Mioma sub-mucoso - Apostilas - Medicina, Notas de estudo de Medicina. Centro Universitário do Pará (CESUPA)
Neymar
Neymar28 de Fevereiro de 2013

Mioma sub-mucoso - Apostilas - Medicina, Notas de estudo de Medicina. Centro Universitário do Pará (CESUPA)

PDF (195 KB)
6 páginas
567Número de visitas
Descrição
Apostilas sobre o estudo do mioma submucoso, definição, característica, localização, alterações.
20pontos
Pontos de download necessários para baixar
este documento
baixar o documento
Pré-visualização3 páginas / 6
Esta é apenas uma pré-visualização
3 shown on 6 pages
baixar o documento
Esta é apenas uma pré-visualização
3 shown on 6 pages
baixar o documento
Esta é apenas uma pré-visualização
3 shown on 6 pages
baixar o documento
Esta é apenas uma pré-visualização
3 shown on 6 pages
baixar o documento

MIOMA SUB-MUCOSO

INTRODUÇÃO:

O objetivo deste trabalho é , uma vez estabelecidas as várias formas anatomo-clínicas da leiomiomatose uterina e suas manifestações ,destacar a vídeo-histeroscopia como método diagnóstico de eleição no mioma submucoso , e a correlação dos achados do CEVESP (Centro de Vídeo-endoscopia São Paulo) com o encontrado na literatura.

DEFINIÇÃO e HISTOGÊNESE

Mioma ( Leiomioma, Escleroma, Fibroma, Fibromioma, Fibroleiomioma, Rabdomioma ) é um tumor de origem ainda discutível desde o século passado,atribuida ao mesoderma (a partir de células mesenquimais que habitam o miométrio em estado embrionário)1 ou originado de focos de miogênese do estroma endometrial, segundo Bird & Willis.

Mayer em 1907 desenvolveu sua teoria mediante o achado de células musculares imaturas no miométrio. Miller e Ludovici a confirmaram através de estudo biocitoquimico em cultura de tecido muscular. Em 1965 com Linder e Gartler, surgiu a teoria unicelular para a origem da patologia, o que foi corroborada por estudos de Towsend e col. a que atribuiram um melhor prognóstico em relação ao tratamento cirúrgico, apesar de sua origem mesenquimal indiferenciada.

CARACTERÍSTICAS:

Tem característica firme, fibrosa e conteúdo habitual de fibras colágenas que acomete , na quase totalidade dos casos, a musculatura lisa do utero.

Pode ser único ou múltiplo , pediculado ou séssil e com dimensões variadas.

É bem delimitado da musculatura circunjacente devido a uma pseudo-cápsula de tecido areolar frouxo que torna-se revestida de tecido endometrial ou peritoneal,de acordo com a sua localização na topografia uterina e adjacências.

LOCALIZAÇÃO:

docsity.com

Quanto a localização o corpo uterino é a sede mais freqüente da patologia, sendo raro o acometimento cervical (2%). Quando assim ocorre, geralmente encarcera na pelvis durante o seu crescimento , levando a compressão dolorosa e a colpocervicite de repetição. O corpo uterino sedia 91 % , enquanto o istmo cursa com 7% desta patologia.

O leiomioma de vagina e raríssimo , estimando-se em 250 casos relatados de 1733 (Denneys)2 até 1994. Origina-se da camada submucosa da parede vaginal e com maior frequência no septo retovaginal. Tem crescimento lento e seu diagnóstico geralmente ocorre após 40 anos de idade.

INCIDÊNCIA:

É a neoplasia benigna mais comum que acomete 20% das mulheres com mais de 30 anos(3). A incidência mais elevada é na raça negra,em nulíparas e com maior prevalência em torno de 45 anos,porém , é imprecisa devido aos pequenos tumores assintomáticos indetectáveis ao exame ginecológico e ao crescimento lento.

Cursa geralmente com formas patogênicas relacionadas ao hiperestrogenismo como: ovários micropolicisticos com corposamarelos, ciclo unifásico, hiperplasia endometrial, citologia vaginal hiperestrogênica, hiperestrogenúria, etc...

Sua gênese,portanto,compreende a pré-disposicão hereditária e o estímulo estrogênico contínuo, o que explica o seu surgimento no menacme; seu crescimento sob terapia hormonal e na gravidez; sua associação a patologias estrogenio-dependentes como a endometriose;adenomiose;hiperplasia endometrial; polipo uterino; mastopatias , e ainda a sua regressão pós-menopausa.

Sua freqüência 3 vêzes maior em negras é atribuida ao sinergismo do estrogênio com o hormônio do crescimento (GH) que tem resposta metabólica mais elevada nesta raça.

Na gestação o GH declina ,mas, o hormônio lactogênio placentário (HPL), com atividade biológica semelhante ao estrogênio, tende a aumentar após o 4º mês favorecendo assim o seu desenvolvimento.

ACHADOS HISTOLÓGICOS:

docsity.com

Histologicamente é composto de células musculares fusiformes entrelaçadas, de tamanho uniforme e quantidade variável de tecido conjuntivo que lhe dá o aspecto branco-nacarado e a textura endurecida.

Raramente é encontrado nas seguintes variantes:

Leiomioma infiltrante: é a extensão do nódulo além dos limites do útero, com invasão para estruturas contíguas, trompas e ligamento largo. Quando atinge o retro-peritônio dificulta o diagnóstico e pode complicar a cirurgia (3).

Leiomiomatose intra-venosa: é a variante mais rara e corresponde a invasão de cordões polipóides ou vermiformes na luz das veias miometriais e parametriais, podendo atingir as veias pélvicas, cava inferior e até as câmaras cardíacas. Pode levar ao óbito pela embolização venosa. A faixa etária de maior incidência é de 40-45 anos(4)

Leiomiomatose peritonial: disseminação de pequenos e múltiplos nódulos de origem mesenquimal em serosa e peritônio com incidência no menacme. Por estar associada a gravidez e puerpério admite-se uma reação decidual fibrótica como fator desencadeante. Sua regressão após a castração comprova a dependência estrogênica. A transformação maligna é tão rara quanto a própria patologia em si.: 1 caso em 1986 (Rubin e col).

Leiomioma metastatizante benigno: presença de nódulos em linfonodos, pulmão e cérebro, provavelmente oriundos de embolização da leiomiomatose intra-venosa. Porém, considera-se também a hipótese desta patologia ser uma variante do leiomiosarcoma benigno.

A avaliação da malignização do mioma,segundo Bell e colaboradores(5), depende do grau de atipia nuclear, da necrose das células tumorais e, principalmente, da atividade mitótica que é representada pelo número de mitoses nas áreas mais ativas do tumor.

O mioma dito mitoticamente ativo geralmente apresenta de 5 a 9 figuras mitóticas(FM) por 10 campos de grande aumento (CGA), podendo atingir até 15 FM/10 CGA. Ele surge na fase reprodutiva e está associado a fase secretora, ao uso de progesterona e de anticoncepcional oral. Caracteriza-se macroscopicamente como um tumor pequeno, semelhante ao leiomioma e de localização submucosa. Microscopicamente tem celularidade variável e atipia nuclear ausente ou baixa , pleomorfismo e necrose hialina, diferenciando-se do leiomiosarcoma por não apresentar atipia nuclear difusa moderada ou grave.

docsity.com

Já o leiomiosarcoma que é originado de fibras musculares de tecido conjuntivo do estroma endometrial ou de vasos , tende a ocorrer do final do período reprodutivo até a oitava década.

A incidência de sarcomas em úteros removidos por mioma é de 0,5% (6), o que serve de alerta à uma propedêutica mais específica.

A presença de características macro ou microscópicas atípicas como a necrose ,material mixóide, atipia nuclear e atividade mitótica merece u’a melhor investigação pelo patologista, ainda que o leiomiosarcoma (tipo mais comum de sarcoma uterino) raramente seja originário do leiomioma, sendo lesão maligna primária com diferenciação macro e microscópicas distintas e extremamente raros ( 0,67/100.000 mulheres com mais de 20 anos )7.

ALTERAÇÕES SECUNDÁRIAS:

São frequentes e distinguíveis macro e microscopicamente:

Degeneração hialina: é a mais comum,poupa nódulos pequenos e é devida a redução de aporte sangüineo ao tumor,tornando-o amolecido pelo conteúdo de material eosinofílico fibrilar em substituição ao tecido tumoral , o que constituisua característica histológica.

Degeneração Cística: representada pela liquefação das áreas hialinizadas,onde o tumor é convertido em cavidades císticas simulando cisto ovariano ou até gravidez. Histologicamente não há epitélio nas paredes das coleções.

Degeneração Mucóide: o conteúdo cístico é gelatinoso com áreas de material amorfo entre as fibras musculares observadas à microscopia.

Degeneração vermelha ou carnosa: mais freqüente no mioma intra-mural. Quando estimulada por terapia hormonal (progesterona) ou gravidez e pelo crescimento rápido do tumor promove a obstrução venosa, congestão e hemólise local promovendo coloração avermelhada típica.

Pode cursar com dor pélvica, febre e anemia e choque pela rotura do tumor para a cavidade peritonial levando a um quadro de abdome agudo cirúrgico.

Degeneração gordurosa: é a forma verdadeira da degeneração onde a fibra muscular retem lipídeos em seu interior. É precursora da necrose e calcificação (Parsons & Sommers).

docsity.com

A coloração amarelada característica é confirmada pela presença de histiócitos à microscopia.

Calcificação: comum nas mulheres menopausadas com distúrbio circulatório. Ocorre após a necrose e degeneração gordurosa do tumor. Os sais de cálcio ocupam as áreas onde o suprimento sanguineo é deficiente. É detectável pelo método radiológico simples.

Infecção: mais comum nos miomas submucosos quando ocorre adelgaçamento e ulceração da mucosa de revestimento e a invasão de microrganismos advindos do colo uterino.

Necrose: consequente a infeção grave com redução do suprimento sangüineo ao tumor ,como ocorre na torção de nódulos pediculados.

Degeneração sarcomatosa: é alteração grave pela tendência a propagação sangüinea metástases para o pulmão e o fígado , além da própria invasão local por contigüidade. >Przybora em estudo prospectivo de 1.195 casos concluiu malignização em 1,08 %, o que correspondeu a média da taxa encontrada na literatura (3).

TIPOS ANATOMO-CLÍNICOS:

A - SUB-SEROSO ou SUB-PERITONIAL:

Pediculado ou séssil é geralmente assintomático, porém quando cresce entre os folhetos do ligamento largo(forma intra-ligamentar) comprime, além da bexiga e reto, o ureter e os vasos ilíacos. Raramente se desliga do pedículo dificultando o diagnóstico.

B - INTRA-MURAL ou INTERSTICIAL:

Situado na parede muscular, pode expandir para a serosa ou para a cavidade endometrial. Quando múltiplo ou de dimensão aumentada, causa aumento volumétrico uterino. É responsável pela forma menorrágica da patologia.

C - SUB-MUCOSO:

docsity.com

Desenvolve-se abaixo da mucosa uterina, abaulando-a. Pode ser séssil ou pediculado, sendo esse decorrente da ação expulsiva fisiológica do músculo uterino tornando-o parido ocasionalmente.

Contribui com 5% (4) de todos os miomas, e a degeneração sarcomatosa é mais comum nesta forma, dita hemorrágica, devido ao sangramento constante.

QUADRO CLÍNICO:

A sintomatologia local varia de acordo com o tipo, tamanho, número e localização da patologia e, caracteriza-se geralmente por sangramento uterino anormal variado, dor, dismenorréia e sensação de peso ou repuxo por torção ou compressão de órgãos , podendo levar a constipação intestinal , polaciúria , incontinência urinária e hidronefrose.

A sintomatologia geral decorre das formas subserosa e intra-mural exacerbadas, confunde-se com as queixas climatéricas em alguns casos, podendo ocasionar transtornos circulatórios e alterações endócrinas, metabólicas e neuro-vegetativas. Alterações cardíacas inespecíficas ocorrem em 30% e Hipertiroidismo em 12 % dos casos. Diabetes é mais comum em mulheres miomatosas. A anemia é hipocrômica e devida ao sangramento constante.(1).

docsity.com

comentários (0)
Até o momento nenhum comentário
Seja o primeiro a comentar!
Esta é apenas uma pré-visualização
3 shown on 6 pages
baixar o documento