Manual de Psicologia Aplicada, Manuais, Projetos, Pesquisas de Enfermagem
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Microsoft Word - Manual de Psicologia Aplicada.doc

Pierre Weil

MANUAL

De

PSICOLOGIA APLICADA

BIBLIOTECA DE ESTUDOS SOCIAIS E PEDAGÓGICOS

1a. Série — CIÊNCIAS SOCIAIS

1. ANTROPOLOGIA — Um Espelho para o Homem – CLYDE KLUCKHOHN.

2/3. PERSONALIDADE NA NATUREZA, NA SOCIEDADE E NA CULTURA — ORGANIZADO POR CLYDE KLUCKHOHN., HENRY A. MURRAY DAVID M. SCHNEIDER.

4. DINÂMICA DE GRUPO E DESENVOLVIMENTO EM RELAÇÕES HUMANAS

– PIERRE WEIL E OUTROS.

2ª Série — PEDAGOGIA

1. PSICOLOGIA DA CRIANÇA — ARTHUR T. JERSILD2. MANUAL DE PSICOLOGIA APLICADA — PIERRE WEIL

Próximo volume:

COMO AS CRIANÇAS APRENDEM A LER — DAVID N. RUSSEL.

MANUAL

De

PSICOLOGIA APLICADA

MANUAL DE

PSICOLOGIA APLICADA (Para professores, médicos, diretores e chefes, estudantes de Institutos de Educação, Escolas de Serviço Social, Cursos de Psicologia, de Orientação Educacional e Profissional, Pedagogia, etc.)

2ª edição

texto da contra capa

MANUAL DE PSICOLOGIA APLICADA

O Professor e Psicólogo Pierre Weil nasceram em Estrasburgo na França, onde fez os seus estudos em Psicologia, Pedagogia e Orientação Profissional nas Universidade e Institutos de Paris, Lião, Estrasburgo e Genebra.

Foi aluno de eminentes psicólogos como Wallon, Piéron, Piaget, Rey e Leon Walther do qual Pierre Weil foi assistente e com o qual veio para o Brasil em 1948, a convite do Departamento Nacional do SENAC, onde lançou uma rede nacional de Serviços de Orientação Educacional e Profissional.

A obra do Prof. Pierre Weil é conhecida na França através do seu teste “afetivo- diagnóstico” publicado nas Presses Universitaires de France e dos seus trabalhos sobre o desenho na criança em colaboração com R. Zazzo, P. Naville e cuja publicação mereceu um Prefácio do Prof. Wallon do Colégio da França.

No Brasil realizou inúmeras pesquisas sobre testes de aptidão e de personalidade. O seu “Teste de inteligência Não Verbal” (INV) serviu de instrumento da Pesquisa Nacional sobre o Nível Mental da População Brasileira que Pierre WeIl coordenou com a colaboração dos Prof. Lourenço Filho, Otávio Martins e Eva Nick e que figura como sendo uma das maiores pesquisas realizadas no mundo sobre o assunto; o teste é utilizado atualmente em grande escala no Brasil, na França, Bélgica e Holanda.

Organizou o Consultório Psico-Pedagógico da Sociedade Pestalozzi do Brasil, no Rio de Janeiro, onde colaborou com a profa Helena Antipoff no diagnóstico e aconselhamento de mais de duas mil crianças excepcionais.

A pedido do Banco da Lavoura de Minas Gerais montou um Departamento de Orientação e Treinamento e uma Escola de Administradores que pode ser considerada como sendo uma das maiores do mundo, segundo depoimento do Serviço Francês de Aumento da Produtividade.

Apresentou trabalhos e comunicações em vários Congressos Internacionais na França, Suécia, Itália, Espanha e realizou inúmeras conferências e cursos no Brasil, França, Portugal e Uruguai a convite de Universidades e entidades públicas e particulares.

Foi convidado em 1964 para ocupar o posto de perito da Organização Internacional do Trabalho das Nações Unidas, na Colômbia.

Lançou no Brasil as técnicas de Psicodrama após ter realizado vários estágios sobre o assunto na França com Anne Ancelin Schutzenberger, Andoineau, Fauchou, R. Levy e na Itália com Moreno, o conhecido criador da Sociometria, do Psicodrama e Psicoterapia de Grupo, o qual prefaciou o seu último livro, sobre Psicodrama.

Autor de mais de cinqüenta publicações científicas e de livros em francês, inglês, alemão, espanhol, português e holandês, se tornou bastante conhecido do público brasileiro, através de um «Best-Seller sobre Relações Humanas na Família e no Trabalho, do qual existem mais de vinte edições.

Atualmente é Professor de Psicologia Social na Universidade Federal de Minas Gerais e de Dinâmica de Grupo e Psicodrama na Universidade Católica de Belo Horizonte.

O Professor Pierre WeiIl continua realizando pesquisa sobre análise e redução de tensões individuais, interindividuais e coletivas, em correlação com as pesquisas sobre a paz e a guerra, de várias Universidade do mundo.

SUMÁRIO

INTRODUÇÃO: A unidade da Psicologia e seus fundamentos científicos

§1. Definição de Psicologia §2. As Ciências Experimentais e a Psicologia §3. Definição da Psicologia Aplicada §4. Objetivos da Psicologia Aplicada

PRIMEIRA PARTE

Métodos e Processos da Psicologia Aplicada

CAPÍTULO 1: O Método Estatístico

§1. Estatística e Psicologia Aplicada §2. Apresentação das Observações §3. Características das Observações §4. Erros de Amostra §5. Correlações §6. Provas de Significação da Diferença Entre Duas Medidas

CAPÍTULO 2: A Psicometria

§1. Psicometria e Psicologia Aplicada §2. Que É Um “Teste”? §3. Condições Para Aplicação e Elaboração de Um Teste §4. Classificação dos Testes §5. Apresentação e Interpretação dos Resultados

CAPÍTULO 3: Estado Atual dos Conhecimentos Sobre

Algumas Variáveis, Objeto de Estudo da Psicometria

§1. Estudo do Pensamento e da Sua Evolução §2. A Medida da Inteligência §3. As Habilidades Mentais Primárias

§4. O Estudo da Memória §5. A atenção

CAPÍTULO 4: Os Métodos de Estudo da Personalidade

§1. Que É “Personalidade”? §2. Classificação dos Métodos de Estudo da Personalidade §3. Descrição dos Métodos, Processos e Técnicas de Estudo da Personalidade

CAPÍTULO 5: Dimensões e Variáveis da Personalidade

§1. A Psicotropia §2. As Variáveis da Personalidade §3. Estudo das Emoções e da Emotividade

SEGUNDA PARTE

Os Campos de Aplicação da Psicologia

CAPÍTULO 1: O Trabalho Humano

§1. A Adaptação do Homem ao Trabalho pela Orientação e Seleção Profissional §2. A Adaptação do Trabalho ao Homem §3. Relações Humanas no Trabalho e Diagnóstico da Personalidade §4. O Estudo das Profissões Objetivos do estudo das profissões Conceituação das atividades profissionais Análise da atividade profissional Metodologia da análise profissional

CAPÍTULO 2: A Educação

Psicologia Aplicada e Educação

§1. O Controle da Eficiência da Escolaridade §2. O Estudo da Leitura §3. Técnicas de Síntese e Aconselhamento em Orientação Educacional

Objetivos da síntese e do aconselhamento§4. Resolução de Problemas de Educação para os Pais e Professores §5. Homogeneização de Turmas §6. A Aprendizagem

CAPÍTULO 3: A Medicina Psiquiátrica e Neurológica

Psicologia Aplicada e Medicina

CAPÍTULO 4: Outros Campos de Aplicação da Psicologia

§1. O Matrimônio §2. A Justiça e a Polícia §3. O Exército §4. A Propaganda §5. A Sondagem da Opinião Pública §6. A Tipografia

TERCEIRA PARTE

O psicólogo

§1. Os Especialistas em Psicologia Aplicada §2. A Formação dos Psicólogos §3. A Ética Profissional em Psicologia Aplicada

CONCLUSÃO

A Psicologia Aplicada Frente ao Mundo Moderno

Bibliografia

INTRODUÇÃO:A Unidade da Psicologia e seus fundamentos científicos

§ 1. Definição de Psicologia A Psicologia, etimologicamente, seria a ciência da alma; o termo provém de

duas raízes gregas: PSIKE = alma e LOGOS = Descrição ou ciência.

Assim, desde o século XVI, ciência e alma foram combinadas numa só palavra,

deixando perceber e entrever a possibilidade de um estudo científico da alma.

Com a evolução das ciências experimentais e sob a influência de Fechner,

Weber, Watson, Binet, Piéron, James, Claparède e outros, o termo alma, por ser

impregnado de noções de Filosofia metafísica, foi substituído pelas palavras

comportamento ou conduta, mais adequadas a Aplicação dos processos de

investigação científica.

São esses processos que iremos descrever, mostrando, com exemplos

concretos, a possibilidade da sua Aplicação em Psicologia.

§ 2.As Ciências Experimentais e a Psicologia O objetivo das ciências experimentais é estabelecer fatos e descobrir leis. A Psicologia Experimental determinou fatos e descobriu leis no domínio, por

exemplo, da percepção ou da aprendizagem. É um fato que a figura sobrepõe-se ao

fundo na percepção das formas ou que o adulto é capaz de memorizar, por repetição

imediata, 6 a 7 algarismos, em média.

No processo experimental distinguem-se as seguintes fases:

1a) Observação simples ou provocada. 2a) Formação de uma hipótese. 3a) Verificação da hipótese. 4a) Elaboração da lei ou CONCLUSÃO quanto ao fato.

Em Psicologia Experimental costuma-se passar por todas essas etapas.

A criação do teste ABC por Lourenço Filho constitui um exemplo bem ilustrativo:

1 ETAPA: Observação. – O prof. Lourenço Filho observou que algumas crianças com nível mental elevado não conseguiam aprender a ler e a escrever, enquanto que outras

com nível mental baixo eram facilmente alfabetizadas.

Observou também que os testes de nível mental não classificavam bem os alunos

do primeiro ano.

2. ETAPA:Hipótese. — Surgiu então a seguinte hipótese: a Aprendizagem da leitura e da

escrita constitui um ou vários fatores específicos da maturidade, relativamente

independentes do nível mental.

3. ETAPA: Verificação da hipótese. — Começou então a pesquisa propriamente dita: com a colaboração de vários estudiosos aplicou o que é hoje chamado de teste ABC a

milhares de analfabetos e crianças de todas as idades.

4a ETAPA: Elaboração da lei ou conclusão quanto ao fato.

Mostrou, por vários processos, que havia relativa independência entre nível

mental e maturidade para alfabetização, além de firmar o valor diagnóstico e

prognóstico do referido teste.

Além do processo comum a todas as ciências experimentais, convém lembrar

certas regras a serem seguidas nas observações durante as experiências.

Erros devem ser evitados, podendo provir:

1) Do observador. Os erros provenientes dos observadores são muito freqüentes em Psicologia Experimental; por isso, o psicólogo deve ser submetido a treinamento demorado e rigoroso; quando o coeficiente pessoal do erro é muito grande, convém colocar vários observadores.

A presença física do observador às vezes prejudica (caso de animais e crianças); neste caso, são recomendáveis sistemas de isolamento ou postos de Observação (Gesell).

2) Dos instrumentos. A construção dos instrumentos requer, em Psicologia Experimental, cuidado especial.

Por exemplo um teste foi construído por Piéron para medir a atenção consistia em riscar determinados sinais numa folha onde era impressa uma centena delas. Após algum tempo, foi necessário aumentar o tamanho dos

sinais, pois se verificou que, em muitos casos, se estava medindo a acuidade visual e não atenção.

3) Da complexidade dos fatos. Um exemplo tomado na Psicologia comparativa das raças ilustrará este parágrafo.

Em numerosos estudos, os pesquisadores encontraram médias Inferiores nos

testes de inteligência aplicados aos pretos, e alguns concluíram pela inferioridade

intelectual dos pretos; há, porém, muitos fatores que podem explicar a inferioridade dos

resultados; entre este s, podemos citar: a natureza verbal dos testes utilizados, a qual

beneficia os brancos, cujo nível cultural é maior; ou então o nível econômico, em

conseqüência do qual há alimentação pior entre os grupos de pretos.

As ciências experimentais puderam desenvolver-se graças à crença em vários

princípios fundamentais, os quais iremos enunciar a seguir:

1º) O PRINCÍPIO DA CAUSALIDADE

Tudo tem uma causa e, nas mesmas condições, a mesma causa

produz o mesmo efeito.

Exemplo: procurando conhecer o nível mental médio dos adolescentes comerciários, em várias regiões do país, encontramos 05 seguintes resultados:

MÉDIA Porto Alegre .....................................35,94 São Paulo .........................................34,48 Rio de Janeiro ..................................34,51

Como se pode constatar, os resultados são praticamente os mesmos, isso

porque as mesmas causas, em condições idênticas (natureza do teste, instruções,

técnicas de correção, treinamento dos pesquisadores e tipo de população), provocaram os mesmos efeitos.

O princípio da causalidade tem como correlato o princípio do determinismo, que diz:

Não há exceções nas leis. Não há fatos que não sejam regidos

por leis.

Quando há uma mistura muito grande de causas e as leis não podem mais ser

encontradas pelos métodos científicos clássicos, estabelecem-se leis estatísticas, baseadas em grande número de observações, e fundamentadas em médias e

correlações entre variáveis.

As leis estatísticas estão baseadas na crença da continuidade dos fenômenos

naturais e estabelecidas graças ao cálculo das probabilidades.

2º) A PSICOLOGIA EXPERIMENTAL

A Evolução da Psicologia demonstrou que é possível aplicar-lhe todos os

processos das ciências físicas, embora o seu objeto seja diferente, pois a Psicologia

Experimental estuda a conduta animal e humana.

Iniciada em torno de 1860, pelo estudo das sensações e da percepção, ela se

estende hoje a todo o domínio da personalidade.

Existem dois conceitos da Psicologia Experimental:

Um conceito restrito, utilizado por motivos predominantemente didáticos, por R.

S. Woodworth; para esse autor, a Psicologia é experimental unicamente no caso de o

experimentador exercer um controle da situação experimental, com as seguintes

condições:

1º) Poder-se repetir as experiências por outra pessoa.

2º) Utilizar-se de uma ou várias variáveis independentes ou fatores de experimentação para observar a sua ação sobre a variável dependente. Por exemplo: ação do barulho (variável independente) sobre o trabalho mental (variável dependente).

Experimentar consiste, sobretudo, em manter fixas todas as variáveis

independentes, menos uma, procurando conhecer os efeitos da mudança da variável

independente sobre a variável dependente.

A Psicologia Experimental se diferencia assim, como mostra Andrews e

também Woodworth:

1º) Da Psicologia Diferencial, cujo objetivo é estudar, para cada variável, as diferenças individuais, utilizando para isso o método estatístico e o cálculo das probabilidades.

2º) Da Psicologia Clínica, cujo objetivo é estudar o indivíduo e procurar explicar a conduta de cada um em função da sua história pessoal (Psicanálise) e pela observação da sua reação global a determinadas situações reais ou provocadas.

Enquanto que a Psicologia Experimental e a Psicologia Diferencial visam a fins

teóricos e gerais, a Psicologia Clínica é caracterizada antes de tudo pela investigação

tão completa quanto possível de casos individuais e concretos.

Como mostra Lagache, a objetividade e a subjetividade, o rigor e a flexibilidade,

o espírito científico e o literário, o naturalismo e o humanismo, São oposições apenas

aparentes entre a Psicologia Experimental e a Psicologia Clínica, e na realidade já

superadas, em beneficio de uma Psicologia unificada eminentemente científica e

impregnada de espírito Experimental, no sentido tão bem descrito e analisado por

Claude Bernard, e que definimos mais acima.

§ 3. Definição da Psicologia Aplicada

A designação “Psicologia Aplicada” foi adotada pelo XI Congresso Internacional

de Psicotécnica, em Paris, para substituir a palavra Psicotécnica, de sentido

controvertido.

Com efeito, a “Psicotécnica” não é nada mais que a Aplicação dos métodos,

processos e técnicas da Psicologia científica à resolução dos problemas humanos.

A Psicologia Aplicada utiliza-se dos seguintes ramos da Psicologia científica:

a) A Psicologia Diferencial ou o estudo das diferenças entre os indivíduos e entre os grupos.

b) A Psicologia Experimental ou o estudo em laboratório dos fenômenos psíquicos, com utilização dos métodos de controle rigoroso, tal como se faz nas ciências físicas.

c) A Psicologia Fisiológica ou o estudo das relações entre o comportamento e as características somáticas e nervosas.

d) A Psicometria ou o estudo das funções mentais por meio de testes. e) A Psicologia Social ou o estudo das interações e relações psicológicas

entre os indivíduos e os grupos, assim como dos indivíduos entre si. f) A Psicologia Genética (ou evolutiva) ou o estudo do desenvolvimento das

funções mentais e do comportamento, do embrião até a velhice.

g) A Psicologia Psicanalítica ou o estudo das origens e motivos do comportamento.

§ 4.Objetivos da Psicologia Aplicada

A Psicologia Aplicada tem as seguintes finalidades:

a) Na Indústria e no Comércio, é utilizada para assegurar o aumento da produção pela Adaptação do homem ao Trabalho e do trabalho ao homem. Neste caso, aparece às vezes sob o nome de Psicologia Industrial, Psicologia do Trabalho ou ainda Tecnopsicologia.

b) Na Orientação profissional dos adolescentes e nos Conselhos profissionais dados aos adultos. Muitos confundem Psicologia Aplicada com orientação profissional; convém esclarecer que a orientação profissional não é sinônimo de Psicologia Aplicada; mas a Psicologia Aplicada é um ramo da orientação profissional.

c) Na Pedagogia, onde permite não somente tornar mais objetivos os exames escolares e seguir os progressos da aprendizagem, como a meteorologia segue as variações da temperatura, mas, também, propicia aos educadores a possibilidade de orientar os alunos em função das suas aptidões, e diagnosticar e resolver os casos-problema. A Psicologia aplicada à Educação torna às vezes o nome de Psicologia Educacional ou ainda Psicopedagogia.

d) Na Medicina, a Psicologia aplicada auxilia o diagnóstico das doenças mentais em Psiquiatria e das doenças do sistema nervoso em Neurologia.

e) Na Psicoterapia e na Psicanálise, quer dizer, no reajustamento dos indivíduos por meios psicológicos e pedagógicos, a Psicologia Aplicada colabora no levantamento das causas de desajustes e dá ao psicoterapeuta elementos objetivos para seguir os processos de readaptação.

A Psicologia Aplicada à Medicina e à Psicoterapia, pode denominar-se Psicologia Clínica.

f) Nos conselhos matrimoniais, permite estudar as diferenças existentes entre os futuros cônjuges, prevenir incompatibilidades irreversíveis e reajustar casais infelizes.

g) Na Justiça e na Polícia, é possível, hoje, não somente ajudar os juizes na pesquisa dos suspeitos, mas ainda efetuar, através da Psicologia Aplicada, estudo aprofundado dos delinqüentes, assim como esclarecer dúvidas quanto à idoneidade das testemunhas.

h) No Exército, além das vantagens enunciadas para a Indústria e Comércio, o psicólogo estuda objetivamente o moral das tropas e a psicologia do comando.

i) Na Publicidade. O estudo objetivo da influência da publicidade sobre os

indivíduos e os grupos possibilita indicar aos publicistas quais os processos mais adequados.

j) Na sondagem da opinião pública, é considerada como uma das aplicações mais demonstrativas do valor da Psicologia Aplicada, pois constitui um grande apoio para a vida política, econômica e pública de um país.

i) Nas Artes. A Psicologia Aplicada estuda as reações dos indivíduos às diferentes produções artísticas, além de diagnosticar as aptidões e tendências de qualquer pessoa.

m) Na segurança dos transportes. Como veremos mais adiante, a Psicologia aplicada permite diminuir o coeficiente dos desastres, não somente pela seleção dos automobilistas ou dos aviadores, mas ainda pelo estudo dos sistemas de sinalização e de educação do público.

n) Nas Relações Humanas e nas Relações Internacionais, como foi exposto em nossos livros Relações Humanas na Família e no Trabalho, A Criança, O Lar e a Escola, e Dinâmica de Grupo e Desenvolvimento em Relações Humanas.

PRIMEIRA PARTE

Métodos e Processos da Psicologia Aplicada

CAPÍTULO 1: O Método Estatístico

§ 1. Estatística e Psicologia Aplicada

A estatística é, na Psicologia Aplicada, um dos instrumentos essenciais, seja na

elaboração de um teste, seja na sondagem de opinião pública ou na procura das

causas dos desastres do trânsito. A estatística nos fornece normas matemáticas para

saber qual a probabilidade de erro ou de acerto, nas hipóteses que se tiram da

observação dos fenômenos ou da experimentação.

Na Psicologia Aplicada, trabalha-se, sobretudo, com grupos ou ainda

populações, os quais podem constituir-se de alunos, de motoristas, de operários, de

peças fabricadas, de provas, etc. Maior a população, maior a precisão da estatística. Na

prática é, porém, difícil trabalhar com números muito grandes; por isso, costuma-se

escolher, ao acaso, certo número de indivíduos, de modo a ter o que se chama uma

amostra representativa da população estudada.

A cada elemento da população se dá um número, o qual pode ser uma nota,

um número de ordem de uma classificação ou qualquer outro valor de uma variável x.

Cada valor da variável aparece com uma certa freqüência.

§ 2.Apresentação das Observações A Apresentação dos dados pode ser feita sob a forma numérica ou sob a forma

de gráfico.

Eis, por exemplo (tabela A), a forma de Apresentação numérica das freqüências

encontradas em um teste de inteligência (teste “INV”) organizado por nós e aplicado a

um grupo de comerciários adolescentes de São Paulo pela nossa aluna Fanny Vinicki e

suas colaboradoras.

T A B E L A “ A ”

PONTOSFREQUÊNCIA (f)SOMA DAS FREQÜÊNCIAS OU N0 DE ORDEM

De 10 a 12 0 0 13al5 2 2 16al8 5 7

19a21 10 17 22a24 13 30 25a27 26 56 28a30 50 106 81a33 51 157 34a36 58 215 37a39 39 254 40a42 35 289 43a45 27 316 46a48 27 343 49a51 9 352 52a54 3 355 55a57 0

N°. 355

Colocando os mesmos dados sob a forma de gráfico, obteremos a curva da

figura 1; na abscissa, colocamos o número de pontos (Pt); na ordenada, a freqüência (f)

dos casos para cada ponto.

Esta curva é chamada curva de Gauss e tem, em geral, a forma de um sino. A

curva de Gauss encontra-se em toda a Biologia: para o peso, a altura, o perímetro

torácico, etc.

As pesquisas da Psicometria mostram que o mesmo se passa com as funções

mentais.

Acontece, às vezes, que não se encontra a forma de sino na distribuição das

freqüências. Na figura 2, temos diferentes tipos de curvas que, quando encontradas na

Aplicação de um teste, por exemplo, significam que alguma coisa veio perturbar as

experiências ou Observações.

No caso de um teste, a curva A mostra que a prova é fácil demais para a

população estudada, pois quase todos responderam a todas as perguntas. A curva B

mostra o caso contrário. As curvas C e D se encontram quando a população não é

homogênea: por exemplo, mistura de crianças de cinco a doze anos num mesmo

grupo, ou, ainda, de intelectuais e serventes.

Fig. 1 – Curva de Gauss obtida com o teste não verbal

de inteligência (INV), em São Paulo.

Outra maneira de se representar uma distribuição de freqüência é a seguinte:

coloca-se na abscissa a variável (no nosso exemplo o número de pontos), e, na

ordenada, a ordem de classificação correspondente a cada ponto. Construímos assim a

chamada curva de Galton. Esta nos permite obter uma vista geral comparativa dos

resultados em diferentes grupos. Na figura 3, representamos as curvas de Galton

encontradas por Aurea Schechtmann e Eva Nick, com o nosso teste de inteligência não

verbal, em 300 crianças do Rio de Janeiro, com idades de 7, 8 e 9 anos; como se pode

observar, há diferenças entre cada grupo.

Fig. 2

Na abscissa do gráfico 3, temos as freqüências acumuladas (SF) das cem

crianças de cada idade. Na ordenada, o número de pontos.

Fig. 3 — Curvas de Galton, obtiđas com o teste não verbal de inteligência, em crianças de 7, 8 e 9 anos, do Rio de Janeiro.

§ 3. Características das Observações Os gráficos nos dão uma vista global das observações; a estatística apresenta

a vantagem de reduzir o conjunto de números ou os gráficos a alguns índices

chamados parâmetros ou características. Há dois tipos de parâmetros: os de tendência

central e os de dispersão.

1º) Os parâmetros de tendência central têm por objetivo fixar a posição das

observações. Os principais parâmetros são:

a) A MÉDIA ARITMÉTICA

A média aritmética é calculada utilizando-se a seguinte fórmula:

No caso de haver um grande número de observações, multiplica-se cada valor

M= Média Sx =soma dos valores da variável N = o número de observações. N

SxM =

de x pela freqüência correspondente; a fórmula de cálculo da média ficará, neste caso:

Existem processos de simplificação dos cálculos. Os interessados poderão

consultar um dos tratados de estatística indicados na bibliografia.

b) A MEDIANA A mediana é o valor da variável correspondente a um ponto da distribuição de

freqüência, situado de modo a ter igual número de casos acima e abaixo da

distribuição. O mediano tem a vantagem de não ser influenciado pelos valores

extremos.

c) A MODAA moda é o valor da variável correspondente a ponto de maior freqüência.

Numa distribuição de freqüência ideal, a moda, a mediana e a média são

confundidos. Cálculos especiais permitem transformar uma distribuição imperfeita, em

razão do pequeno número de observações, em uma distribuição normal.

2°) Os parâmetros de dispersão

a) O DESVIO-PADRÃO

Sendo a média o parâmetro de tendência central mais utilizado, seria normal

que os parâmetros de dispersão tivessem como ponto de partida a média. O desvio-

padrão (D.P.) é a raiz quadrada da média dos quadrados dos desvios da média

aritmética, como mostra a fórmula:

O desvio-padrão é útil na determinação dos pontos da distribuição de

freqüência, além dos quais os dados fogem da norma estatística; fora disto, o D.P. é

muito útil na comparação de diferentes grupos entre si.

Sx =soma dos valores da variável F =freqüência X = valor da variável N = o número de observações.

== N

SfxM

N SdPD

2

. = S= soma d = desvios da média N= número de observações

b) OS PERCENTIS Um meio muito cômodo de determinar a posição dos diferentes valores da

variável é dividir o campo das variabilidades por cem. É o que se chama a

percentilagem. Para percentilar uma distribuição, pode-se proceder de duas maneiras:

a primeira, dividindo-se a abscissa da curva de Galton em cem partes iguais; a cada

percentil corresponde um valor da variável (ver fig. 3). Outra maneira de calcular os

percentis é a utilização da seguinte fórmula:

A mediana corresponde ao percentil 50.

c) OS QUARTIS

Os quartis são encontrados por meio de uma divisão mais grosseira da

distribuição, em quatro partes iguais; correspondem eles aos intervalos situados entre

os percentis 0, 25, 50, 75 e 100.

§ 4. Erros de Amostra

Como vimos no início, em Psicologia Aplicada se trabalha em geral com

amostras do grupo total a estudar; é indispensável saber que confiança se pode ter nos

resultados, qual a probabilidade para que o resultado obtido não tenha sido devido ao

acaso, para que o valor representativo da amostra seja testemunha fiel do grupo total.

Com essa finalidade, calcula-se o erro-padrão E.

Na qual: r = ordem de classificação ou freqüências acumuladas Sf p =o percentil procurado n = o número de observações.

100 11 −+= npr

O erro-padrão da média é calculado pela fórmula:

O erro-padrão do desvio-padrão é:

O erro-padrão de uma freqüência é:

O erro-padrão de uma diferença é:

Para obter os limites de confiança, quer dizer, os valores em mais ou em

menos, além dos quais só há 5% de probabilidade de os números achados estarem

fora desses limites, multiplica-se E por 1,96.

Dito de outra maneira, há 95% de probabilidade de que um valor x esteja nos

limites de mais ou menos 1,96 E. A tabela B dá, para alguns valores de E, a

probabilidade para que E seja maior que o número indicado.

T A B E L A “ B ”

E PROBABILIDADE APROXIMADA

0,6 50 1,0 31% 1,5 13% 2,0 05% 2,5 01%

3. 00,2% 3,5 00,04%

4 00,006%

§ 5. Correlações

Quando existem duas variáveis numa mesma distribuição, é interessante, às

N DPE =

N DPE 2

=

N ffE 1( −=

2 2

2 1 EEE +=

vezes, conhecer o grau de relação existente entre elas. Por exemplo: rapidez e

qualidade da produção dos operários de uma fábrica, resultados de um teste de

inteligência e de memória, notas de português e de matemática, etc.

A figura 4 dá a representação gráfica da correlação entre duas variáveis X e Y.

A estatística permite calcular a correlação entre duas variáveis. Os coeficientes

de correlação indicam se há algo de comum entre uma ou outra variável e qual a

probabilidade de haver correlação.

Há diversos coeficientes de correlação. Eis os principais:

1°) O coeficiente de Spearmann. – O coeficiente de Spearmann é utilizado quando as duas variáveis são números de ordem de uma Classificação, como, por exemplo, a classificação da rapidez e da qualidade dos operários feita pelos mestres, ou ainda, dos alunos, em duas matérias no fim do ano.

A fórmula para calcular o coeficiente de Spearmann é a seguinte:

2°) Coeficiente de correlação de Pearson. — O coeficiente de correlação de Pearson é, atualmente, o mais utilizado e o mais seguro. Permite-nos calcular a correlação entre duas variáveis pela fórmula seguinte:

Boa correlação positiva

Correlação nula Fig. 4

Correlação negativa

( )1 61 2

2

− −=

NN Sdρ

S = soma r = desvio da média da primeira variável y = desvio da média da Segunda variável

22 .SySx xySr =

S = soma r = desvio da média da primeira variável y = desvio da média da Segunda variável DP= desvio-padrão

Os coeficientes de correlação podem ter valores que variam de – 1 a + 1. Um

coeficiente negativo significa que as duas variáveis têm tendência a se excluir uma da

outra; coeficiente positivo significa, pelo contrário, que as duas variáveis têm tendência

a representar a mesma coisa. Eis uma tabela que permite, por simples leitura, entender

o significado de cada valor dos coeficientes de correlação, traduzidos em percentagens

de êxito de predição certa:

T A B E L A C

R % de Êxito R % de Êxito 0,00 50% 0,.55 58%

05 50 60 60 10 50 65 63 15 50 70 66 20 51 75 69 25 51 80 74 30 52 85 80 35 53 90 89 40 54 95 97 45 55 100 100

Como se vê, a probabilidade de acertar um coeficiente de correlação aumenta à

medida que cresce o valor do coeficiente. Convém saber se o coeficiente de correlação

é estatisticamente significativo. Para isto, calcula-se o erro provável do coeficiente pela

seguinte fórmula :

Para poder confiar no coeficiente r, é preciso que ele seja maior três vezes que

o valor do erro provável. Além disto, só quando r está acima de 0,80, pode-se afirmar

que, pelo conhecimento do valor de uma variável, é possível prever o valor da outra. No

caso de um teste, por exemplo, se o coeficiente for superior a 0,80 e superior a três

vezes o erro provável, pode-se afirmar que um pode substituir o outro, pois os dois

medem a mesma coisa.

3°) Coeficiente de correlação bisserial. – O coeficiente de correlação bisserial é utilizado quando se conhecem todos os valores pertencentes a duas categorias: certo ou errado, superior ou inferior.

n rrE p

216745,0 −=⋅

É o caso, por exemplo, quando um psicólogo de uma indústria quer calcular a

correlação existente entre os resultados de um teste manual e a classificação dos

operários em bons ou maus; ou, ainda, de um psicólogo que quer conhecer a

correlação entre os acertos de cada pergunta de um teste de inteligência e o total do

teste. A fórmula do coeficiente é:

Existem tabelas especiais (Faverge) que dão para cada valor de p e q o valor

de pq e da sua raiz quadrada, a qual é necessária na seguinte fórmula do erro de r bis:

4°) Coeficiente tetracórico. – Quando as duas variáveis são dicotomizadas,

quer dizer, reduzidas a duas classes, o r bis não pode ser mais utilizado. Assim sendo, é empregado o “coeficiente tetracórico”. O coeficiente é calculado utilizando-se ábacos especiais.

5°) Outros coeficientes. – Existem outros coeficientes de correlação, como o de associação, de Yule, ou o de percentagem de acordos, os quais pretendem substituir o coeficiente tetracórico. Infelizmente, têm defeitos sérios que desaconselham o seu emprego.

O coeficiente eneacórico, de Coumetou, é utilizado para calcular a correlação

entre duas variáveis, cujos valores estão repartidos em três categorias: média, forte e

fraca. Uma tabela de conversão possibilita traduzi-los, após cálculos, em coeficientes

de Pearson. O coeficiente de Coumetou vale somente no caso de serem as três

categorias distribuídas da seguinte forma :

Superior .............................................. 25% doscasosMédia .................................................. 50% doscasos Inferior................................................. 25% dos casos

M’ = média dos valores de x para os elementos da classe superior M” = média dos valores de x para os elementos da classe inferior p = proporção de elementos de uma classe q = proporção de elementos de outra classe z = valor de ordenada da curva normal correspondente DP = desvio-padrão.

= −

= z

pqX PD mmbisr .. "'

N z

rpq

E

2−

=

A fórmula do coeficiente é a seguinte:

A = número de casos Inferiores nas duas séries P = número de caso e médios na série 1 e superiores na série 2. C = número de casos superiores nas duas séries. J = número de casos superiores na série 1 e médios na série 2. B = número de casos superiores na série 1 e inferiores na série 2. H = número de casos médios na série 1 e inferiores na série 2. D = número de casos inferiores na série 1 e superiores na série 2. E = número de casos inferiores na série 1 e médios na série 2. T = número de casos médios nas duas séries.

Eis a tabela de tradução dos Y em r de Pearson:

T A B E L A “ D ”

Y .0 .1 .2 .3 .4 .000 .00 .26 .51 .72 .89 .005 .01 .28 .52 .73 .90 .010 .03 .29 .53 .74 .91 .015 .04 .30 .54 .75 .92 .020 .05 .31 .55 .76 .92 .025 .07 .33 .56 .76 .93 .030 .08 .34 .57 .77 .93 .035 .09 .35 .58 .78 .94 .040 .11 .36 .59 .79 .95 .045 .12 .38 .60 .80 .95 .050 .13 .39 .61 .81 .96 .055 .15 .40 .63 .82 .96 .055 .15 .40 .63 .82 .96 .060 .16 .41 .64 .83 .97 .065 .17 .42 65 .83 .97 .070 .19 .44 .66 .84 .98 .075 .20 .45 .67 .85 .98 .080 .21 .46 .68 .86 .99 .085 .23 .47 .69 .87 .99 .090 .24 .48 .70 .88 .99 .095 .25 .49 .71 .88 .99

§ 6. Provas de Significação da Diferença Entre Duas Medidas

O fato de haver diferença entre dois resultados, como por exemplo entre a

média de dois testes ou ainda entre duas percentagens, não quer dizer, ainda, que se

( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( )BHDTCFATDEATBJCT

BADCY +++++++++++

+−+ =

4321

pode confiar nestes resultados; é indispensável saber se essas diferenças não são

devidas à influência do acaso.

Para saber se a diferença entre duas medidas é significativa, procede-se da

seguinte forma: calcula-se a diferença entre as duas medidas x e x e divide-se pelo

erro-padrão da diferença.

A fórmula da significação da diferença entre duas medidas é a seguinte:

Quando o coeficiente obtido superar o valor três, é praticamente impossível que

a diferença achada seja devida ao acaso, pois seria maior que três vezes o seu erro-

padrão.

Para calcular a significação da diferença entre duas freqüências ou

percentagens, calcula-se o X2 com a seguinte fórmula:

Esta fórmula só pode ser utilizada no caso de as freqüências ou percentagens

terem sido tiradas de um mesmo grupo; por exemplo, no caso de comparar a

percentagem de acertos em duas perguntas de uma prova escolar.

ÊxitosFracassosF1 F2

FracassosPergunta II

Êxitos F3 F4 f = número de casos

P E R G U N T A I

.. .,

.. "..

'

difE difaindaou

difE xxdifSign −=

( )[ ]2

14

142 1 ff

ffZ + −−

=

Quando se quer calcular a significação da diferença entre as freqüências e

percentagens de duas amostras independentes, é necessário aplicar a seguinte

fórmula:

Eis os valores de para amostras dependentes e independentes, com a sua

significação correspondente:

SIGNIFICATIVO ALTAMENTE SIGNIFICATIVO

P (.05) P (.01) X2=3,846,64

Um igual a esses valores permite afirmar que as diferenças são significativas

com 5% ou 1% de probabilidade de errar.

( ) ( ) ( ) ( ) 4

'

2 4

' 4

3 '

2 3 '

3

2 '

2 2

' 2

'

2' 12

1 1

n nn

n nn

n nn

n nnZ −+−+−+−=

( )( ) ( )( ) N

nnnnn N

nnnnn 13433'31211' ++

= ++

=

( )( ) ( )( ) N

nnnnn N

nnnnn 24344'421 2

2 ' ++=

++ =

4321 nnnnN +++=

CAPÍTULO 2: A Psicometria

§ 1. Psicometria e Psicologia Aplicada Baseada na Estatística, a Psicometria é o conjunto dos métodos de medida em

Psicologia Experimental e Aplicada. Como veremos, a Psicometria tem numerosos

campos de aplicação, mais particularmente na determinação das aptidões em seleção e

Orientação Profissional, em Psicologia Aplicada à Psiquiatria e nos exames escolares.

O instrumento essencial da Psicometria é o teste.

§ 2. Que É Um “Teste”? A palavra teste foi utilizada pela primeira vez em 1890, por Cattell, para

designar uma prova organizada de maneira científica, e não a priori.

A Associação Internacional de Psicotécnica definiu o teste da seguinte forma:

É uma prova definida, consistindo em se desincumbir de uma tarefa, idêntica para todos os indivíduos examinados, com técnica minuciosa para avaliação do êxito ou dos fracassos, ou, ainda, para notação numérica do sucesso. A tarefa pode implicar conhecimentos adquiridos (teste pedagógico) ou funções sensório-motoras, ou mentais (teste psicológico).

Como se vê, um teste tem de obedecer a certas regras, a certas normas, na

sua elaboração. Numerosos professores e o público em geral pensam que, juntar

algumas perguntas de história e geografia ou de raciocínio basta para construir um

teste; confundem teste e simples prova; vamos, a seguir, pela enumeração e descrição

das condições de elaboração e organização de um teste, fazer sentir as diferenças

existentes entre um teste e uma simples prova.

§ 3. Condições Para Aplicação e Elaboração de Um Teste

A Aplicação e elaboração de qualquer teste requerem certo número de

condições experimentais, sem as quais se arriscam sérios reveses. Além das

precauções a tomar na sua aplicação, um teste precisa ter um sistema de notação

racionalizado, ser sensível, escalonado, fidedigno, válido, e, tanto quanto possível, ter

sido submetido à análise estatística dos itens.

São três os fatores a considerar na aplicação de qualquer teste, tanto como fim

de experimentação, quanto como fim prático. Esses fatores: o examinador, o ambiente

de exame e o examinando.

a) O EXAMINADOR. O examinador deve seguir, rigorosamente, as

instruções de aplicação do teste de tal maneira que as condições de aplicação sejam as

mesmas para todos.

O examinador deve ser uma pessoa calma, controlada nas suas reações,

inspirando confiança. Deve-se evitar que seja, por exemplo, um mestre a quem o

examinando teme ou aborrece. O teste pode ser muito influenciado pela relação

psíquica entre o examinando e o examinador.

É necessário lembrar que o aplicador a quem os examinandos temem, ou

aquele que não levam a sério, não está apto para nenhum trabalho psicopedagógico ou

psicométrico.

Além disso, nunca será demasiado advertir aos examinadores – disse Stern –

que o teste é apenas um meio para se encontrar um objetivo, e esse objetivo é

conhecer a personalidade. Com ele, procura-se compensar nossa deficiente

capacidade de observação. Daí ser preferível “um mau teste em mãos de um bom

examinador, a um bom teste em mãos de um mau examinador”.

b) O AMBIENTE DE EXAME. Só se deve aplicar um teste num ambiente

tranqüilo, isolado, onde não haja ruído e onde não possam ocorrer fatos que afastem a

atenção do examinando. Antes de iniciar o trabalho, deve-se verificar se existe algum

fator externo que possa influir no seu resultado.

O teste deve ser realizado, sempre que possível, a sós com o examinando, e de

maneira nenhuma em presença dos pais, parentes, médicos de família, etc. Quando

houver uma terceira pessoa – por exemplo, para aprendizagem da Aplicação do teste –

dar uma satisfação ao examinando, dizendo-lhe: Esta é uma pessoa que também vai

aprender o que fazemos aqui. Você não se importa? Caso o candidato demonstre má

vontade, a terceira pessoa não deverá assistir ao teste.

c) O EXAMINAND0. Só se começa a aplicação de um teste quando o

examinando está tranqüilo, confiante, em estado psíquico normal, encarando com

serenidade as explicações do examinador.

É de grande importância que o examinando realize o teste com naturalidade,

espontaneamente e jamais obrigado. Deve-se primeiro ganhar a sua confiança,

conduzindo-o, naturalmente, a interessar-se pela prova; explicar-lhe de maneira

discreta como se realiza um teste psicológico, mediante o qual se pode verificar, por

exemplo, até onde vai a sua capacidade de observação.

Una das condições de bom rendimento é a aceitação da pesquisa pelo

examinando, revelando-se como parte interessada.

Deve-se estimulá-lo nos exemplos (quando houver) ou ao notar dificuldade de

compreensão.

Nas provas coletivas, tais condições deverão ser convenientemente adaptadas.

Sistemas de notação – Os sistemas de notação dependem, evidentemente, do tipo de teste utilizado. Mas, em geral, podemos distinguir os seguintes tipos de notação,

evitando em todos qualquer participação subjetiva, qualquer opinião por parte de quem

anota ou corrige:

a) Nos testes organizados sob a forma de respostas a dar a determinadas perguntas, a correção se faz anotando-se os acertos; segue-se para isso uma lista-padrão das respostas certas e faz-se a contagem do número de acertos.

Eis, por exemplo, uma pergunta de um teste pedagógico:

Exemplo 1. Quem proclamou a Independência do Brasil? Resposta ............................................................................................................................

b) Existem outros testes, nos quais se pede ao examinando para responder se as afirmações contidas neles são certas ou erradas.

O exemplo precedente será, neste caso, apresentado da seguinte forma:

Exemplo 2. Pedro Álvares Cabral proclamou a Independência doBrasilCerto

Errado

c) Os testes ditos de escolha-múltipla permitem escolher a resposta certa entre várias respostas erradas.

O nosso exemplo precedente ficará constituído da seguinte forma:

Exemplo 3. Quem proclamou a Independência do Brasil foi:

( ) Pedro Álvares Cabral ( ) D. João VI ( ) O Príncipe Regente D. Pedro ( ) D. Pedro de Alcântara ( ) José Bonifácio.

Em Psicometria, prefere-se a Apresentação das respostas sob forma de

“múltipla-escolha”, isso porque a experiência mostrou que os outros tipos estão sujeitos

a sérios inconvenientes. No exemplo 1, a resposta “Pedro” poder deixar o examinador

em dúvida, pois o examinando pode ter pensado em Pedro I, Pedro II, Pedro Cabral ou

Pedro de Alcântara. No segundo exemplo, o examinador nunca saberá se o

examinando respondeu escolhendo ao acaso a resposta certa; no tipo certo-errado, o

examinando tem uma probabilidade sobre duas de acertar. A questão do tipo “escolha-

múltipla” elimina esses inconvenientes, pois a resposta certa é uma só, e o fato de ter

de escolher entre cinco ou seis perguntas elimina, completamente, as influências do

acaso.

Outros valores numéricos são obtidos por meio de aparelhos especiais. O

tempo que levou cada indivíduo para executar uma determinada tarefa é medido por

um cronômetro; existem cronoscópios para medir os tempos de reação de um indivíduo

em centésimos de segundo; nos testes de habilidade manual, registradores especiais

fazem a contagem dos erros cometidos.

Há, porém, certos tipos de testes para os quais é mais adequado fazer

anotação numérica: como, por exemplo, avaliar uma redação. As professoras Helena

Antipoff, de Minas Gerais, e Eloah Brandt Ribeiro, do Rio Grande do Sul, mostraram

que isso é possível (número de idéias representadas durante um certo tempo sobre um

teste idêntico para todos, tipo de exposição objetivo ou subjetivo, número de palavras

utilizadas, etc). F. Goodenough mostrou a possibilidade de avaliar a riqueza do

desenho de um boneco pela contagem do número de elementos representados. Rey

aplicou esse princípio na reprodução de uma figura complexa, além de chegar a uma

tipologia da reprodução.

Quando a apreciação de uma prova só pode ser qualitativa, utiliza-se o método

chamado dos juizes: pede-se a um determinado número de pessoas para dar uma nota.

É indispensável, neste caso, que o número de juizes seja muito grande, o que na

prática, dificilmente é realizável; felizmente, é muito raro que uma prova escape à

possibilidade de anotação objetiva e o caso se limite, em geral, aos aspectos estéticos.

Sensibilidade e escalonamento – Diz-se que um teste é sensível, quando discrimina bem os indivíduos entre si; para isso, é preciso que o número de perguntas

seja bastante grande. Pode-se proceder a um escalonamento, construindo um barema

que permita situar qualquer indivíduo em relação à média do seu grupo ou dentro da

distribuição de freqüências da população da qual ele faz parte.

É, por isso, indispensável que, na representação gráfica da distribuição das

freqüências, se obtenha uma curva de Gauss. A probabilidade de se obter essa curva é

aumentada quando, na construção de um teste, se toma a precaução seguinte:

Adaptar as perguntas ao grupo, de forma a ter, numa mesma prova, 25% de

perguntas fracas, 50% de perguntas médias e 25 de perguntas fortes,

aproximadamente; o grau de dificuldade de cada pergunta é achado, experimentando-a

em grupo homogêneo de pessoas e calculando a percentagem de acertos em cada

pergunta.

O exemplo 3 da pergunta, Quem proclamou a Independência do Brasil?, teve

as seguintes percentagens de acertos, em experiências que fizemos em colégios

particulares do Rio de Janeiro, no laboratório de Psicologia do SENAC, com a

colaboração do prof. Jacir Maia.

T A B E L A “ E ”

SÉRIE GINASIAL NÚMEROS DE INDIVÍDUOS PERCENTACENS

DE ACERTOS 1°.ano ............... 128 58,59%

2° ano ............... 138 34,78%

3° ano ............... 91 49,45%

4° ano ............... 65 46,15%

A pergunta pode ser considerada como média para as quatro séries ginasiais.

É sempre interessante, como aliás Binet já o recomendava, agrupar as

perguntas de maneira a ter as fáceis no início e as difíceis no fim, para não desanimar

os indivíduos desde o começo do teste.

Temos diferentes maneiras de construir baremas e escalas; a percentilagem

consiste em dividir a ogiva de Galton em cem partes iguais; na decilagem, divide-se a

mesma em dez partes iguais. Pode-se, também, tomar como unidade o desvio-padrão

(D.P.) e procurar, para cada valor da variável, o valor correspondente em frações do

desvio-padrão; é preferível, sobretudo no caso de a curva se aproximar da normal,

transformá-la em curva normal ideal de média zero e de desvio-padrão igual à unidade.

Nessa curva, pode-se procurar o valor em desvio-reduzido, correspondendo a cada

valor da variável x pela transformação:

O tetron é outra unidade de medida preconizada em França e baseada no 1/4

do D.P., e se obtêm pela fórmula:

A medida mais utilizada atualmente é o percentil, calculado preferencialmente a

partir da curva normal reduzida.

Há ainda baremas nos quais se agrupam os valores em cinco, seis ou sete

categorias (J. Maia), calculados a partir da curva de Galton ou da curva normal

reduzida.

Os testes de desenvolvimento mental têm os seus baremas baseados não mais

na curva de Gauss ou de Galton, mas na curva evolutiva dos resultados obtidos em

cada idade, de três a 16 anos, por exemplo. Conhecendo-se a média dos pontos, ou,

ainda, o número de provas acertadas por 75% de indivíduos de cada idade, pode-se

determinar a idade mental de cada indivíduo e o seu quociente intelectual (Q.I.), o qual

se obtêm dividindo a idade mental (I.M.) pela idade real (I.R.), como mostra a seguinte

fórmula :

4 1..PD mxz −=

..PD mxz −=

.. ...

RI MIIQ =

Um Q.I. superior a 1 indica que o indivíduo tem inteligência superior à idade

real; um Q.I. inferior a 1 indica que o indivíduo tem inteligência inferior à idade real ou

cronológica.

Na prática de Psicologia Infantil, é interessante possuir os dois índices: o Q.I.

que situa a criança em relação à Psicologia Evolutiva, o percentil que situa a criança em

relação à média do seu grupo de idade, do ponto de vista da Psicologia Diferencial.

Fidedignidade de um teste — Não é suficiente a um teste ter sido aplicado em condições experimentais rigorosas, nem ser sensível e possuir um sistema objetivo de

anotação. É ainda preciso verificar a sua fidedignidade, o que corresponde a saber se

os resultados são fiéis, se se pode afirmar que os resultados que fornece hoje serão os

mesmos de amanhã ou daqui a um mês ou um ano. Qual a variabilidade de uma

aplicação à outra?1

Para responder a essa pergunta, costuma-se submeter um mesmo grupo de

indivíduos duas vezes ao mesmo teste, com intervalos de um dia a vários anos,

segundo o período de memorização. Calcula-se depois o coeficiente de correlação

entre os resultados das duas aplicações. O índice obtido chama-se a constância do

teste.

É preferível, a fim de evitar a influência da aprendizagem ou de fatores afetivos

na repetição dos testes, calcular o índice de homogeneidade do teste: procura-se a

correlação existente entre duas partes equivalentes do teste aplicado só uma vez. Os

índices de fidedignidade encontrados para os testes de inteligência são, em geral, muito

elevados, variando de 0,70 a 0,95, com intervalos pequenos, de um dia a alguns

meses. A fidedignidade dos testes de inteligência é tão grande como a da medida do

peso e da altura, e decresce com o tempo.

Validade de um teste – A validade de um teste é o seu valor preditivo. Um teste é considerado válido, quando a correlação entre os resultados obtidos com ele e o

que pretendia medir ou prever é elevada.

Por exemplo, um teste de aptidão mecânica só é válido se os resultados 1 Ver também a esse respeito o item 3, Capítulo 1 da 2.a parte.

obtidos por um grupo de mecânicos têm correlação apreciável com uma avaliação

objetiva do valor profissional de cada um; da mesma forma, considera-se um teste de

inteligência como válido se a correlação entre os resultados obtidos nele, com os de

um outro teste já validado, é apreciável. Consideram-se como satisfatórios coeficientes

de correlação de validade a partir de 0,50. É relativamente raro encontrar coeficientes

superiores a 0,80.

Análise dos itens e criação de séries paralelas – Como vimos anteriormente, é possível conhecer o grau de dificuldade de cada item pela percentagem de acertos

em diferentes grupos. Acontece, muitas vezes, que um teste já é demasiadamente

conhecido, e precisamos, por isso, criar séries paralelas substitutivas. Conhecendo o

grau de dificuldade de cada pergunta, é mais fácil criar séries paralelas, por substituição

de cada pergunta antiga do teste por uma nova, equivalente.

Além disso, é bom conhecer a validade de cada item em função do conjunto. O

coeficiente de correlação bisserial permite calcular a validade de cada item em relação

ao total dos pontos do teste.

Análise fatorial de baterias de testes – Desde os tempos de Binet-Simon (criadores do primeiro teste de inteligência), constatou-se que certos testes, que

pretendiam medir a mesma coisa, tinham entre si correlações baixas. Esse fato foi

confirmado pela Orientação profissional e Orientação Escolar dos adolescentes;

revelou-se que os indivíduos de nível mental idêntico tinham melhor êxito em certas

matérias ou ocupações, que em outras; O que deixou supor a existência de outros

fatores intelectuais, além da inteligência geral.

Spearman e Thurstone foram os primeiros a investigar experimentalmente os

diferentes fatores, pela análise estatística das intercorrelações entre diferentes testes;

05 processos utilizados São conhecidos hoje sob o nome de análise fatorial.

Spearman utilizou o método da equação tétrade dada pela fórmula seguinte, na

qual é o coeficiente de correlação entre quatro testes, a, b, c e d, tomados dois a dois:

( ) ( )bdaccdabcdab rrrrt ×−×=

Se t é nulo em todas as combinações, é sinal de que há um fator geral comum

a todos os testes (fator G), e um fator específico a cada um. No caso contrário, existem

só fatores de grupos.

Thurstone usa método de análise fatorial por rotação centróide.

No caso da psicomotricidade, por exemplo, a maioria dos autores chegou à

conclusão de que não existe uma aptidão psicomotora geral e que os testes motores

não têm correlação com os testes de inteligência. Em recente análise de mais de 500

estudos feitos no mundo inteiro, sobre os testes de motricidade, M. de Montmollin

encontrou os seguintes fatores, acabados nos diversos países onde foram feitas

pesquisas sobre o assunto: rapidez, precisão, coordenação dos movimentos, destreza,

agilidade, outros fatores ainda discutidos. Convém notar também a presença, em

muitas provas motoras, de fatores não motores, como o fator espacial, perceptivo e de

“inteligência prática”.

§ 4. Classificação dos Testes

É hoje praticamente impossível reunir em um só capítulo todas as técnicas de

investigação das funções mentais e sensório-motoras.

Muitos autores o fizeram em manuais, dentre os quais recomendados os de:

Baumgarten, Claparède, Violet Conil e Canivet, Fryers e Rappaport.

Vamos aqui apresentar a Classificação geral dos testes, segundo o plano de

Piéron (1948), citando, para tal, as técnicas atualmente mais utilizadas.

I. Testes de inteligência – Aqui, podemos incluir as escalas de: Binet-Simon, Simon, revisão do Binet-Simon, por Terman e Merril; os testes de Gesell, para

pequenas crianças oscubos de Kohs; o “Labirinto” de Porteus; a escala de Grace Arthur; o teste de Gille, experimentado em 100 000 crianças em França; teste “Army

Alpha-Beta” utilizado em 2 000 000 de militares americanos; a escala de Wechsler

Belevue, a de Ballard a de Lahy e a de Bonnardel as “Matrizes Progressivas” de Raven;

o “Chicago Test ot Primary Mental Abilities” de L. L. Thurstone; os testes de Piéron

(França) e de Mira (Barcelona), estes dois últimos constituindo adaptações do teste de

Thurstone. Alguns desses testes nos dão um índice da inteligência sob a forma de

idade mental ou de escala em percentis, sigma, tetron, etc. Outros dão, além do índice

global, os resultados do rendimento dos diferentes aspectos da inteligência, os quais

foram ultimamente isolados pela análise fatorial.

Fig. 5. Teste de avaliação dos pesos (do Catálogo Dufour, Paria)

Certos testes permitem medir um só dos fatores de maneira isolada. Entre

esses, citamos o teste de “inteligência Mecânica” de Léon Walther, os testes de

“Inteligência Prática” (manipuladora) de Declory, (caixas) de Rey; o de Stenquist, de

Minnesota. Convém notar, também, que são muito raros os testes que permitem medir

o fator geral em seu estado puro. Em geral, outros fatores vêm influenciar, ou melhor,

saturar, como dizem os especialistas em análise fatorial, os testes que pretendem medir

a inteligência no seu aspecto sintético. É conhecida, por exemplo, a influência muito

grande do fator verbal no teste Binet-Terman, o que explica, talvez, as diferenças

ecológicas relativamente consideráveis que foram encontradas (cidade e campo,

bairros industriais e zonas residênciais, etc.). As últimas pesquisas realizadas sobre o

teste das “Matrizes Progressivas” mostram certa saturação em fator espacial, além do

fator geral apontado pelo autor; por isso, é mais apreciado na indústria que no comércio

e na administração. O teste que até hoje mostra maior saturação em fator geral parece

ser o “Teste dos Dominós”, preparado por Anstey para o exército inglês e publicado na

França sob o nome de Teste “D-48”.

II. Testes de Memória – As duas escolas de análise fatorial, a de Spearmann ea de Thurstone, estão de acordo sobre a existência de um fator de memória. Piéron

distingue o exame:

a) da rapidez de aquisição (Rey, Ombredane)b) da tenacidadec) das formas verbal (palavras, frases) Lógico (textos, códigos, etc.) Concreta (imagens, jogo de Kim, etc.) geométrica (figura complexa, de Rey).d) dos tipos predominância auditiva (números, palavras, textos) predominância visual (imagens, textos, objetos, etc.) Predominância quinestésica. III. Testes de atenção. – Piéron discrimina o exame:

a) das formas concentrada (riscar sinais, números, letras) distribuída (executar alternativamente várias tarefas) b) da rapidez de inícioc) da estabilidade d) da fatigabilidade

IV. Testes de imaginação.– Impõe-se o exame das:

verbal (Piéron, Meili) lógica (Piéron) Predominância quinestésicas concreta visual (Piéron, Meili) formas gráfisa pictorial (Meili e Rey) Artística Plástica musical (Seashore)

V. Testes verbais. — Piéron específica dentro deste grupo: a) riqueza de vocabulário; b) precisão de expressão.

formas

Fig. 6 — Aparelho registrador de erros

(do Catálogo Secap, Paris).

VI. Testes perceptivos. – No quadro das funções perceptivas é necessário examinar:

a) capacidade de apreensão (teste de Rossolimo, figuras lacunares de Rey, Geatalt – teste de Lauretta Bender);

b) rapidez de estruturação (taquistoscópios); c) plasticidade de estruturação; d) visualização espacial (figura a desenrolar de Rey); e) golpe de vista (Piéron).

Os testes de percepção podem ser classificados, também, segundo o órgão

receptor visual, auditivo, táctil, quinestésico, olfativo ou gustativo.

VII. Testes motores. – Os testes motores têm por objetivo medir a motricidade dos indivíduos. Pode-se distinguir:

a) as escalas de desenvolvimento motor, como, por exemplo, a escala de Ozeretzki, que permite determinar a idade motora;

b) as baterias de testes, como a de Walther-Antipoff, de Heuyer-Baille ou de Gille;

c) os testes específicos, como o cronoscópio de Darsonyal ou o cronotoscópio de Piéron, para medida dos tempos de reação, Tapping, o termômetro, de Piéron, a ratoeira de Moede, a pontilhagem de Walther, os testes de coordenação bimanual de Lahy e de Daniel Antipoff.

Fig. 7 – Teste de motricidade de Lahy para exame da coordenação bimanual (do Catálogo Secap, Paris).

VIII. Testes pedagógicos e profissionais. – Para avaliação do nível de conhecimento, os testes pedagógicos podem ser classificados segundo a matéria

(conhecimentos de português, matemática, história, geografia, biologia, etc.), ou

segundo a série e ano escolar (ginasial, científico, básico e técnico industrial ou

comercial, etc.), ou, ainda, a profissão (datilógrafo, mecânico, torneiro, contador, etc.).

Existem, também, testes pedagógicos organizados de forma a permitir dizer

que nível escolar atingiu determinado indivíduo.

Fig. – teste de tempos de reação

Cronoscópio (do Catálogo Secap, Paris)

IX. Testes clínicos. – Distinguem-se das demais técnicas pelo fato de não ser possível a sua avaliação numérica, substituindo-se esta pela observação direta (de

onde o nome, tirado da medicina, de “clínico”).

Piaget utilizou a observação direta para estudar a evolução intelectual da

criança. Algumas das técnicas empregadas por ele foram adotadas em Psicologia

Aplicada. É assim que Barbel Inhelder utilizou a modelagem para determinar, nos

débeis mentais, se este s já têm noção de conservação da matéria, do peso e do

volume.

Hanfmann-Kasanine inventou um teste dito “conceitual”, o qual permite estudar

e diferenciar formas de raciocínio.

Os testes clínicos São de manuseio muito delicado, e é preciso que o aplicador

tenha Formação rigorosa.

Devemos distinguir o “método clínico”, que tem o sentido exposto acima, da

“Psicologia Clínica”, cujo objetivo é a aplicação da Psicologia científica à Psiquiatria.

§ 5. Apresentação e Interpretação dos Resultados

No caso de se fazer um exame utilizando grande quantidade de testes, é

indispensável contornar a dificuldade representada pela comparação de numerosos

dados numéricos.

Com a utilização de escalas graduadas em percentis ou em desvios reduzidos,

é possível dar vista sintética e comparativa dos resultados, sob a forma de perfil

psicológico, chamado também de psicograma.

Existem várias formas de psicogramas. O perfil concêntrico de Meili permite

uma visão rápida das formas da inteligência medidas pelo seu teste analítico (ver fig. 9).

Outra maneira de apresentar os resultados é sob forma linear, como

costumamos fazer (fig. 10 e 11). O perfil é situado em relação à linha mediana, que

corresponde à zona da mediana ou percentil cinqüenta. A esquerda da linha

corresponde ao lado negativo da média e, por conseguinte, aos resultados Inferiores; a

direita é o lado positivo, que corresponde aos resultados superiores. No consultório

psicopedagógico da Sociedade Pestalozzi do Brasil, introduzimos um sistema que

permite situar uma criança, não somente com seus percentis, mas ainda em relação à

sua idade.

Inteligência média. Predominantemente concreta.

Fig. 9 – Perfil analítico de Meili (as graduações correspondem aos percentis)

Nos testes de memorização ou de aprendizagem, é interessante colocar em

gráfico os progressos ou regressos registrados; pode-se fazer a curva de aquisição de

Fig. 10 – Perfil de um método (Inteligência superior).

uma criança em um teste de memorização de 15 palavras, no teste de educabilidade de

Rey.Na interpretação dos resultados de um teste, deve-se sempre considerar o

simples resultado numérico, sobretudo quando inferior, como sendo submetido às

várias influências que resumimos no esquema seguinte, inspirado em Rey (fig. 11).

No diagnóstico, devemos sempre examinar todos esses fatores. A atitude do

examinador pode agir sobre a emotividade, provocando inibição no rendimento; um

rendimento baixo pode, por sua vez, agir sobre a emotividade. Má vontade ou complexo

de inferioridade provocam motivação desfavorável a um bom rendimento; uma aptidão

desenvolvida provoca, pelo contrário, motivação favorável; a ação do examinador pode

aumentar a motivação. Enfim, sem a aptidão , não há rendimento possível no teste.

A interpretação do resultado do exame psicológico só pode ser feita por pessoa

muito experimentada e treinada.

Aptidão Compreensão das instruções

Condições fisiológicas

Emotividade

Atitude do examinador

TRANQÜILIDADE DO AMBIENTE

MOTIVAÇÃO RENDIMENTO DO TESTE

Fig. 11

Fig. 12 – Perfil de um servente (pouco dotado)

CAPÍTULO 3: Estado Atual dos Conhecimentos Sobre Algumas Variáveis, Objeto de Estudos da Psicometria

§ 1.Estudo do Pensamento e da Sua Evolução

Seria mera utopia tentar expor em tão poucas linhas os resultados de todos os

estudos experimentais realizados sobre o pensamento humano; isso corresponderia em

descrever a metade da Psicologia Experimental.

Iremos apenas tentar fazer sentir ao estudante de Psicologia quais os

processos utilizados para obter algumas das conclusões mais ilustrativas a respeito do

assunto.

Os métodos utilizados são os descritos nos capítulos precedentes; a aplicação

do processo das variáveis, do clínico e do estatístico no estudo do pensamento é tão

entrelaçada que se pode considerar impossível dissociá-los, como veremos a seguir,

embora o método clínico seja o predominante.

A utilização de redações.Foi o psicólogo francês Binet um dos primeiros a estudar o pensamento em bases experimentais, através da aplicação de uma prova de

redação às suas próprias filhas, Armande e Marguerite, sendo uma puramente do tipo

descritivo e objetivo, e a outra de tipo sentimental e afetivo.

Helena Antipoff, no Brasil, desenvolveu de maneira muito feliz a idéia de Binet,

criando o já conhecido teste das mãos, o qual consiste em descrever, durante vinte

minutos as minhas mãos. A autora, através dessa técnica, muito rica em Observações

clínicas e com possibilidades de tratamento estatístico, chega a conclusões quanto à:

Função perceptiva Função representativa Função imaginativa Função interpretativa Função afetiva ou sentimental Função lógica ou dialética.

Os estudos clínicos de Piaget. – Ao contrário das Psicologias Logísticas e apriorísticas que estudam, por meio da introspecção ou da lógica pura, o pensamento

no seu aspecto ideal e na fase terminal da evolução intelectual, Piaget procurou a

explicação dos mecanismos do pensamento em uma perspectiva genético-evolutiva,

encontrando na criança a explicação do pensamento adulto.

Pierre Janet já tinha demonstrado que o pensamento verbal era precedido por

atos motores; segundo o rastro de Janet, Piaget demonstrou que qualquer operação

mental (classificação, seriações, agrupamentos escala de valores, etc.), é precedida por

operações concretas; a percepção precede a operação.

Mostrou, por exemplo, que a relação seguinte:

só pode ser realizada quando a criança já experimentou e é capaz de fazer seriações

de bastões ou encaixes de objetos de tamanhos progressivos.

Na visão em profundidade de três bastões iguais, A, B e C. mas dispostos a

distâncias diferentes da vista, os adultos e as crianças, depois de oito anos, percebem

do seguinte modo:

Ora as crianças, antes de 6 e 7 anos, percebem do seguinte modo:

!!, CdediferenteAmasCBBA == A experiência de Rey, que consiste em pedir que desenhem o maior quadrado

possível e depois o menor quadrado possível, também é uma demonstração de que

não é possível fazer uma seriação mental, se não foi precedida de experiência

concreta, pois, enquanto que os adultos e as crianças de mais de sete anos conseguem

fazer logo um quadradinho de 1 a 2 mm, as crianças de menos de 6 a 7 anos ficam

tateando e desenham vários quadrados cada vez menores.

Isso mostra que o esquema antecipador do adulto é apenas fruto de

agrupamentos anteriores concretos.

Com o nosso “Teste de Inteligência Não-Verbal”, mostramos, no Brasil, com a

,CAentãoCBeBASe 〉〉〉

CAeBCAB =

colaboração de Eva Nick e Áurea Schechtmann, o acerto das experiências de Piaget;

existem, nesse teste, problemas de seriações concretas e de seriações numéricas;

damos a seguir a percentagem de acertos por idade de 7 a 12 anos, em escolas

particulares da zona sul do Rio de Janeiro:

T A B E L A “F”

Nº DE ORDEM DAS PERGUNTAS Idades (anos) Ser. Concretas

N°. 25 Ser. numéricas

N°. 31 7 ............. 59% 29% 8 .............. 70% 40% 9 .............. 84% 56% 10 ........... 85% 64% 11 ............ 96% 69% 12 ............ 93% 78%

Como se vê, há uma disparidade muito grande entre a idade onde a maioria

das crianças resolve uma seriação concreta (8-9 anos) e onde resolve problemas de

seriações numéricas, quer dizer, operações mentais (12 anos).

Também com processos clínicos, Piaget mostrou como se desenvolve a noção

de conservação da matéria, da quantidade, do peso e do volume. Colocando açúcar na

água, a criança, até 6-7 anos, crê no desaparecimento do açúcar.

Pedindo à criança para colocar, uma após outra, contando-as,. a mesma

quantidade de contas em dois vidros iguais, a criança chega à conclusão de que há,

efetivamente, a mesma quantidade de contas nos dois vidros; mas, se se transvasa as

contas de um dos vidros para um mais grosso ou mais estreito, a criança afirmará que a

quantidade de contas aumentou ou diminuiu segundo o caso; isso mostra que o

raciocínio da criança está ligado estreitamente ao que ela percebe; só depois de 7-8

anos, aparece a noção de conservação da quantidade.

A noção de conservação do peso foi experimentada com pasta de modelagem:

mostram-se à criança duas bolinhas de tamanho igual; a criança constata que os dois

pesos São os mesmos; depois disso, transforma-se uma das bolinhas de massa no

formato de salsicha comprida; a criança afirma que o peso vai aumentar porque é mais

comprido, ou vai diminuir porque é mais fino, isto até 9-10 anos.

Até 11-12 anos, a criança afirma que o volume diminui ou. aumenta conforme o

tamanho ou espessura da pasta.

Com experiências análogas, Piaget estudou o raciocínio, o desenvolvimento

das quantidades, dos números, do espaço, etc.

A técnica de Hanfmann-Kasanin para o estudo da Formação de um conceito. – O material utilizado por Hanfmann e Kasanin (1942), nos Estados Unidos, foi tirado de uma prova do psicólogo russo Vigotski, e tem por objetivo:

1°) Acompanhar, no adulto, o processo de Formação de um conceito. 2°) Procurar a existência de uma tipologia baseada nos níveis conceituais atingidos

(conceitual, intermediário, primitivo).

O material é constituído por peças de formas, tamanhos, cores e alturas

diferentes. Pede-se ao indivíduo que classifique as peças em quatro categorias, cujos

símbolos estão escritos embaixo de cada peça; no início, só se revela ao examinando o

nome de uma peça do grupo “MUR”. Mostra-se o nome de outras peças, até achar a

solução, que é o agrupamento, segundo o tamanho e a altura; esta é a única

Classificação possível em quatro categorias, de tal modo que as pessoas vão

experimentando primeiro soluções .concretas (cor, forma etc.).

A técnica de associação de idéias. – Kent Rosanoff imaginou um método que consiste em apresentar à pessoa uma série de 100 palavras muito conhecidas e

em pedir que responda, a cada palavra, a primeira que lhe ocorra na mente.

Mil pessoas não dão mil respostas diferentes, mas há respostas que são dadas

com grande freqüência. Por exemplo: riqueza-fortuna.

Pode-se, a partir dessas experiências, fazer uma classificação dos tipos de

associação (sinônimos, analogia, rimas ilógicas, etc.).

§ 2. A Medida da Inteligência Como “medir” a inteligência? – No parágrafo precedente, mostramos que é

possível estudar como funciona o pensamento e como evolui; outro problema a resolver

é o quanto a pessoa pode “render” intelectualmente; o problema que iremos estudar é

de ordem quantitativa e abrange aspectos considerados outrora como de solução

impossível; como “medir” abstrações como a inteligência, definida como sendo a

“capacidade de adaptar-se a situações novas” (Claparède), ou o fator geral que preside

a utilização de nossas aptidões (Spearmann)?

Binet mostrou que isso era perfeitamente possível; juntou uma série de

perguntas e provas, procurando saber a percentagem de respostas certas para cada

idade, a partir de três anos; reuniu, então, num só grupo de cinco perguntas para cada

idade, todas as perguntas ou provas que tinham sido resolvidas por mais de 75% das

crianças ou adolescentes de cada idade.

Graças à aplicação do método estatístico, pode ele dizer se a criança estava

acima ou abaixo de sua idade, do ponto de vista intelectual quem, em seu teste, resolve

cinco perguntas de 9 anos, e nada mais, é considerado como tendo 9 anos de idade

mental ou como possuidor de inteligência de 9 anos.

Quando se perguntou, certo dia, a Binet como definir a inteligência, Binet

respondeu “A inteligência é o que meu teste mede”; essa afirmação pôs em termos

objetivos o problema da definição de medida da inteligência, fugindo-se assim ao

verbalismo e às especulações apriorísticas, que tanto prejudicam o adiantamento da

psicologia.

Mais tarde, W. Stern substituiu a noção de “idade mental” pela de “quociente

intelectual” (Q.I.), que se obtêm pela seguinte fórmula:

Um Q.I de 100 é considerado normal; o de 0,90, abaixo; e o de 110, acima do

normal.

Além de uma revisão da escala de Binet por Terman, nos Estados Unidos,

foram construídos outros testes de inteligência, que também permitem chegar ao Q.I.

Os mais conhecidos são os cubos de Kohs (reconstrução de figuras geométricas de

complexidade crescente por meio de cubos), a escala de Goodenough (desenho da

figura humana), a escala de Alexander (conjunto de testes diversos com material de

realIdade mentalIdadeQI =

madeira).

A determinação do Q.I. revelou-se, aos poucos, insuficiente, pois não permite

situar qualquer pessoa em relação aos indivíduos de sua própria idade. Por isso, outros

testes foram construídos, utilizando a média aritmética ou outros índices como pontos

de referência; nestes testes, existem baremas que permitem transformar os resultados

brutos em índices da situação da pessoa, em relação à média de seu grupo; entre

esses testes, convêm citar o das “Matrizes Progressivas”, de Raven, os testes “Army

Alpha-Beta” e o “A.C.G.T”., ambos do exército americano das Primeira e Segunda

Guerra Mundiais; o teste “Dominó 48”, de Anstey, o teste “Mosaico”, de Gille, e, no

Brasil, o teste “I.N.V.” (Inteligência Não-Verbal), de nossa autoria, aplicado à população

Brasileira.

Algumas precauções devem ser tomadas na construção de um teste, as quais

já foram descritas anteriormente.

OS RESULTADOS

1. O crescimento mental. – É hoje fato estabelecido definitivamente de que há um crescimento mental, cuja curva foi construída experimentalmente em vários países.

Essas curvas vão subindo até os doze anos, aproximadamente, chegando a um teto

horizontal entre os doze e os dezoito anos (Binet, Yerkes, “Army-Alpha”, Gille, Raven,

nosso “I.N.V.” no Brasil, etc.).

Parece, segundo Piéron, haver maior rapidez e precocidade de

desenvolvimento mental nos países quentes; porém, não há ainda comprovação

experimental suficiente a esse respeito.

A título ilustrativo do crescimento mental, damos a seguir a média de pontos

encontrada por nossas colaboradoras, Eva Nick e Áurea Schechtmann, em crianças

das escolas primárias do Rio de Janeiro, com nosso teste “I.N.V.”:

T A B E L A “G”

IDADES (anos)

MÉDIA DE PONTOS

7 ..................... 23,81 8 ..................... 27,69 9 ..................... 32,37 10 .................... 34,50 11 .................... 35,50 12 .................... 35,85

Mostramos, em pesquisa realizada na Suíça, que é possível seguir o

crescimento individual de crianças com o teste de Goode-nough repetido

periodicamente.

2. O envelhecimento mental. – Nos testes de inteligência onde o fator verbal é secundário ou ausente, nota-se uma diminuição progressiva da média de pontos;

essa involução já se inicia entre vinte e cinco e quarenta e cinco anos (“Army-Alpha”,

Otis, Raven, Pichot).

Nos testes verbais, como o de vocabulário, por exemplo, que são fortemente

influenciados pelo fator cultural, não se nota tanto essa diminuição. Eis, por exemplo, os

resultados encontrados por Raven no teste das “Matrizes Progressivas” e no teste de

“Vocabulário”, de Mill Hill:

Idade .........................................6 14 20 30 40 55 65

Matrizes ....................................13 44 44 42 38 30 24

Teste de vocabulário .................11 38 51 58 58 55 52

3. inteligência e sexo. Todos os autores que procuraram diferenças entre os sexos, quanto à inteligência, encontraram igualdade nos resultados (Gille, Raven,

Freeman e Nory).

A experiência de Áurea Schechtmann e Eva Nick, com nosso teste “I. N. V.”, no

Rio de Janeiro, confirma os resultados estrangeiros.

Na Pesquisa Nacional Sobre a População Brasileira, notam-se resultados

levemente superiores nas mulheres, o que parece ser devido a fatores escolares.

4. O nível econômico. – Correlações positivas foram encontradas entre os resultados nos testes e o nível econômico das pessoas (Cattell) ou dos pais, quando os

examinandos eram crianças (Bayley).

Do mesmo modo, diferenças significativas foram encontradas entre as médias

de filhos de pessoas provenientes de diversas classes econômicas (GiIle).

Da mesma forma, houve diferenças significativas entre os resultados de

crianças de bairros pobres e ricos; Binet já tinha notado esse fenômeno, confirmado por

pesquisa recente no Brasil por Eva Nick, com nosso teste “I. N. V.”, e pela Pesquisa

Nacional Sobre o Nível Mental da População.

5. A hereditariedade e o ambiente. – O método de comparação entre grupos foi aplicado no caso da medida do nível mental de crianças pelos verdadeiros pais e de

crianças adotivas: procurou-se a correlação entre o nível mental dos pais e o nível

mental dos filhos; eis os resultados encontrados por Bárbara Burks:

FILHOS ADOTIVOS ............................ FILHOS LEGÍTIMOS

0,20 (N: 214) ..................................0,52 (N: 105)

Segundo avaliação de Piéron e de Bárbara Burks, a influência do meio seria de

aproximadamente 20%, e a da hereditariedade, de 80%. Segundo Eysenck, essa

interpretação é válida só nos países de escolaridade avançada.

O estudo dos gêmeos permite confirmar esses aspectos. Comparando gêmeos

univitelinos e gêmeos fraternais, todos os autores encontraram correlação mais elevada

entre o nível mental dos univitelinos que entre os gêmeos fraternais.

Eis, por exemplo, os resultados encontrados por alguns autores:

T A B E L A “H”

AUTORES ANO GÊMEOS UNIV.

GÊMEOS FRAT.

SIMPLES IRMÃOS

Merriman Lauterbach Newmann, Freeman e Holzinger

1914 1925

1937

0,84 0,77

0,88

0,30 0,56

0,63

- -

0,36

Essas pesquisas mostram a importância do fator de hereditariedade na

formação da inteligência.2

Newmann, porém, em 1935, comparou gêmeos univitelinos criados juntos, com

outros separados desde o nascimento (19 casos), com os seguintes resultados:

JUNTOS SEPARADOS Altura ............................. Peso .............................. Q.I. (Binet) .................... Q.I; (Otis) ...................... Conhecimentos .............

0,98 0,97 0,91 0,92 0,95

0,96 0,88 0,67 0,72 0,50

Como se vê, as correlações são mais elevadas quando os gêmeos são criados

juntos. Os coeficientes, porém, ficam bastante elevados para os criados

separadamente.

Piéron encontrou diferenças apreciáveis para inteligência segundo a atividade

profissional dos pais.

6. Inteligência e raça. – Alguns autores encontraram diferenças entre certas raças; mas já ficou comprovado que essas diferenças eram devidas a circunstâncias

culturais, ambientais ou econômicas.

Quando se comparam diferentes raças, sujeitas às mesmas condições, essas

diferenças desaparecem. Brown (1944) encontrou Q.I. idênticos entre crianças pretas e

brancas nos Estados Unidos. Aniela Ginsberg confirmou esse fato no Brasil (1952).

Outra descoberta confirmando esses dados: Klineberg mostrou que o nível

mental dos pretos crescia proporcionalmente ao tempo passado na cidade.

Na Pesquisa Nacional sobre o Nível Mental da População Brasileira, os pretos

da cidade têm resultados superiores aos brancos do interior do país.

7. Inteligência e profissões. – Está comprovado que o grau de inteligência é diretamente proporcional ao grau de complexidade da atividade profissional (Yoakun e

Yerkes, Cattell, Piéron). Confirmamos esses resultados no Brasil, com o teste de Meili;

2 Ver também 3, Cap. I, 2a parte.

as médias vão diminuindo na seguinte ordem: diretores, secretários, datilógrafos,

auxiliares de escritório e serventes.

8. Inteligência e altitude. – Segundo Piéron, foram encontradas diferenças entre o nível mental segundo a altitude da moradia, dados confirmados por nossa

Pesquisa Nacional.

§ 3. As Habilidades Mentais Primárias

1. Observações e experiências clínicas – Através do estudo clínico das operações mentais, constatou-se que, em certos casos, havia maneiras diferentes de

resolver certos problemas.

A experiência de Rey é, neste sentido, bem demonstrativa: Em um bocal, foi

fixado, sobre um suporte, um pauzinho de madeira, B e C, no plano horizontal. À

mesma altura, dos dois lados do bocal, foram perfurados dois buracos, A e D, com

abertura suficiente para permitir a passagem de duas agulhas de tricô, juntas. Pede-se

à pessoa para encontrar um processo que permita medir a distância BC.

Há três maneiras diferentes de chegar à mesma conclusão:

a) Pela atividade sensório-motora:

O indivíduo constrói um instrumento de medida com as duas agulhas, juntando-

as, e, depois de tê-las introduzido no bocal, movimenta-as paralelamente, de modo a

encontrar, concretamente, a medida certa de BC. É o grupo dos manipuladores.

b) Por visualização e combinação perceptiva:

Fazem o levantamento, em uma folha de papel, dos segmentos AD, AB e CD,

após ter imediatamente visualizado e combinado os diferentes segmentos. Procedem

assim por combinação efetiva de distâncias reais. É o grupo dos arquitetos.

c) Por operação abstrata e raciocínio puro: Põe-se, por escrito ou mentalmente, a operação:

E o grupo de geômetras.

( ) CDBDBCouCDABADBC −=+−=

No teste dos cubos de Yerkes também se pode resolver o problema pela

visualização, pela aritmética ou por combinação dos dois.

Os educadores e psicopedagogos notaram também que havia, fato observável

diariamente, indivíduos que tinham êxito em certas matérias e fracassavam em outras.

Por exemplo: boas notas em português; notas inferiores em matemática.

No domínio profissional também se notou que indivíduos extremamente

capazes em atividades verbais, como advocacia ou secretariado, fracassavam em

atividades científicas de engenharia ou de mecânica.

2. A experimentação psicométrica. – Diante dessas observações empíricas ou experiências clínicas, muitos autores, como Spearmann e Thurstone, resolveram

aplicar testes de naturezas as mais diversas possíveis e, através de um processo

estatístico chamado Análise fatorial, baseado no cálculo das correlações, procurar o

grau de dependência ou de independência entre os testes, tirando conclusões sobre o

número de fatores existentes nas operações mentais efetuadas nos testes. Às vezes,

testes que aparentemente medem a mesma coisa têm, entre si, correlações baixas, o

que demonstra que diagnosticam fatores diferentes.

Esses fatores são, segundo Spearmann, os seguintes:

A) Quatro fatores gerais: a) o fator G, que rege todos os processos mentais b) o fator C, representando a rapidez c) o fator O, representando a eficiência mental d) o fator W, seria um fator caracterológico de self control.

B) Fatores de grupo: a) o fator lógico b) o fator mecânico c) o fator psicológico d) o fator aritmético e) o fator, musical f) o fator verbal g) o fator de rapidez de resposta.

Thurstone, com seu método de análise fatorial por rotação centróide, achou os

seguintes fatores:

1) o fator numérico(N)

2) o fator verbal(V) de compreensão 3) o fator espacial(S) 4) o fator W, de fluência da. palavra (world) 5) o fator R de raciocínio indutivo ou dedutivo 6) o fator mnésico (M), comum aos testes de memória, com possíveis subbfatores.

Esses fatores todos são achados com o “Chicago Test of Primary Mental

Abilities” (1943), com o qual se chega a um perfil.

É possível que outros fatores existam e que a análise fatorial ainda não os

tenha isolado como, por exemplo, a “Invenção” (Meili, Antipoff) ou a “Inteligência Social”

(Moss, Hunt).

3. Os instrumentos de estudo. – Para estudar os diferentes fatores, são utilizados testes padronizados e validados segundo critérios próprios de Psicometria.

Queremos apenas descrever, para cada fator, o tipo de teste utilizado, citando alguns

dos instrumentos mais conhecidos.

Fator verbal de compreensão ou fator “V”. É medido por testes nos quais se

pede a definição de uma lista de palavras (Binet.Terman), sinônimos ou antônimos

(Pichot, Otávio Martins, Otacílio Rainho, Mira y Lopez).

Fator verbal de fluência ou fator “W”. Permite ser avaliado pelo processo que

consiste em pedir à pessoa para dar o maior número de palavras em determinado

tempo (Binet-Terman) ou escrever todas as palavras que começam por determinada

letra (Thurstone).

Fator espacial “S”. Encontra-se nos testes nos quais se pede ao examinado

representar mentalmente figuras geométricas movimentos ou rotações no espaço bi ou

tridimensional (cubos de Yerkes, Rybakoff, formas de Walther e teste “Jota” de O.

Martins, Thurstone, Piéron, Rey, etc.).

Fator numérico “N”. As operações de adição e multiplicação são as mais

utilizadas para medir esse fator (Thurstone, Claparéde).

Fator de raciocínio “R”. Encontra-se em problemas de indução e dedução,

problemas do completamento de séries de letras, de número, de figuras (Meili,

Thurstone, Mira, Piéron, etc.).

Fator perceptivo “P”. Ocorre nos trabalhos que necessitam esforço de atenção

perceptiva, incluindo essencialmente a atividade de encontrar igualdades ou diferenças

na comparação de grupos de palavras ou de números.

Fator mnésico “M”. Será estudado em parágrafo especial, quando se abordará

o estudo da memória.

Além desses fatores, cuja existência já foi demonstrada pela análise fatorial,

existem outros, cuja existência está ainda a espera de comprovação estatística, mas

para os quais já existem instrumentos que os pretendem medir.

Inteligência prática ou “sensório-motor”. Foi estudada na criança por A. Rey,

com processos clínicos (labirintos e sistemas de alavancas de madeira), por Decroly

(caixa para abrir), por Porteus (labirintos impressos); encaixes (Seguin, Pintner,

Wittmer, Healy), puzzles (Bize, Mira), reconstrução de objetos (Stenquist, bomba de

Schulz).

Inteligência criadora ou Imaginação. Estudada através do número de idéias

expostas em redações (Helena Antipoff), ou combinação do maior número de frases

diferentes com três palavras (Binet, Meili), ou, ainda, pelo desenho do maior número de

figuras a partir de elementos determinados (Meili, Rey).

Inteligência social. Medida pelos testes americanos de Moss-Hunt-Omwake.

4. RESULTADOS DOS ESTUDOS DE PSICOLOGIA DIFERENCIAL

a) DIFERENÇAS ENTRE OS SEXOS

Enquanto que já verificamos a igualdade, hoje incontestada, entre os sexos,

para o fator geral da inteligência, há também certa segurança em afirmar diferenças

entre os sexos, para algumas habilidades mentais primárias.

O fatorS é nitidamente superior, no grupo masculino, em todas as pesquisas

efetuadas a esse respeito, com testes de mecânica ou com a própria bateria de

Thurstone.

O fatorN foi encontrado igual entre os sexos, por Hobson (1947), e superior no

grupo masculino, por Piéron (1945), por Schmidberger (1932) e por Fells e Fox (1932).

Os fatores verbais revelaram-se superiores nos grupos femininos, em estudos

feitos por F. Goodenough (1927), Belle Schiller (1944) e Mme. Piéron (1945); Hobson

(1947) encontrou tal diferença para o fator W, e não para o V.

O fator mnésico revelou ser superior no grupo feminino, nas pesquisas de

Goodenough (1927), de Hobson (1947) e Mme. Piéron (1945).

b) A EVOLUÇÃO DAS APTIDÕES

Já vimos que o fator geral da inteligência atinge um teto em seu

desenvolvimento, a partir de 12 a 14 anos. Há a involução progressiva, que tem início a

partir de 25 anos, mas que não é proporcional à evolução.

O fator S, segundo Earl, Kilgour e Patrick Slater, só apareceria depois dos treze

anos; entretanto, Otávio Martins, em sua análise fatorial do teste “A. B. C.”, de Lourenço

Filho, já identificou o mesmo fator, na idade de sete anos. Mellone (1944) também

encontrou o fator já com 7 anos e nos dois sexos.

O fator verbal está muito pouco afetado pela regressão mental sem sua

evolução estaciona com a puberdade.

O fator numérico também estaciona com a puberdade, mas as médias tendem

a diminuir com a idade após 25 anos, sobretudo nas mulheres (Jones e Gonrad).

À medida que vai acabando a adolescência, observa-se uma diferenciação

progressiva das aptidões. Jeanne Monnin observou uma correlação de 0,34 nas

meninas de 12 a 15 anos, entre o fator N e o fator V; nos adultos, essa correlação baixa

a 0,13.

c) INFLUÊNCIA DA HEREDITARIEDADE E DO AMBIENTE

As pesquisas realizadas com gêmeos põem em relevo maior influência do

ambiente sobre os testes de fator verbal que sobre os testes não-verbais (Willoughby,

1928). As “crianças-lôbo”, recolhidas depois de oito anos, dificilmente assimilam a

linguagem. Para o fatorN, vários estudos deram correlações positivas entre pais e

filhos e entre irmãos variando essas correlações de 0,20 a 0,60 (Cobb, Carter,

Willoughby).

O fatorS também foi encontrado como tendo correlação positiva entre irmãos

(Fryer).

Como o mostra Piéron (1949), analisando outros autores, a influência do meio é

inversamente proporcional à idade da criança; quanto mais jovem é a criança, tanto

maior possibilidade tem o meio de influenciar seu desenvolvimento mental. Segundo

Reymert e Hulton, a idade limite seria 7 anos.

§ 4. O Estudo da Memória

A Memória foi uma das primeiras habilidades mentais estudadas em Psicologia

Experimental, pois é suscetível de ser abordada não somente pelos processos clínico e

estatístico, mas, ainda, pelo método das variáveis.

Os métodos de estudo da memória. – O primeiro autor que fez um estudo experimental da memória foi Ebbinghaus (1885), demonstrando a possibilidade de

chegar-se a resultados quantitativos e, também, de introduzir esquema experimental no

estudo da memória.

A possibilidade de chegar-se a resultados quantitativos foi bem ilustrada pela

experiência de Jacobs (1887), que se utilizou de séries numéricas de dificuldade

crescente.

Eis um exemplo:

972 1406

39418 067285

3516927 58391204

764580129 2164089573

45382170369 810932614280

O resultado numérico poderá ser o número de algarismos da série alcançada

pela pessoa ou, ainda, o número de séries retidas.

O tratamento estatístico dos resultados de grande número de pessoas já

permitira utilizar os resultados em estudos de Psicologia Diferencial; Binet foi o primeiro

a utilizar, em seu teste, a memória de números, dando assim normas de Psicologia

Diferencial aplicada à evolução da memória.

Os métodos utilizados no estudo da memória são os seguintes (segundo

Woodworth):

a) MÉTODO DOS ELEMENTOS RETIDOS

É o que foi descrito acima, sendo, também aplicável a textos, palavras, figuras,

etc.

b) MÉTODO DE AQUISIÇÃO

Consiste em apresentar, várias vezes, a mesma lista de elementos a reter;

procura-se o tempo ou o número de repetições necessárias para que a série seja retida

completamente.

c) MÉTODO DO “SOPRAR”

É Uma modificação do método de aquisição, que consiste essencialmente em,

a cada repetição, ajudar à pessoa, soprando-lhe as palavras ou números que não tinha

ainda memorizado.

Além da notação do número de acertos a cada repetição, é possível notar o

número de ajudas necessárias, traçando-se a curva de aquisição e de certos.

d) MÉTODO DE ECONOMIA

Consiste em fazer duas aprendizagens sucessivas, da mesma série de

elementos, com certo intervalo de tempo entre as duas.

Diz-se que houve economia, quando a aquisição, na segunda experiência, é

mais rápida que na primeira. O método da economia está sendo largamente utilizado no

estudo da influência da aquisição de uma série sobre a rapidez de aquisição de outra

diferente; quando a segunda é mais rápida que a primeira, diz-se que há transferência

positiva da aprendizagem. Se ocorre o contrário, há transferência negativa.

e) MÉTODO DOS PARES ASSOCIADOS

As listas de elementos estão grupadas por pares a serem retidos

simultaneamente (nomes e fisionomias, palavras de duas línguas diferentes,

mercadoria e preço da mercadoria, etc.).

f) MÉTODO DE RECONHECIMENTO

Após apresentação de uma determinada série de elementos, pede-se pessoa,

depois de certo intervalo de tempo, para reconhecer, numa nova série mais numerosa,

os elementos da primeira série. (Exemplos teste de Mme. Piéron, teste de Moss-Hunt-

Omwake.)

Faz-se a contagem do número de acertos e do número de erros; podendo

chega-se a um índice único:

N errosacertosM −=

g) MÉTODO DE RECONSTRUÇAO

Consiste em apresentar série de estímulos, numa certa ordem ou posição, e,

após tê-los desarrumado, pedir a reprodução da ordem ou da posição dos elementos.

Andrews, em seu livro clássico sobre a metodologia da Psicologia Experimental,

distingue o estudo:

a) Da fixação mnemônica

Nas experiências de fixação, distingue três fatores principais, que podem

influenciar o processo: os que provêm da pessoa (motivação, aptidão, Adaptação,

estado de saúde, etc.), os que provêm da tarefa e do material, e os que provêm das

condições de exercício e de tremo.

Uma experiência sobre aprendizagem pode ser resumida assim:

Grupo de Controle: P1 T0 E1 Grupo experimental: P1 T1 E1

As variáveis independentes, pessoa (P) e tarefa (T), são as mesmas; o que

varia são as condições de experimentação (E).

b) Da conservação das lembranças ou retenção

O esquema, segundo Andrews, de uma experiência de retenção e o seguinte:

Grupo de Controle: AL I0 R1 Grupo experimental: AL I1 R1

A variável independente é uma das condições do intervalo (I) entre a

aprendizagem inicial (A) e o teste final de retenção (R). A e R ficam constantes, embora

possam ser imaginadas experiências nas quais A ou R mudem.

c) Da transferência da aprendizagem

O esquema de tal experiência é o seguinte:

Grupo de Controle: E1 Z2 Grupo experimental: E1 A1 Z2

Os grupos experimentais (E), embora diferentes, devem possuir condições

idênticas E. Só o grupo experimental está submetido a uma aprendizagem A,

preliminar; procuram-se as diferenças dos resultados no teste de aprendizagem Z.

No mesmo livro, Andrews cita algumas das principais variáveis, julgadas

indesejáveis no estudo experimental da memória: as diferenças de aptidões individuais,

de motivação, e o tremo fora da experiência (facilitação por experiências anteriores,

presença na sala de objetos ligados à aprendizagem dos elementos, como palavras,

etc.), efeito da comunicação dos estímulos aos examinandos por pessoas que já se

submeteram à experiência.

O material utilizado nas experiências. – É evidente que o material utilizado é extremamente numeroso, pois todo o mundo concreto ou verbal pode ser memorizado.

Sílabas sem significado foram utilizadas por Ebbinghaus (1885), a fim de evitar

o efeito da familiaridade com palavras conhecidas.

Listas de números foram amplamente utilizadas, por sua simplicidade de

manejo e pela relativa rapidez de sua aplicação (Binet e Henri, Gates, etc.).

Ałém de listas de palavras (Claparède, Rey) ou de textos, existem séries de

imagens (Claparède, Piéron), de letras, de sons, de objetos, de formas a reproduzir, etc.

A Apresentação do material pode ser visual, auditiva, olfativa, tátil e gustativa.

Resultados obtidos através do método clínico. – Procurando analisar a maneira pela qual as pessoas memorizavam uma série de números, constatou-se que

algumas, no momento do aumento da dificuldade, agrupavam os números por três ou

quatro, facilitando, assim, o processo de memorização, mas demonstrando, também, a

interferência de um fator de inteligência no próprio processo da memória. Martin e

Fernberger confirmaram essas observações clínicas pelo método das variáveis,

mostrando aumento de 20% da reprodução, por estudantes, de uma série de números,

após terem sido treinados em agrupá-los.

Há análise de discordâncias muito grandes entre testes de inteligência com

resultados elevados e testes de memória com resultados baixos; pode-se colocar em

relevo, em numerosos indivíduos, fatores de baixa de tonus fisiológico em geral, ou,

ainda, fatores afetivos de timidez e inibição, aos quais a memória se revela muito

sensível (Rey).

Resultados obtidos através do método das variáveis. – Vamos tentar resumir, aqui, as principais conclusões que podem ser tiradas das experiências, nas

quais se utilizou o método das variáveis.

1°) O tempo de aquisição depende da quantidade de elementos a memorizar (Lyon, Bynot, Muller).

2°) Processos auxiliares (Woodworth) facilitam a memorização (familiaridade com experiências anteriores, relações lógicas, rítmicas, aritméticas, associações com elementos similares, no caso de elementos sem significado a memorizar).

3°) A aprendizagem tende a modificar o organismo, de modo a facilitar e abreviar o tempo de uma reaprendizagem posterior.

4°) Um esforço mental consecutivo a uma aprendizagem provoca uma retração do número de elementos assimilados, os quais são sempre superiores, no caso de haver repouso entre duas repetições. Esse fenômeno é chamado de inibição retroativa (Muller e Plzecker, 1900).

5°) O fenômeno da inibição retroativa demonstra a existência de atividade provável de elaboração fisiológica, posterior à própria experiência de aprendizagem e caracterizada, em muitos indivíduos, por fenômenos de perseverança dos elementos em sua mente (melodias que “não saem da cabeça”, números de telefones, etc.).

6°) O esquecimento dos elementos mais recentemente assimilados faz-se em primeiro lugar (Ribot). Esta lei foi confirmada por Jackson, em neurologia.

7°) A retenção de uma lição difícil é maior que a de uma lição fácil (Ebbinghaus).

8°) A retenção é maior quando a aprendizagem é realizada antes do sono (Jenkins e Dallenbach).

9°) A reprodução gráfica de formas faz-se no sentido de formas anteriormente assimiladas (Kuhlmann).

10°) Com o tempo, figuras assimétricas ou sem formas clássicas tendem a ser reproduzidas no sentido da forma clássica mais aparentada (Kofka), ou no sentido da acentuação das diferenças com a forma clássica (Wolf).

Resultados da Estatísticas e da Psicologia Diferencial

ANÁLISE FATORIAL DA MEMÓRIA

Spearmann (1927) já admitia a existência do fator mnésico, embora o fator G

entrasse em muitas atividades já analisadas Thurstone e outros também confirmaram a

existência do fator M.

Certos autores encontraram “subfatores” (visual, auditivo, espacial, lógico), os

quais são, segundo Vernon, ainda hipotéticos.

EVOLUÇÃO DA MEMÓRIA

Binet foi o primeiro autor a estudar a memória do ponto de vista evolutivo. Eis

os resultados encontrados em seu teste, revisto nos Estados Unidos (Binet-Stanford),

com a memória imediata de séries numéricas:

T A B E L A “I”

IDADE No de Algarismos repetidos 2;6 3; 4;6 7; 10;

2 3 4 5 6

Todas as experiências realizadas confirmam, como as de Claparède, que não

há mais progresso nos testes de memória, após a idade de 10 anos.

MEMÓRIA E SEXO

Já Vimos anteriormente que os resultados são levemente superiores no sexo

feminino.

Starch encontrou correlação de 0,31, entre testes de memória aplicados a pais

e filhos.

§ 5. A Atenção

A atenção é um dos fatores da atividade mental cuja existência se impõe a

priori como evidente, mas cuja presença se revelou, prática de difícil constatação

experimental.

A maioria dos pesquisadores inferiu a sua existência através do estudo dos

efeitos da sua perturbação ou da sua eliminação sobre o rendimento nos testes;

demonstrou sua presença estudando as perturbações da atividade mental devidas à

sua ausência.

O estudo das flutuações da atenção. – Em 1875, Urbantschich, utilizando o teste do relógio, para medida da surdez, notou que, a uma certa distância, os indivíduos

tinham momentos nos quais ouviam o relógio, e outros momentos nos quais não

ouviam nada; notou uma certa periodicidade

Essas oscilações foram também notadas no caso da percepção de fracos

estímulos visuais e táteis. Falou-se em “flutuação da atenção, caracterizada por “ondas

de atenção”.

Procurou-se conhecer a rapidez de flutuação da atenção, na percepção de leve

ruído, ou de um pequeno ponto preto sobre fundo branco; ficou demonstrado que essa

velocidade varia não somente para a mesma pessoa, mas ainda o tempo médio difere

para cada pessoa; além disso, comprovou-se que variava também em função da

intensidade do estímulo, sendo que o tempo de percepção dos estímulos fortes era

maior que o dos estímulos fracos. Eis, por exemplo, uma experiência de Wiersma

(1901), citada por Woodworth, sobre o tempo de audição em função da intensidade de

um estímulo auditivo para dois indivíduos (o tempo completo de apresentação dos

estímulos é de 300 segundos):

T A B E L A “J”

TEMPOS DE AUDIÇÃO INTENSIDADE RELATIVA DO ESTÍMULO 1a pessoa 2a pessoa

1 102 seg. 126 seg. 1,2 164 213 1,5 190 221 1,8 226 245 2,3 257 283 3 284 299

Essas oscilações parecem devidas tanto a fatores inerentes aos órgãos

periféricos quanto aos órgãos centrais. Além disso, o desvio da atenção para outros

estímulos internos ou externos também parece fator importante nessas flutuações; a

dificuldade de fazer duas tarefas diferentes ao mesmo tempo é uma prova desse fato.

A distração. – Durante determinada atividade que necessita de um esforço mental, pode-se introduzir estímulos perturbadores, tais como campainhas, quedas de

objetos, introdução de pessoas fantasiadas, etc.

As experiências efetuadas e citadas por Woodworth demonstram que há um

aumento da energia necessária para realizar a mesma tarefa, quando ocorre

perturbação; os indivíduos procuram compensar os efeitos da perturbação por um

esforço maior.

Os atos simultâneos. – Binet (1890), após ter treinado pessoas a fazer pressões rítmicas sucessivas sobre pele de borracha ligada a um cilindro registrador,

pedia que lessem simultaneamente um texto ou fizessem operações aritméticas; as

duas atividades eram perturbadas.

Outros autores demonstraram, ao contrário, que a pressão num dinamômetro

aumentava o rendimento na memorização e no cálculo mental. Mas se trata, nesses

dois casos, de atividades diferentes na sua natureza, sendo que uma é muscular e a

outra mental; duas atividades mentais simultâneas sempre perturbam uma à outra.

O estudo direto da atenção. – Em vez de procurar demonstrar a existência da atenção através dos efeitos da sua perturbação, certos autores procuraram organizar

testes que poderiam medir diretamente a atenção.

Através de experiências de taquistoscópios, procurou-se o tempo mínimo

necessário para percepção de determinados objetos, nos quais as figuras eram

perceptíveis em determinado tempo mínimo.

Eis, segundo Glanville e Dallenbach, o número médio de elementos

apreendidos por três pessoas deferentes, no taquistoscópio

Capacidade para número de pontos ........................................ 8,8 para leitura de letras.............................................. 6,9 para formas geométricas....................................... 3,8 para forma e cor (simultaneamente) .................... 3,0

Existem testes chamados de “atenção” ou “concentração”. Rossolimo, por

exemplo, fazia apontar e contar traços e círculos misturados num conjunto de cruzes.

Bourdon foi o primeiro a imaginar os testes chamados de barragem, que consistem em

riscar determinada letra ou grupo de letras num texto. Há uma variante feita com

números.

O teste de concentração de Toulouse-Piéron consiste em riscar quatro tipos

demais, misturados com outros parecidos, porém diferentes pela direção de

determinado traço. A. Rey inventou também um teste de atenção que consiste em

contar grupos de pontos.

Resta saber se esses testes todos medem o mesmo tipo de ątenção, ou mesmo

se medem a atenção. A análise fatorial permitirá, talvez, dar uma resposta a essa

pergunta.

Resultados da análise fatorial. – Procurando a correlação entre diferentes testes que pretendam medir a atenção, verificou-se que os coeficientes São, em geral,

baixos (Easly, 1941); além disso, a maioria dos testes chamados de atenção tem

correlação elevada com testes que medem os fatores P, M, S e N (Wittemborn, 1943),

embora Holzinger tivesse descoberto um fator comum (t) a certos testes, nos quais é

necessário ouvir e seguir instruções.

Como o mostra Rey, e também Vernon, confunde-se muitas vezes a atenção

com o nível mental ou com o interesse pela atividade. O que se pode afirmar é que a

atenção aparece onde há necessidade de um esforço mental, quer dizer, em toda a

atividade que necessita de rendimento; onde há automatismo, não se precisa de

atenção. A atenção parece ser o esforço necessário para mobilizar as energias,

permitindo o aproveitamento máximo de uma ou várias habilidades mentais; Esse

esforço é tão dependente do desenvolvimento da aptidão , e também da motivação,

que é perfeitamente lógica e explicável a dificuldade que se encontra para medir a

atenção no seu estado puro. Atenção e esforço mental parecem intimamente ligados, e

são talvez uma única coisa, sobretudo quando se pensa na sua ligação com a

motivação: só há esforço mental onde há interesse; não há atenção sem motivação. O

trinômio “atenção-motivação-aptidão” é, na realidade, de decomposição difícil.

CAPITULO 4: Os Métodos de Estudo da Personalidade

§ 1.Que é Personalidade?

É muito difícil dar uma definição da personalidade, pois o seu conceito varia de

autor para autor.

Allport (1937) enumerou cinqüenta definições diferentes. Essa divergência

advém do fato de ser a personalidade abordada pelos autores em apenas um ou alguns

dos seus aspectos, sem, entretanto, atentar para o conjunto que ela constitui.

Allport nos dá uma definição, na qual reúne todas as opiniões; diz ele:

A personalidade é a organização dinâmica dos sistemas psicofísicos que determinam o ajustamento do homem ao ambiente.

Sheldon chega a conclusão semelhante, inspirado no próprio Allport, e diz:

A personalidade é a organização dinâmica dos aspectos cognitivos, afetivos, conativos, fisiológicos e morfológicos do indivíduo.

Mac Kinnon (1944) concebe a personalidade segundo o esquema seguinte:

A inteligência corresponde ao aspecto cognitivo, correspondendo o temperamento ao aspecto afetivo, e o caráter ao aspecto conativo.

§ 2. Classificação dos Métodos de Estudo da Personalidade

Inspirando-nos em três trabalhos anteriores, de Pichot, de Mira e o nosso,

propomos a seguinte classificação, na qual introduzimos os métodos sociológicos, os

métodos mistos, assim como alguns subgrupos:

Métodos: 1°) PSICOSSOMÁTICOS: a) Técnicas morfopsicológicas b)Técnicas neuro-reflexológicas

2°) PSIQUIÁTRICOS

3°) EXPRESSIVOS:

a)Técnicas grafológicas b) Técnicas filmológicasc) Técnicas miocinéticasd)Técnicas fisiodetectorase) Técnicas fonográficas f)Técnicas fotográficas g) Técnicas fisiognômicas

4°) INTERROGATIVOS: a) Técnicas orais b) Técnicas escritas

5°) OBSERVAÇÃO: a) Técnicas clínicas b) Técnicas interpretativas

6°) SOCIOLÓGICOS: a) Técnicas sociométricas b) Técnicas ecológicas c)Técnicas grupoterápicas d) Técnicas sócio-visitadoras

7°) PROJETIVOS: a) Técnicas constitutivas b) Técnicas construtivas c) Técnicas interpretativas d) Técnicas catárticas ou situativas

8°) PSICOTERÁPICOS: a) Técnicas psicanalíticas b) Técnicas narco-analíticas c) Técnicas psicodramáticas

9°) DE ANÁLISE MOTIVACIONAL

10°) GENÉTICOS: a)Técnicas genealógicas b) Técnicas psicoevolutivas ou anamnéticas c) Técnicas genotrópicas

11°) ESTATÍSTICO-ANALÍTICO

12°) MISTOS.

§ 3. Descrição dos Métodos, Processos e Técnicas de Estudo da Personalidade

I Os métodos psicossomáticos. – São os métodos nos quais se estudam interações ou concomitâncias entre os traços ou tipos de personalidade e traços ou

tipos fisiossomáticos. Podemos distinguir:

a) AS TÉCNICAS MORFOPSICOLÓGICAS

Estudando as relações entre a morfologia do indivíduo, vários autores

chegaram a por em evidência o fato de certos tipos morfológicos terem tipos

correspondentes de personalidade.

As classificações biotipológicas são muito variadas; entre elas, podemos citar

as que distinguem os tipos cerebral, respiratório, muscular e digestivo (Rostan, 1826);

macrosquelo, mesatisquelo e braquisquelo (Manouvrier, 1902); longitipo

microsplânquico, normotipo normosplânquico e braquitipo megalosplânquico (Viola,

1905); leptossômico, atlético e pícnico (Kretschemer, 1921); longilíneo, mediolíneo e

brevilíneo (Pend, 1922); endomórfico, mesomórfico e ectomórfico (Sheldon e Stevens,

1941).

A essas classificações biotipológicas, baseadas na sua maioria em medidas

antropométricas, vários autores acharam correspondentes caracterológicos: ciclotímico

e esquizotimico (Krestschmer); bradipsíquico e taquipsíquico (Pend); viscerotônico,

somatotônico e cerebrotônico (Sheldon e Stevens). Parece que a classificação de

Sheldon e Stevens, além de ser a mais recente, corresponde mais à realidade, porque

leva em consideração os três componentes somáticos e temperamentais, para avaliar a

sua importância relativa em cada indivíduo, sendo as correspondências

somatopsíquicas baseadas em estudos estatísticos, os primeiros nesse gênero de

pesquisa.

b) AS TÉCNICAS NEURO-REFLEXOLÓGICAS

São as técnicas que estudam os aspectos da personalidade resultantes de

condicionamentos (Pavlov, Watson), de lesões sistemáticas (Sherrington, Massermann,

Rey), pelas observações das influências de lesões nas diferentes partes do sistema

nervoso sobre a personalidade.

II O método psiquiátrico. – Apoiando-se, em parte, nos métodos de investigação psicossomáticos, a Psiquiatria desenvolveu, sob a influência de Kraepelin,

Janet e Bleuler, uma tipologia própria, baseada na classificação de doenças mentais;

segundo esse ponto de vista, cada um de nós teria, em menor grau, traços de

personalidade de uma das principais doenças mentais; podemos distinguir, desse

modo, tipos esquizóides, epileptóides, obsessivos, ciclóides, paranóides, etc.

III Os métodos expressivos. – Utilizado por Mira, o termo “expressivo” reúne, na sua significação, todas as técnicas nas quais as “expressões” da personalidade

podem ser registradas por meios audiovisuais. Dentre estas, podemos distinguir:

a) AS TÉCNICAS GRAFOLÓGICAS

Em todos os tempos, os homens procuraram conhecer a personalidade através

da escrita; Suetônio fez um estudo da escrita de Augusto, e Shakespeare dizia: “Dá-me

a escrita de uma mulher e lhe direi o seu caráter”. Esses dois fatos são lembrados por

Michon, que pode ser considerado como o precursor da grafologia científica,

desenvolvida por Klages e sistematizada por Crepieux Jamin.

O estudo da escrita se faz hoje considerando as letras na sua direção,

dimensão, forma, inclinação, tamanho, grossura, pontuação, finais, assinatura, assim

como a apresentação geral e ordenação das frases.

b) AS TÉCNICAS MIOCINÉTICAS

Derivadas diretamente da grafologia, estas técnicas estudam

experimentalmente as concomitâncias dos movimentos e dos traços de personalidade.

O termo “miocinético” foi sugerido por Mira e designa o teste de sua autoria, publicado

em 1939, e que pode ser considerado como um sistema de Psicometria aplicada à

grafologia. O autor demonstrou, com validação feita sobretudo em doentes mentais e

primitivos, a possibilidade de diagnosticar a auto e hétero-agressividade pelos

movimentos da mão no plano sagital; o grau de introversão e extroversão, no plano

horizontal; a elação e a depressão, no plano vertical; a inibição, no tamanho dos traços;

e o grau de coerência entre o temperamento, medido pela mão esquerda, e o caráter,

medido pela mão direita.

Um psicólogo suíço, Carrare, utilizava um teste chamado “La réglette”, no qual

se estudavam os componentes caracterológicos de movimentos no plano horizontal,

com os olhos fechados.

A técnica de Lúria consiste em estudar as variações da pressão dos dedos

diante de palavras-estímulo. Mira modificou, com fins judiciários, essa técnica, criando o

monotômetro.

c) AS TÉCNICAS FILMOLÓGICAS

O registro fílmico das reações dos indivíduos, em situações espontâneas ou

provocadas, fornece documentos permanentes de estudo e de comparações

interindividual é assim que, por exemplo, o filme foi o instrumento essencial do estudo

da evolução da criança e na demonstração didática de Gesell. O Instituto de Filmologia

de Paris estudou cinematicamente, sob a direção de Wallon e Zazzo, as reações de

crianças à projeção de vários filmes, pondo em evidência reações de angústia de tal

ordem que permitem proibir, a priori, certos tipos de filmes para certas idades.

d) AS TÉCNICAS FISIODETECTORAS

Agrupamos nesta categoria todas as técnicas que permitam registrar reações

de natureza fisiológica e estímulos psicológicos. São estas:

1)As reações electrocutâneas; de natureza especialmente emocional (Radecki), dependem das zonas subcorticais hipotalâmicas (Piéron) e podem ser registradas por micro-aniperímetro. Associadas à palavra estímulo (Jung.Rosanoff), são elas utilizadas em Psicologia Judiciária, por meio do “lie detector” (detector de mentiras)

Com o nosso teste mostramos a possibilidade de utilizar o reflexo

psicogalvânico ou electrocutâneo para medir a emotividade neurovegetativa; tratamos

esse problema do mesmo modo que a medida da inteligência , procurando conhecer o

número de estímulos aos quais o indivíduo reage, e tratando, estatisticamente, os

resultados obtidos em grupos de amostra.

2) As reações respiratórias podem ser registradas por diversos processos, num quimógrafo.

3) As reações circulatórias; podem ser registradas igualmente pelo processo do tambor de Marey, ou pelo registro piezográfico de Lahy. Convém acrescentar que as reações electrocutâneas, respiratórias e circulatórias, podem ser estudadas conjuntamente com polígrafos.

4) As reações metabólicas; podem ser determinadas pelo registro do PH (Lagnel Lavastine), nos estados de angústia, pelo registro do metabolismo basal, ou pela pesquisa oximétrica.

5) As reações eletroencefalógraficas; utilizadas no diagnóstico da epilepsia, não permitiram, até agora, fazer avaliação.es sobre personalidade.

e) AS TÉCNICAS FONOGRÁFICAS

O registro da Voz e o estudo das correlações entre as suas modulação e a

personalidade está ainda num estado embrionário. Convém assinala, porém, a

utilização cada vez maior do registro fonográfico das entrevistas, das sessões

psicoterápicas individuais ou de grupo, e mesmo de exames psicológicos completos.

Do mesmo modo que o filme, essa técnica permite gravar, para sempre, as

reações e respostas, que podem ser reestudadas a qualquer momento.

f) AS TÉCNICAS FOTOGRÁFICAS

Estas técnicas foram utilizadas sobretudo pelos psicólogos desejosos de

classificadas reações afetivas e, mais especialmente, emotivas, como, por exemplo, o

fez Dumas, para os homens, e Köhler, para os macacos.

As observações feitas a propósito dos filmes e do registro fonográfico valem

também para as técnicas fotográficas.

g) AS TÉCNICAS FISIOGNOMÔNICAS

Citamos estas técnicas no fim porque, embora reconhecida sua importância,

como pioneiras das técnicas expressivas (Lavater), foram praticamente abandonadas,

apesar do valor capital das reações fisionômicas, Como expressão objetiva da

personalidade. Esse abandono é devido, provavelmente à impossibilidade de avaliação

objetiva destas expressões que Bohring. e GuiIford colecionaram em sistemas de

recortes de modelos faciais, acabando combinações diferentes. A filmologia e a

fotografia darão talvez um novo impulso às pesquisas sobre o assunto.

IV. Os métodos interrogativos. – Os métodos interrogativos são constituídos de técnicas nas quais o indivíduo responde às perguntas apresentadas,

sob forma oral ou escrita.

a) APRESENTAÇÃO ORAL

As entrevistas têm por finalidade conhecer melhor o examinando e, inclusive,

deixá-lo descrever.se a si mesmo. As entrevistas podem ser espontâneas, ou dirigidas.

Vasco Vaz publicou um excelente roteiro para tais entrevistas.

b) APRESENTAÇÃO ESCRITA

Nesta categoria, podemos distinguir os questionários diretos, como o de

Pressey, que consistem em sublinhar, dentre uma lista de palavras, as que o indivíduo

acha agradáveis ou desagradáveis, e os questionários indiretos, nos quais as perguntas

feitas não têm relação aparente com o que se está pesquisando. Assim é também o

teste “Tsedek”, de julgamento moral, de Baruk.

Os “inventários” de personalidade São questionários, em geral muito

demorados, que, previamente submetidos a uma análise estatística, permitem uma

visão mais segura dos traços de personalidade considerados em relação a normas

objetivas. Citamos o de Bernreuter, que foi adaptado e estudado no Brasil por Noemy

Silveira Rudolfer, o “Multiphasic Inventory”, de Evans e Connel, e a “Minnesota

Personality Scale”.

Notamos também a existência de questionários de atitudes, como o de Sweet e

o de Thurstone, tendo sido o primeiro estudado na França por Chauffard e Benassy.

Os questionários de interesses profissionais, como os de Strong, Thurstone e

Kuder, são de grande utilidade em Orientação Profissional.

V. Os métodos de observação. – Os métodos de observação consistem em descrever e interpretar a conduta dos indivíduos em situações espontâneas ou

experimentais. Podemos distinguir:

a) O MÉTODO CLÍNICO Preconizado por Lagache, consiste em descrever e interpretar a reação global

do indivíduo em situação de exame. Como diz Rey, esta situação pode ser considerada

como estímulo, de tal maneira que se pode fazer um diagnóstico da personalidade

mesmo através das flutuações do rendimento nos perfis psicológicos.

b) O MÉTODO INTERPRETATIVO Resume-se em descrever as diferentes formas de conduta e em traduzi-las em

termos psicológicas, tendo cada espécie de conduta várias significações possíveis,

como o mostra Bingham.

VI. Métodos sociológicos. – Os métodos sociológicos utilizam o conhecimento das relações entre o indivíduo e o seu ambiente social ou, ainda, dos indivíduos entre si

com o fim de diagnóstico da personalidade. Entre as técnicas utilizadas citaremos:

a) AS TÉCNICAS SOCIOMÉTRICAS

Perguntando-se aos membros de um determinado grupo social (empresa, turma

de escola, equipes de pesquisas, etc.) com quem gostaria de trabalhar, por exemplo,

ou, ainda, com quem gostaria de passar as férias, pode-se chegar a classificar os

indivíduos pelo número de escolhas recebidas e a pô-las em um gráfico chamado

“sociograma”, de Moreno. A colocação de “líder”, de “isolado” ou de “rejeitado”, no seu

ambiente social, dá, sobre os indivíduos, indicações muitas vezes mais seguras que

qualquer outra técnica de estudo da personalidade. Verificamos que os isolados quase

sempre são considerados “casos-problemas” nas. outras técnicas.

Fig. 13Sociograma levantado em uma empresa comercial do Rio de Janeiro

(os indivíduos D e G são os líderes).

b) AS TÉCNICAS ECOLÓGICAS

Baseiam-se no estudo da influência do ambiente de habitação sobre a sociedade e, por conseguinte, sobre o indivíduo.

c) AS TÉCNICAS GRUPOTERÁPICAS

Apesar de terem finalidade de terapêutica, permitem observações muito interessantes das reações do indivíduo diante do “líder”, e dos indivíduos entre si.

d) AS TÉCNICAS SÓCIO-VISITADORAS

São as técnicas de serviço social que, por meio de visitas domiciliares, possibilitam observações in loco; os assistentes sociais são elementos preciosos nesse trabalho.

VII. O método projetivo. – Utilizado pela primeira vez por Frank, em 1939, o termo técnica projetiva designa todo tipo de atividade espontânea ou experimental na

qual o indivíduo exterioriza a sua personalidade íntima, nos seus planos consciente ou

inconsciente. Podemos distinguir nesses métodos as seguintes categorias, utilizadas

por Pichot:

a) AS TÉCNICAS CONSTITUTIVAS

Nas técnicas constitutivas, exige-se que o indivíduo dê estrutura a um material

não estruturado.

O “teste de Rorschach” pode ser considerado como a primeira técnica desse

gênero; consiste em dizer tudo que o indivíduo vê em manchas de tinta. Utiliza-se o

modo como o indivíduo percebe e localiza as interpretações, a influência da forma, do

movimento e da cor, assim como o conteúdo das respostas, com o fim de diagnosticar a

personalidade; estudam-se também as interações entre o pensamento e a afetividade.

Formas paralelas foram imaginadas por Hans Zulliger e Harower Erickson,

autores que utilizaram o teste de forma coletiva. É o teste de personalidade até hoje

mais estudado, pois Ombredane e Klopfer citam bibliografia de mais de 600 pesquisas

efetuadas no mundo inteiro, nas quais se apresentam propostas de modificações ou

estudos de validade do teste para a Psicopatologia; a utilização do teste com o fim de

Orientação Profissional está ainda em estado embrionário, quanto às pesquisas

efetuadas.

Depois, o método de Rorschach foi aplicado à interpretação de outros estímulos

musicais, verbais (Tautofone, de Skinner), tridimensionais ou consistindo ainda em

nuvens (Stern). Existe também um teste constitutivo táctil para cegos.

No desenho livre, cujos fenômenos projetivos foram descritos por Morgenstem,

considera.se o tamanho, a forma, a cor e o conteúdo (Liss). A modelagem e a “Finger

Painting” (pintura digital) de Shaw podem ser consideradas também como técnicas

constitutivas.

b) AS TÉCNICAS CONSTRUTIVAS

Nas técnicas construtivas, o indivíduo deve partir de estruturas definidas e criar

estruturas mais largas. Pode-se distinguir:

1) O jogo e o psicodrama, amplamente utilizados por Anna Freud, Melanie Klem e Madeleme Rambert, com material variando de bonecos a fantoches, animais, veículos desmontáveis. Ultimamente, Schneider, nos Estados Unidos, propôs a constituição de cenas sobre uma pequena platéia, com dezenas de personagens de cartolina; R. Stora preconiza técnica análoga com figuras de chumbo. O “teste da aldeia”, de Arthus, que pode também entrar nesta categoria, consiste em construir uma aldeia a partir de casinhas e outros elementos.

2) O desenho. Os testes de Sandet e de Wartegg constam do complemento de linhas. No teste de Morgenstem, pede-se ao indivíduo que desenhe a sua família. No de Buck, o examinando deve desenhar uma casa, uma árvore e uma pessoa. Koch sugere a interpretação de desenhos de duas árvores.

c) AS TÉCNICAS INTERPRETATIVAS

Consistem as técnicas interpretativas em pedir ao indivíduo que invente uma

resposta ou uma composição atendendo a estímulos definidos. Nessa categoria,

podemos classificar:

1) O “Thematic Aperception Test” (Teste de Apercepção Temática), de Murray, com formas para adultos, adolescentes (Symonds) e crianças (Bellak), no qual se pede ao indivíduo, diante de gravuras, que invente uma história. Apesar de

não ter recebido um sistema de cotação satisfatório, é esse teste que provoca o maior número de fenômenos projetivos.

2)O teste de associação de idéias, de Jung-Rosanoff, no qual se pede responder o mais depressa possível a uma série de palavras.estímulos.

3) O teste das fábulas, de Duas, e o das histórias a completar, de Madeleine Thomas e Rey.

4) O teste de reação à frustração, de Rosenzweig, com formas para adultos e crianças.

d) AS TÉCNICAS CATÁRTICAS OU SITUATIVAS (MIRA)

Consistem essas técnicas em colocar o indivíduo diante de uma situação

emocional fictícia (teatro, situação de exame, simulação de incêndio ou de fracasso

numa prova, etc.) e em observar as suas atitudes e reações emotivas. As situações de

emergência são as mais indicadas como estímulos.

VIII Os métodos psicoterápicos. – Partindo das teorias de Freud, Adler e Jung, é muitas vezes útil procurar as origens da conduta ou da escolha de uma

ocupação em complexos sexuais ou de inferioridade, ou ainda no inconsciente coletivo,

através de processos utilizados em Psicoterapia, como as associações livres, a análise

dos sonhos, a narco-análise, o sonho acordado de Desoille o psicodrama, etc.

É, no entanto, indispensável lembrar que essas técnicas estão reservadas para

a cura de neuroses, e que precisam ser manuseadas por especialistas muito bem

treinados.

IX. Os métodos genéticos. – São os métodos que procuram a origem dos traços de personalidade na hereditariedade familiar.

a) O MÉTODO GENEALÓGICO

Consiste em procurar dentro da família os traços temperamentais e os tipos de doenças mentais predominantes, a fim de formular hipóteses sobre a personalidade dos indivíduos. É o método utilizado em Psiquiatria e aproveitado por Szondi para demonstração da sua teoria do genotropismo, que nos levaria a escolher os nossos amigos, congêneres e profissão dentro de certo determinismo genético. Nessas técnicas, utiliza-se um genetograma, que permite resumir num gráfico os dados da herança de um indivíduo.

b) A ANAMNESE PSICOLÓGICA

Pode ser utilizada com o fim de diagnosticar a personalidade, não somente tomando em consideração os dados hereditários e fisiogênicos, mas também procurando conhecer os fatores psicogênicos, incluindo nestes os próprios traços de personalidade que podem ser considerados na sua interação recíproca, tal como o preconiza A. Rey.

c) O MÉTODO GENOTRÓPICO DE SZONDI

Consiste em escolher, dentro de fotografias de doentes mentais,. os que são simpáticos e antipáticos aos examinandos, tirando-se disso um diagnóstico versando sobre os equivalentes característicos dos vectores “sexual”, “paroxístico”, “esquizofrênico” e ciclóide. A validade do processo é muito discutida.

X. Os métodos estatísticos. – Ante essa diversidade de pontos de vista, qual deve ser a posição de um psicólogo que deseja fazer uma investigação da

personalidade?

A dificuldade essencial, em que esbarraram todos os experimentadores, é que

são obrigados a provar que os mais objetivos, que haviam encontrado com o auxílio de

métodos indiretos, correspondem perfeitamente ao traço de caráter procurado; isto é,

são obrigados a demonstrar a validade de um sinal objetivo, apoiando-se em

julgamentos subjetivos.

Para mostrar que um sinal X em um teste Y correspondia ao caráter Z, eles

eram, e são ainda, muitas vezes, obrigados a estabelecer correlações entre os sinais

objetivos do teste Y, que eles conhecem, e o caráter Z, que é justamente aquele que

eles procuravam definir com o teste.

Aliás, Binet não procedeu de outro modo, para estabelecer seu teste de

inteligência, ou, pelo menos, para demonstrar o seu valor. Provou que os resultados de

seus testes, baseados no êxito de 75% das crianças de cada idade, correspondiam ao

julgamento subjetivo do seu mestre.

Só mais tarde foram calculadas correlações entre os diversos testes de

inteligência. Chegou-se assim a isolar certos fatores gerais ou específicos, que dirigem

nossa atividade intelectual. Essa análise fatorial vem confirmar matematicamente as

descobertas ou as hipóteses dos neurólogos, concernentes à atividade cerebral.

Parece que já ultrapassamos, para o estudo da personalidade, o estado

correspondente àquele em que Binet se encontrava, do ponto de vista da inteligência;

os psicólogos de todos os países do mundo tendem a procurar correlações existentes

entre diferentes sinais de diferentes testes ou métodos, mais que supõem medir o

mesmo traço de personalidade. Os métodos de análise fatorial, que tiveram e têm ainda

tanta importância no estudo das funções intelectuais, começam a ser utilizados no

estudo da personalidade. É, provavelmente muito cedo para tirar conclusões sobre os

primeiros trabalhos efetuados por Cattell, Guilford, Thurstone, Eysenck e outros, a partir

de métodos de notações sobre o comportamento, de respostas a questionários ou de

outras técnicas mais objetivas. Fatores foram isolados pela maioria dos pesquisadores

em análise fatorial, tais como a “esquizotimia-cicloidia”, “surgence-dessurgene”, que

corresponde à “euforia-de-pressão”, a “ascendência-submissão”, o fator G, a

“estabilidade emocional”, medida em testes de “perseveração-rigidez” e a “influência-

sugestibilidade”, Todavia, nem todos os traços da personalidade podem ser submetidos

a medidas comparativas, pelo simples fato de alguns constituírem características

especificamente pessoais. Se de um lado a análise fatorial mostra que o indivíduo pode

ter uma parte da sua personalidade medida por testes objetivos, a outra parte é

constituída de fatores que fazem com que nenhuma personalidade seja idêntica, pois a

combinação e a intensidade destes depende de cada evolução individual, só podendo

ser avaliados por processos projetivos e clínicos em geral.

No plano do diagnóstico prático, pensamos que a Psicologia aplicada ao estudo

da personalidade deve ser um reflexo da tendência experimental de que acabamos de

falar.

XI. Os métodos de análise motivacional. – Surgiram, nestes últimos anos, vários trabalhos visando a analisar a personalidade através dos níveis motivacionais.

Por exemplo: o confronto entre o nível de aspiração de uma pessoa e o seu nível de

aptidão fornece dados de grande interesse; uma pessoa com nível de aspiração

elevado e nível de aptidão baixo será, com muita probabilidade, um elemento

insatisfeito, com tendências à desconfiança em relação ao mundo exterior e a revolta.

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