Memória d' África, Manual de História. Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT)
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delamonicanavarros9211 de Junho de 2015

Memória d' África, Manual de História. Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT)

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Trabalho apresentado à disciplina Tópicos Especiais I e II, do Curso de História, sob orientação da UNIVERSIDADE FEDERAL DE MATO GROSSO INSTITUTO DE CIÊNCIAS HUMANAS E SOCIAIS DEPARTAMENTO DE HISTÓRIA DISCIPLINAS: T...
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Memória D’ África: A temática africana em sala de aula. Carlos Serrano – São Paulo: Cortez, 2007.

A África possui cerca de 30.249.096 Km² o que corresponde a quase 25% do território mundial. Todavia vale advertir que aquilo que os nossos olhos vêem, não é, necessariamente, o que os mapas mostram. Com efeito, essa consideração é importante porque a primeira imagem que experimentamos a respeito da África é aquela que nos é descortinada pelo mapa-múndi nos primeiros anos de vida na escola. A transposição da imagem de uma esfera tridimensional (Terra) para um plano bidimensional necessariamente envolve distorções atenuadas exaltadas ou obscurecidas consoante o tipo de projeção que utilizamos. No que tange a África, podemos, por exemplo, comparar a projeção de Mercator com a de Gall- Peters. Ora, comparativamente á África, chamaria a atenção de qualquer observados a enormidade do continente europeu no mapa de Mercator assim como, inversamente quanto a Europa diminui no mapa de Peters, ao mesmo tempo que a África ganha expressão.

Apesar das projeções como a de Peters recuperarem imageticamente uma representação mais próxima do real no que se refere ás dimensões dos continentes, note-se que são abundantes os mapas inferiorizando a magnitude espacial do continente africano. A África abriga o centro espacial imaginário da Terra, resultante do encontro com o Equador com o Mediterrâneo de Greenwich. O continente integra-se territorialmente ao Velho Mundo unicamente por uma ligação natural: O Istmo de Suez. Geofisicamente, exceto o Istmo, todas grandes extensões oceânicas: os mares Mediterrâneo e Vermelho e os oceanos Índico e Atlântico. Quanto ao litoral, é pouco recortado: golfos, baías, cabos e penínsulas são raros. De resto o litoral africano é extensamente ocupado por escarpas, áreas pantanosas, mangues e desertos, sendo raros os atracadouros naturais. Quanto as ilhas costeiras, todas estavam ocupadas desde muito tempo. Além de materializarem a territorialidade de certas etnias, podiam assumir a função de centros administrativos ou de entrepostos comerciais além de espaços sagrados.

Raciocinar em termos de isolamento significaria imaginar que a Suíça jamais poderia manter contato com os vizinhos por causa dos alpes e do Tibet nem estabelecer laços com a Índia e com o resto da China. No entanto é possível compreendermos que a espécie humana se espalhou da África em todas as direções da Terra, derrubando assim a tese de isolamento, visto que o continente jamais deixou de estabelecer contato com o resto do mundo. Há muitas semelhanças entre Brasil e África principalmente nas questões naturais. Existe na parte meridional de ambos os lados duas grandes bacias que compartilham a mesma história geológica. São a Bacia do Paraná (sul do Brasil) e a do Karoo (África meridional). Apesar de separadas por muitos milhares de quilômetros, tudo indica que a história geológica das duas bacias desenvolveu-se de maneira semelhante. Outro dado importante a respeito da africana é sobre a abundância de minérios preciosos (ouro e diamantes), essenciais (ferro, cobre, manganês, estanho e bauxita) e estratégicos (urânio e cobalto) predominantemente oriundos dos terrenos geologicamente antigos do continente. Quanto aos recursos

energéticos (petróleo, carvão e gás natural) estes abundam nas áreas sedimentares distribuídas por vasta extensão da África. Quanto aos recursos hídricos certo é a disponibilidade do continente como um todo sendo assim pequena. No entanto vale ressaltar o fato da disponibilidade ser maior do que a Europa e a Ásia.

A África possui grandes rios sendo que o Rio Zaire ou Congo é um dos maiores e possui uma extensão de 4667 km. Na África está também o Rio Nilo, o mais extenso do mundo com 6853 km. Há também o Rio Níger com 4185 Km e o Rio Zambeze com 2650 Km.

No entanto a ideia de uma natureza africana ‘’virgem’’ ou em estado bruto não possui fundamento. Deve ser destacada por sugerir falsas representações do continente, dentre estas a de que o individuo africano faria parte da paisagem, ou seja, não teria transformado o meio natural. A presença humana é do mesmo modo fundamental para compreensão dos processos formadores das savanas. A ideia de natureza bruta tem na verdade o intuito racista de dominação por parte dos europeus, pois a chegada dos mesmos teria consagrado a inauguração do desenvolvimento. É nessa perspectiva que podem ser compreendidas várias definições equivocadas na geografia europeia, justificando propósitos colonisliastas.

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