Manual tecnico vegetacao brasileira, Manual de Botânica e Agronomia. Universidade Federal do Espírito Santo (UFES)
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leticia_esteves16 de abril de 2016

Manual tecnico vegetacao brasileira, Manual de Botânica e Agronomia. Universidade Federal do Espírito Santo (UFES)

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manual técnico da vegetação brasileira
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Presidenta da República Dilma Rousseff

Ministra do Planejamento, Orçamento e Gestão Miriam Belchior

INSTITUTO BRASILEIRO

DE GEOGRAFIA E

ESTATÍSTICA - IBGE

Presidenta Wasmália Bivar

Diretor-Executivo Nuno Duarte da Costa Bittencourt

ÓRGÃOS ESPECÍFICOS SINGULARES

Diretoria de Pesquisas Marcia Maria Melo Quintslr

Diretoria de Geociências Wadih João Scandar Neto

Diretoria de Informática Paulo César Moraes Simões

Centro de Documentação e Disseminação de Informações David Wu Tai

Escola Nacional de Ciências Estatísticas Denise Britz do Nascimento Silva

UNIDADE RESPONSÁVEL

Diretoria de Geociências

Coordenação de Recursos Naturais e Estudos Ambientais Celso José Monteiro Filho

Ministério do Planejamento, Orçamento e Gestão Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística - IBGE

Diretoria de Geociências Coordenação de Recursos Naturais e Estudos Ambientais

Manuais Técnicos em Geociências número 1

Manual Técnico da Vegetação Brasileira

Sistema fitogeográfico Inventário das formações florestais e campestres

Técnicas e manejo de coleções botânicas Procedimentos para mapeamentos

Rio de Janeiro 2012

Instituto Brasileiro de Geografi a e Estatística - IBGE Av. Franklin Roosevelt, 166 - Centro - 20021-120 - Rio de Janeiro, RJ - Brasil

ISSN 0103-9598 Manuais técnicos em geociências Divulga os procedimentos metodológicos utilizados nos estudos e pesquisas de geociências.

ISBN 978-85-240-4272-0 (meio impresso)

© IBGE. 2012

Elaboração do arquivo PDF Leonardo Martins Roberto Cavararo

Produção de multimídia Lgonzaga Márcia do Rosário Brauns Marisa Sigolo Mônica Pimentel Cinelli Ribeiro Roberto Cavararo

Capa Ubiratã O. dos Santos/Eduardo Sidney - Coordenação de Marketing/Centro de Documentação e Disseminação de Informações - CDDI

Sumário

Apresentação

Introdução

Sistema fitogeográfico

Súmula histórica

Fitogeografia do espaço intertropical

Classificações universais Classificação de Schimper Classificação de Tansley e Chipp Classificação de Burtt-Davy Classificação de Dansereau Classificação de Aubréville Classificação de Trochain Classificação de Ellenberg e Mueller-Dombois Classificação da FAO

Classificações continentais Classificação de Beard Classificação de Morrone

Classificações brasileiras Classificação de Martius Classificação de Gonzaga de Campos Classificação de Alberto J. Sampaio Classificação de Lindalvo Bezerra dos Santos Classificação de Aroldo de Azevedo Classificação de Edgar Kuhlmann Classificação de Andrade-Lima e Veloso Classificação do Projeto RadambRasil Classificação de Rizzini Classificação de George Eiten Classificação de Fernandes

______________________________________________________________________ Manual Técnico da Vegetação Brasileira

Classificações regionais

Integração da classificação fitogeográfica da vegetação brasi- leira à nomenclatura universal

Conceituações adotadas Formas de vida

Classificação das formas de vida segundo Raunkiaer, adaptadas às condições brasileiras

Chave de classificação das formas de vida segundo Raunkiaer, modificada e adaptada ao Brasil

Terminologia Sistema Império florístico Zona Região Domínio Setor Ecótipo Formação Classe de formação Subclasse de formação Grupo de formação Subgrupo de formação Formação propriamente dita Subformação Comunidade Sinúsia Estratos Floresta Savana Parque Savana-Estépica Estepe Campinarana Associação Subassociação Variante Fácies Consorciação ou sociação Ochlospecie Clímax climático Clímax edáfico Fácies de uma formação Região fitoecológica Vegetação disjunta

Sistema de classificação Escalas cartográficas Sistema de Classificação Florística de Drude

Sumário __________________________________________________________________________________________________

Sistema de Classificação Fisionômico-Ecológica Sistema de Classificação Fitossociológico-Biológica Fitossociologia Bioecologia

Dispersão florística regional Região Florística Amazônica (Floresta Ombrófila Densa,

Floresta Ombrófila Aberta, Floresta Estacional Sempre-Verde e Campinarana)

Região Florística do Brasil Central (Savana, Floresta Estacional Semidecidual e Floresta Estacional Decidual)

Região Florística Nordestina (Savana-Estépica: Caatinga do Sertão Árido com suas disjunções vegetacionais; Floresta Ombrófila Densa; Floresta Ombrófila Aberta; Floresta Estacional Semidecidual; Floresta Estacional Decidual e Savana)

Região Florística do Sudeste (Floresta Ombrófila Densa, Floresta Estacional Semidecidual, Floresta Estacional Decidual e Savana)

Classificação da vegetação brasileira Sistema Fisionômico-Ecológico Floresta Ombrófila Densa (Floresta Tropical Pluvial) Floresta Ombrófila Densa Aluvial Floresta Ombrófila Densa das Terras Baixas Floresta Ombrófila Densa Submontana Floresta Ombrófila Densa Montana Floresta Ombrófila Densa Alto-Montana Floresta Ombrófila Aberta (Faciações da Floresta

Ombrófila Densa) Floresta Ombrófila Aberta Aluvial Floresta Ombrófila Aberta das Terras Baixas Floresta Ombrófila Aberta Submontana Floresta Ombrófila Aberta Montana Floresta Ombrófila Mista (Floresta de Araucária) Floresta Ombrófila Mista Aluvial Floresta Ombrófila Mista Submontana Floresta Ombrófila Mista Montana Floresta Ombrófila Mista Alto-Montana Floresta Estacional Sempre-Verde (Floresta Estacional

Perenifólia) Floresta Estacional Sempre-Verde Aluvial Floresta Estacional Sempre-Verde das Terras Baixas Floresta Estacional Sempre-Verde Submontana Floresta Estacional Semidecidual (Floresta Tropical Subcaduci-

fólia) Floresta Estacional Semidecidual Aluvial Floresta Estacional Semidecidual das Terras Baixas Floresta Estacional Semidecidual Submontana Floresta Estacional Semidecidual Montana

______________________________________________________________________ Manual Técnico da Vegetação Brasileira

Floresta Estacional Decidual (Floresta Tropical Caducifólia) Floresta Estacional Decidual Aluvial Floresta Estacional Decidual das Terras Baixas Floresta Estacional Decidual Submontana Floresta Estacional Decidual Montana Campinarana (Caatinga da Amazônia, Caatinga-Gapó

e Campina da Amazônia) Campinarana Florestada (Caatinga da Amazônia e

Caatinga-Gapó) Campinarana Arborizada (Campinarana e Caatinga-Gapó) .. 105 Campinarana Arbustiva (Campina da Amazônia e Caatinga-

Gapó) Campinarana Gramíneo-Lenhosa (Campina da

Amazônia) Savana (Cerrado) Savana Florestada (Cerradão) Savana Arborizada (Campo Cerrado, Cerrado Ralo, Cerra-

do Típico e Cerrado Denso) Savana Parque (Campo-Sujo-de-Cerrado, Cerrado-de-

Pantanal, Campo-de-Murundus ou Covoal e Campo Rupestre)

Savana Gramíneo-Lenhosa (Campo-Limpo-de-Cerrado) Savana-Estépica (Savanas secas e/ou úmidas: Caatinga

do Sertão Árido, Campos de Roraima, Chaco Mato-Grossense-do-Sul e Parque de Espinilho da Barra do Rio Quaraí)

Savana-Estépica Florestada Savana-Estépica Arborizada Savana-Estépica Parque Savana-Estépica Gramíneo-Lenhosa Estepe (Campos do sul do Brasil) Estepe Arborizada (Arbórea Aberta) Estepe Parque (Campo Sujo ou Parkland) Estepe Gramíneo-Lenhosa (Campo Limpo) Sistema Edáfico de Primeira Ocupação (Áreas das

Formações Pioneiras) Vegetação com influência marinha (Restingas) Vegetação com influência fluviomarinha (Manguezal

e Campos Salinos) Vegetação com influência fluvial (comunidades aluviais) Sistema de Transição (Tensão Ecológica) Ecótono (mistura florística entre tipos de vegetação) Encrave (áreas disjuntas que se contactam) Sistema dos Refúgios Vegetacionais (Comunidades Relíquias)

Sistema da Vegetação Disjunta Sistema da Vegetação Secundária (Tratos Antrópicos)

Sucessão natural Fase primeira da sucessão natural

Sumário __________________________________________________________________________________________________

Fase segunda da sucessão natural Fase terceira da sucessão natural Fase quarta da sucessão natural Fase quinta da sucessão natural Uso da terra para a agropecuária Agricultura Pecuária Reflorestamento e/ou florestamento Outras

Sistema das Áreas sem Vegetação (Dunas e Afloramentos Rochosos)

Legenda do Sistema de Classificação da Vegetação Brasileira (Escalas de 1:250 000 até 1:1 000 000)

Inventário das formações florestais e campestres

Conceituação

Tipos de inventário quanto ao detalhamento

Reconhecimento (1:250 000 até 1:1 000 000)

Semidetalhe (1:50 000 até 1:100 000 )

Pré-exploração florestal

Técnicas de amostragem

Irrestrita ou inteiramente casualizada

Restrita ou estratificada

Sistemática

Seletiva

Conglomerados

Parcela de tamanho variável

Outros tópicos de um inventário florestal

Equidistância entre as unidades amostrais

Erro de amostragem

Tamanho e forma das unidades amostrais

Distribuição espacial das árvores Tipos de distribuição espacial Métodos para detectar os tipos de distribuição espacial

Método dos quadrados (parcelas) Método das distâncias

Etapas de um inventário florestal

Planejamento Necessidade de realizar um inventário florestal Definição dos objetivos Definição do parâmetro mais importante a ser definido no

projeto de inventário florestal

Execução Interpretação de imagens

______________________________________________________________________ Manual Técnico da Vegetação Brasileira

Inventários florestais com propósito de extração de madeira Distribuição das unidades amostrais e precisão requerida Tamanho, forma e dimensões das unidades amostrais Localização e orientação das unidades amostrais

Inventários florestais com propósitos de produção de madeira e aproveitamento da biomassa residual Distribuição das unidades amostrais e intensidade de

amostragem Dimensões, tamanho e forma das unidades amostrais

Inventários florestais com propósitos extrativistas Informações coletadas na atividade de campo

Altura Diâmetro Distância Nome vulgar Aspecto do fuste e sanidade aparente Descrição sucinta da vegetação

Relação usada no cálculo de volume e quantificação dos resíduos Relação usada no cálculo de volume Quantificação dos resíduos

Procedimentos metodológicos para levantamento do potencial lenhoso/arbóreo de formações campestres

Distribuição das unidades amostrais

Intensidade, forma, tamanho e dimensões das unidades amostrais

Localização e orientação das unidades amostrais na Savana (Cerrado) e na Savana-Estépica (Caatinga)

Variáveis a serem obtidas na Savana (Cerrado) e na Savana- Estépica (Caatinga)

Savana (Cerrado) Equações utilizadas para a Savana (Cerrado) Savana-Estépica (Caatinga)

Processamento de dados

Resultados esperados

Determinação do potencial madeireiro

Classe comercial das madeiras

Determinação da potencialidade para exploração florestal

Análise dos resultados

Considerações finais

Técnicas e manejo de coleções botânicas

Conceitos gerais

Coleção botânica

Sumário __________________________________________________________________________________________________

Metodologia para coleta e herborização

Equipe de campo

Equipamentos de coleta e de herborização

Utilização dos equipamentos de campo

Metodologia de coleta propriamente dita Numeração das amostras Regras gerais

Metodologia para herborização Prensagem Secagem

Terminologia para descrição da planta no campo

Informações relacionadas com a planta/ambiente

Informações sobre a frequência/abundância da espécie no local da coleta

Informações sobre hábito e adaptações do indivíduo amostrado

Informações sobre raízes

Informações gerais sobre tronco e ramos

Folhas, inflorescências, flores, frutos e sementes

Notas sobre técnicas específicas de coleta e herborização

Pteridófitas

Palmeiras

Poaceae (Bambus)

Bromeliáceas

Lianas

Plantas herbáceas

Plantas com partes volumosas

Herbário

Processamento das coleções Etiquetagem Metodologia para identificação do material botânico Identificação para atendimento a projetos Montagem e registro de exsicatas Incorporação de exsicatas Manutenção das coleções

Dinâmica de herbário

Procedimentos para mapeamento da vegetação em escala regional

Histórico

Atividades realizadas no mapeamento da vegetação

Área e escala de trabalho

______________________________________________________________________ Manual Técnico da Vegetação Brasileira

Levantamento de mapeamentos preexistentes e de material bibliográfico auxiliar

Bases cartográficas

Escolha da resolução espacial e sensores correspondentes

Seleção e aquisição de imagens de sensores orbitais/ aerotransportados

Processamento digital de imagens

Georreferenciamento/ortorretificação

Realces

Combinação de bandas/dados

Interpretação preliminar das imagens

Área mínima de representação

Integração das interpretações preliminares

Operações de campo

Caderneta de campo

Reinterpretação das imagens

Integração das reinterpretações

Edição, validação topológica e armazenamento em banco de dados das informações

Mapa final

Relatório

Conclusão

Referências

Apresentação

É com grande satisfação que o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística - IBGE, por meio da Diretoria de Geociências, traz a público a segunda edição revista e ampliada do Manual técnico da vegetação brasileira. Esta edição representa a fusão de duas publicações anteriores do IBGE – Classificação da vegetação brasileira, adaptada a um sistema universal (1991) e Manual técnico da vegetação brasileira (1992) – e incorpora informações novas, derivadas dos mais recentes avanços do conhecimento sobre a cobertura vegetal nativa do Brasil. Com esse conteúdo, tal edição vem ao encontro da preocupação do IBGE com a constante atualização e melhoria da qualidade da informação prestada ao público.

Esta obra está dividida em quatro capítulos: sistema fitogeo- gráfico, inventário das formações florestais e campestres, técnicas e manejo de coleções botânicas e procedimentos para mapeamento da vegetação em escala regional. Nesses capítulos, estão descritos os conceitos, as etapas e os procedimentos metodológicos utilizados pela equipe de estudos de vegetação do IBGE para análise, caracterização, classificação e mapeamento da vegetação brasileira. Os capítulos e tópicos foram organizados de forma a permitir que os usuários, tanto no gabinete como no campo, tenham uma visão de conjunto do tra- balho com vegetação realizado no IBGE.

O conhecimento desses tópicos é considerado essencial para aqueles que estudam, pesquisam ou mapeiam as fisionomias vegetais do Brasil nos diversos níveis de levantamento, desde o regional até o de semidetalhe.

Este Manual tem ainda como objetivo contribuir para a uni- formização dos critérios e da terminologia adotados no Sistema de Classificação da Vegetação Brasileira.

Wadih João Scandar Neto Diretor de Geociências

Introdução

Nesta segunda edição revista e ampliada do Manual técnico da vegetação brasileira, o tema vegetação, para fins de estudo, pesquisa e mapeamento, é abordado em quatro capítulos, abrangendo os seguintes tópicos: sistema fitogeográfico, inventário das formações florestais e campestres, técnicas e manejo de coleções botânicas e procedimentos para mapeamento da vegetação em escala regional.

O primeiro capítulo apresenta breve histórico das classificações da vegetação universais, regionais e brasileiras, bem como a nova versão da classificação fitogeográfica da vegetação brasileira; conceituações adota- das no manual; classificação das formas de vida; chave para classificação dessas formas; terminologias utilizadas no esquema de classificação; siste- mas primários e secundários; e legenda do sistema fitogeográfico adotada pela equipe de estudos de vegetação do IBGE. Em razão das mudanças de conceitos e dos conhecimentos acumulados ao longo dos últimos 25 anos, este capítulo passou a conter, nesta edição, um novo subgrupo de formação, a Floresta Estacional Sempre-Verde, com três formações e duas fácies; um novo subgrupo de formação na Campinarana, com duas fácies; duas novas fácies na Savana-Estépica; mais um tipo de contato nas Áreas de Tensão Ecológica; novos tipos de Áreas Antrópicas; e uma nova unidade de mapeamento, denominada Áreas sem Cobertura Vegetal.

No capítulo sobre inventário das formações florestais e campes- tres, são descritos os tipos de inventário, as técnicas de amostragem, as etapas de um inventário florestal e os procedimentos metodológicos para levantamento do potencial lenhoso/arbóreo de formações campes- tres, entre outros assuntos.

O capítulo que trata das técnicas e manejo de coleções botânicas descreve as técnicas de coleta, herborização, descrição e etiquetagem de amostras de material botânico, bem como os modos de processamento e manutenção de coleções dessas amostras em herbário.

No último capítulo, são descritos os procedimentos para mapeamen- to, desde a interpretação das imagens até a elaboração do produto final.

______________________________________________________________________ Manual Técnico da Vegetação Brasileira

Assim como nos documentos cartográficos, os termos genéricos dos nomes geográficos citados nesta segunda edição do Manual encontram-se grafados com letra inicial maiúscula, por ser o sintagma toponímico considerado um nome próprio. Visando à padronização gráfica, optou-se também por citar a terminologia das diversas classificações fitogeográficas com letra inicial maiúscula, critério este nem sempre coincidente com o originalmente apresentado por seus autores.

Homenagens póstumas Henrique Pimenta Veloso, formado em Engenharia Agronômica, iniciou sua vida

profissional no começo dos anos 1940 na Fundação Oswaldo Cruz - FiocRuz, no campo da ecologia. A partir de então, passou a contribuir para o desenvolvimento técnico-científico, com estudos e pesquisas voltados à vegetação, notadamente aqueles relacionados com ecologia, fitossociologia e fitogeografia, como pode ser constatado pelos inúmeros tra- balhos de sua autoria.

Na década de 1970 e primeira metade dos anos 1980, como assessor do Projeto RadambRasil, dedicou-se sobremaneira aos estudos fitogeográficos. Formulou as bases e lançou os fundamentos para a criação do Sistema Fitogeográfico Brasileiro, em 1982, o qual levou a uma nova classificação da vegetação brasileira, possibilitou o mapeamento dessa vegetação em escala regional e consolidou a formação de uma equipe técnica es- pecializada em levantamentos e mapeamentos fitogeográficos.

A partir de 1986, no IBGE, deu continuidade ao seu trabalho, que culminou com a publicação, em 1991, da Classificação da vegetação brasileira, adaptada a um sistema universal, síntese dos conhecimentos fitogeográficos adquiridos ao longo dos anos, que veio a preencher uma lacuna ainda existente naquela ocasião.

Aqueles que o conheceram e tiveram a oportunidade de com ele trabalhar são testemunhas do seu inequívoco saber e temperamento cordato, sempre pronto a ouvir as opiniões dos mais jovens e a estimulá-los nos estudos e pesquisas da Fitogeografia. Tornou-se, assim, o mestre responsável pela formação de uma nova escola de fitogeó- grafos no Brasil.

Rui Lopes de Loureiro ingressou no Projeto Radam em 1974, em Belém (PA). Formado em Engenharia Florestal, participou da elaboração de vários volumes da série Levanta- mento de Recursos Naturais, em alguns como autor e em outros como partícipe da equipe técnica de vegetação.

Em 1977, no Projeto RadambRasil, foi transferido para Goiânia (GO) e, em março de 1986, quando a Comissão Executora do Projeto RadambRasil foi incorporada ao Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística - IBGE, assumiu a chefia da Divisão de Recursos Naturais e Meio Ambiente de Goiânia. Em 1988, foi nomeado chefe do Departamento de Recursos Naturais do IBGE em Goiás. Em 1989, retornou a Belém, para integrar a recém- criada Divisão de Geociências do Norte, a qual chefiou de 1990 a 1995. Em julho desse mesmo ano, foi nomeado chefe da Diretoria Regional Norte, permanecendo no cargo até outubro de 1996.

No IBGE, participou ativamente de vários diagnósticos e levantamentos sobre a vegetação, merecendo destaque os trabalhos da Comissão de Implantação do Sistema de Controle do Espaço Aéreo - ciscea e do Sistema de Vigilância da Amazônia - sivam, dos Zoneamentos Ecológicos e Econômicos da BR-163 (Santarém-Cuiabá), da Calha Norte, da Calha Leste e do Pará Rural. Participava dos trabalhos de mapeamento da vegetação primária do Estado de Mato Grosso, em conjunto com o governo desse estado, quando faleceu, no dia 24 de outubro de 2010, aos 65 anos, em Belém.

Sistema fitogeográfico

Desde o filósofo alemão Emmanuel Kant (1724-1804), o conceito de Geografia Física (área do conhecimento que compreende a geologia, o clima, a vegetação e outros componentes da natureza) vem mudando em sintonia com a evolução das ciências da Terra e do Universo. Naquela época, Kant utilizou o termo “sistema” para se referir a conjuntos de problemas ordenados segundo os princípios uniformes. Atualmente, o termo “sistema” é usado nas linguagens científica e técnica para designar esquemas abstratos ou concretos, elaborados com a finalidade de levar o analista ao entendimento dos elementos que compõem um todo, das relações que existem entre os elementos e, por fim, do todo (BERTALANFFY, 1995).

O objetivo deste capítulo é fornecer, àqueles que atuam no campo da Fitogeografia, o embasamento técnico para a avaliação e o uso dos termos prioritários, já consagrados pela comunidade científica inter- nacional, adotados pelos técnicos da equipe de Vegetação da Diretoria de Geociências do IBGE.

Em razão das mudanças de conceitos e dos conhecimentos acumulados no decorrer dos últimos anos, nesta edição este capítulo passou a conter um novo subgrupo de formação, a Floresta Estacional Sempre-Verde, com três formações e duas fácies; um novo subgrupo de formação na Campinarana, com duas fácies; duas novas fácies na Savana-Estépica; mais um tipo de contato nas Áreas de Tensão Ecológica; novos tipos de Áreas Antrópicas; e uma nova unidade de mapeamento, denominada Áreas sem Cobertura Vegetal.

Súmula histórica A cobertura vegetal da Terra sempre esteve sob a atenção da

humanidade e vem sendo objeto de estudos desde a fundação do pensamento filosófico ocidental por Aristóteles (384-322 a.C.) e seus

______________________________________________________________________ Manual Técnico da Vegetação Brasileira

seguidores. Os tratados botânicos de Teofrasto (372-287 a.C.), Plínio, o Antigo (23-79 d.C.), e Dioscórides (40-90 d.C.), ao seguirem o modelo aristotélico de descrição do mundo natural, incorporaram informações sobre os hábitats de diversos vegetais e foram durante toda a Idade Média as principais referências para os estudiosos de plantas e de vegetação (LLOYD, 1990).

As expedições das potências europeias, que no fim dos Séculos XV e XVI le- varam à descoberta dos territórios africanos, asiáticos e americanos, contribuíram decisivamente para a percepção da enorme diversidade de vegetação do globo. Movidas principalmente pela perspectiva da utilidade econômica, essas potências multiplicaram o número de missões de naturalistas-viajantes em busca de plantas para herbários e jardins botânicos, e iniciaram uma cultura científica que rompeu com a tradição antiga e medieval, no que se refere à lógica da distribuição geográfica das plantas e das suas ligações com o ambiente. Os primeiros trabalhos europeus sobre a flora ultramarina surgiram na Espanha, com Garcia de Orta, Cristóvão da Costa, Gonzalo Fernández de Oviedo y Valdés e outros que foram seguidos por naturalistas franceses, ingleses, alemães e de outras origens. Com a publicação de Systema na- turae, em 1735, e Species plantarum, em 1753, Carl von Linné (1707-1778) dotou as descrições taxonômicas de um sistema prático, consistente e de aplicação universal de categorização e nomenclatura das plantas. O autor expôs em suas obras, ainda que de forma incipiente, alguns conceitos geobotânicos, como os de ótimo climáti- co, relação planta-solo, planta indicadora e gradiente de vegetação (DU RIETZ, 1954; DELÉAGE, 1993).

Foi, no entanto, com Alexander von Humboldt no seu livro sobre aspectos da natureza – Ansichten der Natur mit wissenschaftlichen Erläuterungen, publicado em 1808 – que o estudo da vegetação começou a se desenvolver com maior celeridade. Humbolt é considerado o pai da Fitogeografia ou Geografia Botânica, ou Geobotâ- nica ou Geografia das Plantas a partir de seu artigo Ideen zu einer Physiognomik der Gewächse sobre fisionomia dos vegetais, publicado em 1806. Humboldt publicou, de 1845 a 1848, uma série de tratados sobre ciência e natureza sob o título Kosmos, que juntamente com as suas outras inúmeras obras influenciou muitos outros naturalistas e levou à formação de novas gerações de estudiosos de Geografia Física, Botânica e outras disciplinas.

Alguns dos naturalistas que se destacaram como seguidores de Humboldt no campo da Fitogeografia foram: a) Grisebach (1872), que pela primeira vez grupou as plantas por um caráter fisionômico definido, como florestas, campo e outros, desig- nando-os como formações; b) Engler e Prantl (1887-1909), que iniciaram a moderna classificação sistemática das plantas; c) Drude (1897), que dividiu a Terra em zonas, regiões, domínios e setores de acordo com os endemismos encontrados na vegetação; e d) Schimper (1903), que no fim do Século XIX tentou, pela primeira vez, unificar as paisagens vegetais mundiais de acordo com as estruturas fisionômicas. Este último autor tem sido considerado, por esse motivo, o fundador da moderna Fitogeografia.

Complementa esta sinopse histórica uma outra, mais moderna, em que são descritas as seguintes classificações, conforme as suas áreas de abrangência:

- Classificações universais: Schimper (1903), Tansley e Chipp (1926), Burtt-Davy (1938), Dansereau (1949), Aubréville (1956), Trochain (1955, 1957), Ellenberg e Mueller-Dom- bois (1967), unesco (1973) e Di Gregorio para a FAO (2000, 2005);

Sistema fitogeográfico ____________________________________________________________________________________

- Classificações continetais: Beard (1955) e Morrone (2001); e

- Classificações brasileiras: Martius (1958), Gonzaga de Campos (1926), Sampaio (1940), Santos (1943), Azevedo (1950), Kuhlmann (1960), Andrade-Lima (1966), Veloso (1966), Projeto RadambRasil (1982), Rizzini (1963, 1979), Eiten (1983), Fernandes (1998) e Morrone (2001).

Fitogeografia do espaço intertropical A divisão fitogeográfica do espaço intertropical da Terra considera os impérios

florísticos de Oscar Drude (1897) como ponto inicial do sistema florístico-fisionômico- ecológico, porque em cada império florístico existem zonas, regiões e domínios com endemismos que os caracterizam, embora as fisionomias ecológicas sejam seme- lhantes. Assim, o conjunto fisionômico vegetacional intertropical faz parte da mesma conceituação fitogeográfica, apenas diferenciada pela sistemática botânica.

Classificações universais O geógrafo e naturalista Alexander von Humboldt iniciou o estudo da fitogeo-

grafia científica em 1806, porém foi o botânico Andreas Franz Wilhelm Schimper o primeiro a tentar dar cunho universal à Fitogeografia, elaborando uma classificação mundial da vegetação no fim do Século XIX. A ele seguiram-se outros, até culminar com a proposta elaborada por Heinz Ellenberg e Dieter Mueller-Dombois para a Orga- nização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (United Nations Organization for Education, Science and Culture - unesco), em meados da década de 1960, visando à classificação da vegetação da Terra na escala de 1:1 000 000, seguindo critérios referidos como fisionômicos-ecológicos.

Classificação de Schimper A classificação fisionômica de Andreas Franz Wilhelm Schimper (1903), base-

ada no conceito clássico de formações, dividiu o território intertropical da Terra do seguinte modo: I - Formações florestais 1 - Floresta Pluvial 2 - Floresta das Monções 3 - Floresta Espinhosa 4 - Floresta de Savana II - Formações campestres III - Formações desérticas

Vê-se, assim, que Schimper usou, nas suas divisões maiores, o caráter fisio- nômico da vegetação, e, para as menores, os aspectos climáticos e edáficos. Este modo fisionômico-climático universal de classificar a vegetação persiste até hoje, tendo havido apenas a introdução de novas terminologias para conceituar fisionomias vegetais típicas de determinadas áreas que, agrupadas por homologia vegetacional, são acrescentadas como termos prioritários.

______________________________________________________________________ Manual Técnico da Vegetação Brasileira

Classificação de Tansley e Chipp Os ecólogos Arthur George Tansley e Thomas Ford Chipp (1926) introduziram

novos termos fisionômicos e apresentaram a seguinte classificação para a região intertropical: I - Floresta Densa 1 - Pluvial 2 - De Montanhas 3 - Manguezal II - Parque III - Formações herbáceas IV - Vegetação marítima, pantanosa e aquática

O termo Parque (Parkland) é empregado nesta classificação como sinônimo de Savana, porque as espécies arbóreas baixas distribuem-se de forma similar aos par- ques ingleses. Este termo foi adotado pelo IBGE para designar fisionomias bastante semelhantes nas quatro regiões fitoecológicas de aspecto campestre, embora suas florísticas sejam bem diferentes.

Classificação de Burtt-Davy O sistema de classificação do botânico Joseph Burtt-Davy (1938) adota, na zona

intertropical, uma separação por formações fisionômicas subdivididas ora por caráter climático, ora por caráter terminológico prioritário, além de usar conceitos pedoclimáticos. I - Formações arbóreas 1 - Úmidas climáticas a - Floresta Pluvial Sempre-Verde b - Floresta Pluvial Semidecídua c - Floresta das Altas Montanhas d - Floresta Decídua e - Floresta de Coníferas das Altas Montanhas f - Floresta de Bambu das Áreas Montanhosas g - Floresta Aberta Alpina 2 - Úmidas edáficas a - Floresta Aberta Ribeirinha b - Floresta dos Pântanos c - Floresta de Palmeiras dos Pântanos d - Floresta Aberta dos Mangues e - Floresta Aberta do Litoral 3 - Secas a - Floresta Seca Sempre-Verde b - Savanas Arborizadas c - Matas Espinhosas II - Formações herbáceas 1 - Savana 2 - Estepe 3 - Campo 4 - De Pântanos 5 - Campo de Altitude III - Formações desérticas

Sistema fitogeográfico ____________________________________________________________________________________

Para as formações maiores, o autor utilizou uma terminologia fisionômica, mas

ao subdividi-las, utilizou conceitos climáticos para as formações arbóreas e conceitos

campestres prioritários para as formações herbáceas. Esta classificação foi a primeira

a extrapolar o conceito de Estepe, das formações holárticas, para as áreas intertropi-

cais. Este termo foi posteriormente difundido, embora com conceituação um pouco

diferente.

Classificação de Dansereau O sistema que Pierre Dansereau (1949) adotou em sua classificação da vegetação

do espaço intertropical tem conotação fisionômico-ecológica-climática, embora o sistema

seja eminentemente estrutural.

I - Formações com clima de florestas

1 - Pluvial Tropical

2 - Esclerófila Úmida

3 - Esclerófila Mediterrânea

4 - Decídua Temperada

5 - De Coníferas

II - Formações com clima de herbáceas ou grasslands

1 - Pradaria

2 - Prados Alpinos e de Planalto

3 - Estepe

III - Formações com clima de savana

1 - Caatinga

2 - Cerrado

3 - Parque

IV - Formações com clima de desertos

Professor da Universidade de Quebec (Canadá), Dansereau usou a classificação

estrutural-ecológica como norteadora dos estudos ecossistemáticos que realizou no

mundo, inclusive no Brasil em 1946-1947. Foi ele um dos que iniciou no IBGE, em

1946, o curso de Geografia Física, respondendo pela disciplina de Bioecologia. Após

os seus ensinamentos, baseados na escola de Josias Braun-Blanquet, foram iniciados

os levantamentos fitossociológicos no País.

Classificação de Aubréville A classificação da vegetação intertropical do botânico André Aubréville (1956),

apresentada ao Conselho Científico para a África ao Sul do Saara, no denominado Acordo

de Yangambi, visava, sobretudo, à unificação da nomenclatura fitogeográfica africana.

Posteriormente, Aubréville reintroduziu o termo Estepe como uma for ma ção

das áreas intertropicais, fora do grande território holártico; subdividiu tanto a Savana

como a Estepe em várias fisionomias de árvores baixas entremeadas por um tapete

gramíneo-lenhoso. Além disso, considerou na classificação as posições topográ ficas

de ocupação das florestas, dando-lhes nomes próprios de conceituação altimétrica.

Foi um sistema revolucionário que, como apresentado mais adiante, alterou todas as

novas classificações fitogeográficas surgidas após o Acordo de Yangambi.

______________________________________________________________________ Manual Técnico da Vegetação Brasileira

I - Formações florestais fechadas 1 - Formações florestais climáticas 1.1 - Florestas de baixa e média altitude a - Floresta Úmida Floresta Úmida Sempre-Verde Floresta Úmida Semidecídua b - Floresta Seca c - Arvoretas (thickets) 1.2 - Florestas de grande altitude a - Floresta Montana Úmida b - Floresta Montana Seca c - Floresta de Bambu 2 - Formações florestais edáficas 2.1 - Manguezal 2.2 - Floresta Paludosa 2.3 - Floresta periodicamente inundada 2.4 - Floresta Ripária II - Formações florestais mistas e formações campestres 1 - Floresta Aberta 2 - Savana 2.1 - Savana Florestada 2.2 - Savana Arborizada 2.3 - Savana Arbustiva 2.4 - Savana de Gramíneas 3 - Estepe 3.1 - Estepe Arborizada 3.2 - Estepe Subarbustiva 3.3 - Estepe de Suculentas 3.4 - Estepe Herbácea e/ou de Gramíneas 4 - Pradaria 4.1 - Pradaria Aquática 4.2 - Pradaria Paludosa 4.3 - Pradaria Alto-Montana

Classificação de Trochain O botânico francês Jean-Louis Trochain publicou dois trabalhos sobre a classifi-

cação da vegetação africana, o primeiro, em 1955, e o segundo, em 1957. Neste último, o autor definiu os tipos de vegetação da África tropical e apresentou um sistema sobre “formas comuns das plantas”. I - Plantas herbáceas 1 - Campo Aquático 2 - Campo Pantanoso 3 - Campo Alto-Montano 4 - Pseudoestepe 5 - Savana 6 - Savana-Estépica II - Plantas arbustivas 1 - Savana 2 - Vegetação Alto-Montana

Sistema fitogeográfico ____________________________________________________________________________________

3 - Vegetação Arbustiva III - Plantas arbóreas 1 - Com um tapete graminoso estacional a - Savana Florestal b - Savana Arborizada 2 - Com um tapete graminoso reduzido ou ausente 1 - Floresta Caducifólia 2 - Floresta Densa a - Ombrófila b - Semiombrófila c - Heliófila d - Rupícola e - Litorânea f - Montana 3 - Manguezal

Baseado em critérios fisionômicos, o sistema de Trochain (1957) inovou a classi- ficação quando a dividiu pelas “formas comuns das plantas” e a subdividiu de acordo com o fator ecológico dominante em cada comunidade vegetal. Sua nomenclatura abriu para a Fitogeografia uma gama enorme de possibilidades, conceituando-se, assim, a classificação fisionômico-ecológica pela primeira vez. Essa terminologia eco- lógica foi aceita e relativamente pouco alterada posteriormente pelos fitogeógrafos. Contudo, várias conceituações foram aceitas e ligeiramente modificadas, quando da sua aplicação ao Brasil.

Classificação de Ellenberg e Mueller-Dombois Por fim, atinge-se o ponto crucial dos sistemas universalizados com a classifi-

cação de Heinz Ellenberg e Dieter Mueller-Dombois (1967), proposta à unesco. Esta classificação fisionômico-ecológica da vegetação mundial baseia-se nos últimos sistemas da escola franco-africana de Aubréville e Trochain e nas classificações de August William Küchler (1947, 1949), da escola americana. Ela obedece a um sistema hierárquico de formações, distribuídas pela ordem de classe até a formação propria- mente dita, seguidas de subformações. I - Floresta Densa 1 - Sempre-Verde A - Ombrófila a - De Terras Baixas b - Submontana c - Montana d - Aluvial e - Pantanosa B - Estacional a - De Terras Baixas b - Submontana C - Semidecidual a - De Terras Baixas b - Submontana c - Montana D - Manguezal

______________________________________________________________________ Manual Técnico da Vegetação Brasileira

2 - Mista A - Ombrófila a - Montana 3 - Decidual A - Seca a - De Terras Baixas b - Submontana 4 - Xeromorfa a - Esclerófila b - Espinhosa c - Suculenta II - Floresta Aberta 1 - Sempre-Verde a - Latifoliada b - Mista 2 - Decidual a - Submontana b - Montana 3 - Xeromorfa a - Esclerófila b - Espinhosa c - Suculenta III - Vegetação arbórea anã (arvoretas) 1 - Sempre-Verde a - De Bambu b - Aberta c - Esclerófila 2 - Decidual 3 - Xeromorfa A - Sempre-Verde a - Com suculentas b - Sem suculentas IV - Vegetação arbustiva anã (plantas lenhosas anãs) 1 - Sempre-Verde 2 - Decidual 3 - Xeromorfa 4 - Turfeira V - Vegetação Herbácea 1 - Graminosa Alta a - Com árvores b - Com palmeiras c - Com árvores anãs 2 - Graminosa Baixa a - Com árvores b - Com palmeiras c - Com árvores anãs 3 - Graminosa sem plantas lenhosas 4 - Não graminoide

Sistema fitogeográfico ____________________________________________________________________________________

Foi neste sistema de classificação que o Projeto RadambRasil (VELOSO; GÓES- FILHO, 1982) e o IBGE (VELOSO; RANGEL FILHO; LIMA, 1991) basearam a maior parte de sua nomenclatura fitogeográfica. Alterações ocorreram, mas todos os termos usados foram precedidos de conceituação embasada historicamente, o mesmo acontecendo com a terminologia regionalista brasileira.

Em 1973, a unesco publicou uma nova classificação fitogeográfica com a orientação do botânico Henri Gaussen, assessorado por Küchler e Ellenberg (INTERNATIONAL..., 1973). Todavia, o novo sistema, em vez de simplificar a classificação, tornou-a mais complexa, dificultando assim a sua adoção.

Classificação da FAO Esse sistema foi proposto por Antonio Di Gregorio e Louisa J. M. Jansen, em

meados da década 1990, com o objetivo de suprir a Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (Food and Agriculture Organization of the United Nations - FAO) de um sistema de classificação da cobertura da terra que pudesse ser aplicado em todos os países. A sua última versão, revista por Di Gregorio e divulgada em 2005, inclui um CD-ROM com um software concebido para assistir a execução e a interpretação da classificação. O sistema é amplo e flexível, tendo sido elaborado para permitir a classificação e o mapeamento de todos os tipos de cobertura da superfície terrestre (vegetação [natural ou plantada], edificações, corpos d’água, terras nuas, rochas expostas, areais), independentemente dos seus tamanhos.

Nesse sistema, as classes de cobertura são definidas pela combinação de um conjunto de atributos da cobertura, chamados “classificadores”, que são dispostos hierarquicamente segundo os seus níveis de distinção. Como a disposição hierárquica de um classificador pode diferir de um tipo de cobertura para outro, a classificação é realizada em duas fases principais: 1. Fase dicotômica, onde oito grandes tipos de cobertura são distinguidos; e 2. Fase modular-hierárquica, onde o conjunto de classificadores e suas disposições hierárquicas são unidos aos grandes tipos de cobertura.

Os quatro primeiros grandes tipos de cobertura são relativos a áreas terrestres e aquáticas (ou sazonamente inundadas) originalmente vegetadas, enquanto os de- mais são relativos aos mesmos tipos de áreas, mas originalmente não vegetadas. A Figura 1 reúne as dicotomias e os módulos propostos para se chegar à classificação das coberturas relacionadas às áreas originalmente vegetadas.

______________________________________________________________________ Manual Técnico da Vegetação Brasileira

Adaptado de Di Gregorio (2005).

AQUÁTICAS OU

SAZONALMENTE INUNDADAS

ÁREAS ORIGINALMENTE VEGETADAS

TERRESTRES

ÁREAS AQUÁTICAS CULTIVADAS

VEGETAÇÃO AQUÁTICA (SEMI)NATURAL

VEGETAÇÃO (SEMI)NATURAL

ÁREA CULTIVADA

ASPECTOS ESPACIAIS

CULTURA CONSORCIADA

COBERTURA RELACIONADA A PRÁTICAS CULTURAIS

FORMA DE VIDA

ALTITUDE EROSÃO COBERTURA

TIPO DE CULTURA

ASPECTOS ESPACIAISFORMA DE VIDA

SAZONALIDADE DA INUNDAÇÃO

COBERTURA RELACIONADA A PRÁTICAS CULTURAIS

ALTITUDE EROSÃO COBERTURA

TIPO DE CULTURA

CULTURA CONSORCIADA

MACRO PADRÃO

ESTRATIFICAÇÃO

RELEVO LITOLOGIA/SOLO

FORMA DE VIDA E COBERTURA

CLIMA ALTITUDE EROSÃO

ASPECTO FLORÍSTICO

ALTURA

TIPO DE FOLHA FENOLOGIA FOLIAR

ALTURAFORMA DE VIDA E COBERTURA

SAZONALIDADE DA INUNDAÇÃO

ESTRATIFICAÇÃO

RELEVO CLIMA

ALTITUDE EROSÃO QUALIDADE DA ÁGUA

ASPECTO FLORÍSTICO

TIPO DE FOLHA FENOLOGIA FOLIAR

RELEVO LITOLOGIA/ SOLO

LITOLOGIA/ SOLO

CLIMA

RELEVO CLIMA LITOLOGIA/

SOLO

Figura 1 – Classificação da FAO

Classificações continentais Alguns autores dedicaram-se à análise e classificação da vegetação de continen-

tes e mesmo de áreas maiores, englobando conjuntos de continentes. Neste tópico, serão abordadas duas das classificações propostas, sendo uma para a vegetação da América tropical e outra para a vegetação da América Latina e Caribe.

Classificação de Beard Após se dedicar por muitos anos à análise da vegetação da América Central e

Caribe, o estudioso inglês de florestas tropicais John S. Beard propôs, em 1955, uma classificação dos tipos de vegetação da América tropical, com base nos conceitos de séries de formação, formação e associação. Essa classificação por ele elaborada ficou estruturada da seguida maneira:

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