O Livro Dida?tico e o Objeto Digital uma Parceria de Futuro - Carla Portugal, Manuais, Projetos, Pesquisas de História
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O Livro Dida?tico e o Objeto Digital uma Parceria de Futuro - Carla Portugal, Manuais, Projetos, Pesquisas de História

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Monografia apresentada como requisito parcial para a obtenção de licenciatura, ao programa de Graduação em Licenciatura em História da Faculdade de Formação de Professores da Universidade do Estado do Rio de Janeiro. Área de concentração: História.
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Universidade do Estado do Rio de Janeiro

Faculdade de Formação de Professores

Carla Portugal

O Livro Didático e o Objeto Digital uma Parceria de Futuro

Rio de Janeiro

2014

ii

Carla Portugal

O Livro Didático e o Objeto Digital uma Parceria de Futuro

Monografia apresentada como requisito parcial para a obtenção de licenciatura, ao programa de Graduação em Licenciatura em História da Faculdade de Formação de Professores da Universidade do Estado do Rio de Janeiro. Área de concentração: História.

Orientador(a): Prof.ª. Helenice Rocha

Rio de Janeiro

2014

iii

Carla Portugal

O Livro Didático e o Objeto Digital uma Parceria de Futuro

Monografia apresentada como requisito parcial para a obtenção de licenciatura, ao programa de Graduação em Licenciatura em História da Faculdade de Formação de Professores da Universidade do Estado do Rio de Janeiro. Área de concentração: História.

Aprovado em ........................................

Avaliadores(as):

Rio de Janeiro

2014

iv

DEDICATÓRIA

A minha mãe, pelo seu carinho e dedicação comigo. Te amo.

v

AGRADECIMENTOS

Agradeço primeiramente a Deus que esteve presente comigo nos momentos felizes deste

curso, durante as aulas, nas amizades que fiz e em tudo que aprendi. Não faltou, principalmente,

nos momentos de maior dificuldade, mostrou seu amor, fidelidade e misericórdia para comigo,

tirou os meus medos, me deu calma, me inspirou e me ajudou a concluir este curso quando eu

achei que não mais conseguiria.

Agradeço a minha mãe que me animou e esteve ao meu lado nos dias que precisei de

um ouvinte e de um leitor.

A meu irmão Fabrício, que mesmo em silêncio, sei que torceu por mim.

A meus irmãos em Cristo, membros da Igreja Batista Oceânica, que oraram por mim e

sempre me sorriem com carinho.

A minha professora e orientadora Helenice Rocha que é um exemplo de carinho e

dedicação ao magistério, jamais esquecerei sua ajuda.

As minhas amigas e companheiras que sempre me incentivaram.

A todos que direta e indiretamente estiveram comigo e me ajudaram.

A Deus toda honra e toda glória!

vi

EPÍGRAFE

“Toda   a   Escritura   é   divinamente   inspirada   e   proveitosa   para   ensinar,   para   repreender,   para   corrigir e instruir  em  justiça.”

Apóstolo Paulo em II Timóteo 3.16

vii

RESUMO

O Ministério da Educação e Cultura em 2012 lança um edital convocando editoras e

empresas nacionais e internacionais interessadas em firmar parcerias para a produção de

material multimídia complementar ao livro didático para o ensino fundamental e médio da rede

pública de ensino. Este estudo busca conhecer como as principais editoras fornecedoras de

livros didáticos responderam a esta nova exigência do MEC analisando os objetos digitais

oferecidos juntos ao livro didático no PNLD/2013. Através de análises do tipo de leitura e do

uso que o livro didático possui no universo escolar, o estudo procura entender se o objeto digital

é passível das mesmas leituras e uso por professores e alunos. O presente trabalho busca

contribuir para um melhor conhecimento e aproveitamento do objeto digital junto ao livro

didático e do seu impacto no universo escolar.

Palavras-chaves: leitura, livro didático e objeto digital.

viii

LISTA DE ILUSTRAÇÕES

FIGURA 1 – A tela inicial com opção de escolha de disciplina, aluno ou professor................ 39

FIGURA 2 – Projeto Jornadas – A opção Sumário disponibiliza os títulos da unidade...........40

FIGURA 3 – Projeto Jornadas - Após a escolha do título da unidade, no canto superior esquerdo,

opções para escolha de atividades. .....................................................................41

FIGURA 4 – Projeto Jornadas - Neste slide há informação extra............................................42

FIGURA 5 – Projeto Jornadas - Ferramenta Estojo no canto esquerdo, opção de anotações no

texto do livro digital...........................................................................................43

FIGURA 6 – Projeto Jornadas - Ferramenta para comparação de documento, pode-se arrastar

elementos do texto para dentro da caixa e depois compara-los

separadamente...................................................................................................44

FIGURA 7 – Conteúdo digital - Nesta página há ama opção de escolha do ano a ser trabalhado,

o assunto e o tema, além de umas busca mais detalhada onde o programa

apresenta o material disponível..........................................................................45

FIGURA 8 – Conteúdo digital - Nesta figura há uma tela em Power Point com todos os slides

disponíveis para uso em aula..............................................................................46

FIGURA 9 – Conteúdo digital - A atividade é corrigida durante o exercício.............................47

FIGURA 10 – Construtor de provas - Basta clicar na questão escolhida e esta será selecionada

para a construção da prova.................................................................................48

FIGURA 11 – Sequência de aulas - Nesta figura encontra-se a lista de slides com os principais

assuntos de cada disciplina e ainda a opção de salvar ou apenas abrir os

slides..................................................................................................................49

FIGURA 12 – Planos de aula – Possibilidade de escolher dois projetos diferentes: Projeto

Radix do autor Cláudio Vicentino da editora Scipione e Projeto Teláris dos

autores Gislane Azevedo e Reinaldo Seriacopi da editora Ática

...........................................................................................................................50

ix

FIGURA 13 – Planos de aula - A figura mostra Projeto Teláris – plano de aula para o professor

contendo tema, sugestão de números de aulas, objetivos, estratégias e recursos e

avaliação............................................................................................................51

FIGURA 14 – Planos de aula - A figura mostra Projeto Radix – plano de aula para o professor

contendo tema, sugestão de números de aulas, objetivos, estratégias e recursos e

avaliação............................................................................................................52

FIGURA 15 – Projeto Estudar História - Ferramenta que permite abrir e salvar a página do texto no computador...........................................................................................53

FIGURA 16 – Projeto Estudar História - Ferramenta de busca................................................54

FIGURA 17 – Projeto Estudar História - Ferramenta que permite destacar apenas uma parte da

página do texto...................................................................................................55

FIGURA 18 – Projeto Estudar História - Ferramenta chamada Vínculo Interno que abre uma

caixa de acesso a arquivos no computador.........................................................56

FIGURA 19 – Projeto Estudar História - Ferramenta chamada Vínculo Externo que permite

acesso a link da web, arquivo externo ou um recurso do livro digital.................57

FIGURA 20 – Projeto Araribá - Recurso que abre animações no DVD disponibilizando título

e página..............................................................................................................58

FIGURA 21 – Projeto Araribá - Recurso que permite ver todas as páginas do livro em

miniatura............................................................................................................59

FIGURA 22 – Projeto Araribá - Recurso que permite aproximar o texto, nota-se as páginas em

miniatura no canto superior direito.....................................................................60

FIGURA 23 – Projeto Araribá - Exemplo de mudança de página.............................................61

FIGURA 24 – Projeto Araribá - Botão de ajuda com a navegação............................................62

FIGURA 25 – Projeto Araribá – Botão de ajuda para usar as ferramentas................................63

x

LISTA DE QUADROS

QUADRO 1 – Quantidade de Exemplares de Livros Didáticos Adquiridos por Editora.........64

QUADRO 2 – Lista Das Editoras E Valores Negociados........................................................65

QUADRO 3 – Valores Negociados Para Livros Impressos E Conteúdos Multimídia.............64

xi

LISTA DE ABREVIAÇÕES CNLD – Comissão Nacional do Livro Didático

COLTED – Comissão do Livro Técnico

FAE – Fundação de Assistência ao Estudante

FENAME – Fundação Nacional do Material Escolar

FNDE – Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação

GLD - Guia do Livro Didático

INL – Instituto Nacional do Livro

LDBN – Lei de Diretrizes e Base Nacional

MEC – Ministério da Educação e Cultura

PLIDEF – Programa do Livro Didático para o Ensino Fundamental

PNBE – Programa Nacional da Biblioteca Escola

PNLD – Plano Nacional do Livro Didático

PNLEM - Programa Nacional do Livro para o Ensino Médio

UNESCO – Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura

USAID – Agência Norte-Americana para o Desenvolvimento Internacional

xii

SUMÁRIO

INTRODUÇÃO.................................................................................................13

1 REFERENCIAL TEÓRICO..............................................................................14

1.1 Leitura do Livro Didático..................................................................................15

1.2 O Mercado Editorial e o Livro Didático............................................................17

1.3 Adaptação do Livro Didático.............................................................................19

1.3.1 Durante o Regime Militar..................................................................................19

1.3.2 Após o Regime Militar.......................................................................................20

1.4 Políticas Públicas Para o Livro Didático............................................................22

2 AVALIAÇÃO DO LIVRO DIDÁTICO...........................................................25

3 CONHECENDO O OBJETO DIGITAL...........................................................26

3.1 Adaptação ao Objeto Digital..............................................................................26

3.2 Políticas Públicas Para o Objeto Digital ...........................................................27

3.3 O Mercado Editorial e o Objeto Digital..............................................................29

3.3.1 Editora Saraiva...................................................................................................29

3.3.2 Ática e Scipione.................................................................................................30

3.3.3 Moderna.............................................................................................................32

4 O LIVRO DIDÁTICO E O OBJETO DIGITAL................................................33

CONCLUSÃO...................................................................................................35

REFERÊNCIAS................................................................................................36

ANEXOS...........................................................................................................38

13

INTRODUÇÃO A tecnologia, hoje em dia, está presente nas indústrias, na agricultura, nas comunicações

e cada vez mais na educação. Na escola ela se manifesta na segurança dos alunos, professores

e servidores, nas manifestações culturais, através da sala de multimídia, do teatro e da dança

como também nas relações de ensino e aprendizagem.

O Ministério da Educação e Cultura (MEC) junto ao Fundo Nacional de

Desenvolvimento da Educação (FNDE), através de políticas educacionais, publicou em 2012

um edital convocando editoras interessadas em participar de um processo de parcerias para

estruturar e operacionalizar serviços digitais para o ensino fundamental e médio da rede pública

de ensino em nível nacional.

O presente estudo busca conhecer como estes serviços digitais se realizaram nas

coleções submetidas ao edital de convocação do Plano Nacional do Livro Didático (PNLD)

2013, sua contribuição e sua adaptação ao livro didático. Através de análises de textos e dos

objetos digitais, este trabalho apresenta as diversas possibilidades de leitura do livro didático e

do objeto digital e como o mercado editorial se adequou, em uma primeira tentativa, às políticas

públicas para a produção do objeto digital.

O estudo aqui desenvolvido procura apontar uma possibilidade de mudança na relação

formada entre o aluno e o conteúdo escolar uma vez que surge um novo tipo de leitura, diferente

da leitura do livro didático.

O objetivo principal deste trabalho é contribuir para as pesquisas educacionais e

familiarizar os professores de História sobre discussões acerca da presença de novas tecnologias

em sala de aula.

14

1 REFERENCIAL TEÓRICO.

De acordo com a Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura

(UNESCO), entre os 53 países que não atingiram os objetivos do programa Educação para

Todos 1, o Brasil ocupa a 8ª posição em relação aos países com o maior número de adultos

analfabetos, apesar da redução das taxas de analfabetismo entre jovens e adultos nos últimos

anos.

O termo analfabetismo2 vai além da capacidade de ler, escrever e calcular, muitos jovens

e adultos são chamados de analfabetos funcionais, ou seja, aqueles que não possuem capacidade

de associar a leitura, a escrita e o cálculo com tarefas simples do cotidiano que necessitam de

alguma habilidade especial. Pela leitura podemos perceber se uma pessoa foi bem ou mal

alfabetizada, ela pode ser alfabetizada e não ser letrada e vice-versa. Pode dominar a prática da

leitura, mas não consegue associa-la a sua realidade social. A escola deve apresentar uma

proposta de ensino de qualidade para que os alunos sejam alfabetizados e letrados3. Segundo

Magda Becker Soares:

“O  letramento  compreende  tanto  a  apropriação  das  técnicas  para  a  alfabetização  quanto  esse   aspecto de convívio e hábito de  utilização  da  leitura  e  da  escrita.”. (Magda Becker Soares, 2003)

O problema do aumento do iletrismo também atinge os países mais ricos. Debates na

França e nos Estados Unidos foram realizados há dezenas de anos, em ocasião de testes para a

incorporação no exército. Percebeu-se que 12,5% dos jovens foram considerados iletrados, 1%

não liam e não escreviam e 11,5% só conseguiam ler em voz alta e escreviam soletrando.

Segundo Chartier isso nem sempre foi um problema, pois algumas pessoas consideradas

letradas possuíam os mesmos costumes de leituras, mas, com o passar do tempo, a sociedade

se tornou mais exigente e alguns comportamentos aceitáveis passaram a ser considerados

inaceitáveis.

“Do  ponto  de  vista  histórico,  é  interessante  ver  como,  aumentando  as exigências que definem a alfabetização, transforma-se o valor, negativo ou positivo, de certos comportamentos e de certas práticas”.  (Roger Chartier, 2002 p.100 e 101)

1 Para saber mais sobre o programa Educação para Todos da Unesco, ver em Relatório de Monitoramento Global de EPT 2013/14, 2014 2 Para saber mais sobre analfabetismo no Brasil, ver em Mapa do Analfabetismo no Brasil, 2003 3 SOARES 2003, sobre letramento e analfabetismo no Brasil

15

Para Munakata a leitura é uma designação genérica de práticas bem diversificadas. Estas

práticas variam num quadro de determinações (sociais, econômicas, políticas e culturais,

linguísticas, etc.) que estabelecem limites ao que se denomina leitura, mas que, em um universo

delimitado, são possíveis escolhas múltiplas, resultando em diferentes significações e que essa

leitura só é possível através da mediação de um objeto material, o livro.

1.1 Leitura Do Livro Didático.

A prática da leitura do livro didático envolve dois leitores permanentes: o aluno e o

professor. Cabe ao professor ser o principal agente mediador entre o conteúdo disponível no

livro didático e o aluno, o aluno por sua vez, é orientado pelo professor de como ler e utilizar o

livro didático. Por envolver diversas práticas de leitura, Munakata aponta não mais o termo

“leitura  do  livro  didático”  e  sim  o termo  “uso  do  livro  didático”  como  mais  apropriado.  

Batista destaca a importância do livro didático na escolarização e letramento no país,

uma vez que ele alcança professores e alunos, como também no campo da produção editorial e

nos processos sociais, culturais e econômicos, desta maneira o livro assume um papel de objeto

cultural, presente e importante na sociedade brasileira4.

“Os   livros  didáticos  parecem  ser,  assim,  para  parte   significativa  da  população  brasileira,  o   principal impresso em torno do qual sua escolarização e letramento são organizados e constituídos”.  (Antônio Augusto Gomes Batista, 2002 p.531)

O livro didático é aquele que contém matéria das disciplinas constantes dos programas

escolares. As exigências do MEC para os livros didáticos estão de acordo com a Lei 9394 de

20 de dezembro de 1996 a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDBN) que é

prover ao aluno um material didático-escolar de qualidade.

Art. 2º Para os efeitos da presente lei, são considerados livros didáticos os compêndios e os livros de leitura de classe. § 1º Compêndio são os livros que exponham, total ou parcialmente, a matéria das disciplinas constantes dos programas escolares. § 2º Livros de leitura de classe são os livros usados para leitura dos alunos em aula.

Batista aponta indicadores sociais negativos no livro didático, chamado de livro

“menor”,   de “autores”   e   não   escritores, objeto de “colecionadores”   e   não   bibliófilos de

4 BATISTA 2002 p.534, sobre o livro enquanto objeto cultural

16

“usuários”  e  não  leitores e do desprestígio entre os pesquisadores, para ele, o pequeno valor

dado ao livro didático não se justifica5.

“[...]  Embora  esses  livros  tendam  a  despertar o interesse acalorado de órgãos governamentais, da imprensa e das editoras, assim como de professores [...] parece não ser compartilhado, permanentemente, pela pesquisa educacional, assim como pela investigação histórica e sociológica sobre o livro  brasileiro”.  (Antônio Augusto Gomes Batista, 2002 p.530)

É natural que a produção do livro didático leve em conta as diversidades desses leitores.

O modelo do livro didático é dirigido ao aluno, o prefácio, a apresentação, as instruções, os

textos, as atividades e os exercícios, todo o conteúdo é voltado para fins educacionais. Apesar

do livro didático ser destinado ao aluno, ele é utilizado com a mediação do professor6. É o

professor que seleciona e escolhe o livro que será adotado e como ele será usado em sala de

aula. De acordo com o MEC na Lei 9394-96:

Art. 6º É livre ao professor a escolha do processo de utilização dos livros adotados, desde que

seja observada a orientação didática dos programas escolares, ficando vedado, porém, o ditado

de lições constantes dos compêndios ou o de notas relativas a pontos dos programas.

Além do livro didático, outros materiais são usados como complemento na educação

brasileira, uma vez que o livro didático é o principal objeto usado em sala de aula e transpor

esta barreira física do livro implica reestruturar a educação como a conhecemos hoje. Entre a

variedade de materiais complementares usados em sala de aula temos como exemplos: cartazes,

fichas, cadernos, música, teatro, filmes, softwares, e outros, são indicadores de diferentes

formas e uso dos textos escolares e de suas múltiplas leituras7.

Batista aponta a existência de uma imprensa especializada em textos voltados para a

área educacional. O termo impresso escolar8 pode ser usado para designar o conjunto de textos

que circulam ou circulavam na escola, de acordo com o processo de sua reprodução, seja na

escola ou para a escola ou resultante de um processo editorial, como o livro didático.

Entretanto, a utilização desse termo torna-se problemática tendo em vista os fenômenos

de natureza histórica, entre eles, o aparecimento da reprodução gráfica como o mimeógrafo, a

5 BATISTA 2002 p.530, sobre os indicadores do livro didático 6 BATISTA 2002 p.565, sobre a mediação do professor 7 BATISTA 2002 p.544, sobre a diversidade de leituras no texto didático 8 BATISTA 2002 p.537,  sobre  o  fenômeno  da  “imprensa  escolar”

17

xerox e o computador que geram cópias simples formatadas pelo professor ou coordenador até

a elaboração e confecção de apostilas nos grandes sistemas de ensino.

“Os   impressos   e   textos  didáticos,   desse  modo,   são   tanto  “um   instrumento  de  aprendizagem,   dirigido prioritariamente ao aluno quanto um instrumento de ensino para ajudar a organizar e preparar  suas  aulas”.”  (Antônio Augusto Gomes Batista, 2002 p.551)

O segundo fenômeno que torna problemática a utilização do termo está no fato de que

antes da invenção da imprensa, a educação já fazia uso de livros e textos manuscritos, no Brasil

do século XIX era comum o uso de documentos de cartório e cartas manuais. Ainda hoje, em

algumas regiões do Brasil, a ausência do livro didático leva o professor a utilizar o quadro negro

e os alunos a copiarem manualmente o conteúdo nos seus cadernos.

Outro problema apresentado por Batista está no discurso contrário à utilização de livros

didáticos considerando-o como um dos principais fatores responsáveis pela desqualificação do

professor9, uma vez que o conteúdo do livro didático não é elaborado pelo professor e sim pelos

autores dos livros didáticos e das editoras, como as atividades e exercícios dirigidos ao aluno.

A escolha do livro didático a ser utilizado em sala de aula pelo professor e alunos não é uma

escolha   tão  “livre”  quanto  garante a Lei 9394-96. O professor está sujeito a algumas fortes

influências que limitam essa liberdade de escolha, entre elas o mercado editorial e as políticas

educacionais.

1.2 O Mercado Editorial e o Livro Didático

O mercado editorial brasileiro vem crescendo nos últimos anos, mas não alcança toda a

população brasileira, boa parte dos brasileiros tem contato com o livro apenas enquanto alunos

e quando deixam à escola o hábito da leitura é deixado de lado. Para sobreviver a esse difícil

mercado as editoras no Brasil destinam sua produção para atender as demandas do mercado

escolar, são os alunos e professores os principais consumidores de livros no Brasil. O livro

didático é o principal produto do mercado editorial brasileiro, enquanto produto, assume o papel

de mercadoria.

As principais editoras brasileiras estão no mercado do livro didático10, para isso contam

com uma equipe de profissionais cada vez mais especializados e suas atividades são divididas

9 RELATÓRIO DE MONITORAMENTO GLOBAL DE EPT 2013/14 p.30, sobre propostas da UNESCO para qualificação do professor 10 MIRANDA 2004, p.125, sobre os investimentos do Estado na produção do livro didático

18

de maneira bem industrial como: edição e copidesque, leitura crítica, revisão, edição de arte,

diagramação e paginação, ilustração, pesquisa iconográfica, e outros. Todos os principais

funcionários de uma editora são formados em cursos universitários e estão ligados,

normalmente, a sua área temática, procurando sempre acompanhar os debates universitários e

vestibulares, tudo para garantir um produto de qualidade, ou seja, um livro didático atualizado.

Os primeiros livros eram copiados manualmente com distribuição restrita e custo

elevado resistiram algum tempo mesmo após a invenção da prensa por Gutenberg no século

XV, pois nem todos os textos podiam ser editados e distribuídos sem a permissão do Estado.

Segundo Chartier, os livros manuscritos e os livros impressos por Gutenberg tinham muito em

comum, baseavam-se na estrutura do códex, possuíam folhas dobradas, costuradas e coladas

em formas de caderno e protegidos por uma encadernação, a distribuição do texto na folha, os

instrumentos de identificação, como páginas e numerações, os índices e os sumários, tudo

permaneceu parecido, mesmo após a invenção da imprensa. “Há  portanto  uma  continuidade  muito  forte  entre  cultura  do  manuscrito  e  a  cultura  do  impresso,   embora  durante  muito  tempo  se  tenha  acreditado  numa  ruptura  total  entre  uma  e  outra.”  (Roger Chartier, 1998 p.9)

A continuidade das atividades ligadas à indústria do livro se manifestam na pessoa do

autor e do editor, essas atividades permanecem inalteradas na produção do livro. O autor é

aquele  que  tem  a  ideia  inicial  e  escreve  o  texto,  Chartier  o  chama  de  fomentador  “fauteur”11

aquele que fomenta as ideias. Mas os autores, em todo tempo, buscam por leitores e

principalmente de uma indústria que possa publicar suas ideias, e neste contexto entram os

editores, responsáveis por moldar a ideia, preparar dentro de uma norma e publicar mediante

uma convenção a ser autorizada e comercializada.

A atividade do editor é anterior à invenção da imprensa, segundo Munakata, durante o

século XIII, com a expansão das universidades houve um crescimento no número de leitores.

Para atender a essa demanda um número de artesãos copistas foram contratados para,

manualmente, copiarem os livros dentro de uma norma previamente estabelecida, essa atividade

já afastava a figura do autor cabendo ao editor finalizar o texto12.

Atender as demandas de mercado é fundamental para a sobrevivência de uma editora.

Segundo Chartier os autores e editores medievais já se preocupavam com isso, não havia como

viver das rendas de manuscritos, por isso era necessário um patrocinador alguém ou alguma

11 CHARTIER 1998, p.34, sobre autoria 12 MUNAKATA 2012, p.58, sobre a divulgação de texto antes do aparecimento da imprensa

19

instituição que provesse benefícios, cargos, postos remunerados ou até mesmo uma

remuneração pelo livro em forma de pensão ou recompensa13. “O   gesto   que   inicia   estas   relações   de   clientela,   ou   de   patrocínio,   é   o   da   dedicatória,   um   verdadeiro rito [...] Na cena da dedicatória, a mão do autor transmite o livro à mão que o recebe,  a  do  príncipe,  do  poderoso,  ou  do  ministro”. (Roger Chartier, 1998 p.39)

Atualmente a indústria do livro no Brasil também se preocupa   com   a   “mão   que   o  

recebe”.  A  seguir dois fatores que demonstram essa adaptação do livro didático às demandas

de mercado: o primeiro está nas mudanças políticas que levaram as editoras a adaptarem seu

conteúdo com novos temas e o segundo nas novas pesquisas na área acadêmica que

possibilitaram novas abordagens, principalmente no ensino de história.

1.3 Adaptação do Livro Didático.

Ao longo dos anos o livro didático vem sofrendo adaptações em razão das influências

de diversos fatores. Algumas dessas influências foram e são de substancial importância na sua

elaboração, como por exemplo: durante e após o regime militar no Brasil.

1.3.1 Durante O Regime Militar.

A prática intervencionista do Estado na educação não é exclusividade do Brasil.

Segundo Munakata durante a Revolução Francesa buscou-se formar um novo homem, longe

dos vícios do Antigo Regime através da Educação para fortalecimento do Estado Nacional.

“[...]   estabeleceram-se os princípios de ensino público, gratuito, laico e obrigatório; e formularam-se  em  certos  países,  os  programas  curriculares  unificados  em  âmbito  nacional.” (Kazumi Munakata, 2012 p.59)

As políticas voltadas à educação pública sugeridas às editoras não são as únicas

maneiras de controle do Estado sobre a educação. Durante o regime militar, o Estado fazia uso

da censura a autores ou grupos com ideologias contrárias, essas publicações foram consideradas

subversivas e por isso proibida sua comercialização. Segundo Chartier, na Idade Média, a Igreja

também fazia uso de tais práticas:

“A  autoridade   católica   interveio   com   toda   força   e   criou  os   instrumentos   que   lhe   permitiam   exercer  o  poder  da  censura.”  (Roger Chartier, 1998 p.35)

13 CHARTIER 1998, p. 61, sobre o patrocínio aos autores

20

Miranda destaca que, apesar da censura e da ausência de liberdade democrática no

período do regime militar, ocorreu uma progressiva ampliação escolar através de políticas

econômicas que propiciaram o crescimento da indústria editorial.

“[...]   na  medida   em   que   os   governos militares estimularam, por meio de incentivos fiscais, investimentos no setor editorial e no parque gráfico nacional que exerceram papel importante no  processo  de  massificação  do  uso  do  livro  didático  no  Brasil.”  (Sônia Regina Miranda, 2004 p.125)

Após  o  fim  do  regime  militar,  as  editoras  se  adaptaram  ao  “politicamente  correto”  dos  

tempos de democratização e procuraram manter-se o mais longe possível dos traços que

lembrem a opressão do regime militar14.

1.3.2 Após O Regime Militar.

Com o fim do regime militar e o início da democratização no Brasil os setores da

sociedade ligados à educação, à cultura e à política, puderam debater questões que antes

estavam à margem das discussões sociais. Entre os assuntos de maior relevância estava o papel

da escola e do livro didático como veículos de propagação da ideologia até então dominante.

Um dos gêneros que dominaram os livros didáticos, segundo Munakata, é conhecido

como  “As  Belas  Mentiras”15 temas que consolidavam o regime militar omitindo ou amenizando

fatos ou informações de relevância social, como nos movimentos sociais, como Cabanagem e

Balaiada e a caracterização dos agentes sociais, como o operário, o negro, a mulher e a família16.

Dentro deste contexto de mudanças políticas, Munakata faz menção do “Modelo  

Mineiro”17 quando em 1986 um governo eleito em Minas Gerais por via direta, em oposição ao

regime militar, promoveu a reformulação dos currículos, entre eles o de História, apresentando

um conteúdo mais marxista da História em oposição ao Positivista do currículo anterior. Já em

São Paulo, também em 1986, se tentou reestruturar o currículo, porém a imprensa paulista se

14 MUNAKATA 2001, p.274, sobre a profissionalização e adaptação do mercado editorial no fim do regime militar 15 MUNAKATA 2002, p.271, sobre as Belas Mentiras 16 MUNAKATA 2002, p.272, sobre como os temas sociais eram tratados durante o regime militar 17 MUNAKATA 2001, p.279, sobre o Modelo Mineiro

21

manifestou contrária. A proposta foi reapresentada em 1992 e sem muitos problemas

possibilitou a reformulação do currículo de História em São Paulo18.

O segundo fator de adaptação das editoras está no acompanhamento das discussões

acadêmicas e mudanças metodológicas levando as editoras a incorporarem nos livros didáticos

“novos  problemas,  novas  abordagens,  novos  objetos”  propostos  pela  Nova  História.    Segundo  

Munakata havia um terreno fértil para a proliferação deste novo gênero chamado paradidático.

“É  certo  que  o  boom  desse  gênero  literário  obedeceu  à  dinâmica  própria  do  mercado  editorial   e não se  restringiu  apenas  à  área  de  História”.  (Kazumi Munakata, 2001 p.285)

As editoras paulistas produziram em massa livros temáticos e coleções para abastecer

essa nova demanda de mercado, conhecidos como livros paradidáticos, porém os professores

paulistas perceberam as dificuldades de adaptação dos temas propostos pelas editoras com os

programas escolares, uma vez que surgiram dificuldades em trabalhar os temas fora do já

tradicional contexto cronológico19. Os temas, de modo geral, podem ser classificados em quatro

grupos: História Geral (feudalismo, Renascimento, Revolução Francesa, etc.), História do

Brasil (descobrimento, escravidão, Inconfidência Mineira, etc.), temas mais recentes que ainda

não estão presentes nos livros didáticos (Guerras no Oriente Médio) e temas não usuais nos

livros de História (Reforma Agrária, Racismo).

Para Batista um dos problemas do gênero paradidático20 é a obrigatoriedade da leitura.

Sua aquisição não é de livre escolha dos pais, já que os livros paradidáticos e didáticos são

recomendados pela escola e sua utilização é obrigatória.

“Apenas  em  parte  se  destinam  a  uma  utilização  individual,  em  casa:  são  também  discutidos  em   sala  de  aula  e  dão  origem  [...]  a  exercícios  e  avaliações”.   (Antônio Augusto Gomes Batista, 2002 p.547)

Em 2012, o MEC lançou um edital convocando as editoras a publicarem livros

paradidáticos voltados para o Programa Nacional da Biblioteca Escola (PNBE)21 que visa

abastecer as bibliotecas do ensino público em todo território nacional, com temas como:

18 MUNAKATA 2001, p.282, sobre a reformulação do currículo de História em São Paulo 19 MUNAKATA 2001, p.284, sobre as dificuldades dos professores de História em São Paulo em trabalhar com a história temática 20 MUNAKATA 2001, p.285, sobre padrões no livro paradidático 21 Para saber mais sobre o PNBE Temático 2013 ver Edital de Convocação 01/2012 maio de 2012

22

indígena, quilomboa, campo, educação de jovens e adultos, direitos humanos, sustentabilidade,

educação especial, relação étnico-raciais e juventude.

1.1Este edital tem por objetivo a convocação de editores para o processo de inscrição e seleção de obras de referência elaboradas com base no reconhecimento e na valorização da diversidade humana, considerando diferentes temáticas e as especialidades de populações que compõem a sociedade brasileira, no âmbito do PNBE.

Acompanhando e se adaptando as demandas de mercado, as editoras no Brasil procuram

estar de acordo com as exigências do MEC através do Programa Nacional do Livro Didático

(PNLD)22.

1.4 Políticas Públicas Para o Livro Didático.

O PNLD é o mais antigo programa brasileiro voltado à distribuição de livros didáticos.

Este programa viabiliza a avaliação, compra e distribuição de livros didáticos para o ensino

fundamental e médio em todo território nacional.

O governo brasileiro em 1929 redige o primeiro esboço de uma política educacional

voltada à educação brasileira. Para dar maior credibilidade ao livro didático nacional, o Estado

cria um órgão para legislar esta política o Instituto Nacional do Livro (INL) contribuindo assim

para uma maior produção de livros didáticos e estimulando o crescimento do mercado de livros

didáticos no país.

A primeira política de legislação e controle da produção de livros didáticos ocorreu em

1938 com a criação da Comissão Nacional do Livro Didático (CNLD) que se encarregaria da

legislação e controle da produção e circulação dos livros didáticos no Brasil. Entre as principais

disposições do Decreto Lei 1006 de 30 de dezembro de 1938 estão: à preocupação com os

conteúdos contrários à unidade nacional, à independência ou à honra nacional como também

aos livros que não escritos em português.

Pelo Decreto Lei 8460 de 16 de dezembro de 1945 a CNLD passou a ter quinze membros

nomeados pelo Presidente da República, anteriormente, em 1938, este número era de sete

membros. Foram consolidadas as condições de produção, importação e utilização dos livros

didáticos como também as penalidades para aqueles que descumpriam esta lei.

Com o objetivo de coordenar ações referentes à produção, edição e distribuição do livro

didático em todo território nacional, em 1966 o MEC entra em acordo com a Agência Norte-

22 MUNAKATA 2004, p.126, sobre o desenvolvimento do PNLD

23

Americana para o Desenvolvimento Internacional (USAID)23 permitindo a criação da

Comissão do Livro Técnico (COLTED)24. Segundo Cunha: “Os  acordos  MEC-USAID cobriram todo o espectro da educação nacional, isto é, o ensino primário, médio e superior, a articulação entre os diversos níveis, o treinamento de professores e  veiculação  de  livros  didáticos”.  (CUNHA 1989, p.33)

Esta parceria garantiu ao MEC a continuidade do programa do livro didático através do

financiamento do governo com verbas públicas.

Em 1970, as editoras nacionais passam a integrar este processo, quando o MEC

implementa um sistema de co-edição de livros com os recursos do INL.

Em 1971 o INL passa a desenvolver o Programa do Livro Didático para o Ensino

Fundamental (PLIDEF) assumindo as atribuições administrativas e de gerenciamento dos

recursos financeiros, antes atribuídos ao COLTED. Neste mesmo ano, uma maior participação

dos Estados da Federação foi de fundamental importância para o fim da parceria MEC/USAID

que durou 26 anos.

Com a extinção do INL em 1976 a Fundação Nacional do Material Escolar (FENAME)

torna-se responsável pela execução do programa do livro didático. Os recursos passam a vir do

Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE) esses recursos não são suficientes

para todos os alunos da rede pública de ensino e grande parte das escolas municipais é excluída

do programa.

No ano de 1983 a FENAME é substituída pela a Fundação de Assistência ao Estudante

(FAE) que incorpora o PLIDEF, neste ano é proposto uma maior participação dos professores

na escolha dos livros didáticos.

Com o fim do PLIDEF é criado em 1985 o Programa Nacional do Livro Didático

(PNLD) que traz modificações importantes, tais como: maior participação dos professores na

escolha do livro didático, reutilização do livro didático por mais de um aluno, maior distribuição

de livros incluindo os alunos de 1ª e 2 ª séries das escolas públicas e comunitárias e o fim da

participação financeira dos Estados, dando a FAE o controle do processo de decisões e

garantindo o critério de escolha de livros pelos professores.

Com falta de recursos financeiros, em 1992, a distribuição dos livros didáticos é

comprometida e apenas os alunos até a 4ª série do ensino fundamental são beneficiados.

23 CUNHA 1989, p.32, sobre as políticas do USAID na educação brasileira. 24 BATISTA 2002, p.557, sobre as políticas do COLTED e seu reflexo no mercado editorial brasileiro

24

Em 1993 é estabelecido um fluxo regular de verbas para aquisição e distribuição dos

livros didáticos. Neste mesmo ano, são criadas as comissões de avaliadores para os livros de 1ª

e 4ª séries e os critérios de avaliação são definidos.

A partir de 1995 os livros didáticos passam a ser avaliados por critérios previamente

estabelecidos. Os livros que apresentam erros conceituais, indução a erros, desatualização,

preconceitos ou discriminação de qualquer tipo são excluídos do Guia do Livro Didático

(GLD)25. O Guia do Livro Didático é um instrumento de auxílio ao professor na escolha do

livro didático.

A extinção da FAE em 1997 transfere integralmente para o FNDE a responsabilidade

de execução das políticas do PNLD. O programa é ampliado e o MEC passa a adquirir,

continuamente, livros didáticos para todos os alunos da 1ª a 8ª série do ensino fundamental

público.

De forma gradativa, o PNLD passa a integrar em 2001 alunos com deficiência visual

que estão em sala de aula do ensino regular das escolas públicas com livros didáticos em Braille.

Atualmente os alunos são atendidos com livros em LIBRAS26, em caracteres ampliados e na

versão MecDaisy27.

Ao longo dos anos o PNLD sofreu importantes modificações que impactaram na

produção de livros didáticos e também nas práticas de ensino, entre elas está o impacto dos

avanços tecnológicos.

Em 2012 foi publicado um edital para formação de parcerias com instituições nacionais

e internacionais para estruturação e operação de serviço público e gratuito de disponibilização

de materiais digitais a usuários da educação nacional. O objetivo do edital é constituir um

acordo de cooperação entre o FNDE e instituições interessadas na estruturação e operação de

serviços virtuais para disponibilizar obras digitais e outros conteúdos educacionais para

professores, estudantes e outros usuários da rede pública de ensino.

Nesta versão do PNLD, foram incorporadas às coleções algumas inovações tecnológicas

que servirão de instrumento à aprendizagem complementando o livro didático. A mais

importante diz respeito ao Objeto Digital, material multimídia, que pode ser na forma de:

25 Para saber mais sobre o Guia do Livro Didático http://www.fnde.gov.br/programas/livro-didatico/guia-do- livro 26 Linguagem Brasileira de Sinais 27 O MecDaisy trata-se de uma ferramenta tecnológica que permite a produção de livros em formato digital acessível.

25

infográficos, jogos eletrônicos, simuladores, material audiovisual e endereços on-line. Esse

material será enviado às escolas para utilização no ensino fundamental a partir de 2014.

2 AVALIAÇÃO DO LIVRO DIDÁTICO.

O MEC conta com uma equipe de profissionais28 especializados para avaliar os livros

didáticos. Os livros didáticos devem seguir critérios previamente estabelecidos e publicados via

edital no PNLD.

Entre os critérios empregados na avaliação do livro didáticos estão o respeito à

legislação, às diretrizes e normas oficiais relativas ao ensino fundamental; respeito aos

princípios éticos necessários a construção da cidadania; correção e atualização de conceitos,

informações, e procedimentos; e coerência e adequação da abordagem teórico-metodológica no

que diz respeito à proposta didático-pedagógica explicitada.

Quando um livro didático passa pelo crivo da equipe de avaliadores do MEC este livro

passa fazer parte do GLD. O GLD é um instrumento de auxílio ao professor na escolha do livro

didático que será utilizado pela escola. Ele contém uma série de resenhas das coleções

oferecidas pelas editoras e aprovadas pela equipe de avaliadores.

A aprovação de um livro didático, a sua inclusão no GLD e a sua escolha pelo professor

são de fundamentais importância para a sobrevivência de algumas editoras29. Para que um livro

seja aprovado, as editoras além de se adequarem as exigências do MEC descritas no PNLD

contam ainda com uma equipe de divulgadores. Os divulgadores são pessoas encarregadas de

irem às escolas levando o material didático para que o professor tenha um contato direto com o

livro didático não ficando restrito ao GLD.

Miranda enquanto avaliadora de livros didáticos de História nos fala da agressividade

das editoras no processo de adequação e convencimento de professores na escolha de tais livros.

“Se  valem  de  sofisticados  esquemas  de  distribuição  e  vendas,  a  ponto  de  influir  decisivamente   nos  processos  de  escolha  nas  escolas  de  todo  o  país.” (Sônia Regina Miranda, 2004 p.128)

Caso um livro não seja aprovado e escolhido para uso em sala de aula, algumas editoras

podem chegar à falência e desaparecer do mercado ou até mesmo se juntar a outras editoras

28 MIRANDA 2004, p.131, sobre avaliação dos livros didáticos de História 29 MUNAKATA 2012, p.61, sobre a preocupação das editoras com a avaliação dos livros didáticos

26

criando grupos editoriais fortes monopolizando o mercado editorial de livros didáticos30. O

interesse na aprovação de um livro é tão grande que em casos de sua exclusão do GLD este

pode sofrer uma modificação editorial para ser melhor avaliado em um próximo edital do PNLD

e assim garantir a sua vendagem.

Segundo Munakata um bom livro, do ponto de vista editorial é aquele que: tenha um

bom conteúdo, respeite a coerência de estilo e a normalização. Porém, um bom livro, sob o

ponto de vista editorial não é suficiente para ser aprovado ele precisa também estar de acordo

com a política do PNLD, assumindo assim, a dimensão de mercadoria.

“Não  é   impossível  que   tal   situação   tenha   incentivado  a  produção  de   livros  direcionada  não   diretamente aos professores e as alunos, mas aos avaliadores, geralmente recrutados da universidade e, segundo a crítica  corrente,  nem  sempre  habituados  às  práticas  de  sala  de  aula.” (Kazumi Munakata, 2012 p. 56)

As editoras procuram cada vez mais se adaptar as exigências das políticas do PNLD

para uma avaliação favorável dos livros, porém de nada vale se o livro não for escolhido pelos

professores. Os professores apresentam algumas reclamações31 entre elas que os GLDs

encaminhados pelo MEC não são suficientes para todos os professores, há apenas um GLD por

escola e não chegam em tempo suficiente para que as resenhas sejam analisadas32 e as escolhas

sejam feitas com calma.

Ao longo dos anos o governo brasileiro vem aprimorando a política do PNLD buscando

incorporar múltiplos olhares, leituras e críticas interpostas ao programa e aos parâmetros de

avaliação, porém sempre coube ao Estado definir o que de fato será determinante à educação

básica.

3 CONHECENDO O OBJETO DIGITAL 3.1 Adaptação ao Objeto Digital.

O uso do livro digital parece ser uma tendência entre as editoras, três das cinco editoras

analisadas apresentaram essa possibilidade de uso do livro didático, somada às diversas

30 MIRANDA 2004, p.131, sobre a adaptação das editoras ao perfil dos avaliadores 31 MIRANDA 2004, p. 126, sobre os problemas de distribuição de Guias nas escolas 32 GUIA DO LIVRO DIDÁTICO 2014, p. 20, para saber mais sobre as resenhas dos livros didáticos

27

ferramentas já popularizadas entre alunos e professores pelo sistema Windows. Com esta nova

possibilidade de produção, podemos reavaliar o lugar que o livro didático ocupa na educação.

Munakata aponta algumas peculiaridades do uso do livro didático impresso como o tipo

leitura, o manuseio e o transporte. Para ele: “[...]esse  é  um  tipo  de  livro  que  é  transportado  constantemente:  da  casa  do  seu  leitor  para  um   lugar  específico  que  se  chama  escola[...]”  (Kazumi Munakata 2002, P.578)

Dentro desta nova perspectiva do uso livro didático digitalizado a leitura, o manuseio e

o transporte são repensados. A leitura do texto passa a ser realizada no monitor do computador

ou no tablet com possibilidade de mudança de plataforma, como é o caso do celular

smartphone.

O manuseio poderá ser realizado por toque na tela ou por conferência pelo Power Point,

em uma questão de tempo, grupos de estudos podem ser formados, nas redes sociais e o

conteúdo distribuído.

Quanto ao transporte o livro didático digitalizado pode ser levado no bolso do aluno,

uma vez que o programa esteja num pendrive, caso esteja na Nuvem33 poderá ser acessado de

qualquer computador.

Chartier fala sobre essa adaptação às novas tecnologias e das dificuldades em romper

um hábito de leitura, como ocorreu quando os leitores do códex tiveram que deixar a tradição

do livro em rolo.

“Esses  leitores  defrontavam-se com um objeto novo, que lhes permitia novos pensamentos, mas que ao mesmo tempo, supunha o domínio de uma forma imprevista, implicando técnicas de escrita  ou  de  leitura  inéditas.”  (Roger Chartier, 1998 p.93)

Ao longo do tempo novas tecnologias surgiram e novas práticas de leitura

acompanharam essas mudanças, desde a imprensa por Gutemberg até as diversas plataformas

usadas para leitura de texto.

3.2 Políticas Públicas Para O Objeto Digital.

A política do PNLD para 2014, de acordo com o edital de março de 2012, onde o MEC

busca firmar parcerias interessadas em estruturar e operacionalizar serviços virtuais e de

conteúdos educacionais, tem como objetivo facilitar o acesso à educação de qualidade para

33 Local na web para armazenagem de arquivos pessoais.

28

todos e o enriquecimento curricular através de um suporte ao livro didático, o objeto digital.

Segundo o edital:

“1.1.   Este   edital   tem   por   objeto   a   constituição   de   acordos   de   cooperação   entre   o   FNDE   e   instituições interessadas para a estruturação e a operação de serviço virtual para disponibilização de obras digitais e outros conteúdos educacionais digitais para professores, estudantes e outros usuários da rede pública de ensino brasileira, com ênfase nos títulos do Programa Nacional do Livro Didático (PNLD), do Programa Nacional Biblioteca da Escola (PNBE) e de outras ações governamentais na área de material escolar, por meio de tecnologia que assegure o atendimento em escala nacional e proteja aos direitos autorais digitais e a propriedade  intelectual  dos  acervos”.

Na versão 2014 do PNLD algumas inovações foram incorporadas ao livro didático, a

mais importante delas é o objeto digital, de acordo com o GLD seu uso e utilização deve levar

em conta: “Empregados   de   maneira   adequada,   infográficos,   jogos   eletrônicos,   simuladores,   material   audiovisual e hipermídias são potenciais instrumentos de aprendizagem, uma vez que possibilitam a realização de atividades interdisciplinares e o planejamento de trabalhos individuais  e  coletivos.”  (GUIA DE LIVROS DIDÁTICOS 2014, p.10)

No GLD encaminhado pelo MEC encontramos critérios de avaliação do livro didático,

dentre eles o mais importante é a ficha de avaliação, nela o avaliador registra o resultado

observado no livro analisado34.

A avaliação é um trabalho conjunto de vários profissionais, temos descritos no GLD

ações e agentes envolvidos no processo de avaliação, dentre essas ações para o objeto digital

temos: Planejar e avaliar as coleções e objetos digitais pelo coordenador da área e coordenador

institucional; para leitura e pró-análise das coleções e objetos digitais temos coordenador de

área e coordenador adjunto; e para leitura, análise e avaliação das coleções e objetos digitais

temos os avaliadores da área de História35.

Dentre as vinte coleções avaliadas e aprovadas para o ensino de História, destacamos

cinco coleções no GLD de 2014, são elas:

a) Jornadas.hist da Editora Saraiva

b) Projeto Radix da Editora Scipione

c) Projeto Teláris da Editora Ática

d) Coleção Estudar História da Editora Moderna

e) Projeto Araribá da Editora Moderna

34 GUIA DO LIVRO DIDÁTICO 2014, p.11 para saber mais sobre os critérios de avaliação do MEC 35 GUIA DO LIVRO DIDÁTICO 2014, p.16 para saber mais sobre as ações e agentes envolvidos no processo de avaliação do livro didático e objeto digital

29

O critério de escolha das editoras ocorreu a partir da observação do quadro de

Quantidade de Exemplares de Livros Didáticos Adquiridos por Editora para o Ensino

Fundamental e Médio36, onde estas editoras ocupam entre os anos de 2005 e 2013 as principais

posições como fornecedoras de livros didáticos para o MEC.

Cada editora apresentou uma proposta de objeto digital diferente, algumas deram ênfase

no apoio ao professor disponibilizando recursos para planejamento de aula ou até mesmo

estruturação de provas, outras se preocuparam em disponibilizar variedades de recursos

tornando o material mais dinâmico.

3.3 O Mercado Editorial e o Objeto Digital.

A seguir, as editoras pesquisadas e suas propostas de objeto digital.

3.3.1 Editora Saraiva.

A Editora Saraiva ocupa a quarta posição entre as principais editoras de livros didático

no Brasil sua vendagem ficou em torno de 154 milhões de exemplares de livros didáticos de

acordo com o quadro de Quantidade de Exemplares de Livros Didáticos Adquiridos por

Editora37 para os anos de 2005 e 2013. Para o ano de 2013 negociou com o MEC algo em torno

de 21 milhões de exemplares para o ensino fundamental e médio.

Apresentando o Projeto Jornadas.hist dos autores Silvia Panazzo e Maria Luísa Albiero

Vaz a Editora Saraiva destaca no GLD para o objeto digital: sites, livros e filmes, devidamente

acompanhados de sinopse, que tratam dos temas abordados nos diferentes capítulos38.

A editora disponibilizou o objeto em arquivo. Um dos problemas apresentados neste

material é o fato de que o arquivo roda em plataforma a partir de Windows 7 e foi necessário

baixar alguns programas para que o arquivo fosse reconhecido. Não sabemos ao certo a

disponibilidade dos laboratórios de informática nas escolas e tão pouco do acesso e

configuração dos computadores dos alunos em casa.

36 Para outros valores ver Quadro 1 37 Para outros valores ver Quadro 2 38 GUIA DO LIVRO DIDÁTICO 2014, p. 63 para saber mais sobre as propostas da Editora Saraiva

30

Como destaque há um vídeo explicativo sobre o Projeto Jornadas em áudio e vídeo, na

Figura 1 há um slide com as opções de escolha por matéria, a editora disponibiliza apenas um

objeto digital para as disciplinas português, matemática, ciência, história e geografia com a

opção de aluno e professor diminuindo assim o custo da produção do objeto digital.

Na Figura 2 há um slide da capa do livro didático digitalizado com as opções de todos

os títulos da unidade no canto direito, basta apenas clicar que o livro é aberto diretamente na

unidade escolhida.

Dentre as ferramentas apresentadas pela editora na Figura 3 há opções de atividades

para o aluno e as possibilidades de atividades variam de acordo com a unidade escolhida.

A Figura 4 apresenta as informações extras da unidade, porém nem todas as unidades

apresentam estas informações a mais, variam de acordo com o tema da unidade.

Na Figura 5 há o slide de uma ferramenta chamada Estojo, nela o aluno pode fazer

anotações em uma caixa, formatar o texto e salvar posteriormente em outro arquivo.

A Figura 6 apresenta a possibilidade de comparação dos elementos do texto da unidade

com outros textos já trabalhados em sala de aula. Nota-se a caixa aberta no canto superior

direito.

Outras ferramentas foram encontradas no objeto digital entre elas destaca-se: atividades,

escolhas de temas de acordo com o interesse, sugestões de links de acesso à internet,

informações complementares, mapas, possibilidades de salvar a aula no computador ou outro

periférico como pendrive, ferramenta de zoom, marcador de texto, lápis, linha, seta, retângulo,

círculo e borracha e apagar tudo que foi feito etc.

3.3.2 Ática e Scipione.

As editoras Ática e Scipione, fundidas no Grupo Abril Educação, apresentaram o

mesmo objeto digital. Para o Projeto Radix do autor Cláudio Vicentino a editora Scipione

destaca: títulos e subtítulos hierarquizados e indicações claras de textos, filmes, músicas e sites

ao final de cada volume da coleção39.

Para o Projeto Teláris dos autores Reinaldo Seriacopi e Gislane Campos A. Seriacopi

editora Ática destaca: temáticas articuladas ao conteúdo dos livros didáticos40.

39 GUIA DO LIVRO DIDÁTICO 2014, p. 108 para saber mais sobre as propostas da Editora Ática 40 GUIA DO LIVRO DIDÁTICO 2014, p. 114 para saber mais sobre as propostas da Editora Scipione

31

No ano de 2013, juntas as editoras negociaram com o MEC cerca 45 milhões41 de livros

levando o Grupo Abril Educação a maior fornecedora de livros didáticos do país. Entre os anos

de 2005 e 2013, separadas, a Editora Ática assumiu a terceira posição com cerca de 185 milhões

de exemplares e a Editora Scipione a quinta posição com cerca de 98 milhões de títulos

negociados42.

O objeto digital oferecido pelas editoras foi entregue em DVD pelo divulgador. O DVD

não precisa ser instalado em computador e de nenhum recurso especial rodando direto na

plataforma, com também não necessita de estar conectado à internet. Seu software é compatível

a partir da plataforma Windows XP, facilitando o acesso ao conteúdo digital. Contém ícones

grandes, coloridos, sem áudio e de fácil compreensão e está divido em quatro seções na tela

inicial são elas: Conteúdos Digitais, Construtor de Provas, Sequências de Aulas e Planos de

Aulas.

O objeto digital apresenta na Figura 7 a opção de escolher o ano, assunto e tema a ser

trabalhado. No canto direito uma coluna com os recursos gráficos disponíveis para aquela

unidade.

Na Figura 8 um slide com uma aula já preparada no Power Point. Esta opção permite

que o professor modifique os slides, tanto os textos, imagens e a ordem disponível no objeto

digital.

A Figura 9 demonstra uma das atividades disponíveis para o aluno, um exercício de

múltipla escolha com correção automática. Outras possibilidades de exercícios foram

encontrados, como exercícios de complete e infográficos explicativos.

Na opção Construtor de Provas o professor recebe o auxílio do programa, com diversas

questões e gabarito, basta clicar na questão escolhida e ela será dirigida para uma coluna a

direita. Após a prova fechada, o professor pode imprimir e aplicar a prova em sala de aula, ver

Figura 10.

Ainda para o professor, na Figura 11, há uma lista de slides disponíveis com os temas

dispostos nas unidades, entre eles: civilizações, igualdade, movimentos sociais, etc.

Para trabalhar com a opção Planos de Aula, na Figura 12 o professor tem a opção de

escolher o ano e o projeto a ser trabalhado, Radix ou Teláris, Após a escolha o programa

disponibiliza os planos de aula com: tema, sugestões de números de aula, objetivo, estratégias

e recurso e avaliação.

41 Para outros valores ver Quadro 2 42 Para outros valores ver Quadro 1

32

Dentre os objetos analisados, o Grupo Abril Educação apresentou um programa simples,

rápido, com poucas ferramentas, com a ausência do livro didático digitalizado, com boas opções

de exercícios para o aluno e maiores recursos de auxílio ao professor. Entre as inovações

apresentou o uso do Power Point um programa gráfico já popularizado.

3.3.3 Moderna

A Editora Moderna é a principal fornecedora de livros didáticos no país, entre os anos

de 2005 e 2013 disponibilizou cerca de 218 milhões43 de exemplares para ensino fundamental

e médio. No ano de 2013 ficou na segunda posição entre as editoras de didáticos

disponibilizando 258 títulos com uma tiragem em torno de 23 milhões de exemplares.

A editora Moderna encaminhou dois objetos digitais em DVD, um foi entregue pelo

divulgador e outro via Sedex.

Para o projeto Estudar História: das origens do homem à era digital da autora Patrícia

Ramos Braick a editora privilegia: o uso das imagens, linha do tempo e mapas com

ilustrações44.

Para o projeto Araribá História da autora Maria Raquel Apolinário destaca o uso do

audiovisual45.

O objeto digital possui livro digital, caixa de ferramenta, áudio e vídeo como também a

opção de escolha do material para aluno e professor. Os recursos não variam de uma coleção

para outra, tecnicamente os objetos são semelhantes, diferenciando-se na metodologia46

empregada. Para aluno e professor também não há diferença no uso dos recursos.

A Figura 15 no projeto Estudar História demonstra um dos recursos disponíveis que

permite abrir e salvar a página do livro digital no computador ou outro periférico.

Figura 16 no projeto Estudar História existe um mecanismo de busca que localiza

palavras pré-digitadas identificando a página.

43 Para outros valores ver Quadro 1 44 GUIA DO LIVRO DIDÁTICO 2014, p.28 para saber mais sobre as propostas da Editora Moderna 45 GUIA DO LIVRO DIDÁTICO 2014, p.102, para saber mais sobre as propostas da Editora Moderna 46 GUIA DO LIVRO DIDÁTICO 2014 p. 31 e p.105, para saber mais sobre as propostas pedagógicas da Editora Moderna.

33

Uma opção disponível no objeto digital é marcar parte do texto que se queira destacar.

As ferramentas para isso são várias,  desde  marcadores  simples  como  “canetinha”, círculos e

retângulos de várias cores. Na Figura 17 há um exemplo de marcação diferente, onde uma

borracha apaga parte do livro digital deixando apenas o que se quer destacar.

A Figura 18 apresenta uma ferramenta chamada Vínculo Interno, nela o aluno ou

professor pode acessar simultaneamente outros arquivos salvos no computador ou periférico.

A Figura 19 apresenta um recurso semelhante chamada Vínculo Externo onde permite

que se acesse simultaneamente link da web, arquivo externo ou um recurso do livro digital.

A Figura 20 mostra a ferramenta que acessa os recursos de animações no objeto digital

com título e página.

Na Figura 21 há o projeto Araribá com as páginas do livro digital em miniaturas.

A Figura 22 no Projeto Araribá página com zoom e página correspondente no canto

superior direito, outras possibilidades de aproximação estão disponíveis no objeto digital.

Entre os recursos similares do objeto digital está a procura das páginas, desde digitar o

número a troca-la como nas páginas de livro impresso, veja Figura 23.

Para ajudar o aluno e o professor a usar corretamente os recursos digitais, a Editora

Moderna disponibilizou uma ferramenta de ajuda. Na Figura 24 temos o exemplo de navegação

no objeto digital e na Figura 25 como utilizar as ferramentas disponíveis.

No objeto digital apresentado pela Editora Moderna o destaque está para o livro

didático digital e as múltiplas possibilidades de uso das ferramentas. Os ícones de identificação

das ferramentas são semelhantes ao padrão já popularizado. Desta maneira não há muitas

dificuldades de utilização. Permanece ainda a incompatibilidade com plataforma anteriores ao

Windows 7 bem como a necessidade de conexão a internet.

4 O LIVRO DIDÁTICO E O OBJETO DIGITAL

As principais editoras brasileiras produzem livro didático. Sem o livro didático o

mercado editorial brasileiro seria diferente de como o conhecemos hoje. Para garantir a venda

dos livros produzidos as editoras procuram se adaptar ao PNLD como também acompanhar as

mudanças nas pesquisas acadêmicas, tornando o livro didático mais atual. A mais recente

adaptação editorial as exigência do MEC é o objeto digital.

As quatro editoras analisadas ofereceram ao MEC a opção do objeto digital e juntas

mantiveram as principais posições como fornecedoras de livros didáticos e objetos digitais no

34

país, a Editora Richmond ocupa a quarta posição47 de acordo com o quadro Valores Negociados

Para Livros Impressos E Conteúdos Multimídia, mas não ofereceu objeto digital para o ano de

2014.

Não podemos ainda prever o impacto do uso do objeto digital na educação brasileira.

Uma vez que esta é uma mudança recente e não há dados suficientes para uma melhor análise.

Outro fator ainda não disponível é como será a adaptação da escola, professores e alunos

ao objeto digital e seu uso com o livro didático, pois as pesquisas estão em fase de produção.

47 Para outros valores ver Quadro 3

35

CONCLUSÃO

Para alcançar posição privilegiada entre as principais potências econômicas mundiais a

sociedade brasileira enfrenta o desafio de vencer o analfabetismo. O analfabetismo prejudica a

sociedade, aumenta a violência, leva crianças ao trabalho forçado e as afasta da escola e de um

melhor convívio social.

A falta de escolarização acarreta um fator que prejudica muito o crescimento econômico

brasileiro, refletindo nas indústrias, no comércio e nos serviços terceirizados, esse fator é o

iletramento da população brasileira. Para minimizar este problema é necessário um incentivo à

prática da leitura, sem a qual não se alcança uma sociedade letrada.

O livro didático é de fundamental importância no processo de educação e letramento de

uma sociedade, pois ele alcança professores e alunos. Ele é pensado e produzido com fins

educacionais e sustenta todo o mercado editorial brasileiro.

O governo brasileiro vem ao longo dos anos criando políticas educacionais para

diminuir o analfabetismo entre crianças e adultos, as editoras brasileiras procuram adaptar sua

produção às mudanças políticas e atender as exigências do MEC.

O objeto digital é a mais nova exigência do MEC. O governo traça diretrizes para

produção do livro didático e os objetos digitais acompanham essas mudanças, fazendo uso de

novas tecnologias.

Como na produção do livro didático, as editoras atenderam a essa nova demanda do

MEC, produzindo objetos digitais educativos e dinâmicos, mas não levaram em conta as

estruturas das escolas, o padrão social e econômico de professores e alunos.

Para um bom uso do objeto digital é necessário que cada aluno tenha um computador

em casa e que cada escola possa atender com qualidade essa nova proposta de ensino.

Atualmente o livro didático continua sendo a melhor opção para as escolas que não possuem

estrutura física e tecnológica e para professores e alunos que não dominam novas tecnologias.

O uso em conjunto do livro didático e do objeto digital tem muito a acrescentar a

educação brasileira, tornando essa parceria importante para transformar a sociedade e diminuir

consideravelmente o analfabetismo.

36

REFERÊNCIAS ABREU, Márcia, Leitura, história e história da leitura/Márcia Abreu (org) – Campinas,

SP: Mercado de Letras: Associação de Leitura do Brasil; São Paulo: Fapesp, 1999

APOLINÁRIO, Maria Raquel, Projeto Araribá História 3ª edição Editora Moderna, 2010

BRAICCK, Patrícia Ramos, Estudar História: das origens do homem à era digital Coleção Tipo 2 – 1ª edição Editora Moderna, 2011

CHARTIER, Roger, A aventura do livro: do leitor ao navegador: conversações com Jean Lebrun/Roger Chartier; tradução Reginaldo Carmello Corrêa de Moraes – São Paulo: Imprensa Oficial do Estado de São Paulo: Editora UNESP, 1998

CUNHA, Luiz Antônio, o Golpe na Educação, 6ª edição – Jorge Zahar Editor Ltda. – Rio de Janeiro – 1989.

FOLHA DIRIGIDA, disponível em http://www1.folha.uol.com.br/educacao/2014/01/1404371-brasil-e-o-8-pais-com- mais-adultos-analfabetos-aponta-unesco.shtml acesso em 29/01/2014

FREITAS, Marcos Cezar, Historiografia brasileira em perspectiva/ Marcos Cezar Freitas (org) – 4 ed. – São Paulo: Contexto, 2001

GUIA DE LIVROS DIDÁTICOS: PNLD 2014 história: ensino fundamental: anos finais – Brasília: Ministério da Educação Secretaria de Educação Básica 2013

INEP, Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Anísio Teixeira, Mapa do Analfabetismo no Brasil 2014

MEC PNBE, disponível em http://portal.mec.gov.br/index.php?option=com_content&view=article&id=20109 acesso em 29/01/2014

_____ FNDE, disponível em http://www.fnde.gov.br/ acesso em 29/01/2014

_____ INSCRIÇÕES EM LIVROS DIDÁTICO 2016 http://www.fnde.gov.br/fnde/sala-de- imprensa/noticias/item/5281-editores-podem-inscrever-livros-didáticos-para-2016-a- partir-de-abril acesso em 29/01/2014

_____EDITAIS DO LIVRO DIDATICO http://www.fnde.gov.br/programas/livro- didatico/livro-didatico-editais acesso em 29/01/2014

_____EDITAIS DO PNLD http://www.fnde.gov.br/programas/livro-didatico/livro-didatico- editais acesso em 29/01/2014

_____ESTATÍSTICAS DO PNLD http://www.fnde.gov.br/programas/livro-didatico/livro- didatico-dados-estatisticos acesso em 29/01/2014

_____GUIAS DO LIVRO DIDÁTICO http://www.fnde.gov.br/programas/livro- didatico/guia-do-livro acesso em 29/01/2014

37

_____GUIAS DO LIVROS DIDÁTICO 2014 http://www.fnde.gov.br/programas/livro- didatico/guia-do-livro/guia-pnld-2014 acesso em 29/01/2014

_____MecDaisy http://www.fnde.gov.br/index.php/programas/livro-didatico/livro-didatico- apresentacao acesso em 29/01/2014

_____PNLEM http://www.fnde.gov.br/component/k2/item/4289-guia-pnlem- 2009?highlight=YToxOntpOjA7czo1OiJwbmxlbSI7fQ acesso em 04/03/2014

PANAZZO, S.; VAZ, M.L., Jornadas Hist-História Coleção Tipo 2 – 2ª edição Editora Livreiros Editores: 2012

SERIACOPI, R.; SERIACOPI G. C., Projeto Teláris – História Coleção Tipo 2 – 1ª edição Editora Ática: 2012

UNESCO, Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura, Relatório de Monitoramento Global EPT 2013/14 Ensinar e Aprender: alcançar a qualidade para todos

VICENTINO, Cláudio, Projeto Radix – História Coleção Tipo 2 – 2ª edição Editora Scipione: 2012

38

ANEXOS

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FIGURA 1: A tela inicial com opção de escolha de disciplina, aluno ou professor.

FONTE: Objeto Digital Editora Saraiva 2014

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FIGURA 2 - Projeto Jornadas – A opção Sumário disponibiliza os títulos da unidade

FONTE: Objeto Digital Editora Saraiva 2014

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FIGURA 3- Projeto Jornadas - Após a escolha do título da unidade, no canto superior esquerdo, opções para escolha de atividades.

FONTE: Objeto Digital Editora Saraiva 2014

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FIGURA 4 - Projeto Jornadas - Neste slide há informação extra

FONTE: Objeto Digital Editora Saraiva 2014

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FIGURA 5 - Projeto Jornadas - Ferramenta Estojo no canto esquerdo, opção de anotações no texto do livro digital.

FONTE: Objeto Digital Editora Saraiva 2014

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FIGURA 6 - Projeto Jornadas - Ferramenta para comparação de documento, pode-se arrastar elementos do texto para dentro da caixa e depois

compara-los separadamente.

FONTE: Objeto Digital Editora Saraiva 2014

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FIGURA 7 – Conteúdo digital - Nesta página há uma opção de escolha do ano a ser trabalhado, o assunto e o tema, além de umas busca mais

detalhada onde o programa apresenta o material disponível.

FONTE: Objeto Digital Editora Ática e Scipione 2014

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FIGURA 8 – Conteúdo digital - Nesta figura há uma tela em Power Point com todos os slides disponíveis para uso em aula.

FONTE: Objeto Digital Editora Ática e Scipione 2014

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FIGURA 9 – Conteúdo digital - A atividade é corrigida durante o exercício.

FONTE: Objeto Digital Editora Ática e Scipione 2014

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FIGURA 10 - Construtor de provas - Basta clicar na questão escolhida e esta será selecionada para a construção da prova.

FONTE: Objeto Digital Editora Ática e Scipione 2014

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FIGURA 11 – Sequência de aulas - Nesta figura encontra-se a lista de slides com os principais assuntos de cada disciplina e ainda a opção de salvar

ou apenas abrir os slides.

FONTE: Objeto Digital Editora Ática e Scipione 2014

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FIGURA 12 – Planos de aula – Possibilidade de escolher dois projetos diferentes: Projeto Radix do autor Cláudio Vicentino da editora Scipione e

Projeto Teláris dos autores Gislane Azevedo e Reinaldo Seriacopi da editora Ática.

FONTE: Objeto Digital Editora Ática e Scipione 2014

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FIGURA 13 – Planos de aula - A figura mostra Projeto Teláris – plano de aula para o professor contendo tema, sugestão de números de aulas,

objetivos, estratégias e recursos e avaliação.

FONTE: Objeto Digital Editora Ática e Scipione 2014

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FIGURA 14 – Planos de aula - A figura mostra Projeto Radix – plano de aula para o professor contendo tema, sugestão de números de aulas,

objetivos, estratégias e recursos e avaliação.

FONTE: Objeto Digital Editora Ática e Scipione 2014

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FIGURA 15 – Projeto Estudar História - Ferramenta que permite abrir e salvar a página do texto no computador.

FONTE: Objeto Digital Editora Moderna 2014

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FIGURA 16 – Projeto Estudar História - Ferramenta de busca.

FONTE: Objeto Digital Editora Moderna 2014

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FIGURA 17 – Projeto Estudar História - Ferramenta que permite destacar apenas uma parte da página do texto.

FONTE: Objeto Digital Editora Moderna 2014

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FIGURA 18 – Projeto Estudar História - Ferramenta chamada Vínculo Interno que abre uma caixa de acesso a arquivos no computador.

FONTE: Objeto Digital Editora Moderna 2014

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FIGURA 19 – Projeto Estudar História - Ferramenta chamada Vínculo Externo que permite acesso a link da web, arquivo externo ou um recurso

do livro digital.

FONTE: Objeto Digital Editora Moderna 2014

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FIGURA 20 – Projeto Araribá - Recurso que abre animações no DVD disponibilizando título e página

FONTE: Objeto Digital Editora Moderna 2014

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FIGURA 21 – Projeto Araribá - Recurso que permite ver todas as páginas do livro em miniatura.

FONTE: Objeto Digital Editora Moderna 2014

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FIGURA 22 – Projeto Araribá - Recurso que permite aproximar o texto, nota-se as páginas em miniatura no canto superior direito.

FONTE: Objeto Digital Editora Moderna 2014

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FIGURA 23 – Projeto Araribá - Exemplo de mudança de página.

FONTE: Objeto Digital Editora Moderna 2014

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FIGURA 24 – Projeto Araribá - Botão de ajuda com a navegação.

FONTE: Objeto Digital Editora Moderna 2014

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FIGURA 25 – Projeto Araribá - Botão de ajuda para usar as ferramentas.

FONTE: Objeto Digital Editora Moderna 2014

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QUADRO 1: Quantidade de Exemplares de Livros Didáticos Adquiridos por Editora.

FONTE: MEC

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QUADRO 2: Lista Das Editoras E Valores Negociados.

FONTE: MEC

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QUADRO 3: Valores Negociados Para Livros Impressos E Conteúdos Multimídia.

FONTE: MEC

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