manual- da-Madeira, Manuais, Projetos, Pesquisas de Gestão da Qualidade
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manual Uso da Madeira.p65

Madeira: Uso Sustentável na

Construção Civil

Madeira: Uso Sustentável na

Construção Civil São Paulo - 2003

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Madeira: Uso Sustentável na Construção Civil

© 2003, IPT – Instituto de Pesquisas Tecnológicas do Estado de São Paulo S. A. Av. Prof. Almeida Prado, 532 - Cidade Universitária “Armando de Salles Oliveira” CEP 05508-901 - São Paulo - SP ou Caixa Postal 0141 - CEP 01064-970 - São Paulo - SP Telefone (11) 3767-4000 - Fax (11) 3767-4099 http://www.ipt.br e-mail: ipt@ipt.br

© 2003, Secretaria do Verde e do Meio Ambiente do Município de São Paulo Rua do Paraíso 387 - Paraíso CEP 04103-000 - São Paulo-SP Telefone: (11) 3372-2200 http://www.prefeitura.sp.gov.br/svma e-mail: svma@prefeitura.sp.gov.br

© 2003, SindusCon-SP – Sindicato da Indústria da Construção Civil do Estado de São Paulo Rua Dona veridiana, 55 - Santa Cecília CEP 01238-010 - São Paulo - SP Telefone (11) 3334-5600 Fax (11) 3224-8266 http://www.sindusconsp.com.br e-mail: sindusconsp@sindusconsp.com.br

Equipe Técnica Divisão de Produtos Florestais do IPT – Instituto de Pesquisas Tecnológicas do Estado de São Paulo S. A. Geraldo José Zenid Marcio Augusto Rabelo Nahuz Maria José de Andrade Casimiro Miranda Oswaldo Poffo Ferreira Sérgio Brazolin

Secretaria do Verde e do Meio Ambiente do Município de São Paulo Amely Irmtraut Fauser Eduardo Coelho e Mello Aulicino Ricardo Batista Borgianni Ricardo Bessa Gonçalves Colaboração: Ruy de Goes Leite Barros (Diretor do Programa de Qualidade Ambiental - MMA)

SindusCon-SP – Sindicato da Indústria da Construção Civil do Estado de São Paulo COMASP – Comitê de Meio Ambiente, Segurança e Produtividade do SindusCon-SP Francisco Antunes de Vasconcellos Neto Lilian Sarrouf

Projeto gráfico, diagramação e arte da capa: Setor de Comunicação do SindusCon-SP

Tiragem: 5.000 exemplares

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GOVERNO DO ESTADO DE SÃO PAULO

Geraldo Alckmin Governador

Secretaria da Ciência, Tecnologia, Desenvolvimento Econômico e Turismo

João Carlos de Souza Meirelles Secretário

Instituto de Pesquisas Tecnológicas do Estado de São Paulo

Alberto Pereira de Castro Presidente

Francisco Romeu Landi Vice-Presidente

Diretoria Executiva

Guilherme Ary Plonski Diretor-Superintendente

Francisco Emílio Baccaro Nigro Diretor Técnico

Marcos Alberto Castelhano Bruno Diretor de Planejamento e Gestão

Milton de Abreu Campanario Diretor Administrativo-Financeiro

Sindicato da Indústria da Construção Civil do Estado de São Paulo

Presidente Artur Quaresma Filho

Vice-presidentes Sergio Tiaki Watanabe (Financeiro) Cedric Poli Veneziani Eduardo Gorayeb Eduardo May Zaidan Francisco Antunes de Vasconcellos Neto Iskandar Aude João Claudio Robusti João de Souza Coelho Filho José Romeu Ferraz Neto Luiz Antonio Messias Manuel Tavares da Silva Filho Maristela Alves Lima Honda Miguel da Silva Sastre

PREFEITURA DO MUNICÍPIO DE SÃO PAULO

Marta Suplicy Prefeita

Secretaria do Verde e Meio Ambiente do Município de São Paulo

Adriano Diogo Secretário

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Sumário

1. Introdução .............................................................................. 08

2. Aspectos sócioambientais ................................................... 09

3. Usos da madeira na construção civil .................................. 12

4. Produtos de madeira ............................................................. 14

5. Indicação de madeira para usos na construção civil ........ 24

6. Fichas tecnológicas de madeiras ........................................ 29

7. Qualidade da madeira ........................................................... 53

8. Referências bibliográficas .................................................... 59

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INTRODUÇÃO

O Brasil é reconhecido mundialmente pela riqueza da biodiversidade de suas florestas e, no entanto, boa parte dos consumidores de madeiras dessas florestas pouco ou nenhum conhecimento tem a respeito da origem deste insumo e do tipo de pressão que o uso intensivo e constante de umas poucas espécies causa ao Meio Ambiente.

Devemos interferir para que nossas florestas não sejam destruídas de forma predatória, evitando que a extinção de espécies da fauna e da flora prejudiquem toda a sociedade.

O processo de escolha e especificação da madeira mais adequada a cada tipo de uso nas atividades do Setor da Construção, que tem se pautado fortemente pelo conservadorismo e pela falta de informação, precisa incorporar ao seu dia-a-dia espécies alternativas com propriedades semelhantes às das espécies tradicionais.

Este Manual tem como objetivo melhorar a informação dada ao Setor da Construção sobre este importante assun- to. Ele é o resultado da ação conjunta da Secretaria do Verde e Meio Ambiente, da Prefeitura Municipal de São Paulo e do Comitê de Meio Ambiente, Segurança e Produtividade do SindusCon-SP - Sindicato da Indústria da Construção Civil do Estado de São Paulo, que trabalharam em cooperação e sob a coordenação dos profissionais da Divisão de Produtos Florestais do Instituto de Pesquisas Tecnológicas. Para a Secretaria do Verde, sua publicação é um passo importante dentro do Programa Municipal de Qualidade Ambiental, instituído em 2002.

Contribuíram também para a elaboração do presente Manual outros profissionais de importantes e expressivas entidades e empresas, como: Ibama, FSC-Brasil, Esalq, Preservam, Imaflora, SBS, Abimci, CPTI, ABPM, às quais agradecemos. Ressalvamos que a elas não cabe nenhuma responsabilidade pelo texto final.

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Aspectos sócioambientais

2.1 Fontes de matéria prima (florestas nativas e plantadas)

Nos últimos dez anos são cada vez mais freqüentes as notícias de desmatamentos no território nacional para a implantação de projetos agropecuários, projetos urbanísticos, extrativismo vegetal ou exploração mineral, comprova- das através de imagens registradas por satélite.

Passam a ser fundamentais iniciativas simples, que possam contribuir para minimizar os efeitos deste quadro. Diante da exploração extrativista sem plano de manejo adequado das matas nativas, que retira grandes volumes

de apenas algumas espécies definidas pelo mercado, a floresta não consegue se recompor naturalmente na mesma velocidade.

As fontes das madeiras tão desejadas são:

2.1.1.Florestas plantadas: que se destinam a produzir matéria-prima para as indústrias de madeira serrada, painéis à base de madeira e móveis, cuja implantação, manutenção e exploração seguem projetos previa- mente aprovados pelo Ibama.

2.1.2.Florestas nativas: que são exploradas para atender ao mercado de madeiras de duas formas: - Por meio de manejo florestal: através da exploração planejada e controlada da mata nativa. - Por meio de exploração extrativista: explorando comercialmente apenas as espécies com valor de merca- do, sem projetos de manejo.

2.2 Manejo florestal

O aproveitamento das florestas naturais ou plantadas, através de Projeto de Manejo Florestal aprovado pelo IBAMA, é a forma correta de utilizar estes recursos naturais, por partir do princípio de sustentabilidade, ou seja, prevendo uma utilização que permite a recomposição da floresta de uma determinada área, viabilizando-a econô- mica, socialmente e ambientalmente.

Estão disponíveis no Brasil o Sistema do FSC – Forest Stewardship Council (Conselho de Manejo Florestal) e o Sistema de Certificação Florestal Brasileiro do Inmetro (Cerflor) que certifica a produção adequada ambientalmente.

O Sistema Integrado de Monitoramento e Controle dos Recursos e Produtos Florestais (Sisprof) implantado pelo Ibama, mais particularmente a sua Diretoria de Florestas, possui informações mais refinadas, confiáveis, atualizadas e sistematizadas permitindo a emissão do Selo de Origem Florestal (SOF), documento obrigatório de Transporte, Industrialização, Beneficiamento, Armazenamento e Consumo de Produtos e Subprodutos

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Madeireiros de Origem Nativa que substituirá a Autorização para Transporte de Produto Florestal (ATPF).

Mais informações nos sites: www.ibama.gov.br www.fsc.org.br www.amazonia.org.br www.imaflora.org.br www.sbs.org.br (Cerflor)

2.3 Situação atual

Oitenta por cento da produção de madeira da Amazônia é destinada ao mercado interno brasileiro, sendo que o Estado de São Paulo é o maior consumidor (20% da produção total). Outros Estados da Federação engrossam essa necessidade, que tende a aumentar. A oferta de matéria-prima centraliza-se principalmente em poucas espécies, exercen- do uma pressão muito grande sobre as florestas nativas. Diante deste quadro são recomendáveis as seguintes práticas:

2.3.1. Projetos e Especificação da Madeira a) Ao projetar e especificar o tipo da madeira a ser utilizada, é importante que sejam consideradas as carac- terísticas das peças a serem detalhadas, evitando excesso de cortes e emendas. Procure adequar o projeto às medidas das peças disponíveis no mercado. b) Para a especificação do tipo da madeira, consulte no capítulo 6 deste manual as espécies que mais se adequam a seu projeto.

2.3.2. Aquisição a) Adquirir madeira somente de empresas que possam comprovar a origem da mesma, seja através de certificação legal ou de um plano de manejo aprovado pelo Ibama, com a apresentação de:

• Nota Fiscal • Documentos de Transporte - Ibama

b) Não recorrer somente a espécies tradicionais, buscando neste Manual alternativas, com as mesmas características técnicas, entre as madeiras de reflorestamento e mesmo de outras espécies de mata nativa, porém que não estejam, no momento, sob pressão de exploração, desta forma agregando valor econô- mico a espécies pouco conhecidas.

2.3.3. Uso na Obra a) Procure utilizar as peças de acordo com o projeto e, na falta deste, de forma a evitar perdas com cortes desnecessários

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b) Verificar a possibilidade do reúso das peças, ou seja, utilizar uma mesma peça mais de uma vez, dando- lhe uma sobrevida, o que significa economia de dinheiro e matéria-prima

2.3.4. Destinação de resíduos de madeira A resolução do Conama - Conselho Nacional do Meio Ambiente n° 307 considera os geradores de resí- duos da Construção Civil responsáveis pelo seu destino. Eles deverão ter como objetivo primordial a não geração de resíduos e, secundariamente, a redução, reutilização, reciclagem e destinação final. Os Estados e municípios estão elaborando suas políticas de gestão de resíduos, nas quais está prevista a implantação de ATTs – Áreas de Transbordo e Triagem, para onde deverão ser encaminhados os resíduos da construção civil, entre eles os de madeira, para que possam ser segregados, reutilizados, reciclados ou tenham a correta destinação.

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Usos da madeira na construção civil

Na construção civil, a madeira é utilizada de diversas formas em usos temporários, como: fôrmas para concreto, andaimes e escoramentos. De forma definitiva, é utilizada nas estruturas de cobertura, nas esquadrias (portas e jane- las), nos forros e pisos.

Para se avaliar comparativamente esses usos é apresentado na tabela 1 o consumo de madeira serrada amazôni- ca pela construção civil, no Estado de São Paulo, em 2001.

TABELA 1 – CONSUMO DE MADEIRA SERRADA AMAZÔNICA PELA CONSTRUÇÃO CIVIL, NO ESTADO DE SÃO PAULO, EM 2001

Uso na construção civil Consumo 1000 m3 %

Estruturas de cobertura 891,7 50 Andaimes e fôrmas para concreto 594,4 33 Forros, pisos e esquadrias 233,5 13 Casas pré-fabricadas 63,7 4 Total 1783,3 100 Fonte: Sobral et al. (2002)

Nessa tabela observa-se que o uso em estruturas de cobertura representa metade da madeira consumida no Estado de São Paulo. Neste uso, são empregadas peças simplesmente serradas, como vigas, caibros, pranchas e tábuas. Tais produtos são comercializados em lojas especializadas, conhecidas como depósitos de madeira, e desti- nam-se principalmente à construção horizontal, ou seja, casas e pequenas edificações (Sobral et al., 2002).

Na mesma tabela pode ser visto que a madeira usada em andaimes e fôrmas para concreto representa 33% da madeira consumida no Estado de São Paulo. Neste tipo de uso, a construção verticalizada é a principal demandante, com aproximadamente 485 mil metros cúbicos anuais. Esta quantidade representa 80% da madeira consumida nesse segmento da construção civil (Sobral et al., 2002).

O quadro completa-se com a madeira utilizada em forros, pisos e esquadrias, partes da obra em que a madeira sofre forte concorrência de outros materiais, e em casas pré-fabricadas.

Para atender a esses usos na construção civil os principais centros demandantes de madeira serrada, localizados nas Regiões Sul e Sudeste, se abasteceram durante décadas com o pinho-do-paraná (Araucaria angustifolia) e a peroba-rosa (Aspidosperma polyneuron), explorados nas florestas nativas dessas regiões.

Com a exaustão dessas florestas, o suprimento de madeiras nativas passou a ser realizado, em parte, a partir de

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países limítrofes, como o Paraguai, porém, de forma mais significativa a partir da Região Amazônica. As madeiras de pinus (Pinus spp.) e eucalipto (Eucalyptus spp.), geradas nos reflorestamentos implantados nas Regiões Sul e Sudes- te, também passaram a suprir a construção habitacional.

Tais mudanças têm provocado a substituição do pinho-do-paraná e da peroba-rosa por outras madeiras desconhe- cidas dos usuários e, às vezes, inadequadas ao uso pretendido.

A implantação de medidas visando ao uso racional e sustentado do material madeira devem considerar desde a minoração dos impactos ambientais da exploração florestal centrada em poucos tipos de madeira, passam pelas me- didas para diminuição de geração de resíduos e reciclagem dos mesmos, até a ampliação do ciclo de vida do material pela escolha correta do tipo de madeira e pelos procedimentos do seu condicionamento (secagem e preservação).

Para atingir os objetivos deste trabalho os usos da madeira foram grupados como segue:

Construção civil pesada interna Engloba as peças de madeira serrada na forma de vigas, caibros, pranchas e tábuas utilizadas em estruturas de

cobertura, onde tradicionalmente era empregada a madeira de peroba-rosa (Aspidosperma polyneuron).

Construção civil leve externa e leve interna estrutural Reúne as peças de madeira serrada na forma de tábuas e pontaletes empregados em usos temporários (andai-

mes, escoramento e fôrmas para concreto) e as ripas e caibros utilizadas em partes secundárias de estruturas de cobertura. A madeira de pinho-do-paraná (Araucaria angustifolia) foi a mais utilizada, durante décadas, neste grupo.

Construção civil leve interna decorativa Abrange as peças de madeira serrada e beneficiada, como forros, painéis, lambris e guarnições, onde a madeira

apresenta cor e desenhos considerados decorativos.

Construção civil leve interna de utilidade geral São os mesmos usos descritos acima, porém para madeiras não decorativas.

Construção civil leve, em esquadrias Abrange as peças de madeira serrada e beneficiada, como portas, venezianas, caixilhos. A referência é a madeira

de pinho-do-paraná (Araucaria angustifolia).

Construção civil assoalhos domésticos Compreende os diversos tipos de peças de madeira serrada e beneficiada (tábuas corridas, tacos, tacões e

parquetes).

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Produtos de madeira

Os produtos de madeiras utilizados na construção variam desde peças com pouco ou nenhum processamento – madeira roliça – até peças com vários graus de beneficiamento, como: madeira serrada e beneficiada, lâminas, painéis de madeira e madeira tratada com produtos preservativos.

4.1 Madeira roliça

A madeira roliça é o produto com menor grau de processamento da madeira. Consiste de um segmento do fuste da árvore, obtido por cortes transversais (traçamento) ou mesmo sem esses cortes (varas: peças longas de pequeno diâmetro). Na maior parte dos casos, sequer a casca é retirada. Tais produtos são empregados, de forma temporária, em escoramentos de lajes (pontaletes) e construção de andaimes. Em construções rurais, é freqüente o seu uso em estruturas de telhado.

Neste tipo de produto também se enquadra a madeira roliça derivada dos postes de distribuição de energia elétri- ca, em geral tratados com produtos preservativos de madeira, que é empregada em estruturas de edificações, assim como a madeira roliça empregada na pré-fabricação das chamadas log homes.

A madeira roliça na região centro-sul do País é proveniente de reflorestamentos, principalmente daqueles realiza- dos com as diversas espécies de eucalipto (Eucalyptus spp.).

Madeiras nativas na forma roliça são empregadas somente nas regiões produtoras, como na Amazônia, onde se destaca a acariquara (Minquartia guianensis), pela sua resistência mecânica e alta durabilidade natural.

4.2 Madeira serrada

A madeira serrada é produzida em unidades industriais (serrarias), onde as toras são processadas mecanicamen- te, transformando a peça originalmente cilíndrica em peças quadrangulares ou retangulares, de menor dimensão. A sua produção está diretamente relacionada com o número e as características dos equipamentos utilizados e o rendi- mento baseado no aproveitamento da tora (volume serrado em relação ao volume da tora), sendo este função do diâmetro da tora (maiores diâmetros resultam em maiores rendimentos).

As diversas operações pelas quais a tora passa são determinadas pelos produtos que serão fabricados. Na maio- ria das serrarias, as principais operações realizadas incluem o desdobro, o esquadrejamento, o destopo das peças e o pré-tratamento.

O pré-tratamento possui caráter profilático e tem por objetivo proteger a madeira recém-serrada, contra fungos e insetos xilófagos, apenas durante o período de secagem natural. É realizado, normalmente, por meio da imersão das

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pranchas em um tanque com uma solução contendo um produto preservativo de ação fungicida e outro de ação inseticida. Devido ao método de tratamento e à natureza dos produtos preservativos utilizados, o pré-tratamento confere uma proteção superficial à madeira, pois atinge somente suas camadas mais externas. O pré-tratamento pode ser dispensado pela indústria quando a secagem da madeira é feita em estufas, imediatamente após desdobro das toras, e não deve ser considerado, pelo consumidor, como um tratamento definitivo da madeira que vai garantir sua proteção quando seca e em uso.

As serrarias produzem a maior diversidade de produtos: pranchas, pranchões, blocos, tábuas, caibros, vigas, vigotas, sarrafos, pontaletes, ripas e outros. A tabela 2 apresenta os principais produtos obtidos nas serrarias, bem como as dimensões dos mesmos.

Pranchas e pranchões No desdobro, a tora sofre cortes longitudinais resultando em peça com duas faces paralelas entre si, mas com os

cantos irregulares (mortos) e com casca. A prancha deve apresentar espessura de 40 mm a 70 mm e largura superior a 200 mm. O comprimento é variável. O

pranchão caracteriza-se por espessura superior a 70 mm e largura superior a 200 mm. O comprimento também é variável.

Vigas e vigotas As vigas são peças de madeira serrada utilizadas na construção civil. Apresentam-se na forma retangular, com

espessura maior do que 40 mm, largura entre 110 e 200 mm e comprimento variável, de acordo com o pedido do solicitante. As vigotas ou vigotes são uma variação de vigas, de menores dimensões, apresentando espessura de 40 mm a

80 mm e largura entre 80 e 110 mm.

TABELA 2 - DIMENSÕES DOS PRINCIPAIS PRODUTOS DE MADEIRA SERRADA

Produtos Espessura (mm) Largura (mm) Comprimento (m) Pranchão maior que 70 maior que 200 variável Prancha 40 – 70 maior que 200 variável Viga maior que 40 110 – 200 variável Vigota 40 – 80 80 – 110 variável Caibro 40 – 80 50 – 80 variável Tábua 10 – 40 maior que 100 variável Sarrafo 20 – 40 20 – 100 variável Ripa menor que 20 menor que 100 variável Dormente 160 220 2,00 – 5,60

170 240 2,80 – 5,60 Pontalete 75 75 variável Bloco variável variável variável

Fonte: NBR 7203 (1982).

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Tábuas, Caibros As tábuas dão origem a quase todas as outras peças de madeira serrada por redução de tamanho. Apresentam-se

na forma retangular, com espessura entre 10 e 40 mm, largura superior a 100 mm e comprimento variável, de acordo com o pedido do solicitante. Estes produtos são gerados a partir de toras, pranchas e pranchões.

Os caibros, ripas e sarrafos têm múltiplas aplicações tanto na construção civil como na fabricação de móveis. Os quadradinhos são variações do sarrafo, com menores dimensões, utilizadas normalmente para confecção de cabos de vassoura e pincéis.

4.3 Madeira beneficiada

A madeira beneficiada é obtida pela usinagem das peças serradas, agregando valor às mesmas. As operações são realizadas por equipamentos com cabeças rotatórias providas de facas, fresas ou serras, que usinam a madeira dando a espessura, largura e comprimento definitivos, forma e acabamento superficial da madeira. Podem incluir as seguintes operações: aplainamento, molduramento e torneamento e ainda desengrosso, desempeno, destopamento, recorte, furação, respigado, ranhurado, entre outras. Para cada uma destas operações existem máquinas específicas, manuais ou não, simples ou complexas, que executam vários trabalhos na mesma peça.

No aplainamento, as sobremedidas e as irregularidades são retiradas deixando a superfície mais lisa. O molduramento faz os cortes de encaixes – tipo macho-fêmea, por exemplo, – no comprimento para peças destinadas a forros, lambris, peças para assoalhos, batentes de portas, entre outros. No torneamento, as peças tomam a forma arredondada, como balaustres de escadas.

As dimensões dos principais produtos usinados representados por madeira aplainada em duas ou quatro faces, assoalhos e forros (macho-fêmea), rodapés, molduras de diferentes desenhos, madeira torneada e furada com respigas são apresentadas na tabela 3.

TABELA 3 – DIMENSÕES DAS PRINCIPAIS PEÇAS DE MADEIRA BENEFICIADA

Peça Dimensões da secção transversal (mm) Assoalho 20 x 100 Forro 10 x 100 Batente 45 x 145 Rodapé 15 x 150 ou 15 x 100 Taco 20 x 21

Fonte: NBR 7203 (1982).

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4.4 Madeira em lâminas

As lâminas de madeira são obtidas por um processo de fabricação que se inicia com o cozimento das toras de madeira e seu posterior corte em lâminas. Existem dois métodos para a produção de lâminas: o torneamento e o faqueamento. No primeiro, a tora já descascada e cozida é colocada em torno rotativo. As lâminas assim obtidas são destinadas à produção de compensados. Por outro lado, a lâmina faqueada é obtida a partir de uma tora inteira, da metade ou de um quarto da tora, presa pelas laterais, para que uma faca do mesmo comprimento seja aplicada sob pressão, produzindo fatias únicas. Normalmente, essas lâminas são originadas de madeiras decorativas de boa quali- dade, com maior valor comercial, prestando-se para revestimento de divisórias, com fins decorativos.

4.5 Painéis

Os painéis de madeira surgiram da necessidade de amenizar as variações dimensionais da madeira maciça, diminuir seu peso e custo e manter as propriedades isolantes, térmicas e acústicas. Adicionalmente, suprem uma necessidade reconhecida no uso da madeira serrada e ampliam a sua superfície útil, através da expansão de uma de suas dimensões (a largura), para, assim, otimizar a sua aplicação.

O desenvolvimento tecnológico verificado no setor dos painéis à base de madeira tem ocasionado o aparecimento de novos produtos no mercado internacional e nacional, que vêm preencher os requisitos de uma demanda cada vez mais especializada e exigente.

4.5.1. Compensado Os compensados surgiram no início do século XX como um grande avanço, ao transformar toras em painéis de

grandes dimensões, possibilitando um melhor aproveitamento e, conseqüente, redução de custos. O painel compensado é composto de várias lâminas desenroladas, unidas cada uma, perpendicularmente à outra,

através de adesivo ou cola, sempre em número ímpar, de forma que uma compense a outra, fornecendo maior estabi- lidade e possibilitando que algumas propriedades físicas e mecânicas sejam superiores às da madeira original. A espessura do compensado pode variar de 3 a 35 mm, com dimensões planas de 2,10 m x 1,60 m, 2,75 m x 1,22 m e 2,20 m x 1,10 m, sendo esta a mais comum.

Extensamente utilizado na indústria de móveis e construção civil, seu preço varia conforme as espécies e a cola utilizadas, com a qualidade das faces e com o número de lâminas que o compõe.

Há compensados tanto para uso interno quanto externo. Chapas finas de compensado apresentam vantagens sobre as demais madeiras industrializadas, pois são maleáveis e podem ser encurvadas.

São encontrados no mercado três tipos: laminados, sarrafeados e multissarrafeados. Os primeiros são produzidos com finas lâminas de madeira prensada. No compensado sarrafeado, o miolo é formado por vários sarrafos de madeira, colados lado a lado. O multissarrafeado é considerado o mais estável. Seu miolo compõe-se de lâminas prensadas e coladas na vertical, fazendo um “sanduíche”.

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Os compensados podem ou não ser comercializados com aplicação de lâminas de madeira de uso mais nobre ou mesmo laminado plástico. Nesses casos há sempre a necessidade de revestimento das bordas.

4.5.2. Chapas de fibra: chapa dura As chapas duras ou hardboards são obtidas pelo processamento da madeira de eucalipto, de cor natural

marrom, apresentando a face superior lisa e a inferior corrugada. As fibras de eucalipto aglutinadas com a própria lignina da madeira são prensadas a quente, por um processo úmido que reativa esse aglutinante, não necessitan- do a adição de resinas, formando chapas rígidas de alta densidade de massa, com espessuras que variam de 2,5 mm a 3,0 mm.

4.5.3. Chapa de fibra: MDFChapa de densidade média As chapas MDF (medium density fiberboard), com densidade de massa entre 500 e 800 kg/m³, são produzidas

com fibras de madeira aglutinadas com resina sintética termofixa, que se consolidam sob ação conjunta de tempe- ratura e pressão resultando numa chapa maciça de composição homogênea, de alta qualidade. Estas chapas apre- sentam superfície plana e lisa, adequada a diferentes acabamentos, como pintura, envernizamento, impressão, revestimento e outros. Estes painéis possuem bordas densas e de textura fina, apropriados para trabalhos de usinagem e acabamento.

As chapas MDF vêm preencher grande parte dos requisitos técnicos que eram demandados mas não supridos pelas chapas de fibras em diversos usos (densidade média e maiores espessuras) e pelo aglomerado, boas carac- terísticas de usinabilidade e de acabamento, tanto com equipamentos industriais quanto com ferramentas conven- cionais. Este tipo de painel pode ser serrado, torneado, lixado, furado, trabalhado em encaixes, malhetes e espigas e recebe bem pregos, parafusos e colas, desde que seguidas as recomendações do fabricantes quanto ao uso dos elementos corretos de fixação. Pode ser usado em móveis e na construção civil, com destaque para portas de armário, frentes de gavetas, tampos de mesa, molduras, pisos e outras aplicações.

No mercado essas chapas são encontradas em três versões: natural, revestida com laminado melamínico de baixa pressão (BP), de acabamento liso ou texturizado em distintos padrões, e revestida com película celulósica do tipo Finish Foil (FF), apresentando superfícies lisas ou texturizadas em vários padrões madeirados.

Devido ao uso relativamente especializado e nobre que se prevê para as chapas MDF, a matéria-prima preferida para sua fabricação é a madeira de florestas plantadas, com características uniformes e preferencialmente, de baixa densidade de massa e cor clara, sendo favorecido o pinus.

Ainda dentro deste tipo de painel, já são produzidas e utilizadas as HDF (high density fiberboards) que são chapas produzidas pelo mesmo processo a seco, como as MDF, exceto que em um valor mais alto de densidade de massa – acima de 800 kg/m³. Este tipo de painel, revestido com materiais apropriados, destina-se à fabricação de pisos, por exemplo.

4.5.4. Chapas de partículas: aglomerado O aglomerado é uma chapa de partículas de madeiras selecionadas de pinus ou eucalipto, provenientes de

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reflorestamento. Essas partículas aglutinadas com resina sintética termofixa se consolidam sob a ação de alta tem- peratura e pressão. As chapas aglomeradas são encontradas no mercado, na sua aparência natural, revestidas com película celulósica do tipo Finish Foil – FF em padrões madeirados, unicolores ou fantasias, ou ainda, revestidas com laminado melamínico de baixa pressão – BP, que, por efeito de prensagem a quente, funde o laminado à madeira aglomerada formando um corpo único e inseparável.

São chapas estáveis, podendo ser cortadas em qualquer direção, o que permite o seu maior aproveitamento. O aglomerado deve ser revestido, sendo indicado na aplicação de lâminas de madeira natural e laminados plásticos.

É amplamente utilizado pela indústria de móveis, construção civil, embalagens, entre outros. Algumas operações como fresagem, fixações, encabeçamentos, molduras, post forming, entre outras, requerem

cuidados especiais com ferramentas e equipamentos. Normas e recomendações devem ser observadas para se obter maior uniformidade e acabamento na instalação do produto final. Os dispositivos de fixação utilizados devem ser aqueles indicados para este tipo de material, sob pena de serem obtidos resultados finais negativos caso estas recomendações não sejam seguidas.

Por não apresentar resistência à umidade ou à água, o aglomerado deve ser utilizado em ambientes internos e secos, para que suas propriedades originais não se alterem.

4.5.5. Chapas de partículas: OSB – Painéis de partículas orientadas Os painéis de partículas orientadas ou oriented strand boards, mais conhecidos como OSB, foram dimensionados

para suprir uma característica demandada, e não encontrada, tanto na madeira aglomerada tradicional quanto nas chapas MDF – a resistência mecânica exigida para fins estruturais.

Os painéis são formados por camadas de partículas ou de feixes de fibras com resinas fenólicas, que são orientados em uma mesma direção e então, prensados para sua consolidação. Cada painel consiste de três a cinco camadas, orientadas em ângulo de 90 graus umas com as outras.

A resistência destes painéis à flexão estática é alta, não tanto quanto a da madeira sólida original, mas tão alta quanto a dos compensados estruturais, aos quais substituem perfeitamente. O seu custo é mais baixo devido ao emprego de matéria-prima menos nobre, mas não admitem incorporar resíduos ou “finos”, como no caso dos aglome- rados. Os OSB têm a elasticidade da madeira aglomerada convencional mas são mais resistentes mecanicamente.

Os painéis OSB têm tido utilização no exterior, principalmente na construção habitacional. Nos EUA, a construção de casas apresenta características de uso intenso de madeira serrada e de painéis, especialmente em paredes inter- nas e externas, pisos e forros e, nestes usos, os painéis OSB têm tido bom desempenho. Mais recentemente, estes produtos estão encontrando nichos de uso também em aplicações industriais, onde a resistência mecânica, trabalhabilidade, versatilidade e valor fazem deles alternativas atrativas em relação à madeira sólida. Entre estes usos, estão mobiliário industrial, incluindo estruturas de móveis, embalagens, contêineres e vagões.

No Brasil, a produção de OSB é recente e a demanda pelo uso deste produto está aumentando. Na constru- ção civil, já é possível ver sua aplicação em pisos, divisórias (paredes), coberturas (telhados) e obras temporárias (tapumes e alojamentos). O produto nacional é certificado de acordo com as normas americanas, o que permite os usos citados.

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Madeira: Uso Sustentável na Construção Civil

4.6 Desenvolvimento em madeira estrutural composta

A madeira “engenheirada” inclui produtos já comuns em outros países, especialmente do Hemisfério Norte, mas ainda relativamente desconhecidos entre nós ou, no máximo, familiares apenas a uns poucos especialistas.

A madeira serrada classificada eletromecanicamente vem a ser madeira serrada, geralmente de coníferas, ensai- ada não-destrutivamente (em máquinas de alta velocidade) quanto à flexão estática e identificada quanto à sua classe de resistência mecânica. Este produto é conhecido como machine evaluated lumber - MEL ou machine stress rated - MSR. Este produto não é encontrado neste País por várias razões, entre as quais se inclui a falta de normatização das seções transversais das peças usadas em estruturas, o alto custo do equipamento e da operação, além da falta de tradição no uso de madeira de coníferas para fins estruturais.

Pode compor também este grupo a madeira laminada e colada, na qual as tábuas são dispostas e coladas, com as suas fibras na mesma direção, ampliando o comprimento ou a espessura (glulam). Vigas laminadas e coladas, fabricadas com madeiras de reflorestamento – pinus e eucalipto – preservadas contra ataque de insetos e fungos, além de prote- gidas contra fogo e umidade, são um produto já encontrado no setor da construção civil neste País.

Entretanto, outros produtos, manufaturados em maior ou menor grau de sofisticação, estão incluídos no grupo das madeiras estruturais compostas., como: LVL – laminated veneer lumber, PSL – parallel strand lumber e OSL – oriented strand lumber.

4.7 Outros produtos

A tecnologia tem ampliado a gama de novos produtos derivados da madeira, seja em diferentes formas, seja em combinação com outros materiais, visando sempre ao melhor desempenho do produto no fim a que se destina, a otimização do uso da matéria-prima e a redução dos custos de processamento.

Muitos dos processos desenvolvidos baseiam-se no emprego de matéria-prima produzida em florestas de rápido crescimento especialmente para um determinado fim. Isto é reflexo de uma demanda especializada, exigente não só em relação ao desempenho do produto, mas também em relação à sua aparência. Exemplos podem ser facilmente apontados, como é o caso dos painéis MDF produzidos com misturas de espécies, resultando em painéis de cor mais escura, logo recusados pelo mercado mais sofisticado.

Contudo, uma vertente de interesse crescente tem sido a utilização de resíduos de processamento mecânico ou químico de madeiras na produção de painéis, dentro do princípio de reúso ou mesmo de reciclagem de materiais

Exemplo recente é o desenvolvimento de painéis produzidos com madeira sólida e com partículas de madeira tratada com CCA, um preservante de madeira à base de cobre, cromo e arsênio. Este material, proveniente de descarte, passaria a constituir-se em potencial contaminante ambiental. Com o reaproveitamento destes produtos na forma de painéis, um potencial agente contaminante passou a constituir-se matéria-prima, gerando outros produtos de alta durabilidade.

O mercado requer produtos de bom desempenho, menor custo, esteticamente agradáveis e, crescentemente, sadios do ponto de vista ambiental.

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Madeira: Uso Sustentável na Construção Civil

4.8 Madeira tratada com produtos preservativos

Preservação de madeiras é todo e qualquer procedimento ou conjunto de medidas que possam conferir à madeira em uso maior resistência aos agentes de deterioração, proporcionando maior durabilidade. Estes agentes podem ser de natureza física, química e biológica (fungos e insetos xilófagos), que afetam suas propriedades. Essas medidas devem ser discutidas e adotadas na etapa de elaboração dos projetos, sendo que o uso racional da madeira como um material de engenharia no ambiente construído pressupõe minimamente:

• Conhecimento do nível de desempenho necessário para o componente ou estrutura de madeira, tais como vida útil, responsabilidade estrutural, garantias comerciais e legais, entre outras.

• Escolha da espécie da madeira com base nas propriedades intrínsecas de durabilidade natural e tratabilidade.

• Definição das condições de exposição (uso) da madeira e dos possíveis agentes biodeterioradores presentes (fungos e insetos xilófagos), ou seja, definição do risco biológico a que a madeira será submetida.

• Adoção do método de tratamento e produto preservativo de madeira (inseticida e/ou fungicida) em função do risco biológico para aumentar a durabilidade da madeira. O tratamento preservativo faz-se necessário se a espécie escolhida não é naturalmente durável para o uso considerado e/ou se a madeira contém porções de alburno.

• Implementação de controle de qualidade de toda a madeira tratada com produtos preservativos para garantir os principais parâmetros de tratamento: penetração e a retenção do preservativo absorvido no processo de tratamento. A penetração é definida como sendo a profundidade alcançada pelo preservativo ou pelo(s) seu(s) ingrediente(s) ativo(s) na madeira. Já a retenção é a quantidade do preservativo ou de seu(s) ingrediente(s) ativo(s), contida de maneira uniforme num determinado volume da madeira, por exemplo, expressa em quilo- gramas de ingrediente ativo por metro cúbico de madeira tratável (kg/m³).

Considerando a Lei nº 4.797 de 20 de outubro de 1965 e a Instrução Normativa Conjunta Ibama e Anvisa, em fase final de implementação para substituição da Portaria Interministerial nº 292 de 20 de outubro de 1989 e Instru- ção Normativa nº5, de 20/10/92, que disciplinam o setor Preservação de Madeiras no Brasil, o tratamento preserva- tivo de madeiras é obrigatório para peças ou estruturas de madeira, tais como dormentes, estacas, vigas, vigotas, pontes, pontilhões, postes, cruzetas, torres, moirões de cerca, escoras de minas e de taludes, ou quaisquer estrutu- ras de madeira que sejam usadas em contato direto com o solo ou sob condições que contribuam para a diminuição de sua vida útil.

Esta obrigatoriedade deve ser observada exclusivamente com relação às essências florestais passíveis de tratamento. São passíveis de tratamento preservativo as peças de madeira portadoras de alburno ou as que, sendo de puro cerne, apresentem alguma pemeabilidade à penetração dos produtos preservativos em seus teci- dos lenhosos. No caso do uso de madeira de puro cerne, esta deve ser de alta durabilidade natural aos fungos apodrecedores e insetos xilófagos (brocas-de-madeira e cupins) para as condições de uso biologicamente ativa e/ ou agressiva.

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Madeira: Uso Sustentável na Construção Civil

Com relação ao tratamento preservativo da madeira, deve-se considerar a busca de produtos preservativos e processos de tratamento de menor impacto ao meio ambiente e à higiene e segurança, a disponibilidade de produtos no mercado brasileiro, os aspectos estéticos (alteração de cor da madeira, por exemplo), aceitação de acabamento e a necessidade de monitoramento contínuo.

Só devem ser utilizados os produtos preservativos devidamente registrados e autorizados pelo Ministério do Meio Ambiente, através do Instituto Brasileiro de Meio Ambiente e Recursos Naturais Renováveis (Ibama), e pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), que avalia os resultados dos testes para classificação da Periculosidade Ambiental. Assim como, para o tratamento industrial da madeira, deve-se exigir registro no Ibama das usinas de preser- vação de madeira e outras indústrias que utilizam esses produtos.

A especificação de um tratamento preservativo, baseado nas condições de uso da madeira, deve requerer pene- tração e retenção adequadas que dependem do método de tratamento escolhido. As normas técnicas e a experiência do fabricante podem relacionar estes parâmetros de qualidade do tratamento, considerando minimamente:

• a diferente durabilidade natural e tratabilidade do alburno e cerne devem ser sempre consideradas;

• quanto maior a responsabilidade estrutural do componente de madeira, maior deverá ser a retenção e penetração do produto preservativo;

• uma maior vida útil está normalmente associada a uma maior retenção e penetração do produto;

• para um mesmo processo de tratamento, diferenças de micro e macroclima entre regiões podem exigir maiores retenções e penetrações;

• a economia em manutenção e a acessibilidade para reparos ou substituições de um componente podem exigir maiores retenções e penetrações;

• o controle de qualidade de toda a madeira preservada deverá ser realizado para garantir os principais parâmetros de qualidade: penetração e a retenção do preservativo absorvido no processo de tratamento;

• se o risco de lixiviação do produto preservativo existe, considerar a proteção dos componentes durante constru- ção e/ou transporte;

• fatores como manuseio das peças tratadas, práticas durante a construção, integridade de acabamentos ou com- patibilidade do produto preservativo com o acabamento, podem afetar o desempenho da madeira preservada.

Na norma brasileira NBR 7190 – Estruturas de Madeira, atualmente em revisão pela Associação Brasileira de Normas Técnicas – ABNT, está sendo introduzido o conceito de classe de risco que auxiliará o engenheiro, arquiteto e usuário de madeira em geral, na tomada de decisão sobre o uso racional da madeira tratada. Esta ferramenta relacio- nará as possíveis condições de exposição da madeira e os agentes biodeterioradores (fungos e insetos), com os produtos preservativos e processos de tratamento pertinentes, além de apresentar orientações mínimas de projeto para minimizar os danos causados por estes organismos xilófagos.

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Madeira: Uso Sustentável na Construção Civil

4.9 Cuidados na aplicação de tintas e vernizes

Ao se aplicar tintas e vernizes como acabamento de superfície de peças de madeira, devem ser tomadas precau- ções que visam, em geral, à utilização eficiente destes produtos e à segurança quanto aos aspectos ambientais e de saúde, relacionados às emissões oriundas de solventes e substâncias tóxicas/perigosas para o meio ambiente e que podem ser acumulados nos seres vivos (aquáticos e terrestres); à disposição dos resíduos e principalmente com relação ao contato direto com o homem na aplicação e no uso. As tintas e vernizes contêm solventes orgânicos que emitem vapores à temperatura ambiente; por contato direto com a pele ou por inalação, podem provocar alergias, queimaduras ou, após inalações repetidas, doenças respiratórias e lesões pulmonares.

Na seleção e aplicação de um produto de acabamento recomenda-se:

• preferir produtos/princípios ativos ambientalmente amigáveis;

• verificar as instruções escritas nas embalagens quanto às condições de armazenagem e boas práticas de manu- seio durante aplicação, tais como, uso de EPIs e separação dos resíduos sólidos e líquidos;

• verificar com o fabricante as orientações para disposição do resíduo gerado na aplicação e pós-uso, caso estas instruções não estejam disponíveis na embalagem.

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Madeira: Uso Sustentável na Construção Civil

Indicação de madeiras para usos na construção civil

As propriedades básicas da madeira variam muito entre as espécies. Tomando-se a densidade de massa aparente a 15% de teor de umidade, como um indicador dessas propriedades, tem-se a madeira de balsa com 200 kg/m3 e a de aroeira com 1100 kg/m3, ou seja, materiais com propriedades físicas e mecânicas totalmente distintas.

Portanto, na escolha da madeira correta para um determinado uso, deve-se considerar quais as propriedades e os respectivos níveis requeridos para que a madeira possa ter um desempenho satisfatório. Esse procedimento é primordial principalmente em países tropicais onde a variedade e o número de espécies de madeiras existentes na floresta são expressões da sua biodiversidade.

Soma-se a essa questão, a mudança das fontes de suprimento dos principais centros demandantes de madei- ra serrada, localizados nas Regiões Sul e Sudeste. Com a exaustão das florestas nativas dessas regiões, o supri- mento de madeiras nativas passou a ser realizado, em parte, a partir de países limítrofes, como o Paraguai, porém, de forma mais significativa a partir da região amazônica. As madeiras disponíveis nos reflorestamentos implantados nas Regiões Sul e Sudeste, com pinus e eucalipto, já estão suprindo a construção civil.

Essas mudanças têm provocado a substituição do pinho-do-paraná e da peroba-rosa, espécies tradicional- mente utilizadas pelo setor, por outras madeiras, desconhecidas dos usuários e, às vezes, inadequadas ao uso pretendido.

A variedade de espécies de madeira - e a amplitude de suas propriedades - existente na floresta amazô- nica dificulta as atividades de exploração florestal sustentada e mesmo uma comercialização mais intensa do potencial madeireiro da floresta, sobretudo naqueles mercados abastecidos tradicionalmente por poucas es- pécies de madeira.

Tais circunstâncias sugerem uma abordagem para redução da heterogeneidade das madeiras, através do grupamento ou reunião das mesmas em categorias de propriedades comuns.

No mercado brasileiro o grupamento já é praticado, porém de forma não técnica e com desconhecimento por parte do usuário final. Na cidade de São Paulo, sob o nome de cedrinho estão sendo comercializadas cerca de 15 diferentes espécies de madeira (amazônicas e de reflorestamento), que são empregadas indistintamente em uso temporário nas obras.

O lado positivo desse fato é a constatação da aplicação prática do conceito de grupamento de espécies por uso final (várias espécies sendo aplicadas num determinado uso) e a aceitação, portanto, de outras espécies de madeira não tradicionais. Porém, a forma como este processo está se desenvolvendo, baseado na escolha das espécies pela tentativa-e-erro e sem, pelo menos aparentemente, o conhecimento do consumidor, é inapropriada e poderá aumentar o preconceito em relação a madeira como material de construção.

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Madeira: Uso Sustentável na Construção Civil

Neste trabalho, a alocação das madeiras nos grupos de uso final (ver capítulo 3) foi realizada através de um critério em que foram utilizadas as propriedades e/ou características consideradas como o mínimo necessário para um bom desempenho da madeira no uso especificado. Para cada uma das propriedades escolhidas foram fixados valores mínimos e, às vezes, máximos, tendo como base os valores de madeiras tradicionalmente empre- gadas nos usos considerados.

Esta estratégia foi adotada considerando que os especificadores de madeira (engenheiros, arquitetos, com- pradores de empreiteiras, carpinteiros etc.) têm o hábito de indicar somente as madeiras tradicionais, como peroba- rosa e pinho-do-paraná. Com isto, busca-se facilitar a aceitação de “novas” madeiras.

Entretanto, há processos de seleção de madeiras tecnicamente mais elaborados, como o utilizado na norma NBR 7190 “Projeto de estruturas de madeiras” da Associação Brasileira de Normas Técnicas - ABNT e que subs- tituiu a NBR 6230 com profundas alterações na metodologia e procedimentos de ensaios.

Nessa Norma foram estabelecidas três classes de resistência - C 20, C25 e C 30 - para as madeiras de coníferas (pinus e pinho-do-paraná, p. ex.) e quatro classes - C 20, C 30, C 40 e C 60 - para as madeiras de dicotiledôneas (peroba-rosa, ipê, jatobá, p. ex.). No estabelecimento dessas classes foram consideradas proprie- dades físicas (densidade de massa básica e aparente), de resistência (compressão paralela às fibras e cisalhamento) e de rigidez (módulo de elasticidade).

A utilização de classes de resistência elimina a necessidade da especificação da espécie da madeira, pois em um projeto estrutural desenvolvido de acordo com essa norma bastará a verificação das propriedades de resistên- cia de um lote de peças de madeira à classe de resistência especificada no projeto.

É importante salientar que a necessidade de especificar a espécie de madeira foi suprimida no que diz respei- to à resistência mecânica. Entretanto, isto ainda é necessário quando se precisa empregar madeiras naturalmente resistentes ou permeáveis às soluções preservantes, em função da classe de risco de deterioração biológica a que a madeira estará exposta (item 10.7 da Norma). Outra situação que requer tal especificação é quando se precisa conhecer as características de trabalhabilidade e de decoratividade da madeira.

As listas de madeiras reunidas em grupos de uso final, tendo como referências as madeiras de peroba-rosa, pinho-do-paraná e imbuia, são apresentadas a seguir. Ao se elaborar essas listas, buscou-se excluir espécies de madeira, que embora sejam comercializadas, enfrentam restrições legais ou têm uso alternativo mais rentável, como p. ex., a castanheira (Bertholletia excelsa) e a copaíba (Copaifera spp.).

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Madeira: Uso Sustentável na Construção Civil

Construção civil pesada interna Engloba as peças de madeira serrada na forma de vigas, caibros, pranchas e tábuas utilizadas em estruturas de

cobertura, onde tradicionalmente era empregada a madeira de peroba-rosa (Aspidosperma polyneuron).

Nome popular Nome científico Nome popular Nome científico araracanga Aspidosperma desmanthum itaúba Mezilaurus itauba angelim-pedra Hymenolobium spp. jarana Lecythis jarana angelim-vermelho Dinizia excelsa maçaranduba Manilkara spp. angico-preto Anadenanthera macrocarpa muiracatiara Astronium lecointei angico-vermelho Parapiptadenia rigida pau-amarelo Euxylophora paraensis bacuri Platonia insignis pau-mulato Calycophyllum spruceanum bacuri-de-anta Moronobea coccinea rosadinho Micropholis guianensis cupiúba Goupia glabra pau-roxo Peltogyne spp. eucalipto - R Eucalyptus tereticornis, E. citriodora, E. saligna sapucaia Lecythis pisonis fava-orelha-de-negro Enterolobium schomburgkii tanibuca Terminalia spp. faveira-amargosa Vatairea spp. tatajuba Bagassa guianensis garapa Apuleia leiocarpa timborana Piptadenia suaveolens goiabão Pouteria pachycarpa uxi Endopleurauchi Obs.: R = madeira gerada em reflorestamento. Nomes em negrito: ver ficha, no capítulo 6, com informações técnicas sobre a madeira.

Construção civil leve externa e leve interna estrutural Reúne as peças de madeira serrada na forma de tábuas e pontaletes empregados em usos temporários (anda-

imes, escoramento e fôrmas para concreto) e as ripas e caibros utilizadas em partes secundárias de estruturas de cobertura. A madeira de pinho-do-paraná (Araucaria angustifolia) foi a mais utilizada, durante décadas, neste grupo.

Nome popular Nome científico Nome popular Nome científico angelim-pedra Hymenolobium spp. louro-canela Ocotea spp. ou Nectandra spp. bacuri Platonia insignis louro-vermelho Nectandra rubra bacuri-de-anta Moronobea coccinea marinheiro Guarea spp. cambará Qualea spp. pau-jacaré Laetia procera canafístula Peltophorum vogelianum quaruba Vochysia spp. cedrinho Erisma uncinatum rosadinho Micropholis guianensis eucalipto - R Eucalyptus grandise E. saligna tatajuba Bagassa guianensis garapa Apuleia leiocarpa tauari Couratari spp. jacareúba Calophyllum brasiliense taxi Tachigali spp. ou Sclerolobium spp. nomes em negrito: ver ficha, no capítulo 6, com informações técnicas sobre a madeira.

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Madeira: Uso Sustentável na Construção Civil

Construção civil leve interna, decorativa: Abrange as peças de madeira serrada e beneficiada, como forros, painéis, lambris e guarnições, onde a madeira

apresenta cor e desenhos considerados decorativos. A referência e a madeira de imbuia (Ocotea porosa)

Nome popular Nome científico Nome popular Nome científico angelim-pedra Hymenolobium spp. macacaúba Platymiscium ulei bacuri Platonia insignis marinheiro Guarea spp. cerejeira Amburana cearensis muiracatiara Astronium lecointei curupixá Micropholis venulosa pau-amarelo Euxylophora paraensis freijó Cordia goeldiana pau-roxo Peltogyne spp. grevílea - R Grevillea robusta rosadinho Micropholis guianensis guariúba Clarisia racemosa tatajuba Bagassa guianensis louro-vermelho Nectandra rubra vinhático Plathymenia spp. louro-canela Ocotea spp. ou Nectandra spp. Obs.: R = madeira gerada em reflorestamento. nomes em negrito: ver ficha, no capítulo 6, com informações técnicas sobre a madeira.

Construção civil leve interna, de utilidade geral Abrange as peças de madeira serrada e beneficiada, como forros, painéis, lambris e guarnições, onde o aspecto

decorativo da madeira não é fator limitante. A referência é a madeira de pinho-do-paraná (Araucaria angustifolia)

Nome popular Nome científico Nome popular Nome científico amesclão Trattinnickia spp. faveira Parkia spp. cambará Qualea spp. jacareúba Calophyllum brasiliense cedrinho Erisma uncinatum marupá Simarouba amara cedrorana Cedrelinga cateniformis pinus - R Pinus spp. cuningâmia - R Cunninghamia lanceolata quaruba Vochysia spp. cupressus - R Cupressus lusitanica tauari Couratari spp. eucalipto - R Eucalyptusgrandis e E. saligna taxi Tachigali spp. Obs.: R = madeira gerada em reflorestamento. nomes em negrito: ver ficha, no capítulo 6, com informações técnicas sobre a madeira.

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Madeira: Uso Sustentável na Construção Civil

Construção civil leve em esquadrias Abrange as peças de madeira serrada e beneficiada, como portas, venezianas, caixilhos. A referência é a madeira

de pinho-do-paraná (Araucaria angustifolia).

Nome popular Nome científico Nome popular Nome científico angelim-pedra Hymenolobium spp. louro-canela Ocotea spp. ou Nectandra spp. bacuri Platonia insignis louro-vermelho Nectandra rubra cedrinho Erisma uncinatum marinheiro Guarea spp. cedro Cedrela sp. pau-amarelo Euxylophora paraensis freijó Cordia goeldiana tauari Couratari spp. garapa Apuleia leiocarpa taxi Tachigali spp. nomes em negrito: ver ficha, no capítulo 6, com informações técnicas sobre a madeira.

Construção civil: assoalhos domésticos Compreende os diversos tipos de peças de madeira serrada e beneficiada usado em pisos (tábuas corridas, tacos,

tacões e parquetes). A madeira de referência é a: peroba-rosa (Aspidosperma polyneuron)

Nome popular Nome científico Nome popular Nome científico angico-preto Anadenanthera macrocarpa muiracatiara Astronium lecointei angico-vermelho Parapiptadenia rigida pau-amarelo Euxylophora paraensis bacuri Platonia insignis pau-mulato Calycophyllum spruceanum garapa Apuleia leiocarpa pau-roxo Peltogyne spp. goiabão Pouteria pachycarpa tanibuca Terminalia spp. itaúba Mezilaurus itauba tatajuba Bagassa guianensis macacaúba Platymiscium ulei timborana Piptadenia suaveolens maçaranduba Manilkara spp. uxi Endopleurauchi Obs.: nomes em negrito: ver ficha, no capítulo 6, com informações técnicas sobre a madeira.

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Madeira: Uso Sustentável na Construção Civil

Fichas tecnológicas de madeiras

Das madeiras apresentadas no capítulo anterior, foram selecionadas algumas que são mais abundantes no mercado e para elas são apresentadas informações tecnológicas. Adicionalmente, para comparação, apresenta-se essas informa- ções para as madeiras de peroba-rosa e pinho-do-paraná, que eram tradicionalmente utilizadas na construção civil.

Para cada madeira são fornecidas as seguintes informações: - nome popular principal e outros nomes populares, nome científico; - características gerais: características sensoriais e descrição anatômica macroscópica; - durabilidade natural e tratabilidade química; - características de processamento: trabalhabilidade e secagem; - propriedades físicas: densidade de massa e contrações; - propriedades mecânicas: flexão estática, compressão axial, choque, cisalhamento, dureza Janka, tração normal às fibras, fendilhamento;

- usos na construção civil e outros usos; e - observações referentes à madeira, quando relevantes.

Todas as informações foram pesquisadas no banco de dados da Divisão de Produtos Florestais do IPT e em bibliografia especializada.

As madeiras selecionadas são as seguintes:

Nome popular Nome científico peroba-rosa (referência) Aspidosperma polyneuron, Apocynaceae pinho-do-paraná (referência) Araucaria angustifolia, Araucariaceae amesclão Trattinnickia burserifolia, Burseraceae angelim-pedra Hymenolobium spp., Leguminosae angelim-vermelho Dinizia excelsa, Leguminosae bacuri Platonia insignis, Guttiferae cambará Qualea spp., Vochysiaceae cedrinho Erisma uncinatum, Vochysiaceae cedrorana Cedrelinga cateniformis, Leguminosae cupiúba Goupia glabra, Goupiaceae curupixá Micropholis venulosa, Sapotaceae eucalipto-citriodora Eucalyptus citriodora, Myrtaceae

Nome popular Nome científico eucalipto-grandis Eucalyptus grandis, Myrtaceae fava-orelha-de-negro Enterolobium schomburgkii, Leguminosae garapa Apuleia leiocarpa, Leguminosae goiabão Pouteria pachycarpa, Sapotaceae jacareúba Calophyllum brasiliense, Guttiferae itaúba Mezilaurus itauba, Lauraceae louro-vermelho Nectandra rubra, Lauraceae pinus-eliote Pinus elliottii, Pinaceae quaruba Vochysia spp., Vochysiaceae pau-roxo Peltogyne spp., Leguminosae tauari Couratari spp., Lecythidaceae

Informações sobre outras madeiras podem ser obtidas em: site www.ipt.br, CD-ROM “Madeiras para móveis e construção civil (ZENID, 2002) e nas publicações do IBAMA, INPA e IPT relacionadas no capítulo 8.

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Madeira: Uso Sustentável na Construção Civil

PEROBA-ROSA - Aspidosperma polyneuron Müll. Arg., Apocynaceae.

OUTROS NOMES POPULARES Peroba, peroba-açu, peroba-amarela, peroba-do-sul, peroba-mirim, peroba-rajada

OCORRÊNCIA Brasil: Bahia, Espírito Santo, Goiás, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais, Paraná, Rondônia, Santa Catarina, São Paulo Outros países: Argentina, Paraguai

CARACTERÍSTICAS GERAIS

Características sensoriais: alburno indistinto, cerne róseo quando recém cortado passan- do a amarelo-rosado com o tempo, uniforme ou com veios mais escuros; sem brilho; cheiro imperceptível e gosto ligeiramente amargo; densidade média; moderadamente dura ao corte; grã direita ou revessa; textura fina.

Descrição anatômica macroscópica: parênquima axial: invisível mesmo sob lente. Raios: visíveis apenas sob lente no topo e na face tangencial; finos; poucos. Vasos: visíveis apenas sob lente, pequenos; muito numerosos; porosidade difusa; solitários predominan- tes, vazios, às vezes obstruídos por óleo-resina. Camadas de crescimento: individualizadas por zonas fibrosas tangenciais mais escuras.

DURABILIDADE NATURAL E TRATABILIDADE QUÍMICA As informações disponíveis na literatura são controversas em relação à durabilidade natu- ral do cerne de peroba-rosa. Observações feitas pelo IPT em exame de estruturas de cober- tura, complementadas por ensaios de laboratório, permitem considerar esta madeira como de moderada resistência aos cupins e com baixa a moderada resistência aos fungos apodrecedores. Dormentes dessa madeira, sem tratamento preservante, apresentam uma vida útil média de seis anos. Em ensaio de campo, com a madeira em contato com o solo, a peroba-rosa foi considerada moderadamente resistente com vida média inferior a nove anos. A peroba-rosa é susceptível ao ataque de perfuradores marinhos. Apresenta baixa permeabilidade às soluções preservantes.

CARACTERÍSTICAS DE PROCESSAMENTO Trabalhabilidade: A madeira de peroba-rosa é moderadamente fácil de ser trabalhada, porém pode apresentar certa dificuldade quando ocorre grã revessa. Permite bom acaba- mento e é fácil de colar. Secagem: Na secagem em estufa, a ocorrência de rachas é baixa, entretanto, podem ocorrer empenamentos.

PROPRIEDADES FÍSICAS* Densidade de massa (ρ): aparente a 15% de umidade (ρap, 15): 790 kg/m3 / básica (ρbásica): 660 kg/m3

Contração: radial: 4,0 % / tangencial: 7,8 % / volumétrica: 13,1 %

PROPRIEDADES MECÂNICAS* Flexão Resistência – fM Madeira verde (MPa): 88,2 Madeira a 15 % de umidade (MPa): 103,8 Limite de Proporcionalidade - madeira verde (MPa): 35,6 Módulo de Elasticidade - madeira verde (MPa): 9 248 Compressão paralela às fibras Resistência – fc0 Madeira verde (MPa): 41,6 Madeira a 15 % de umidade (MPa): 54,4 Limite de Proporcionalidade - madeira verde (MPa): 27,9 Módulo de Elasticidade – madeira verde (MPa): 11 739 Coeficiente de influência de umidade (%): 3,8

OUTRAS PROPRIEDADES MECÂNICAS* Resistência ao impacto na Flexão - madeira a 15% (choque) – Trabalho Absorvido (J): 23,3 Cisalhamento - madeira verde (MPa): 11,9 Dureza Janka paralela - madeira verde (N): 6 776 Tração Normal às Fibras - madeira verde (MPa): 8,1 Fendilhamento – madeira verde (MPa): 0,9

USOS NA CONSTRUÇÃO CIVIL Pesada externa: dormentes e cruzetas. Pesada interna: tesouras, vigas e caibros. Assoalhos: tábuas, tacos e parquetes. Leve em esquadrias: marcos de portas e janelas, venezianas, portas.

OUTROS USOS Mobiliário de utilidade geral: móveis pesados e carteiras escolares, folhas faqueadas, vagões, carrocerias, peças torneadas, fôrmas para calçados, paletes e embalagens.

OBSERVAÇÕES Madeira tradicionalmente empregada em estruturas de telhado, e por esta razão ainda é especificada embora escassa e em processo rápido de substituição. Os dados apresenta- dos nesta ficha servem como referência para a busca de espécies alternativas à peroba-rosa, cujo uso deve ser evitado.

(*) Resultados obtidos de acordo com a Norma ABNT MB26/53 (NBR 6230/85). Fonte: IPT,1989a.

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Madeira: Uso Sustentável na Construção Civil

PINHO-DO-PARANÁ - Araucaria angustifolia (Bertol.) Kuntze, Araucariaceae.

OUTROS NOMES POPULARES pinho, pinho-brasileiro, pinheiro-do-paraná

OCORRÊNCIA Brasil: Minas Gerais, São Paulo, Paraná, Rio Grande do Sul, Santa Catarina.

CARACTERÍSTICAS GERAIS

Características sensoriais: alburno e cerne pouco distintos pela cor, este branco- amarelado, freqüentemente com manchas largas róseo-avermelhadas (em árvores mais velhas, o cerne pode apresentar coloração amarronzada); brilho moderado; cheiro e gosto pouco acentuados, característicos de resina; densidade baixa; macia ao corte; grã direita; textura fina.

Descrição anatômica macroscópica: parênquima axial: invisível mesmo sob lente. Raios: visíveis apenas sob lente no topo, na face tangencial é invisível mesmo sob lente. Camadas de crescimento: distintas; transição suave entre o lenho inicial e tardio. Canais de resina: ausentes.

DURABILIDADE NATURAL E TRATABILIDADE QUÍMICA A madeira de pinho-do-paraná, em ensaio de laboratório, demonstrou ter baixa resistência ao apodrecimento e ao ataque de cupins-de-madeira-seca. A madeira é muito susceptível aos fungos causadores da mancha azul, cupins e perfuradores marinhos. O alburno não é susceptível às brocas de madeiras do gênero Lyctus.A madeira de pinho-do-paraná, em ensaios de laboratório, quando submetida à im- pregnação sob pressão, demonstrou ter alta permeabilidade às soluções preservantes.

CARACTERÍSTICAS DE PROCESSAMENTO Trabalhabilidade: A madeira de pinho-do-paraná é fácil de ser trabalhada com ferra- mentas manuais ou máquinas. Se ocorrer madeira de compressão, pode haver distorção durante o aplainamento. Fácil de colar e aceita bem acabamentos superfici- ais. É fácil de desdobrar, aplainar e colar permitindo bom acabamento. Secagem: A secagem ao ar é difícil por apresentar tendência à torção e rachaduras. O processo de secagem em estufa deve ser controlado cuidadosamente, para que se possa obter madeira de qualidade. Programa de secagem pode ser obtido em Jankowsky (1990).

PROPRIEDADES FÍSICAS* Densidade de massa (ρ): aparente a 15% de umidade (ρap, 15): 550 kg/m

3 / básica (ρbásica): 458 kg/m

3

Contração: radial: 4,0 % / tangencial: 7,8 % / volumétrica: 13,2 %

PROPRIEDADES MECÂNICAS* Flexão Resistência – fM Madeira verde (MPa): 59,7 Madeira a 15 % de umidade (MPa): 85,6 Limite de Proporcionalidade - madeira verde (MPa): 25,1 Módulo de Elasticidade - madeira verde (MPa): 10 719 Compressão paralela às fibras Resistência – fc0 Madeira verde (MPa): 26,3 Madeira a 15 % de umidade (MPa): 41,4 Limite de Proporcionalidade - madeira verde (MPa): 20,6 Módulo de Elasticidade – madeira verde (MPa): 13 514 Coeficiente de influência de umidade (%): 4,7

OUTRAS PROPRIEDADES MECÃNICAS* Resistência ao impacto na Flexão - madeira a 15% (choque) Trabalho Absorvido (J): 14,7 Cisalhamento – madeira verde (MPa): 6,7 Dureza Janka paralela - madeira verde (N): 2687 Tração Normal às Fibras - madeira verde (MPa): 3,4 Fendilhamento – madeira verde (MPa): 0,4

USOS NA CONSTRUÇÃO CIVIL Leve interna, estrutural: ripas e partes secundárias de estruturas. Leve interna, utilidade geral: cordões, guarnições, rodapés, forros e lambris Uso temporário: pontaletes, andaimes e fôrmas para concreto.

OUTROS USOS Móveis estândar e partes internas de móveis, molduras, moldes, instrumentos musicais, cabos para vassouras, lápis, pás e palitos de sorvete, palitos de dente, palitos de fósforo, compensados, laminados, brinquedos, embalagens leves, utensílios de cozinha, laterais de escadas extensíveis.

OBSERVAÇÕES Madeira tradicionalmente empregada em estruturas de telhado, e por esta razão ainda é especificada embora escassa e em processo rápido de substituição. Existem reflorestamentos feitos com esta espécie. Os dados apresentados nesta ficha servem como referência para a busca de espécies alternativas ao pinho-do-paraná, cujo uso deve ser evitado.

(**) Resultados obtidos de acordo com a Norma ABNT MB26/53 (NBR 6230/85). Fonte: IPT, 1989a.

32

Madeira: Uso Sustentável na Construção Civil

AMESCLÃO – Trattinnickia burserifolia Mart, Burseraceae

OUTROS NOMES POPULARES amescla, almesclão, breu, breu-preto, breu-sucuruba, breu-sucuuba, mangue, mes- cla, morcegueira, sucuruba, sucurubeira

OCORRÊNCIA Amapá, Pará, Rondônia e Mato Grosso

CARACTERÍSTICAS GERAIS

Características sensoriais: cerne e alburno pouco distintos pela cor, cerne bege- rosado ou bege-amarelado; cheiro e gosto imperceptíveis; densidade baixa; modera- damente dura; grã direita ou irregular; textura média; superfície irregularmente lustro- sa; camadas de crescimento pouco distintas, delimitadas por zonas fibrosas ligeira- mente mais escuras.

Descrição anatômica macroscópica: parênquima axial: invisível mesmo sob lente. Raios: visíveis apenas sob lente no topo e na face tangencial, finos e numerosos. Vasos: visíveis a olho nu; pequenos a médios; poucos; solitários e múltiplos; vazios ou obstruídos por tilos. Camadas de crescimento: pouco distintas, demarcadas por zonas fibrosas mais escuras. Máculas medulares: presentes em alguns espécimes.

DURABILIDADE NATURAL E TRATABILIDADE QUÍMICA Não durável aos fungos apodrecedores. Cerne de difícil preservação com penetração parcial e periférica em processo sob pressão (retenção de preservativo oleossolúvel abaixo de 100 kg/m3). Alburno moderadamente fácil de preservar, com penetração total e uniforme de preservativos em processo sob pressão (retenção de preservativo oleossolúvel entre 200 kg/m3 e 300 kg/m3).

CARACTERÍSTICAS DE PROCESSAMENTO Trabalhabilidade: A madeira de amesclão é fácil de serrar, moderadamente fácil de aplainar apresentando superfícies radiais ásperas. Recebe acabamento de regular a excelente. Secagem: A secagem em estufa é rápida, apresentando tendência a rachaduras moderadas a fortes; encanoamento e torcimento moderados. Programa de secagem é sugerido por IBAMA (1997a).

PROPRIEDADES FÍSICAS* Densidade de massa (ρ): aparente a 12% de umidade (ρap, 12): 520 kg/m

3 / madeira verde (ρverde): 955 kg/m

3 /

básica (ρbásica): 440 kg/m 3

Contração: radial: 5,1 % / tangencial: 7,2 % / volumétrica: 11,8 %

PROPRIEDADES MECÂNICAS* Flexão Resistência – fM Madeira verde (MPa): 49,7 Madeira a 12 % de umidade (MPa): 76,3 Módulo de Elasticidade madeira verde (MPa): 7 649 Módulo de Elasticidade madeira à 12% (MPa): 9 611 Compressão paralela às fibras Resistência – fc0 Madeira verde (MPa): 24,8 Madeira à 12 % de umidade (MPa): 44,1

OUTRAS PROPRIEDADES MECÃNICAS* Cisalhamento madeira verde (MPa): 6,6 Cisalhamento madeira 12% (MPa): 8,2 Dureza Janka paralela madeira verde (N): 3501 Dureza Janka paralela madeira 12% (N): 4609 Dureza Janka transversal madeira verde (N): 2520 Dureza Janka transversal madeira 12% (N): 3099 Tração Normal às Fibras madeira verde(MPa): 3,1 Tração Normal às Fibras madeira 12% (MPa): 3,5

USOS NA CONSTRUÇÃO CIVIL Leve interna de utilidade geral: cordões, guarnições, rodapés, forros e lambris.

OUTROS USOS Móveis estândar e partes internas de móveis, compensados e laminados, artigos de esporte e brinquedos, embalagens e caixas.

OBSERVAÇÕES Madeira usada principalmente em compensados. A introdução como madeira serrada é recente.

(*) Resultados obtidos de acordo com a Norma COPANT. Fonte: IBAMA, 1997a.

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Madeira: Uso Sustentável na Construção Civil

ANGELIM-PEDRA - Hymenolobium spp., Leguminosae.

OUTROS NOMES POPULARES angelim, angelim-amarelo, angelim-da-mata, angelim-do-pará, angelim-macho, mirarema.

OCORRÊNCIA Brasil: Pará, Amazonas, Acre, Mato Grosso, Rondônia Outros países: Guiana, Guiana Francesa, Suriname, Venezuela.

CARACTERÍSTICAS GERAIS

Características sensoriais: cerne e alburno distintos pela cor, cerne castanho- avermelhado claro ou escuro, com manchas castanhas mais escuras devido à exudação de óleo-resina, alburno castanho-pálido; brilho ausente; cheiro e gosto imperceptíveis; densidade média; dura ao corte; grã direita a revessa; textura grossa, aspecto fibroso.

Descrição anatômica macroscópica: parênquima axial: visível a olho nu, paratraqueal aliforme, confluente em trechos longos tendendo a formar faixas largas. Raios: visíveis a olho nu no topo e na face tangencial na qual sua estratificação (2 a 3 por mm) é regular; finos. Vasos: visíveis a olho nu, médios a grandes; poucos; porosidade difusa; solitários, múltiplos, às vezes em cadeias radiais; vazios ou com substância esbranquiçada. Camadas de crescimento: distintas, individualizadas por zonas fibrosas tangenciais mais escuras.

DURABILIDADE NATURAL E TRATABILIDADE QUÍMICA Madeira durável a muito durável em relação a fungos apodrecedores; moderadamente resistente a brocas marinhas e resistente a cupins-de-madeira-seca. O cerne é difícil de preservar e o alburno é muito fácil de preservar, em processo sob pressão, tanto com creosoto (oleossolúvel) como CCA (hidrossolúvel).

CARACTERÍSTICAS DE PROCESSAMENTO Trabalhabilidade: A madeira de angelim-pedra é fácil de ser trabalhada. Acabamento de regular a bom na plaina, torno e broca. É moderadamente fácil de serrar e aplainar; é fácil de pregar, parafusar e permite acabamento satisfatório. Secagem: A secagem é muito rápida em estufa, apresentando pequena tendência a torcimento e arqueamento. A secagem ao ar livre é moderadamente difícil. Programas de secagem podem ser obtidos em IBAMA (1997a); Jankowsky (1990).

PROPRIEDADES FÍSICAS* Densidade de massa (ρ): aparente a 12% de umidade (ρap,12): 710 kg/m

3 / madeira verde (ρverde): 1 190 kg/m

3 /

básica (ρbásica): 590 kg/m 3

Contração: radial: 4,1 % / tangencial: 6,3 % / volumétrica: 10,1 %

PROPRIEDADES MECÂNICAS* Flexão Resistência – fM Madeira verde (MPa): 70,6 Madeira a 12 % de umidade (MPa): 109,3 Módulo de Elasticidade madeira verde (MPa):9 414 Módulo de Elasticidade madeira à 12% (MPa): 11 572 Compressão paralela às fibras Resistência – fc0 Madeira verde (MPa): 38,0 Madeira à 12 % de umidade (MPa): 52,3 Compressão perpendicular às fibras Resistência – fc0 Madeira verde (MPa): 6,4 Madeira à 12 % de umidade (MPa): 11,3

OUTRAS PROPRIEDADES MECÃNICAS* Resistência ao impacto na Flexão - madeira a 15% (choque) - Trabalho Absorvido (J): 22,6 Fendilhamento – madeira verde (MPa): 1,1

USOS NA CONSTRUÇÃO CIVIL Pesada interna: vigas e caibros. Leve em esquadrias: portas, venezianas, caixilhos. Leve interna, estrutural: partes secundárias de estruturas internas como ripas e caibros. Leve interna, decorativa: forros e lambris. Uso temporário: pontaletes, andaimes e fôrmas para concreto.

OUTROS USOS Móveis estândar, cutelaria, lâminas decorativas.

OBSERVAÇÕES Nesta ficha são apresentadas informações para a espécie H. petraeum, no entanto existem outras espécies de Hymenolobium, como H. complicatum Ducke, H. elatum Ducke, H. excelsum Ducke, H. heterocarpum Ducke, H modestum Ducke, que são comercializadas no Brasil como angelim-pedra. Esta madeira tem sido utilizada em esquadrias (batentes, portas e janelas).

(*) Resultados obtidos de acordo com a Norma ABNT MB2653 (NBR 623085). Fonte: IPT, 1989a. (**) Resultados obtidos de acordo com a Norma COPANT. Fonte: IBAMA, 1997a.

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Madeira: Uso Sustentável na Construção Civil

ANGELIM-VERMELHO- Dinizia excelsa Ducke, Leguminosae.

OUTROS NOMES POPULARES angelim, angelim-falso, angelim-ferro, angelim-pedra, angelim-pedra-verdadeiro, faveira-carvão, faveira-dura, faveira-grande, faveira-ferro

OCORRÊNCIA Brasil: Amazônia (Acre, Rondônia, Amazonas, Pará e Roraima) Outros países: Guiana.

CARACTERÍSTICAS GERAIS

Características sensoriais: cerne e alburno pouco distintos pela cor, cerne casta- nho-avermelhado; brilho moderado; cheiro desagradável e gosto imperceptível; densidade alta; dura ao corte; grã direita a irregular; textura média a grossa; super- fície pouco lustrosa.

Descrição anatômica macroscópica: parênquima axial: visível a olho nu, paratraqueal aliforme de extensão losangular, ocasionalmente confluente. Raios: visíveis apenas sob lente no topo e na face tangencial; poucos. Vasos: visíveis a olho nu, pequenos a médios; poucos; porosidade difusa; solitários, múltiplos e às vezes em cadeias radiais; obstruídos por óleo-resina ou substância esbranquiçada. Camadas de crescimento: distintas, ligeiramente individualizadas por zonas fibrosas tangenciais mais escuras e por linhas de parênquima marginal.

DURABILIDADE NATURAL E TRATABILIDADE QUÍMICA Durabilidade Natural: o cerne apresenta alta resistência ao ataque de organismos xilófagos (fungos e insetos). Em ensaios de campo com estacas, esta madeira foi consi- derada altamente durável com vida média maior que oito anos. Tratabilidade: impermeável às soluções preservativas; o cerne não é tratável com creosoto (oleossolúvel) e nem com CCA (hidrossolúvel), mesmo em processo sob pressão.

CARACTERÍSTICAS DE PROCESSAMENTO Trabalhabilidade: A madeira de angelim-vermelho é difícil de ser trabalhada, mas recebe bom acabamento. Segundo IBAMA (1997a) a madeira é fácil de tornear com bom acabamento e na furação apresenta desempenho regular. Secagem: Rápida em programas mais severos, apresenta tendência moderada ao torcimento e leve ao colapso; seca relativamente bem ao ar. Programas de secagem podem ser obtidos em IBAMA (1997a); Jankowsky (1990).

PROPRIEDADES FÍSICAS* Densidade de massa (ρ): aparente a 15% de umidade (ρap,15): 1 090 kg/m

3 / madeira verde (ρverde): 1 260 kg/m

3 **

/ básica (ρbásica): 830 kg/m 3 **

Contração: radial: 4,2 % / tangencial: 6,6 % / volumétrica: 14,6 %

PROPRIEDADES MECÂNICAS* Flexão Resistência – fM Madeira verde (MPa): 99,7 Madeira a 15 % de umidade (MPa): 138,1 Limite de Proporcionalidade - madeira verde (MPa): 59,1 Módulo de Elasticidade - madeira verde (MPa): 14 073 Compressão paralela às fibras Resistência – fc0 Madeira verde (MPa): 65,2 Madeira a 15 % de umidade (MPa): 80,9 Coeficiente de influência da umidade (%): 4,0

OUTRAS PROPRIEDADES MECÂNICAS Resistência ao impacto na Flexão – madeira a 15% (choque) - Trabalho Absorvido (J): 48,7* Tração Normal às Fibras - madeira verde (MPa): 8,5 * Fendilhamento - madeira verde (MPa): 1,1 * Cisalhamento – madeira verde (MPa): 13,1 ** Cisalhamento – madeira a 12% (MPa): 17,7 ** Dureza Janka paralela - madeira verde (N): 9993 ** Dureza Janka paralela - madeira a 12% (N): 14 318 ** Dureza Janka transversal - madeira verde (N): 10 866 ** Dureza Janka transversal - madeira a 12% (N): 13 543 **

USOS NA CONSTRUÇÃO CIVIL Pesada externa: pontes, postes, estacas, esteios, cruzetas, dormentes, construção naval e obras portuárias. Pesada interna: vigas, caibros, ripas.

OUTROS USOS Cabos de ferramentas, carrocerias e vagões de trem.

OBSERVAÇÕES Madeira com forte cheiro desagradável que tende a desaparecer com o tempo. Dadas suas altas propriedades de resistência mecânica e de durabilidade natural, a madeira tem sido exportada para a Holanda, para uso em obras de contenção de diques.

(*) Resultados obtidos de acordo com a Norma ABNT MB26/53 (NBR 6230/85).Fonte: IPT, 1989a. (**) Resultados obtidos de acordo com a Norma COPANT. Fonte: IBAMA, 1997a.

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Madeira: Uso Sustentável na Construção Civil

BACURI - Platonia insignis Mart., Guttiferae.

OUTROS NOMES POPULARES bacori, bacuri-aço, bacuri-amarelo, bacuri-grande, bacuriba, bacuriúba, landirana, bulandim, ibacopari, ibacori, pacori, pacoru, pacuri, pacuriuva, pacuru.

OCORRÊNCIA Brasil: Amazônia (Amazonas e Pará). Outros países: Suriname, Guiana, Guiana Francesa, Paraguai, Equador, Colômbia.

CARACTERÍSTICAS GERAIS

Características sensoriais: cerne e alburno distintos pela cor, cerne amarelo-escuro, alburno branco-amarelado; brilho moderado; cheiro e gosto imperceptíveis; densidade alta; dura ao corte; grã direita; textura grossa, aspecto fibroso; superfície moderada- mente áspera ao tato.

Descrição anatômica macroscópica: parênquima axial: visível a olho nu, paratraqueal em faixas largas. Raios: visíveis apenas sob lente topo e na face tangencial. Vasos: visíveis a olho nu, médios a grandes; poucos; porosidade difusa; solitários e múltiplos; obstruídos por tilos e substância amarelada. Camadas de cres- cimento: distintas, individualizadas por zonas fibrosas tangenciais mais escuras. Máculas medulares: freqüentes.

DURABILIDADE NATURAL E TRATABILIDADE QUÍMICA Durabilidade Natural: madeira de alta resistência à ação de fungos apodrecedores e moderada resistência ao ataque de cupins. Resistente à ação de cupins. Tratabilidade: madeira pouco permeável à soluções preservativas em tratamento sob pressão.

CARACTERÍSTICAS DE PROCESSAMENTO Trabalhabilidade: A madeira de bacuri é fácil de ser trabalhada tanto com ferramentas manuais como mecânicas, com bom polimento. Apresenta dificuldades para pregar. Secagem: A secagem ao ar livre é moderadamente difícil. A secagem deve ser lenta. Deve ser feita com prudência afim de evitar rachas e empenamentos.

PROPRIEDADES FÍSICAS Densidade de massa (ρ): aparente a 15% de umidade (ρap, 15): 830 kg/m

3 * / aparente a 12% de umidade (ρap, 12):

820 kg/m 3 ** / básica (ρbásica): 670 kg/m

3 **

Contração*: radial: 4,6 % / tangencial: 8,1 % / volumétrica: 13,4 %

PROPRIEDADES MECÂNICAS* Flexão Resistência – fM Madeira verde (MPa): 96,8 Madeira a 15 % de umidade (MPa): 109,3 Limite de Proporcionalidade - madeira verde (MPa): 100,5 Módulo de Elasticidade - madeira verde (MPa): 12 739 Compressão paralela às fibras Resistência – fc0 Madeira verde (MPa): 42,9 Madeira a 15 % de umidade (MPa): 49,4 Limite de Proporcionalidade - madeira verde (MPa): 37,6 Módulo de Elasticidade – madeira verde (MPa): 16 495 Coeficiente de influência de umidade (%): 3,6

OUTRAS PROPRIEDADES MECÃNICAS* Resistência ao impacto na Flexão - madeira a 15% (choque) - Trabalho Absorvido (J): 38,7 Cisalhamento – madeira verde (MPa): 10,1 Dureza Janka – madeira verde (N): 6 953 Tração Normal às Fibras - madeira verde (MPa): 6,2 Fendilhamento – madeira verde (MPa): 0,8

USOS NA CONSTRUÇÃO CIVIL Pesada externa: dormentes, estacas, esteios e cruzetas. Pesada interna: vigas, caibros em estrutura de telhado. Assoalhos: tacos tábuas e parquetes. Leve em esquadrias: batentes, portas e janelas. Leve interna, decorativa: lambris, forros e painéis. Uso temporário: andaimes, pontaletes, fôrmas para concreto.

OUTROS USOS Móveis decorativos de alta qualidade, folhas faqueadas decorativas, peças torneadas, tanoaria, utensílios domésticos, embalagens, caixas, embarcações: quilhas, convés, costados e cavernas.

(*) Resultados obtidos de acordo com a Norma ABNT MB26/53 (NBR 6230/85).Fonte: IPT, 1989a. (**) Resultados obtidos de acordo com a Norma COPANT. Fonte: IBAMA, 1997a.

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Madeira: Uso Sustentável na Construção Civil

CAMBARÁ - Qualea spp., Vochysiaceae.

OUTROS NOMES POPULARES canela-mandioca, mandioqueira, mandioqueira-áspera, mandioqueira-escamosa, mandioqueira-vermelha, mandioqueira-lisa, madioqueiro.

OCORRÊNCIA Brasil: Amazonas, Pará, Rondônia, Mato Grosso. Outros países: Guiana, Guiana Francesa, Suriname.

CARACTERÍSTICAS GERAIS

Características sensoriais: cerne e alburno pouco distintos pela cor, cerne bege- claro levemente rosado a avermelhado; brilho moderado; cheiro e gosto imperceptí- veis; densidade média; moderadamente dura ao corte; grã revessa; textura média (aspecto fibroso).

Descrição anatômica macroscópica: parênquima axial: visível apenas sob lente, paratraqueal aliforme com aletas curtas, eventualmente confluente, podendo forma arranjos oblíquos. Raios: visíveis apenas sob lente no topo e na face tangencial; poucos. Vasos: visíveis a olho nu, grandes; muito poucos a poucos; porosidade difusa; solitários e múltiplos; eventualmente obstruídos por substância branca. Camadas de crescimento: distintas, individualizadas por zonas fibrosas tangenciais mais escuras.

DURABILIDADE NATURAL E TRATABILIDADE QUÍMICA A madeira de mandioqueira apresenta baixa resistência ao ataque de organismos xilófagos. Apresenta resistência moderada ao ataque de cupins-de-madeira-seca. Esta madeira é considerada moderadamente susceptível ao ataque de térmitas e susceptível aos perfuradores marinhos. A madeira de mandioqueira deve ser moderadamente permeável às soluções preservantes quando submetida a tratamento sob pressão.

CARACTERÍSTICAS DE PROCESSAMENTO Trabalhabilidade: A madeira de mandioqueira é moderadamente dura ao corte, com ferramentas manuais ou mecânicas, devido à presença de sílica nas células do raio. Apresenta um bom acabamento, boa colagem e é fácil de tornear, porém com tendên- cia para apresentar superfície felpuda. Secagem: A madeira de mandioqueira seca bem ao ar livre, sem apresentar defeitos. A secagem artificial deve ser cuidadosa. Programa de secagem pode ser obtido em Jankowsky (1990).

PROPRIEDADES FÍSICAS* Densidade de massa (ρ): aparente a 15% de umidade (ρap, 15): 650kg/m

3 / básica (ρbásica): 540kg/m

3

Contração: radial: 4,5% / tangencial: 8,9% / volumétrica: 15,1%

PROPRIEDADES MECÂNICAS* Flexão Resistência – fM Madeira verde (MPa): 61,1 Madeira a 15 % de umidade (MPa): 87,3 Módulo de Elasticidade madeira verde (MPa): 11 023 Limite de Proporcionalidade - madeira verde (MPa): 34,3 Compressão paralela às fibras Resistência – fc0 Madeira verde (MPa): 31,8 Madeira a 15 % de umidade (MPa): 56,5 Limite de Proporcionalidade - madeira verde (MPa): 22,8 Módulo de Elasticidade – madeira verde (MPa): 13 700 Coeficiente de influência de umidade (%): 3,7

OUTRAS PROPRIEDADES MECÃNICAS* Resistência ao impacto na Flexão - madeira a 15% (choque) - Trabalho Absorvido (J): 20,1 Cisalhamento - madeira verde (MPa): 7,8 Dureza Janka paralela – madeira verde (N): 3 864 Tração Normal às Fibras – madeira verde (MPa): 4,2 Fendilhamento - madeira verde (MPa): 0,6

USOS NA CONSTRUÇÃO CIVIL Leve interna, estrutural: ripas e partes secundárias de estruturas. Leve interna, utilidade geral: forros, guarnições, cordões e rodapés. Uso temporário: pontaletes, andaimes e fôrmas para concreto.

OUTROS USOS Móveis estândar e partes internas de móveis, compensados, embalagens e paletes.

OBSERVAÇÕES No Brasil, as madeiras de cambará ou mandioqueira pertencem aos gêneros Qualea e Ruizterania. Embora apresentem propriedades variadas, essas madeiras são comercializadas indistintamente como mandioqueira ou cambará. Nesta ficha são apre- sentadas informações para a espécie Ruizterania albiflora (Qualea albiflora).

(*) Resultados obtidos de acordo com a Norma ABNT MB26/53 (NBR 6230/85).Fonte: IPT, 1989a.

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Madeira: Uso Sustentável na Construção Civil

CEDRINHO - Erisma uncinatum Warm., Vochysiaceae.

OUTROS NOMES POPULARES bruteiro, cambará, cambará-rosa, cachimbo-de-jabuti, cedrilho, jaboti, jaboti-da-terra- firme, quaruba-vermelha, quarubatinga, quarubarana, verga-de-jabuti.

OCORRÊNCIA Brasil: Amazônia. Outros países: Guiana.

CARACTERÍSTICAS GERAIS

Características sensoriais: cerne e alburno distintos pela cor, cerne castanho avermelhado; sem brilho; cheiro e gosto imperceptíveis; densidade baixa; grã direita a revessa; textura média a grossa.

Descrição anatômica macroscópica: parênquima axial: visível a olho nu, em faixas largas e longas, tangenciando os vasos, e também em trechos curtos. Raios: visíveis apenas sob lente no topo e na face tangencial, finos; poucos. Vasos: visíveis a olho nu, médios a grandes; muito poucos a poucos; porosidade difusa; solitários e múltiplos de dois a três; obstruídos por tilos. Camadas de crescimento: indistintas. Floema incluso: presente nas faixas do parênquima.

DURABILIDADE NATURAL E TRATABILIDADE QUÍMICA Durabilidade Natural: a madeira de cedrinho apresenta baixa durabilidade ao ataque de organismos xilófagos (fungos e insetos). Tratabilidade: O cerne e o alburno são moderadamente fáceis de preservar em proces- sos sob pressão.

CARACTERÍSTICAS DE PROCESSAMENTO Trabalhabilidade: A madeira de cedrinho é fácil de aplainar, serrar e lixar, mas apresen- ta superfície de acabamento ruim (felpuda). Secagem: A secagem ao ar é fácil e sem a ocorrência significativa de defeitos. A seca- gem em estufa também é rápida, mas em condições muito drásticas podem ocorrer empenamentos, rachaduras e endurecimento superficial. Programa de secagem é sugeri- do por Jankowsky (1990).

PROPRIEDADES FÍSICAS Densidade de massa (ρ): aparente a 15% de umidade (ρap, 15): 590 kg/m

3 * / madeira verde (ρverde): 1 110 kg/m

3 **

/ básica (ρbásica): 480 kg/m 3 **

Contração*: radial: 3,3 % / tangencial: 7,7 % / volumétrica: 12,5 %

PROPRIEDADES MECÂNICAS Flexão Resistência – fM Madeira verde (MPa): 72,5 * Madeira a 15 % de umidade (MPa): 80,2 * Módulo de Elasticidade madeira verde (MPa): 9 365* Módulo de Elasticidade madeira à 12% (MPa): 10 395** Compressão paralela às fibras * Resistência – fc0 Madeira verde (MPa): 33,7 * Madeira a 15 % de umidade (MPa): 42,2 Limite de Proporcionalidade – madeira verde (MPa): 24,0 Módulo de Elasticidade – madeira verde (MPa): 12 101 Coeficiente de influência da umidade (%): 2,9

OUTRAS PROPRIEDADES MECÂNICAS* Resistência ao impacto na Flexão - madeira a 15% (choque) - Trabalho Absorvido (J): 21,5 Cisalhamento - madeira verde (MPa): 7,4 Dureza Janka - madeira verde (N): 3 844 Tração Normal às Fibras - madeira verde (MPa): 4,2 Fendilhamento - madeira verde (MPa): 0,5

USOS NA CONSTRUÇÃO CIVIL Leve em esquadrias: portas, venezianas, caixilhos etc. Leve interna, estrutural: ripas, caibros etc. Leve interna, utilidade geral: lambris, painéis, molduras, guarnições, forros. Uso temporário: andaimes, fôrmas para concreto, pontaletes.

OUTROS USOS Móveis estândar, partes internas de móveis, laminados, compensados, embalagens e caixas.

OBSERVAÇÕES O cedrinho ou cambará – nome pelo qual foi introduzida em São Paulo – é a madeira que substi- tuiu o pinho-do-paraná. É empregada em acabamentos (forros, guarnições, tabeiras). Nos usos temporários é freqüentemente especificada, porém outras madeiras são fornecidas em seu lugar.

(*) Resultados obtidos de acordo com a Norma ABNT MB26/53 (NBR 6230/85).Fonte: IPT, 1989a. (**) Resultados obtidos de acordo com a Norma COPANT. Fonte: IBAMA, 1997a.

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Madeira: Uso Sustentável na Construção Civil

CEDRORANA - Cedrelinga cateniformis (Ducke) Ducke, Leguminosae.

OUTROS NOMES POPULARES cedrarana, cedroarana, cedro-branco, cedromara, cedrorama, taperibá-açu.

OCORRÊNCIA Brasil: Amazonas, Mato Grosso, Pará, Rondônia. Outros países: Colômbia, Peru.

CARACTERÍSTICAS GERAIS

Características sensoriais: cerne e alburno indistintos pela cor, bege-rosado; cheiro perceptível, desagradável quando a madeira está úmida e imperceptível depois da madeira seca; gosto indistinto; densidade baixa; grã ondulada; textura grossa.

Descrição anatômica macroscópica: parênquima axial: visível apenas sob lente, paratraqueal vasicêntrico e aliforme losangular de expansões curtas; Raios: visíveis apenas sob lente no topo e na face tangencial, onde se observa a olho nu um ondula- do, lembrando estratificação, finos. Vasos: visíveis a olho nu, grandes; poucos, dispo- sição difusa; solitários e múltiplos; vazios. Camadas de crescimento: indistintas.

DURABILIDADE NATURAL E TRATABILIDADE QUÍMICA Durabilidade Natural: a madeira de cedrorana apresenta durabilidade moderada ao ataque de fungos apodrecedores e cupins. Estudo realizado pela SUDAM/IPT (1981) verificou que a durabilidade desta madeira é inferior a 12 anos de serviço em contato com o solo. Tratabilidade: cerne e alburno difíceis de tratar com produtos preservativos hidrossolúveis, mesmo em tratamento sob pressão.

CARACTERÍSTICAS DE PROCESSAMENTO Trabalhabilidade: A madeira de cedrorana é fácil de aplainar, serrar, pregar e parafu- sar. Recebe bom acabamento. Secagem: Com empilhamento bem feito e realizado em local coberto, a secagem é boa e ocasiona poucos defeitos de rachaduras ou empenamentos. A secagem artificial precisa de atenção e deve ser bem controlada. Programa de secagem é sugerido por Jankowsky (1990).

PROPRIEDADES FÍSICAS* Densidade de massa (ρ): aparente a 12% de umidade (ρap, 12): 520kg/m

3 / madeira verde (ρverde): 900kg/m

3 /

básica (ρbásica): 440kg/m 3

Contração: radial: 4,8 % / tangencial: 7,9 % / volumétrica: 11,8 %

PROPRIEDADES MECÂNICAS* Flexão Resistência – fM Madeira verde (MPa): 70,8 Madeira a 12 % de umidade (MPa): 77,8 Módulo de Elasticidade madeira verde (MPa): 12 258 Módulo de Elasticidade madeira à 12 % (MPa): 12 847 Compressão paralela às fibras Resistência – fc0 Madeira verde (MPa): 40,6 Madeira a 12 % de umidade (MPa): 46,6 Compressão perpendicular às fibras Resistência – fc0 Madeira verde (MPa): 3,2 Madeira à 12 % de umidade (MPa): 3,6

OUTRAS PROPRIEDADES MECÃNICAS* Cisalhamento - madeira verde (MPa): 6,7 Cisalhamento - madeira a 12% (MPa): 7,2 Dureza Janka paralela - madeira verde (N): 3932 Dureza Janka paralela - madeira a 12% (N): 3962 Dureza Janka transversal - madeira verde (N): 3570 Dureza Janka transversal - madeira a 12% (N): 3785 Tração Normal às Fibras - madeira verde (MPa): 4,4 Tração Normal às Fibras - madeira a 12% (MPa): 4,5

USOS NA CONSTRUÇÃO CIVIL Leve em esquadrias: portas, venezianas. Leve interna, utilidade geral: cordões, guarnições, rodapés. Uso temporário: fôrmas para concreto.

OUTROS USOS Móveis estândar e partes internas de móveis, laminados, compensados, embalagens e paletes

OBSERVAÇÕES Esta madeira às vezes é comercializada como se fosse cedro ou mogno. Isto se deve à semelhança que há entre as árvores dessas espécies.

(*) Resultados obtidos de acordo com a Norma COPANT. Fonte: IBAMA, 1997a.

39

Madeira: Uso Sustentável na Construção Civil

CUPIÚBA - Goupia glabra Aubl., Goupiaceae.

OUTROS NOMES POPULARES cachaceiro, copiúba, copiúva, cupiúba-rosa, peniqueiro, peroba-do-norte, peroba-fedida, vinagreiro.

OCORRÊNCIA Brasil: Amazônia. Outros países: Colômbia, Guiana, Guiana Francesa, Suriname, Venezuela.

CARACTERÍSTICAS GERAIS

Características sensoriais: cerne e alburno indistintos pela cor, castanho-avermelhado; superfície sem brilho; cheiro perceptível, desagradável, gosto imperceptível; densidade alta; grã irregular; textura média.

Descrição anatômica macroscópica: parênquima axial: visível apenas sob lente, apotraqueal difuso em agregados. Raios: visíveis apenas sob lente no topo e na face tangencial, finos, poucos a numerosos. Vasos: visíveis a olho nu, médios, poucos, porosidade difusa; solitários; obstruídos por óleo-resina. Camadas de crescimento: indistintas.

DURABILIDADE NATURAL E TRATABILIDADE QUÍMICA Durabilidade Natural: em ensaios de laboratório a madeira de cupiúba demonstrou ter alta resistência ao ataque de organismos xilófagos (fungos e cupins). Apresenta resistência a fungos apodrecedores (podridão branca e parda) e cupins-de-madeira-seca, entretanto não é resistente aos xilófagos marinhos. Estudo realizado pela SUDAM/IPT (1981) verificou que a durabilidade desta madeira é superior a 12 anos de serviço em contato com o solo. Tratabilidade: o cerne e o alburno apresentam moderada permeabilidade às soluções preservativas tanto oleossolúvel (creosoto) como hidrossolúvel (CCA). A retenção de pre- servativo oleossolúvel é de 200 kg/m3 a 300 kg/m3. Já Brito Neto et al. (1984) reconhece- ram o cerne de cupiúba como de baixa permeabilidade ao tratamento com óleo creosoto.

CARACTERÍSTICAS DE PROCESSAMENTO Trabalhabilidade: A madeira de cupiúba é fácil de trabalhar com ferramentas manuais ou com máquinas. É fácil de serrar, aplainar, tornear, colar e parafusar. O uso de pregos sem furação pode provocar rachaduras. Recebe bom acabamento. Aceita bem a colagem mas não é adequada para a fabricação de compensados, por apresentar rachaduras na tora. Boa aceitação de tinta, verniz, emassamento e polimento. Secagem: A secagem ao ar é lenta, sem a ocorrência de sérios defeitos como rachaduras ou empenamentos. Na secagem em estufa apresenta ligeira incidência de defeitos. Progra- mas de secagem são sugeridos por IBAMA (1997a) e Jankowsky (1990).

PROPRIEDADES FÍSICAS Densidade de massa (ρ): aparente a 15% de umidade (ρap, 15): 870kg/m

3 * / madeira verde (ρverde): 1130kg/m

3 **

/ básica (ρbásica): 710kg/m 3 **

Contração*: radial: 4,8% / tangencial: 9,1% / volumétrica: 16,1%

PROPRIEDADES MECÂNICAS* Flexão Resistência – fM Madeira verde (MPa): 96,7 Madeira a 15 % de umidade (MPa): 122,1 Módulo de Elasticidade madeira verde (MPa): 13 690 Limite de Proporcionalidade – madeira verde (MPa): 46,5 Compressão paralela às fibras Resistência – fc0 Madeira verde (MPa): 50,8 Madeira a 15 % de umidade (MPa): 67,2 Limite de Proporcionalidade – madeira verde (MPa): 32,4 Módulo de Elasticidade – madeira verde (MPa): 17 142 Coeficiente de influência de umidade (%): 3,8

OUTRAS PROPRIEDADES MECÃNICAS* Resistência ao impacto na Flexão - madeira a 15% (choque) - Trabalho Absorvido (J): 29,5 Dureza Janka - madeira verde (N): 6 266 Tração Normal às Fibras - madeira verde (MPa): 6,8 Fendilhamento - madeira verde (MPa): 0,9

USOS NA CONSTRUÇÃO CIVIL Pesada externa: postes, estruturas de pontes, postes, mourões, cruzetas, esteios, pran- chas de contenção de valas. Pesada interna: vigas e caibros.

OUTROS USOS Cabos de ferramentas, carrocerias e vagões de trem, construção naval, embalagens pesadas.

OBSERVAÇÕES Madeira com forte cheiro desagradável que tende a desaparecer com o tempo, voltando quando umedecida.

(*) Resultados obtidos de acordo com a Norma ABNT MB26/53 (NBR 6230/85).Fonte: IPT, 1989. (**) Resultados obtidos de acordo com a Norma COPANT. Fonte: IBAMA, 1997.

40

Madeira: Uso Sustentável na Construção Civil

CURUPIXÁ- Micropholis venulosa (Mart. & Eichler) Pierre, Sapotaceae.

OUTROS NOMES POPULARES abiorana-mangabinha, abiu-guajará, bacumixá, crubixá, cubixá, curubixá, gogó-de- guariba, guajará, grubixá, grumixá, grumixava, pau-de-remo, rosadinho, salgueiro.

OCORRÊNCIA Brasil: Pará, Amazonas, Rondônia, Maranhão Outros países: Guiana, Guiana Francesa, Suriname.

CARACTERÍSTICAS GERAIS

Características sensoriais: cerne e alburno indistintos pela cor, bege-rosado; brilho moderado; cheiro e gosto imperceptíveis; densidade média; dura ao corte; grã ondulada a direita; textura fina.

Descrição anatômica macroscópica: parênquima axial: pouco contrastado, visível só sob lente, em finíssimas linhas, sinuosas, aproximadas. Raios: visíveis apenas sob lente no topo e na face tangencial, finos. Vasos: visíveis apenas sob lente, pequenos a médios; poucos; porosidade difusa; solitários e múltiplos de 2 a 5; vazios. Camadas de crescimento: distintas, individualizadas por zonas fibrosas tangenciais mais escuras.

DURABILIDADE NATURAL E TRATABILIDADE QUÍMICA Durabilidade Natural: madeira moderadamente resistente à podridão-branca e muito resistente à podridão-parda. É susceptível ao ataque de cupins-de-madeira- seca. Cerne susceptível a ação de fungos manchadores. Tratabilidade: alburno moderadamente fácil de tratar.

Características de Processamento Trabalhabilidade: A madeira de curupixá é fácil de ser trabalhada no torno e na broca, resultando em excelente acabamento. Secagem: A secagem é rápida ao ar, com tendência a arqueamento moderado e a rachaduras leves a moderadas.

PROPRIEDADES FÍSICAS* Densidade de massa (ρ): aparente a 12% de umidade (ρap, 12): 790 kg/m

3 / madeira verde (ρverde): 1 210 kg/m

3 /

básica (ρbásica): 670 kg/m 3

Contração: radial: 4,7 % / tangencial: 9,7 % / volumétrica: 14,0 %

PROPRIEDADES MECÂNICAS* Flexão Resistência – f Madeira verde (MPa): 78,8 Módulo de Elasticidade madeira verde (MPa): 12 749 Módulo de Elasticidade madeira à 12% (MPa): 13 925 Compressão paralela às fibras Resistência – fc0 Madeira verde (MPa): 40,5 Madeira a 15 % de umidade (MPa): 64,9 Compressão perpendicular às fibras Resistência – fc0 Madeira verde (MPa): 6,5 Madeira à 12 % de umidade (MPa): 10,0

OUTRAS PROPRIEDADES MECÃNICAS* Cisalhamento - madeira verde (MPa): 10,6 Cisalhamento - madeira a 12% (MPa): 14,4 Dureza Janka paralela - madeira verde (N): 6 325 Dureza Janka paralela - madeira a 12% (N): 9 983 Dureza Janka transversal - madeira verde (N): 5 707 Dureza Janka transversal - madeira a 12% (N): 7 649 Tração Normal às Fibras - madeira verde (MPa): 3,9 Tração Normal às Fibras - madeira a 12% (MPa): 3,9

USOS NA CONSTRUÇÃO CIVIL Leve em esquadrias: portas, venezianas, caixilhos. Leve interna, decorativa: lambris, painéis e forros. Uso temporário: pontaletes, andaimes e fôrmas para concreto.

OUTROS USOS Móveis decorativos de alta qualidade, artigos domésticos decorativos, brinquedos, lâminas decorativas, peças torneadas, molduras e guarnições internas.

OBSERVAÇÕES Madeira com cor e aspecto geral semelhante ao mogno, por isto às vezes recebe o nome de “mogno-do-sul” ou “mogno-de-santa-catarina”.

(*) Resultados obtidos de acordo com a Norma COPANT. Fonte: IBAMA, 1997a.

41

Madeira: Uso Sustentável na Construção Civil

EUCALIPTO-CITRIODORA – Eucalyptus citriodora Hook., Myrtaceae.

OUTROS NOMES POPULARES eucalipto

OCORRÊNCIA Brasil: Minas Gerais, São Paulo, Bahia, Maranhão, Pernambuco, Paraíba. Outros países: Austrália, Portugal, África do Sul, Zimbábue, Ruanda, Tanzânia, Malawi, Quênia, Tailândia, Indonésia, China.

CARACTERÍSTICAS GERAIS

Características sensoriais: cerne e alburno distintos pela cor, cerne pardo, alburno branco-amarelado; sem brilho; cheiro e gosto imperceptíveis; densidade alta; dura ao corte; grã variável: direita, ondulada e revessa; textura fina a média.

Descrição anatômica macroscópica: parênquima axial: visível apenas sob lente, paratraqueal vasicêntrico e aliforme de aletas curtas. Raios: visíveis apenas sob lente no topo e na face tangencial; finos; de poucos a numerosos. Vasos: visíveis a olho nu, pequenos a médios; poucos; porosidade difusa; arranjo radial e diagonal; solitários e múltiplos; obstruídos por tilos. Camadas de crescimento: pouco distintas, quando presente individualizadas por zonas fibrosas tangenciais mais escuras. Canais axiais traumáticos: presentes em alguns espécimes.

DURABILIDADE NATURAL E TRATABILIDADE QUÍMICA Madeira suscetível à ação de xilófagos marinhos. Resistente ao apodrecimento. As informações sobre resistência ao ataque de cupins são contraditórias. O cerne é difícil de ser tratado, entretanto, o alburno é permeável.

CARACTERÍSTICAS DE PROCESSAMENTO Trabalhabilidade: Madeira excelente para serraria, no entanto, requer o uso de técni- cas apropriadas de desdobro para minimizar os efeitos das tensões de crescimento. Apresenta boas características de aplainamento, lixamento, furação e acabamento. Secagem: Em geral, as madeiras de espécies de eucalipto são consideradas como difíceis de secar, podendo ocorrer defeitos como colapso, empenamentos e rachas. A secagem em estufa deve ser feita de acordo com programas suaves, combinando, por exemplo, baixas temperaturas com altas umidades relativas. É recomendável a seca- gem ao ar, ou o uso de pré-secador, antes da secagem em estufa.

PROPRIEDADES FÍSICAS* Densidade de massa (ρ): aparente a 15% de umidade (ρap, 15): 1 040 kg/m

3 / básica (ρbásica): 867 kg/m

3

Contração: radial: 6,6 % / tangencial: 9,5 % / volumétrica: 19,4 %

PROPRIEDADES MECÂNICAS* Flexão Resistência – f Madeira verde (MPa): 111,8 Madeira a 15 % de umidade (MPa): 121,4 Limite de Proporcionalidade – madeira verde (MPa): 47,2 Módulo de Elasticidade – madeira verde (MPa): 13 337 Compressão paralela às fibras ou Resistência – fc0 Madeira verde (MPa): 51,1 Madeira a 15 % de umidade (MPa): 62,8 Limite de Proporcionalidade - madeira verde (MPa): 33,7 Módulo de Elasticidade – madeira verde (MPa): 15 867 Coeficiente de influência de umidade (%): 4,7

OUTRAS PROPRIEDADES MECÃNICAS* Resistência ao impacto na Flexão - madeira a 15% (choque) - Trabalho Absorvido (J): 45,3 Cisalhamento - madeira verde (MPa): 16,3 Dureza Janka paralela - madeira verde (N): 8757 Tração Normal às Fibras - madeira verde (MPa): 10,1 Fendilhamento - madeira verde (MPa): 1,2

USOS NA CONSTRUÇÃO CIVIL Pesada externa: postes, cruzetas, dormentes, mourões. Pesada interna: vigas e caibros.

OUTROS USOS Móveis estândar, cabos de ferramentas, embarcações.

OBSERVAÇÕES Madeira de reflorestamento. Os eucaliptos representam um grupo muito variado de madeiras, com densidades desde 500 kg/m

3 até 1000 kg/m

3 . A espécie de Eucalyptus citriodora é adequada ao uso em

peças estruturais pelas suas características de resistência mecânica, durabilidade natural e menor tendência ao rachamento.

(*) Resultados obtidos de acordo com a Norma ABNT MB26/53 (NBR 6230/85).Fonte: IPT, 1989a.

42

Madeira: Uso Sustentável na Construção Civil

EUCALIPTO-GRANDIS - Eucalyptus grandis W. Hill ex Maiden., Myrtaceae.

OUTROS NOMES POPULARES eucalipto

OCORRÊNCIA Brasil: Espirito Santo, Minas Gerais, São Paulo, Goiás, Mato Grosso, Paraná, Rio Grande do Sul, Bahia. Outros países: Zimbábue, Nigéria, Malawi, África do Sul, Quênia, Congo, Zaire, Nova Zelândia.

CARACTERÍSTICAS GERAIS

Características sensoriais: cerne e alburno distintos pela cor, cerne castanho- rosado-claro, alburno bege-rosado; pouco brilho; cheiro e gosto imperceptíveis; densi- dade baixa; macia ao corte; grã direita; textura fina a média.

Descrição anatômica macroscópica: parênquima axial: indistinto mesmo sob lente, paratraqueal vasicêntrico escasso. Raios: visíveis apenas sob lente no topo, finos. Vasos: visíveis a olho nu, pequenos a médios; poucos; porosidade difusa; arranjo diagonal; solitários; obstruídos por tilos. Camadas de crescimento: distintas, individu- alizadas por zonas fibrosas tangenciais mais escuras.

DURABILIDADE NATURAL E TRATABILIDADE QUÍMICA Madeira considerada com moderada durabilidade aos fungos apodrecedores e cupins, e com baixa durabilidade aos fungos de podridão mole e cupins-de-solo (Nasutitermes sp.). O cerne é difícil de ser tratado, entretanto, o alburno é permeável.

CARACTERÍSTICAS DE PROCESSAMENTO Trabalhabilidade: Madeira excelente para serraria, no entanto, requer o uso de técni- cas apropriadas de desdobro para minimizar os efeitos das tensões de crescimento. Apresenta boas características de aplainamento, lixamento, torneamento, furação e acabamento. Secagem: Em geral, as madeiras de espécies de eucalipto são consideradas como difíceis de secar, podendo ocorrer defeitos como colapso, empenamentos e rachas. A secagem em estufa deve ser feita de acordo com programas suaves, combinando, por exemplo, baixas temperaturas com altas umidades relativas. É recomendável a seca- gem ao ar, ou o uso de pré-secador, antes da secagem em estufa. Programa de seca- gem pode ser obtido em Silva (2001).

PROPRIEDADES FÍSICAS* Densidade de massa (ρ): aparente a 15% de umidade (ρap, 15): 500kg/m

3 / básica (ρbásica): 420kg/m

3

Contração: radial: 5,3% / tangencial: 8,7% / volumétrica: 15,7%

PROPRIEDADES MECÂNICAS* Flexão Resistência – fM Madeira verde (MPa): 53,8 Madeira a 15 de umidade (MPa): 75,6 Módulo de Elasticidade madeira verde (MPa): 9 689 Compressão paralela às fibras Resistência – fc0 Madeira verde (MPa): 26,3 Madeira a 15% de umidade (MPa): 42,1 Limite de Proporcionalidade – madeira verde (MPa): 19,7 Módulo de Elasticidade – madeira verde (MPa): 11 572

OUTRAS PROPRIEDADES MECÃNICAS* Dureza Janka paralela - madeira verde (N): 2 687

USOS NA CONSTRUÇÃO CIVIL Leve interna, estrutural: ripas e partes secundárias de estruturas. Leve interna, utilidade geral: cordões, guarnições, rodapés, forros e lambris. Uso temporário: pontaletes e andaimes.

OUTROS USOS Móveis estândar e partes internas de móveis, laminados compensados, embalagens, paletes.

OBSERVAÇÕES Madeira de reflorestamento. Os eucaliptos representam um grupo muito variado de madeiras, com densidades desde 500 kg/m

3 até 1000 kg/m

3 . A espécie de Eucalyptus grandis gerada em plantios destinados

à produção de polpas celulósicas, tem se mostrado adequada aos diversos usos na cons- trução civil e na produção de móveis.

(*) Resultados obtidos de acordo com a Norma ABNT MB26/53 (NBR 6230/85).Fonte: IPT, 1989b.

43

Madeira: Uso Sustentável na Construção Civil

FAVA-ORELHA-DE-NEGRO - Enterolobium schomburgkii (Benth.) Benth., Leguminosae.

OUTROS NOMES POPULARES cambuí-sucupira, fava-bolota, fava-de-rosca, fava-orelha-de-macaco, fava-uingue, fava- wing, faveira-de-rosca, faveira-dura, faveira-grande, faveca, favela, orelha-de-gato, orelha-de-macaco, paricarana, timbaúba, timbó-da-mata, timborana.

OCORRÊNCIA Brasil: Amazonas, Pará, Acre, Amapá, Maranhão, Mato Grosso, Goiás, Espirito Santo e Bahia. Outros países: Guiana, Guiana Francesa, Peru, Bolívia e países da América Central.

CARACTERÍSTICAS GERAIS

Características sensoriais: cerne e alburno distintos pela cor, cerne castanho-claro- amarelado com veios mais escuros e alburno amarelo pálido; brilho moderado; cheiro e gosto imperceptíveis; densidade média; dura ao corte; grã irregular a revessa; textura média de aspecto fibroso atenuado.

Descrição anatômica macroscópica: parênquima axial: visível a olho nu, paratraqueal vasicêntrico e aliforme de extensão losangular curta, confluente oblíquo envolvendo até 3 vasos. Raios: visíveis a olho nu no topo, de poucos a numerosos. Vasos: visíveis a olho nu, pequenos a médios; muito poucos; porosidade difusa; solitários predominantes e múltiplos de até 4; obstruídos por substância esbranquiçada. Camadas de crescimento: distintas, demarcadas por zonas fibrosas tangenciais mais escuras.

DURABILIDADE NATURAL E TRATABILIDADE QUÍMICA A madeira de fava-orelha-de-negro é resistente ao ataque de fungos apodrecedores e altamente resistente a cupins. Em ensaios de campo na região amazônica, a madeira de fava-orelha-de- negro, demonstrou ser moderadamente resistente ao ataque de organismos xilófagos. Em ensaios de laboratório, a madeira demostrou ser impermeável às soluções preservantes, mesmo em processos sob pressão. O alburno é fácil de preservar com CCA-A.

CARACTERÍSTICAS DE PROCESSAMENTO Trabalhabilidade: A madeira de fava-orelha-de-macaco é fácil de serrar, aplainar, lixar, tornear, furar, pregar e parafusar. Apresenta acabamento médio. A madeira é fácil de faquear, gerando lâminas lisas, compactas, fáceis de secar e com superfície brilhante. Secagem: A secagem ao ar é lenta e sem defeitos apreciáveis; em estufa deve ser conduzida com prudência preferencialmente em baixas temperaturas. Em estufa a secagem é muito rápida, apresentando tendência moderada a rachaduras e a torcimento fortes em programas de secagem muito agressivos. Programa de secagem pode se obtido em IBAMA (1997a).

PROPRIEDADES FÍSICAS* Densidade de massa (ρ): aparente a 15% de umidade (ρap, 15): 790 kg/m

3 / básica (ρbásica): 658 kg/m

3

Contração: radial: 2,8% / tangencial: 9,1% / volumétrica: 14,1%

PROPRIEDADES MECÂNICAS* Flexão Resistência – fM Madeira verde (MPa): 89,4 Madeira a 15 % de umidade (MPa): 113,1 Módulo de Elasticidade madeira verde (MPa): 12 386 Limite de Proporcionalidade - madeira verde (MPa): 36,3 Compressão paralela às fibras Resistência – fc0 Madeira verde (MPa): 44,7 Madeira a 15 % de umidade (MPa): 51,3 Limite de Proporcionalidade - madeira verde (MPa): 28,1 Módulo de Elasticidade – madeira verde (MPa): 14 671 Coeficiente de influência de umidade (%): 6,5

OUTRAS PROPRIEDADES MECÃNICAS* Resistência ao impacto na Flexão - madeira a 15% (choque) -Trabalho Absorvido (J): 39,5 Cisalhamento – madeira verde (MPa): 14,3 Dureza Janka paralela - madeira verde (N): 6 894 Tração Normal às Fibras - madeira verde (MPa): 10,2 Fendilhamento – madeira verde (MPa): 1,3

USOS NA CONSTRUÇÃO CIVIL Pesada externa: dormentes e cruzetas. Pesada interna: vigas, caibros e tesouras. Leve em esquadrias: marcos de portas e janelas.

OUTROS USOS Mobiliário de alta qualidade, lâminas decorativas, implementos e veículos agrícolas, paletes.

(*) Resultados obtidos de acordo com a Norma ABNT MB26/53 (NBR 6230/85).Fonte: IPT, 1989a.

44

Madeira: Uso Sustentável na Construção Civil

GARAPA - Apuleia leiocarpa (J. Vogel) J. F. Macbr., Leguminosae.

OUTROS NOMES POPULARES muirajuba, barajuba, muiratuá, amarelinho, garapeira, gema-de-ovo, grápia, grapiapúnha, jataí-amarelo

OCORRÊNCIA Brasil: desde a Amazônia até o Rio Grande do Sul. Outros países: Uruguai, Argentina e Paraguai.

CARACTERÍSTICAS GERAIS

Características sensoriais: cerne e alburno distintos pela cor, cerne varia do bege-amare- lado ao castanho-amarelado; superfície lustrosa e lisa ao tato; cheiro e gosto imperceptí- veis; densidade média; dura ao corte; grã revessa; textura média.

Descrição anatômica macroscópica: Parênquima axial: visível a olho nu, paratraqueal aliforme de extensão losangular e confluente, em trecho curtos, oblíquos, e também formando faixas tangenciais onduladas e irregulares. Raios: visíveis apenas sob lente no topo e na face tangencial; finos; estratificados. Vasos: visíveis a olho nu, pequenos a médios; porosidade difusa; solitários e múltiplos de 2 a 4; obstruídos por óleo-resina. Camadas de crescimento: distintas, ligeiramente individualizadas por zonas fibrosas tangenciais mais escuras.

DURABILIDADE NATURAL E TRATABILIDADE QUÍMICA O cerne apresenta resistência moderada ao ataque de fungos apodrecedores e alta resistência ao cupim-de-madeira-seca. Em ensaio laboratorial, esta madeira foi consi- derada resistente aos fungos apodrecedores Glocophyllum trabum, Coriolus versicola e Poria monticola. Em ensaio de campo, com estacas em contato com o solo, esta madeira apresentou vida média inferior a 9 anos. Apresenta baixa permeabilidade às soluções preservativas quando submetida à impregnação sob pressão.

CARACTERÍSTICAS DE PROCESSAMENTO Trabalhabilidade: A madeira de garapa é fácil de ser trabalhada desde que se use ferramentas apropriadas devido à presença de sílica; porém cola bem e proporciona bom acabamento. Secagem: É difícil de secar ao ar. A secagem deve ser lenta e bem controlada para evitar alta incidência de defeitos. Programa de secagem pode ser obtido em Jankowsky (1990).

PROPRIEDADES FÍSICAS* Densidade de massa (ρ): aparente a 15% de umidade (ρap, 15): 830 kg/m

3 / básica (ρbásica): 670 kg/m

3

Contração: radial: 4,4% / tangencial: 8,5% / volumétrica: 14,0%

PROPRIEDADES MECÂNICAS* Flexão Resistência – fM Madeira verde (MPa): 93,8 Madeira a 15 % de umidade (MPa): 125,3 Módulo de Elasticidade madeira verde (MPa): 14 107 Limite de Proporcionalidade - madeira verde (MPa): 43,1 Compressão paralela às fibras Resistência – fc0 Madeira verde (MPa): 37,3 Madeira a 15 % de umidade (MPa): 54,3 Limite de Proporcionalidade - madeira verde (MPa): 29,7 Módulo de Elasticidade – madeira verde (MPa): 14 460 Coeficiente de influência de umidade (%): 5,1

OUTRAS PROPRIEDADES MECÃNICAS* Resistência ao impacto na Flexão - madeira a 15% (choque) - Trabalho Absorvido (J): 40,0 Cisalhamento - madeira verde (MPa): 12,7 Dureza Janka - madeira verde (N): 7 257 Tração Normal às Fibras - madeira verde (MPa): 9,6 Fendilhamento - madeira verde (MPa): 1,0

USOS NA CONSTRUÇÃO CIVIL Pesada externa: pontes, estacas, dormentes, cruzetas, mourões e postes. Pesada interna: vigas e caibros. Leve externa Leve externa estrutural Leve interna estrutural Assoalhos: tacos, tábuas, parquetes e degraus de escada. Leve em esquadrias: portas, venezianas, caixilhos.

OUTROS USOS Mobiliário de alta qualidade, cabos de ferramentas, carrocerias e vagões de trem.

OBSERVAÇÕES A garapa ocorre em diversos tipos florestais brasileiros, sendo que atualmente é produzida na Amazônia. Por ter propriedades mecânicas ligeiramente superiores à da peroba-rosa tem sido muito utilizada em estruturas e cobertura. Por possuir sílica em suas células, provoca desgaste em ferramentas.

(*) Resultados obtidos de acordo com a Norma ABNT MB26/53 (NBR 6230/85).Fonte: IPT, 1989a.

45

Madeira: Uso Sustentável na Construção Civil

GOIABÃO - Pouteria pachycarpa Pires (sinônimo Planchonella pachycarpa Pires), Sapotaceae.

OUTROS NOMES POPULARES abiu-casca-grossa, abiurana, abiurana-amarela, abiurana-goiaba

OCORRÊNCIA Brasil: Amazônia. Outros países: Bolívia.

CARACTERÍSTICAS GERAIS

Características sensoriais: cerne e alburno indistintos pela cor amarelo-pálido, brilho moderado; cheiro e gosto imperceptíveis; densidade alta; moderadamente dura ao corte; grã direita; textura fina.

Descrição anatômica macroscópica: parênquima axial: visível a olho nu, em linhas finas, às vezes interrompidas, formando com os raios uma trama irregular. Raios: visíveis apenas sob lente, no topo e na face tangencial; finos; numerosos. Vasos: pequenos; numerosos; porosidade difusa; em arranjo diagonal; solitários e múltiplos em cadeias radiais; obstruídos por tilos. Camadas de crescimento: pouco distintas, demarcadas por zonas fibrosas tangenciais mais escuras.

DURABILIDADE NATURAL E TRATABILIDADE QUÍMICA Madeira suscetível à ação de fungos e cupins. O cerne e o alburno são fáceis de preservar, em processo sob pressão, tanto com creosoto (preservativo oleossolúvel) como CCA (pre- servativo hidrossolúvel).

CARACTERÍSTICAS DE PROCESSAMENTO Trabalhabilidade: A madeira de goiabão é fácil de ser processada, podendo receber bom acabamento. É fácil de tornear e furar. É moderadamente fácil de aplainar e lixar. Recomen- da-se furação prévia à colocação de pregos. Secagem: A secagem pode ser muito rápida em estufa, apresentando tendência a encanoamento, rachadura de topo e torcimento, em programas de secagem muito agressi- vos. Neste caso, recomenda-se uma secagem mais lenta para se evitar ou diminuir estes defeitos. Programas de secagem podem ser obtidos em IBAMA (1997a e 1997b).

PROPRIEDADES FÍSICAS* Densidade de massa (ρ): aparente a 12% de umidade (ρap, 12): 930 kg/m

3 / madeira verde (ρverde): 1190 kg/m

3 /

básica (ρbásica): 730 kg/m 3

Contração: radial: 6,2% / tangencial: 11,2% / volumétrica: 16,5%

PROPRIEDADES MECÂNICAS* Flexão Resistência – fM Madeira verde (MPa): 98,9 Madeira a 12% de umidade (MPa): 155,5 Módulo de Elasticidade madeira verde (MPa): 12 847 Módulo de Elasticidade madeira à 12% (MPa): 16 377 Compressão paralela às fibras Resistência – fc0 Madeira verde (MPa): 45,1 Madeira a 12% de umidade (MPa): 74,0 Compressão perpendicular às fibras Resistência – fc0 Madeira verde (MPa): 7,1 Madeira à 12 % de umidade (MPa): 11,6

OUTRAS PROPRIEDADES MECÃNICAS* Cisalhamento - madeira verde (MPa): 10,0 Cisalhamento - madeira a 12% (MPa): 18,1 Dureza Janka paralela - madeira verde (N): 8 120 Dureza Janka paralela – madeira a 12% (N): 15 220 Dureza Janka transversal – madeira verde (N): 7 296 Dureza Janka transversal – madeira a 12% (N): 12 817 Tração Normal às Fibras – madeira verde (MPa): 4,5 Tração Normal às Fibras – madeira a 12% (MPa): 5,8

USOS NA CONSTRUÇÃO CIVIL Pesada interna: vigas e caibros. Assoalhos: tacos e parquetes. Leve em esquadrias: revestimento de portas.

OUTROS USOS Móveis de alta qualidade: móveis decorativos, assento e encosto de bancos e cadeiras, lâminas decorativas, artigos domésticos, torneados.

OBSERVAÇÕES Esta madeira apresenta resistência mecânica apropriada para uso estrutural e em pisos. No entanto, devido a sua baixa durabilidade natural, cuidados devem ser tomados para minimizar seu contato com fontes de umidade. Devido a sua cor amarelada as vezes é comercializada como se fosse garapa ou pau-marfim.

(*) Resultados obtidos de acordo com a Norma COPANT. Fonte: IBAMA, 1997a.

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Madeira: Uso Sustentável na Construção Civil

ITAÚBA - Mezilaurusitauba (Meisn.) Taub. ex Mez., Lauraceae.

OUTROS NOMES POPULARES itaúba-abacate, itaúba-amarela, itaúba-grande, itaúba-preta, itaúba-verdadeira, itaúba- vermelha, louro-itaúba.

OCORRÊNCIA Brasil: Amazônia.

CARACTERÍSTICAS GERAIS

Características sensoriais: cerne amarelo-esverdeado, quando recém serrado, tornando-se castanho-esverdeado-escuro; cheiro agradável, levemente adocicado, e gosto imperceptível; densidade alta; grã ondulada ou revessa; textura média; superfí- cie irregularmente lustrosa.

Descrição anatômica macroscópica: parênquima axial: invisível mesmo sob lente, paratraqueal escasso. Raios: visíveis apenas sob lente topo e na face tangencial; finos; muito poucos a poucos. Vasos: visíveis apenas sob lente, pequenos a médios; poucos; porosidade difusa; solitários, múltiplos e em cadeias radiais; obstruídos por tilos. Camadas de crescimento: indistintas ou eventualmente delimitadas por zonas fibrosas tangenciais mais escuras.

DURABILIDADE NATURAL E TRATABILIDADE QUÍMICA A madeira de itaúba é considerada de alta resistência ao ataque de organismos xilófagos (fungos apodrecedores, cupins e xilófagos marinhos). Em experimento realizado em ambi- ente marinho foi moderadamente atacada por organismos xilófagos. Apresenta baixa permeabilidade às soluções preservantes. Ensaios com soluções hidrossolúveis, aplicados sob pressão, demostraram que o alburno é difícil de tratar e o cerne é refratário. A madeira é difícil de preservar, apresentando retenção de preservativos oleossolúveis abaixo de 100 kg/m3.

CARACTERÍSTICAS DE PROCESSAMENTO Trabalhabilidade: A madeira de itaúba é moderadamente difícil de ser trabalhada, tanto com ferramentas manuais como com máquina, devido à presença de sílica; porém permite bom acabamento. Secagem: A secagem ao ar é lenta e difícil, porém sem causar alta incidência de defei- tos. A secagem artificial é reportada como lenta, com ocorrência acentuada de rachadu- ras e moderada de empenamentos. Não há indicação de programas específicos para a madeira de itaúba.

PROPRIEDADES FÍSICAS* Densidade de massa (ρ): aparente a 15% de umidade (ρap, 15): 960kg/m

3 / básica (ρbásica): 800 kg/m

3

Contração: radial: 2,3% / tangencial: 6,7% / volumétrica: 12,1%

PROPRIEDADES MECÂNICAS* Flexão Resistência – fM Madeira verde (MPa): 115,4 Madeira a 15% de umidade (MPa): 126,5 Módulo de Elasticidade madeira verde (MPa): 14 504 Limite de Proporcionalidade - madeira verde (MPa): 50,7 Compressão paralela às fibras Resistência – fc0 Madeira verde (MPa): 57,7 Madeira a 15% de umidade (MPa): 68,4 Limite de Proporcionalidade - madeira verde (MPa): 42,7 Módulo de Elasticidade – madeira verde (MPa): 16 387 Coeficiente de influência de umidade (%): 3,7

OUTRAS PROPRIEDADES MECÃNICAS* Resistência ao impacto na Flexão - madeira a 15% (choque) - Trabalho Absorvido (J): 17,1 Cisalhamento – madeira verde (MPa): 12,1 Dureza Janka paralela - madeira verde (N): 6 433 Tração Normal às Fibras - madeira verde (MPa): 10,8 Fendilhamento - madeira verde (MPa): 1,3

USOS NA CONSTRUÇÃO CIVIL Pesada externa: estruturas de pontes, dormentes, postes, cruzetas, defensas. Pesada interna: vigas, caibros, tesouras. Assoalhos: tábuas e tacos. Leve em esquadrias: marcos de portas e janelas.

OUTROS USOS Móveis estândar, partes internas de móveis, veículos e implementos agrícolas, peças torneadas, construção naval e embarcações.

OBSERVAÇÕES Madeira com propriedades mecânicas e de durabilidade natural superiores às da peroba- rosa, substituindo-a com vantagens em diversos usos na construção civil. É especialmente indicada para usos com altos riscos de deterioração.

(*) Resultados obtidos de acordo com a Norma ABNT MB26/53 (NBR 6230/85).Fonte: IPT, 1989a.

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Madeira: Uso Sustentável na Construção Civil

JACAREÚBA - Calophyllum brasiliense Cambess., Guttiferae.

OUTROS NOMES POPULARES cachincamo, cedro-do-pantano, cedro-mangue, guanandi, guanandi-carvalho, guanandi- cedro, guanandi-piolho, guanandi-rosa, landi, landim, mangue, oladim.

OCORRÊNCIA Brasil: Amazônia, Centro Oeste, Sudeste e Sul. Outros países: América Central, Guianas até Bolívia e México.

CARACTERÍSTICAS GERAIS

Características sensoriais: cerne e alburno pouco distintos pela cor; cerne bege-rosado tendendo para castanho, em alguns espécimes observam-se pequenas manchas longitudi- nais de coloração castanha mais escura; cheiro e gosto imperceptíveis; densidade média; moderadamente dura ao corte; grã irregular; textura média; superfície lustrosa.

Descrição anatômica macroscópica: parênquima axial: visível apenas sob lente, em faixas contínuas ou interrompidas, afastadas. Raios: visíveis apenas sob lente no topo e na face tangencial; finos; poucos. Vasos: visíveis a olho nu, médios; muito poucos a poucos; porosidade difusa; arranjo diagonal; solitários; obstruídos por tilos. Camadas de cresci- mento: indistintas. Máculas medulares: presentes em alguns espécimes.

DURABILIDADE NATURAL E TRATABILIDADE QUÍMICA Madeira susceptível ao ataque de perfuradores marinhos, mas moderadamente resistente aos térmitas. Moderadamente resistente aos organismos xilófagos. Boa resistência aos fungos de podridão parda e branca, não susceptível ao ataque de Lyctus e baixa a média resistência ao cupim subterrâneo (Reticulitermes santonensis). Alburno permeável à impregnação e cerne impermeável.

CARACTERÍSTICAS DE PROCESSAMENTO Trabalhabilidade: A madeira de jacareúba é relativamente fácil de ser trabalhada. Retém pregos e parafusos com firmeza e não apresenta grandes dificuldades na colagem. Fácil de serrar, ocasionalmente a presença de resina pode causar problemas. É boa para faquear e desenrolar. Pintura e envernizamento podem ser aplicados sem problemas. Secagem: A secagem ao ar livre deve ser cuidadosa, pois a madeira apresenta alta ten- dência ao surgimento de rachaduras e empenamentos. A secagem em estufa deve ser feita com precaução e somente para peças com pouca grã entrecruzada. Programa de secagem podem ser obtidos em CTFT/INPA (s.d.) e Jankowsky (1990).

PROPRIEDADES FÍSICAS* Densidade de massa (ρ): aparente a 15% de umidade (ρap, 15): 620 kg/m

3 / básica (ρbásica): 517 kg/m

3

Contração: radial: 5,6% / tangencial: 8,7% / volumétrica: 16,9%

PROPRIEDADES MECÂNICAS* Flexão Resistência – fM Madeira verde (MPa): 62,4 Madeira a 15 % de umidade (MPa): 80,4 Módulo de Elasticidade madeira verde (MPa): 9 277 Limite de Proporcionalidade - madeira verde (MPa): 33,6 Compressão paralela às fibras Resistência – fc0 Madeira verde (MPa): 32,0 Madeira a 15 % de umidade (MPa): 48,5 Limite de Proporcionalidade - madeira verde (MPa): 23,8 Módulo de Elasticidade – madeira verde (MPa): 12 562 Coeficiente de influência de umidade (%): 3,0

OUTRAS PROPRIEDADES MECÃNICAS* Resistência ao impacto na Flexão - madeira a 15% (choque) - Trabalho Absorvido (J): 17,6 Cisalhamento - madeira verde (MPa): 9,1 Dureza Janka - madeira verde (N): 4 060 Tração Normal às Fibras - madeira verde (MPa): 5,1 Fendilhamento - madeira verde (MPa): 0,6

USOS NA CONSTRUÇÃO CIVIL Leve interna, estrutural: ripas e partes secundárias de estruturas.

OUTROS USOS Móveis de alta qualidade: revestimento (lâmina) de móveis decorativos, folhas faqueadas decorativas, barris de vinho, montantes de escadas singelas e extensíveis, embalagens.

OBSERVAÇÕES A secagem desta madeira deve ser feita com cuidado devido aos riscos de surgimento de rachas e empenamentos.

(*) Resultados obtidos de acordo com a Norma ABNT MB26/53 (NBR 6230/85).Fonte: IPT, 1989a.

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Madeira: Uso Sustentável na Construção Civil

LOURO-VERMELHO - Nectandra rubra (Mez) C. K. Allen, Lauraceae.

OUTROS NOMES POPULARES canela-vermelha, gamela, louro, louro-canela, louro-gamela, louro-mogno, louro-rosa

OCORRÊNCIA Brasil: Amazonas, Pará, Amapá, Rondônia. Outros países: Guiana, Guiana Francesa.

CARACTERÍSTICAS GERAIS

Características sensoriais: cerne e alburno indistintos pela cor, castanho-rosado, escure- cendo com o tempo; cheiro e gosto imperceptíveis; densidade média; grã direita; textura grossa; superfície irregularmente lustrosa.

Descrição anatômica macroscópica: parênquima axial: invisível mesmo sob lente. Raios: visíveis apenas sob lente no topo e na face tangencial. Vasos: visíveis a olho nu, médios a grandes; porosidade difusa; arranjo diagonal; solitários e múltiplos; obstruídos por tilos. Camadas de crescimento: indistintas.

DURABILIDADE NATURAL E TRATABILIDADE QUÍMICA A madeira de louro-vermelho é considerada moderadamente resistente ao ataque de organismos xilófagos (fungos e cupins), segundo observações práticas à respeito de sua utilização. Em ensaio de campo, foi considerada não durável. A madeira, por apresentar vasos obstruídos por tilos, deve apresentar baixa permeabilidade às soluções preservantes mesmo em tratamento sob pressão.

CARACTERÍSTICAS DE PROCESSAMENTO Trabalhabilidade: A madeira de louro-vermelho é fácil de ser trabalhada, tanto com ferramentas manuais como com máquinas. Aceita bem pregos e parafusos. Não apresenta problemas de colagem e o acabamento é considerado bom. É fácil de serrar, aplainar, laminar, faquear, tornear, colar, parafusar e pregar. Secagem: A secagem ao ar livre é lenta e com tendência a empenamentos e rachaduras. A secagem artificial também é lenta, podendo ocorrer encruamento e rachaduras internas se as condições do processo forem severas. Esta dificuldade na secagem é decorrente da presença de óleos essenciais na madeira. Programas de secagem podem ser obtidos em IBAMA (1997a); Jankowsky (1990).

PROPRIEDADES FÍSICAS* Densidade de massa (ρ): aparente a 15% de umidade (ρap, 15): 770 kg/m

3 / básica (ρbásica): 642 kg/m

3

Contração: radial: 4,0% / tangencial: 10,0% / volumétrica: 15,9%

PROPRIEDADES MECÂNICAS* Flexão Resistência – fM Madeira verde (MPa): 71,5 Madeira a 15 % de umidade (MPa): 93,9 Módulo de Elasticidade madeira verde (MPa): 10 032 Limite de Proporcionalidade - madeira verde (MPa): 28,0 Compressão paralela às fibras Resistência – fc0 Madeira verde (MPa): 35,6 Madeira a 15% de umidade (MPa): 49,5 Limite de Proporcionalidade - madeira verde (MPa): 23,8 Módulo de Elasticidade – madeira verde (MPa): 16 161 Coeficiente de influência de umidade (%): 4,1

OUTRAS PROPRIEDADES MECÃNICAS* Resistência ao impacto na Flexão - madeira a 15% (choque) - Trabalho Absorvido (J): 15,7 Cisalhamento – madeira verde (MPa): 8,5 Dureza Janka paralela - madeira verde (N): 3 079 Tração Normal às Fibras - madeira verde (MPa): 6,9 Fendilhamento - madeira verde (MPa): 0,8

USOS NA CONSTRUÇÃO CIVIL Leve em esquadrias: batentes, portas e janelas. Leve interna, estrutural: ripas e partes secundárias de estruturas. Leve interna, decorativa: painéis, lambris e forros

OUTROS USOS Móveis decorativos de alta qualidade, folhas faqueadas, compensados, objetos de adorno

OBSERVAÇÕES Madeira usada principalmente em batentes de portas, no entanto, deve-se proceder a secagem correta da madeira para minimizar o surgimento de empenamentos.

(*) Resultados obtidos de acordo com a Norma ABNT MB26/53 (NBR 6230/85).Fonte: IPT, 1989a.

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Madeira: Uso Sustentável na Construção Civil

PAU-ROXO - Peltogyne spp., Leguminosae.

OUTROS NOMES POPULARES amarante, coataquiçaua, pau-roxo, pau-roxo-da-terra-firme, pau-roxo-da-várzea, roxinho- pororoca, violeta.

OCORRÊNCIA Brasil: Acre, Amazonas, Bahia, Maranhão, Mato Grosso, Minas Gerais, Pará, Piauí, Rondônia, São Paulo.

CARACTERÍSTICAS GERAIS

Características sensoriais: cerne e alburno distintos pela cor, cerne roxo podendo escure- cer com o tempo, alburno bege claro; brilho moderado a acentuado; cheiro e gosto imper- ceptíveis; densidade alta; dura ao corte; grã direita a irregular; textura fina a média.

Descrição anatômica macroscópica: parênquima axial: visível a olho nu, eventualmente visível apenas sob lente, paratraqueal aliforme de extensão linear, confluente, unindo alguns vasos e podendo formar faixas tangenciais curtas, parênquima marginal associado. Raios: visíveis apenas sob lente no topo e na face tangencial; finos; muito poucos a poucos. Vasos: visíveis a olho nu e eventualmente visíveis apenas sob lente, pequenos a médios; poucos a numerosos; porosidade difusa; solitários, geminados e raros múltiplos de três; vazios ou obstruídos por óleo-resina e em algumas espécies com substância branca. Camadas de crescimento: distintas individualizadas por zonas fibrosas tangenciais mais escuras e por parênquima marginal.

DURABILIDADE NATURAL E TRATABILIDADE QUÍMICA A madeira de pau-roxo é considerada de alta resistência ao ataque de organismos xilófagos (fungos apodrecedores e cupins-de-madeira-seca). Apresenta baixa resistência a organis- mos xilófagos marinhos. Apresenta baixa permeabilidade a soluções preservantes. O cerne é impermeável ao tratamento com creosoto e CCA-A mesmo em processo sob pressão.

CARACTERÍSTICAS DE PROCESSAMENTO Trabalhabilidade: A madeira de pau-roxo é moderadamente difícil de ser trabalhada manualmente ou com máquinas, devido à dureza e exsudação de resina quando aquecida pelas ferramentas. É fácil de colar e apresenta bom acabamento. A trabalhabilidade é regular na plaina e excelente na lixa, torno e broca; apresenta um polimento lustroso Reco- menda-se a perfuração prévia à colocação de pregos. Secagem: A secagem ao ar livre é fácil a moderada, com pequena incidência de rachaduras e empenamentos. A secagem em estufa é rápida e com poucos defeitos. Para a espécie P. paniculata a secagem em estufa é rápida, com pequena tendência à rachaduras de topo, torcimento e arquea- mento fortes. Programas de secagem podem ser obtidos em IBAMA (1997a) e Jankowsky (1990).

PROPRIEDADES FÍSICAS* Densidade de massa (ρ): aparente a 15% de umidade (ρap, 15): 890 kg/m

3 / básica (ρbásica): 740 kg/m

3

Contração: radial: 3,5% / tangencial: 6,5% / volumétrica: 10,7%

PROPRIEDADES MECÂNICAS* Flexão Resistência – fM Madeira verde (MPa): 144,8 Madeira a 15% de umidade (MPa): 184,5 Módulo de Elasticidade madeira verde (MPa): 17 721 Limite de Proporcionalidade - madeira verde (MPa): 63,5 Compressão paralela às fibras Resistência – fc0 Madeira verde (MPa): 64,0 Madeira a 15% de umidade (MPa): 84,1 Limite de Proporcionalidade - madeira verde (MPa): 49,0 Módulo de Elasticidade – madeira verde (MPa): 20 565 Coeficiente de influência de umidade (%): 4,0

OUTRAS PROPRIEDADES MECÃNICAS* Resistência ao impacto na Flexão - madeira a 15% (choque) – Trabalho Absorvido (J): 68,2 Cisalhamento – madeira verde (MPa): 14,9 Dureza Janka paralela - madeira verde (N): 9 728 Tração Normal às Fibras - madeira verde (MPa): 8,3 Fendilhamento – madeira verde (MPa): 1,1

USOS NA CONSTRUÇÃO CIVIL Pesada externa: dormentes, cruzetas, esteios, estacas. Pesada interna: tesouras, vigas e caibros. Assoalhos: tábuas, tacos e parquetes. Leve em esquadrias: portas, janelas, batentes. Leve interna, decorativa: painéis, forros e lambris

OUTROS USOS Móveis de alta qualidade decorativos, construção naval, lâminas decorativas, cabos de ferra- mentas, cutelaria, carrocerias, objetos de adorno, peças torneadas, tacos de bilhar, esculturas.

OBSERVAÇÕES O gênero Peltogyne, com várias espécies (dentre outras, Peltogyne paniculata Benth., P. maranhensis Huber & Ducke, P. subsessilis W. Rodr., P. paradoxa Ducke, P. catingae Ducke, P. confertiflora (Hayne) Benth., P. lecointei Ducke, P. recifensis Ducke), é encontrado em quase todas as matas nativas do País. A espécie Peltogyne confertiflora (Hayne) Benth., ocorre desde a região Norte, Centro Oeste, Nordeste até Sudeste; já espécie P. recifensis Ducke é mais co- mum na região de Pernambuco e a espécie P. lecointei Ducke ocorre no Pará e Maranhão. Como essas madeiras são semelhantes nas suas características e no comércio têm o mesmo valor, nesta ficha são tratadas em conjunto, sendo mencionada a espécie, quando pertinente. Informações para a espécie Peltogyne confertiflora (Hayne) Benth. Algumas espécies de roxinho podem apresentar exsudações que comprometem o seu acabamento.

(*) Informações para a espécie Peltogyne confertiflora (Hayne) Benth. Resultados obtidos de acordo com a Norma ABNT MB26/53 (NBR 6230/85).Fonte: IPT, 1989b.

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Madeira: Uso Sustentável na Construção Civil

PINUS-ELIOTE - Pinus elliottii Engelm., Pinaceae.

OUTROS NOMES POPULARES pinus, pinheiro, pinheiro-americano.

OCORRÊNCIA Brasil: Espécie introduzida nos estados de Espirito Santo, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais, Paraná, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul, Santa Catarina, São Paulo. Outros países: EUA

CARACTERÍSTICAS GERAIS

Características sensoriais: cerne e alburno indistintos pela cor, branco-amarelado, brilho moderado; cheiro e gosto distintos e característicos (resina); densidade baixa; macia ao corte; grã direita; textura fina.

Descrição anatômica macroscópica: parênquima axial: invisível mesmo sob lente. Raios: visíveis apenas sob lente no topo, na face tangencial é invisível mesmo sob lente. Camadas de crescimento: distintas; transição brusca entre o lenho inicial e o tardio. Canais de resina: presentes; visíveis sob lente; em disposição axial e radial.

DURABILIDADE NATURAL E TRATABILIDADE QUÍMICA Observações feitas pelo IPT complementadas por ensaios de laboratório, permitem considerar esta madeira como susceptível ao ataque de fungos (emboloradores, manchadores e apodrecedores), cupins, brocas-de-madeira e perfuradores mari- nhos. O pinus-eliote é fácil de tratar.

CARACTERÍSTICAS DE PROCESSAMENTO Trabalhabilidade: A madeira de pinus-eliote é fácil de ser trabalhada. É fácil de desdobrar, aplainar, desenrolar, lixar, tornear, furar, fixar, colar e permite bom aca- bamento. Secagem: A madeira é fácil de secar.

PROPRIEDADES FÍSICAS* Densidade de massa (ρ): aparente a 15% de umidade (ρap, 15): 480 kg/m

3 / básica (ρbásica): 420 kg/m

3

Contração: radial: 3,4% / tangencial: 6,3% / volumétrica: 10,5%

PROPRIEDADES MECÂNICAS* Flexão Resistência – fM Madeira verde (MPa): 48,0 Madeira a 15% de umidade (MPa): 69,6 Módulo de Elasticidade madeira verde (MPa): 6 463 Limite de Proporcionalidade – madeira verde (MPa): 19,7 Compressão paralela às fibras Resistência – fc0 Madeira verde (MPa): 18,5 Madeira a 15% de umidade (MPa): 31,5 Limite de Proporcionalidade – madeira verde (MPa): 13,7 Módulo de Elasticidade – madeira verde (MPa): 8 846 Coeficiente de influência de umidade (%): 6,7

OUTRAS PROPRIEDADES MECÃNICAS* Resistência ao impacto na Flexão - madeira a 15% (choque) – Trabalho Absorvido (J): 14,5 Cisalhamento - madeira verde (MPa): 5,8 Dureza Janka paralela - madeira verde (N): 1 932 Tração Normal às Fibras - madeira verde (MPa): 3,0 Fendilhamento - madeira verde (MPa): 0,4

USOS NA CONSTRUÇÃO CIVIL Leve interna, utilidade geral: cordões, guarnições, rodapés, forros e lambris Uso temporário: fôrmas para concreto, pontaletes e andaimes.

OUTROS USOS Móveis estândar, partes internas de móveis, móveis torneados (para exportação), cabos para vassouras, palitos de fósforo, compensados, laminados, torneados, brinquedos, embalagens, paletes, bobinas, carretéis, pincéis etc.

OBSERVAÇÕES Madeira de reflorestamento. As propriedades mecânicas de pinus são influenciadas acentuadamente pelas práticas de manejo florestal adotadas nos plantios. Portanto, deve-se precaver quanto a esta caracte- rística em usos estruturais. A madeira de pinus apresenta alta permeabilidade às soluções preservantes, podendo, quando devidamente tratada, ser empregada em usos de alta classe de risco de biodeterioração.

(*) Resultados obtidos de acordo com a Norma ABNT MB26/53 (NBR 6230/85).Fonte: IPT, 1989b.

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Madeira: Uso Sustentável na Construção Civil

QUARUBA* - Vochysia spp., Vochysiaceae.

OUTROS NOMES POPULARES guaruba, guaruba-cedro, quaruba-cedro, quaruba-goiaba, quaruba-verdadeira, quaruba-vermelha.

OCORRÊNCIA Brasil: Amazônia e Mata Atlântica.

CARACTERÍSTICAS GERAIS

Características sensoriais: cerne e alburno pouco distintos pela cor, cerne rosado e alburno cinza-claro a cinza-rosado; brilho moderado ou ausente; cheiro e gosto imperceptí- veis; densidade baixa; macia ao corte; grã revessa; textura média a grossa.

Descrição anatômica macroscópica: parênquima axial: visível a olho nu, paratraqueal aliforme com extensões longas e estreitas unindo vários vasos. Raios: os mais largos são visíveis a olho nu no topo, na face tangencial visíveis apenas sob lente. Vasos: visíveis a olho nu, médios a grandes; poucos; porosidade difusa; solitários em maioria; alguns obstruídos por tilos. Camadas de crescimento: indistintas. Canais axiais traumáticos: presentes em alguns espécimes.

DURABILIDADE NATURAL E TRATABILIDADE QUÍMICA A resistência da madeira ao apodrecimento varia conforme a espécie. Com relação ao ataque de cupins e fungos, geralmente as madeiras desse gênero são susceptíveis e são moderadamente resistentes ao ataque de cupins-de-madeira-seca. A espécie V. guianensis é considerada modera- damente resistente ao ataque de cupins, entretanto, pode apresentar uma baixa resistência ao ataque de perfuradores marinhos. O alburno pode ser susceptível ao ataque de brocas do gênero Lyctus. Em ensaio de campo, com a madeira em contato com o solo, a espécie V. guianensis foi considerada moderadamente durável, com vida útil entre dois e cinco anos, e a espécie V. maxima foi considerada não durável, com vida útil inferior a dois anos. O alburno é muito fácil de preservar com creosoto (oleossolúvel) e CCA-A (hidrossolúvel) aplicados sob pressão. O cerne de V. guianensis é resistente ao tratamento preservante. Em ensaio laboratorial realizado pelo IPT, em tratamento sob pressão, o alburno apresentou alta permeabilidade ao pentaclorofenol.

CARACTERÍSTICAS DE PROCESSAMENTO Trabalhabilidade: A madeira de quaruba é fácil de ser trabalhada tanto com ferramentas manuais como com máquinas. Alguns defeitos comuns são a superfície felpuda e fibras arranca- das. a colagem e a aplicação de tintas e vernizes não apresentam problemas. O polimento é bom. É fácil de aplainar, lixar, tornear e furar, podendo apresentar, entretanto, acabamento ruim. Secagem: A secagem ao ar é moderada, com tendência a empenamento e rachaduras. A secagem em estufa é rápida, mas pode agravar os defeitos se não for bem controlada. Peças espessas estão sujeitas a colapso. Programas de secagem podem ser obtidos em IBAMA (1997a); Jankowsky (1990).

PROPRIEDADES FÍSICAS* Densidade de massa (ρ): aparente a 12% de umidade (ρap, 12): 600 kg/m

3 / madeira verde (ρverde): 1140 kg/m

3 /

básica (ρbásica): 490 kg/m 3

Contração: radial: 4,0% / tangencial: 8,8% / volumétrica: 12,1%

PROPRIEDADES MECÂNICAS* Flexão Resistência – fM Madeira verde (MPa): 60,5 Madeira a 12% de umidade (MPa): 91,2 Módulo de Elasticidade madeira verde (MPa): 9 316 Módulo de Elasticidade madeira à 12% (MPa): 11 180 Compressão paralela às fibras Resistência – fc0 Madeira verde (MPa): 29,4 Madeira a 12% de umidade (MPa): 47,6 Compressão perpendicular às fibras Resistência – fc0 Madeira verde (MPa): 4,8 Madeira à 12 % de umidade (MPa): 5,7

OUTRAS PROPRIEDADES MECÃNICAS* Cisalhamento - madeira verde (MPa): 8,4 Cisalhamento - madeira a 12% (MPa): 10,0 Dureza Janka paralela - madeira verde (N): 4 335 Dureza Janka paralela – madeira a 12% (N): 5 492 Tração Normal às Fibras – madeira verde (MPa): 3,7 Tração Normal às Fibras – madeira a 12% (MPa): 3,4

USOS NA CONSTRUÇÃO CIVIL Leve interna, estrutural: ripas e partes secundárias de estruturas. Leve interna, utilidade geral: cordões, guarnições, rodapés, forros e lambris. Uso temporário: fôrmas de concreto e pontaletes.

OUTROS USOS Móveis estândar e partes internas de móveis, molduras, peças torneadas, embarcações, compensados, laminados, brinquedos, embalagens leves, palitos, bobinas e carretéis.

OBSERVAÇÕES A madeira de quaruba pertence ao grupo de espécies do gênero Vochysia. Dentre essas espécies, pode-se mencionar Vochysia guianensis Aubl., V. maxima Ducke, V. obidensis (Huber) Ducke, V. eximia Ducke, V. floribunda Mart., V. melinoni Benkmann, V. ferruginea Mart., V. paraensis Ducke, V. surinamensis Stafl., V. vismaefolia Spruce ex Warm. Como essas madeiras são semelhantes nas suas características e no comércio têm o mesmo valor; nesta ficha são tratadas em conjunto, sendo mencionada a espécie, quando pertinente. Esta ficha contém informações para a espécie Vochysia maxima Ducke. A madeira de quaruba pela sua cor e peso, tem sido comercializada como cedro-real numa tentativa de substituição do cedro. (*) Informações para a espécie Vochysia maxima Ducke. Resultados obtidos de acordo com a Norma COPANT. Fonte: IBAMA, 1997a.

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Madeira: Uso Sustentável na Construção Civil

TAUARI* - Couratari spp., Lecythidaceae.

OUTROS NOMES POPULARES imbirema, tauari-amarelo, tauari-morrão, estopeiro.

OCORRÊNCIA Brasil: Amazônia Outros países: Guiana, Guiana Francesa

CARACTERÍSTICAS GERAIS

Características sensoriais: cerne e alburno indistintos pela cor; branco-amarelado a bege-amarelado-claro; brilho moderado; cheiro variável de pouco perceptível a perceptí- vel, neste caso, desagradável, gosto levemente amargo; densidade média; macia ao corte; grã direita; textura média.

Descrição anatômica macroscópica: parênquima axial: pouco visível a olho nu, em linhas finas, numerosas, aproximadas, regularmente espaçadas, formando com os raios um reticulado quase uniforme. Raios: pouco visíveis a olho nu no topo, na face tangencial é visível apenas sob lente. Vasos: visíveis a olho nu, médios; muito poucos; porosidade difusa; solitários e alguns múltiplos de 3 e 4; vazios. Camadas de crescimento: distintas, individualizadas por zonas fibrosas tangenciais mais escuras.

DURABILIDADE NATURAL E TRATABILIDADE QUÍMICA Apresenta baixa resistência ao ataque de organismos xilófagos (fungos e cupins). Algumas espécies apresentam tendência a manchar (mancha azul), ocasionada por fungos manchadores, devendo ser utilizadas secas e protegidas da umidade. Em ensaio de campo, com madeira em contato com o solo, esta madeira foi considerada como não durável, com vida inferior a dois anos. A madeira de tauari, em ensaios de laboratório, quando submetida a tratamento sob pres- são, demonstrou ser permeável às soluções preservantes. É muito fácil de ser tratada tanto com creosoto (oleossolúvel) como com CCA-A (hidrossolúvel), aplicados sob pressão.

CARACTERÍSTICAS DE PROCESSAMENTO Trabalhabilidade: A madeira de tauari é moderadamente macia ao corte, apresentando um bom acabamento, apesar de às vezes a superfície ficar com aparência felpuda. Algumas espécies possuem sílica, o que contribui para desgastar as ferramentas. Secagem: A velocidade da secagem ao ar é moderada, com leve tendência ao empenamento e rachaduras superficiais. A secagem em estufa é rápida, sem defeitos significativos. Couratari guianensis pode apresentar problemas de secagem como rachadu- ras e torcimento moderados. Programas de secagem podem ser obtidos em CTFT/INPA (s.d.); IBAMA (1997a); Jankowsky (1990).

PROPRIEDADES FÍSICAS* Densidade de massa (ρ): aparente a 12% de umidade (ρap, 12): 610 kg/m

3 / madeira verde (ρverde): 1 100 kg/m

3 /

básica (ρbásica): 500 kg/m 3

Contração: radial: 4,2% / tangencial: 6,6% / volumétrica: 10,9%

PROPRIEDADES MECÂNICAS* Flexão Resistência – fM Madeira verde (MPa): 57,8 Madeira a 12% de umidade (MPa): 88,8 Módulo de Elasticidade madeira verde (MPa): 9 316 Módulo de Elasticidade madeira à 12% (MPa): 10 591 Compressão paralela às fibras Resistência – fc0 Madeira verde (MPa): 27,2 Madeira a 15 % de umidade (MPa): 46,8 Compressão perpendicular às fibras Resistência – fc0 Madeira verde (MPa): 4,5 Madeira à 12% de umidade (MPa): 6,1

OUTRAS PROPRIEDADES MECÂNICAS* Cisalhamento - madeira verde (MPa): 6,8 Cisalhamento - madeira a 12% (MPa): 8,5 Dureza Janka paralela - madeira verde (N): 3 727 Dureza Janka paralela - madeira a 12% (N): 5 315 Tração Normal às Fibras - madeira verde (MPa): 3,2 Tração Normal às Fibras - madeira a 12% (MPa): 3,6

USOS NA CONSTRUÇÃO CIVIL Leve em esquadrias: portas, janelas e venezianas. Leve interna, estrutural: ripas e partes secundárias de estruturas. Leve interna, utilidade geral: cordões, guarnições, rodapés, forros e lambris

OUTROS USOS Móveis estândar, estruturas e partes internas de móveis, lâminas, compensados, embala- gens, peças encurvadas, cabos de vassoura, brinquedos, objetos de adorno, instrumentos musicais, lápis, palitos de fósforo, bobinas e carretéis.

OBSERVAÇÕES O gênero Couratari é encontrado na Amazônia onde ocorrem, dentre outras, as espécies Couratari guianensis Aubl., C. oblongifolia Ducke et R. Knuth e C. stellata A. C. Sm. Como essas madeiras são semelhantes quanto à densidade de massa, caracteres anatômicos e cor, nesta ficha são tratadas em conjunto, sendo mencionada a espécie, quando pertinente. Informações desta ficha são para a espécie Couratari oblongifolia Ducke et R. Knuth. Madeira pode apresentar forte cheiro desagradável que tende a desaparecer com o tempo.

(*) Informações para a espécie Couratari oblongifolia Ducke et R. Knuth. Resultados obtidos de acordo com a Norma COPANT. Fonte: IBAMA, 1997.

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Qualidade da madeira

7.1 Madeira serrada e beneficiada

Definições precisas de termos e de especificações de dimensões e qualidade são reconhecidas internacionalmen- te como uma das exigências básicas para o desenvolvimento racional do comércio de madeiras. No Brasil, a classifica- ção de madeira serrada foi praticada em larga escala somente com o pinho-do-paraná, destinado aos mercados do- mésticos e internacionais. Atualmente, a despeito da existência de normas para pinus e para madeiras de folhosas (angiospermas-dicotiledôneas), registradas na ABNT, a classificação só é praticada na madeira destinada à exporta- ção para os países desenvolvidos.

No mercado nacional a madeira é vendida de forma não selecionada, a chamada “bica corrida”, ou então, segundo classificações genéricas como “primeira”, “extra” etc., que freqüentemente são motivos de discordância entre compra- dores e vendedores.

A ausência de padronização é uma das queixas freqüentes do setor de construção civil, sendo, portanto, necessá- rio tomar medidas efetivas para resolução desse problema. Dentre estas, apontam-se: a revisão das normas e especificações disponíveis, sob a perspectiva do desempenho do material/produto no uso pretendido, divulgação das normas junto aos setores de produção, comércio e utilização de madeira serrada e treinamento de classificadores e de inspetores.

Neste capítulo serão apresentadas recomendações para se especificar e inspecionar madeiras serradas, para obter um bom desempenho da madeira em determinado uso. As características a serem observadas dizem respeito a:

• espécies de madeira;

• dimensões;

• teor de umidade;

• defeitos naturais e de processamento.

7.1.1 Espécies de madeira Escolhida a madeira para um certo uso, conforme já apresentado em capítulos anteriores, recomenda-se especificá-

la por seu nome popular ou comercial associado ao nome científico. Tal procedimento evitará as freqüentes confusões que existem no comércio devido a variabilidade dos nomes populares.

Na inspeção de recebimento a madeira deve ser identificada pela anatomia da madeira ou enviada a um laborató- rio especializado. Tal medida é recomendada em virtude da grande variabilidade de madeiras que existem no mercado, cujas características sensoriais (cor e densidade, principalmente) são semelhantes, porém com propriedades mecâni- cas e de durabilidade natural distintas.

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7.1.2 Dimensões Em pesquisa realizada na cidade de São Paulo, verificou-se que a maior parte dos distribuidores de madeira e

construtoras afirma que trabalha com medidas padronizadas. No entanto, os entrevistados não mencionam que nor- mas ou especificações são adotadas. Em geral afirmam que são dimensões comerciais.

Também é comum associar o nome das peças com suas dimensões nominais (espessura x largura). Entretanto, há uma confusão em relação aos nomes das peças, como por exemplo, caibros com pontaletes, tábuas estreitas e sarrafos.

É interessante constar que embora existam textos da ABNT especificando dimensões e nomes das peças, esses são ignorados pelo setores de produção e comércio de madeira serrada e beneficiada. As normas disponíveis são:

• NBR 7203 - Madeira serrada e beneficiada;

• NBR 9480 - Classificação de madeira serrada de folhosas;

• NBR 12498 - Madeira serrada de coníferas provenientes de reflorestamento, para usos geral: dimensões e lotes. Outro aspecto importante é o desperdício provocado pela especificação de peças com dimensões inadequadas.

Portanto, os projetistas devem ser orientados a especificar dimensões, principalmente comprimento e largura, o mais próximo possível das dimensões de uso.

Considerando as normas disponíveis e para evitar conflitos na inspeção de recebimento, recomenda-se especifi- car em projetos/pedidos de compra o seguinte:

• nome da peça (viga, caibro, ripa etc.) e respectiva seção transversal ou bitola (em mm). Ao especificar dimensões para peças aparelhadas, o usuário deve considerar que a prática comercial é se referir aos valores nominais da madeira serrada em bruto;

• mencionar as tolerâncias positivas e negativas admitidas (variável em função do grau de processamento das peças); e

• citar o teor de umidade de referência.

7.1.3 Teor de umidade Várias propriedades da madeira são afetadas pelo teor de umidade das peças. Considera-se a madeira seca

quando o seu teor de umidade está em equilíbrio com a umidade relativa do ambiente onde a madeira será utilizada. Nesta situação, as propriedades mecânicas são superiores e a movimentação dimensional é menor do que quando a madeira está verde, ou seja, quando o teor de umidade esteja acima do ponto de saturação das fibras, ao redor de 30%.

A despeito disso, o comércio de madeira serrada para fins estruturais não leva em consideração essa caracterís- tica e as peças de madeira acabam secando no depósito do comprador ou, o que é mais freqüente, em uso. Tal prática, pode resultar em empenamentos e rachamentos das peças após a realização da inspeção de recebimento.

Devido aos custos envolvidos na secagem de peças de madeira de bitolas avantajadas (vigas e pranchas) e a prática comercial arraigada, prevê-se que no médio prazo esse tipo de material não estará disponível no mercado.

O mesmo não acontece com a madeira destinada aos usos em que a estabilidade dimensional é um requisito importante. Já não é difícil adquirir madeira para pisos, esquadrias e revestimentos, com teor de umidade adequado. No comércio, esse material é referido como madeira seca em estufa ou “madeira estufada”.

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Madeira: Uso Sustentável na Construção Civil

A despeito disso, no mercado não se especifica o teor de umidade médio, nem os valores máximo e mínimo recomendados para o local de aplicação das peças, o que pode resultar em mau desempenho das mesmas.

A título de exemplo, na tabela 4 são apresentados valores de teor de umidade recomendados para algumas cida- des brasileiras.

Outro cuidado a ser tomado refere-se à verificação do teor de umidade das peças do lote na inspeção de recebi- mento. É freqüente a má utilização dos medidores elétricos, em geral, relacionada ao uso de aparelhos não calibrados, posicionamento dos eletrodos em partes não representativas da peça e erro de leitura em função da escala emprega- da, que varia com a espécie de madeira.

No tocante ao teor de umidade, recomenda-se:

• especificar o teor de umidade médio e os valores mínimo e máximo, considerando o local de uso da madeira;

• verificar o teor de umidade das peças do lote, por amostragem, empregando medidores elétricos (ensaio não destrutivo) de acordo com as instruções do fabricante, ou pelo método de perda de massa em estufa (ensaio destrutivo). Este último, apesar de ser mais preciso, requer equipamentos de laboratório e é bem mais demorado.

TABELA 4 - TEOR DE UMIDADE DE EQUILÍBRIO DA MADEIRA NA BASE SECA EM FUNÇÃO DA UMIDADE RELATIVA E DA TEMPERATURA

Cidade Umidade Temperatura* Teor de umidade relativa do (0C) de equilíbrio da ar* (%) madeira** (%)

Aracaju 78,2 26,0 15,2 Belém 86,5 26,0 18,4 Belo Horizonte 76,5 21,1 14,9 Brasília 67,6 21,2 12,5 Cuiabá 73,1 25,6 13,7 Curitiba 80,2 16,5 16,2 Florianópolis 82,2 20,3 16,8 Fortaleza 80,2 26,6 15,8 Goiânia 65,7 23,2 12,0 João Pessoa 80,6 26,1 15,9 Macapá 82,8 26,6 16,8 Maceió 79,0 24,8 15,5

Cidade Umidade Temperatura* Teor de umidade relativa do (0C) de equilíbrio da ar* (%) madeira** (%)

Manaus 83,1 26,7 16,9 Porto Alegre 76,0 19,5 14,8 Porto Velho 84,8 25,1 17,7 Recife 81,2 25,5 16,2 Rio Branco 83,8 24,9 17,3 Rio de Janeiro 79,1 23,7 15,6 Salvador 79,5 25,2 15,6 Santos 79,9 21,3 15,9 São Luiz 78,4 26,1 15,2 São Paulo 78,4 19,3 15,5 Teresina 77,5 26,5 14,9 Vitória 81,1 24,2 16,2

Fontes: * Instituto Nacional de Meteorologia - INEMET ** Calculado de acordo com ASTM D 4933-91 – Standard Guide for Moisture Conditioning of Wood and Wood-Base Materials.

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7.1.4 Defeitos naturais e de processamento A presença de defeitos naturais (nós e bolsas de resina, p. ex.) ou de processamento (empenamentos e rachas de

secagem, p. ex.) afeta a qualidade e desempenho das peças de madeira serrada. Para adequar a qualidade das peças às necessidades dos consumidores, existem normas de classificação que

distribuem as peças produzidas em classes de qualidade. Essa distribuição pode ser realizada de acordo com dois sistemas básicos de classificação, conforme segue:

Classificação por defeitos: este sistema, que também é conhecido como classificação por aparência, é empre- gado largamente em madeiras de coníferas e em madeiras de folhosas (angiospermas-dicotiledôneas) classificadas para mercados especiais.

A classificação por defeitos pressupõe que a peça de madeira será utilizada nas dimensões originais, portanto não sujeita a ser recortada em outras dimensões correspondentes àquelas requeridas pelo uso final. Nesse sistema é consi- derado o número, a importância e a distribuição dos defeitos que apareçam em uma ou ambas as faces da peça serrada.

No Brasil, esse sistema é empregado na norma de classificação para a madeira serrada de pinho (Manual prático de normas reguladoras de qualidade das madeiras de pinho no mercado nacional, da ABPM), na NBR 11700 “Madeira serrada de coníferas provenientes de reflorestamento para uso geral” e na norma que está sendo elaborada pela ABNT para classificação de madeira serrada de eucalipto.

Classificação por uso final proposto: este sistema engloba dois subgrupos de classificação de acordo com o uso final da madeira: Classificação para uso em estruturas, onde as propriedades mecânicas são decisivas e Classifi- cações específicas, onde as peças são fornecidas em dimensões exatas para usos bem definidos.

A classificação para uso em estrutura pode ser feita pelo método visual ou pelo método mecânico. No primeiro caso, a classificação está baseada no fato que os defeitos afetam a resistência e a rigidez das peças de madeira. As regras de classificação especificam tolerâncias para os tipos de defeitos, seu tamanho, quantidade e posição, que devem ser comparados visualmente pelo classificador, peça por peça. Este tipo de classificação é empregado pela NBR 7190 “Projeto de Estruturas de Madeira”.

Já na classificação mecânica, realizada automaticamente em máquinas informatizadas, o princípio de classifica- ção baseia-se na estreita correlação entre o módulo de ruptura na flexão e o módulo de elasticidade. Este sistema apresenta maior confiabilidade que o sistema visual e também alta produtividade. Embora ainda não disponível no Brasil, será incluído na NBR 7190.

Apesar da série de vantagens de caráter industrial e comercial da padronização de medidas e de qualidade da madeira serrada, que beneficiam tanto os produtores quanto os consumidores, no Brasil as peças de madeira empre- gadas na construção civil são especificadas/comercializadas em dois extremos:

madeira não selecionada (bica corrida) que compreende todo o produto da tora exceto as peças inaproveitáveis. Esse sistema prejudica o produtor, pois peças sem defeito e que às vezes são utilizadas, em uso que poderia aceitar alguns defeitos, são comercializadas pelo mesmo preço de uma peça com defeitos;

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madeira de primeira qualidade em que as peças praticamente são isentas de defeitos. Neste caso, pedaços significativos de madeira são desprezados na serraria, constituindo um sério problema de descarte e um evidente desperdício do recurso florestal. Por outro lado, o consumidor fica desprotegido pois não há uma definição do que seja madeira de primeira o que gera dúvidas no momento da inspeção de recebimento.

Evidentemente que a situação descrita acima tem exceções. Por exemplo, há empresas produtoras de madeira serrada que ofertam seus produtos classificados em diversas classes de qualidade, como também há construtoras que especificam as madeiras em pelo menos duas classes de qualidade.

7.2 Madeira compensada

O compensado é um painel composto de várias camadas de lâminas de madeira de pequena espessura coladas entre si por um adesivo. Cada camada ou lâmina é colocada de forma que a direção das suas fibras forme um ângulo de 90o com a da outra camada adjacente. Geralmente é composto de um número ímpar de lâminas. Ao controlar a espessura e a quantidade dessas lâminas, é possível obter painéis de diferentes espessuras. Porém, painéis de 3, 5 e 7 lâminas são os mais produzidos, cujas espessuras variam de 4 mm a 18 mm.

De acordo com o local de utilização, o compensado pode ser classificado como:

- Interior: compensado colado com adesivo do tipo interior, destinado à utilização em locais protegidos da ação d’água ou alta umidade relativa;

- Intermediária: compensado colado com adesivo intermediário, destinado à utilização interna mas em ambiente de alta umidade relativa, podendo eventualmente receber a ação d’água;

- Exterior: compensado colado com adesivo a prova d’água, destinado ao uso exterior ou em ambientes fechados onde são submetidos a repetidos umedecimentos e secagem ou ação d’água .

O desconhecimento dessa classificação por parte dos usuários ou a sua não verificação no ato do recebimento dos compensados gera um dos principais problemas relatados pelos usuários, ou seja, a delaminação dos painéis. Neste aspecto é importante especificar o tipo de compensado mais adequado ao uso pretendido e verificar, pelo ensaio da resistência da colagem ao esforço de cisalhamento, a qualidade da colagem.

Para os compensados de uso permanente ou para aqueles de uso temporário, porém que se pretende estender sua vida útil, e que serão empregados em usos em que a classe de risco à biodeterioração é alta, é necessário realizar o tratamento preservativo do compensado, visto que as madeiras utilizadas na sua produção são de baixa durabilidade natural.

Os compensados são normatizados pela ABNT e as normas relacionadas a seguir constituem um bom material de apoio na qualificação do produto:

- NBR 9484/86 Compensado - determinação do teor de umidade;

- NBR 9485/86 Compensado – determinação da massa específica;

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- NBR 9486/86 Compensado – determinação da absorção de água;

- NBR 9488/86 Compensado – amostragem de compensado para ensaio;

- NBR 9489/86 Compensado – condicionamento de corpos-de-prova de compensado para ensaios;

- NBR 9490/86 Lâmina e compensado;

- NBR 9531/86 Chapas de madeira compensada;

- NBR 9532/86 Chapas de madeira compensada;

- NBR 9533/86 Compensado – determinação da resistência à flexão estática;

- NBR 9534/86 Compensado – determinação da resistência da colagem ao esforço de cisalhamento; e

- NBR 9535/86 Compensado – determinação do inchamento.

O usuário de compensados conta também com Programa Nacional de Qualidade da Madeira da Associação Bra- sileira da Indústria de Madeira Processada Mecanicamente – ABIMCI, que está certificando empresas produtoras de acordo com requisitos lastreados nas normas ABNT mencionadas. Mais informações podem ser obtidas no site da associação www.abimci.com.br.

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