Manual Linux (Português), Notas de estudo de Meteorologia
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Manual Linux (Português), Notas de estudo de Meteorologia

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Apostila sobre o sistema operacional Linux
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A COMPUTAÇÃO PESSOAL E O SISTEMA OPERACIONAL LINUX

ANTONIO GOMES JUNIOR

NOTAS INICIAIS

Este e-book foi escrito por Antonio Gomes Junior com o objetivo de ser um guia para

iniciantes em Linux completamente gratuito e constitui-se de uma adaptação de monografia

do mesmo autor.

É permitido:

– Copiar o arquivo digital para quaisquer tipos de mídias;

– Distribuir livremente o conteúdo, sempre na totalidade e sempre gratuitamente;

– Imprimir o conteúdo desde que para uso pessoal e para fins não-comerciais;

– Utilizar partes do conteúdo em trabalhos acadêmicos, desde que citada a fonte;

Não é permitido:

– Alterar o conteúdo ou a capa, total ou parcialmente;

– Vender o material digital, impresso ou sob qualquer outra forma ou circunstância;

– Distribuir parcialmente a obra;

– Utilizar os textos sem a devida citação de referência;

Espera-se, com estas regras, que seja mantida a gratuidade do material e de suas

posteriores atualizações, permitindo o acesso a quaisquer pessoas que desejarem obtê-lo.

Distribua à vontade, leia à vontade e sinta-se livre para enviar sugestões de melhorias para

mim no endereço linuxnodesktop@gmail.com. As melhorias implementadas certamente terão

seus autores citados nas próximas edições.

Guariba, SP Junho / 2007

Dedico,

Aos meus pais, que sempre me apoiaram nos estudos; à minha querida namorada Juliana, que mostrou-se paciente comigo;

à memória de minha amada e inesquecível amiga canina Lassie e ao meu mais novo e fiel companheiro,

meu muito amado cãozinho Simba.

AGRADECIMENTOS

Ao professor Marco Antonio, pela paciência, competência e prestatividade como meu orientador da faculdade e pelas brilhantes aulas sobre sistemas operacionais.

Aos amigos Fernando Camilo, Ricardo Leite, Victório, Diogo, professor Rubens e todos os demais, pelas idéias compartilhadas sobre Software Livre em nossas diversas edições do Chopp Nerd.

A toda comunidade Software Livre, pela inestimável contribuição com o desenvolvimento de uma sociedade onde o trabalho de cada membro é utilizado em benefício de todos e onde o reconhecimento intelectual e o compartilhamento de conhecimento são as únicas chaves para o sucesso.

A todos que colaboraram, direta ou indiretamente, com meu processo de aprendizado, desde o início de minha vida acadêmica e aos autores das obras utilizadas como fonte de pesquisa, sem as quais este trabalho não seria possível.

Ao João Fernando Costa Junior, responsável pela Iniciativa Espírito Livre (http://www.espiritolivre.org) e ao Célio Simões, da Net Home Informação e Tecnologia (http://www.simoes.com.br), por apoiarem este material e cederem hospedagem para download do mesmo em seus sites.

A todos que publicaram notícias sobre o lançamento desta obra e aos leitores que me enviaram mensagens.

SUMÁRIO NOTAS INICIAIS......................................................................................................................3 LISTA DE FIGURAS...............................................................................................................10 INTRODUÇÃO........................................................................................................................14 1 – O SISTEMA OPERACIONAL LINUX.............................................................................16

1.1 – Origens de Unix e Linux.............................................................................................16 1.1.1 – Origem do Unix e sua relação com a Internet.....................................................16 1.1.2 – GNU, Free Software Foundation e o kernel de Linus Torvalds..........................17 1.1.3 – Kernel modular e monolítico...............................................................................18

1.2 – Motivação para migrar para Linux..............................................................................19 1.2.1 – Segurança.............................................................................................................19 1.2.2 – Custo....................................................................................................................20 1.2.3 – Disponibilidade de programas.............................................................................20 1.2.4 – Suporte e Desenvolvimento.................................................................................21

1.3 – Estrutura e regras básicas do sistema Linux................................................................21 1.3.1 – A estrutura de arquivos em Linux.......................................................................22 1.3.2 – Principais diretórios em Linux e sua utilização...................................................23 1.3.3 – Permissões de acesso a arquivos e diretórios......................................................25 1.3.4 - Comandos úteis....................................................................................................26

1.4 – Suporte a hardware no Linux......................................................................................27 1.4.1 – Unidades de armazenamento e mídia externa.....................................................28 1.4.2 – Unidades SCSI.....................................................................................................29 1.4.3 – Disquetes.............................................................................................................29 1.4.4 – Sistema de áudio e multimídia.............................................................................29 1.4.5 – Portas seriais e paralelas......................................................................................30 1.4.6 – Placas de vídeo com aceleração 3D.....................................................................30

1.5 - Como buscar ajuda nos programas e na Internet.........................................................31 2 – A DISTRIBUIÇÃO DEBIAN GNU/LINUX.....................................................................34

2.1 – O Projeto Debian.........................................................................................................35 2.2 – Os pacotes e seu gerenciamento no Debian GNU/Linux............................................36

2.2.1 – Os pacotes no Debian GNU/Linux......................................................................36 2.2.2 – Gerenciamento de pacotes...................................................................................37 2.2.3 – Instalação básica de um aplicativo pelo método apt............................................38 2.2.4 - O arquivo sources.list...........................................................................................40 2.3 – Sistema de distribuições Debian (Debian Releases)...............................................42 2.3.1 – Unstable...............................................................................................................42 2.3.2 – Testing.................................................................................................................42 2.3.3 – Frozen..................................................................................................................43 2.3.4 – Stable...................................................................................................................43 2.3.5 – Codinomes das distribuições Debian...................................................................44

2.4 – Motivações para utilização de Debian GNU/Linux....................................................44 3 – AMBIENTE COMPUTACIONAL....................................................................................47

3.1 – Requisitos de Hardware para Debian GNU/Linux......................................................47 3.2 – Instalação do sistema Debian GNU/Linux..................................................................48

3.2.1 – Obtenção das mídias de instalação......................................................................48 3.2.2 – Iniciar a instalação de Debian GNU/Linux 4.0...................................................49 3.2.3 – Seleção de idioma e país de localização..............................................................50 3.2.4 – Indicação do tipo de teclado................................................................................52 3.2.5 – Configuração de rede, hostname e domínio........................................................53 3.2.6 – Particionamento de discos...................................................................................56 3.2.7 – Escolha de fuso horário.......................................................................................64

3.2.8 – Definição da senha de root e criação de usuário comum.....................................64 3.2.9 – Finalização da instalação e gravação do gerenciador de partida.........................67 3.10 – Adicionar CDs ao repositório e instalar Synaptic.................................................68

4 – AMBIENTE GRÁFICO EM LINUX.................................................................................70 4.1 – Xfree e X.org...............................................................................................................70 4.2 – Gerenciadores de janelas tradicionais.........................................................................71

4.2.1 – Blackbox / Fluxbox.............................................................................................71 4.2.2 – Enlightenment......................................................................................................71 4.2.3 – Icewm e FVWM..................................................................................................71 4.2.4 – XFCE...................................................................................................................72 4.2.5 – Windowmaker.....................................................................................................72

4.2.6 – Gerenciador de janelas 3D Compiz Fusion..............................................................72 4.2.7 – Ambiente gráfico GNOME.....................................................................................75 5 – AMBIENTE GRÁFICO KDE............................................................................................77

5.1 – Requerimentos para KDE............................................................................................77 5.2 – Configurações iniciais.................................................................................................78 5.3 – Seleção do idioma do sistema.....................................................................................79 5.4 – O ambiente de trabalho de KDE..................................................................................80

5.4.1 – Área de trabalho...................................................................................................80 5.4.2 – O painel do KDE.................................................................................................84 5.4.3 – O menu K.............................................................................................................85

5.5 – O Centro de Controle KDE.........................................................................................86 5.5.1 – Administração do sistema....................................................................................87 5.5.2 – Aparência e temas................................................................................................88 5.5.3 – Área de trabalho...................................................................................................90 5.5.4 – Componentes do KDE.........................................................................................92 5.5.5 – Controle de energia..............................................................................................94 5.5.6 – Internet & rede.....................................................................................................94 5.5.7 – Periféricos............................................................................................................96 5.5.8 – Regional & acessibilidade...................................................................................97 5.5.9 – Segurança & privacidade.....................................................................................99 5.5.10 – Som & multimídia...........................................................................................100 5.5.11 – Outras ferramentas de configuração................................................................100 5.5.12 - Instalando novas fontes no sistema..................................................................101 5.5.13 - Alterar o tema de ícones...................................................................................102 5.5.14 - Personalizando os atalhos de teclado...............................................................104 5.5.15 - Exibindo ícones de dispositivos na área de trabalho........................................106 5.5.16 - Alterar o fundo de tela (papel de parede).........................................................107 5.5.17 - Tipos de arquivos e ações.................................................................................109

5.6 – Gerenciador Konqueror.............................................................................................110 5.6.1 – Recursos de navegação......................................................................................110 5.6.2 – Integração com aplicativos nativos....................................................................113 5.6.3 – Recursos de Internet..........................................................................................115 5.6.4 – Ferramentas especiais do Konqueror.................................................................116

6 – APLICAÇÕES PARA INTERNET..................................................................................121 6.1 – Navegador web Iceweasel.........................................................................................121

6.1.1 – Instalação do navegador....................................................................................121 6.1.2 – Recursos de Iceweasel.......................................................................................122 6.1.3 – Configurações de Iceweasel..............................................................................125

6.2 – Comunicador instantâneo Kopete.............................................................................126 6.2.1 – Instalação do Kopete.........................................................................................127 6.2.2 – Configurações para utilização de Kopete com uma conta MSN.......................127

6.2.3 – Configurações gerais do programa Kopete........................................................130 6.2.4 – Funcionamento básico do Kopete......................................................................134 6.2.5 - Instalando webcam e testando com CamStream e Kopete.................................135

6.3 – Leitor de e-mail Evolution........................................................................................137 6.3.1 – Configuração inicial de Evolution....................................................................137 6.3.2 – Recursos de e-mail no Evolution.......................................................................139 6.3.3 – A agenda de contatos.........................................................................................142 6.3.4 – A agenda de compromissos...............................................................................143 6.3.5 – Tarefas e memorandos.......................................................................................144 6.3.6 – Configurações adicionais de Evolution.............................................................145

6.4 – Agregador de RSS Akregator....................................................................................146 6.4.1 – Recursos básicos de Akregator..........................................................................147 6.4.2 – Configurações do programa...............................................................................149

6.5 – Compartilhamento de arquivos com KTorrent..........................................................150 6.5.1 – A configuração de KTorrent..............................................................................151 6.5.2 – Recursos de KTorrent........................................................................................152

6.6 – VOIP em GNU/Linux com Skype.............................................................................154 6.6.1 – A instalação de Skype em Debian GNU/Linux.................................................154 6.6.2 – Configurações de Skype....................................................................................155 6.6.3 – Recursos de Skype para Linux..........................................................................156 6.6.4 – Considerações adicionais...................................................................................157

6.7 - Conectando-se à Internet discada...............................................................................159 6.8 - Conectando-se à Internet banda larga........................................................................161

7 – APLICAÇÕES PARA ESCRITÓRIO..............................................................................164 7.1 – A suíte OpenOffice.org 2.0.......................................................................................164

7.1.1 – OpenOffice.org Writer.......................................................................................165 7.1.2 – OpenOffice.org Calc..........................................................................................168 7.1.3 – OpenOffice.org Impress....................................................................................169 7.1.4 – OpenOffice.org Draw........................................................................................170 7.1.5 – OpenOffice.org Base.........................................................................................171 7.1.6 – OpenOffice.org Math.........................................................................................172 7.1.7 – Geração nativa de arquivos PS e PDF...............................................................173

7.2 – Gerenciamento de informações pessoais utilizando Kontact....................................175 7.3 – Gerenciamento de projetos utilizando Planner..........................................................177 7.4 – Editoração eletrônica com Scribus............................................................................178 7.5 – Criação de diagramas com Dia e Kivio.....................................................................178 7.6 – Gerenciador de finanças KmyMoney........................................................................180

7.6.1 – Principais funções disponibilizadas por KMyMoney........................................181 7.6.2 – Configurações de KMyMoney..........................................................................182

8 – APLICAÇÕES MULTIMÍDIA........................................................................................183 8.1 – Reprodução de áudio.................................................................................................183

8.1.1 – Amarok..............................................................................................................183 8.1.2 - Obter informações de músicas, álbuns, letras e artistas com Amarok....................185

8.1.3 – Noatun...............................................................................................................188 8.2 – Codificação de áudio.................................................................................................189

8.2.1 – Codificação utilizando KAudioCreator.............................................................190 8.2.2 – Codificação utilizando Konqueror.....................................................................190

8.3 – Reprodução de vídeos...............................................................................................191 8.3.1 – Mplayer..............................................................................................................191 8.3.2 – Kaffeine.............................................................................................................193 8.3.3 – Xine...................................................................................................................194

8.4 – Conversão e edição de vídeos...................................................................................195

8.4.1 – FFMpeg.............................................................................................................196 8.4.2 – Edição de vídeo.................................................................................................196 8.4.3 - Gravar um vídeo da tela com XVidCap.............................................................197

8.5 – Gravação de CD e DVD............................................................................................199 8.5.1 – K3B....................................................................................................................200 8.5.2 – X-CD-Roast.......................................................................................................201 8.5.3 - Clonando DVDs com K9Copy...........................................................................201

8.6 – Edição de imagens.....................................................................................................203 8.6.1 – O GIMP.............................................................................................................203 8.6.2 – Inkscape.............................................................................................................208 8.6.3 - Capturar a imagem da tela com KSnapshot.......................................................209

8.7 – Modelagem 3D..........................................................................................................211 8.7.1 – Blender...............................................................................................................211

8.8 – Gerenciamento de imagens.......................................................................................213 8.8.1 – Picasa.................................................................................................................213 8.8.2 - Instalação do Google Picasa...............................................................................215 8.8.3 – F-Spot................................................................................................................216

8.9 – Comunicação com câmeras digitais e outros dispositivos USB................................218 8.9.1 – Digikam e as câmeras digitais...........................................................................218 8.9.2 – Tocadores de áudio portáteis, pendrives e o desktop Linux..............................219

8.10 – Jogos........................................................................................................................222 8.10.1 – Jogos simples do ambiente KDE.....................................................................222 8.10.2 - Instalar o driver 3D da nVidia..........................................................................225 8.10.3 – Jogos que utilizam placa gráfica 3D................................................................228

8.11 – Placas de captura e TV............................................................................................232 8.11.1 – Escolha do hardware ideal...............................................................................232 8.11.2 – Descobrindo qual hardware está instalado......................................................233 8.11.3 – Instalando e configurando a placa de TV........................................................234 8.11.4 – Visualizando com TVTime.............................................................................235

9 – UTILITÁRIOS, IMPRESSORAS E REDE......................................................................238 9.1 – Backup.......................................................................................................................238

9.1.1 – Backup em desktop com Keep..........................................................................238 9.2 – Editores de texto e calculadora..................................................................................239 9.3 – Suporte a impressoras................................................................................................241

9.3.1 – Sistema de impressão com CUPS......................................................................241 9.4 – Trabalho em rede.......................................................................................................244

9.4.1 – Habilitando os compartilhamentos....................................................................245 9.4.2 – Redes sem fios...................................................................................................247

9.5 - Firewall......................................................................................................................248 9.5.1 – Firestarter...........................................................................................................249

10 – LINGUAGENS DE PROGRAMAÇÃO E SCRIPTS....................................................251 10.1 – Linguagem C...........................................................................................................251 10.2 – Gambas....................................................................................................................251 10.3 – Python......................................................................................................................253 10.4 – PHP..........................................................................................................................253

11 – SOFTWARE LIVRE NAS EMPRESAS........................................................................255 11.1 – Caixa Econômica Federal........................................................................................255 11.2 – Metrô de São Paulo.................................................................................................256 11.3 – Outros casos de migração para Linux.....................................................................256

OBSERVAÇÕES FINAIS DO AUTOR................................................................................258 BIBLIOGRAFIA....................................................................................................................260

LISTA DE FIGURAS FIGURA 1 - Exemplo de busca no Google .............................................................................32 FIGURA 2 - Busca de pacotes pela ferramenta apt..................................................................39 FIGURA 3 - Tela inicial para instalação do sistema Debian GNU/Linux................................50 FIGURA 4 - Seleção de idioma para o processo de instalação.................................................51 FIGURA 5 - Seleção de país do utilizador...............................................................................52 FIGURA 6 - Seleção do layout de teclado................................................................................53 FIGURA 7 - Seleção de interface de rede primária..................................................................54 FIGURA 8 - Digitar o nome do computador............................................................................55 FIGURA 9 - Tela de escolha do domínio de rede a que pertence o computador.....................55 FIGURA 10 - Seleção do método de particionamento.............................................................57 FIGURA 11 - Lista de discos rígidos e partições.....................................................................58 FIGURA 12 - Tela inicial de configuração de partição............................................................59 FIGURA 13 - Seleção do tipo de sistema de arquivos para uma partição................................60 FIGURA 14 - Seleção do ponto de montagem de uma partição...............................................61 FIGURA 15 - Finalizar a configuração da partição..................................................................62 FIGURA 16 - Finalizando o particionamento...........................................................................63 FIGURA 17 - Confirmar as mudanças nos discos....................................................................63 FIGURA 18 - Selecionar fuso horário......................................................................................64 FIGURA 19 - Digitar senha do root..........................................................................................65 FIGURA 20 - Digitar o nome completo do usuário comum.....................................................66 FIGURA 21 - Nome de login do usuário comum.....................................................................66 FIGURA 22 - Instalar GRUB na MBR.....................................................................................67 FIGURA 23 - Escrever na tela com fogo usando Compiz Fusion............................................74 FIGURA 24 - Visualização em cubo no Compiz.....................................................................75 FIGURA 25 - Assistente de Configurações para a Área de Trabalho......................................79 FIGURA 26 - Selecionar idioma Português do Brasil..............................................................80 FIGURA 27 - Área de trabalho KDE........................................................................................81 FIGURA 28 - Configurar a área de trabalho.............................................................................82 FIGURA 29 - Janela Sistema no Konqueror............................................................................83 FIGURA 30 - Menu rápido KDE..............................................................................................84 FIGURA 31 - Menu rápido arrastar-e-soltar.............................................................................84 FIGURA 32 - Painel do KDE (barra de tarefas).......................................................................85 FIGURA 33 - Centro de controle (administração do sistema)..................................................87 FIGURA 34 - Centro de controle (aparência e temas)..............................................................89 FIGURA 35 - Centro de controle (área de trabalho)................................................................91 FIGURA 36 - Centro de controle (componentes do KDE).......................................................93 FIGURA 37 - Centro de controle (componentes do KDE).......................................................93 FIGURA 38 - Centro de controle (Internet & rede)..................................................................95 FIGURA 39 - Centro de controle (periféricos).........................................................................96 FIGURA 40 - Centro de controle (regional & acessibilidade).................................................98 FIGURA 41 - Centro de controle (segurança & privacidade)..................................................99 FIGURA 42 - Centro de controle (som & multimídia)...........................................................100 FIGURA 43 - Instalador de fontes..........................................................................................102 FIGURA 44 - Alterar tema de ícones.....................................................................................103 FIGURA 45 - Ajustes avançados em ícones...........................................................................103 FIGURA 46 - Configurar atalhos de teclado..........................................................................104 FIGURA 47 - Configurar um atalho.......................................................................................105 FIGURA 48 - Atalhos globais de KDE..................................................................................105 FIGURA 49 - Menu suspenso de KDE...................................................................................106 FIGURA 50 - Ícones de dispositivos de KDE........................................................................106

FIGURA 51 - Mídia Removível.............................................................................................107 FIGURA 52 - Remoção segura de mídia removível...............................................................107 FIGURA 53 - Trocar fundo de tela (papel de parede)............................................................108 FIGURA 54 - Obter novos planos de fundo com ferramenta KDE........................................108 FIGURA 55 - Tipos de arquivos e associações com programas.............................................109 FIGURA 56 - Konqueror com cinco abas abertas..................................................................111 FIGURA 57 - Dividir a navegação em painéis no Konqueror................................................111 FIGURA 58 - Painéis na visão Esquerda/Direita de Konqueror............................................112 FIGURA 59 - Três formas de visualização de arquivos de Konqueror..................................113 FIGURA 60 - Menu rápido.....................................................................................................113 FIGURA 61 - Visualização de arquivo compactado no Konqueror.......................................114 FIGURA 62 - Reprodução de vídeo em uma aba do Konqueror............................................115 FIGURA 63 - Navegação FTP no Konqueror........................................................................116 FIGURA 64 - Parâmetros para criação de galeria de imagens...............................................117 FIGURA 65 - Galeria de imagens gerada pelo Konqueror.....................................................118 FIGURA 66 - Codificação de CDs com o Konqueror............................................................120 FIGURA 67 - Navegação em abas com Iceweasel.................................................................123 FIGURA 68 - Instalar plugins adicionais em Iceweasel.........................................................123 FIGURA 69 - Opções de busca integradas ao Iceweasel........................................................124 FIGURA 70 - Aceitar extensão...............................................................................................124 FIGURA 71 - Janela de configurações de Iceweasel..............................................................125 FIGURA 72 - Exemplo de instalação de Kopete....................................................................127 FIGURA 73 - Escolha de protocolo para utilização no programa Kopete.............................128 FIGURA 74 - Definição de conta para o protocolo escolhido em Kopete.............................129 FIGURA 75 - Janela principal de Kopete...............................................................................130 FIGURA 76 - Configuração da seção Comportamento de Kopete.........................................131 FIGURA 77 - Seção Aparência das configurações de Kopete...............................................132 FIGURA 78 - Menu Configurações do Kopete.....................................................................133 FIGURA 79 - Configuração de plugins de Kopete.................................................................134 FIGURA 80 - CamStream.......................................................................................................136 FIGURA 81 - Ajustar webcam em Kopete.............................................................................136 FIGURA 82 - Dados para criação de conta no Evolution.......................................................138 FIGURA 83 - Configuração para recebimento de e-mails no Evolution................................139 FIGURA 84 - Tela inicial do cliente de e-mails Evolution....................................................140 FIGURA 85 - Rótulos no Evolution.......................................................................................141 FIGURA 86 - Cadastro de contato no Evolution....................................................................142 FIGURA 87 - Adicionando compromisso no Evolution........................................................143 FIGURA 88 - Agenda de compromissos de Evolution...........................................................144 FIGURA 89 - Tarefas no Evolution........................................................................................145 FIGURA 90 - Configurações gerais de Evolution..................................................................146 FIGURA 91 - Adicionar fonte de notícias no Akregator........................................................147 FIGURA 92 - Parâmetros para nova fonte de notícias...........................................................148 FIGURA 93 - Exibição de fonte de notícias RSS do portal UOL..........................................148 FIGURA 94 - Leitura de matéria completa no Akregator......................................................149 FIGURA 95 - Configurações de Akregator............................................................................150 FIGURA 96 - Configuração de KTorrent...............................................................................151 FIGURA 97 - Janela principal de KTorrent............................................................................153 FIGURA 98 - Janela de configurações de Skype...................................................................155 FIGURA 99 - Skype com uma conversação ativa..................................................................157 FIGURA 100 - Configuração do sistema ALSA para captura de som...................................158 FIGURA 101 - Volume do som em KMix.............................................................................159 FIGURA 102 - Conexão à Internet discada............................................................................161

FIGURA 103 - Interface principal de BrOffice.org Writer....................................................166 FIGURA 104 - Configurações de BrOffice.org Writer..........................................................167 FIGURA 105 - Estilo de página em OpenOffice.org Writer..................................................168 FIGURA 106 - Janela principal de BrOffice.og Calc.............................................................169 FIGURA 107 - Janela principal de BrOffice.org Impress......................................................170 FIGURA 108 - Janela principal de BrOffice.org Draw..........................................................171 FIGURA 109 - Janela principal de BrOffice.org Base...........................................................171 FIGURA 110 - Criação de fórmula no BrOffice.org Math.....................................................173 FIGURA 111 - Geração de arquivos PS no BrOffice.org Writer...........................................174 FIGURA 112 - Exportação de documentos em formato PDF no Writer................................175 FIGURA 113 - Kontact exibindo informações de KMail.......................................................176 FIGURA 114 - Janela principal de Planner............................................................................177 FIGURA 115 - Demonstração de Scribus...............................................................................178 FIGURA 116 - Janela principal de Kivio...............................................................................179 FIGURA 117 - Janela principal do software Dia....................................................................180 FIGURA 118 - Janela principal de KMyMoney.....................................................................181 FIGURA 119 - Configurações de KMyMoney.......................................................................182 FIGURA 120 - Reprodução de áudio em Amarok.................................................................184 FIGURA 121 - Editar informações em Amarok.....................................................................185 FIGURA 122 - Escolher informações da faixa.......................................................................186 FIGURA 123 - Buscar capa do álbum com Amarok..............................................................187 FIGURA 124 - Capa encontrada por Amarok........................................................................187 FIGURA 125 - Letra de música recuperada por Amarok.......................................................188 FIGURA 126 - Noatun............................................................................................................189 FIGURA 127 - Janela principal de KAudioCreator................................................................190 FIGURA 128 - Codificação de áudio pelo Konqueror...........................................................191 FIGURA 129 - Mplayer reproduzindo um filme....................................................................192 FIGURA 130 - Janela principal de Kaffeine..........................................................................193 FIGURA 131 - Menu Kaffeine...............................................................................................194 FIGURA 132 - Reprodutor de mídia Xine..............................................................................195 FIGURA 133 - Interface principal de XVidCap.....................................................................199 FIGURA 134 - Janela principal de K3B.................................................................................200 FIGURA 135 - Backup de DVD com K9Copy......................................................................202 FIGURA 136 - Configurar K9Copy.......................................................................................203 FIGURA 137 - Janela de ferramentas de GIMP.....................................................................205 FIGURA 138 - Janela de trabalho de GIMP, com menu suspenso ativado............................206 FIGURA 139 - Aplicação do Script-Fu Trançar sobre uma imagem.....................................207 FIGURA 140 - Janela de preferências de GIMP....................................................................208 FIGURA 141 - Inkscape: Lamborghini Gallardo, por Michael Grosberg..............................209 FIGURA 142 - Snapshot de janela sem bordas......................................................................211 FIGURA 143 - Área de trabalho de Blender..........................................................................213 FIGURA 144 - Picasa do Google...........................................................................................214 FIGURA 145 - Repositórios de APT ajustados por Synaptic.................................................216 FIGURA 146 - Interface de F-Spot........................................................................................217 FIGURA 147 - Lista de câmeras digitais de Digikam............................................................218 FIGURA 148 - Janela principal de Digikam..........................................................................219 FIGURA 149 - Ação para dispositivo USB............................................................................220 FIGURA 150 - Arquivos presentes no dispositivo portátil de áudio......................................221 FIGURA 151 - Frozen Bubble................................................................................................223 FIGURA 152 - Ksokoban: o almoxarifado japonês................................................................224 FIGURA 153 - Jogo educativo KAtômico.............................................................................224 FIGURA 154 - Penguin Racer................................................................................................228

FIGURA 155 - GLTron..........................................................................................................229 FIGURA 156 - Simulador de vôo FlightGear.........................................................................230 FIGURA 157 - Foobillard.......................................................................................................230 FIGURA 158 - Jogo de xadrez em 3D BrutalChess...............................................................231 FIGURA 159 - Um dos cenários de Tremulous.....................................................................232 FIGURA 160 - TVTime..........................................................................................................236 FIGURA 161 - Gerenciador de cópias de segurança Keep.....................................................239 FIGURA 162 - Marcação para PHP com KWrite...................................................................240 FIGURA 163 - A calculadora de KDE KCalc........................................................................240 FIGURA 164 - Página inicial de CUPS..................................................................................242 FIGURA 165 - Impressoras no Centro de Controle de KDE.................................................243 FIGURA 166 - Diálogo de seleção de impressora de KDE....................................................244 FIGURA 167 - Compartilhamento de Arquivos pelo Centro de Controle.............................245 FIGURA 168 - Diálogo de compartilhamento........................................................................246 FIGURA 169 - Acesso a compartilhamento com Konqueror.................................................247 FIGURA 170 - Janela principal de KwiFiManager................................................................248 FIGURA 171 - Janela principal de Firestarter........................................................................250 FIGURA 172 - IDE de Gambas..............................................................................................252

INTRODUÇÃO A criação dos computadores pessoais foi um marco muito importante na história da

informática atualmente conhecida. A miniaturização dos componentes possibilitou uma

redução nos custos de fabricação dos computadores pessoais, tornando-os acessíveis, na

década de 80, a uma boa parte das empresas, ajudando a transformar muitos processos de

trabalho.

De 1981 (ano de lançamento do primeiro computador pessoal, pela IBM) a 1984,

foram comercializados mais de 250 mil computadores pessoais. As projeções de analistas

apontavam para aproximadamente 80 milhões de computadores pessoais até finais do século

XX, número que foi absurdamente maior, chegando a 500 milhões de PCs (Personal Computers – Computadores Pessoais) vendidos até o ano 2000.

No início da década de 90, o desenvolvimento de aplicações gráficas facilitou o uso

dos PCs (também chamados desktops) por parte de quaisquer pessoas e permitiu a sua

introdução nos lares, onde, a partir de 1994, com a chegada do CD-ROM, o computador fez

sucesso por possibilitar o trabalho no campo do entretenimento com músicas, vídeos e jogos.

As universidades tiveram sua parcela de contribuição para a expansão do uso do PC, com a

utilização pelos estudantes na preparação de tarefas e trabalhos. Ainda na mesma década, com

a evolução da Internet, os computadores pessoais assumiram papéis ainda mais importantes no cotidiano das pessoas, facilitando a comunicação, a interação e o trabalho dos usuários.

Tudo isto somente foi possível graças à evolução do conjunto que forma a base da

computação: os componentes físicos, os programas e as pessoas. O foco desta pesquisa são os

programas, mais especificamente os sistemas operacionais. O sistema operacional é o

software (programa) que permite a interação entre os outros dois componentes de um sistema

computacional. É interagindo com o sistema operacional que os usuários (pessoas) podem

obter resultados a partir de seus computadores.

Existem diversos sistemas operacionais, alguns deles específicos a uma plataforma de

hardware (componentes físicos, como placas e dispositivos) e outros mais abrangentes. Os

sistemas dividem-se também entre proprietários - aqueles que pertencem a uma organização e

geralmente exigem pagamento de licenças por sua utilização - e livres – sistemas que podem

ser utilizados sem o pagamento de licenças. Praticamente todos os sistemas operacionais

livres também são de fonte aberta (open source), o que significa que o código fonte do sistema é disponibilizado ao usuário. O sistema operacional livre focado neste trabalho é

GNU/Linux, sob a distribuição do projeto Debian.

Desde sua criação, o sistema Linux sempre foi considerado um sistema operacional de

difícil utilização por pessoas com pouco conhecimento técnico sobre computação. Esta crença

fez com que o sistema fosse adotado muito mais em servidores de empresas do que em

computadores pessoais de usuários domésticos, onde o reinado dos sistemas proprietários se

estabeleceu.

Nos últimos anos, isto desencadeou uma busca, por parte dos desenvolvedores de

Linux, pela criação de distribuições do sistema com ferramentas mais amigáveis ao utilizador

e mais compatíveis com os hardwares dos PCs domésticos. Desde o ano de 2005, o Governo Federal do Brasil tem incentivado a comercialização de computadores pessoais com o sistema

Linux instalado. A força conjunta entre desenvolvedores independentes e os governos de

diversos países está tornando cada vez mais possível a adoção do Linux nos desktops dos

usuários domésticos e de empresas.

Os sistemas operacionais proprietários, utilizados na grande maioria dos computadores

pessoais no Brasil, quase sempre não possuem licença de uso por parte de seus utilizadores,

estando estes sujeitos a multas por uso de software ilegal. O preço da licença de um sistema

operacional proprietário é alto se relacionado com o poder aquisitivo da sociedade brasileira

de forma geral. Este fator encarece o processo de aquisição de um microcomputador com

software legalizado para as famílias de média e baixa rendas, onde o Linux entra em cena, barateando consideravelmente os custos.

Mesmo contando com um conjunto completo de ferramentas alternativas gratuitas e

livres (que podem permitir a obtenção dos mesmos resultados de ferramentas proprietárias), o

sistema Linux tem encontrado certa dificuldade para atingir os computadores pessoais.

O presente trabalho pretende demonstrar funcionalidades e ferramentas em um

desktop Linux, identificando programas que atendem satisfatoriamente às necessidades de um usuário comum, em termos de obtenção de resultados, facilidade de operação e

compatibilidade com softwares proprietários. Este livro destina-se principalmente aos usuários iniciantes em Linux, por este motivo, preocupa-se em demonstrar programas sem

maiores aprofundamentos técnicos e prioriza o uso da interface gráfica em vez da linha de

comandos.

1 – O SISTEMA OPERACIONAL LINUX O Linux é um sistema operacional de código fonte aberto, derivado do Unix e

poderoso o suficiente para ser adotado em servidores do mundo todo para as mais diversas

tarefas.

Por este motivo, durante vários anos, os usuários de computadores pessoais

acreditavam que a utilização de Linux estava reservada a administradores de redes e

servidores. De fato, durante um bom tempo, a grande preocupação dos desenvolvedores era

somente com as funcionalidades de servidor oferecidas pelo Linux.

Felizmente, um grande esforço tem sido realizado pela comunidade de software livre

em geral para tornar o Linux uma alternativa bastante atrativa aos usuários de desktops do mundo todo. Este capítulo aborda um pouco da história do Linux e as razões para sua

utilização.

1.1 – Origens de Unix e Linux Devido à sua origem, Linux implementa boas características dos sistemas Unix, como

por exemplo, a maioria dos comandos de linha de comando (que são válidos nos dois sistemas

operacionais).

1.1.1 – Origem do Unix e sua relação com a Internet Linux deriva de Unix e este, por sua vez, possui ligação com um dos primeiros

sistemas de compartilhamento de tempo: o MULTICS (Multiplexed Information and

Computing Service – serviço de informações e computação simultâneo), desenvolvido por Bell Labs da AT&T, MIT e General Eletric. A Bell Labs abandonou o projeto, mas dois

desenvolvedores, Ken Thompson e Dennis Richie (criador da linguagem C) trabalharam para

construir um sistema menor que fosse baseado no MULTICS. Eles achavam que o MULTICS

não progredia tão bem quanto gostariam e iniciaram o desenvolvimento de um sistema

A computação pessoal e o sistema operacional Linux - 17

operacional multiusuário que pudesse ser robusto e poderoso e também obtivesse melhor

desempenho na execução de pequenos programas (ferramentas). O nome Unix foi dado ao

novo sistema por Brian Kernighan, pesquisador da Bell Labs.

A AT&T alterou o Unix e lançou o System III, sendo que este foi seguido pelo lançamento do comercial Unix System IV. A empresa enfrentou problemas com a

comercialização do sistema Unix e acabou por distribuir o sistema com o código-fonte para as

universidades, mas sem garantia. Esta prática deu origem ao termo open source (fonte aberta)

e fez com que diversas instituições de ensino e pesquisa pudessem alterar e adaptar o sistema

sem problemas jurídicos. Na década de 1980, a AT&T conseguiu comercializar Unix com

direitos autorais, mas novamente não obteve sucesso e vendeu os direitos para o SCO Group. Naquela época, a ARPA (Advanced Research Project Agency - Agência de Projeto de

Pesquisa Avançada), foi designada pelo Departamento de Defesa dos EUA para criar uma

rede de computadores resistente a ataques militares. Esta rede recebeu o nome de ARPANET

e utilizava Unix na sua base, pois o TCP/IP (Transmission ControlProtocol/InternetProtocol – Protocolo de controle de transmissão/Protocolo de Internet) era o protocolo utilizado para

troca de dados e era montado em Unix. Mais tarde, a ARPANET tornou-se a Internet que é conhecida e os sistemas derivados de Unix ainda constituem um dos mais importantes fatores

para o correto funcionamento desta rede.

Os sistemas Unix e seus derivados são confiáveis e muito famosos por sua segurança,

mas ao contrário do que possa parecer, o alto nível de segurança de Unix não era um dos

principais objetivos do projeto de Thompson e Richie.

1.1.2 – GNU, Free Software Foundation e o kernel de Linus Torvalds A idéia de software livre de Richard Stallman (formado em Física pela Universidade

de Harvard - EUA) nasceu quando ele ainda era integrante de um grupo de hackers do laboratório de inteligência artificial do MIT. Stallman utilizava uma impressora para colocar

no papel os códigos de programação que escrevia e resolvia quaisquer problemas eventuais

com o equipamento, pois era conhecedor de seus códigos. Quando a impressora foi

substituída, Stallman pediu ao fabricante do novo equipamento os códigos-fontes e não

recebeu resposta positiva. Assim, iniciou uma busca por tornar acessíveis os códigos

guardados secretamente pelos fabricantes. Surgiu então a idéia de software livre e da Free Software Foundation (Fundação do software livre, comumente referenciada como FSF).

Em meados de 1984, Richard Stallman iniciou seus trabalhos em uma parte do projeto

GNU, pretendendo criar um grupo de livre compartilhamento de software, pois acreditava que

A computação pessoal e o sistema operacional Linux - 18

se ele gostasse de um programa, precisava compartilhar o mesmo com outras pessoas que

também gostavam dele. O projeto GNU tinha como objetivo a criação de um sistema

operacional que fosse compatível com o padrão Unix. Este fato ia de encontro aos direitos

autorais do Unix, motivo pelo qual a FSF criou uma licença denominada GPL (General Public Licence – Licença Pública Geral). A licença tinha como base a livre distribuição do

software, o direito ao estudo, à modificação e ao aperfeiçoamento por quaisquer pessoas, sem que fosse exigido pagamento de licenças. Um novo sistema operacional estaria sendo criado

pelo projeto GNU, seguindo os requisitos da GPL.

A FSF havia criado grande parte de um sistema operacional com base em Unix, mas o

componente essencial (o kernel) não fora desenvolvido até meados de 1991. Neste ano, Linus Benedict Torvalds era formando de Ciência da Computação na universidade de Helsink

(Finlândia) e havia iniciado trabalhos no desenvolvimento de um sistema operacional baseado

no Minix (sistema para fins acadêmicos desenvolvido pelo Dr. Andrew Tanenbaum).

Linus enviou uma mensagem a um grupo pela Usenet (uma espécie de grupo de notícias em uma rede anterior à Internet), na tentativa de conseguir pessoas que auxiliassem

em seu projeto e disponibilizou, em 05 de Outubro de 1991, a versão 0.02 de seu trabalho (o

kernel de Linux e seu código-fonte) para que todos pudessem contribuir. O kernel de Linux, o

gerenciador de boot (inicialização) e o compilador GCC eram compilados em Minix e depois de um certo ponto, era possível iniciar o sistema no próprio Linux e compilar os outros

programas.

Em 1994, a versão 1.0 do kernel foi disponibilizada e em 1995, surgiram as primeiras

distribuições Linux, advindas da união entre o kernel de Torvalds e as ferramentas desenvolvidas pelo projeto GNU. Esta união fez com que o sistema fosse reconhecido pela

FSF como GNU/Linux, mas esta denominação não é uma regra.

1.1.3 – Kernel modular e monolítico O kernel é a parte principal do sistema operacional. É ele o responsável por manter o

funcionamento de todos os dispositivos do sistema, bem como o gerenciamento da memória e

dos processos. Para que os dispositivos funcionem adequadamente, os drivers associados a eles podem ser configurados dentro do kernel ou como módulos separados. Isto define os

conceitos de kernel monolítico e kernel modular (microkernel), respectivamente. Ambos os tipos de kernel possuem sua aplicação. O monolítico, utilizado mais em

servidores de produção, onde o suporte aos dispositivos precisa de pouca ou nenhuma

alteração, ou seja, compila-se o kernel somente com os drivers dos dispositivos instalados no

A computação pessoal e o sistema operacional Linux - 19

sistema e que provavelmente não sofrerão mudanças, ou seja, não serão removidos. Este é o

tipo de kernel utilizado por Linux. O microkernel (modular) é flexível e usado quando se necessita adicionar ou remover

o suporte a determinados dispositivos de forma dinâmica e prática, ou seja, os módulos são

carregados enquanto o dispositivo estiver em uso e depois são descarregados, liberando a

memória do sistema. O microkernel mantém o suporte aos componentes mais básicos no espaço de memória do kernel e os serviços como redes e vídeo são executados no espaço de

memória do usuário.

1.2 – Motivação para migrar para Linux Para alguns usuários de desktops, substituir seus sistemas operacionais atualmente em

funcionamento pelo Linux representa um desafio difícil e um processo doloroso, para outros,

a troca representa uma evolução prazerosa. Diversos pontos devem ser analisados quando se

considerar a hipótese de utilizar Linux no lugar de outros sistemas operacionais, como

Microsoft Windows, por exemplo. Na análise destes fatores, a maioria deles aponta diretamente as vantagens de um sistema Linux, dentre os quais destacam-se neste trabalho:

segurança, custo, compatibilidade de programas, melhor aproveitamento do hardware e suporte.

1.2.1 – Segurança Sistemas de bases de dados públicas de segurança, como BugZilla, fazem com que os

softwares livres (Linux e seus aplicativos) possuam uma possibilidade de correção de erros

em menor intervalo de tempo.

O código-fonte disponível e a programação na linguagem C, possibilitam que

quaisquer programadores possam descobrir, corrigir e até mesmo disponibilizar as correções

para o sistema em questão de poucos dias ou horas. De encontro a isto, os sistemas Microsoft Windows somente recebem manutenção pelo fabricante, o que acaba tornando o tempo para a

correção de falhas relativamente maior.

Este tipo de agilidade na correção de vulnerabilidades e a estrutura do sistema com

relação às permissões de acesso, fazem de Linux um sistema operacional muito seguro e

difícil de violar. Boa parte dos boletins de segurança de Microsoft Windows referem-se a

falhas que permitem a um atacante remoto tomar o controle da máquina ou executar códigos

A computação pessoal e o sistema operacional Linux - 20

maliciosos no computador atingido. Falhas nos aplicativos também fazem os sistemas

Microsoft perderem pontos com relação à segurança, como no caso do browserInternet Explorer e controles de tecnologia ActiveX (ambos da Microsoft).

Linux possui navegadores de código aberto, mas isto não significa que eles estão livres

de falhas, entretanto, como citado anteriormente, a comunidade está sempre trabalhando para

corrigir os problemas o mais rápido possível, o que merece um voto de confiança dos

usuários.

1.2.2 – Custo Excelentes distribuições de Linux estão disponíveis para download na Internet e sem

que se exija pagamento por elas. Outros sistemas, como Microsoft Windows e MACOS (da Apple), custam algumas centenas de dólares e no caso da Microsoft, se um usuário desejar

migrar para o mais novo Windows (no momento desta escrita, chamado Vista), deverá considerar o investimento em hardware também. Além da licença do sistema operacional, é

preciso considerar também as licenças dos programas que serão utilizados e de antivírus.

Em qualquer caso, Linux é imbatível, pois quando um usuário precisar comprar uma

mídia de instalação de uma distribuição de Debian GNU/Linux, por exemplo, pagará somente

o valor referente à mídia aos revendedores autorizados, o que custará, em moeda brasileira,

em torno de R$ 40,00 (menos de $ 20,00 por 3 DVDs ou 22 CDs). É importante lembrar que

o custo da mídia é pago somente uma vez e que Debian também está disponível gratuitamente

para download. Uma cópia de Microsoft Windows custa em torno de $ 300,00 e de MACOS X, $ 400,00. Sobre os programas a serem utilizados em Linux, a maioria dos aplicativos é

liberada de forma gratuita e com código fonte, sob a GPL.

1.2.3 – Disponibilidade de programas Para realizar as tarefas possíveis em outros sistemas operacionais, os usuários de

Linux têm à sua escolha uma vasta gama de aplicativos livres. Boa parte destes aplicativos

estão disponíveis nas mídias de instalação das distribuições (Debian 4.0 conta com mais de

18200 pacotes de software).

Os bons aplicativos construídos para GNU/Linux tendem a ser compatíveis com

formatos proprietários de outros sistemas e também buscam manter a facilidade de uso dos

programas comerciais. Infelizmente, em alguns casos, a compatibilidade não é total, devido à

A computação pessoal e o sistema operacional Linux - 21

característica do código fechado dos programas comerciais, que dificulta o desenvolvimento

de softwares livres compatíveis. Normalmente, as comparações entre aplicativos referem-se ao Linux e Windows. Um

bom exemplo de programas substitutos e compatíveis quase totalmente são as suítes de

escritório Microsoft Office e OpenOffice.org. Os navegadores Mozilla Firefox, Opera e

Konqueror são três das alternativas em Linux ao Internet Explorer da Microsoft. Programas para desenho como O GIMP e Inkscape, visam substituir Photoshop, Fireworks e CorelDraw.

A grande vantagem dos aplicativos de Linux é que estes sofrem atualizações mais

freqüentes, além de serem gratuitos. Para um usuário que está migrando de outro sistema

operacional, é fundamental que conheça os programas substitutos para que possa adaptar-se

ao uso de Linux sem sentir a falta de alguns aplicativos essenciais ao seu trabalho diário.

1.2.4 – Suporte e Desenvolvimento O suporte para Linux pode ser vendido por algumas distribuições ou pode ser obtido

diretamente na Internet, através dos inúmeros sites dedicados à solução de problemas dos mais variados níveis de dificuldade. A documentação existente para Linux é tão boa quanto à

documentação existente para Microsoft Windows. Milhares de páginas de manuais são criadas pela comunidade de software livre, com explanações sobre a instalação de programas,

configurações e utilização geral do sistema e seus aplicativos.

Em Linux, é possível entrar em contato com os desenvolvedores e relatar falhas

encontradas nos códigos dos aplicativos ou durante a utilização dos mesmos, obtendo uma

resposta rápida e precisa acerca do assunto tratado. Assim, o suporte e o desenvolvimento

caminham juntos na comunidade de software livre, pois a cada falha relatada, uma correção é desenvolvida e liberada. Em alguns casos, o desenvolvimento de novas versões de aplicativos

(para solucionar problemas dos usuários ou para melhorar a funcionalidade dos softwares) inspira os fabricantes de programas proprietários, como é o caso do sucesso dos navegadores

com abas, funcionalidade já conhecida nos browsers de Linux e que foi implementada posteriormente no Internet Explorer.

Os ciclos de lançamento de novas versões de Linux e de seus aplicativos são mais

curtos do que os de lançamento de outros sistemas, como Microsoft Windows, por exemplo.

1.3 – Estrutura e regras básicas do sistema Linux

A computação pessoal e o sistema operacional Linux - 22

Conhecer um sistema operacional por completo, entendendo todos os recursos

oferecidos pelo mesmo, pode levar anos de estudo e utilização. O Linux oferece muitas

ferramentas para desktops e servidores e tem um grande e importante grupo de comandos de

shell (interface de linha de comando), no estágio de desenvolvimento das distribuições atuais, os comandos chegam a ser dispensáveis aos usuários iniciantes que gostam de facilidade,

salvo alguns essenciais. Com o tempo e a prática, se as necessidades surgirem, os usuários

entenderão os motivos de se falar tanto no poder do shell, mas é importante que os usuários

conheçam pelo menos a estrutura básica do sistema para um primeiro contato com Linux.

1.3.1 – A estrutura de arquivos em Linux O sistema de arquivos de Linux esconde os detalhes dos discos, apresentando ao

usuário um modelo que não depende dos dispositivos físicos que armazenam a informação, ou

seja, os arquivos não precisam pertencer à mesma unidade de disco. Por exemplo, quando um

usuário visualiza a estrutura de arquivos, enxerga diretórios do sistema como /etc, /var e

criados por ele mesmo, como /dados. Cada um destes diretórios pode estar em um disco

diferente, mas todos serão vistos como se estivessem em um mesmo dispositivo.

O modelo lógico de organização baseia-se no conceito de diretório, onde os arquivos

são organizados em diretórios (pastas, em outros sistemas operacionais) e cada diretório pode

possuir vários subdiretórios e conter diversos arquivos. O conjunto de diretórios e arquivos

forma um sistema de arquivos raíz, ou “árvore” de diretórios.

Em Linux, todos os diretórios possuem nomes formados por letras, números ou

símbolos (exceto o diretório raiz, representado por / e chamado de “barra”, “slash”, “raiz” ou

“diretório raiz”). O diretório raiz encontra-se no topo da hierarquia e possui diversos

subdiretórios, como /etc, /var e /usr. Esses subdiretórios também são subdivididos, como em /

etc/init.d/ e /usr/local/bin/. Chama-se de árvore de diretórios a representação do conjunto de

diretórios e subdiretórios da hierarquia do sistema.

Quando se deseja apontar para um arquivo em Linux, às vezes é necessário informar a

seqüência completa de subdiretórios que devem ser percorridos a partir de / para se chegar ao

arquivo, o que se chama de “nome de arquivo totalmente qualificado”, “caminho absoluto” ou

simplesmente “caminho”. Por exemplo, se um usuário deseja referenciar um arquivo que está

no diretório /usr/local/bin e é chamado de iceweasel, o nome do arquivo é simplesmente iceweasel, mas o caminho (path) ou nome absoluto é /usr/local/bin/iceweasel. Uma barra (/)

sempre é colocada entre cada nome de diretório ou arquivo para identificar uma ramificação

(note que em Linux usa-se uma barra comum, ao contrário de Microsoft Windows, que usa

A computação pessoal e o sistema operacional Linux - 23

uma barra invertida “\” para identificar caminhos de arquivos).

Linux possui diversos tipos de arquivos, dentre regulares (comuns, como arquivos

texto por exemplo), do tipo dispositivo (que representam dispositivos físicos como /dev/hda),

diretórios (que são apenas arquivos especiais em Linux) e vínculos simbólicos. Estes últimos,

mais conhecidos como symbolic links ou links, são de muita utilidade aos usuários e

administradores de Linux, pois possuem a capacidade de apontar para um caminho absoluto

de um arquivo ou diretório, substituindo o mesmo durante a execução de comandos no

sistema. Para elucidar este conceito, segue o exemplo: se o sistema possui duas versões

diferentes do mesmo programa instaladas, é possível criar um link que aponte sempre para o

programa mais recente. Neste caso, se o usuário possuir duas versões do programa Firefox

(1.5 e 2.0) instaladas em /usr/lib/firefox-1.5/firefox e /usr/lib/firefox-2.0/firefox, é possível

criar um link em /usr/bin/firefox apontando para /usr/lib/firefox-2.0/firefox, que é a versão mais nova do programa, bastando referenciar “firefox” para que o sistema execute a versão

indicada pelo link, neste caso, a versão mais recente. Muitas outras utilidades existem para os links, bastando que o usuário familiarize-se com o sistema para identificá-las facilmente.

Independentemente de serem links, arquivos regulares ou diretórios, os nomes de arquivos em Linux são case-sensitive, o que equivale dizer que diferenciam-se as letras

maiúsculas e minúsculas. Assim, Arquivo01 é diferente de ARquivo01, simplesmente pelo

fato da letra R ser maiúscula no segundo caso e minúscula no primeiro. Este é um ponto

importante e que exige adaptação de usuários de outros sistemas operacionais não baseados

em Unix.

Além do caminho absoluto dos arquivos, é comum que os usuários ouçam o termo

“caminho relativo”. Esta expressão significa o caminho de um arquivo, partindo-se do

diretório atual. Se o diretório em que se encontra o usuário é /home/simba, um arquivo de

caminho absoluto /home/simba/web/pagina.html é referenciado de forma relativa por

/web/pagina.html, uma vez que o diretório web está abaixo do diretório atual do usuário. Em um shell de comandos, o diretório corrente é representado por um ponto (.) e o diretório

imediatamente superior ao atual é representado por dois pontos (..), assim, seria equivalente

dizer que o caminho relativo do arquivo citado é ./web/pagina.html ou

../simba/web/pagina.html.

1.3.2 – Principais diretórios em Linux e sua utilização

A computação pessoal e o sistema operacional Linux - 24

Alguns diretórios em Linux assumem um papel padrão dentro do sistema,

independentemente da distribuição utilizada. Os arquivos são organizados nos diretórios, na

maioria dos casos, por seu objetivo ou utilidade. Desta maneira, o sistema fica sempre

organizado, sendo fácil encontrar um arquivo quando necessário.

Alguns diretórios principais são:

● / - representa o diretório raiz, o topo da hierarquia;

● /bin – diretório que contém utilitários básicos de linha de comando;

● /boot – inclui os comandos e arquivos necessários para Linux inicializar, como GRUB e o kernel, por exemplo;

● /dev – dispositivos, que podem ser acessados por programas que processam

arquivos convencionais. Dispositivos como /dev/hda1, representam uma partição do

disco rígido e é preciso ter cautela na manipulação destes dispositivos para evitar

problemas no sistema;

● /etc – diretório onde são gravados os arquivos de configuração globais do

sistema e da maioria dos aplicativos e ferramentas;

● /home – os usuários que interagem com o sistema e não possuem privilégios administrativos, possuem seus arquivos guardados em um diretório com seu nome

dentro do diretório home. Por exemplo, os arquivos do usuário simba ficam guardados em /home/simba, que é chamado o diretório principal de simba (representado no shell

de comandos por um sinal gráfico til (~);

● /lib – guarda as bibliotecas exigidas por diversos aplicativos e também pelo

kernel do Linux; ● /proc – diretório virtual (não existe fisicamente) mantido pelo kernel do Linux.

Nele são guardadas informações sobre os processos ativos, sobre o estado das portas,

sobre as redes, módulos e sobre o funcionamento geral do computador no momento;

● /root – o diretório principal do usuário root, separado dos diretórios de /home. Por padrão, os arquivos deste diretório pertencem ao usuário root e não podem ser

modificados por usuários comuns do sistema;

● /sbin – guarda muitos comandos de administração do sistema;

● /tmp – dedicado a arquivos temporários do sistema e geralmente é esvaziado

pelo programa “cron” em um intervalo de dias;

● /usr – diretório que armazena programas e dados disponíveis a todos os

usuários do sistema, podendo ser compartilhado entre diversas estações de trabalho;

● /var – contém dados variáveis da sessão, como arquivos de registros (logs), grupos de impressão e arquivos temporários;

A computação pessoal e o sistema operacional Linux - 25

1.3.3 – Permissões de acesso a arquivos e diretórios Todos precisam de uma conta de usuário para interagir com um sistema Linux e cada

conta tem privilégios que variam de acordo com o comando ou diretório utilizado. As contas

são organizadas em grupos e por padrão, os usuários com o nome igual ao do grupo são os

únicos membros dele. Um grupo é criado automaticamente quando se adiciona um usuário ao

sistema, mas é possível organizar usuários em novos grupos, podendo configurar direitos e

privilégios tanto individualmente como por grupos. Por exemplo, o grupo simba possui como

membro o usuário simba, que por sua vez, pode pertencer a outros grupos do sistema como

um grupo chamado de usuariosVIP. Assim, as permissões do usuário simba, do grupo simba e

do grupo usuariosVIP são aplicáveis ao usuário simba.

Para prover segurança e integridade ao sistema, Linux possui um esquema de

permissões de acesso para cada arquivo ou diretório, que são especificadas separadamente

para três categorias de usuários:

● o usuário que é dono do arquivo (user); ● usuários que fazem parte do grupo ao qual o arquivo pertence (group);

● todos os outros usuários (other). Para arquivos, cada permissão correspondente possibilita:

● ler (read): para examinar o conteúdo do arquivo; ● escrever (write): para modificar o arquivo;

● executar (execution): para executar o arquivo como um comando. Para os diretório, cada permissão correspondente possibilita:

● ler: para listar o conteúdo do diretório;

● escrever: para adicionar ou remover arquivos no diretório;

● executar: para acessar arquivos no diretório.

A permissão de execução no diretório significa também que é permitida a visualização

dos atributos dos arquivos pertencentes a ele. Estes atributos podem ser resumidos como

sendo o tamanho de cada arquivo e a data e hora de sua última modificação.

Em um ambiente gráfico, é fácil identificar as permissões aplicadas sobre determinado

arquivo, mas em uma interface de linha de comando, existem algumas definições que devem

ser elucidadas. Quando se executa o comando “ls -l” (sem aspas) em um terminal, uma saída é

obtida semelhante ao seguinte exemplo:

drwxr-xr-x 2 simba simba 640 2007-01-30 12:37 Diversos Temas-1

-rw-r--r-- 1 simba usuariosVIP 3676526 2007-01-30 11:48 Ameno_Remix.ogg

-rw-r--r-- 1 simba simba 8003790 2007-01-25 16:42 Conquest_of_Paradise.ogg

-rw-r--r-- 1 simba simba 3725989 2007-01-23 10:57 Don't_Worry_Be_Happy.ogg

A computação pessoal e o sistema operacional Linux - 26

O primeiro caractere da linha representa o tipo de arquivo. Se este caractere não for

um hífen, então não é um arquivo normal, podendo ser um diretório (se o caractere for “d”) ou

um vínculo (l), ou outros tipos de arquivos.

As permissões do arquivo são representadas pelos próximos nove caracteres, três

caracteres para o dono, mais três para o grupo proprietário e mais três para todos os outros

usuários do sistema, respectivamente.

Em seguida, tem-se o número de ligações diretas (hard links) para o arquivo, o nome

do usuário que é o dono do arquivo, o nome do grupo ao qual o arquivo pertence, o tamanho

do arquivo em bytes (usar o modificador -h no comando para que o tamanho do arquivo seja

exibido de uma forma mais amigável), a data e hora do arquivo e o nome do mesmo.

Os caracteres r, w e x, significam ler, escrever e executar, nessa ordem. Se for

considerada a segunda linha da saída do comando citado, para usuário simba (dono do

arquivo), tem-se os três primeiros caracteres como “rw-” (pode ler e escrever, mas não

executar), para o grupo usuariosVIP tem-se “r--” (apenas leitura) e para os demais usuários a

mesma permissão de usuariosVIP (r--).

1.3.4 - Comandos úteis Apesar de contar com ferramentas gráficas muito boas, o verdadeiro poder de Linux

encontra-se nas linhas de comandos. Através de um shell é possível realizar tarefas que muitas ferramentas gráficas não conseguiriam e além disso com muita eficiência e velocidade.

Os comandos geralmente possuem modificadores, que são argumentos (letras ou

palavras) digitados após os nomes dos comandos para que se obtenha resultados diferentes e

adaptados às diversas necessidades. Por exemplo, o comando “ls”, utilizado para listar os

arquivos em um diretório, se digitado desta forma apenas exibe os arquivos sem detalhes,

além de não exibir arquivos ocultos no diretório.

Os modificadores l, a e h realizam as tarefas de exibir os arquivos em uma lista, os

arquivos ocultos e exibir o tamanho dos mesmos em uma forma de fácil leitura por humanos

(MB, GB, etc). A ordem dos modificadores neste caso não é importante, desta maneira, o

comando completo ficaria:

$ ls -lah

Aqui serão apresentados apenas alguns comandos básicos do sistema, dentre os muitos

existentes. Para obter mais informações sobre os comandos, recomenda-se ao usuário ler as

páginas de manuais dos mesmos, digitando

# man comando

A computação pessoal e o sistema operacional Linux - 27

Onde “comando” é substituído pelo comando propriamente dito. Para fechar uma

página de manual, basta pressionar a tecla q. Segue a breve lista:

● ls: listar arquivos em um diretório. Modificadores mais comuns: l, a, h;

● cd: mudar o diretório de trabalho ativo. Se digitado na sua forma mais simples,

leva o usuário ao seu diretório home. Se utilizado com um argumento indicando o

caminho absoluto ou relativo de outro diretório, torna este o diretório atual. Exemplo:

cd /usr/local, cd /etc/apt, cd .. (um diretório acima), cd ~ (vai para home do usuário

também);

● pwd: exibe a informação de qual é o diretório de trabalho ativo no momento;

● mv: mover ou renomear um arquivo. Exemplo: mv /etc/arquivo1 /etc/arquivo2,

faz com que o arquivo1 seja renomeado para arquivo2, ao final do comando, arquivo1

deixa de existir;

● cp: copia arquivos entre diretórios. Exemplo: cp /etc/arquivo1 /etc/arquivo2,

faz uma cópia de arquivo1 para arquivo2 e ambos continuam existindo ao final da

execução do comando;

● rm: remove ou apaga um arquivo. Se utilizado com os argumentos r e f pode

apagar um diretório mesmo que contenha dados. Exemplo: rm /etc/arquivo1, apaga

arquivo1. Muito cuidado com este comando, pois se utilizado de maneira equivocada

com o usuário root pode comprometer seriamente o sistema;

● cat, less e more: utilizados para ler arquivos em formato texto. O cat gera uma

saída única, enquanto que less e more geram uma saída que pode ser paginada com as

teclas direcionais (setas do teclado);

● ps: exibe um instantâneo dos processos atualmente em execução. Os uso mais

comum deste comando é: ps aux, que exibe todos os processos, mesmo de outros

usuários;

● top: permite um monitoramento contínuo dos processos em execução, ao

contrário de ps que apenas exibe uma página fixa. Para encerrar, basta pressionar q;

● lsmod: exibe os módulos carregados no sistema;

● rmmod (ou modprobe -r): remove um módulo do kernel, por isso exige como

argumento o nome do módulo a ser removido, por exemplo: rmmod spca5xx;

● modprobe: carrega um módulo do kernel, por isso também exige o nome do

módulo como argumento;

1.4 – Suporte a hardware no Linux

A computação pessoal e o sistema operacional Linux - 28

Os dispositivos (device drivers ou somente devices) são arquivos especiais utilizados

pelo sistema Linux para obter acesso aos recursos presentes no computador. Todos os

periféricos e recursos do sistema são acessados pelo kernel através de dispositivos. Por

exemplo, para acessar a Internet, será necessário um dispositivo, para utilizar um terminal, outro, para acessar um disco rígido, outro dispositivo. Nos sistemas GNU/Linux encontram-se

duas categorias de dispositivos: os do tipo caractere e do tipo de bloco.

Os dispositivos do tipo caractere são aqueles em que a transferência de dados é

realizada de modo serial, ou seja, um caractere por vez. Estes dispositivos são identificados na

saída do comando “ls -l” tendo um “c” como o primeiro caractere da linha. Alguns exemplos

para estes dispositivos são portas paralelas (impressoras), portas seriais (modems),

dispositivos de áudio, terminais, teclado, mouse, etc.

Os dispositivos do tipo bloco diferenciam-se do tipo caracter no que tange a

transferência de dados, que neste caso é feita por blocos, oferecendo grande quantidade de

dados por vez. Estes são identificados na saída do comando “ls -l” por possuírem o caracter

“b” como primeiro da linha. Aqui, em geral, encontram-se os dispositivos de armazenamento

tais como disquetes, discos rígidos, CD-ROMs, dispositivos USB (memória eletrônica), entre

outros. Existe uma grande quantidade de dispositivos específicos, entretanto, no presente

documento, somente os mais utilizados pelos usuários de desktop serão abordados.

1.4.1 – Unidades de armazenamento e mídia externa Os discos rígidos ligados às controladoras IDE recebem uma identificação padrão de

Linux para depois serem acessados pelo sistema através de um dispositivo.

O esquema de nomenclatura para estes discos é constituído do prefixo “hd”, seguido

de uma letra, começando em “a”, para a seqüência de discos encontrados nas controladoras,

iniciando em IDE1/mestre (hda), depois IDE1/escravo (hdb), em seguida IDE2/mestre (hdc) e

IDE2/escravo (hdd).

As partições existentes nos discos recebem uma identificação composta da

identificação do dispositivo e um número seqüencial, sendo que para cada disco, a contagem

começa em 1. Desta maneira, a primeira partição do disco hda é hda1, a segunda é hda2, a

primeira partição do disco hdb é hdb1, e assim sucessivamente.

Quanto aos dispositivos de CD-ROM, existem atalhos simbólicos que indicam em

qual dos dispositivos reais eles se encontram. Isto é necessário porque os CDs podem ser

instalados em quaisquer dos canais IDE (primário, secundário) em qualquer posição (mestre,

escravo) e antigos hardwares de CD-ROM que não utilizavam a controladoras IDE para

A computação pessoal e o sistema operacional Linux - 29

serem conectados ao sistema. Geralmente o link simbólico utilizado é /dev/cdrom.

1.4.2 – Unidades SCSI Na versão 2.4 do kernel, os gravadores de CD-RW e DVD-RW são acessados como se

fossem dispositivos SCSI. Por este motivo, eles devem utilizar os dispositivos SCSI do

sistema, que são nomeados segundo uma regra semelhante àquela aplicada para os discos

IDE, diferenciando-se pelo prefixo utilizado, “sd” em vez de “hd”.

Os dispositivos de memória removíveis, como pendrives e câmeras digitais modernas,

também são reconhecidos, na maioria das vezes, como dispositivos SCSI, recebendo uma

denominação como sda, sdb, etc.

1.4.3 – Disquetes Os disquetes em GNU/Linux são acessados pelos dispositivos com prefixo /dev/fd (fd

vem de floppy disk), seguidos de um número indicando a seqüência das unidades, iniciando em 0. Assim, a primeira unidade de disquete será fd0 (corresponde a A: em Windows).

Opcionalmente, pode existir a indicação da densidade do disco, como a seguir:

● fd0d360 - primeira unidade de disquete, formato baixa densidade, capacidade

360 KB - corresponde aos disquetes de 5.1/4” DD (double density – dupla densidade); ● fd0u1440 - primeira unidade de disquete, formato alta densidade, capacidade

1440 KB - corresponde aos disquetes de 3.1/2”, HD (high density – alta densidade); ● fd1 – segunda unidade de disquete, em Windows corresponde a B:.

Em algumas situações, como no caso de formatação via shell, é necessário referir-se a um dispositivo específico, indicando a densidade da mídia.

1.4.4 – Sistema de áudio e multimídia A partir do kernel 2.6 de Linux, o sistema ALSA (Advanced Linux Sound

Architecture) foi incluído e aperfeiçoado em Linux, provendo novas funcionalidades (existe também ALSA para kernel 2.4) e substituindo o antigo sistema de som OSS (Open Sound

System). ALSA corrige problemas com velhos drivers, que somente funcionavam considerando uma única CPU por desktop.

Importantes funcionalidades como o suporte para hardwares mais novos (incluindo

A computação pessoal e o sistema operacional Linux - 30

dispositivos USB de áudio e MIDI), suporte para a utilização de dispositivos de som em

conjunto e diferentes dispositivos de som no mesmo sistema também são dignos de destaque.

Entretanto, os usuários de desktops precisam de suporte não somente a placas de som,

mas também a webcams, adaptadores de rádio/TV e gravadores de vídeo digital. Em todos os casos, o suporte em Linux foi melhorado com o kernel 2.6.

O sistema V4L (Video for Linux – Vídeo para Linux), recebeu atualizações durante o desenvolvimento do kernel 2.6, incluindo o suporte a mais funcionalidades das placas de TV e

câmeras de vídeo. O kernel Linux 2.6 também inclui o primeiro suporte interno para equipamentos de DVB - Digital Video Broadcasting (Emissão de Vídeo Digital). O DVB é

um padrão europeu utilizado por muitas operadoras de TV por assinatura e possibilita, por

exemplo, transmitir mais de um programa por canal ao mesmo tempo.

Os dispositivos internos utilizados para acesso a recursos multimídia são diversos, em

geral, placas de captura de vídeo e webcams são reconhecidas em /dev/video0 e /dev/video1 e

as placas de áudio podem utilizar mais de um dispositivo, dependendo do sistema de som

instalado (OSS ou ALSA).

1.4.5 – Portas seriais e paralelas As placas de fax-modem, em geral, são divididas em hardmodem e softmodem. As

placas do tipo hardmodem utilizam dispositivos de portas seriais, conhecidos em Linux por ttyS0 (COM1), ttyS1 (COM2), etc. Os softmodems, também chamados winmodems, utilizam

um dispositivo especial criado pelos drivers para sua instalação. Este tipo de modem possui bom suporte na versão 2.6, mas em algumas distribuições são encontradas dificuldades na sua

instalação, devido ao fato de serem hardware específico para determinados sistemas operacionais (Microsoft Windows, de onde vem o nome winmodem).

As portas paralelas são referenciadas pelo sistema utilizando os dispositivos lp0, lp1 e

no caso das impressoras que utilizam o barramento USB, estes dispositivos ficam localizados

em /dev/usb, onde são mantidos as mesmas definições de nomenclatura.

1.4.6 – Placas de vídeo com aceleração 3D As placas de vídeo, de uma forma geral, são bem suportadas em Linux. O hardware é

detectado pelo instalador e o driver básico é instalado automaticamente, entretanto, a

aceleração 3D destes dispositivos (importante para a utilização de jogos e softwares de

A computação pessoal e o sistema operacional Linux - 31

trabalhos gráficos) é suportada por drivers específicos dos fabricantes do hardware.

As principais fabricantes de placas deste tipo desenvolvem drivers de seus produtos para Linux. Infelizmente, os códigos-fontes destes drivers são indisponíveis à comunidade, o

que impede um melhor trabalho na construção de tais programas pelos desenvolvedores de

Linux.

Dentre os fabricantes mais conhecidos, como ATI (comprada pela AMD) e nVidia,

este último é o que oferece melhor suporte à plataforma Linux. Os drivers oferecidos pela

AMD/ATI, na ocasião desta escrita, são de instalação mais complexa e não oferecem o devido

suporte, obrigando os desenvolvedores da comunidade de Software Livre a criarem

alternativas. A compra da ATI pela AMD gerou expectativas nos usuários de Linux no

sentido de que o suporte fosse melhorado e depois de algum tempo indecisa, a AMD iniciou

um processo de abertura das especificações das placas a partir da R500, permitindo aos

interessados desenvolverem drivers de código aberto.

O descaso de algum tempo da companhia ATI com a comunidade foi irritante para

Richard Stallman, que durante uma palestra no MIT por um engenheiro da ATI (Maio de

2006), levantou uma placa com os seguintes dizeres: Don't buy from ATI – enemy of your freedom (Não compre da ATI – inimiga da sua liberdade).

A nVidia, ao contrário da concorrente, mostra-se bastante interessada em colaborar

com o suporte de suas placas no Linux já há algum tempo, oferecendo drivers de fácil

instalação e com suporte mais completo, além de atualizações freqüentes para os mesmos. Os

drivers para as placas nVidia encontram-se em um estágio de maturidade muito satisfatório e

oferecem uma excelente experiência em suporte 3D no Linux para seus usuários.

Para efeito de comprovação, no presente trabalho, uma placa ATI Radeon 9600 SE de

128 MB de memória era o hardware de vídeo existente no sistema. O autor foi obrigado a substituir o dispositivo por uma placa nVidia FX 5500 para que os jogos e efeitos 3D

pudessem ser demonstrados. É extremamente válido reforçar que a aceleração 3D no presente

trabalho foi habilitada na primeira tentativa com o driver proprietário da nVidia.

1.5 - Como buscar ajuda nos programas e na Internet É muito difícil descrever todas as funcionalidades dos programas e de Debian em um

único livro, pois muitos programas merecem livros exclusivos pela quantidade de recursos

que oferecem.

A primeira coisa que um usuário de software livre deve ter em mente é que seja lá qual for o problema que esteja enfrentando ou a dúvida que tenha, certamente encontrará pessoas

A computação pessoal e o sistema operacional Linux - 32

na comunidade que possuem a experiência necessária para auxiliar ou encontrará muita

documentação e tutoriais sobre cada um dos programas que deseja utilizar.

Para encontrar manuais de utilização pode acessar o menu Ajuda que a maioria dos os

programas possuem. Lá podem ser esclarecidas muitas dúvidas sobre o uso de botões da

interface ou configurações dos programas.

Algumas vezes, o usuário até conhece de cor as funcionalidades dos botões do

programa, mas não sabe exatamente qual o efeito que eles provocam quando pressionados,

afinal, a leitura faz com que o usuário memorize os passos, mas somente a prática pode fazer

com que ele aprenda e entenda realmente o que está fazendo. Casos como estes podem ser

encontrados quando se trata da produção de documentos ou até mesmo na edição de imagens,

por exemplo.

Os milhares ou talvez milhões de tutoriais, artigos, dicas e revistas digitais espalhados

na Internet podem fazer de um programa desconhecido uma ferramenta valiosa para a

comunidade. Pois bem, para encontrar estes valiosíssimos documentos nada melhor do que

uma boa ferramenta de buscas e alguns bons websites especializados. O autor recomenda o

Google como buscador, pois é muito completo em recursos, basta ler a ajuda do próprio site. Além de ser uma boa ferramenta, o Google também possui uma seção destinada aos usuários

de Linux, acessível pelo endereço www.google.com/linux, onde os resultados exibidos são

mais objetivos. Na FIG. 1 pode ser observada uma busca sobre Inkscape, feita no endereço

citado.

Outros websites especializados que merecem créditos pela boa quantidade de material

FIGURA 1 - Exemplo de busca no Google

A computação pessoal e o sistema operacional Linux - 33

disponível são www.debian.org, www.forumdebian.com.br, http://rautu.cipsga.org.br, todos

específicos sobre o sistema operacional Debian GNU/Linux.

Outros sites tratam de software livre de forma mais abrangente e acabam destacando-

se pela qualidade dos materiais disponibilizados pelos seus mantenedores ou seus membros,

sendo lembrados pelo autor, na ocasião desta escrita: www.vivaolinux.com.br, www.dicas-

l.com.br, www.linuxsecurity.com.br, www.noticiaslinux.com.br, www.softwarelivre.org,

http://under-linux.org, www.bestlinux.com.br, www.guiadohardware.net,

www.linuxmall.com.br. Estes agrupam notícias, dicas, artigos, fóruns, tutoriais, códigos,

scripts, imagens, venda de livros, CDs e outros produtos sobre software livre.

Além destes, cita-se também o website do distribuidor de cada sistema operacional, caso o usuário experimente outros “sabores” de Linux, como Slackware, RedHat, Fedora,

Kurumin, SUSE, Ubuntu, etc.

A quantidade de informações disponível no presente trabalho e nestes endereços pode

suprir de forma satisfatória às necessidades básicas de um usuário desktop, mas sempre que uma dúvida surgir e estiver difícil encontrar a solução, é provável que o usuário volte ao

Google e então é necessário ter noção de como fazer uma pesquisa eficiente por palavras-

chaves.

Quando se procura algo em ferramentas de buscas, é mais eficiente digitar termos

relevantes ao assunto e fazer “perguntas curtas”, como exemplo: deseja-se buscar uma forma

de iniciar um programa automaticamente quando o ambiente KDE for carregado. Neste caso,

não é necessário digitar toda a expressão descrita da dúvida, mas simplesmente digitar “KDE

iniciar programa” (sem as aspas, pois elas são utilizadas para buscar expressões fixas). Basta

fazer o teste e conferir como os resultados que aparecem são exatamente os que resolvem o

problema!

2 – A DISTRIBUIÇÃO DEBIAN GNU/LINUX As pessoas podem montar seus sistemas GNU/Linux da maneira que desejarem, seja

compilando os componentes do sistema (kernel e aplicativos), seja baixando imagens de

instalação de sistemas compilados completamente para sua arquitetura de hardware.

Ao contrário do que o usuário inexperiente em Linux pode pensar, Linux não é uma

marca de computador e também não é uma marca de sistema operacional. Diferente do

sistema Windows, cujas versões são produzidas por uma única empresa, as versões de Linux

são disponibilizadas por muitos fornecedores diferentes. Pode-se pensar nisso como times de

futebol, onde os instrumentos (bolas, chuteiras) são os mesmos, variando um pouco na marca,

mas os componentes das equipes e a forma de jogar é completamente diferente para cada

time. No caso de Linux, o núcleo do sistema (kernel) é o mesmo, variando um pouco na

versão (2.4, 2.6, etc) mas o conjunto de programas final, ou seja, o sistema operacional de

forma completa, comporta-se de maneira distinta de um fornecedor para o outro.

Os fornecedores de imagens do sistema prontas para instalação são conhecidos como

distribuidores e eles existem em grande número. A diferença entre as distribuições está nos

objetivos para que foram criadas, os programas e padrões usados para distribuir pacotes de

aplicativos aos usuários, além do sistema de instalação, praticidade de utilização e

ferramentas de manutenção, documentação e suporte. Os conjuntos de software resultantes recebem o nome de Distribuições GNU/Linux.

Muitas distribuições são mantidas por organizações ou empresas, como é o caso de

Red Hat, Mandriva, Debian e Gentoo, por exemplo. Entretanto, devido à característica de

código aberto, nada impede que qualquer pessoa possa criar sua própria versão de Linux e

distribuí-la, o que explica as mais de 300 distribuições disponíveis. O que faz a diferença

neste caso é a qualidade do software produzido, uma vez que as organizações costumam testar muito bem seus conjuntos de software antes de torná-los disponíveis aos usuários, o que

acaba tornando apenas 20 ou 30 distribuições mais conhecidas e utilizadas.

Escolher qual distribuição será utilizada cabe a cada usuário, de acordo com o

atendimento de suas necessidades. Em geral, recomenda-se que os usuários escolham

distribuições que sejam atualizadas e suportem todo o hardware de seus equipamentos.

A computação pessoal e o sistema operacional Linux - 35

A escolha de uma distribuição vai além da opinião alheia sobre ela, afinal, o que é

bom para um usuário pode não ser satisfatório para outro. Como base para escolha, o usuário

pode definir o que espera da distribuição e pesquisar na Internet sobre cada item, por

exemplo:

● Minhas placas de vídeo, som, rede e modem são suportadas pela distribuição?

● É possível instalar os programas dos quais necessito e consigo fazer isto

sozinho?

● Se eu precisar de ajuda, existem comunidades na Internet, fóruns, suporte gratuito ou mesmo pago? Onde encontro documentação sobre o sistema para que

possa aprender mais sobre a distribuição?

● E sobre as atualizações do sistema, o desenvolvimento dela é ativo?

● A distribuição é estável ou existem muitas falhas?

Conforme a busca é realizada, o usuário notará que algumas distribuições

providenciam certas facilidades aos usuários, mas não possuem estabilidade suficiente, outras

são leves e estáveis, mas não possuem uma comunidade ativa. No presente trabalho,

baseando-se nas características de estabilidade, suporte a hardware, documentação,

comunidade ativa e facilidade de instalação de programas, será utilizada a distribuição Debian

GNU/Linux, em sua versão 4.0.

2.1 – O Projeto Debian O objetivo do projeto Debian é criar um sistema operacional livre, de alta qualidade,

completo e compatível com Unix. Este sistema é conhecido por Debian GNU/Linux ou

Debian. O nome Debian foi dado por Ian Murdock, fundador do projeto, sendo uma contração

de seu nome com o da sua esposa, Debra. Ian teve participação também na diretoria da Linux Standards Base e da Linux Foundation, onde esteve até Março de 2007, quando foi contratado

pela Sun Microsystems para ser o responsável pela evolução das estratégias da empresa no que diz respeito ao Solaris e ao Linux.

O Projeto Debian foi criado por Murdock em 1993, inicialmente patrocinado pelo

projeto GNU da FreeSoftwareFoundation (de 1994 a 1995). No início, compunha-se de uma

equipe pequena, não existiam dependências entre pacotes e destinava-se apenas à arquitetura

i386. Com o passar do tempo, aumentaram o número de pacotes e de pessoas envolvidas com

o projeto, sendo que os números subiram para mais de 15000 pacotes, portados na quase

totalidade para mais de 10 arquiteturas, por cerca de 1500 colaboradores. Muitos dos

A computação pessoal e o sistema operacional Linux - 36

aplicativos que compõem o Debian GNU/Linux foram desenvolvidos pelo projeto GNU.

Surgindo apenas dois anos depois da criação do kernel de Linus Torvalds, Debian é uma das mais antigas distribuições de Linux e não possui quaisquer ligações comerciais com

corporações, sendo todo trabalho feito por desenvolvedores voluntários espalhados pelo

mundo. O ciclo para lançamento de novas versões estáveis de Debian aumentou desde a

primeira versão devido ao crescimento do projeto, chegando a três anos de uma versão a

outra. Para compensar, o Debian, em sua versão 4.0, dispõe de mais de 18200 pacotes, ou

seja, softwares pré-compilados e empacotados em um formato amigável, o que faz com que sejam de fácil instalação e provê uma estabilidade ao sistema que é difícil de ser encontrada

em outras distribuições.

A qualidade do sistema Debian faz com que ele seja uma base sobre a qual novas

distribuições podem ser construídas. Alguns exemplos de distribuições baseadas em Debian

são Knoppix, Dreamlinux, Kurumin e Ubuntu, cada uma com suas particularidades, mas com

a origem comum.

2.2 – Os pacotes e seu gerenciamento no Debian GNU/Linux Qualquer pessoa que já tenha utilizado uma distribuição de GNU/Linux terá observado

o componente fundamental da maioria das distribuições: os pacotes. Os pacotes fazem parte

de um conceito utilizado no mundo Unix há um bom tempo.

Nas distribuições Linux, este conceito adquire um ênfase particular, dado que os

sistemas de pacotes levam funcionalidades adicionais, com o interesse de liberar o usuário de

tarefas que poderiam ser melhor gerenciadas de forma automática.

Deste interesse surgem os conceitos de pacotes que dependem de outros pacotes,

pacotes que entram em conflito com outros, etc. Em qualquer caso, é necessário diferenciar

entre o que é o sistema de pacotes e o formato de pacotes, para que não haja confusão.

2.2.1 – Os pacotes no Debian GNU/Linux Os pacotes em Debian, de forma resumida, são programas colocados dentro de

arquivos identificados pela extensão .deb, que incluem o necessário para a instalação do

programa, um sistema de checagem de dependências, scripts de automatização para remoção do pacote, listagem de arquivos e outras informações.

Dois tipos de pacotes são distintos em Debian: binário e fonte (source). Os pacotes

A computação pessoal e o sistema operacional Linux - 37

fontes (source) possuem o código original do programa, descrições sobre os arquivos

componentes dos pacotes e são compactados, podendo ser manipulados pelo utilitário dpkg-

source. Os códigos fontes destes pacotes, quando compilados, geram os pacotes binários.

Os pacotes binários são aqueles que contêm arquivos executáveis, de configuração,

imagens e documentação. Nativamente, Debian utiliza a extensão .deb para este tipo de

pacote e possui a ferramenta dpkg para sua manipulação (instalação, remoção, verificação).

Estes tipos de pacotes são os mais comuns entre os usuários, uma vez que facilitam a

instalação dos programas. Sem os pacotes, ainda é possível instalar um programa através da

compilação do código fonte do mesmo, mas isto dificulta o processo para os iniciantes em

Linux.

Os pacotes binários em Debian utilizam uma nomenclatura do tipo “nome_VVV-

RRR.deb”, onde VVV é o número de versão especificado pelo desenvolvedor original do

programa e RRR é o número da revisão Debian, descrito pelo mantenedor Debian do pacote

ou por um usuário que faça modificações em quaisquer de seus componentes.

Outros formatos de pacotes podem ser utilizados para a instalação de softwares no

Debian, como por exemplo, o formato “rpm”, comum ao Red Hat Linux e seus derivados. Para tal tarefa, os pacotes precisam ser convertidos em pacotes “deb”, utilizando o programa

alien.

2.2.2 – Gerenciamento de pacotes Para que os pacotes possam ser utilizados e organizados, conjuntos de regras são

criados para cada distribuição, informando o local de instalação de serviços do sistema

(daemons), quais arquivos de configuração são modificáveis e a relação entre pacotes. Isto recebe o nome de sistema de pacotes. Dentre todas as distribuições de Linux, pode-se dizer

que o sistema de gerenciamento de pacotes do Debian GNU/Linux é o mais completo e o que

oferece as ferramentas mais interessantes ao administrador de tais sistemas (que no caso de

usuários domésticos coincide com o usuário final).

A instalação de software pelo sistema de pacotes usa dependências apontadas pelos

mantenedores dos pacotes. As dependências ocorrem quando um pacote a ser instalado

precisa de outro para seu correto funcionamento. Cada pacote possui um arquivo de controle

associado que documenta essas dependências. Por exemplo, o pacote que contém o programa

Kopete (comunicador instantâneo) depende, dentre outros, do pacote “kdelibs4c2a” e se um

usuário tentar instalar Kopete sem antes instalar o “kdelibs4c2a” e outras dependências, o

sistema mostrará uma mensagem de erro de dependência indicando que “kdelibs4c2a” deverá

A computação pessoal e o sistema operacional Linux - 38

ser instalado e não instalará o Kopete ou deixará desconfigurado. Apesar disso, esse recurso

pode ser desativado se houver necessidade real. As dependências de pacotes podem parecer

um pouco confusas para os usuários iniciantes, mas são na verdade uma grande vantagem dos

sistemas GNU/Linux, pois não é necessário esperar pela versão mais nova de um aplicativo

que utiliza um determinado pacote para que o pacote seja atualizado e suas funcionalidades

sejam colocadas em prática, uma vez que a maioria das ferramentas possui uma interação pela

linha de comandos (shell).

Em Debian, o gerenciador de pacotes fundamental é uma ferramenta criada por Ian

Murdock e Ian Jackson, chamada dpkg. Esta ferramenta é a base de uma estrutura

aperfeiçoada constantemente, sempre buscando oferecer mais facilidade e melhores recursos

de administração do sistema para os usuários. Outras ferramentas são executadas sobre o

dpkg, como a biblioteca “apt” e interfaces de gerenciamento de pacotes, como dselect,

aptitude, Synaptic, Kpackage, entre outras.

O sistema “apt” de Debian é capaz de resolver as dependências de pacotes

automaticamente, instalando os arquivos necessários para o correto funcionamento dos

aplicativos sem que o usuário tenha de obtê-los e instalá-los separadamente. Este sistema é

muito completo e funcional.

2.2.3 – Instalação básica de um aplicativo pelo método apt A instalação de programas pela ferramenta apt é algo que pode ser feito por usuários

de quaisquer níveis de conhecimento, desde que tenham explicações básicas sobre o

funcionamento da mesma.

Devido à instalação de programas ser algo de importância para um sistema, o usuário

deve obter acesso a um terminal com privilégios de root. Para isto, dentro do ambiente KDE,

basta acessar o menu K, na seção Sistema, subseção Mais Aplicativos, item Terminal – Modo

Super-Usuário. A senha de root será solicitada e o shell padrão do usuário será aberto em uma

janela. Caso o usuário esteja utilizando outro ambiente gráfico, deverá procurar o terminal no

menu correspondente e digitar o comando “su” (sem aspas), teclar Enter e depois informar a

senha. Uma terceira opção para obter acesso ao terminal, seria solicitar ao sistema um novo

console em modo texto, combinando as teclas Control, Alt e F2, por exemplo. Neste último

caso, para que o usuário possa voltar à interface gráfica, basta pressionar a combinação Alt e F7.

Com o terminal aberto, é preciso que o usuário atualize sua lista de pacotes, com o

comando:

A computação pessoal e o sistema operacional Linux - 39

# apt-get update

É válido observar que o sinal # somente indica que os comandos devem ser executados

com o usuário root, ou seja, o # não faz parte do comando. Esta é uma notação que será

encontrada pelo usuário em quase todos os tutoriais, artigos e dicas sobre Linux encontrados

na Internet e em livros como este. O sinal $ é utilizado quando se pode executar um comando

com um usuário sem permissões de root. Desta forma, o comando acima, por exemplo, é: apt- get update. Se o comando pudesse ser executado com um usuário comum (o que não se aplica

a este caso particular de apt-get), seria indicado da seguinte forma:

$ apt-get update

Uma vez que tenha executado o comando, Debian GNU/Linux conhecerá todas as

novas versões de programas disponíveis segundo as fontes apontadas no arquivo de

configuração /etc/apt/sources.list. Este arquivo é escrito em formato de texto puro, contendo

uma sintaxe de fácil compreensão e podendo ser editado a qualquer momento pelo root ou por

um usuário que possua permissão de escrita sobre ele.

Para visualizar as opções disponíveis sobre os programas, o usuário deve digitar o

comando:

# apt-cache search nome_ou_descrição_do_programa

Neste caso, a expressão nome_ou_descrição_do_programa deve ser substituída pelo

nome ou expressão pretendida pelo usuário. A FIG. 2 mostra um exemplo de busca pela

expressão “personal finance”, que listará os programas relacionados com finanças pessoais.

FIGURA 2 - Busca de pacotes pela ferramenta apt

A computação pessoal e o sistema operacional Linux - 40

Uma vez que tenha encontrado o programa desejado, o usuário pode partir para a

instalação do mesmo, digitando:

# apt-get install nome_do_programa

A ferramenta apt resolverá todas as dependências entre os pacotes e caso algum deles

não esteja instalado no sistema, ela automaticamente buscará o mesmo e realizará a instalação

completa, sem mais intervenções do usuário.

2.2.4 - O arquivo sources.list Um arquivo muito importante para o sistema APT de Debian é /etc/apt/sources.list.

Neste arquivo são indicadas as fontes de onde serão obtidos os pacotes de software a serem

instalados no sistema.

Muitos programas são disponibilizados nos repositórios Debian e seus espelhos

espalhados pelo mundo todo, mas alguns programas são disponibilizados em outras fontes

(como é o caso de Picasa do Google) e freqüentemente é necessário adicionar ou remover

endereços de repositórios do arquivo sources.list.

As linhas neste arquivo indicam não somente o endereço do repositório, mas também

apontam quais versões das distribuições Debian devem ser localizadas. A seguir, um exemplo

de conteúdo de um arquivo sources.list para uma distribuição Testing. Os repositórios de

pacotes podem ter seus endereços alterados, desta maneira, pode ser que algum dos endereços

listados abaixo não esteja disponível quando testes forem efetuados. Basta que o usuário

procure em fóruns e artigos quais repositórios estão em funcionamento e são de seu interesse.

O importante aqui é que se entenda a finalidade do arquivo e sua estrutura básica.

# Pacotes Debian (alguns repositórios duplicados propositalmente)

deb http://security.debian.org/debian-security testing/updates main

deb http://ftp.us.debian.org/debian testing main contrib non-free

deb http://ftp.br.debian.org/debian testing main contrib non-free

deb http://www.debian-multimedia.org testing main

deb http://security.debian.org/ testing/updates main contrib

deb http://mirrors.kernel.org/debian/ testing main contrib non-free

deb-src http://mirrors.kernel.org/debian testing main contrib non-free

deb-src http://security.debian.org testing/updates main contrib

deb-src http://ftp.br.debian.org/debian testing main contrib non-free

A computação pessoal e o sistema operacional Linux - 41

# Google software repository

deb http://dl.google.com/linux/deb/ stable main

# VLC

deb http://download.videolan.org/pub/videolan/debian/ sid main

# Multimídia

deb http://www.debian-multimedia.org sid main

deb http://www.debian-multimedia.org experimental main

As linhas que possuem um sinal # na frente são linhas comentadas que serão

desconsideradas pelo APT.

A primeira palavra da linha é deb ou deb-src. No primeiro caso, indica-se um

repositório de pacotes binários preparados para instalação e no segundo, código-fonte dos

pacotes e alguns arquivos de controle, útil a programadores ou pessoas que gostam de (ou

precisam) compilar os programas em seu próprio computador.

O segundo argumento é o endereço, que pode ser acessado por protocolos http, ftp,

etc.

O terceiro argumento indica a distribuição, onde valem os codinomes. Por exemplo,

em uma linha “deb http://ftp.br.debian.org/debian/ etch main contrib”, o codinome usado é

“etch” e deve existir no endereço citado um diretório ou uma referência com o nome “etch”

que aponte para os pacotes desta versão de Debian (4.0). Outra forma de indicar a distribuição

é com os termos stable, testing e sid.

As indicações main, contrib e non-free significam o tipo de licença dos pacotes. Os pacotes da seção main fazem parte da distribuição oficial Debian, os da seção non-free são

pacotes que possuem distribuição restrita e os da seção contrib contém pacotes que podem ser livremente distribuídos mas dependem de pacotes da seção non-free.

Mais informações sobre os pacotes das distribuições Debian podem ser encontradas no

seguinte endereço: http://www.debian.org/distrib/packages. Outros repositórios podem ser

encontrados em www.apt-get.org.

Depois de alterar o arquivo sources.list, é preciso executar o comando para que sejam

recuperadas as informações sobre os pacotes disponíveis nos repositórios. O comando

referido é:

# apt-get update

A computação pessoal e o sistema operacional Linux - 42

2.3 – Sistema de distribuições Debian (Debian Releases) Em Debian, uma distribuição é uma coleção de versões específicas de pacotes. De

tempo em tempo, uma distribuição é declarada pronta e liberada. As distribuições Debian

recebem codinomes para identificar seus diretórios de arquivos nos servidores Debian

(geralmente, nomes de personagens do filme Toy Story). Quando uma distribuição é lançada, suas liberações são referenciadas basicamente por três tipos de marcações, cada uma

apontando para uma liberação ativa. As marcações unstable (instável), testing (em teste) e stable (estável), identificam o estado do ciclo de liberação. Em alguns casos, existe também a

marcação frozen (congelada).

2.3.1 – Unstable Quando são criados novos pacotes e novas versões de pacotes, eles entram no ciclo de

lançamento de Debian pela distribuição unstable (instável, codinome SID). Esta contém

sempre as mais novas versões de todos os pacotes, o que significa que as mudanças não foram

ainda testadas por completo para garantir que instalar estes programas não causará

comportamentos inesperados.

Uma vantagem de usar a distribuição unstable é estar sempre em dia no projeto de

software Debian, porém, seu uso é recomendado somente aos desenvolvedores, devido aos problemas que podem ser causados pela falta de testes. As ocorrências sobre bugs da unstable

são relatadas na página web Problemas da Unstable, pelo endereço http://ftp- master.debian.org/testing/unstable_probs.html.

2.3.2 – Testing Uma vez que um pacote esteve na área unstable por alguns dias e testes mostrem que

não há erros significativos, ele é importado para a área testing (em teste). Os pacotes nesta área ainda estão abertos à modificações.

Os pacotes precisam estar sincronizados em todas as arquiteturas onde eles foram

compilados e não podem ter dependências que impeçam sua instalação. Devem também

possuir menos erros críticos ao lançamento do que as versões atualmente na unstable.

A computação pessoal e o sistema operacional Linux - 43

A testing está sempre perto de ser uma candidata ao lançamento. O último estado da

distribuição testing está relatado nos endereços: ● desculpas de atualização (http://ftp-master.debian.org/testing/update_

excuses.html) ● problemas da testing (http://ftp-master.debian.org/testing/testing_probs.html)

bugs críticos ao lançamento (http://bugs.debian.org/release-critical/) ● bugs do sistema básico (http://bugs.qa.debian.org/cgi-bin/base.cgi)

bugs em pacotes standard e em tarefas (http://bugs.qa.debian.org/cgi-bin/ standard.cgi)

● outros bugs e notas sobre festas de matança de bugs (http://bugs.qa.debian.org/)

2.3.3 – Frozen Após um período, os pacotes na testing atingem uma certa maturidade e seus erros já

são poucos. Eles podem então ser movidos para o estado frozen (congelados). Nesta fase, somente modificações necessárias para corrigir erros comprometedores são

implementadas. Isto significa que nenhum código novo é aceito, exceto se for para correção

de erros críticos que ainda não tinham sido detectados. Este processo leva meses, com

atualizações e congelamentos profundos, chamados de “ciclos de testes”.

As versões de testes são recomendadas aos usuários que colaboram com os

desenvolvedores, realizando os testes na versão e relatando os erros encontrados. Porém, uma

distribuição na área de testes é normalmente bastante estável (seja em testing ou em frozen) e

pode ser utilizada sem problemas em um desktop de uso diário. Depois de corrigir todos os erros críticos na frozen, o gerenciador de liberações declara

que a versão está pronta e se tornará a versão stable.

2.3.4 – Stable Após um longo ciclo de desenvolvimento e testes (em alguns casos chega a mais de

um ano), os desenvolvedores anunciam a nova distribuição estável do sistema Debian. Na

ocasião desta escrita, a atual versão da distribuição estável do sistema Debian é a 4.0.

Esta é a versão recomendada aos usuários que desejam estabilidade, segurança e

confiabilidade no seu sistema. Todos os pacotes estão livres de falhas críticas e eventuais

A computação pessoal e o sistema operacional Linux - 44

correções são liberadas pelos desenvolvedores, podendo ser instaladas pela utilização de um

sistema de gerenciamento e atualização de pacotes de Debian, como apt, por exemplo.

2.3.5 – Codinomes das distribuições Debian Para manter uma melhor organização no projeto e tornar o espelhamento das

distribuições mais fácil, evitando downloads desnecessários por parte dos usuários, as

distribuições em fase de desenvolvimento e testes não possuem número de versão, mas sim

codinomes.

A distribuição unstable sempre recebe o codinome “SID”. As outras distribuições recebem codinomes diferentes a cada liberação. Por exemplo, antes do lançamento da versão

estável 4.0 (Etch), o codinome Etch apontava para testing e o codinome Sarge apontava para stable. Após o lançamento oficial da versão 4.0, a distribuição testing recebeu o codinome de

“Lenny”, que se tornará uma nova versão estável no futuro, quando receberá um número.

Outros codinomes que já foram usados são: “Buzz” para a versão 1.1, “Rex” para a

versão 1.2, “Bo” para as versões 1.3.x, “Hamm” para a versão 2.0, “Slink” para a versão 2.1,

“Potato” para a versão 2.2, “Woody” para a versão 3.0, e “Sarge” para a versão 3.1. Estes

codinomes foram personagens tirados do filme Toy Story feito pela Pixar.

2.4 – Motivações para utilização de Debian GNU/Linux Algumas características fazem do sistema Debian uma excelente escolha tanto para

organizações quanto para usuários de computação pessoal. Por ser um sistema robusto e

conter um ciclo de testes muito bom, dificilmente os programas da versão estável conterão

falhas críticas. A organização do Projeto Debian e a forma de desenvolvimento global de

Debian são mais dois fatores importantes a favor da distribuição.

Algumas características que representam motivos para a escolha de Debian são

listadas na FAQ (perguntas freqüentes) do Debian:

● Completo: na versão Etch, inclui mais de 18000 pacotes de software à escolha

do usuário;

● Todos os pacotes parte do Debian são livres para redistribuição sob os termos

da GPL e todos são convidados a participar do desenvolvimento e testes sem

quaisquer pagamentos de taxas. Os repositórios FTP de Debian possuem também

muitos pacotes (aproximadamente 450, em non-free e contrib) que são distribuídos

A computação pessoal e o sistema operacional Linux - 45

com licenças individuais específicas;

● O sistema de manutenção de pacotes de Debian é robusto e único,

possibilitando uma atualização de parte do sistema ou dele inteiro sem que arquivos de

configuração sejam perdidos e na quase totalidade dos casos, sem que seja necessário

reinicializar o computador;

● O desenvolvimento é aberto e dinâmico: várias outras distribuições Linux são

desenvolvidas por pequenos grupos ou empresas com fins lucrativos e Debian é a

única que é mantida e desenvolvida por voluntários através da Internet, no mesmo espírito do Linux e de outros programas open source. O projeto conta com mais de

1060 mantenedores de pacotes e os desenvolvedores Debian contribuem com a criação

de novos aplicativos, empacotamento de software, com relatórios de falhas e suporte

aos usuários;

● Devido à característica aberta de desenvolvimento, desenvolvedores do mundo

todo colaboram com o projeto Debian. Isto criou a necessidade de ferramentas

eficazes de controle e comunicação rápida de falhas (bugs),para acelerar o

desenvolvimento do sistema. Existe um estilo formal de envio de falhas pelos

usuários, que é acessível de forma rápida por sites da Internet ou e-mail;

● Todos os pacotes Debian obedecem a uma grande especificação de padrões de

qualidade, definidos em um documento chamado Política do Debian (Debian Policy).

Além disso, Debian 4.0 conta com um bom reconhecimento de hardware e com

grandes empresas fornecendo suporte a seus produtos para o sistema. A Dell, por exemplo,

fornece uma versão de Debian modificada para oferecer suporte às suas placas controladoras

de RAID aos seus clientes. A Hewlett-Packard (HP) fornece vários servidores e estações de

trabalho para o Debian e emprega vários desenvolvedores para trabalhar nos ports (porte do sistema para arquiteturas) HPPA e IA-64 do Debian. A empresa também oferece suporte

oficial para seus clientes em Debian GNU/Linux. A Sun Microsystems fornece várias máquinas UltraSPARC para o Debian assim como sistemas de demonstração para uso em

apresentações comerciais.

Debian GNU/Linux não é uma simples distribuição criada por um pequeno grupo de

pessoas por diversão ou passatempo, mas é uma grande e respeitada distribuição Linux que

pode ser utilizada tanto em servidores como em desktops.

A computação pessoal e o sistema operacional Linux - 46

3 – AMBIENTE COMPUTACIONAL A maioria das distribuições Linux pode ser executada em várias plataformas de

hardware e exige poucos recursos computacionais para seu funcionamento. No entanto,

alguns recursos do ambiente de computação pessoal possuem requisitos mínimos de

hardware para funcionarem satisfatoriamente. Para usuários que possuem computadores

modernos esta não é uma preocupação, já que o sistema operacional Debian GNU/Linux é

executado perfeitamente e reconhece automaticamente grande parte do hardware instalado.

Em alguns casos, é necessário que sejam instalados módulos de suporte a alguns

dispositivos, como webcam e ativação de aceleração 3D de algumas placas de vídeo. Nestes

casos, uma busca na Internet revela rapidamente os módulos necessários e até mesmo os procedimentos para a instalação dos mesmos. A instalação de sistemas operacionais e sua

devida configuração geralmente ficam a cargo das assistências técnicas e/ou revendedores de

computadores, não sendo assim, uma preocupação muito grande para o usuário final.

O objetivo deste capítulo é descrever a instalação do sistema Debian GNU/Linux 4.0

em um microcomputador.

3.1 – Requisitos de Hardware para Debian GNU/Linux O sistema Debian 4.0 oferece suporte a doze arquiteturas e diversas variações, a saber:

Intel x86-based, AMD64 e Intel EM64t, DEC Alpha, ARM e StrongARM, HP PA-RISC, Intel ia64-based, Intel ia64-based, MIPS (big endian), MIPS (littleendian), Motorola 680x0,

IBM/Motorola PowerPC, Sun SPARC, IBM S/390.

Neste trabalho será feita uma instalação de ambiente desktop, utilizando a arquitetura

Intel x86-based, uma arquitetura bastante comum, contando com o seguinte hardware: placa- mãe ASUS P4GE-MX, processador Intel Pentium 4 com freqüência de 2.4 GHz, memória

RAM Samsung de 512 MB, Placa de vídeo nVidia GEForce FX 5500 com 256 MB de

memória, teclado ABNT2, mouse K-MEX óptico com scroll, placa de captura e TV Kozumi,

webcamSpeed spw-201, discos rígidos IDE com 40 e 80 GB de capacidade, placa de som (onboard) Intel 82801DB, caixas de som com mini SubWoofer Speed, fone de ouvido

A computação pessoal e o sistema operacional Linux - 48

Satellite, modem ADSL D-Link DSL-500B, DVD RW IDE LG.

Para o ambiente desktop, recomenda-se, no mínimo, um Pentium 100 com 64 MB de RAM. Para que seja instalada uma quantidade razoável de programas e um ambiente gráfico,

é preciso pelo menos 400 MB de espaço livre em disco. Para uma instalação mais completa

de um desktop, em torno de 2 gigabytes.

3.2 – Instalação do sistema Debian GNU/Linux O sistema Debian pode ser instalado de diversas formas, sendo mais comum (e

adotada pela maioria dos usuários) a instalação via CD-ROM. O sistema Debian 4.0 conta

com um conjunto de 22 CDs ou 3 DVDs, organizados pela maior utilização dos pacotes, ou

seja, os pacotes mais utilizados estão mais próximos do primeiro CD.

Apesar da grande disponibilidade de software encontrada no conjunto completo de

mídias da distribuição, para uma instalação satisfatória de um desktop, somente quatro CDs são necessários, sendo dois deles a instalação básica do sistema com GNOME e KDE e o

segundo e terceiro CDs do conjunto.

3.2.1 – Obtenção das mídias de instalação Os CDs e DVDs de instalação podem ser obtidos de vendedores oficiais ou pelo

download de imagens a partir dos mirrors (espelhos) Debian, por sistemas bittorrent ou jigdo.

No primeiro caso, um valor simbólico referente ao custo das mídias e à mão-de-obra para sua

criação serão cobrados do usuário (a distribuição é gratuita, mas as mídias não são). Nos

demais casos, o usuário pode realizar os downloads quantas vezes forem necessárias, gratuitamente e sem necessidade de autenticação.

O projeto Debian recomenda a utilização de sistemas bittorrent e jigdo para realização dos downloads, uma vez que são mais garantidos e mais rápidos do que o sistema

convencional via http. Todos os links para os downloads e as instruções necessárias podem ser encontrados na página oficial do projeto Debian, em http://www.debian.org/CD, ficando a

critério do usuário o método desejado. Neste estudo, foi utilizado o método jigdo.

Após a realização dos downloads dos arquivos ISO, antes da gravação das mídias,

recomenda-se o processo de checagem de integridade dos arquivos pelo sistema de checksum. O cheksum é o resultado da aplicação de um algoritmo de hash sobre os bits componentes do

arquivo ISO, sendo único para cada um deles. Se o checksum calculado do arquivo baixado

A computação pessoal e o sistema operacional Linux - 49

for igual ao checksum encontrado na referência oficial do projeto Debian, isto significa que a

mídia para o referido arquivo de imagem pode ser gravada com segurança, pois a integridade

do mesmo está garantida.

A lista de checksums geralmente encontra-se em um arquivo chamado MD5SUMS, no mesmo diretório dos arquivos ISO da distribuição. O conteúdo da lista é semelhante às linhas

descritas abaixo:

348ef36549b63b03db468367ebba1cb2 debian-testing-i386-CD-1.iso f99688a0151ff17a8a8f56ded1b2e665 debian-testing-i386-CD-2.iso

3afcf7598cafde7dfa4dfbde7e70e04d debian-testing-i386-CD-3.iso 66990355418195cebe28711e6e33e698 debian-testing-i386-kde-CD-1.iso

Para cada mídia componente da distribuição, uma nova linha é criada no arquivo

MD5SUMS e cada linha é composta do checksum e do nome do respectivo arquivo para o qual o checksum foi calculado pelo projeto Debian.

Em ambiente Linux, utiliza-se o comando md5sum <nome_do_arquivo>, onde

<nome_do_arquivo> é substituído pelo nome do arquivo a ser verificado, para a checagem

dos valores. Caso a checagem seja executada em outro sistema operacional, o usuário deverá

obter o software específico que realize a tarefa.

3.2.2 – Iniciar a instalação de Debian GNU/Linux 4.0 Na versão Debian 4.0, além do instalador em modo texto, o usuário tem a opção de

realizar o processo através de um instalador em modo gráfico, tornando o processo mais fácil,

visualmente limpo e mais compreensível.

O primeiro passo para a instalação do sistema Debian GNU/Linux é o usuário estar de

posse das mídias de instalação (neste caso os CDs) e configurar o sistema para dar partida

através da unidade de CD. Em alguns casos, as unidades de CD exigem controladores

específicos, estando indisponíveis nos primeiros passos da instalação, entretanto, se não for

possível inicializar o sistema a partir do CD, o usuário poderá utilizar outra mídia na

inicialização (como disquetes) e a partir daí instalar os pacotes do sistema básico e os pacotes

adicionais indicando a unidade de CD-ROM.

Se a partida no computador pelo CD de instalação do Debian (neste caso com KDE)

for bem sucedida, o usuário será direcionado à tela de seleção de boot do Debian. Se o usuário não digitar qualquer parâmetro e pressionar a tecla Enter, será iniciado o processo de

A computação pessoal e o sistema operacional Linux - 50

instalação em modo texto. Para selecionar o processo de instalação em modo gráfico, o

usuário deve digitar installgui e pressionar Enter.

O método installgui é o processo mais simples para a instalação do sistema, pois oferece um assistente que guiará o procedimento passo a passo, orientando o usuário e

solicitando uma escolha de sua preferência para cada opção. Para selecionar uma opção, o

usuário pode marcá-la com a seta do mouse e depois clicar em continuar ou simplesmente

efetuar clique duplo sobre a opção desejada. Outros métodos estão disponíveis, como

expertgui, exigindo do usuário uma maior experiência em instalação de sistemas Debian.

3.2.3 – Seleção de idioma e país de localização Após selecionar o método de instalação, algumas perguntas serão feitas pelo assistente

para que as configurações básicas do sistema sejam estabelecidas. A primeira solicitação do

assistente é o idioma do utilizador. Esta escolha refletirá na linguagem padrão utilizada por

Debian após o término da instalação, bem como será utilizada em todas as mensagens do

processo. É importante, no caso do usuário final ser brasileiro, escolher o idioma selecionado

na FIG. 4 (Portuguese (Brazil)), pois há diferenças nas mensagens e menus do sistema Debian

FIGURA 3 - Tela inicial para instalação do sistema Debian GNU/Linux

A computação pessoal e o sistema operacional Linux - 51

quando o idioma chamado apenas Portuguese é selecionado. Este último é recomendado para

usuários residentes em Portugal. Algumas diferenças entre os termos utilizados nestes dois

idiomas podem ser exemplificadas como ficheiros em vez de arquivos, câmara em vez de

câmera, ecrã em vez de tela, atrás em vez de voltar e diversos outras particularidades. Apesar de inteligíveis, estes termos podem confundir um usuário final quando um termo

desconhecido para ele for referenciado em uma determinada mensagem do sistema.

Para selecionar o idioma, o usuário pode efetuar um clique duplo sobre a opção ou

marcá-la e clicar no botão Continue. A próxima solicitação do assistente é o país onde se encontra o utilizador. Uma lista de

alguns países que falam o idioma selecionado é exibida e o usuário deverá escolher a sua

localização correta para que algumas configurações sejam acertadas. Dentre as definições,

estão o fuso horário, um espelho de arquivos Debian no país mais próximo da localização do

computador e definições locais do sistema.

FIGURA 4 - Seleção de idioma para o processo de instalação

A computação pessoal e o sistema operacional Linux - 52

3.2.4 – Indicação do tipo de teclado O próximo passo para a instalação é a seleção do tipo de teclado que será utilizado no

sistema. Muitos layouts (estilos) e idiomas de teclados são suportados pelo sistema Debian

GNU/Linux e a detecção automática do hardware deve funcionar na maioria dos casos, trazendo a opção adequada na lista como padrão. A FIG. 6 mostra a seleção de teclado para o

padrão do Brasil ABNT2, layout que pode ser reconhecido pela presença da tecla “c” com cedilha.

FIGURA 5 - Seleção de país do utilizador

A computação pessoal e o sistema operacional Linux - 53

3.2.5 – Configuração de rede, hostname e domínio Se o computador possuir mais de uma interface de rede, o usuário precisa informar

qual delas será utilizada como padrão na instalação. Isto é útil para instalações que buscarão

pacotes via rede em um tipo de instalação Debian conhecida como netinst. A primeira interface detectada pelo instalador é selecionada por padrão e o usuário precisa apenas clicar

no botão continuar para prosseguir.

FIGURA 6 - Seleção do layout de teclado

A computação pessoal e o sistema operacional Linux - 54

O sistema então solicita o nome que será usado para o computador como sua

identificação na rede. A seleção do nome do computador é completamente livre ao usuário.

Em alguns casos de empresas, os nomes dos computadores são padronizados de acordo com

os departamentos, filiais e em quais pontos de rede eles se encontram, para facilitar o trabalho

do pessoal de suporte de TI. Como exemplo, um computador que se encontre em uma filial de

São Paulo, no departamento financeiro e esteja ocupando o ponto de rede número 20, pode ser

chamado de FIN-p20-SP. Um usuário doméstico pode digitar um nome que lhe agrade, seu

próprio nome, o nome de seu time de futebol preferido ou seu apelido, por exemplo.

FIGURA 7 - Seleção de interface de rede primária

A computação pessoal e o sistema operacional Linux - 55

A próxima seleção consiste em escolher o nome do domínio de rede ao qual o

computador pertence. Novamente, em casos de empresas, o administrador da rede deverá

escolher o domínio adequado para a estação e um usuário doméstico pode selecionar qualquer

nome que lhe agrade.

FIGURA 8 - Digitar o nome do computador

FIGURA 9 - Tela de escolha do domínio de rede a que pertence o computador

A computação pessoal e o sistema operacional Linux - 56

3.2.6 – Particionamento de discos A próxima etapa da instalação (após alguma detecção de hardware pelo instalador) é a

seleção da unidade de disco rígido onde o sistema Debian será instalado. Esta talvez seja a

etapa mais complexa e que causa mais receio na maioria dos usuários que estiverem migrando

de outros sistemas operacionais para o Linux.

Para a execução desta tarefa, é necessário algum conhecimento sobre o sistema de

arquivos Linux e sobre a quantidade de memória (discos rígidos e RAM) instalada no

computador. A definição do sistema de arquivos Linux é apresentada no CAP. 1 do presente

trabalho, enquanto a quantidade de memória RAM pode ser obtida no processo de

inicialização do computador ou no programa SETUP. A capacidade do disco ou dos discos rígidos não é uma informação que precisa ser obtida externamente, uma vez que estes dados

serão exibidos pelo instalador.

É preciso informar ao programa de instalação em qual disco e partição devem ser

copiados os arquivos componentes do sistema (em que lugar serão instalados). Este espaço

deverá ser antecipadamente reservado e devidamente preparado para a cópia. É neste ponto

que entram em cena o particionador e o formatador de discos.

O particionador de discos é um utilitário que marca pontos do disco rígido como

sendo divisões lógicas, criando assim as chamadas partições. Uma partição é conhecida pelo

sistema como um espaço separado, independente do restante do disco. As alterações em uma

partição não são refletidas em outras partições do disco, em outras palavras, se os dados dos

usuários encontram-se em uma partição e os arquivos do sistema operacional em outra, é

possível reinstalar ou até mesmo remover todo o sistema sem que os dados desta partição

sejam tocados.

Diversos particionadores estão disponíveis para Linux, entre os mais conhecidos

destacam-se cfdisk e fdisk para o modo texto e Qparted para o modo gráfico. O sistema

Debian 4.0 utiliza o programa Partman para esta tarefa. Depois de dividir o disco da maneira desejada, é preciso preparar os espaços

(partições) para a utilização com o programa formatador, que será automaticamente executado

e aplicará as mudanças de acordo com a seleção do usuário.

Para facilitar o trabalho dos iniciantes, Debian fornece opções de particionamento

assistido com algumas configurações pré-definidas para o usuário. A FIG. 10 mostra as

opções disponíveis nesta parte da instalação.

A computação pessoal e o sistema operacional Linux - 57

Se o usuário escolher o particionamento assistido, terá três opções: criar partições

diretamente no disco rígido (método clássico), criar usando o Gerenciamento Lógico de

Volumes (LVM) ou criá-las usando LVM criptografado.

Optando por LVM ou LVM criptografado, o instalador criará todas as partições dentro

de uma grande partição, permitindo, posteriormente, redimensionar as partições de maneira

relativamente fácil. O LVM criptografado exigirá uma chave especial para que a partição

grande seja lida, aumentando a segurança dos dados.

Em qualquer dos casos de particionamento assistido, o usuário é questionado sobre

qual disco deverá utilizar e deve verificar se todos os discos estão listados. Uma vez que o

disco será reparticionado e formatado, todos os dados até então contidos nele serão apagados

após a confirmação do processo.

Basicamente, o que o particionamento assistido faz é criar algumas partições do

sistema Linux de acordo com um padrão estabelecido. Por exemplo, para a primeira opção

(usar disco inteiro), serão criadas as partições raíz (/) e swap. Para outras definições podem ser criadas as partições /home, /var, /usr, /tmp, raíz e swap separadas.

Uma outra opção para o particionamento é a manual. Neste caso, o usuário assume

total controle sobre o processo de criação de partições, definindo a quantidade de espaço

disponível para cada partição, quais os pontos de montagem para o sistema de arquivos,

rótulos e flag de inicialização, além de informar se determinada partição será formatada ou

FIGURA 10 - Seleção do método de particionamento

A computação pessoal e o sistema operacional Linux - 58

não (útil no caso de reinstalações para não perder dados pessoais). Na presente obra será

coberto o uso do particionamento manual. A FIG. 10 mostra a seleção que deve ser feita para

este propósito.

O cenário exibido na FIG. 11 é o de um desktop de uso doméstico que já possuía uma instalação Debian, ou seja, o particionamento já fora realizado anteriormente, porém, a

criação de partições em discos novos é uma tarefa simples, bastando o usuário clicar duas

vezes sobre o espaço não utilizado (mostrado pelo particionador), escolher a opção de criação

de nova partição primária, informar o tamanho em MB ou GB e confirmar. Depois disso, o a

configuração da partição é feita exatamente como será abordado neste capítulo.

A FIG. 11 mostra um sistema com dois discos rígidos IDE. O sistema Linux reconhece

cada disco rígido e atribui aos mesmos um prefixo “hd” e uma letra, de acordo com a ordem

em que encontram-se dispostos no cabo de ligação, por exemplo, o primeiro dispositivo da

primeira porta IDE recebe a letra “a”, o segundo recebe a letra “b”, o primeiro dispositivo da

segunda IDE recebe a letra “c” e o segundo, a letra “d”.

No caso apresentado, tem-se hda e hdb. O disco conhecido como hda (com capacidade

de 40 GB) possui três partições e o disco hdb (80 GB) possui uma partição. O sistema Linux

reconhece as partições dos discos utilizando o nome lógico atribuído ao dispositivo,

adicionado de um número seqüencial iniciando geralmente em 1. Desta maneira, tem-se hda1,

hda2 (que será usado como swap), hda3 e hdb1.

Para iniciar o processo de configuração de uma partição, basta efetuar duplo clique

FIGURA 11 - Lista de discos rígidos e partições

A computação pessoal e o sistema operacional Linux - 59

sobre a mesma e uma tela semelhante à mostrada na FIG. 12 será exibida.

A primeira coisa a ser feita é informar como a partição será formatada, ou seja, qual

sistema de arquivos será utilizado. Para isto, o usuário efetua clique duplo sobre o item “Usar

como” e uma lista semelhante à da FIG. 13 será exibida, possibilitando ao usuário escolher o

sistema de arquivos a utilizar.

Os sistemas de arquivos ReiserFS e ext3 (mais comuns para Linux) possuem suporte a

um um recurso conhecido como journaling. Este recurso consiste em guardar um registro de

todas as alterações que estão sendo realizadas no disco antes de efetivá-las e eliminar o

registro depois da efetivação. Desta forma, se o sistema for interrompido inesperadamente, a

checagem do sistema de arquivos no processo de inicialização do Linux recuperará todas as

transações que estiverem marcadas como não efetivadas no registro jounal, garantindo assim

a integridade do sistema. Este recurso mostra-se muito útil às pessoas que não possuem no- breaks.

Se ocorrer um desligamento incorreto, o ReiserFS conseguirá recuperar toda a árvore

do disco e a consistência do sistema de arquivos em alguns instantes. Entretanto, as alterações

que estavam sendo feitas em arquivos abertos no momento do desligamento serão perdidas. O

acesso aos arquivos será normal, mas o conteúdo poderá estar incompleto ou embaralhado.

Os sistemas mais antigos (com kernel 2.2) utilizavam ext2 e a cada desligamento incorreto, um utilitário de checagem chamado fsck era chamado no processo de inicialização.

O fsck é lento e oferece muitos riscos de perdas de arquivos e até de pastas inteiras. O suporte

FIGURA 12 - Tela inicial de configuração de partição

A computação pessoal e o sistema operacional Linux - 60

a ext3 foi efetivado a partir do kernel 2.4 do Linux.

O ReiserFS usa uma técnica de armazenamento que permite o acesso rápido aos

metadados dos arquivos, além de permitir que os dados sejam gravados próximos aos

metadados, possibilitando a leitura de pequenos arquivos com um único movimento do braço

de leitura do disco rígido. Também usa uma forma de alocação de espaço que é dinâmica, ou

seja, o espaço alocado para um arquivo depende somente do tamanho do mesmo, o que evita

desperdícios, pois não há um tamanho fixo de alocação. Como uma analogia, imagine o disco

como sendo um galpão onde serão guardados objetos dentro de caixas. Se todas as caixas

tiverem o mesmo tamanho, alguns objetos pequenos estarão ocupando um espaço muito

grande no galpão, uma vez que sua caixa é do mesmo tamanho da caixa de um objeto bem

maior (um lápis e um ventilador, por exemplo).

Tanto ReiserFS quanto ext3 oferecem boa proteção contra o comprometimento do

sistema de arquivos originado de um desligamento acidental e apesar de ext3 ser muito

difundido no mundo Linux, neste trabalho, recomenda-se o uso de ReiserFS, dadas as

características apresentadas.

Para prosseguir com a configuração da partição, basta que o usuário clique duas vezes

sobre o item “sistema de arquivo com journaling ReiserFS”, como mostrado na FIG. 13.

Após a seleção do tipo de sistema de arquivos, o usuário é enviado à tela anterior (de

FIGURA 13 - Seleção do tipo de sistema de arquivos para uma partição

A computação pessoal e o sistema operacional Linux - 61

configuração da partição). O próximo passo é informar se a partição será formatada ou não. A

seleção é feita com duplo clique sobre o item “Formatar a partição”. Se a escolha for sim,

todos os dados existentes até o momento na partição serão perdidos. Se a escolha for não, os

dados serão preservados, o que seria coerente para uma partição que contivesse os dados dos

usuários em casos de reinstalação do sistema.

Depois de escolher sobre a formatação ou não da partição, o usuário deve informar

qual será o ponto de montagem da partição para o Linux, em outras palavras, como o Linux

deverá utilizar a partição. Para que um sistema Linux básico possa funcionar, é necessário que

existam pelo menos dois pontos de montagem: a raiz do sistema e a área de troca (swap).

Como a configuração que está sendo aplicada neste momento é para a partição

ReiserFS com 20 GB de espaço, será definida como sendo a partição raiz do sistema.

Clicando sobre o item “Ponto de montagem”, como mostrado na FIG. 14, o usuário tem à sua

escolha os pontos listados, devendo escolher a primeira opção para esta partição (raiz).

O item “Opções de montagem” deve ser deixado, de preferência, como defaults. Esta

opção é útil na montagem de partições com permissões especiais de acesso, por exemplo. O

“Rótulo” não precisa ser modificado, será dado como “Pasta Raiz” pelo sistema e “Flag

inicializável” é útil quando o gerenciador de partida (GRUB ou LILO) será instalado na

partição e não na MBR do primeiro disco. Esta opção pode ser deixada como desligada ou

ligada no caso particular desta instalação.

FIGURA 14 - Seleção do ponto de montagem de uma partição

A computação pessoal e o sistema operacional Linux - 62

Uma vez que as alterações tenham sido completadas, o usuário deve clicar em

“Finalizar a configuração da partição”, como mostrado na FIG. 15.

Os passos devem ser repetidos para a configuração das outras partições e para cada

uma delas, o usuário deverá selecionar o tipo de utilização que o sistema fará da partição. É

recomendável que se configure a área de troca (swap) com o mesmo tamanho da memória

RAM instalada ou 1.5 vezes a quantidade de memória RAM.

Um detalhe interessante na configuração mostrada na FIG. 16 é a utilização de um dos

discos como área para gravação de dados. Isto foi feito para que não se percam os dados no

caso de uma reinstalação do sistema. O ponto de montagem deve ser informado manualmente

e neste caso foi escolhido como /dados. Os pontos de montagem são vistos no sistema como

diretórios que permitirão acesso aos dados da partição. Uma partição (hda3) ficou vazia para

futuras instalações de outros sistemas ou versões Debian.

FIGURA 15 - Finalizar a configuração da partição

A computação pessoal e o sistema operacional Linux - 63

Antes de efetivar as mudanças nas tabelas de partições, o instalador solicita ao usuário

que confirme a operação, como mostrado na FIG. 17.

FIGURA 16 - Finalizando o particionamento

FIGURA 17 - Confirmar as mudanças nos discos

A computação pessoal e o sistema operacional Linux - 64

3.2.7 – Escolha de fuso horário Uma vez que tenha terminado o particionamento, o sistema solicita ao usuário que

selecione o seu fuso horário (FIG. 18).

3.2.8 – Definição da senha de root e criação de usuário comum Todos os sistemas baseados em UNIX possuem um superusuário para sua manutenção

e administração. Este usuário geralmente recebe o nome de root (raiz, não confundir com a

raiz do sistema de arquivos) e o próximo passo da instalação é definir a senha do root. É importante que o usuário saiba escolher uma boa senha para o superusuário, uma vez que este

possui poderes ilimitados dentro do sistema e seu mau uso pode causar grandes danos.

FIGURA 18 - Selecionar fuso horário

A computação pessoal e o sistema operacional Linux - 65

Devido ao fato de possuir acesso irrestrito aos arquivos de sistema, comandos e

configurações, o usuário root geralmente não é utilizado para tarefas comuns como acessar a Internet, ouvir música, assistir a um filme ou escrever uma carta.

Para estas tarefas recomenda-se criar um outro usuário, com poderes limitados sobre o

sistema. Este será utilizado para todas as tarefas, com exceção das administrativas (instalar

novos programas, alterar configurações, atualizar o sistema). Sempre que for necessário

privilégios administrativos para executar alguma operação, o usuário deverá fornecer a senha

do root, solicitada automaticamente pelo sistema. A correta utilização da política de permissões do Linux em conjunto com a escolha de

boas senhas garante que o sistema estará livre de problemas decorrentes da sua utilização,

como o usuário acidentalmente apagar um arquivo importante (/etc/fstab, por exemplo).

Depois de digitar a senha do root, o instalador solicita o nome completo do usuário que terá privilégios limitados no sistema, como pode ser visto na FIG. 20.

FIGURA 19 - Digitar senha do root

A computação pessoal e o sistema operacional Linux - 66

O nome completo pode ser qualquer seqüência de caracteres, não sendo exigido que

seja o nome verdadeiro do utilizador.

O usuário deverá fornecer também um nome de login e uma senha, que serão

utilizados para as tarefas comuns do sistema desktop.

FIGURA 20 - Digitar o nome completo do usuário comum

FIGURA 21 - Nome de login do usuário comum

A computação pessoal e o sistema operacional Linux - 67

3.2.9 – Finalização da instalação e gravação do gerenciador de partida O assistente de instalação perguntará sobre a existência de um espelho de rede para a

instalação. Isto é bastante útil quando se tem um repositório de pacotes local em uma rede

onde vários computadores receberão o sistema Debian. Para o caso desta instalação, o usuário

deve escolher a opção “Não”. Provavelmente uma tela informando que não foi possível

acessar as atualizações de segurança será exibida. Isto se deve ao fato de que o computador

ainda não está configurado para acessar a Internet, onde Debian pode buscar as versões mais

novas de pacotes.

O instalador solicitará então que usuário escolha participar ou não do popularity-

contest. Este é um sistema criado para que os desenvolvedores recebam, anonimamente, uma vez por semana, algumas estatísticas sobre a utilização de pacotes para inclur os mais usados

nas próximas versões de Debian, nos primeiros CDs. Fica à escolha do usuário habilitar ou

não esta opção, isto não influenciará no uso normal do sistema. Para encerrar, são detectados

outros sistemas operacionais instalados (se houver) e informado ao usuário sobre a instalação

do gerenciador de partida GRUB na MBR do disco rígido. A FIG. 22 mostra a tela de

instalação do GRUB. Para o caso desta instalação, o usuário deverá escolher seguramente a

opção “Sim”.

Um gerenciador de partida é um software que permite aos usuários selecionarem, na

inicialização do computador, um de seus sistemas operacionais instalados. Diversos

gerenciadores estão disponíveis para Linux, sendo padrão para Debian 4.0 o GRUB (GRand

FIGURA 22 - Instalar GRUB na MBR

A computação pessoal e o sistema operacional Linux - 68

Unified Bootloader), do Projeto GNU. O usuário poderá, posteriormente, escolher outro

gerenciador.

3.10 – Adicionar CDs ao repositório e instalar Synaptic Para instalar um programa em Debian GNU/Linux por meio de uma interface gráfica

bastante amigável, recomenda-se o uso do programa Synaptic. No ambiente KDE, por padrão,

o software instalado é Kpackage, assim, cabe ao usuário instalar o programa Synaptic, utilizando o próprio Kpackage ou diretamente a ferramenta apt.

Se a instalação sugerida neste documento está sendo seguida à risca, neste momento,

talvez o usuário precise utilizar um dos CDs/DVDs de instalação do sistema. Para que isto

seja feito, é preciso informar ao sistema Debian quais CDs/DVDs estão disponíveis, para que

ele possa reconhecer quais programas estão gravados nestas mídias.

O procedimento é simples, basta obter acesso ao terminal como root (da mesma forma como se fosse instalar um programa) e digitar o comando:

# apt-cdrom add

O sistema solicita que seja colocado um CD/DVD na bandeja e então faz a leitura do

mesmo, identificando todos os programas disponíveis. O mesmo processo deve ser repetido

para os demais CDs/DVDs do conjunto. Basta realizar estes passos uma única vez e o sistema

Debian se encarregará de manter as informações sobre os Cds/DVDs e conhecer todos os

programas disponíveis em cada mídia.

Agora, basta digitar:

# apt-get install synaptic

Debian solicita ao usuário que coloque o CD/DVD de número correto para instalar o

programa. É importante lembrar-se de anotar os números dos CDs/DVDs nas mídias quando

estas forem gravadas, para facilitar o processo de instalação. Uma vez instalado Synaptic, um atalho para a execução do programa é adicionado automaticamente no menu de KDE, na

seção Sistema (System). Ao abrir o programa, é solicitada a senha de root, uma vez que instalar e remover

programas é um processo que exige permissões especiais em Linux. O usuário deve fornecer a

senha correta e aguardar a exibição da janela principal de Synaptic, onde à esquerda são

mostradas categorias de programas, à direita os pacotes (programas) considerados dentro

daquela categoria e abaixo a descrição da utilidade do pacote. Esta descrição geralmente está

em idioma Inglês, mas uma simples busca na Internet pode revelar, em Português, tudo sobre um pacote.

A computação pessoal e o sistema operacional Linux - 69

Para instalar outros programas, basta que o usuário escolha a categoria e marque a

caixa de seleção do mesmo, clicando sobre ela e escolhendo “Marcar para instalação”. As

dependências são automaticamente resolvidas e marcadas.

Se não souber a categoria do programa, o usuário pode buscar um pacote, clicando no

menu Editar, item Procurar. Se também não souber o nome do pacote procurado, mas souber

qual o tipo de programa que procura (por exemplo, um programa para reproduzir arquivos em

mp3, ogg, etc), deve então selecionar na janela de busca, no item “Procurar em”, o valor

“Descrição e Nome”. No item “Procurar”, deve digitar simplesmente um dos termos

relacionados, como por exemplo, “mp3” (novamente, sem as aspas). Feito isso, um simples

clique no botão “Procura” exibirá todos os programas relacionados com arquivos mp3, de

codificação a reprodução.

Dependendo da busca, a quantidade de pacotes exibida pode ser muito grande, motivo

pelo qual são recomendados os programas que se seguem neste trabalho, nos próximos

capítulos. Estes foram selecionados e testados com bastante cuidado, para que se sugerisse os

programas mais úteis e fáceis de usar em um ambiente pessoal de computação. Com o passar

do tempo, o usuário conhecerá novos programas equivalentes e poderá optar livremente por

eles, afinal, isso faz parte da alma da comunidade de software livre: liberdade de escolha!

4 – AMBIENTE GRÁFICO EM LINUX Em Linux, o ambiente gráfico é simplesmente uma camada do sistema e não

representa papel fundamental para o funcionamento do mesmo, entretanto, em um ambiente

pessoal moderno, a interface gráfica auxilia no trabalho e permite obter trabalhos mais

refinados. Há um servidor gráfico chamado X que se encarrega do controle das funções de

entrada pelo teclado e mouse e de saída, controlando o acesso à(s) placa(s) de vídeo. Em conjunto com o servidor X trabalham os gerenciadores de janelas, que são

responsáveis pelas tarefas comuns como abrir, maximizar, encolher e movimentar as janelas.

Em outras palavras, o servidor fornece o devido suporte para que os gerenciadores de janelas

possam permitir a interação do usuário com o sistema em Linux.

4.1 – Xfree e X.org Na ocasião desta escrita, estão disponíveis duas versões diferentes do servidor X: O

Xfree e o X.org. O Xfree é um projeto que durante algum tempo foi o padrão de muitas

distribuições, mas por apresentar certos problemas não resolvidos, motivou desenvolvedores a

criarem o X.org, atualmente utilizado como padrão em Debian e várias outras distribuições.

Em Linux, a quase totalidade dos programas guardam suas configurações em arquivos

de texto puros. O arquivo principal de Xfree é /etc/X11/XF86config-4, e o de X.org é

/etc/X11/xorg.conf. Apesar das diferenças de nomenclatura, a estrutura interna dos arquivos é

praticamente a mesma.

Uma grande vantagem do X é sua capacidade de trabalhar como cliente-servidor,

comunicando-se com os programas e com os recursos de vídeo do computador. Desta forma,

não importa se um programa está sendo executado localmente ou remotamente, o servidor

terá a mesma função e se comportará da mesma maneira.

A computação pessoal e o sistema operacional Linux - 71

4.2 – Gerenciadores de janelas tradicionais Para casos em que o usuário não dispõe de muita memória RAM, existem algumas

interfaces gráficas leves e bastante funcionais que disponibilizam os recursos indispensáveis e

não comprometem o bom desenvolvimento das atividades.

Do grupo de gerenciadores leves, excluem-se KDE e GNOME, que são ambientes

desktop completos e são mais exigentes quanto ao hardware. Esta exigência é compensada com os recursos oferecidos pelos ambientes.

Para Negus (2006), KDE e GNOME são os mais populares ambientes desktop e podem rivalizar em quaisquer sistemas operacionais, entretanto, para as pessoas que desejam

gerenciadores de janelas mais leves, uma variedade de gerenciadores simples estão

disponíveis para um bom uso em Linux, citando BlackBox/FluxBox, FVWM, entre outros.

4.2.1 – Blackbox / Fluxbox Ambos são interfaces gráficas simples, leves e rápidas. Blackbox possui poucas

dependências de bibliotecas e pode ser executado em diversas plataformas. Também é dotado

de bons recursos para configuração de cores e estilos. O FluxBox é derivado do código-fonte

do BlackBox (versão 0.61.1)e possui melhorias no aproveitamento da barra de tarefas e funcionalidades, como, por exemplo, possibilidade de organizar as janelas em tabs (guias ou

abas) e utilizar a roda do mouse para trocar de ambiente de trabalho, recursos não encontrados no seu predecessor. Há também compatibilidade entre os temas para os dois ambientes.

4.2.2 – Enlightenment Possui um gerenciador de autenticação chamado Entrance, que é mais leve do que

KDM do KDE e GDM do GNOME, além suportar os menus de aplicações de ambos.

Enlightenment destaca-se também por implementar o suporte a temas. Exige apenas 32 MB

de memória RAM do sistema e apenas 2 MB de memória da placa de vídeo.

4.2.3 – Icewm e FVWM Simples, leve e prático, Icewm dispõe de uma interface bastante semelhante à do

MicrosoftWindows 95, contendo um botão à esquerda da tela e uma barra de tarefas que exibe

a hora do sistema. Assim como a grande maioria de programas em Linux, Icewm permite

A computação pessoal e o sistema operacional Linux - 72

personalizações, contando com painéis de configuração IcePref e IceWMConf.

O FVWM é um gerenciador de janelas que suporta internacionalização completa (o

que se refere aos idiomas do ambiente) e configurações de fontes. Permite sombras nas

janelas e títulos laterais (incluindo textos mostrados verticalmente).

4.2.4 – XFCE Neste ambiente há uma barra no centro da tela, na parte inferior, que disponibiliza

atalhos para as principais aplicações instaladas no sistema, além de ter suporte aos menus com

aplicações do KDE e GNOME. Seu gerenciador de arquivos, o Thunar, possui todos os recursos comuns necessários à navegação do usuário pelo sistema de arquivos. XFCE é um

ambiente leve de desktop cujos objetivos são a produtividade, rapidez e baixa utilização de recursos do sistema.

XFCE possui uma interface muito bonita, que adota um estilo limpo e provê

simplicidade de uso, além de ser bastante estável. Por estes motivos, é o ambiente padrão de

várias distribuições de Linux, como Dreamlinux, Slackware e Morphix. Debian GNU/Linux 4.0 também disponibiliza um CD de instalação com o ambiente XFCE integrado.

4.2.5 – Windowmaker Windowmaker foi desenvolvido pelo brasileiro Alfredo Kojima, fazendo sucesso nos

sistemas Linux por consumir poucos recursos de máquina e ter boa flexibilidade. Chegou a

ser a interface gráfica padrão de Conectiva Linux 3 e 4.

O acesso aos itens de menu principal é feito de forma idêntica ao Blackbox, onde o usuário clica sobre um espaço vazio da área de trabalho. Este gerenciador possui uma

ferramenta de configuração chamada WmakerConfig, com diversas opções para ajustes e de simples utilização. Os temas são de fácil criação, bastando as imagens necessárias e um

arquivo de texto puro, formatado conforme o padrão exigido pelo gerenciador.

Apesar de não possuir alguns recursos disponíveis nos ambientes gráficos atuais e do

projeto encontrar-se com o desenvolvimento quase parado, Windowmaker é uma opção considerável para ser utilizada em equipamentos antigos.

4.2.6 – Gerenciador de janelas 3D Compiz Fusion

A computação pessoal e o sistema operacional Linux - 73

Em GNU/Linux, é possível ter gerenciadores de janelas instalados no sistema que

permitam a aplicação de efeitos tridimensionais sobre os objetos componentes do ambiente de

trabalho, como as janelas, botões, desktops virtuais, etc.

Um bom gerenciador 3D disponível para Debian 4.0 é Compiz Fusion, o resultado da

“adoção” do projeto Beryl (descontinuado) pelo projeto Compiz. Apesar desta adoção, deve

ficar claro que a base para Compiz Fusion é Compiz (não são o mesmo projeto). O

gerenciador funciona perfeitamente com o servidor X.org, instalado por padrão em Debian

GNU/Linux 4.0, entretanto, alguns ajustes devem ser feitos nas configurações do mesmo para

ativar alguns recursos de aceleração gráfica. É muito importante ressaltar que o usuário deve

possuir uma placa de vídeo 3D devidamente configurada em seu sistema para este ou outros

aplicativos 3D funcionem adequadamente. A instalação do driver 3D da nVidia é coberta no

capítulo 8, subtítulo 8.10.2, recomendada neste momento antes de se prosseguir com a

instalação citada logo abaixo. Os testes foram realizados com placa nVidia e mais

informações sobre Compiz podem ser obtidas no site do projeto (www.opencompositing.org). Instalação:

Passo 1: Adicionar a chave GPG para poder obter os pacotes:

# wget http://download.tuxfamily.org/shames/A42A6CF5.gpg -O- | apt-key add -

Passo 2: Instalar os pacotes:

# apt-get install compiz-fusion-kde (usuários de GNOME compiz-fusion-gnome).

Para configurar o arquivo do servidor X (/etc/X11/xorg.conf), o usuário deve editar

como root para que possa ser regravado. Este arquivo possui uma estrutura própria e se divide

em seções que informam os parâmetros de inicialização e funcionamento de dispositivos

(como teclado, mouse, monitor), usados pelo servidor X. As alterações que devem ser feitas

neste arquivo são:

● Na seção Module: remover a linha Load “dri” e adicionar a linha Load “glx”;

● Na seção Screen, logo abaixo de Defaultdepth 24, adicionar as linhas: Option “RenderAccel” “True”

Option “AllowGLXWithComposite” “True”

Option “AddARGBGLXVisuals” “True”

● Criar uma seção no final do arquivo:

Section "Extensions"

Option “Composite” “Enable”

EndSection

Isto fará com que o servidor X possa aproveitar ao máximo a aceleração 3D da placa

gráfica. Depois de gravar o arquivo e fechá-lo, o usuário deve reiniciar o servidor X

A computação pessoal e o sistema operacional Linux - 74

pressionando as teclas Control, Alt e Backspace, simultaneamente. Ao efetuar a nova entrada

no sistema, pressionar ALT+F2 e digitar: compiz --replace&

As funcionalidades de Compiz Fusion são configuradas em uma janela acessível inicialmente pelo menu K, em Configurações, item CompizConfig Settings Manager. Os

temas são configurados em um item chamado Emerald Theme Manager. Com isso é possível

definir vários temas para as janelas, alterando sua aparência e funcionalidades. O usuário pode

também escolher os efeitos aplicados a cada evento dos objetos, como por exemplo, o efeito

de queimar as janelas ao fechá-las, como mostrado na FIG. 24, efeitos de neve e água na tela,

etc.

As áreas de trabalho são transformadas cada uma em um lado de um cubo, que pode

ser movimentado quando o usuário segura as teclas Control e Alt e ao mesmo tempo clica

com o mouse em um ponto da tela, mantém o botão pressionado e arrasta para os lados. Até a

escrita deste documento, o projeto havia disponibilizado a versão 0.6 de Compiz Fusion.

FIGURA 23 - Escrever na tela com fogo usando Compiz Fusion

A computação pessoal e o sistema operacional Linux - 75

4.2.7 – Ambiente gráfico GNOME GNOME é um dos maiores e mais poderosos ambientes gráficos para Linux. Diferente

dos gerenciadores de janelas, oferece mais recursos de software, sendo assim, mais completo. Na ocasião desta escrita, GNOME é um dos ambientes mais utilizados nas distribuições

GNU/Linux.

O GNOME (GNU Network Object Model Environment) disputa com KDE pela

preferência dos usuários. Foi desenvolvido com aproveitamento de recursos de uma biblioteca

chamada GTK, criada para a construção do aplicativo “O GIMP”. O projeto foi fundado em

1997, pelo brasileiro Miguel de Icaza, com a intenção de se criar um ambiente gráfico 100%

livre, libertando-se das restrições de licença da biblioteca Qt, de KDE.

A filosofia de GNOME é simplicidade e eficiência. Por este motivo, o conjunto de

funcionalidades apresentado por ele é menor que o conjunto de KDE. Apesar disso, GNOME

tem um excelente gerenciador de arquivos e browser chamado Nautilus, uma suíte de escritórios e ótimos utilitários para Internet como o GnomeICU, o Galeon, gFTP, entre

outros.

Até a versão testada neste trabalho, não executa nenhum assistente de configuração em

FIGURA 24 - Visualização em cubo no Compiz

A computação pessoal e o sistema operacional Linux - 76

sua primeira inicialização, deixando para o usuário a tarefa de acessar o menu de Preferências

e realizar os ajustes necessários para personalizá-lo, mas suporta a definição do idioma do

sistema como Português do Brasil.

GNOME exige poucos recursos de memória e processamento, sendo suficiente um

Pentium de 266 Mhz, com 64 MB de memória RAM. O ambiente merece um capítulo

específico para demonstração de suas funcionalidades, entretanto, como seus recursos são

mais modestos do que os recursos de KDE, este último foi escolhido para ser o ambiente

padrão utilizado neste trabalho, sendo detalhadamente exposto adiante.

5 – AMBIENTE GRÁFICO KDE Durante algum tempo, houve resistência dos usuários em aceitar Linux nos desktops

porque não haviam ambientes gráficos que fizessem integração entre aplicativos. As

aplicações de forma isolada funcionavam muito bem, mas faltavam recursos como permitir

arrastar e soltar arquivos, lançar a aplicação correta para tratá-los, manter o estado de sessões

de aplicativos, dentre outros. O KDE foi criado com o objetivo de disponibilizar um ambiente

de alta qualidade para Linux e Unix, integrando as ferramentas para controlar arquivos,

janelas, múltiplas áreas de trabalho e aplicações.

Por exemplo, é possível arrastar e soltar um documento de um diretório em uma janela

(Konqueror) até o ícone da lixeira para removê-lo ou para um ícone do OpenOffice.org para abrí-lo. KDE permite que o usuário clique com o botão direito do mouse sobre um arquivo de

imagem, por exemplo, escolha entre abrir com visualizadores de imagens, editores de

imagens, fazer exibição de slides ou tratá-la com outras aplicações.

Para que os usuários possam ter aplicações suficientes para suas necessidades, o

ambiente dispõe de uma plataforma para que desenvolvedores possam criar programas,

compartilhar informações e tratar diferentes tipos de dados.

KDE possui uma interface muito bem elaborada e muito rica em funcionalidades, é a

opção ideal para os usuários iniciantes, entretanto, também é o ambiente preferido de muitos

usuários Linux experientes, tudo uma questão de gosto pessoal e escolha. Diversas versões

diferentes estão disponíveis deste ambiente, para o presente trabalho, será utilizada a versão

3.5 de KDE.

5.1 – Requerimentos para KDE KDE exige um pouco mais de hardware do que GNOME, entretanto, considerando-se

os equipamentos disponíveis no mercado na data desta escrita, a exigência é pouca, uma vez

que o ambiente pode ser executado em um Pentium II de 450 MHz (ou equivalente) e pelo

menos 128 MB de memória RAM (recomendado para que o desempenho seja melhor).

Uma importante observação está na distribuição em uso, pois a performance geral

A computação pessoal e o sistema operacional Linux - 78

pode variar, chegando a necessitar de um equipamento Pentium III com 256 MB de memória

RAM nas distribuições Red-like (distribuições baseadas na Red Hat ou que possuem diversos elementos desta, como o sistema de inicialização System V e o gerenciador de pacotes RPM).

No Slackware e na maior parte dos live-CDs (distribuições que executam diretamente de um CD-ROM, sem necessidade de instalação no disco rígido), um Pentium de 300 MHz com 64

MB de RAM deve ser suficiente, ainda que seja uma configuração modesta para um desktop moderno.

5.2 – Configurações iniciais Ao iniciar pela primeira vez, KDE executará o Assistente de Configurações para a

Área de Trabalho, um programa que orientará o usuário a realizar uma rápida e eficiente

configuração inicial do ambiente gráfico.

Assim como em todo assistente de configuração, basta que o usuário selecione as

opções desejadas e siga as instruções na tela. O Assistente de configurações do KDE

executará 5 passos importantes para o ajuste final do ambiente gráfico:

● Boas vindas e seleção da linguagem do ambiente;

● Comportamento do sistema;

● Enfeites;

● Todo mundo gosta de temas;

● Tempo para refinar.

A computação pessoal e o sistema operacional Linux - 79

Todas as etapas são bastante intuitivas e fáceis de ajustar, dispensando comentários

para sua realização. Ao final, KDE mostrará a opção Lançar o Centro de Controle KDE

(Launch KDE Control Center), onde outras diversas alterações e personalizações podem ser feitas (FIG. 26).

5.3 – Seleção do idioma do sistema Se o idioma Português do Brasil não foi disponibilizado pelo Assistente de

Configurações para a Área de Trabalho do KDE, provavelmente ele não foi instalado. Para

adicionar este recurso, deve-se instalar o pacote de internacionalização kde-i18n-ptbr.

A instalação é simples, basta apenas abrir o gerenciador de pacotes do KDE

(Kpackage), localizado no menu K, na divisão sistema (system) e digitar o nome do pacote no

campo de busca. Feito isso, basta selecionar o pacote e clicar no botão instalar.

FIGURA 25 - Assistente de Configurações para a Área de Trabalho

A computação pessoal e o sistema operacional Linux - 80

Depois de instalado o pacote, o usuário deve acessar o KDE Control Center, nas opções de idiomas e adicionar o idioma Português do Brasil como padrão, como mostrado na

FIG. 27. Ao reiniciar o ambiente gráfico (teclas CTRL+ALT+BACKSPACE), todas as telas e mensagens do sistema estarão em Português.

5.4 – O ambiente de trabalho de KDE Todos os avançados ambientes gráficos disponibilizam em seu ambiente de trabalho

alguns elementos fundamentais para a operação do sistema. KDE dispõe basicamente dos

seguintes:

● Área de Trabalho;

● Painel do KDE;

● Menu K.

5.4.1 – Área de trabalho KDE disponibiliza uma área de trabalho que conta com um visual limpo e bonito,

apresentando, por padrão, uma interface semelhante à da FIG. 28.

FIGURA 26 - Selecionar idioma Português do Brasil

A computação pessoal e o sistema operacional Linux - 81

A área de trabalho pode ser rapidamente ajustada com o uso da opção Configurar Área

de Trabalho, acessível com um simples clique do botão direito do mouse na tela da área de

trabalho.

Na janela que se abre, as opções são intuitivas, permitindo o ajuste da área de trabalho

de acordo com as preferências do usuário. A janela é dividida em categorias, listadas do lado

esquerdo da mesma, semelhante à imagem da FIG. 29.

Cada categoria possibilita ajustes de acordo com o contexto, por exemplo, na categoria

Fundo de Tela, é possível ajustar o plano de fundo (papel de parede), definindo se haverá ou

não uma imagem, se será uma exibição de slides, a posição da imagem na tela, as opções de cores da tela e das fontes dos ícones, ajustar o cache para o plano de fundo, escolher o

programa que fará o desenho do plano de fundo e até mesmo obter mais papéis de parede.

Tudo isso aplicado a uma ou a todas as áreas de trabalho.

Na categoria Comportamento, é permitido definir se serão exibidos ícones na área de

trabalho ou não, se haverá alguma barra de menus no topo da tela, as ações para o clique de

cada botão do mouse, quais ícones de arquivos possuirão pré-visualização, se serão exibidos ícones de dispositivos, como ícones de CD e pendrives quando conectados ao computador,

entre outros ajustes. É interessante destacar a possibilidade de personalizar o clique com o

botão do meio do mouse, que em alguns casos pode ser feito com a roda do mouse, nos

FIGURA 27 - Área de trabalho KDE

A computação pessoal e o sistema operacional Linux - 82

dispositivos modernos.

O item Múltiplas Áreas de Trabalho deixa à escolha do usuário o número de áreas de

trabalho desejadas por sessão. Para cada área de trabalho podem ser definidas opções

personalizadas e a cada uma delas pode ser atribuído um nome personalizado. Por padrão,

KDE oferece quatro áreas de trabalho por sessão, número que pode ser aumentado de acordo

com o gosto ou necessidade do usuário.

A categoria Protetor de Tela permite os ajustes com relação à proteção de tela utilizada

pelo sistema, bem como a personalização para cada uma das proteções disponíveis, como

velocidade e nível de detalhes, tempo para início automático e senha para finalização. As

proteções de telas estão agrupadas por categorias, e existe um amplo leque de opções

disponíveis ao usuário.

Para ajustar as opções relacionadas com resolução de tela, cores e controle de energia

do monitor, basta que o usuário acesse o item Tela, na janela de configurações. Ali

encontram-se opções de tamanho da tela, taxas de atualização, gama do monitor e

temporização para Standby, Suspensão e Desligamento automático do monitor após certo

período de ociosidade.

Seguindo o padrão de todos os bons ambientes gráficos, KDE possui alguns atalhos

em sua área de trabalho com o objetivo de facilitar ao máximo o acesso às tarefas mais

freqüentes. Em algumas distribuições, estes ícones são numerosos, devido às personalizações

feitas pelos mantenedores.

FIGURA 28 - Configurar a área de trabalho

A computação pessoal e o sistema operacional Linux - 83

Debian GNU/Linux mantém a configuração padrão do ambiente KDE, apresentando

inicialmente apenas três ícones: Sistema, Pasta do Usuário e Lixo.

O ícone Sistema permite o acesso ao Lixo, às pastas remotas, às unidades do sistema

(partições, CD-ROM e disquetes), à pasta de documentos padrão e às pasta dos usuários, tudo

através do Konqueror (FIG. 30).

O ícone denominado Pasta do Usuário é apenas um atalho para o gerenciador de

arquivos Konqueror, algo de forma semelhante à pasta Meus Documentos do Microsoft Windows. Clicando sobre ele, o usuário tem acesso ao seu diretório pessoal. O Lixo guarda os

arquivos desnecessários que foram removidos, até que seja feita uma limpeza e estes sejam

definitivamente excluídos do sistema.

Novos ícones podem ser adicionados, utilizando as funções disponíveis no menu

rápido, na seção Criar Novo (FIG. 31). Podem ser criadas novas pastas, arquivos de texto,

arquivos HTML, atalhos para arquivos e localizações (URL), atalhos para aplicativos e para

dispositivos. Estes últimos são úteis para montagem e desmontagem de dispositivos físicos

(partições, disquetes, CD-ROMs, etc).

Para cada tipo de atalho, uma caixa de diálogo específica surgirá com o objetivo de

orientar o usuário na criação do link desejado e auxiliar na definição de uma série de

FIGURA 29 - Janela Sistema no Konqueror

A computação pessoal e o sistema operacional Linux - 84

propriedades, como por exemplo, o ícone que o representará.

Outra forma bastante prática de criar atalhos para a execução de aplicativos está na

utilização da função arrastar-e-soltar com o mouse. Basta selecionar o atalho desejado que se encontra disponível nas seções do Menu K, manter o botão esquerdo do mouse pressionado

sobre ele e arrastá-lo para a Área de Trabalho. Em seguida, será apresentado um menu rápido

semelhante ao da FIG. 32, solicitando a ação desejada.

Neste caso apenas está se arrastando um atalho já definido no Menu K, então o ideal

será utilizar a opção Copiar Aqui, para que fique disponível na área de trabalho também. A

quantidade de atalhos criados não possui limites, dependendo apenas do gosto pessoal do

usuário.

5.4.2 – O painel do KDE O painel do KDE é conhecido também como barra de tarefas em outros sistemas. É

composto de alguns elementos por padrão, como o menu K, atalhos para a pasta do usuário,

para o Konqueror, um seletor de área de trabalho (uma vez que se podem definir múltiplas em

uma única sessão), o ícone do Klipper (que gerencia os dados da área de transferência), do

Korganizer (organizador pessoal), o relógio do sistema e um botão para esconder o painel, representado por uma seta abaixo e à direita da tela que possibilita ocultar o painel do KDE.

É possível realizar diversos ajustes no painel do KDE, bastando clicar com o botão

direito do mouse sobre ele e selecionar a opção desejada para personalização. Dentre as

FIGURA 30 - Menu rápido KDE

FIGURA 31 - Menu rápido arrastar-e-soltar

A computação pessoal e o sistema operacional Linux - 85

personalizações disponíveis, tem-se a inclusão de novos atalhos para aplicativos e programas

com funcionalidades específicas conhecidos como mini-aplicativos. Para isto, o usuário

deverá acessar as opções Adicionar ao Painel e Remover do Painel, para respectivamente

adicionar e remover esses elementos. Na opção Adicionar ao Painel, item Mini-aplicativo, é

exibida uma grande variedade de mini-aplicativos que podem ser embutidos no painel do

KDE, podendo ser instalados outros quando for necessário. Também é possível adicionar ao

painel atalhos para quaisquer aplicações que estejam disponíveis no menu K.

Através da opção Configurar Painel (no menu rápido do painel do KDE), permite-se

configurar as cores de todos os elementos componentes do menu K e da barra de tarefas, sua

posição na tela, opções para ocultar a barra e sua animação, escolher menus opcionais para o

menu K (como documentos recentes, por exemplo), definir um plano de fundo para a barra, as

ações para os botões do mouse, entre outras opções.

5.4.3 – O menu K Na instalação padrão, o menu K encontra-se disponível em forma de um ícone no

canto esquerdo do painel do KDE e disponibiliza ao usuário uma entrada para os principais

aplicativos instalados no sistema.

Todas as aplicações estão agrupadas em diversas categorias, tornando o menu

organizado e permitindo a fácil localização dos itens desejados. As principais categorias de

aplicações disponíveis no menu K são:

● Configurações: assistentes de configurações, controle de impressoras, editor de

menus e atualizador do menu K, configuração do painel, centro de controle, entre

outros;

● Desenvolvimento: IDEs, editores de código, construtores de interfaces

gráficas, depuradores de erros, controles de versões, terminais de comandos, etc;

● Debian: este item está presente obviamente apenas em Debian GNU/Linux.

Representa uma personalização do menu feita por Debian e disponibiliza uma grande

quantidade de atalhos para aplicativos que, em alguns casos, não são encontrados no

menu K padrão;

FIGURA 32 - Painel do KDE (barra de tarefas)

A computação pessoal e o sistema operacional Linux - 86

● Educativo: para o entretenimento do público infanto-juvenil, subdividido nas

classes Ciência, Ferramentas de Aprendizado, Idiomas, Matemática e Outros, guarda

aplicativos como tabela periódica, planetário, exercícios com frações, etc;

● Escritório: suítes de escritório (processamento de texto, planilhas eletrônicas e

apresentações), agendas pessoais, editores de fórmulas, geradores de relatórios,

gerenciadores de endereços, fluxogramas, entre outros;

● Gráficos: editores de imagens bitmaps, vetoriais e ícones, visualizadores,

capturas de tela, programas para diagramação, manipuladores de arquivos PostScript, modelagem 3D, comunicação com câmeras digitais, faxes e scanners, etc;

Internet: discadores dial-up, navegadores, gerenciadores de downloads, clientes de correio eletrônico, clientes de bate-papo, mensagens instantâneas e IRC,

clientes de FTP, leitor de notícias RSS, gerenciador de wireless, dicionário online, clientes torrent, e outros;

● Jogos: diversos jogos para o entretenimento. Alguns são subdivididos por

categorias: arcade, jogo de cartas, jogos de tabuleiro, jogos infantis e táticas &

estratégias. Além dos jogos instalados de forma padrão, tem-se também os jogos

instalados pelo usuário;

● Multimídia: ferramentas de ajuste e configuração de áudio, tocadores

multimídia (CDs, DVDs e arquivos de áudio e vídeo), gravadores de áudio, gravadores

de mídia (CD-R/W e DVD-R/W), programas de visualização de TV, codificadores e

conversores de áudio e vídeo;

● Sistema: ferramentas gerais de ajuste e configuração do sistema. Diferente da

seção Configurações pelo fato destas intervirem no sistema em geral, como

gerenciamento de pacotes, conexão ADSL, terminais de linha de comando, etc;

● Utilitários: calculadoras, formatador de disquetes, mapa de caracteres,

organizadores pessoais, editores de texto, sincronização com palmtops, conexões infravermelho, sintetizador de fala, conversor de texto para fala, telefonia móvel, fax,

trabalhos de impressão, gerenciadores de notas rápidas e todos os aplicativos que não

se encaixam nas demais categorias.

O menu K é organizado e em recursos. Quando um novo programa é instalado, o

atalho correspondente é adicionado automaticamente à lista de aplicativos deste menu.

5.5 – O Centro de Controle KDE

A computação pessoal e o sistema operacional Linux - 87

As ferramentas de ajustes do ambiente gráfico fazem deste flexível e adaptável às

preferências dos usuários. Quanto mais recursos são disponibilizados pelo ambiente, maior é a

necessidade de ferramentas de ajustes e personalização.

O Centro de Controle KDE é a principal ferramenta de configuração deste ambiente

gráfico. Fácil de usar e compreender, esta ferramenta divide as opções em seções, organizadas

por utilidade e subdivididas em módulos, permitindo que o usuário encontre facilmente as

configurações desejadas e configure o ambiente e o comportamento geral de suas aplicações.

5.5.1 – Administração do sistema Se encontram disponíveis diversos módulos para facilitar a realização de atividades

administrativas tanto do ambiente gráfico quanto do sistema Linux.

Nesta seção permitem-se as seguintes configurações:

● Caminhos: gerenciar a localização de onde alguns arquivos importantes serão

gravados. São configuráveis o caminho da área de trabalho (desktop), o caminho de

auto-início do KDE e o caminho padrão dos documentos do usuário;

● Data & Hora: clicando no botão chamado Modo Administrador, a senha do

FIGURA 33 - Centro de controle (administração do sistema)

A computação pessoal e o sistema operacional Linux - 88

superusuário (root) é solicitada e o usuário pode alterar a data e hora do sistema e o

fuso horário;

● Gerenciador de Login: o gerenciador de login é o programa que solicita

identificação de usuário e senha para iniciar uma sessão no ambiente gráfico. O

gerenciador padrão para KDE é kdm e neste módulo é permitido configurar opções

como idioma, saudação inicial, estilo do gerenciador, cores, imagem de fundo, fontes,

quais usuários podem desligar o sistema local e remotamente, fotos de usuários e

login automático (útil para computadores não compartilhados e para usuários que não desejam digitar sua senha sempre que inicializarem o sistema);

● Índice de Imagens: permite indexar pastas que contenham imagens para

realização de buscas de imagens não simplesmente por nome de arquivo, mas sim por

conteúdo, ou seja, é possível especificar um arquivo que contenha uma imagem

parecida com a que se deseja encontrar no sistema e solicitar a busca por este padrão;

● Instalador de Fontes: o processo de instalação de fontes no sistema Linux é

diferente da instalação em outros sistemas, onde basta copiar os arquivos referentes às

fontes em um determinado diretório. Em Linux, é necessário realizar uma preparação

dos arquivos e caminhos para a instalação. Felizmente, KDE possui este módulo que

automatiza a instalação das fontes, bastando acessar o Modo Administrador e

adicionar as fontes, apontando o caminho dos arquivos das mesmas. KDE se encarrega

de todo o processo de instalação e disponibilização das fontes para todos os

programas;

Laptop IBM Thinkpad: permite personalizar ações para algumas teclas do notebook IBM Thinkpad;

Laptop Sony Vaio: permite a visualização da carga da bateria do notebook Vaio da Sony e configurações sobre alertas de carga.

5.5.2 – Aparência e temas No item Aparência & temas são permitidas as personalizações do ambiente gráfico no

que tange ao visual do sistema, como escolha de fontes, cores, fundos, dentre outras opções.

A computação pessoal e o sistema operacional Linux - 89

● Cores: permite configurar as cores para as barras das janelas, links, textos e

seleções, dispondo de uma lista de seleção de esquema de cores. É possível importar

esquemas e salvar as modificações feitas no esquema utilizado;

● Decorações da Janela: permite a escolha de como serão desenhadas as barras

de título das janelas, bem como as posições dos botões minimizar,

maximizar/restaurar, fechar e ajuda. O usuário pode por exemplo, desejar que o botão

fechar da janela seja localizado do lado esquerdo da mesma e desejar também que as

bordas da janela sejam maiores ou menores. Estes ajustes são facilmente realizados

nesta tela;

● Estilo: permite configurar a aparência de itens como botões, barras de

progresso, abas, caixas de verificação, caixas de combinação, efeitos sobre menus e

outros itens, comportamento com as barras de ferramentas e outras opções;

● Fontes: neste módulo ajustam-se todas as definições de fontes utilizadas na

área de trabalho, janelas, menus, barras de ferramentas e opções de anti-aliasing (recurso para aumentar a qualidade de exibição de fontes);

● Fundo de Tela: permite modificar o aspecto de cadaárea de trabalho, com

FIGURA 34 - Centro de controle (aparência e temas)

A computação pessoal e o sistema operacional Linux - 90

relação ao plano de fundo (papel de parede) e também obtenção de novas imagens;

● Gerenciador de Temas: esta é uma das opções mais interessantes e diferenciais

de KDE. Os temas permitem o gerenciamento da aparência do sistema de forma

simples, possibilitando a escolha entre visuais existentes ou a instalação de novos

temas. Um dos recursos mais fascinantes é a possibilidade de se escolher pacotes de

ícones diferentes e configurar os tamanhos e efeitos separadamente para a área de

trabalho, barras de ferramentas, painel e gerenciador de arquivos. É possível alterar a

proteção de tela e as fontes do tema, tudo centralizado na mesma janela;

● Ícones: opção idêntica à oferecida no item Gerenciador de Temas. Permite

escolher o pacote de ícones e modificar as opções de tamanho e animação dos

mesmos;

● Lançador rápido – Histórico: habilita a ação do cursor do mouse enquanto um programa está carregando, além da indicação na barra de tarefas;

● Protetor de tela: definição da animação (screensaver) e tempo de inatividade para iniciar seu funcionamento. Também é possível definir uma senha para retomar as

atividades no computador após o início da proteção de tela;

● Tela de apresentação: conhecida também como splash. Esta é a tela que

aparece quando o KDE está iniciando. É possível escolher entre as telas disponíveis ou

instalar novas telas de splash.

5.5.3 – Área de trabalho Os módulos desta seção permitem definir alguns itens de aparência e ações do

ambiente de trabalho.

A computação pessoal e o sistema operacional Linux - 91

● Barra de Tarefas: define o comportamento do painel do KDE. É permitido

personalizar quais janelas aparecerão na barra (se todas as janelas ou somente as

minimizadas), a ordem de exibição das janelas, se serão mostrados ícones de

aplicativos, quando agrupar aplicações semelhantes para economia de espaço e a

aparência de exibição dos itens. Também neste módulo é possível configurar as ações

para o clique de cada botão do mouse sobre o painel, por exemplo, se o usuário desejar

que ao clicar com o botão do meio do mouse seja mostrado um menu de operações, basta selecionar esta ação para o item escolhido;

● Comportamento: este módulo é dividido em três abas. Na primeira (Geral), o

usuário pode escolher se serão mostrados ícones na área de trabalho, se haverá alguma

barra de tarefas no topo da tela (como MAC OS) e as ações para cada botão do mouse ao clicar na área de trabalho. A segunda (Ícones de arquivos), configura o alinhamento

de ícones, exibição de itens ocultos e trata da pré-visualização de itens. A pré-

visualização é o recurso que permite, por exemplo, exibir uma amostra de uma

imagem ao manter o ponteiro do mouse sobre o arquivo. Diversos tipos de arquivos permitem pré-visualização. A terceira aba (Ícones de dispositivos), permite configurar

se serão exibidos ícones de discos, pendrives, DVDs e outros, recurso útil para a desmontagem do hardware antes de sua desconexão física. KDE detecta o dispositivo

FIGURA 35 - Centro de controle (área de trabalho)

A computação pessoal e o sistema operacional Linux - 92

e cria dinamicamente o ícone na área de trabalho;

● Comportamento da Janela: um dos itens que permite ajustar as ações mais

impressionantes e poderosas do ambiente KDE. Dividido em várias abas, permite

configurar recursos como obtenção de foco na janela (se é preciso clicar ou somente

passar o mouse, por exemplo), a navegação entre janelas e áreas de trabalho, o que os

botões e a roda do mouse fazem quando usados sobre a barra de título e qual a opção de maximização quando usados sobre o botão maximizar. É possível definir, por

exemplo, que o clique com o botão do meio do mouse sobre o botão de maximizar fará somente a maximização vertical da janela. Com relação às ações da janela, o que os

cliques com diferentes botões do mouse fazem sobre a janela e quais as teclas de atalho que permitem mover, maximizar, fechar, redimensionar e alternar entre janelas.

Na aba Movendo, ajustam-se os parâmetros relativos à exibição de conteúdo da janela

enquanto é arrastada, animação das janelas e encaixe (as janelas quando aproximadas

de outras, ajustam automaticamente suas posições). Outras opções são configuráveis,

mas talvez as que despertem mais interesse do usuário sejam as opções de

transparência das janelas.

● Configurações Específicas da Janela: permite ações e propriedades diferentes

para cada janela de aplicativo escolhida pelo usuário. Por exemplo, deseja-se

configurar apenas uma janela de um determinado aplicativo com relativa opacidade

ou mesmo atalhos para determinadas janelas, seu tamanho e muitas outras opções;

● Múltiplas Áreas de Trabalho: define a quantidade de áreas de trabalho

permitidas para cada sessão, sendo em KDE, por padrão, vinte áreas de trabalho

disponíveis;

● Painéis: regular tamanho e comprimento do painel do KDE, configurar suas

cores, definir planos de fundo para botões e painel, opções de ocultação, menus

disponíveis e posição do painel na área de trabalho (abaixo, direita, esquerda ou no

topo).

5.5.4 – Componentes do KDE A seção Componentes do KDE permite configurar parâmetros básicos, associados aos

diversos utilitários do KDE.

● Associações de Arquivos: permite que se ajuste os aplicativos associados a

diferentes tipos de arquivos e a ordem de preferência destes aplicativos. Cada arquivo

pode ter diversos aplicativos associados à sua abertura e edição, por exemplo, arquivos

A computação pessoal e o sistema operacional Linux - 93

de música podem ter diversos tocadores associados e um deles é preferencial;

● Corretor Ortográfico: para definir o verificador de ortografia padrão do

sistema, que depende dos idiomas instalados. Também outras opções de correção estão

associadas a este módulo;

● Fonte de Dados do KDE: basicamente define a localização dos arquivos que

guardam os dados de calendários e outros itens como notas e contatos;

● Gerenciador de Arquivos: opções básicas do gerenciador de arquivos, como

fontes, caminho inicial da abertura, opções de menus (como exclusão direta),

navegação em janelas separadas, pré-visualização e opções de copiar e mover;

● Gerenciador de Serviços: permite ajustar quais serviços (daemons) do KDE

serão executados na inicialização, bem como parar e iniciar os mesmos;

● Gerenciador de Sessão: opções para pedir confirmação de saída do ambiente

KDE, padrão do desligamento (sair, reiniciar ou desligar), qual a definição do próximo

login (KDE permite restaurar a sessão anterior, reabrindo todos os documentos e

janelas que estavam ativos no momento da última saída do usuário) e aplicativos

excluídos das sessões;

● Performance do KDE: opções para uso de memória do Konqueror e opção para

FIGURA 36 - Centro de controle (componentes do KDE)7

A computação pessoal e o sistema operacional Linux - 94

desabilitar a verificação da configuração do sistema ao iniciar. Esta última opção

desabilita uma checagem automática que KDE faz na inicialização, sobre os

aplicativos instalados, tipos MIME e deixa o carregamento mais rápido. Entretanto,

elementos podem ter sido alterados e programas removidos na última sessão e KDE

não saberá disso sem a verificação. Isto pode ocasionar problemas como perda de

aplicativos no menu K, por exemplo. Não é recomendável a utilização desta opção;

● Seletor de Componentes: define quais aplicativos serão utilizados como

padrões do ambiente como, por exemplo, cliente de e-mail, navegador de Internet, mensageiro instantâneo, editor de textos integrado e emulador de terminal.

5.5.5 – Controle de energia Encontra-se apenas um módulo na seção Controle de energia. Este módulo, chamado

de Bateria do Laptop, permite ajustes no gerenciamento de energia das baterias de notebooks.

5.5.6 – Internet & rede O módulo Internet & rede permite configurar parâmetros para a rede e diretórios

compartilhados. É possível definir os padrões de navegação na rede local e na Internet.

A computação pessoal e o sistema operacional Linux - 95

● Compartilhamento de Desktop: permite que o desktop seja compartilhado pela rede, para que se possa manipular remotamente o computador através do servidor X;

● Configurações de Conexão: temporização de conexão e opções básicas de FTP;

● Configurações de rede: permite ajustar (no modo administrador) as interfaces

de rede instaladas no sistema. É possível definir rotas, endereços IP, domínios e

gerenciar perfis de rede;

● Navegação em Rede Local: configuração para cliente do SAMBA. O SAMBA

fornece recursos para compartilhamento de arquivos e impressoras via rede entre

Linux e Windows; ● Navegador WEB: o Konqueror é o navegador web padrão de KDE e possui um

módulo à parte de configuração, dedicada à sua funcionalidade de navegação para a

Internet. Este módulo é subdividido nas seguintes partes: Atalhos da WEB, Barra

Lateral de Histórico, Cache, Comportamento Web, Cookies, Filtros AdBlock, Folhas de Estilo, Fontes, Identificação do Navegador, Java & JavaScript, plugins, Scripts

SGI;

Proxy: possibilita definir um servidor proxy para acesso à Internet. Este

recurso é mais utilizado em empresas, onde uma única máquina concentra e gerencia o

FIGURA 38 - Centro de controle (Internet & rede)

A computação pessoal e o sistema operacional Linux - 96

acesso às redes externas (como páginas web na Internet) e compartilha os recursos

permitidos com as estações dos usuários;

● Rede Sem Fio: no modo administrador, permite criar e controlar até quatro

redes wireless; ● Serviço Discovery: também conhecido como zeroconf do KDE, este recurso

possibilita ao usuário adicionar domínios nos quais serão pesquisados recursos

compartilhados (como desktops e servidores de ssh – shell seguro) para conectar-se.

Estes recursos podem estar na rede local ou em uma rede distante. É também aqui que

o usuário permite a publicação de serviços para outros domínios.

5.5.7 – Periféricos Em Periféricos, são configurados todos os dispositivos de entrada e saída do sistema,

desde teclado e mouse até joystick e controle remoto. ● Câmera digital: permite configurar câmeras digitais e os modos de

comunicação com as mesmas. Uma lista contendo modelos de câmeras suportadas é

disponibilizada, entretanto, mesmo se a câmera desejada não estiver na lista, o sistema

Linux será capaz de detectá-la e comunicar-se com ela;

FIGURA 39 - Centro de controle (periféricos)

A computação pessoal e o sistema operacional Linux - 97

● Controles Remotos: consiste de um conjunto de configurações para controle

infravermelho. Alguns aplicativos, como o player multimídia Kaffeine, o kdetv e até mesmo o navegador Konqueror, suportam funcionalidades via controle remoto. O

software de controle infravermelho utilizado pelo Linux é o LIRC; ● Impressoras: permite escolher o sistema de impressão utilizado pelo KDE

(CUPS, LPD, etc), instalar e gerenciar impressoras e pseudo-impressoras (enviar para

fax, e-mail, imprimir para pdf), configurar o estado do serviço de impressão (iniciar e

parar) e gerenciar a fila de documentos a serem impressos por cada dispositivo;

Joystick: são configurados os hardwares de controle para jogos;

● Mídia de armazenamento: para diversos tipos mídias detectadas pelo KDE,

algumas ações são possíveis, por exemplo, para um DVD é possível explorar o

conteúdo e reproduzir um filme, para uma câmera digital, permite-se descarregar as

fotos com software específico ou navegar pelo dispositivo de armazenamento da

câmera. Este módulo destina-se a configurar quais ações serão disponibilizadas para

os arquivos e mídias detectadas pelo KDE;

Mouse: configurações gerais do mouse, como ordem dos botões, ações para o clique duplo, tema do cursor, aceleração e intervalos de tempo e navegação pelo

teclado;

● Teclado: taxa de repetição, estado de NumLock quando iniciar KDE e efeitos

sonoros das teclas (recurso que depende das características do teclado e do servidor X,

não estando disponível em todos os sistemas);

● Tela: permite ajustar resolução da tela, cores e gerenciamento de energia do

monitor, escolhendo um tempo para standby ou desligamento automático do mesmo.

5.5.8 – Regional & acessibilidade A seção Regional & acessibilidade, permite configurar formatos associados a várias

nações e idiomas. Também permite configurar o teclado com sinos e respostas a diferentes

controles.

A computação pessoal e o sistema operacional Linux - 98

● Acessibilidade: configura ajustes para sinos de teclado, teclas lentas e

repetidas;

● Ações de Entrada: permite ajustar comandos a serem executados quando

determinada tecla ou combinação de teclas for pressionada, bem como comandos de

voz;

● Atalhos do Teclado: permite configurar todos os atalhos para executar

aplicativos e comandos em geral no ambiente KDE, além do mapeamento de teclas. É

possível, por exemplo, configurar o conjunto CTRL+K para exibir o menu K. São

permitidas as mais diversas combinações de teclas modificadoras (Control, Shift, Alt, WinKey) e teclas regulares para executar comandos ou abrir aplicativos;

● Conversão de Texto para Fala: permite configurar, dentre outras coisas, que o

sistema fale as notificações que estão sendo exibidas. Por exemplo, ao exibir a janela

de aviso de um programa, o sistema pode falar o aviso também;

Layout do Teclado: permite configurar o desenho de teclado utilizado, ou seja,

como as teclas estão dispostas e qual o idioma do periférico;

● País/Região & Idioma: selecionar o país e região do usuário, configurações de

números, moeda, formato de data e hora, formato do papel padrão e sistema de

medidas.

FIGURA 40 - Centro de controle (regional & acessibilidade)

A computação pessoal e o sistema operacional Linux - 99

5.5.9 – Segurança & privacidade Em Segurança & privacidade, são realizados ajustes relativos à criptografia,

gerenciamento de senhas e outras opções que afetam o nível de segurança do sistema.

● Carteira do KDE: trata-se de um repositório, um local seguro para guardar

todas as senhas, chamado Kwallet. O KWallet utiliza uma única senha para proteger os dados armazenados e é responsável por gerenciar as senhas de websites para o

Konqueror e senhas para outros aplicativos como o Kopete (cliente para mensagens

instantâneas);

● Criptografia: gerenciamento de certificados de segurança e criptografia;

● Privacidade: trata basicamente da limpeza de arquivos temporários de Internet.

É interessante que o usuário marque as opções adequadas e realize uma limpeza

periodicamente, para evitar que possíveis atacantes remotos consigam acesso a

números de CPF e outras informações importantes que estejam, eventualmente,

guardadas como itens temporários;

● Senha & Conta do Usuário: permite a seleção de uma imagem representativa

do usuário no sistema e a inserção de seus dados, como nome, organização e e-mail.

Também é possível alterar a senha e configurar o número de asteriscos que aparecerão

nas caixas de senha durante a digitação de cada caractere.

FIGURA 41 - Centro de controle (segurança & privacidade)

A computação pessoal e o sistema operacional Linux - 100

5.5.10 – Som & multimídia Em Som & Multimídia, os módulos disponíveis permitem ajustar propriedades de

áudio em geral e sons de notificação do sistema.

● Campainha do Sistema: configura volume, espaçamento e duração da

campainha do sistema (opção utilizada em conjunto com acessibilidade);

● CDs de Áudio: permite informar ao sistema quais as opções dos codificadores

de MP3 e OGG Vorbis disponíveis. Os codificadores são programas que permitem

converter arquivos em outros formatos;

● Notificações do Sistema: quais ações devem ser tomadas para cada evento de

cada programa de KDE. É possível, por exemplo, tocar um som quando um contato

ficar disponível no Kopete, registrar o evento em um arquivo ou até mesmo executar

outro programa para esta situação;

● Sistema de Som: neste módulo, o sistema de som pode ser habilitado ou

desabilitado, as opções de qualidade e execução remota de sons podem ser

configuradas e o dispositivo de som do sistema pode ser selecionado.

5.5.11 – Outras ferramentas de configuração Algumas ferramentas de configuração do ambiente KDE possuem entradas no menu

K, são elas: Assistente de Configurações para a Área de Trabalho, Configurar o Painel,

FIGURA 42 - Centro de controle (som & multimídia)

A computação pessoal e o sistema operacional Linux - 101

Ferramentas de Gerenciamento da Carteira, Gerenciador de Impressão, Editor de Menus e

Ferramenta de atualização de menus. Dois destes itens merecem um detalhamento: Editor de

Menus e Ferramenta de Atualização de Menus.

O Editor de Menus fornece os recursos necessários para que o usuário possa ajustar o

Menu K conforme suas necessidades. De forma simples, o usuário pode adicionar, editar ou

remover atalhos para aplicativos ou até mesmo submenus no menu K.

A Ferramenta de Atualização de Menus permite buscar novas aplicações instaladas no

sistema. Isto é útil para adicionar aquelas desenvolvidas com o uso de outras bibliotecas

gráficas (como a GTK+ de GNOME), por elas não terem sido concebidas para se integrar ao

ambiente KDE. As aplicações desenvolvidas para o ambiente KDE normalmente criam

atalhos diretamente no menu K durante a instalação e em Debian, é comum que os atalhos

para aplicativos não integrados ao KDE sejam adicionados ao menu K, na seção Debian. Para

que possam ser detectadas pela ferramenta, as novas aplicações deverão incluir seus

executáveis no diretório /usr/local/bin ou /usr/bin, ou um link para os executáveis nestes diretórios.

5.5.12 - Instalando novas fontes no sistema Algumas fontes já conhecidas e bastante utilizadas podem não estar instaladas no

sistema Debian/KDE padrão, fazendo com que alguns documentos não sejam exibidos de

forma correta. Neste caso, KDE dispõe de um utilitário no Centro de Controle chamado

Instalador de Fontes. Trata-se de um módulo da seção Administração do Sistema que permite

o gerenciamento completo das fontes no ambiente.

Após acessá-lo, o usuário deve clicar no botão chamado Modo Administrador,

localizado na parte inferior da janela. A senha de root é solicitada e a lista de fontes já

instaladas é exibida. Ao clicar sobre uma delas, um exemplo é exibido do lado direito,

mostrando exatamente qual o desenho da fonte selecionada.

Para instalar as fontes padrão do sistema Windows, por exemplo, mantendo a compatibilidade com os documentos de usuários deste sistema, basta copiar os arquivos de

fontes (que geralmente possuem a extensão .ttf) para um diretório de Linux ou para uma

mídia removível e clicar no botão Adicionar Fontes, apontando em seguida o caminho dos

arquivos. Outra forma de instalar especificamente as fontes de Windows é utilizar Synaptic e instalar o pacote msttcorefonts, que traz as fontes principais do sistema em questão.

A computação pessoal e o sistema operacional Linux - 102

No website www.kde-look.org também encontram-se disponíveis muitas fontes para

download e instalação.

5.5.13 - Alterar o tema de ícones Os ícones assumem um papel importante no visual da interface gráfica de um sistema

operacional. Na maioria dos casos, os usuários não dão tanta importância aos ícones que estão

sendo utilizados, talvez porque não saibam que em KDE tudo pode ficar da maneira que bem

desejarem. Isto quer dizer que os usuários podem modificar o tema de ícones de acordo com

sua personalidade. Para aqueles que gostam de interfaces leves, alguns pacotes de ícones

como Crystal ou Aqua podem ser bem agradáveis, bem como o pacote Kids pode agradar a

usuários que preferem ícones “desenhados com lápis”. Muitos temas estão disponíveis no

www.kde-look.org e os usuários mais avançados podem até mesmo criar seus próprios

pacotes de ícones e disponibilizá-los para a comunidade.

Para modificar o pacote de ícones utilizado, basta acessar a seção Aparência & Temas,

do Centro de Controle de KDE. Nesta seção, um módulo chamado Ícones é dividido em duas

abas: a primeira para escolher o tema de ícones e a segunda para escolher o tamanho dos

ícones em cada ponto da área de trabalho e os efeitos para cada estado dos mesmos (padrão,

ativo e desabilitado).

FIGURA 43 - Instalador de fontes

A computação pessoal e o sistema operacional Linux - 103

É válido lembrar que o tamanho dos ícones exibidos no gerenciador Konqueror podem

ser modificados dinamicamente com um simples pressionamento da tecla Control e a rolagem

da roda do mouse (quando aplicável) ou pelo menu Ver, na opção Tamanho do ícone.

Para instalar um novo pacote, após obter o tema desejado, o usuário deve clicar sobre

o botão Instalar Tema, exibido na primeira aba do módulo de configuração dos ícones. Uma

janela então é aberta e é solicitado o caminho em que o arquivo se encontra, sendo permitido

também navegar pelo sistema de arquivos para escolher o caminho absoluto com maior

precisão.

FIGURA 44 - Alterar tema de ícones

FIGURA 45 - Ajustes avançados em ícones

A computação pessoal e o sistema operacional Linux - 104

Tão fácil quanto modificar o tema de ícones é modificar o tema de decoração das

janelas, no Centro de Controle de KDE. O leitor poderá perceber nesta obra que estilos

diferentes de janelas foram utilizados nas ilustrações e muitos outros estilos estão disponíveis.

Que tal uma tentativa?

5.5.14 - Personalizando os atalhos de teclado Os atalhos de teclado são criados geralmente para que aplicativos ou arquivos possam

ser acionados sem a necessidade de utilização do mouse. Em um ambiente KDE padrão

alguns atalhos são pré-definidos, mas nada impede que o usuário crie seus próprios atalhos ou

modifique os padrões do ambiente. Um exemplo simples que pode ser citado é o comando

ALT+F2, usado para abrir o aplicativo de execução de comandos do KDE. O sinal de adição

na expressão significa que o pressionamento das teclas deve ser simultâneo.

Para gerenciar os atalhos do sistema, o usuário deve acessar o Centro de Controle de

KDE, na seção Regional e Acessibilidade, módulo Atalhos de Teclado. Três abas estão

disponíveis, mostrando a configuração atual e possibilitando as modificações.

Um dos aplicativos bastante utilizados em um ambiente desktop Debian é o navegador Iceweasel. Para evitar os cliques do mouse, um atalho pode indicar o pressionamento de teclas

correspondente que fará com que o programa seja lançado. Para tal, na aba Atalhos de

Comando, basta que o usuário escolha o aplicativo Iceweasel e selecione o item Personalizar,

localizado na parte inferior da janela. Quando clicado, este item abre uma nova janela que

FIGURA 46 - Configurar atalhos de teclado

A computação pessoal e o sistema operacional Linux - 105

solicita ao usuário pressionar a combinação de teclas que deseja utilizar para abrir o programa

sempre que desejar. Dois atalhos são permitidos por programa, sendo que para programar o

atalho secundário, o usuário deve clicar no botão correspondente na janela de configuração.

A tecla Win é padrão em alguns teclados e utilizada no sistema Windows com atalhos

fixos, como por exemplo: Win+E para abrir Windows Explorer, Win+R para abrir a janela executar, etc. É possível para o usuário de Windows que está se adaptando ao sistema Linux e

que possua um teclado deste tipo, configurar as teclas de forma semelhante, como Win+E

para Konqueror, por exemplo.

É importante frisar a liberdade de escolha dos atalhos de teclado em KDE, pois é

possível não somente configurar atalhos para lançar aplicativos, mas modificar as teclas para

muitos outros comandos do ambiente gráfico, na aba Esquemas de Atalho da janela de

configuração do Centro de Controle.

FIGURA 47 - Configurar um atalho

FIGURA 48 - Atalhos globais de KDE

A computação pessoal e o sistema operacional Linux - 106

5.5.15 - Exibindo ícones de dispositivos na área de trabalho A exibição de ícones de dispositivos como CDs e pendrives na área de trabalho é um

recurso de KDE que facilita o acesso às mídias e auxilia principalmente na sincronização dos

dados e desmontagem das memórias removíveis (pendrives).

Para exibir estes ícones, o usuário deve configurar a opção desejada pelo Centro de

Controle de KDE, na seção Área de Trabalho, módulo Comportamento. Uma aba chamada

Ícones de Dispositivos guarda as opções de dispositivos para os quais está disponível o

recurso. Um caminho alternativo para acessar a configuração é clicar com o botão direito do

mouse sobre uma região vazia da área de trabalho e escolher a opção Configurar a Área de

Trabalho no menu suspenso, exibido como na FIG. 50.

Na janela que será aberta existe a mesma opção do Centro de Controle, onde o usuário

pode selecionar os tipos de mídias que terão ícones exibidos na área de trabalho. Para exibir

os ícones de pendrives e câmeras digitais, basta selecionar: Câmera, Câmera Desmontada,

Câmera Montada, Mídia Removível Desmontada e Mídia Removível Montada.

FIGURA 49 - Menu suspenso de KDE

FIGURA 50 - Ícones de dispositivos de KDE

A computação pessoal e o sistema operacional Linux - 107

Quando o usuário inserir uma memória removível, KDE criará o ícone correspondente

na área de trabalho ativa. Quando o usuário clicar sobre o ícone, Konqueror será ativado e

exibirá os arquivos que estão contidos na mídia.

Para sincronizar os dados e desmontar logicamente o dispositivo para poder removê-

lo, basta clicar com o botão direito sobre o ícone e escolher a opção Remover de Modo

Seguro. Para os dispositivos como CDs e DVDs, haverá uma opção para ejetar a mídia.

5.5.16 - Alterar o fundo de tela (papel de parede) O papel de parede da área de trabalho pode ser alterado pelo Centro de Controle ou

escolhendo a opção Configurar a Área de Trabalho no menu suspenso exibido quando se clica

com o mouse em uma região vazia da área de trabalho. A primeira seção exibida é Fundo de Tela (que corresponde ao conhecido papel de parede).

FIGURA 52 - Remoção segura de mídia removível

FIGURA 51 - Mídia Removível

A computação pessoal e o sistema operacional Linux - 108

Basta escolher a qual área de trabalho será aplicado o novo plano de fundo (ou a todas)

e modificar a opção Plano de Fundo, escolhendo Nenhum (para apenas exibir cores), Figura

(onde podem ser escolhidas as mesmas) e Show de Slides (para um fundo dinâmico).

Se desejar obter mais figuras, o usuário pode clicar no botão Obter Novos Papéis de

Parede quando estiver conectado à Internet e escolher entre as figuras exibidas do site

www.kde-look.org. Três abas ajudam a ordenar as figuras, classificando entre as mais bem

votadas, as mais baixadas e as mais recentes. A figura escohida será obtida e adicionada à

lista de escolha quando o usuário clicar no botão instalar.

Voltando à janela principal da alteração do plano de fundo, depois de escolher a figura

desejada, o usuário deve clicar no botão Aplicar para ver imediatamente as figuras aplicadas

FIGURA 53 - Trocar fundo de tela (papel de parede)

FIGURA 54 - Obter novos planos de fundo com ferramenta KDE

A computação pessoal e o sistema operacional Linux - 109

às áreas de trabalho escolhidas.

5.5.17 - Tipos de arquivos e ações Quando se está explorando o conteúdo dos diretórios com Konqueror e um

determinado arquivo é clicado, o gerenciador de arquivos fará uma chamada ao programa

correto para tratar o arquivo. Algumas vezes, principalmente no caso de vídeos e músicas,

deseja-se associar um tipo de arquivo a um programa específico ou definir a prioridade deste

programa para abrir o tipo de arquivo referido.

Um exemplo simples é o tratamento de arquivos de áudio mp3 ou ogg. Diversos

programas em Linux possuem capacidade de reproduzir este tipo de multimídia, mas

certamente o usuário deseja que o seu programa predileto seja o primeiro a tentar tratar o

arquivo.

Uma maneira bem simples de se definir os programas corretos e sua prioridade para

tratar arquivos é acessar o Centro de Controle de KDE, na seção Componentes do KDE,

módulo Associações de Arquivos. Na janela que se abre, muitos tipos de arquivos são

exibidos e o usuário precisa escolher o que deseja na lista para então associar a ele um ou

mais programas, indicando pela ordem na lista de programas qual a prioridade de cada um

deles.

Feitas as modificações necessárias, deve-se clicar em Aplicar para que o

comportamento de KDE seja alterado.

FIGURA 55 - Tipos de arquivos e associações com programas

A computação pessoal e o sistema operacional Linux - 110

5.6 – Gerenciador Konqueror O Konqueror é o gerenciador de arquivos e navegador de Internet padrão do ambiente

KDE. Este software possui uma interface bonita, consistente e bem estruturada, além de ser

uma das ferramentas mais utilizadas e evoluídas do KDE.

Konqueror possui integração com diversas ferramentas importante, como editores de

texto, compactadores de arquivos e visualizadores de imagens e multimídia. Desta forma, é

possível editar textos, assistir a vídeos e exibir imagens, visualizar ícones e arquivos html e

pdf diretamente no Konqueror, de forma embutida.

Devido ao grande número de recursos e funcionalidades que possui, Konqueror é

mais do que um simples gerenciador de arquivos, motivo pelo qual merece um estudo mais

aprofundado.

5.6.1 – Recursos de navegação Konqueror suporta a navegação em abas desde a versão 3.1 de KDE. Este recurso é

muito útil para que diversos itens e páginas sejam vistos em uma única janela do navegador,

tornando a área de trabalho melhor organizada.

São disponibilizados botões para abertura de novas abas e fechamento da aba atual.

Para abrir um arquivo em uma nova aba, basta que o usuário clique com o botão direito do

mouse sobre o mesmo e selecione Abrir em uma nova aba.

A computação pessoal e o sistema operacional Linux - 111

Da mesma forma que é possível trabalhar com múltiplas abas de navegação,

Konqueror também possibilita dividir a janela em um ou mais painéis. Isto pode ser feito pelo

menu Janela ou adicionando a Barra de Ferramentas Extra do Konqueror, clicando com o

botão direito sobre os ícones da barra de ferramentas e selecionando-a. O usuário pode então

dividir a área de dados de uma aba em várias partes, visualizando conteúdos diferentes em

cada uma delas.

O

item Separar a Visão em Esquerda/Direita, cria uma divisão vertical na janela, como mostrado

na FIG. 58 e a opção Separar a Visão em Topo/Base cria uma divisão horizontal.

FIGURA 56 - Konqueror com cinco abas abertas

FIGURA 57 - Dividir a navegação em painéis no Konqueror

A computação pessoal e o sistema operacional Linux - 112

Além de fornecer recursos para a navegação em abas e painéis, Konqueror oferece

opções de visualização diferentes que podem ser utilizadas a contento do usuário. Estas

opções são a visualização em ícones, em árvore e álbum de fotos.

A visualização em ícones mostra os ícones dos tipos de arquivos (em alguns casos

uma pequena miniatura de seu conteúdo) e o nome do respectivo arquivo ou diretório. Já a

visualização em árvore, fornece informações mais detalhadas sobre os arquivos e diretórios e

permite que o usuário navegue entre os itens expandindo e recolhendo elementos.

A visualização em álbum de fotos é útil para pastas que contêm imagens, fotos e

outras figuras. Neste caso, a maior parte da janela exibe a imagem e do lado direito, uma

separação exibe miniaturas que, quando acionadas, exibem a imagem real na parte principal

da janela. As três formas de visualização podem ser acompanhadas na FIG. 60, onde a janela

foi dividida em três painéis horizontais e foi aplicada um tipo de visualização em cada um

deles.

O tamanho dos ícones nas visões em árvore e em ícones também é variável, bastando

que o usuário acione os botões em forma de lupa (aumentar e diminuir ícones), presentes na

barra de ferramentas principal.

Também estão disponíveis na barra principal os itens de navegação para voltar,

avançar, subir um diretório e o item para impressão de arquivos selecionados.

FIGURA 58 - Painéis na visão Esquerda/Direita de Konqueror

A computação pessoal e o sistema operacional Linux - 113

5.6.2 – Integração com aplicativos nativos A compactaç