O papel da educação na atenção à adolescente grávida, Notas de estudo de Literatura

O papel da educação na atenção à adolescente grávida, Notas de estudo de Literatura

6 páginas
8Números de download
1000+Número de visitas
Descrição
O papel da escola no convívio com a adolescente grávida
20 pontos
Pontos de download necessários para baixar
este documento
Baixar o documento
Pré-visualização3 páginas / 6
Esta é apenas uma pré-visualização
3 mostrados em 6 páginas
Esta é apenas uma pré-visualização
3 mostrados em 6 páginas
Esta é apenas uma pré-visualização
3 mostrados em 6 páginas
Esta é apenas uma pré-visualização
3 mostrados em 6 páginas

O PAPEL DA EDUCAÇÃO NA IDADE CONTEMPORÂNEA

O papel da educação na atenção à adolescente grávida

Alex Alves de Oliveira Carvalho e Walter Nascimento Farias Filho Prof. Wilkerson Bezaleel Soares

Centro Universitário Leonardo da Vinci – UNIASSELVI Matemática (MAD 0228) – Seminário da Prática II

10/12/2014

RESUMO

A gestação na fase da adolescência compõe um estudo de fundamental importância no campo da obstetrícia e para a realidade social em que vive grande parte da população do Brasil, pois, existe um grande número de adolescentes grávidas em idade escolar fora das salas de aula, gerando um processo conhecido por evasão escolar, o qual é de grande relevância para o sistema educacional, gerado muitas vezes pelo despreparo dos docentes com relação ao tema, ou até mesmo, o descaso por parte de alguns, que por sua vez, prefere não enxergar e não envolver-se com a causa. A escola, na maioria das vezes, torna-se omissa, quando não aborda em seu calendário letivo, temas como sexualidade, contracepção, DST ou até mesmo, o próprio tema em questão que é a gravidez na adolescência, não buscando interagir com a família com objetivo de promover educação. O presente trabalho tem como foco, enfatizar os aspectos que direcionam a precocidade das gestações, avaliando os pilares familiar e escolar nos dias atuais que por sua vez, encontram-se enfraquecidos, onde a falta de diálogo leva as adolescentes a caminharem sozinhas sem noção do que venha a ser realmente sexualidade e como vivenciá-la, deparando-se com resultados que podem vir a marcar as suas vidas de forma positiva ou negativa, a depender do contexto em que as adolescentes se encontrem. A gravidez nesta fase da vida, em grande parte das situações constitui algo não esperado e não planejado que por conseqüência da distância criada pela falta de diálogo entre família, escola e adolescente, pode culminar em situações que variam desde a evasão escolar até mesmo à tentativa de abortamento e em alguns casos, em fatalidade, como a morte da criança, da mãe ou ambas.

Palavras-chave: educação; gestação; adolescência.

1 INTRODUÇÃO

O presente tema aborda o período gestacional na adolescência, os seus sinais e sintomas e a

importância da família e da escola no decorrer da gravidez. A gestação na adolescência é um

período conturbado, pois nesta fase de vida da mulher que compreende o período que intercala a

infância e a fase adulta, constitui o momento da descoberta da sexualidade. A escola é um veículo importante para a construção acerca do tema, sendo fundamental compor um quadro de docentes

capacitados para a atenção às alunas adolescentes que estão em período gestacional, onde estas

sejam vistas de forma holística e que seus anseios e dúvidas, sejam esclarecidos. A família deve

estar aberta ao diálogo e ao apoio, pois, a interação trinômio família, escola e adolescente, devem

contribuir para uma gravidez saudável.

2 BREVE RELATO SOBRE PERÍODO GESTACIONAL E SEUS CONCEITOS

O período gestacional é compreendido como um momento de grande importância no ciclo

de vida da mulher. Para entender todo processo de mudança ocorrido no sistema orgânico da

gestante, faz-se necessário buscar e trazer para o seu dia-a-dia, da família, escola e do profissional

que a acompanha no desenvolver do período pré-natal, a compreensão da fisiologia da gestação,

associado às mudanças não só de caráter fisiológico e os possíveis aspectos patológicos que

porventura venham a ocorrer ao longo da gestação e, também é importante que os profissionais de saúde, tenham em mente, a necessidade de desenvolver de forma contínua, a educação em saúde,

voltado para o ciclo gravídico-puerperal.

O diagnóstico da gravidez baseia-se na história, no exame físico e nos testes laboratoriais.

No atraso menstrual que não ultrapassa 16 semanas da data da DUM (data da última menstruação)

deve-se realizar o TIG (teste imunológico para a gravidez) e nas mulheres com atraso maior que 16

semanas o teste laboratorial é dispensável.

O diagnóstico da gravidez baseia-se em sintomas referidos e em sinais identificados durante o exame físico da mulher. Cada um desses sintomas e sinais possui certo grau de confiabilidade, pois permite classificá-los em sinais de presunção, sinais de probabilidade e sinais de certeza de gravidez. (BONADIO; TSUNECHIRO, 2006 P. 5).

Os sinais presuntivos são de caráter subjetivo e observado pela própria mulher, sendo

experimentados em períodos variados, e dentre eles, podem ser citados: amenorréia (ausência da

menstruação), náuseas (enjôos) e êmese (vômitos), aumento da freqüência urinária, dentre outras.

Os sinais e sintomas de probabilidade da gravidez são evidenciados pelas mudanças observadas pelo profissional de saúde que a examina (medico ou enfermeiro): alterações cutâneas, aumento do

abdômen e do útero e a palpação do contorno de feto. Já os sinais de certeza de gestação não são

evidenciados até a décima oitava semana ou vigésima semana de gestação. São os relacionados ao

feto, estando dentre eles: ausculta dos batimentos cardío-fetais, a presença de movimentos fetais

identificada pelo examinador e o delineamento (visualização do contorno esquelético fetal) da

gestação por meio da ultrassonografia.

A atenção em obstetrícia traz como pontos essenciais, a qualidade e a humanização na

assistência. Todo serviço de saúde deverá ter como foco primário do seu trabalho, o atendimento

humanitário àquela mulher que procura o serviço pré-natal, parto e puerpério, considerando-a como

sujeito e não como objeto passivo de atenção, pois, o olhar holístico, torna-se uma base que norteia

a humanização da assistência, gerando resultados positivos na atenção à saúde. Humanizar

significa valorizar os diferentes sujeitos envolvidos no processo de produção de saúde, buscando o

estabelecimento de laços solidários. A atenção pré-natal e puerperal deve incluir ações de promoção

e prevenção da saúde, além de diagnóstico e tratamento adequado dos problemas que possam vir a

ocorrer nesse período.

2.1 A GRAVIDEZ NA ADOLESCÊNCIA E O CONVÍVIO FAMILIAR

O período conhecido como adolescência, compreendido segundo literaturas, entre as fases

de vida humana conhecidas como infância e a fase adulta, constitui na maioria das vezes, uma fase bastante conturbada em virtude das descobertas, que acabam por serem opositoras às idéias dos pais

e irmãos. Neste momento da vida, ocorre a formação da identidade, instante no qual os diálogos

abrangem brincadeiras, descoberta da sexualidade, envolvendo o namoro e tabus. Muitas alterações

são percebidas na fisiologia do organismo, nos pensamentos e nas atitudes desses jovens.

Durante o período de transformações, o apoio dado às adolescentes é muito importante, para que elas tolerem as mudanças a que estão sujeitas e não se sintam vulneráveis às transformações biopsicossociais. Para tanto a família deve estar bem estruturada, a fim de não facilitar a ocorrência, comum entre as adolescentes, de violência, uso de drogas e gravidez precoce. (GODINHO, 2000).

Em virtude das alterações biopsicossociais sofridas pelas adolescentes, é primordial que

estas tenham uma boa base familiar, pondo em prática além da educação na escola, a educação

familiar, que venha a nortear e direcionar o processo educativo e inclusivo da adolescente na

sociedade, estabelecendo uma boa relação interpessoal com as pessoas de seu convívio. A interação

entre pais e filhos, deverá ser abrangente no que tange os aspectos escolares, sexualidade, religião,

cultura dentre outros, estando o diálogo como elo desta relação, pois a conversa com os pais torna-

se capaz de derrubar mitos e informações que venha a conduzir a menor para caminhos não

condizentes aos princípios regidos pela ética e moral. É importante que os pais conversem com os

seus filhos, dando-lhes esclarecimentos sobre sexualidade, dialogando o assunto para evitar problemas durante o período conturbado da vida adolescente. Filhos esclarecidos são filhos

estruturados. O problema da gravidez na adolescência é justamente a falta de informação, diálogo e

falar sobre sexualidade não é fácil para os pais, porém torna-se necessário, pois, assume um ponto

fundamental para o desenvolvimento dos filhos. “Na adolescência, o indivíduo ainda não possui

capacidade para racionalizar as conseqüências de seu comportamento sexual, deparando-se

freqüentemente com situações de risco, como gravidez não planejada ou indesejada.” (GODINHO,

2000)

Na maioria das vezes, o comportamento das adolescentes encontra-se marcado pelas

descobertas, onde o anseio e a satisfação por experimentar aquilo que em sua vida se torna algo

novo, sem colocar como ponto de partida a razão sem nenhuma preocupação e consciência sobre as

conseqüências dos seus atos. É importante a orientação dos pais, pois os adolescentes ainda não

estão com as faculdades mentais formadas, principalmente sobre sexualidade e os riscos que podem

correr, como por exemplo, uma gravidez indesejada, doenças sexualmente transmissíveis, sendo

importante que os lhes dêem informação.

A gestação na adolescência nos últimos tempos vem ocorrendo em grande escala, devido à

precocidade das relações sexual. A ocorrência da gestação relaciona-se a diversos pontos, como: a

questão biológica, tendo como relação à menarca precoce, conhecida popularmente como primeira

menstruação; a convivência familiar; o meio social em que vivem os adolescentes, pois tanto a família quanto a sociedade estão mudando os seus conceitos quanto à sexualidade, tornando-se

liberais em relação aos antigos valores familiares.

A ocorrência da gestação na adolescência traz para a família e para a adolescente alguns

contratempos, tanto no aspecto de convivência familiar, social, como também como complicações

obstétricas tais como anemia, ganho de peso insuficiente, hipertensão, infecção urinária; morte da

mãe decorrente de complicações da gravidez, parto e puerpério.

2.2 A GRAVIDEZ NA ADOLESCÊNCIA E O SISTEMA EDUCACIONAL

O direito à escola constitui um fator de suma importância, pois, além de ser uma forma de

inclusão social é um direito fundamental que precisa ser assegurando a toda criança e adolescente

sem distinção e com absoluta prioridade. No atual contexto social, a gravidez na adolescência

torna-se marcante, compondo uma das principais razões para o processo de evasão escolar,

relacionado muitas vezes, ao despreparo do sistema educacional em acolher esta adolescente

grávida, a qual, na maioria das vezes, não possui a garantia dos seus direitos que são regidos pelo

próprio estatuto da criança e do adolescente. Portanto, não basta apenas informar que o direito

existe e sim, assegurá-lo, mais especificamente no que diz respeito àquelas adolescentes que ficam

excluídas do ensino ao qual tem direito, por conseqüência de uma gravidez não planejada.

A gravidez na adolescência não dimensiona ou denuncia o problema maior à evasão escolar.

A conscientização de uma gravidez precoce abre portas para a sala de aula, um local privilegiado para discutir o assunto, porém, os professores deverão ser capacitados e sem preconceitos para que

a instrução funcione. “Como professor não me é possível ajudar o educando a superar sua

ignorância se não supero permanentemente a minha. Não posso ensinar o que não sei” (Paulo

Freire). As dificuldades são muitas, mas o professor deverá trabalhar muito, para vencer as barreiras

e oferecer à adolescente gestante, uma educação de qualidade.

No entanto, também necessário, a intersetorialidade no acompanhamento do dia-a-dia da

gestante e, no caso da adolescente, a interação entre os serviços de saúde e o ambiente escolar é de

suma importância, pois a escola deve ser preparada para receber, acolher e saber conduzir suas

ações educativas relacionadas à aluna adolescente que se encontra em período de gestação,

buscando estabelecer laços com o sistema de saúde, o social e o familiar.

3. CONSIDERAÇÕES FINAIS

A gravidez na adolescência ainda é um tabu na sociedade atual, causando a evasão escolar.

A família contribui em grande parte para o acontecimento do fato em questão, quando por sua vez,

não dialoga e não se faz presente na vida da adolescente. A gestação precoce, inerente a todas as classes sociais, deve ser um tema de relevante importância tanto na escola, como nas religiões e

principalmente no âmbito familiar, sendo primordial a orientação por parte de todos envolvidos na

vida da adolescente.

REFERÊNCIAS

MONTENEGRO, C.A. B; REZENDE FILHO, J. Rezende. Obstetrícia Fundamental. 12. ed. Rio

de Janeiro: Guanabara Koogan, 2011.

BARROS, Sônia Maria Oliveira de. Enfermagem no ciclo gravídico-puerperal. 1. ed. São Paulo:

Manole, 2006.

HEILBORN, Maria Luiza. Gravidez na adolescência e sexualidade: uma conversa franca com

educadores e educadoras, CEPESC/REDEH, 2008.

DIAS, Ana Cristina Garcia; GOMES, Willian. Conversas sobre sexualidade na família e

gravidez na adolescência: a percepção dos pais, UFRS/1999.

ALMEIDA, Marcela. Gravidez na Adolescencia: praticas pedagogicas e competencias profissionais. Disponível em: http://www.ebah.com.br/content/ABAAAe0ugAE/gravidez-na- adolescencia-praticas-pedagogicas-competencias-profissionais. Acesso em 15 de Nov. de 2014.

Godinho RA, Schelp JRB, Parada CMGL, Bertoncello NMF. Adolescentes e grávidas: onde

buscam apoio? Revista Latino-Americana de Enfermagem. 2000; 8(2): 25-32.

Até o momento nenhum comentário
Esta é apenas uma pré-visualização
3 mostrados em 6 páginas