Métodos de desinfecção no ambiente, Notas de estudo de Medicina Veterinária
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UNIVERSIDADE CASTELO BRANCO

QUALITTAS – INSTITUTO DE PÓS GRADUAÇÃO EM MEDICINA VETERINÁRIA

CLINICA MÉDICA E CIRURGICA DE PEQUENOS ANIMAIS

MÉTODOS DE DESINFECÇÃO NO AMBIENTE CIRURGICO E ANTI-SEPSIA NO PACIENTE EVITANDO

SUA CONTAMINAÇÃO E INFECÇÃO

Rafael Massad Manso

Brasília, jul. 2008

II

RAFAEL MASSAD MANSO

Aluno do curso de Pós – Graduação em Medina Veterinária da QUALITTAS

Matrícula 000000 – 0

MÉTODOS DE DESINFECÇÃO NO AMBIENTE CIRURGICO E ANTI-SEPSIA NO PACIENTE EVITANDO

SUA CONTAMINAÇÃO E INFECÇÃO Trabalho monográfico de conclusão do curso de pós graduação em Medicina Veterinária (TCC), apresentado á UCB como requisito parcial para a obtenção

do título de pós graduação em Medicina Veterinária, sob a orientação

da Profª. _________________________

Brasília, jul. 2008

III

MÉTODOS DE DESINFECÇÃO NO AMBIENTE CIRURGICO E ANTI-SEPSIA NO PACIENTE EVITANDO

SUA CONTAMINAÇÃO E INFECÇÃO

Elaborado por Rafael Massad Manso

Aluno do curso de Pós – Graduação em Medina Veterinária da QUALITTAS

Foi analisado e aprovado com

grau ......................................

Brasília, _______ de ____________________ de _________

______________________________________ Membro

______________________________________ Membro

______________________________________ Prof. Orientador

IV

Dedico este trabalho aos meus pais e minha namorada, pelo incentivo e oportunidade que me deram

para a realização deste trabalho.

V

Agradecimentos

A minha orientadora, professores do curso e todos os colegas da Pós-Graduação

que de alguma forma contribuíram para a realização deste trabalho.

VI

RESUMO

Desinfetantes são agentes que destroem microorganismos patogênicos,

embora não inativem todos os vírus e bactérias formadoras de esporos. Por

costume desinfecção diz respeito ao uso de substâncias germicidas em objetos

inanimados, enquanto anti-sepsia é o uso destas substâncias químicas

antimicrobianas em tecido vivo. O ambiente local da ferida tem enorme impacto

sobre a capacidade das bactérias de estabelecer uma infecção. A interação

entre as bactérias e o hospedeiro, embora sob influência sistêmica, é

determinada em última análise por fatores locais na ferida. Em relação aos

ambientes cirúrgicos a escolha do produto desinfetante mais indicado para o

uso pretendido depende da análise previa do tipo de material ou superfície a

ser tratada, do tipo de sujidade existente, do tipo de microorganismos

predominantes e do ambiente onde será aplicado. Serão abordados os

principais microorganismos encontrados, e serão relatados os anti-sépticos

mais utilizados na desinfecção do ambiente e da anti-sepsia do paciente, além

dos principais métodos para tornar o ambiente cirúrgico limpo e livre de

contaminações.

VII

ABSTRACT

Desinfectants are agents that destroy pathogenic microorganisms,

although it cannot necessarily inactivate all viruses and bacterias from forming

spores. By custom desinfection relates to the use of germicidal substances in

inanimate objects, while antisepsis is the use of antimicrobial chemicals in living

tissue. The wound 's local environment has enormous impact on the ability of

the bacteria to establish an infection. The interaction between bacteria and its

hosts, while under systemic influence, it is ultimately determined by the

wound.Regarding the choice of the desinfectant products of surgical

environment the more suitable product depends on the type of material or

surface to be treated, the type of existing dirt, the predominant type of

microorganisms and the environment where it will be applied. It will examine the

main microorganisms found, and what type of antiseptics are more used to

desinfect environments and also the antisepsis of patients, in addition to the

main methods for making surgical environments clean and free of

contamination.

VIII

LISTA DE FIGURAS

Figura 01: Staphylococcus sp......................................................................... 9

Figura 02: Crescimento da bactéria Staphylococcus em meio de cultura.. 9

Figura 03: Microscopia eletrônica da Pseudomonas sp............................. 11

Figura 04: Bacillus sp .................................................................................... 16

Figura 05: Crescimento da bactéria proteus em meio de cultura .............. 18

Figura 06: Escherichia coli ............................................................................ 21

Figura 07: Microscopia eletrônica da E.coli................................................. 21

Figura 08: Permanganato de potássio sólido .............................................. 26

Figura 09: Solução aquosa de permaganato de potássio .......................... 26

Figura 10: Hipoclorito de sódio..................................................................... 38

Figura 11: Colocação de panos cirúrgicos e aplicação de tintura de iodo

a 5% em toda a região.................................................................. 41

Figura 12: Solução de tintura de PVPI.......................................................... 43

Figura 13: Ferida do Membro posterior esquerdo....................................... 46

Figura 14: Ferida na região ventral do pescoço .......................................... 47

Figura 15: Sala de cirurgia de pequenos animais ....................................... 49

IX

LISTA DE TABELAS

Tabela 01: Microorganismos mais comumente isolados a partir de vários

sistemas corporais......................................................................... 5

Tabela 02: Classificação de feridas operatórias em relação a contaminação .48

Tabela 03: Desinfetantes comuns usados na clínica veterinária............... 50

Tabela 04: Regras de técnica asséptica....................................................... 53

Tabela 05: Considerações para escolha e administração de antibióticos

profiláticos .................................................................................... 59

Tabela 06: Considerações para escolha e administração de antibióticos

Terapêuticos. ................................................................................ 59

SUMÁRIO RESUMO ......................................................................................................... VI

ABSTRACT .................................................................................................... VII

LISTA DE FIGURAS ..................................................................................... VIII

LISTA DE TABELAS ...................................................................................... IX

1. INTRODUÇÃO ............................................................................................... 1

2. DESENVOLVIMENTO ................................................................................... 4

2.1. POSSÍVEIS CONTAMINANTES DE FERIDAS CIRÚRGICAS................... 4

2.2. MICROORGANISMOS ENVOLVIDOS ....................................................... 8

2.2.1. STAPHYLOCOCCUS SPP ...................................................................... 8

2.2.2. PSEUDOMONAS SPP........................................................................... 11

2.2.3. CORYNEBACTERIUM SPP .................................................................. 14

2.2.4. BACILLUS SPP ..................................................................................... 16

2.2.5. PROTEUS SPP ...................................................................................... 18

2.2.6. E.COLI spp ............................................................................................ 20

2.3. ANTI-SÉPTICOS UTILIZADOS ................................................................ 24

2.3.1. PEROXIDO DE HIDROGÊNIO .............................................................. 24

2.3.2. PERMANGANATO DE POTÁSSIO....................................................... 26

2.3.3. GLUCONATO DE CLOREXIDINA......................................................... 28

2.3.4. GLUTARALDEIDO ................................................................................ 30

2.3.5. FORMALDEIDO..................................................................................... 32

2.3.6. ÁLCOOL ................................................................................................ 34

2.3.7. HIPOCLORITO DE SÓDIO .................................................................... 37

2.3.8. IODO ...................................................................................................... 40

2.3.9. POVIDINE – IODINE (PVPI) .................................................................. 43

2.4. COMPLICAÇÕES PÓS – CIRURGICAS – FERIDAS .............................. 45

2.5. TRATAMENTO ........................................................................................ 49

2.5.1. AMBIENTES CIRURGICOS .................................................................. 49

2.5.2. PACIENTES CIRÚRGICOS ................................................................... 54

3. CONCLUSÃO .............................................................................................. 61

4. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS............................................................ 62

1

1. INTRODUÇÃO

Klebbs foi o primeiro pesquisador, em 1872, a chamar a atenção para a

possível origem bacteriana dos processos purulentos, descrevendo o

Microsporon septicum como seu agente. Até então, atribuía-se a formação de

pus a qualquer processo irritativo que induzia o organismo a produzi-lo, sem

nenhum significado específico. Discutia-se então, como se formava o pus, e

Wirchow afirmava que o fato se devia exclusivamente às células fixas do

tecido, enquanto Conheim dava maior significado aos leucócitos que saíam dos

vasos por diapedese.Klebbs não só chamou a atenção para os cocos, como

filtrou pus, mostrando que o filtrado era inócuo e a parte retida que o continha

provocava fenômenos típicos de supuração. Pouco após, Heuter também lhes

atribuía o poder supurativo e, em 1875, Bergeron também demonstrava a

presença de bactérias no pus (CORRÊA & CORRÊA, 1992).

As infecções de feridas são complicações cirúrgicas comuns,

potencialmente graves e com freqüência dispendiosas. Cerca de 5% de

pequenos animais que sofrem cirurgia desenvolvem infecções pós-operatórias ,

apesar do amplo uso de medidas para reduzir a contaminação bacteriana

durante a cirurgia e do uso disseminado de antibióticos. O impacto destas

infecções pode variar de pequena morbidade rapidamente resolvida à

problemas mais graves. Nos seres humanos, as infecções pós-operatórias de

ferida representam 25% de todas as infecções nosocomiais (de base

hospitalar) e podem prolongar acentuadamente a duração da hospitalização.

Em animais, as infecções pós-operatórias da ferida constituem o tipo mais

comum de infecções adquiridas no hospital. É fundamental conhecer os fatores

que influenciam as infecções da ferida cirúrgica, particularmente quando são

utilizados protocolos anestésicos e procedimentos cirúrgicos cada vez mais

sofisticados em pacientes com alto risco de infecção pós-operatória (FOSSUM,

2005).

Sempre que a integridade dérmica for interropida, tal como durante uma

cirurgia, microrganismos ganham acesso a tecidos internos. As bactérias que

contaminam ferimentos cirúrgicos geralmente se originam da flora endógena do

paciente, dos funcionários da sala de cirurgia e do ambiente. Para evitar a

contaminação de um ferimento, devem-se seguir regras de técnica asséptica,

2

infringi-las os pacientes serão sujeitos ao risco de infecção ou doença

(SLATTER, 2007).

O potencial da pele como reservatório de microrganismos com ação

contaminante para a ferida cirúrgica é bem conhecido (GRÖSCHEL e

PRUETT, 1991). Esses microrganismos são reduzidos em número com uma

preparação apropriada da pele, minimizando a probabilidade de infecção

causada por bactérias presentes na área operatória (STUBBS et al.,

1996).Segundo SWAIM et al. (1991), 20% da microflora residente da pele é

inacessível a qualquer tipo de desinfecção, pois estão localizadas nas camadas

mais profundas (PENILDON, 1985).

O termo desinfecção corresponde à destruição da maior parte dos

microrganismos patogênicos presentes em objetos inanimados (não-vivos),

enquanto o termo anti-sepsia corresponde à destruição da maioria dos

microrganismos patogênicos em objetos animados (vivos). Usam-se anti-

sépticos para matar microrganismos durante a preparação cutânea do paciente

e a escarificação cirúrgica; no entanto, a pele não fica esterilizada.A

desinfecção geralmente envolve o uso de desinfetantes líquidos. A escolha do

desinfetante apropriado depende do resultado desejado. Alguns são eficazes

na destruição de um número limitado de microrganismos; outros são eficazes

na eliminação de todos os microrganismos, incluindo esporos (SLATTER,

2007).

As técnicas de preparação da pele não eliminam completamente os

microorganismos da pele; cerca de 20% das bactérias residentes se localizam

nas camadas mais profundas da pele, onde são inacessíveis a soluções anti-

sépticas (FOSSUM, 2005).

Uma técnica asséptica é definida como os métodos e práticas que

evitam a contaminação cruzada em cirurgias. Ela implica em preparação

apropriada das instalações e do ambiente, do local cirúrgico, da equipe

cirúrgica e do equipamento cirúrgico. Para que uma infecção se desenvolva,

devem-se introduzir microrganismos no ferimento cirúrgico. A origem dos

microrganismos pode ser exógena (ou seja, ar, instrumentos cirúrgicos, equipe

cirúrgica ou paciente) ou endógena (ou seja, microrganismos que se originam

no corpo do paciente). É impossível eliminar todos os microrganismos de um

ferimento cirúrgico e de um campo estéril; no entanto, uma técnica asséptica

3

limita a exposição do paciente a uma quantidade não-prejudicial de

microrganismos (SLATTER, 2007).

As esfregaduras antibacterianas são comumente aplicadas à pele por

esponjas de gaze umedecidas, embora o uso da mão enluvadas seja mais

eficaz na redução das quantidades bacterianas. As escovas para esfregadura

causam trauma cutâneo excessivo. A espuma de detergente e uma ação de

esfregadura são importantes para a remoção mecânica de resíduos e

bactérias. Evita-se esfregadura exagerada, porque causa irritação ou abrasões

que são rapidamente colonizadas por bactérias de dentro dos folículos pilosos

para a superfície. Utiliza-se água suficiente para produzir uma boa espuma,

mas evitam-se os volumes excessivos, porque a molhadela do animal aumenta

a perda de calor durante a cirurgia e a contaminação úmida (penetrante) de

panos de campos cirúrgicos (FOSSUM, 2005).

A sala cirúrgica raramente é apontada como fonte de contaminação,

provavelmente porque o paciente e a equipe são fontes mais significativas. A

sala deve constituir um ambiente o mais livre possível de contaminação

bacteriana. Todas as superfícies na sala cirúrgica, incluindo paredes, pisos e

luzes, devem ser cuidadosamente limpas com desinfetante diariamente, e as

mesas são desinfetadas entre cirurgias. As quantidades de bactérias na sala

cirúrgica estão diretamente relacionadas ao número de pessoas presentes, à

atividade na sala e à quantidade de conversa. Os índices de infecção são mais

baixos para as primeiras cirurgias do dia. As portas da sala de cirurgia

permanecem fechadas durante a cirurgia, e o transito pela sala deve ser

mínimo. Os sistemas laminares de fluxo de ar, se utilizados de maneira

adequada, reduzem a contaminação bacteriana no ambiente; o mesmo vale

para a manutenção de pressão positiva do ar dentro da sala (FOSSUM, 2005).

4

2. DESENVOLVIMENTO 2.1. POSSÍVEIS CONTAMINANTES DE FERIDAS CIRÚRGICAS

A descontaminação de tecidos vivos vem ganhando importância,

principalmente pela conscientização dos profissionais de saúde de que o

paciente é a fonte primária de infecção (RODRIGUES et al. 1997). Toda a

ferida cirúrgica deve ser considerada contaminada (SLATTER, 1993), uma vez

que os microrganismos vivem na superfície cutânea, especialmente na camada

córnea, e também no interior das glândulas sudoríparas, sebáceas e folículos

pilosos (RODRIGUES et al. 1997).

O conhecimento das vias de transmissão de microorganismos

causadores de infecção e a identificação dos tipos de bactérias envolvidas com

a contaminação cirúrgica permitem reduzir a ocorrência e severidade dessas

infecções (tabela 01). A microflora endógena do organismo é normalmente a

maior fonte de infecção de feridas cirúrgicas, uma vez que os processos de

anti-sepsia reduzem efetivamente as bactérias exógenas (SLATTER, 1993).

5

Tabela 01: Microorganismos mais comumente isolados a partir de vários

sistemas corporais.

Procedimento, Sistema ou Afecção Patógenos Prováveis Cirurgias torácicas (procedimentos pulmonares e cardiovasculares)

Staphylococcus spp, bacilos Gram- negativos

Cirurgias ortopédicas (por exemplo, substituição coxofemoral total, fixação interna prolongada)

Staphylococcus spp.

Cirurgias gástricas e intestinais superiores (pacientes de alto risco)

Cocos Gram-positivos, bacilos Gram- negativos intestinais

Cirurgias no trato biliar (pacientes de alto risco)

Bacilos Gram-negativos intestinais, anaeróbios (especialmente Streptococcus spp., Clostridium spp)

Cirurgias colorretais Bacilos Gram-negativos intestinais, anaeróbios (especialmente Bacteróides spp., Streptococcus spp)

Sistema urogenital (por exemplo, piometra, endometrite)

Escherichia coli, Streptococcus spp., anaeróbios

Ferimentos penetrantes e profundos (por exemplo, ferimentos com menos de 6h, ferimentos por mordedura)

Bactérias facultativas, anaeróbios

Odontologia (pacientes com cardiopatia valvular)

Staphylococcus spp., Streptococcus spp., bactérias facultativas, anaeróbios

Fonte: Slatter, 2007

Todas as formas de remoção de pêlos causam algum trauma e

inflamação cutâneos. A agressão à pele é seguida por rápida colonização

bacteriana. Os índices de infecção da ferida cirúrgica aumentam conforme

aumenta o tempo entre a remoção dos pêlos e a cirurgia. Quando os pêlos são

removidos do local antes da indução anestésica, o local cirúrgico tem três

vezes mais probabilidade de se infectar do que se a pelagem for removida

depois da indução anestésica. A remoção da pelagem das áreas ao redor de

feridas abertas requer cuidados especiais para evitar a contaminação da ferida

por pêlos soltos e resíduos. A proteção da ferida com esponjas embebidas em

solução salina ou géis hidrossolúveis é eficaz. Os pêlos removidos são

coletados com vácuo o mais rapidamente possível. O animal inteiro e a

superfície da mesa devem ser limpos com aspirador para garantir que todos os

pêlos e caspas livres sejam removidos. Isso reduz a contaminação do local

cirúrgico e da sala cirúrgica (FOSSUM, 2005).

6

Há consenso em relação a fontes geradoras de partículas capazes de

carrear microorganismos causadores de infecção hospitalar, que são

classificadas em fontes internas: pessoas, os ventiladores, os aparelhos de ar

condicionado, os nebulizadores, umidificadores, vasos de plantas, e certos

tipos de alimentos. Quanto às fontes externas, temos o solo, a água, o material

orgânico em decomposição, a poeira de construção e reformas (MOSCATO,

2000). Observa-se ainda, que muitas destas fontes geradoras estão dentro do

ambiente de centro cirúrgico.

Um indivíduo normal pode eliminar 3.000 a 60.000 microorganismos por

minuto, e o numero de partículas de 0,3 micrometros emitidas por minuto pode

variar entre 100.000 e 5.000.000 (DENEGRIT & DROUILLY, 1981). Estas

partículas funcionam como substrato para a multiplicação microbiana, que

duplicam de número a cada vinte minutos (DANTAS, 1998).

Bactérias, escamas de pele, fibras e outras poeiras contaminam o ar da

sala de operação e através de correntes de ar turbulentas, depositam-se nas

superfícies (DHARAN & PITTET, 2002).

A contaminação do ar ambiente e, consequentemente, dos filtros de

sistema de ar condicionado das salas de operação, devido à dispersão dos

fragmentos de pele do pessoal que trabalha nas salas de operação, ocorre a

partir da exposição da pele e através dos vãos das fibras dos tecidos de que

são feitas as roupas do centro cirúrgico (APECIH, 2001; HAMBRAEUS, 1988).

A rota da contaminação aérea da ferida operatória pode ser sumarizada

da seguinte forma: pessoas se movimentam e conversam por toda sala de

operação; ocorre liberação de partículas (gotículas, aerossóis, fragmentos de

pele e fragmentos de pêlos), que, por sua vez, ficam em suspensão no ar.

Estas se depositam diretamente na ferida operatória (contaminação direta) ou

nas superfícies onde estão o instrumental ou prótese a serem utilizados, bem

como as luvas dos cirurgiões, chegando, assim, indiretamente até a ferida

(GOSDEN et al, 1998; FRIBERG, 1998; DHARAN & PITTET, 2002; OWERS et

al, 2004).

O período de tempo em que os instrumentos ficam expostos na sala

condiciona a deposição em sua superfície de germes que estão em suspensão

no ar (RITTER, 1999).

7

O fator mais importante na infecção é a presença de bactérias nos

tecidos da ferida. O objetivo da cirurgia asséptica é reduzir a contaminação da

ferida a um nível que possa ser controlado pelas defesas do paciente. Estudos

experimentais demonstraram que se desenvolverá infecção se houver mais de

106 bactérias por grama de tecido (AFONSO et al, 2006). A quantidade de

contaminação bacteriana que ocorre durante uma cirurgia depende de muitos

fatores (FOSSUM, 2005). A duração da cirurgia afeta diretamente o número de

bactérias que ganham acesso à ferida. Para cada hora de tempo cirúrgico, o

índice de infecção quase dobra. Este é um dos mais significantes fatores

operatórios que afetam os índices de infecção de ferida cirúrgica. O tipo de

procedimento cirúrgico influencia fortemente a probabilidade de contaminação

bacteriana (AFONSO et al, 2006). Todas as feridas cirúrgicas tornam-se

contaminadas por bactérias, mesmo quando se quando se mantém uma

técnica operatória asséptica rigorosa. A evolução desta contaminação para

uma infecção depende diretamente de diversos fatores: patógenos

microbianos, ambiente local da ferida e mecanismos de defesa do hospedeiro.

Existe um equilíbrio delicado entre estes fatores. Micróbios caracteristicamente

inconseqüentes em um paciente sadio podem causar infecção letal se o

paciente estiver imunologicamente suprimido. Trauma tecidual excessivo

durante e cirurgia pode permitir o estabelecimento de uma infecção apesar de

contaminação bacteriana mínima (FOSSUM, 2005).

8

2.2. MICROORGANISMOS ENVOLVIDOS

2.2.1. STAPHYLOCOCCUS SPP

Pasteur, em 1881, fez experimentos reproduzindo abscessos típicos em

coelhos, injetando-lhes cocos cultivados em caldo, isolados de furunculose e

focos de osteomielite. A partir de então muitas bactérias piogênicas foram

sendo conhecidas, porém, os estafilococos sempre foram os agentes mais

comuns na formação de processos purulentos. Em veterinária foi Lucet quem

fez estudo sistemático das doenças supurativas em eqüinos, concluindo serem

os estafilococos os principais agentes piogênicos; logo após, Schütz chegava à

conclusão similar; Karlinsk continuou esses estudos e assim, antes do advento

do século XX já se reconhecia a ação piogênica dos estafilococos em

processos infecciosos humanos e animais (CORRÊA & CORRÊA, 1992).

Os staphylococcus são células esféricas com 0,5-1,5 micrômetros de

diâmetro, ocorrendo em arranjos individuais em pares, e agrupamentos

irregulares. Gram positivos, não móveis, não esporulados. Anaeróbios

facultativos apresentado na figura 01, Quimiorganotrófico com metabolismo

respiratório e fermentativo. As colônias são geralmente opacas, podendo ser

brancas ou creme e, algumas vezes, de amarelas à laranja. Geralmente

catalase positivo com citocromo presente, mas geralmente oxidase negativa.

Nitrato é geralmente reduzido a nitrito. Suscetível à lise pelo lisoestafina, mas

não lisozima. Geralmente crescem a 10% de NaCl. A temperatura ótima é de

30-37ºC apresentado na figura 02 .Estão associados, principalmente com a

pele e mucosas de vertebrados de sangue quente, mas isolados,

freqüentemente de produtos alimentares, pó e água. Algumas espécies são

patógenos oportunistas dos animais e do homem, onde produzem toxinas

extracelulares. Os estafilococos são organismos perfeitamente esféricos e de

tamanho uniforme (0,8 mm). No pus, apresentam-se sob a forma de massas

agrupadas irregularmente, lembrando a forma de cachos de uva (GOMES,

2007).

9

Figura 01: Staphylococcus sp. Fonte: Kimicontrol, 2008.

Figura 02: Crescimento da bactéria Staphylococcus em meio de cultura. Fonte: Microbekibrary, 2008.

A parede celular consiste em proteínas e polissacarídeo. Uma proteína

(“fator de aglomeração”, “coagulase ligada”) é comumente encontrada no S.

aureus e nos S. intermedius. O fator de aglomeração interage in vitro com

fibrinogênio produzindo uma reação semelhante à aglutinação. Outra proteína

A, produz agregação combinando-se com o fragmento Fc de imunoglobulinas.

O ácido teicóico ligado ao peptidoglicano é o polissacarídeo predominante. A

porção álcool é no S. aureus, o ribitol e no S. epidermidis e no S. intermedius, o

glicerol. Pigmentos carotenóides na membrana celular podem conferir

coloração “áurea” (do latim aureus) às colônias de S. aureus. Este

10

microrganismo às vezes produz cápsula e muitas vezes “pseudocápsula”, uma

estrutura de carboidratos associados frouxamente que se mostrou ser

produzida por cepas que causam mastite em bovinos (HIRSH & ZEE, 1999).

Os microrganismos são sensíveis à desinfetantes comuns. O pus é

protetor e os microrganismos permanecem viáveis no pus desidratado por

semanas. Isto é uma consideração clínica importante. Diferentemente de

muitas outras formas vegetativas bacterianas, alguns estafilococos podem

sobreviver a uma temperatura de 60ºC por 30 minutos (CARTER, 1988).

O Staphylococcus aureus é o agente mais comum de infecções

piogênicas. Estas infecções podem se localizar na pele ou em regiões mais

profundas. Quando na pele, recebem diferentes designações, tais como

foliculite, furunculose, carbúnculo e impetigo, de acordo com a localização e

outras características. A foliculite é a infecção de um folículo piloso, surge em

decorrência de sua obstrução. Quando esta infecção ocorre na região da

barba, de maneira recorrente, recebe a designação sicose de barba. O

furúnculo ou abscesso é a infecção de folículos pilosos ou glândulas sebáceas

obstruídas, com envolvimento do tecido celular subcutâneo. Quando o

furúnculo apresenta vários sítios de drenagem, recebe a designação de

carbúnculo estafilocócico, particularmente quando localizado na nuca ou parte

superior das costas. O hordéolo, ou terçol, é a infecção de uma glândula

sebácea marginal das pálpebras (ALTERTHUM, 2000).

11

2.2.2. PSEUDOMONAS SPP

A pseudomonas spp possui colônias grandes (3-4 mm) chatas, azul-

acinzentadas, com cheiro característico de “grapete” (aminoacetofenona)

apresentada na figura 03. A maioria das cepas produz uma clara região de

hemólise na agar-sangue. Produz um pigmento azulado (piocianina) único e

característico da P. aeruginosa.Variação colonial inclui formas S (macia e

brilhante), forma R (seca e granular) ou forma mucóide(orvalho) que

freqüentemente são atípicas bioquimicamente.P. aeruginosa produz colônias

pálidas e grandes no MacConkey (incapaz de utilizar lactose) comprodução de

pigmento verde-azulado. Colônias vermelhas são vistas no meio de verde

brilhante(reação alcalina) e no XLD agar. Não é produzido H2S no meio XLD.A

pseudomonas é um microrganismo de baixa virulência, estando associado

como causa desinfecção supurativa nos animais domésticos. Muitas infecções

são oportunistas e estão associadas a:ferimentos; terapia microbiana

imunossupressora, administração prolongada de antimicrobianos de amplo

espectro; queimaduras e cirurgia debilitantes (MICROBIOLOGIA CLÍNICA,

2007).

Figura 03: Microscopia eletrônica da Pseudomonas sp Fonte: Fam, 2008.

12

O diagnóstico da infecção causada pela P. aeruginosa é comumente

feito pela cultura do material proveniente do processo infeccioso. O germe não

é exigente, crescendo facilmente e de maneira rápida em meios de cultura. A

identificação é feita pelas suas características bioquímicas e pela produção de

pigmento.Amostras de P. aeruginosa podem ser diferenciadas por meio de

antígeno D ou por métodos moleculares (ALTERTHUM, 2000).

As colônias são irregulares, difusas, translúcidas de 3 a 5 mm de

diâmetro e podem apresentar um reflexo azul-metálico. Beta-hemólise é

geralmente observada ao redor das colônias que crescem em placas de ágar-

sangue. Um odor aromático distinto é geralmente presente, a despeito do meio

utilizado.P. aeruginosa não cresce em condições anaeróbias e assim a falta de

crescimento é um teste confiável para anaerobiose. Bastonetes Gram-

negativos de tamanho médio são observados no esfregaço. Não podem ser

distinguidos morfologicamente das bactérias entéricas. Dois pigmentos são

geralmente produzidos por estas bactérias, ambos solúveis em água:

piocianina (verde-azulado), que é solúvel em clorofórmio e fluoresceína “bacilo

do pus azul” ou pioverdina (verde-amarelado), que não é solúvel em

clorofórmio. Ambos os pigmentos podem ser encontrados nos meios, porém

nem sempre. Ocasionalmente uma cepa irá produzir um pigmento vermelho-

escuro (piorubina) ou um pigmento marrom-escuro (piomelanina). Se a

piocianina é produzida, esta pode ser extraída a partir de uma cultura de

superfície inclinada por uma lavagem com clorofórmio. Todas as cepas são

positivas para a oxidase (CARTER, 1988).

A fluoresceína fluoresce sobre luz ultravioletaporém P. fluorescens, um

contaminante ocasional, também pode produzi-la; estas espécies não se

desenvolvem bem a 37ºC. Outras características da P. aeruginosa são

motilidade por flagelos polares e liquefação da gelatina. É positiva para

oxidase, peptoniza leite tornassolado, utiliza citrato, é indol negativa, o teste

oxidação/fermentação (O/F) é positivo para oxidação. Em geral estes

microrganismos se assemelham às outras bactérias na forma vegetativa exceto

que são mais resistentes a altas diluições dos compostos quaternários de

amônia e compostos fenólicos. O pus é protetor. Sabe-se que sobrevivem em

desinfetantes quaternários de amônia contendo água dura ou fragmentos de

cortiça ou plástico. Com a mistura adequada, P. aeruginosa pode sobreviver

13

por longos períodos de tempo em torneiras, utensílios, instrumentos, pisos,

banheiros, umidificadores e equipamentos de respiração artificial (CARTER,

1988).

Pseudomonas aeruginosa contamina áreas do corpo em que a flora

normal se encontra reduzida. Desequilíbrio da flora normal quase sempre se

deve a utilizarão de agentes antimicrobianos. Por ser resistente à maioria dos

agentes antimicrobianos comumente utilizados, P. aeruginosa substituiria a

flora normal. Caso o local contaminado esteja comprometido, ou seja contíguo

a uma área lesada, há risco de infecção nesse local. Destruição tissular resulta

na liberação de exotoxina(s) e piocianina. Pseudomonas aeruginosa também é

isolada de alguns locais em animais que não possuem história de terapia

antimicrobiana (HIRSH & ZEE, 1999).

14

2.2.3. CORYNEBACTERIUM SPP

Os corines são pequenos bastonetes pleomórficos Gram positivos com

apresentação de bastonetes, cocóides, agrupadas ou filamentosas. Esfregaços

corados evidenciam de tecidos animais freqüentemente revelam grupos de

célula em paralelo (“em paliçada”) ou células forma de angular (“escrita

chinesa”). Muitos possuem grânulos metacromáticos (polifosfato com alta

energia) e melhor observado no Corynebacterium diphteriae. Os corines não

formam esporos, não álcoolácido- resistente (a.a.r.), catalase positivos, oxidase

negativos; geralmente facultativamente anaeróbios e os patógenos animais não

são móveis. Grânulos metacromáticos de polimetafosfatos são comumente

formados dentro das células. Imóveis, não esporulados, não a.a.r.

Facultativamente anaeróbio, requerendo meios ricos compostos de soro ou

sangue. As colônias são convexas e semi-opacas com uma superfície fosca.

Quimiorganotróficos com metabolismo fermentativo, sendo que a maioria das

espécies produz ácido sem gás da glicose e outros carboidratos. Catalase

positivos, freqüentemente reduz o nitrato e o telurito. Raramente acidifica a

lactose ou rafinose ou liqüefaz a gelatina (MICROBIOLOGIA CLÍNICA, 2007).

O Corynebacterium é um anaeróbio facultativo que necessita de meios

enriquecidos e até 40 horas para produzir colônias discerníveis no ágar-

sangue. O crescimento é ótimo a 37ºC, produzindo colônias hemolíticas

translúcidas de até 1 mm de tamanho (HIRSH & ZEE, 1999).

A cultura é conseguida em 24-48 horas em condições anaeróbias e

aeróbias, em todos os meios que contêm proteínas, entre os que se mostraram

especialmente adequados o ágar-sangue e o ágar-soro. C. pyogenes cresce

em ágar-sangue formando colônias pequenas, do tamanho de uma cabeça de

alfinete, branco-acinzentadas ou amarelo-vitrificadas, com uma hemólise beta

muito típica. Ao serem observadas ao microscópio de placas, as colônias

aparecem fundidas no ágar-sangue, devido a fenômenos hemopépticos e delas

sai uma cunha de luz em ângulo agudo, o que ou não é observado com outras

bactérias ou, também, não é observado tão evidentemente. A diferenciação

das corinebácterias é feita de rotina no laboratório com ajuda de preparações

microscópicas e também com métodos de cultura morfológicos e bioquímicos.

As espécies de corinebácterias podem ser diferenciadas também

15

sorologicamente, através da tese de precipitação em gel com antígeno

polissacarídeo de Fuller. Para a classificação bioquímica resultaram úteis as

provas da gelatina e do soro, a decomposição da uréia, a redução dos nitratos

e a ação sobre o leite tornassolado, enquanto a fermentação dos carboidratos

é inconstante e não permite o diagnóstico da espécie (BEER, 1999).

São mais resistentes à ação da luz e da dessecação e ao congelamento,

que a maioria das bactérias não-esporuladas. Em fragmentos gelados das

pseudomembranas sobrevive por 14 semanas. É facilmente inativado a 100ºC

por um minuto ou 10 minutos a 58ºC. É suscetível à maioria dos desinfetantes

comuns (CORRÊA & CORRÊA, 1992).

O bacilo multiplica-se na porta de entrada e produz a exotoxina com

tropismo especial para o miocárdio, sistema nervoso, rins e supra-renais. A

razão desta alta especificidade de tecido ainda é desconhecida. Fixada de

modo estável não pode mais ser neutralizada. O microrganismo provoca na

porta de entrada uma reação inflamatória local, levando à formação da

pseudomembrana, constituída de células bacterianas, células epiteliais,

leucócitos e fibrina. Da faringe pode estender-se à laringe e traquéia,

ocasionando quadro de insuficiência respiratória aguda por obstrução alta. A

gravidade da doença se deve à grande absorção de toxina que se relaciona

com a extensão da pseudomembrana e sua localização em região mais

vascularizada. As células do epitélio das vias aéreas fazem parte da

pseudomembrana e a tentativa de deslocá-la levará em outras localizações

como conjuntiva, ouvido médio, vagina, tecido cutâneo etc (ALTERTHUM,

2000).

O gênero Corynebacterium spp é primariamente parasito obrigatório das

mucosas ou pele de mamíferos, ocasionalmente são encontrados em outras

fontes; alguns são patogênicos para mamíferos, possuindo um grande número

de espécies as quais vivem em uma variedade de habitat, incluindo alguns

importantes patógenos para os animais e para o Homem (MICROBIOLOGIA

CLINICA, 2007).

16

2.2.4. BACILLUS SPP

As células têm a forma de bastonetes retos com 0,5-2,5 X 1,2-10 mm;

arranjadas aos pares ou cadeias com extremidades arredondadas ou em

ângulo reto apresentada na figura 04 São Gram positivos, sendo móveis por

meio de flagelos peritríquios. Endósporo oval ou, algumas vezes, redondos ou

cilíndricos, sendo muito resistentes às condições adversas. Não há mais de um

esporo por célula e a esporulação não é reprimida pela exposição ao ar. São

aeróbios ou facultativamente anaeróbios. Possuem grande adversidade quanto

às condições fisiológicas (temperatura, pH e salinidade). Quimiorganotróficos

com metabolismo respiratório e fermentativo. Geralmente são catalase

positivos. Encontrados em um grande número de habitat; poucas espécies são

patogênicas para vertebrados ou invertebrados (MICROBIOLOGIA CLÍNICA,

2007).

Figura 04: Bacillus sp

Fonte: Kimicontrol, 2008.

A cápsula codificada por plasmídeos (pXO1) consiste em polipeptídio D-

glutamil. A parede celular é constituída em sua maioria por polissacarídeos

(HIRSH & ZEE, 1999).

O microrganismo é transmitido por ingestão, inalação, feridas,

arranhaduras e através da pele. O microrganismo se desenvolve bem em todos

os meios de laboratório. Cobaias e camundongos são inoculados com

suspensões e sangue e geralmente morrem dentro de 24 horas; grandes

bastonetes capsulados podem ser demonstrados em esfregaços de baço e

17

sangue.As colônias aparecem em 24 horas. Elas parecem rugosas, achatadas,

cinza e geralmente não são hemolíticas. Algumas são denominadas cabeça-

de-medusa ou colônias do tipo “cabeleira de juiz”; a extremidade flutuante da

colônia se assemelha a uma massa emaranhada de cabelo crespo. São

colônias rugosas, lisas e mucosas; a variedade rugosa é a mais virulenta.Os

endósporos de B. anthracis são consideravelmente mais resistentes a

influências físicas e desinfetantes químicos do que as células vegetativas.

Podem sobreviver pelo menos 22 anos em culturas desidratadas; permanecem

viáveis no solo por muitos anos; temperaturas congelantes possuem pouco ou

nenhum efeito sobre eles. Entretanto, são destruídos por fervura em 10

minutos e por exposição ao calor seco 140ºC por 3 horas. Quando utilizados, a

maioria dos desinfetantes químicos podem ser empregados em altas

concentrações por longos períodos de tempo. Os esporos são destruídos por

desinfetantes em 8 horas, por fenol a 5% em 2 dias; por formalina de 10 a 20%

em 10 minutos; e na autoclave a 121°C por 15 minutos. Cloreto de mercúrio

1:1000 adicionado a esfregaços fixados por calor mata em 5 minutos

(CARTER, 1988).

18

2.2.5. PROTEUS SPP

As bactérias do gênero Proteus são bacilos Gram-negativos

pertencentes à família Enterobacteriaceae (figura 05). Estas bactérias causam

infecções oportunistas, principalmente, em imunodeprimidos e é considerada

uma das bactérias mais importantes entre as uropatogênicas (UNICAMP,

2008).

Figura 05: Crescimento da bactéria proteus em meio de cultura Fonte: Medicalhe, 2008.

Na nova classificação destas enterobactérias, o gênero Proteus passou

a incluir somente Proteus mirabilis e Proteus vulgaris. O Proteus morganii foi

transformado no gênero Morganella e o Proteus rettgeri passou a integrar o

gênero Providencia. As espécies dos três gêneros são encontradas

regularmente nos intestinos do homem, sendo mais freqüentes Proteus

mirabilis e Morganella morganii. As infecções causadas por estas bactérias

ocorrem principalmente no trato urinário, devendo ser notado que, enquanto o

Proteus mirabilis ocorre em infecções adquiridas na comunidade, os outros

estão quase sempre associados à infecção hospitalar. Como Proteus mirabilis,

Proteus vulgaris, Morganella morgani e Providencia rettgeri hidrolisam a ureia

formando amônia, a urina de pacientes cronicamente infectados por estas

bacterias pode se tornar muito alcalina, o que favorece a formação de cálculos,

devido à diminuição da solubilidade do cálcio. A divisão das antigas espécies

de Proteus em indol + e indol -, tem uma conveniência de ordem terapêutica,

uma vez que apenas proteus mirabilis (indol -) é geralmente sensível a

19

ampicilina. Entretanto deve ser lembrado que na classificação atual, os proteus

denominados indol + incluem não apenas proteus vulgaris, como tambem

morganella morganii e providencia rettgeri. E importante salientar que uma

característica comum ás bactérias do gênero proteus, Morganella e Providência

é a resistência natural as polimixinas, um grupo de antibioticos bastante ativo

contra as demais enterobactérias e outros germes gram – negativos

(ALTERTHUM, 2000).

20

2.2.6. E.COLI spp

A E. coli foi descrita pela primeira vez, em 1885, por Theobald

Escherich, que encontrou esta bactéria nas defecções de crianças lactentes,

denominando-a Bacterium coli commune. No princípio não foi possível a

diferenciação entre as estirpes patogênicas e apatogênicas. A divisão em

diversos tipos, sobre a base de suas propriedades bioquímicas, resultou

insuficiente. Tampouco foram satisfatórias as tentativas de classificação

baseadas na sorologia, até que Kauffmann, em 1943, descobriu um antígeno

termolábil superficial, ao qual deu o nome de antígeno L, que inibe a

aglutinação-O nas culturas não aquecidas. Uma vez descritos os antígenos A e

B que, junto com o L, Foram agrupados sob o nome de antígeno K, Kauffmann,

Knipschildt e Vahlne estabeleceram o esquema antigênico do grupo E. coli

mais importantes na prática. Apesar de, nos últimos anos, terem sido

conseguidos notáveis avanços no conhecimento da etiologia e da patogenia

das infecções por E. coli, sobretudo no suíno, ainda restam sem esclarecer

suficiente alguns pontos fundamentais (BEER, 1999).

São classificados como bastonetes retos, Gram negativos, não

formadores de esporos, 2.0 – 6.0 m, x 1.1 – 1.5 m, possuem motilidade através

de flagelos ou são imóveis, apresentado nas figuras 6 e 7. São anaeróbios

facultativos e utilizam D-glicose e outros carboidratos com a formação de ácido

e gás. São oxidase negativa, catalase positiva, vermelho de metil positivo,

Voges-Proskauer negativo e geralmente citrato negativo. São negativos para

H²S, hidrólise de uréia e lípase (FELIX, 2008).

21

Figura 06: Escherichia coli

Fonte: Kimicontrol, 2008.

Figura 07: Microscopia eletrônica da E.coli

Fonte: fam, 2008.

A E. coli cresce em meios comuns; a temperatura ideal para crescimento

é de 37ºC. As cepas de E. coli fermentadoras de lactose aparecem como

colônias rosa brilhantes em ágar-MacConkey. No ágar-sangue de ovino 5%, as

colônias são opacas, brilhantes, cor de creme e atingem 2 a 4 mm de diâmetro

após incubação de 24 horas. As estruturas de superfície da E. coli são

expressadas da seguinte forma de acordo com os antígenos: O (somático), K

(capsular), H (flagelar), F (fimbrial). Antígenos que são reconhecidos,170 O, 80

K, 56 H. Cada sorotipo é designado por números dos antígenos que

representa, por exemplo O139:K82:H2. O antígeno (O) somático é determinado

por carbohidratos na cadeia da molécula de lipopolisacarídeos. O antígeno (K)

capsular, são polisacarídeos. O antígeno (H) flagelar são proteináceos e são

encontrados no flagelo. A mobilidade da E. coli está relacionada com a

22

presença do flagelo na cepa bacteriana. Existe um número de antígenos das

fimbrias (F) com a possibilidade de subtipos dentro de um só antígeno

(MICROBIOLOGIA CLÍNICA, 2007).

As enterobactérias são distribuídas por todo o mundo. Existem espécies

potencialmente patogênicas e não patogênicas. Muitas das enterobactéricas

fazem parte da microbiota normal do trato intestinal. Algumas espécies são de

vida livre, ocorrendo no solo e na água (CARTER, 1988).

Entre as três formas de colibacilose com agentes causais de tipos

diferentes, existem diferenças fundamentais. Nas infecções colibacilares

entéricas, cuja sintomatologia clínica pode ser muito variada, os tipos

enteropatogênicos de E. coli em certas condições proliferam intensamente no

intestino. O número de agentes presentes nas porções inicial e média do

intestino delgado, onde costuma existir quantidades pequenas, pode ser

multiplicada por dezenas de milhares. Os colis permanecem, geralmente, no

trato intestinal sem provocar septicemia. Ainda não se sabe a razão pela qual é

possível tão intensa multiplicação dessas bactérias no intestino delgado e, com

isso, opor-se ao arraste provocado pelo trânsito constante do conteúdo

intestinal e da secreção das glândulas. A maioria das estirpes

enteropatogênicas produz enterotoxinas no intestino, que provocam

localmente, de modo desconhecidos, um amplo extravasamento de líquidos até

o lúmen e, como conseqüência, intensa diarréia e desidratação. A capacidade

de formação dessas enterotoxinas pode ser demonstrada mediante a injeção

de culturas de estirpes enteropatogênicas de E. coli ou de filtrados isentos de

bactérias num ramo do intestino delgado ligado e perfundido da espécie animal

para a qual é patogênica a estirpe bacteriana problema. Às 24 horas o

fragmento de intestino aparece fortemente dilatado pela presença de líquidos

no seu interior. A propriedade de produzir enterotoxina está determinada pela

presença de um episoma ou plasmídio, elemento genético situado fora do

cromossomo bacteriano e pode ser transmitido de uma estirpe de E. coli a

outra por conjugação (BEER, 1999).

O tratamento do animal que se apresenta com diarréia decorrente de

uma causa infecciosa baseia-se na correção dos desequilíbrios hídrico e

eletrolíticos. Se o animal se encontrar em choque por colapso cardiovascular,

então líquidos e eletrólitos (bicarbonato de sódio, KCI) devem ser ministrados

23

IV; se não, soluções eletrolíticas orais podem ser administradas. Como os

animais estão em acidose, deve-se incluir bicarbonato de sódio. A adição de

glicose na solução oral aumenta a absorção de íons sódio que são excretados

(HIRSH & ZEE, 1999).

24

2.3. ANTI-SÉPTICOS UTILIZADOS

2.3.1. PEROXIDO DE HIDROGÊNIO

O peróxido de hidrogênio é um dos oxidantes mais versáteis que existe,

superior ao cloro, dióxido de cloro e permanganato de potássio; através de

catálise, H2O2 pode ser convertido em radical hidroxila (•OH) com reatividade

inferior apenas ao flúor. Apesar do poder de reação, peróxido de hidrogênio é

um metabólito natural em muitos organismos o qual, quando decomposto,

resulta em oxigênio molecular e água. É formado pela ação da luz solar na

água (foto-reação) em presença de substâncias húmicas (material orgânico

dissolvido).A primeira comercialização de H2O2 data de 1800, e sua produção

mundial aumenta a cada ano. Acredita-se que o peróxido de hidrogênio, na

forma isolada ou combinada (principalmente) seja um dos reagentes mais

empregados nas mais diversas aplicações (MATTOS et al, 2003).

0 composto é bactericida, esporicida, fungicida, eliminando também os

vírus. Agem produzindo radicais hidroxila livres que atacam a membrana

lipídica, o ácido desoxirribonucléico e outros componentes essenciais à vida da

célula. É usado como desinfetante em concentração de 3%, para superfícies

não orgânicas. Não é usado como esterilizador, por ter atividade inferior à do

glutaraldeído (KALIL & COSTA, 1994)

Entre as aplicações envolvidas com o uso do peróxido de hidrogênio na

forma isolada, tem-se controle de odores75 - oxidação de sulfeto de hidrogênio;

controle da corrosão15,75 - destruição de cloro residual e componentes

reduzidos, tais como tiossulfato, sulfetos e sulfitos; redução da demanda

química e bioquímica de oxigênio15,76,77 - oxidação de poluentes

orgânicos78; oxidação de componentes inorgânicos79,80 - cianetos, NOx/SOx,

nitritos, hidrazinas, etc.; oxidação de componentes orgânicos81 - hidrólise de

formaldeído, carboidratos, componentes nitrogenados etc., destruição de

fenóis, pesticidas, solventes, plastificantes, entre outros; controle de

bioprocessos82 - desinfecção, inibição de crescimento de bactérias etc

(MATTOS et al, 2003).

25

A solução de peróxido de hidrogênio a 3% libera oxigênio quando em

contato com a catalase presente nas superfícies de ferimentos e membranas

mucosas. A sua ação efeverscente ajuda a remover mecanicamente o pus e

resíduos celulares dos ferimentos e é valiosa para limpeza e desodorização de

tecido infectado. A sua ação antimicrobiana possui curta duração e é limitada á

camada superficial da superfície aplicada, pois não ocorre nenhuma

penetração tecidual (MANUAL MERCK, 2001).

Peróxido de hidrogênio ou água oxigenada é um agente oxidante e a

uma concentração de 3 a 6% tem poder desinfetante e esterilizante, porém

pode ser usado na pele em feridas (HOSPVIRT, 2008).

Em relação aos cuidados no uso do peróxido de hidrogênio: o artigo a

ser esterilizado necessita de limpeza prévia; o produto é corrosivo, portanto

necessita de cuidados no manuseio; a solução deve ser utilizada logo após sua

preparação e armazenada protegendo-a da luz; não deve ser usada em artigos

de cobre, zinco, alumínio e bronze (HOSPVIRT, 2008).

26

2.3.2. PERMANGANATO DE POTÁSSIO

Foi descoberto em 1659 pelo químico alemão Glauber , quando fundiu

uma mistura do mineral pirolusita com carbonato de potássio apresentado na

figura 08 Obteve um material que disolvido em água formou uma solução verde

de manganato de potássio que, lentamente, mudou para a cor violeta devido a

formação do permanganato de potássio apresentado na figura 09 (WIKIPEDIA,

2008).

Figura 08: Permanganato de potássio sólido

Fonte: Wikipedia, 2008.

Figura 09: Solução aquosa de permaganato de potássio

Fonte: Wikipedia, 2008.

27

O permanganato de potássio é formado como cristais escuros. Ele se

dissolve em água resultando em soluções roxo- escuras, que tingem os tecidos

vivos e roupas de marrom. A solução a 1:10.000 mata muitos microorganismos

em 1h. As concentrações mais altas tendem a irritar os tecidos. As soluções

velhas assumem coloração marrom- chocolate e perdem sua atividade

(MANUAL MERCK, 2001).

Pode ser usado como reagente na síntese de muitos compostos

químicos. Em química analítica, uma solução de aquosa padrão é usada com

freqüência como titulante oxidante em titulações redox devido a sua intensa

coloração violeta. O permanganato se reduz em cátion , Mn+2, incolor, em

soluções ácidas. Em soluções neutras, o permanganato se reduz a MnO2, um

precipitado marrom na qual o manganês tem um estado de oxidação +4. Em

soluções alcalinas, se reduz a um estado de oxidação +6, formando o K2MnO4.

Se utiliza como reactivo para determinar o número Kappa da polpa de celulose

O KMnO4 sólido é um oxidante muito forte que, misturado com a glicerina pura

provocará uma reação fortemente exotérmica. Reações deste tipo ocorrem ao

misturar KMnO4 sólido com muitos materiais orgânicos. Suas soluções

aquosas são menos perigosas, principalmente quando diluídas. Misturando

KMnO4 sólido com ácido sulfúrico concentrado forma Mn2O7 que provoca uma

explosão. A mistura do permanganato sólido com ácido clorídrico concentrado

produz o perigoso gás cloro. O permanganato mancha a pele e a roupa ( ao

reduzir-se para MnO2) , sendo necessário, portanto, manuseá-lo com cuidado.

As manchas na roupa podem ser retiradas lavando com ácido acético. As

manchas na pele desaparecem nas primeiras 24 horas. A ingestão de 10 a 20

gramas geralmente é fatal (WIKIPEDIA, 2008).

28

2.3.3. GLUCONATO DE CLOREXIDINA

A clorexidina foi descoberta no final de 1940 e pela sua eficiente ação

antimicrobiana passou a ser usada na anti-sepsia da pele (HAUGEN &

JOHANSEN, 1974).

A clorexidina é um composto constituído de dois anéis fenólicos

clorados e dois grupos biguanidas interligados, simetricamente, por uma cadeia

hexametilênica. Do ponto de vista farmacológico, a clorexidina é um

antisséptico com extraordinária propriedade bactericida (ARAÚJO et al, 2001).

.Sua ação, praticamente, imediata (cerca de 15 segundos após fricção),

apresenta baixo potencial de toxicidade, atividade antimicrobiana in vitro contra

bactérias gram- positivas, gramnegativas e fungos, bem como baixa

irritabilidade, sendo seguro para uso inclusive em crianças recémnascidas

(CERQUEIRA, 1997).

FOWLER & SCHUH (1992) demonstram a eficácia do gluconato de

clorexidina em estudos in vitro e in vivo em humanos e animais. SANCHEZ et

al.(1988) relatou que bactérias, como Staphylococcus aureus, são sensíveis a

esse anti-séptico. No entanto, outras bactéiras como Proteus mirabilis, Serratia

marcescens, Serratia rubidae e Pseudomonas cepacia podem desenvolver

resistência ao gluconato de clorhexidina.

A grande afinidade da clorexidina por bactérias é justificada por uma

interação entre a carga positiva da molécula do medicamento e a carga

negativa de alguns grupos bacterianos (HOGU e LONGWORTH, 1964). A

clorexidina pode interferir no metabolismo das bactérias por vários

mecanismos: inibir a produção de ácido, inibir a proteólise, interferir na

membrana, incluindo a síntese de adenosina trifosfato (ATP) nos

“Streptococcos” (EMILSON, 1981).

A clorexidina tem duas formas principais de ação. Quando em baixas

concentrações, seu efeito é bacteriostático. Sua carga positiva se liga à carga

negativa da parede da célula bacteriana, alterando o equilíbrio osmótico e

fazendo com que haja perda de substâncias intracelulares de baixo peso

molecular. Em altas concentrações, ela é bactericida e faz com que o

citoplasma da célula se precipite, o que resulta em morte celular. A clorexidina,

mesmo em baixas concentrações também age inibindo o sistema

29

fosfoenolpiruvatofosfotransferase, responsável pelo transporte de açúcar pelas

bactérias, e ainda se ligando às bactérias, e glicoproteínas salivares para

interferir na adesão da bactéria ao dente (COSTA et al., 1999).

Com o objetivo de verificar a eficácia de soluções aquosas de

clorexidina foi realizado um trabalho na desinfecção de superfícies em

concentrações de 0,5%, 1%, 2%, 3% e 4%, comparando a do álcool 70% gel e

líquido, bem como verificar sua viabilidade econômica. Cepas de Streptococcus

mutans, Staphylococcus aureus, Pseudomonas aeruginosa, Candida albicans e

Klebsiella pneumoniae foram utilizadas para a contaminação de superfícies de

couro, fórmica e aço inoxidável e então realizada a desinfecção utilizando a

técnica “spray wipe spray” com cada solução. Após cada desinfecção foram

feitas coletas utilizando placas de superfície (RODAC) contendo ágar BHI,

incubadas e as ufc/placa contadas. Soluções aquosas de clorexidina a partir de

1%, foram eficazes na desinfecção de todas as superfícies para todos os

microrganismos testados, seguidas pela solução aquosa de clorexidina 0,5%,

álcool etílico 70% gel e líquido. Soluções aquosas de clorexidina a partir da

concentração de 1% demonstraram maior eficácia na desinfecção de

superfícies quando comparadas com solução aquosa de clorexidina 0,5%,

álcool 70% gel e líquido; Dentre as substâncias testadas, a solução aquosa de

clorexidina 1% foi a substância química que apresentou a melhor relação entre

custo e eficácia para desinfecção de superfícies, sendo efetiva para todas as

superfícies e todos os microrganismos testados (BAMBACE, 2003).

Para casos de alergia ao iodo, pode-se fazer a degermação prévia com

solução detergente de clorhexidina a 4%. As formulações para uso satisfatório

são: solução de gluconato de clorhexidina a 0,5 %, em álcool a 70% e solução

detergente não iônica de clorhexidina a 4 %, contendo 4 % de álcool

isopropílico ou álcool etílico para evitar a contaminação com Proteus e

Pseudomonas. Soluções aquosas de clorhexidina em concentrações inferiores

a 4 % de álcool, com ou sem cetrimida, são mais facilmente contamináveis

(MINISTÉRIO DA SAÚDE, 1989).

30

2.3.4. GLUTARALDEIDO

O Glutaraldeido é um aldeído relativamente novo, sendo menos tóxico

que o formol. O glutaraldeido tem largo espectro de ação, e é ativo na presença

de matéria orgânica. É biodegradável, e seus resíduos contaminam alimentos.

É usado na desinfecção de instrumento cirúrgico, na instalação dos animais,

equipamentos e salas de incubação (DOMINGUES, 2008).

São formulados para exibir máxima atividade em diferentes pHs. São

efetivos contra todos os microorganimos, incluindo o M. tuberculosis. Sua baixa

tensão superficial permite que penetre em sangue e exsudatos e alcancem a

superfície do instrumento com maior facilidade que os demais desinfetantes

(CARMO, 2008).

O Tempo de exposição e de aproximadamente 45 minutos .E indicado

em desinfecção de alto nível. Apresenta atividade germicida em presença de

matéria orgânica, entretanto material em glutaraldeído, sem limpeza, prévia

apresenta impregnação de sangue e secreções, pela formação de precipitados,

dificultando a limpeza de maneira especial. O produto deve ser manipulado em

local arejado e com uso de EPI. Materiais demasiadamente porosos como os

de látex podem reter o glutaraldeído, caso não haja bom enxágüe (SAUDE.RJ,

2008).

O glutaraldeído tem sido muito utilizado para desinfecção de alguns

equipamentos como endoscópios, conexões de respiradores, equipamentos de

terapia respiratória, dialisadores, tubos de espirometria e outros; para este fim

o tempo de exposição é de 30 minutos. Ele não é utilizado como desinfetante

de superfície por seu custo ser elevado e por ser muito tóxico. O material a ser

esterilizado deve ser muito bem lavado e seco, se estiver infectado realizar

desinfecção prévia. Feito isso o material pode então ser colocado na solução

de glutaraldeído tomando-se os seguintes cuidados: imergir totalmente o

material na solução, evitar a formação de bolhas, o recipiente no qual os

materiais serão imersos deve estar esterilizado e deve ser preferencialmente

de vidro ou plástico; tampar o recipiente, e marcar o início da esterilização;

manusear os materiais com uso de luvas ou pinças e máscara, se possível;

enxaguar por três vezes os materiais após a esterilização, utilizando água ou

31

soro fisiológico estéreis, tomando cuidado para se evitar contaminação dos

materiais; o material deve ser utilizado imediatamente.O tempo de esterilização

é preconizado pelo fabricante e varia de 8 a 10 horas. A utilização do

glutaraldeído apresenta as seguintes vantagens: pode ser utilizado na

descontaminação de artigos infectados antes da esterilização, pois age na

presença de matéria orgânica; não altera materiais como plástico e borracha,

nem dissolve o cimento de lentes de instrumentos ópticos e não interfere na

condutividade elétrica de equipamentos de anestesia gasosa, pois possui em

sua formulação antioxidantes; não é contaminado por microrganismos; não

descolore os materiais; à temperatura ambiente mantém sua estabilidade; por

ser menos volátil que o formaldeído, libera menos vapores irritantes e odor

forte; não é irritante para pele e mucosas, mas pode provocar dermatite de

contato (ROMANO & QUELHAS, 2008).

O limite máximo de glutaraldeído no ar é de 0,2 ppm, podendo então

causar irritação nos olhos, garganta e nariz. Uma ventilação adequada,

fechamento hermético dos recipientes onde se realizam as esterilizações

podem minizar esses efeitos. Após a esterilização o enxague cuidadoso é

muito importante para se evitar reações nos pacientes decorrentes de resíduos

de glutaraldeído (ROMANO & QUELHAS, 2008).

32

2.3.5. FORMALDEIDO

O formaldeído é o mais abundante e importante aldeído no ambiente,

caracterizando-se por ser um gás incolor com um forte odor irritante, muito

solúvel em água, produzindo um hidrato e possuindo alta reatividade química

(NACIONAL..., 1981).

A importância ambiental do formaldeído e derivados está muito bem

estabelecida e aceita pela comunidade científica; portanto, o interesse por seu

estudo vem aumentando a cada dia devido a sua presença nas fases, sólida,

líquida e gasosa, sua alta reatividade – que resulta na formação de poluentes

secundários – e seus efeitos tóxicos à saúde humana. Esses efeitos podem ser

de três tipos: irritação, sensibilidade imunológica imediata e mutagênese ou

carcinose. A irritação aguda da mucosa e trato respiratório tem sido bem

documentada em estudos experimentais e epidemiológicos, assim como a

sensibilidade alérgica na pele (NACIONAL..., 1981).

É usado como desinfetante ou esterilizante nas formas gasosa ou

líquida. É comumente encontrado como formalina, sendo esta sua diluição

aquosa a 37%. A formalina é bactericida potente, fungicida, agindo também

contra vírus, bacilos da tuberculose e esporos bacterianos. Tem seu uso

limitado por se tratar de composto cancerígeno. Age alcalinizando

determinados grupos das proteínas e das purinas (KALIL. & COSTA, 1994).

O formol é tóxico quando ingerido, inalado ou quando entra em contato

com a pele, por via intravenosa, intraperitoneal ou subcutânea. Em

concentrações de 20 ppm (partes por milhão) no ar causa rapidamente irritação

nos olhos. Sob a forma de gás é mais perigoso do que em estado de vapor. O

formol é um composto químico com enorme capacidade de redução,

especialmente na presença de álcalis. É incompatível com amônia, álcalis,

tanino, bissulfetos, preparações à base de ferro, prata, potássio e iodo. Reage

com albumina, caseína, Agar-agar formando compostos insolúveis. É

violentamente reativo com óxidos, nitrometano, carbonato de manganês e

peróxidos (INCA, 2008).

É utilizado para esterilização de artigos críticos: cateteres, drenos e

tubos de borracha, náilon, teflon, PVC e poliestireno - em ambas as

formulações; laparoscópios, artroscópios e ventriloscópios, enxertos de acrílico

33

- apenas na formulação aquosa.O uso do formaldeído tem como desvantagens:

perde atividade com a presença de matéria orgânica; odor forte e irritante;a

formulação alcoólica corroi metais, danifica lentes, instrumentos ópticos, artigos

plásticos e de borracha; deixa resíduos tóxicos em equipamentos;possui alta

toxicidade. No ar sua concentração máxima permitida é de 1ppm por 30

minutos, podendo após esse limite provocar irritação de mucosas, dermatite,

asma, bronquite e pneumonite; é considerado carcinogênico pelo National

Institute of Occupational Safety Health (NIOSH). Em relação ao uso:

Primeiramente o artigo deve ser lavado cuidadosamente e depois seco para

evitar que não altere a concentração do produto esterilizante; o material pode

então ser imerso na solução, o recipiente que contém a solução deve ser

tampado; marcar a hora de início do processo; o recipiente deve permanecer

fechado durante todo o processo - 30 minutos para desinfecção e 18 horas

para esterilização; para manusear os materiais, usar luvas ou pinças, se

possível utilizar máscara; enxaguar abundantemente os artigos com água ou

soro fisiológico estéril ou álcool, tomar cuidado para evitar contaminação do

material; durante o manuseio do produto, ter cuidado para evitar ingestão

acidental do mesmo (ROMANO & QUELHAS, 2008).

34

2.3.6. ÁLCOOL

Com todas as limitações da época, diversos cientistas contribuíram para

o conhecimento das características germicidas do álcool, suas aplicações e

restrições. Os experimentos de Buchholtz, em 1875, marcaram o início das

investigações científicas sobre a capacidade de álcool em eliminar

microrganismos. Os estudos de Koch e Koch, em 1888, evidenciaram sua

ineficácia em eliminar esporos do Bacillus anthracis, mostrando que seu efeito

microbicida era limitado às formas vegetativas (não esporuladas) de bactérias

(BUCHHOLTZ.L, 1875; KOCH.HÁ & KOCH.Y, 1969). Pesquisas conclusivas

sobre sua atividade contra vírus, micobactérias e fungos só foram realizadas no

Século XX (SANTOS et al, 2008).

Do ponto de vista da constituição química, os álcoois são constituídos

por um grupo hidroxila, –OH, ligado a um radical alquila, podendo ser

preparados a partir de alquenos, halogenetos de alquila, cetonas, ésteres,

aldeídos, entre outros compostos. Sua denominação é compatível a sua

estrutura, a saber, álcool etílico e o isopropílico (2- propanol), ambos com

reconhecida aplicabilidade na área da saúde (UCKO DA, 1992).

Os álcool etílico e isopropílico, em solução aquosa a 70%, são

germicidas, têm um tempo de ação imediato e praticamente nenhuma ação

residual. Na redução da tensão superficial da célula bacteriana, a solução

aquosa de álcool é mais efetiva do que o álcool absoluto. O álcool etílico é

bactericida (destrói formas vegetativas), fungicida e virucida para alguns vírus,

razão pela qual é usado na composição de outros antisépticos. A ação

bactericida dos álcoois primários está relacionada com o seu peso molecular, e

pode ser aumentada através da lavagem prévia das mãos com água e sabão

(MINISTÉRIO DA SAÚDE, 1989).

A adoção de medidas básicas de prevenção pode reduzir a incidência e

a gravidade destas infecções. Ações simples, como a higienização das mãos e

o controle de fontes ambientais, apresentam baixo custo e grande sucesso na

prevenção da transmissão de infecções e na interrupção de surtos em

estabelecimentos de saúde (SANTOS, 2002).

A implementação destas medidas, o álcool etílico e o isopropílico

desempenham papel fundamental, como anti-sépticos e desinfetantes, devido

35

ao seu custo reduzido, baixa toxicidade e facilidade de aquisição e aplicação

(SANTOS et al, 2008).

A desinfecção de ambientes e a anti-sepsia das mãos com o álcool,

sem necessidade de aplicação prévia de água e sabão, vêm sendo adotadas

na Europa há vários anos, ganhando importância cada vez maior,

principalmente por estimular a adesão dos profissionais a estas práticas. Os

Estados Unidos, apesar de não possuírem tradição na utilização do álcool para

estes fins, vêm se rendendo aos estudos que comprovam a eficácia desta

substância como alternativa à lavagem das mãos. No Brasil, o álcool é

amplamente utilizado como desinfetante, mas a idéia de substituir a lavagem

das mãos pela anti-sepsia com álcool, ainda é pouco aceita (SANTOS et al,

2008).

Um ponto em ambos, porém, e a ineficácia em eliminar esporos

bacterianos, tendo sido reportados casos de infecções fatais por Clostridium

sp. causadas pelo uso de instrumentos cirúrgicos esterilizados apenas com

álcool. O exato mecanismo que envolve a inativação de microrganismos não foi

determinado, porém há a sugestão de que o efeito denaturante das soluções

alcoólicas possa interferir no funcionamento do metabolismo dos

microrganismos (CEFAR, 2007).

Não se prestam à esterilização, por não apresentarem atividade contra

esporos bacterianos. Os álcoois não devem ser usados em materiais

constituídos de borracha e certos tipos de plásticos, podendo danificá-los.

Evaporam rapidamente, dificultando exposição prolongada, a não ser por

imersão do material a ser desinfetado (KALIL & COSTA, 1994).

Quando comparada à lavagem simples com água e sabão, a aplicação

de soluções alcoólicas para higienização das mãos oferece vantagens como:

rapidez de aplicação; maior efeito microbicida; é menos irritante para a pele,

quando associado a emolientes; maior aceitabilidade pelos profissionais.

Aplicações de álcool durante 15 segundos são eficazes na prevenção de

transmissão de bactérias gram negativas encontradas nas mãos dos

profissionais de saúde (EHRENKRANZ, 1991) e o seu modo de aplicação

simples reduz o tempo de higienização das mãos em até quatro vezes

(ROTTER, 2001; GOPAL, 2002).

36

Foi comparada a eficácia do álcool gel com a dos tradicionais agentes

degermantes preconizados para a lavagem das mãos na remoção de amostras

clínicas de Acinetobacter baumannii, Staphylococcus aureus resistente a

meticilina, Escherichia coli, Enterococcus faecalis, Pseudomonas aeruginosa e

Candida albicans das mãos artificialmente contaminadas. As pontas dos dedos

dos voluntários (n=6) foram contaminadas com aproximadamente 106 de

células/microrganismo teste. A seguir, as mãos foram lavadas com sabonete

líquido não medicamentoso, álcool gel, álcool etílico 70% (concentração por

peso) e soluções anti-sépticas detergentes de polivinilpirrolidona-iodo a 10%

(PVP-I) e de gluconato de clorhexidina 4%. Os experimentos foram realizados

segundo um quadrado latino com seis blocos aleatorizados 6 x 5. Os

resultados foram estimados por ANOVA. Os produtos reduziram de 93,83%

(sabão líquido) a 100% (PVP-I 10%) a população microbiana aplicada nas

mãos. Em 4 dos 6 microrganismos testes analisados, o PVP-I 10%, o álcool

gel, o álcool etílico 70% e a clorhexidina 4% mostraram uma taxa de remoção

significantemente superior a do sabão líquido (P < 0,05). Os resultados

confirmam a eficácia do álcool gel na higienização das mãos e sugerem que o

PVP-I 10%, o álcool gel, o álcool etílico 70% e a clorhexidina 4% podem ser os

agentes mais eficazes do que o sabão líquido não medicamentoso na remoção

de Acinetobacter baumannii, Escherichia coli, Enterococcus faecalis e Candida

albicans das mãos altamente contaminadas (HERNANDES, 2004).

Mesmo sem possuir ação contra formas esporuladas, em

concentrações apropriadas, o álcool é um anti-séptico de baixo custo,

extremamente rápido e eficaz na redução do número de microrganismos

encontrados na pele (ALTAMEIER, 1991). O álcool está entre os anti-sépticos

mais seguros, não só por possuir baixíssima toxicidade, mas também pelo seu

efeito microbicida rápido e fácil aplicação (YOSEF et al, 2000). Desta forma,

provê rápida anti-sepsia em procedimentos como venopunções e é excepcional

para higienização das mãos (SANTOS, 2002).

37

2.3.7. HIPOCLORITO DE SÓDIO

Foi utilizado inicialmente, como alvejante na indústria têxtil. Teve suas

propriedades desinfetantes demonstradas sob condições laboratoriais, pelo

bacteriologista alemão Kock, em 1881. Em 1886, a American Public Health

Association aprovou o uso dos hipocloritos como desinfetantes. Em 1908, foi

introduzido o uso do cloro, na purificação da água consumida pela população

dos Estados Unidos (DOMINGUES, 2008).

O cloro exerce efeito germicida contra a maioria das bactérias, vírus,

protozoários e fungos pela formação de ácido hipocloroso (HOCL) em água

com ph ácido a neutro. Ele é eficaz contra a maioria dos microorganismos em

concentração de 0,1 ppm, mas exigem-se concentrações muito mais altas na

presença de material orgânico. O ph alcalino ioniza o cloro e diminui sua

atividade pela redução na sua penetrabilidade. O cloro possui odor ácido forte

e é irritante para a pele e membranas mucosas. Ele é usado em larga escala

para desinfetar suprimentos de água e objetos inanimados (por exemplo:

utensílios, garrafas e encanamentos). Os cloretos inorgânicos incluem soluções

de hipoclorito de sódio (NaOCL) (Alvejante). A solução de NaOCL a 5% se

decompõe em exposição a luz. Pode-se utilizar solução de NaOCL a 2 a 5%

como desinfetante, e pode-se utilizar uma forma mais diluída (a 5%) para

lavagem de ferimentos supurantes, mas ela dissolve os coágulos sanguíneos e

retarda a coagulação. O hipoclorito de sódio é utilizado como desinfetante

(MANUAL MERCK, 2001).

Na presença de restos necróticos e sangue, a sua atividade bactericida

diminui, indicando-se portanto, a limpeza prévia dos objetos. São corrosivos a

alguns metais e o contato não deve exceder 30 minutos, devendo se proceder

o enxágüe e a secagem (CARMO, 2008).

O produto comercial é uma solução aquosa alcalina, que contém cerca

de 10% a 13% de cloro ativo; sua coloração é amarelada e seu odor é

característico. O Hipoclorito de Sódio também é conhecido pelas

denominações "Hipo", "Cloro Líquido" ou simplesmente "Cloro" apresentada na

figura 10. As duas últimas são impróprias, pois "Cloro" é de fato a denominação

de outro produto. O Hipoclorito de Sódio tem sido utilizado para desinfecções

38

em limpezas domésticas e hospitalares. Também é usado como matéria- prima

para fabricação de águas sanitárias (SANTOS & GARCIA, 2008).

Figura 10: Hipoclorito de sódio

Fonte: Multilimp, 2008.

A Água Sanitária é um produto obtido pela diluição de Hipoclorito de

Sódio em água, numa proporção de 1 para 5 e estabilizado com cloreto de

sódio (sal de cozinha). Esse produto é destinado à limpeza, branqueamento e

desinfecção em geral. A Água Sanitária é conhecida, popularmente pelas

expressões: água de lavadeira e cloro líquido, sendo comercializada junto ao

consumidor final (SANTOS & GARCIA, 2008).

Em relação a limpeza residual do interior das instalações cirúrgicas, na

desinfecção dessas superfícies deve-se empregar solução de água sanitária

2,5% na seguinte proporção: 4 xícaras de café ou 1 copo (200 ml) para 1 balde

com 20 litros de água limpa. Aplicar essa solução sobre as superfícies

deixando agir por 30 minutos após esse período remover as camadas atingidas

pela solução, repetir a operação aplicando outra solução quantas vezes for

necessário, somente após a retirada lavar com água e sabão. Só executar essa

desinfecção utilizando luvas, botas ou sacos plásticos duplos envolvendo

braços e pernas (SANTOS & GARCIA, 2008).

O aumento do pH leva a diminuição da ação biocida pelo aumento da

formação de íons. O aumento da concentração de cloro livre na solução levará

ao correspondente aumento a atividade biocida. Um aumento de quatro vezes

39

na concentração de cloro reduz pela metade o tempo de exposição. Estudos

comprovam a relação entre temperatura e ação biocida dos compostos

clorados, há 21ºC por 4 minutos 99% das bactérias são eliminadas. A matéria

orgânica consome a quantidade de cloro livre, diminuindo sua ação biocida,

especialmente, quando a concentração de cloro livre é baixa. Devido a isso a

concentração de cloro usado para descontaminação da matéria orgânica difere

bastante para utilizada em materiais previamente limpos com a finalidade de

desinfecção.Os microorganismos apresentam diferentes graus de resistência

ao cloro, geralmente as formas vegetativas são mais suscetíveis (SAÚDE.SC,

2008).

40

2.3.8. IODO

O iodo elementar e um germicida potente, com largo espectro de

atividade e de baixa toxicidade para os tecidos. A solução que contenha 50

ppm de iodo mata bactérias em 1 minuto e esporos em 15 minutos. O iodo e

fracamente hidrossolúvel, mas se dissolve com facilidade, em etanol, que

potencializa sua atividade antibactericida. Preparações: A tintura de iodo

contém iodo a 2% com iodeto de potássio (KI) a 2,4%, dissolvidos em etanol a

50%; ela é utilizada como desinfetante cutâneo. A tintura de iodo forte contém

iodo a 7% e KI a 5%, dissolvidos em etanol a 85%; ela é mais potente, mas

também é mais irritante que a tintura de iodo. A solução de iodo contém iodo a

2% e KI a 2,4%, dissolvidos em solução aquosa; ela é utilizada como anti-

séptico não irritante em ferimentos e abrasões. A solução de iodo forte contém

iodo a 5% e KI a 10% em solução aquosa (MANUAL MERCK, 2001).

O iodo, composto do grupo dos halogênios, foi utilizado pela primeira

vez em 1939, como anti-séptico, na forma de tintura. A principal aplicação

desse composto objetiva à anti-sepsia da pele e a sua formulação mais

eficiente é na forma de tintura (GOODMAN & GILMAN, 1987). Seu tempo de

ação é quase imediato, devendo, entretanto, ser retirado da pele após

secagem, uma vez que ocasiona irritação persistente (DENTON, 1990). O

poder bactericida do iodo baseia-se nas alterações do ácido nucléico e da

síntese protéica bacteriana (SILVA et al, 2000).

Os compostos contendo iodo são reconhecidos como potentes

germicidas, sendo ativos em relação a uma larga variedade de

microrganismos, tais como bactérias, fungos, leveduras, protozoários e,

inclusive vírus (GILMORE & SANDERSON, 1975). Os fatores negativos do

iodo, que contribuem para que novas alternativas sejam buscadas são:

afinidade por matéria orgânica, que reduz seu potencial oxidante e,

conseqüentemente, seu poder germicida (BLATT & MOLONEY, 1961),

absorção do iodo pela vagina e peritôneo (VORHERR et al. 1980) e,

eventualmente, irritação dermal (KAUL & JEWETT, 1981; BROWN et al.,1984;

SANCHEZ et al.,1988; OSUNA et al., 1990b/1990a); OSUNA et al., (1990b)

relatam que muitas vezes, associado à dermatite de contato, o prurido com a

41

alteração de pele, desvia a atenção do paciente para a área cirúrgica,

resultando em lesões, devido a auto-escoriação no local.

Atualmente, devido à sua ação germicida e menor efeito cáustico, são

aconselhados os compostos libertadores de iodo (iodóforos) apresentado na

figura 11 (CASAL et al, 2008).

Figura 11: Colocação de panos cirúrgicos e aplicação de tintura de iodo a 5% em toda a região.

Fonte: Vet –uy, 2008.

O composto de iodo mais usado é o álcool iodado a 0.5 ou 1 %. A

solução de iodo deve ser preparada semanalmente e acondicionada em frasco

âmbar (com tampa fechada, para evitar deterioração e evaporação),

devidamente protegido da luz e calor. Os iodóforos são complexos de iodo com

certos tipos de surfactantes, que apresentam propriedades similares à dos

detergentes e que funcionam como "carreadores" de iodo, sendo mais estáveis

aqueles que apresentam características não iônicas, como o PVP

(Polivinilpirrolidona) e outros compostos. O complexo formado libera

lentamente o iodo, permitindo uma maior estabilidade para a solução. Os

compostos de iodo têm ação residual, entretanto sua atividade é diminuída em

virtude da presença de substâncias alcalinas em matérias orgânicas. Com

relação ao PVP-I, os casos de hipersensibilidade ao iodo têm sido descritos na

42

relação 2: 5000. Com outros compostos, do tipo álcool iodado a relação é

maior. O iodóforo mais usado para a anti-sepsia das mãos é á solução

detergente de PVP-I a l0 % (1% de iodo ativo), que é bactericida, fungicida,

virucida e tricomonicida. Essa solução tem a seu favor o tato de não ser

irritante, ser facilmente removível pela água e reagir com metais (MINISTÉRIO

DA SAÚDE, 1989).

É solúvel no álcool, e proporciona efetiva ação contra as bactérias

existentes na pele íntegra (DOMINGUES, 2008).

43

2.3.9. POVIDINE – IODINE (PVPI)

A anti-sepsia de ferimentos é feita normalmente utilizando-se compostos

iodados denominados PVPI (Polivinilpirrolidona Iodo) apresentado na figura 12.

Podemos dividí-los em três categorias: Degermante, Tópico e Tintura:

Degermante (PVPI + Sabão + Éter) é utilizado para limpeza (desengordurar) da

área ao redor do ferimento. Tópico (PVPI + Água) é utilizado na confecção de

curativos úmidos, onde há exposição da mucosa. Tintura (PVPI + Álcool) é

utilizado na confecção de curativos secos, onde não há exposição da mucosa.

Muito utilizado em delimitações de áreas em cirurgias. Pode ser utilizado em

curativos úmidos, porém devido a sua composição (Álcool) pode haver

desconforto do acidentado por causa do ardor (JUNIOR.E, 2001).

Figura 12: Solução de tintura de PVPI Fonte: Áster, 2008.

O uso do polivinilpirrolidona-iodo (PVPI) na prevenção de deiscências de

anastomoses e na redução de infecção pós-operatória tem sido discutido na

literatura (FINGERHUT & HAY, 1993; GAINANT, 2000; GILMORE, 1977).

De fato, o emprego do PVPI é alvo de inúmeras discussões, havendo

divergências até mesmo quanto a sua eficácia bactericida, já que o iodo

44

poderia estar tão firmemente ligado à molécula, que não apresentaria efeito na

prevenção de infecções. Ademais, alguns estudos sugerem que a

morbimortalidade associada ao seu emprego no pré-operatório, em grandes

concentrações é significativa (MILAGRES et al, 2005)

KEATING et al demonstraram que a administração de PVPI em

concentrações superiores a 1% deve ser cautelosa. Além disso,

RODENHEAVER et al encontraram uma concentração de iodine livre no

produto a 10% de apenas 0,8 ppm, valor este considerado insuficiente para

atuar como um agente bactericida.

A utilização do PVPI em diferentes concentrações no preparo das bocas

anastomóticas de cólon, baseia-se em trabalhos experimentais e clínicos que

comprovam a ação bactericida deste anti-séptico, creditando-se a essa

propriedade um possível efeito no incremento da cicatrização de anastomoses

primárias, diminuindo a incidência de fístulas e aumentando a força tênsil das

suturas. Além disso, a formação de aderências intra-abdominais também é

discutida amplamente na literatura. Também não se podem ignorar os efeitos

sistêmicos do PVPI ao ser utilizado topicamente em anastomoses entéricas

(MILAGRES et al, 2005).

45

2.4. COMPLICAÇÕES PÓS – CIRURGICAS – FERIDAS

A microflora transitória representa contaminantes ambientais recentes,

que sobrevivem por curtos períodos na pele (SIMMONS, 1983; GARNER &

FAVERO, 1986; LARSON, 1988) e são consideradas como não colonizantes;

entre elas, estão Escherichia coli e outras bactérias gram-negativas. Estes

agentes são facilmente removidos pela lavagem simples. Microrganismos

residentes, como Staphylococcus coagulase negativa, Corynebacterium sp.,

Propionibacterium sp., Acinetobacter sp. e certos membros do grupo

Klebsiella-Enterobacter não podem ser removidos pela simples lavagem,

requerendo o uso de soluções com propriedades antimicrobianas (MURRAY,

1995).

As bactérias mais comumente envolvidas em infecções cirúrgicas são os

cocos gram positivos. Bacilos gram-negativos de origem fecal podem ser

isolados, ocasionalmente, dessas infecções, devido à dificuldade em prevenir a

contaminação dos pelos e da pele com estes agentes infecciosos (SLATTER,

1993). As intervenções cirúrgicas começam com a preparação da pele na área

de incisão. O objetivo da anti-sepsia é reduzir o número de bactérias com

mínimo de prejuízo à pele, reduzindo o risco de infecção no pós operatório

(SEBBEN, 1983).

O desenvolvimento de infecção na ferida cirúrgica depende de vários

fatores, entre eles estão: condições da ferida e o tempo de cirurgia, grau de

danificação tecidual em feridas traumáticas, extensão da dissecação e a

manipulação do tecido, experiência do cirurgião e, aplicação ou não de

antibióticos no paciente antes, durante ou imediatamente após o procedimento

cirúrgico. Outros fatores que podem reduzir a resistência ás infecções são:

obesidade, idade avançada, condições concomitantes como diabetes mellitus e

a presença de infecções em locais distantes da incisão (STAINKI, 2008).

Traumatismos de várias etiologias são freqüentes e considerados os

principais desencadeadores de feridas cutâneas, sendo de grande importância

a diversidade de opções de tratamento (COELHO, 1998). Em vista disto,

diversos tecidos biológicos, obtidos de diferentes espécies e conservados em

diferentes meios, têm sido amplamente empregados na reparação cirúrgica de

46

diversos órgãos e estruturas, tanto no homem como nos animais domésticos

(COSTA NETO et al., 2000).

O estudo do processo de cicatrização tem permitido conhecer muitos

fatores que influenciam a progressão cicatricial. Dentre eles, são citados a

infecção, presença de tecidos desvitalizados, anemia, uso de antiinflamatórios

e anti-sépticos (EAGLSTEIN e FALANGA, 1997; CORSI et al., 1994;

EHRLICHMAN et al., 1991; MADDEN e AREM, 1991; FIORAVANTI, 1988;

BARBOSA e SOUZA, 1986).

As feridas abertas, com ou sem perda tecidual, apresentam problemas

clínicos inteiramente diferentes das feridas incisadas e suturadas apresentadas

nas figuras 13 e 14 (MADDEN e AREM, 1991). Nessas, a cicatrização se dá

por segunda intenção e há dificuldade no que diz respeito a aproximação das

suas bordas e, mais freqüentemente, infecção local (BARBOSA e SOUZA,

1986).

Figura 13: Ferida do Membro posterior esquerdo

Fonte: adopção dos animais, 2008.

47

Figura 14: Ferida na região ventral do pescoço

Fonte: pittbull prazer desta raça, 2008.

A função da pele como uma barreira natural a bactérias é interrompida

durante a cirurgia. As infecções cirúrgicas em sua maioria são causadas pela

flora do paciente e a preparação do local cirúrgico e da equipe cirúrgica reduz o

número de bactérias introduzidas na ferida cirúrgica. Os índices de infecção

variam com a classificação da ferida cirúrgica. Os índices relatados em cirurgia

de pequenos animais são 2,5% para cirurgias limpas, 4,5% para cirurgias

contaminadas-limpas, 5,8% para cirurgias contaminadas e 18,1% para cirurgias

sujas, para um índice de infecção global de 5,1% (TESEZA, 2005).

Os ferimentos limpo-contaminados são identificados quando se entra em

órgãos luminais não-estéreis sem um derramamento significativo de seu

conteúdo. Nessa categoria, estão incluídos procedimentos nos quais ocorre

uma falha mínima na técnica asséptica, tal como perfuração de luva cirúrgica.

Nesse tipo de ferimento cirúrgico, a taxa de infecção publicada é de 4,5 a 9,3%;

Fraturas limpa-contaminadas pélvicas e de ossos longos são mais

frequentemente infectadas. Ferimentos contaminados possuem uma taxa de

infecção publicada que varia de 5,8 a 28,6%; fraturas contaminadas pélvicas e

de ossos longos e procedimentos urogenitais contaminados são mais

frequentemente infectados. Em casos de ferimentos contaminados, indica-se

profilaxia antibiótica, e a escolha da droga deve se basear inicialmente na flora

bacteriana prevista e modificada conforme os resultados de cultura e

antibiograma. Esses ferimentos não são infectados inicialmente, mas têm

potencial para tanto. O destino dos ferimentos contaminados pode ser

48

acentuadamente alterado por intermédio de um tratamento precoce, (tabela 02)

Debridamento delicado, lavagem abundante e antibioticoterapia podem

converter tais ferimentos em ferimentos “limpos”, enquanto uma terapia

inadequada resulta quase em ferimentos infectados e sujos. Os ferimentos

sujos são aqueles nos quais ocorre uma infecção grosseira no momento da

intervenção cirúrgica (por exemplo, ferimentos traumáticos com retenção de

tecido desvitalizado, corpos estranhos ou contaminação fecal) (SLATTER,

2007).

Tabela 02: Classificação de feridas operatórias em relação a contaminação Ferida Limpa • Manobra eletiva, não traumática • Não encontrada nenhuma inflamação aguda • Sem falha na técnica asséptica • Nenhum acesso aos tratos gastrintestinal, urogenital e respiratório Ferida Limpa Contaminada • Acesso aos tratos gastrintestinal, urogenital ou respiratório sem contaminação significante • Pequena falha na técnica asséptica Ferida Contaminada • Feridas traumáticas recentes (<4h de existência) • Derramamento dos tratos gastrintestinal ou urogenital • Grande falha na técnica asséptica Ferida Suja (Infectada) • Ferida traumática >4h de existência ou com tecido desvitalizado ou corpos estranhos • Encontrada víscera perfurada • Encontrada inflamação bacteriana aguda ou pus • Tecidos “limpos” cortados para acesso a um abscesso Fonte: Fossum, 2005.

49

2.5. TRATAMENTO

2.5.1. AMBIENTES CIRURGICOS

Como a maior parte das infecções cirúrgicas se desenvolve a partir de

bactérias que entram no local de incisão durante a cirurgia, uma preparação

apropriada do ambiente cirúrgico torna-se crucial para reduzir a probabilidade

de infecção apresentada na figura 15. A sala cirúrgica é considerada como

área limpa, e toda a equipe que entra ou sai dela deve usar trajes adequados.

Para tornar o ambiente cirúrgico tão livre de microrganismos quanto possível,

limpeza e desinfecção rotineiras devem ser realizadas. O termo limpeza se

refere à remoção de sujeira. No início de cada dia de cirurgia, todas as

superfícies horizontais, lâmpadas, todos os equipamentos da sala cirúrgica e

móveis devem ser limpos com um pano de algodão umedecidos e sem fibras e

um desinfetante de grau hospitalar, (tabela 03). Depois de cada procedimento

cirúrgico, deve-se limpar e desinfetar as áreas contaminadas com resíduos

orgânicos (ou seja, pisos, portas, balcões, equipamentos, mesa cirúrgica). Se

houver riscos biológicos (ou seja, doenças infecciosas ou agentes

quimioterápicos) durante uma cirurgia, deverão ser tomadas precauções

especiais durante a limpeza e a desinfecção (ou seja, desinfetante específico,

tempo de limpeza e tempo de contato com o desinfetante) (SLATTER, 2007).

Figura 15: Sala de cirurgia de pequenos animais

Fonte: clivep, 2008.

50

Tabela 03: Desinfetantes comuns usados na clínica veterinária

AGENTE USO PRÁTICO PROPRIEDADES DESINFETANTES

PROPRIEDADES ANTI-SÉPTICAS

MECANISMO S DE AÇÃO

PRECAUÇÕES

Álcoois: isopropílico (50-70%); etílico (70%)

Limpeza de manchas; preparação de local de injeção

Boas Muitas boas Desnaturação protéica, interrupção metabólica e lise celular

Corrosivos para o aço inoxidável; voláteis

Composto Clorado: hipoclorito

Limpeza de pisos e tampos

Boas Razoáveis Liberação de cloro e oxigênio

Inativados por resíduos orgânicos, corrosivos para metais

Compostos Iodados: iodóforos (7,5%); solução de escarificação

Limpeza de pisos e tampos de coloração escura

Boas Boas Iodação e oxidação de moléculas essenciais

Coram tecidos sintéticos e vivos

Glutaraldeído: solução alcalina a 2%

Desinfecção de lentes e instrumentos delicados

Boas; esterilizam Nenhuma Alquilação de proteínas e ácidos nucléicos

Reação tecidual; odor (enxágüe bem os instrumentos antes de usá- los)

Fonte: Slatter, 2007.

Para diminuir a disseminação de infecção e para a limpeza e

desinfecção do centro cirúrgico, é vantajosa uma sala de cirurgia fora da área

cirúrgica estéril para operar pacientes contaminados. Esta área não estéril

também pode ser usada para manobras de emergência, procedimentos dentais

e endoscopia. Os protetores de pó de microfilme aplicados ao assoalho do lado

de fora do corredor estéril coletam grande parte da poeira das rodas da mesa

de transporte do paciente, e de outro equipamento deste tipo. Todas as

pessoas devem trocar as roupas convencionais ou cobri-las antes de entrar no

centro cirúrgico estéril. É preciso usar gorros, máscaras e proteções para os

sapatos. Qualquer um que se aproxime do campo cirúrgico deve usar avental e

luvas (FOSSUM, 2005).

Os pisos devem ser utilizados de material resistente, não poroso, de fácil

limpeza, livre de frestas e que seja bom condutor de eletricidade para evitar

faíscas. As paredes devem ser de superfície lisa, uniforme e com os cantos

arredondados para facilidade da limpeza. Devem possuir a capacidade de

51

diminuir a sonoridade, facilitar o controle da temperatura e aumentar a

capacidade de iluminação. Os materiais ideais são azulejos foscos, cobertura

de epoxy e a fórmica. As janelas deverão ser de vidro duplo e basculantes, e

serem dotadas de telas para impedir a entrada de insetos. Em relação as

portas, o correto são as de correr, com apoio em trilho superior e nunca

embutidas, para facilitar a limpeza das duas faces. Devido ao fato das mesmas

serem abertas várias vezes durante a cirurgia, é recomendado o sistema de

pressão positiva no interior da sala cirúrgica, que uma vez aberta a corrente de

ar ocorra de dentro para fora da sala cirúrgica (FERNANDES, 2005).

LACERDA (2003) referiu que, nos últimos anos, o ar condicionado do

centro cirúrgico tem sido amplamente utilizado e considerado como uma das

principais medidas para controlar e reduzir a população microbiana do ar

ambiente, levando os projetos mais recentes de construção de áreas critica a

eliminarem janelas e a renovarem naturalmente o ar.

Os desinfetantes mais utilizados para limpeza de pisos são: álcool 70%,

glutaraldeído 2%, quaternário de amônio 1%, cloro/hipoclorito de sódio 1 a 2%

e ácido peracético 0,2%, sendo que, no caso de limpeza de alguns

equipamentos, agentes químicos não são indicados por serem corrosivos. A

limpeza das áreas geralmente se inicia com uma lavagem com água e

detergente neutro, começando pelo teto, parede e por último o piso, e se deve

cuidar para que todo o procedimento sempre se inicie no fundo da sala em

direção à porta, das partes superiores para as partes inferiores. Caso os

equipamentos não sejam removidos e estejam presentes na área durante a

limpeza geral, alerta ela, estes devem ser limpos imediatamente antes da

limpeza do piso. Além disso, o último enxágüe dos equipamentos sempre deve

utilizar água de igual ou melhor qualidade que a água utilizada para a

formulação do produto. Após a limpeza propriamente dita, inicia-se (quando

aplicável) o processo de sanitização, especialmente importante para a

manutenção das características microbiológicas de áreas classificadas.

Alguns pontos devem ser levados em consideração para a escolha do

desinfetante a ser utilizado, que dá como exemplo: o número e o tipo de

microrganismos a ser eliminado, a eficácia, a concentração, a diluição de uso e

o tempo de contato do desinfetante, bem como, a natureza da superfície deve

ser compatível com a aplicação do desinfetante (campo de aplicação do

52

produto), estabilidade do produto e principalmente utilizar sanitizante de um

fornecedor devidamente qualificado (NTEDITORIAL, 2008).

A contaminação pelos membros da equipe cirúrgica resulta de contato

direto e de partículas disseminadas no ar. A contaminação por contato é

reduzida por uma esfregação pré-operatória das mãos de 3 a 5 minutos com

sabão anti-séptico, como para a preparação da pele do paciente. As luvas

cirúrgicas estéreis constituem uma barreira adicional entre cirurgião e paciente,

mas até 30% das luvas apresentam defeitos ao final da cirurgia. Um esfregão

cirúrgico pré-operatório apropriado é provavelmente adequado para prevenir

contaminação significativa por luvas furadas. As roupas, gorros e máscaras

bem limpas constituem uma barreira parcial para os microrganismos e são

usados por todos os indivíduos na sala cirúrgica. As máscaras reduzem pouco

a contaminação ambiente, pois o ar mais circula ao redor do que através da

máscara. São úteis, entretanto, para reduzir o lançamento de bactérias em

gotículas durante uma conversa. Os aventais cirúrgicos estéreis limitam a

disseminação de partículas cutâneas e bactérias do cirurgião para o paciente.

Como no caso dos panos de campo, existem aventais de pano e aventais

descartáveis de papel ou plástico não ondulado. Os aventais descartáveis,

embora mais caros, são uma barreira maior a umidade e, portanto, às bactérias

(tabela 04).(FOSSUM, 2005).

53

Tabela 04: Regras de técnica asséptica

REGRA RAZÃO Membros da equipe cirúrgica devem permanecer dentro da área esterilizada

Uma movimentação para fora da área esterilizada pode estimular contaminação cruzada

Deve-se manter a conversação em um nível mínimo

A conversação libera gotículas de umidade carregadas de bactérias

A movimentação na sala cirúrgica (SC) por toda a equipe deve ser mínima; somente a equipe necessária deve entrar na sala cirúrgica

Uma movimentação na SC pode estimular um fluxo aéreo turbulento e resultar em contaminação cruzada

Membros não-escarificados da equipe não devem ter acesso a campos estéreis

Poeira, fibras de algodão e outros veículos de contaminação bacteriana podem cair no campo estéril

Membros escarificados da equipe devem estar virados uns para os outros e para o campo estéril em todos os momentos

As costas de um membro da equipe não são consideradas esterilizadas, mesmo que esse esteja usando aventais fechados

O equipamento usado durante uma cirurgia deve ser esterilizado

Instrumentos não esterilizados podem se tornar a origem de uma contaminação cruzada

Membros escarificados da equipe devem manipular somente itens esterilizados; membros não-escarificados devem manipular somente itens não esterilizado

Membros não-escarificados da equipe e itens não-esterilizados podem se tornar a origem de uma contaminação cruzada

Se a esterilidade de um item for questionada, deve-se considerá-lo contaminado

Um equipamento contaminado e não- esterilizado pode-se tornar a origem de uma contaminação cruzada

Mesas esterilizadas só são consideradas esterilizadas no tampo

Itens que ficarem pendurados sobre a borda da mesa são considerados não-esterilizados, pois se encontram fora da visão do cirurgião

Os aventais ficam esterilizados do meio do peito até a cintura e da mão enluvada até 5 cm acima do cotovelo

As costas de um avental são é considerada esterilizada mesmo que esse seja um avental fechado

Os panos de campo que recobrem as mesas de instrumentos ou o paciente devem ser à prova de umidade

A umidade transporta bactérias de uma superfície não-esterilizada para uma esterilizada (contaminação por penetração)

Se um objeto esterilizado tocar a borda de selagem da bolsa que o segura durante a abertura, ele será considerado contaminado

Uma vez abertas, as bordas seladas das bolsas não permanecem estéreis

Os itens esterilizados dentro de um material de embalagem danificado ou molhado devem ser considerados contaminados

A contaminação pode ocorrer em embalagens perfuradas ou por penetração decorrente de transporte úmido

Não coloque as mãos na região axilar; em vez disso, entrelace-as na frente do corpo, acima da cintura

A região axilar do avental não é considerado estéril

Se a equipe cirúrgica iniciar a cirurgia sentada, deverá permanecer assim até que se termine a cirurgia.

O campo cirúrgico só estéril da altura da mesa até o peito; um movimento da posição sentada para a posição de pé durante uma cirurgia pode aumentar a contaminação

Fonte: Slatter, 2007.

54

2.5.2. PACIENTES CIRÚRGICOS

Um fator de grande importância no tratamento de feridas é a sua

proteção contra traumatismos adicionais. Esta proteção é obtida por meio de

bandagens oclusivas que visam também a evitar a formação de hematomas,

seromas e edemas, bem como obliterar o espaço morto, reduzir a motilidade

excessiva das bordas e diminuir as perdas de calor e de água que se

processam através da superfície das lesões. Entretanto a função mais

importante das bandagens é proteger a ferida contra contaminações. Entre os

inúmeros materiais utilizados como bandagens, a membrana amniótica tem

despertado o interesse de inúmeros pesquisadores. Ela é considerada

bandagem ideal devido a sua antigenicidade, além de apresentar em sua

constituição, fatores de crescimento celular (PAULO, 1998).

Nos ferimentos limpo-contaminados, indica-se profilaxia antimicrobiana,

e a escolha do antibiótico deve se basear na flora prevista. Em relação ao

tratamento de ferimentos sujos, esse tipo de ferimento requer antibioticoterapia

(a escolha inicial é baseada na flora prevista e é modificada posteriormente por

cultura bacteriana e é modificada posteriormente por cultura bacteriana e

antibiograma), lavagem abundante, debridamento, drenagem e, possivelmente,

uso de ataduras úmido-secas para debridar adicionalmente o ferimento durante

o período pós-operatório inicial (SLATTER, 2007).

A lavagem do ferimento removerá os resíduos tanto visíveis quanto

microscópicos. Isso reduz a carga bacteriana no tecido, o que ajudara a

diminuir as complicações do ferimento. Supondo-se que a solução não é tóxica,

o fator mais importante na lavagem de ferimento e o uso de grande volumes

para facilitar a remoção dos resíduos. Tem-se afirmado que a lavagem ideal é

feita com sistema de pressão moderado que utilize seringa de 35ml e agulha

de calibre 19 que administre o fluido de lavagem a 8psi. O uso de antibióticos

em fluido de lavagem e controvertido. O fluido de lavagem ideal deve ser anti-

séptico e não tóxico para tecidos em cicatrização. Embora a solução salina

isotônica não seja anti-séptica, é menos tóxica para o tecido em cicatrização.

Não se devem utilizar os agentes de escarificação cirúrgica, pois o componente

de detergente danifica o tecido. Os anti-sépticos diluídos podem ser utilizados,

com segurança. O diacetato de clorexidina a 0,05% possui atividade residual

55

prolongada contra largo espectro de bactérias, enquanto causam inflamação

tecidual mínima. No entanto, as bactérias Gram-negativas podem ficar

resistentes a clorexidina. As soluções mais fortes de clorexidina podem ser

tóxicas para tecido em cicatrização. O iodo-povidona a 1% constitui anti-séptico

efetivo, mas possui atividade residual mínima e pode ser inativado por meio de

resíduos purulentos (MANUAL MERCK, 2001).

KAUL & JEWETT (1981); PETERSON et al. (1978); VORHERR et al.

(1980), em trabalhos experimentais realizados para verificar a redução da flora

microbiana pela anti-sepsia das mãos e campos cirúrgicos em humanos,

relatam superioridade do GC em relação ao iodo povidona.

O critério para escolha de um anti-séptico deve basear-se no seu índice

terapêutico, o qual é descrito como a relação entre a concentração eficaz

contra microrganismos e os efeitos deletérios sobre os tecidos vivos, assim

como a interferência nos processo de reparação, cicatrização e irritação local

(RODRIGUES, et al. 1997). Segundo PAUL & GORDON (1978), SEBBEN

(1983), OSUNA et al. (1990b), PHILLIPS et al.(1991) o amplo espectro de

atividade antimicrobiana, ação rápida, atividade antimicrobiana residual, baixa

incidência de irritação da pele, toxicidade baixa e boa atuação na presença de

matéria orgânica são qualidades que o antiséptico tópico deve possuir.

Evidentemente, é difícil de ser encontrado um anti-séptico que possua todas

essas características.

Segundo STUBBS et al.(1996), o Gluconato de clorexidina é o anti-

séptico que melhor preenche essas qualificações. Representa uma alternativa

para pacientes alérgicos ao iodo, é pouco absorvido pela pele íntegra e a

absorção percutânea, caso ocorra, é insignificante (RODRIGUES et al., 1997).

SOUZA et al. (1982), analisando amostras de sangue de pacientes humanos

adultos, que fizeram uso da clorexidina durante um período de até 12 meses,

não encontraram clorexidina circulante. Contudo, a clorexidina é incompatível

com sabão e outros agentes aniônicos (RODRIGUES et al., 1997), podendo

apresentar atividade ototóxica e ocasionar lesões oculares (LARSON, 1988).

A limpeza mecânica sozinha tem mostrado redução na contagem de

bactérias na pele, segundo SLATTER (1993), o que explica os resultados

obtidos.A flora transitória pode ser removida completamente durante a

escovação das mãos com água e sabão, a não ser que ali exista grande

56

contaminação (MURRAY, 1995). SWAIN et al. (1991), estudando a ação dos

anti- sépticos em caninos, verificou que, tanto o grupo de soluções anti-

sépticas, quanto o grupo controle, constituído de água morna, foram eficazes

na diminuição da população microbiana da pele. Assim, na rotina pré-

operatória, além da tricotomia deve ser feita cuidadosa lavagem não só na área

operatória, mas de toda a superfície corporal do animal.

O iodo-povidine tem efeito rápido e amplo espectro de ação bactericida,

fungicida, virucida e, com contato prolongado, esporicida BAINES (1996).

Segundo LEMARIÉ & HOSGOOD (1995), os compostos iodados têm sido

usados na preparação pré- cirúrgica, tópico em feridas e em articulações ou

cavidades corporais. Sua atividade esporicida depende de contato, em meio

úmido, por tempo superior a 15 minutos. ROBERTS et al. (1986) concluíram

que, na diluição 1:50 com solução salina isotônica, o iodo é tão efetivo quanto

nas diluições 1:10 e 1:2.

O açúcar comum ou sacarose de cana-de-açúcar vem sendo utilizado na

rotina médica para tratamento de feridas infectadas em seres humanos (SILVA

et al., 1996) e animais (RAISER & BADKE, 1987). Como características,

podem-se citar seu efeito cicatrizante por participar no desenvolvimento e

maturação precoce de tecido de granulação e favorecimento rápido da

regeneração epitelial (PRATA et al., 1988), além do poder antimicrobiano sobre

alguns tipos de bactérias, freqüentemente isoladas de feridas cirúrgicas

(RAHAL et al., 1979; RAISER & BADKE, 1987; COSTA NETO et al., 1997).

Devido a sua aplicação no tratamento de feridas, tanto na rotina médica

em indivíduos da espécie humana, salientado por SILVA et al. (1996) e em

animal por RAISER & BADKE (1987), o interesse pela utilização do açúcar

para conservação de tecidos deveu-se às suas propriedades, relatadas por

WEISS et al. (1984) e COSTA NETO (1997). Apesar de não terem sido

realizados estudos microbiológicos da solução conservante de açúcar, não

foram detectados, sinais de infecção, à semelhança do observado por

LATTERI et al. (1966), GALLO et al. (1982), DALECK et al. (1988) e RANZANI

et al. (1990), quando empregaram outras soluções conservantes. Esse

resultado pode ser atribuído às propriedades antimicrobianas do açúcar,

estudadas por RAHAL et al. (1979), RAISER & BADKE (1987) e COSTA NETO

et al. (1997).

57

AMENDOLA (2001) realizou, em seis cães, a implantação de osso

cortical homógeno conservado em mel durante um período mínimo de 30 dias.

Este tecido foi colocado sobre uma falha óssea produzida no fêmur e fixado

com cerclagem de aço. No acompanhamento radiográfico foi verificado que,

aos 60 dias após a operação, dois animais apresentaram reabsorção completa

do osso homógeno, enquanto nos demais o implante estava em franco

processo de incorporação. AMENDOLA et al. (2000) procederam a terapêutica

cirúrgica de defeitos parciais na traquéia de coelhos com centro frênico canino

conservado em mel. Sessenta dias após o procedimento, foi observada

epitelização completa sobre o tecido implantado.

CHIRIFE et al. (1982) afirmam que o açúcar atua através da criação de

um ambiente de baixa atividade de água, o que inibe o crescimento das

bactérias. Os autores do presente trabalho acreditam que a ação antibacteriana

e antifúngica da solução hipersaturada de sal também é centralizada na

diminuição da atividade de água, contudo, não descartam a possibilidade de

que o iodo (presente no sal comercial) atue neste sentido. Ainda em relação

aos diferentes meios, o mel apresenta a possibilidade de contaminação por

resíduos de pesticidas e de fármacos, tais como a tetraciclina, utilizados no

tratamento de doenças das abelhas (POSTMES et al., 1993). Estas condições

não estão presentes quando se utiliza soluções hipersaturadas de açúcar ou

sal como conservantes (BRUN et al, 2002).

O acúmulo de bactérias resistentes em hospitais e o aumento associado

das infecções bacterianas foram acentuados por procedimentos cirúrgicos

extensos e prolongados, aumento da invasividade das medidas de suporte,

estadas hospitalares demoradas, aumento da sobrevivência de pacientes

geriátricos e debilitados e uso de drogas imunossupressivas. A escolha de um

antibiótico se baseia frequentemente em tendências preconcebidas e tradição,

em vez de na flora bacteriana identificada ou esperada. Uma antibioticoterapia

pode ter natureza profilática ou terapêutica. A profilática só deve ser usada

quando indicada pela probabilidade de uma infecção ou quando uma infecção

seria catastrófica; a escolha do antibiótico deve se basear na flora bacteriana

esperada no tecido-alvo (SLATTER, 2007).

A eficácia de antibióticos profiláticos na prevenção de infecções

cirúrgicas é reconhecida desde o final da década de 1950. Utilizando modelos

58

animais, determinaram que as defesas do hospedeiro são mais suscetíveis a

alojamento bacteriano nas primeiras três horas depois da contaminação

microbiana. Estudos clínicos posteriores demonstraram que administrar

antibióticos antes da cirurgia tem mais valor que administrá-los depois da

cirurgia. A falta de conhecimento da base científica do uso cirúrgico de

antibióticos resultou em uso disseminado indevido destes agentes para

profilaxia de infecção. Devem der atingidos níveis sanguíneos e teciduais

terapêuticos nas três primeiras horas da produção da ferida. Se os antibióticos

forem iniciados após o tempo necessário para alojamento bacteriano, os

índices de infecção serão mais altos do que quando não se usa nenhum

antibiótico (FOSSUM, 2005).

Antibióticos profiláticos devem estar presentes no local cirúrgico durante

o período de contaminação potencial para evitar o crescimento de patógenos

contaminantes. Os procedimentos cirúrgicos que podem justificar o uso desses

antibióticos (tabela 05). Antibióticos terapêuticos devem ser indicados para

pacientes cirúrgicos com infecção sistêmica avassaladora (ou seja, septicemia

ou bacteremia), infecção no local cirúrgico ou em uma cavidade corporal (ou

seja, infecção de ferimento, piotórax ou abscesso abdominal) ou qualquer

procedimento cirúrgico contaminado ou sujo (Tabela 06). Geralmente, deve-se

instituir uma antibioticoterapia antes da cirurgia e continuar com ela por pelo

menos 2 a 3 dias após a resolução de todos os sinais clínicos; a duração

máxima de uma terapia depende da toxicidade da droga e da doença que está

sendo tratada. (SLATTER, 2007).

59

Tabela 05: Considerações para escolha e administração de antibióticos

profiláticos

Escolha de Antibióticos • Determine o sistema envolvido e o organismo mais provável • A cefazolina atinge concentrações apropriadas para evitar o crescimento bacteriano dos contaminantes mais comuns

Momento para Administração do Antibiótico 30 min antes da primeira incisão cirúrgica Dose de Cefazolina 20 mg/kg Vias de Administração do Antibiótico Intravenosa; pode-se repetir em 2 a 3h, dependendo da duração da cirurgia Duração da Administração do Antibiótico Interrompa imediatamente após o fechamento do ferimento cirúrgico ou dentro de 24h

Fonte: Slatter, 2007.

Tabela 06: Considerações para escolha e administração de antibióticos

Terapêuticos.

Escolha de Antibióticos • Determine o sistema envolvido e o patógeno mais provável para estabelecer uma terapia primária (ver Tabela 5) • Obtenha amostras representativas para coloração por Gram, citologia e cultura e antibiograma (por exemplo, fluido, tecidos, implantes, resíduos necróticos) • Assegure-se de que o antibiótico atinja o tecido-alvo • Se vários antibióticos forem eficazes, escolha o mais barato, menos tóxico e mais conveniente de administrar Momento para Administração do Antibiótico Tão logo se obtiverem amostras, comece uma antibioticoterapia empírica Dose Siga cuidadosamente as doses recomendadas Vias de Administração do Antibiótico Trate por um mínimo de 3 dias; avalie a condição do animal; se ele estiver melhorando, continue a terapia; se ele estiver melhorando, continue a terapia; se não houver melhora, reavalie e considere uma troca de antibióticos Duração da Administração do Antibiótico A duração depende do efeito do antibiótico, da toxicidade e do distúrbio que estiver sendo tratado; administre-o por pelo menos 2 a 3 dias após a resolução de todos os sinais Fonte: Slatter, 2007.

60

Existem inúmeras espécies bacterianas relacionadas com infecções em

clínica de pequenos animais. Por outro lado, microrganismos comensais

podem, em certas circunstâncias, ser responsáveis por processos infecciosos,

tornando-se necessário proceder à administração de agentes antimicrobianos

como forma de limitar o avanço da infecção. A existência de estirpes

bacterianas, comensais ou patogênicas, causadoras ou relacionadas com

determinadas infecções, com fenótipos de resistência a várias classes de

antibióticos, torna-se, várias vezes, um grave problema em clínica de pequenos

animais, visto que esta situação deixa poucas hipóteses de tratamento desses

animais (RODRIGUES, 2008).

Sabe-se que o uso de antibióticos, com fins profiláticos ou terapêuticos,

em veterinária contribui para a seleção de bactérias resistentes, portanto é

necessária a colaboração entre diferentes profissionais na vigilância do uso

racional de antibióticos, em todas as vertentes, de forma a controlar esse

problema (GOLD, 2001). Assim, a prescrição de agentes antimicrobianos deve

obedecer a regras como: escolher o antibiótico mais eficaz em função dos

dados clínicos do paciente e da epidemiologia local; identificar a bactéria tendo

em conta os dados microbiológicos e dosar o antibiótico de forma adequada

para não haver nenhuma possibilidade de o agente patogênico desenvolver

resistência (MOREILLON, 2000).

61

3. CONCLUSÃO Como formas de prevenção da infecção do paciente cirúrgico e a

desinfecção do ambiente cirúrgico, certos cuidados devem ser tomados para

evitar a contaminação do ambiente e consequentemente a infecção do

paciente. Como formas de prevenção da infecção devem ser evitadas práticas

que sabidamente aumentam o risco de infecção, isto é, a técnica não estéril,

tempo de cirurgia prolongado entre outros. Sabe-se que o risco de infecção

dobra, a cada hora de cirurgia.

Os microorganismos mais comumente encontrados em pacientes e

ambientes cirúrgicos são os Staphylococcus, Pseudomonas, Corynebacterium,

Bacillus, Proteus e E.coli sendo importante conhecer os anti-sépticos e

desinfetantes que atuam nos diferentes tipos de microorganismos.

O ambiente deve ser adequado e limpo adotando-se a limpeza e

desinfecção de rotina para toda área cirúrgica com a utilização de sanitizantes

apropriados, fazendo a anti-sepsia do paciente com anti-sépticos apropriados e

uma terapia antimicrobiana profilática e terapêutica. Adotando todos esses

cuidados o risco de infecções nas feridas cirúrgicas torna-se mínima. A melhor

forma de controlar essas infecções, no entanto, e a conscientização dos

profissionais que realizam cirurgias.

62

4. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ALTERTHUM.F. Microbiologia. Editora Atheneu, 3ª Ed., p. 149 – 156, 2000.

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