: eliminar vegetação em torno das instalações a pelo menos a uma

distância de 1 m; manter as instalações em bom estado de conservação procurando

eliminar possíveis locais de abrigo, como buracos em paredes; remover pilhas de

lixo, restos de materiais de construção e sucatas; tampar reservatórios de água;

sanar vazamentos em tubulações de abastecimento de água; e limpar

periodicamente galerias de escoamento de águas pluviais, evitando o acúmulo de

água.

A redução do tamanho de uma população de roedores pode ser feita pelo uso

de ratoeiras ou pelo uso de agentes químicos denominados raticidas. A eficiência do

emprego das ratoeiras está no emprego de iscas apropriadas como: queijo, carne

fresca e toucinho, e na colocação destas em locais onde hajam infestação.

Quanto aos raticidas, estes se apresentam basicamente em duas

modalidades de formulações: as de ação rápida e as de ação lenta. As de ação

rápida, geralmente, são empregadas em dose única. Enquanto dentre os de ação

lenta tem-se os anticoagulantes. O uso deste tipo de raticida é preterido pelo fato de

evitar que os roedores venham a repelir a isca.

Capivaras

Uma possibilidade de controle de capivaras seria o estabelecimento de área

adicional da mesma cultura comercial ou mesmo de culturas mais atrativas para

atendimento das necessidades básicas alimentares destes animais.

Medidas de controle como evitar o cultivo em áreas adjacentes aos

fragmentos florestais utilizados por capivaras e, quando possível, a adoção de

práticas de controle populacional podem significar a redução da ocorrência de danos

causados aos agroecossistemas.

Javalis

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Atualmente, os métodos mais eficientes no controle e na diminuição dos

danos causados pelos javalis são a adoção de ações preventivas como a

fiscalização e o fechamento de criadouros clandestinos e a atuação precoce a partir

da identificação de um foco de javalis asselvajados, já que é muito difícil a

erradicação de uma população estabelecida de javalis.

Para caça destes animais com o uso de armas ou com armadilhas alguns

procedimentos para manejo do javali em território nacional devem ser observados de

acordo com o Ibama.

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10. CONCLUSÃO Os mamíferos são de extrema importância ao homem. Espécies domesticadas

fornecem alimento, vestuário e transporte outras se destacam por seu grande valor

para educação ambiental e ecoturismo, como primatas. Certas espécies são

caçadas por causa de sua pele ou carne. Sua importância ecológica é notável.

Participam de uma variedade de interações com outros seres vivos, entre as quais

se destacam a dispersão de sementes, a polinização de flores e o controle de

insetos. Nesse sentido, evidencia-se a seu papel na regulação das comunidades

vegetais e animais e, por consequência, no equilíbrio dos ecossistemas e na

manutenção da biodiversidade.

Mas embora estes animais tenham toda esta importância, alguns podem ser

prejudiciais para certas atividades, como é o caso da atividade agrícola. E visando

manter este equilíbrio natural e dos ecossistemas que é tão importante, precisamos

combater estes animais de forma sustentável, sem fazer que os mesmos

desapareçam.

No contexto do manejo integrado, cabe ressaltar a relevância da conscientização

e da mudança de atitudes do produtor rural nos assuntos de proteção e das leis de

crime ambiental, objetivando seu efetivo comprometimento na conservação dos

recursos naturais na propriedade e nas regiões circunvizinhas e consequente

manutenção frequente do habitat da fauna silvestre.

11. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

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Página da web. Mamíferos. Disponível em: <http://www.ninha.bio.br/biologia/mamife ros.html>. Acesso em: 16 de junho de 2013.

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